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1 CAPACIDADE FUNCIONAL DE IDOSOS EM ILPIs DE RECIFE/PE INTRODUÇÃO Capacidade funcional é a habilidade física e mental para manter uma vida indepen- dente e autônoma para a realização das atividades diárias (Santos et al1). Um importante fator que pode comprometer a capacidade funcional do idoso é a presença de doenças crô- nicas e seus agravos que estão presentes com o envelhecimento. As principais doenças crô- nicas e agravos que afetam o idoso são: doenças cardiovasculares, hipertensão, acidente vascular cerebral, diabetes, neoplasias, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças mús- culo-esqueléticas, demência, diminuição da visão, doenças mentais e depressão (OPAS2). De acordo com Araújo e Ceolim3 um ambiente não adequado às reais necessidades do idoso pode contribuir para ocorrer o isolamento, inatividade física, alteração do planeja- mento de vida, depressão e limitação no desempenho das atividades diárias. Assume espe- cial relevância a questão da institucionalização de idosos, como um recurso para cuidado deste público. De acordo com a legislação brasileira (RDC 283, as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs) podem ser governamentais ou não, de caráter residencial, destinada a domicilio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade e dignidade e cidadania, podendo ser des- tinadas a idosos dependentes ou independentes. Uma ILPI deve promover a qualidade de vida do idoso e para isto, o serviço deve levar em consideração os níveis de dependência e estado mental do idoso para garantir sua funcionalidade4. O estudo do desempenho funcional em idosos institucionalizados deve favorecer construção de programas para a prevenção e reabilitação de idosos devido a presença de limitações funcionais. O objetivo desta pesquisa foi descrever o perfi l funcional e de doen- ças crônicas e agravos em idosos residentes em ILPIs na cidade de Recife/ PE. METODOLODIA Estudo descritivo, de corte transversal, quantitativo, realizado com os residentes de 05 ILPIs. A amostra contou com 164 idosos, escolhidos por conveniência. A pesquisa foi apro- vada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Agamenon Magalhães (474/2008). Foi utilizado um questionário sociodemográfi co, a Medida de Independência Funcional – MIF (Granger et al5), a Escala de AIVD (Lawton e Brody6), MIni-exame do Estado Mental – MEEM (Folstein et al7; Bertolucci et al8). Os dados foram coletados entre fevereiro a abril de 2009. 2 Os resultados foram organizados através do programa EPIINFO 6.0, com dupla entrada, através de estatística descritiva simples (média, mediana e desvio padrão). A nor- malidade dos dados foi verifi cada para escolha do teste de variância, sendo utilizada a ANOVA para variável paramétrica e Kruskal-Wallis para variável não paramétrica. A análise de variância foi utilizada para identifi car a variação dos escores da MIF, AIVD e MEEM entre os idosos sem doença e com doença (p≤ 0,05). RESULTADOS E DISCUSSÃO Os idosos avaliados apresentaram idade média de 72,6 anos, sendo 72,6% do sexo feminino. A maior parte era solteira (57,3%), sem fi lhos (54,9%), católicos (65,2%), sem suporte familiar (46,3%), não alfabetizada (42,1%) e 30,5% não possuía renda. Quanto às condições de saúde, 91,5% dos idosos apresentava doenças crônicas, (Tabela 1). Fato comum encontrado com outros estudos realizados no Brasil e exterior (Oliveira et al9, Davim et al10). Tabela 1 – Caracterização das doenças apresentadas pelos idosos. Recife, 2010. Doença Crônica/ Agravo n % Hipertensão arterial 80 48,8 Osteoarticular 68 41,5 Défi cit visual sem correção com uso de órtese 36 22,0 Diabetes 29 17,7 Transtorno mental 25 15,2 Cardíaca 24 16,6 Sequela AVE 21 12,8 Demência 17 10,4 Outras (respiratória, neoplasia e Parkinson) 17 10,4 Quanto ao grau de dependência para realização das AVDs, encontrou-se os seguin- tes dados (Gráfi co 1): Gráfi co 1 – Distribuição dos valores da MIF total de acordo com a classifi cação quanto o nível de independência funcional de idosos institucionalizados. Recife/ Brasil, 2009. 3 A tabela 2 apresenta as principais doenças encontradas que infl uenciam em depen- dência funcional do idoso foram: doenças osteoarticulares, AVE, défi cit visual, transtorno mental e demência (Dorantes-Mendonza et al11, Viana et al12). Para as AIVDs foram encontrados idosos dependentes (Araújo e Ceolim3). A emên- cia foi a que mais causou prejuízos no desempenho funcional do idoso. Para alguns autores um pior desempenho cognitivo é um importante preditor de incapacidade funcional (Dorantes- Mendonza et al11, Greve et al13), como também para a institucionalização do idoso. A sequela de AVE apresentou forte interferência para atividades que envolvem mobilidade e cognição (Viana et al12). O défi cit visual prejudicou o desempenho dos idosos para as atividades moto- ras. O transtorno mental apresentou interferência para as atividades cognitivas. A dependência para a realização das atividades cotidianas pelo idoso pode ter relação não só com o número e a presença de doenças crônicas, mas o ambiente, as condições pregressas à institucionalização, a idade e o perfi l cognitivo, e o tipo de serviço que é ofe- recido podem infl uenciar. Tabela 2-Valores das medias e medianas de MIF, AIVD e MEEM, de acordo com as doenças crônicas e agravos apresentados pelos idosos. Recife/ Brasil, 2009. Doença/ Agravo MIFt AIVD MEEM n % Media ±dp Mediana Media ±dp Mediana Media ±dp Mediana Osteoarticular 68 41,5 68,5 ±32,3 64,5 10,89 ±2,7 10,0 14,0 ±7,4 14,0 de Domicílio – PNAD, de 2008, a população brasileira manteve sua tendência de envelheci- mento, com percentual cada vez maior de idosos e índice menor de jovens. As pessoas idosas já representam 11,1% dos brasileiros, enquanto que as crianças de zero a quatro anos compreendem 7,2% da população1. Projeções estatísticas mostram para o período compreendido entre 1970 e 2025 um crescimento de 223%, ou em torno de 694 milhões no número de pessoas mais velhas, que em 2025 existirá um total de aproximadamente 1,2 bilhões de pessoas com mais de 60 anos e até 2050 haverá dois bilhões, sendo 80% nos países em desenvolvimento2. O envelhecimento ocasiona alterações que podem levar a limitação na capacidade funcional da pessoa idosa para o desempenho das atividades básicas da vida diária. A Organização Mundial da Saúde defi ne a incapacidade funcional como a difi culdade, devido a uma defi ciência, para realizar atividades típicas e pessoalmente desejadas na sociedade. Frequentemente, é avaliada por meio de declaração indicativa de difi culdade, ou de neces- sidade de ajuda, em tarefas básicas de cuidados pessoais e em tarefas mais complexas, necessárias para viver independente na comunidade3. Dentre as consequências mais frequentes do comprometimento da capacidade funcional no idoso, destacam-se complicações no seu estado de saúde com incremento do fenômeno da hospitalização, prejuízo de sua qualidade de vida e, por sua vez, maior demanda de cuidados do sistema formal. Tais circunstâncias trazem importantes implica- ções para a assistência de enfermagem, o que requer maior compreensão dos problemas dos idosos frente a essa condição, especialmente de suas necessidades básicas afetadas, 36 diagnósticos de enfermagem e intervenções que, uma vez implementadas, possam pro- duzir efeitos positivos sobre sua saúde e bem-estar. Este estudo teve como objetivo traçar propostas de intervenções de enfermagem para idosos hospitalizados com incapacidade funcional, utilizando a CIPE®. METODOLOGIA Estudo descritivo, vinculado ao projeto de pesquisa e extensão “Sistematização da Assistência de Enfermagem no Hospital Universitário Lauro Wanderley”. A população investigada compreendeu 21 idosos, com idade entre 61 e 85 anos, internados no referido serviço de saúde durante o mês de maio de 2010. Dentre esta população, foi selecionada a amostra do estudo, que compreendeu nove idosos que apresentavam incapacidade fun- cional mensurada por meio do Índex de Katz. A coleta de dados foi efetivada por meio das técnicas de entrevista e de exame físico, sendo subsidiada por instrumento estruturado (histórico de enfermagem), fundamentado na Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Horta, utilizado pela equipe de enfermagem da unidade clínica do Hospital Universitário Lauro Wanderley. Após esse procedimento, as pesquisadoras realizaram um julgamento clínico dos dados coletados com vistas à identifi - cação de indicadores empíricos de necessidades humanas básicas afetadas e de diagnós- ticos de enfermagem nos idosos investigados. Para a construção das afi rmativas de diagnósticos de enfermagem, foi utilizada a Classifi cação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE®)4, obedecendo aos seguin- tes procedimentos: inclusão de um termo do Eixo Foco e de um termo do Eixo Julgamento e outros termos adicionais de outros eixos, quando necessário. Já para propor as interven- ções de enfermagem foi utilizada a Classifi cação das Intervenções de Enfermagem (NIC)5 e o Diagnóstico de Enfermagem (DE)6. O DE apresenta as recomendações da NANDA, constituindo uma linguagem padronizada que permite uma redefi nição e compartilhamento de informações à medida que os diagnósticos são aplicados a cada paciente, contribuindo para a implementação da assistência de enfermagem. RESULTADOS E DISCUSSÃO No tocante às necessidades humanas básicas afetadas, após a análise dos dados coletados por meio do Histórico de enfermagem e o julgamento clínico, foram identifi ca- das 125 diagnóstico de enfermagem, distribuídos em 36 categorias diagnósticas, com uma 37 média de 13.8 diagnóstico/idoso. Foram considerados relevantes os diagnósticos que apre- sentaram uma frequência de 50% ou mais dos pesquisados, os quais estão ilustrados na tabela 1. Tabela 1 – Distribuição da frequência de diagnósticos de enfermagem identifi cados em idosos hospitalizados com incapacidade funcional. João Pessoa, 2010. Diagnósticos de Enfermagem N Frequência (%) Défi cit de autocuidado para tomar banho e vestir-se 9 100,0% Comunicação prejudicada 8 88,8% Audição diminuída 7 77,7% Dor 7 77,7% Apetite diminuído 7 77,7% Falta de conhecimento sobre a doença e o tratamento 6 66,6% Deambulação dependente 5 55,5% Visão diminuída 5 55,5% Sono e repouso prejudicados 5 55,5% Défi cit de autocuidado para alimentar-se 5 55,5% Para o diagnóstico de enfermagem Défi cit de autocuidado para tomar banho e vestir- -se às intervenções de enfermagem propostas para os idosos em estudo foram: colocar toalhas, sabonete e outros acessórios na cabeceira da cama; facilitar/auxiliar o paciente no banho; oferecer ao paciente fácil acesso às roupas; estar disponível para auxiliar no vestir, conforme necessidade; manter a privacidade enquanto o paciente estiver se vestindo. As intervenções de enfermagem para o diagnóstico de enfermagem Comunicação pre- judicada foram: rever história de distúrbios neurológicos que possam alterar a fala; avaliar o grau de disfunção; Identifi car fatores ambientais que possam comprometer a capacidade de comunicar-se; estabelecer uma relação com o paciente, atentando para a linguagem verbal e não verbal. O diagnóstico de enfermagem Audição diminuída teve como proposta de intervenções as seguintes: identifi car a razão subjacente para as alterações da percepção sensorial de audição; avaliar a capacidade de falar e responder a comandos simples; identifi car e esti- mular a utilização de recursos/próteses (aparelhos auditivos). Para o diagnóstico de enfermagem Dor foram propostas as seguintes intervenções: realizar uma avaliação da dor, quanto à intensidade, local, frequência; observar indicadores não verbais de desconforto; assegurar que o paciente receba cuidados precisos de anal- gesia; controlar os fatores ambientais capazes de infl uenciar a resposta do paciente a dor. 38 As intervenções de enfermagem propostas para diagnóstico de enfermagem Apetite diminuído foram: organizar a bandeja com os alimentos e a mesa de modo atraente; ofere- cer os alimentos conforme a preferência do alimento; criar uma ambiente agradável durante as refeições; posicionar o paciente adequadamente durante as refeições; oferecer oportuni- dade de sentir o cheiro dos alimentos para estimular o apetite do paciente. Para o diagnóstico de enfermagem Falta de conhecimento sobre a doença e o trata- mento foram propostas as seguintes intervenções: determinar o nível de conhecimento do paciente; identifi car a capacidade do cliente de aprender; fornecer informações relevan- tes à situação; enumerar os fatores que motivam o paciente; identifi car os obstáculos à aprendizagem. As intervenções propostas para o diagnóstico de enfermagem Deambulação depen- dente foram: encorajar a deambulação independente, dentro de limites seguros; auxiliar o paciente a sentar na beira do leito para facilitar os ajustes posturais; aplicar/oferecer recurso auxiliar (ex. bengala) para a deambulação; orientar paciente/cuidador sobre técni- cas seguras de transferência e deambulação. Para o diagnóstico de enfermagem Visão diminuída foram propostas as seguintes intervenções: identifi car a razão subjacente para as alterações da percepção sensorial de visão; dispor o leito, os artigos pessoais e as bandejas de alimentos de modo a aproveitar o campo e visão funcional do cliente; reorientar o paciente quanto ao lugar, tempo, equipe e acontecimentos. Para o diagnóstico de enfermagemSono e repouso prejudicados as intervenções pla- nejadas foram: monitorar o padrão de sono do paciente e a quantidade de horas dormidas; determinar os efeitos dos medicamentos do paciente sobre o padrão de sono; adaptar o ambiente para promover o sono; monitorar os alimentos e líquidos ingeridos no horário de dormir; auxiliar o paciente a limitar o sono diurno, promovendo atividades. Para o diagnóstico de enfermagem Défi cit de autocuidado para alimentar-se as inter- venções de enfermagem propostas foram: identifi car a dieta prescrita; criar um ambiente agradável durante as refeições; colocar o paciente em posição confortável para alimentar- -se; proporcionar alívio adequado da dor antes das refeições quando necessário. CONCLUSÃO Frente à incontestável realidade do envelhecimento populacional este estudo permi- tiu identifi car as necessidades humanas básicas nos idosos hospitalizados com incapaci- dade funcional, construir afi rmativas de diagnósticos de enfermagem e uma proposta de 39 intervenções de enfermagem que se tornam relevantes para a atuação da categoria profi s- sional mais próxima do paciente durante o processo de hospitalização. Desse modo, os achados deste estudo possibilitam o planejamento de intervenções sistemáticas e individualizadas com vistas à implementação de um cuidado multidimensio- nal da pessoa idosa com incapacidade funcional. Este estudo permitiu a identifi cação de áreas relevantes para a atuação do enfermeiro frente às difi culdades apresentadas pelo idoso ante o processo incapacitante, tanto em nível hospitalar quanto noutros cenários de assistência à saúde. REFERÊNCIAS 1 Fundação Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Rio de Janeiro: IBGE, 2008. 2 World Health Organization. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. 60p. 3 Parahyba MI, Simões CCS. A prevalência de incapacidade funcional em idosos no Brasil. Rev Ciênc. saúde coletiva, 2006; 11(4):967-74. 4 Internacional Council of Nurses. International Classifi cation for Nursing practice Version 2. Geneva, Switzerland: International Council of Nurses. 2009 5 Dochterman JM, Bulechek GM. Classifi cação das Intervenções de Enfermagem (NIC). 4a edição. Porto Alegre: Artmed, 2008. 6 Doenges ME, Moorhouse MF, Murr AC. Diagnósticos de Enfermagem – Intervenções, Prioridades, Fundamentos. 10a edição. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan, 2010 40 PERFIL DE INDEPENDÊNCIA DE IDOSOS DE UMA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA – JOÃO PESSOA, PB. Cleyton Cézar Souto Silva Enfermeiro. Universidade Federal da Paraíba Gracielle Malheiro dos Santos Nutricionista. Universidade Federal da Paraíba Suênia Xavier Gonçalves Fisioterapeuta. Universidade Federal da Paraíba INTRODUÇÃO O processo de envelhecimento está relacionado com o surgimento de alguns fato- res, tais como as doenças crônico-degenerativas, que interferem nas condições de saúde podendo acarretar prejuízos para a capacidade funcional dos idosos (1,2). No contexto atual onde a saúde dessa população se traduz mais pela sua condição de autonomia e independência que pela presença ou ausência de doenças, destaca-se a importância da identifi cação de idosos vulneráveis e o monitoramento da sua capacidade físico-funcional(3). Nesse sentido, a política nacional de saúde a pessoa idosa preconiza o uso de instru- mentos técnicos validados e considera a avaliação funcional individual e coletiva um dos instrumentos imprescindíveis para determinar a pirâmide de risco funcional e caracterizar melhor a população idosa assistida pela Equipe de Saúde da Família. Conhecer essas informações é importante para a construção de planos locais de ação para enfrentamento das difi culdades inerentes à saúde da pessoa idosa. Essas ações visam promover um enve- lhecimento com saúde, de forma ativa e livre de qualquer tipo de dependência funcional(4). O objetivo desse estudo foi estabelecer o perfi l de saúde e de independência funcional de idosos assistidos por uma unidade de saúde, para que essas informações sirvam como elementos norteadores na construção do planejamento das ações de saúde dos profi ssio- nais de saúde da atenção básica. METODOLOGIA Trata-se de um estudo quali-quantitativo com abordagem não-experimental, explora- tório e descritivo, que faz parte de uma pesquisa maior intitulada “perfi l de saúde, aspecto funcional e social de idosos de uma unidade integrada de saúde da família – João Pessoa/ 41 PB. O local de estudo foi o território de uma Unidade de Saúde da Família, localizado em João Pessoa/ PB e a população utilizada foi constituída por 50 idosos cadastrados nesta unidade. Os pesquisadores seguiram as observâncias éticas da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde, principalmente no cumprimento ao termo de consentimento livre e esclarecido, sendo aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba. A coleta de dados foi realizada pelos próprios pesquisadores através de questioná- rio e ocorreu nos meses de janeiro a março de 2010, através do uso de um questionário contendo questões objetivas sobre dados sócio-demográfi cos, características de saúde. Também foi utilizada a Escala de Lawton para avaliar o desempenho funcional da pessoa idosa em termos de atividades instrumentais de vida diária. Para a análise dos dados foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences-SPSS V.10 e construídas as freqüência absoluta (n) e relativa (%), além da meto- dologia própria da escala Lawton. RESULTADOS E DISCUSSÃO Segue na tabela 1, os dados referentes a caracterização sócio-demográfi ca da amos- tra estudada. Tabela 1 – Distribuição dos idosos segundo suas características sócio-demográfi cas. João Pessoa, PB, 2010. Variáveis N % Sexo Masculino Feminino Estado civil Solteiro Viúvo Casado Separado Cor Parda Preto Amarela Branca Escolaridade Analfabeta Ensino Fundamental Ensino Médio 17 33 6 16 21 6 33 1 1 15 15 27 8 34 66 12 32 42 12 66 2 2 30 30 54 16 42 A média de idade dos idosos foi 72,59 (desvio padrão de 9,8), com máxima de 98 e mínima de 59. O sexo feminino foi predominante, assim como o baixo nível de escolari- dade. Observa-se um grande número de idosos viúvos, ou seja, que vivenciam a velhice na ausência do seu companheiro (a), podendo ser este um fator determinante para qualidade de vida ou não. Com relação à renda 22% (n=11) dos idosos ainda trabalham, 78% (n=39), 76% (n=38) possuem aposentadoria e 24% (n=12) não possuem este benefício. A média da renda foi de R$ 858, 08 (desvio padrão de R$ 557,084), com máxima de R$ 3500 e mínima de R$ 500. Sendo que 60%(n= 30) dos idosos dividem sua renda com a família e 34% (n=17) não dividem. Quanto ao perfi l de saúde os dados foram: Tabela 2 – Distribuição dos idosos segundo suas características de saúde e patologias presentes. João Pessoa, PB, 2010. Variáveis N % Estado de saúde Muito bom Bom Regular Ruim Muito ruim Patologias Artrite Problemas Circulatório Alzheimer Artrose AVC Dor Muscular Osteoporose Lombalgia Parkinson Queda 4 17 18 7 4 1 1 2 5 1 1 3 2 1 9 18 34 36 14 8 2 2 4 10 2 2 6 4 2 18 Quanto à percepção de saúde de saúde autoreferida, 18% dos idosos classifi caram sua saúde como muito boa, 34% como boa, 36% como regular, 14% como ruim e 8% como muito ruim. A escala de Lawton classifi ca o idoso quanto ao seu grau de independência para rea- lizar as atividades instrumentais de vida diárias são aquelas atividades mais complexas, como conseguir cuidar de suas fi nanças, fazer compras e tomar a medicação nas doses 43 e horários corretos, mas que são necessárias à vida independente na comunidade(5). Os idosos que pontuam abaixo acima de 25 são considerados independentes, entre 21 a 25 dependentes leves, 16 a 20 dependentes moderados,10 a 15 dependentes graves e de nove para baixo dependentes totais(6). Embora a maioria dos idosos entrevistados tenham sido classifi cados como indepen- dentes, é importante notar que um grande número de idosos apresentaram algum grau de dependência. Como está demonstrado na tabela 3. Tabela 3 – Distribuição dos idosos segundo grau de dependência para as Atividades Instrumentais de Vida Diária. João Pessoa, PB, 2010. Variáveis N % Grau de dependência Dependência total Dependência grave Dependência moderada Dependência leve Independência 1 7 7 11 24 2 14 14 22 48 CONCLUSÃO O estudo permitiu conhecer o perfi l da capacidade funcional de uma amostra de ido- sos assistidos por uma Unidade de Saúde da Família, através da utilização de um instru- mento de fácil aplicação e preconizado pelo Ministério da Saúde, fornecendo informações que auxiliarão no planejamento das ações da equipe de saúdevoltada para essa popula- ção. Ressaltamos a importância de investigar quais fatores estão associados ao declínio do desempenho funcional nessa faixa etária. REFERÊNCIAS 1. Silvestre JA, Neto MMC. Abordagem do idoso em programas de saúde da família. Cad Saúde Pública 2003; 19(3). 2. Reis LA et al. Estudos das condições de saúde de idosos em tratamento no setor de neurogeriatria da clínica escola de fi sioterapia da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Rev Baiana de Saúde Pública 2007, 31( 2): 322-30. 44 3. Almeida LGD et al. Promover a vida: uma modalidade da fi sioterapia no cuidado à saúde de idosos na família e na comunidade. Rev Saúde Com 2006, 2(1): 50-8. 4. Brasil. Portaria n° 2528 de 19 de outubro de 2006 que aprova a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa.Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 5. Parahyba MA, Veras R. Diferenciais sociodemográfi cos no declínio funcional em mobili- dade física entre idosos no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva 2008, 13(4): 1257-64. 6. Freitas EV, Miranda RD. Parâmetros clínicos do envelhecimento e Avaliação Geriátrica Ampla. In: Freitas EV et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2006. 45 TERAPIA COMUNITÁRIA E A PESSOA IDOSA: A ESTRUTURA FAMILIAR E SEUS CONFLITOS Marina Nascimento de Moraes Ianine Alves da Rocha Mayra Helen Menezes Araruna Renata Cavalcanti Cordeiro Universidade Federal Da Paraíba INTRODUÇÃO O processo de envelhecimento humano é bastante complexo, indo além das mudan- ças biológicas. Suas especifi cidades são delimitadas por posição de classe social, pela cultura, pelas condições sócio-econômicas e sanitárias do indivíduo e da comunidade1. A família é fundamental na prestação de cuidados inerentes a esta etapa da vida. Atualmente a instituição familiar apresenta uma nova conjuntura, uma conseqüência da atual realidade que a infl uencia. Em algumas situações a relação família-idoso entra em desequilíbrio, devido, prin- cipalmente, a divergência de interesses. Tais confl itos são geradores de sentimentos de angústia, solidão, tristeza e estimulam o isolamento social. Para que ocorra uma velhice saudável é de suma importância que o idoso possua autonomia. Desta forma, evidencia-se a necessidade de tecnologias do cuidado que propi- ciem o desenvolvimento desta autonomia na população idosa. Neste sentido a Terapia Comunitária (TC) surge como uma ferramenta de cuidado nos programas de inserção e apoio à saúde mental da população idosa. A TC é um espaço de acolhimento, para a partilha de sofrimentos e sabedoria de vida, que ocorre de maneira cir- cular e horizontal. Constitui um espaço de escuta, refl exão e troca de experiências, criando uma teia de relação social entre os participantes, na busca de soluções para os confl itos pessoais e familiares2. Estudos anteriores mostram que a maior parte das rodas de TC são realizadas com grupos de idosos (cerca de 70%), tendo como um dos principais confl itos os familiares, que levam à sentimentos de abandono, isolamento, angústia, ansiedade, entre outros3. Face a esta problemática identifi cada, tornou-se necessário investigar a dinâmica de funcionamento 46 da família onde estes idosos estão inseridos para intervir na busca do reequilíbrio das rela- ções familiares. Sendo assim, este estudo teve como objetivos: avaliar a funcionalidade da família do idoso participante da TC e identifi car quais são os principais confl itos familiares enfrentado pelos idosos, geradores de estresse, angústia e ansiedade. METODOLOGIA Trata-se de um estudo de natureza predominantemente qualitativa devido a especifi - cidade do objeto. A pesquisa empírica foi realizada em unidades de saúde localizadas nos Distritos Sanitários III e IV do município de João Pessoa, locais estes defi nidos pela gestão do município, obedecendo o critério de existência de grupos de Terapia com Idosos na comu- nidade e cuja frequência de participantes seja acima de 10 pessoas observando também a frequência de realização das terapias, que deveria ocorrer pelo menos quinzenalmente. Participaram da pesquisa 12 pessoas idosas, tanto do sexo feminino como masculino, que frequentavam a terapia por mais de seis encontros e que já viveram ou estavam viven- ciando confl itos familiares. Os idosos foram escolhidos após o estabelecimento de uma rela- ção de confi ança entre a pesquisadora com os mesmos e estes manifestarem o desejo de contribuir com sua experiência para a produção de conhecimentos advindos deste estudo. Para avaliar a funcionalidade da família do idoso participante da TC foi utilizada uma entrevista semi-estrutura, que continha questões referentes aos dados pessoais dos entre- vistados, e aplicado um instrumento intitulado Avaliação da Funcionalidade Familiar, tam- bém conhecido como APGAR DE FAMÍLIA, adotado pelo Ministério da Saúde, para estudos com idosos e com este tipo de problemática. Este instrumento possibilita verifi car indícios de disfunção familiar. Para identifi car os principais confl itos familiares enfrentado pelos idosos a pesquisa- dora participou de 7 rodas de terapia comunitária, para registrar os relatos dos idosos no momento da terapia. Além disso, foi utilizado ainda um caderno de campo para anotações de informações consideradas relevantes para este estudo. O material empírico foi analisado a partir da técnica de análise do discurso. Essa pro- posta tem como princípio básico reconhecer no texto, o nível mais abstrato, temático, com o qual se articula4. Este estudo atendeu aos requisitos propostos pela Resolução 196/96. A pesquisa de campo somente foi iniciada após o projeto ter sido submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa do CCS/UFPB. 47 RESULTADOS E DISCUSSÃO Foi designado para a pesquisa os grupos das Unidades de Saúde da Família Cordão Encarnado II e José Américo II. Grupos coesos e numerosos, que realizavam a TC quinzenalmente. No grupo da primeira unidade foram assistidas três rodas de TC, o que permitiu que houvesse a formação de um vínculo com os participantes e a interação entre o Terapeuta Comunitário e a pesquisadora. Contudo, devido a saída do Terapeuta Comunitário desta USF, a realização das rodas foi interrompida, gerando a necessidade de ampliar a pesquisa para o segundo grupo de idosos. Neste grupo foram assistidas quatro terapias comunitárias. Apesar de ter sido esti- pulado que as terapias iriam ocorrer de quinze em quinze dias, uma série de problemas acabou por impedir que isto ocorresse Em relação aos dados referentes ao APGAR, dos 12 idosos participantes, 7 idosos apresentaram uma boa funcionalidade familiar, 4 apresentavam uma moderada disfunção familiar e apenas 1 apresentava uma elevada disfunção familiar. Tal resultado segue a tendência de outros estudos, onde a maior parte dos idosos avaliados possuía uma boa dinâmica familiar. Os resultados de uma pesquisa realizada com 95 famílias de uma comunidade no interior do estado de Falcon, na Venezuela, mos- tram que 75% apresentam boafuncionalidade familiar ou leve disfunção familiar5. O reconhecimento da dinâmica de funcionamento familiar permite a detecção de dis- funções e possibilita a intervenção precoce na busca do reequilíbrio das relações familiares e na melhoria da qualidade assistencial prestada ao idoso6. Desta forma, é importante que os profi ssionais de saúde considerem que as doen- ças ou injúrias, inerentes ao processo de envelhecimento, desenvolvem, de alguma forma, estresse familiar, que acaba interferindo na dinâmica dessa instituição. Um bom funcionamento familiar ocorre devido a um equilíbrio nas relações entre os seus membros, equilíbrio este que é de extrema importância para que o idoso consiga desempenhar a sua autonomia, ou seja, para que a pessoa idosa tenha a capacidade de decisão e de comando sobre diversos aspectos de sua vida. No âmbito familiar, cada indivíduo tem uma forma singular de agir, devido a sua his- tória, temperamento, idade, composição genética, etc. Quando há uma condensação des- tes e outros fatores, surgem as diferenças individuais, que são consideradas a base dos 48 confl itos. Tais diferenças repercutem diretamente nas ações cotidianas desenvolvidas pelos indivíduos, principalmente no cotidiano das pessoas idosas, e nas suas relações sociais, devido ao sofrimento psíquico gerado7. Durante as entrevistas, percebeu-se que o confl ito mais vivenciado pelos idosos foi o que abordava pais e fi lhos, oito entre os doze entrevistados referiram tal problema, o que demonstra certa quebra da estrutura e do respeito familiar. Os motivos de tais confl itos são, geralmente, a divergência de ideias e a falta de atenção do fi lho para com os pais. Outro confl ito bastante relatado foi o de mulheres com seus respectivos maridos. Parece que com o passar do tempo a relação entre marido e mulher se torna cada vez mais frágil, resultando em brigas e diversos problemas. Além destes, confl itos entre irmãos também são comuns. Tais resultados sugerem que o sistema familiar está em crise, sendo um refl exo direto de uma sociedade que concentra renda, gera injustiças, cultua a beleza e que não valoriza a experiência do outro. Quando questionados sobre com quem eles conviviam, a maior parte dos idosos reside com mais de uma geração dentro de casa, constituindo as famílias intergeracionais. A maioria dos idosos ainda possui fi lhos dentro de casa. Este fato está ligado ao poder aqui- sitivo da família, sendo, muitas vezes, a aposentadoria do idoso a base da renda familiar. A convivência destas diferentes gerações por si só já é um fator gerador de confl itos, por isso faz-se necessário uma maior atenção neste âmbito, uma vez que as diferenças entre valores e crenças de cada faixa etária podem vir a interferir na dinâmica familiar. Por isto, geralmente, o relacionamento mais difícil de se estabelecer é o entre idoso e neto. Para trabalhar os confl itos familiares é necessário melhorar a qualidade das relações, realizando a manutenção dos vínculos afetivos entre os seus membros. Precisa-se que haja a possibilidade de diálogo e de escuta, tendo-se tempo para escutar e tempo para falar, assim como o estímulo à solidariedade, à compreensão, à paciência de cada uma das partes, ressaltando que há uma vitória conjunta e que deve-se enfatizar os interesses em comum e não somente as diferenças8. CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta pesquisa procurou-se desvendar os principais confl itos familiares que vêm afl i- gindo a população participante das rodas de Terapia Comunitária de dois grupos de idosos. Encontrou-se, além disso, o perfi l da estrutura familiar na qual estes idosos estavam inse- ridos. A natureza dos problemas apresentados por eles revela que o sistema denominado 49 família passa por diversas transformações, onde há uma série de inversões de papéis e valores. É preciso entender que, apesar das progressivas limitações que possam ocorrer devido à idade, um dos pontos mais importantes na atenção à pessoa idosa é contribuir para que elas possam redescobrir possibilidades de viver a sua própria vida com a quali- dade merecida e a TC tem atuado desta maneira. A pessoa idosa por ter um vasto conhecimento, adquirindo através das suas experi- ências de vida, gosta de dividi-lo com os demais indivíduos e como a Terapia Comunitária é um espaço que valoriza a história de vida dos participantes, os idosos a veem como um local onde é possível desabafar, ouvir, transmitir a sua experiência e curar algumas de suas feridas. REFERÊNCIAS 1. NOGUEIRA, F. N. N.; MOREIRA, V. Do indesejável ao inevitável: a experiência vivida do estigma de envelhecer na contemporaneidade. 2008. Dissertação (Mestrado em Psicologia). Universidade de Fortaleza, Ceará. 2. BARRETO, A.P. Terapia Comunitária Passo a Passo. Fortaleza: LCR, 2008 3. ROCHA, I.A. A saúde mental do idoso e a terapia comunitária como nova tecnologia de cuidado. Trabalho de Conclusão de Curso. UFPB, 2008 4. FIORIN, J.L. Linguagem e ideologia. 6.ed. São Paulo: Atica,1998. 5. PAVARINI, S.C.L. Quem irá empurrar minha cadeira de rodas? A escolha do cuidador familiar do idoso. Rev. Eletr. Enf. 2006;8(3):326-35 6. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Caderno de Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde 2006. 7. EMILIANO, N. Confl itos familiares. Disponível em: Acessado em: junho de 2009. 8. SALES, L.M.M. A família e os confl itos familiares – a mediação como alternativa. Pensar, Fortaleza, v. 8, n. 8, p. 55-59, fev. 2003. 50 NECESSIDADES PSICOSSOCIAIS DE IDOSOS ATENDIDOS EM UMA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA DE FORTALEZA, CEARÁ Jorge Wilker Bezerra Clares (Universidade Estadual do Ceará – UECE) Rafaelly Tavares Barbosa de Freitas (UECE) Adna Cynthya Muniz Ribeiro (UECE) Bruna Karen Cavalcante Fernandes (UECE) INTRODUÇÃO O envelhecimento populacional é uma realidade mundial que demanda novas for- mas de agir e cuidar em saúde. Nesse contexto, a Estratégia Saúde da Família (ESF) constitui-se em espaço privilegiado para atenção integral à saúde do idoso, devido à sua proximidade com a comunidade e à atenção domiciliária que possibilitam aos profi ssionais de saúde atuar de forma contextualizada na realidade vivenciada pela pessoa idosa no contexto familiar e comunitário(1). Ademais, é fundamental uma assistência que priorize não apenas as demandas bio- lógicas, como também as alterações que podem comprometer a dimensão psicossocial da pessoa que envelhece. Assim, o estudo objetivou identifi car as necessidades de saúde relacionadas aos aspectos psicossociais dos idosos cadastrados na Estratégia Saúde da Família, da Secretaria Executiva Regional IV, da cidade de Fortaleza-CE. MÉTODOS Estudo descritivo e quantitativo, desenvolvido junto a idosos residentes no território de abrangência de uma equipe da ESF pertencente à Secretaria Executiva Regional IV, da cidade de Fortaleza-CE. A amostra foi constituída por 52 idosos, selecionados aleatoriamente a partir do cadas- tro feito pelos agentes comunitários de saúde, que obedeceram aos seguintes critérios de inclusão: ser orientado e com capacidade de verbalização e possuir cadastro na equipe de saúde da família. Ressalta-se a exclusão de idosos acamados, com cognitivo não preser- vado e os não encontrados no domicilio após três tentativas de visita. 51 O instrumento de coleta de dados foi um formulário, constituído por questões fechadas, cuja organização e estruturação foram fundamentadas na teoria de Teoria de Enfermagem de Virgínia Henderson. Os dados foram coletados no domicilio de cada idoso, no período de maio a junho de 2011, mediante aplicação de formulário contendo questões acerca das características socioeconômicas e das necessidades que englobam as dimensões psicos- sociais postuladas por Henderson (comunicação, trabalho,lazer e aprendizado), na pers- pectiva dos idosos assistidos na atenção primária. Os aspectos éticos foram observados a partir da Resolução 196/96. O projeto de pes- quisa obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital de Messejana, sob o protocolo Nº797/10. A participação dos idosos na pesquisa foi feita sob a forma de convite e aceitação dos mesmos; liberdade para deixar a pesquisa, se assim desejassem; esclare- cimento sobre objetivos, metodologia e outras informações sobre a dinâmica; e garantia de sigilo dos dados coletados e privacidade dos envolvidos. Os resultados foram processados e tabulados no programa Statistic Package for Social Science versão 17.0. Para tratamento dos dados optou-se pelo uso da estatística descritiva simples. RESULTADOS E DISCUSSÃO A amostra foi composta, predominantemente, por mulheres, 36 (69,2%); faixa etária entre 60 a 69 anos, 20 (38,5%); casados, 25 (48,1%); católicos, 36 (69,2%); com baixa esco- laridade (analfabeto ou fundamental incompleto), 46 (88,5%); aposentados, 36 (69,2%); com renda de até três salários mínimos, 50 (96,2%). Quanto à vida reprodutiva, 19 (36,5%) tiveram de quatro a seis fi lhos. Referente à situação familiar, 27 (52,0%) moram com mais uma ou duas pessoas. Em relação à comunicação, 30 (57,7%) respondentes afi rmaram saber ler e 28 (53,8%), escrever. Houve predomínio de idosos que ouvem (82,7%) e enxergam bem (59,6%). Cabe ressaltar que quando a pessoa usava óculos, a avaliação foi feita enquanto os estivesse usando. Observa-se, ainda, que é expressivo o percentual de idosos que não mantêm contato diário com outras pessoas (7,7%), não compartilham os problemas com terceiros (40,4%) e têm difi culdade para exprimir os sentimentos (38,5%). Tais evidências compro- vam o isolamento social dos idosos pela faltam de contato até mesmo pelos membros da família. A capacidade de comunicação pode se encontrar sensivelmente afetada nos ido- sos em consequência da exacerbação das perdas sensoriais próprias do envelhecimento. 52 Observa-se no cotidiano que os órgãos sensoriais permitem o relacionamento do indivíduo com o meio em que vive, seja ele familiar, do trabalho ou outros. É por meio dos sentidos que o corpo percebe diversas situações que o rodeiam, contribuindo para a sua integração com o ambiente(2). No tocante à necessidade de trabalhar com vistas à realização, é signifi cativo o número de participantes que não se consideram mais úteis para a sociedade (20,0%) e se sentem desvalorizados (44,2%). Ainda em relação às questões laborais dos idosos entrevistados, 76,9% confessaram necessitar de alguma atividade para preencher o tempo ocioso e se sentirem realizados, 36,5% aborrecer-se quando não conseguem ocupar seu tempo e 65,4% acreditam terem se tornado menos participativos na medida em que foram envelhecendo. O papel social dos idosos também é um fator importante no signifi cado do envelhe- cimento, pois depende tanto da forma de vida que tenham levado quanto das condições como se encontram. Dessa forma, o trabalho constitui-se um mérito na confi guração da identidade pessoal dos indivíduos(3). É o trabalho que permite o ato de existir enquanto cidadão e a ele são atribuídos pelo idoso diversos valores de ordem subjetiva, como o desejo de reconhecimento e de continuar sentindo-se útil em um contexto social regulado pelo valor produtivo. Entretanto, a retirada da vida de competição resultante do advento da aposentadoria ou das incapacidades geradas pelas doenças crônicas não-transmissíveis, promove a redução da autoestima e da sensação de incapacidade(3). A aposentadoria é um dos principais desencadeadores de alterações psicológicas e de inserção social, uma vez que pode acarretar desvantagens como desvalorização social e desqualifi cação, admitindo o mundo capitalista onde se vive. Além disso, a perda da posi- ção social resultante desse processo leva à interrupção das responsabilidades relacionadas ao mundo do trabalho e da produção pelo idoso, gerando rótulo de inútil e improdutivo(4). o, gerando rdoria leva o idoso a interromper suas responsabilidades relacionadas ao mundo do trabalho e da produçQuanto aos aspectos relacionados à necessidade de lazer e recreação, é importante destacar que 15,4% dos idosos participantes expressam não necessitar de atividades de lazer, 50,0% dos ambientes não oferecem possibilidades de distração, 44,2% referem o sentimento de solidão e isolamento social. Nesses casos, o lazer e a recreação destacam-se como necessidades de todo o ser humano, e aquele que ocupa seus momentos de ócio com ocupações agradáveis, com fi ns de se descontrair física e psicologicamente satisfaz esta necessidade fundamental. São elementos fundamentais na vida dos idosos, proporcionando-lhes melhoria das condições de saúde, das possibi- lidades de socialização e do interesse pela vida(5). Enfi m, meios ou modos de aproveitar momentos de participação em grupos para realinhar os contados e amizades, favorecendo 53 a tão deseja inserção social. Desse modo, os idosos devem ajustar suas condições de saúde e buscar a realizar atividades recreativas que permitiram sua participação social, afastou-os do isolamento comum nesta faixa etária(6). Referente à necessidade de aprender, apenas 1,9% da amostra afi rmou que não con- sidera importante estar informado sobre a saúde. Observa-se, ainda, que 67,3% não têm interesse em adquirir novos conhecimentos. A capacidade de aprender na velhice não é a mesma que na juventude, todavia é certo que os idosos continuam aprendendo de outra forma, com outro ritmo, com outros interesses(7). Assim, defende-se que os estágios mais avançados da vida podem ser momentos propícios para novas conquistas, guiadas pela busca do prazer, do aprender e do reaprender na busca da satisfação pessoa(8). Reforçar o papel do enfermeiro como educador e comprometido com a prática social é fundamental para a investida em favor do idoso e sua inclusão social. Nesse sentido, somam-se dentre as inúmeras atividades dos enfermeiros da ESF identifi car caminhos que permitam aos idosos da comunidade participar de atividades recreativas e educativas em grupo, contribuindo para a melhoria das condições de saúde e vida. Isso resultará na geração de um conhecimento que transcenderá as ideias negativas em torno do idoso e, consequentemente, serão adotadas medidas preventivas de adoecimentos e complica- ções, caracterizando-se pela busca continuada e participativa para o engajamento pleno dos idosos. É essencial que os profi ssionais de saúde compreendam que a saúde dos idosos é determinada pela independência e sua capacidade de desempenhar as mais variadas funções e atividades da vida diária, e essas podem estar relacionadas às limitações impostas pela idade, condições socioeconômicas, estilo de vida ou mesmo pelas doenças crônicas. Logo, a detecção precoce desses agravos, associada a medidas preventivas com enfoque na melhoria dos hábitos de vida, deve ser papel pri- mordial das equipes de saúde da família com a responsabilidade de prestar assistência integral ao idoso, sua família e a comunidade em seu entorno. CONCLUSÃO Os resultados do estudo apontaram diversos problemas que podem interferir na satis- fação das necessidades de ordem psicológica e social dos idosos do território coberto por uma unidade básica de saúde. Esta população apresentou-se bastante vulnerável ao isolamento, à depressão e à solidão – fatores que comprometem o convívio social e, consequentemente, a qualidade de vida e a saúde da pessoa idosa. 