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Módulo Controle da Incidência Tributária Aluno: Mateus Padovan Siviero SEMINÁRIO IV - IMUNIDADE E NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COM OS IMPACTOS DA REFORMA TRIBUTÁRIA Leitura básica • CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário. São Paulo: Noeses. Capítulos VI e VII. • CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: linguagem e método. São Paulo: Noeses. Segunda Parte, Capítulo I, item 1.4 (Imunidades tributárias) e Capítulo II, item 2.1. (Normas gerais de direito tributário). • LINS, Robson Maia. A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e a imunidade do art. 150, VI, alínea “b”, da Constituição Federal. In: CARVALHO, Paulo de Barros. SILVA, Ives Gandra. Imunidade das Instituições Religiosas. São Paulo: Noeses, 2015. Leitura complementar • ANDERLE, Ricardo. Conflitos de Competência tributária entre o ISS, o ICMS e o IPI. São Paulo: Noeses. Capítulos 3, 4 e 5. • BORGES, José Souto Maior. Normas gerais de direito tributário: velho tema sob perspectiva nova. Revista Dialética de Direito Tributário, n. 213 • CARVALHO, Osvaldo Santos de; LÓS, João Paulo de Abreu Peçanha. Os métodos de interpretação das imunidades tributárias aplicadas pelo Supremo Tribunal Federal e a imunidade dos Templos Maçônicos. DIGE – Direito Internacional e Globalização Econômica – Edição (1º Semestre 2023), v. 10, n. 10 (2023). Disponível em: https://revistas.pucsp.br/index.php/DIGE/article/view/59744/41612. Acesso em: 07 de fevereiro de 2025. • CARVALHO, Paulo de Barros. Derivação e positivação no direito tributário. 2.ed., v.1. São Paulo: Noeses, 2014. Tema VIII (Imunidades condicionadas e suspensão de imunidades: análise dos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional impostos às instituições de educação sem fins lucrativos). • CHIESA, Clélio. A competência tributária do estado brasileiro: desonerações nacionais e imunidades condicionadas. São Paulo: Max Limonad. Capítulos V, VII e VIII. • COSTA, Regina Helena. Imunidades tributárias: teoria e análise da jurisprudência do STF. São Paulo: Malheiros. • GAMA, Tacio Lacerda. Competência tributária: fundamentos para uma teoria da nulidade. São Paulo: Noeses. Item 8.1.2.3 do Capítulo 8. • LINS, Robson Maia. Curso de Direito Tributário Brasileiro. São Paulo: Noeses. Segunda parte, Capítulos 3 e 5. • MCNAUGHTON, Charles William. Hierarquia e Sistema Tributário. São Paulo: Quartier Latin. Capítulo VII. • MOURA, Frederico Araújo Seabra de. Lei complementar tributária. São Paulo: Quartier Latin. Capítulos V, VI, VII e VII. • SEHN, Solon. Lei complementar e normas gerais de direito tributário. In: VALLE, Maurício Dalri Timm do; VALADÃO, Alexsander Roberto Alves; DALLAZEM, Dalton Luiz. Ensaios em homenagem ao Professor José Roberto Vieira. São Paulo: Noeses. • TOMÉ, Fabiana Del Padre. Imunidade do patrimônio, rendas e serviços relacionados às atividades essenciais dos templos de qualquer culto. In: CARVALHO, Paulo de Barros. SILVA, Ives Gandra. Imunidade das Instituições Religiosas. São Paulo: Noeses, 2015. Leitura complementar – Reforma Tributária • BORGES, Paulo Fernando Souto Maior. O papel das leis complementares tributárias, das leis ordinárias e resoluções do Senado na conformação da regra matriz de incidência da CBS – o problema das alíquotas. In: CARVALHO, Paulo de Barros (Coord.). A Reforma do Sistema Tributário Nacional sob a perspectiva do Constructivismo Lógico-Semântico: o texto da Emenda Constitucional 132/2023. São Paulo: Noeses, 2024, p. 123-133. • BRITO, Edvaldo. Matérias reservadas à Lei Complementar, na alteração do Sistema Tributário Nacional, sob uma ótica do constructivismo. In: CARVALHO, Paulo de Barros (Coord.). A Reforma do Sistema Tributário Nacional sob a perspectiva do Constructivismo Lógico-Semântico: o texto da Emenda Constitucional 132/2023. São Paulo: Noeses, 2024, p. 81-86. • CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: JusPodivm/Malheiros. Título II, Capítulo XI (Imunidades Tributáris), Capítulo XI (Normas gerais em matéria de legislação tributária), itens 1 a 7, itens 9 a 9.19 (As leis complementares previstas na EC n. 132/2023) • GRIZ, Rodrigo Leal. Princípio da capacidade contributiva aplicado a operações imunes ou isentas. In: CARVALHO, Paulo de Barros (Coord.). A Reforma do Sistema Tributário Nacional sob a perspectiva do Constructivismo Lógico-Semântico: o texto da Emenda Constitucional 132/2023. São Paulo: Noeses, 2024, p. 297-304. • REQUE, Taísa Silva. Não incidência e imunidade no Imposto Seletivo. In: CARVALHO, Paulo de Barros (Coord.). A Reforma do Sistema Tributário Nacional sob a perspectiva do Constructivismo Lógico-Semântico: o texto da Emenda Constitucional 132/2023. São Paulo: Noeses, 2024, p. 249-254. • ROSA, Íris Vânia Santos; ZOMER, Silvia. Fundamentos jurídicos que justificam a necessidade de lei complementar para regulamentação e implementação “integral” da Reforma Tributária. In: CARVALHO, Paulo de Barros (Coord.). A Reforma do Sistema Tributário Nacional sob a perspectiva do Constructivismo Lógico-Semântico: o texto da Emenda Constitucional 132/2023. São Paulo: Noeses, 2024, p. 73-79. • TOMÉ, Fabiana Del Padre; MESSIAS, Adriano Luiz Batista. Natureza jurídica da Lei Complementar instituidora da CBS e do IBS. In: CARVALHO, Paulo de Barros (Coord.). A Reforma do Sistema Tributário Nacional sob a perspectiva do Constructivismo Lógico-Semântico: o texto da Emenda Constitucional 132/2023. São Paulo: Noeses, 2024, p. 87-94. Questões 1. Explique o que é imunidade e estabeleça suas diferenças em relação à isenção, não incidência e incidência tributária. O conceito de imunidade tributária pode ser aplicável às taxas, às contribuições e às contribuições de melhoria? RESPOSTA: Imunidade tributária pode ser definida como uma vedação imposta pela Constituição Federal às pessoas políticas detentoras de competência tributária, impedindo a criação e cobrança de tributos sobre pessoas físicas e jurídicas quando presentes as condições objetivas e subjetivas. Tal narrativa pode ser vislumbrada quando citamos o artigo 150, VI, (exemplo de imunidade), que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios a instituição de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros, sendo: a imunidade recíproca; a imunidade dos templos de qualquer culto; a imunidade dos partidos políticos e das instituições educacionais ou assistenciais; a imunidade do livro - dos periódicos e do papel destinado à sua impressão -; e a imunidade das produções, fonogramas e videofonogramas musicais. Parafraseando, podemos nos debruçar nos ensivamentos de Paulo de Barros Carvalho, qual narra que a imunidade tributária confere aos entes detentoresda capacidade tributária a incompetência de direito conferido pela constituição para expedir regras capazes de instituir tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas para esse fim. Neste contexto, ainda leciona o Doutrinador: “A imunidade como um obstáculo posto pelo legislador constituinte, limitador da competência outorgada as pessoas políticas de direito constitucional interno, excludente do respectivo poder tributário, na medida em que impede a incidência da norma impositiva, aplicável aos tributos não vinculados (impostos), e que não comportaria fracionamentos, vale dizer, assume foros absolutos, protegendo de maneira cabal as pessoas, fatos e situações que o dispositivo mencione.” Já ao que diz respeito a segunda parte da questão em apreço, no que tange às diferenças entre imunidade, isenção e não incidência, o nobre Doutrinador Paule de Barros, narra que: "as três categorias mereceriam considerar-se casos de não incidência, agregando-se a cada uma, pela ordem, as seguintes expressões: estabelecida na Constituição (imunidade); prevista em lei (isenção); e pura e simples (não incidência em sentido estreito)." Dito isso, como já exaurido no primeiro tópico da questão, acercaa da matéria imunidade, qual é conferida pela Constituição, traduzindo-se como a incompetência de direitofísica e cultural" de cada qual das comunidades étnico-indígenas, "segundo seus usos, costumes e tradições" (usos, costumes e tradições deles, indígenas, e não usos, costumes e tradições dos não-índios). Terra indígena, no imaginário coletivo aborígine, não é um simples objeto de direito, mas ganha a dimensão de verdadeiro ente ou ser que resume em si toda ancestralidade, toda coetaneidade e toda posteridade de uma etnia. Donde a proibição constitucional de se remover os índios das terras por eles tradicionalmente ocupadas, assim como o reconhecimento do direito a uma posse permanente e usufruto exclusivo, de parelha com a regra de que todas essas terras "são inalienáveis e indisponíveis, e os direitos sobre elas, imprescritíveis" (§ 4º do art. 231 da Constituição Federal). O que termina por fazer desse tipo tradicional de posse um heterodoxo instituto de Direito Constitucional, e não uma ortodoxa figura de Direito Civil. Donde a clara intelecção de que OS ARTIGOS 231 E 232 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL CONSTITUEM UM COMPLETO ESTATUTO JURÍDICO DA CAUSA INDÍGENA. 11.4. O marco do conceito fundiariamente extensivo do chamado "princípio da proporcionalidade". A Constituição de 1988 faz dos usos, costumes e tradições indígenas o engate lógico para a compreensão, entre outras, das semânticas da posse, da permanência, da habitação, da produção econômica e da reprodução física e cultural das etnias nativas. O próprio conceito do chamado "princípio da proporcionalidade", quando aplicado ao tema da demarcação das terras indígenas, ganha um conteúdo peculiarmente extensivo. 12. DIREITOS "ORIGINÁRIOS". Os direitos dos índios sobre as terras que tradicionalmente ocupam foram constitucionalmente "reconhecidos", e não simplesmente outorgados, com o que o ato de demarcação se orna de natureza declaratória, e não propriamente constitutiva. Ato declaratório de uma situação jurídica ativa preexistente. Essa a razão de a Carta Magna havê-los chamado de "originários", a traduzir um direito mais antigo do que qualquer outro, de maneira a preponderar sobre pretensos direitos adquiridos, mesmo os materializados em escrituras públicas ou títulos de legitimação de posse em favor de não-índios. Atos, estes, que a própria Constituição declarou como "nulos e extintos" (§ 6º do art. 231 da CF). 13. O MODELO PECULIARMENTE CONTÍNUO DE DEMARCAÇÃO DAS TERRAS INDÍGENAS. O modelo de demarcação das terras indígenas é orientado pela ideia de continuidade. Demarcação por fronteiras vivas ou abertas em seu interior, para que se forme um perfil coletivo e se afirme a auto-suficiência econômica de toda uma comunidade usufrutuária. Modelo bem mais serviente da ideia cultural e econômica de abertura de horizontes do que de fechamento em "bolsões", "ilhas", "blocos" ou "clusters", a evitar que se dizime o espírito pela eliminação progressiva dos elementos de uma dada cultura (etnocídio). 14. A CONCILIAÇÃO ENTRE TERRAS INDÍGENAS E A VISITA DE NÃO-ÍNDIOS, TANTO QUANTO COM A ABERTURA DE VIAS DE COMUNICAÇÃO E A MONTAGEM DE BASES FÍSICAS PARA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS OU DE RELEVÂNCIA PÚBLICA. A exclusividade de usufruto das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nas terras indígenas é conciliável com a eventual presença de não-índios, bem assim com a instalação de equipamentos públicos, a abertura de estradas e outras vias de comunicação, a montagem ou construção de bases físicas para a prestação de serviços públicos ou de relevância pública, desde que tudo se processe sob a liderança institucional da União, controle do Ministério Público e atuação coadjuvante de entidades tanto da Administração Federal quanto representativas dos próprios indígenas. O que já impede os próprios índios e suas comunidades, por exemplo, de interditar ou bloquear estradas, cobrar pedágio pelo uso delas e inibir o regular funcionamento das repartições públicas. 15. A RELAÇÃO DE PERTINÊNCIA ENTRE TERRAS INDÍGENAS E MEIO AMBIENTE. Há perfeita compatibilidade entre meio ambiente e terras indígenas, ainda que estas envolvam áreas de "conservação" e "preservação" ambiental. Essa compatibilidade é que autoriza a dupla afetação, sob a administração do competente órgão de defesa ambiental. 16. A DEMARCAÇÃO NECESSARIAMENTE ENDÓGENA OU INTRAÉTNICA. Cada etnia autóctone tem para si, com exclusividade, uma porção de terra compatível com sua peculiar forma de organização social. Daí o modelo contínuo de demarcação, que é monoétnico, excluindo-se os intervalados espaços fundiários entre uma etnia e outra. Modelo intraétnico que subsiste mesmo nos casos de etnias lindeiras, salvo se as prolongadas relações amistosas entre etnias aborígines venham a gerar, como no caso da Raposa Serra do Sol, uma condivisão empírica de espaços que impossibilite uma precisa fixação de fronteiras interétnicas. Sendo assim, se essa mais entranhada aproximação física ocorrer no plano dos fatos, como efetivamente se deu na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, não há como falar de demarcação intraétnica, menos ainda de espaços intervalados para legítima ocupação por não-índios, caracterização de terras estaduais devolutas, ou implantação de Municípios. 17. COMPATIBILIDADE ENTRE FAIXA DE FRONTEIRA E TERRAS INDÍGENAS. Há compatibilidade entre o usufruto de terras indígenas e faixa de fronteira. Longe de se pôr como um ponto de fragilidade estrutural das faixas de fronteira, a permanente alocação indígena nesses estratégicos espaços em muito facilita e até obriga que as instituições de Estado (Forças Armadas e Polícia Federal, principalmente) se façam também presentes com seus postos de vigilância, equipamentos, batalhões, companhias e agentes. Sem precisar de licença de quem quer que seja para fazê-lo. Mecanismos, esses, a serem aproveitados como oportunidade ímpar para conscientizar ainda mais os nossos indígenas, instruí-los (a partir dos conscritos), alertá-los contra a influência eventualmente malsã de certas organizações não-governamentais estrangeiras, mobilizá-los em defesa da soberania nacional e reforçar neles o inato sentimento de brasilidade. Missão favorecida pelo fato de serem os nossos índios as primeiras pessoas a revelar devoção pelo nosso País (eles, os índios, que em toda nossa história contribuíram decisivamente para a defesa e integridade do território nacional) e até hoje dar mostras de conhecerem o seu interior e as suas bordas mais que ninguém. 