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ARTIGO 
 
 
 
 
 
 
MARTHA WILIAN VICENTE DE ALMEIDA 
EUCILENE GUSMÃO DE LARA 
 
 
 
 
 
O VALOR DO BRINCAR: SIGNIFICADOS E APRENDIZAGENS NA PRIMEIRA 
INFÂNCIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LUCAS DO RIO VERDE - MT 
2025 
 
 
2 
 
 
 O VALOR DO BRINCAR: SIGNIFICADOS E APRENDIZAGENS NA PRIMEIRA 
INFÂNCIA 
 
 
 
RESUMO este artigo tem como objetivo analisar a relevância das brincadeiras na 
Educação Infantil sob uma abordagem participativa, enfatizando o papel ativo da 
criança no processo de aprendizagem e desenvolvimento integral. Fundamentado nas 
teorias de Emmi Pikler, Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henri Wallon, o estudo destaca 
que o brincar é uma experiência essencial para o desenvolvimento físico, emocional, 
social e cognitivo da criança. A pesquisa, de caráter bibliográfico e descritivo, busca 
compreender como o educador pode atuar como mediador, favorecendo um ambiente 
de respeito, acolhimento e autonomia, em que a criança seja protagonista de suas 
descobertas. Pikler (1979) contribui com a compreensão do movimento livre e da 
observação atenta do adulto, reforçando a importância de um vínculo afetivo e de um 
espaço seguro para a ação espontânea da criança. Conclui-se que o brincar, quando 
valorizado pedagogicamente, favorece a aprendizagem significativa e o fortalecimento 
das relações sociais e afetivas, tornando-se um instrumento essencial no processo 
educativo. 
 
Palavras-chave: Educação Infantil. Brincadeiras. Abordagem Participativa. 
Desenvolvimento Integral. Emmi Pikler. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A Educação Infantil constitui o primeiro espaço institucional de convivência social 
da criança e, portanto, deve ser um ambiente que favoreça o desenvolvimento integral, 
o respeito à individualidade e a construção de vínculos afetivos significativos. Nessa 
etapa, o brincar assume papel central, não apenas como um meio de entretenimento, 
mas como a principal linguagem pela qual a criança expressa emoções, estabelece 
relações, explora o ambiente e constrói conhecimento. O brincar é, portanto, um direito 
e uma necessidade básica da infância, devendo estar presente em todas as práticas 
pedagógicas. 
 
Sob a ótica da abordagem participativa, compreende-se que a criança é 
protagonista ativa de seu processo de aprendizagem, capaz de participar das decisões 
cotidianas e das experiências que a envolvem. Essa concepção se alinha ao 
pensamento de Emmi Pikler, cuja teoria enfatiza o respeito ao ritmo individual da 
criança, a liberdade de movimento e a importância das relações afetivas estáveis e 
seguras. Para Pikler (1979), o educador deve adotar uma postura de observador 
sensível, garantindo à criança autonomia para agir, explorar e descobrir, sem a 
imposição de intervenções que limitem sua iniciativa. O brincar livre e espontâneo é, 
nessa perspectiva, um instrumento de aprendizagem e um caminho para o 
desenvolvimento emocional e cognitivo. 
 
Ao considerar as contribuições de Piaget, Vygotsky e Wallon, é possível 
compreender que o brincar não ocorre de forma isolada, mas como um fenômeno 
social, interativo e simbólico. Para Piaget (1975), o jogo representa um estágio 
essencial na construção do pensamento infantil, enquanto Vygotsky (1998) destaca o 
papel da interação social e da mediação na aprendizagem. Wallon (1989), por sua vez, 
ressalta a unidade entre o movimento, a emoção e o pensamento, reconhecendo o 
 
4 
 
 
corpo como meio de expressão e conhecimento. Assim, a ludicidade constitui um eixo 
estruturante das práticas educativas, pois integra dimensões cognitivas, afetivas e 
sociais. 
 