54 Diante dessa realidade, a equipe de saúde deve desenvolver ações em direção à pro- moção da saúde das pessoas no processo de envelhecimento, com o objetivo de prevenir a instalação de incapacidade física, mental e social, ao passo que desenvolve alternativas para a reabilitação daqueles que possuem algum grau de dependência.Desse modo, evidencia-se a necessidade de instrumentalizar as equipes de saúde da família para atuar no contexto em que se encontram os idosos na comunidade, visto que é primordial para a criação de uma rede de suporte formal aos idosos e suas famílias. A atuação dos profi ssionais junto a esses sujeitos pode contribuir para a implantação de estratégias assistenciais humanizadas, com plano terapêutico resolutivo que preserve a autonomia do idoso e diminua o risco de agravos à saúde. REFERÊNCIAS 1. Oliveira JCA, Tavares DMS. Atenção ao idoso na estratégia de saúde da família: atua- ção do enfermeiro. Rev Esc Enferm USP 2010; 44(3): 774-81. 2. Ribeiro LCC, Alves PB, Meira EP. Percepção dos idosos sobre as alterações fi siológi- cas do envelhecimento. Ciênc cuid saúde 2009; 8(2): 220-7. 3. Alvarenga LN, Kiyan L, Bitencourt B, Wanderley KS. Repercussões da aposentadoria na qualidade de vida do idoso. Rev Esc Enferm USP 2009; 43(4): 796-802. 4. Horta ALM, Ferreira DCO, Zhao LM. Envelhecimento, estratégias de enfrentamento do idoso e repercussões na família. Rev Bras Enferm 2010; 63(4): 523-8. 5. Navarro FM, Rabelo JF, Faria ST, Lopes MCL, Marcon SS. Percepção de idosos sobre a prática e a importância da atividade física em suas vidas. Rev Gaúcha Enferm 2008; 29(4): 596-603. 6. Berger L, Mailloux-Poirrier D. Pessoas idosas: uma abordagem global. Lisboa: Lusodidacta; 1995. 7. Silva ACS, Santos I. Promoção do autocuidado de idosos para o envelhecer saudável: aplicação da teoria de Nola Pender. Texto Contexto Enferm 2010; 19(4): 745-53. 8. Freitas MC, Queiroz TA, Sousa JAV. O signifi cado da velhice e da experiência de enve- lhecer para os idosos. Rev Esc Enferm USP 2010; 44(2): 407-12. 55 SATISFAÇÃO DOS IDOSOS QUANTO AO ATENDIMENTO RECEBIDO NAS UBSF DO DISTRITO SANITÁRIO II NO MUNICÍPIO DE CAMPINA GRANDE – PB Anne Braz Romão Pinto¹, Kenia Anifled de Oliveira Leite². ¹ Enfermeira, pós graduanda em Enfermagem do Trabalho; ² Enfermeira Especialista em Saúde Pública e em Saúde da Família, e Docente da Faculdade de Ciências Médicas(FCM) em Campina Grande – PB. INTRODUÇÃO Com a diminuição da taxa de natalidade e avanços no campo da saúde, a população brasileira está vivendo mais do que antes, com o número de idosos aumentando mais rapi- damente que o restante da população (1). Diante da ascendência desta população que comumente possuem pluripatologias, os profi ssionais de saúde terão de estar capacitados para desenvolver uma assistência ade- quada além de estarem conscientes que o envelhecimento não deve ser tido como “uma transição de morte”, mas sim como uma nova maneira de viver e viver saudável. O modelo de atenção à saúde comumente utilizada pela população ocorre através do Programa Saúde da Família (PSF), o qual almeja uma adequada abordagem da pessoa idosa. Em que se busca a necessária compreensão do envelhecimento como um processo benigno e não patológico (2). Questiona-se, portanto: até que ponto esse aumento no tempo de vida está sendo acompanhado de satisfação pessoal e bem-estar vivenciado pelo idoso, seu circulo familiar e social? Diante dessa problemática, pretende-se com esse estudo analisar a satisfação do idoso quanto ao atendimento prestado a ele nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) do Distrito Sanitário II no município de Campina Grande – PB, contribuindo na melhoria das ações de saúde voltadas ao idoso, fundamentando a assistência dos profi ssionais de saúde na promoção da saúde de modo satisfatório e com qualidade. 56 CAMINHO METODOLÓGICO A pesquisa é um estudo descritivo-analítico, com método de abordagem quanti-qua- litativa. Apresentando os dados de forma numérica, além de abranger a realidade social, trabalhando com diversos signifi cados, que não podem ser reduzidos a operacionalização de variáveis. A pesquisa foi realizada nas UBSF do Distrito Sanitário II, localizadas no município de Campina Grande-PB, sendo constituído por seis Unidades Básicas de Saúde da Família. O espaço amostral foi constituído por idosos com idade acima de 60 anos cadastra- dos e atendidos na referida unidade de saúde que frequentaram o serviço no período de agosto a setembro de 2007, perfazendo um total de vinte e um (21) idosos. Como instrumentos para coleta de dados foram utilizados: um roteiro de entrevista com perguntas abertas e fechadas e um questionário com perguntas abertas e fechadas A pesquisa foi realizada considerando os aspectos éticos contemplados na Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde que trata dos aspectos éticos de pesquisa com seres humanos. ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS O Programa Saúde da Família, objetiva reorganizar os serviços de saúde, substi- tuindo as antigas diretrizes, baseadas no modelo hospitalocêntrico, para introduzir novos princípios, com foco na promoção da saúde e na participação da população, procurando atingir a equidade e melhorar a assistência à população (3). Diante da importância do profi ssional de saúde na atenção primária foi questio- nado aos idosos qual o profi ssional que ele busca ao necessitar de um acolhimento no PSF. Obteve-se que 48% (n=10), dos idosos que vão à unidade procuram o enfermeiro, enquanto 29% (n=06), o médico, 14% (n=03), o auxiliar ou técnico de enfermagem e 9% (n=02), dirigem-se ao agente comunitário de saúde. Diante desse dado, percebe-se que a procura maior é pelo enfermeiro. Entretanto, há de se esclarecer que, na maioria das vezes, essa busca acontece pelo fato de associar o enfermeiro com a entrega de medicamento para os grupos de hipertensos e diabéticos, em que prevalece os idosos, e também pelo fato deste profi ssional ser mais acessível à popu- lação já que ele está usualmente na unidade. 57 Faz-se necessário desenvolver modelos de atenção à saúde do idoso que vão além das práticas tradicionais, uma vez que o atendimento prestado habitualmente restringe-se, na melhor das hipóteses, ao tratamento clínico de doenças específi cas dessa população (4). Ao serem questionados quanto à satisfação dos idosos em relação ao atendimento recebido: Os resultados obtidos demonstram que, a maioria dos idosos encontra-se satisfeitos com a assistência prestada pelos profi ssionais procurados, já que 67% (n=14) consideram- -na boa, 19% (n=04) excelente, 9% (n=2) regular e 5% (n=1) ruim. Esse dado merece refl exão e questionamento considerando que, muitas vezes, para os idosos, um bom atendimento resume-se a um tratamento amigável, atendimento priori- tário ou ao recebimento de medicamentos como se evidencia nas seguintes falas: “Porque ela é muito boazinha e educada.” (I-21) “É bom porque passa o remédio pra pessoa fi car boa. Então é bom, né?” (I-20) Com base nos relatos, percebe-se que a interação do profi ssional com o idoso, na maioria das vezes, se dá de forma positiva, demonstrando a atenção dispensada ao idoso, a amizade e o vínculo estabelecido entre profi ssional e idoso. Nesse sentido, este item está de acordo com o que preconiza o PSF, que tem como ponto central o estabelecimento de vínculos e a criação de laços de compromisso e de responsabilidade compartilhados entre os profi ssionais de saúde e a população (2). Apesar dessa satisfação referida pelos idosos, o atendimento não deve ser limitado a um tratamento afável e entrega de medicamentos. A equipe de saúde do PSF deve sempre estar atenta ao indivíduo idoso, não só na busca permanente de problemas, mas também na constante atenção ao seu bem estar, à sua rotina funcional e à sua inserção na socie- dade, sendo importante abordar o idoso de forma integral e contextualizada, sem jamais deixá-lo à margem do seu contexto (5). Quanto à satisfação dos idosos com o atendimento da equipe, verifi ca-se que 90% (n=19) dos idosos encontram-se satisfeitos. E apenas 10% (n=02), não se consideram satisfeitos. As falas a seguir descrevem a percepção da maioria: “A gente vem e não tem medicamento. Já dei muitaviagem perdida.” (I-13) “Às vezes tem que esperar, mas a gente espera né?” (I-14) 58 Através das citações compreende-se que os idosos das unidades avaliadas encon- tram-se satisfeito com os serviços que lhes são ofertados. No entanto, segundo a Política Nacional do Idoso, a promoção, prevenção, manutenção e a melhoria da saúde e o desen- volvimento ao máximo da autonomia dos idosos, devem ser o principal propósito dos profi s- sionais de saúde que atendem aos idosos, sobretudo aqueles que trabalham em PSF, uma vez que buscam a promoção de saúde e a prevenção de doenças (6). A Tabela abaixo exibe os principais cuidados que são recebidos pelos idosos nas Unidades Básicas de Saúde do Distrito Sanitário II em Campina Grande - PB. Tabela 1. Cuidados prestados pela equipe e citados pelos idosos. Cuidados Prestados n % Entrega de medicamentos 15 71 Consultas individuais 14 67 Aferição da pressão arterial 09 43 Medição do peso 05 24 Curativos 01 05 Vacinação 01 05 Orientações 01 05 Diante do exposto, percebe-se que a avaliação global, preconizada pela Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, não se resume apenas a entrega de medicamentos e verifi cação da pressão arterial conforme foi respondido respectivamente por, 71% (n=15) e 43% (n=09) dos idosos. Espera-se, dessa forma, que a equipe de saúde zele para que o idoso consiga aumentar os hábitos saudáveis, diminuir e compensar as limitações ineren- tes da idade confortar-se com a angústia e debilidade da velhice. CONCLUSÃO No presente estudo prevaleceram afi rmações positivas dos idosos quanto suas satis- fações ao atendimento prestado pelos PSF, entretanto, observou-se que determinados cui- dados são superfi ciais. Aconselha-se que seja dada uma atenção maior a esse segmento da população através de ações de qualifi cação dos profi ssionais de saúde da Atenção Básica, especialmente no que se refere à saúde da pessoa idosa. 59 REFERÊNCIAS 1. BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 2. SILVESTRE, J. A.; NETO, M. M. da Costa. Abordagem do idoso em programas de saúde da família. Cad. Saúde Pública, vol.19, Rio de Janeiro, 2003. 3. BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Violência Intrafamiliar: orientações para a prática em serviço. Cadernos de Atenção Básica. n.8. Brasília, 2001. 4. VERAS, Renato Peixoto; CALDAS, Célia Pereira. Promovendo a saúde e a cidada- nia do idoso: o movimento das universidades da terceira idade. Revista Ciência e Saúde Coletiva, 2004. 5. VARGAS, Liliana Angel; CASTRO, Magda Ribeiro. A interação/atuação da equipe do Programa de Saúde da Família do Canal do Anil com a população idosa adscrita. Revista de Saúde Coletiva, v.15, n.2, Rio de Janeiro, 2005. 6. BRASIL, Estatuto do Idoso. Lei nº 10.741: que dispõe sobre o Estatuto do Idoso. Brasília: Senado Federal. 2003. 60 HIV/AIDS NA TERCEIRA IDADE: UM NOVO DESAFIO PARA AS POLÍTICAS DE SAÚDE PÚBLICA Ana Lúcia de Medeiros1 Rômulo Wanderley de Lima Cabral2 Márcia Cristina de Jesus Souza3 1Enfermeira. Professora do Departamento de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Obstétrica da Faculdade Santa Emília de Roda - FASER. 2Enfermeiro. Mestre em Saúde Pública. Professor do Departamento de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Obstétrica da Faculdade Santa Emília de Roda - FASER. 3Graduanda do Curso de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Santa Emília de Rodat - FASER. INTRODUÇÃO O envelhecimento humano é um processo natural que nã o se produz de forma homo- gênea e recebe infl ue� ncia tanto da herança gené tica quanto do estilo de vida e do ambiente. A longevidade é um fato caracterí stico do presente sé culo, pois a população idosa é cada vez mais crescente1. Segundo a Organização Mundial de Saúde, o envelhecimento começaria a partir dos 60 anos para países em desenvolvimento e 65 anos para países desenvolvidos. Contudo, é necessário reconhecer que a idade biológica tem maior importância que a cronológica, na medida em que a bioquímica cerebral das emoções pode apresentar níveis ótimos de funcionamento em termos biológicos em indivíduos com mais de 65 anos. Contrariamente a estes, poder-se-á encontrar níveis biológicos piores em jovens2. Nesse cenário, a sociedade e o idoso precisam se interagir, ampliando seus horizontes e conceitos sobre o sexo e o processo do envelhecimento, pois com o aumento do número de idosos, aumenta também a incidência das infecções sexualmente transmissíveis (IST), principalmente a AIDS (Síndrome da Imunodefi ciência Adquirida) nesta faixa etária, o que está sendo considerado um problema para a saúde pública3. Diagnosticar a infecção pelo HIV (Vírus da Imunodefi ciência Humana), nos idosos, ainda é complicado, porque muitas vezes as doenças oportunistas que se manifestam por conta do vírus, são também comuns nesta fase da vida. O diagnóstico tardio é uma das 61 principais razões de morte precoce nessa população, pois a equipe de saúde costuma associar os sintomas apresentados a outras doenças e perdem meses em investigações até desconfi ar de AIDS4. Sendo assim, ainda existe uma grande falta de informação sobre a doença, precon- ceitos quanto ao uso de preservativos e ausência de ações preventivas acessíveis e volta- das para a terceira idade, ações essas, que devem ser planejadas para serem aceitas pela população idosa. Diante do exposto, o estudo tem como objetivo caracterizar os estudos realizados sobre HIV/AIDS na terceira idade, disponibilizadas em periódicos online da área da saúde, por meio de busca eletrônica no site da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), com a fi nalidade de adotar medidas que reduzam o impacto da AIDS na terceira idade. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Trata-se de uma pesquisa documental, de caráter exploratório, realizada no período de julho a setembro de 2011 nas bases de dados LILACS, SciELO e no BDENF, utilizando os seguintes descritores “HIV”, “AIDS”, “terceira idade”. Para seleção dos artigos foram elei- tos os seguintes critérios de inclusão: publicação em português, conter um dos descritores em seu título, publicação nos últimos dez anos e está disponível na íntegra em uma das bases de dados pesquisada. Inicialmente, delimitou-se como descritores “HIV” and “terceira idade”, a partir desta busca foram encontradas quatro referências disponíveis no SciELO, das quais dois artigos foram selecionados para análise; no LILACS foram encontradas quinze referências, des- tas, duas se repetiam e apenas uma estava dentro dos critérios de inclusão; no BDENF foram encontradas quatro referências, apenas duas foram selecionadas para o estudo. A segunda busca contemplou os descritores “AIDS” and “terceira idade”, a partir desta busca foram encontradas três referências no SciELO, nenhuma referência contemplava os critérios de seleção; no LILACS foram encontradas vinte e cinco referências, das quais quatro se repetiam, duas estavam dentro dos critérios de seleção; no BDENF foram encon- tradas sete referências, destas, duas se repetiam, três foram selecionadas. Um total de cinquenta e oito artigos foram encontrados, dos quais dez foram sele- cionados para análise de acordo com os critérios de inclusão. Os artigos foram lidos na íntegra, a fi m de ordenar e sumarizar dados contidos nas fontes, buscando obtenção de resposta aos objetivos da pesquisa. 62 RESULTADOS E DISCUSSÃO 1 Caracterização da amostra TABELA 1: Distribuição dos artigos analisados segundo o ano de publicação, nome do periódico, título do artigo, base de dados e formação dos pesquisadores. ANO DE PUBLICAÇÃO NOME DO PERIÓDICO TÍTULO DO ARTIGO BASE DE DADOS FORMAÇÃO DOS PESQUISADORES 2009 Avances en Enfermeria Nível de conhecimento de um grupo de idosos em relação à Síndrome da Imunodefi ciência Adquirida LILACS Enfermagem2010 Revista de Enfermagem da Escola Ana Nery Pessoas acima de 50 anos com AIDS: implicações para o dia-a-dia BDENF Enfermagem 2010 Revista de Enfermagem da Escola Ana Nery AIDS em idosos: vivência dos doentes SCIELO Enfermagem 2006 Revista Cogi- tare Avaliando a incidência dos casos notifi cados de AIDS em idosos no estado de Minas Gerais no período de 1999 a 2004 BDENF Enfermagem 2007 Revista Brasi- leira de Epide- miologia Características da AIDS na tercei- ra idade em um hospital de referência do Estado do Ceará, Brasil LILACS Enfermagem 2007 Revista Ciên- cia e Saúde Coletiva O conhecimento de HIV/AIDS na terceira idade: estudo epidemiológico no Vale do Sinos, Rio Grande do Sul, Brasil SCIELO Enfermagem 2010 Revista Gaú- cha de Enfer- magem Mulheres com idade igual ou supe- rior a 50 anos: ações preventivas da infecção pelo HIV LILACS Enfermagem 2006 Revista da Escola de En- fermagem da USP Representações sociais sobre AIDS de pessoas acima de 50 anos de idade, infectadas pelo HIV BDENF Enfermagem 2008 Jornal Brasilei- ro de Doenças Sexualmente Transmissíveis Sexualidade na terceira idade: uma discussão da AIDS, envelhecimento e medicamentos para disfunção erétil BDENF Enfermagem 2010 Revista de Enfermagem da Escola Ana Nery Conhecimento sobre HIV/AIDS de participantes de um grupo de idosos, em Anápolis-Goiás BDENF Enfermagem 63 A análise da tabela acima mostra que o ano de 2010 foi o ano que mais se publicou sobre HIV/AIDS na terceira idade. Quanto aos periódicos, a Revista de Enfermagem da Escola Ana Nery foi a que mais publicou sobre o assunto. No que se refere ao título do artigo, percebe-se que a maioria aborda o conhecimento sobre HIV pelos idosos, assim como as características da AIDS na terceira idade. A tabela mostra ainda que as bases de dados onde encontrou-se os artigos foram: BDENF, em primeiro lugar, representando 60%, seguidos pela base de dados LILACS e SCIELO cada uma representando 20% da amostra. Quanto à área de formação dos pesquisadores, todos os pesquisadores são da área de Enfermagem. 2 Abordagem do estudo GRÁFICO 1: Distribuição dos artigos analisados segundo a abordagem do estudo No que se refere às modalidades de delineamento dos estudos, o gráfi co 1 mostra que nove artigos são originais, representando 90% dos artigos analisados, dos quais cinco (50%) tem abordagem quantitativa e quatro (40%) tem abordagem qualitativa. Apenas um que representa 10% é artigo de revisão de literatura. Portanto, percebe-se que a maioria dos estudos são pesquisas originais, onde os pesquisadores estão cada vez mais engajados em entender melhor este cenário, trazendo a tona este grande problema de saúde pública. 64 3 Enfoque dado na assistência GRÁFICO 2: Distribuição dos artigos analisados segundo o enfoque dado na assistência No que concerne ao enfoque dado à assistência, o gráfi co 2 mostra que dos artigos analisados, sete (70%) deles foram dados um enfoque na promoção a saúde dos idosos portadores de HIV/AIDS e os três artigos restantes, que representa 30%, enfatizaram as medidas preventivas que deverão ser divulgadas e trabalhadas pela equipe de saúde no sentido de diminuir o surgimento desta doença nesta faixa etária. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para uma abordagem mais integral do HIV/AIDS na população idosa, há a necessi- dade, primeiro, de entender o processo biológico e cultural envolvido na sexualidade e o envelhecimento autônomo e saudável, no qual se vê atualmente a superação da fi gura de um idoso dependente, doente e esperando sua morte. A sexualidade tem que ser discutida com os idosos e estimulada dentro de uma prática saudável e sem estigmas. A melhora da qualidade de vida do idoso, associadas à resistência dos mais velhos em usar preservativos, pode realmente aumentar a incidência da AIDS nas faixas etárias superiores. Há agravantes inclusive na hora de prestar atendimento correto a essas pes- soas. Portanto, quando um idoso aparece com uma infecção, difi cilmente o profi ssional investiga o problema como se fosse uma doença oportunista, facilitada pela baixa imuni- dade do paciente contaminado pelo HIV. Ressalta-se a importância do papel do enfermeiro em proporcionar espaços nos ser- viços de saúde para abordar questões da sexualidade com os clientes idosos. Acredita-se que o idoso deva ser considerado ator da sua própria história, buscando conhecer o seu ponto de vista, reconhecer o valor de sua participação ativa nas decisões pertinentes a sua saúde e resgatar seus direitos enquanto cidadão. 65 REFERÊNCIAS 1 Rezende MCM, Lima TJP, Rezende MHV. AIDS na terceira idade: determinantes biopsi- cossociais. Estudos. 2009; 36(1/2):235-53. 2 BRASIL. Plano de ação internacional para o envelhecimento. In: Assembléia Mundial do envelhecimento. 2002; Abril 8-12; Madri: ONU. 3 Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2006. 4 Vieira DLFC, Sobral B. O corpo envelhece, a sexualidade não: AIDS no diagnóstico dife- rencial entre as doenças comuns nos idosos. International Clinical Medicine. 2009; 2(B6). 66 CONHECIMENTO DE CUIDADORES FAMILIARES DE PORTADORES DE ALZHEIMER: O OLHAR SOBRE AS AÇÕES DESENVOLVIDAS NO CUIDAR Danielle Lopes de Alencar Katarina Luna Leite Katy Joyce Gomes da Silva Eliane Maria Ribeiro de Vasconcelos Universidade Federal de Pernambuco – UFPE INTRODUÇÃO O envelhecimento é um processo universal que é compreendido por uma redução das atividades funcionais e possui algumas tendências em relação às enfermidades que levam continuamente a construção de políticas para o idoso, seja a nível nacional, seja internacio- nal 1. O aumento da expectativa de vida da população implicará em uma maior surgimento de doenças crônico degenerativas com conseqüente aumento nos custos do sistema de saúde 2. Neste contexto está inserida a doença de Alzheim er (DA) com o um a forma de demência que afeta o idoso e com prom ete sobrem aneira sua integri- dade física, mental e social, acarretando um a situação de dependência total com cuidados cada vez m ais com plexos, quase sem pre realizados no próprio dom icí- lio3. É um a doença degenerativa e progressiva, geradora de m últiplas dem andas e altos custos fi nanceiros, fazendo com que isso represente um novo desafi o para o poder público, instituições e profi ssionais de saúde, tanto em nível nacio- nal, quanto mundial (3). As alterações fi siológicas e biológicas no idoso exigem parti- cipação e ajuda dos familiares e/ou dos cuidadores. Através da proximidade física e dos vínculos emocionais, o sistema emocional da família é profundamente abalado, passam a se impor privações e modifi cações no estilo de vida para incluir as novas necessidades de seu membro doente 4. A DA, além de comprometer o idoso portador, afeta de maneira ímpar sua família, exigindo por parte desta que novos ajustes surjam em sua dinâmica. Alguns familiares irão assumir a tarefa de cuidar do idoso portador de DA, onde muitos possivel- mente não receberam nenhum preparo ou treinamento específi co, com subseqüente ônus físico, psicológico, social e fi nanceiro 5. Diante da problemática dos cuidadores frente aos portadores da DA o estudo objetivou em investigar o conhecimento dos cuidadores/familia- res de portadores de DA sobre as ações no processo de cuidar. 67 METODOLOGIA Trata-se de um estudo de abordagem quantitativa do tipo descritivo- exploratório. Este tipo de estudo tem por objetivo proporcionar uma visão geral do tipo aproximativo a cerca de determinado fato e tem como principal fi nalidade esclarecer e modifi car conceitos e idéias, com vistas à formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis 6. O estudo foi realizado no ambulatório de neuropsiquiatria do Núcleo de Atenção ao Idoso (NAI), localizadono campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no município de Recife – PE. A amostra foi composta por 25 cuidadores/familiares de pacientes com DA que são cadastrados no NAI/UFPE no mês de dezembro de 2006. Foram escolhidos de forma aleatória e que preenchessem os seguintes critérios de inclusão: Serem maiores de 18 anos; Alfabetizados; Que tivessem permanência com o paciente durante, no mínimo, 12 horas diariamente; Possuíssem grau de parentesco com o portador de DA. Utilizou-se como instrumento de coleta de dados, um roteiro de entrevista estruturada. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética em pesquisa do Hospital Agamenon Magalhães do Recife - PE sobre o processo nº 250106 e foi norteado pela resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde que normaliza a pesquisa envolvendo seres humanos. RESULTADOS E DISCUSSÕES O resultado revela que 80% (20) dos cuidadores são do sexo feminino e 20% (5) são do sexo masculino, dos 25 cuidadores 40% (10) são idosas, refl etindo que os indivíduos acima de 60 anos são predominantes neste cuidar. Segundo Caldas (2002), a feminilização do ato de cuidar esta fundamentada na tradição, pois no passado as mulheres permane- ciam em casa, logo, disponíveis para este tipo de atividade. Dados confi rmados através da pesquisa realizada por Chaves 7, em que a maioria dos cuidadores entrevistados (39,5%) estava na faixa etária acima de 60 anos, reforçando que existem muitos idosos cuidando de idosos. Garrido e Menezes (2004) em estudos afi rmam que os cuidadores acima de 65 anos ou mais se encontram em maior numero (26,5%). Quanto à escolaridade, 72% (18) dos entrevistados encontravam-se entre os níveis fundamental e médio. Do total, 28% (7) encontravam-se no nível superior, sendo 24% (6) com nível fundamental e 48% (12) com nível médio completo. Quanto ao parentesco, revela que esposas (28%) e fi lhas (48%) constituem as que mais se responsabilizam pelo ato de cuidar. Segundo Caldas amigos, vizinhos, membros da comunidade e predominantemente a família participam do sistema de suporte informal no cuidado dos idosos. Quanto à con- ceituação de DA os cuidadores assinalaram a doença de acordo com seus sintomas, isso 68 pode inferir a importância de haver um treinamento para os cuidadores, no que se refere ao estimulo e medidas que retarde a evolução da doença, como também o cuidado ade- quado de acordo com nível de comprometimento do portador. Quanto aos cuidados diante da prevenção de acidentes adequando o domicilio as limitações do portador de DA as mais observadas, foram: retirar os tapetes 38,5% (5), afastar e/ou retirar moveis 30,8% (4), colo- car grades na cama 30,8% (4), corrimão nos banheiros 23,1% (3) e tapetes antiderrapantes no Box 15,4% (2) e 7,7% (1) ofereceram as seguintes adequações do domicilio: colocar objetos de uso ao alcance do paciente, mudar o portador de cômodo, retirar portas da casa, evitar produtos de limpeza escorregadios. Perracini in Caovilla e Canineu8 reforçam que ambientes adaptados alem de diminuir a agitação, agressividade e a dependência aumen- tam a segurança do portador de DA e facilitam a vida do cuidador. Dos cuidadores que esti- mula atividades de lazer, foram observadas as atividades: passeios 76,4% (13) e atividade física 35,55 (6). O cuidar é dividido com outras pessoas, sejam familiares ou não em 52% (13). Enquanto que 48% (12) não divide o ato de cuidar fi cando sobrecarregados levando a uma fadiga física, mental e emocional o que acarretara na saúde do mesmo e na qualidade do cuidar. No relato sobre a falta de paciência, 68% (17) dos cuidadores a referem, dentre estes 32% (8) a falta de paciência apresentou-se na fase inicial da doença, 20% (5) na fase moderada e 16% (4) na fase avançada. O que vem reforçar o observado na literatura uma vez que a falta de paciência vem pela sobrecarga física, emocional e socioeconômica do cuidado a um familiar demenciado 9. A maioria dos cuidadores entrevistados, 36% (9) dos cuidadores, afi rmaram que a impaciência no ato de cuidar se apresenta numa freqüência de 01 a 02 vezes na semana e 8% (2) apresentam uma impaciência todos os dias. CONCLUSÃO Nas doenças crônicas ocorrem situações de crises, limitações e perdas que irão infl uenciar na estrutura familiar. O equilíbrio deste sistema, a família, pode ser resgatado desde que se mobilizem recursos necessários juntamente com a equipe de saúde, que deve estar atenta as necessidades da mesma, ampliando a assistência nos âmbitos físico, psíquico e principalmente emocional a esta rede de apoio tão fundamental ao portador do mal de Alzheimer. O estudo permitiu a oportunidade de observar através dos cuidadores/ familiares de DA as ações e modifi cações ocorridas na estrutura familiar, bem como o impacto da doença crônica na vida do cuidador. Tal constatação permite concluir que o cui- dador/familiar precisa de um apoio dos profi ssionais de saúde, pois o mesmo auxiliara na promoção, orientação e suporte para adaptação das modifi cações sofridas pelo portador de DA, facilitando assim, a assistência adequada voltada para as necessidades básicas apresentadas pelo familiar demenciado. 69 REFERÊNCIAS 1. Camacho ACLF; Coelho MJ. Políticas públicas para a saúde do idosos: revisão siste- mática. 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CAOVILLA, Vera Pedrosa; CANINEU, Paulo Renato, Você não está sozinho: Ela não sabe que sou sua fi lha, mas eu sei que ela é minha mãe. 1a Ed. São Paulo – SP, Editora ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer), 2002. 9. Caldas, CP, Contribuindo para a construção da rede de cuidados: trabalhando com a família do idoso portador de síndrome demencial. Textos sobre Envelhecimento Rio de Janeiro, 2002,4(8). 70 PROMOVENDO A SAÚDE E A CIDADANIA DO IDOSO: CONTRIBUIÇÕES DE UM CENTRO DE CONVIVENCIA PARA A TERCEIRA IDADE2 Jaquelline Pereira Moura3 Maria Aparecida da Costa Araújo Amaral4 Alberiza Veras de Albuquerque5 Jank Landy Simôa Almeida 6 Por ser o envelhecimento um processo dinâmico e progressivo, no qual há modifi - cações morfológicas, fi siológicas, bioquímicas e psicológicas (1), há a concepção de que a qualidade de vida na terceira idade, em parte, está interligada a capacidade do idoso para manter a autonomia e a independência(2), uma vez que é no envelhecimento que ocorrem as perdas progressivas da capacidade funcional e de adaptação do indivíduo ao meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos pato- lógicos(1). Percebendo-se o aumento dessa população idosa, surge também a necessidade de desenvolver estudos voltados para esse grupo etário, principalmente no que concerne a qualidade de vida. Por isso, trabalhar questões relacionadas à capacidade funcional e a autonomia do idoso pode ser mais importante que a própria questão da morbidade, pois se relacionam diretamente à qualidade de vida (3). Os centros de convivência da terceira idade estimulam ações de promoção da saúde com o comprometimentoda qualidade de vida durante o processo de envelhecimento, proporcionando aos idosos o respeito e a cida- dania. Assim, acreditando na importância da participação dos idosos no grupo da terceira idade para a melhoria da capacidade funcional, e conseqüentemente da sua qualidade de vida, o presente estudo objetivou analisar a repercussão da disposição física antes e depois da participação no grupo de idosos. O estudo foi do tipo descritivo, exploratório com abordagem quantitativa, realizado no Centro Municipal de Convivência do Idoso no município de Campina Grande-PB, em Junho de 2010, contando com uma amostra de 40 idosos de ambos os sexos. Os participantes da pesquisa foram abordados de forma não probabilística dentre uma população de 90 integrantes do grupo. A pesquisa foi viabi- lizada após sua aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual 2 Texto extraído de monografi a intitulada “Percepção dos idosos de um centro de convivência em Campina Grande-PB sobre a quali- dade de vida diária” da UNESC Faculdades. 3 Enfermeira. Graduada pela UNESC Faculdades – Campina Grande (PB). E-mail: jack_pmoura@hotmail.com 4 Enfermeira. Graduada pela UNESC Faculdades – Campina Grande (PB). E-mail: mariaapar2009@hotmail.com 5 Enfermeira. Graduada pela UNESC Faculdades – Campina Grande (PB). E-mail: alberiza_veras@hotmail.com 6 Enfermeiro. Mestrando do Curso de Pós-Graduação de Enfermagem /UFPB. Professor auxiliar da UFCG e UNESC – União de Ensino Superior de Campina Grande/ PB. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Saúde, Mulher e Gênero – GEPSAM. E-mail: jankalmeida@ig.com.br 71 da Paraíba, sob nº de CAAE 0180.0.133.000-10, respeitando-se os princípios éticos para realização de pesquisa envolvendo seres humanos. Para coleta de dados foi aplicado um questionário conduzido pelo próprio pesquisador, utilizando-se para tabulação e organi- zação destas informações os programas Microsoft Excel e Microsoft Word, versão 2007. Diante dos resultados apresentados, 75% dos idosos entrevistados responderam que antes de freqüentarem o grupo de convivência não apresentava a mesma disposição para a rea- lização de suas tarefas diárias. Destarte, a maioria dos idosos participantes das reuniões promovidas pelo centro de convivência afi rmou uma melhoria da qualidade de vida, após a participação no grupo. Outro estudo reafi rma que os freqüentadores de centros como o referido não costumam apresentar sinais de depressão, relacionam-se bem com suas famí- lias e amigos e, geralmente são independentes no que diz respeito à realização das ativi- dades básicas do dia-a-dia e apresentam uma boa saúde (4). A literatura científi ca (5) ainda afi rma que os idosos que freqüentam centros de convivência têm mais domínio físico, psi- cológico e ambiental, pois através das atividades desenvolvidas em espaços como esses, são oferecidas atividades físicas, terapias e ofi cinas que ajudam a manter a resistência muscular, força do fl uxo sanguíneo, manutenção e melhoria na densidade corporal óssea, do equilíbrio e da coordenação. De forma geral, os projetos realizados nesses centros de convivência têm o objetivo de dinamizar os trabalhos que contemplam desde a posição política frente à linha de ação governamental, até a ampliação do acesso aos benefícios e serviços nos quais o cidadão idoso tem direito. Ações como essas aumentam o acesso a informações que sensibilizam os idosos sobre a consciência de seus direitos e deveres, mobilizando e estimulando esses cidadãos a continuarem assumindo suas posições frentes à vida política, cultural e econômica da sociedade. Com isso, o idoso buscará fortalecer-se através de suas próprias participações públicas em eventos de diferentes âmbitos, mos- trando-se atuantes e valorizados. Sabendo-se que o envelhecimento manifesta-se, através do declínio das funções dos diversos órgãos, tendendo a ser linear em função do tempo, sem defi nir um ponto exato de transição, uma das maiores preocupações dos idosos está relacionada à perda da autonomia. Para esta população, a saúde está relacionada dire- tamente com a independência, a capacidade para fazer as coisas, trabalhar, poder ir e vir, mesmo que portem alguma doença crônica(6). O presente estudo confi rmou um dado relevante quanto a este aspecto, apontando que 97,5% dos idosos realizam atividades de vida diária (AVD) sozinhos, sendo considerados assim independentes para estas. A idade avançada não é razão sufi ciente para o comprometimento da capacidade funcional (7), e sim um fator associado a outras doenças, o que leva ao surgimento das incapacidades físicas no idoso, resultando no desenvolvimento da dependência e na perda da autonomia. Os par- ticipantes do Centro Municipal de Convivência do Idoso de Campina Grande-PB afi rmaram que a participação neste grupo da terceira idade pode proporcionar bem estar. Este bem 72 estar referendado, se deve ao fato de que a inserção de idosos em grupos de convivência redimensiona a sua identidade, causa satisfação pessoal e contribui para com o aumento dos relacionamentos, o reconhecimento do outro perante o grupo, a construção de novos laços de relação e novas formas de compartilhar o aprendizado com novos indivíduos (8). Assim, os idosos buscam nestes grupos desfrutar do laser oferecido, para manterem-se ativos, viverem novas experiências e sentirem-se livres e autônomos frente às suas esco- lhas. Nesses espaços sociais, deixa-se de viver apenas uma vida doméstica e assumi-se a participação em áreas de laser e produção (9). Analisando-se os resultados da presente pesquisa, conclui-se que os respondentes do estudo vêem as atividades físicas, artísticas e culturais desenvolvidas no grupo de terceira idade do Centro Municipal de Convivência do Idoso como práticas sociais, que além de proporcionar bem-estar contribuem para melhorar a saúde e, conseqüentemente a qualidade de vida. Diante deste contexto afi rma-se que as atividades desenvolvidas no Centro de Convivência proporcionam aos idosos uma maior predisposição física para o desenvolvimento de atividades cotidianas, melhorando também a auto-estima e a interação social entre eles. Descritores: Envelhecimento. Qualidade de vida. Saúde do idoso. REFERÊNCIAS 1. CARVALHO F, Eurico Thomaz de; NETTO, Matheus Papaléo. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. 2. Ed. São Paulo: Atheneu, 2006. 2. FREITAS Maria Célia de, QUEIROZ Terezinha Almeida, SOUSA Jacy Aurélia Vieira de. O signifi cado da velhice e da experiência de envelhecer para os idosos. Rev. esc. enferm. USP [serial on the Internet]. 2010 June [cited 2011 July 26] ; 44(2): 407- 412. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080- 62342010000200024&lng=en. doi: 10.1590/S0080-62342010000200024. 3. CHAIMOWICZ, Flávio. A saúde dos idosos brasileiros às vésperas do século XXI: problemas, projeções e alternativas. São Paulo, 1997. Disponível em: .Acesso em: 13 de setembro de 2010. 4. MARQUES, Fernanda. Grupos de convivência melhoram qualidade de vida dos idosos. Belo Horizonte, 2009. Disponível em: . Acesso em: 16 Set. 2010. 73 5. SILVIA, Taís Estevão; REZENDE, Carlos Henrique Alves.Avaliação transversal da qualidade de vida de idosos participantes de centros de convivência e institu- cionalizados por meio do questionário genérico WHOQOL-BREF.2010. Disponível em: . Acesso em: 26 Out. 2010. 6. PIRES, Zenith Rose dos Santos; SILVA, Maria Josefi na. Autonomia e capacidade decisória dos idosos2007; 41(3):378-85. 4. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Resolução da Diretoria Colegiada - RDC n° 283. Ministério da Saúde: Brasília, 2005. 5. Granger CV, Hamilton BB, Keith RA, Zielezny M, Sherwin FS. Advances in funciotnal assesment for rehabilitation. In: Rockville, MD. Topics in geriatric rehabilitation. Aspen, 1986. 6. Lawton MP, Brody E. Assement of older people: self maintaining and instrumental activi- ties of daily living. Gerontologist 1969; v.9, n.3, p.179-186. 5 7. Folstein MF, Folstein SE, Mchugh PR. Mini-mental state: a practical method for grading the cognitive state of patients for the clinician. J. Psychiatr. Res 1975; 12:189-98. 8. Bertolucci PHF, Brucki SMD, Campacci SR, JulianoY. 1994. O Mini do Estado Mental em Exame uma população geral: impacto da escolaridade. Arq. Neuro - Psiquiatr., São Paulo, 52, 1-7. 9. Oliveira DLC, Goretti LC, Pereira LSM. 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Isabellaguedespianco@hotmail.com Francisco Assis Dantas Neto Graduando de enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas de Campina francisco_dantas@hotmail.com INTRODUÇÃO A dor pode ser classifi cada de duas formas, crônica e aguda, dor aguda é relacio- nada a traumas, infl amações, tende a desaparecer com a cura da lesão. Dor crônica é que persiste além do prazo esperado para a cura de uma lesão, geralmente há mais de três meses, ou que está relacionada a um processo patológico crônico. O enfermeiro está ati- vamente ligado aos dois tipos. Desta forma o enfermeiro deve exercer o papel no controle da dor, tendo responsabilidade na avaliação diagnóstica, na intervenção e monitoração dos resultados, no tratamento e na comunicação das informações sobre a dor do cliente.1.A dor hoje é vista como o quinto sinal vital que foi acrescentado com o intuito de despertar a preocupação dos profi ssionais de saúde em consideração ao tratamento da dor. Todas as instituições médicas devem enfocar seriamente a dor e comunicar a seus pacientes que eles têm o direito a ter a sua dor avaliada e tratada, pois, o cliente pode referir a sua dor verbalizando, através de movimentos faciais ou gestos para aqueles que não podem falar, onde, um profi ssional de saúde atualizado, capacitado e experiente, verá e logo ini- ciará terapia para diminuição e extinção da mesma. Sendo assim, a dor afeta milhões de 7 pessoas em todo o mundo e se mostra como o principal motivo de consultas médicas. Vários estudos demonstram que, apesar do desenvolvimento de numerosos medicamentos analgésicos, muitos pacientes ainda vivenciam dores severas. Porém, a dor e seu controle tem recebido pequena prioridade e atenção pelos profi ssionais de saúde, surgindo neste contexto o profi ssional acupunturista que enfoca a dor mais seriamente e de forma intensa, propondo as escolas de saúde e em especial de enfermagem que se dediquem um pouco mais a estimular e até sugerir outras áreas dentro da saúde para o melhor desempenho e sucesso do bacharel.2, refere que o enfermeiro é o profi ssional da área da saúde que per- manece mais tempo junto ao paciente com dor, além de ser uma profi ssão que possui um corpo de conhecimento próprio, voltado para o atendimento humano, nas áreas de promo- ção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde.Na velhice existem doenças que se tornam mais prevalentes como, a hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus, osteoporose, aterosclerose, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), a depressão e as demências, onde, em sua maioria a dor esta presente. Existem também as alterações características de um envelhecimento normal como a diminuição da força muscular, elasti- cidade dos tecidos e da agilidade motora, podendo afetar de maneira direta ou indireta as atividades de vida diárias (AVD’s) e até a atividade sexual.3. OBJETIVOS Sendo assim, o trabalho tem a fi nalidade de demonstrar os benefícios da Acupuntura Auricular e Auriculoterapia nos alunos idosos da Escola Municipal Melo Leitão; Avaliar as mudanças que a Acupuntura Auricular proporcionou na vida dos idosos e Identifi car as prin- cipais difi culdades enfrentadas para realização da Acupuntura Auricular e Auriculoterapia nos alunos idosos da Escola Municipal Melo Leitão do período da noite para alivio destas dores. METODOLOGIA O trabalho foi realizado no município de Campina Grande em uma turma única de idosos na Escola Municipal Melo Leitão. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória, descritiva, com a possibilidade de quantifi car através de gráfi cos alguns dados sócio demográfi cos. A população da pesquisa é constituída por 40 alunos idosos através de seus respectivos empenhos, porém, apenas 20 alunos idosos participaram da amostra, representando 50% do total de alunos idosos do serviço. A participação das pessoas envolvidas na pesquisa foi totalmente voluntária e consciente. Dentro dos critérios de inclusão foi requerido idade 8 superior a 60 anos de idade, interesse em conhecer a terapia por parte dos alunos idosos, idosos portador de qualquer tipo de dor; reclamações constantes por parte dos alunos de dores de cabeça, nas pernas, nos ombros, na coluna, nos olhos, dores pelo corpo de modo geral e sonolência, disponibilidade para realizar as sessões acupunturais e ser estudante noturno da Escola Municipal Melo Leitão no município de Campina Grande-PB. RESULTADOS E DISCUSSÃO Participaram da pesquisa 20 alunos idosos, o que corresponde a 50% dos alunos ido- sos matriculados na escola, destes 100% são proveniente de Campina Grande, 75% dos idosos eram do sexo feminino, 70% dos idosos moram com seus fi lhos, 65% dos idosos apresentavam dores, 65% apresentaram a dor como principal limitação e 85% destes ido- sos apresentaram boa aceitação a terapia. Na análise dos dados qualitativos foram identi- fi cadas as seguintes categorias: No que se refere ao local da dor: 1) Membros Superiores e inferiores; 2) Coluna Vertebral; No que se refere ao inicio das dores- 1) Após sofrer uma queda; 2) Avançar da idade; No que se refere as mudanças ocorridas após ade baixa renda: uma problemática a ser considerada na saúde do idoso. Goiânia, 2001. Disponível em:. Acesso em: 21 Set. 2010. 