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Relatório Narrativo-Jornalístico: Contabilidade de Empresas de Decoração
Resumo executivo
Em 18 meses de observação do Ateliê Lúmen — pequena empresa de decoração com atuação em São Paulo — emergiu um mapa de desafios contábeis que reflete o setor: receitas mistas (serviços e mercadorias), prazos longos de projeto, compras internacionais, e necessidade de controle de estoques de mobiliário. Enquanto o proprietário relata crescimento de 35% na carteira de clientes, a margem operacional estagnou em 8% por falhas de precificação e baixa previsibilidade do caixa. Este relatório narra a trajetória da empresa, analisa práticas contábeis e apresenta recomendações objetivas.
Metodologia
Acompanhamento in loco, entrevistas com o sócio-fundador, consulta a documentos fiscais, planilhas de custo de três projetos e relatório bancário dos últimos 12 meses. Abordagem jornalística: fatos verificados, citações diretas e dados quantificados. Formato de relatório: diagnóstico, análise e diretrizes.
Narrativa operacional
Era janeiro quando o Ateliê Lúmen recebeu dois contratos simultâneos: um projeto residencial de alto padrão e a execução de um showroom corporativo. A equipe comemorou, mas logo enfrentou um nó contábil. O showroom exigia compra de equipamentos importados, com tributos de importação, e o residencial demandava móveis nacionais sob consignação. As notas fiscais vieram em formatos diferentes: NF-e para mercadorias, NFS-e para serviços, e notas de fornecedor sem detalhamento de impostos. “Perdemos tempo classificando notas e reagendando pagamentos”, disse o sócio. O resultado foi atraso de fornecedores e retenção de pagamento de clientes por falta de medições formais.
Diagnóstico contábil
1) Receita e reconhecimento: a empresa não uniformizou política de reconhecimento por etapas. Alguns projetos foram faturados adiantado, outros ao final, criando distorção de receita e de margem por período.
2) Custos diretos e indiretos: faltava rateio consistente de custos fixos (aluguel, administrativo) sobre projetos. Custos com frete e impostos de importação eram tratados como despesas gerais, comprimindo margem real de projeto.
3) Estoque e consignação: móveis em consignação não eram registrados adequadamente, inflando ativos e distorcendo giro de estoque.
4) Tributação: enquadramento no Simples Nacional parecia vantajoso, mas a combinação de venda de mercadorias (sujeita a ICMS) e serviços (ISS) demandava apuração cuidadosa para evitar bitributação ou recolhimentos indevidos.
5) Fluxo de caixa: ausência de forecast com base em cronograma físico-financeiro. A empresa adotava pagamentos mensais fixos, sem alinhar desembolsos a etapas de compra.
Análise numérica (exemplos)
- Margem bruta média do portfólio: 28%, mas margem operacional efetiva: 8% devido a custos alocados de forma imprecisa.
- Ciclo financeiro médio subiu de 45 para 78 dias em 12 meses por adiantamentos a fornecedores e recebíveis em aberto.
- Estoque: 12% do ativo circulante eram itens em consignação não reconhecidos.
Boas práticas recomendadas
- Política de reconhecimento de receita: implantar método por percentual de conclusão para projetos com múltiplas entregas; padronizar cláusulas contratuais sobre cronograma de pagamentos ligados a entregas mensuráveis.
- Plano de contas específico: incluir contas separadas para compras para revenda, compras para consumo interno, e compras sob consignação; detalhar tributos incidentes (ICMS, IPI, ISS, PIS/COFINS).
- Custos por projeto: utilizar job costing com rateio de custos indiretos por horas trabalhadas ou por valor do projeto; calcular markup por categoria (mobiliário, consultoria, execução).
- Controle de estoque e consignação: registrar entradas e saídas com centro de custo por projeto; documentar mercadorias em consignação no contas a receber ou contratos.
- Fluxo de caixa e financiamento: elaborar forecast mensal a 12 meses, com cenários; negociar prazos com fornecedores e antecipação de recebíveis quando necessário.
- Compliance tributário: revisar enquadramento tributário anualmente; quando houver volume significativo de mercadorias, avaliar migrar do Simples para Lucro Presumido ou Lucro Real conforme impacto de créditos de PIS/COFINS e ICMS.
- Sistemas e automação: adotar ERP com integração entre NFS-e, NF-e e financeiro; uso de CRM integrado ao financeiro para vincular contratos a contas.
Conclusões e direcionamentos
A contabilidade para empresas de decoração não é apenas obrigação fiscal: é ferramenta estratégica para precificar projetos, proteger margem e permitir crescimento sustentável. No caso do Ateliê Lúmen, medidas simples — políticas contratuais padronizadas, job costing e forecast — reduziram o ciclo financeiro em 30 dias e elevaram a margem operacional projetada em 4 pontos percentuais no trimestre seguinte. A recomendação final é que o empreendedor trate a contabilidade como parceiro do negócio: contadores com experiência no setor, sistemas que conversem entre si e processos operacionais alinhados garantem previsibilidade e lucro.
PERGUNTAS E RESPOSTAS
1) Qual regime tributário é mais comum?
R: Simples Nacional é comum em pequenos escritórios, mas deve-se avaliar mercadorias e serviços; Lucro Presumido pode ser vantajoso com volume alto de vendas de bens.
2) Como precificar projetos corretamente?
R: Use job costing, some custos diretos, rateie custos indiretos e aplique markup desejado considerando risco e prazo.
3) Como tratar mercadorias em consignação?
R: Registrar contrato, não reconhecer estoque próprio; reconhecer receita apenas quando a venda for efetiva.
4) Que controles reduzem atrasos de pagamento?
R: Cronograma físico-financeiro por projeto, cláusulas contratuais de etapas e retenções, e conciliação bancária semanal.
5) Quais KPIs essenciais para acompanhar?
R: Margem por projeto, ciclo financeiro (dias de recebimento), giro de estoque, lucro por metro quadrado/por hora e taxa de retrabalho.

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