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1
CAPACIDADE FUNCIONAL DE IDOSOS EM ILPIs DE RECIFE/PE
INTRODUÇÃO
Capacidade funcional é a habilidade física e mental para manter uma vida indepen-
dente e autônoma para a realização das atividades diárias (Santos et al1). Um importante 
fator que pode comprometer a capacidade funcional do idoso é a presença de doenças crô-
nicas e seus agravos que estão presentes com o envelhecimento. As principais doenças crô-
nicas e agravos que afetam o idoso são: doenças cardiovasculares, hipertensão, acidente 
vascular cerebral, diabetes, neoplasias, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças mús-
culo-esqueléticas, demência, diminuição da visão, doenças mentais e depressão (OPAS2).
De acordo com Araújo e Ceolim3 um ambiente não adequado às reais necessidades 
do idoso pode contribuir para ocorrer o isolamento, inatividade física, alteração do planeja-
mento de vida, depressão e limitação no desempenho das atividades diárias. Assume espe-
cial relevância a questão da institucionalização de idosos, como um recurso para cuidado 
deste público. De acordo com a legislação brasileira (RDC 283, as Instituições de Longa 
Permanência para Idosos (ILPIs) podem ser governamentais ou não, de caráter residencial, 
destinada a domicilio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou 
sem suporte familiar, em condição de liberdade e dignidade e cidadania, podendo ser des-
tinadas a idosos dependentes ou independentes. Uma ILPI deve promover a qualidade de 
vida do idoso e para isto, o serviço deve levar em consideração os níveis de dependência 
e estado mental do idoso para garantir sua funcionalidade4.
O estudo do desempenho funcional em idosos institucionalizados deve favorecer 
construção de programas para a prevenção e reabilitação de idosos devido a presença de 
limitações funcionais. O objetivo desta pesquisa foi descrever o perfi l funcional e de doen-
ças crônicas e agravos em idosos residentes em ILPIs na cidade de Recife/ PE.
METODOLODIA
Estudo descritivo, de corte transversal, quantitativo, realizado com os residentes de 05 
ILPIs. A amostra contou com 164 idosos, escolhidos por conveniência. A pesquisa foi apro-
vada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Agamenon Magalhães (474/2008). Foi 
utilizado um questionário sociodemográfi co, a Medida de Independência Funcional – MIF 
(Granger et al5), a Escala de AIVD (Lawton e Brody6), MIni-exame do Estado Mental – MEEM 
(Folstein et al7; Bertolucci et al8). Os dados foram coletados entre fevereiro a abril de 2009.
2
 Os resultados foram organizados através do programa EPIINFO 6.0, com dupla 
entrada, através de estatística descritiva simples (média, mediana e desvio padrão). A nor-
malidade dos dados foi verifi cada para escolha do teste de variância, sendo utilizada a 
ANOVA para variável paramétrica e Kruskal-Wallis para variável não paramétrica. A análise 
de variância foi utilizada para identifi car a variação dos escores da MIF, AIVD e MEEM entre 
os idosos sem doença e com doença (p≤ 0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
 Os idosos avaliados apresentaram idade média de 72,6 anos, sendo 72,6% do sexo 
feminino. A maior parte era solteira (57,3%), sem fi lhos (54,9%), católicos (65,2%), sem 
suporte familiar (46,3%), não alfabetizada (42,1%) e 30,5% não possuía renda.
 Quanto às condições de saúde, 91,5% dos idosos apresentava doenças crônicas, 
(Tabela 1). Fato comum encontrado com outros estudos realizados no Brasil e exterior 
(Oliveira et al9, Davim et al10).
Tabela 1 – Caracterização das doenças apresentadas pelos idosos. Recife, 2010. 
Doença Crônica/ Agravo n %
Hipertensão arterial 80 48,8
Osteoarticular 68 41,5
Défi cit visual sem correção com uso de órtese 36 22,0
Diabetes 29 17,7
Transtorno mental 25 15,2
Cardíaca 24 16,6
Sequela AVE 21 12,8
Demência 17 10,4
Outras (respiratória, neoplasia e Parkinson) 17 10,4
Quanto ao grau de dependência para realização das AVDs, encontrou-se os seguin-
tes dados (Gráfi co 1): 
Gráfi co 1 – Distribuição dos valores da MIF total de acordo com a classifi cação quanto o nível
de independência funcional de idosos institucionalizados. Recife/ Brasil, 2009.
3
A tabela 2 apresenta as principais doenças encontradas que infl uenciam em depen-
dência funcional do idoso foram: doenças osteoarticulares, AVE, défi cit visual, transtorno 
mental e demência (Dorantes-Mendonza et al11, Viana et al12). 
Para as AIVDs foram encontrados idosos dependentes (Araújo e Ceolim3). A emên-
cia foi a que mais causou prejuízos no desempenho funcional do idoso. Para alguns autores 
um pior desempenho cognitivo é um importante preditor de incapacidade funcional (Dorantes-
Mendonza et al11, Greve et al13), como também para a institucionalização do idoso. A sequela 
de AVE apresentou forte interferência para atividades que envolvem mobilidade e cognição 
(Viana et al12). O défi cit visual prejudicou o desempenho dos idosos para as atividades moto-
ras. O transtorno mental apresentou interferência para as atividades cognitivas.
A dependência para a realização das atividades cotidianas pelo idoso pode ter relação 
não só com o número e a presença de doenças crônicas, mas o ambiente, as condições 
pregressas à institucionalização, a idade e o perfi l cognitivo, e o tipo de serviço que é ofe-
recido podem infl uenciar.
Tabela 2-Valores das medias e medianas de MIF, AIVD e MEEM, de acordo com as doenças crônicas e 
agravos apresentados pelos idosos. Recife/ Brasil, 2009. 
Doença/ 
Agravo
MIFt AIVD MEEM
n %
Media 
±dp
Mediana
Media 
±dp
Mediana
Media 
±dp
Mediana
Osteoarticular
68 41,5
68,5 
±32,3
64,5
10,89 
±2,7
10,0 14,0 ±7,4 14,0
de 
Domicílio – PNAD, de 2008, a população brasileira manteve sua tendência de envelheci-
mento, com percentual cada vez maior de idosos e índice menor de jovens. As pessoas 
idosas já representam 11,1% dos brasileiros, enquanto que as crianças de zero a quatro 
anos compreendem 7,2% da população1. Projeções estatísticas mostram para o período 
compreendido entre 1970 e 2025 um crescimento de 223%, ou em torno de 694 milhões no 
número de pessoas mais velhas, que em 2025 existirá um total de aproximadamente 1,2 
bilhões de pessoas com mais de 60 anos e até 2050 haverá dois bilhões, sendo 80% nos 
países em desenvolvimento2.
O envelhecimento ocasiona alterações que podem levar a limitação na capacidade 
funcional da pessoa idosa para o desempenho das atividades básicas da vida diária. A 
Organização Mundial da Saúde defi ne a incapacidade funcional como a difi culdade, devido 
a uma defi ciência, para realizar atividades típicas e pessoalmente desejadas na sociedade. 
Frequentemente, é avaliada por meio de declaração indicativa de difi culdade, ou de neces-
sidade de ajuda, em tarefas básicas de cuidados pessoais e em tarefas mais complexas, 
necessárias para viver independente na comunidade3.
Dentre as consequências mais frequentes do comprometimento da capacidade 
funcional no idoso, destacam-se complicações no seu estado de saúde com incremento 
do fenômeno da hospitalização, prejuízo de sua qualidade de vida e, por sua vez, maior 
demanda de cuidados do sistema formal. Tais circunstâncias trazem importantes implica-
ções para a assistência de enfermagem, o que requer maior compreensão dos problemas 
dos idosos frente a essa condição, especialmente de suas necessidades básicas afetadas, 
36
diagnósticos de enfermagem e intervenções que, uma vez implementadas, possam pro-
duzir efeitos positivos sobre sua saúde e bem-estar. Este estudo teve como objetivo traçar 
propostas de intervenções de enfermagem para idosos hospitalizados com incapacidade 
funcional, utilizando a CIPE®.
METODOLOGIA
Estudo descritivo, vinculado ao projeto de pesquisa e extensão “Sistematização da 
Assistência de Enfermagem no Hospital Universitário Lauro Wanderley”. A população 
investigada compreendeu 21 idosos, com idade entre 61 e 85 anos, internados no referido 
serviço de saúde durante o mês de maio de 2010. Dentre esta população, foi selecionada 
a amostra do estudo, que compreendeu nove idosos que apresentavam incapacidade fun-
cional mensurada por meio do Índex de Katz. 
A coleta de dados foi efetivada por meio das técnicas de entrevista e de exame físico, 
sendo subsidiada por instrumento estruturado (histórico de enfermagem), fundamentado na 
Teoria das Necessidades Humanas Básicas de Horta, utilizado pela equipe de enfermagem 
da unidade clínica do Hospital Universitário Lauro Wanderley. Após esse procedimento, as 
pesquisadoras realizaram um julgamento clínico dos dados coletados com vistas à identifi -
cação de indicadores empíricos de necessidades humanas básicas afetadas e de diagnós-
ticos de enfermagem nos idosos investigados.
Para a construção das afi rmativas de diagnósticos de enfermagem, foi utilizada a 
Classifi cação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE®)4, obedecendo aos seguin-
tes procedimentos: inclusão de um termo do Eixo Foco e de um termo do Eixo Julgamento 
e outros termos adicionais de outros eixos, quando necessário. Já para propor as interven-
ções de enfermagem foi utilizada a Classifi cação das Intervenções de Enfermagem (NIC)5 
e o Diagnóstico de Enfermagem (DE)6. O DE apresenta as recomendações da NANDA, 
constituindo uma linguagem padronizada que permite uma redefi nição e compartilhamento 
de informações à medida que os diagnósticos são aplicados a cada paciente, contribuindo 
para a implementação da assistência de enfermagem.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
No tocante às necessidades humanas básicas afetadas, após a análise dos dados 
coletados por meio do Histórico de enfermagem e o julgamento clínico, foram identifi ca-
das 125 diagnóstico de enfermagem, distribuídos em 36 categorias diagnósticas, com uma 
37
média de 13.8 diagnóstico/idoso. Foram considerados relevantes os diagnósticos que apre-
sentaram uma frequência de 50% ou mais dos pesquisados, os quais estão ilustrados na 
tabela 1.
Tabela 1 – Distribuição da frequência de diagnósticos de enfermagem identifi cados em idosos
hospitalizados com incapacidade funcional. João Pessoa, 2010.
Diagnósticos de Enfermagem N
Frequência 
(%)
Défi cit de autocuidado para tomar banho e vestir-se 9 100,0%
Comunicação prejudicada 8 88,8%
Audição diminuída 7 77,7%
Dor 7 77,7%
Apetite diminuído 7 77,7%
Falta de conhecimento sobre a doença e o tratamento 6 66,6%
Deambulação dependente 5 55,5%
Visão diminuída 5 55,5%
Sono e repouso prejudicados 5 55,5%
Défi cit de autocuidado para alimentar-se 5 55,5%
Para o diagnóstico de enfermagem Défi cit de autocuidado para tomar banho e vestir-
-se às intervenções de enfermagem propostas para os idosos em estudo foram: colocar 
toalhas, sabonete e outros acessórios na cabeceira da cama; facilitar/auxiliar o paciente no 
banho; oferecer ao paciente fácil acesso às roupas; estar disponível para auxiliar no vestir, 
conforme necessidade; manter a privacidade enquanto o paciente estiver se vestindo. 
As intervenções de enfermagem para o diagnóstico de enfermagem Comunicação pre-
judicada foram: rever história de distúrbios neurológicos que possam alterar a fala; avaliar 
o grau de disfunção; Identifi car fatores ambientais que possam comprometer a capacidade 
de comunicar-se; estabelecer uma relação com o paciente, atentando para a linguagem 
verbal e não verbal. 
O diagnóstico de enfermagem Audição diminuída teve como proposta de intervenções 
as seguintes: identifi car a razão subjacente para as alterações da percepção sensorial de 
audição; avaliar a capacidade de falar e responder a comandos simples; identifi car e esti-
mular a utilização de recursos/próteses (aparelhos auditivos). 
Para o diagnóstico de enfermagem Dor foram propostas as seguintes intervenções: 
realizar uma avaliação da dor, quanto à intensidade, local, frequência; observar indicadores 
não verbais de desconforto; assegurar que o paciente receba cuidados precisos de anal-
gesia; controlar os fatores ambientais capazes de infl uenciar a resposta do paciente a dor. 
38
As intervenções de enfermagem propostas para diagnóstico de enfermagem Apetite 
diminuído foram: organizar a bandeja com os alimentos e a mesa de modo atraente; ofere-
cer os alimentos conforme a preferência do alimento; criar uma ambiente agradável durante 
as refeições; posicionar o paciente adequadamente durante as refeições; oferecer oportuni-
dade de sentir o cheiro dos alimentos para estimular o apetite do paciente. 
Para o diagnóstico de enfermagem Falta de conhecimento sobre a doença e o trata-
mento foram propostas as seguintes intervenções: determinar o nível de conhecimento do 
paciente; identifi car a capacidade do cliente de aprender; fornecer informações relevan-
tes à situação; enumerar os fatores que motivam o paciente; identifi car os obstáculos à 
aprendizagem. 
As intervenções propostas para o diagnóstico de enfermagem Deambulação depen-
dente foram: encorajar a deambulação independente, dentro de limites seguros; auxiliar 
o paciente a sentar na beira do leito para facilitar os ajustes posturais; aplicar/oferecer 
recurso auxiliar (ex. bengala) para a deambulação; orientar paciente/cuidador sobre técni-
cas seguras de transferência e deambulação. 
Para o diagnóstico de enfermagem Visão diminuída foram propostas as seguintes 
intervenções: identifi car a razão subjacente para as alterações da percepção sensorial de 
visão; dispor o leito, os artigos pessoais e as bandejas de alimentos de modo a aproveitar 
o campo e visão funcional do cliente; reorientar o paciente quanto ao lugar, tempo, equipe 
e acontecimentos. 
Para o diagnóstico de enfermagemSono e repouso prejudicados as intervenções pla-
nejadas foram: monitorar o padrão de sono do paciente e a quantidade de horas dormidas; 
determinar os efeitos dos medicamentos do paciente sobre o padrão de sono; adaptar o 
ambiente para promover o sono; monitorar os alimentos e líquidos ingeridos no horário de 
dormir; auxiliar o paciente a limitar o sono diurno, promovendo atividades. 
Para o diagnóstico de enfermagem Défi cit de autocuidado para alimentar-se as inter-
venções de enfermagem propostas foram: identifi car a dieta prescrita; criar um ambiente 
agradável durante as refeições; colocar o paciente em posição confortável para alimentar-
-se; proporcionar alívio adequado da dor antes das refeições quando necessário.
CONCLUSÃO
Frente à incontestável realidade do envelhecimento populacional este estudo permi-
tiu identifi car as necessidades humanas básicas nos idosos hospitalizados com incapaci-
dade funcional, construir afi rmativas de diagnósticos de enfermagem e uma proposta de 
39
intervenções de enfermagem que se tornam relevantes para a atuação da categoria profi s-
sional mais próxima do paciente durante o processo de hospitalização.
Desse modo, os achados deste estudo possibilitam o planejamento de intervenções 
sistemáticas e individualizadas com vistas à implementação de um cuidado multidimensio-
nal da pessoa idosa com incapacidade funcional. Este estudo permitiu a identifi cação de 
áreas relevantes para a atuação do enfermeiro frente às difi culdades apresentadas pelo 
idoso ante o processo incapacitante, tanto em nível hospitalar quanto noutros cenários de 
assistência à saúde.
REFERÊNCIAS
1 Fundação Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística. Pesquisa Nacional por Amostra 
de Domicílios. Rio de Janeiro: IBGE, 2008.
2 World Health Organization. Envelhecimento ativo: uma política de saúde. Brasília: 
Organização Pan-Americana da Saúde, 2005. 60p.
3 Parahyba MI, Simões CCS. A prevalência de incapacidade funcional em idosos no 
Brasil. Rev Ciênc. saúde coletiva, 2006; 11(4):967-74.