7. DIOGO, Maria José D’Elboux. A dinâmica dependência-autonomia em idosos sub- metidos à amputação de membros inferiores. Ribeirão Preto, 1997. Disponível em: . Acesso em: 25 de outubro de 2010. 8. BULSING, Francine Letiele; et. al. A infl uência dos grupos de convivência sobre a auto-estima das mulheres idosas de Santa cruz do sul – RS. Santa Cruz do Sul, 2007. Disponível em: . Acesso em: 30 Set. 2010. 9. OLIVEIRA, Maria da Guia; CABRAL, Benedita Edina S. L. O laser nos grupos de convivência para idosos: prática renovada de sociedade. Campina Grande, 2004. Disponível em: . Acesso em: 30 Set. 2010. 74 EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO ENVELHECIMENTO: ESPAÇO DE PARTILHA E EMPODERAMENTO Verbena Santos Araújo – UFPB/FMN INTRODUÇÃO O Brasil vive o fato do envelhecimento não ser mais sinônimo de adoecimento, onde atualmente há subsídios para melhorar a qualidade de vida dos idosos, que adentram à terceira idade de forma saudável, e não cheios de doenças típicas, como outrora acontecia. Nesse contexto, a educação em saúde apresenta-se como uma ferramenta instigadora do cuidado integral e de empoderamento aos idosos e sua família, uma vez que, permite uma aproximação do conhecimento cientifi camente produzido no campo da saúde com a vida cotidiana das pessoas, oferecendo desse modo subsídios para a adoção de novos hábitos e condutas em saúde(1). O empoderamento é um processo em que uma coletividade adquire poder à medida que fortalece laços de coesão, capacita-se e habilita-se para promover seu auto-desen- volvimento(2).Nessa perspectiva, a Educação em Saúde constitui-se como uma excelente ferramenta de empoderamento, quando abre espaço para o diálogo, para a escuta, para a fala e partilha de experiências do cotidiano, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Em função da singularidade do tema proposto e do panorama atual em que o Brasil se encaixa hoje, no tocante ao aumento da expectativa de vida das pessoas, tornou-se realmente importante conhecer as experiências vivenciadas pelos profi ssionais de saúde envolvidos em relação a temática proposta. Partindo-se desse pressuposto, traçou-se o seguinte objetivo para esse trabalho: Verifi car a contribuição da Educação em Saúde, vol- tada para os idosos, enquanto espaço de partilha e empoderamento. METODOLOGIA A pesquisa foi subsidiada a partir da estratégia da História Oral Temática, uma interface da História Oral, defi nida como um “recurso moderno usado para a elaboração de docu- mentos, arquivamentos e estudos referentes à vida das pessoas”(3). O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética do Hospital Universitário Lauro Wanderley, sob protocolo CEP/WULW 75 no. 093/10 e respeitou todas as etapas metodológicas, norteadas pelas observâncias éticas contempladas nas Diretrizes e Normas Regulamentadoras da Pesquisa Envolvendo Seres Humanos, estabelecidas pela Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde(4). A comunidade de destino foi representada por 12 profi ssionais de saúde atuantes na Estratégia de Saúde da Família/C.G., que estavam efetivamente desenvolvendo ações de saúde relacionadas ao objeto de investigação deste estudo, a Educação em Saúde voltada aos idosos. Para a execução desta pesquisa empírica elegeu-se para a sua viabilização como instrumento, a técnica de entrevista a qual foi guiada pela seguinte pergunta de corte: Como a Educação em Saúde voltada para os idosos abre espaço para a partilha e o empo- deramento na Estratégia Saúde da Família? A discussão do material produzido foi toda guiada pelo tom vital das narrativas, prece- dida por leituras exaustivas, iluminadas pelos autores que compõem a literatura pertinente, na busca de compreender o universo que tange as narrativas, no contexto temporal. RESULTADOS E DISCUSSÃO O empowerment é um conceito bastante complexo, que traduz noções de diversas áreas do conhecimento(5). Faz parte do campo de ação da promoção da saúde, campo que é defi nido como um processo de desenvolvimento na comunidade, da capacidade de con- trole e habilidades para gerar mudanças nos condicionantes sociais da saúde, a partir da mobilização coletiva, sendo, portanto, uma importante estratégia de ganho para a saúde(6). Sendo a Educação em Saúde de extrema importância na consolidação histórica de uma assistência integral aos indivíduos, pode ser caracterizada como instrumento de empoderamento e de alargamento do cuidado a saúde(7) pois, dentre os diversos aspectos desencadeadores do empowerment, o papel dos profi ssionais de saúde, enquanto edu- cadores, assume grande importância, já que reconhecem e valorizam os recursos poten- ciais dos indivíduos e comunidades, enquanto coparticipantes e cogestores do processo de saúde, como podemos apreciar no tom vital da colaboradora Diamante: [...] tenho imensa satisfação em executar ações de Educação em Saúde, pois os idosos participam e contri- buem signifi cativamente. Esse fenômeno é, de fato, indispensável para a mudança de paradigmas equivocados sobre o processo de saúde e para a mudança de comportamento dos sujeitos envolvidos, como podemos verifi car mediante a revelação da colaboradora diamante: [...] eles mesmos nos ajudam a educar os outros mais novos, e nos dão sempre resposta do que desenvol- vemos através da fala para eles. Por exemplo: aquele idoso que não fazia caminhada, hoje a gente vê aos poucos fazendo, e essa resposta é importante [...]. 76 O processo de empoderamento é como um processo em que uma coletividade adquire poder à medida que fortalece laços de coesão, capacita-se e habilita-se para promover seu autodesenvolvimento (8). Nesse contexto, a Educação em Saúde apresenta-se como uma ferramenta instigadora do cuidado integral e de empoderamento aos idosos e sua família, uma vez que, permite uma aproximação do conhecimento cientifi camente produzido no campo da saúde com a vida cotidiana das pessoas, oferecendo dessa forma subsídios para a adoção de novos hábitos e condutas em saúde(9). O conceito de empowerment traduz a idéia de poder e de controle, de maneira posi- tiva, centrada no individuo em prol de melhorar a sua qualidade de vida(9). Como exibe o depoimento da colaboradora Rubi: [...] com certeza, as atividades educativas vão, de alguma forma, chegar até os usuários idosos e promover neles algum tipo de melhoria na qualidade de vida através da prevenção [...]. Sendo assim, o empoderamento torna-se um elo primordial para que aconteça a aprendizagem dialógica e o desenvolvimento de consci- ência crítica, instigando o idoso a procurar alternativas viáveis para obter o viver saudável próprio, autônomo e personalizado(10). Entretanto, para que se constitua um feedback positivo as colaboradoras apostam na escuta qualifi cada da demanda de necessidades dos usuários, importante do ponto de vista prático, pois é a partir daí que será gerado o diálogo e poderão ser traçadas as ações educativas mais viáveis no sentido de sanar as expectativas imediatas dos idosos em rela- ção às questões de saúde, como observado no depoimento a seguir: [...] buscamos saber deles o que realmente gostariam que fosse abordado nos encontros, quais são os temas que eles necessitam saber[...] (Opala). As ações educativas proporcionam para os profi ssionais de saúde um espaço de descobertas e partilha de experiências, um espaço de escuta e diálogo, que fortalecerão o vinculo entre eles e os idosos e provocarão um feedback positivo, além de facilitar no mecanismo de ensino-aprendizagem,uma vez que essa troca de informações ajudará na identifi cação e análise crítica dos problemas que permeiam a vida desses usuários e na ela- boração de estratégias de ação em busca da melhoria da sua qualidade de vida, como nos revela o tom vital da colaboradora Pérola: [...] a partir do momento que se tem esse espaço de conversa, de diálogo, é que realmente se faz Educação em Saúde. Em síntese, a Educação em Saúde é pressuposto básico para o empoderamento, e quando ela se dá, todos os participantes dela devem se colocar como integrantes do pro- cesso de educar continuamente, transformando-os em sujeitos mais críticos e criteriosos em relação a sua saúde, além de agentes participativos do processo de mudança da sua própria realidade, constituindo-os como cidadãos e protagonistas de sua história de vida. 77 CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise do material empírico evidenciou a necessidade da Educação em Saúde, de maneira emponderada, tornar-se uma prática regular na atenção básica, principalmente quando esta prática se direciona aos idosos. Os relatos dos colaboradores revelaram que a educação empoderada permite a troca de experiências e os aproxima dos idosos, criando vínculos de confi abilidade, garantindo o sucesso do processo, a partir da recepção ativa do conhecimento e posterior mudança de comportamento. Os colaboradores reafi rmaram o compromisso de promover as ações educativas enquanto propostas de fi rmação do empoderamento, abrindo espaço para a partilha e a troca de experiências entre os sujeitos envolvidos. A Educação em Saúde refl ete-se como uma estratégia promissora na conscientização e participação social, como meio para se atingir os fi ns de promoção da saúde numa visão geral e não apenas na prevenção ou meramente na cura das enfermidades. E, assume um papel muito mais amplo, de formar opiniões e de mudá-las, num tra- balho árduo e à longo prazo, que se baseia na confi ança entre o profi ssional de saúde que atende e o usuário que é atendido. REFERÊNCIAS 1. Alves VS. Educação em saúde e constituição de sujeitos: desafi os ao cuidado no programa saúde da família. Dissertação (mestrado) – Instituto de Saúde Coletiva. Salvador; 2004. 2. Nascimento HM. Capital Social e Desenvolvimento Sustentável no Sertão Baiano: A Experiência de Organização dos Pequenos Agricultores do Município de Valente. Dissertação (mestrado) – Instituto de Economia da UNICAMP. Campinas; 2000. 3. Bom Meihy JCS. Manual de História Oral. São Paulo: Loyola; 2005. 4. Ministério da Saúde (BR), CNS. Res.196: diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos. Brasília; 1996. 5. Carvalho SR. Os múltiplos sentidos da categoria “empowerment” no projeto de promo- ção a saúde. Cad. Saúde Pública. 2004; 20(4):1088-1095. 78 6. Ministério da Saúde (BR). Promoção da Saúde: carta de Otawwa, declaração de Adelaide, declaração de Sundsvall, Declaração de Bogotá. Brasília; 1996. 7. Saupe R, Wendhausen A. Concepções de Educação em Saúde e a estratégia de saúde da família. Texto Contexto Enferm. 2003; 12(1): 17-25. 8. Nascimento H M. Capital Social e Desenvolvimento Sustentável no Sertão Baiano: A Experiência de Organização dos Pequenos Agricultores do Município de Valente. [dis- sertação]. Campinas: Instituto de Economia da UNICAMP; 2000. 9. Alves V S. Um modelo de Educação em Saúde para o Programa Saúde da Família: pela integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. Interface - Comunic., Saúde, Educ.2004/2005; 9(16):39-52. 10. Carvalho GS. Literácia para a saúde: um contributo para a redução das desigualdades em saúde. In: Leandro M, Araújo M, Costa M, organizadores. Saúde: as teias da discri- minação social. Braga: Universidade do Minho; 2002. 79 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS: UMA PERSPECTIVA DE PROMOÇÃO À SAÚDE Maíra Creusa Farias Belo - Profª Orientadora Esp.- UNESC Faculdades - UEPB Gabriela Brasileiro Campos Mota – Profª MSc. da FCM e UEPB Leiliane Cléia de Sousa – Fisioterapeuta graduada na UNESC Faculdades INTRODUÇÃO Ultimamente, o Brasil vem demonstrando um novo padrão demográfi co que se caracte- riza pela redução da taxa de crescimento populacional e por modifi cações na composição de sua estrutura etária, com um signifi cativo aumento do contingente de idosos (IBGE, 2009). Nesse contexto até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. Tal processo de transição ocasiona redução na disponibilidade de cuidadores domiciliares, contribuindo para a necessidade de institucionalização, ocasionando uma qualidade de vida (QV) ruim. Nessa problemática, o idoso institucionalizado constitui, quase sempre, um grupo pri- vado de seus projetos, pois encontra-se afastado da família, da casa, dos amigos, das relações nas quais sua história de vida foi construída. Pode-se associar à essa exclusão social as marcas e seqüelas das doenças crônicas não transmissíveis, que são os motivos principais de sua internação nas ILP’s (PELEGRIM, 2008). Diante destas evidências o presente estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida de idosos institucionalizados residentes em uma instituição de longa permanência (ILP) da cidade de Lagoa Seca-PB. METODOLOGIA A pesquisa do ponto de vista de seus objetivos foi descritiva, exploratória, quantitativa e transversal. Com relação aos procedimentos técnicos, a pesquisa se enquadra na cate- goria de campo. A pesquisa foi realizada em uma ILP localizada no Sitio Rosa Branca, na cidade de Lagoa Seca, no estado da Paraíba, denominada Lar da Sagrada Face. O período de coleta de dados se deu entre os dias 11 e 15 do mês de Abril de 2011, após autorização das enti- dades envolvidas. 80 A população foi composta por 13 idosos da referida ILP. A amostragem foi do tipo não- -probabilística, de caráter intencional, por conveniência, incluindo 10 idosos, devido ao fato de que um idoso não apresentava nível cognitivo compatível com o questionário, o seguinte não aceitou participar da pesquisa e o último não se encontrava na ILP nos dias da coleta. Foram incluídos na pesquisa os participantes que: Assinaram o TCLE, faziam parte da ILP há no mínimo dois meses e que tinham 60 anos ou mais. Foram exclusos os partici- pantes que não tinham um nível de cognição compatível com o exigido para responder as perguntas. Como instrumento, utilizamos dois questionários: o primeiro, sóciodemográfi co atra- vés do qual foram obtidas as seguintes variáveis: sexo, idade, situação conjugal, quantidade de fi lhos, renda, procedência da renda, parentes vivos e a relação com os parentes, objeti- vando caracterizar a amostra em questão. O segundo, o WHOQOL-OLD (FLECK, 2006) foi desenvolvido para avaliar a QV de pessoas idosas. O módulo WHOQOL-OLD consiste em 24 itens atribuídos a seis domínios. Os domínios são: “Funcionamento do sensório” (FS), “Autonomia” (AUT), “Atividades passadas, presentes, futuras” (PPF), “Participação social” (PSO), “Morte e morrer” (MEM) e “Intimidade” (INT). Os dados coletados com o instrumento WHOQOL-OLD foram analisados seguindo as instruções do mesmo. Os dados foram tratados mediante a estatística descritiva, com a verifi cação de média e desvio-padrão. O cálculo dos escores do WHOQOL-OLD foi realizado através da analise estatística usando o pacote SPSS 17.0, utilizando sua função descritiva de proporção e distribuição de freqüência. Os resultados foram expostos sob a forma de gráfi cos, através do programa Microsoft Excel 2007. O estudo está de acordo com a resolução n° 196/96 do CNS. RESULTADOS E DISCUSSÕES Dos 10 idosos entrevistados, 60% estavam com idade entre 70 e 80 anos e 40% entre 80 e 90 anos. Destes, 50% eram do sexo feminino, 50% eram solteiros e 70% não possu- íam fi lhos. Dos entrevistados 90% possuem parentes vivos e sua relação com os mesmos é considerada para 20% deles boa e para 30% ruim. Estudos confi rmam que o nível educacional não estáassociado a variações na QV em idosos, sugerindo que os relacionamentos pessoais satisfatórios, seguidos de boas condi- ções de saúde e monetárias e atividade sexual são de fato os que mais contribuem para alterações na QV, em detrimento da idade, sexo, estado civil e educação (CELICH, 2008). 81 Quando comparados a QV entre os gêneros, o feminino obteve o escore maior, apre- sentando uma melhor QV; percebemos ainda que quanto melhor a relação com os parentes, mais elevado o escore. No que se refere aos escores de QV, eles são uma escala positiva (quanto maior o escore, melhor a QV), e não existem pontos de corte que determinem um escore abaixo ou acima do qual se possa avaliar a QV como “ruim” ou “boa”. No presente trabalho obtivemos as seguintes pontuações: para o domínio FS = 16, AUT = 6, PPF = 8, PSO = 14, MEM = 14, INT = 0, Totalizando um escore geral (overall) de 58 pontos. Analisando as facetas FS, AUT, PPF, PSO, MEM, INT isoladamente obtivemos os seguintes resultados. O primeiro domínio do questionário trata-se do FS e este avalia o impacto da perda do funcionamento dos sentidos (perdas na audição, visão, paladar, olfato, tato) na QV (FLECK, 2006). O valor encontrado foi de 16 pontos, o maior obtido entre os domínios. Uma das hipóteses propostas a respeito do resultado obtido é que para a maioria dos idosos a perda ou diminuição dos sentidos não afetam a QV, pois não os impossibilitam de se relacionar com os demais idosos. O domínio AUT avalia a independência do idoso para tomar suas próprias decisões, sentir que controla seu futuro, fazer as coisas que gostaria de fazer ou acreditar que as pes- soas ao seu redor respeitam sua liberdade (FLECK, 2006). O escore obtido foi de 6 pontos, o mais baixo encontrados dentre os domínios. Talvez uma explicação para o fato seja a de que os idosos em ILP’s não são respei- tados em relação a sua liberdade, os mesmos devem obedecer às regras da instituição em que se encontram e realizar as AVD’s com horários estabelecidos pelos responsáveis pelo local, não podendo expressar suas vontades e desejos, tendo que cumprir ordens. Nessa perspectiva, o estudo de Celich (2008), relata que a capacidade do idoso para a tomada de decisão, alicerçado no seu desenvolvimento psicológico-moral é um construto imprescindí- vel no processo de envelhecimento, estando relacionado aos domínios de QV. No que se refere às PPF é avaliada a satisfação com as realizações na vida, as opor- tunidades de novas realizações, reconhecimento merecido na vida, a felicidade com o que ainda se espera do futuro e com objetivos a serem alcançados (FLECK, 2006). O dado obtido na amostra foi de 8 pontos, o segundo menor escore entre os domínios. Tal dado corrobora com os resultados do estudo de Celich (2008) onde, as PPF alcançaram um escore baixo na sua amostra denotando a insatisfação em relação às conquistas da vida em comparação com aquilo que se anseia. Talvez a explicação para tal episódio seja que os idosos em ILP’s não almejam mais conquistas, estão conformados com as oportunidades que adquiriram anteriormente a ins- titucionalização, ou pelo menos estão adaptados com a nova vida. 82 Na avaliação da QV foram obtidos os escores médios e desvio padrão dos cinco domínios do WHOQOL-OLD (tabela 1) Tabela 1: Quadro dos escores médios e desvio padrão dos cinco domínios do WHOQOL-OLD na amostra de 10 idosos da referida ILP de Lagoa Seca/PB. Faceta ou domínio do WHOQOL-OLD N Média Desvio Padrão Funcionamento Sensorial 10 6,9500 7,33036 Autonomia 10 4,2500 3,00657 Atividades Passadas, Presentes e Futuras 10 4,2500 3,25859 Participação Social 10 4,8500 4,70470 Morte e Morrer 10 6,4500 7,34471 Escore Geral 10 5,3500 FONTE. Pesquisa direta, 2011. A interpretação do quadro dos resultados deve ser feito do seguinte modo: Os valo- res obtidos indicam proporcionalmente a QV: valores altos indicam alta QV associados ao domínio e os valores mais baixos o oposto. No domínio MEM ocorre o inverso. Os valores constados no desvio padrão demonstram-se altos devido ao fato de que as respostas dos participantes oscilaram muito, por causa das possibilidades de repostas ao questionário serem amplas, variando de 1 à 5. Em que cada participante interpreta seus domínios de forma particular, ou seja, o processo de envelhecimento, em sua dimensão física e funcional ocorre de forma diferenciada em cada pessoa. Muitos estudos foram encontrados sobre a investigação da QV em ILP e nesta faixa etária, entretanto, poucos aplicaram os instrumentos utilizados nesta pesquisa. Uma expli- cação pode ser o fato do questionário WHOQOL-OLD ter validação recente. Apenas quatro artigos foram encontrados sobre a validação deste instrumento pelo Grupo WHOQOL-OLD, que tratam apenas do processo de validação deste instrumento. Difi cultando a comparação entre os dados obtidos com os da literatura. CONCLUSÃO Com base na pesquisa realizada, foi possível concluir que idosos institucionalizados apresentam uma QV ruim, o que pode ser explicado ao vermos que os piores escores em relação aos domínios foram autonomia (AUT) e atividades passadas, presentes e futuras (PPF). Dessa forma, percebeu-se a importância da participação de profi ssionais da área da saúde, que sejam habilitados para poderem auxiliar nas limitações da capacidade funcional do idoso, buscando a reabilitação precoce e prevenindo a perda funcional. 83 A pesquisa realizada apresentou difi culdades em relação à escassez de estudos apli- cando o mesmo instrumento para a percepção de QV (WHOQOL-OLD). Devido à falta de publicações, houve insufi ciência de bases literárias para fundamentar de forma mais ampla o estudo. Sendo assim, outros estudos se fazem necessários em populações maiores, correla- cionando os escores da QV aos dados sócio-demográfi cos, a fi m de confi rmar as tendên- cias observadas nesse estudo, para que dessa forma seja possível determinar quais as reais necessidades da população em questão. REFERÊNCIAS Celich KLS. Domínios de qualidade de vida e capacidade para a tomada de decisão em idosos participantes de grupos de terceira idade. Tese (Doutorado) Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Instituto de Geriatria e Gerontologia. Doutorado em Gerontologia Biomédica. Porto Alegre: PUCRS, 2008. Fleck MPA. Projeto Desenvolvido no Brasil pelo Grupo de Estudos em Qualidade de Vida. Versão em Português dos Instrumentos de Avaliação de Qualidade de Vida (WHOQOL) 1998. Rio de janeiro, 2006. IBGE. Indicadores sociodemográfi cos e de saúde no Brasil, 2009. Disponível em: . Acesso em 05 de outubro de 2010. Pelegrin AKAP, et. al. Idosos de uma Instituição de Longa Permanência de Ribeirão Preto: níveis de capacidade funcional. EERP - USP. Arq. Ciênc. Saúde, 2008. 84 CÂNCER DE MAMA E MULHERES IDOSAS: DISCURSOS DAS PUBLICAÇÕES Smalyanna Sgren da Costa Andrade (UFPB) Kamila Nethielly Souza Leite (UFPB) Ana Aline Lacet Zaccara (UFPB) Joana D’arc Lyra Batista (UFPB) Tatiana Ferreira da Costa (UFPB) INTRODUÇÃO Nos últimos anos, países desenvolvidos e em desenvolvimento vêm enfrentando o envelhecimento de suas populações. Esse fenômeno mundial ocorre de maneira heterogê- nea entre esses países, estando relacionado ao aumento da expectativa de vida e o declí- nio das taxas de fecundidade e mortalidade (1). Mais recentemente, o Brasil vivencia uma mudança profunda no perfi l demográfi co da população como a feminização da velhice, que desperta o interesse de estudiosos, da sociedade e do governo (2). Essa feminização se explica em parte, pela maior expectativa de vida das mulheres, associada aos fatores como: menor consumo de álcool e tabaco e diferenças de atitude em relação às patologias (3). Para tanto, apesar das mudanças ocorridas no quadro epidemiológico da morbimor- talidade feminina, o câncer de mama despontacom uma das maiores causas de morte na população feminina e como o tipo mais comum de câncer feminino (4). Essa mortalidade por câncer, entre mulheres idosas, elevou-se de 1980 a 2002, três pontos percentuais (5). Ante a delicadeza do assunto, surgiu a necessidade de pesquisar o que a literatura discorre sobre o câncer de mama em idosas com o intuito de contribuir para a constru- ção de uma prática coletiva disseminada e complexa, imbricada em comportamentos das mulheres considerando seus determinantes sociais. A partir do exposto, objetivou-se iden- tifi car nas publicações os discursos mais predominantes que envolvem câncer de mama em idosas. 85 METODOLOGIA Trata-se de um artigo de Revisão Sistemática da Literatura, partindo da necessidade de avaliação de artigos que contemplasse o câncer de mama em idosas. Utilizou-se o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME) para a seleção das publicações, com base nas fontes LILACS e SciELO. Foram selecionados artigos oriundos de produções nacionais, devido às peculiarida- des das políticas públicas de saúde no Brasil voltada as mulheres; e a partir da década de 90, tendo em vista que no fi nal deste período passou-se a utilizar o conceito de “envelheci- mento ativo”, compreendido como o processo de otimização das oportunidades de saúde que visam promoção de modos de viver mais saudáveis (6). Utilizou-se o unitermo ‘câncer de mama’ AND ‘idosas’ para a busca, obtendo-se um total de dezoito artigos no idioma português, sendo onze trabalhos publicados em texto com- pleto. Destes, fi zeram parte da amostra apenas quatro artigos, haja vista que os demais não se trataram de pesquisas direcionadas a pessoas idosas, e sim no que concerne somente ao câncer de mama. Após a identifi cação dos artigos, realizou-se a leitura exaustiva dos mesmos, obser- vando-se o tema e conteúdos gerais para posterior organização dos discursos mais predo- minantes que atendessem ao objetivo da pesquisa. Em seguida realizou-se a combinação dos achados procurando capturar a idéia central do texto nas publicações. RESULTADOS E DISCUSSÃO As categorias geradas a partir da leitura de todos os artigos foram: ‘Educação em saúde sobre os métodos preventivos do câncer de mama’ e ‘O défi cit no enfoque do câncer de mama entre idosos’. • Educação em saúde sobre os métodos preventivos do câncer de mama O conhecimento sobre os sintomas do câncer de mama contribui para um diagnóstico precoce, sendo os profi ssionais de saúde responsáveis pela disseminação dessas infor- mações (7). Ante ao contexto, alguns exames diagnósticos devem ser utilizados, tais como mamografi a, ultrassonografi a, exame clínico das mamas, e orientações ao autoexame. Essas estratégias podem colaborar para uma redução do câncer de mama no país (8). Entretanto, grandes esforços por parte de instâncias governamentais e sociais pare- cem não possuir muito impacto acerca da adesão das mulheres idosas para realização 86 da mamografi a. A esse respeito, pesquisa evidenciou que a maioria das mulheres idosas nunca tinha se submetido a uma mamografi a em toda a sua vida (9), e ainda, que as mulhe- res mais jovens eram mais examinadas nas mamas do que as mais velhas (10). Isso aponta para a necessidade de programas de educação em saúde e reformulação das campanhas educativas que talvez pudessem abordar esse assunto por meio de uma linguagem clara para a mulher idosa. Desta forma, há uma lacuna na integralidade da assistência à mulher idosa, devendo- -se conscientizar para libertar. Diante disso, orientações em saúde sobre a frequência das consultas ginecológicas e quanto à importância em realizar periodicamente exames de detecção precoce, são de extrema importância, à medida que grande parte das mulheres ao fi m da menopausa acha desnecessário o cuidado ginecológico. A ação educativa com respeito mútuo cliente-profi ssional de saúde é um importante passo para que a mulher compreenda a importância do exame preventivo e sinta-se motivada a realizá-lo (8). • O défi cit no enfoque do câncer de mama entre idosos Na atualidade uma das maiores demandas assistenciais identifi cadas nos serviços de saúde referem-se ao atendimento da população idosa. Esse atendimento é centrado em doenças crônico-degenerativas, fi cando a assistência integral e preventiva um pouco negligenciada (2). Ante ao contexto, a prevenção deve ser entendida como toda medida tomada para evitar o surgimento de uma condição mórbida em pessoas ou coletividade (11). Desta forma, a prevenção do câncer de mama pode ser primária ou secundária, deve ser responsável por modifi car ou eliminar fatores de risco para essa neoplasia, ou enqua- drar-se no diagnóstico e tratamento dos cânceres precoces. Destaca-se que a prevenção ainda é a melhor maneira de combater este tipo de câncer, pois só assim a doença adquire melhores chances de cura (12). Diante do enfoque às doenças próprias do envelhecimento, ocorre uma desatenção à prevenção do câncer de mama, identifi cado no contexto da problemática de vários determi- nantes, dentre os quais: defi nição das prioridades no nível central dos programas, estabele- cimento de metas assistenciais acima da capacidade operacional e dos recursos humanos disponíveis e ainda os determinantes culturais e de gênero presentes no inconsciente da coletividade. Apesar do empenho das autoridades e da expansão de estratégias em saúde no país, frente à elevada incidência do câncer de mama evidencia-se certa lacuna nos pro- tocolos assistenciais no que se refere à prevenção dessa patologia em mulheres idosas (13). 87 CONCLUSÃO Embora se tenham inúmeras tentativas de conscientização sobre a importância da prevenção do câncer de mama, através da criação de programas específi cos por parte de órgãos competentes e divulgações pela mídia, é de suma relevância à orientação direta no decorrer da assistência prestada pelos profi ssionais de saúde, sendo necessárias ações que contemplem não somente o setor assistencial, mas também o campo da promoção da saúde e prevenção de agravos, com o intuito de fornecer uma melhoria da saúde na senili- dade, em especial no concernente ao câncer de mama. REFERÊNCIAS 1. Paschoal SMP, Salles RFN, Franco RP. Epidemiologia do envelhecimento. In: Carvalho Filho ET, Papaléo Netto M, organizadores. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. 2ª ed. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 19-23. 2. Carvalho CMRG, Brito CMS, Nery IS, Figueiredo MLF. Prevenção de câncer de mama em mulheres idosas: uma revisão. Rev. bras. enferm. 2009; 4 (62): 579-582. 3. Veras R. A era dos idosos: desafi os contemporâneos. In: Saldanha AL, Caldas CP, organizadores. Saúde do Idoso: a arte de cuidar. Rio de Janeiro: Interciência; 2004; 3-10. 4. Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Implantando o viva mulher - Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo de Útero e de Mama. Rio de Janeiro: INCA; 2006. 5. Camarano AA, Kanso S, Mello JL. Como vive o idoso brasileiro? In: Camarano AA, organizador. Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60? Rio de Janeiro: Ipea; 2004; 25-73. 6. Ministério da Saúde (Br). Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: 2006. 7. Gebrim LH, Facina G, Navarrete MALH, Nazário ACP, Kemp C, Lima GR. Aspectos clínicos e terapêuticos do carcinoma de mama em pacientes idosas: estudo de 72 casos. Rev Bras Ginecol Obstet.1995; 17(2):931-938. 8. Santos GD, Chubaci RYS. O conhecimento sobre o câncer de mama e a mamografi a das mulheres idosas frequentadoras de centros de convivência em São Paulo (SP, Brasil). Ciênc. saúde coletiva. 2011; 5 (16): 2533-2540. 88 9. Lima Costa MF, Matos DL. Prevalência e fatores associados à realização da mamogra- fi a na faixa etária de 50-69 anos: um estudo baseado na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (2003). Cad Saude Publica. 2007; 23(7):1665-1673. 10. Molina L, Dalben I, De Luca LA. Análisedas oportunidades de diagnóstico precoce para as neoplasias malignas de mama. Rev Assoc Med Bras. 2003; 49(2):185-190. 11. Guedes MVC, Silva LF, Freitas MC. Educação em saúde: objeto de estudo em disser- tações e teses de enfermeiras no Brasil. Rev Bras Enferm. 2004; 57(6): 662-5. 12. Godinho ER, Koch HA. O perfi l da mulher que se submete a mamografi a em Goiânia - uma contribuição a “Bases para um programa de detecção precoce do câncer de mama”. Rev Bras Enferm. 2002; 35(3). 13. Rosa WAG, Labate RC. Programa de Saúde da Família: a construção de um novo modelo de assistência. Rev Latino-am Enfermagem. 2005; 13(6): 1027-34. 89 ANÁLISE DA HUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO AOS USUÁRIOS IDOSOS Lucidio Clebeson de Oliveira1 Jussara Vilar Formiga2 Francisca Hozana de Melo Silva3 1 Enfermeiro, docente da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN. 2 Enfermeira, docente da faculdade de Enfermagem Nova Esperança – FACENE/RN e enfermeira da Estratégia Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Mossoró/RN. 3 Enfermeira da Estratégia Saúde da Família da prefeitura de Alto dos Rodrigues/RN. INTRODUÇÃO A palavra humanização tem sido alvo de várias discussões no âmbito da saúde desde a elaboração e implantação do Sistema único de Saúde – SUS, já que a humanização se constitui como uma de suas prioridades. Isso se deve ao fato de sua grande presença em nosso cotidiano, porém devemos estar atentos aos diversos signifi cados de compreensão que essa palavra vem tomando nos dias atuais. Por isso nos voltamos então, para a for- mação do profi ssional que lida com o usuário idoso, como também para a avaliação que o mesmo faz a respeito da assistência que recebe. A humanização nos trás então a imagem de um profi ssional que seja responsável pela efetivação da promoção à saúde, ao considerar o usuário como um ser que possui seus aspectos psicológicos, físicos e sociais, e não somente o ponto de vista biológico, pautado apenas em ações pontuais e mecanicistas. Dessa forma, surgiu a indagação principal para a realização desse trabalho: Quais os impactos biopsicológicos existentes na saúde dos idosos que são submetidos a uma assis- tência baseada no determinismo biológico, que desconsidera a individualidade de cada sujeito e suas relações com o meio social. Partimos então do pressuposto que as ações de atenção á saúde ofertadas a popu- lação na terceira idade estão sendo realizadas de forma inadequada, este cenário é fruto, principalmente do fato das políticas e das práticas de saúde estarem sendo realizadas de forma isoladas, de cunho curativista, visando apenas à cura das enfermidades. 90 Diante disso, essa pesquisa teve como objetivo geral analisar como se dá a relação profi ssional-usuário/idoso, na perspectiva da busca da valorização e participação dos ido- sos nos serviços de saúde, tendo em vista a importância da humanização para uma melhor interação profi ssional/usuário, proporcionando, dessa forma, uma promoção da qualidade do atendimento em saúde. REFERENCIAL TEÓRICO Como percebemos, o envelhecer no Brasil está acelerando cada vez mais, sendo assim, é preciso estar atento às representações que a velhice vem tomando na socie- dade, sobre a descriminação e desvalorização frente ao capitalismo e a supervalorização do ‘’novo’’(1). Nesse sentido vislumbramos a importância de ser colocada a diferença existente, no que consiste o envelhecer, e no que signifi ca estar doente durante a velhice; as diversas teorias do envelhecimento tentam buscar o conceito do envelhecer, algumas o colocam ao nível celular e extremamente biológico, outras tentam defi nir uma ‘’idade gerontológica’’ ou tentam prová-la por meio dos fatores fi siológicos junto aos psicológicos como mostra(2) É percebido que muitas pessoas tendem a confundir juventude com saúde, tendo a velhice como sinônima de doença, fazendo com que a senilidade seja um acontecimento obrigatório e característico da senescência, como se não fosse possível se ter saúde no envelhecer. Dessa forma, a realização dessa pesquisa se faz de suma importância no que diz respeito, tanto para a prática de profi ssionais de saúde, como também para os sujeitos idosos, tendo vista de que, estando esse público como alvo de práticas extremamente clínicas baseada somente na medicalização, e receptora de cuidados clínicos, sendo por vezes impostos sem maiores considerações, onde deve-se também refl etir sobre a possível exclusão social existente na sociedade com pessoas na terceira idade, passando a ver o sujeito idoso como um cidadão, com direitos e deveres, de importância na sociedade, tanto quanto um indivíduo jovem. METODOLOGIA O presente trabalho se desenvolverá através de uma pesquisa de cunho exploratório, descritivo e de caráter quantiqualitativo, devido à difi culdade de se trabalhar apenas com números na pesquisa em saúde, e reconhecendo que o método quantitativo simplifi ca a 91 vida social aos fenômenos que podem ser enumerados, o presente trabalho aborda em conjunto a esse método, os aspectos qualitativos, para observação das cargas culturais, políticas, históricas e ideológicas(3). A pesquisa terá como público alvo um total de dez usuários idosos que estejam internados no HRTVM, bem como dez profi ssionais da equipe multiprofi ssional (médicos, enfermeiros, fi sioterapeutas, nutricionista e técnicos de enfermagem) de saúde do referido hospital que atuam diretamente no cuidar dessa clientela. Como estratégia inicial utilizou-se a realização de um grupo focal, também será utili- zado como estratégia de coleta de dados, uma entrevista semi-estruturada, para que pos- samos perceber algumas questões cujo grupo focal não tenha explicitado. Usaremos como critério de inclusão na pesquisa, os usuários que assinarem o Termo de Livre Consentimento Esclarecido, e que possuírem idade igual ou superior à 60 anos que estejam internados no HRTVM; teve como critério de exclusão aqueles usuários que se recusarem a assinar o TCLE e que possuam idade inferior à 60 anos, outros instrumentos de coleta de dados poderão ser acrescentados ao longo do projeto de pesquisa, segundo as necessidades encontradas. Para a análise dos dados utilizaremos como referência(5), pois a autora defi ne que deve-se organizar os dados em categorias, para se obter um melhor e maior conhecimento dos resultados, dessa forma, as categorias promovem a união dos elementos em caracte- rísticas comuns, como também um maior número de informações á custa de uma esque- matização e assim correlacionar classes de acontecimentos para ordená-los. Portanto, os dados colhidos na entrevista serão analisados e interpretados, por meio de diálogo entre informações obtidas nesse projeto e o referencial teórico construído. DISCUSSÕES E RESULTADOS Os dados obtidos mostraram que os 10 idosos entrevistados (100%) disseram primei- ramente que estavam satisfeitos com o atendimento ofertado no hospital, porém quando eram indagados mais profundamente sobre o seu relacionamento com os profi ssionais e as condições para que eles pudessem se sentir melhor no local de internamento, se observa muitos fatores negligenciados, mostrando que os próprios não são esclarecidos sobre seus direitos em sua assistência a saúde. Dos 9 profi ssionais entrevistados, todos responderam ter uma relação humanizada com o paciente idoso, de forma que proporcionassem uma atenção diferenciada a esse indivíduo, pelo fato de necessidades e limitações específi cas. No entanto 7 profi ssionais 92 mostraram que o idoso sofre uma maior descriminação dentro do hospital devido sua idade avançada em relação a um jovem, em contrapartida 2 entrevistados disseram não visuali- zar esse preconceito no hospital. Sendo assim podemos dessa forma observar uma discre- pância nas entrevistas tanto dos idosos quanto dos profi ssionais de saúde. Entendemos assim, que a humanização signifi ca a valorização, autonomia eprotago- nismo de todos os sujeitos envolvidos no processo de produção em saúde, não apenas os usuários, mas também os responsáveis por prestar trabalho nos serviços de saúde. Dessa forma nos indagamos, pela opinião desses trabalhadores e usuários pela exis- tência da humanização no serviço pesquisado. O que suas falas e sentimentos nos trazem para compreendermos melhor essa humanização que vem sendo promovida nos dias de hoje e, como a mesma está se dando em relação aos pacientes idosos. Dessa forma percebemos que a humanização no serviço em saúde aos idosos, depende além do querer dos profi ssionais em tratá-los com dignidade, pois existe também o fator estrutural que deixa muito a desejar. Outro fator notado e extremamente importante que se confi gura como um empecilho no atendimento humanizado ao idoso, colocado pelos profi ssionais é a questão da família, que não possui o interesse de cuidar desses sujeitos, deixando o idoso sem companhia no hospital e até mesmo recusando-se a buscá-lo quando ele é liberado. CONSIDERAÇÕES FINAIS Evidenciou-se a partir desta pesquisa que os profi ssionais de saúde do HRTVM pro- curam ter uma boa relação com os idosos lá internados, porém alguns ainda possuem algum tipo de difi culdades em lidar com as limitações, necessidades e as incapacidades físicas desses sujeitos, mostrando dessa forma que esses profi ssionais precisam de pre- paro e capacitações para lidar com o idoso internado. Vimos também que por mais que os profi ssionais queiram prestar um atendimento humanizado ao idoso, ele não consegue pelo fato da precariedade estrutural do hospital, a vontade existe, a importância é reconhecida entre os profi ssionais, porém a questão estrutural ainda é um dos grandes entraves existentes para se oferecer um atendimento humanizado a esses sujeitos. Afi rma-se então que esta questão no âmbito hospitalar é negligenciada, fato bas- tante presente na fala dos profi ssionais e usuários idosos, percebe-se até mesmo certa angustia nas falas desses profi ssionais em não poder prestar um atendimento mais huma- nizado devido à grande defi ciência estrutural, é preciso garantir melhores condições para 93 realizarmos um cuidar que seja realmente humanizado, para termos assim uma atenção a saúde efi caz. Dessa forma, sabemos que ainda há muito que avançar para termos uma atenção a saúde que seja humanizada, equânime e igualitária, pois termos o usuário como centro do nosso cuidado ainda é uma tarefa difícil, que precisa ser pensada e repensada diaria- mente. Percebe-se também a grande necessidade da implantação de políticas que otimi- zem essa realidade, para só assim termos uma maior resolutividade em saúde para os usuários idosos. REFERENCIAS 1 VERAS, Renato P. País jovem com cabelos brancos: a saúde do idoso no Brasil. Rio de Janeiro: Relume-Dumará, 1994. 2 BRASIL, Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa. Brasília, 2006. 3 MINAYO, Maria Cecilia de Souza. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Vozes. 7” edição. Petrópolis, 1993.4 Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa, 1997. 94 PROJEÇÕES DA POPULAÇÃO IDOSA PARAIBANA EM RELAÇÃO ÀS PROJEÇÕES DOS PROFISSIONAIS MÉDICOS. Mestrando Elídio Vanzella.UFPB Dr. Eufrásio de Andrade Lima Neto.UFPB Dr. César Cavalcanti da Silva.UFPB INTRODUÇÃO O direito universal e integral à saúde no Brasil foi uma conquista da sociedade. Esse direito está explicitado na Constituição Federal Brasileira, promulgada em 1988 e ratifi cado com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio das Leis Orgânicas da Saúde (8.080/90 e 8.142/90). Com estas ações, pelo menos no campo das intenções, o governo amparou e protegeu, legalmente, o direito ao acesso universal da população aos serviços de saúde. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE)1(2008) a população brasileira está envelhecendo de forma rápida e intensa. De acordo com este órgão, o Brasil tem na atualidade mais de 19 milhões de idosos e projeta para o ano de 2020 uma popula- ção de 207 milhões de brasileiros, dentre os quais, 28 milhões terão 60 anos ou mais. Na Paraíba, segundo o censo 2010, a população com 60 anos ou mais é de 451.385 habitan- tes e para 2015 projeta-se um total de 522.953 habitantes, caracterizando um crescimento de 15,86%. Essas projeções exigem do setor público responsável uma resposta imediata em termos, tanto de instalações hospitalares apropriadas para o atendimento de idosos, quanto de formação de profi ssionais de saúde, particularmente, médicos, com especializa- ção em Geriatria. Partindo do pressuposto que, em um futuro muito próximo, a opção pela medicina voltada para o idoso não terá acompanhado a curva de crescimento da população idosa do Estado da Paraíba, formula-se a questão norteadora para o presente estudo: A curva de crescimento da população médica e de médicos geriatras do estado da Paraíba projeta números compatíveis com o crescimento da população idosa? Para responder a estas questões, esta pesquisa apresenta como objetivo geral, conhecer a curva de crescimento da população idosa e da população médica do estado da Paraíba para os anos 2011 a 2015, e como objetivos específi cos, realizar projeções estatís- ticas e Interpretar a curva de crescimento da população idosa e da população médica para o mesmo período. 