18. FUNDAMENTOS JURÍDICOS E SALVAGUARDAS INSTITUCIONAIS QUE SE COMPLEMENTAM. Voto do relator que faz agregar aos respectivos fundamentos salvaguardas institucionais ditadas pela superlativa importância histórico-cultural da causa. Salvaguardas ampliadas a partir de voto-vista do Ministro Menezes Direito e deslocadas, por iniciativa deste, para a parte dispositiva da decisão. Técnica de decidibilidade que se adota para conferir maior teor de operacionalidade ao acórdão. (Pet 3388, Relator(a): CARLOS BRITTO, Tribunal Pleno, julgado em 19-03-2009, DJe-181 DIVULG 24-09-2009 PUBLIC 25-09-2009 REPUBLICAÇÃO: DJe-120 DIVULG 30-06-2010 PUBLIC 01-07-2010 EMENT VOL-02408-02 PP-00229 RTJ VOL-00212-01 PP-00049) Anexo VII RE 627.051 Instrumento Processual RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 627.051[footnoteRef:3] [3: Documento produzido no Grupo de Estudos de Jurisprudência Analítica do IBET – direitos autorais reservados.] Recorrente Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos Recorrido Estado de Pernambuco Órgão de Julgamento Plenário Data de Julgamento 12/11/2014 Data de Publicação da ata de julgamento 27/11/2014 Data de Publicação do acórdão 11/02/2015 Votação Maioria Relator Ministro Dias Toffoli Relator para acórdão Ministro Dias Toffoli Tema nº 402 Imunidade tributária recíproca quanto à incidência de ICMS sobre o transporte de encomendas pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Tese fixada Não incide o ICMS sobre o serviço de transporte de encomendas realizado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), tendo em vista a imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, a, da Constituição Federal.Votação por Ministro provimento Dias Toffoli Aurélio (Relator) + Gilmar Mendes + Celso de Mello + Luis Fux + Rosa Weber + Ricardo Lewandowski + Teori Zavascki Provimento do recurso extraordinário da ECT Votação por Ministro desprovimento Roberto Barroso + Marco Aurélio Desprovimento do recurso extraordinário da ECT Caso Concreto O caso envolve: · a extensão da imunidade recíproca à ECT relativamente à prestação de serviço de transporte interestadual de encomendas sujeita ao ICMS; e · a exigência de cumprimento de dever instrumental na hipótese de aplicação da regra de imunidade recíproca.[footnoteRef:4] [4: Do relatório do acórdão: “(...) Em memorial, insurge-se, ainda, contra os deveres instrumentais que lhe foram impostos pelos Protocolos 32 e 33 do CONFAZ (...)”] Objeto Definir se a imunidade recíproca assegurada aos serviços postais prestados em regime de exclusividade pela ECT é extensível ao ICMS incidente na prestação de serviço de transporte de encomendas, por ela realizado em condições de livre concorrência. Definir o cabimento da exigência de dever instrumental na hipótese de aplicação da regra de imunidade recíproca. Pergunta levada ao STF com base no caso concreto Pode a imunidade tributária recíproca abarcar o serviço de transporte de encomendas realizado pela ECT em ambiente de livre concorrência com transportadoras privadas e intuito lucrativo? É possível exigir o cumprimento de dever instrumental na hipótese de aplicação da imunidade recíproca à ECT? Dispositivos constitucionais analisados Artigo 150, VI, “a”, CF/1988 [footnoteRef:5] [5: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;] Artigo 173, § 2º, CF/1988[footnoteRef:6] [6: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado.] Fundamentos do voto do acórdão A imunidade recíproca foi assegurada à ECT, empresa pública que presta serviços postais em regime de exclusividade, também em relação à prestação de serviço de transporte de encomenda, ainda que compreenda exploração de atividade econômica, dada a impossibilidade de segregá-las. O resultado dessas atividades viabiliza a continuidade, a universalidade e o preço módico do serviço postal, caracterizando-se “subsídio cruzado”. Nos moldes do que dispõe o artigo 122[footnoteRef:7] do Código Tributário Nacional é legítima a exigência de dever instrumental da ECT, independentemente do reconhecimento da imunidade recíproca, diante da necessidade de colaboração com a fiscalização. Isto porque, a ECT assume a condição de sujeito passivo do dever instrumental, exigindo-se apenas previsão legal para tanto. [7: Art. 122. Sujeito passivo da obrigação acessória é a pessoa obrigada às prestações que constituam o seu objeto.] Do voto do relator destacam-se os seguintes pontos: “Adentrando mais especificamente na questão posta nos autos, observo que o Tribunal de origem levou em consideração sua natureza jurídica de direito privado para afastar a ECT da proteção da imunidade recíproca (...). Verifica-se, assim, que o Tribunal entendeu incidir o ICMS sobre o transporte de encomendas, equiparando a ECT às transportadoras de cargas. (...) Esse fluxo de atividades vem previsto no art. 7º[footnoteRef:8] da Lei 6.538/78, que define serviço postal como “o recebimento, expedição, transporte e entrega de objetos de correspondência, valores e encomendas, conforme definido em regulamento”. Nos termos do § 3º do referido dispositivo “constitui serviço postal relativo a encomendas a remessa e entrega de objetos, com ou sem valor mercantil, por via postal”. [8: Art. 7º. Constitui serviço postal o recebimento, expedição, transporte e entrega de objetos de correspondência, valores e encomendas, conforme definido em regulamento. (...) § 3º - Constitui serviço postal relativo a encomendas a remessa e entrega de objetos, com ou sem valor mercantil, por via postal.] O caso, portanto, envolve o transporte de encomendas, o qual também está inserido no rol das atividades desempenhadas pela ECT, que, como dito, deve cumprir o encargo de alcançar todos os lugares do Brasil, não importa o quão pequenos ou subdesenvolvidos, como já assentado no RE nº 601.392/PR[footnoteRef:9]. [9: Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Imunidade recíproca. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. 3. Distinção, para fins de tratamento normativo, entre empresas públicas prestadoras de serviço público e empresas públicas exploradoras de atividade. Precedentes. 4. Exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada. Irrelevância. Existência de peculiaridades no serviço postal. Incidência da imunidade prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal. 5. Recurso extraordinário conhecido e provido. (RE 601392, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Relator(a) p/ Acórdão: GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 28-02-2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-105 DIVULG 04-06-2013 PUBLIC 05-06-2013)] Nesse contexto, não pode a ECT ser equiparada a uma transportadora privada cuja atividade fim (objeto) seja o transporte de mercadorias. O recebimento, o transporte e a entrega de correspondências e encomendas são fases indissociáveis do serviço postal. (...) Trata-se, portanto, daquilo que o Ministro Gilmar Mendes denominou de “subsídio cruzado”, um procedimento em que se compensam os déficits dos segmentos antieconômicos (a maioria, aliás) auferindo ganhos mediante contratos de transporte de objetos “não postais”. Na subvenção cruzada, a exploração de atividade econômica serve-se da estrutura e da logística existentes para a prestação do serviço postal, surgindo daí a virtuosa relação simbiótica de compensação de superávits e déficits. É o que ora ocorre com o transporte de encomendas e o serviço postal como um todo. (...) Destaque-se que a concorrência se opera, em maior escala, nos grandes centros urbanos, onde os serviços são ordinariamente desempenhados por grandes empresas, as quais não seriam vulneradas tão somente pela desoneração fiscal conferida aos Correios. A Corte mostrou-se, assim, sensível aos aspectos finalísticos e axiológicos que compõem a estrutura dessa empresa pública sui generis. (...) No que toca à fiscalização do ICMS-mercadoria quanto às encomendas transportadas pelos Correios porventura enquadradas no conceito de mercadoria, observo que todos são obrigados a colaborar com a fiscalização tributária, na forma do art. 122 do Código Tributário Nacional. (...) Tudo leva a crer que os deveres instrumentais exigidos pelo fisco, quanto ao ICMS-mercadoria, são razoáveis e proporcionais, condizendo com a capacidade de a ECT colaborar e informar o Fisco. (...)” Conclusão do acórdão em relação ao objeto do recurso · A imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, “a”, CF/1988 deve ser reconhecida à ECT, mesmo quando relacionada a atividade em que a empresa não age em regime de exclusividade; · A prestação de serviços de transporte de encomendas não compromete o status da ECT de empresa pública prestadora de serviços públicos essenciais; · A imunidade tributária recíproca não autoriza a exoneração do cumprimento de deveres instrumentais. Conclusão do acórdão em relação ao caso concreto Recurso provido para reconhecer a imunidade da ECT relativamente ao ICMS que seria devido no transporte de encomendas. Ementa Recurso extraordinário com repercussão geral. Imunidade recíproca. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Peculiaridades do Serviço Postal. Exercício de atividades em regime de exclusividadee em concorrência com particulares. Irrelevância. ICMS. Transporte de encomendas. Indissociabilidade do serviço postal. Incidência da Imunidade do art. 150, VI, a da Constituição. Condição de sujeito passivo de obrigação acessória. Legalidade. 1. Distinção, para fins de tratamento normativo, entre empresas públicas prestadoras de serviço público e empresas públicas exploradoras de atividade econômica. 2. As conclusões da ADPF 46 foram no sentido de se reconhecer a natureza pública dos serviços postais, destacando-se que tais serviços são exercidos em regime de exclusividade pela ECT. 3. Nos autos do RE nº 601.392/PR, Relator para o acórdão o Ministro Gilmar Mendes, ficou assentado que a imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, a, CF, deve ser reconhecida à ECT, mesmo quando relacionada às atividades em que a empresa não age em regime de monopólio. 4. O transporte de encomendas está inserido no rol das atividades desempenhadas pela ECT, que deve cumprir o encargo de alcançar todos os lugares do Brasil, não importa o quão pequenos ou subdesenvolvidos. 5. Não há comprometimento do status de empresa pública prestadora de serviços essenciais por conta do exercício da atividade de transporte de encomendas, de modo que essa atividade constitui conditio sine qua non para a viabilidade de um serviço postal contínuo, universal e de preços módicos. 6. A imunidade tributária não autoriza a exoneração de cumprimento das obrigações acessórias. A condição de sujeito passivo de obrigação acessória dependerá única e exclusivamente de previsão na legislação tributária. 7. Recurso extraordinário do qual se conhece e ao qual se dá provimento, reconhecendo a imunidade da ECT relativamente ao ICMS que seria devido no transporte de encomendas. (RE 627051, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 12-11-2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-028 DIVULG 10-02-2015 PUBLIC 11-02-2015). Anexo VIII ARE 638.315 RG Instrumento Processual AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 638.315[footnoteRef:10] [10: Documento produzido no Grupo de Estudos de Jurisprudência Analítica do IBET – direitos autorais reservados.] Recorrente Município de Salvador Recorrido Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária - INFRAERO Órgão de Julgamento Tribunal Pleno Data de Julgamento 09/06/2011 Data de Publicação da ata de julgamento 10/06/2011 Data de Publicação do acórdão 31/08/2011 Votação Maioria Relator Ministro Cezar Peluso Relator para acórdão Ministro Cezar Peluso Tema nº 402 Extensão da imunidade tributária recíproca às empresas públicas prestadoras de serviços públicos. Tese fixada A Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária - INFRAERO, empresa pública prestadora de serviço público, faz jus à imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, a, da Constituição Federal. Votação por Ministro desprovimento Cezar Peluso (Relator) + Gilmar Mendes + Luiz Fux + Celso de Mello + Dias Toffoli + Ricardo Lewandowski + Ellen Gracie Desprovimento do recurso extraordinário do município de Salvador Votação por Ministro provimento Marco Aurélio + Ayres Britto Provimento do recurso extraordinário do Município de Salvador Caso Concreto O caso envolve a fruição da imunidade recíproca pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (INFRAERO), empresa pública prestadora de serviço público, para afastar a cobrança de Imposto sobre Serviços (ISS). Objeto Definir se a INFRAERO faz jus à imunidade recíproca para afastar a exigência do ISS na prestação de serviços. Pergunta levada ao STF com base no caso concreto A imunidade tributária recíproca, nos termos do art. 150, VI, “a”, CF/1988, é aplicável à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – INFRAERO, na qualidade de empresa pública prestadora de serviço público? Dispositivos constitucionais analisados Artigo 21, XII, “c”, CF/1988 [footnoteRef:11] [11: Art. 21. Compete à União: XII - explorar, diretamente ou mediante autorização, concessão ou permissão: c) a navegação aérea, aeroespacial e a infra-estrutura aeroportuária;] Artigo 150, IV, “a”, §§2º e 3º, CF/1988[footnoteRef:12] [12: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder público e à empresa pública prestadora de serviço postal, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. § 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.] Artigo 173, § 2º, CF/1988[footnoteRef:13] [13: Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei. § 2º As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado.] Artigo, 177, CF/1988[footnoteRef:14] [14: Art. 177. Constituem monopólio da União: I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e outros hidrocarbonetos fluidos; II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro; III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos resultantes das atividades previstas nos incisos anteriores; IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou de derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados e gás natural de qualquer origem; V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção, comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob regime de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do caput do art. 21 desta Constituição Federal. ] Fundamentos do voto do acórdão A imunidade recíproca foi assegurada à INFRAERO, empresa pública delegatária que presta serviço público de infraestrutura aeroportuária exercido em caráter de exclusividade pela União, nos termos do art. 21 XII, “c” da CF/1988. Do voto do relator destacam-se os seguintes pontos: “Esta Corte possui jurisprudência firmada no sentido de que a INFRAERO faz jus à imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, a, da Constituição Federal. Confiram-se o RE 407099/RS, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 6.8.2004, RE 598322/RJ, Rel. Min. Celso de Mello, DJe de 22.5.2009, RE 607535/PE, Min. Rel. Ricardo Lewandowski, DJe de 16.3.2010, RE 577511/PE, Rel. Min. Cármen Lúcia, DJe de 22.2.2010, RE 501639/BA, Rel. Min. Eros Grau, DJe de 1.8.2008.” Conclusão do acórdão em relação ao objeto do recurso A imunidade recíproca prevista no art. 150, VI, “a”, CF/1988 deve ser reconhecida à INFRAERO, uma vez que se trata de empresa pública prestadora de serviço público em regime de exclusividade, nos termos do art. 21, XII, CF. Conclusão do acórdão em relação ao caso concreto Recurso desprovido para manter o reconhecimento da imunidade à INFRAERO e afastar a cobrança do ISS sobre os serviços por ela prestados. Ementa RECURSO. Extraordinário. Imunidade tributária recíproca. Extensão. Empresas públicas prestadoras de serviços públicos. Repercussão geral reconhecida. Precedentes. Reafirmação da jurisprudência. Recurso improvido. É compatível com a Constituição a extensão de imunidade tributária recíproca à Empresa Brasileira de InfraestruturaAeroportuária – INFRAERO, na qualidade de empresa pública prestadora de serviço público. (ARE 638315 RG, Relator(a): MINISTRO PRESIDENTE, Tribunal Pleno, julgado em 09-06-2011, REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-167 DIVULG 30-08-2011 PUBLIC 31-08-2011 EMENT VOL-02577-02 PP-00183) Anexo IX RE 1380136 AgR-EDv-AgR EMENTA Agravo regimental em embargos de divergência em recurso extraordinário. Direito tributário. Aplicação da tese firmada para o Tema nº 508. Companhia Energética de São Paulo (CESP). Sociedade de economia mista concessionária de serviço público. Participação em bolsa de valores, com relevante distribuição de lucros a particulares. Imunidade tributária recíproca. Inaplicabilidade. 