Esta pesquisa, de caráter exploratório e descritivo, busca compreender a 
relevância das brincadeiras na Educação Infantil a partir de uma abordagem 
participativa, propondo reflexões sobre o papel do educador como mediador e parceiro 
da criança no processo de descoberta. Por meio de levantamento bibliográfico, 
pretende-se analisar como o brincar contribui para o desenvolvimento integral, 
fortalecendo a autonomia, a criatividade e a formação de vínculos afetivos e sociais. 
Desse modo, reafirma-se que brincar é aprender, e que toda prática pedagógica 
comprometida com a infância deve reconhecer o lúdico como um espaço de 
participação, liberdade e crescimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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2 DESENVOLVIMENTO 
 
2.1 Definição e importância da brincadeira 
 
O ato de brincar constitui-se como uma das principais formas de expressão, 
comunicação e aprendizagem na infância. Por meio das brincadeiras, a criança 
desenvolve sua autonomia, exercita a imaginação, amplia suas capacidades cognitivas, 
motoras e afetivas, além de construir relações sociais significativas. O brincar é, 
portanto, uma linguagem natural e espontânea, por meio da qual a criança interpreta o 
mundo, experimenta papéis sociais e dá sentido às suas vivências cotidianas. 
 
De acordo com Emmi Pikler (1979), o brincar é um processo ativo e autônomo 
que emerge da curiosidade e do interesse genuíno da criança. A autora defende que, 
quando o adulto respeita o ritmo individual e oferece um ambiente seguro e rico em 
possibilidades, a criança torna-se protagonista do próprio desenvolvimento. A liberdade 
de movimento e a autonomia para explorar o espaço e os objetos permitem que a 
aprendizagem ocorra de forma participativa, prazerosa e significativa. Assim, a função 
do educador não é dirigir a brincadeira, mas observar com sensibilidade, apoiar e 
valorizar as descobertas que a criança realiza por si mesma. 
 
O brincar participativo propõe uma relação dialógica entre adulto e criança, na 
qual o professor atua como parceiro, mediador e coaprendiz. Nessa perspectiva, o 
educador acolhe as iniciativas infantis, escuta suas intenções e planeja o ambiente de 
maneira a favorecer experiências de cooperação, liberdade e respeito mútuo. Essa 
abordagem reforça o princípio de que o brincar é também um ato de participação, no 
qual a criança exerce sua voz, faz escolhas e desenvolve senso de pertencimento ao 
grupo. 
 
Além disso, conforme Vygotsky (1998), o brincar constitui um espaço privilegiado 
de desenvolvimento, pois nele a criança opera na chamada “zona de desenvolvimento 
 
6 
 
 
proximal”, ou seja, vai além do que conseguiria realizar sozinha, impulsionada pela 
interação com o outro. De forma complementar, Piaget (1975) destaca que o jogo é 
uma atividade essencial para a construção da inteligência, permitindo à criança 
assimilar e acomodar novas experiências. Já Wallon (1989) ressalta a importância do 
movimento e da emoção como elementos integradores do desenvolvimento infantil, 
ambos fortemente presentes nas brincadeiras. 
 
Assim, o brincar não se limita a um momento de lazer, mas assume um papel 
formativo e estruturante. Ao brincar, a criança aprende a conviver, a respeitar regras, a 
expressar emoções e a lidar com desafios, exercitando competências cognitivas e 
socioemocionais essenciais. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação 
Infantil (DCNEI, 2010) reforçam essa visão ao apontar os direitos de aprendizagem — 
conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se — como fundamentos da 
prática pedagógica. 
 
O papel do professor, portanto, é o de possibilitar experiências ricas e variadas, 
valorizando o brincar como eixo central do currículo e reconhecendo sua potência 
educativa. Ao incorporar as brincadeiras tradicionais e contemporâneas, o educador 
promove o diálogo entre a cultura infantil e a cultura social mais ampla, contribuindo 
para a formação integral da criança. Nesse sentido, o brincar deixa de ser visto como 
um simples passatempo e se consolida como instrumento de aprendizagem, 
socialização e desenvolvimento humano. 
 