4 Internacional Council of Nurses. International Classifi cation for Nursing practice Version 
2. Geneva, Switzerland: International Council of Nurses. 2009
5 Dochterman JM, Bulechek GM. Classifi cação das Intervenções de Enfermagem (NIC). 
4a edição. Porto Alegre: Artmed, 2008.
6 Doenges ME, Moorhouse MF, Murr AC. Diagnósticos de Enfermagem – Intervenções, 
Prioridades, Fundamentos. 10a edição. Rio de Janeiro (RJ): Guanabara Koogan, 2010
40
PERFIL DE INDEPENDÊNCIA DE IDOSOS DE UMA UNIDADE
DE SAÚDE DA FAMÍLIA – JOÃO PESSOA, PB.
Cleyton Cézar Souto Silva
Enfermeiro. Universidade Federal da Paraíba
Gracielle Malheiro dos Santos
Nutricionista. Universidade Federal da Paraíba
Suênia Xavier Gonçalves
Fisioterapeuta. Universidade Federal da Paraíba
INTRODUÇÃO
O processo de envelhecimento está relacionado com o surgimento de alguns fato-
res, tais como as doenças crônico-degenerativas, que interferem nas condições de saúde 
podendo acarretar prejuízos para a capacidade funcional dos idosos (1,2). 
No contexto atual onde a saúde dessa população se traduz mais pela sua condição 
de autonomia e independência que pela presença ou ausência de doenças, destaca-se a 
importância da identifi cação de idosos vulneráveis e o monitoramento da sua capacidade 
físico-funcional(3). 
Nesse sentido, a política nacional de saúde a pessoa idosa preconiza o uso de instru-
mentos técnicos validados e considera a avaliação funcional individual e coletiva um dos 
instrumentos imprescindíveis para determinar a pirâmide de risco funcional e caracterizar 
melhor a população idosa assistida pela Equipe de Saúde da Família. Conhecer essas 
informações é importante para a construção de planos locais de ação para enfrentamento 
das difi culdades inerentes à saúde da pessoa idosa. Essas ações visam promover um enve-
lhecimento com saúde, de forma ativa e livre de qualquer tipo de dependência funcional(4).
O objetivo desse estudo foi estabelecer o perfi l de saúde e de independência funcional 
de idosos assistidos por uma unidade de saúde, para que essas informações sirvam como 
elementos norteadores na construção do planejamento das ações de saúde dos profi ssio-
nais de saúde da atenção básica.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo quali-quantitativo com abordagem não-experimental, explora-
tório e descritivo, que faz parte de uma pesquisa maior intitulada “perfi l de saúde, aspecto 
funcional e social de idosos de uma unidade integrada de saúde da família – João Pessoa/
41
PB. O local de estudo foi o território de uma Unidade de Saúde da Família, localizado em 
João Pessoa/ PB e a população utilizada foi constituída por 50 idosos cadastrados nesta 
unidade.
Os pesquisadores seguiram as observâncias éticas da Resolução 196/96 do Conselho 
Nacional de Saúde, principalmente no cumprimento ao termo de consentimento livre e 
esclarecido, sendo aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da 
Saúde da Universidade Federal da Paraíba.
A coleta de dados foi realizada pelos próprios pesquisadores através de questioná-
rio e ocorreu nos meses de janeiro a março de 2010, através do uso de um questionário 
contendo questões objetivas sobre dados sócio-demográfi cos, características de saúde. 
Também foi utilizada a Escala de Lawton para avaliar o desempenho funcional da pessoa 
idosa em termos de atividades instrumentais de vida diária.
Para a análise dos dados foi utilizado o programa Statistical Package for Social 
Sciences-SPSS V.10 e construídas as freqüência absoluta (n) e relativa (%), além da meto-
dologia própria da escala Lawton.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Segue na tabela 1, os dados referentes a caracterização sócio-demográfi ca da amos-
tra estudada.
Tabela 1 – Distribuição dos idosos segundo suas características sócio-demográfi cas. João Pessoa, PB, 2010.
Variáveis N %
Sexo
Masculino
Feminino
Estado civil
Solteiro
Viúvo
Casado
Separado
Cor
Parda
Preto
Amarela
Branca
Escolaridade
Analfabeta
Ensino Fundamental
Ensino Médio
17
33
6
16
21
6
33
1
1
15
15
27
8
34
66
12
32
42
12
66
2
2
30
30
54
16
42
A média de idade dos idosos foi 72,59 (desvio padrão de 9,8), com máxima de 98 e 
mínima de 59. O sexo feminino foi predominante, assim como o baixo nível de escolari-
dade. Observa-se um grande número de idosos viúvos, ou seja, que vivenciam a velhice na 
ausência do seu companheiro (a), podendo ser este um fator determinante para qualidade 
de vida ou não.
Com relação à renda 22% (n=11) dos idosos ainda trabalham, 78% (n=39), 76% (n=38) 
possuem aposentadoria e 24% (n=12) não possuem este benefício. A média da renda foi 
de R$ 858, 08 (desvio padrão de R$ 557,084), com máxima de R$ 3500 e mínima de R$ 
500. Sendo que 60%(n= 30) dos idosos dividem sua renda com a família e 34% (n=17) não 
dividem.
Quanto ao perfi l de saúde os dados foram:
Tabela 2 – Distribuição dos idosos segundo suas características de saúde e patologias presentes.
João Pessoa, PB, 2010.
Variáveis N %
Estado de saúde
Muito bom
Bom
Regular
Ruim
Muito ruim
Patologias
Artrite
Problemas Circulatório
Alzheimer
Artrose
AVC
Dor Muscular
Osteoporose
Lombalgia
Parkinson
Queda
4
17
18
7
4
1
1
2
5
1
1
3
2
1
9
18
34
36
14
8
2
2
4
10
2
2
6
4
2
18
Quanto à percepção de saúde de saúde autoreferida, 18% dos idosos classifi caram 
sua saúde como muito boa, 34% como boa, 36% como regular, 14% como ruim e 8% como 
muito ruim.
A escala de Lawton classifi ca o idoso quanto ao seu grau de independência para rea-
lizar as atividades instrumentais de vida diárias são aquelas atividades mais complexas, 
como conseguir cuidar de suas fi nanças, fazer compras e tomar a medicação nas doses 
43
e horários corretos, mas que são necessárias à vida independente na comunidade(5). Os 
idosos que pontuam abaixo acima de 25 são considerados independentes, entre 21 a 25 
dependentes leves, 16 a 20 dependentes moderados,10 a 15 dependentes graves e de 
nove para baixo dependentes totais(6). 
Embora a maioria dos idosos entrevistados tenham sido classifi cados como indepen-
dentes, é importante notar que um grande número de idosos apresentaram algum grau de 
dependência. Como está demonstrado na tabela 3.
Tabela 3 – Distribuição dos idosos segundo grau de dependência para as Atividades
Instrumentais de Vida Diária. João Pessoa, PB, 2010.
Variáveis N %
Grau de dependência
Dependência total
Dependência grave
Dependência moderada
Dependência leve
Independência
1
7
7
11
24
2
14
14
22
48
CONCLUSÃO
O estudo permitiu conhecer o perfi l da capacidade funcional de uma amostra de ido-
sos assistidos por uma Unidade de Saúde da Família, através da utilização de um instru-
mento de fácil aplicação e preconizado pelo Ministério da Saúde, fornecendo informações 
que auxiliarão no planejamento das ações da equipe de saúdevoltada para essa popula-
ção. Ressaltamos a importância de investigar quais fatores estão associados ao declínio do 
desempenho funcional nessa faixa etária.
REFERÊNCIAS
1. Silvestre JA, Neto MMC. Abordagem do idoso em programas de saúde da família. Cad 
Saúde Pública 2003; 19(3).
2. Reis LA et al. Estudos das condições de saúde de idosos em tratamento no setor de 
neurogeriatria da clínica escola de fi sioterapia da Universidade Estadual do Sudoeste da 
Bahia. Rev Baiana de Saúde Pública 2007, 31( 2): 322-30.
44
3. Almeida LGD et al. Promover a vida: uma modalidade da fi sioterapia no cuidado à 
saúde de idosos na família e na comunidade. Rev Saúde Com 2006, 2(1): 50-8. 
4. Brasil. Portaria n° 2528 de 19 de outubro de 2006 que aprova a Política Nacional de 
Saúde da Pessoa Idosa.Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
5. Parahyba MA, Veras R. Diferenciais sociodemográfi cos no declínio funcional em mobili-
dade física entre idosos no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva 2008, 13(4): 1257-64.
6. Freitas EV, Miranda RD. Parâmetros clínicos do envelhecimento e Avaliação Geriátrica 
Ampla. In: Freitas EV et al. Tratado de Geriatria e Gerontologia. Rio de Janeiro: 
Guanabara-Koogan, 2006.
45
TERAPIA COMUNITÁRIA E A PESSOA IDOSA:
A ESTRUTURA FAMILIAR E SEUS CONFLITOS
Marina Nascimento de Moraes
Ianine Alves da Rocha
Mayra Helen Menezes Araruna
Renata Cavalcanti Cordeiro
Universidade Federal Da Paraíba
INTRODUÇÃO
O processo de envelhecimento humano é bastante complexo, indo além das mudan-
ças biológicas. Suas especifi cidades são delimitadas por posição de classe social, pela 
cultura, pelas condições sócio-econômicas e sanitárias do indivíduo e da comunidade1.
A família é fundamental na prestação de cuidados inerentes a esta etapa da vida. 
Atualmente a instituição familiar apresenta uma nova conjuntura, uma conseqüência da 
atual realidade que a infl uencia. 
Em algumas situações a relação família-idoso entra em desequilíbrio, devido, prin-
cipalmente, a divergência de interesses. Tais confl itos são geradores de sentimentos de 
angústia, solidão, tristeza e estimulam o isolamento social.
Para que ocorra uma velhice saudável é de suma importância que o idoso possua 
autonomia. Desta forma, evidencia-se a necessidade de tecnologias do cuidado que propi-
ciem o desenvolvimento desta autonomia na população idosa. 
Neste sentido a Terapia Comunitária (TC) surge como uma ferramenta de cuidado nos 
programas de inserção e apoio à saúde mental da população idosa. A TC é um espaço de 
acolhimento, para a partilha de sofrimentos e sabedoria de vida, que ocorre de maneira cir-
cular e horizontal. Constitui um espaço de escuta, refl exão e troca de experiências, criando 
uma teia de relação social entre os participantes, na busca de soluções para os confl itos 
pessoais e familiares2.
Estudos anteriores mostram que a maior parte das rodas de TC são realizadas com 
grupos de idosos (cerca de 70%), tendo como um dos principais confl itos os familiares, que 
levam à sentimentos de abandono, isolamento, angústia, ansiedade, entre outros3. Face a 
esta problemática identifi cada, tornou-se necessário investigar a dinâmica de funcionamento 
46
da família onde estes idosos estão inseridos para intervir na busca do reequilíbrio das rela-
ções familiares.
Sendo assim, este estudo teve como objetivos: avaliar a funcionalidade da família do 
idoso participante da TC e identifi car quais são os principais confl itos familiares enfrentado 
pelos idosos, geradores de estresse, angústia e ansiedade.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de natureza predominantemente qualitativa devido a especifi -
cidade do objeto. A pesquisa empírica foi realizada em unidades de saúde localizadas nos 
Distritos Sanitários III e IV do município de João Pessoa, locais estes defi nidos pela gestão 
do município, obedecendo o critério de existência de grupos de Terapia com Idosos na comu-
nidade e cuja frequência de participantes seja acima de 10 pessoas observando também 
a frequência de realização das terapias, que deveria ocorrer pelo menos quinzenalmente. 
Participaram da pesquisa 12 pessoas idosas, tanto do sexo feminino como masculino, 
que frequentavam a terapia por mais de seis encontros e que já viveram ou estavam viven-
ciando confl itos familiares. Os idosos foram escolhidos após o estabelecimento de uma rela-
ção de confi ança entre a pesquisadora com os mesmos e estes manifestarem o desejo de 
contribuir com sua experiência para a produção de conhecimentos advindos deste estudo. 
Para avaliar a funcionalidade da família do idoso participante da TC foi utilizada uma 
entrevista semi-estrutura, que continha questões referentes aos dados pessoais dos entre-
vistados, e aplicado um instrumento intitulado Avaliação da Funcionalidade Familiar, tam-
bém conhecido como APGAR DE FAMÍLIA, adotado pelo Ministério da Saúde, para estudos 
com idosos e com este tipo de problemática. Este instrumento possibilita verifi car indícios 
de disfunção familiar.
Para identifi car os principais confl itos familiares enfrentado pelos idosos a pesquisa-
dora participou de 7 rodas de terapia comunitária, para registrar os relatos dos idosos no 
momento da terapia. Além disso, foi utilizado ainda um caderno de campo para anotações 
de informações consideradas relevantes para este estudo. 
O material empírico foi analisado a partir da técnica de análise do discurso. Essa pro-
posta tem como princípio básico reconhecer no texto, o nível mais abstrato, temático, com 
o qual se articula4. 
Este estudo atendeu aos requisitos propostos pela Resolução 196/96. A pesquisa 
de campo somente foi iniciada após o projeto ter sido submetido ao Comitê de Ética e 
Pesquisa do CCS/UFPB.
47
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Foi designado para a pesquisa os grupos das Unidades de Saúde da Família Cordão 
Encarnado II e José Américo II. Grupos coesos e numerosos, que realizavam a TC 
quinzenalmente. 
No grupo da primeira unidade foram assistidas três rodas de TC, o que permitiu que 
houvesse a formação de um vínculo com os participantes e a interação entre o Terapeuta 
Comunitário e a pesquisadora.
Contudo, devido a saída do Terapeuta Comunitário desta USF, a realização das rodas 
foi interrompida, gerando a necessidade de ampliar a pesquisa para o segundo grupo de 
idosos.
Neste grupo foram assistidas quatro terapias comunitárias. Apesar de ter sido esti-
pulado que as terapias iriam ocorrer de quinze em quinze dias, uma série de problemas 
acabou por impedir que isto ocorresse
Em relação aos dados referentes ao APGAR, dos 12 idosos participantes, 7 idosos 
apresentaram uma boa funcionalidade familiar, 4 apresentavam uma moderada disfunção 
familiar e apenas 1 apresentava uma elevada disfunção familiar.
Tal resultado segue a tendência de outros estudos, onde a maior parte dos idosos 
avaliados possuía uma boa dinâmica familiar. Os resultados de uma pesquisa realizada 
com 95 famílias de uma comunidade no interior do estado de Falcon, na Venezuela, mos-
tram que 75% apresentam boafuncionalidade familiar ou leve disfunção familiar5.
O reconhecimento da dinâmica de funcionamento familiar permite a detecção de dis-
funções e possibilita a intervenção precoce na busca do reequilíbrio das relações familiares 
e na melhoria da qualidade assistencial prestada ao idoso6. 
Desta forma, é importante que os profi ssionais de saúde considerem que as doen-
ças ou injúrias, inerentes ao processo de envelhecimento, desenvolvem, de alguma forma, 
estresse familiar, que acaba interferindo na dinâmica dessa instituição. 
Um bom funcionamento familiar ocorre devido a um equilíbrio nas relações entre os 
seus membros, equilíbrio este que é de extrema importância para que o idoso consiga 
desempenhar a sua autonomia, ou seja, para que a pessoa idosa tenha a capacidade de 
decisão e de comando sobre diversos aspectos de sua vida.
No âmbito familiar, cada indivíduo tem uma forma singular de agir, devido a sua his-
tória, temperamento, idade, composição genética, etc. Quando há uma condensação des-
tes e outros fatores, surgem as diferenças individuais, que são consideradas a base dos 
48
confl itos. Tais diferenças repercutem diretamente nas ações cotidianas desenvolvidas pelos 
indivíduos, principalmente no cotidiano das pessoas idosas, e nas suas relações sociais, 
devido ao sofrimento psíquico gerado7.
Durante as entrevistas, percebeu-se que o confl ito mais vivenciado pelos idosos foi o 
que abordava pais e fi lhos, oito entre os doze entrevistados referiram tal problema, o que 
demonstra certa quebra da estrutura e do respeito familiar. Os motivos de tais confl itos são, 
geralmente, a divergência de ideias e a falta de atenção do fi lho para com os pais.