1. O Plenário da Corte fixou a seguinte tese para o Tema nº 508: “Sociedade de economia mista, cuja participação acionária é negociada em Bolsas de Valores, e que, inequivocamente, está voltada à remuneração do capital de seus controladores ou acionistas, não está abrangida pela regra de imunidade tributária prevista no art. 150, VI, ‘a’, da Constituição, unicamente em razão das atividades desempenhadas”. 2. Não se confunde o fato de uma sociedade de economia mista auferir lucro com o de ela, inclusive participando de bolsa de valores, distribuir relevantes lucros a particulares. 3. À luz das orientações acima, é inaplicável a imunidade tributária recíproca em favor da Companhia Energética de São Paulo (CESP), então sociedade de economia mista, concessionária de serviço público para fins de fornecimento de energia elétrica, considerando-se sua participação em bolsa de valores e a relevante distribuição de seus lucros a particulares. 4. Agravo regimental provido. (RE 1380136 AgR-EDv-AgR, Relator(a): ALEXANDRE DE MORAES, Relator(a) p/ Acórdão: DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 24-10-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 12-12-2023 PUBLIC 13-12-2023) Anexo X RE 1.313.229 AgR Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPTU. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. SOCIEDADE DE ECONOMINA MISTA DELEGATÁRIA DE SERVIÇO PÚBLICO DE PRESTAÇÃO OBRIGATÓRIA E EXCLUSIVA DO ESTADO. EXTENSÃO. POSSIBILIDADE. 1. O acórdão recorrido divergiu do entendimento do Supremo Tribunal Federal no sentido de que as empresas públicas e sociedades de economia mista delegatárias de serviços públicos de prestação obrigatória e exclusiva do Estado são beneficiárias da imunidade tributária recíproca prevista no art. 150, VI, a, da Constituição Federal. Precedentes. 2. Acerca especificamente da CEMIG, destaco os seguintes julgados, de ambas as Turmas desta Corte, em que reconhecida a imunidade tributária referente ao IPTU sobre imóvel afetado à prestação do serviço público de energia elétrica: RE 1.311.491, Rel. Min. Dias Toffoli; RE 918.700-AgR, sob a minha relatoria; RE 1.097.339-AgR, Rel. Min. Edson Fachin; RE 913.652-AgR, Rel. Min. Alexandre de Moraes; RE 1.003.246, Rel. Min. Celso de Mello; RE 918.704, Relª. Minª. Rosa Weber; e RE 744.699-AgR, Relª. Minª. Cármen Lúcia. 3. Existindo nos autos prévia fixação de honorários advocatícios, fica majorado em 10% o valor da verba honorária fixada anteriormente, observados os limites legais do art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015, bem como eventual deferimento da assistência judiciária gratuita. 4. Agravo interno a que se nega provimento, com a aplicação da multa de 1% (um por cento) sobre o valor atualizado da causa, nos termos do art. 1.021, § 4°, do CPC/2015. (RE 1313229 AgR, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Primeira Turma, julgado em 22-08-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 24-08-2023 PUBLIC 25-08-2023) Anexo XI STF - ACO 3.410 Ementa: Direito administrativo e tributário. Ação cível originária. Sociedade de economia mista integrante da Administração indireta de Estado-membro. Imunidade recíproca. 1. Ação cível originária ajuizada pela Companhia de Saneamento de Sergipe em face da União, na qual postula o reconhecimento de imunidade tributária recíproca quanto aos impostos federais incidentes sobre seu patrimônio, renda ou serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. 2. Em casos análogos, o Supremo Tribunal Federal tem reconhecido sua competência, por estar em jogo questão ligada à imunidade tributária recíproca (art. 150, VI, a, da Constituição), indispensável à preservação do pacto federativo. 3. A imunidade tributária prevista na alínea a do art. 150, I, da Constituição Federal, alcança empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos essenciais e exclusivos, desde que não tenham intuito lucrativo, enquanto mantidos os requisitos. 4. Pedido procedente. (ACO 3410, Relator(a): ROBERTO BARROSO, Tribunal Pleno, julgado em 22-04-2022, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-084 DIVULG 02-05-2022 PUBLIC 03-05-2022) Anexo XII RE 600.867 RG Ementa: TRIBUTÁRIO. IPTU. IMUNIDADE RECÍPROCA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. NATUREZA JURÍDICA DE DIREITO PRIVADO. PARTICIPAÇÃO ACIONÁRIA DISPERSA E NEGOCIADA EM BOLSA DE VALORES. EXAME DA RELAÇÃO ENTRE OS SERVIÇOS PÚBLICOS PRESTADOS E O OBJETIVO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS A INVESTIDORES PÚBLICOS E PRIVADOS COMO ELEMENTO DETERMINANTE PARA APLICAÇÃO DA SALVAGUARDA CONSTITUCIONAL. SERVIÇO PÚBLICO DE SANEAMENTO BÁSICO SEM FINS LUCRATIVOS. CF/88, ARTS. 5º, II, XXXV, LIV E LV; 37, INCISOS XIX E XXI E § 6º; 93, IX; 150, VI; E 175, PARÁGRAFO ÚNICO. PRECEDENTES QUE NÃO SE ADEQUAM PERFEITAMENTE AO CASO CONCRETO. IMUNIDADE QUE NÃO DEVE SER RECONHECIDA. REDATOR PARA ACÓRDÃO (ART. 38, IV, B, DO RISTF). FIXAÇÃO DA TESE DE REPERCUSSÃO GERAL. 1. A matéria foi decidida por maioria pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, que acompanhou o voto do I. Relator, Min. Joaquim Barbosa. Redação da proposta de tese de repercussão geral (art. 38, IV, b, do RISTF). 2. A imunidade tributária recíproca (art. 150, IV, “a”, da Constituição) não é aplicável às sociedades de economia mista cuja participação acionária é negociada em Bolsas de Valores, e que, inequivocamente, estão voltadas à remuneração do capital de seus controladores ou acionistas, unicamente em razão das atividades desempenhadas. 3. O Supremo Tribunal Federal nos autos do RE 253.472, Redator para o acórdão Min. Joaquim Barbosa, DJe 1º/2/2011, já decidiu, verbis: atividades de exploração econômica, destinadas primordialmente a aumentar o patrimônio do Estado ou de particulares, devem ser submetidas à tributação, por apresentarem-se como manifestações de riqueza e deixarem a salvo a autonomia política. 4. In casu, trata-se de sociedade de economia mista de capital aberto, autêntica S/A, cuja participação acionária é negociada em Bolsas de Valores (Bovespa e New York Stock Exchange, e.g.) e que, em agosto de 2011, estava dispersa entre o Estado de São Paulo (50,3%), investidores privados em mercado nacional (22,6% - Bovespa) e investidores privados em mercado internacional (27,1% - NYSE), ou seja, quase a metade do capital social pertence a investidores. A finalidade de abrir o capital da empresa foi justamente conseguir fontes sólidas de financiamento, advindas do mercado, o qual espera receber lucros como retorno deste investimento. 5. A peculiaridade afasta o caso concreto da jurisprudência da Suprema Corte que legitima o gozo da imunidade tributária. 6. Recurso Extraordinário improvido pela maioria do Supremo Tribunal Federal. 7. Proposta de tese de repercussão geral: Sociedade de economia mista, cuja participação acionária é negociada em Bolsas de Valores, e que, inequivocamente, está voltada à remuneração do capital de seus controladores ou acionistas, não está abrangida pela regra de imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição, unicamente em razão das atividades desempenhadas. (RE 600867, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Relator(a) p/ Acórdão: LUIZ FUX, Tribunal Pleno, julgado em 29-06-2020, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-239 DIVULG 29-09-2020 PUBLIC 30-09-2020) Anexo XIII ARE 1.062.946 Ementa: AGRAVO INTERNO NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. TRIBUTÁRIO. AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS, MAQUINÁRIOS EINSUMOS DIVERSOS DO PAPEL EMPREGADOS NA EDIÇÃO, IMPRESSÃO E PUBLICAÇÃO DE LIVROS, JORNAIS E PERIÓDICOS. APLICAÇÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA PREVISTA NO ARTIGO 150, VI, D, DA CONSTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. CARÁTER OBJETIVO DA GARANTIA CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 85, § 11, DO CPC/2015. SÚMULA 512 DO STF. AGRAVO INTERNO DESPROVIDO. (ARE 1062946 AgR, Relator(a): LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 06-10-2017, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-244 DIVULG 24-10-2017 PUBLIC 25-10-2017) Anexo XIV ARE 1.244.302 Instrumento Processual AGRAVO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 1.244.302[footnoteRef:15] [15: Documento produzido no Grupo de Estudos de Jurisprudência Analítica do IBET – direitos autorais reservados.] Recorrente Contribuinte (pessoa jurídica) Recorrido Estado de São Paulo Órgão de Julgamento Plenário Data de Julgamento Sessão Virtual de 30/08/2024 a 06/09/2024 Data de Publicação da ata de julgamento 13/09/2024 Data de Publicação do acórdão 16/09/2024 Votação Unanimidade Relator Ministro Gilmar Mendes Relator para acórdão Ministro Gilmar Mendes Tema nº 1.083 Alcance da imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea “e”, da Constituição Federal, em relação a suportes materiais importados e produzidos fora do Brasil que contenham obras musicais de artistas brasileiros. Tese fixada A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea “e”, da Constituição Federal não se aplica às importações de suportes materiais produzidos fora do Brasil, ainda que contenham obra musical de artista brasileiro. Votação por Ministro desprovimento Ministros Luís Roberto Barroso (Presidente) + Gilmar Mendes (Relator) + Cármen Lúcia + Dias Toffoli + Luiz Fux + Edson Fachin + Alexandre de Moraes + Nunes Marques + André Mendonça + Cristiano Zanin + Flávio Dino Desprovimento do recurso extraordinário do contribuinte Votação por Ministro provimento Nenhum Caso Concreto Pessoa jurídica importou da Argentina discos de vinil lá fabricados, contendo obras de artistas brasileiros e pretende afastar a exigência de pagamento de ICMS na importação, afirmando fazer jus à imunidade prevista no artigo 150, VI, “e” da CF, inserido pela Emenda Constitucional nº 75/2013 (PEC da música). Objeto Definir se a imunidade aplicada aos fonogramas e videogramas musicais de artistas brasileiros, bem como aos suportes materiais e arquivos digitais que os contêm, seria extensível às importações de suportes materiais produzidos fora do país, ainda que contendo obras de artistas brasileiros. Do acórdão: “Trata-se de recurso extraordinário, representativo de controvérsia, em que se discute o alcance da imunidade tributária instituída pela Emenda Constitucional nº 75/2013. (...) o cerne da questão constitui em verificar se tal regra imunizante – voltada à proteção tributária de fonogramas e videogramas musicais de artistas brasileiros, bem como aos suportes materiais e arquivos digitais que os contêm – seria aplicável às importações de suportes materiais produzidos fora do país. (...) De início, reputo relevante a conceitualização dos termos previstos no mencionado dispositivo da Lei Maior. Segundo o art. 5º, inciso IX, da Lei nº 9.610/1998, que altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autorais, o vocábulo fonograma pode ser definido como “toda fixação de sons de uma execução ou interpretação ou de outros sons, ou de uma representação de sons que não seja uma fixação incluída em uma obra audiovisual”. Por seu turno, o conceito de videofonograma pode ser extraído da definição de obra audiovisual, que significa “a que resulta da fixação de imagens com ou sem som, que tenha a finalidade de criar, por meio de sua reprodução, a impressão de movimento, independentemente dos processos de sua captação, do suporte usado inicial ou posteriormente para fixá-lo, bem como dos meios utilizados para sua veiculação” (art. 5º, inciso VIII, alínea “i”, da Lei nº 9.610/1998). A Medida Provisória nº 2.228-1/2001, que estabelece princípios gerais da Política Nacional do Cinema, dispõe que “obra videofonográfica” é a “obra audiovisual cuja matriz original de captação é um meio magnético com capacidade de armazenamento de informações que se traduzem em imagens em movimento, com ou sem som” (art. 1º, inciso III). Nessa senda, as obras musicais são constituídas a partir de tais fixações de sons e imagens em suportes materiais, que podem ser, por exemplo, CDs, DVDs, Blu-rays ou, como no caso dos autos, discos de vinil (Long Plays – LPs). (...)” Pergunta levada ao STF com base no caso concreto O local onde são produzidos os suportes materiais ou arquivos digitais de fonograma e videograma com obras de artistas brasileiros é relevante para a definição da imunidade? Dispositivo Constitucional analisado 150, VI, “e” [footnoteRef:16] da CF [16: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. ] Fundamentos do voto vencedor do acórdão Há limite espacial para fruição da imunidade, pois o objetivo da norma imunizante é proteger não só a cultura nacional, mas também a indústria musical interna do país, de forma que a interpretação teleológica do texto constitucional não permite estender a imunidade para produtos importados. Embora a interpretação do texto constitucional deva buscar a máxima efetividade, ela não pode transpor o objeto da imunidade para além do objetivo do legislador. Do voto do relator para o acórdão: “(...) Feita essa contextualização, tenho que a referida norma constitucional não alberga a situação em tela. Isso porque, conforme se depreende da redação do dispositivo, verifica-se que o constituinte visou implementar um limite espacial para, além de proteger a cultura nacional, salvaguardar a indústria musical interna. Dessa forma, uma interpretação finalística da regra não levaria à conclusão pretendida pela recorrente, qual seja, de ampliação da imunidade em apreço para as importações das obras musicais de artistas brasileiros. (...) Nessa perspectiva, observa-se que a proposta pretendia conferir a imunidade tributária para equilibrar, em relação aos produtos piratas, não apenas a etapa de comercialização de obras musicais, mas também a de produção. O objetivo – que se demonstrava urgente à época – era o de combater o comércio ilegal, tornando o produto brasileiro original mais atrativo e, com isso, o constituinte cuidou de abarcar a fabricação interna. (...) Nota-se, assim, que a eleição desse