 
 
2.2 O brincar e a abordagem de Emmi Pikler na prática educativa 
 
A abordagem desenvolvida por Emmi Pikler propõeuma concepção inovadora 
de cuidado e educação na primeira infância, baseada no respeito profundo pela criança 
e em sua capacidade natural de se desenvolver de forma autônoma. Para Pikler, cada 
 
7 
 
 
criança possui um ritmo próprio de evolução, que deve ser observado e valorizado pelo 
educador. Essa visão rompe com práticas tradicionais e diretivas, nas quais o adulto 
assume o controle das ações, e coloca a criança no centro do processo educativo — 
como sujeito ativo, competente e participativo. 
 
No contexto da Educação Infantil, a proposta pikleriana destaca a importância do 
movimento livre, da autonomia nas ações e do vínculo afetivo estável entre adulto e 
criança. O brincar, nesse sentido, não é algo imposto ou estruturado, mas uma 
manifestação espontânea de curiosidade e prazer. O ambiente educativo deve ser 
planejado de modo a oferecer segurança emocional e espaços ricos em possibilidades, 
permitindo que as crianças escolham seus brinquedos, experimentem novas posturas e 
explorem os materiais de acordo com seus interesses e necessidades. 
 
Segundo Pikler (1979), a qualidade da interação entre educador e criança é 
fundamental para o desenvolvimento saudável. O educador deve observar 
atentamente, sem intervir de forma excessiva, confiando nas capacidades da criança de 
explorar e aprender por conta própria. Essa observação sensível permite compreender 
o que a criança expressa em suas ações, gestos e olhares, possibilitando uma 
intervenção pedagógica mais significativa, centrada na escuta e na valorização de sua 
individualidade. 
 
A abordagem participativa inspirada em Pikler também reconhece o brincar como 
um espaço de relação e diálogo. Ao brincar livremente, a criança constrói uma narrativa 
própria sobre o mundo, experimenta papéis sociais e estabelece vínculos afetivos com 
seus pares e educadores. Esse processo contribui para o desenvolvimento da 
autoconfiança, da autonomia e da identidade, aspectos essenciais na formação integral 
do sujeito. 
 
Além disso, o educador pikleriano compreende que o cuidado cotidiano — trocar, 
alimentar, acolher, confortar — também é educativo. Durante essas ações, a criança 
 
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participa ativamente, sendo convidada a colaborar e a comunicar suas intenções. Essa 
participação fortalece o vínculo e dá à criança a sensação de pertencimento e respeito. 
A afetividade, portanto, torna-se a base sobre a qual o brincar se desenvolve e se 
transforma em aprendizagem. 
 
A prática educativa baseada na filosofia de Emmi Pikler implica repensar o papel 
do professor como mediador de experiências. Não se trata de propor atividades 
prontas, mas de criar condições para que a criança explore o ambiente com liberdade e 
segurança. A intencionalidade pedagógica está na organização do espaço, na 
qualidade do tempo oferecido e na atenção às relações que se estabelecem no 
cotidiano. 
 
Desse modo, o brincar na abordagem pikleriana não é apenas uma metodologia 
de ensino, mas uma forma de estar com a criança, respeitando sua natureza curiosa, 
criadora e participativa. Ao reconhecer o valor educativo das experiências espontâneas, 
o educador promove uma aprendizagem que nasce do prazer, da descoberta e da 
relação afetiva. 
 
 
2.3 O papel do educador no contexto do brincar participativo 
 
O educador exerce um papel essencial no processo de desenvolvimento infantil, 
especialmente quando compreende o brincar como um instrumento de aprendizagem e 
expressão da criança. Na perspectiva participativa e inspirada em Emmi Pikler, o 
professor é visto como um mediador sensível, observador e parceiro ativo nas 
descobertas da criança, e não como um condutor que impõe ou determina o que ela 
deve fazer. Essa postura requer escuta atenta, respeito ao tempo individual e 
valorização da autonomia de cada criança no cotidiano educativo. 
 
 
9 
 
 
Para Pikler (1979), o papel do adulto é garantir um ambiente seguro, afetivo e 
estimulante, no qual a criança possa explorar, experimentar e criar a partir de suas 
próprias iniciativas. O educador precisa confiar nas competências da criança e permitir 
que ela conduza suas ações com liberdade, interferindo apenas quando necessário 
para garantir o bem-estar e a segurança. Essa relação de confiança e respeito mútuo 
fortalece o vínculo afetivo, fundamental para o desenvolvimento emocional e cognitivo. 
 