95 METODOLOGIA O estudo será do tipo exploratório-descritivo, desenvolvido a partir de abordagem quantitativa e os dados serão analisados por meio do pacote estatístico R (2.12.0), que é uma linguagem e ambiente para computação estatística e gráfi ca. O programa R está dis- ponível como software livre, na forma de código aberto. Para modelar a série temporal sobre o número de médicos que trabalham no Estado da Paraíba consideraremos o modelo de suavizamento de Holt-Winters e os modelos de Box-Jenkins. Segundo Morettin e Toloi2 (2006), série temporal é qualquer conjunto de observações ordenadas no tempo. Se estas observações consecutivas são dependentes uma das outras, é possível conseguir-se uma previsão, afi rma Souza3(1989) e assim forne- cer bases para compreender o comportamento do evento ao qual está se analisando. O princípio da análise pelas séries de tempo esta ancorado na possibilidade de se extrair conclusões sobre o comportamento passado da variável e que poderão fornecer informações sobre o seu provável comportamento no futuro4. As projeções da população idosa na Paraíba serão obtidas pela função geométrica: , onde: População inicial (P0), Intervalo de tempo em anos (n1), Taxa mensal de crescimento (r), e , onde: População inicial (P0), População fi nal (Pf) Intervalo de tempo em anos (n1). Por fi m, para contrapor a curva de crescimento, projetada, para o número de médicos no período de 2011 a 2015 será realizada uma regressão linear simples, onde se determinará o valor β 1 e por consequência determinar a reta onde os valores se distribuirão. A partir destes dados, será estimado o número de médicos que cancelarão seu registro no Conselho Regional de Medicina (CRM/PB) no mesmo período, permitindo que a partir do total de profi ssionais em atividade em 2010 e, pela ação de soma de novas entradas e subtração de valores cancelados se obtenha o número previsto de médicos nos próximos 5 anos no Estado da Paraíba. RESULTADOS E DISCUSSÃO Nesta seção serão apresentados resultados que foram obtidos nesta fase de seu estudo. A Figura 1, demonstra a evolução dos registros ao longo do tempo, e observando o gráfi co é possível verifi car uma tendência ascendente nos dados . 96 Figura 1: Série dos médicos registrados no CRM/PB (1960-2010). Com o objetivo estacionar a série, foi aplicado o procedimento de realizar diferenças sucessivas e com a segunda diferença a série apresentou, segundo o teste de Dickey- Fuller, um p-valor 0,01,Para a análise com Holt-Winters, o modelo testado não apresentou um bom ajuste, sendo assim descartado. No ajuste do modelo de Box-Jenkins foi considerada a série com duas diferenças, que é estacionária, em seguida foi realizada a análise das funções de autocorrelação (MA) e autocorrelação parcial(AR) para a identifi cação das características da série. A Figura 2 apresenta o gráfi co de MA e AR para a série diferenciada. Figura 2: Gráfi co de autocorrelação(MA) e autocorrelação parcial(AR). Com base nos gráfi cos (MA) e (AR) ajustou-se 3 modelos e o que apresentou menor valor para os critérios de informação Akaike AIC, AICc e BIC foi o Autoregressivo Médias Móveis - ARIMA(1,2,1) sendo este escolhido para o desenvolvimento do trabalho. Para validar o modelo é preciso que a análise estatística dos resíduos comprove que o mesmo apresenta normalidade em sua distribuição. Para esse fi m foi realizado os testes de Shapiro-Wilks com p-valor 0,4999 e Lilliefors com p-valor 0,5824, obteve-se p-valor maior que o nível de signifi cância de α =5%. A outra etapa de validação do modelo é a análise dos resíduos e constatou-se que os resíduos padronizados indicam que o modelo apresentou bom ajuste aos dados. 97 Foram realizadas previsões 5 passos a frente e a precisão destas é encontrada quando calculados os erros de previsão, que apresentaram os seguintes resultados: Erro Percentual Médio Absoluto (MAPE)=17,7649, Erro Percentual Médio (EPM)=5,1253, Erro Absoluto Médio (EAM)=50,6210 e a Raiz do Erro Médio Quadrático (REMQ)=56,5746. Os erros encontrados apresentaram um valor aceitável, com isso foram realizadas as seguin- tes previsões: 2011 com 296 médicos, 2012 com 328 médicos, 2013 com 321 médicos, 2014 com 333 médicos e 2015 com 335 médicos. Com relação aos cancelamentos, previstos, de registros, entre 2011e 2015, por meio de uma regressão linear simples foi estabelecido o valor de , e o valor de resposta , foi 131; 145; 142; 147 e 148. Ainda partindo do fato que em 2010 a Paraíba, segundo o CRM/PBa, registrava 4535 médicos em atividade e com a soma dos valores de médicos previstos para efetuarem seu registro no CRM/PB e, subtraindo-se os valores previstos para cancelamen- tos podemos estimar que no Estado da Paraíba a quantidade de médicos em atividade prevista será 4700 em 2011, 4883 em 2012, 5062 em 2013, 5248 em 2014 e 5435 em 2015. No Estado da Paraíba, a população com 60 anos ou mais, defi nida como idosa, repre- sentava no ano de 2000, um total de 350.788 pessoas ou 10,19% do total de habitantes. No censo de 2010, o número de pessoas nessa categoria aumentou para 451.385, um crescimento em relação ao censo anterior de 28,67%. Com os dados dos censos de 2000 e 2010, disponíveis no site do IBGE, foi possível por meio da função geométrica projetar as populações, com 60 anos ou mais, dos anos 2011 a 2015, que são apresentadas a seguir: 464.740 habitantes para 2011; 478.555 habitantes para 2012; 492.849 habitantes para 2013; 507.641 habitantes para 2014 e 522.953 habitantes para 2015. Um crescimento de 2010 para 2015 de 15,86%. A Tabela 1, abaixo resume as projeções descritas e demonstra ainda as projeções da relação entre médicos e população. Tabela 1- Projeções de população e médicos (2011-2015) Anos 2010 2011 2012 2013 2014 2015 Médicos (projeção) 4535 296 328 321 333 335 Médicos proj. cancelamentos 131 145 142 147 148 Número total médicos previsto 4700 4883 5062 5248 5435 População idosa (projeção) 451.385 464.740 478.555 492.849 507.641 522.953 População total/PB (projeção) 3.766.528 3.804.888 3.843.638 3.882.783 3.922.326 3.962.273 Prop. méd. para população total/ PB 831 810 787 767 747 729 Prop. novos méd. relação a pop. idosa 3548 1734 1179 898 733 98 CONCLUSÃO A Organização Mundial de Saúdeb (OMS), preconiza como parâmetro ideal de aten- ção à saúde da população a relação de 1 médico para cada 563 habitantes, isto para centros com uma rede de serviços bem estruturada. A população paraibana, em 2010 não conta com a proporção médica estabelecida pela OMS e pelas projeções até o ano de 2015 a relação não será alcançada. Em relação aos médicos com especialidade em geriatria, consta no banco de dados do CRM/PB, que até o ano de 2010, onze profi ssionais se registraram como geriatras, um geria- tra para 41.035 habitantes idoso, número insufi ciente para a proporção da população idosa paraibana. Assim, contata-se uma defi ciência de proporções tão expressivas que mesmo rea- lizando, neste estudo, uma projeção de que, caso todos os novos médicos que ingressarão na atividade médica optarem pela especialidade de geriatria, ainda assim não será atingida, até o ano de 2015, à proporção de médicos por habitante preconizada pela OMS, pois terí- amos um médico para cada 729 habitantes e um geriatra para cada 733 habitantes idosos. REFERÊNCIAS 1. Fundação Instituto Brasileiro de geografi a e Estatística-IBGE – Projeção da população do Brasil por sexo e idade: 1980-2050: Revisão 2008/IBGE, Coordenação de População e Indicadores Sociais. - Rio de Janeiro: IBGE; 2008. 2. Morettin PA, Toloi CMC. Análise de séries temporais. São Paulo: Edgard Blucher; 2006. 3. Souza RC. Modelos Estruturais para Previsão de Séries Temporais: Abordagens Clássica e Bayesiana. In: 17° Colóquio Brasileiro de Matemática. Rio de Janeiro; 1989. 4. Fischer S. Séries univariantes de tempo: metodologia de Box & Jenkins. Porto Alegre, Fundação de Economia e Estatística (FEE); 1982. Sites visitados: a. Conselho Regional de Medicina –CRM/PB. Pesquisa por especialidade [acesso em 15 ago 2011]. Disponível em: www.crmpb.cfm.org.br /index.php?option=com _medicos&Itemid=59. b. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 25a CONFERÊNCIA SANITÁRIA PAN- AMERICANA 50a SESSÃO DO COMITÊ REGIONAL Washington, D.C., 21-25 setembro 1998 Tema 4.6 da Agenda Provisória CSP25/12 (Port.) 15 julho 1998 ORIGINAL: INGLÊS. [acesso em: 15 ago 2011]. Disponível em: http://www.who.int 99 CONHECIMENTO DE IDOSOS SOBRE A OCORRÊNCIA DE QUEDAS Morganna Guedes Batista- FACENE1 Adriana Lira Rufino de Lucena -FACENE2 Fabiana Ferraz Queiroga Freitas- UFPB3 Cristiane dos Santos Costa- FACENE4 Naracy Vieira de Carvalho Vale -FACENE5 I NTRODUÇÃO O crescimento exponencial da população idosa desde o início do século XX é um fenômeno mundial e tem sido considerado um importante sinal de desenvolvimento entre diversos países1. No Brasil, este processo também vem ocorrendo de forma acelerada, havendo uma tendência para continuar aumentando nas próximas décadas. Estima-se que o número de idosos em nosso país alcançará 32 milhões no ano de 20202. O envelhecimento é um processo dinâmico, natural e complexo, o qual envolve impor- tantes modifi cações fi siológicas, sociais, bioquímicas e também psicológicas que muitas vezes podem estar associados a processos patológicos que comprometem signifi cativa- mente a sua qualidade de vida e a independência funcional dos idosos3. Nesta perspectiva, uma das consequências mais discutidas e percebidas durante o envelhecimento atual- mente relaciona-se a suscetibilidade para a ocorrência de quedas. Segundo o Ministério da Saúde em 2006 foram registradas 61.368 hospitalizações por queda de pessoas com 60 anos ou mais de idade, cujos números representaram 2,8% de todas as internações de idosos no país4. Compreende-se que evitar os episódios de quedas, considerado um dos indicadores de qualidade de serviços para idosos, torna-se uma conduta necessária e essencial para aqueles que atuam na prática geriátrica – gerontológica. Somado a isso, a prevenção de quedas constitui-se como uma política pública indispensável, não apenas para propiciar uma melhor condição de vida e saúde aos idosos e seus familiares como também para 1 Discente do 6º período do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança - FACENE. 2 Enfermeira. Especialista em Saúde da Famíliapela Faculdade Integradas de Patos (FIP). Mestranda em Ciências da Educação pelo Centro Integrado de Tecnologia e Pesquisa (Cintep). Docente da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE). 3 Enfermeira. Especialista em Unidade de Terapia Intensiva pela Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe. Mestranda em Enfermagem do Programa de Pós–Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Docente da Faculdade de Enfermagem e Medicina Nova Esperança (FACENE/FAMENE). 4 Discente do 6º período do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança - FACENE. 5 Discente do 6º período do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança - FACENE. 100 possibilitar uma menor sobrecarga dos gastos públicos, os quais poderiam ser revertidos para outros fi ns. Neste sentido, buscou-se com esta pesquisa possibilitar maior aprofundamento sobre o tema objetivando-se caracterizar o perfi l sócio-demográfi co, identifi car os fatores de ris- cos predisponentes, a frequência de quedas em idosos comunitários e averiguar o conhe- cimento e necessidade de informações sobre episódios de quedas. CAMINHO METODOLÓGICO Estudo do tipo exploratório descritivo, com abordagem quantitativa, onde se tem como fi nalidades desenvolver, esclarecer e formular hipóteses pesquisáveis para estu- dos posteriores5. O estudo foi desenvolvido no Projeto de Extensão e Iniciação Científi ca Envelhecimento Saudável da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança, no ano 2011. A população do estudo foi constituída por idosos cadastrados no projeto, sendo a amostra composta de 30 idosos sendo 8 homens e 22 mulheres que aceitaram livremente participar da pesquisa assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. O instrumento utilizado para coleta de dados foi um questionário estruturado contendo questões referentes a caracterização socioeconômica da amostra: sexo, idade, renda e escolaridade, como questões referentes a temática estudada, voltadas para atender aos objetivos que se propõe a pesquisa. RESULTADOS E DISCUSSÃO Os dados foram analisados quantitativamente, sendo agrupados de forma a constitu- írem tabelas com números absolutos e percentuais. A pesquisa evidenciou que é no ambiente domiciliar a maior ocorrência das quedas (67%), sendo o banheiro o aposento mais comum (34%) e cujos resultados corroboram as pesquisas de autores6, os quais verifi caram, em seu estudo, que a maioria das que- das entre os idosos ocorreram no próprio lar (66%), e foram relacionadas, principalmente, ao ambiente físico inadequado (80%). O banheiro foi mencionado como o cômodo mais comum para este tipo de acidente entre a população idosa7. Porém, outras pesquisas8, apontam resultados diferenciados em relação ao cômodo, destacando o quarto (13%), a sala (13%) e a cozinha (13%) como importantes locais para a ocorrência das quedas. É fundamental identifi car o local onde ocorreu a queda a fi m de relacionar os fatores ambientais causadores da mesma com vistas a viabilizar um planejamento de medidas 101 preventivas de segurança. Neste sentido, ressaltamos que uma avaliação periódica dos ris- cos no ambiente doméstico é um importante requisito a ser assegurado pelos profi ssionais de saúde envolvidos. Quanto à caracterização sócio-demográfi ca dos entrevistados podemos destacar a tabela abaixo: Tabela 1: Caracterização sócio-demográfi ca dos idosos. A pesquisa demonstrou que os acidentes guardam uma correlação com os estudos referenciados em relação à presença ou não de acompanhantes durante o evento, ou seja, 65% dos que sofreram quedas mencionou não estar acompanhado. Sobre o tema, alguns autores9, afi rmam que a maioria dos estudos evidenciam ser a prevalência de quedas maior em indivíduos que não apresentam vida conjugal e moram sozinhos. Isso pode ser justifi cá- vel, pois a convivência pode ocasionar um cuidado mútuo entre parceiros e possivelmente reduzir a ocorrência de quedas entre aqueles que vivem com companheiro (a). A tabela II apresenta o conhecimento e necessidade de informações dos idosos sobre prevenção de quedas. 102 Tabela 2: Opiniões dos idosos em relação ao autoconhecimento e necessidade de informações sobre quedas. Variáveis N % Você acha ter conhecimento adequado sobre como pre- venir as quedas? SIM NÃO 12 18 40,0 60,0 Você já recebeu orientações de um profi ssional de saú- de em relação à prevenção de quedas? SIM NÃO 05 25 17% 83% Você gostaria de obter mais informações sobre como prevenir as quedas por parte dos profi ssionais de saúde? SIM NÃO 30 0 100 0,0 É relevante ressaltar que 60% (18) dos entrevistados mencionaram não ter conheci- mentos sobre aspectos preventivos relacionados às quedas em mesmo tempo que mencio- naram interesse na temática, merecendo refl exão para os profi ssionais da área de saúde em aproveitar o interesse demonstrado pelos idosos para propiciar ações preventivas e consequentemente melhorar o nível de conhecimento entre os mesmos. Em relação à participação dos profi ssionais de saúde no que se refere às orientações ofertadas aos idosos sobre a prevenção para ocorrência de quedas observou-se que 83% (25) deles negaram ter recebido algum tipo de informação. CONCLUSÃO Após a análise dos dados pôde-se constatar que a queda é um evento frequente entre os idosos, sendo considerado um importante problema de saúde pública devido às reper- cussões que as mesmas podem ocasionar a vida deste grupo etário. Acredita-se que ações de promoção e prevenção para os episódios de riscos podem ser desenvolvidos com o intuito de minimizar não apenas a freqüência, como também as complicações relacionadas a estes eventos. Esperamos que com estes resultados possamos subsidiar novas pesqui- sas sobre a temática abordada despertando refl exões dos acadêmicos e profi ssionais de saúde para desenvolver e programar estratégias que minimizem os episódios de quedas e suas complicações entre os idosos. 103 REFERÊNCIAS 1. Álvares LM, Lima RC, Silva RA. Ocorrência de quedas em idosos residentes em insti- tuições de longa permanência em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad. Saúde Pública. 2010; 26(1):31-40. 2. Gonçalves LG et al. Prevalência de quedas em idosos asilados do município de Rio Grande, RS. Rev Saúde Pública, 2008; 42(5):938-945. 3. Freitas EV, et al. Tratado de geriatria e gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. 4. Ministério da Saúde (BR). Quedas em idosos. 2006. Disponível em: http:// www.data- sus.gov.br. Acesso em 24 set 2011. 5. Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4ª ed. São Paulo: Atlas; 1999. 6. Fabrício SCC, Rodrigues RAP, Costa Júnior ML. Causas e consequências de quedas de idosos atendidos em hospital público. Rev. Saúde Pública, 2004; 38(1):93-99. 7. GANANÇA FF et al. Circunstâncias e Consequências de Quedas em Idosos com Vestibulopatia Crônica. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. 2006; 72(3). 8. RODRIGUES, K.L.; HONDA, C.M.; BURITI, M. A. Problema da perda de equilíbrio na terceira idade: fatores de risco e consequências. Revista Fisio&terapia, v. 43, n. 8, p. 32-37, 2009. 9. Peracini MR, Ramos LR. Fatores associados a quedas em uma pesquisa coorte de idosos residentes na comunidade. Revista de Saúde Pública. 2002; 36(6):709-716. 104 AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE SATISFAÇÃO E PERFIL DOS IDOSOS ATENDIDOS NA CLÍNICA ESCOLA DE FISIOTERAPIA DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DO ALTO SERTÃO PARAIBANO FERNANDES, Roberta Maria da Costa1; GOMES, Maria dos Milagres Fernandes1; GUEDES, Viviane Valéria de Caldas2; LIMA, Gisiane Cruz de1; PEREIRA, Wismary Fernandes1. 1. Acadêmicos do Curso de Bacharelado em Fisioterapia das Faculdades Integradas de Patos – FIP. 2. Orientadora, Coordenadora da Clinica Escola de Fisioterapia das Faculdades Integradas de Patos – FIP e Mestranda em Ciências da Educação – Lusófona Portugal. INTRODUÇÃO O envelhecimentoé um processo no qual o organismo sofre um declínio de suas capacidades devido a alterações naturais irreversíveis ocorridas com o passar do tempo que ocorrem de forma espontânea ou patológica. Associado a esse processo, observa- mos alterações funcionais, psicossociais, nutricionais, entre outras, à medida que ocorre a senescência (MORELLI, 2004). O envelhecimento humano está associado a uma série de perdas, limitações e difi culdades mas, mesmo assim, não se pode considerar a velhice só como uma doença ou só como um problema. Porque, dessa forma, se estaria reduzindo o entendimento de todo um processo somente um determinado grupo social ou só para algu- mas de suas características acessórias, fato que poderia comprometer a análise, especial- mente se a intenção é analisá-lo de uma forma distinta das que são apontadas em algumas das pesquisas em geriatria e gerontologia (WITTER, 2006). Sendo o envelhecimento um conjunto de complexidades fi siológicas e mecânicas adquiridas durante todo o período da vida, justifi ca-se a importância desse estudo, que pretende verifi car o grau de satisfação dos idosos atendidos na Clínica Escola de Fisioterapia de uma Instituição de Ensino Superior do Alto Sertão Paraibano. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi Traçar o perfi l do idoso e analisar o seu grau de satisfação no atendimento de uma Clinica Escola de Fisioterapia de uma Instituição de Ensino Superior do Alto Sertão Paraibano, bem como identifi car as patologias com maior incidência nos idosos que procuram os serviços de Fisioterapia. 105 METODOLOGIA A pesquisa é um estudo analítico com abordagem quantitativa sem intervenção, reali- zada na Clínica Escola de Fisioterapia de uma Instituição de Ensino Superior do Alto Sertão Paraibano. Os instrumentos para coleta de dados foi uma entrevista com os pacientes da Clínica Escola. A pesquisa foi desenvolvida com os pacientes idosos com idade superior a 60 anos atendidos na Clinica de Fisioterapia de uma Instituição de Ensino Superior do Alto Sertão Paraibano no período da pesquisa. A amostragem será do tipo não probabilística, por conveniência, baseada no critério da acessibilidade. Para caracterizar a amostra, utili- zamos um questionário sócio demográfi co para verifi car o perfi l e a satisfação dos idosos atendidos na Clinica Escola de Fisioterapia, onde foram aplicados nos turnos matutino e vespertino que irá avaliar o grau de satisfação dos idosos atendidos na Clinica Escola da instituição. Para conhecer o perfi l, o instrumento de coleta de dados foi com base em con- sultas das fi chas de avalição Fisioterapêuticas dos idosos da Clínica-Escola de Fisioterapia. O questionário compreenderá questões previamente elaboradas pelos pesquisadores foca- lizando dados de identifi cação e aspectos específi cos relacionados à pesquisa, totalizando dez questões. Critérios de inclusão são pacientes com idade maior que 60 anos e paciente com tempo de atendimento superior a um mês. Nas questões de dados de identifi cação foram contemplados indicadores tais como turno de atendimento, idade, gênero, cidade e especialidade do atendimento. As perguntas do questionário eram objetivas, facilitando as respostas dos participantes da pesquisa. Cada um dos participantes recebeu um código, para uma posterior identifi cação. RESULTADOS A pesquisa teve como amostra 25 idosos, com idade mínima de 60 anos e máxima de 89 anos, sendo a média de idade 71,4 anos, distribuídos em 16 idosos do sexo feminino e 9 idosos do sexo masculino, com tempo de atendimento superior a um 1 mês. Foram entrevistados pacientes nos turnos manhã e tarde, constituído de 11 pacientes do turno da manhã e 14 pacientes do turno da tarde. Os idosos participantes da pesquisa são atendidos em diversas especialidades; sendo que dentro destas, as encontradas foram neurologia, pneumologia, geriatria, traumato-ortopedia, reumatologia e cardiologia. De acordo com as especialidades os pacientes entrevistados apresentaram uma prevalência nas áreas de geriatria e reumatologia, ambos com uma porcentagem de 24%. Enquanto a área com menor índice de procura dos entrevistados foi a área de traumato-ortopedia, com uma por- centagem de 4%. Na área de neurologia obtivemos uma porcentagem de 20%, na área de pneumologia a procura totalizou um uma porcentagem de 16% e na área de cardiologia a 106 porcentagem encontrada foi 12%. Deste modo, o perfi l encontrado na pesquisa são idosos com patologias em sua maioria relacionadas a problemas adquiridos pela senescência, o que os enquadram na área de atendimento de geriatria e doenças reumáticas, levando esses idosos para o atendimento de especialidade de reumatologia. E apesar das quedas serem um problema constante em idosos, a menor procura por atendimento foi na área de traumato-ortopedia. Em relação ao nível de satisfação do atendimento da Clínica Escola, foi analisado um questionário com um total de 10 questões objetivas, analisando a satisfa- ção nos níveis bom, regular e ótimo. As questões abordadas no questionário referiam-se ao tempo de espera pelo atendimento, acolhimento, orientações sobre o atendimento, a estrutura física da clínica, atenção/abordagem, relação terapeuta/paciente, frequência do atendimento, número de acadêmicos para a realização do atendimento, duração e efi cácia das sessões e rodízios dos acadêmicos, respectivamente. A tabela 1 mostra os resultados obtidos: Tabela 1. Questionário de Satisfação dos Pacientes Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Q6 Q7 Q8 Q9 Q10 Regular 5 1 1 1 0 0 1 4 1 2 Bom 14 12 12 10 10 9 12 13 14 11 Ótimo 6 12 12 14 15 16 12 8 10 12 Total 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25 De um modo geral a avaliação foi positiva especialmente nos quesitos relação tera- peuta/paciente, as instalações físicas da clínica, quanto ao esclarecimento e orientação, e a recepção/acolhimento, e a questão 5 (cinco) do questionário que refere-se a atenção e abordagem oferecidos por todos os integrantes da Clinica, funcionários e demais profi ssio- nais, não recebeu nenhum regular durante a avaliação. DISCUSSÃO Beattie et al (2005), afi rmam que a satisfação do paciente em uma clínica escola está diretamente relacionada aos elementos que se referem à interação do paciente com seu terapeuta. Assim, fatores como tempo adequado gasto na terapia, terapeutas que demons- tram habilidades bem desenvolvidas de comunicação, estrutura do ambiente, sensação de segurança também deve ser levado em conta e explicações claras sobre o tratamento a ser seguido seriam mais importantes para a satisfação do paciente. 107 Segundo Monnin e Perneger (2002), a satisfação do paciente está relacionada com o grau de satisfação com que são respondidas às perguntas do paciente, fornecem informações e demostra respeito, gentileza, segurança e confi ança e tornando visível a importância da humanização entre o profi ssionais, aluno e o paciente. CONCLUSÃO A pesquisa realizada na Clínica Escola de Fisioterapia foi bastante relevante, pois a partir desta, podemos obter informações com relação ao perfi l dos idosos atendidos neste serviço, bem como as principais patologias que acometem esses indivíduos. Com relação ao nível de satisfação dos pacientes os resultados fi caram entre bom e ótimo com escores apresentando efeitos expressivos para nove das dez perguntas que compunham o nosso questionário. Diante do exposto, observa-se que o público alvo deste trabalho apresenta um bom nível de satisfação resultando em uma opinião positiva homogênea sobre a serie- dade e competência do trabalho realizado por todos que fazem a Clínica-Escola. REFERÊNCIAS BEATTIE, P.; PINTO, M.; NELSON, M.; NELSON, R. Patient satisfaction with outpatient physical therapy: instrument validation. Phys Ther., 2002. MONNIN, D.; PERNEGER, TV. Scale to measure patient satisfaction with physical ther- apy. Phys Ther., 2002. REBELATTO, J.R.; MORELLI, J.G. Fisioterapia Geriátrica:prática da assistência do idoso. 2.ed. Barueri, SP: Manole, 2007. WITTER, Geraldina Porto. Envelhecimento: Referenciais Teóricos e Pesquisas. Campinas, SP: Editora Alinea, 2006 108 SERÁ QUE A POLÍTICA PÚBLICA DE PREVENÇÃO DO CÂNCER CÉRVICO-UTERINO CONTEMPLA A FASE DE ENVELHECIMENTO? Smalyanna Sgren da Costa Andrade- UFPB Merifane Januário de Sousa – Hosp. Edson Ramalho INTRODUÇÃO Recentemente, o processo de envelhecimento é uma das preocupações da huma- nidade em decorrência da natural tendência de aumento do número de idosos em todo o mundo. A participação desta parcela populacional no total nacional dobrou nos últimos 50 anos e projeções demográfi cas indicam que este segmento será responsável por 15% da população brasileira no ano de 2020 (1). A dimensão do envelhecimento vai além do contexto biológico, necessitando de ações em favor dessa população, através de políticas de caráter mais preventivo e promocional, gerando assim, estratégias que contribuam para a manutenção da qualidade de vida, mini- mizando a desigualdade e investindo nos indivíduos ao longo do ciclo vital (2). Contudo, percebe-se que o envelhecimento ainda ganha maior expressão na socie- dade, devido a crescente busca aos serviços de saúde por parte dos idosos, sendo isto um refl exo das doenças próprias do envelhecimento, as crônico-degenerativas, que perduram por vários anos e exigem acompanhamento constante, e cuidados permanentes, como exames rotineiros e medicação contínua (3). Desta maneira, as políticas públicas ainda con- vergem para a melhoria da atenção à saúde do idoso no que se refere aos aspectos perti- nentes à senilidade. Com efeito, o rastreamento das mulheres idosas para realização do exame Papanicolau se constitui uma responsabilidade da equipe de saúde, e é preciso ter um olhar mais apu- rado às questões do envelhecimento, à medida que tanto as afecções vaginais, quanto o câncer de colo uterino, são problemas que podem repercutir diretamente no bem-estar dessas mulheres, dada a fragilidade do processo de senescência. Este estudo objetivou identifi car a quantidade de mulheres idosas que buscaram o exame Papanicolau no período de 2004 a 2009, a partir dos registros de citologia oncótica em uma Unidade de Saúde da Família. A aproximação com essa temática surgiu da par- ticipação voluntária em um projeto de extensão fi nanciado pela Universidade Federal da Paraíba, cuja proposta envolveu a prevenção do câncer de colo uterino e de mama. 109 Durante as atividades de extensão, percebeu-se que a maioria das mulheres que buscava o exame Papanicolau se inseria em uma faixa etária compatível com a jovialidade, ressaltando a necessidade de pesquisar o quantitativo de mulheres idosas inseridas nesta estratégia de rastreamento, para posterior refl exão do impacto das ações determinadas por políticas públicas de saúde. METODOLOGIA Estudo do tipo documental e retrospectivo, de abordagem quantitativa, desenvolvido em uma Unidade de Saúde da Família, no Distrito Sanitário de Saúde V, no município de João Pessoa – PB. A Unidade Integrada de Saúde da Família é composta por quatro Unidades de Saúde da Família, onde todas desenvolvem o Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo do Útero e de Mama, o “Viva Mulher”, no entanto, esta pesquisa foi desenvolvida em apenas uma das unidades, por ser a única do complexo a possuir os registros dos exames de Papanicolau durante um maior período de atendimento. A busca das informações foi realizada nos livros de registro de citologia oncótica. Foi levantado o total de mulheres que realizaram o exame no período de 2004 a 2009, sendo a delimitação da amostra, apenas as mulheres idosas, ou seja, aquelas com idade acima de 60 anos. Os dados foram coletados nos meses de novembro e dezembro de 2010. Para efetivação da pesquisa foram obedecidos os critérios estabelecidos na Resolução Nº 196/96, que regulamenta a pesquisa em seres humanos e acesso a dados pessoais do cliente para fi ns de pesquisa (4). Foi mantido o sigilo sobre a história clínica individual de cada atendimento, foi fornecida apenas a idade, fi cando assim impossível a identifi cação de qualquer mulher. A certidão de aprovação do Conselho de Ética em Pesquisa (CEP) do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) foi nº 731/10. As informações coletadas foram organizadas de forma a constituírem um banco de dados no aplicativo Excel do programa Microsoft Offi ce Professional Plus 2010, para a representação gráfi ca e posterior análise à luz da literatura pertinente. RESULTADOS E DISCUSSÃO A busca nos livros de registro de citologia oncótica revelou que 1.510 mulheres se submeteram a coleta de citológico no período de 2004 a 2009. Deste total, apenas 27 (1.78%) mulheres se enquadraram no critério de inclusão da amostra, ou seja, possuíram idade igual ou superior a sessenta anos (Figura 1). 110 É perceptível a redução expressiva de registros de mulheres idosas (acima de 60 anos) que procuraram o serviço ginecológico. Esse dado sugere que talvez a busca pelo exame esteja diretamente ligada à vida sexualmente ativa, já que as idosas passam por alterações hormonais que repercutem no declínio da atividade sexual. No que tange as modifi cações fi siológicas dessa fase, infl uenciadas pelas alterações hormonais, podem-se apontar algumas mudanças sexuais, tais como a diminuição ou ausência do desejo sexual, os quais causam desconforto no momento da relação, criando uma situação delicada, muitas vezes gerando repulsa do parceiro (5). Além disso, em nossa cultura, é esperado que o idoso não sinta desejos relacionados a atividade sexual, do con- trário esse desejo é considerado uma atitude imoral (6). Ante ao contexto, apesar de não possuirmos dados qualitativos que justifi quem a quantidade mínima de idosas na busca do exame. Deduz-se que elas possam atribuir ao mesmo, à conotação de prevenção de agravos decorrentes da atividade sexual, sendo talvez a não busca ao Papanicolau, uma confi rmação para a sociedade, de que elas não possuem vida sexualmente ativa. Consoante ao discurso, no Brasil, o Papanicolau é a estratégia de rastreamento reco- mendada pelo Ministério da Saúde prioritariamente para mulheres de 25 a 59 anos devido ao maior risco de desenvolvimento de lesões intraepiteliais percursoras do câncer de colo uterino (7). Neste aspecto, percebe-se que em virtude do cumprimento de metas de saúde, as mulheres idosas fi cam a margem dessa estratégia utilizada pelos serviços, sendo o rastreamento e a busca ativa de usuárias na senectude uma ação pouco executada pelos 111 profi ssionais. Assim, a promoção da saúde deve ser efetivada por meio de parcerias inter- setoriais, da participação popular e responsabilização coletiva. A garantia de estratégias de promoção da saúde e prevenção de doenças, principal- mente voltadas à educação sexual e reprodutiva, assim como o acolhimento e a realização do exame preventivo para o câncer do colo do útero em usuárias que têm atividade sexual – e as que não têm, a procurarem os serviços de saúde, devem articular as ações na atenção integral à saúde da mulher (8). CONCLUSÃO Mediante o contexto, a busca ao exame preventivo deve se entender as mulheres em todas as faixas etárias, fortalecendo a idéia de integralidade do cuidado à saúde em diferentes fases da vida. Desta forma, propostas e planos de ação em saúde pública não devem se restringir ao fato de cumprimento de metas, tampouco a papéis privativos de pro- fi ssionais específi cos, sugerindo a responsabilização a toda a equipe de saúde em parceria com a comunidade, mudanças nos hábitos de vida incompatíveis com o bem-estar. Refl etir sobre senectude feminina causa uma inquietação que vai além dos elementos e categorias geralmente utilizados para estereotipá-la em sua classifi cação e normatização. Portanto, é essencial que a mulher em diferentes fases da vida desfruteacupun- tura, encontramos-1) Alívio das dores; 2) Locomoção; 3) Melhora na qualidade do sono; 4) Melhora da auto-estima; No que se refere as difi culdades encontradas pelo idoso para realização da acupuntura, encontramos:1) Religião; 2) Falta de conhecimento a respeito da acupuntura. CONCLUSÃO O tratamento acupuntural realizado através de técnicas simples contribuiu de forma signifi cativa para que no século XX ocorresse uma verdadeira revolução da longevidade, que tende a se perpetuar por muito tempo, tornando-se muito maior no século seguinte. A importância da acupuntura nasce da premissa que o idoso quando tratado logo ao inicio do aparecimento dos primeiros sintomas tem maior probabilidade do não desenvolvimento de incapacidades já que seu acompanhamento começa a partir da desarmonia energética bio- fi siológica. Neste tocante, o crescimento da população da terceira idade passará por proble- mas comportamentais e também psicológicos grandiosos em um futuro próximo, já que são poucos os incentivos por parte das instituições de saúde e por órgãos governamentais.O Brasil em especial sofrerá um pouco mais, além de ser um país de terceiro mundo o aumento desta população é mais evidente, deixando estes idosos sem amplitude futura. Contudo, esses idosos passarão por tormentas em todos os aspectos se a partir de agora não for criada uma política de cuidados intensivos ao idoso, que funcione aliviando no mínimo seus 9 sinais e sintomas patológicos decorrentes de sua idade. Assim, o enfermeiro é habilitado a exercer a acupuntura, desde que tenha cursado essa especialização que tem a duração de dois anos, seja em hospitais, PSF (se regulamentado pelo Estado e Município) ou na comunidade.Portanto, o COFEN, na resolução 197, deixa claro que a Acupuntura pode ser praticada por Enfermeiros, desde que seja especialista em Acupuntura com carga horária adequada e reconhecido pelo MEC.Os resultados do estudo possibilitaram traçar um per- fi l dos participantes, analisando qualitativamente a necessidade de um acompanhamento efetivo aos idosos que apresentam obstáculos e/ou restrições no seu desenvolvimento, diminuindo a segregação dos mesmos.Segundos os dados coletados na pesquisa, encon- tramos relação de melhora signifi cativa do quadro clínico dos idosos com terapia simples e de custos baixos. Qualitativamente, os mesmos referem evolução na qualidade de vida, corroborando ao controle da dor por acupuntura desde o aparecimento dos primeiros sinto- mas, contemplando desta forma os benefícios acupunturais no alívio das dores e melhora do sono. REFERÊNCIA 1.GUYTON, A. C. Tratado de fi siologia médica. Guanabara Koogan. São Paulo, 2002. 2.HORTA W. de A. Processo de enfermagem. São Paulo: EPU/EDUSP, 1979. 3.PAVARINI, S. C. I. Dependência comportamental na velhice: uma análise do cuidado prestado ao idoso institucionalizado. 1996. Tese (Doutorado em Enfermagem)- UNICAMP, Campinas, 1996. 10 ATENDIMENTO HUMANIZADO AO IDOSO:CONHECIMENTO DE ENFERMEIROS EM UNIDADES DE SAÚDE DA FAMÍLIA Jane Sibelle Idelfonso Sabino, Faculdades Integradas de Patos-FIP Anchella Marla Dantas, Faculdades Integradas de Patos-FIP Camila Cayane Santos Fernandes, Faculdades Integradas de Patos-FIP Tarciana Sampaio Costa, Faculdades Integradas de Patos-FIP Ankilma do Nascimento Andrade, Faculdade Santa Maria – FSM, Faculdades Integradas de Patos- FIP INTRODUÇÃO O Brasil vivencia uma grande mudança em seu perfi l demográfi co e vem adquirindo características que em pouco tempo o tornará um país de pessoas idosas, despertando assim, o interesse pelo tema por pesquisadores, governo e pela sociedade. Este fato gerou um impacto marcante nos serviços de saúde, sendo as políticas públicas existentes, inefi - cientes se não priorizarem a demanda de uma sociedade em processo de envelhecimento. Em 2006, surge a Política Nacional de Humanização (PNH), lançada pelo Ministério da Saúde, que desenvolve um trabalho em consonância com o SUS, visando desfragmen- tar os processos de trabalho, priorizando a integralidade da atenção na busca coletiva de saúde(1). Considera a humanização como um oferecimento de um atendimento qualifi cado, fazendo uso da tecnologia e ao mesmo tempo utilizando o acolhimento no ambiente de cuidado. Uma das causas para a implantação da PNH é a necessidade de uma qualifi ca- ção visível dos profi ssionais para lidar com as dimensões subjetivas e sociais do processo saúde/doença. Por meio desta política, é garantido aos usuários o acesso à informações gerais sobre saúde, entre elas os direitos do código dos usuários do SUS. O profi ssional de saúde que pretende humanizar o atendimento deve estar ciente de que uma pessoa que adoece, em especial, os idosos precisam de cuidados qualifi cados(2). Reportando-se ao atendimento ao idoso nas Unidades de Saúde da Família/USF infelizmente segue uma padronização, na qual o cliente é atendido com normas e rotinas diárias que em sua maioria seguem um protocolo sistemático. Distanciando-se do real signifi cado de um atendimento humanizado, muitas vezes o idoso não é visto como um ser humano potencial, apenas como um condutor de refl exos degenerativos da idade(3). Diante do exposto o estudo tem como objetivo analisar o conhecimento dos enfermeiros sobre a humanização durante o atendimento ao idoso em Unidades de Saúde da Família. 11 METODOLOGIA A pesquisa constou de estudo do tipo exploratório-descritivo, com abordagem quali- tativa. Foi desenvolvida nas Unidades de Saúda da Família, zona rural, do município de Cajazeiras-PB. A população e amostra foram compostas por 11 enfermeiros da Estratégia Saúde da Família. Os dados foram coletados em maio de 2011, nas USF, com data e horários previa- mente agendados pela Coordenação da Atenção Básica. Optou-se pela técnica de análise Discurso do Sujeito Coletivo/DSC, que permite o resgate das opiniões coletadas, mediante transcrição das respostas adquiridas, seguida pela apreensão das palavras chaves, iden- tifi cação das idéias centrais, seleção do discurso e elaboração dos quadros. Consiste num conjunto de procedimentos de tabulação de dados discursivos utilizados na pesquisa quali- tativa que permite resgatar a compreensão sobre um determinado tema num dado universo. O Discurso do Sujeito Coletivo é a reunião num discurso-síntese das expressões-chave que manifestam a idéia central. Salienta-se que este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa – CEP, da Faculdade Santa Maria, conforme protocolo número 632122010. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados foram descritos em idéias centrais para melhor compreensão e análise do discurso do sujeito. Neste sentido, quando indagados sobre quais as estratégias que você utiliza para a efetivação do cuidado humanizado? Surgiram as idéias centrais: Saber escutar, dar atenção e atender bem. É necessário que os profi ssionais procurem inovarem e implementarem estratégias adequadas para lidar com a pessoa idosa, pois o mesmo encontra-se com medos, receios, desesperançoso, e necessita de um ambiente acolhedor, alegre, aconchegante e agradável para que possa sentir a vontade de retornar e da continuidade a assistência que o mesmo está necessitando no momento. Visualizar e defender como fundamental a presença da pessoa na família e na socie- dade de forma alegre, participativa, construtiva, é uma das importantes lições daqueles que abraçaram a proposta de atenção básica resolutiva, integral e humanizada, não deve aceitar apenas a longevidade do ser humano como a principal conquista da humanidade contemporânea, mas que esse ser humano tenha garantida uma vida com qualidade, feli- cidade e ativa participação no seu meio(4). Questionados sobre qual o entendimento sobre humanização, emergiram as seguin- tes idéias centrais: Respeito, atenção e igualdade 12 Os discursos revelam que a humanização é ter respeito, atenção e igualdade na assistênciade sua sexua- lidade de forma saudável, respeitando sua subjetividade na busca do conhecimento de seus próprios pensamentos, emoções, valores e desejos, em vez de relegá-los ao segundo plano em vista de parâmetros pré-fi xados na sociedade (9). REFERÊNCIAS 1. Camarano AA. Envelhecimento da população brasileira: uma contribuição demográ- fi ca. Tratado de geriatria e gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. 2. Oliveira TC, Araújo TL, Moreira TM. Avaliação de fatores de risco para alterações car- diovasculares e de alterações oculares em grupo de idosos. Rev. Nursing. 2003; 56(6), 15-21. 3. Lima-Costa MF, Veras R. Saúde pública e envelhecimento. Cad. Saúde Pública. 2003; 19(3):700-701. 112 4. Ministério da Saúde (Br) Resolução nº 196/96 sobre pesquisa envolvendo seres humanos. Conselho Nacional de Saúde. Comissão de Ética e Pesquisa – CONEP. Brasília, 1996. 5. Oliveira DMJ, Jesus MCP, Merighi MAB. Climatério e sexualidade: a compreensão dessa interface por mulheres assistidas em grupo. Texto contexto - enferm. [online], 2008; 17 (3), 519-526. ISSN 0104-0707. 6. Santos SS. Sexualidade e a velhice: uma abordagem psicanalítica. Tratado de geria- tria e gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006. 7. Ministério da Saúde (Br). Estimativa 2010: Incidência de câncer no Brasil. [site de Internet] Disponível em: http://www.inca.gov.br/estimativa/2010/index. asp?link=conteudo_view.asp&ID=5 [Citado em 2011 set 16]. 8. Ministério da Saúde (Br). Controle dos cânceres do colo uterino e da mama. Brasília; 2006. 9. Zaccara AAL, Andrade SSC, Leite KNS, Costa TF, Silva BL, Silva FMC. Sexualidade em idosas: um estudo bibliográfi co. Anais do II Colóquio Luso-Brasileiro sobre saúde, educação e representações sociais; 2010 nov 22-25; João Pessoa, Brasil. João Pessoa: Universidade Federal da Paraíba; 2010; ISBN 978-85-7745-640-6. 