critério espacial/geográfico para a incidência da imunidade não foi acidental ou desprovida de propósito. Em verdade, tal delimitação reflete o desejo do constituinte derivado de preservar a indústria musical brasileira dos impactos adversos da concorrência desleal, que, na época, decorriam da pirataria física e on line. (...) Nesse particular, é igualmente importante o alerta do Parquet quanto aos riscos da transposição do objeto da imunidade constitucional para além da interpretação que busque atingir sua máxima efetividade, “uma vez que a interpretação pretendida pela empresa recorrente possibilitaria a replicação do debate para outros atores que integram o processo de produção de fonogramas e videofonogramas contendo obras musicais de autores brasileiros, como os serviços de streaming, importadores de dispositivos móveis como celulares e pendrives, dentre outros. (...)” Conclusão do acórdão em relação ao objeto do recurso A imunidade aos fonogramas e videogramas musicais de artistas brasileiros não se aplica a suportes materiais e arquivos digitais produzidos fora do país, ainda que contenhamobras de artistas brasileiros. Conclusão do acórdão em relação ao caso concreto Acórdão mantido para afastar a imunidade prevista no artigo 150, VI, “e” da CF e permitir a exigência do ICMS na importação de discos de vinil fabricados na Argentina, contendo obras de artistas brasileiros. Modulação dos efeitos Não houve Ementa Ementa: Direito tributário. Recurso extraordinário com agravo. Tema 1.083. Imunidade Tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea ‘e’, da Constituição Federal. Extensão para importações de suportes materiais produzidos fora do país contendo obras musicais de artistas brasileiros. Impossibilidade. I. Caso em exame 1. Recurso extraordinário em que se discute se é devida a incidência da norma imunizante prevista no art. 150, inciso VI, alínea ‘e’, da Constituição Federal em importações de discos de vinil contendo obras de artistas brasileiros produzidos na Argentina. II. Questão em discussão 2. A questão em discussão consiste em saber se a imunidade inserida pela Emenda Constitucional nº 75/2013 – voltada à proteção tributária de fonogramas e videogramas musicais, bem como aos suportes materiais e arquivos digitais que os contêm – seria aplicável às operações de importação de suportes materiais produzidos fora do país gravados com obras musicais de artistas brasileiros. III. Razões de decidir 3. A interpretação teleológica da regra imunizante em exame não permite concluir que o constituinte pretendia abarcar as importações de suportes materiais fabricados fora do Brasil. 4. A EC nº 75/2013 visou conferir a imunidade tributária para equilibrar, em relação aos produtos piratas, não apenas a etapa de comercialização de obras musicais, mas também a de produção, razão pela qual, ao cunhar o termo “produzidos no Brasil” no dispositivo, direcionou a norma apenas para o contexto da produção nacional. IV. Dispositivo e tese 5. Recurso desprovido. Tese de julgamento: “A imunidade tributária prevista no art. 150, inciso VI, alínea ‘e’, da Constituição Federal não se aplica às importações de suportes materiais produzidos fora do Brasil, ainda que contenham obra musical de artista brasileiro.” Dispositivos relevantes citados: CF/1988, art. 150, inciso VI, alínea “e”. Jurisprudência relevante citada: RE 330.817, Rel. Min. Dias Toffoli, Tribunal Pleno, DJe 31.8.2017. (ARE 1244302, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 09-09-2024, PROCESSO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-s/n DIVULG 13-09-2024 PUBLIC 16-09-2024) Anexo XV ARE 330.817 EMENTA Recurso extraordinário. Repercussão geral. Tributário. Imunidade objetiva constante do art. 150, VI, d, da CF/88. Teleologia multifacetada. Aplicabilidade. Livro eletrônico ou digital. Suportes. Interpretação evolutiva. Avanços tecnológicos, sociais e culturais. Projeção. Aparelhos leitores de livros eletrônicos (ou e-readers). 1. A teleologia da imunidade contida no art. 150, VI, d, da Constituição, aponta para a proteção de valores, princípios e ideias de elevada importância, tais como a liberdade de expressão, voltada à democratização e à difusão da cultura; a formação cultural do povo indene de manipulações; a neutralidade, de modo a não fazer distinção entre grupos economicamente fortes e fracos, entre grupos políticos etc; a liberdade de informar e de ser informado; o barateamento do custo de produção dos livros, jornais e periódicos, de modo a facilitar e estimular a divulgação de ideias, conhecimentos e informações etc. Ao se invocar a interpretação finalística, se o livro não constituir veículo de ideias, de transmissão de pensamentos, ainda que formalmente possa ser considerado como tal, será descabida a aplicação da imunidade. 2. A imunidade dos livros, jornais e periódicos e do papel destinado a sua impressão não deve ser interpretada em seus extremos, sob pena de se subtrair da salvaguarda toda a racionalidade que inspira seu alcance prático, ou de transformar a imunidade em subjetiva, na medida em que acabaria por desonerar de todo a pessoa do contribuinte, numa imunidade a que a Constituição atribui desenganada feição objetiva. A delimitação negativa da competência tributária apenas abrange os impostos incidentes sobre materialidades próprias das operações com livros, jornais, periódicos e com o papel destinado a sua impressão. 3. A interpretação das imunidades tributárias deve se projetar no futuro e levar em conta os novos fenômenos sociais, culturais e tecnológicos. Com isso, evita-se o esvaziamento das normas imunizantes por mero lapso temporal, além de se propiciar a constante atualização do alcance de seus preceitos. 4. O art. 150, VI, d, da Constituição não se refere apenas ao método gutenberguiano de produção de livros, jornais e periódicos. O vocábulo “papel” não é, do mesmo modo, essencial ao conceito desses bens finais. O suporte das publicações é apenas o continente (corpus mechanicum) que abrange o conteúdo (corpus misticum) das obras. O corpo mecânico não é o essencial ou o condicionante para o gozo da imunidade, pois a variedade de tipos de suporte (tangível ou intangível) que um livro pode ter aponta para a direção de que ele só pode ser considerado como elemento acidental no conceito de livro. A imunidade de que trata o art. 150, VI, d, da Constituição, portanto, alcança o livro digital (e-book). 5. É dispensável para o enquadramento do livro na imunidade em questão que seu destinatário (consumidor) tenha necessariamente que passar sua visão pelo texto e decifrar os signos da escrita. Quero dizer que a imunidade alcança o denominado “audio book”, ou audiolivro (livros gravados em áudio, seja no suporte CD-Rom, seja em qualquer outro). 6. A teleologia da regra de imunidade igualmente alcança os aparelhos leitores de livros eletrônicos (ou e-readers) confeccionados exclusivamente para esse fim, ainda que, eventualmente, estejam equipados com funcionalidades acessórias ou rudimentares que auxiliam a leitura digital, tais como dicionário de sinônimos, marcadores, escolha do tipo e do tamanho da fonte etc. Esse entendimento não é aplicável aos aparelhos multifuncionais, como tablets, smartphone e laptops, os quais vão muito além de meros equipamentos utilizados para a leitura de livros digitais. 7. O CD-Rom é apenas um corpo mecânico ou suporte. Aquilo que está nele fixado (seu conteúdo textual) é o livro. Tanto o suporte (o CD-Rom) quanto o livro (conteúdo) estão abarcados pela imunidade da alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. TESE DA REPERCUSSÃO GERAL: 9. Em relação ao tema nº 593 da Gestão por Temas da Repercussão Geral do portal do STF na internet, foi aprovada a seguinte tese: “A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se ao livro eletrônico (e-book), inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo.” (RE 330817, Relator(a): DIAS TOFFOLI, Tribunal Pleno, julgado em 08-03-2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-195 DIVULG 30-08-2017 PUBLIC 31-08-2017) Anexo XVI STF - Súmula Vinculante 57 Aprovação: 15/04/2020 A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias. Anexo XVII RE 595.676 IMUNIDADE – UNIDADE DIDÁTICA – COMPONENTES ELETRÔNICOS. A imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, da Constituição Federal alcança componentes eletrônicos, quando destinados, exclusivamente, a integrar a unidade didática com fascículos periódicos impressos. (RE 595676, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 08-03-2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-291 DIVULG 15-12-2017 PUBLIC 18-12-2017) Anexo XVIII AI 740.563 AgRg Ementa: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DECIDIDOS MONOCRATICAMENTE. AUSÊNCIA DE INTERPOSIÇÃO DO AGRAVOPREVISTO NO ART. 557, § 1º, DO CPC. INSTÂNCIA RECURSAL NÃO ESGOTADA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 281/STF. DECISÃO QUE SE MANTÉM POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS. 1. O agravo é inadmissível quando interposto contra decisão suscetível de impugnação na via recursal ordinária. O esgotamento da instância é condição de acesso à via do apelo extremo. Precedentes: AI 670.775-AgR, Rel. Min. CÁRMEN LÚCIA, 1ª Turma, DJe 17.4.2009 e AI 713.039-AgR-ED, Rel. Min. ELLEN GRACIE, 2ª Turma, DJe 25.9.2009. 2. Deveras, não foi interposto o agravo previsto no art. 557, § 1º, do CPC, contra decisão monocrática proferida nos embargos de declaração. 3. Incidência da Súmula n. 281/STF: É inadmissível o recurso extraordinário, quando couber na justiça de origem, recurso ordinário da decisão impugnada . 4. In casu, o acórdão recorrido assentou: TRIBUTÁRIO E CONSTITUCIONAL - IMUNIDADE TRIBUTÁRIA INSTITUIÇÃO DEDICADA À ASSISTÊNCIA SOCIAL - ARTIGO 150, VI, C DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL - CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ARTIGO 14 DO CTN LEI Nº 9532/1997 - EXCLUSÃO DA IMUNIDADE DOS RENDIMENTOS E GANHOS DE CAPITAL AUFERIDOS EM APLICAÇÕES FINANCEIRAS - VIGÊNCIA SUSPENSA. 1. A Constituição Federal assegura imunidade tributária às instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, no que se refere à instituição de impostos incidentes sobre o patrimônio, a renda ou serviços relacionados às suas finalidades essenciais, desde que sejam cumpridos os requisitos contidos no art. 14 do CTN. 2. O parágrafo 4º do artigo 150 da Constituição, ao determinar que a imunidade concerne apenas ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com suas finalidades essenciais, não exclui os rendimentos decorrentes das aplicações financeiras que são vertidos aos objetivos da própria entidade, como ocorre com a renda auferida a partir das suas atividades assistenciais, ou mesmo da comercialização de seus bens. 3. A imunidade não é restrita apenas à renda decorrente do objeto social da entidade, mas sim toda aquela auferida de forma regular visando resguardar o seu patrimônio dos efeitos corrosivos da inflação, como ocorre com as aplicações financeiras. 4. O art. 12, § 1º da Lei nº L. 9.532/97, lei ordinária, excluiu da imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. 5. Ofensa ao art. 146, II, da Constituição Federal, que determina competir à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. 6. A imposição tributária também estaria tributando o patrimônio da entidade, o que é vedado pela Constituição Federal, porquanto as aplicações financeiras não têm a finalidade de auferir lucros, mas sim de resguardar o patrimônio dos efeitos corrosivos da inflação. 7. O dispositivo teve sua vigência suspensa por força de decisão proferida em Medida Cautelar na ADIN nº 1802. 5. Agravo Regimental a que se nega provimento. (AI 740563 AgR, Relator(a): LUIZ FUX, Primeira Turma, julgado em 02-04-2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-077 DIVULG 24-04-2013 PUBLIC 25-04-2013) image1.jpeg image2.jpeg image3.jpgaos sujeitos ativos para expedição de regras para instituição de tributos. Neste contexto, podemos citar para exemplificar os impostos sobre patrimônio, renda ou serviços dos entes tributantes. No caso de ocorrência de fato gerador, esses serão imunes à incidência da obrigação tributária. Noutro modo, quando nos voltamos a Isenção, vemos que esta é estabelecida pela legislação infraconstitucional e opera como regra que dispensa o recolhimento do tributo, ou seja, atua como redutora do campo de abrangência dos critérios da hipótese ou da consequência da regra-matriz de incidência tributária. Insta salientar na presente questão, o texto normativo do artigo 175 do Código Tributário Nacional, qual disciplina que a isenção é considerada como causa de exclusão do crédito tributário, assim, no caso da isenção, existe a previsão legal para o pagamento do tributo como regra, contudo, o ordenamento infraconstitucional dispensa o pagamento do tributo para os casos abrangidos pela isenção, podendo citar, no caso em tela, o imposto de renda de pessoa física. O fato gerador para a incidência do tributo é auferir rendimentos tributáveis, contudo, os contribuintes que recebam valores abaixo da primeira faixa de alíquota estarão isentos do pagamento. Porfim, quando nos deparamos a Não Incidência, não há que se falar em ocorrência de situação jurídica, tendo em vista que os fatos geradores não são previstos em lei para dar nascimento à obrigação tributária. Nesse sentido, considerando o princípio da legalidade tributária, por absoluta falta de previsão legal para a ocorrência da relação jurídico tributária, não se constitui obrigação de pagar, haja vista que não existe norma jurídica anterior que preveja a geração de obrigação, qual seja, o fato gerador da obrigação tributária. Seguinto para a parte final do questionado nesta questão, a incidência tributária é a subsunção do fato à norma, ou seja, quando ocorre na realidade fática da hipótese prevista em lei um ato praticado pelo sujeito passivo, percorrendo todas as fases da regra matriz de incidência tributário, resultando no surgimento da obrigação tributária. Tal racíocino é lecionado pelo Professor Luciano da Silva Amaro, qual discorre sobre o conceito de incidência tributária, lecionado: “[...] a expressão hipótese de incidência designa com maior propriedade a descrição, contida na lei, da situação necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária, enquanto a expressão fato gerador diz da ocorrência, no mundo dos fatos, daquilo que esta descrito na lei. A hipótese é simples descrição, é simples previsão, enquanto o fato é concretização da hipótese, é o acontecimento do que fora previsto.” Nesta senda, à aplicação do conceito de imunidade tributária sobre as taxas, as contribuições e as contribuições de melhoria, nos permite deduzir que não restam dúvidas quanto a sua validade. Para ratificar este entendimento, devemos observar alguns exemplos de imunidades referente a taxas e constituições, como a gratuidade de justiça, obtenção de certidões, habeas corpus e habeas data, gratuidade ao casamento, gratuidade ao serviço de transporte aos maiores de 65 anos, contribuição para a seguridade social e imunidade das contribuições de intervenção no domínio econômico, texto previstos no artigo 5º, XXXIV; LXXIII e LXXVII, bem como artigo 226, 230; todos da Constituição Federal. 