Outro confl ito bastante relatado foi o de mulheres com seus respectivos maridos. 
Parece que com o passar do tempo a relação entre marido e mulher se torna cada vez 
mais frágil, resultando em brigas e diversos problemas. Além destes, confl itos entre irmãos 
também são comuns.
Tais resultados sugerem que o sistema familiar está em crise, sendo um refl exo direto 
de uma sociedade que concentra renda, gera injustiças, cultua a beleza e que não valoriza 
a experiência do outro.
Quando questionados sobre com quem eles conviviam, a maior parte dos idosos 
reside com mais de uma geração dentro de casa, constituindo as famílias intergeracionais. 
A maioria dos idosos ainda possui fi lhos dentro de casa. Este fato está ligado ao poder aqui-
sitivo da família, sendo, muitas vezes, a aposentadoria do idoso a base da renda familiar.
A convivência destas diferentes gerações por si só já é um fator gerador de confl itos, 
por isso faz-se necessário uma maior atenção neste âmbito, uma vez que as diferenças 
entre valores e crenças de cada faixa etária podem vir a interferir na dinâmica familiar. Por 
isto, geralmente, o relacionamento mais difícil de se estabelecer é o entre idoso e neto. 
Para trabalhar os confl itos familiares é necessário melhorar a qualidade das relações, 
realizando a manutenção dos vínculos afetivos entre os seus membros. Precisa-se que 
haja a possibilidade de diálogo e de escuta, tendo-se tempo para escutar e tempo para 
falar, assim como o estímulo à solidariedade, à compreensão, à paciência de cada uma das 
partes, ressaltando que há uma vitória conjunta e que deve-se enfatizar os interesses em 
comum e não somente as diferenças8.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta pesquisa procurou-se desvendar os principais confl itos familiares que vêm afl i-
gindo a população participante das rodas de Terapia Comunitária de dois grupos de idosos. 
Encontrou-se, além disso, o perfi l da estrutura familiar na qual estes idosos estavam inse-
ridos. A natureza dos problemas apresentados por eles revela que o sistema denominado 
49
família passa por diversas transformações, onde há uma série de inversões de papéis e 
valores.
É preciso entender que, apesar das progressivas limitações que possam ocorrer 
devido à idade, um dos pontos mais importantes na atenção à pessoa idosa é contribuir 
para que elas possam redescobrir possibilidades de viver a sua própria vida com a quali-
dade merecida e a TC tem atuado desta maneira.
A pessoa idosa por ter um vasto conhecimento, adquirindo através das suas experi-
ências de vida, gosta de dividi-lo com os demais indivíduos e como a Terapia Comunitária 
é um espaço que valoriza a história de vida dos participantes, os idosos a veem como um 
local onde é possível desabafar, ouvir, transmitir a sua experiência e curar algumas de suas 
feridas.
REFERÊNCIAS
1. NOGUEIRA, F. N. N.; MOREIRA, V. Do indesejável ao inevitável: a experiência vivida 
do estigma de envelhecer na contemporaneidade. 2008. Dissertação (Mestrado em 
Psicologia). Universidade de Fortaleza, Ceará.
2. BARRETO, A.P. Terapia Comunitária Passo a Passo. Fortaleza: LCR, 2008
3. ROCHA, I.A. A saúde mental do idoso e a terapia comunitária como nova tecnologia de 
cuidado. Trabalho de Conclusão de Curso. UFPB, 2008
4. FIORIN, J.L. Linguagem e ideologia. 6.ed. São Paulo: Atica,1998.
5. PAVARINI, S.C.L. Quem irá empurrar minha cadeira de rodas? A escolha do cuidador 
familiar do idoso. Rev. Eletr. Enf. 2006;8(3):326-35
6. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de 
Atenção Básica. Caderno de Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: 
Ministério da Saúde 2006.
7. EMILIANO, N. Confl itos familiares. Disponível em: Acessado em: junho de 2009.
8. SALES, L.M.M. A família e os confl itos familiares – a mediação como alternativa. 
Pensar, Fortaleza, v. 8, n. 8, p. 55-59, fev. 2003.
50
NECESSIDADES PSICOSSOCIAIS DE IDOSOS ATENDIDOS EM UMA 
ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA DE FORTALEZA, CEARÁ
Jorge Wilker Bezerra Clares (Universidade Estadual do Ceará – UECE)
Rafaelly Tavares Barbosa de Freitas (UECE)
Adna Cynthya Muniz Ribeiro (UECE)
Bruna Karen Cavalcante Fernandes (UECE)
INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional é uma realidade mundial que demanda novas for-
mas de agir e cuidar em saúde. Nesse contexto, a Estratégia Saúde da Família (ESF) 
constitui-se em espaço privilegiado para atenção integral à saúde do idoso, devido à sua 
proximidade com a comunidade e à atenção domiciliária que possibilitam aos profi ssionais 
de saúde atuar de forma contextualizada na realidade vivenciada pela pessoa idosa no 
contexto familiar e comunitário(1). 
Ademais, é fundamental uma assistência que priorize não apenas as demandas bio-
lógicas, como também as alterações que podem comprometer a dimensão psicossocial da 
pessoa que envelhece. 
Assim, o estudo objetivou identifi car as necessidades de saúde relacionadas aos 
aspectos psicossociais dos idosos cadastrados na Estratégia Saúde da Família, da 
Secretaria Executiva Regional IV, da cidade de Fortaleza-CE. 
MÉTODOS
Estudo descritivo e quantitativo, desenvolvido junto a idosos residentes no território 
de abrangência de uma equipe da ESF pertencente à Secretaria Executiva Regional IV, da 
cidade de Fortaleza-CE. 
A amostra foi constituída por 52 idosos, selecionados aleatoriamente a partir do cadas-
tro feito pelos agentes comunitários de saúde, que obedeceram aos seguintes critérios de 
inclusão: ser orientado e com capacidade de verbalização e possuir cadastro na equipe de 
saúde da família. Ressalta-se a exclusão de idosos acamados, com cognitivo não preser-
vado e os não encontrados no domicilio após três tentativas de visita. 
51
O instrumento de coleta de dados foi um formulário, constituído por questões fechadas, 
cuja organização e estruturação foram fundamentadas na teoria de Teoria de Enfermagem 
de Virgínia Henderson. Os dados foram coletados no domicilio de cada idoso, no período 
de maio a junho de 2011, mediante aplicação de formulário contendo questões acerca das 
características socioeconômicas e das necessidades que englobam as dimensões psicos-
sociais postuladas por Henderson (comunicação, trabalho,lazer e aprendizado), na pers-
pectiva dos idosos assistidos na atenção primária. 
Os aspectos éticos foram observados a partir da Resolução 196/96. O projeto de pes-
quisa obteve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital de Messejana, sob o 
protocolo Nº797/10. A participação dos idosos na pesquisa foi feita sob a forma de convite 
e aceitação dos mesmos; liberdade para deixar a pesquisa, se assim desejassem; esclare-
cimento sobre objetivos, metodologia e outras informações sobre a dinâmica; e garantia de 
sigilo dos dados coletados e privacidade dos envolvidos.
Os resultados foram processados e tabulados no programa Statistic Package for 
Social Science versão 17.0. Para tratamento dos dados optou-se pelo uso da estatística 
descritiva simples.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A amostra foi composta, predominantemente, por mulheres, 36 (69,2%); faixa etária 
entre 60 a 69 anos, 20 (38,5%); casados, 25 (48,1%); católicos, 36 (69,2%); com baixa esco-
laridade (analfabeto ou fundamental incompleto), 46 (88,5%); aposentados, 36 (69,2%); 
com renda de até três salários mínimos, 50 (96,2%). Quanto à vida reprodutiva, 19 (36,5%) 
tiveram de quatro a seis fi lhos. Referente à situação familiar, 27 (52,0%) moram com mais 
uma ou duas pessoas.
Em relação à comunicação, 30 (57,7%) respondentes afi rmaram saber ler e 28 (53,8%), 
escrever. Houve predomínio de idosos que ouvem (82,7%) e enxergam bem (59,6%). Cabe 
ressaltar que quando a pessoa usava óculos, a avaliação foi feita enquanto os estivesse 
usando. Observa-se, ainda, que é expressivo o percentual de idosos que não mantêm 
contato diário com outras pessoas (7,7%), não compartilham os problemas com terceiros 
(40,4%) e têm difi culdade para exprimir os sentimentos (38,5%). Tais evidências compro-
vam o isolamento social dos idosos pela faltam de contato até mesmo pelos membros da 
família. 
A capacidade de comunicação pode se encontrar sensivelmente afetada nos ido-
sos em consequência da exacerbação das perdas sensoriais próprias do envelhecimento. 
52
Observa-se no cotidiano que os órgãos sensoriais permitem o relacionamento do indivíduo 
com o meio em que vive, seja ele familiar, do trabalho ou outros. É por meio dos sentidos 
que o corpo percebe diversas situações que o rodeiam, contribuindo para a sua integração 
com o ambiente(2). 
No tocante à necessidade de trabalhar com vistas à realização, é signifi cativo o 
número de participantes que não se consideram mais úteis para a sociedade (20,0%) e 
se sentem desvalorizados (44,2%). Ainda em relação às questões laborais dos idosos 
entrevistados, 76,9% confessaram necessitar de alguma atividade para preencher o tempo 
ocioso e se sentirem realizados, 36,5% aborrecer-se quando não conseguem ocupar seu 
tempo e 65,4% acreditam terem se tornado menos participativos na medida em que foram 
envelhecendo. 
O papel social dos idosos também é um fator importante no signifi cado do envelhe-
cimento, pois depende tanto da forma de vida que tenham levado quanto das condições 
como se encontram. Dessa forma, o trabalho constitui-se um mérito na confi guração da 
identidade pessoal dos indivíduos(3). É o trabalho que permite o ato de existir enquanto 
cidadão e a ele são atribuídos pelo idoso diversos valores de ordem subjetiva, como o 
desejo de reconhecimento e de continuar sentindo-se útil em um contexto social regulado 
pelo valor produtivo. Entretanto, a retirada da vida de competição resultante do advento da 
aposentadoria ou das incapacidades geradas pelas doenças crônicas não-transmissíveis, 
promove a redução da autoestima e da sensação de incapacidade(3). 
A aposentadoria é um dos principais desencadeadores de alterações psicológicas e 
de inserção social, uma vez que pode acarretar desvantagens como desvalorização social 
e desqualifi cação, admitindo o mundo capitalista onde se vive. Além disso, a perda da posi-
ção social resultante desse processo leva à interrupção das responsabilidades relacionadas 
ao mundo do trabalho e da produção pelo idoso, gerando rótulo de inútil e improdutivo(4). 
o, gerando rdoria leva o idoso a interromper suas responsabilidades relacionadas ao 
mundo do trabalho e da produçQuanto aos aspectos relacionados à necessidade de lazer 
e recreação, é importante destacar que 15,4% dos idosos participantes expressam não 
necessitar de atividades de lazer, 50,0% dos ambientes não oferecem possibilidades de 
distração, 44,2% referem o sentimento de solidão e isolamento social. Nesses casos, o 
lazer e a recreação destacam-se como necessidades de todo o ser humano, e aquele que 
ocupa seus momentos de ócio com ocupações agradáveis, com fi ns de se descontrair física 
e psicologicamente satisfaz esta necessidade fundamental. São elementos fundamentais 
na vida dos idosos, proporcionando-lhes melhoria das condições de saúde, das possibi-
lidades de socialização e do interesse pela vida(5). Enfi m, meios ou modos de aproveitar 
momentos de participação em grupos para realinhar os contados e amizades, favorecendo 
53
a tão deseja inserção social. Desse modo, os idosos devem ajustar suas condições de 
saúde e buscar a realizar atividades recreativas que permitiram sua participação social, 
afastou-os do isolamento comum nesta faixa etária(6). 
Referente à necessidade de aprender, apenas 1,9% da amostra afi rmou que não con-
sidera importante estar informado sobre a saúde. Observa-se, ainda, que 67,3% não têm 
interesse em adquirir novos conhecimentos. A capacidade de aprender na velhice não é a 
mesma que na juventude, todavia é certo que os idosos continuam aprendendo de outra 
forma, com outro ritmo, com outros interesses(7). Assim, defende-se que os estágios mais 
avançados da vida podem ser momentos propícios para novas conquistas, guiadas pela 
busca do prazer, do aprender e do reaprender na busca da satisfação pessoa(8). 
Reforçar o papel do enfermeiro como educador e comprometido com a prática social 
é fundamental para a investida em favor do idoso e sua inclusão social. Nesse sentido, 
somam-se dentre as inúmeras atividades dos enfermeiros da ESF identifi car caminhos 
que permitam aos idosos da comunidade participar de atividades recreativas e educativas 
em grupo, contribuindo para a melhoria das condições de saúde e vida. Isso resultará na 
geração de um conhecimento que transcenderá as ideias negativas em torno do idoso 
e, consequentemente, serão adotadas medidas preventivas de adoecimentos e complica-
ções, caracterizando-se pela busca continuada e participativa para o engajamento pleno 
dos idosos. 
É essencial que os profi ssionais de saúde compreendam que a saúde dos 
idosos é determinada pela independência e sua capacidade de desempenhar as 
mais variadas funções e atividades da vida diária, e essas podem estar relacionadas 
às limitações impostas pela idade, condições socioeconômicas, estilo de vida ou 
mesmo pelas doenças crônicas. Logo, a detecção precoce desses agravos, associada 
a medidas preventivas com enfoque na melhoria dos hábitos de vida, deve ser papel pri-
mordial das equipes de saúde da família com a responsabilidade de prestar assistência 
integral ao idoso, sua família e a comunidade em seu entorno. 
CONCLUSÃO
Os resultados do estudo apontaram diversos problemas que podem interferir na satis-
fação das necessidades de ordem psicológica e social dos idosos do território coberto por 
uma unidade básica de saúde. 
Esta população apresentou-se bastante vulnerável ao isolamento, à depressão e à 
solidão – fatores que comprometem o convívio social e, consequentemente, a qualidade de 
vida e a saúde da pessoa idosa. 
54
Diante dessa realidade, a equipe de saúde deve desenvolver ações em direção à pro-
moção da saúde das pessoas no processo de envelhecimento, com o objetivo de prevenir 
a instalação de incapacidade física, mental e social, ao passo que desenvolve alternativas 
para a reabilitação daqueles que possuem algum grau de dependência.Desse modo, evidencia-se a necessidade de instrumentalizar as equipes de saúde 
da família para atuar no contexto em que se encontram os idosos na comunidade, visto 
que é primordial para a criação de uma rede de suporte formal aos idosos e suas famílias. 
A atuação dos profi ssionais junto a esses sujeitos pode contribuir para a implantação de 
estratégias assistenciais humanizadas, com plano terapêutico resolutivo que preserve a 
autonomia do idoso e diminua o risco de agravos à saúde. 
REFERÊNCIAS
1. Oliveira JCA, Tavares DMS. Atenção ao idoso na estratégia de saúde da família: atua-
ção do enfermeiro. Rev Esc Enferm USP 2010; 44(3): 774-81.
2. Ribeiro LCC, Alves PB, Meira EP. Percepção dos idosos sobre as alterações fi siológi-
cas do envelhecimento. Ciênc cuid saúde 2009; 8(2): 220-7.
3. Alvarenga LN, Kiyan L, Bitencourt B, Wanderley KS. Repercussões da aposentadoria 
na qualidade de vida do idoso. Rev Esc Enferm USP 2009; 43(4): 796-802.
4. Horta ALM, Ferreira DCO, Zhao LM. Envelhecimento, estratégias de enfrentamento do 
idoso e repercussões na família. Rev Bras Enferm 2010; 63(4): 523-8.
5. Navarro FM, Rabelo JF, Faria ST, Lopes MCL, Marcon SS. Percepção de idosos sobre 
a prática e a importância da atividade física em suas vidas. Rev Gaúcha Enferm 2008; 
29(4): 596-603.
6. Berger L, Mailloux-Poirrier D. Pessoas idosas: uma abordagem global. Lisboa: 
Lusodidacta; 1995.