De acordo com Vygotsky (1998), o professor desempenha a função de mediador 
no processo de ensino-aprendizagem, atuando na chamada zona de desenvolvimento 
proximal, ou seja, o espaço entre o que a criança já consegue fazer sozinha e aquilo 
que pode realizar com o apoio do outro. Nesse contexto, o brincar é um meio potente 
de mediação, pois permite à criança vivenciar papéis sociais, enfrentar desafios e 
elaborar soluções por meio da interação com os colegas e com o educador. 
 
Por sua vez, Wallon (1989) enfatiza que o movimento e a emoção são elementos 
integradores do desenvolvimento, e que o educador deve considerar as dimensões 
afetivas e corporais nas situações de brincadeira. A escuta sensível, o olhar atento e o 
acolhimento das expressões da criança tornam-se práticas fundamentais para promover 
a aprendizagem significativa. Já Piaget (1975) destaca que o educador deve propor 
desafios adequados à idade e ao estágio de desenvolvimento, respeitando o processo 
de assimilação e acomodação que caracteriza a construção do conhecimento infantil. 
 
Na prática educativa, o papel do professor no brincar participativo envolve: 
 
Planejar ambientes ricos em possibilidades, com materiais acessíveis, variados e 
seguros; 
 
Observar sem intervir excessivamente, reconhecendo a importância da iniciativa 
infantil; 
 
 
10 
 
 
Favorecer a socialização, estimulando o diálogo, a cooperação e o respeito entre 
as crianças; 
 
Promover a escuta ativa, valorizando as ideias, sentimentos e criações infantis; 
 
Registrar e refletir sobre as observações, transformando-as em instrumentos de 
planejamento pedagógico. 
 
Segundo as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (DCNEI, 
2010), a função do educador é garantir experiências que possibilitem à criança 
conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se. Isso implica 
compreender o brincar como eixo estruturante da prática pedagógica e não como uma 
atividade complementar. O professor precisa reconhecer que, nas brincadeiras, as 
crianças constroem saberes sobre si mesmas, sobre o outro e sobre o mundo, 
desenvolvendo autonomia, criatividade e pensamento crítico. 
 
Desse modo, o educador torna-se um agente facilitador da aprendizagem e do 
desenvolvimento integral, criando condições para que o brincar seja vivido em sua 
plenitude — como espaço de liberdade, expressão e participação. Essa postura, 
inspirada na filosofia pikleriana, reafirma a ideia de que o ato de brincar é também um 
ato de educar e de cuidar, no qual se entrelaçam o afeto, a escuta e o respeito pela 
infância. 
 
2.4 O ambiente educativo e a organização do espaço na perspectiva de Emmi Pikler 
 
Na concepção de Emmi Pikler, o ambiente educativo desempenha um papel 
essencial no desenvolvimento infantil, sendo compreendido como um “terceiro 
educador” — ao lado da família e do professor. O espaço, cuidadosamente planejado, 
deve proporcionar segurança, liberdade e oportunidades de descoberta, de modo que a 
criança possa agir com autonomia e explorar o mundo ao seu redor de forma 
 
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espontânea e prazerosa. A organização do ambiente, portanto, não é neutra: ela reflete 
concepções pedagógicas e influencia diretamente o modo como a criança brinca, se 
movimenta e se relaciona. 
 
Pikler (1979) enfatiza que um espaço adequado é aquele que oferece liberdade 
de movimento e condições de exploração autônoma, sem que o adulto precise 
constantemente direcionar ou intervir. O ambiente deve convidar a criançaa agir por 
iniciativa própria, estimulando sua curiosidade e criatividade. Para isso, é fundamental 
que os materiais estejam ao alcance das crianças e que os objetos sejam seguros, 
variados e desafiadores na medida certa. 
 
Nessa perspectiva, o ambiente é vivo, dinâmico e comunicativo, sendo 
constantemente reorganizado conforme as observações e necessidades das crianças. 
O educador atua como um cuidador atento, observando as interações e adequando o 
espaço para favorecer novas descobertas. Essa prática requer sensibilidade e escuta, 
pois cada modificação no ambiente deve partir da compreensão das manifestações e 
interesses das crianças. 
 