2. As imunidades são cláusulas pétreas na Constituição Federal? Uma Emenda Constitucional pode revogar alguma das imunidades dispostas na Carta Magna? Uma Emenda Constitucional pode instituir novas imunidades na Carta Magna, como fez a Emenda Constitucional 132/2023[footnoteRef:1]? Uma Emenda Constitucional pode ampliar uma regra de imunidade posta no texto Constitucional originário como fez a Emenda Constitucional 132/2023 no art. 150, VI, “b”[footnoteRef:2]? As normas constitucionais que veiculam imunidades são autoaplicáveis ou dependem de regulamentação infraconstitucional? [1: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: VIII - produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente, nos termos de lei complementar. § 6º O imposto previsto no inciso VIII do caput deste artigo: I - não incidirá sobre as exportações nem sobre as operações com energia elétrica e com telecomunicações; Art. 126, ADCT. A partir de 2027: III - o imposto previsto no art. 153, IV, da Constituição Federal: a) terá suas alíquotas reduzidas a zero, exceto em relação aos produtos que tenham industrialização incentivada na Zona Franca de Manaus, conforme critérios estabelecidos em lei complementar;] [2: Art. 150. (...) VI – (...) b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas organizações assistenciais e beneficentes; ] RESPOSTA: Conforme já explanado na questão anterior, as imunidades tributárias são garantias estabelecidas pela Constituição Federal que impossibilitam aos entes tributantes a criação e cobrança de tributos sobre pessoas físicas e jurídicas quando presentes as condições objetivas e subjetivas. Em relação às cláusulas pétreas, cumpre ressaltar que tratam-se de dispositivos constitucionais que não são passíveis de limitação, nem mesmo por Proposta de Emenda à Constituição (PEC). Estão dispostas no artigo 60, § 4°, sendo: “a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes; e os direitos e garantias individuais.” Noutro modo, ao nos debruçarmos ao texto normativo do artigo 150 da Constituição Federal, podemos vislumbrar que: "Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte"; possibilitando para tanto o entendimento de estar a imunidade tributária inserida no campo das garantias fundamentais conferidas ao contribuinte. Para solidificar tal narrativa, devemos mencionar os ensinamentos do Professor Nogueira, no que tange a impossibilidade de supressão dos direitos com status de cláusulas pétreas, vejamos: “Trata-se de garantias ao próprio Estado Democrático de Direito, vez que pretendem assegurar a identidade ideológica da Constituição, evitando a violação à sua integridade e a desnaturação de seus preceitos fundamentais. Protegem, em verdade, seu núcleo intangível. Países onde os confrontos entre maiorias e minorias são muito intensos ou com fortes tradições autoritárias, como é o caso do Brasil, a rigidez constitucional parece essencial para preservar direitos e garantir a regra democrática.” Por todo o exposto, ao que se refere à possibilidade de Emenda Constitucional revogar alguma das imunidades dispostas na Carta Magna, não restam dúvidas quanto a sua impossibilidade, posto que estas cláusulas são protegidas pela imutabilidade de revogação conferida pelo artigo 60, § 4° da Constituição Federal. Por fim, em relação à imunidade ser norma auto-aplicável ou que dependa de regulamentação infraconstitucional, vislumbro ser uma norma auto-aplicável, posto que são aptas a produzirem todos os seus efeitos, independentemente de regulamentação de lei posterior para o pleno exercício. Contudo, há de se frizar que a legislação infraconstitucional, poderá estabelecer a observância de algumas regras para seu gozo, como exemplo a imunidade das instituições de educação, conforme redação do artigo 14 do Código Tributário Nacional. 3. Na sua opinião, são imunes: a) quanto ao ISS: cessão de espaço em cemitério para sepultamentos (Vide anexo I); os serviços de guarda e estacionamento de veículos automotores prestados por entidades religiosas (Vide anexo II); RESPOSTA: A imunidade tributária dos templos religiosos está previsto no inciso VI, b, do artigo 150 da Constituição Federal, qual discorre: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas organizações assistenciais e beneficentes; No mesmo sentido, o artigo 14 do Código Tributário Nacional,trás que para obtenção da isenção para templos religiosos, deve-se observar alguns requisitos, sendo assim: Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do art. 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nêle referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Nesta senda, a referida imunidade tributária positivada pelo poder constituinte tem o escopo de garantir o princípio da liberdade de crença e prática religiosa. Nos ensinamentos do professor Paulo de Barros, o ilustre doutrinador explana sobre a intenção do legislador que: “Estão imunes os templos de qualquer culto. Trata-se de reafirmação do principio da liberdade de crença e prática religiosa, que a Constituição prestigia no art. 5º, VI a VIII. Nenhum óbice há de ser criado para impedir ou dificultar esse direito de todo cidadão. E entendeu o constituinte de eximi-lo também do ônus representado pela exigência de impostos (art. 150, VI, b).” Já o que diz respeito às receitas auferidas pela prestação de serviços de guarda eestacionamento de veículos automotores, prestados por entidades religiosas, entendo estarem abarcadas pela imunidade tributária. Os requisitos estabelecidos para a obtenção de tal imunidade não fazem referência diretamente aos tributos específicos que serão alcançados pelo benefício, trazendo sua abrangência de forma ampla. Cumpre ressaltar que para o caso concreto, é mister observar a obediência aos requisitos do artigo 14 do CTN, quais sejam a vedação à distribuição de lucro e renda, a aplicação integral dos recursos no país para a manutenção dos objetivos institucionais, bem como o cumprimento dos deveres instrumentais. b) quanto ao IPTU: o imóvel para reuniões da maçonaria (Vide anexo III); os cemitérios particulares (Vide anexo IV); RESPOSTA: Em relação ao IPTU incidente sobre imóvel destinado à locação, pertencenteentidades assistenciais, a jurisprudência é pacífica no entendimento da manutenção da imunidade, desde que o valor percebido a título de aluguel seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas. Para corroborar tal afirmação, vejamos o que preconiza a Súmula Vinculanten° 52 do STF12: Súmula Vinculante 52Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, "C", da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas. c) quanto ao ITR: as áreas de reserva dos povos originários demarcadas quando o imóvel já era de propriedade por particular (Vide anexo V); e a renda auferida pelos povos originários (Vide anexo VI); RESPOSTA: Quanto à imunidade sobre o ITR das áreas de reserva indígena, salienta-se o texto normativo do artigo 20, XI da Constituição Federal, qual reconhece as terras tradicionalmente ocupadas pelos Índios como bens da União. Diante disso, não há que se falar em incidência do ITR em virtude da imunidade recíproca, exposta no artigo 150, VI, a da CF, que veda a instituição de impostos sobre patrimônio, renda ou serviços uns dos outros. Insta salientar para a presente questão, que o STF asseverou a imunidade tributária sobre as terras ocupadas, bem como a renda indígena, resultado da aplicação de bens e utilidades integrantes do Patrimônio Indígena, sob a responsabilidade do órgão de assistência ao índio, debruçando-se nos artigos 49, XVI, e 231, § 3°, da Constituição cumulado com o artigo 43 da Lei n° 6.001/1973. d) quanto aos serviços prestados por empresas públicas no regime de concorrência (Vide anexos VII e VIII); RESPOSTA: Ao disposto na questão, a imunidade sobre tributos sobre as receitas de serviços prestados auferidas por empresas públicas no regime de concorrência, trata-se de imunidade recíproca. Sobre o tema apresentado na presente questão, o ilustre Professor Paulo de Barros leciona que: “A imunidade reciproca, prevista nolart. 150, VI, a, da Constituição é uma decorrência pronta e imediata do postulado da isonomia dos entes constitucionais, sustentado pela estrutura federativa do Estado brasileiro e pela autonomia dos Municípios.” Ademais, insta salientar que no caso de empresas públicas que operam em regime de concorrência, não há que falar em imunidade tributária, sob o argumento de violação ao princípio da isonomia, pelo fato de o mesmo benefício não ser estendido as demais empresas do setor privado, resultando em uma concorrência desleal e favorecimento indevida das empresas públicas. Para ratificar este impeditivo, o artigo 173, §2°, da Constituição Federal estabelece que: "As empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Ademais, é possível verificar os requisitos necessários para que as empresas públicasgozem de imunidade tributária sobre suas receitas auferidas, conforme lição do doutrinador já mencionado nesta questão, qual narra que: “Com efeito, deve-se notar que a indigitada imunidade tem ganhado contornos mais amplos à luz da doutrina e jurisprudência para, além das autarquias, abranger com a imunidade às empresas públicas e até sociedades de economia mista, desde que cumpram. cumulativamente, os seguintes requisitos: I -prestem serviço público II- cuja realização tenha sido atribuida pela Constituição exclusivamente ao Poder Público; III – exercida em regime de exlusividade.” Desta feita, conforme doc anexo a presente questão, é possível afirmar que o entendimento majoritário jurisprudêncial é de que as receitas auferidas em regime de concorrência pela ECT devem gozar da imunidade recíprca, sob a argumentação de que as atividades em regime de concorrência são necessárias. e) quanto aos serviços públicos prestados por sociedades de economia mista (Vide anexos IX, X e XI); RESPOSTA: Ao quis diz respeito a presente questão, a imunidade quanto aos serviços públicos prestados por sociedade de economia mista, faz-se necessário verificar se a referida empresa exerce a atividade-fim em regime de monopólio ou de concorrência. Conforme já demonstrado na presente questão em específico leda (d), em relação à sociedade de economia mista que opera em regime de concorrência, não há que falar em imunidade tributária, sob o argumento de violação ao princípio da isonomia, pelo fato de o mesmo beneficio não ser estendido às demais empresas do setor privado, resultando em uma concorrência desleal e favorecimento indevida das empresas públicas. Para firmar esta proibição, o texto normativo do art. 173, §2°, da Constituição Federal estabelece que; “as empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Noutro ponto, em caso de a sociedade de economia mista exercer sua atividade em regime demonopólio, como deverá gozar da imunidade. Ademais, é possivel através da leitura anexa ao presente seminário, interpretar que a imunidade recíproca é aplicável às sociedades de economia mista prestadoras de serviço de distribuição de água e saneamento, tendo em vista que desempenham atividade de prestação obrigatório e exclusiva a competência Estatal. f) quanto aos serviços públicos prestados por sociedades de economia mista cujas ações são negociadas na bolsa de valores. (Vide anexo XII) RESPOSTA: A imunidade tributária sobre as receitas auferidas com a prestação de serviços públicos prestados por sociedades de economia mista que negociam ações na bolsa de valores, temos a tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal, no RE n° 600.867, qual não reconheceu a imunidade recíproca prevista no artigo 150, VI, a da CF, por não estar diretamente ligado à função principal da prestação de serviços públicos, e sim a remuneraro capital de seus controladores ou acionistas. Justifique suas respostas. 4. Como deve ser interpretado o disposto no art. 150, VI, “d” da CF: livro, jornais e periódicos e o papel destinado à sua impressão? Pode-se dizer que livros e periódicos eletrônicos (“e-books”), bem como o material utilizado para comportá-los (“e-book readers”) são imunes com fundamento neste dispositivo? E os Tablets? (Vide anexos XIII, XIV, XV, XVI e XVII) RESPOSTA: A interpretação do disposto no art. 150, VI, "d" da Constituição Federal: "livro, jornais e periódicos e o papel destinado a sua impressão", deve ser feita no sentido de imunidade tributária conferida pela próprio texto normativo exposto em nossa carta magna, posto que esta redação tem o objetivo de assegurar a liberdade de expressão do pensamento e da disseminação da cultura. Ademais, conforme citado na questão antecedente, o entendimento exposto pelo nobre Doutrinador, Navarro Coelho, no que diz respeito à imunidade sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão é: “A imunidade, seu fundamento, é político e cultural. Procura-se retirar impostos dos veículos de educação, cultura e saber para livrá-los de sobre o dobro das influências políticas, para que, através do livro, da imprensa, das revistas, se possa criticar livremente os governos sem interferência fiscais.” Nesse sentido, podemos traçar o raciocínio no que tange ao e-book, bem como o material utilizado para sua comportá-los - "e-book readers", deve-se obter da imunidade tributária prevista no art.150, VI, d, da CF -, ademais, corrabora no mesmo entendimento o STF, que fixou a tese no RE nº 330.81719: “A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se aos livros eletrônico (e-books), inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los". Desta feita, o conceito de livro não pode ser entendido unicamente como a impressão de textos em papel, haja vista que no caso em tela, o e-book, não há papel, contudo, cumpre a mesma finalidade um livro impresso em papel, independentemente de ser ele tangível ou intangível. Ademais, como se não bastasse, o entendimento do STF é de ser dispensável para o enquadramento do livro na imunidade em questão que seu destinatário (consumidor) tenha necessariamente que passar sua visão pelo texto e decifrar os signos da escrita, podendo ser ele impresso, digital, audio book, etc. Deste modo, a imunidade conferida ao e-book também alcança aparelhos leitores de livros eletrônicos confeccionados exclusivamente para esse fim, ainda que, eventualmente, estejam equipados com funcionalidades acessórias ou rudimentares que auxiliam a leitura digital, tais como dicionário de sinônimos, marcadores, escolha do tipo e do tamanho da fonte. Já ao que diz respeito aos tablets, não há que se falar em imunidade tributária, este entendimento foi firmado pela Corte Suprema, cuja manifestação fora no sentido de que a imunidade tributária não é aplicável aos aparelhos multifuncionais, como tablets, smartphones e laptops, tendo em vista que suas funções vão muito além das apresentadas pelos meros equipamentos utilizados para a leitura de livros digitais. 