7. Silva ACS, Santos I. Promoção do autocuidado de idosos para o envelhecer saudável: 
aplicação da teoria de Nola Pender. Texto Contexto Enferm 2010; 19(4): 745-53.
8. Freitas MC, Queiroz TA, Sousa JAV. O signifi cado da velhice e da experiência de enve-
lhecer para os idosos. Rev Esc Enferm USP 2010; 44(2): 407-12.
55
SATISFAÇÃO DOS IDOSOS QUANTO AO ATENDIMENTO
RECEBIDO NAS UBSF DO DISTRITO SANITÁRIO II
NO MUNICÍPIO DE CAMPINA GRANDE – PB
Anne Braz Romão Pinto¹,
Kenia Anifled de Oliveira Leite².
¹ Enfermeira, pós graduanda em Enfermagem do Trabalho;
² Enfermeira Especialista em Saúde Pública e em Saúde da Família,
e Docente da Faculdade de Ciências Médicas(FCM) em Campina Grande – PB.
INTRODUÇÃO
Com a diminuição da taxa de natalidade e avanços no campo da saúde, a população 
brasileira está vivendo mais do que antes, com o número de idosos aumentando mais rapi-
damente que o restante da população (1). 
Diante da ascendência desta população que comumente possuem pluripatologias, os 
profi ssionais de saúde terão de estar capacitados para desenvolver uma assistência ade-
quada além de estarem conscientes que o envelhecimento não deve ser tido como “uma 
transição de morte”, mas sim como uma nova maneira de viver e viver saudável.
O modelo de atenção à saúde comumente utilizada pela população ocorre através do 
Programa Saúde da Família (PSF), o qual almeja uma adequada abordagem da pessoa 
idosa. Em que se busca a necessária compreensão do envelhecimento como um processo 
benigno e não patológico (2). 
Questiona-se, portanto: até que ponto esse aumento no tempo de vida está sendo 
acompanhado de satisfação pessoal e bem-estar vivenciado pelo idoso, seu circulo familiar 
e social? 
Diante dessa problemática, pretende-se com esse estudo analisar a satisfação do 
idoso quanto ao atendimento prestado a ele nas Unidades Básicas de Saúde da Família 
(UBSF) do Distrito Sanitário II no município de Campina Grande – PB, contribuindo na melhoria das 
ações de saúde voltadas ao idoso, fundamentando a assistência dos profi ssionais de saúde 
na promoção da saúde de modo satisfatório e com qualidade.
56
CAMINHO METODOLÓGICO
A pesquisa é um estudo descritivo-analítico, com método de abordagem quanti-qua-
litativa. Apresentando os dados de forma numérica, além de abranger a realidade social, 
trabalhando com diversos signifi cados, que não podem ser reduzidos a operacionalização 
de variáveis.
A pesquisa foi realizada nas UBSF do Distrito Sanitário II, localizadas no município de 
Campina Grande-PB, sendo constituído por seis Unidades Básicas de Saúde da Família.
O espaço amostral foi constituído por idosos com idade acima de 60 anos cadastra-
dos e atendidos na referida unidade de saúde que frequentaram o serviço no período de 
agosto a setembro de 2007, perfazendo um total de vinte e um (21) idosos.
Como instrumentos para coleta de dados foram utilizados: um roteiro de entrevista 
com perguntas abertas e fechadas e um questionário com perguntas abertas e fechadas 
A pesquisa foi realizada considerando os aspectos éticos contemplados na Resolução 
196/96 do Conselho Nacional de Saúde que trata dos aspectos éticos de pesquisa com 
seres humanos.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
O Programa Saúde da Família, objetiva reorganizar os serviços de saúde, substi-
tuindo as antigas diretrizes, baseadas no modelo hospitalocêntrico, para introduzir novos 
princípios, com foco na promoção da saúde e na participação da população, procurando 
atingir a equidade e melhorar a assistência à população (3).
 Diante da importância do profi ssional de saúde na atenção primária foi questio-
nado aos idosos qual o profi ssional que ele busca ao necessitar de um acolhimento no 
PSF. Obteve-se que 48% (n=10), dos idosos que vão à unidade procuram o enfermeiro, 
enquanto 29% (n=06), o médico, 14% (n=03), o auxiliar ou técnico de enfermagem e 9% 
(n=02), dirigem-se ao agente comunitário de saúde.
Diante desse dado, percebe-se que a procura maior é pelo enfermeiro. Entretanto, há 
de se esclarecer que, na maioria das vezes, essa busca acontece pelo fato de associar o 
enfermeiro com a entrega de medicamento para os grupos de hipertensos e diabéticos, em 
que prevalece os idosos, e também pelo fato deste profi ssional ser mais acessível à popu-
lação já que ele está usualmente na unidade.
57
Faz-se necessário desenvolver modelos de atenção à saúde do idoso que vão além 
das práticas tradicionais, uma vez que o atendimento prestado habitualmente restringe-se, 
na melhor das hipóteses, ao tratamento clínico de doenças específi cas dessa população (4).
Ao serem questionados quanto à satisfação dos idosos em relação ao atendimento 
recebido:
Os resultados obtidos demonstram que, a maioria dos idosos encontra-se satisfeitos 
com a assistência prestada pelos profi ssionais procurados, já que 67% (n=14) consideram-
-na boa, 19% (n=04) excelente, 9% (n=2) regular e 5% (n=1) ruim.
Esse dado merece refl exão e questionamento considerando que, muitas vezes, para 
os idosos, um bom atendimento resume-se a um tratamento amigável, atendimento priori-
tário ou ao recebimento de medicamentos como se evidencia nas seguintes falas:
 “Porque ela é muito boazinha e educada.” (I-21)
“É bom porque passa o remédio pra pessoa fi car boa. Então é bom, né?” (I-20)
Com base nos relatos, percebe-se que a interação do profi ssional com o idoso, na 
maioria das vezes, se dá de forma positiva, demonstrando a atenção dispensada ao idoso, 
a amizade e o vínculo estabelecido entre profi ssional e idoso. Nesse sentido, este item está 
de acordo com o que preconiza o PSF, que tem como ponto central o estabelecimento de 
vínculos e a criação de laços de compromisso e de responsabilidade compartilhados entre 
os profi ssionais de saúde e a população (2).
Apesar dessa satisfação referida pelos idosos, o atendimento não deve ser limitado a 
um tratamento afável e entrega de medicamentos. A equipe de saúde do PSF deve sempre 
estar atenta ao indivíduo idoso, não só na busca permanente de problemas, mas também 
na constante atenção ao seu bem estar, à sua rotina funcional e à sua inserção na socie-
dade, sendo importante abordar o idoso de forma integral e contextualizada, sem jamais 
deixá-lo à margem do seu contexto (5).
Quanto à satisfação dos idosos com o atendimento da equipe, verifi ca-se que 90% 
(n=19) dos idosos encontram-se satisfeitos. E apenas 10% (n=02), não se consideram 
satisfeitos. As falas a seguir descrevem a percepção da maioria:
“A gente vem e não tem medicamento. Já dei muitaviagem perdida.” (I-13)
“Às vezes tem que esperar, mas a gente espera né?” (I-14)
58
Através das citações compreende-se que os idosos das unidades avaliadas encon-
tram-se satisfeito com os serviços que lhes são ofertados. No entanto, segundo a Política 
Nacional do Idoso, a promoção, prevenção, manutenção e a melhoria da saúde e o desen-
volvimento ao máximo da autonomia dos idosos, devem ser o principal propósito dos profi s-
sionais de saúde que atendem aos idosos, sobretudo aqueles que trabalham em PSF, uma 
vez que buscam a promoção de saúde e a prevenção de doenças (6).
A Tabela abaixo exibe os principais cuidados que são recebidos pelos idosos nas 
Unidades Básicas de Saúde do Distrito Sanitário II em Campina Grande - PB.
Tabela 1. Cuidados prestados pela equipe e citados pelos idosos. 
Cuidados Prestados n %
Entrega de medicamentos 15 71
Consultas individuais 14 67
Aferição da pressão arterial 09 43
Medição do peso 05 24
Curativos 01 05
Vacinação 01 05
Orientações 01 05
Diante do exposto, percebe-se que a avaliação global, preconizada pela Política 
Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, não se resume apenas a entrega de medicamentos 
e verifi cação da pressão arterial conforme foi respondido respectivamente por, 71% (n=15) 
e 43% (n=09) dos idosos. Espera-se, dessa forma, que a equipe de saúde zele para que o 
idoso consiga aumentar os hábitos saudáveis, diminuir e compensar as limitações ineren-
tes da idade confortar-se com a angústia e debilidade da velhice.
CONCLUSÃO
No presente estudo prevaleceram afi rmações positivas dos idosos quanto suas satis-
fações ao atendimento prestado pelos PSF, entretanto, observou-se que determinados cui-
dados são superfi ciais. Aconselha-se que seja dada uma atenção maior a esse segmento 
da população através de ações de qualifi cação dos profi ssionais de saúde da Atenção 
Básica, especialmente no que se refere à saúde da pessoa idosa. 
59
REFERÊNCIAS
1. BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Envelhecimento e 
saúde da pessoa idosa. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
2. SILVESTRE, J. A.; NETO, M. M. da Costa. Abordagem do idoso em programas de 
saúde da família. Cad. Saúde Pública, vol.19, Rio de Janeiro, 2003.
3. BRASIL, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Violência Intrafamiliar: 
orientações para a prática em serviço. Cadernos de Atenção Básica. n.8. Brasília, 
2001.
4. VERAS, Renato Peixoto; CALDAS, Célia Pereira. Promovendo a saúde e a cidada-
nia do idoso: o movimento das universidades da terceira idade. Revista Ciência e 
Saúde Coletiva, 2004.
5. VARGAS, Liliana Angel; CASTRO, Magda Ribeiro. A interação/atuação da equipe do 
Programa de Saúde da Família do Canal do Anil com a população idosa adscrita. 
Revista de Saúde Coletiva, v.15, n.2, Rio de Janeiro, 2005.
6. BRASIL, Estatuto do Idoso. Lei nº 10.741: que dispõe sobre o Estatuto do Idoso. 
Brasília: Senado Federal. 2003.
60
HIV/AIDS NA TERCEIRA IDADE:
UM NOVO DESAFIO PARA AS POLÍTICAS DE SAÚDE PÚBLICA
Ana Lúcia de Medeiros1
Rômulo Wanderley de Lima Cabral2
Márcia Cristina de Jesus Souza3
1Enfermeira. Professora do Departamento de Enfermagem em Saúde da Mulher e do Programa 
de Pós-Graduação em Enfermagem Obstétrica da Faculdade Santa Emília de Roda - FASER.
2Enfermeiro. Mestre em Saúde Pública. Professor do Departamento de
Enfermagem em Saúde da Mulher e do Programa de Pós-Graduação
em Enfermagem Obstétrica da Faculdade Santa Emília de Roda - FASER.
3Graduanda do Curso de Enfermagem da Faculdade de
Enfermagem Santa Emília de Rodat - FASER.
INTRODUÇÃO
O envelhecimento humano é um processo natural que nã o se produz de forma homo-
gênea e recebe infl ue� ncia tanto da herança gené tica quanto do estilo de vida e do ambiente. 
A longevidade é um fato caracterí stico do presente sé culo, pois a população idosa é cada 
vez mais crescente1.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o envelhecimento começaria a partir dos 
60 anos para países em desenvolvimento e 65 anos para países desenvolvidos. Contudo, 
é necessário reconhecer que a idade biológica tem maior importância que a cronológica, 
na medida em que a bioquímica cerebral das emoções pode apresentar níveis ótimos de 
funcionamento em termos biológicos em indivíduos com mais de 65 anos. Contrariamente 
a estes, poder-se-á encontrar níveis biológicos piores em jovens2.
Nesse cenário, a sociedade e o idoso precisam se interagir, ampliando seus horizontes 
e conceitos sobre o sexo e o processo do envelhecimento, pois com o aumento do número 
de idosos, aumenta também a incidência das infecções sexualmente transmissíveis (IST), 
principalmente a AIDS (Síndrome da Imunodefi ciência Adquirida) nesta faixa etária, o que 
está sendo considerado um problema para a saúde pública3.
Diagnosticar a infecção pelo HIV (Vírus da Imunodefi ciência Humana), nos idosos, 
ainda é complicado, porque muitas vezes as doenças oportunistas que se manifestam por 
conta do vírus, são também comuns nesta fase da vida. O diagnóstico tardio é uma das 
61
principais razões de morte precoce nessa população, pois a equipe de saúde costuma 
associar os sintomas apresentados a outras doenças e perdem meses em investigações 
até desconfi ar de AIDS4.
Sendo assim, ainda existe uma grande falta de informação sobre a doença, precon-
ceitos quanto ao uso de preservativos e ausência de ações preventivas acessíveis e volta-
das para a terceira idade, ações essas, que devem ser planejadas para serem aceitas pela 
população idosa.
Diante do exposto, o estudo tem como objetivo caracterizar os estudos realizados 
sobre HIV/AIDS na terceira idade, disponibilizadas em periódicos online da área da saúde, 
por meio de busca eletrônica no site da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), com a fi nalidade 
de adotar medidas que reduzam o impacto da AIDS na terceira idade. 
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Trata-se de uma pesquisa documental, de caráter exploratório, realizada no período 
de julho a setembro de 2011 nas bases de dados LILACS, SciELO e no BDENF, utilizando 
os seguintes descritores “HIV”, “AIDS”, “terceira idade”. Para seleção dos artigos foram elei-
tos os seguintes critérios de inclusão: publicação em português, conter um dos descritores 
em seu título, publicação nos últimos dez anos e está disponível na íntegra em uma das 
bases de dados pesquisada. 
Inicialmente, delimitou-se como descritores “HIV” and “terceira idade”, a partir desta 
busca foram encontradas quatro referências disponíveis no SciELO, das quais dois artigos 
foram selecionados para análise; no LILACS foram encontradas quinze referências, des-
tas, duas se repetiam e apenas uma estava dentro dos critérios de inclusão; no BDENF 
foram encontradas quatro referências, apenas duas foram selecionadas para o estudo. 
A segunda busca contemplou os descritores “AIDS” and “terceira idade”, a partir desta 
busca foram encontradas três referências no SciELO, nenhuma referência contemplava 
os critérios de seleção; no LILACS foram encontradas vinte e cinco referências, das quais 
quatro se repetiam, duas estavam dentro dos critérios de seleção; no BDENF foram encon-
tradas sete referências, destas, duas se repetiam, três foram selecionadas. 
Um total de cinquenta e oito artigos foram encontrados, dos quais dez foram sele-
cionados para análise de acordo com os critérios de inclusão. Os artigos foram lidos na 
íntegra, a fi m de ordenar e sumarizar dados contidos nas fontes, buscando obtenção de 
resposta aos objetivos da pesquisa. 
62
RESULTADOS E DISCUSSÃO
1 Caracterização da amostra
TABELA 1: Distribuição dos artigos analisados segundo o ano de publicação, nome do periódico, título do 
artigo, base de dados e formação dos pesquisadores. 