113 EDUCAÇÃO EM SAÚDE VOLTADA AOS IDOSOS NA ESTRATÉGIA SAÚDE DA FAMÍLIA: IMPASSES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES Verbena Santos Araújo – UFPB/FMN INTRODUÇÃO As práticas educativas enquanto caminho integrador do cuidar, caracteriza-se como um excelente espaço de refl exão-ação, norteado por inúmeros saberes técnico-científi cos e populares, culturalmente signifi cativos para o exercício da democracia, capaz de promo- ver mudanças individuais signifi cativas e prontidão para atuar na comunidade e na família, interferindo no controle e na implementação de políticas públicas em prol de uma transfor- mação social(1). Mediante ao panorama atual observado no Brasil, no que diz respeito ao aumento da expectativa de vida das pessoas, onde estima-se que o índice de idosos chegará a 106,8% em 2050(2), torna-se de extrema importância conhecer as experiências vivenciadas pelos profi ssionais de saúde envolvidos nos processos de Educação em Saúde para idosos na Estratégia Saúde da Família. Neste sentido, este trabalho elegeu como objetivo: identifi car e compreender os impasses, desafi os e possibilidades das práticas de educação em saúde voltadas aos idosos na Estratégia Saúde da Família. METODOLOGIA A pesquisa foi inserida numa abordagem qualitativa e subsidiada a partir da estratégia da História Oral Temática, e para sua viabilização elegeu-se como instrumento, a técnica de entrevista. O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário Lauro Wanderley-UFPB, sob o protocolo no. 093/10. Todas as etapas metodológi- cas foram norteadas pelas observâncias éticas contempladas nas Diretrizes e Normas Regulamentadoras da Pesquisa Envolvendo Seres Humanos, estabelecidas pela Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde(3). Os cenários da pesquisa foram as Unidades Básicas de Saúde da Família que traba- lham ou já trabalharam com Educação em Saúde voltadas para os Idosos, na Cidade de 114 Campina Grande/PB, de onde foi selecionada a rede de estudo proposta, constituída por doze participantes, identifi cadas por pseudônimos para resguardar o caráter confi dencial das informações, fazendo alusão a pedras preciosas. Esse estudo foi direcionado de acordo com os pressupostos teóricos(4) de acordo com a pergunta de corte: Quais os impasses, desafi os e possibilidades encontrados nas práticas educativas direcionadas aos idosos na ESF? A discussão do material produzido foi toda guiada pelo tom vital das narrativas, prece- dida por leituras exaustivas e iluminadas pelos autores que compõem a literatura pertinente. RESULTADOS E DISCUSSÃO As ações educativas podem ser executadas em qualquer ambiente: como enferma- rias, consultórios, salas de aula, grupo terapêutico, unidades de saúde, salas de espera e outros, desde que haja um propósito e ambiente propício(5). Então, na Estratégia Saúde da Família, transformar a sala de espera em espaço de estreitamento das relações e diálogo entre o idoso e o educador em saúde é de suma importância, já que é um local de aconchego para os usuários, de partilha e de conversa, onde pode-se estimular a humanização do atendimento, proporcionar um ambiente de aco- lhimento, principalmente aos idosos e familiares que utilizam os serviços de saúde. Sobre essa condição de execução de ações educativas na sala de espera a colaboradora a seguir tece seu depoimento: [...] a sala de espera é realmente o local preferido para fazermos as ações de educação em saúde. [...] nesse momento a gente tenta trabalhar com eles temas importantes.... (Alexandrita). Sendo assim, um atendimento individual ou coletivo, com esses usuários, pode e deve ser um momento de rico aprendizado mútuo, pois pode ajudar bastante no contexto saúde-doença como mecanismo de orientação e troca, entre o profi ssional de saúde e o usuário, principalmente quando este é idoso e necessita de um atendimento especializado. Discursos como o da colaboradora Pérola revelam essa tendência, como forma de se apro- ximar ao máximo do idoso: [...] durante a consulta nós conversamos com os idosos, os orientamos, damos explicações, os escutamos... Porém, nota-se que é nos grupos onde há condições mais propícias ao desenvolvi- mento de ações educativas em saúde mais efi cazes, como a maior disponibilidade para a apreensão e debate de informações e a troca de experiências entre os participantes. A atividade de grupo representa “uma oportunidade singular de repor a questão saúde no espaço coletivo, aprofundar aprendizados, fortalecer vínculos, propor abordagens lúdicas, 115 dimensões ainda pouco valorizadas no contexto assistencial”(6). Em relação a esse método de abordagem grupal, as colaboradoras revelaram inúmeras experiências satisfatórias, dentre as quais destaca-se: [...]trabalhar com grupos é muito bom, pois a partir do momento em que os idosos participam desses encontros, e eles são sempre muito participativos com relação a sua saúde, então param de fi car esperando só pela sua família para tomar a ini- ciativa... (Opala) Nos grupos criam-se vínculos importantes entre os participantes e entre eles e os profi ssionais de saúde, otimizando o tempo e estreitando as relações de confi ança entre os sujeitos envolvidos, tornando a comunicação mais efi caz e a interpretação mais fácil, funciona como um fi ltro de onde passam apenas aqueles problemas pessoais e intransfe- ríveis ou de caráter mais peculiar. Sobre o trabalho educativo em grupos a colaboradora Turquesa comenta: [...] muita coisa nós resolvemos no próprio grupo e passa pouca coisa por essa peneira e é a partir desse fi ltro que fazemos os encaminhamentos daqui, desafo- gando bastante as nossas ações. Então, criar a possibilidade de ter um espaço no qual pode-se realizar diferentes ati- vidades e, ao mesmo tempo conversar, sorrir e estar com outras pessoas, promovendo assim momentos de laser e descontração é de fundamental importância, pois favorece o bem-estar do idoso e o liberta dos sentimentos negativos inerentes a essa faixa etária, melhorandosignifi cativamente a qualidade de vida desses usuários. As colaboradoras revelam que a melhoria na qualidade de vida dos idosos é evidente a partir das atividades desenvolvidas nos grupos. Portanto, é essencial que prossigam desenvolvendo tarefas físicas, lúdicas e intelectuais, sem esquecer-se de aproveitar tam- bém momentos de laser e que a sociedade continue a se benefi ciar com sua efi ciência(7). Sendo assim, as colaboradoras afi rmam trabalhar nessa perspectiva, incluindo os idosos em atividades diversifi cadas de laser e descontração, em busca do seu bem-estar, resta- belecimento da autoestima e a revalorização individual: [...] é um grupo voltado exclusiva- mente para população idosa do distrito, em que há um trabalho direcionado para o lazer, proporcionando interação com outros grupos, visitação ao Centro de Convivência do Idoso, passeios, bingos semanais e grupo de dança... (Safi ra) Porém, nos discursos de algumas colaboradoras, observa-se a prevalência do modelo tradicional, caracterizado como a adoção de estratégias de ação que incluem informações verticalizadas, sendo os idosos tratados como carentes de informações, cujo principal obje- tivo é informar para a saúde(8). A revelação que segue traduz esse modelo: [...] já passamos vídeos orientando sobre o uso da insulina, ensinando direitinho sobre a medicação, quais atividades devem ser feitas... (Água marinha) 116 As palestras são caracterizadas, dentre os métodos formais, como o símbolo das práticas de educação em saúde. Nessa perspectiva, denota o discurso da colaboradora Diamante: [...] nós fazemos muitas palestras, falamos sobre todo tipo de assunto, agora mesmo teve palestra sobre o dia mundial da saúde, outra vez debatemos sobre o dia da consciência negra... Os discursos das colaboradoras também revelaram que a disposição de se traba- lhar nessa perspectiva se esbarra em difi culdades encontradas no processo de trabalho, como a falta de tempo em detrimento da alta demanda e sobrecarga de atendimentos em função da cobrança de metas de produtividade, como sugere o discurso da colaboradora Turmalina: [...] o grupo da unidade se reúne uma vez por mês ou mais com os idosos [...], porém a questão da nossa rotina, do nosso atendimento, atrapalha muito o cronograma das ações educativas. Ainda merece destaque outros desafi os encontrados pelos profi ssionais de saúde para realizarem ações educativas com seus idosos, como a ausência de espaço físico apro- priado para a execução dessas atividades na comunidade adicionando-se a falta de cadei- ras e material qualifi cado, evidenciando a necessidade de investimentos na infra-estrutura, para tornar esse ambiente mais agradável, atrativo, e adequado para as atividades junto à comunidade, como sugere o discurso: [...] você pode ver que a área física do nosso posto é pequena, nós não temos uma área para acolher a população com ações educativas como ela merece... (Alexandrita) A falta de material de apoio educativo para a operacionalização das ações educativas é mais um impasse que limita as atividades grupais, uma vez que os insumos são impor- tantes para a concretização das ações de educação em saúde, haja vista, a necessidade de ilustrar e dinamizar essas ações. Como observado abaixo: [...] não temos recurso audio- visual nenhum, nós não temos uma televisão, não temos um DVD, não temos nada [...], se quisermos fazer algo diferente, realmente, temos que trazer de nossas casas, deslocar tudo ou pedir na secretaria com muita antecedência... (Jade) CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante dos desafi os e impasses revelados faz-se necessário ajustes, como investi- mento na infraestrutura das áreas disponíveis, melhor organização nos cronogramas de atividades executáveis, na qualifi cação e simplifi cação dos materiais didáticos e metodoló- gicos para a prática das ações educativas. 117 É evidente a necessidade de se criar estímulos à participação e frequência da comu- nidade as reuniões sistemáticas dos grupos e para a efetiva participação de todos os pro- fi ssionais atuantes nessa proposta e, principalmente, a qualifi cação dos educadores em saúde, para melhorar as metodologias aplicadas ao processo educativo. Mesmo diante das impossibilidades ou difi culdades vivenciadas, as colaboradoras encontram mecanismos satisfatórios para driblarem tais impasses, criando possibilida- des e parcerias, sem medirem esforços para executarem suas ações educativas junto à comunidade idosa, enfrentando as carências e difi culdades político-administrativas e/ou de infra-estrutura. REFERÊNCIAS 1. Catrib AMF; Pordeus, AMJ; Ataíde MBC; Albuquerque VLM.; Vieira NFC. Promoção da saúde: saber fazer em construção. In: Barroso GT, Vieira NFC, Varela ZMV, organiza- dores. Educação sem saúde: no contexto da promoção humana. Fortaleza: Demócrito Rocha, 2003. 2. Camarano AA. Envelhecimento da População Brasileira: problema para quem? Rev. Bahia Análise & Dados. Salvador – BA v.10 n.4 p.36-48 Março 2001. 3. Ministério da Saúde. Resolução 196/96 e suas complementações. Conselho Nacional de Saúde. Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Brasília: Editora MS, 2002. 4. Bom Meihy JCS. Manual de História Oral. São Paulo: Loyola, 2005. 5. Silva IZQJ. O trabalho em equipe no PSF: investigando a articulação técnica e a inte- ração entre os profi ssionais. Rev Interface-Comun Saúde Educ 2005. 6. Assis M. Uma Nova Sensibilidade nas Práticas de Saúde. In Vasconcelos EM.(org). A saúde nas palavras e nos gestos. Refl exões da Rede de Educação Popular e Saúde. São Paulo: HUCITEC. 2001. 7. Barroso MJLCR. A Iniciativa Pública e Privada nos Serviços de Saúde, Educação, Cultura e Lazer. A Terceira Idade, n. 17, p. 28-38, 1999. 8. Alves VS. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da Família: pela integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. Interface - Comunicação, Saúde, Educação, v.9, n.16, p.39-52, set.2004/fev.2005. 118 RISCO DE ÚLCERA DE PRESSÃO EM IDOSOS DE UMA UNIDADE DE SAÚDE DA FAMÍLIA – JOÃO PESSOA, PB. INTRODUÇÃO As intervenções da atenção básica e a Estratégia de Saúde da Família são funda- mentais para o envelhecimento saudável e promoção à saúde do idoso. A saúde da pessoa idosa deve ser entendida como a interação entre saúde física, saúde mental, independência na vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica e suas ações devem estar direcionadas às mudanças de estilo de vida, hábitos saudáveis e eliminação de costumes nocivos à saúde, bem como na prevenção de quedas e no enfrentamento da violência e maus tratos contra os idosos(1). Entre os fatores que envolvem o processo do envelhecimento, estão relacionados o aparecimento de determinadas doenças crônico-degenerativas as quais geram incapacida- des e dependência, fatores que são considerados como as maiores adversidades da saúde associadas ao envelhecimento. No contexto da Estratégia de Saúde da Família, destaca- -se o trabalho dos profi ssionais de saúde voltados para a assistência integral e contínua de todos os membros das famílias vinculadas às unidades, em cada uma das fases de seu ciclo de vida, sem perder de vista o seu contexto familiar e social(2). As úlceras de pressão (UP) podem ocasionar dor, infecções e aumento da imobilidade e dependência. Sua identifi cação precoce nos idosos de risco e dos fatores que os afetam individualmente é fundamental para sua prevenção. Muitos instrumentos para avaliar o risco de úlcera de pressão utilizam um sistema de pontuação, como a Escala de Branden que exige a avaliação dos parâmetros de percepção sensorial, umidade, atividade física, mobilidade, nutrição, fricção e cisalhamento, fornecendo um escore numérico de avaliação deste risco(3). Na busca por uma melhor qualidade da assistência nos serviços de saúde, é importante reconhecer a úlcera de pressão como um problema extenso capaz de interferir nessa quali- dade de vida,sendo, portanto, necessário que toda equipe multiprofi ssional de saúde esteja envolvida e estimulada a conhecer e entender o que são úlceras de pressão, suas causas e os fatores de riscos, a fi m de implementarem ações efetivas de prevenção e tratamento(4). Com base nestas refl exões, o objetivo deste estudo foi identifi car o perfi l social, de saúde e o risco para desenvolver úlceras de pressão em idosos usuários de uma Unidade de Saúde da Família de João Pessoa/PB. 119 METODOLOGIA Trata-se de um estudo quali-quantitativo com abordagem não-experimental, explorató- rio e descritivo, que faz parte de uma pesquisa maior intitulada “perfi l de saúde, aspecto fun- cional e social de idosos de uma unidade integrada de saúde da família – João Pessoa/PB. O local de estudo foi o território de uma Unidade de Saúde da Família, localizado em João Pessoa/ PB e a população utilizada foi constituída por 50 idosos cadastrados nesta unidade. Os pesquisadores seguiram as observâncias éticas da Resolução 196/96 do Conse- lho Nacional de Saúde, principalmente no cumprimento ao termo de consentimento livre e esclarecido, sendo aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba. A coleta de dados foi realizada pelos próprios pesquisadores através de questioná- rio e ocorreu nos meses de janeiro a março de 2010, através do uso de um questionário contendo questões objetivas sobre dados sócio-demográfi cos e da Escala de Branden para mensuração do risco de desenvolver úlcera de pressão. Para a análise dos dados foi utilizado o programa Statistical Package for Social Sciences-SPSS V.13.1 e construídas as freqüência absoluta (n) e relativa (%), além da metodologia própria de mensuração da Escala de Branden. RESULTADOS E DISCUSSÃO Inicialmente, baseados nos dados coletados na primeira fase deste estudo, apresen- tamos os dados de identifi cação sócio-demográfi ca dos idosos participantes do estudo: Tabela 1 – Distribuição dos idosos segundo suas características sócio-demográfi cas. João Pessoa, PB, 2010. Variáveis N % Sexo Masculino Feminino Estado civil Solteiro Viúvo Casado Separado Cor Parda Preto Amarela Branca Escolaridade Analfabeta Ensino Fundamental Ensino Médio 17 33 6 16 21 6 33 1 1 15 15 27 8 34 66 12 32 42 12 66 2 2 30 30 54 16 120 Ao se questionar a idade dos idosos obtivemos uma média de 72,59 (desvio padrão de 9,8), com máxima de 98 e mínima de 59. Observa-se a forte presença do sexo feminino, do baixo nível de escolaridade e no que diz respeito ao estado civil um grande número de idosos viúvos, ou seja, que vivenciam a velhice na ausência do seu companheiro (a), podendo ser este um fator determinante para qualidade de vida ou não. Com relação à renda 22% (n=11) dos idosos ainda trabalham, e 78% (n=39) não tra- balham, 76% (n=38) possuem aposentadoria e 24% (n=12) que não possuem este bene- fício. A média da renda foi de R$ 858, 08 (desvio padrão de R$ 557,084), com máxima de R$ 3500 e mínima de R$ 500. Sendo que 60%(n= 30) dos idosos dividem sua renda com a família e 34% (n=17) não dividem. Quanto ao perfi l de saúde os dados foram: Tabela 2 – Distribuição dos idosos segundo suas características de saúde. João Pessoa, PB, 2010. Variáveis N % Estado de saúde Muito bom Bom Regular Ruim Muito ruim Assistência Hospital PSF Clinica particular Farmácia Doença HAS DIA Problema oftalmológico Problema digestivo Problema de audição Problema bucal Falta de apetite Perda de memória Queda 4 17 18 7 4 15 31 6 1 24 6 42 14 18 22 20 32 9 18 34 36 14 8 30 62 6 2 48 12 84 28 36 44 40 64 18 Quanto ao perfi l de saúde dos idosos a maior parte está em uma situação regular (autoreferido) com presença de algumas patologias crônicas características do envelheci- mento. A maior parte utiliza dos serviços de saúde do PSF, destes 52% (n=26) realiza tra- tamentos, 62% (n=31) buscam medicamentos, 46% (n=23) buscam receitas médicas, 40% (n=20) fazem acompanhamento de sua saúde com os profi ssionais da ESF, 32% (n=16) 121 participam de atividades de prevenção de doenças e agravos, 28% (n=14) participam dos grupos de convivência, e destes 82% (n=41) garantem obter resolutividade dos seus pro- blemas na Unidade de Saúde da Família. Após a descrição dos dados da primeira etapa, segue-se a etapa de avaliação do risco de desenvolvimento de úlcera de pressão por estes idosos, utilizando-se uma escala de mensuração numérica. A escala de Braden fornece seis parâmetros para avaliação, pelas suas subescalas: 1- percepção sensorial; 2- umidade; 3- atividade; 4- mobilidade; 5- nutrição; 6- fricção e cisalhamento. Cada subescala tem pontuação que varia entre 1 e 4, com exceção do domí- nio fricção e cisalhamento. A somatória total fi ca entre os valores 6 e 23. Escore igual ou menor que 16 denota que o paciente adulto tem risco para o desenvolvimento de UP, entre- tanto, na presença de outros fatores como idade maior que 65 anos, febre, baixa ingestão de proteína, pressão diastólica menor que 60 MMHg e/ou instabilidade hemodinâmica os pacientes com escores 17 e 18 também são considerados como pacientes de risco(5). Os dados obtidos demonstraram que 94,1% (n=48) dos idosos do estudo estavam em um risco baixo para desenvolver úlcera de pressão. Apenas 5,9% (n=3) apresentaram um risco moderado. Isso se deve ao fato de que a maior parte dos idosos não encontravam-se em situação de dependência e poucos eram os que estavam em condições de restrição ao leito ou a cadeira de rodas. CONCLUSÃO O estudo, além de identifi car o perfi l social e de saúde, evidenciou através dos esco- res totais da Escala de Braden que os idosos usuários da referida Unidade de Saúde não estão em risco para o desenvolvimento de úlcera de pressão, o que refl ete a boa resolu- tividade das medidas de promoção, prevenção e recuperação da saúde da Estratégia de Saúde da Família para esta população. REFERÊNCIAS 1.Ramos LR. Fatores determinantes do envelhecimento saudável em idosos residentes em centro urbano: Projeto Epidoso, São Paulo. Cad Saúde Pública 2003; 1(3). 2.Silvestre JA, Neto MMC. Abordagem do idoso em programas de saúde da família. Cad Saúde Pública 2003; 19(3). 122 3.Morton PG et al. Cuidados críticos de enfermagem: uma abordagem holística. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007. 4.Costa IG. Incidência de úlcera de pressão e fatores de risco relacionados em pacientes de um centro de terapia intensiva [Dissertação]. Ribeirão Preto, 2003. 5.Fernandes LM, Caliri MHL. Uso da escala de Braden e de Glasgow para identifi cação do risco para úlceras de pressão em pacientes internados em centro de terapia intensiva. Rev Latino-am Enfermagem 2008; 16(6). 123 CÂNCER DE MAMA NA TERCEIRA IDADE: CUIDADOS E PREVENÇÃO Ana Lúcia de Medeiros1 Rômulo Wanderley de Lima Cabral2 Márcia Cristina de Jesus Souza3 1Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Obstétrica da Faculdade Santa Emília de Roda - FASER. 2Enfermeiro. Mestre em Saúde Pública. Professor do Departamento de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Obstétrica da Faculdade Santa Emília de Roda - FASER. 3Graduanda do Curso de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Santa Emília de Rodat - FASER. INTRODUÇÃO O Brasil vivencia uma mudança profunda no perfi l demográfi co da população e vem adquirindo características que em pouco tempo o tornarão um país de pessoas envelhe- cidas. Dentro desse contexto, tem-se outro fenômeno, o da feminização da velhice, que desperta o interesse de estudiosos, da sociedade e do governo1. A feminização da velhice no Brasil se explica em parte, pela maior expectativa de vida das mulheres, associada ao fato das mulheres serem detentoras de saberes e práticas de saúdevivenciadas nas suas experiências cotidianas do cuidar e identifi cam de forma pre- coce sinais e sintomas de várias doenças, o que faz com que o grupo feminino seja a maior demanda dos serviços de saúde em todas as áreas1. Nesse contexto, se destaca que, apesar das mudanças ocorridas no quadro epide- miológico da morbimortalidade feminina, o câncer de mama desponta como uma das maio- res causas de morte na população feminina e como o tipo mais comum de câncer feminino2. O câncer de mama é uma das neoplasias mais incidentes e prevalentes nas mulheres na maior parte do mundo. É provavelmente o mais temido, devido à sua alta frequência e principalmente pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e a própria imagem pessoal. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente3. No Brasil, o câncer de mama é o que mais causa mortes entre as mulheres. O câncer é uma doença crônica e degenerativa que possui evolução progressiva e demorada, exceto quando interrompido em algumas de suas fases. É caracterizado por um longo período de latência e fase assintomática prolongada, cuja etiologia geralmente está associada a uma série de fatores de riscos1. 124 Conforme o Ministério da Saúde, os principais fatores de risco para o câncer de mama são: sexo feminino, envelhecimento, gravidez em idade tardia, menarca precoce, meno- pausa após 55 anos, ciclos menstruais curtos, história familiar de câncer de mama, classe socioeconômica elevada, ausência de atividade sexual, residência em área urbana, inativi- dade física e os fatores ambientais4. Sabe-se que o estrogênio tem um importante papel no câncer de mama ao induzir o crescimento das células do tecido mamário, o que aumenta o potencial de alterações gené- ticas e, consequentemente, o desenvolvimento do câncer. Por isso, qualquer fator que leve a um aumento no estrogênio poderá levar também a um aumento no risco de adoecer por câncer de mama4. O objetivo desse estudo foi refl etir sobre o cuidado e a prevenção do câncer de mama em mulheres idosas, numa perspectiva refl exiva, do profi ssional enfermeiro. Portanto, espera-se com este estudo incentivar os profi ssionais de saúde, no sentido de incluir em suas práticas assistenciais o cuidado integral a saúde da mulher, em especial da idosa, contemplando dessa forma a prevenção do câncer de mama como um importante foco de atenção, considerando a elevada incidência desta patologia na população idosa. Além disso, esta refl exão poderá contribuir nas práticas de educação em saúde e em pesquisas congêneres. METODOLOGIA Trata-se de uma revisão bibliográfi ca de publicações nacionais a cerca da problemá- tica do cuidado e da prevenção do câncer de mama em mulheres com 60 anos e mais. O material considerado para análise foi obtido aleatoriamente em livros e periódicos nacionais. Os materiais considerados como pertinentes ao objeto de estudo foram classifi cados em três tópicos de refl exão: envelhecimento feminino, saúde e gênero; lacuna na integralidade da assistência à mulher idosa e cuidados e prevenção do câncer de mama na mulher idosa. RESULTADOS E DISCUSSÃO Categoria 1: Envelhecimento feminino, saúde e gênero O acelerado processo de envelhecimento da população brasileira é um fato estatis- ticamente comprovado, assim como, a feminização da velhice é uma evidência. Além do mais, pesa para as mulheres idosas de hoje a problematização das relações de gênero 125 vivenciadas no cotidiano das famílias e da sociedade, considerado a importância dos valo- res e papéis determinados para homens e mulheres no seu contexto social e histórico4. No entanto, as idosas, mesmo enfrentando todas as desigualdades sociais, econômi- cas e de gênero, uma boa parte deste contingente populacional consegue romper as barrei- ras da exclusão e da dominação masculina, construindo um novo estilo de vida a partir da participação em programas, movimentos sociais e religiosos e da aquisição de autonomia fi nanceira conquistada pela benefi cio da aposentadoria, além de determinada liberdade de gênero decorrente da redução das tarefas domésticas5. Categoria 2: lacuna na integralidade da assistência à mulher idosa com câncer de mama Constatou-se que há na literatura nacional e internacional uma quantidade vasta de artigos científi cos publicados a respeito do câncer de mama. As características da atual política de saúde, através da proposição do Sistema Único de Saúde (SUS), foram infl uenciadas pelo processo de municipalização, e principalmente, pela reorganização da atenção básica, por meio da Estratégia Saúde da Família. Apesar do empenho das autoridades e da expansão dessa estratégia no país, frente à elevada incidência do câncer de mama evidencia-se certa lacuna nos protocolos assistenciais no que se refere à prevenção e ao tratamento deste tipo de câncer em mulheres idosas, sendo este um sério problema de saúde pública no Brasil3. Categoria 3: Cuidados e prevenção do câncer de mama na mulher idosa O grande número de mulheres com diagnóstico de câncer de mama exige dos profi s- sionais de saúde e, dentre estes, os de enfermagem, valorizar essa problemática, identifi - cando ações de prevenção, educação e cuidado. Para a população em geral, em função do alto custo de programas de rastreamento para o câncer de mama, tem-se valorizado muito o auto-exame das mamas, que quando feito corretamente, pode levar a mulher a procurar o serviço de saúde precocemente, caso encontre alguma alteração, e talvez, em nosso país, chamar a atenção para o conheci- mento do próprio corpo. O ensinamento prático, com linguagem apropriada, ressaltando a necessidade de efetuar o auto-exame das mamas de modo regular, cuidadoso e completo, parece ser a melhor abordagem6. Assim, o enfermeiro nunca deve perder a oportunidade de oferecer instruções de como realizar o auto-exame das mamas, a importância de todos os meses está repetindo o exame numa data semelhante, enfatizando as alterações comuns que ocorrem durante o ciclo menstrual, e a importância de relatar qualquer alteração percebida que represente 126 algo incomum ou nunca sentido antes a um profi ssional de saúde, esclarecendo a signifi - cância de um diagnóstico precoce. Além disto, as mulheres, com 40 anos ou mais, devem realizar o exame clínico das mamas anualmente. E toda mulher, entre 50 e 69 anos, deve fazer uma mamografi a a cada dois anos. As mulheres com caso de câncer de mama na família (mãe, irmã, fi lha etc., diag- nosticados antes dos 50 anos), ou aquelas que tiverem câncer de ovário ou câncer em uma das mamas, em qualquer idade, devem realizar o exame clínico e mamografi a, a partir dos 35 anos de idade, anualmente4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Refl etir sobre a prevenção do câncer de mama em mulheres idosas, especialmente na atenção básica confi gurou-se em uma problemática que gerou uma curiosidade cientifi ca que estimulou a realização de buscas e pesquisas em livros e periódicos sobre a temática principalmente em decorrência dos crescentes índices de morbi-mortalidade feminina por esta patologia, inclusive na referida faixa etária. Além deste aspecto, ressalta-se a transição demográfi ca da população brasileira e nesta a feminização da velhice, acentuando-se a demanda assistencial nos diferentes níveis de atenção a saúde, o que tem motivado os governos a implantação de Programas e Projetos destinados ao atendimento do idoso. Porém, em relação à atenção integral e holística da mulher idosa em todas as suas necessidades de cuidados preventivos, identifi caram-se alguns determinantes de ordem institucional, profi ssional, cultural e de gênero, que terminam por dicotomizar e compar- timentalizar a atenção para algumas patologias crônicas e degenerativas, quais sejam a hipertensão e o diabetes, em detrimento, a prevenção do câncer de mama.Portanto, frente a essas defi ciências assistenciais e a identifi cação dos vários deter- minantes desta problemática de grande impacto na saúde das mulheres idosas, mostra-se com relevância refl exões como esta, pois a partir da discussão e da contextualização do fenômeno, constrói-se um marco temático crítico e refl exivo que poderá servir de subsidio para melhorar a assistência, favorecer a inclusão desta temática no ensino e estimular futu- ras investigações, a cerca da problemática da prevenção do câncer de mama na velhice. 127 REFERÊNCIAS 1 Carvalho MVB, Merighi MAB. O cuidar no processo de morrer na percepção de mulhe- res com câncer: uma atitude fenomenológica. Rev Latino-am Enfermagem. 2005; 13(6): 951-9. 2 Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Implantando o viva mulher - Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo de Útero e de Mama. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Câncer; 2006. 3 Cecília MRGC et al. Prevenção de câncer de mama em mulheres idosas: uma revisão. Rev Bras Enferm. 2009; 62(4):579-82. 4 Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Falando sobre câncer de mama. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Câncer; 2000. 5 Figueiredo MLF, Tyrrel MAR. O gênero (in) visível da terceira idade no saber da enfer- magem. Rev Bras Enferm. 2005; 57(6): 679-82. 6 Guedes MVC, Silva LF, Freitas MC. Educação em saúde: objeto de estudo em disserta- ções e teses de enfermeiras no Brasil. Rev Bras Enferm. 2004; 57(6): 662-5. 7 Duncan BB, Schimidt MI, Giugliani ERJ. Medicina Ambulatorial-condutas de atenção primária baseadas em evidências. 3°ed. Porto Alegre: Artmed, 2006. 128 TENDÊNCIAS DAS PESQUISAS EM ENFERMAGEM NA ATUAÇÃO DO (a) ENFERMEIRO (a) NA ASSISTÊNCIA AO IDOSO 1 Licia Marianne Pessoa Farias ²,Silvana Pontes de Oliveira2, Maria Tereza Dantas Bezerra2. 1Pesquisa realizada como requisito da disciplina “Ensino e Pesquisa I” do Curso de Enfermagem da Universidade Federal de Campina Grande. 2Graduanda em Enfermagem na Universidade Federal de Campina Grande. INTRODUÇÃO O Idoso tem sua defi nição baseada no limite etário, assim entende-se que idoso é o cidadão que possui uma idade superior aos 60 anos de idade 1. No Brasil, o número de idosos vem crescendo gradativamente, de acordo com o IBGE em 2025 este país ocupará o sexto lugar no quantitativo de idoso2. O envelhecimento deve ser tratado de uma forma natural, incluindo os processos de envelhecimento e tudo o que lhe acompanha, como doenças crônicas. O papel da enfermeira deve está ligado diretamente com o zelo, com o cuidado, com o aumento da estima e não apenas no tratamento de doenças3. Um dos grandes papéis da enfermeira relacionado com o idoso é a reabilitação, mas também se deve considerar a qualidade de vida, portanto o enfermeiro deve sempre trazer melhorias para promover a saúde do idoso e não só se preocupar com a cura da doença. Então o cuidar inclui também a redução de fatores que podem prejudicar a vivência dessa pessoa. A prática do profi ssional de enfermagem hoje muitas vezes tem uma imagem nega- tiva, pois o enfermeiro leva em consideração o estado do idoso, lembrando sempre que é uma pessoa impossibilitada viver a vida, e com isso o tratamento decai e ao invés de cuidar o profi ssional deixa de lado o seu dever e prática a sua função de forma inadequada e gros- seira, sem dar valor algum ao idoso 4. Geovanini ressalta que (...) não existe o cuidar se eu não souber quem estou cui- dando, existe o cuidar que parte do pressuposto do ser que é. Conhecer, cuidar e identifi car a coisa (a enfermidade, doença, a patologia) garante ao profi ssional a parcela técnica do cuidado, mas se for o sujeito enfermo que aparecer como uma coisa, a enfermagem perde seu sentido precípuo, deturpa sua natureza intríseca(...)5. Hoje, existe uma grande ajuda de pessoas que não tem nenhuma formação profi s- sional e atuam no cuidado ao idoso. Esses cuidadores por terem uma convivência maior 129 com os idosos e por saberem mais da vida de cada um, auxiliam no acompanhamento do enfermeiro, portanto o cuidador age juntamente com o enfermeiro, partindo de meios que levem em consideração o aspecto de vida de cada um. Esse artigo tem como principal objetivo conhecer a tendência em pesquisa acerca da assistência de enfermagem na atenção a pessoa idosa. Têm-se outros objetivos dos quais entre eles está: a especifi cação do relacionamento entre o enfermeiro e idoso e o conhecimento de alguns direitos relacionados ao idoso; METODOLOGIA Estudo Bibliográfi co realizado com base em pesquisas, utilizando bancos de dados do Scielo (Scientifi c Electronic Library Online) e do CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de pessoal de Nível superior). Na busca foram detectados 14 artigos e 41 resumos de teses e dissertações relacio- nados ao tema nessas bases de dados. Após a leitura de cada um, ocorreu uma seleção daqueles que seriam de grande inte- resse e só assim esses documentos bibliográfi cos foram analisados e estudados. Dessa forma foram encontrados no Scielo 14 artigos, que abordam a assistência do idoso no domicilio e a importância do cuidador para assistência domiciliar. Já no CAPES foram encontrados primeiramente 41 resumos, a sua seleção foi feita e desses resumos foram excluídos 30, fi cando apenas com 11 porque ocorreram algumas repetições ou não condiziam com o objetivo da pesquisa. As pesquisas enfatizam a importância de uma boa assistência ao idoso dada pelo profi ssional de Enfermagem, e foram feitas pelas palavras-chaves: assistência, idoso e enfermagem, nos meses de setembro e outubro, do ano de 2010. Portanto têm-se uma abordagem qualitativa. Também se deve ter uma refl exão da atuação desses profi ssionais com esses cidadãos, pois eles muitas vezes são tratados de forma inadequada, com desrespeitos e ignorância e nós como profi ssionais desse ramo devemos combater essa violência de qualquer forma, para que assim os que atuam nessa especialidade sejam reconhecidos como bons profi ssionais e de qualidade. 130 RESULTADOS E DISCUSSÃO Obteve-se uma pesquisa que predominou a abordagem qualitativa, sendo assim ade- quado para produção do conhecimento da atuação do Enfermeiro na assistência ao idoso. Tabela I-Distribuição de resumos e teses publicados sobre a atuação do enfermeiro na assistência ao idoso, nos bancos de dados do Scielo e Capes. Características n % Tipo (Artigo/Tese) Artigo 14 56% Tese 11 44% Total 25 100% Tipos de Estudo Qualitativo 18 72% Quanti-qualitativo 3 12% Não Informado 4 16% Total 25 100% Temática Relacionado à visão da enfer- meira (cuidado na Unidade Bá- sica de Saúde e Hospital) 8 32% Relacionado à visão do idoso 4 16% Relacionados à visão do cuida- dor (cuidado domiciliar) 13 52% Total 25 100% Características n % Cenários Atenção Básica 9 36% Domicilio 16 64% Total 25 100% Autores Docente 8 32% Discende de Doutorado 4 16% Discende de Mestrado 10 40% Mestre 3 12% Total 25 100% Regiões Sudeste 14 56% Sul 6 24% Norte 2 8% Nordeste 3 12% Total 25 100% Quanto aos sujeitos, constata-se que nos artigos e dissertações utilizados abrange o profi ssional de enfermagem no geral, não especifi cando se masculino ou feminino. Na Pesquisa, principalmente no Scielo, houve uma diversifi cação de temas relaciona- dos também com o idoso, mas que abrangiam muito a Enfermagem no domicilio do idoso, com a participação de cuidadores que atuariam sempre em conjunto com o profi ssional da enfermagem. No Capes, os temas já foram mais específi cos, e com grandes análises de como seria a atuação do enfermeiro com o idoso. É destacada no estudo a participação de não-profi ssionais que auxiliam na assistên- cia do idoso, atuando em conjunto com os profi ssionais de enfermagem. A assistência ao idoso é tema deste estudo devido a grande problematização dos cuidados recebidos pelos idosos,tanto no domicilio quanto no próprio ambiente hospita- lar. Esses idosos passam por experiências que devem ser tomadas em conhecimento de todos, pois os grandes números de maus tratos, tanto verbal quanto fi sicamente, crescem consideravelmente. Atos simples que interferem na vida de idoso, imagina-se dentro de um 131 ambiente onde todos têm que estar ligados diretamente ao paciente, cuidando e dando o máximo de atenção possível, essa população sendo tratada de forma inadequada, seria um grande decaimento da vida de um idoso, pois esses processos só acelerariam o fi m da vida desses indivíduos. A assistência ao idoso no ambiente familiar muitas vezes se torna difícil pela não- -preparação das pessoas que o acompanham, muitas vezes é um fi lho, um neto que não tem preparação nenhuma para dar assistência a esses idosos, assim foram encontrados bibliográfi cos que demonstravam essa insegurança dos parentes e familiares, o que pro- voca o grande crescimento de cuidadores de idosos. No banco de dados do Scielo foram encontrados artigos que abordavam muito o papel dos cuidadores de idosos que podem ser classifi cados como os cuidadores formais que compreendem todos os profi ssionais e instituições que realizam atendimento sob forma de prestação de serviços e cuidadores informais, os familiares, amigos, vizinhos membro da igreja, entre outros 6. É essencial a pesquisa e compreensão do papel desses cuidadores, especialmente os informais, que manifestam seu papel fazendo um elo com a família e com o serviço de saúde. As pesquisas também relacionam a saúde do idoso no programa da Unidade básica de saúde, onde esses idosos são tratados por profi ssionais que muitas vezes não possuem cursos de especialização em geriatria mais possuem especializações em saúde pública. Esses enfermeiros geralmente tem ações predominantes como ações curativas, ações vol- tadas para promoção de saúde incluindo assim a visita domiciliar, orientações dietéticas, de higiene corporal/ambiental e de alterações fi siológicas decorrentes do envelhecimento. Verifi ca-se a partir dos resultados do estudo, uma tendência a investigação de temas principalmente relacionados aos cuidadores de Idosos no âmbito domiciliar e na Unidade de Saúde básica do Idoso. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para realização desta pesquisa, foi necessário adquirir um conhecimento prévio sobre os bancos de dados utilizados, e só assim conseguiu-se a partir de produções cientifi cas analisar como está à assistência ao idoso feita a partir de profi ssionais de enfermagem. Pôde-se também analisar como está o crescente número de cuidadores destes idosos, que hoje serve como apoio aos profi ssionais de enfermagem. Foram utilizados textos bases, como Política Nacional do Idoso, que ajudaram na compreensão da importância do idoso na sociedade. 132 Esses estudos mostraram o quanto deve ser priorizada a assistência ao idoso, pelo fato de serem pessoas frágeis e que precisam de um acompanhamento preciso. Desta forma acredita-se que essa pesquisa irá contribuir para analise pessoal de cada profi ssional da enfermagem, levando em consideração o tratamento, o respeito que cada um deve ter para com esse individuo. REFERÊNCIAS 1. BRASIL. Ministério da Saúde. Estatuto do Idoso / Ministério da Saúde. –1. ed., 2ª reimpr. –Brasília:Ministério da Saúde, 2003.Acesso em:04/11/2010. 2. KALACHE A, VERAS RP, RAMOS LR. O envelhecimento da população mundial. Um desafi o novo. Rev. Saúde Pública.[internet]. 1987; v.21 : p. 200-10.Disponível em:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034891019870003000. 3. BRASIL.Ministério da Saúde. Aprovação da política Nacional do Idoso. Brasília, 19out.2006.Disponívelem:http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/2528%20 aprova%20a%20politica%20nacional%20de%20saude%20da%20pessoa%20idosa. pdf 4. MACÊDO CP.Prática dos enfermeiros na assistência ao idoso nas Unidades Básicas de Saúde de Belo Horizonte.Minas Gerais:Universidade Federal de Minas Gerais;2003. 5. GEOVANINI T,MOREIRA A, DORNELLES S, MACHADO W.História da Enfermagem:versões e interpretações.3 ed.Rio de Janeiro:Revinter,2010. 6. ALVAREZ ÂM.Tendo que cuidar:a vivência do idoso e de sua família cuidadora no processo de cuidar e ser cuidado em contexto domiciliar. Santa Catarina: Universidade Federal de Santa Catarina; 2001. 133 ESPECIALISTAS EM GERIATRIA E A POPULAÇÃO IDOSA PARAIBANA: UM ESTUDO DE PROJEÇÕES Mestrando Elídio Vanzella.UFPB Dr. Eufrásio de Andrade Lima Neto.UFPB Dr. César Cavalcanti da Silva.UFPB INTRODUÇÃO De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE)1 (2009), é indiscutível a melhoria nos níveis de sobrevivência da população brasileira a partir dos anos 1930 e conclui que, a esperança de vida ao nascer que era de 41,5 anos aumentou para 72,7 anos em 2008, com perspectiva de alcançar 81,2 anos em 2050. Na Paraíba, Considerando-se a divulgação da Síntese de Indicadores Sociais, feita pelo mesmo insti- tuto, o crescimento na expectativa de vida aumentou para 69,4 anos em 2008. Em síntese, as informações sobre a esperança de vida ao nascer apontam, clara- mente, para um processo de envelhecimento populacional no país, o que vai exigir novas prioridades na área das políticas públicas a serem direcionadas para grupos populacionais específi cos. Como exemplo dessa prioridade, destaca-se a formação urgente de recursos humanos para atendimento geriátrico e gerontológico. Para Pereira, Feliz e Schawnke2 (2010), a atenção adequada à saúde dos idosos, requer conhecimentos específi cos diferentes daqueles necessários ao cuidado de adultos e há evidências na literatura de que muitos médicos encontram difi culdades para o atendi- mento dessa população. Dentro deste contexto, a inclusão do processo de envelhecimento como curso de vida e em todos seus aspectos nos currículos de graduação é uma prio- ridade. Ainda pelo fato de que a população brasileira está envelhecendo e que os idosos possuem em relação aos jovens, mais doenças crônicas e consequentemente o número de consultas é superior, difi cilmente o país contará com número sufi ciente de especialistas e o atendimento dos pacientes geriátricos deverá, por muito tempo, continuar sendo feito por médicos de outras áreas. Assim, partindo do pressuposto que, em um futuro muito pró- ximo, o número de médicos com especialidade para atenção da população idosa não terá acompanhado a curva de crescimento desta população no Estado da Paraíba, formula-se a questão norteadora para o presente estudo: A curva de crescimento da população médica com especialidades na área de atenção ao idoso do estado da Paraíba projeta números compatíveis com o crescimento da população idosa? 