5. No caso da imunidade para as instituições de assistência social sem fins lucrativos, o cumprimento do art. 14 do CTN é suficiente para garantir sua aplicação ou ainda é necessária a comprovação do caráter assistencial e filantrópico previsto no art. 203 da CF/88? É possível que lei ordinária garanta sua aplicação? (Vide anexo XVIII) RESPOSTA: Ao que diz respeito a necessidade de comprovação do caráter assistencial e filantrópico para as instituição terem a benesse da imunidade conferida a estas classess, cujo objetivo final, seria de: “sem fins lucrativos”, é conceituado para tal imunidade nos fundamentos dos artigos 203 da CF – qual disciplina sobre os objetivos da assistência social -, bem como o texto do art. 14 do CTN - que apresenta os requisitos que deverão ser cumpridos – . Nesta senda, é possível vislumbrar a partir dos textos destacados, que a norma Constitucional não estabelece de forma taxativa a necessidade da comprovação do caráter assistencial, contudo, o art. 150, VI, c da CF, em expecífico em seu texto final, traz a narrativa que: "assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei." Ademais, é possível debruçar no entendimento de que a cumulação dos requisitos da CF, embasam o texto normativo estabelecidos pelo art. 14 do CTN, sendo: a vedação à distribuição de lucros, a aplicação integral no País e o cumprimento dos deveres instrumentais. Noutro pornto, já ao que diz respeito à possibilidade de lei complementar para garantir sua aplicação, a Constituição Federal, no art. 146, Ill, disciplina que cabe à lei complementar o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária. Vale salientar que, o papel da lei complementar na referida matéria é o de "[...] regular o modo e as condições a serem preenchidas pelos interessadospara que façam jus ao direito de usufruir dos benefícios das imunidades condicionadas". Neste contexto, nos ensinamentos de Paulo da Barros Carvalho, é possível vislumbrar que a Constituição Federal apresenta as hipóteses de imunidade, contudo, não exclui a participação do legislador complementar para a complementação na regulação dos fatores condicionantes definidos pela norma imunizante. Sendo assim, a matéria de lei complementar que disciplina sobre normasgerais está convergindo tanto com o art. 146, Ill quanto o art. o art. 150, VI, c, ambos da CF, ao estabelecer os requisitos para o gola da imunidade. Dito isso, se é possível concluir, portanto, que o cumprimento dos requisitos do art. 14 do CTN sãofundamentais para o benefício da imunidade às entidades de assistência social, ao passo que a comprovação do caráter assistencial, mesmo não sendo exigido de forma taxativa, naturalmente será comprovado/demonstrado, tendo em vista os objetivos da assistência social do art. 203 da CF e dos requisitos do art. 14 do CTN, isso se dá, porque os referidos conceitos estão diretamente ligados às atividades de assistência social. 6. Explicar as diferenças entre as correntes dicotômica e tricotômica na aplicação das normas gerais de direito tributário. Precisar o sentido da expressão normas gerais de direito tributário, diferenciando lei complementar nacional e lei complementar federal. Qual, ou quais, as diferenças entre a lei complementar estabelecida no artigo 146, da CF/1988 e a lei complementar prevista no artigo 156-A, caput? Ambas são dotadas da mesma função no ordenamento jurídico? Ambas assumem o mesmo status hierárquico? RESPOSTA: Para responder a presete questão, se faz necessário destacar a função da lei complementar em matéria tributária, conforme estabelece o art. 146 CF. Diante disso, existem duas correntes sobre o conteúdo das matérias trazidas pela lei corplementar, quais sejam as correntes dicotômica e tricotômica. A corrente Dicotômica entende que as matérias reservadas à lei complementar devem estabelecer as normas gerais que disponham sobre conflito de competência ou regulação do poder de tributar, enquanto a corrente Tricotômica defende que a lei complementar deve dispor sobre os conflitos de competência entre as pessoas políticas em matéria tributária, regular as limitações constitucionais ao poder de tributar e o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária. Assim, entende-se que o sentido da expressão normas gerais, está relacionado à função complementadora pelo ordenamento infraconstitucional, que tem a missão de disciplinar sobre os principais pontos do modelo normativo constitucional tributário, além de esclarecer a intenção do poder constituinte, possibilitando assim o alcance efetivo dessa intenção em matéria tributária. Tal entendimento é possível de ser verificado, face a leitura do art. 150, VI, c, da CF,em especial a parte final do texto, que narra: "atendidos os requisitos da lei", sendo, portanto, um exemplo claro é complementando-o de forma aesclarecer a intenção do poder constituinte, ou seja, tornam efetivas as normas jurídicas constitucionais tributárias e não podem inovar ou ir além desses ditames. Noutro ponto, solicitado na presente questão, que versa sobre a diferença entre lei complementar nacional e federal, podemos dizer que sua principal característica está relacionada à veiculação, isso porque a lei complementar de caráter nacional é aplicável a todos os entes tributantes, quais sejam a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, como a lei que trata de normas gerais sobre o Direito Financeiro e Tributáno, enquanto a lei complementar federal é veiculada para a União e seus administrados, como a lei que disciplina sobre os empréstimos compulsórios, de competência exclusiva daUnião. Ademais, conforme determinado pela Constituição, no art. 146, III, cabe à lei complementar o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária. Nesta premissa, podemos afirmar que: “é permitido a lei complementar a definição de fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos já discriminados na Constituição”. Ademais, Paulo de Barros Carvalho ensina de forma objetiva sobre o conteúdo das normas gerais quedevem ser tratadas por lei complementar, como sendo: “O primeiro passo é saber que são as tão faladas normas gerais de direito tributário. E a resposta vem depressa: são aquelas que dispõem sobre conflitos de competência entre as entidades tributantes e também as que regulam as limitações constitucionais ao poder de tributar. Pronto: o conteúdo está firmado.” Contudo, é importante salientar que as matérias devem versar em sentido de dirimir os conflitos de competência entre os entes federativos, devendo obedecer os limites delimitados pela Carta Magna, não podendo tratar sobre ampliação e nem restrição do alcance das normas constitucionais.Desta feita, não há que se falar em violação à autonomia das pessoas politicas, tendo em vista que a função atribuída à lei complementar pela Constituição Federal, é justamente essa, qual seja a de prescrever norma geral. Sugestão para pesquisa suplementar • BALEEIRO, Aliomar. Limitações constitucionais ao poder de tributar. Rio de Janeiro: Forense. Capítulos IV, V e VI. • BARRETO, Aires F.; BARRETO, Paulo Ayres. Imunidades tributárias: limitações constitucionais ao poder de tributar. São Paulo: Dialética. • BORGES, José Souto Maior. Lei complementar tributária. São Paulo: Ed. RT. Capítulo VI. • CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de Direito Constitucional Tributário. São Paulo: JusPodivm. Título II, Capítulo XI, itens 1, 4, 6, 7, itens 7.1 a 7.16 e 8. • CARVALHO, Cristiano. Teoria do sistema jurídico: direito, economia e tributação. São Paulo: Quartier Latin. Capítulo IV, Item 4.11. • GAMA, Tacio Lacerda. Contribuição de intervenção no domínio econômico. São Paulo: Quartier Latin. Capítulos VII e VIII. • Artigo: “Segurança jurídica e normas gerais tributárias”, de Tercio Sampaio Ferraz Jr., Revista de Direito Tributário n. 17-18. • Artigo: “A imunidade recíproca dos entes federados: sentido e alcance à luz da jurisprudência do STF”, de André Mendes Moreira, in O direito tributário entre a forma e o conteúdo, Paulo de Barros Cavalho (Coord.). São Paulo: Noeses. • Artigo: “Requisitos objetivos para gozar de imunidades de estabelecimentos de ensino e saúde só podem ser regulados por lei complementar”, de Ives Gandra da Silva Martins, in O direito tributário entre a forma e o conteúdo, Paulo de Barros Carvalho (Coord.). São Paulo: Noeses. Anexo I ADI 5869 Ementa: TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. ISS. ATIVIDADES MISTAS. INCIDÊNCIA DE ISS SOBRE CESSÃO DE USO DE ESPAÇO DE CEMITÉRIOS. ITEM 25.05 DA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA À LEI COMPLEMENTAR 116/2003. ATIVIDADE QUE ENGLOBA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE CUSTÓDIA E CONSERVAÇÃO DOS RESTOS MORTAIS. CONSTITUCIONALIDADE. (ADI 5869, Relator(a): GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 22-02-2023, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 01-03-2023 PUBLIC 02-03-2023) Anexo II RE 325.822 EMENTA: Recurso extraordinário. 2. Imunidade tributária de templos de qualquer culto. Vedação de instituição de impostos sobre o patrimônio, renda e serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades. Artigo 150, VI, "b" e § 4º, da Constituição. 3. Instituição religiosa. IPTU sobre imóveis de sua propriedade que se encontram alugados. 4. A imunidade prevista no art. 150, VI, "b", CF, deve abranger não somente os prédios destinados ao culto, mas, também, o patrimônio, a renda e os serviços "relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas". 5. O § 4º do dispositivo constitucional serve de vetor interpretativo das alíneas "b" e "c" do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Equiparação entre as hipóteses das alíneas referidas. 6. Recurso extraordinário provido (RE 325822, Relator(a): ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 18-12-2002, DJ 14-05-2004 PP-00042 EMENT VOL-02151-02 PP-00246) Anexo III RE 562.351 CONSTITUCIONAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 150, VI, C, DA CARTA FEDERAL. NECESSIDADE DE REEXAME DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 279 DO STF. ART. 150, VI, B, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. ABRANGÊNCIA DO TERMO “TEMPLOS DE QUALQUER CULTO”. MAÇONARIA. NÃO CONFIGURAÇÃO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO CONHECIDO EM PARTE E, NO QUE CONHECIDO, DESPROVIDO. I – O reconhecimento da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal exige o cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei. II – Assim, para se chegar-se à conclusão se o recorrente atende aos requisitos da lei para fazer jus à imunidade prevista neste dispositivo, necessário seria o reexame do conjunto fático-probatório constante dos autos. Incide, na espécie, o teor da Súmula 279 do STF. Precedentes. III – A imunidade tributária conferida pelo art. 150, VI, b, é restrita aos templos de qualquer culto religioso, não se aplicando à maçonaria, em cujas lojas não se professa qualquer religião. IV - Recurso extraordinário parcialmente conhecido, e desprovido na parte conhecida. (RE 562351, Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Primeira Turma, julgado em 04/09/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-245 DIVULG 13-12-2012 PUBLIC 14-12-2012) Anexo IV ARE 1.371.1745 ARE 1371745 / SP - SÃO PAULO RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO Relator(a): Min. PRESIDENTE Decisão proferida pelo(a): Min. LUIZ FUX Julgamento: 22/03/2022 Publicação: 23/03/2022 Publicação PROCESSO ELETRÔNICO DJe-s/n DIVULG 22/03/2022 PUBLIC 23/03/2022 Partes RECTE.(S) : AVEIRO EMPREENDIMENTOS IMOBILIARIOS LTDA ADV.(A/S) : DANIELA RAGAZZO COSENZA RECDO.(A/S) : MUNICÍPIO DE LIMEIRA ADV.(A/S) : PROCURADOR-GERAL DO MUNICIPIO DE LIMEIRA Decisão DECISÃO: Trata-se de recurso extraordinário com agravo contra decisão de inadmissão do recurso extraordinário. O apelo extremo foi interposto com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional. O acórdão recorrido ficou assim ementado: "AGRAVO DE INSTRUMENTO - EXECUÇÃO FISCAL - IPTU - Exercícios de 2013 a 2017 - Município de Limeira - Exceção de pré-executividade sustentando o reconhecimento da imunidade tributária de Cemitério, com base no comando normativo previsto no artigo 150, inciso VI, alínea 'b', da CF - Subsidiariamente, pleito de recálculo da exação, com o lançamento individual por sepultura e não pela área total do terreno - Rejeição da objeção processual - Cabimento - Exploração de atividade empresarial por cemitério particular que não dispõe da proteção constitucional conferida às atividades religiosas - Regularidade do lançamento do IPTU sobre o imóvel de propriedade da executada - Precedentes deste E. Tribunal de Justiça - Decisão mantida - Recurso desprovido." No recurso extraordinário sustenta-se violação do art. 150, VI, "b", da Constituição Federal. Decido. Analisados os autos, colhe-se do voto condutor do acórdão atacado a seguinte fundamentação: "Todavia, a finalidade lucrativa da pessoa jurídicade direito privado não se coaduna com o propósito de concretizar os vetores axiológicos inseridos na norma imunizante, como no caso da liberdade religiosa. Nesse sentido, não há respaldo para o reconhecimento da imunidade tributária à agravante, que admite às fls. 05 do presente recurso “ser uma entidade privada, com fins lucrativos”, que atua no ramo de comercialização e conservação de jazigos. Ao contrário da tese levantada pela agravante, há sim que se fazer a distinção entre cemitérios que são extensões de templos religiosos, como aqueles pertencentes a determinadas Igrejas, dos cemitérios particulares, que meramente exploram atividade econômica. (...) Assim, o imóvel ora analisado não se encontra amparado pela norma constitucional imunizante. Como bem ressaltado pelo Juízo 'a quo': 'tão somente os cemitérios que funcionem como extensões de entidades religiosas, não tenham fins lucrativos e se dediquem exclusivamente à realização de serviços religiosos e funerários são imunes à incidência do Imposto Predial e Territorial Urbano, o que, no entanto, não se dá no caso concreto'." Desse modo, verifica-se que, para ultrapassar o entendimento do Tribunal de origem, seria necessário analisar a causa à luz da interpretação dada à legislação infraconstitucional pertinente e reexaminar os fatos e as provas dos autos, o que não é cabível em sede de recurso extraordinário, pois a afronta ao texto constitucional, se houvesse, seria indireta ou reflexa e a Súmula 279 desta Corte impede o reexame de provas. Sobre o tema, a propósito: “Agravo regimental em recurso extraordinário com agravo. 2. Direito Tributário. 3. Imunidade tributária. Templos de qualquer culto. Controversa a comprovação da finalidade do imóvel. Matéria infraconstitucional. 4. Requisitos para imunidade do art. 150, VI, b, da Constituição Federal. Reexame de matéria fático-probatória. Súmula 279. 