ANO DE
PUBLICAÇÃO
NOME DO
PERIÓDICO
TÍTULO DO ARTIGO
BASE 
DE
DADOS
FORMAÇÃO
DOS
PESQUISADORES
2009
Avances en 
Enfermeria
Nível de conhecimento de um grupo 
de idosos em relação à Síndrome da 
Imunodefi ciência Adquirida
LILACS Enfermagem2010
Revista de 
Enfermagem 
da Escola Ana 
Nery
Pessoas acima de 50 anos com 
AIDS: implicações para o dia-a-dia
BDENF Enfermagem
2010
Revista de 
Enfermagem 
da Escola Ana 
Nery
AIDS em idosos: vivência dos 
doentes
SCIELO Enfermagem
2006
Revista Cogi-
tare
Avaliando a incidência dos casos 
notifi cados de AIDS em idosos no 
estado de Minas Gerais no período 
de 1999 a 2004
BDENF Enfermagem 
2007
Revista Brasi-
leira de Epide-
miologia
Características da AIDS na tercei-
ra idade em um hospital de referência 
do Estado do Ceará, Brasil
LILACS Enfermagem
2007
Revista Ciên-
cia e Saúde 
Coletiva
O conhecimento de HIV/AIDS na 
terceira idade: estudo epidemiológico 
no Vale do Sinos, Rio Grande do Sul, 
Brasil
SCIELO Enfermagem
2010
Revista Gaú-
cha de Enfer-
magem
Mulheres com idade igual ou supe-
rior a 50 anos: ações preventivas da 
infecção pelo HIV
LILACS Enfermagem
2006
Revista da 
Escola de En-
fermagem da 
USP
Representações sociais sobre 
AIDS de pessoas acima de 50 anos 
de idade, infectadas pelo HIV
BDENF Enfermagem
2008
Jornal Brasilei-
ro de Doenças 
Sexualmente 
Transmissíveis
Sexualidade na terceira idade: uma 
discussão da AIDS, envelhecimento e 
medicamentos para disfunção erétil
BDENF Enfermagem
2010
Revista de 
Enfermagem 
da Escola Ana 
Nery
Conhecimento sobre HIV/AIDS de 
participantes de um grupo de idosos, 
em Anápolis-Goiás
BDENF Enfermagem
63
A análise da tabela acima mostra que o ano de 2010 foi o ano que mais se publicou 
sobre HIV/AIDS na terceira idade. Quanto aos periódicos, a Revista de Enfermagem da 
Escola Ana Nery foi a que mais publicou sobre o assunto. No que se refere ao título do 
artigo, percebe-se que a maioria aborda o conhecimento sobre HIV pelos idosos, assim 
como as características da AIDS na terceira idade. A tabela mostra ainda que as bases de 
dados onde encontrou-se os artigos foram: BDENF, em primeiro lugar, representando 60%, 
seguidos pela base de dados LILACS e SCIELO cada uma representando 20% da amostra. 
Quanto à área de formação dos pesquisadores, todos os pesquisadores são da área de 
Enfermagem.
2 Abordagem do estudo
GRÁFICO 1: Distribuição dos artigos analisados segundo a abordagem do estudo
No que se refere às modalidades de delineamento dos estudos, o gráfi co 1 mostra 
que nove artigos são originais, representando 90% dos artigos analisados, dos quais cinco 
(50%) tem abordagem quantitativa e quatro (40%) tem abordagem qualitativa. Apenas um 
que representa 10% é artigo de revisão de literatura.
Portanto, percebe-se que a maioria dos estudos são pesquisas originais, onde os 
pesquisadores estão cada vez mais engajados em entender melhor este cenário, trazendo 
a tona este grande problema de saúde pública.
 
64
3 Enfoque dado na assistência
GRÁFICO 2: Distribuição dos artigos analisados segundo o enfoque dado na assistência
No que concerne ao enfoque dado à assistência, o gráfi co 2 mostra que dos artigos 
analisados, sete (70%) deles foram dados um enfoque na promoção a saúde dos idosos 
portadores de HIV/AIDS e os três artigos restantes, que representa 30%, enfatizaram as 
medidas preventivas que deverão ser divulgadas e trabalhadas pela equipe de saúde no 
sentido de diminuir o surgimento desta doença nesta faixa etária.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para uma abordagem mais integral do HIV/AIDS na população idosa, há a necessi-
dade, primeiro, de entender o processo biológico e cultural envolvido na sexualidade e o 
envelhecimento autônomo e saudável, no qual se vê atualmente a superação da fi gura de 
um idoso dependente, doente e esperando sua morte. A sexualidade tem que ser discutida 
com os idosos e estimulada dentro de uma prática saudável e sem estigmas. 
A melhora da qualidade de vida do idoso, associadas à resistência dos mais velhos 
em usar preservativos, pode realmente aumentar a incidência da AIDS nas faixas etárias 
superiores. Há agravantes inclusive na hora de prestar atendimento correto a essas pes-
soas. Portanto, quando um idoso aparece com uma infecção, difi cilmente o profi ssional 
investiga o problema como se fosse uma doença oportunista, facilitada pela baixa imuni-
dade do paciente contaminado pelo HIV. 
Ressalta-se a importância do papel do enfermeiro em proporcionar espaços nos ser-
viços de saúde para abordar questões da sexualidade com os clientes idosos. Acredita-se 
que o idoso deva ser considerado ator da sua própria história, buscando conhecer o seu 
ponto de vista, reconhecer o valor de sua participação ativa nas decisões pertinentes a sua 
saúde e resgatar seus direitos enquanto cidadão.
65
REFERÊNCIAS
1 Rezende MCM, Lima TJP, Rezende MHV. AIDS na terceira idade: determinantes biopsi-
cossociais. Estudos. 2009; 36(1/2):235-53. 
2 BRASIL. Plano de ação internacional para o envelhecimento. In: Assembléia Mundial do 
envelhecimento. 2002; Abril 8-12; Madri: ONU.
3 Ministério da Saúde (BR). Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção 
Básica. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília (DF): Ministério da Saúde; 
2006.
4 Vieira DLFC, Sobral B. O corpo envelhece, a sexualidade não: AIDS no diagnóstico dife-
rencial entre as doenças comuns nos idosos. International Clinical Medicine. 2009; 2(B6).
66
CONHECIMENTO DE CUIDADORES FAMILIARES DE
PORTADORES DE ALZHEIMER: O OLHAR SOBRE
AS AÇÕES DESENVOLVIDAS NO CUIDAR
Danielle Lopes de Alencar
Katarina Luna Leite
Katy Joyce Gomes da Silva
Eliane Maria Ribeiro de Vasconcelos
Universidade Federal de Pernambuco – UFPE
INTRODUÇÃO
O envelhecimento é um processo universal que é compreendido por uma redução das 
atividades funcionais e possui algumas tendências em relação às enfermidades que levam 
continuamente a construção de políticas para o idoso, seja a nível nacional, seja internacio-
nal 1. O aumento da expectativa de vida da população implicará em uma maior surgimento 
de doenças crônico degenerativas com conseqüente aumento nos custos do sistema de 
saúde 2. Neste contexto está inserida a doença de Alzheim er (DA) com o um a 
forma de demência que afeta o idoso e com prom ete sobrem aneira sua integri-
dade física, mental e social, acarretando um a situação de dependência total com 
cuidados cada vez m ais com plexos, quase sem pre realizados no próprio dom icí-
lio3. É um a doença degenerativa e progressiva, geradora de m últiplas dem andas 
e altos custos fi nanceiros, fazendo com que isso represente um novo desafi o 
para o poder público, instituições e profi ssionais de saúde, tanto em nível nacio-
nal, quanto mundial (3). As alterações fi siológicas e biológicas no idoso exigem parti-
cipação e ajuda dos familiares e/ou dos cuidadores. Através da proximidade física e dos 
vínculos emocionais, o sistema emocional da família é profundamente abalado, passam a 
se impor privações e modifi cações no estilo de vida para incluir as novas necessidades de 
seu membro doente 4. A DA, além de comprometer o idoso portador, afeta de maneira ímpar 
sua família, exigindo por parte desta que novos ajustes surjam em sua dinâmica. Alguns 
familiares irão assumir a tarefa de cuidar do idoso portador de DA, onde muitos possivel-
mente não receberam nenhum preparo ou treinamento específi co, com subseqüente ônus 
físico, psicológico, social e fi nanceiro 5. Diante da problemática dos cuidadores frente aos 
portadores da DA o estudo objetivou em investigar o conhecimento dos cuidadores/familia-
res de portadores de DA sobre as ações no processo de cuidar.
67
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo de abordagem quantitativa do tipo descritivo- exploratório. Este 
tipo de estudo tem por objetivo proporcionar uma visão geral do tipo aproximativo a cerca 
de determinado fato e tem como principal fi nalidade esclarecer e modifi car conceitos e 
idéias, com vistas à formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis 6. 
O estudo foi realizado no ambulatório de neuropsiquiatria do Núcleo de Atenção ao Idoso 
(NAI), localizadono campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) no município 
de Recife – PE. A amostra foi composta por 25 cuidadores/familiares de pacientes com DA 
que são cadastrados no NAI/UFPE no mês de dezembro de 2006. Foram escolhidos de 
forma aleatória e que preenchessem os seguintes critérios de inclusão: Serem maiores de 
18 anos; Alfabetizados; Que tivessem permanência com o paciente durante, no mínimo, 
12 horas diariamente; Possuíssem grau de parentesco com o portador de DA. Utilizou-se 
como instrumento de coleta de dados, um roteiro de entrevista estruturada. O estudo foi 
aprovado pelo comitê de ética em pesquisa do Hospital Agamenon Magalhães do Recife - 
PE sobre o processo nº 250106 e foi norteado pela resolução 196/96 do Conselho Nacional 
de Saúde que normaliza a pesquisa envolvendo seres humanos. 
RESULTADOS E DISCUSSÕES
O resultado revela que 80% (20) dos cuidadores são do sexo feminino e 20% (5) são 
do sexo masculino, dos 25 cuidadores 40% (10) são idosas, refl etindo que os indivíduos 
acima de 60 anos são predominantes neste cuidar. Segundo Caldas (2002), a feminilização 
do ato de cuidar esta fundamentada na tradição, pois no passado as mulheres permane-
ciam em casa, logo, disponíveis para este tipo de atividade. Dados confi rmados através da 
pesquisa realizada por Chaves 7, em que a maioria dos cuidadores entrevistados (39,5%) 
estava na faixa etária acima de 60 anos, reforçando que existem muitos idosos cuidando 
de idosos. Garrido e Menezes (2004) em estudos afi rmam que os cuidadores acima de 65 
anos ou mais se encontram em maior numero (26,5%).
Quanto à escolaridade, 72% (18) dos entrevistados encontravam-se entre os níveis 
fundamental e médio. Do total, 28% (7) encontravam-se no nível superior, sendo 24% (6) 
com nível fundamental e 48% (12) com nível médio completo. Quanto ao parentesco, revela 
que esposas (28%) e fi lhas (48%) constituem as que mais se responsabilizam pelo ato de 
cuidar. Segundo Caldas amigos, vizinhos, membros da comunidade e predominantemente 
a família participam do sistema de suporte informal no cuidado dos idosos. Quanto à con-
ceituação de DA os cuidadores assinalaram a doença de acordo com seus sintomas, isso 
68
pode inferir a importância de haver um treinamento para os cuidadores, no que se refere 
ao estimulo e medidas que retarde a evolução da doença, como também o cuidado ade-
quado de acordo com nível de comprometimento do portador. Quanto aos cuidados diante 
da prevenção de acidentes adequando o domicilio as limitações do portador de DA as mais 
observadas, foram: retirar os tapetes 38,5% (5), afastar e/ou retirar moveis 30,8% (4), colo-
car grades na cama 30,8% (4), corrimão nos banheiros 23,1% (3) e tapetes antiderrapantes 
no Box 15,4% (2) e 7,7% (1) ofereceram as seguintes adequações do domicilio: colocar 
objetos de uso ao alcance do paciente, mudar o portador de cômodo, retirar portas da casa, 
evitar produtos de limpeza escorregadios. Perracini in Caovilla e Canineu8 reforçam que 
ambientes adaptados alem de diminuir a agitação, agressividade e a dependência aumen-
tam a segurança do portador de DA e facilitam a vida do cuidador. Dos cuidadores que esti-
mula atividades de lazer, foram observadas as atividades: passeios 76,4% (13) e atividade 
física 35,55 (6). O cuidar é dividido com outras pessoas, sejam familiares ou não em 52% 
(13). Enquanto que 48% (12) não divide o ato de cuidar fi cando sobrecarregados levando a 
uma fadiga física, mental e emocional o que acarretara na saúde do mesmo e na qualidade 
do cuidar. No relato sobre a falta de paciência, 68% (17) dos cuidadores a referem, dentre 
estes 32% (8) a falta de paciência apresentou-se na fase inicial da doença, 20% (5) na fase 
moderada e 16% (4) na fase avançada. O que vem reforçar o observado na literatura uma 
vez que a falta de paciência vem pela sobrecarga física, emocional e socioeconômica do 
cuidado a um familiar demenciado 9. A maioria dos cuidadores entrevistados, 36% (9) dos 
cuidadores, afi rmaram que a impaciência no ato de cuidar se apresenta numa freqüência 
de 01 a 02 vezes na semana e 8% (2) apresentam uma impaciência todos os dias.
CONCLUSÃO
Nas doenças crônicas ocorrem situações de crises, limitações e perdas que irão 
infl uenciar na estrutura familiar. O equilíbrio deste sistema, a família, pode ser resgatado 
desde que se mobilizem recursos necessários juntamente com a equipe de saúde, que 
deve estar atenta as necessidades da mesma, ampliando a assistência nos âmbitos físico, 
psíquico e principalmente emocional a esta rede de apoio tão fundamental ao portador do 
mal de Alzheimer. O estudo permitiu a oportunidade de observar através dos cuidadores/
familiares de DA as ações e modifi cações ocorridas na estrutura familiar, bem como o 
impacto da doença crônica na vida do cuidador. Tal constatação permite concluir que o cui-
dador/familiar precisa de um apoio dos profi ssionais de saúde, pois o mesmo auxiliara na 
promoção, orientação e suporte para adaptação das modifi cações sofridas pelo portador 
de DA, facilitando assim, a assistência adequada voltada para as necessidades básicas 
apresentadas pelo familiar demenciado.
69
REFERÊNCIAS
1. Camacho ACLF; Coelho MJ. Políticas públicas para a saúde do idosos: revisão siste-
mática. Rev Bras. Enferm, Brasilia 2010, mar/abr; 63(2):279-84.
2. Mazo, GZ, Lopes MA, Benedetti TB. Atividade física e o idoso: concepção gerontoló-
gica. 2a Ed. Porto Alegre – RS. Editora Sulina, 2004.
3. Luzardo AR, Gorini MIPC, Silva APSS. Caracteristicas de idosos com Alzhemeir e seus 
cuidadores: uma série de casos em um serviço de neurogeriatria. Texto Contexto Enferm, 
Florianópolis, 2006 Out-Dez; 15(4): 587-94.
4. Caldeira APS, Ribeiro RCHM. O enfrentamento do cuidador idoso som Alzhemeir. Arq 
Ciênc Saúde 2004, 11(2). abr-jun.
5. Santos SSC, Pelzer MT, Rodrigues MCT. Condições do enfretamento dos familiares 
cuidadores de portadores da doença de Alzhemeir. RBCEH, Passo Fundo, 2007. 4( 2) 
114-126, jul./dez.
6. Polit,D, Beck CT, Hunglher BP. Fundamentos de pesquisa em enfermagem: 
métodos,avaliação e utilização. 5ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.
7. Chaves LJ. Perfi l do cuidador domiciliário de idosos. Disponível em: http://www.portal-
doenvelhecimento.org.br/artigos/artigo1189.htm.
8. CAOVILLA, Vera Pedrosa; CANINEU, Paulo Renato, Você não está sozinho: Ela 
não sabe que sou sua fi lha, mas eu sei que ela é minha mãe. 1a Ed. São Paulo – SP, 
Editora ABRAZ (Associação Brasileira de Alzheimer), 2002.
9. Caldas, CP, Contribuindo para a construção da rede de cuidados: trabalhando com a 
família do idoso portador de síndrome demencial. Textos sobre Envelhecimento Rio de 
Janeiro, 2002,4(8). 