O espaço físico, na abordagem pikleriana, deve possibilitar o livre movimento, a 
exploração sensorial, a interação social e o brincar espontâneo. Isso inclui áreas 
amplas para que o bebê e a criança pequena possam rolar, engatinhar, caminhar e 
testar suas habilidades motoras, bem como cantos específicos para o faz de conta, a 
manipulação de objetos, a leitura e o descanso. O ambiente externo, como pátios e 
jardins, também é valorizado por oferecer experiências diretas com a natureza e 
oportunidades de aprendizagem ativa. 
 
De acordo com Lóczy (1984), instituição criada por Pikler em Budapeste, o 
espaço educativo deve promover tranquilidade, previsibilidade e liberdade, aspectos 
fundamentais para o desenvolvimento da confiança e da autonomia. Essa organização 
cuidadosa do ambiente contribui para a formação de vínculos afetivos estáveis, pois 
 
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transmite à criança a sensação de que o mundo é um lugar seguro e confiável para se 
explorar. 
 
Além do espaço físico, o ambiente relacional é igualmente importante. A forma 
como o educador interage com as crianças, o tom de voz, o ritmo das atividades e a 
disposição para acolher e escutar compõem um ambiente emocional que influencia 
diretamente o brincar e o aprender. Um espaço afetivamente seguro encoraja a criança 
a se arriscar, experimentar e se expressar livremente, sem medo de errar. 
 
A organização do tempo também faz parte desse ambiente educativo. Rotinas 
claras e flexíveis favorecem o sentimento de pertencimento e segurança, permitindo 
que a criança antecipe as ações e se sinta protagonista do seu dia. Essa 
previsibilidade, longe de ser rígida, estrutura o cotidiano e dá espaço à espontaneidade 
do brincar. 
 
Portanto, o ambiente educativo, na perspectiva de Emmi Pikler, não é apenas um 
cenário onde ocorrem as aprendizagens, mas um agente ativo na formação da criança. 
Ele comunica valores, incentiva o movimento, promove a autonomia e estimula a 
curiosidade natural da infância. O professor, ao planejar e organizar esse espaço com 
intencionalidade pedagógica e sensibilidade estética, contribui para que o brincar se 
torne uma experiência de liberdade, descoberta e alegria — base de todo o processo 
educativo. 
 
 
2.5 A afetividade e o vínculo como pilares do brincar participativo 
 
A afetividade é um dos elementos fundamentais no processo educativo e está 
intrinsecamente relacionada ao ato de brincar. Na perspectiva participativa e inspirada 
em Emmi Pikler, o vínculo afetivo constitui a base de todas as interações significativas, 
influenciando diretamente o desenvolvimento emocional, social e cognitivo da criança. 
 
13 
 
 
Através das relações de confiança e respeito, a criança se sente segura para explorar, 
se expressar e aprender, pois sabe que é acolhida e valorizada pelo adulto que a 
acompanha. 
 
Segundo Pikler (1979), o desenvolvimento saudável da criança depende da 
qualidade das relações estabelecidas com o adulto. Essa relação deve ser construída 
sobre a base da confiança mútua, da escuta sensível e da previsibilidade das ações. 
Quando o educador estabelece um contato atencioso e coerente, transmitindo 
segurança e empatia, cria-se um ambiente emocionalmente estável que favorece o 
brincar livre e o desenvolvimento da autonomia. 
 
O vínculo afetivo, portanto, não se limita ao campo das emoções, mas constitui 
uma dimensão pedagógica essencial. A criança aprende a partir das experiências 
vividas com o outro, e o educador, ao demonstrar respeito, paciência e cuidado, se 
torna um modelo de relação humana. O ato de cuidar — trocar, alimentar, consolar, 
brincar — é, ao mesmo tempo, educativo e afetivo, pois carrega uma intencionalidade 
formadora que comunica amor, pertencimento e segurança. 
 
Para Wallon (1989), a afetividade é indissociável do desenvolvimento intelectual 
e motor, sendo o primeiro vínculo com o mundo externo. O autor destaca que as 
emoções são o ponto de partida para a construção do pensamento e da ação. Assim, 
um ambiente educativo que valoriza o afeto e o vínculo favorece a expressão 
emocional, o equilíbrio e o desenvolvimento global da criança. 
 