5. Agravo regimental a que se nega provimento” (ARE nº 918.697/RJ-AgR, Segunda Turma Rel. Min. Gilmar Mendes, DJe de 24/5/17). “AGRAVO REGIMENTAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTO SOBRETRANSMISSÃO DE BENS IMÓVEIS (ITBI). INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO.DESTINAÇÃO ÀS FINALIDADES ESSENCIAIS. REEXAME DE FATOS E PROVAS.SÚMULA 279 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Para se chegar a conclusão diversa daquela a que chegou o acórdão recorrido, seria necessário reexaminar os fatos e provas da causa, procedimento vedado na esfera do recurso extraordinário, de acordo com a Súmula 279 do Supremo Tribunal Federal. Agravo regimental a que se nega provimento” (AI nº 572.831/SP-AgR, Segunda Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa, DJe de 8/10/10). Ex positis, nego seguimento ao recurso (alínea c do inciso V do art. 13 do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal). Havendo prévia fixação de honorários advocatícios pelas instâncias de origem, seu valor monetário será majorado em 10% (dez por cento) em desfavor da parte recorrente, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil, observado os limites dos §§ 2º e 3º do referido artigo e a eventual concessão de justiça gratuita. Publique-se. Brasília, 22 de março de 2022. Ministro LUIZ FUX Presidente Anexo V RE 1.206.121 RE 1206121 / PR - PARANÁ RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSKI Julgamento: 27/09/2022 Publicação: 29/09/2022 Publicação PROCESSO ELETRÔNICO DJe-195 DIVULG 28/09/2022 PUBLIC 29/09/2022 Partes RECTE.(S) : UNIÃO ADV.(A/S) : PROCURADOR-GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : ESPOLIO DE LUIZ ADAO BOTTINI ADV.(A/S) : MARIA CIBELI CORREA RIBEIRO INTDO.(A/S) : MARIA CIBELI CORREA RIBEIRO ADV.(A/S) : MARIA CIBELI CORREA RIBEIRO Decisão Trata-se de recurso extraordinário interposto contra acórdão cuja ementa segue transcrita: “APELAÇÃO/REMESSA OFICIAL. TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL (ITR). IMÓVEIS ABRANGIDOS POR AMPLIAÇÃO DE RESERVA INDÍGENA. RECONHECIMENTO DA PERDA DA TITULARIDADE POR PARTE DO AUTOR. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 333 DO CPC/1973. RECONHECIMENTO DA INEXIGIBILIDADE DO TRIBUTO COMO CONSECTÁRIO DO RECONHECIMENTO DA ALTERAÇÃO DA TITULARIDADE DOS IMÓVEIS. VERBA HONORÁRIA. MAJORAÇÃO. O decreto homologatório da demarcação, ao criar reserva indígena, apenas reconhece situação preexistente, de modo que, sendo declaratório o seu conteúdo, mostram-se nulos, extintos e desprovidos de efeitos jurídicos os atos que tenham por objeto o domínio e a posse das terras de que cuida o art. 231 da Constituição Federal. Comprovado que as terras sobre as quais incidiu o ITR estão situadas em área de reserva indígena, resta evidenciada a ilegitimidade do autor para responder pelo imposto, visto que não detém a propriedade, o domínio útil ou a posse dos imóveis. A parte autora desincumbiu-se do ônus que lhe tocava, de modo que cabia ao adversário produzir prova para desconstituir o direito daquele (art. 333, inciso II, do CPC/1973). O reconhecimento da inexistência de relação jurídico-tributária entre a União e o contribuinte - desobrigando este último do pagamento de ITR - é decorrência do reconhecimento judicial de que as terras, em relação às quais estava sendo exigida a exação, foram integradas a uma reserva indígena e, portanto, passaram ao patrimônio estatal. Vencida a Fazenda Pública, incide - para fins de fixação de honorários advocatícios - a regra do parágrafo 4º do art. 20 do Código de Processo Civil, o qual não impõe ao julgador a aplicação de limites percentuais, nem estabelece a base de cálculo da referida verba, como ocorre no parágrafo 3º do mesmo artigo, sendo essencial definir, para tal atribuição, a complexidade da causa, o trabalho desenvolvido pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço, devendo ainda ser considerado o valor da causa ou da condenação.” (pág. 187 do documento eletrônico 3). Neste RE, fundado no art. 102, III, a, da Constituição Federal, alega-se, em suma, ofensa ao art. 231 da mesma Carta. Para tanto, sustenta-se que “[p]romover a retificação de domínio nas matrículas, consistiria reconhecer valor em ato que a Constituição Federal declara nulo, como decorre do mais uma vez invocado art. 231, da CF/88, dispositivo expressamente referido no acordão. [...] Não há sentido prático ou jurídico em promover a alteração de matrículas reconhecidas como nulas, já que o regime jurídico da demarcação de terras indígenas exclui o regime jurídico dos Registros Públicos. Pretender que o processo de demarcação de terras indígenas se submeta a disciplina normativa da Lei de Registros Públicos implica em negar vigência à disciplina constitucional que estabelece, a partir do art. 231 da CF, um conjunto de princípios e regras constitucionais absolutamente específicos para proteção das comunidades indígenas.” (págs. 241-242 do documento eletrônico 3). Em 19/10/2020, determinei a devolução destes autos à origem para que fosse observado o disposto nos arts. 1.039, 1.040 e 1.041 do Código de Processo Civil/2015, ante a repercussão geral reconhecida no RE 1.017.365-RG/SC – Tema 1.031 (documento eletrônico 10). Posteriormente, antes da nova remessa dos autos a esta Corte, a Vice-Presidência do Tribunal Regional Federal da 4ª Região assinalou que “[...] cabem os autos serem remetidos ao STF para análise no feito, haja vista a matéria trazida no recurso extraordinário interposto pela União (providências no sentido de alterar as matrículas que registram o domínio dos imóveis geradores das obrigações tributárias de ITR e violação de marcos do regime jurídico constitucional relativos a posse das terras de ocupação tradicional indígena, posto no art. 231 da Constituição da República Federativa) em nada coincide com o tema apontado (1031), que trata de definição do estatuto jurídico-constitucional das relações de posse das áreas de tradicional ocupação indígena à luz das regras dispostas no artigo 231 do texto constitucional. Ante o exposto, com as homenagens de estilo, tendo em vista que já realizada a admissão do recurso extraordinário(E69), determino o reenvio dos autos ao Eg. Supremo Tribunal Federal.” (pág. 1 do documento eletrônico 82). É o relatório necessário. Decido. Bem reexaminados os autos, verifico que a pretensão recursal não merece acolhida. Isso porque a recorrente, apesar de afirmar a existência de repercussão geral no recurso extraordinário, não demonstrou as razões pelas quais entende que a questão constitucional aqui versada ultrapassaria os interesses subjetivos do processo. Na verdade, a União limitou-se a demonstrar apenas a relevância jurídica da controvérsia e a desenvolver considerações genéricas sobre a repercussão geral, sem particularizar o modo pelo qual o tema tratado nestes autos transcenderia os interesses subjetivos da causa. Assim, a mera alegação de existência do requisito, desprovida de fundamentação adequada que demonstre seu efetivo preenchimento, não satisfaz a exigência prevista no art. 1.035, § 2°, do Código de Processo Civil/2015. Nesse sentido, transcrevo ementas de julgados desta Corte: “AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. INEXISTÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA TRANSCENDÊNCIA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. INTERESSES SUBJETIVOS DA CAUSA. AGRAVO REGIMENTAL AO QUAL SE NEGA PROVIMENTO.” (AI 851.925-AgR/ES, Rel. Min. Cármen Lúcia – grifei). “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO GERAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA TRANSCENDÊNCIA DA QUESTÃO SUSCITADA NO RE. INTERESSES SUBJETIVOS DA CAUSA. ICMS. CREDITAMENTO. MATERIAL UTILIZADO NO PROCESSO DE FABRICAÇÃO. PRODUTO INTERMEDIÁRIO. NECESSIDADE DE REEXAME DA LEGISLAÇÃO INFRACONSTITUCIONAL E DO CONJUNTO FÁTICO-PROBATÓRIO. SÚMULA 279/STF. MAJORAÇÃO DE HONORÁRIOS. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. I – A mera alegação, nas razões do recurso extraordinário, da existência de repercussão geral das questões nele suscitadas, desprovida de fundamentação adequada, não satisfaz a exigência prevista no art. 1.035, § 2°, do Novo Código de Processo Civil e no art. 327, § 1°, do RISTF. II – O creditamento do ICMS, gerado na aquisição de telas e feltros, utilizados no processo de produção do setor papeleiro, constitui matéria adstrita ao âmbito infraconstitucional e que impõe o reexame do conteúdo fático-probatório constante dos autos (Súmula 279/STF). III – Majorada a verba honorária fixada anteriormente, nos termos do art. 85, § 11, do Código de Processo Civil/2015, observados os limites legais. IV – Agravo regimental a que se nega provimento, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4°, do CPC/2015.” (RE 1.325.829-AgR/SC, de minha relatoria – grifei). “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO GERAL. FUNDAMENTAÇÃO DEFICIENTE. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DA TRANSCENDÊNCIA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. INTERESSES SUBJETIVOS DA CAUSA. AGRAVO REGIMENTAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. I – A mera alegação, nas razões do recurso extraordinário, de existência de repercussão geral das questões constitucionais discutidas, desprovida de fundamentação adequada que demonstre seu efetivo preenchimento, não satisfaz a exigência prevista no art. 543-A, § 2°, do Código de Processo Civil/1973, introduzido pela Lei 11.418/2006, e no art. 327, § 1°, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal. II – A demonstração fundamentada da existência de repercussão geral das questões constitucionais discutidas também é indispensável nas hipóteses de repercussão geral presumida ou já reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal em outro recurso. III – Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 799.158-AgR/RS, de minha relatoria – grifei). “DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. AUXÍLIO CRECHE DE SERVIDOR PÚBLICO DO PODER JUDICIÁRIO FEDERAL. NÃO DEMONSTRAÇÃO DA RELEVÂNCIA E TRANSCENDÊNCIA DO CASO CONCRETO PARA FINS DE RECONHECIMENTO DA REPERCUSSÃO GERAL. REQUISITOS FÁTICOS, JURÍDICOS E COMPARATIVOS NÃO PREENCHIDOS. 1. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, fica majorado em 25% o valor da verba honorária fixada anteriormente, observados os limites legais do art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015. 2. Agravo interno a que se nega provimento, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015.” (ARE 771.403-AgR/PE, Rel. Min. Roberto Barroso – grifei). “AGRAVO INTERNO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. FUNDAMENTAÇÃO A RESPEITO DA REPERCUSSÃO GERAL. INSUFICIÊNCIA. REAPRECIAÇÃO DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. SÚMULA 279 DO STF. 1. Os recursos extraordinários somente serão conhecidos e julgados, quando essenciais e relevantes as questões constitucionais a serem analisadas, sendo imprescindível ao recorrente, em sua petição de interposição de recurso, a apresentação formal e motivada da repercussão geral, que demonstre, perante o Supremo Tribunal Federal, a existência de acentuado interesse geral na solução das questões constitucionais discutidas no processo, que transcenda a defesa puramente de interesses subjetivos e particulares. 2. A obrigação do recorrente em apresentar formal e motivadamente a preliminar de repercussão geral, que demonstre sob o ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, a relevância da questão constitucional debatida que ultrapasse os interesses subjetivos da causa, conforme exigência constitucional e legal (art. 102, § 3º, da CF/88, c/c art. 1.035, § 2º, do CPC/2015), não se confunde com meras invocações desacompanhadas de sólidos fundamentos no sentido de que o tema controvertido é portador de ampla repercussão e de suma importância para o cenário econômico, político, social ou jurídico, ou que não interessa única e simplesmente às partes envolvidas na lide, muito menos ainda divagações de que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é incontroversa no tocante à causa debatida, entre outras de igual patamar argumentativo. 3. A argumentação do recurso extraordinário traz versão dos fatos diversa da exposta no acórdão, de modo que seu acolhimento passa necessariamente pela revisão das provas. Incide, portanto, o óbice da Súmula 279 desta Corte (Para simples reexame de prova não cabe recurso extraordinário). 4. Agravo interno a que se nega provimento.” (ARE 1.009.564-AgR/ES, Rel. Min. Alexandre de Moraes – grifei). “DIREITO ADMINISTRATIVO. AGRAVO INTERNO EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM AGRAVO. SERVIDOR PÚBLICO. MUNICÍPIO DE CARUARU. SUPRESSÃO DE QUINQUÊNIOS. PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO GERAL COM FUNDAMENTAÇÃO INSUFICIENTE. PRECEDENTES. AUSÊNCIA DE QUESTÃO CONSTITUCIONAL. SÚMULA 280/STF. 1. A parte recorrente não apresentou mínima fundamentação quanto à repercussão geral das questões constitucionais discutidas, limitando-se a fazer observações genéricas sobre o tema, o que não atende ao disposto no art. 1035 do CPC/2015. 2. A petição de recurso extraordinário não prescinde da observância do disposto no art. 1.035 do CPC/2015, nem mesmo nos casos em que esta Corte já tenha reconhecido a existência de repercussão geral da matéria debatida nos autos (ARE 663.637-AgR-QO, Rel. Min. Ayres Britto). 3. Dissentir do entendimento firmado pelo Tribunal de origem, faz-se necessário a análise da legislação infraconstitucional local aplicada ao caso, procedimento vedado neste momento processual nos termos da Súmula 280/STF. Precedentes. 4. Nos termos do art. 85, § 11, do CPC/2015, fica majorado em 25% o valor da verba honorária fixada anteriormente, observados os limites legais do art. 85, §§ 2º e 3º, do CPC/2015. Tal verba, contudo, fica com sua exigibilidade suspensa em razão do deferimento da assistência judiciária gratuita a parte agravante, nos termos do art. 98, § 3º, do CPC/2015. 5. Agravo interno não conhecido, com aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015.” (ARE 1.211.042-AgR/PE, Rel. Min. Roberto Barroso – grifei). “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO. INTERPOSIÇÃO EM 6.4.2017. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PRELIMINAR DE REPERCUSSÃO GERAL. DEFICIÊNCIANA FUNDAMENTAÇÃO. 1. Nos termos da orientação firmada nesta Corte, cabe à parte recorrente demonstrar fundamentadamente a existência de repercussão geral da matéria constitucional em debate no recurso extraordinário, mediante o desenvolvimento de argumentação que, de maneira explícita e clara, revele o ponto em que a matéria veiculada no recurso transcende os limites subjetivos do caso concreto do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico. 2. Revela-se deficiente a fundamentação da existência de repercussão geral de recurso extraordinário que se restringe a alegar de forma genérica que a questão em debate tem repercussão geral. 