70
PROMOVENDO A SAÚDE E A CIDADANIA DO IDOSO: CONTRIBUIÇÕES 
DE UM CENTRO DE CONVIVENCIA PARA A TERCEIRA IDADE2
Jaquelline Pereira Moura3
Maria Aparecida da Costa Araújo Amaral4
Alberiza Veras de Albuquerque5
Jank Landy Simôa Almeida 6
Por ser o envelhecimento um processo dinâmico e progressivo, no qual há modifi -
cações morfológicas, fi siológicas, bioquímicas e psicológicas (1), há a concepção de que 
a qualidade de vida na terceira idade, em parte, está interligada a capacidade do idoso 
para manter a autonomia e a independência(2), uma vez que é no envelhecimento que 
ocorrem as perdas progressivas da capacidade funcional e de adaptação do indivíduo ao 
meio ambiente, ocasionando maior vulnerabilidade e maior incidência de processos pato-
lógicos(1). Percebendo-se o aumento dessa população idosa, surge também a necessidade 
de desenvolver estudos voltados para esse grupo etário, principalmente no que concerne 
a qualidade de vida. Por isso, trabalhar questões relacionadas à capacidade funcional e a 
autonomia do idoso pode ser mais importante que a própria questão da morbidade, pois 
se relacionam diretamente à qualidade de vida (3). Os centros de convivência da terceira 
idade estimulam ações de promoção da saúde com o comprometimentoda qualidade de 
vida durante o processo de envelhecimento, proporcionando aos idosos o respeito e a cida-
dania. Assim, acreditando na importância da participação dos idosos no grupo da terceira 
idade para a melhoria da capacidade funcional, e conseqüentemente da sua qualidade 
de vida, o presente estudo objetivou analisar a repercussão da disposição física antes e 
depois da participação no grupo de idosos. O estudo foi do tipo descritivo, exploratório 
com abordagem quantitativa, realizado no Centro Municipal de Convivência do Idoso no 
município de Campina Grande-PB, em Junho de 2010, contando com uma amostra de 
40 idosos de ambos os sexos. Os participantes da pesquisa foram abordados de forma 
não probabilística dentre uma população de 90 integrantes do grupo. A pesquisa foi viabi-
lizada após sua aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Estadual 
2 Texto extraído de monografi a intitulada “Percepção dos idosos de um centro de convivência em Campina Grande-PB sobre a quali-
dade de vida diária” da UNESC Faculdades.
3 Enfermeira. Graduada pela UNESC Faculdades – Campina Grande (PB). E-mail: jack_pmoura@hotmail.com
4 Enfermeira. Graduada pela UNESC Faculdades – Campina Grande (PB). E-mail: mariaapar2009@hotmail.com
5 Enfermeira. Graduada pela UNESC Faculdades – Campina Grande (PB). E-mail: alberiza_veras@hotmail.com
6 Enfermeiro. Mestrando do Curso de Pós-Graduação de Enfermagem /UFPB. Professor auxiliar da UFCG e UNESC – União de 
Ensino Superior de Campina Grande/ PB. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Saúde, Mulher e Gênero – GEPSAM. E-mail: 
jankalmeida@ig.com.br
71
da Paraíba, sob nº de CAAE 0180.0.133.000-10, respeitando-se os princípios éticos para 
realização de pesquisa envolvendo seres humanos. Para coleta de dados foi aplicado um 
questionário conduzido pelo próprio pesquisador, utilizando-se para tabulação e organi-
zação destas informações os programas Microsoft Excel e Microsoft Word, versão 2007. 
Diante dos resultados apresentados, 75% dos idosos entrevistados responderam que antes 
de freqüentarem o grupo de convivência não apresentava a mesma disposição para a rea-
lização de suas tarefas diárias. Destarte, a maioria dos idosos participantes das reuniões 
promovidas pelo centro de convivência afi rmou uma melhoria da qualidade de vida, após 
a participação no grupo. Outro estudo reafi rma que os freqüentadores de centros como o 
referido não costumam apresentar sinais de depressão, relacionam-se bem com suas famí-
lias e amigos e, geralmente são independentes no que diz respeito à realização das ativi-
dades básicas do dia-a-dia e apresentam uma boa saúde (4). A literatura científi ca (5) ainda 
afi rma que os idosos que freqüentam centros de convivência têm mais domínio físico, psi-
cológico e ambiental, pois através das atividades desenvolvidas em espaços como esses, 
são oferecidas atividades físicas, terapias e ofi cinas que ajudam a manter a resistência 
muscular, força do fl uxo sanguíneo, manutenção e melhoria na densidade corporal óssea, 
do equilíbrio e da coordenação. De forma geral, os projetos realizados nesses centros de 
convivência têm o objetivo de dinamizar os trabalhos que contemplam desde a posição 
política frente à linha de ação governamental, até a ampliação do acesso aos benefícios 
e serviços nos quais o cidadão idoso tem direito. Ações como essas aumentam o acesso 
a informações que sensibilizam os idosos sobre a consciência de seus direitos e deveres, 
mobilizando e estimulando esses cidadãos a continuarem assumindo suas posições frentes 
à vida política, cultural e econômica da sociedade. Com isso, o idoso buscará fortalecer-se 
através de suas próprias participações públicas em eventos de diferentes âmbitos, mos-
trando-se atuantes e valorizados. Sabendo-se que o envelhecimento manifesta-se, através 
do declínio das funções dos diversos órgãos, tendendo a ser linear em função do tempo, 
sem defi nir um ponto exato de transição, uma das maiores preocupações dos idosos está 
relacionada à perda da autonomia. Para esta população, a saúde está relacionada dire-
tamente com a independência, a capacidade para fazer as coisas, trabalhar, poder ir e 
vir, mesmo que portem alguma doença crônica(6). O presente estudo confi rmou um dado 
relevante quanto a este aspecto, apontando que 97,5% dos idosos realizam atividades de 
vida diária (AVD) sozinhos, sendo considerados assim independentes para estas. A idade 
avançada não é razão sufi ciente para o comprometimento da capacidade funcional (7), e sim 
um fator associado a outras doenças, o que leva ao surgimento das incapacidades físicas 
no idoso, resultando no desenvolvimento da dependência e na perda da autonomia. Os par-
ticipantes do Centro Municipal de Convivência do Idoso de Campina Grande-PB afi rmaram 
que a participação neste grupo da terceira idade pode proporcionar bem estar. Este bem 
72
estar referendado, se deve ao fato de que a inserção de idosos em grupos de convivência 
redimensiona a sua identidade, causa satisfação pessoal e contribui para com o aumento 
dos relacionamentos, o reconhecimento do outro perante o grupo, a construção de novos 
laços de relação e novas formas de compartilhar o aprendizado com novos indivíduos (8). 
Assim, os idosos buscam nestes grupos desfrutar do laser oferecido, para manterem-se 
ativos, viverem novas experiências e sentirem-se livres e autônomos frente às suas esco-
lhas. Nesses espaços sociais, deixa-se de viver apenas uma vida doméstica e assumi-se 
a participação em áreas de laser e produção (9). Analisando-se os resultados da presente 
pesquisa, conclui-se que os respondentes do estudo vêem as atividades físicas, artísticas e 
culturais desenvolvidas no grupo de terceira idade do Centro Municipal de Convivência do 
Idoso como práticas sociais, que além de proporcionar bem-estar contribuem para melhorar 
a saúde e, conseqüentemente a qualidade de vida. Diante deste contexto afi rma-se que as 
atividades desenvolvidas no Centro de Convivência proporcionam aos idosos uma maior 
predisposição física para o desenvolvimento de atividades cotidianas, melhorando também 
a auto-estima e a interação social entre eles. 
Descritores: Envelhecimento. Qualidade de vida. Saúde do idoso.
REFERÊNCIAS
1. CARVALHO F, Eurico Thomaz de; NETTO, Matheus Papaléo. Geriatria: fundamentos, 
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nlm.nih.gov/citingmedicine/
6
BENEFÍCIOS DA ACUPUNTURA AURICULAR E
AURICULOTERAPIA EM IDOSOS
Chirlaine Cristine Gonçalves
Enfermeira. Doutoranda em enfermagem pela UFCG, mestre em saúde coletiva.
Docente da FCM. Coordenadora do CEP/CESED
chirlaine_cris@hotmail.com
José Williames da Silva Santos 
Graduando de enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande. 
jwilliames@hotmail.com
 Isabella Barros Almeida 
Graduanda de enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande. 
bela_barros@hotmail.com
Isabella Maria Filgueira Guedes Piancó 
Graduanda de enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas de Campina Grande. 
Isabellaguedespianco@hotmail.com
Francisco Assis Dantas Neto
Graduando de enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas de Campina
francisco_dantas@hotmail.com
INTRODUÇÃO
A dor pode ser classifi cada de duas formas, crônica e aguda, dor aguda é relacio-
nada a traumas, infl amações, tende a desaparecer com a cura da lesão. Dor crônica é que 
persiste além do prazo esperado para a cura de uma lesão, geralmente há mais de três 
meses, ou que está relacionada a um processo patológico crônico. O enfermeiro está ati-
vamente ligado aos dois tipos. Desta forma o enfermeiro deve exercer o papel no controle 
da dor, tendo responsabilidade na avaliação diagnóstica, na intervenção e monitoração dos 
resultados, no tratamento e na comunicação das informações sobre a dor do cliente.1.A 
dor hoje é vista como o quinto sinal vital que foi acrescentado com o intuito de despertar 
a preocupação dos profi ssionais de saúde em consideração ao tratamento da dor. Todas 
as instituições médicas devem enfocar seriamente a dor e comunicar a seus pacientes 
que eles têm o direito a ter a sua dor avaliada e tratada, pois, o cliente pode referir a sua 
dor verbalizando, através de movimentos faciais ou gestos para aqueles que não podem 
falar, onde, um profi ssional de saúde atualizado, capacitado e experiente, verá e logo ini-
ciará terapia para diminuição e extinção da mesma. Sendo assim, a dor afeta milhões de 
7
pessoas em todo o mundo e se mostra como o principal motivo de consultas médicas. 
Vários estudos demonstram que, apesar do desenvolvimento de numerosos medicamentos 
analgésicos, muitos pacientes ainda vivenciam dores severas. Porém, a dor e seu controle 
tem recebido pequena prioridade e atenção pelos profi ssionais de saúde, surgindo neste 
contexto o profi ssional acupunturista que enfoca a dor mais seriamente e de forma intensa, 
propondo as escolas de saúde e em especial de enfermagem que se dediquem um pouco 
mais a estimular e até sugerir outras áreas dentro da saúde para o melhor desempenho e 
sucesso do bacharel.2, refere que o enfermeiro é o profi ssional da área da saúde que per-
manece mais tempo junto ao paciente com dor, além de ser uma profi ssão que possui um 
corpo de conhecimento próprio, voltado para o atendimento humano, nas áreas de promo-
ção, prevenção, recuperação e reabilitação da saúde.Na velhice existem doenças que se 
tornam mais prevalentes como, a hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus, 
osteoporose, aterosclerose, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), a depressão e 
as demências, onde, em sua maioria a dor esta presente. Existem também as alterações 
características de um envelhecimento normal como a diminuição da força muscular, elasti-
cidade dos tecidos e da agilidade motora, podendo afetar de maneira direta ou indireta as 
atividades de vida diárias (AVD’s) e até a atividade sexual.3.
OBJETIVOS
Sendo assim, o trabalho tem a fi nalidade de demonstrar os benefícios da Acupuntura 
Auricular e Auriculoterapia nos alunos idosos da Escola Municipal Melo Leitão; Avaliar as 
mudanças que a Acupuntura Auricular proporcionou na vida dos idosos e Identifi car as prin-
cipais difi culdades enfrentadas para realização da Acupuntura Auricular e Auriculoterapia 
nos alunos idosos da Escola Municipal Melo Leitão do período da noite para alivio destas 
dores.
METODOLOGIA
O trabalho foi realizado no município de Campina Grande em uma turma única de idosos na 
Escola Municipal Melo Leitão. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória, descritiva, 
com a possibilidade de quantifi car através de gráfi cos alguns dados sócio demográfi cos. 
A população da pesquisa é constituída por 40 alunos idosos através de seus respectivos 
empenhos, porém, apenas 20 alunos idosos participaram da amostra, representando 50% 
do total de alunos idosos do serviço. A participação das pessoas envolvidas na pesquisa 
foi totalmente voluntária e consciente. Dentro dos critérios de inclusão foi requerido idade 
8
superior a 60 anos de idade, interesse em conhecer a terapia por parte dos alunos idosos, 
idosos portador de qualquer tipo de dor; reclamações constantes por parte dos alunos de 
dores de cabeça, nas pernas, nos ombros, na coluna, nos olhos, dores pelo corpo de modo 
geral e sonolência, disponibilidade para realizar as sessões acupunturais e ser estudante 
noturno da Escola Municipal Melo Leitão no município de Campina Grande-PB.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Participaram da pesquisa 20 alunos idosos, o que corresponde a 50% dos alunos ido-
sos matriculados na escola, destes 100% são proveniente de Campina Grande, 75% dos 
idosos eram do sexo feminino, 70% dos idosos moram com seus fi lhos, 65% dos idosos 
apresentavam dores, 65% apresentaram a dor como principal limitação e 85% destes ido-
sos apresentaram boa aceitação a terapia. Na análise dos dados qualitativos foram identi-
fi cadas as seguintes categorias: No que se refere ao local da dor: 1) Membros Superiores 
e inferiores; 2) Coluna Vertebral; No que se refere ao inicio das dores- 1) Após sofrer uma 
queda; 2) Avançar da idade; No que se refere as mudanças ocorridas após ade baixa renda: uma problemática a ser considerada na saúde 
do idoso. Goiânia, 2001. Disponível em:. Acesso em: 21 Set. 2010.
7. DIOGO, Maria José D’Elboux. A dinâmica dependência-autonomia em idosos sub-
metidos à amputação de membros inferiores. Ribeirão Preto, 1997. Disponível em: 
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8. BULSING, Francine Letiele; et. al. A infl uência dos grupos de convivência sobre a 
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Disponível em: . 
Acesso em: 30 Set. 2010.
9. OLIVEIRA, Maria da Guia; CABRAL, Benedita Edina S. L. O laser nos grupos de 
convivência para idosos: prática renovada de sociedade. Campina Grande, 2004. 
Disponível em: . Acesso em: 30 Set. 2010.
74
EDUCAÇÃO EM SAÚDE NO ENVELHECIMENTO:
ESPAÇO DE PARTILHA E EMPODERAMENTO
Verbena Santos Araújo – UFPB/FMN
INTRODUÇÃO
O Brasil vive o fato do envelhecimento não ser mais sinônimo de adoecimento, onde 
atualmente há subsídios para melhorar a qualidade de vida dos idosos, que adentram à 
terceira idade de forma saudável, e não cheios de doenças típicas, como outrora acontecia. 
Nesse contexto, a educação em saúde apresenta-se como uma ferramenta instigadora do 
cuidado integral e de empoderamento aos idosos e sua família, uma vez que, permite uma 
aproximação do conhecimento cientifi camente produzido no campo da saúde com a vida 
cotidiana das pessoas, oferecendo desse modo subsídios para a adoção de novos hábitos 
e condutas em saúde(1). 
O empoderamento é um processo em que uma coletividade adquire poder à medida 
que fortalece laços de coesão, capacita-se e habilita-se para promover seu auto-desen-
volvimento(2).Nessa perspectiva, a Educação em Saúde constitui-se como uma excelente 
ferramenta de empoderamento, quando abre espaço para o diálogo, para a escuta, para a 
fala e partilha de experiências do cotidiano, contribuindo para a melhoria da qualidade de 
vida das pessoas.
Em função da singularidade do tema proposto e do panorama atual em que o Brasil 
se encaixa hoje, no tocante ao aumento da expectativa de vida das pessoas, tornou-se 
realmente importante conhecer as experiências vivenciadas pelos profi ssionais de saúde 
envolvidos em relação a temática proposta. Partindo-se desse pressuposto, traçou-se o 
seguinte objetivo para esse trabalho: Verifi car a contribuição da Educação em Saúde, vol-
tada para os idosos, enquanto espaço de partilha e empoderamento.
METODOLOGIA
A pesquisa foi subsidiada a partir da estratégia da História Oral Temática, uma interface 
da História Oral, defi nida como um “recurso moderno usado para a elaboração de docu-
mentos, arquivamentos e estudos referentes à vida das pessoas”(3). O trabalho foi aprovado 
pelo Comitê de Ética do Hospital Universitário Lauro Wanderley, sob protocolo CEP/WULW 
75
no. 093/10 e respeitou todas as etapas metodológicas, norteadas pelas observâncias éticas 
contempladas nas Diretrizes e Normas Regulamentadoras da Pesquisa Envolvendo Seres 
Humanos, estabelecidas pela Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde(4).
A comunidade de destino foi representada por 12 profi ssionais de saúde atuantes na 
Estratégia de Saúde da Família/C.G., que estavam efetivamente desenvolvendo ações de 
saúde relacionadas ao objeto de investigação deste estudo, a Educação em Saúde voltada 
aos idosos. Para a execução desta pesquisa empírica elegeu-se para a sua viabilização 
como instrumento, a técnica de entrevista a qual foi guiada pela seguinte pergunta de corte: 
Como a Educação em Saúde voltada para os idosos abre espaço para a partilha e o empo-
deramento na Estratégia Saúde da Família?