134 Para responder a estas questões foi formulado como objetivo geral: Conhecer a curva de crescimento da população idosa e da população médica especialista do estado da Paraíba para os anos 2011 a 2015, e como objetivos específi cos: Determinar quais espe- cialidades médicas são prioritárias para a atenção a saúde do idoso; realizar projeções estatísticas e interpretar a curva de crescimento da população idosa e da população médica especialista para o mesmo período. METODOLOGIA O estudo será do tipo exploratório-descritivo, desenvolvido a partir de abordagem quantitativa e os dados serão analisados por meio do pacote estatístico R (2.12.0), que é uma linguagem e ambiente para computação estatística e gráfi ca. O programa R está dis- ponível como software livre, na forma de código aberto. As especialidades médicas consideradas neste estudo foram as de geriatria, endocri- nologia, fi siatria, neurologia, gastroenterologia, ortopedia e cardiologia. Para modelar a série temporal sobre o número de médicos especialistas que traba- lham no Estado da Paraíba consideraremos o modelo de suavizamento de Holt-Winters e os modelos de Box-Jenkins. Segundo Morettin e Toloi3 (2006), série temporalé qualquer conjunto de observações ordenadas no tempo. Se estas observações consecutivas são dependentes uma das outras, é possível conseguir-se uma previsão, afi rma Souza4(1989) e assim fornecer bases para compreender o comportamento do evento ao qual está se analisando. O princípio da análise pelas séries de tempo esta ancorado na possibilidade de se extrair conclusões sobre o comportamento passado da variável e que poderão fornecer informações sobre o seu provável comportamento no futuro5. As projeções da população idosa na Paraíba serão obtidas pela função geométrica: , onde: População inicial (P0), Intervalo de tempo em anos (n1), Taxa mensal de crescimento (r), e , onde: População inicial (P0), População fi nal (Pf) Intervalo de tempo em anos (n1). RESULTADOS E DISCUSSÃO 135 Neste seção serão apresentados resultados que foram obtidos nesta fase de seu estudo. A Figura 1 demonstra a evolução dos registros de médicos especialistas do ano de 1959 até o ano de 2010. Figura 1: Série dos médicos especialistas registrados no CRM/PB (1959-2010). Com o objetivo estacionar a série, foi aplicado o procedimento de realizar diferenças e com uma diferença a série apresentou, segundo o teste de Dickey-Fuller, um p-valor 0,01, cirúrgico é permeado por diversas tecnologias, procedimentos invasivos e dolorosos e ainda pelo uso de jargões por parte dos profi ssionais que prestam o cuidado, além disso, a hospitalização exige mudanças nos hábitos de vida, podendo desencadear no idoso ansiedade e medo, devido às expectativas, dúvidas e tremores em relação ao que irá acontecer3 .Diante dessa perspectiva, destaca- -se o uso da comunicação terapêutica pelo enfermeiro que presta assistência ao idoso no período pré-operatório, visando o esclarecimento de anseios, dúvidas e redução da ansie- dade. Destaca-se, pois, que para enfrentar esse momento, o paciente necessita que de um bom relacionamento interpessoal baseado em uma comunicação efi caz, sendo esse um dos instrumentos indispensáveis para o cuidado humanizado, infl uenciando diretamente na qualidade da assistência, bem-estar, aprendizado e recuperação da saúde do paciente. No que concerne a população idosa evidencia-se a importância da capacitação dos profi ssio- nais em cuidar das especifi cidades envolvidas no processo de senescência e a conscien- tização dos benefícios que podem ser obtidos por meio da comunicação interpessoal.4,5 .Dessa forma, realizar o cuidado de enfermagem a pacientes idosos que serão submetidos à cirurgia, priorizando uma boa relação interpessoal, requer do enfermeiro habilidades e 139 conhecimentos a respeito das possíveis alterações funcionais e reações emocionais que o mesmo pode apresentar frente a esta circunstância5 . Assim sendo, é de suma importância acolher o ser doente como pessoa que tem necessidade de se relacionar e expressar seus sentimentos. Ante o exposto, esse estudo teve como objetivo analisar o processo comuni- cativo entre enfermeiro e paciente idoso em pré-operatório. METODOLOGIA Estudo descritivo e exploratório, com abordagem qualitativa, realizado na Clínica Cirúrgica de um Hospital Escola, no município de João Pessoa-PB. A escolha dessa clínica é justifi cada pela grande rotatividade de pacientes idosos nas várias especialidades de procedimentos cirúrgicos realizados e pela relevância da comunicação, como parte indis- pensável à assistência em enfermagem cirúrgica. Cabe destacar que para realização desse estudo foram considerados os aspectos éticos preconizados pela Resolução Nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde6, que normatiza a pesquisa envolvendo seres humanos, tendo parecer favorável sob número de protocolo 114/10. Fizeram parte do estudo 15 pacientes internados no referido serviço de saúde, com 60 anos ou mais, no período de dezembro de 2010 a fevereiro de 2011. Os dados foram coletados por meio da técnica de entrevista, utilizando um instrumento estruturado. Os dados empíricos foram analisados e organizados em categorias conforme análise de conteúdo proposta por Bardin7 utilizando as seguintes etapas: a) Leitura fl utuante (pré-análise): são leituras e releituras constantes para a orga- nização do material analisado, para a sistematização de dados; b) Análise temática: trans- formação dos dados brutos em unidades de compreensão do texto (núcleos de sentido) para a classifi cação e a agregação dos dados, procurando identifi car as categorias que comandarão a especifi cação dos temas; c) Tratamento dos resultados: organização de uma estrutura condensada das informações para permitir, especifi camente, refl exões e interpre- tações sobre cada categoria apresentada, utilizando os fragmentos das falas dos próprios sujeitos participantes da pesquisa7. RESULTADOS E DISCUSSÃO Destaca-se a seguir algumas categorias desenvolvidas a partir dos relatos desses pacientes: Categoria 1: Orientações de enfermagem, nesta categoria observa-se uma defi - ciência na comunicação interpessoal, visto que o enfermeiro não ofertou as orientações de forma adequada aos pacientes, como identifi cado nos relatos que seguem: [...] só explicou que não posso comer de tudo por causa da cirurgia e que a medicação que estou tomando 140 é pra melhorar, se ela disse é porque sabe ne?; Disse que eu ia almoçar e depois ia tomar só líquido pra o preparo da cirurgia e deu um medicamento, eu acho que é pra limpar o intestino [...]; e Ela só falou que eu ia fi car sem comer umas horas antes da cirurgia. Pode-se perceber que os pacientes recebem apenas algumas orientações sendo essas parciais, o profi ssional de enfermagem não explica com clareza as ações que são inclusive de direito do paciente. Cabe enfatizar que a falta de orientação/informação leva a situações de sensação de culpa, aumentando a ansiedade e nervosismo principalmente no paciente idoso que poderá possuir défi cits cognitivos decorrentes da senescência associados ao quadro patológico que o levou a hospitalização. Desse modo o enfermeiro deve ao informar algo, explicar o motivo de tal acontecimento, assim no pré-operatório, o paciente necessita de uma assistência de enfermagem individualizada e sistematizada, avaliando suas con- dições físicas e psicológicas, identifi cando seus problemas e fornecendo-lhe informações necessárias, visando redução da ansiedade e medo em decorrência do ato anestésico cirúrgico8. Categoria 2: Assistência de enfermagem, as falas a seguir mostram a percep- ção do paciente frente à assistência de enfermagem durante o período pré-operatório: [...] elas são boazinhas, só acho que elas deveriam passar a visita tanto de dia quanto a noite e perguntar como a gente tá se sentindo, porque à noite elas só vêm verifi car a pressão e dar o comprimido; e [...] aqui tá bom, só as vezes que elas falam baixo, mais é porque tam- bém eu não escuto direito, mas no geral são tudo muito simpáticas e as coisas são limpas. Observa-se que os pacientes apesar de insatisfeitos com algumas atitudes do enfermeiro, agem com naturalidade diante de tais fatos, apresentando sentimentos de conformismo e impotência frente ao problema, não relatando ou expressando a sua opinião. Os discursos mostram que o enfermeiro pode estar oferecendo pouca oportunidade de relação interpes- soal com os idosos, visto que a sua assistência, conforme relato, consiste apenas em atos técnicos como aferir a pressão arterial e administrar medicamentos. Esse fato compromete a assistência integral, visto que a dimensão subjetiva do idoso não está sendo valorizada, isso é refl etido quando esses profi ssionais não oportunizam a expressão e sentimentos desses pacientes como mencionado no discurso. Nessa perspectiva, planejar o cuidado de enfermagem a pacientes idosos que serão submetidos à cirurgia, requer do enfermeiro não apenas habilidade técnica, mas também ter conhecimento científi co da comunicação terapêutica, sendo capaz de dialogar, escutar, perceber, tocar, vivenciar e fi car junto a este paciente, transmitindo-lhe confi ança e segurança9. Categoria 3: Ouvir o paciente, identifi - cou-se nas falas dos pacientes a ausência da comunicação terapêutica, pois o enfermeiro não demonstrou paciência para ouvir os pacientes, como exemplos: [...] até que dá atenção, mas quando a gente tá falando não tem muita paciência não, acho que é porque elas tem muita coisa pra fazer ne?; e [...] ela conversou muito pouco e foi embora, não deu tempo de perguntar nada. Evidencia-se que os pacientes não tiveram a oportunidade de falar e/ 141 ou expressarem o que estavam sentido, por falta de interesse do profi ssional de enferma- gem em não ouvi-los atentamente. De alguma maneira isso pode repercutir no processo de saúde-doença, principalmente tratando-se do paciente idoso, que em decorrência do fenômeno de envelhecimento poderá sentir-se excluído socialmente, quando esse sente a necessidade de falar, mas não encontra alguém disposto a escutá-lo, muitas vezes a “dor” do estado emocional passa a atingir o sistema biológico não contribuindo negativamente para a recuperação desse idoso. Escutar refl exivamente é indispensável, se constituindo em uma das formas para que hajaum relacionamento empático e assistência humanitária e resolutiva. Somente o paciente pode dizer o que sente, o que pensa, que imagem tem de si mesmo e da sua situação, devendo ser considerado pelo enfermeiro sua primeira fonte de informação10. CONCLUSÃO Os resultados apontam que a comunicação terapêutica não vem sendo desenvolvida efi cientemente no cuidado de enfermagem dispensado a idosos em pré-operatório, uma vez que a maioria desses pacientes relataram falhas na assistência prestada por esses pro- fi ssionais. Foi identifi cado algumas barreiras no que tange a interação enfermeiro-paciente, como a não oportunidade de expressão e a priorização em procedimentos técnicos, e o uso de orientações parciais e incompletas. Desta forma, evidenciou-se a ausência de um cuidado efi caz ao paciente idoso, já que o cuidado perpassa a comunicação, assim sendo, especialmente o idoso necessita de um olhar diferenciado diante do fenômeno cirúrgico, assim sendo, a comunicação torna-se um importante instrumento capaz de minimizar os impactos causados por essa situação. Desse modo, faz-se necessário enfatizar que os pro- fi ssionais de enfermagem precisam possuir conhecimentos acerca das técnicas de comu- nicação terapêutica, visando oferecer uma assistência de qualidade, bem como devem valorizar os aspectos biológicos, físicos e emocionais, entendendo o envelhecimento como fenômeno complexo e heterogêneo. REFERÊNCIAS 1. Souza RF, Skubs T, Bretas ACP. Envelhecimento e família: uma nova perspectiva para o cuidado de enfermagem. Rev Bras Enferm.2007; 60(3): 263-67. 2. Costa SML, Veras T. Saúde pública e envelhecimento. Cadernos de Saúde Pública.2003; 1(19): 700-1 142 3. Risso ACMCR, Braga, E M. A comunicação da suspensão de cirurgias pediátricas: sentimentos dos familiares envolvidos no processo. Rev. esc. enferm. USP; 2010 44( 2): 360-67 4. Machado MMT, Leitão GCM, Holanda FUX. O conceito de ação comunicativa: uma contribuição para a consulta de enfermagem. Rev. Latino-am. Enfermagem. 2005; 13(5): 723-28. 5. Pontes AC, Leitão IMTA, Ramos IC. Comunicação terapêutica em enfermagem: instru- mento essencial do cuidado. Rev Bras Enferm.2008; 61(3):312-18. 6. Brasil. Conselho Nacional de Saúde. Resolução 196 de 10 de outubro de 1996. Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas envolvendo Seres Humanos. Brasília, 1996. 7. Bardin, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edição 70, 1979. 8. Jorgetto, G. V.; Noronha, R.; Araújo, I. E. Assistência de enfermagem a pacientes cirúr- gicos: avaliação comparativa. Rev Eletrônica de Enfermagem.2005; 7(3): 273 -77. 9. Chistóforo BEB, Zagonel IPS, Carvalho DS. Relacionamento enfermeiro-paciente no pré-operatório: uma refl exão à luz da teoria de Joyce Travel bee. Cogitare Enferm.2006; 11 (1): p.55-60. 10. Inaba LC, Silva MJP, Telles SCR. Paciente crítico e comunicação: visão de familia- res sobre sua adequação pela equipe de enfermagem. Rev. esc. enferm. USP. 2005; 39(4): 423-29. 143 O CUIDADO AO IDOSO NO ÂMBITO FAMILIAR Francisca Valéria Alencar Fernandes1 Graduanda de Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Carla Braz Evangelista2 Graduanda de Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba. Maria Izabel Gonçalves de Alencar Freire3 Graduanda de Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba INTRODUÇÃO A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera como idosas as pessoas com 60 anos ou mais, se elas residem em países em desenvolvimento, e, com 65 anos ou mais se forem habitantes de países desenvolvidos. (3) Atualmente se observa um aumento expressivo do número de idosos em todo o mundo. Este aumento do contingente de idosos se deve ao que chamamos de transição epidemiológica ou demográfi ca, que é derivada da diminuição das taxas de natalidade e diminuição das taxas de mortalidade, fazendo com que haja a diminuição de crianças na população e um aumento considerável na expectativa de vida. (9) As estatísticas da OMS apontam que até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. Em 2003, a esperança de vida estimada ao nascer no Brasil, para ambos os sexos, subiram para 71,3 anos; foi um aumento de 0,8 anos em relação à de 2000 (70,5 anos).(1) É de fundamental importância preservar os direitos daqueles que possuem mais de 60 anos, defendendo os que um dia poderão ser materializados para nossa próprio benefício quando a senilidade chegar. Nesta vicissitude, destaca-se a família, que até pouco tempo atrás, era entendida como o conjunto de pessoas residentes sob o mesmo teto e que entre si, apresentam laços de parentesco e de afi nidade. Hoje, tem seu conceito etimológico e representações bem característicos, modifi cados pelo poder do tempo e substituição de valores. (²) No entanto, o que não deve ser ultrapassado ou negligenciado, nesta fase de transição, irrefutavelmente, é a responsabilidade moral que se deve ter entre cada um de seus cons- tituintes, responsabilidade esta que é construída e reforçada pelos ideais de amor e pelo sentimento peculiar de se pertencer à um núcleo especial que é a família. As repercussões 144 destas diversidades no contexto familiar têm implicado diretamente em um de seus mem- bros, o idoso. (5) Portanto, o objetivo primordial da pesquisa consiste em avaliar as responsabilidades da família quanto ao cuidado do ser idoso. METODOLOGIA Trata-se de um estudo retrospectivo, longitudinal, descritivo, exploratório com abor- dagem qualitativa, do tipo revisão bibliográfi ca. Após a defi nição do tema os dados foram coletados através de bases teóricas presentes em acervos literários, periódicos e artigos eletrônicos científi cos. A pesquisa exploratória tem como principal fi nalidade desenvolver, esclarecer e modi- fi car conceitos e idéias, com vista a problemas formulados. Assim, a pesquisa exploratória é desenvolvida para proporcionar uma visão geral acerca de determinado fato.¨(6) Na pesquisa descritiva os fatos são observados, registrados, analisados, classifi cados e interpretados sem que o pesquisador realize nenhuma interferência nos mesmos. Sendo assim, a pesquisa exploratória descritiva além de permitir a exploração de uma validade não conhecida, da qual há necessidade de maiores informações, ainda proporciona maio- res conhecimentos sobre determinados problemas. (6) RESULTADOS E DISCUSSÃO A família, a sociedade e o estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem estar e o direito a vida. O processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, devendo ser objeto de conhecimento e informação para todos. O idoso não deve sofrer dis- criminação de qualquer natureza. A Lei nº. 8.842, de 4 de Janeiro de 1994, tem por objetivo assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, integração e participação efetiva na sociedade.(10) Família é defi nida como um grupo enraizado numa sociedade que possui uma traje- tória que lhe delega responsabilidades sociais. Cabe aos membros da família entender o idoso em seu processo de vida, de transformações, conhecerem suas fragilidades, modi- fi cando sua visão e atitude sobre a velhice e colaborar para que o idoso mantenha sua posição junto ao grupo familiar e a sociedade. (10) 145 Isto pode implicar em alterações na função tradicional da família de suporte e apoio aos idosos, seja pelo menor número de membros na família para cuidar das pessoas idosas ou pelo menor tempo da mulher, tradicional cuidadora dos dependentes da família, para assumir os cuidados dos parentes idosos. (3) As pesquisas demográfi cas mostram crescente diversidade e fl uidez nos arranjos familiares brasileiros evocando um cenário bem mais complexo do que a suposta pas- sagem do modelo “patriarcal”, associado à convivência de muitos parentes e um sistema hierárquico rígido de valores e posições de autoridade,para o modelo “moderno”, formado pelo casal heterossexual e seus fi lhos, em que a criança ocupa lugar de destaque que anti- gamente era reservado ao idoso. (5) Geralmente a função do cuidador é assumida por uma única pessoa da família, deno- minada cuidador principal, seja por instinto, vontade, disponibilidade ou capacidade. Este assume tarefas de cuidado atendendo às necessidades do idoso e responsabilizando-se por elas. Os cuidadores atribuem sua vontade e seu compromisso à solidariedade com o companheiro(a) de vida, ao desejo de retribuir os cuidados recebidos na infância, ao seu horror ao isolamento e à ausência de outras alternativas. (8) Contudo, diante de um novo contexto social há vários desfalques nessa estrutura, onde muitas vezes o idoso é abandonado, estigmatizado, discriminado, vivendo a mercê de sua própria sorte. Nas situações familiares em que os idosos dependem dos fi lhos sejam em abrangência ou instancia, estes podem exercer poder de forma impiedosa sobre seus pais e avós, o que pode confi gurar uma situação de abuso. Seja em forma de maus tratos, abandono e/ou negligência por parte dos mais jovens para com os mais velhos. (4) A questão dos maus tratos em idosos pelos seus familiares, onde os mesmos vivem sob agressão física, verbal ou psicológica. Muitas vezes essas agressões, são praticadas por rejeição dos familiares, por se sentirem obrigados a cuidar do idoso, e também quando cuida do idoso apenas com interesse em sua renda mensal. Essa afi rmação mostra que o idoso torna-se muitas vezes um fardo pesado para os seus familiares, de modo a desen- cadear o desinteresse pelo seu bem-estar e até mesmo uma revolta pela obrigação de cuidar desse idoso, o que compromete diretamente a atenção que deve ser dispensada ao mesmo.(4) Além da disponibilidade de tempo para o cuidado com o idoso, que se encontra muitas vezes difi cultada devido às responsabilidades de cada membro da família, ainda existe a questão da qualidade do cuidado prestado por parte dos familiares, pois se o mesmo é feito por amor torna-se menos exaustivo para quem cuida. No entanto, se o mesmo for feito ape- nas por obrigação poderá tornar-se devido à complexidade desse zelo, uma tarefa árdua 146 e frustrante para o cuidador, e principalmente, para o idoso que é quem está necessitando desta atenção. (3) Portanto, de acordo com o art. 230 da Constituição Federal Brasileira (1988), a família, a sociedade e o Estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e direito à vida, entretanto, é necessário enfatizar que, embora a legislação e as políticas públicas afi rmem e a própria sociedade acredite que os idosos devam ser cuidados pela família (por questões morais, econômicas ou éticas), não se pode garantir que a família prestará um cuidado humanizado. CONSIDERAÇÕES FINAIS Diante do exposto, conclui-se que as Políticas Nacionais e a Constituição Federal apontam à família como responsável pelo atendimento às necessidades do idoso, muito embora até agora o delineamento de um sistema de apoio às famílias e a defi nição das res- ponsabilidades das instâncias de cuidadores formais e informais, na prática, não acontecem. Portanto, os sistemas de saúde pública ou privado não estão preparados para atender nem a demanda de idosos que cresce a cada dia, nem a de seus familiares. Isto faz vir à tona a necessidade de novas políticas públicas de saúde direcionadas aos idosos. Bem como um melhor conhecimento por parte da família sobre a complexidade dos eventos que ocorre durante o envelhecimento de seus membros propiciando um melhor cuidar dos mes- mos direcionando o cuidar adequado ao idoso, incluindo medidas preventivas específi cas, proporcionando a este último, um, envelhecimento saudável no seio da família cumprindo suas responsabilidades éticas legais. REFERÊNCIAS 1.BRASIL, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. IBGE. Expectativa de Vida do Brasileiro. 2004. Disponível em: Acesso em: 12 de setembro de 2009. 2.CALDAS, Célia Pereira. Envelhecimento com dependência: Responsabilidades e Demandas da Família. v. 19. Rio de Janeiro: Caderno Saúde Pública, 2003. Disponível em: Acesso em: 10 de setembro de 2009. 147 3.CAMARANO, Ana Amélia; PASINATO, Maria Tereza. Muito além dos 60: Os Novos Idosos Brasileiros. Rio de Janeiro: IPEA, 1999. Disponível em: Acesso em: 10 de setembro de 2009. 4.ELIOPOULOS, Charlotte. Enfermagem Gerontológica. 5 ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. 5.FREITAS, Elizabete Viana de. Et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006. 6.GIL. A. C. Métodos e Técnicas de Pesquisa Social. São Paulo: Atlas, 1995. 7.KARSCH, Ursula M. Idosos dependentes: Famílias e Cuidadores. v. 19. Rio de Janeiro: Caderno Saúde Pública, 2003. Disponível em: Acesso em: 10 de setembro de 2009. 8.PAPALÉO NETTO, Matheus. Gerontologia: A velhice e o envelhecimento em visão glo- balizada. São Paulo: Atheneu, 2005. 9..SMELTZER, Suzanne C.; BARE, Brenda G. Brunner & Suddarth, Tratado de Enfermagem Médico-Cirúrgica. V. 1, 10ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2005. 10.TEIXEIRA, Fátima. O Idoso e a Família: Os Dois Lados da Mesma Moeda. São Paulo, 2000. Disponível em: Acesso em: 08 de Setembro de 2009. 148 ASSISTÊNCIA AO IDOSO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE: PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO CAMPO DA EDUCAÇÃO FÍSICA INTRODUÇÃO O envelhecimento tem se tornado um dos temas mais comentados em todos os meios científi cos e populares, visto que a população mundial está envelhecendo progressiva- mente¹, e como tal, é um processo comum a todos os seres vivos, portanto, um fator natural e inevitável, regido por bases fi siológicas cujas alterações determinam mudanças estrutu- rais no corpo e, conseqüentemente funcionais. No ser humano, assume dimensões que ultrapassam o ciclo biológico, acarretando também conseqüências sociais e psicológicas², gerando repercussões políticas e sociais voltadas às necessidades individuais e coletivas do idoso, evidenciando a importância de garantir aos mesmos não só uma sobrevida maior, mas também uma boa qualidade de vida. Atualmente, a maior proporção de idosos está principalmente nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraíba. O Brasil, hoje, apresenta um contingente de aproximadamente 21 milhões de idosos (pessoas com idade igual ou superior a 60 anos); em 2025 esse número passará para 32 milhões, quando o Brasil ocupará o sexto lugar no mundo em população idosa (...)³. A Organização Mundial da Saúde adotou o termo “envelhecimento ativo” como forma de propor ações que favoreçam o modo de vida mais saudável no decorrer da vida. Uma das propostas sugeridas para um envelhecimento saudável e ativo, e que assume papel fundamental na promoção da saúde, assim como nas diferentes estratégias de prevenção de doenças, é a prática regular de ati- vidade física. Para que esse crescimento seja acompanhado de uma boa qualidade de vida aos idosos, faz-se necessário que a população seja preparada para um envelhecimento mais ativo³. Com programas de atividade física esses efeitos podem ser prevenidos ou até mesmo minimizados, pois evidenciando os trabalhos no sentido biológico, teremos reper- cussões no processo comportamental desses indivíduos, já que trabalhar a inter-relação entre corpo e mente é ponto fundamental na prevenção da saúde. É certo que não se pode evitar o envelhecimento. No entanto, pode-se exercer infl uênciaprestada. Humanizar é mais que uma vontade, é uma atitude, é necessário reconhecer o ser humano idoso em sua singularidade onde cada um apresenta desejos, sonhos, dúvidas, e problemas diferentes e ao mesmo tempo dar atenção e escutar as suas necessidades não só físicas, mas psicológicas. A humanização no atendimento exige dos profi ssionais de saúde, essencialmente, compartilhar com o seu paciente experiências e vivências que resultem na ampliação do foco de suas ações, via de regra restritas ao cuidar como sinônimo de ajuda às possibilida- des da sobrevivência. Dessa forma, cada encontro entre o profi ssional e o paciente reveste- -se de uma tomada de consciência quanto aos valores e princípios norteadores de suas ações, num contexto relacional(5,6). Com relação aos princípios da Política Nacional de Humanização, surgem as idéias centrais: Fica até repetitivo, mas é receber bem os pacientes e tratá-los com respeito Em relação a questão que trata sobre os princípios da Política Nacional de Humanização, os profi ssionais de enfermagem não são conhecedores dos mesmos, com isso, não sabem como utilizá-los na assistência. Nota-se uma carência no sentido de humanizar dentro do que é legalizado e preconizado pelo Ministério da Saúde, o não conhecimento pode ser por falta de aperfeiçoamento ou muitas vezes falta de interesse pelo assunto, mas cabe a cada um se especializar, ter interesse e reverter esse quadro, e parar de falar em humanização na teoria e sim colocar em prática dentro dos princípios éticos e legais existentes. Os princípios da PNH são: a valorização da dimensão subjetiva e social em todas as práticas de atenção e gestão, fortalecendo, estimulando processos integradores e promo- tores de compromisso e responsabilização; estímulo a processos comprometidos com a produção de saúde e com a produção de sujeitos; fortalecimento de trabalho em equipe multiprofi ssional, estimulando a transdisciplinariedade e agrupalidade. Atuação em rede com alta conectividade, de modo cooperativo e solidário, em conformidade com as dire- trizes do SUS e utilização da informação, da comunicação, da educação permanente e dos espaços da gestão na construção da sua autonomia e protagonismo de sujeitos e coletivos(6,7). CONSIDERAÇÕES FINAIS A Enfermagem tem papel relevante no atendimento humanizado ao idoso, sendo res- ponsável por esclarecer suas dúvidas, medos e ansiedades favorecendo um vínculo afe- tivo para com o usuário. O atendimento realizado de forma satisfatória trás tanto para o 13 profi ssional quanto para o paciente alegria e motivação para a continuidade da assistência, ressaltando que quando se escuta, compreende e se solidarializar com o problema do outro “o paciente idoso” o enfermeiro tem aptidão para realizar as intervenções necessárias e cabíveis no momento do acolhimento. O que verifi camos foi a falta de interesse, vínculo afetivo e de prazer para trabalhar com o idoso, considerada uma área que precisa de identifi cação, pois exige muito do pro- fi ssional, sendo necessário paciência, conhecimento técnico e científi co sobre as patolo- gias decorrentes da idade, como também de amor, cuidar e assistir bem o idoso de forma humanizada e ao mesmo tempo agilizada requer competência, e quando se tem afi nidade por determinado publico conseqüentemente se tem resultados positivos. Diante disso, acreditamos que o acolhimento e atendimento de qualidade para com o idoso, devem priorizar o cuidado e a humanização da assistência. A enfermagem como pro- fi ssão envolvida com o cuidado ao ser humano em todas as fases da vida pode contribuir e muito neste processo de modifi cação, ou seja, a senilidade, pois ela além de acolher é quem capacita outros profi ssionais, então é responsável por oferecer aos usuários atendi- mento humanizado nos serviços que dispõe. Espera-se que este estudo sirva de incentivo para que os profi ssionais procurem se conscientizar no sentido de melhorar a qualidade da assistência em especial para com a pessoa idosa, desempenhando e desmistifi cando funções juntamente com a equipe de saúde em prol de melhores resultados, se cada um procurar desempenhar e desenvolver seu papel de forma correta, teremos se não perfeito mas com certeza um atendimento humanizado, acolhedor ou ate mesmo a assistência que tanto almejamos. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Saúde. Política nacional da saúde da pessoa idosa. Portaria n° 2528 de 19 de outubro de 2006. GATICA, L.S. et al. As implicações da demanda sobre a humanização em uma Unidade Básica de Saúde. PUCRS, 2009. Salão de Iniciação Científi ca. TEIXEIRA, I. N. D. O. Fragilidade biológica e qualidade de vida na velhice. In: NERI, A. L. (Org.) Qualidade de vida na velhice: enfoque multidisciplinar. Campinas: Alínea, 2007. Cap.5. p. 151-72. SILVESTRE, I.A; NETO, M.M.C. Abordagem do idoso em Programas de Saúde da Família, cad. Saúde pública, v.19, n.3, Rio de Janeiro, Junho de 2003. 14 PESSINI, L.; BERTACHINI, L. Humanização e cuidados paliativos. São Paulo: Loyola, 2004. PAPALÉO NETTO, M. Processo de envelhecimento e longevidade. In: PAPALÉO NETO, M. (Org.) Tratado de gerontologia. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007. Cap. 3. p. 3-14. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de assistência a saúde. Desenhos da Organização da Atenção no SUS – A integralidade da atenção a saúde. Encontro dos estudantes universitários da área de saúde e o SUS. Brasília, 17 maio de 2003. 15 CARACTERIZAÇÃO DOS CUIDADORES DE IDOSOS ADSCRITOS NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA NO MUNICÍPIO DE JOÃO PESSOA - PB Barbosa KTF¹, Nunes TB², Oliveira FMRL³, Pedroza AP4, Sá LR5 1 - Graduanda de Enfermagem da UFPB. Bolsista de Iniciação Cientifica 2 - Graduanda de Enfermagem da UFPB. Bolsista de Iniciação Cientifica 3 - Graduanda de Enfermagem da UFPB. Bolsista de Iniciação Cientifica 4 - Enfermeira. Especialista em Estratégia de Saúde da Família. Mestranda em enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba 5 - Graduanda de Enfermagem da UFPB. Bolsista de Iniciação Cientifica INTRODUÇÃO Nas últimas décadas, a sociedade tem observado um crescimento signifi cativo da população mundial, com mudanças dos índices elevados de mortalidade, natalidade e de populações predominantemente jovens, resultando consequentemente, um aumento da proporção de pessoas idosas (1). No Brasil, no início do século, os idosos representavam 3,2% da população, em 1960 eram 4,7% e no ano de 2025 poderão chegar a 13,8%, estimando-se que o país será o sexto do mundo em número de idosos (2). Estudos realizados sobre a terceira idade revelam que o aumento do número de ido- sos se deve a vários fatores: tendência crescente da expectativa de vida, estando hoje o nível de esperança de vida ao nascer em torno de 71,3 anos, melhoria geral das condições de saúde e mudança dos padrões de doença e saúde como também, a redução dos índices de mortalidade e diminuição da taxa de natalidade (3). Entre as principais preocupações relacionadas à saúde advindas com a longevidade destacam-se as maiores ocorrências de doenças crônicas, quedas e incapacidade funcio- nal, fazendo com que esses indivíduos necessitem, em muitos casos, de um cuidado per- manente e continuado para o adequado manejo clínico de suas patologias, uma vez que, o paciente idoso normalmente demanda condições específi cas para o seu cuidado devido à diminuição de algumas capacidades ao longo dos anos (4). Vários fatores levam a escolha do cuidador, dentre eles, destaca-se: depender fi nan- ceiramente do idoso, obrigação moral e princípios religiosos, o fato de ser cônjuge, a ausên- cia de outros familiares parasobre a maneira de como envelhecer, contribuindo para um signifi cativo bem-estar com qualidade de capacitação em suas atividades/movimentos e relacionamento social. Diante destas considerações, é inegável a produção de novos conhecimentos acerca da assistência ao idoso na promo- ção da saúde, no campo da educação física. Daí o nosso interesse como profi ssionais de saúde em realizar um estudo tendo como foco norteador os seguintes questionamentos: 149 Quais as modalidades da produção científi ca acerca da assistência ao idoso na promoção da saúde, no campo da educação física disseminada em periódicos online no período de 2006 a 2011? Quais as áreas do conhecimento e a formação dos autores dos artigos inse- ridos na pesquisa? Qual o enfoque dos artigos na qualidade de vida do idoso? Na busca de responder aos questionamentos propostos, o presente estudo tem por objetivos verifi car as modalidades da produção científi ca acerca da assistência ao idoso na promoção da saúde, no campo da educação física disseminada em periódicos online no período de 2006 a 2011; identifi car as áreas do conhecimento e a formação dos autores dos artigos inseridos na pesquisa e descrever o enfoque dos artigos em relação à qualidade de vida no idoso. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa documental, com abordagem quanti-qualitativa tendo como fonte de dados artigos nacionais publicados em periódicos online acerca da assistência ao idoso na promoção da saúde, no campo da educação física em periódicos online no perí- odo de 2006 a 2011. Para viabilizar a coleta do material empírico utilizou-se a Biblioteca Virtual em Saúde, consultando a base de dados: Scientifi c Eletronic Library Online (Scielo). A busca bibliográfi ca foi realizada a partir das seguintes palavras-chave: Assistência ao idoso na promoção da saúde; Assistência ao idoso na educação física; Assistência ao idoso na promoção da saúde em educação física; Atividade física associada à promoção da saúde em idosos. A coleta de dados ocorreu durante os meses de agosto a setembro de 2011. O universo do estudo foi constituído por 15 publicações. Para seleção da amostra foram estabelecidos os critérios de inclusão, tais como: o título abordasse a temática investigada; o artigo estivesse publicado no período selecionado para o estudo; e o trabalho estivesse na íntegra e no idioma. Portanto, a amostra foi composta por apenas 11 artigos que atende- ram aos critérios pré-estabelecidos. As etapas operacionais adotadas neste estudo foram: seleção da base de dados; elaboração de critérios de inclusão; seleção dos artigos abor- dando a temática; extração dos dados das publicações investigadas a partir dos objetivos propostos; agrupamento dos itens selecionados por categorias; apresentação dos dados obtidos por meio de representação. APRESENTAÇÃO DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Para melhor compreender a temática investigada, os dados obtidos nos artigos inclu- ídos na investigação proposta foram agrupados, sendo possível evidenciar os dados refe- rentes ao ano, à modalidade de publicação, à área de formação dos pesquisadores e aos 150 enfoques contemplados pelos autores do material analisado. Quanto aos anos de publi- cação, observou-se que os períodos 2008 e 2009 apresentaram três artigos publicados cada, totalizando 55% da amostra; 2007 e 2010, dois artigos publicados cada, 36%; foi encontrado um artigo no período 2011, 9%. Cumpre assinalar que em 2006, constatou-se que não houve nenhuma publicação nos periódicos pesquisados acerca do tema proposto. De uma forma geral, observou-se um número reduzido de publicações acerca da assistên- cia ao idoso no campo da educação física. Em relação ao tipo de pesquisa, evidencia-se que a maioria trata-se de Revisão de Literatura, com cinco publicações, 45%, seguido de artigos Originais com quatro artigos, 37%, e Relato de Experiência com dois artigos publi- cados, 18%, concluindo que existe um maior interesse dos pesquisadores em apresentar estudos provenientes de pesquisa de revisões literárias acerca da temática em estudo. Quanto à área do conhecimento das publicações, destaca-se: Ciências Biológicas e da Saúde com a maioria dos artigos publicados e Ciências Humanas e Sociais, representa- das pelos cursos de Psicologia e Serviço Social. No tocante à formação profi ssional dos autores, o quantitativo mais representativo foi de Educação Física, seguido por Medicina, Nutrição, Enfermagem e Psicologia. Odontologia e Serviço Social apareceram com dois autores cada; Ciências Biológicas, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional com apenas um autor. Isso nos mostra o interesse por parte destes pesquisadores das referidas áreas na produção de novos conhecimentos para respaldar a importância de uma assistência inte- gral ao público idoso. Analisando as publicações inseridas no estudo, criamos duas catego- rias em relação ao conteúdo: Qualidade de vida no idoso e Envelhecimento populacional e inovações. Os títulos dos artigos estão expressos nos quadros 1 e 2: CATEGORIA I – Qualidade de vida no idoso Títulos das publicações A educação em saúde como agente promotor de qualidade de vida para o idoso; Impacto de um programa de promoção da saúde na qualidade de vida do idoso; Programa de atendimento multidisciplinar a saúde do idoso: contribuições da educação física; Atividade física e prevalência de quedas em idosos residentes no sul do Brasil; Avaliação dos níveis de atividade física, autonomia funcional e qualidade de vida de idosas integran- tes do programa de saúde da família; Programa de atividade física em unidades básicas de saúde: relato de experiência no município de Rio Claro – SP. Quadro 1 - Distribuição dos artigos por título da categoria I – Qualidade de vida no idoso, segundo o conteúdo das publicações selecionadas para o estudo. Fonte: Material empírico do estudo, 2011. 151 Verifi ca-se na análise desses artigos que o acesso aos serviços de saúde de qualidade é um elemento central para a qualidade de vida relacionada à saúde do idoso, onde esses indivíduos devam se sentir bem psicologicamente, em boas condições físicas e social- mente integrados. O exercício físico regular pode trazer benefícios para a manutenção da saúde física e mental dos idosos, pois contribui para a prevenção de doenças crônico-dege- nerativas, para uma maior autonomia funcional, melhora na auto-estima e auto-imagem e na sociabilização, componentes fundamentais da qualidade de vida. CATEGORIA II - Envelhecimento populacional e inovações Títulos das publicações Envelhecimento populacional contemporâneo: demandas, desafi os e inovações; Trabalho voluntário: uma alternativa para a promoção da saúde de idosos; Ações educativas em promoção da saúde no envelhecimento: a experiência do núcleo de atenção ao idoso da UNATI/UERJ; Efeitos longitudinais das atividades avançadas de vida diária em idosos: implicações para a reabilita- ção gerontológica. Educação física para idosos: a promoção da saúde como suporte para a prática educativa; Quadro 2 - Distribuição dos artigos por título da categoria II – Envelhecimento populacional e inovações, segundo o conteúdo das publicações selecionadas para o estudo. Fonte: Material empírico do estudo, 2011. Nesses artigos, observa-se a valorização da informação, como componente educativo, por sua capacidade em prever e possibilitar do diagnóstico precoce, especialmente em relação às doenças crônicas, podendo retardar o aparecimento desses agravos e melhorar a qua- lidade de vida. Aponta a manutenção de atividades como um benefício e uma necessidade para a satisfação com a vida na velhice, enfatizando que a maioria dos idosos requer e de- seja níveis elevados de atividade social. E que a pessoa que envelhece em boas condições é aquela que permanece ativa e consegue resistir a vários obstáculos, em especial ao de- sengajamento social Especialmente no caso dos idosos, que podem tersua independência e autonomia abalada devido às perdas fi siológicas, psicológicas e sociais, associadas à imagem negativa do envelhecimento, as intervenções em saúde, como é o caso da educa- ção física, precisam basear-se no sentido biopsicossocial. Tais práticas adquirem um pa- pel importante para essa população, tornando possível disseminar informações e construir ações que preconizem hábitos de vida saudáveis, para um envelhecimento bem sucedido. 152 CONCLUSÃO Observa-se que a discussão acerca da assistência ao idoso na promoção da saúde, no campo da educação física, está em processo de desenvolvimento, pois foram encon- tradas poucas publicações sobre o tema investigado. Sendo assim, há uma preocupação de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento sobre este fenômeno, buscando dar visibilidade ao tema. Faz-se necessário, portanto, conhecimento científi co adequado, capa- citação dos profi ssionais envolvidos no cuidar de idosos, visando habilidades e competên- cias para se desenvolver ações específi cas que garantam uma qualidade de vida aos que vivenciam o processo de envelhecer. É mister que o referido tema ganhe maior notoriedade nas pesquisas e exposições literárias no cenário nacional, a fi m de propor medidas que possam garantir melhor qualidade de vida a essa faixa etária. Dessa forma, a divulgação de artigos referentes à assistência ao idoso na promoção da saúde, no campo da educa- ção física, contribuirá com informações para delinear propostas inovadoras de educação e atividade física, respeitando às diferenças e buscando o rompimento de barreiras para a construção de um novo paradigma, permitindo não somente o acesso desse grupo aos recursos de ensino aprendizagem como também a inserção social do mesmo. REFERÊNCIAS 1. VERDERI, Érica. O corpo não tem idade: educação física gerontológica. Jundiaí, SP: Editora Fontoura, 2004, 1ª ed. 2. PICKLES B. et al. Fisiologia na 3ª idade. 2.ed. São Paulo: Santos, p.197-212, 2000 3. MINISTÉRIO DA SAÚDE (Br). Portal da Saúde. Disponível em . Acesso em 12 de setembro de 2011. 153 ASSISTÊNCIA AO IDOSO NO CONTEXTO DOMICILIAR: PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO CAMPO DA SAÚDE Eveline de Oliveira Barros (UFPB), Leila de Cássia Tavares da Fonsêca (UFPB), Dafne Souto Macêdo (UFPB), Karla Dayanne Nunes Barbosa Menezes (UFPB), Glauciele Barbosa Pereira Medeiros (UFPB) INTRODUÇÃO O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial, com signifi cativas modifi ca- ções demográfi cas no fi nal do Século XX. Diversos estudos e pesquisas afi rmam que, em 1900, menos de 1% da população tinha mais de 65 anos de idade, enquanto no fi nal do século XX, cerca de 6,2% da população atingiam esse patamar etário1. O Brasil, nos últi- mos anos, vem apresentando um novo padrão demográfi co que se caracteriza pela redu- ção da taxa de crescimento populacional e por transformações profundas na composição de sua estrutura etária, com um signifi cativo aumento do contingente de idosos1. Desde a década de 1940, vem sendo registrado crescente número de idosos na população2. O envelhecimento da população é consequência de algumas ações que foram consolidadas para a melhoria da qualidade de vida, entre as quais se destacam fatores como alimenta- ção, educação, habitação, saneamento básico, vacinas, medicamentos para controle de doenças crônicas, refl etindo no aumento da expectativa de vida3. O processo de envelhe- cimento e sua consequência natural, a velhice, são descritos como uma série de modifi - cações nos aspectos físicos, cognitivos e socioeconômicos do ser humano, tornando-o mais susceptível ao desenvolvimento de patologias, sejam estas agudas ou crônicas4, bem como de adquirir incapacidades, resultando na necessidade de uma assistência domiciliar. Torna-se essencial que os profi ssionais de saúde tomem consciência dos fatores determi- nantes desse processo, compreendendo sua complexidade e magnitude, atuando em prol da promoção da saúde dos idosos. No Brasil, a transição demográfi ca e a transição epide- miológica apresentam, cada vez mais, um quadro de sobrevivência de idosos na depen- dência de uma ou mais pessoas – cuidadores – que suprem as suas incapacidades para a realização das atividades de vida diária5. Comumente esses cuidadores não contam com conhecimentos prévios e básicos para o desempenho de seu papel em consonância com as necessidades do idoso funcionalmente dependente. Atualmente, chegar à velhice é um fato comum, onde há algum tempo, era privilégio de poucos. Porém, deve-se considerar 154 que o aumento da expectativa de vida apenas se torna interessante quando associado à qualidade aos anos conquistados. O cuidado domiciliar requer a reorganização dos servi- ços de saúde com ênfase na promoção e ed ucação, identifi cando as reais necessidades dos envolvidos, permitindo também a autonomia e a co-responsabilidade, a valorização da subjetividade e a criação de vínculo6. Tais práticas exigem a participação ativa do idoso no movimento de construção e efetivação das leis e políticas sociais e de saúde que viabili- zem o viver e o envelhecer com qualidade. Segundo o Ministério da Saúde7, a assistência domiciliar é uma modalidade integrante da Atenção Domiciliar, que pode ser realizada por profi ssionais da Atenção Básica ou da atenção especializada e destina-se a responder às necessidades de saúde de um determinado segmento da população com perdas funcionais e dependência para a realização das atividades da vida diária. A Política Nacional do Idoso e a Política Nacional da Saúde do Idoso determinam que a assistência a essa população deva ter como preocupação básica a sua permanência na comunidade, no seu domicílio, de forma autônoma pelo maior tempo possível4. As políticas sociais e de saúde do idoso têm como uma das prioridades a manutenção do idoso no seu ambiente domiciliar. O interesse pelo estudo decorre da importância da publicação de trabalhos sobre temas relacionados à assistência ao idoso no contexto domiciliar, não apenas como parte do compromisso de divulgação de dados necessários à Saúde Pública, mas também para contribuir com uma melhor ampliação e disseminação de estudos sobre o tema, em virtude do crescente fenô- meno do envelhecimento humano, bem como das complicações advindas desse processo biológico8, visando melhores e mais adequadas condições de vida e saúde à população idosa. Neste sentido, questiona-se: Como se encontra a produção científi ca relacionada à Assistência ao Idoso no Contexto Domiciliar? Ante ao questionamento suscitado, esta pes- quisa objetiva verifi car a produção científi ca em periódicos on-line relacionada à Assistência ao Idoso no Contexto Domiciliar, no período de 2006 a 2010. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa documental, com abordagem quanti-qualitativa, tendo como fonte de dados teses e artigos nacionais publicados online, acerca do tema abordado, no período de 2006 a 2010. Os dados foram coletados durante os meses de agosto e setem- bro de 2011. O universo do estudo foi constituído por 04 teses e 13 artigos, totalizando 17 fontes, disponibilizadas online na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Para a localização das fontes foram utilizados os seguintes descritores: assistência and idoso. Para selecioná-las foram adotados os seguintes critérios de inclusão: que as fontes abordassem a temática investigada; tivessem sido publicadas no período de 2006 a 2010; e apresentassem o texto na íntegra e no idioma português. Para viabilizar a coleta do material empírico, em relação 155 aos artigos, foi elaborado um instrumento contendo os seguintes aspectos: título do peri- ódico e do artigo, ano da publicação, modalidade de publicação do artigo, e enfoque dos artigos. Em relação às teses, foi elaborado um instrumento contendo: título da tese, ano da publicação e o enfoque das mesmas. Para cada fonte selecionada foi criada umafi cha de leitura contendo todos os dados apresentados no instrumento anteriormente citado, facili- tando, dessa maneira, o registro, bem como a análise dos dados. RESULTADOS E DISCUSSÃO Quanto aos anos de publicação, os resultados mostraram que o ano de 2009 cor- respondeu ao maior número de publicações, com 06 fontes (35,3%), seguidos do ano de 2010 com 02 (11,8%), 2008 também com 02 (11,8%), 2007 com 04 (23,5%) e 2006 com 03 artigos (17,6%). No que concerne às modalidades de publicação referenciadas nas fontes selecionadas para a pesquisa, todas foram identifi cadas como artigos originais (100%). Com os dados obtidos sobre a temática abordada, todas as fontes enfatizam a progressão do envelhecimento da população a nível mundial e que, diante da magnitude deste evento, as políticas públicas e privadas serão afetadas, exigindo dos gestores inves- timentos favoráveis a esta classe populacional, como também a criação, implementação e desenvolvimento de programas de assistência voltada aos profi ssionais da área da saúde, sensibilizando-os quanto à interatividade no processo da assistência, juntamente com a família dos idosos, visto que a necessidade de aquisição de orientações e conhecimento acerca da assistência foi abordada na maioria das fontes pesquisadas. Salientando-se que, quando orientados adequadamente, os idosos e as pessoas que lhes assistem alcançam melhor qualidade de vida e contribuem para a redução considerável das internações hos- pitalares9. Os resultados apontaram que a assistência prestada aos idosos é iniciada pelos profi ssionais da saúde, porém o suporte maior desta cabe a um cuidador, que geralmente é um membro da família, prevalecendo o sexo feminino, com destaque para o cônjuge e fi lhos. Dentre os cuidadores, foi visto que eles gostariam de receber ajuda no cuidado, mas não de abandoná-lo, considerando uma atividade que requer tempo e esforço, tornando-se, muitas vezes, exaustiva. CONCLUSÃO A assistência ao idoso a nível domiciliar requer, dentre outras coisas, respeito, afetivi- dade, entendimento sobre o envelhecimento e organização das ações entre os cuidadores e o idoso10. A discussão acerca da assistência ao idoso no contexto domiciliar está em 156 processo de desenvolvimento, visto que foram encontradas poucas publicações sobre o tema investigado. A partir do resultado deste estudo, observa-se que é imprescindível iden- tifi car as necessidades de educação em saúde de profi ssionais que prestam assistência aos idosos a nível domiciliar, como também ampliar as ações desta assistência, considerando que o idoso é um indivíduo com necessidades próprias e particulares de atenção à saúde, promovendo um cuidado integrado e qualifi cado à população idosa. Sendo assim, faz-se necessário o conhecimento científi co adequado e a capacitação dos profi ssionais envolvi- dos na assistência aos idosos, visando habilidades e competências para se desenvolver ações específi cas que garantam uma qualidade de vida aos que vivenciam o processo de envelhecimento humano. REFERÊNCIAS 1. Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística. Censo Demográfi co 2009. Rio de Janeiro: Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística; 2009. 2. Malafaia G. A importância do encorajamento de estudos sobre o envelhecimento da população. Rev Médica de Minas Gerais. 2010; 20 (2): 271-272. 3. Alvarez AM. Tendo que cuidar: a vivência do idoso e de sua família cuidadora no pro- cesso de cuidar e ser cuidado em contexto domiciliar. Florianópolis: Editora Universitária/ UFSC; 2001. 4. Rodrigues SLA, Watanabe HAW, Derntl AM. A saúde de idosos que cuidam de idosos. Rev da Escola de Enfermagem USP. 2006; 40 (4): 493 – 500. 5. Karsch UM. Idosos dependentes: famílias e cuidadores. Caderno de Saúde Pública. 2003; 19 (3): 861 – 866. 6. Martins JJ, Schier J, Erdmann AL, Albuquerque GL. Políticas públicas de atenção à saúde do idoso: refl exão acerca da capacitação dos profi ssionais da saúde para o cui- dado com o idoso. Rev Bras de Geriatria e Gerontologia. 2007; 10 (3): 371 – 382. 7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília, 2007. 8. Souza WGA, Pacheco WNS, Martins JJ, Barra DCC, Nascimento ERP. Educação em saúde para leigos no cuidado ao idoso no contexto domiciliar. Artigos Catarinenses de Medicina. 2006; 35 (4): 56 – 63. 157 9. Souza CB, Abreu RNDC, Brit EM, Moreira TMM, Silva LMS, Vasconcelos SMM. O cui- dado domiciliar de idosos acometidos por Acidente Vascular Cerebral: cuidadores familia- res. Rev de Enfermagem UERJ. 2009; 17 (1): 41 – 45. 10. Braz E, Ciosak SI. O tornar-se cuidadora na senescência. Esc Anna Nery Rev de Enfermagem. 2009; 13 (2): 372 – 377. 158 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DE UM GRUPO DE IDOSOS ATENDIDOS NO MUNICÍPIO DE CUBATI – PB PELO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA. Michelly Martins de Melo – Diretora do Hospital e Maternidade de Cubati - PB Bruna Moura da Silva - UEPB - Universidade Estadual da Paraiba José Edison Rodrigues Junior - UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte INTRODUÇÃO O envelhecimento é um processo natural, mas hoje no mundo é faixa etária que vem crescendo cada vez mais. Tanto isso é verdade que se estima para o ano de 2050 que exis- tam cerca de dois bilhões de pessoas com sessenta anos e mais no mundo, a maioria delas vivendo em países em desenvolvimento. No Brasil, estima-se que existam, atualmente, cerca de 17,6 milhões de idosos. A partir da Política Nacional de Saúde do idoso em 19 de outubro de 2006, contribuiu de forma signifi cativa para uma melhor assistência de saúde voltada para a pessoa idosa. (1) Com o crescimento da população idosa que é um processo natural que ocorre den- tro da sociedade, se da á importância de melhorar a qualidade de vida, diante disto o Brasil passou a criar leis voltadas para se obter um envelhecimento saudável e ativo desta população. O Programa de Saúde da Família é a porta de entrada do sistema de saúde, tendo como foco a promoção, prevenção e recuperação da saúde de forma, mas digna e confor- tável, para se ter um envelhecimento mais saudável. Para tanto, a abordagem do idoso na equipe do PSF, tem uma nova “visão” para o envelhecimento promovendo uma assistência universal, integral, interdisciplinar e interse- torial, assim contribuindo para uma promoção da saúde. Espera-se oferecer a pessoa idosa e a sua rede de suporte social, incluindo familiares e cuidadores, uma atenção humanizada com orientação, acompanhamento e apoio domiciliar respeitando suas difi culdades e as culturas locais. (1) A importância deste trabalho objetivou conhecer a Qualidade de Vida de um grupo de idosos residentes no município de Cubati – PB. Esta pesquisa teve o intuito de contribuir signifi cativamente melhorar o nível de conhecimento da comunidade em questão como tam- bém no âmbito de interesses dos profi ssionais de saúde a estes idosos, sabendo-se que 159 esta pesquisa serviu de embasamento neste campo contribuindo na obtenção de melhores resultados sobre a Qualidade de Vida. METODOLOGIA Tratou-se de uma pesquisa de campo com abordagem quanti-qualitativa. Abordagem (2) quantitativa tem por objetivo proporcionar uma visão geral do tipo aproximativo de deter- minado fato. Quanto à abordagem qualitativa (3) afi rma que este tipo de analise trabalha com nível de realidade não mensurável, desta forma, aborda o universo dos signifi cados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, correspondendo a um espaço mais notá- vel das relações dos processos e dos fenômenos que não podem reduzir-se a variáveis quantitativas. A população desta pesquisa correspondeu a 112 usuários cadastrados e acompa- nhados pelos profi ssionais do Programa Saúde da Família - PSF III do município de Cubati - PB, na faixa etária acima de 60 anos. A amostra do estudo foi formada por 30 idosos, cor- respondendoa 18% do total da população apresentada. A escolha dos informantes se deu de acordo com a demanda dos mesmos a referida Unidade do PSF que facilitou a coleta dos dados para realização da pesquisa. Onde os quais se encaixaram em todos os critérios de inclusão e exclusão. O instrumento de coleta de dados utilizado foi um formulário estruturado, com vinte e três perguntas objetivas, aplicado de forma individual, direta, clara, para ser aplicado junto aos usuários já cadastrados no Programa Saúde da Família (PSF). A pesquisa teve inicio através da inserção da pesquisadora no campo, realizando uma visita ao Programa Saúde da Família (PSF) para aplicação do formulário explicando os esclarecimentos gerais sobre a pesquisa, assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) e mais alguma dúvida que surgiu durante o diálogo entre pesquisadora e informante. O formulário foi aplicado de forma individual. Os dados coletados foram tabulados, colocados em gráfi cos e tabelas, através dos programas Microsoft Word e Excel, e estatisticamente para melhor organização e interpre- tação dos mesmos para posterior análise isto levando em consideração dados relevantes seqüenciados de acordo com o formulário padrão. A referida pesquisa, quanto aos aspectos éticos, foi baseada na Resolução 196/96 que aborda os deveres e diretos do pesquisador e do sujeito. Cabe ao pesquisador prestar esclarecimentos sobre ela, deixando claro a justifi cativa, os objetivos e os procedimentos que serão utilizados na mesma. 160 O projeto para pesquisa foi exposto à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa - CEP da Universidade Estadual da Paraíba - UEPB garantindo que a pesquisa só será rea- lizada após a autorização do parecer favorável. RESULTADO E DISCUSSÃO Sobre a Qualidade de Vida (QV) na velhice, (4) é percebida a dimensão subjetiva e depende estreitamente dos julgamentos do indivíduo sobre a sua funcionalidade física, social e psicológica e bem-estar psicológico (capacidade do indivíduo para adaptar-se às perdas e de recuperar-se de eventos estressantes do curso de vida individual e social). Observa que 65% dos idosos consideram sua QV como boa, 20% afi rmaram ser regu- lar “nem boa e nem ruim”, 10% ótima e 5% péssima. A QV (5) constitui um compromisso pessoal a busca continua de uma vida saudável, desenvolvida a luz de um bem estar indissociável das condições do modo de viver como: saúde, moradia, educação, lazer, transporte, liberdade, trabalho, auto-estima entre outros. Como nos mostra a seguir as realizações das atividades de lazer desempenhadas pelos idosos, onde 90% realizam alguma atividade de lazer, assim podendo melhorar a QV desses que usufruem e 10% não pratica nenhum tipo de atividade de lazer. Dentre as ati- vidades de lazer realizadas pelos idosos as mais referidas pela amostra foram: assistir TV ouvir música e rádio perfazendo 65% da amostra, 5% dança, 5% viagens, 5% passei, 10% demonstraram desempenhar outras atividades e 10% não prática. Isso condiz com o meio que eles estão inseridos e a realidade da sociedade, pois é o que eles têm para recrear e se diverte. O Programa Saúde da Família (PSF), criado pelo Ministério da Saúde desde 1994 visa reorganizar as práticas da atenção a saúde, tendo como principal objetivo levar a saúde para mais perto da família com intuito de melhorar a QV dos brasileiros através de ações e prevenção, promoção e recuperação da saúde de forma integral e contínua incorporado os princípios básicos da universalização, descentralização, integralidade e participação da comunidade, incluindo também as ações de saúde do idoso, visando melhorar sua QV prin- cipalmente no controle das doenças. (6) Destarte que 70% dos idosos entrevistados são acometidos por algum tipo de doença e 30% não possuem nenhum tipo de doença, dentre estes 70% estão inseridos as seguin- tes doenças: 21,5% cardiovascular, 35,7% hipertenso, 14,3% osteoporose e 28,5% outros tipos de doença que não foram citados no presente estudo. As pessoas idosas aparte dessa etapa da vida estão mais vulneráveis a desenvolver uma doença crônica não trans- missível, tende a comprometer de forma signifi cativa a QV. 161 CONCLUSÃO Diante da rapidez com o envelhecimento populacional tem ocorrido, principalmente no nosso país, trazendo importantes conseqüências nos aspectos político, social, cultural, epi- demiológica e gerando necessidade de transformação em várias áreas, os achados deste estudo, podem contribuir para algumas ações, com vista à melhorar a Qualidade de Vida dos idosos do município avaliado. Faz-se necessário que os profi ssionais que atuam no PSF participem ativamente da melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas, abordando seus aspectos físicos con- siderados normais e identifi cando precocemente as alterações patológicas, percebendo os fatores de risco neles intervindo, se necessário mantendo a pessoa idosa integrada com sua família e fora do isolamento social. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. Brasil. Ministério da Saúde. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Caderno de atenção básica. nº. 19 Brasília – DF, 2006. 2. Gil, AC. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas S.A. 2002. 3. Minayo, MCS. O desafi o do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8 ed. São Paulo: Hucitec, 2004. 269p. 4. Neri, AL. Qualidade de vida na velhice. In: Trabalho de Geriatria e Gerontologia. Freitas; EV. et al. Rio de janeiro, Editora Guanabara Koogan S. A., 2004. 5. Santos, SR.; Santos, IBC.; Fermandes, MG.; Henriques, MERM. Qualidade de vida do idoso na comunidade: aplicação de Flanagan. Rev. Latina-am. Enfermagem, v. 1º, n.6, p.757-764, Nov./dez. 2002. 6. Costa, EMA; Carbone, MH. Saúde da Família: uma abordagem interdisciplinar. Rio de Janeiro. 2004. 162 O PROCESSO COMUNICATIVO ENTRE ENFERMEIROS E IDOSOS HOSPITALIZADOS EM UNIDADE DE CLÍNICA CIRÚRGICA Laura Cristhiane Mendonça Rezende- UFPB Kaisy Pereira Martins- UFPB Danielle Samara Tavares de Oliveira- UFPB Tatiana Ferreira da Costa– UFPB INTRODUÇÃO O envelhecimento é um processo natural, individual e gradativo, que caracteriza uma etapa da vida onde ocorrem modifi cações fi siológicas, bioquímicas e psicológicas, entre outras, que irão infl uenciar de maneira decisiva a vida do idoso. Envelhecer implica certas perdas físicas, mentais ou sociais, que aliadas à vivencia de fatores penosos e geradores de sofrimento, provocam reações de medo, angustia, dor e solidão, tornando o idoso um indivíduo fragilizado1,2. O cuidado de enfermagem a pacientes idosos requer o desenvolvi- mento de aptidões e qualidades singulares, e a comunicação é um importante aspecto deste cuidado, pois quando estabelecida, proporciona bem-estar, já que através do processo comunicativo se desenvolvem as relações interpessoais e terapêuticas. A problemática da comunicação na assistência à pessoa idosa é uma questão que inclui todos os profi ssionais de saúde envolvidos nos cuidados, mas é de particular interesse para o enfermeiro dado que, fundamentam a sua prática na comunicação e são os profi ssionais responsáveis pela assistência direta destes pacientes2. A população idosa representa uma clientela cada vez mais presente nos serviços de saúde, com destaque para os serviços onde procedimentos cirúrgicos são realizados, o que requer dos profi ssionais aprender a cuidar das especifi - cidades envolvidas e conscientização da fonte benéfi ca que a comunicação interpessoal constitui³. Cuidar dos idosos é prestar cuidados e preocupar-se com eles. Dar conforto e apoio em momentos de ansiedade e solidão, saber comunicar com eles e ajudá-los, iden- tifi cando os problemas através de uma vigilância contínua2. O período pré-operatório do paciente idoso é um momento que requer cuidados especiais, considerando a fragilidade imposta pela doença, envelhecimento e ainda pela própria situação, uma vez que o proce- dimento cirúrgicoprovoca estresse físico e psicológico. Sendo assim, o idoso hospitalizado que se submeterá a um procedimento cirúrgico requer uma atenção redobrada, exigindo um cuidado diferenciado, com maior sensibilidade e perspicácia do profi ssional que presta o atendimento4. Como destacado, os profi ssionais de enfermagem possuem uma grande 163 responsabilidade na assistência ao idoso, tendo em vista que para cuidar, é importante saber se comunicar efi cientemente, e no caso destes pacientes, a comunicação deve ser adequada as suas necessidades e restrições físicas, cognitivas e psicológicas. Comunicar é um dos papéis fundamentais do enfermeiro, sendo necessário refl etir se este é efetuado efi cazmente com a pessoa idosa, de forma a enriquecer a qualidade dos cuidados que lhes são prestados, principalmente durante o pré-operatório2. Diante do exposto, o estudo tem como objetivo investigar como se dá o processo comunicativo entre enfermeiros e idosos admitidos em unidade de clínica cirúrgica. METODOLOGIA Trata-se de um estudo descritivo, exploratório e observacional realizado na clínica cirúrgica de um hospital de grande porte, localizado no município de João Pessoa-PB. A escolha dessa clínica é justifi cada pela grande rotatividade de pacientes, por realizar pro- cedimentos cirúrgicos de diversas especialidades e pela importância de uma comunicação adequada e efi ciente no âmbito cirúrgico, visando a redução de anseios e medo. A clínica cirúrgica do hospital é composta 58 leitos. Cabe destacar que para a realização deste estudo foram considerados os aspectos éticos preconizados pela Resolução Nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde5, que normatiza a pesquisa envolvendo seres humanos. A coleta de dados foi iniciada somente após o parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa, sob o número de protocolo 114/10. Participaram do estudo 5 enfermeiros vin- culados ao Hospital e que desenvolvem suas atividades na clínica cirúrgica da institui- ção. Foram incluídos os profi ssionais que estiveram presentes no momento da coleta e aceitaram participar da pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, os quais tiveram garantido por parte das pesquisadoras o atendimento aos aspectos éticos envolvidos no processo de pesquisa, inclusive o de desistir da participação no estudo em qualquer de suas etapas. Os dados foram coletados no período de fevereiro a março de 2011, através da técnica de observação sistemática, utilizando-se um instru- mento estruturado do tipo check list, por meio do qual foi analisada a comunicação entre os enfermeiros e os pacientes idosos. O instrumento é composto pelos seguintes dados: sexo, idade, ano de formação, horas trabalhadas semanais, tempo de serviço no hospital e em outras instituições, bem como de aspectos relacionados à análise da comunicação entre enfermeiros e a pessoa idosa no pré-operatório. 164 RESULTADOS A faixa etária dos profi ssionais variou de 24 a 59 anos, e o tempo de exercício da pro- fi ssão oscilou de 6 meses a 26 anos. A carga horária semanal de trabalho destes profi ssio- nais é de 30 horas e 18 horas para os enfermeiros que desenvolvem atividade voluntária. Foram observadas 9 interações entre enfermeiros e idosos, estas apresentaram uma dura- ção mínima de 5 minutos e máxima de 50, apresentando assim uma média de 25 minutos. A idade dos pacientes variou de 65 a 87 anos. Buscando avaliar a qualidade da comunicação desenvolvida com o idoso, analisaram-se os seguintes aspectos: se apresentou ao paciente; utiliza uma linguagem simples; individualizou a comunicação com o paciente; permaneceu próximo ao leito; estimulou a expressão de sentimentos; induziu respostas; utilizou um tom de voz baixo; demonstrou dedicar tempo à interação; tocou o paciente. Os resultados obti- dos mostraram que um percentual bastante reduzido, apenas 22,2% dos enfermeiros, se apresentaram ao paciente idoso; de um modo geral todos os profi ssionais utilizaram uma linguagem simples durante a interação com os idosos, porém 55,5% citaram pelo menos uma vez termos técnicos. Quanto mais palavras técnicas e de difícil entendimento forem utilizadas, mais se perde a oportunidade do diálogo e da ampliação do conhecimento que se dá na medida da troca e do compartilhamento das informações, e mais se demonstra o desconhecimento do idoso acerca do que está sendo verbalizado6. Durante as observa- ções 44,4% dos enfermeiros se direcionaram ao acompanhante para coletar informações acerca da pessoa idosa, ou seja, não individualizaram a comunicação com este paciente, diminuindo assim a construção do vínculo enfermeiro-cliente; 77,7% permaneceram pró- ximo ao leito; apenas em 3 do total de admissões, os enfermeiros estimularam a expressão de sentimentos. A capacidade do enfermeiro para incentivar a comunicação é muito impor- tante, especialmente na investigação de problemas com o paciente e no encorajamento para expressar os seus sentimentos7. Em mais da metade das interações (55,5%) os pro- fi ssionais induziram os idosos à determinadas respostas pela forma como elaboravam as perguntas. Existem questionamentos que tendem a direcionar excessivamente e induzir as respostas ou perguntas muito amplas que, quando em excesso, tendem a produzir dis- persão e perda de objetividade. De uma maneira geral, o ideal é que o enfermeiro realize questionamento do mais amplo para o mais específi co8 . Apenas em 33,3% das admissões foi utilizado um tom de voz baixo por parte dos profi ssionais, que devem ter a consciência de que a ansiedade vivida pelo idoso hospitalizado, associado as suas perdas cognitivas, pode difi cultar o entendimento de explicações longas. Dessa forma, as explicações devem ser dadas de maneira clara, concisa e em um tom de voz audível9. Em 77,7% das intera- ções os profi ssionais demonstraram dedicar tempo à conversa; nenhum profi ssional tocou terapeuticamente o idoso. Para que o enfermeiro ofereça o cuidado emocional é necessário 165 ser bom ouvinte, expressar um olhar atencioso, mostrar-se disponível a conversa e tocar o paciente, confortando e recuperando sua auto-estima10. CONCLUSÃO Por meio do estudo, é possível perceber que os enfermeiros que compuseram a amos- tra, não desenvolvem uma comunicação terapêutica durante a interação com pacientes idosos, sendo necessário desta forma, conscientizar os mesmos de que uma comunicação adequada à pessoa idosa proporciona um melhor enfrentamento da situação, minimiza a ansiedade, esclarece dúvidas do paciente, entre outros benefícios que contribuem com o seu bem-estar. Além disso, é necessário o conhecimento das alterações fi siológicas, psíqui- cas e sociais decorrentes do envelhecimento, buscando assistência integral e humanizada. REFERÊNCIAS 1. Martins MGT. Psicologia da saúde: aspectos afetivos, emocionais e comportamen- tais do idoso hospitalizado. Monografi a apresentada ao Curso de Especialização em Psicologia da Saúde. Natal, 2004. 2. Alves AMCA. A importância da comunicação no cuidar do idoso. Dissertação de Mestrado em Ciências de Enfermagem. Porto, 2003. 3. Prochet TC, Silva MJP. Situações de desconforto vivenciadas pelo idoso hospitalizado com a invasão do espaço pessoal e territorial. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 12, n. 2, Jun. 2008. 4. Lenardt MH, Hammerschmidt KSA, Pívaro ABR, Borghi ACS. Os idosos e os constran- gimentos nos eventos da internação cirúrgica. Texto Contexto Enferm, Florianópolis, 2007 Out-Dez; 16(4): 737-45. 5. Brasil. Conselho Nacional de Saúde. Resolução 196 de 10 de outubro de 1996. Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas envolvendo Seres Humanos. Brasília, 1996. 6. Ferreira MAA. Comunicação no cuidado: uma questão fundamental na enfermagem. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 59, n. 3, p. 327- 330, mai./jun. 2006. 7. Pontes AC, Leitão IMTA, Ramos IC. Comunicação terapêutica em enfermagem: instru- mento essencialdo cuidado. Rev Bras Enferm.2008; 61(3):312-18. 166 8. De Marco, MA. Do modelo biomédico ao modelo biopsicossocial: um projeto de educa- ção permanente. Rev. bras. educ. med. 2006, vol.30, n.1, pp. 60-72. 9. Oliveira PS, Nóbrega MML, Silva AT, Filha, MOF. Comunicação terapêutica em enferma- gem revelada nos depoimentos de pacientes internados em centro de terapia inten- siva. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 07, n. 01, p. 54 – 63, 2005. 10. Oriá MOB, Moraes LMP, Victor JF. A comunicação como instrumento do enfer- meiro para o cuidado emocional do cliente hospitalizado. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 06, n. 02, 2004. 167 A ATIVIDADE FÍSICA E O ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL Ana Carolina F. Simões - UEPB Anna Gabrielly A. da Silva - UEPB Joanna D’arc Ferreira - UEPB Liziane B. de Sousa - UEPB¹ INTRODUÇÃO A importância de atividades físicas tornou-se objeto de estudo para muitos, não só no campo da saúde, visto que, envolve processos biológicos, fi siológicos, mentais e sociais. A velhice é encarada, na maioria das vezes, de forma negativa, pois com ela vem a “inutilidade”, o isolamento e como conseqüência o acarretamento de doenças fi siológicas e mentais. É de suma importância fazer entender que, o envelhecimento é um processo, a velhice é uma fase e o idoso é o resultado fi nal, e este por fi m precisa obter acesso a uma boa qualidade de vida. Portanto, o presente trabalho tem por objetivo estabelecer a relação entre atividade física e saúde do idoso à nível de Campina Grande e mostrar as instituições que oferecem atividades sócio-recreativas voltadas para a terceira idade. A saúde é um bem vital para todo e qualquer ser humano. De fato, não há dúvida de que, independente da classe social, formação, raça ou mesmo nacionalidade, a saúde é uma das prioridades de todos os seres humanos e, portanto, preocupação inerente a toda sociedade. Com efeito, os problemas relacionados a esta área têm sido objeto constante de estudo do homem, direcionando tanto para evitar o surgi- mento como a prevenir propagação de doenças, visando especialmente a promo- ção do bem estar do indivíduo e de toda a coletividade. (PERIM, 2007: 3) METODOLOGIA Este trabalho foi realizado tendo como base pesquisas qualitativas e bibliográfi cas. Qualitativa, pois se trata de uma temática de diversos signifi cados, que visam analisar um aprofundamento do processo de envelhecimento com a prática de atividades físicas. 168 RESULTADOS E DISCURSÃO Sabemos da importância que a atividade física procede diante de um melhor funcio- namento corporal, no envelhecimento por sua vez, é necessário a prática dessas atividades que atua benefi ciando a saúde física como também a saúde mental. Os Exercícios Físicos para os idosos tendem a ser utilizados de forma lenta, porém com grandes resultados, obtendo mais sustentação e tornando o idoso cada vez mais inde- pendente e inserido na sociedade. Além de proporcionar esse bem-estar ao idoso, ao participar de grupos que juntamente com profi ssionais da prática de atividades físicas, o idoso se esquiva do sedentarismo, do mal-humor e torna-se um indivíduo cada vez mais socializado, fazendo novas amizade e dispondo um relaxamento do corpo e da mente na prática desses exercícios. O objetivo da atividade física na velhice é desenvolver melhorias para o corpo, propor- cionando um bom funcionamento corporal onde todos os benefícios obtidos por essa prá- tica auxiliem na prevenção e no controle de doenças, sendo importantes para a redução da mortalidade associada a elas, modifi cando uma pessoa sedentária e transformando-a. Isso mostra que uma pequena mudança nos hábitos de vida é capaz de provocar uma grande melhora na saúde e na qualidade de vida. No campo da saúde mental, a prática de exercícios ajuda na regulação ao sistema nervoso, melhora o fl uxo de sangue para o cérebro, ajuda na capacidade de lidar com pro- blemas e com o stress a ansiedade e funciona como um grande elemento no tratamento da depressão. A atividade física pode também exercer efeitos no convívio social, o idoso pode melhorar no seu convívio familiar, ou se sociabilizar cada vez mais. Esta prática está a cada dia sendo mais aproveitada no processo de benefi ciação e recuperação do idoso, um bom funcionamento do corpo indica melhor estado de saúde adiante. Hoje os idosos que praticam qualquer tipo de atividade física, podem notar um grande diferencial em sua vida, obtendo cada vez mais benefícios e uma vida saudável, prevenindo com exercícios o que antes poderia ser remediado. No campo da saúde física podemos destacar algumas dessas melhorias, com relação a perda de peso e da porcentagem de gordura corporal (o que implica em uma obesidade futura), o controle da pressão arterial (doença esta, que vem aumentando sua incidência nos últimos anos), melhora do diabetes, diminuição do colesterol, diminuição de tensões musculares e mentais. 169 Com isso, os idosos vão obtendo ganhos na prática das atividades físicas como o ganho de fl exibilidade de mobilidade, sustentação, postura, evitando cargas muito fortes e contrações isométricas, preparando o organismo para suportar estímulos cada vez mais fortes, e recebendo com isso sensação de bem-estar e recuperação da auto-estima. Com relação à saúde mental, já foi comprovado cientifi camente que, a prática de atividades físicas regulares contribui efetivamente para uma vida mais saudável, visto que exerce importante infl uência no controle de distúrbios neurológicos ou simplesmente seu bem estar mental. A atividade física é de suma importância no processo de envelhecimento, pois diminui consideravelmente o número de acidentes e fraturas ósseas, principalmente de fêmur. Com bases em estudos realizados no campo da Gerontologia, sobre condições de saúde, viu-se que há uma intensa correlação entre incidência de quedas e o baixo nível de atividade física. Com isso, pode-se entender que tais atividades são cruciais para a preven- ção de quedas, surgimento de fraturas e uma possível dependência física. Sabendo que, no processo de envelhecimento o idoso tende a reduzir o seu desem- penho, que requer uma regulação do seu sistema nervoso, fi cando cada vez mais lento e menos potente, isso nos leva a considerar que na terceira idade fi camos relativamente mais fracos. Com isto, devemos ter vários cuidados na prática de atividades físicas, devendo ter sempre um acompanhamento detalhado com profi ssionais. Alguns dos cuidados que o idoso deve ter na prática física é presença de dores, exaustão e fadiga, ao pressentirem esses sintomas, os exercícios que antes praticados devem ser restritos antes que cause danos ao indivíduo. O idoso não deve ultrapassar a amplitude máxima dos movimentos e nem prolongar a prática de qualquer exercício com a presença de dor, não levar a exaustão adiante. É necessário nesses casos um acompanhamento médico antes da prática desses exercícios. Devem ser restritos exercícios anaeróbicos, pois estes predominam o fornecimento de energia através de processos metabólicos. São atividades breves, mas, de altas intensida- des e sem o envolvimento de oxigênio, o que seria bastante prejudicial para o idoso. Os exercícios isométricos também se encontram restritos ao idoso no campo físico, pois tais exercícios aumentam a resistência vascular de forma que aumenta a pressão sanguínea causando sobrecarga de pressão ao coração. Devido a isto deve ser sempre realizado com acompanhamento de um profi ssional de Educação Física. São contra-indica- dos para pessoas com problemas de hipertensão porque podem elevar a pressão arterial; Cardiopatas também devem evitar este tipo de treinamento; 170 Além desses exercícios também, são banidos para os idosos exercícios de alta inten- sidade que causem fadiga e qualquer tipo de exercício que utilizem movimentos rápidos e bruscos. Em suma, o ideal de atividades físicas mantidasna terceira idade seria de baixa e moderada intensidade. Em Campina Grande, são oferecidos atividades e programas especialmente desen- volvidos para idosos com o objetivo de visar uma questão de bem-estar, proporcionando ao idoso um âmbito para a sua particularidade onde o mesmo poderá desfrutar de benefícios de acordo com suas necessidades. Esses programas terão que estar relacionados com as modifi cações mais importantes que acontecem de acordo com o processo de enve- lhecimento, destinando-se a melhorias para um envelhecimento saudável. O seu objetivo primordial é promover atividades recreativas, com intuito de levar o lazer para os idosos e aumentar as atividades de sociabilização, fazendo com que eles possam estar casa vez mais interligados entre grupos de sua mesma faixa etária; estabelecendo sempre progra- mas de relaxamento causando o bem estar cotidiano. O Centro de Convivência do Idoso, situado na Rua 15 de novembro, n 2110, no Bairro dos Cuités, em Campina Grande-PB, destina-se a atender idosos dos diversos bairros da cidades, oferecendo atividades culturais , educativas, recreativas, e de saúde , valorizando também a prática de atividades físicas. Os grupos sociais que são formados nessa instituição voltadas somente para os ido- sos de campina grande contam com a presença de profi ssionais e especialistas nas áreas de Enfermagem, Serviço Social, Fisioterapia, Psicologia, Pedagogia, Geriatria, Odontologia e Educação Física. Além dessa instituição podemos destacar em Campina Grande-PB a valorização e a concretização de espaços voltados para a terceira idade. Com o acompanhamento de pro- fi ssionais diários, onde esses idosos possam visitar e serem acompanhados pelos grupos que funcionam no Parque da criança no Bairro do Catolé, onde disponha de aulas de aeró- bica, alongamentos, onde estes possam estar à-vontades para fazerem suas caminhadas a qualquer hora ou momento. Um dos espaços concretizados e inaugurado a pouco tempo, foi o Plínio Lemos, onde dispunha de total espaço para prática de atividades físicas, e a inovação de uma piscina atlética onde é realizado hidroginástica para a terceira idade com acompanhamento de pro- fi ssionais e também uma quadra poliesportiva, para a prática de esportes. O Ideal é que adiante possamos ter mais instituições como essas que valorizem a prática física, criando cada vez mais espaços para que os idosos possam estar acolhidos e com uma saúde mais sustentável. 171 CONCLUSÃO Com base na pesquisa apresentada, podemos afi rmar que, no processo de enve- lhecimento o idoso se torna relativamente mais frágil, logo faz-se necessário um acompa- nhamento multidisciplinar tendo por fi nalidade a interação da prática de atividade física e a obtenção de uma melhor qualidade de vida.Com isso visando priorizar o atendimento aos idosos com a concretização de instituições e espaços adequados para um bom funciona- mento da atividade física, sempre com a direção de profi ssionais especializados. REFERÊNCIAS Motta, VLB, et al. In: Atividade física e Saúde do Idoso. Terceira idade: comportamento, gênero e estilo de vida. 1ª ed. Curitiba: Editora CRV, 2010. Capítulo 11, p.167-177. Clicrn.Centro de Convivência do Idoso de Campina Grande comemora seis anos de ativi- dades. [Acessado em 01 de setembro de 2011]. Disponível em: http://www.clicrn.com.br/ noticias,54356,5,centro+de+convivencia+do+idoso+de+campina+grande+comemora+seis +anos+de+atividades+.html. Efdeportes. Benefícios da Atividade Física na Melhor Idade. [Acessado em 01 de setem- bro de 2011]. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd74/idade.htm. 172 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS: UMA PERSPECTIVA DE PROMOÇÃO À SAÚDE Maíra Creusa Farias Belo - Profª Orientadora Esp.- UNESC Faculdades - UEPB Gabriela Brasileiro Campos Mota – Profª MSc. da FCM e UEPB Leiliane Cléia de Sousa – Fisioterapeuta graduada na UNESC Faculdades INTRODUÇÃO Ultimamente, o Brasil vem demonstrando um novo padrão demográfi co que se carac- teriza pela redução da taxa de crescimento populacional e por modifi cações na composição de sua estrutura etária, com um signifi cativo aumento do contingente de idosos (IBGE, 2009). Nesse contexto até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. Tal processo de transição ocasiona redução na disponibilidade de cuidadores domiciliares, contribuindo para a necessidade de institucionalização, ocasionando uma qualidade de vida (QV) ruim. Nessa problemática, o idoso institucionalizado constitui, quase sempre, um grupo pri- vado de seus projetos, pois encontra-se afastado da família, da casa, dos amigos, das relações nas quais sua história de vida foi construída. Pode-se associar à essa exclusão social as marcas e seqüelas das doenças crônicas não transmissíveis, que são os motivos principais de sua internação nas ILP’s (PELEGRIM, 2008). Diante destas evidências o presente estudo teve como objetivo avaliar a qualidade de vida de idosos institucionalizados residentes em uma instituição de longa permanência (ILP) da cidade de Lagoa Seca-PB. METODOLOGIA A pesquisa do ponto de vista de seus objetivos foi descritiva, exploratória, quantitativa e transversal. Com relação aos procedimentos técnicos, a pesquisa se enquadra na cate- goria de campo. A pesquisa foi realizada em uma ILP localizada no Sitio Rosa Branca, na cidade de Lagoa Seca, no estado da Paraíba, denominada Lar da Sagrada Face. O período de coleta 173 de dados se deu entre os dias 11 e 15 do mês de Abril de 2011, após autorização das enti- dades envolvidas. A população foi composta por 13 idosos da referida ILP. A amostragem foi do tipo não- -probabilística, de caráter intencional, por conveniência, incluindo 10 idosos, devido ao fato de que um idoso não apresentava nível cognitivo compatível com o questionário, o seguinte não aceitou participar da pesquisa e o último não se encontrava na ILP nos dias da coleta. Foram incluídos na pesquisa os participantes que: Assinaram o TCLE, faziam parte da ILP há no mínimo dois meses e que tinham 60 anos ou mais. Foram exclusos os partici- pantes que não tinham um nível de cognição compatível com o exigido para responder as perguntas. Como instrumento, utilizamos dois questionários: o primeiro, sóciodemográfi co atra- vés do qual foram obtidas as seguintes variáveis: sexo, idade, situação conjugal, quantidade de fi lhos, renda, procedência da renda, parentes vivos e a relação com os parentes, objeti- vando caracterizar a amostra em questão. O segundo, o WHOQOL-OLD (FLECK, 2006) foi desenvolvido para avaliar a QV de pessoas idosas. O módulo WHOQOL-OLD consiste em 24 itens atribuídos a seis domínios. Os domínios são: “Funcionamento do sensório” (FS), “Autonomia” (AUT), “Atividades passadas, presentes, futuras” (PPF), “Participação social” (PSO), “Morte e morrer” (MEM) e “Intimidade” (INT). Os dados coletados com o instrumento WHOQOL-OLD foram analisados seguindo as instruções do mesmo. Os dados foram tratados mediante a estatística descritiva, com a verifi cação de média e desvio-padrão. O cálculo dos escores do WHOQOL-OLD foi realizado através da analise estatística usando o pacote SPSS 17.0, utilizando sua função descritiva de proporção e distribuição de freqüência. Os resultados foram expostos sob a forma de gráfi cos, através do programa Microsoft Excel 2007. O estudo está de acordo com a resolução n° 196/96 do CNS. RESULTADOS E DISCUSSÕES Dos 10 idosos entrevistados, 60% estavam com idade entre 70 e 80 anos e 40% entre 80 e 90 anos. Destes, 50% eram do sexo feminino, 50% eram solteiros e 70% não possu- íam fi lhos. Dos entrevistados 90% possuem parentes vivos e sua relação com os mesmos é considerada para 20% deles boa e para 30% ruim. Estudos confi rmam que o nível educacional não está associado a variações na QV em idosos, sugerindo que os relacionamentos pessoais satisfatórios,seguidos de boas 174 condições de saúde e monetárias e atividade sexual são de fato os que mais contribuem para alterações na QV, em detrimento da idade, sexo, estado civil e educação (CELICH, 2008). Quando comparados a QV entre os gêneros, o feminino obteve o escore maior, apre- sentando uma melhor QV; percebemos ainda que quanto melhor a relação com os parentes, mais elevado o escore. No que se refere aos escores de QV, eles são uma escala positiva (quanto maior o escore, melhor a QV), e não existem pontos de corte que determinem um escore abaixo ou acima do qual se possa avaliar a QV como “ruim” ou “boa”. No presente trabalho obtivemos as seguintes pontuações: para o domínio FS = 16, AUT = 6, PPF = 8, PSO = 14, MEM = 14, INT = 0, Totalizando um escore geral (overall) de 58 pontos. Analisando as facetas FS, AUT, PPF, PSO, MEM, INT isoladamente obtivemos os seguintes resultados. O primeiro domínio do questionário trata-se do FS e este avalia o impacto da perda do funcionamento dos sentidos (perdas na audição, visão, paladar, olfato, tato) na QV (FLECK, 2006). O valor encontrado foi de 16 pontos, o maior obtido entre os domínios. Uma das hipóteses propostas a respeito do resultado obtido é que para a maioria dos idosos a perda ou diminuição dos sentidos não afetam a QV, pois não os impossibilitam de se relacionar com os demais idosos. O domínio AUT avalia a independência do idoso para tomar suas próprias decisões, sentir que controla seu futuro, fazer as coisas que gostaria de fazer ou acreditar que as pes- soas ao seu redor respeitam sua liberdade (FLECK, 2006). O escore obtido foi de 6 pontos, o mais baixo encontrados dentre os domínios. Talvez uma explicação para o fato seja a de que os idosos em ILP’s não são respei- tados em relação a sua liberdade, os mesmos devem obedecer às regras da instituição em que se encontram e realizar as AVD’s com horários estabelecidos pelos responsáveis pelo local, não podendo expressar suas vontades e desejos, tendo que cumprir ordens. Nessa perspectiva, o estudo de Celich (2008), relata que a capacidade do idoso para a tomada de decisão, alicerçado no seu desenvolvimento psicológico-moral é um construto imprescindí- vel no processo de envelhecimento, estando relacionado aos domínios de QV. No que se refere às PPF é avaliada a satisfação com as realizações na vida, as opor- tunidades de novas realizações, reconhecimento merecido na vida, a felicidade com o que ainda se espera do futuro e com objetivos a serem alcançados (FLECK, 2006). O dado obtido na amostra foi de 8 pontos, o segundo menor escore entre os domínios. Tal dado corrobora com os resultados do estudo de Celich (2008) onde, as PPF alcançaram um escore baixo na sua amostra denotando a insatisfação em relação às conquistas da vida em comparação com aquilo que se anseia. 