De acordo com Vygotsky (1998), o aprendizado ocorre nas relações sociais 
mediadas, e o educador desempenha papel essencial como mediador afetivo e 
cognitivo. Na brincadeira, essa mediação se concretiza de maneira natural e prazerosa, 
pois o educador que participa e observa com sensibilidade estabelece uma conexão 
empática que amplia a zona de desenvolvimento proximal da criança. A confiança 
 
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construída nesse vínculo possibilita que a criança se arrisque mais, explore com 
liberdade e aprenda com maior significado. 
 
A afetividade também se manifesta nas relações entre as próprias crianças. O 
brincar coletivo oferece oportunidades de cooperação, empatia e solidariedade. Ao 
compartilhar brinquedos, combinar regras e resolver conflitos, as crianças aprendem a 
lidar com emoções diversas, desenvolvendo habilidades sociais importantes como o 
respeito, a escuta e a negociação. 
 
O professor participativo, inspirado na filosofia pikleriana, reconhece o afeto 
como um eixo estruturante da prática pedagógica. Ele compreende que educar é um 
ato de presença, de olhar e de cuidado, e que o vínculo construído com cada criança é 
o alicerce que sustenta a aprendizagem e o desenvolvimento. Dessa forma, o brincar 
torna-se não apenas um momento de prazer, mas também de encontro, de escuta e de 
partilha — um espaço onde se constrói a confiança, o pertencimento e a humanidade. 
 
Conclui-se, portanto, que a afetividade e o vínculo não são elementos acessórios 
no processo educativo, mas pilares que sustentam o brincar participativo e a 
aprendizagem significativa. O cuidado sensível e o respeito à individualidade de cada 
criança são condições indispensáveis para que o brincar cumpra sua função formadora, 
integrando emoção, pensamento e ação em um processo contínuo de descoberta e 
crescimento. 
 
A presente pesquisa tem como propósito analisar a importância das brincadeiras 
na Educação Infantil sob a perspectiva participativa, compreendendo o brincar como um 
direito fundamental e um meio de desenvolvimento integral da criança. O ato de brincar 
é reconhecido como a principal linguagem da infância, pela qual a criança explora o 
mundo, expressa emoções, comunica-se, constrói saberes e estabelece vínculos 
afetivos e sociais. Nessa perspectiva, o brincar não é apenas um instrumento 
 
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pedagógico, mas um modo de ser e estar no mundo, que deve ser valorizado e 
intencionalmente promovido nas práticas educativas. 
Inspirada na abordagem participativa e nas contribuições de Emmi Pikler, 
compreende-se que o desenvolvimento infantil ocorre de forma mais plena quando a 
criança é respeitada em seu ritmo, em sua autonomia e em suas iniciativas 
espontâneas. Pikler defende que o brincar livre e o movimento autônomo permitem que 
a criança descubra suas capacidades e desenvolva confiança em si mesma, desde que 
o adulto exerça um papel de observador sensível, oferecendo um ambiente seguro e 
afetuoso para suas experiências. Essa visão complementa as teorias de Piaget, 
Vygotsky e Wallon, que ressaltam a importância das interações sociais,da ludicidade 
e das vivências corporais na construção do conhecimento. 
Assim, este estudo busca discutir o papel do brincar no processo de ensino-
aprendizagem e na formação social, afetiva e cognitiva das crianças pequenas, 
destacando como as práticas pedagógicas podem favorecer uma aprendizagem 
significativa, pautada na escuta, na participação e no respeito às singularidades infantis. 
A pesquisa, de caráter exploratório e descritivo, fundamenta-se em levantamento 
bibliográfico e na análise teórica de autores que abordam o brincar como elemento 
essencial da infância e como estratégia educativa que humaniza e potencializa o 
desenvolvimento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
16 
 
 
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
O presente artigo buscou evidenciar a importância do brincar na Educação 
Infantil sob uma perspectiva participativa, à luz dos princípios de Emmi Pikler e de 
outros teóricos que compreenderam a infância como uma fase singular, repleta de 
descobertas, afetos e interações significativas. Ao longo da pesquisa, foi possível 
constatar que o brincar é muito mais do que uma atividade espontânea: é uma forma de 
expressão, comunicação e aprendizagem, na qual a criança se apropria do mundo, 
constrói significados e desenvolve múltiplas competências cognitivas, emocionais, 
motoras e sociais. 
 