A discussão do material produzido foi toda guiada pelo tom vital das narrativas, prece-
dida por leituras exaustivas, iluminadas pelos autores que compõem a literatura pertinente, 
na busca de compreender o universo que tange as narrativas, no contexto temporal.
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
O empowerment é um conceito bastante complexo, que traduz noções de diversas 
áreas do conhecimento(5). Faz parte do campo de ação da promoção da saúde, campo que 
é defi nido como um processo de desenvolvimento na comunidade, da capacidade de con-
trole e habilidades para gerar mudanças nos condicionantes sociais da saúde, a partir da 
mobilização coletiva, sendo, portanto, uma importante estratégia de ganho para a saúde(6).
Sendo a Educação em Saúde de extrema importância na consolidação histórica 
de uma assistência integral aos indivíduos, pode ser caracterizada como instrumento de 
empoderamento e de alargamento do cuidado a saúde(7) pois, dentre os diversos aspectos 
desencadeadores do empowerment, o papel dos profi ssionais de saúde, enquanto edu-
cadores, assume grande importância, já que reconhecem e valorizam os recursos poten-
ciais dos indivíduos e comunidades, enquanto coparticipantes e cogestores do processo de 
saúde, como podemos apreciar no tom vital da colaboradora Diamante: [...] tenho imensa 
satisfação em executar ações de Educação em Saúde, pois os idosos participam e contri-
buem signifi cativamente.
Esse fenômeno é, de fato, indispensável para a mudança de paradigmas equivocados 
sobre o processo de saúde e para a mudança de comportamento dos sujeitos envolvidos, 
como podemos verifi car mediante a revelação da colaboradora diamante: [...] eles mesmos 
nos ajudam a educar os outros mais novos, e nos dão sempre resposta do que desenvol-
vemos através da fala para eles. Por exemplo: aquele idoso que não fazia caminhada, hoje 
a gente vê aos poucos fazendo, e essa resposta é importante [...].
76
O processo de empoderamento é como um processo em que uma coletividade adquire 
poder à medida que fortalece laços de coesão, capacita-se e habilita-se para promover seu 
autodesenvolvimento (8). Nesse contexto, a Educação em Saúde apresenta-se como uma 
ferramenta instigadora do cuidado integral e de empoderamento aos idosos e sua família, 
uma vez que, permite uma aproximação do conhecimento cientifi camente produzido no 
campo da saúde com a vida cotidiana das pessoas, oferecendo dessa forma subsídios para 
a adoção de novos hábitos e condutas em saúde(9). 
O conceito de empowerment traduz a idéia de poder e de controle, de maneira posi-
tiva, centrada no individuo em prol de melhorar a sua qualidade de vida(9). Como exibe 
o depoimento da colaboradora Rubi: [...] com certeza, as atividades educativas vão, de 
alguma forma, chegar até os usuários idosos e promover neles algum tipo de melhoria na 
qualidade de vida através da prevenção [...]. Sendo assim, o empoderamento torna-se um 
elo primordial para que aconteça a aprendizagem dialógica e o desenvolvimento de consci-
ência crítica, instigando o idoso a procurar alternativas viáveis para obter o viver saudável 
próprio, autônomo e personalizado(10). 
Entretanto, para que se constitua um feedback positivo as colaboradoras apostam 
na escuta qualifi cada da demanda de necessidades dos usuários, importante do ponto de 
vista prático, pois é a partir daí que será gerado o diálogo e poderão ser traçadas as ações 
educativas mais viáveis no sentido de sanar as expectativas imediatas dos idosos em rela-
ção às questões de saúde, como observado no depoimento a seguir: [...] buscamos saber 
deles o que realmente gostariam que fosse abordado nos encontros, quais são os temas 
que eles necessitam saber[...] (Opala).
As ações educativas proporcionam para os profi ssionais de saúde um espaço de 
descobertas e partilha de experiências, um espaço de escuta e diálogo, que fortalecerão 
o vinculo entre eles e os idosos e provocarão um feedback positivo, além de facilitar no 
mecanismo de ensino-aprendizagem,uma vez que essa troca de informações ajudará na 
identifi cação e análise crítica dos problemas que permeiam a vida desses usuários e na ela-
boração de estratégias de ação em busca da melhoria da sua qualidade de vida, como nos 
revela o tom vital da colaboradora Pérola: [...] a partir do momento que se tem esse espaço 
de conversa, de diálogo, é que realmente se faz Educação em Saúde.
Em síntese, a Educação em Saúde é pressuposto básico para o empoderamento, e 
quando ela se dá, todos os participantes dela devem se colocar como integrantes do pro-
cesso de educar continuamente, transformando-os em sujeitos mais críticos e criteriosos 
em relação a sua saúde, além de agentes participativos do processo de mudança da sua 
própria realidade, constituindo-os como cidadãos e protagonistas de sua história de vida.
77
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A análise do material empírico evidenciou a necessidade da Educação em Saúde, de 
maneira emponderada, tornar-se uma prática regular na atenção básica, principalmente 
quando esta prática se direciona aos idosos.
Os relatos dos colaboradores revelaram que a educação empoderada permite a troca 
de experiências e os aproxima dos idosos, criando vínculos de confi abilidade, garantindo o 
sucesso do processo, a partir da recepção ativa do conhecimento e posterior mudança de 
comportamento. 
Os colaboradores reafi rmaram o compromisso de promover as ações educativas 
enquanto propostas de fi rmação do empoderamento, abrindo espaço para a partilha e a 
troca de experiências entre os sujeitos envolvidos. 
A Educação em Saúde refl ete-se como uma estratégia promissora na conscientização 
e participação social, como meio para se atingir os fi ns de promoção da saúde numa visão 
geral e não apenas na prevenção ou meramente na cura das enfermidades.
E, assume um papel muito mais amplo, de formar opiniões e de mudá-las, num tra-
balho árduo e à longo prazo, que se baseia na confi ança entre o profi ssional de saúde que 
atende e o usuário que é atendido.
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em saúde. In: Leandro M, Araújo M, Costa M, organizadores. Saúde: as teias da discri-
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79
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS INSTITUCIONALIZADOS:
UMA PERSPECTIVA DE PROMOÇÃO À SAÚDE
Maíra Creusa Farias Belo - Profª Orientadora Esp.- UNESC Faculdades - UEPB
Gabriela Brasileiro Campos Mota – Profª MSc. da FCM e UEPB
Leiliane Cléia de Sousa – Fisioterapeuta graduada na UNESC Faculdades
INTRODUÇÃO
Ultimamente, o Brasil vem demonstrando um novo padrão demográfi co que se caracte-
riza pela redução da taxa de crescimento populacional e por modifi cações na composição de 
sua estrutura etária, com um signifi cativo aumento do contingente de idosos (IBGE, 2009). 
Nesse contexto até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. 
Tal processo de transição ocasiona redução na disponibilidade de cuidadores domiciliares, 
contribuindo para a necessidade de institucionalização, ocasionando uma qualidade de 
vida (QV) ruim. 
Nessa problemática, o idoso institucionalizado constitui, quase sempre, um grupo pri-
vado de seus projetos, pois encontra-se afastado da família, da casa, dos amigos, das 
relações nas quais sua história de vida foi construída. Pode-se associar à essa exclusão 
social as marcas e seqüelas das doenças crônicas não transmissíveis, que são os motivos 
principais de sua internação nas ILP’s (PELEGRIM, 2008).
Diante destas evidências o presente estudo teve como objetivo avaliar a qualidade 
de vida de idosos institucionalizados residentes em uma instituição de longa permanência 
(ILP) da cidade de Lagoa Seca-PB.
METODOLOGIA
A pesquisa do ponto de vista de seus objetivos foi descritiva, exploratória, quantitativa 
e transversal. Com relação aos procedimentos técnicos, a pesquisa se enquadra na cate-
goria de campo.
A pesquisa foi realizada em uma ILP localizada no Sitio Rosa Branca, na cidade de 
Lagoa Seca, no estado da Paraíba, denominada Lar da Sagrada Face. O período de coleta 
de dados se deu entre os dias 11 e 15 do mês de Abril de 2011, após autorização das enti-
dades envolvidas. 
80
A população foi composta por 13 idosos da referida ILP. A amostragem foi do tipo não-
-probabilística, de caráter intencional, por conveniência, incluindo 10 idosos, devido ao fato 
de que um idoso não apresentava nível cognitivo compatível com o questionário, o seguinte 
não aceitou participar da pesquisa e o último não se encontrava na ILP nos dias da coleta. 
Foram incluídos na pesquisa os participantes que: Assinaram o TCLE, faziam parte da 
ILP há no mínimo dois meses e que tinham 60 anos ou mais. Foram exclusos os partici-
pantes que não tinham um nível de cognição compatível com o exigido para responder as 
perguntas.
Como instrumento, utilizamos dois questionários: o primeiro, sóciodemográfi co atra-
vés do qual foram obtidas as seguintes variáveis: sexo, idade, situação conjugal, quantidade 
de fi lhos, renda, procedência da renda, parentes vivos e a relação com os parentes, objeti-
vando caracterizar a amostra em questão. O segundo, o WHOQOL-OLD (FLECK, 2006) foi 
desenvolvido para avaliar a QV de pessoas idosas. O módulo WHOQOL-OLD consiste em 
24 itens atribuídos a seis domínios. Os domínios são: “Funcionamento do sensório” (FS), 
“Autonomia” (AUT), “Atividades passadas, presentes, futuras” (PPF), “Participação social” 
(PSO), “Morte e morrer” (MEM) e “Intimidade” (INT). Os dados coletados com o instrumento 
WHOQOL-OLD foram analisados seguindo as instruções do mesmo. 
Os dados foram tratados mediante a estatística descritiva, com a verifi cação de média 
e desvio-padrão. O cálculo dos escores do WHOQOL-OLD foi realizado através da analise 
estatística usando o pacote SPSS 17.0, utilizando sua função descritiva de proporção e 
distribuição de freqüência. Os resultados foram expostos sob a forma de gráfi cos, através 
do programa Microsoft Excel 2007. 
 O estudo está de acordo com a resolução n° 196/96 do CNS.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Dos 10 idosos entrevistados, 60% estavam com idade entre 70 e 80 anos e 40% entre 
80 e 90 anos. Destes, 50% eram do sexo feminino, 50% eram solteiros e 70% não possu-
íam fi lhos. Dos entrevistados 90% possuem parentes vivos e sua relação com os mesmos 
é considerada para 20% deles boa e para 30% ruim.
Estudos confi rmam que o nível educacional não estáassociado a variações na QV em 
idosos, sugerindo que os relacionamentos pessoais satisfatórios, seguidos de boas condi-
ções de saúde e monetárias e atividade sexual são de fato os que mais contribuem para 
alterações na QV, em detrimento da idade, sexo, estado civil e educação (CELICH, 2008).
81
Quando comparados a QV entre os gêneros, o feminino obteve o escore maior, apre-
sentando uma melhor QV; percebemos ainda que quanto melhor a relação com os parentes, 
mais elevado o escore. No que se refere aos escores de QV, eles são uma escala positiva 
(quanto maior o escore, melhor a QV), e não existem pontos de corte que determinem um 
escore abaixo ou acima do qual se possa avaliar a QV como “ruim” ou “boa”. 
No presente trabalho obtivemos as seguintes pontuações: para o domínio FS = 16, 
AUT = 6, PPF = 8, PSO = 14, MEM = 14, INT = 0, Totalizando um escore geral (overall) de 
58 pontos. Analisando as facetas FS, AUT, PPF, PSO, MEM, INT isoladamente obtivemos 
os seguintes resultados. O primeiro domínio do questionário trata-se do FS e este avalia o 
impacto da perda do funcionamento dos sentidos (perdas na audição, visão, paladar, olfato, 
tato) na QV (FLECK, 2006). O valor encontrado foi de 16 pontos, o maior obtido entre os 
domínios. Uma das hipóteses propostas a respeito do resultado obtido é que para a maioria 
dos idosos a perda ou diminuição dos sentidos não afetam a QV, pois não os impossibilitam 
de se relacionar com os demais idosos.
O domínio AUT avalia a independência do idoso para tomar suas próprias decisões, 
sentir que controla seu futuro, fazer as coisas que gostaria de fazer ou acreditar que as pes-
soas ao seu redor respeitam sua liberdade (FLECK, 2006). O escore obtido foi de 6 pontos, 
o mais baixo encontrados dentre os domínios.
Talvez uma explicação para o fato seja a de que os idosos em ILP’s não são respei-
tados em relação a sua liberdade, os mesmos devem obedecer às regras da instituição em 
que se encontram e realizar as AVD’s com horários estabelecidos pelos responsáveis pelo 
local, não podendo expressar suas vontades e desejos, tendo que cumprir ordens. Nessa 
perspectiva, o estudo de Celich (2008), relata que a capacidade do idoso para a tomada de 
decisão, alicerçado no seu desenvolvimento psicológico-moral é um construto imprescindí-
vel no processo de envelhecimento, estando relacionado aos domínios de QV. 
No que se refere às PPF é avaliada a satisfação com as realizações na vida, as opor-
tunidades de novas realizações, reconhecimento merecido na vida, a felicidade com o que 
ainda se espera do futuro e com objetivos a serem alcançados (FLECK, 2006). O dado 
obtido na amostra foi de 8 pontos, o segundo menor escore entre os domínios. Tal dado 
corrobora com os resultados do estudo de Celich (2008) onde, as PPF alcançaram um 
escore baixo na sua amostra denotando a insatisfação em relação às conquistas da vida 
em comparação com aquilo que se anseia. 
 Talvez a explicação para tal episódio seja que os idosos em ILP’s não almejam mais 
conquistas, estão conformados com as oportunidades que adquiriram anteriormente a ins-
titucionalização, ou pelo menos estão adaptados com a nova vida.
82
Na avaliação da QV foram obtidos os escores médios e desvio padrão dos cinco 
domínios do WHOQOL-OLD (tabela 1)
Tabela 1: Quadro dos escores médios e desvio padrão dos cinco domínios do WHOQOL-OLD na amostra 
de 10 idosos da referida ILP de Lagoa Seca/PB.
Faceta ou domínio do WHOQOL-OLD N Média Desvio Padrão
Funcionamento Sensorial 10 6,9500 7,33036
Autonomia 10 4,2500 3,00657
Atividades Passadas, Presentes e Futuras 10 4,2500 3,25859
Participação Social 10 4,8500 4,70470
Morte e Morrer 10 6,4500 7,34471
Escore Geral 10 5,3500
FONTE. Pesquisa direta, 2011.
A interpretação do quadro dos resultados deve ser feito do seguinte modo: Os valo-
res obtidos indicam proporcionalmente a QV: valores altos indicam alta QV associados ao 
domínio e os valores mais baixos o oposto. No domínio MEM ocorre o inverso. 
Os valores constados no desvio padrão demonstram-se altos devido ao fato de que 
as respostas dos participantes oscilaram muito, por causa das possibilidades de repostas 
ao questionário serem amplas, variando de 1 à 5. Em que cada participante interpreta seus 
domínios de forma particular, ou seja, o processo de envelhecimento, em sua dimensão 
física e funcional ocorre de forma diferenciada em cada pessoa.
 Muitos estudos foram encontrados sobre a investigação da QV em ILP e nesta faixa 
etária, entretanto, poucos aplicaram os instrumentos utilizados nesta pesquisa. Uma expli-
cação pode ser o fato do questionário WHOQOL-OLD ter validação recente. Apenas quatro 
artigos foram encontrados sobre a validação deste instrumento pelo Grupo WHOQOL-OLD, 
que tratam apenas do processo de validação deste instrumento. Difi cultando a comparação 
entre os dados obtidos com os da literatura.
CONCLUSÃO
Com base na pesquisa realizada, foi possível concluir que idosos institucionalizados 
apresentam uma QV ruim, o que pode ser explicado ao vermos que os piores escores em 
relação aos domínios foram autonomia (AUT) e atividades passadas, presentes e futuras 
(PPF). Dessa forma, percebeu-se a importância da participação de profi ssionais da área da 
saúde, que sejam habilitados para poderem auxiliar nas limitações da capacidade funcional 
do idoso, buscando a reabilitação precoce e prevenindo a perda funcional. 