3. Agravo regimental a que se nega provimento, com previsão de aplicação da multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC. Inaplicável o artigo 85, § 11, CPC, em virtude da não fixação de honorários advocatícios nas decisões anteriores.” (RE 993.775-AgR/AM, Rel. Min. Edson Fachin – grifei). Por fim, com relação à decisão proferida em 19/10/2020 (documento eletrônico 10), saliento que, nos termos do art. 323, primeira parte, do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, redação dada pela Emenda Regimental 21/2007, a verificação da ocorrência de repercussão geral apenas se dará quando não for o caso de inadmissibilidade do recurso por outra razão. No caso dos autos, como já salientado, há deficiência na fundamentação acerca da demonstração da repercussão geral apresentada nas razões do apelo extremo, o que obsta a admissibilidade do recurso. Com esse entendimento, colaciono ementas de julgados desta Corte: “AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO PREJUDICADO EM VIRTUDE DO PROVIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. PERDA DO OBJETO. ALEGAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL RELATIVA À MATÉRIA DE FUNDO. Nos termos da norma do art. 323 do RISTF, a existência do requisito especial da repercussão geral será aferida quando não for caso de inadmissibilidade do recurso por outra razão. Agravo regimental a que se nega provimento.” (RE 541.376-AgR/RS, Rel. Min. Joaquim Barbosa – grifei) “AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL. INCIDÊNCIA SOBRE ADICIONAL NOTURNO, DE PERICULOSIDADE, INSALUBRIDADE E HORAS EXTRAS. OFENSA INDIRETA OU REFLEXA. REPERCUSSÃO GERAL. DESNECESSIDADE DE EXAME. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO POR OUTRAS RAZÕES. RISTF, ART. 323. TEMA 163 DA REPERCUSSÃO GERAL. INAPLICABILIDADE. AGRAVO A QUE SE NEGA PROVIMENTO, COM APLICAÇÃO DE MULTA. I - Não há a necessidade de exame da repercussão geral das questões constitucionais em debate, pois o recurso extraordinário foi inadmitido por outras razões, conforme o art. 323, primeira parte, do Regimento Interno do STF. Essa a hipótese dos autos, ante a inadmissibilidade do recurso em decorrência da natureza infraconstitucional do tema em debate. II - O entendimento firmado no Tema 163 da Repercussão Geral diz respeito às parcelas percebidas por servidores públicos. III - Agravo regimental a que se nega provimento, com aplicação de multa (art. 1.021, § 4°, do CPC).” (RE 1.239.526-AgR/SC, de minha relatoria – grifei). Isso posto, torno sem efeito a decisão constante do documento eletrônico 10 e nego seguimento ao recurso (art. 21, § 1°, do RISTF). Com base no art. 85, § 11, do Código de Processo Civil/2015, majoro os honorários em 10% (dez por cento) sobre o total da verba fixada a esse título. Publique-se. Brasília, 27 de setembro de 2022. Ministro Ricardo Lewandowski Relator Anexo VI STF - Pet 3388 AÇÃO POPULAR. DEMARCAÇÃO DA TERRA INDÍGENA RAPOSA SERRA DO SOL. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO- DEMARCATÓRIO. OBSERVÂNCIA DOS ARTS. 231 E 232 DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL, BEM COMO DA LEI Nº 6.001/73 E SEUS DECRETOS REGULAMENTARES. CONSTITUCIONALIDADE E LEGALIDADE DA PORTARIA Nº 534/2005, DO MINISTRO DA JUSTIÇA, ASSIM COMO DO DECRETO PRESIDENCIAL HOMOLOGATÓRIO. RECONHECIMENTO DA CONDIÇÃO INDÍGENA DA ÁREA DEMARCADA, EM SUA TOTALIDADE. MODELO CONTÍNUO DE DEMARCAÇÃO. CONSTITUCIONALIDADE. REVELAÇÃO DO REGIME CONSTITUCIONAL DE DEMARCAÇÃO DAS TERRAS INDÍGENAS. A CONSTITUIÇÃO FEDERAL COMO ESTATUTO JURÍDICO DA CAUSA INDÍGENA. A DEMARCAÇÃO DAS TERRAS INDÍGENAS COMO CAPÍTULO AVANÇADO DO CONSTITUCIONALISMO FRATERNAL. INCLUSÃO COMUNITÁRIA PELA VIA DA IDENTIDADE ÉTNICA. VOTO DO RELATOR QUE FAZ AGREGAR AOS RESPECTIVOS FUNDAMENTOS SALVAGUARDAS INSTITUCIONAIS DITADAS PELA SUPERLATIVA IMPORTÂNCIA HISTÓRICO-CULTURAL DA CAUSA. SALVAGUARDAS AMPLIADAS A PARTIR DE VOTO-VISTA DO MINISTRO MENEZES DIREITO E DESLOCADAS PARA A PARTE DISPOSITIVA DA DECISÃO. 1. AÇÃO NÃO CONHECIDA EM PARTE. Ação não-conhecida quanto à pretensão autoral de excluir da área demarcada o que dela já fora excluída: o 6º Pelotão Especial de Fronteira, os núcleos urbanos dos Municípios de Uiramutã e Normandia, os equipamentos e instalações públicos federais e estaduais atualmente existentes, as linhas de transmissão de energia elétrica e os leitos das rodovias federais e estaduais também já existentes. Ausência de interesse jurídico. Pedidos já contemplados na Portaria nº 534/2005 do Ministro da Justiça. Quanto à sede do Município de Pacaraima, cuida-se de território encravado na "Terra Indígena São Marcos", matéria estranha à presente demanda. Pleito, por igual, não conhecido. 2. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS PROCESSUAIS NA AÇÃO POPULAR. 2.1. Nulidade dos atos, ainda que formais, tendo por objeto a ocupação, o domínio e a posse das terras situadas na área indígena Raposa Serra do Sol. Pretensos titulares privados que não são partes na presente ação popular. Ação que se destina à proteção do patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe (inciso LXXIII do artigo 5º da Constituição Federal), e não à defesa de interesses particulares. 2.2. Ilegitimidade passiva do Estado de Roraima, que não foi acusado de praticar ato lesivo ao tipo de bem jurídico para cuja proteção se preordena a ação popular. Impossibilidade de ingresso do Estado-membro na condição de autor, tendo em vista que a legitimidade ativa da ação popular é tão-somente do cidadão. 2.3. Ingresso do Estado de Roraima e de outros interessados, inclusive de representantes das comunidades indígenas, exclusivamente como assistentes simples. 2.4. Regular atuação do Ministério Público. 3. INEXISTÊNCIA DE VÍCIOS NO PROCESSO ADMINISTRATIVO DEMARCATÓRIO. 3.1. Processo que observou as regras do Decreto nº 1.775/96, já declaradas constitucionais pelo Supremo Tribunal Federal no Mandado de Segurança nº 24.045, da relatoria do ministro Joaquim Barbosa. Os interessados tiveram a oportunidade de se habilitar no processo administrativo de demarcação das terras indígenas, como de fato assim procederam o Estado de Roraima, o Município de Normandia, os pretensos posseiros e comunidades indígenas, estas por meio de petições, cartas e prestação de informações. Observância das garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. 3.2. Os dados e peças de caráter antropológico foram revelados e subscritos por profissionais de reconhecidas qualificação científica e se dotaram de todos os elementos exigidos pela Constituição e pelo Direito infraconstitucional para a demarcação de terras indígenas, não sendo obrigatória a subscrição do laudo por todos os integrantes do grupo técnico (Decretos nos 22/91 e 1.775/96). 3.3. A demarcação administrativa, homologada pelo Presidente da República, é "ato estatal que se reveste da presunção juris tantum de legitimidade e de veracidade" (RE 183.188, da relatoria do ministro Celso de Mello), além de se revestir de natureza declaratória e força auto-executória. Não comprovação das fraudes alegadas pelo autor popular e seu originário assistente. 4. O SIGNIFICADO DO SUBSTANTIVO "ÍNDIOS" NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. O substantivo "índios" é usado pela Constituição Federal de 1988 por um modo invariavelmente plural, para exprimir a diferenciação dos aborígenes por numerosas etnias. Propósito constitucional de retratar uma diversidade indígena tanto interétnica quanto intra-étnica.Índios em processo de aculturação permanecem índios para o fim de proteção constitucional. Proteção constitucional que não se limita aos silvícolas, estes, sim, índios ainda em primitivo estádio de habitantes da selva. 5. AS TERRAS INDÍGENAS COMO PARTE ESSENCIAL DO TERRITÓRIO BRASILEIRO. 5.1. As "terras indígenas" versadas pela Constituição Federal de 1988 fazem parte de um território estatal-brasileiro sobre o qual incide, com exclusividade, o Direito nacional. E como tudo o mais que faz parte do domínio de qualquer das pessoas federadas brasileiras, são terras que se submetem unicamente ao primeiro dos princípios regentes das relações internacionais da República Federativa do Brasil: a soberania ou "independência nacional" (inciso I do art. 1º da CF). 5.2. Todas as "terras indígenas" são um bem público federal (inciso XI do art. 20 da CF), o que não significa dizer que o ato em si da demarcação extinga ou amesquinhe qualquer unidade federada. Primeiro, porque as unidades federadas pós-Constituição de 1988 já nascem com seu território jungido ao regime constitucional de preexistência dos direitos originários dos índios sobre as terras por eles "tradicionalmente ocupadas". Segundo, porque a titularidade de bens não se confunde com o senhorio de um território político. Nenhuma terra indígena se eleva ao patamar de território político, assim como nenhuma etnia ou comunidade indígena se constitui em unidade federada. Cuida-se, cada etnia indígena, de realidade sócio-cultural, e não de natureza político-territorial. 6. NECESSÁRIA LIDERANÇA INSTITUCIONAL DA UNIÃO, SEMPRE QUE OS ESTADOS E MUNICÍPIOS ATUAREM NO PRÓPRIO INTERIOR DAS TERRAS JÁ DEMARCADAS COMO DE AFETAÇÃO INDÍGENA. A vontade objetiva da Constituição obriga a efetiva presença de todas as pessoas federadas em terras indígenas, desde que em sintonia com o modelo de ocupação por ela concebido, que é de centralidade da União. Modelo de ocupação que tanto preserva a identidade de cada etnia quanto sua abertura para um relacionamento de mútuo proveito com outras etnias indígenas e grupamentos de não-índios. A atuação complementar de Estados e Municípios em terras já demarcadas como indígenas há de se fazer, contudo, em regime de concerto com a União e sob a liderança desta. Papel de centralidade institucional desempenhado pela União, que não pode deixar de ser imediatamente coadjuvado pelos próprios índios, suas comunidades e organizações, além da protagonização de tutela e fiscalização do Ministério Público (inciso V do art. 129 e art. 232, ambos da CF). 7. AS TERRAS INDÍGENAS COMO CATEGORIA JURÍDICA DISTINTA DE TERRITÓRIOS INDÍGENAS. O DESABONO CONSTITUCIONAL AOS VOCÁBULOS "POVO", "PAÍS", "TERRITÓRIO", "PÁTRIA" OU "NAÇÃO" INDÍGENA. Somente o "território" enquanto categoria jurídico-política é que se põe como o preciso âmbito espacial de incidência de uma dada Ordem Jurídica soberana, ou autônoma. O substantivo "terras" é termo que assume compostura nitidamente sócio-cultural, e não política. A Constituição teve o cuidado de não falar em territórios indígenas, mas, tão-só, em "terras indígenas". A traduzir que os "grupos", "organizações", "populações" ou "comunidades" indígenas não constituem pessoa federada. Não formam circunscrição ou instância espacial que se orne de dimensão política. Daí não se reconhecer a qualquer das organizações sociais indígenas, ao conjunto delas, ou à sua base peculiarmente antropológica a dimensão de instância transnacional. Pelo que nenhuma das comunidades indígenas brasileiras detém estatura normativa para comparecer perante a Ordem Jurídica Internacional como "Nação", "País", "Pátria", "território nacional" ou "povo" independente. Sendo de fácil percepção que todas as vezes em que a Constituição de 1988 tratou de "nacionalidade" e dos demais vocábulos aspeados (País, Pátria, território nacional e povo) foi para se referir ao Brasil por inteiro. 8. A DEMARCAÇÃO COMO COMPETÊNCIA DO PODER EXECUTIVO DA UNIÃO. Somente à União, por atos situados na esfera de atuação do Poder Executivo, compete instaurar, sequenciar e concluir formalmente o processo demarcatório das terras indígenas, tanto quanto efetivá-lo materialmente, nada impedindo que o Presidente da República venha a consultar o Conselho de Defesa Nacional (inciso III do § 1º do art. 91 da CF), especialmente se as terras indígenas a demarcar coincidirem com faixa de fronteira. As competências deferidas ao Congresso Nacional, com efeito concreto ou sem densidade normativa, exaurem-se nos fazeres a que se referem o inciso XVI do art. 49 e o § 5º do art. 231, ambos da Constituição Federal. 9. A DEMARCAÇÃO DE TERRAS INDÍGENAS COMO CAPÍTULO AVANÇADO DO CONSTITUCIONALISMO FRATERNAL. Os arts. 231 e 232 da Constituição Federal são de finalidade nitidamente fraternal ou solidária, própria de uma quadra constitucional que se volta para a efetivação de um novo tipo de igualdade: a igualdade civil-moral de minorias, tendo em vista o proto-valor da integração comunitária. Era constitucional compensatória de desvantagens historicamente acumuladas, a se viabilizar por mecanismos oficiais de ações afirmativas. No caso, os índios a desfrutar de um espaço fundiário que lhes assegure meios dignos de subsistência econômica para mais eficazmente poderem preservar sua identidade somática, linguística e cultural. Processo de uma aculturação que não se dilui no convívio com os não-índios, pois a aculturação de que trata a Constituição não é perda de identidade étnica, mas somatório de mundividências. Uma soma, e não uma subtração. Ganho, e não perda. Relações interétnicas de mútuo proveito, a caracterizar ganhos culturais incessantemente cumulativos. Concretização constitucional do valor da inclusão comunitária pela via da identidade étnica. 10. O FALSO ANTAGONISMO ENTRE A QUESTÃO INDÍGENA E O DESENVOLVIMENTO. Ao Poder Público de todas as dimensões federativas o que incumbe não é subestimar, e muito menos hostilizar comunidades indígenas brasileiras, mas tirar proveito delas para diversificar o potencial econômico-cultural dos seus territórios (dos entes federativos). O desenvolvimento que se fizer sem ou contra os índios, ali onde eles se encontrarem instalados por modo tradicional, à data da Constituição de 1988, desrespeita o objetivo fundamental do inciso II do art. 3º da Constituição Federal, assecuratório de um tipo de "desenvolvimento nacional" tão ecologicamente equilibrado quanto humanizado e culturalmente diversificado, de modo a incorporar a realidade indígena. 11. O CONTEÚDO POSITIVO DO ATO DE DEMARCAÇÃO DAS TERRAS INDÍGENAS. 11.1. O marco temporal de ocupação. A Constituição Federal trabalhou com data certa -- a data da promulgação dela própria (5 de outubro de 1988) -- como insubstituível referencial para o dado da ocupação de um determinado espaço geográfico por essa ou aquela etnia aborígene; ou seja, para o reconhecimento, aos índios, dos direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam. 11.2. O marco da tradicionalidade da ocupação. É preciso que esse estar coletivamente situado em certo espaço fundiário também ostente o caráter da perdurabilidade, no sentido anímico e psíquico de continuidade etnográfica. A tradicionalidade da posse nativa, no entanto, não se perde onde, ao tempo da promulgação da Lei Maior de 1988, a reocupação apenas não ocorreu por efeito de renitente esbulho por parte de não-índios. Caso das "fazendas" situadas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, cuja ocupação não arrefeceu nos índios sua capacidade de resistência e de afirmação da sua peculiar presença em todo o complexo geográfico da "Raposa Serra do Sol". 11.3. O marco da concreta abrangência fundiária e da finalidade prática da ocupação tradicional. Áreas indígenas são demarcadas para servir concretamente de habitação permanente dos índios de uma determinada etnia, de par com as terras utilizadas para suas atividades produtivas, mais as "imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar" e ainda aquelas que se revelarem "necessárias à reprodução