A abordagem participativa, inspirada na filosofia de Pikler, destaca a importância 
do cuidado respeitoso e do olhar sensível do educador como mediador do processo 
educativo. Nesse contexto, o brincar é compreendido como um espaço de liberdade e 
confiança, onde a criança é protagonista de suas próprias descobertas. O educador, ao 
adotar uma postura de observador atento e de parceiro ativo, cria condições para que a 
criança se desenvolva de maneira autônoma, segura e confiante, fortalecendo vínculos 
afetivos que se tornam a base de toda aprendizagem significativa. 
 
Autores como Vygotsky, Piaget, Wallon e Kishimoto reforçam a relevância das 
interações sociais e das experiências lúdicas como mediadoras do desenvolvimento 
infantil. O brincar proporciona à criança a oportunidade de experimentar papéis, 
resolver conflitos, expressar emoções e elaborar hipóteses sobre o mundo, tornando-se 
um instrumento pedagógico indispensável à formação integral do sujeito. 
 
A reflexão sobre a prática pedagógica evidencia que é dever da escola e dos 
profissionais da Educação Infantil garantir tempos, espaços e materiais que promovam 
o brincar livre, criativo e inclusivo. A ludicidade deve estar presente em todas as 
dimensões da rotina escolar, não apenas como atividade complementar, mas como eixo 
estruturante do currículo. 
 
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Portanto, conclui-se que o brincar participativo constitui um caminho pedagógico 
essencial para a construção de uma infância plena e significativa. Sob a ótica 
pikleriana, educar é cuidar com respeito, é permitir que a criança explore e experimente 
o mundo à sua maneira, com autonomia e segurança. A afetividade, o vínculo e o olhar 
atento do educador são elementos que transformam o brincar em um processo de 
desenvolvimento humano integral, em que aprender e viver se tornam experiências 
inseparáveis. 
 
Assim, reafirma-se que o brincar não é apenas um direito, mas um modo de ser, 
existir e aprender — um ato de liberdade, de imaginação e de afeto que deve ser 
garantido e valorizado em todas as práticas educativas da infância. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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REFERÊNCIAS 
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histórico-cultural da educação infantil. Campinas, SP: Autores Associados, 2016. 
2 BRASIL. Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Brasília: MEC, 2018. 
Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br. Acesso em: 18 out. 2025. 
3 KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogo, brinquedo, brincadeira e a educação. 10. ed. 
São Paulo: Cortez, 2021. 
4 OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky: aprendizado e desenvolvimento – um 
processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 2019. 
5 PIAGET, Jean. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem 
e representação. Rio de Janeiro: LTC, 2014. 
6 PIKLER, Emmi. Educar os três primeiros anos: a experiência de Lóczy. São Paulo: 
Paz e Terra, 2018. 
7 RIBEIRO, Ana Lúcia; SOUZA, Maria da Conceição. Os jogos e as brincadeiras na 
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http://serra.multivix.edu.br/wp-content/uploads/2013/04/jogos_educacao_infantil.pdf. 
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8 VYGOTSKY, Lev Semionovitch. A formação social da mente. São Paulo: Martins 
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9 WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. São Paulo: Martins Fontes, 
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RIBEIRO, Ana Lúcia; SOUZA, Maria da Conceição. Os jogos e as brincadeiras 
na educação infantil. Serra: Faculdade Multivix, 2011. Disponível em: 
http://serra.multivix.edu.br/wp-content/uploads/2013/04/jogos_educacao_infantil.pdf 
. Acesso em: 18 out. 2025. 
 
http://serra.multivix.edu.br/wp-content/uploads/2013/04/jogos_educacao_infantil.pdf
 
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VYGOTSKY, Lev Semionovitch. A formação social da mente. São Paulo: Martins 
Fontes, 2018. 
 
WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. São Paulo: Martins Fontes, 
2007.

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