175 Talvez a explicação para tal episódio seja que os idosos em ILP’s não almejam mais conquistas, estão conformados com as oportunidades que adquiriram anteriormente a ins- titucionalização, ou pelo menos estão adaptados com a nova vida. Na avaliação da QV foram obtidos os escores médios e desvio padrão dos cinco domínios do WHOQOL-OLD (tabela 1) Tabela 1: Quadro dos escores médios e desvio padrão dos cinco domínios do WHOQOL-OLD na amostra de 10 idosos da referida ILP de Lagoa Seca/PB. Faceta ou domínio do WHOQOL- -OLD N Média Desvio Padrão Funcionamento Sensorial 10 6,9500 7,33036 Autonomia 10 4,2500 3,00657 Atividades Passadas, Presentes e Futuras 10 4,2500 3,25859 Participação Social 10 4,8500 4,70470 Morte e Morrer 10 6,4500 7,34471 Escore Geral 10 5,3500 FONTE. Pesquisa direta, 2011. A interpretação do quadro dos resultados deve ser feito do seguinte modo: Os valo- res obtidos indicam proporcionalmente a QV: valores altos indicam alta QV associados ao domínio e os valores mais baixos o oposto. No domínio MEM ocorre o inverso. Os valores constados no desvio padrão demonstram-se altos devido ao fato de que as respostas dos participantes oscilaram muito, por causa das possibilidades de repostas ao questionário serem amplas, variando de 1 à 5. Em que cada participante interpreta seus domínios de forma particular, ou seja, o processo de envelhecimento, em sua dimensão física e funcional ocorre de forma diferenciada em cada pessoa. Muitos estudos foram encontrados sobre a investigação da QV em ILP e nesta faixa etária, entretanto, poucos aplicaram os instrumentos utilizados nesta pesquisa. Uma expli- cação pode ser o fato do questionário WHOQOL-OLD ter validação recente. Apenas quatro artigos foram encontrados sobre a validação deste instrumento pelo Grupo WHOQOL-OLD, que tratam apenas do processo de validação deste instrumento. Difi cultando a comparação entre os dados obtidos com os da literatura. 176 CONCLUSÃO Com base na pesquisa realizada, foi possível concluir que idosos institucionalizados apresentam uma QV ruim, o que pode ser explicado ao vermos que os piores escores em relação aos domínios foram autonomia (AUT) e atividades passadas, presentes e futuras (PPF). Dessa forma, percebeu-se a importância da participação de profi ssionais da área da saúde, que sejam habilitados para poderem auxiliar nas limitações da capacidade funcional do idoso, buscando a reabilitação precoce e prevenindo a perda funcional. A pesquisa realizada apresentou difi culdades em relação à escassez de estudos apli- cando o mesmo instrumento para a percepção de QV (WHOQOL-OLD). Devido à falta de publicações, houve insufi ciência de bases literárias para fundamentar de forma mais ampla o estudo. Sendo assim, outros estudos se fazem necessários em populações maiores, correla- cionando os escores da QV aos dados sócio-demográfi cos, a fi m de confi rmar as tendên- cias observadas nesse estudo, para que dessa forma seja possível determinar quais as reais necessidades da população em questão. REFERÊNCIAS Celich KLS. Domínios de qualidade de vida e capacidade para a tomada de decisão em idosos participantes de grupos de terceira idade. Tese (Doutorado) Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Instituto de Geriatria e Gerontologia. Doutorado em Gerontologia Biomédica. Porto Alegre: PUCRS, 2008. Fleck MPA. Projeto Desenvolvido no Brasil pelo Grupo de Estudos em Qualidade de Vida. Versão em Português dos Instrumentos de Avaliação de Qualidade de Vida (WHOQOL) 1998. Rio de janeiro, 2006. IBGE. Indicadores sociodemográfi cos e de saúde no Brasil, 2009. Disponível em: . Acesso em 05 de outubro de 2010. Pelegrin AKAP, et. al. Idosos de uma Instituição de Longa Permanência de Ribeirão Preto: níveis de capacidade funcional. EERP - USP. Arq. Ciênc. Saúde, 2008.a tarefa de cuidar, manifestação de gratidão pelo idoso. 16 Cuidar de um idoso no domicílio é uma tarefa árdua, pois o cuidado é delegado, geral- mente, a uma pessoa que não possui apenas essa atividade e acaba conciliando-a com outras tarefas, como o cuidado dos fi lhos, da casa, atividade profi ssional, dentre outras. Este acúmulo de atividades resulta em esgotamento, podendo levar o cuidador domiciliar ao adoecimento. Frequentemente, se percebe que o cuidador domiciliar não possui outra pessoa para dividir as suas responsabilidades, levando a um acúmulo de atividades (5). Destarte, apresenta como problema de pesquisa: “Qual o perfi l dos cuidadores de idosos adscritos na Estratégia de Saúde da Família (ESF) no município de João Pessoa – PB?”; e como objetivo, caracterizar os cuidadores dos idosos adscritos à Estratégia Saúde da Família no município de João Pessoa – PB. METODOLOGIA Estudo descritivo, transversal, com abordagem quantitativa, realizado com cuidadores de idosos adscritos no Programa de Saúde da Família do município de João Pessoa - PB, no período de agosto a novembro de 2010. O estudo descritivo tem por objetivo descrever características de uma determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento de relações entre variáveis (6). A pesquisa quantitativa preocupa-se em medir (quantidade, frequência e intensidade) e analisar as relações causais entre as variáveis, apresentando como principal característica, o emprego, geralmente, para a análise dos dados, de um instrumental estatístico, e usa como instrumento para coleta de dados, questionário estru- turado, elaborados com questões fechadas (7). A coleta de dados foi realizada através de um questionário pré-codifi cado que abor- dava questões referentes à caracterização do cuidador, identifi cando o sexo, faixa etária, tempo que desempenha a função e vínculo com o idoso. As entrevistas foram feitas face a face nas residências cadastradas na Estratégia Saúde da Família. A amostra, do tipo aleatória, foi constituída de 77 familiares cuidadores selecionados de uma população identifi cada nas Unidades Básicas de Saúde com Programa de Saúde da Família (PSF) do município de João Pessoa, PB. Os dados obtidos foram digitados em um banco de dados no pacote estatístico Statistical Package for Social Sciences 13.0 e analisados descritivamente, com cálculo dos resultados em valores mínimos, médios e máximos, desvio-padrão e mediana. O projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do Hospital Universitário Lauro Wanderley e devidamente protocolado, analisado e aprovado, segundo as exigências da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde (8). 17 RESULTADOS As características predominantes dos 77 cuidadores participantes dessa pesquisa serão descritas a seguir, na Tabela 1. Tabela 1 – Características predominantes dos cuidadores dos idosos adscritos à Estratégia Saúde da Família no município de João Pessoa – PB. Características n % IC 95% Sexo Feminino 70 90,9 3,7-17,8 Masculino 7 9,1 82,2-96,3 Faixa etária De 17 a 24 anos 6 7,8 2,9-16,2 De 25 a 35 anos 14 18,2 10,3-28,6 De 36 a 45 anos 22 28,6 18,8-40,0 De 46 a 59 anos 19 24,7 15,6-35,8 De 60 anos ou mais 16 20,8 12,4-31,5 Tempo que desempenha a função de cuidador De 0 a 12 meses 24 31,2 21,1-42,7 De 13 a 24 meses 11 14,3 7,4-24,1 25 meses ou mais 42 54,5 42,8-65,9 Vínculo com o idoso Informal 67 87,0 6,4-22,6 Formal 10 13,0 77,4-93,6 Observou-se no estudo a predominância de cuidadores do sexo feminino (90,09%). As pessoas que prestavam cuidado aos idosos, na sua maioria, pertenciam a faixa etária de 36 a 45 anos (28,6 %). O item referente ao tempo que desempenha a função de cuidador mostra que 54,5% dos cuidadores o fazem há 25 meses ou mais. Observa-se uma signifi cativa porcentagem de cuidadores informais (87,0%) em rela- ção com os cuidadores formais (13,0 %). DISCUSSÃO No presente estudo foi encontrado uma prevalência de cuidadoras mulheres, verifi - cando-se que, dentre os 77 entrevistados a maioria (90,09%) era do sexo feminino enquanto que apenas 9,1% eram do sexo masculino. 18 Um esperado predomínio quando analisado outros estudos semelhantes, onde em um estudo transversal de abordagem quantitativa em uma Unidade Básica na Zona Oeste da capital paulista, afi rma em sua pesquisa, que cerca de 92,5% dos cuidadores são mulhe- res (9). Tais dados corroboram com a cultura prevalente em nosso pais, onde através de gerações foi construído o papel da mulher cuidadora. Em relação a faixa etária, observamos uma predominância de 28,6% de cuidadores entre 36 a 45 anos. Estes dados mostram-se diferentes dos estudos realizados onde foram observados a que 59% dos entrevistados estavam acima de 50 anos e 30,8% apresenta- vam idades na faixa de 60-69 anos, respectivamente (10-11). . Foi observado na presente pesquisa, os cuidadores entrevistados (54,5%) desem- penhava esta função a 25 meses ou mais. Neste mesmo segmento, estudo semelhante foi encontrado uma média de 9,8 anos cuidando do familiar e mediana de 6 anos(12). Ao analisar estas informações nota-se a necessidade do cuidado holístico para os cuidadores, pois a responsabilidade em cuidar de pessoas idosas pode produzir consequências físicas e mentais ao longo dos anos. Analisando o vínculo do cuidador com o idoso, identifi camos que 87% dos entrevis- tados possuíam vínculo informal, constituindo-se de cônjuge, fi lhas ou outros familiares próximos que prestam cuidados básicos e domiciliares a este idoso. Há relato em estudos que 50% dos entrevistados eram fi lhas e 28% da amostra era constituída por cônjuges (13). A incidência de cuidadores formais, com formação e remuneração ainda é bastante limitada, onde no nosso estudo, dos 77 cuidadores entrevistados apenas 10 possuíam um vínculo formal. CONCLUSÃO Os achados deste estudo evidenciam o predomínio do sexo feminino entre os cuida- dores dos idosos, onde estão nesta função em média há mais de dois anos. Estes além de realizarem os cuidados necessários para a manutenção diária dos idosos e que exigem tempo, ocasiona desgaste físico pelo vínculo informal maior condicionando ao idoso, como também desgaste emocional. Os resultados encontrados neste estudo poderão fornecer subsídios para os serviços de atenção básica, servindo para a formação de estratégias adequadas voltadas aos cui- dadores, a afi m de promover maior qualidade de vida e evitar complicações futuras, como sobrecarga e estresse. 19 REFERÊNCIAS 1 - Costa EFA, Porto CC, Soares AT. Envelhecimento populacional brasileiro e o aprendizado de geriatria e gerontologia. Rev da UFG. 2003 Dez; 5(2). 2 – Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística. Projeção da População do Brasil [Internet]. Brasil: Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística;[acesso em 20 set 2011]. Available from: URL: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_ impressao.php?id_noticia=127. 3 – Motta AB. Chegando pra idade. In: Barros MML. Velhice ou terceira idade. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas; 2003. p. 223-35. 4 –Duca GF, Thume E, Hallal PC. Prevalência e fatores associados ao cuidado domi- ciliar a idosos. Rev. Saúde Pública [serial online]. 2011 Out; 45(1). 5 – Gonçalves LHT. Perfi l da família cuidadora de idoso doente/fragilizado do contexto sociocultural de Florianópolis, Sc. Rev Texto e Contexto – enferm. 2006 Dez; 15(4). 6 WEIRICH, C. F. et al. O trabalho gerencial do Enfermeiro na Rede Básica de Saúde. Texto & Contexto - enferm. 2009 abr/jun; 18(2): 249 -257. 7 - Terence ACF, Escrivão Filho E. Abordagem quantitativa, qualitativa e a utilização da pesquisa-ação nos estudos organizacionais. In: XXVI ENEGEP. 2006 out.; Fortaleza. Disponível em: www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2006_TR540368_8017.pdf. 8 - Ministério da Saúde (Brasil). Resolução Nº 196 de 10 de outubro de 1996:aprova as diretrizes e nor mas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres hu manos. Conselho Nacional de Saúde, Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Brasília: Ministério da Saúde; 1996. 9 – Alvarenga MRM, Oliveira MAC, Yamashita CT, Amendola F. Perfi l sociodemográfi co de cuidadores familiares de pacientes dependentes atendidos por uma unidade de saúde da família no município de São Paulo. Rev O mundo da saúde 2010; 34(1). 10 – Amendola F, Oliveira MAC, Alvarenga MRM. Qualidade de vida dos cuidadores de pacientes dependentes no programa saúde da família. Rev Texto e Contexto – enferm. 2008; 17(2). 11 – Karsh UM. Idosos dependentes: famílias e cuidadores. Rev Caderno de Saúde Pública. 2003; 19(3). 20 A IMPORTÂNCIA DE GRUPO DE IDOSOS NO CAMPO DA ROMOÇÃO DA SAÚDE EM PUBLICAÇÕES ON-LINE Kamila Nethielly Souza Leite (UFPB) Smalyanna Sgren da Costa Andrade (UFPB) Joana D’arc Lyra Batista (UFPB) Ana Aline Lacet Zaccara (UFPB) Tatiana Ferreira da Costa (UFPB) INTRODUÇÃO A população idosa aumenta com o passar do tempo e de acordo com o Censo de 2000, realizado pelo IBGE, a população idosa corresponde a 15 milhões de indivíduos com 60 anos ou mais, o que signifi ca 8,6% da população brasileira e, nos próximos 20 anos, ela poderá ultrapassar os 30 milhões de pessoas, representando, assim, 13% de sua popula- ção total (1). No decorrer do processo de envelhecimento, muitas transformações biológicas e psí- quicas acontecem devido à mudança do estilo de vida nessa nova fase e isso requer uma atenção, pois tais modifi cações, aliadas à transição demográfi ca da população mundial ocasiona demandas de serviços previdenciários, de saúde e de assistencial social. Diante disso, os idosos irão ter novas necessidades o que exige adaptação e espaço na socie- dade para que vivam com qualidade de vida. E os profi ssionais de saúde têm a tarefa e responsabilidade de promover a saúde para que essa população alcance a longevidade com qualidade de vida (2). A participação de idosos em grupos de promoção da saúde exerce infl uência em sua qualidade de vida. E os grupos de idosos na atenção à saúde funcionam como uma rede de apoio propiciando a formação de vínculos e a inclusão social. Ao agregar pessoas com difi - culdades semelhantes possibilitam o convívio, fato de importância para amenizar a solidão e também à felicidade, motivação e aprendizado, todos signifi cados atribuídos igualmente à qualidade de vida e saúde(3). Para tanto, um grupo torna-se um espaço possível e privilegiado de rede de apoio e um meio para discussão das situações cotidianas, sendo constituído a partir de interesses e temas em comum que permite descobrir potencialidades e trabalhar a vulnerabilidade no 21 envelhecimento, de acordo com as necessidades apresentadas. Essa estratégia possibilita a ampliação do vínculo entre equipe e pessoa idosa, sendo um espaço complementar da consulta individual, de troca de informações, de oferecimento de orientação e de educação em saúde (4). Desta forma, diante das modifi cações geradas pelo processo de envelhecimento, são necessárias ações que contemplem não somente o setor assistencial, mas também o campo da promoção da saúde e prevenção de agravos, com o intuito de fornecer uma melhoria da saúde na senilidade. Dentre as ações, a criação de grupo de idosos, é com- preendida como uma estratégia inovadora e efi ciente, tornado o estudo relevante à medida que disponibiliza uma melhor compreensão do impacto desses grupos para a saúde dos indivíduos na senescência. A partir do exposto, objetivou-se identifi car nas publicações os discursos mais predo- minantes sobre grupo de idosos e suas repercussões na saúde nessa fase da vida. CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS Trata-se de um artigo de Revisão Sistemática da Literatura que se constitui uma revi- são de estudos por meio de uma abordagem sistemática e ampla, do ponto de vista do percurso metodológico que deve ser claramente defi nido (5). O estudo partiu da necessidade de avaliação de artigos que contemplasse a importân- cia da utilização de grupo de idosos para a promoção da saúde. Após a defi nição do tema de interesse, passou-se a seleção dos artigos no Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME). Quanto à base de dados, utilizou-se as fon- tes de informação LILACS e SciELO. Foram selecionados artigos oriundos de produções nacionais, devido às peculiari- dades das políticas públicas de saúde no Brasil voltada à população idosa; e a partir da década de 90, tendo em vista que no fi nal deste período, a Organização Mundial de Saúde (OMS) passou a utilizar o conceito de “envelhecimento ativo” que pode ser compreendido como o processo de otimização das oportunidades de saúde que visam promover modos de viver mais saudáveis, com um ganho substancial em qualidade de vida e saúde (4). Utilizou-se o unitermo ‘grupo de idosos’ para busca, obtendo-se um total de 2.682 arti- gos, sendo 881 no idioma português. Diante da amplitude de artigos, a pesquisa foi refi nada agregando-se os unitermos ‘promoção da saúde’ AND ‘qualidade de vida’, gerando um total de 37 artigos disponíveis na base de dados, sendo 18 dos quais, trabalhos publicados em texto completo. Destes, fi zeram parte da amostra nove artigos, haja vista os demais se tra- tarem de teses e estarem fora do tempo de publicação determinado. 22 Após a identifi cação dos artigos realizou-se leitura inicial dos mesmos, observando-se o tema e conteúdos gerais para posterior organização dos discursos mais predominantes que atendessem ao objetivo da pesquisa. Procedeu-se as para assegurar aproximações consistentes e verifi car a frequência com que apareceram. Foram consideradas mais rele- vantes aquelas características que se repetiram pelo menos em dois artigos distintos. Em seguida realizou-se a combinação dos achados procurando capturar a idéia central do texto nas publicações. RESULTADOS E DISCUSSÃO De um total de 9 artigos analisados, 9 (100%) abordaram as relações sociais e os grupos de idosos; e nos mesmos 9 (100%) foi possível identifi car o tema qualidade de vida relacionado a promoção da saúde e em 4 (44,44%) se referem aos profi ssionais de saúde, em especial o enfermeiro • Grupo de idosos e Relações sociais Sentir-se socialmente inserido é um benefício importante para os idosos, pois diminui a monotonia e reafi rma a possibilidade de ser ativo (6). E o grupo tem um papel importante na formação de vínculo, ampliação de redes sociais e motivação para pensar e executar outros projetos de vida para o futuro. E essa participação social aumenta aquisição de novos conheci mentos, e o idoso irá ter mais autonomia para realizar projetos e resolver problemas (1). • Qualidade de vida e promoção da saúde A qualidade está diretamente relacionada com a saúde, alimentação, com o con- vívio social e familiar, lazer, distrações, relacionamentos, comunicação, convívio familiar,oportunidade de aprendizagem e com o bem está físico, muitos idosos que prati- cam atividade física, ou seja, têm estilo de vida ativo apresentam uma qualidade de vida boa e na análise dos artigos, a prática da atividade física foi muito citada e verifi cou-se que a mesma acarreta benefícios físicos e psicológicos (7). • Importância dos profi ssionais de saúde e a promoção da saúde A importância de os profi ssionais de saúde em avaliar as condições de vida do idoso e junto com ele buscar recursos para melhorar e/ ou manter seu bem-estar, por meio de sua 23 integração social, através de atividades que lhe proporcionem prazer e, por conseguinte, qualidade de vida (8). Um fator importante para promoção da saúde é a ampliação dos conhecimentos da população e dos profi ssionais de saúde sobre o processo de envelhecimento e sobre fato- res de risco e de proteção das doenças e agravos mais comuns entre os idosos (3). CONSIDERAÇÕES FINAIS Pode-se identificar que os grupos de idosos estimulam a participação em atividades e o convívio social. E isso infl uência na qualidade de vida que está associada à felicidade, motivação e aprendizado que os idosos buscam nas relações sociais. A promoção da saúde em idosos, enquanto estrutura de intervenção coletiva e inter- disciplinar com os profi ssionais de saúde, leva à transformação contínua do nível de saúde e condições de vida dessa faixa etária vendo-a como um ser biopsicossocial, contribuindo assim para a superação do modelo biomédico de atenção à saúde. REFERÊNCIAS 1. Masuchi MH, Abou-Hala-Teixeira AZ, Guarnieri AP, Aziz JL, Brito FC, Abou-Hala-Corrêa AZ. Intervenção da Terapia Ocupacional com idosos que apresentam queixas de memó- ria da Liga de Saúde do Idoso da Faculdade de Medicina do ABC. Arq Bras Ciên Saúde, Santo André, v.35, n.2, p.95-8, Mai/Ago 2010 2. Souza LM, Lautert L, Hilleshein EF. Qualidade de vida e trabalho voluntário em idosos. Rev Esc Enferm USP. 2011; 45(3):665-71. 3. Santos LMR, Crepaldi MA, Ramos MAR, Roberto L. Grupos de Promoção à saúde no desenvolvimento da autonomia, condições de vida e saúde. Revista de Saúde Pública. 2006; 40(2):346-352. 4. Ministério da Saúde (Br). Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: 2006. 5. Coutinho ESF. Meta-análise. In: Medronho RA, Carvalho DM, Bloch KV, Luiz RR, Werneck GL. Epidemiologia. São Paulo: Atheneu; 2002: 447-55. 6. Silva CSS, Lautert L. Senso de auto-efi cácia na manutenção de comportamentos pro- motores da saúde em idosos. Rev Esc Enferm USP. 2010; 44(1):61-7. 24 7. Manso MEG, Lopes RGC. Avaliação da qualidade de vida de um grupo de idosos porta- dores de doenças crônicas não transmissíveis vinculados a um programa de promoção da saúde. RBM Especial Clínica Geral. 2010; v 67. 8. Castro MR, Vargas LA, A Interação/Atuação da Equipe do Programa de Saúde da Família do Canal do Anil com a População Idosa. Rev. Saúde Coletiva. 2005;15(2):329-351. 25 GRUPO AMIGOS DO CORAÇÃO: IDENTIFICANDO OS FATORES DE RISCO PARA INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA Aíla Marôpo Araújo1 Faculdade de Cultura, Ciências e Extensão do Rio Grande do Norte (FACEX). INTRODUÇÃO O envelhecimento populacional representa uma realidade que marcou o mundo desde o século XX. No Brasil, têm-se acentuado o crescimento da população idosa, e o resultado poderá ser observado em 2025, quando o país terá cerca de 32 milhões de pessoas com mais de 60 anos1-2. O processo de envelhecimento resulta em uma transição demográfi ca que acarreta na transição epidemiológica, com foco para as doenças crônicas não-transmissíveis, tem-se como destaque a Doença Renal Crônica (DRC)1-2. A Insufi ciência Renal Crônica (IRC) ou DRC caracteriza-se como uma síndrome clí- nica, oriunda da perda progressiva e irreversível da função renal3. Conhecer os fatores de risco para DRC é de suma importância para a redução da mor- bidade e mortalidade desta. Pois a prevenção de doenças crônicas degenerativas, como a IRC representam um problema de saúde pública mundial, a qual é um enorme desafi o aos gestores e profi ssionais de saúde no âmbito da Atenção Básica. Este estudo pretende conhecer e identifi car os fatores de risco para o desenvolvi- mento de Insufi ciência Renal Crônica (IRC), em um grupo de adultos e idosos da comuni- dade praiana de Vila de Ponta Negra-Natal/RN. METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa exploratória descritiva de abordagem quantitativa, desen- volvida em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Natal/RN, com 23 adultos e idosos do grupo Amigos do Coração. 1 Acadêmica do 8º período do Curso de Graduação em Enfermagem da FACEX/RN/BRASIL. Acadêmica do 4º período do Curso de Graduação em Gestão em Sistemas e Serviços de Saúde da UFRN/RN/BRASIL. E-mail: ailamaropo@ yahoo.com.br 26 Os estudos exploratórios-descritivos combinados almejam descrever completamente determinado fenômeno4. E o método quantitativo valoriza a verifi cação, o controle, o quan- titativo e a neutralidade científi ca4. A coleta de dados foi realizada nos meses de junho e julho de 2011, em encontros quinzenais do grupo. Foi utilizado um formulário semi-estruturado, que incluiu itens de caracterização: sexo, idade, situação conjugal, escolaridade e renda familiar mensal. Além disso, fatores de risco pessoais para IRC: etilismo, tabagismo, dieta, uso de temperos pron- tos, adição de sal de cozinha a comida já pronta, consumo de embutidos, realização de ati- vidades físicas ou esportes, presença de hipertensão ou diabetes e adesão ao tratamento. E por último, os fatores de risco relacionados à história familiar de IRC: história familiar de hipertensão, diabetes e de problemas renais. Os dados foram digitados em planilhas (Microsoft Excel 2010) e analisados por meio da estatística descritiva. Todos os sujeitos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido após infor- mados acerca dos objetivos e do caráter voluntário de sua participação na pesquisa. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte sob o n°229/2011. RESULTADOS E DISCUSSÕES Gráfi co 1 - Caracterização dos sujeitos quanto às variáveis sóciodemográfi cas: sexo, idade (anos), situação conjugal, escolaridade e renda familiar. Sujeitos participantes do grupo “Amigos do Coração” em uma Unidade Básica de Saúde. Natal, RN, 2011. Observa-se no gráfi co 1 que 82,6% dos participantes eram mulheres. A feminilização encontrada corrobora com o estudo de Silva e colaboradores, pode-se aferir que as mulhe- res apresentam maior atenção com a saúde e o autocuidado, enquanto que sujeitos do sexo masculino participam com menor frequência de ações coletivas por razões socioculturais5. 27 A faixa etária predominante foi de 65 anos ou mais (60,9%). No período de 1999 a 2009 o quantitativo de idosos nesta faixa etária diante do conjunto da população passou de 6,2% para 7,8%6. Em relação a situação conjugal, os dados confl uem com os estudos de Cesar e colaboradores7 66,2% (casados), 23,5% (viúvos) e 4,1% (solteiros). Quanto à Renda mensal, o Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE), coloca que a aposentadoria possibilitou ao idoso garantia para as necessidades básicas, embora este esteja mais vulnerável a despesas com medicamentos e outros tratamentos6. Para a escolaridade, estudo recente de Silva e colaboradores5, apresenta um padrão semelhante ao nosso, cerca de 70% dos idosos possuem até quatro anos de estudo. Em relação aos fatores de risco pessoais para IRC, 56,5% dos idosos utilizam tem- peros prontos na alimentação, e 52,2% referem o consumo de embutidos. O Ministério da Saúde recomenda que alimentos com os itens supracitados sejam reduzidos ou evitados, pois possuem um teor de sal considerável, importante desencadeador para a elevação da Pressão Arterial8. Os dados evidenciaram que 78,3% não realizam atividades físicas ou esportes. Observa-se índices semelhantes na pesquisa de Romero e colaboradores (2010), em que 51% realizavam atividade física enquanto que 49% não. Verifi ca-se nos estudos um perfi l sedentário dos sujeitos9. Quanto às morbidades a maioria são portadores de Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) (87%), segundo o Censo Brasileiro de Diálise esta é colocada como diagnóstico da doença renal primária com percentual de 35% e diabetes (27%)10. A pesquisa também revelou que 87% dos idosos cumprem rigorosamente o horário das medicações. Fato este que mostra uma continuidade e adesão ao processo terapêutico medicamentoso de HAS, de modo que o uso correto do anti-hipertensivo leva a uma redu- ção e/ou controle dos níveis pressóricos9. Gráfi co 2 – Caracterização dos fatores de risco relacionado à história familiar de Insufi ciência Renal Crônica. Sujeitos participantes do grupo “Amigos do Coração” em uma Unidade Básica de Saúde. Natal, RN, 2011. 28 Segundo o gráfi co 2, 87% dos participantes possuem história familiarde Hipertensão. Na pesquisa de Romero e colaboradores9 50,8% dos pesquisados possuem antecedentes familiares com HAS. Em última análise 65,2% dos participantes não possuem história familiar de proble- mas renais, enquanto que 34,8% possuem. Os estudos colocam que a história familiar também contribui no desenvolvimento dos problemas renais11. CONCLUSÃO O grupo de convivência é um espaço para promoção do autocuidado, prevenção de doenças e agravos, e de fomento à qualidade de vida. Com isso, o conhecimento e a iden- tifi cação dos fatores de risco para IRC é de suma importância para a sensibilização dos atores envolvidos (idosos, profi ssionais e gestores da saúde) para a construção de políticas públicas e estratégias de prevenção que contemplem o espectro desta morbidade. REFERÊNCIAS 1. Ferrer AL, Mendes MS, Santana RG. Morbidade hospitalar em idosos antes e após vacinação contra infl uenza no estado do Paraná. Rev. latinoam. enferm.[online]. 2008 Out [acesso 2011 Set 24]; 16(5): 832-83. Disponível em:http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S010411692008000500006&lng=en 2. Nasri F. O envelhecimento populacional no Brasil. Einstein (São Paulo). [on line]. 2008 [acesso 2011 Out 03]; 6 (Supl 1):S4-6. Disponível em: http://apps.einstein.br/revista/ arquivos/PDF/833Einstein%20Suplemento%20v6n1%20pS4-6.pdf 3. Cassini AV, Malagutti W, Rodrigues FSM, Deus RB de, Barnabe AS, Francisco L et al. Avaliação dos principais fatores etiológicos em indivíduos portadores de insufi ciência renal crônica em hemodiálise. ConScientiae Saúde. [online]. 2010 Jul [acesso 2011 Out 03]; 9(3): 462-468. Disponível em: http://www4.uninove.br/ojs/index.php/saude/ article/viewFile/2240/1766 4. Marconi MA, Lakatos EV. Fundamentos de Metodologia Científi ca. 7ª. ed. São Paulo: Atlas; 2010. 5. Oliveira e Silva H, Carvalho MJAD, Lima FEL, Rodrigues LV. Perfi l epidemiológico de ido- sos frequentadores de grupos de convivência no município de Iguatu, Ceará. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol.[online]. 2011 [acesso 2011 Out 03]; 14(1): 123 133. Disponível em: http:// revista.unati .uerj.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S180998232011000100013&lng=es 29 6. Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (BR). Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística. Síntese de Indicadores Sociais: Uma Análise das Condições de Vida da População Brasileira [online]. Rio de janeiro: IBGE; 2010 [acesso 2011 Out 03].Disponível em: http: //www.ibge.gov.br/home/ estatistica/populacao/condicaode- vida/indicadoresminimos/sinteseindicsociais2010/SIS_2010.pdf 7. Cesar JA, Oliveira-Filho JA, Bess G, Cegielka R, Machado J, Gonçalves TS et al. Perfi l dos idosos residentes em dois municípios pobres das regiões Norte e Nordeste do Brasil: resultados de estudo transversal de base populacional. Cad. Saúde Pública [online]. 2008 Ago [acesso 2011 Out 03]; 24(8):1835-1845.Disponívelem:http://www. scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102311X2008000800012&lng=en 8. Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Prevenção clínica de doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais [online]. Brasília: Ministério da Saúde; 2006 [acesso 2011 Out 03]. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/ publicacoes/abcad14.pdf 9. Romero AD, Silva MJS, Silva ARV, Freitas RWJFF, Damasceno MMC. Características de uma população de hipertensos atendida numa Unidade de Saúde da Família. Rev Rene. [online]. 2010 abr/jun [acesso 2011 Out 03]; 11 (2): 72-78. Disponível em: http:// www.facenf.uerj.br/v17n3/v17n3a16.pdf 10. Sesso RCC, Lopes AA, Thomé FS, Lugon JR, Burdmann EA. Censo Brasileiro de Diálise, 2009. J. Bras. Nefrol. [online]. 2010 Dez [acesso 2011 Out 03]; 32(4): 380-384. Disponível em :http://www.s cielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S010128002010 000400007&lng=en 11. Travagim DAS, Kusumota L. Atuação do enfermeiro na prevenção e progressão da doença renal crônica. Rev enferm UERJ. [online]. 2009 Mai [acesso 2011 Out 03]; 17: 388-93. Disponível em: http://www.facenf .uerj.br/v17n3/v17n3a16.pdf 30 PROJETO ENVELHECENDO COM QUALIDADE DE VIDA: DESENVOLVIMENTO DE PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO GERONTOLÓGICA MULTIDIMENSIONAL DAS CONDIÇÕES DE SAÚDE DE IDOSOS INTEGRANTES DE GRUPOS DE CONVIVÊNCIA Vilani Medeiros de A. Nunes¹ Mayonara Fabíola Silva Araújo² Fádila Larice A. da Costa Goes Melo² Hilda Dias da S. Rodrigues² Caio Magno F. Ferreira² Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN INTRODUÇÃO O envelhecimento é um ato inerente a vida sendo este um fenômeno universal, carac- terístico tanto dos países desenvolvidos quanto dos países em desenvolvimento, ocorrendo pelo decréscimo das taxas de natalidade e de mortalidade sendo caracterizado por altera- ções morfológicas, bioquímicas, fi siológicas, nutricionais, farmacodinâmicas, farmacociné- ticas, comportamentais e psicossociais que quando não avaliadas de forma interdisciplinar poderão interferir na qualidade de vida em pessoas idosas¹. A população idosa no mundo tem mostrado um crescente aumento, com estimativas que indicam uma elevação desses índices para as próximas décadas. Em contraposição, percebe-se que nossa sociedade confunde a imagem do envelhecer e da velhice com uma fase da vida em declínio, tanto no aspecto físico e psíquico como nas relações sociais². O envelhecimento populacional brasileiro caracteriza-se pelo acúmulo de incapacidades progressivas nas suas atividades funcionais e de vida diária, associada a condições socioeconômicas adversas³. A mortalidade é substituída por comorbidades e a manutenção da capacidade funcio- nal surge, portanto, como um novo paradigma de saúde, relevante para o idoso. Percebe-se que nas alterações relacionadas com a idade estão a presença de fatores de risco e a ocorrência de doenças crônico-degenerativas que determinam para o idoso certo grau de dependência, relacionado diretamente com a perda de autonomia e difi culdade de realizar as atividades básicas de vida diária o que pode interferir na sua qualidade de vida, prejudi- cando a independência e autonomia dos indivíduos4. Essas modifi cações, apesar de serem normais do processo de envelhecimento, acarretam perdas progressivas da capacidade de 31 adaptação ao meio ambiente, tornando o indivíduo mais vulnerável aos processos patoló- gicos. Estes fatores contribuem para a grande prevalência de limitações físicas e comorbi- dades refl etindo em sua independência e autonomia. O novo paradigma de saúde do idoso brasileiro é como manter a sua capacidade funcional mantendo-o independente e preser- vando a sua autonomia5. Profi ssionais que trabalham com o processo do envelhecimento nas mais diversas áreas de saber (médicos, fi sioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e outros), tentam proporcionar, em todos os níveis de atenção à saúde (primário, secundário e terci- ário), o bem estar bio-psico-social dos idosos, potencializando suas funções globais, a fi m de obter uma maior independência, autonomia e uma melhor qualidade para essa fase de vida6. Diante dessas inquietações, para se alcançar esta abordagem holística da pessoa idosa, surgiu o interesse entre profi ssionais que estudam o envelhecimento humano, no estabelecimento de um protocolo de avaliação multidimensional da pessoa idosa deno- minada através do Projeto “Envelhecendo com Qualidade de Vida”, tendo, como temática principal, a manutenção da capacidade funcional global que é, em essência, uma atividade multiprofi ssional. Essa proposta tem como objetivos oferecer subsídios técnico-geronto- -geriátricos à melhoria do cuidado oferecido aos idosos. O enfoque se dá na perspectiva de atenção na qualidade da assistência às pessoas ido- sas, no sentido de acompanhar e monitorar as atividades relacionadas à sua saúde. O refe- rido projeto se insere ao Grupo de Pesquisa de Envelhecimento Humano de Pesquisadores desta Universidade composto por quatro áreas de atividades interdisciplinaresprograma- das: Atividades Educativas com Idoso, Assistência Fisioterápica aos Idosos, Assistência Multiprofi ssional aos Idosos, Ofi cina de Extensão da Terceira Idade: Desenvolvimento de Tecnologias na área de Gerontologia. As atividades foram realizadas nas áreas de nutrição, fi sioterapia e enfermagem, e recentemente somou-se ainda a colaboração participativa de estudantes de graduação nas áreas descritas. A proposta deste projeto se consolida na Área Temática das Ciências da Saúde, na perspectiva do cumprimento ao preceito da indis- sociabilidade das dimensões ensino, pesquisa e extensão, caracterizada pela integração das ações a serem desenvolvidas que irão contribuir à formação técnica e cidadã do estu- dante e pela produção e difusão de novos conhecimentos e novas metodologias. METODOLOGIA O Projeto ENVELHECENDO COM SAÚDE envolve atividades assistenciais e educa- tivas nas áreas de nutrição, enfermagem e fi sioterapia. As ações assistenciais são desen- volvidas através de testes multidimensionais e orientações da assistência gerontológica 32 adequada, avaliação e acompanhamento fi sioterápico aos idosos portadores de disfunções motoras e ações assistenciais da enfermagem. As ações educativas são oferecidas aos idosos com o objetivo de conscientizá-los sobre a promoção de saúde e prevenção de doenças. Orientações práticas e cursos foram ministrados objetivando o bem estar dos ido- sos; questões como: formas de evitar dor na coluna, orientações sobre quedas, a melhor maneira de posicionar o paciente no leito, como realizar as transferências com os idosos e outras foram abordadas. O programa tem suas ações desenvolvidas nas localidades inter- -bairros do município de Santa Cruz, RN. RESULTADOS/ DISCUSSÃO As ações realizadas incluíram: a) Atividades Educativas e Assistenciais com Idosos: realizada pelos alunos e docentes da enfermagem e nutrição com o objetivo de desenvolver atividades de ações educativas, preventivas e de promoção de saúde em uma instituição de longa permanên- cia. O projeto visa também: estimular sua autonomia e favorecer o autocuidado através do conhecimento sobre sua saúde. b) Assistência Fisioterapêutica aos Idosos: realizado pelos alunos e docentes da área de fi sioterapia e tem como objetivos desenvolver ações fi soterapêuticas junto à comu- nidade de idosos institucionalizados no nível de atenção primária à saúde como também proporcionar aos alunos da graduação e pós-graduação a oportunidade de acompanhar e estudar as disfunções físicas desses idosos. Além disso, o projeto também propõe: possi- bilidade de desenvolvimento do conteúdo programático prático da disciplina de Fisioterapia Aplicada à Geriatria, permitindo aos alunos do curso de graduação efetuar ocasionalmente avaliações dos idosos residentes na instituição. Outra contribuição do projeto é o aspecto preventivo e educativo com a formação de grupos de idosos voltados para o autocuidado, socialização e integração. Os alunos orientam as adaptações ambientais e a prescrição de acessórios para deambulação visando aumentar a autonomia dos idosos. c) Assistência Multiprofi ssional aos Idosos: realizado pelos alunos e docentes das áreas de enfermagem, nutrição e fi sioterapia com objetivos de avaliar e intervir sob o ponto de vista multiprofi ssional junto aos idosos institucionalizados. O aspecto preventivo é abor- dado através de informações sobre os processos fi siológicos do envelhecimento, preven- ção de quedas, manutenção da capacidade física e de outros fatores que possam reduzir a qualidade de vida do idoso. Todo paciente é submetido ao protocolo de avaliação geriátrica multidisciplinar, proposto nesse projeto. 33 A integração dos objetivos propostos se concretiza com a realização de reuniões men- sais com todos os profi ssionais e acadêmicos envolvidos na atenção dos idosos. Nestas reuniões são discutidos casos clínicos das abordagens realizadas, são sugeridas interven- ções e formas de atuação que levem a uma melhor qualidade de vida dos idosos. São rea- lizadas várias ações no intuito de alcançar a Melhoria da Qualidade de Vida desses Idosos, através de uma abordagem multiprofi ssional e interdisciplinar. CONCLUSÃO O envelhecimento é um processo complexo e está associado a uma série de doenças, incapacidades múltiplas, dependência e perda da autonomia. O prolongamento da vida não é uma atitude isolada, necessitando de uma integração entre idoso, família e/ou, instituição e profi ssionais especializados. A atuação dos diversos profi ssionais não deve ser centrada somente nas doenças, mas também nas principais condições que causam incapacidades e conseqüente declínio no grau de dependência funcional e prejuízo na qualidade de vida. Esse é o novo desafi o da saúde do idoso no Brasil. Além dessa contribuição social, o pro- jeto também possibilita aos alunos de diversas áreas de saúde um contato mais estreito e real entre a universidade e comunidade, oferecendo aos alunos uma oportunidade, que talvez seja única, de uma atuação multiprofi ssional, garantindo, dessa forma, uma aborda- gem e visão holística do idoso. O projeto também contribui para o desenvolvimento de con- teúdo programático prático para várias disciplinas de graduação em áreas distintas como fi sioterapia (Fisioterapia Aplicada à Geriatria) e enfermagem (Enfermagem Gerontológica) e Nutrição (Avaliação Nutricional). Possivelmente, adequações e novas iniciativas somar- -se-ão ao projeto para o seu crescimento; entretanto; durante sua atuação serão realizados os ajustes necessários a melhoria das ações e qualidade dos serviços institucionais ofere- cidos aos idosos. O envelhecimento populacional em nosso país já é uma realidade. Ações que buscam lidar com esse crescente contingente de idosos devem ser priorizadas em todas as áreas do saber. As universidades têm como papel social prestar a sua contribuição, apoiando iniciativas que visem melhorar a qualidade de vida da população que envelhece. Assim, o Projeto Envelhecendo com Saúde prestará serviços à comunidade sob a forma de ações assistenciais e educativas oferecidas pelos projetos de extensão vinculados. 34 REFERÊNCIAS 1. LEBRÃO, M.L. O envelhecimento no Brasil: aspectos da transição demográfi ca e epide- miológica. Saúde coletiva, v. 17, n. 4, set-out. 2007. 2. Reis LA, Torres GV, Silva JPA, Sampaio LS, Reis LA. Perfi l Epidemiológico de idosos institucionalizados no Município de Jequié/BA. Revista Enfermagem Atual 2008; 46:19-23. 3. Caldas CP. Envelhecimento com dependência: responsabilidades e demandas da fami- lia. Cad. De Saúde Pública 2003 janeiro; 19(3): 773-81. 4. Maciel ACC, Guerra RO. Infl uência dos fatores biopsicossociais sobre a capacidade funcional de idosos residentes no nordeste do Brasil. Revista Brasileira de Epidemiologia. 2007; 10: 179-189. 5. Santos JLF, Lebrao ML, Duarte YAO. Desempenho funcional de idosos nas atividades instrumentais da vida diária: uma analise no município de São Paulo, Brasil. Cadernos de Saúde Publica 2008; 24(4):879-886. 6. Giacomin KC, Peixoto SV, Uchoa E, Lima-Costa MF. Estudo de base populacional dos fatores associados à incapacidade funcional entre idoso na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. Cad. Saúde Pública 2008; 24(6): 360-8. 35 PROPOSTA DE INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM PARA IDOSOS HOSPITALIZADOS COM INCAPACIDADE FUNCIONAL Gabriela Lisieux Lima de Souza - UFPB Ana Claudia Torres de Medeiros - UFPB Maria Miriam Lima da Nóbrega - UFPB INTRODUÇÃO Um dos fenômenos de maior impacto observado neste início de século é o aumento expressivo da população idosa, comprovado por estudos demográfi cos e epidemiológi- cos. Esse evento ocorreu, inicialmente, nos países desenvolvidos e, posteriormente, de forma acelerada, nos países em desenvolvimento, em decorrência da redução das taxas de fecundidade e de mortalidade. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra