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296 FLORISBAL DE SOUZA CURSO DE DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO 297 Na zona econômica exclusiva goza o Estado costeiro do direito de so- A expressão plataforma continental tem sido a mais empregada, ao berania para fins de exploração e aproveitamento, conservação e utilização lado de plataforma submarina, plataforma plataforma litoral, dos recursos naturais, vivos ou inanimados, embora não disponha dessa so- áreas submarinas e meseta continental, tidas como sinônimos. berania sobre a porção equórea, o que ocorre com o mar territorial. Exerce, Pela Convenção de 1982, a delimitação da plataforma continental ainda, o país ribeirinho jurisdição para colocar e utilizar ilhas artificiais e tem como princípio o acordo entre os Estados. Inúmeros problemas têm instalações, podendo, inclusive criar zona de segurança em torno das mes- surgido, devido a peculiaridades que o tema enseja, como o fato de dispor mas, com extensão de até 500 metros; para investigação científica marinha; qualquer ilha de sua própria plataforma. Assim, entre outros, houve litígio e para proteção do meio marinho. na delimitação de plataformas, entre França e Inglaterra; Tunísia e Líbia; Dispõem os demais Estados, inclusive os sem-litoral, de liberdades Islândia e Noruega; Grécia e Turquia; e Estados Unidos e Canadá, solucio- de navegação, de sobrevôo e de colocação de cabos submarinos, que são nados através de arbitragem, conciliação ou pela Corte Internacional e características de alto-mar. Poderão, mediante concessão do país costeiro, Justiça.¹⁰ ao qual cabe preservar e conservar os recursos vivos da zona econômica A jurídica da plataforma continental, que começa depois do exclusiva, efetuar a captura do excedente desses recursos, respeitando os mar rial, outrossim, é distinta da noção geográfica, na qual ela se ini- cia na costa. regulamentos do Estado concedente. No Brasil, a Lei n° 8.617, de 4 de janeiro de 1993, está consentânea 18.7. Alto-Mar com a Convenção da Jamaica, estabelecendo uma zona econômica exclusi- va de 200 milhas, na qual o país admite, inclusive, a investigação científica marinha e exercícios ou manobras militares por terceiros Estados, median- Por definição convencional, art. 86, alto-mar é "todo espaço marítimo te consentimento prévio do governo brasileiro. não incluído na zona econômica exclusiva, no mar territorial ou nas águas in- teriores de um Estado". Constitui-se em patrimônio da humanidade. 18.6. Plataforma Continental Caracteriza-se o alto-mar por estar aberto, exclusivamente para fins pacíficos, a todos os países, costeiros ou não, aos quais se asseguram as li- berdades de navegação, sobrevôo, colocação de cabos e oleodutos subma- Para Agenor Pereira de ANDRADE a plataforma continental é "uma rinos, construção de ilhas artificiais, liberdade de pesca e de investigação planície submersa, que se forma ao longo das costas dos continentes, antes cientifica, as duas últimas com limitações na própria Convenção. que estes baixem subitamente às profundezas oceânicas, cujo solo e subso- Mesmo com os direitos acessíveis aos países sem litoral, não se pode lo são geralmente ricos em recursos naturais de toda esquecer as prerrogativas favoráveis aos Estados contemplados com costa A plataforma submarina pode corresponder à plataforma continen- marítima, o que leva Felipe TREDINNICK a afirmar que "a voracidade in- tal, quando se refere aos continentes, e à plataforma insular, em relação às saciável dos países costeiros (especialmente os de amplíssima costa) os le- ilhas. Para a Convenção da Jamaica, art. 76, a plataforma compreende lei- vou a uma verdadeira orgia de vantagens unilaterais, esquecendo-se, com to e subsolo das águas submarinas além do mar territorial do Estado um canetaço, de todos os acordos, cartas e convenções anteriores mais considerado até ao bordo exterior da margem continental ou à distância vantajosas, ou menos desvantajosas, para os países sem litoral e os seus ali> de 200 milhas marítimas contadas desde as linhas de base a partir das quais ados 11 Mas esses princípios da liberdade dos mares reconhece é medida a largura do mar territorial, nos casos em que o bordo exterior da o professor e magistrado da Suprema Corte boliviana comportam tam- margem continental não alcance essa distância. Sua largura coincide, as- bém a conservação e multiplicação dos recursos vivos em todos os mares sim, com o limite exterior da zona econômica exclusiva. do mundo. 10 ALBUQUERQUE MELLO, C. D. Op. cit., pp. 1.161-1.162. 11 TREDINNICK, Felipe. Derecho Internacional Público y Relaciones 9 Agenor Pereira de. Manual de Direito Internacional Público, p. 115. les, 256.