83
A pesquisa realizada apresentou difi culdades em relação à escassez de estudos apli-
cando o mesmo instrumento para a percepção de QV (WHOQOL-OLD). Devido à falta de 
publicações, houve insufi ciência de bases literárias para fundamentar de forma mais ampla 
o estudo. 
Sendo assim, outros estudos se fazem necessários em populações maiores, correla-
cionando os escores da QV aos dados sócio-demográfi cos, a fi m de confi rmar as tendên-
cias observadas nesse estudo, para que dessa forma seja possível determinar quais as 
reais necessidades da população em questão.
REFERÊNCIAS
Celich KLS. Domínios de qualidade de vida e capacidade para a tomada de decisão 
em idosos participantes de grupos de terceira idade. Tese (Doutorado) Pontifícia 
Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Instituto de Geriatria e Gerontologia. 
Doutorado em Gerontologia Biomédica. Porto Alegre: PUCRS, 2008.
Fleck MPA. Projeto Desenvolvido no Brasil pelo Grupo de Estudos em Qualidade de 
Vida. Versão em Português dos Instrumentos de Avaliação de Qualidade de Vida 
(WHOQOL) 1998. Rio de janeiro, 2006.
IBGE. Indicadores sociodemográfi cos e de saúde no Brasil, 2009. Disponível em: . 
Acesso em 05 de outubro de 2010.
Pelegrin AKAP, et. al. Idosos de uma Instituição de Longa Permanência de Ribeirão 
Preto: níveis de capacidade funcional. EERP - USP. Arq. Ciênc. Saúde, 2008.
84
CÂNCER DE MAMA E MULHERES IDOSAS:
DISCURSOS DAS PUBLICAÇÕES 
Smalyanna Sgren da Costa Andrade (UFPB)
Kamila Nethielly Souza Leite (UFPB)
Ana Aline Lacet Zaccara (UFPB)
Joana D’arc Lyra Batista (UFPB)
Tatiana Ferreira da Costa (UFPB)
INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, países desenvolvidos e em desenvolvimento vêm enfrentando o 
envelhecimento de suas populações. Esse fenômeno mundial ocorre de maneira heterogê-
nea entre esses países, estando relacionado ao aumento da expectativa de vida e o declí-
nio das taxas de fecundidade e mortalidade (1).
Mais recentemente, o Brasil vivencia uma mudança profunda no perfi l demográfi co 
da população como a feminização da velhice, que desperta o interesse de estudiosos, da 
sociedade e do governo (2). Essa feminização se explica em parte, pela maior expectativa 
de vida das mulheres, associada aos fatores como: menor consumo de álcool e tabaco e 
diferenças de atitude em relação às patologias (3).
Para tanto, apesar das mudanças ocorridas no quadro epidemiológico da morbimor-
talidade feminina, o câncer de mama despontacom uma das maiores causas de morte na 
população feminina e como o tipo mais comum de câncer feminino (4). Essa mortalidade por 
câncer, entre mulheres idosas, elevou-se de 1980 a 2002, três pontos percentuais (5).
Ante a delicadeza do assunto, surgiu a necessidade de pesquisar o que a literatura 
discorre sobre o câncer de mama em idosas com o intuito de contribuir para a constru-
ção de uma prática coletiva disseminada e complexa, imbricada em comportamentos das 
mulheres considerando seus determinantes sociais. A partir do exposto, objetivou-se iden-
tifi car nas publicações os discursos mais predominantes que envolvem câncer de mama 
em idosas.
85
METODOLOGIA
Trata-se de um artigo de Revisão Sistemática da Literatura, partindo da necessidade 
de avaliação de artigos que contemplasse o câncer de mama em idosas. Utilizou-se o 
Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (BIREME) para 
a seleção das publicações, com base nas fontes LILACS e SciELO. 
Foram selecionados artigos oriundos de produções nacionais, devido às peculiarida-
des das políticas públicas de saúde no Brasil voltada as mulheres; e a partir da década de 
90, tendo em vista que no fi nal deste período passou-se a utilizar o conceito de “envelheci-
mento ativo”, compreendido como o processo de otimização das oportunidades de saúde 
que visam promoção de modos de viver mais saudáveis (6).
Utilizou-se o unitermo ‘câncer de mama’ AND ‘idosas’ para a busca, obtendo-se um 
total de dezoito artigos no idioma português, sendo onze trabalhos publicados em texto com-
pleto. Destes, fi zeram parte da amostra apenas quatro artigos, haja vista que os demais não 
se trataram de pesquisas direcionadas a pessoas idosas, e sim no que concerne somente 
ao câncer de mama.
Após a identifi cação dos artigos, realizou-se a leitura exaustiva dos mesmos, obser-
vando-se o tema e conteúdos gerais para posterior organização dos discursos mais predo-
minantes que atendessem ao objetivo da pesquisa. Em seguida realizou-se a combinação 
dos achados procurando capturar a idéia central do texto nas publicações. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As categorias geradas a partir da leitura de todos os artigos foram: ‘Educação em 
saúde sobre os métodos preventivos do câncer de mama’ e ‘O défi cit no enfoque do câncer 
de mama entre idosos’.
• Educação em saúde sobre os métodos preventivos do câncer de mama
O conhecimento sobre os sintomas do câncer de mama contribui para um diagnóstico 
precoce, sendo os profi ssionais de saúde responsáveis pela disseminação dessas infor-
mações (7). Ante ao contexto, alguns exames diagnósticos devem ser utilizados, tais como 
mamografi a, ultrassonografi a, exame clínico das mamas, e orientações ao autoexame. 
Essas estratégias podem colaborar para uma redução do câncer de mama no país (8).
Entretanto, grandes esforços por parte de instâncias governamentais e sociais pare-
cem não possuir muito impacto acerca da adesão das mulheres idosas para realização 
86
da mamografi a. A esse respeito, pesquisa evidenciou que a maioria das mulheres idosas 
nunca tinha se submetido a uma mamografi a em toda a sua vida (9), e ainda, que as mulhe-
res mais jovens eram mais examinadas nas mamas do que as mais velhas (10). Isso aponta 
para a necessidade de programas de educação em saúde e reformulação das campanhas 
educativas que talvez pudessem abordar esse assunto por meio de uma linguagem clara 
para a mulher idosa.
Desta forma, há uma lacuna na integralidade da assistência à mulher idosa, devendo-
-se conscientizar para libertar. Diante disso, orientações em saúde sobre a frequência das 
consultas ginecológicas e quanto à importância em realizar periodicamente exames de 
detecção precoce, são de extrema importância, à medida que grande parte das mulheres 
ao fi m da menopausa acha desnecessário o cuidado ginecológico. A ação educativa com 
respeito mútuo cliente-profi ssional de saúde é um importante passo para que a mulher 
compreenda a importância do exame preventivo e sinta-se motivada a realizá-lo (8).
• O défi cit no enfoque do câncer de mama entre idosos
Na atualidade uma das maiores demandas assistenciais identifi cadas nos serviços 
de saúde referem-se ao atendimento da população idosa. Esse atendimento é centrado 
em doenças crônico-degenerativas, fi cando a assistência integral e preventiva um pouco 
negligenciada (2).
Ante ao contexto, a prevenção deve ser entendida como toda medida tomada para 
evitar o surgimento de uma condição mórbida em pessoas ou coletividade (11).
Desta forma, a prevenção do câncer de mama pode ser primária ou secundária, deve 
ser responsável por modifi car ou eliminar fatores de risco para essa neoplasia, ou enqua-
drar-se no diagnóstico e tratamento dos cânceres precoces. Destaca-se que a prevenção 
ainda é a melhor maneira de combater este tipo de câncer, pois só assim a doença adquire 
melhores chances de cura (12).
Diante do enfoque às doenças próprias do envelhecimento, ocorre uma desatenção à 
prevenção do câncer de mama, identifi cado no contexto da problemática de vários determi-
nantes, dentre os quais: defi nição das prioridades no nível central dos programas, estabele-
cimento de metas assistenciais acima da capacidade operacional e dos recursos humanos 
disponíveis e ainda os determinantes culturais e de gênero presentes no inconsciente da 
coletividade. Apesar do empenho das autoridades e da expansão de estratégias em saúde 
no país, frente à elevada incidência do câncer de mama evidencia-se certa lacuna nos pro-
tocolos assistenciais no que se refere à prevenção dessa patologia em mulheres idosas (13).
87
CONCLUSÃO
Embora se tenham inúmeras tentativas de conscientização sobre a importância da 
prevenção do câncer de mama, através da criação de programas específi cos por parte de 
órgãos competentes e divulgações pela mídia, é de suma relevância à orientação direta no 
decorrer da assistência prestada pelos profi ssionais de saúde, sendo necessárias ações 
que contemplem não somente o setor assistencial, mas também o campo da promoção da 
saúde e prevenção de agravos, com o intuito de fornecer uma melhoria da saúde na senili-
dade, em especial no concernente ao câncer de mama.
REFERÊNCIAS
1. Paschoal SMP, Salles RFN, Franco RP. Epidemiologia do envelhecimento. In: Carvalho 
Filho ET, Papaléo Netto M, organizadores. Geriatria: fundamentos, clínica e terapêutica. 2ª 
ed. São Paulo: Atheneu; 2005. p. 19-23.
2. Carvalho CMRG, Brito CMS, Nery IS, Figueiredo MLF. Prevenção de câncer de mama 
em mulheres idosas: uma revisão. Rev. bras. enferm. 2009; 4 (62): 579-582. 
3. Veras R. A era dos idosos: desafi os contemporâneos. In: Saldanha AL, Caldas CP, 
organizadores. Saúde do Idoso: a arte de cuidar. Rio de Janeiro: Interciência; 2004; 3-10.
4. Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Implantando o viva mulher - 
Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo de Útero e de Mama. Rio de Janeiro: 
INCA; 2006.
5. Camarano AA, Kanso S, Mello JL. Como vive o idoso brasileiro? In: Camarano AA, 
organizador. Os novos idosos brasileiros: muito além dos 60? Rio de Janeiro: Ipea; 2004; 
25-73.
6. Ministério da Saúde (Br). Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Brasília: 2006.
7. Gebrim LH, Facina G, Navarrete MALH, Nazário ACP, Kemp C, Lima GR. Aspectos 
clínicos e terapêuticos do carcinoma de mama em pacientes idosas: estudo de 72 casos. 
Rev Bras Ginecol Obstet.1995; 17(2):931-938.
8. Santos GD, Chubaci RYS. O conhecimento sobre o câncer de mama e a mamografi a 
das mulheres idosas frequentadoras de centros de convivência em São Paulo (SP, Brasil). 
Ciênc. saúde coletiva. 2011; 5 (16): 2533-2540.
88
9. Lima Costa MF, Matos DL. Prevalência e fatores associados à realização da mamogra-
fi a na faixa etária de 50-69 anos: um estudo baseado na Pesquisa Nacional por Amostra 
de Domicílios (2003). Cad Saude Publica. 2007; 23(7):1665-1673.
10. Molina L, Dalben I, De Luca LA. Análisedas oportunidades de diagnóstico precoce 
para as neoplasias malignas de mama. Rev Assoc Med Bras. 2003; 49(2):185-190.
11. Guedes MVC, Silva LF, Freitas MC. Educação em saúde: objeto de estudo em disser-
tações e teses de enfermeiras no Brasil. Rev Bras Enferm. 2004; 57(6): 662-5.
12. Godinho ER, Koch HA. O perfi l da mulher que se submete a mamografi a em Goiânia - 
uma contribuição a “Bases para um programa de detecção precoce do câncer de mama”. 
Rev Bras Enferm. 2002; 35(3).
13. Rosa WAG, Labate RC. Programa de Saúde da Família: a construção de um novo 
modelo de assistência. Rev Latino-am Enfermagem. 2005; 13(6): 1027-34.
89
ANÁLISE DA HUMANIZAÇÃO NO ATENDIMENTO
AOS USUÁRIOS IDOSOS
Lucidio Clebeson de Oliveira1
Jussara Vilar Formiga2
Francisca Hozana de Melo Silva3
1 Enfermeiro, docente da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte – UERN.
2 Enfermeira, docente da faculdade de Enfermagem Nova Esperança – FACENE/RN e enfermeira 
da Estratégia Saúde da Família da Prefeitura Municipal de Mossoró/RN.
3 Enfermeira da Estratégia Saúde da Família da prefeitura de Alto dos Rodrigues/RN.
INTRODUÇÃO
A palavra humanização tem sido alvo de várias discussões no âmbito da saúde desde 
a elaboração e implantação do Sistema único de Saúde – SUS, já que a humanização se 
constitui como uma de suas prioridades. Isso se deve ao fato de sua grande presença em 
nosso cotidiano, porém devemos estar atentos aos diversos signifi cados de compreensão 
que essa palavra vem tomando nos dias atuais. Por isso nos voltamos então, para a for-
mação do profi ssional que lida com o usuário idoso, como também para a avaliação que o 
mesmo faz a respeito da assistência que recebe.
A humanização nos trás então a imagem de um profi ssional que seja responsável pela 
efetivação da promoção à saúde, ao considerar o usuário como um ser que possui seus 
aspectos psicológicos, físicos e sociais, e não somente o ponto de vista biológico, pautado 
apenas em ações pontuais e mecanicistas.
Dessa forma, surgiu a indagação principal para a realização desse trabalho: Quais os 
impactos biopsicológicos existentes na saúde dos idosos que são submetidos a uma assis-
tência baseada no determinismo biológico, que desconsidera a individualidade de cada 
sujeito e suas relações com o meio social.
Partimos então do pressuposto que as ações de atenção á saúde ofertadas a popu-
lação na terceira idade estão sendo realizadas de forma inadequada, este cenário é fruto, 
principalmente do fato das políticas e das práticas de saúde estarem sendo realizadas de 
forma isoladas, de cunho curativista, visando apenas à cura das enfermidades. 
90
Diante disso, essa pesquisa teve como objetivo geral analisar como se dá a relação 
profi ssional-usuário/idoso, na perspectiva da busca da valorização e participação dos ido-
sos nos serviços de saúde, tendo em vista a importância da humanização para uma melhor 
interação profi ssional/usuário, proporcionando, dessa forma, uma promoção da qualidade 
do atendimento em saúde.
REFERENCIAL TEÓRICO
Como percebemos, o envelhecer no Brasil está acelerando cada vez mais, sendo 
assim, é preciso estar atento às representações que a velhice vem tomando na socie-
dade, sobre a descriminação e desvalorização frente ao capitalismo e a supervalorização 
do ‘’novo’’(1). 
Nesse sentido vislumbramos a importância de ser colocada a diferença existente, no 
que consiste o envelhecer, e no que signifi ca estar doente durante a velhice; as diversas 
teorias do envelhecimento tentam buscar o conceito do envelhecer, algumas o colocam ao 
nível celular e extremamente biológico, outras tentam defi nir uma ‘’idade gerontológica’’ ou 
tentam prová-la por meio dos fatores fi siológicos junto aos psicológicos como mostra(2) 
É percebido que muitas pessoas tendem a confundir juventude com saúde, tendo a 
velhice como sinônima de doença, fazendo com que a senilidade seja um acontecimento 
obrigatório e característico da senescência, como se não fosse possível se ter saúde no 
envelhecer.
Dessa forma, a realização dessa pesquisa se faz de suma importância no que diz 
respeito, tanto para a prática de profi ssionais de saúde, como também para os sujeitos 
idosos, tendo vista de que, estando esse público como alvo de práticas extremamente 
clínicas baseada somente na medicalização, e receptora de cuidados clínicos, sendo por 
vezes impostos sem maiores considerações, onde deve-se também refl etir sobre a possível 
exclusão social existente na sociedade com pessoas na terceira idade, passando a ver o 
sujeito idoso como um cidadão, com direitos e deveres, de importância na sociedade, tanto 
quanto um indivíduo jovem.
METODOLOGIA
O presente trabalho se desenvolverá através de uma pesquisa de cunho exploratório, 
descritivo e de caráter quantiqualitativo, devido à difi culdade de se trabalhar apenas com 
números na pesquisa em saúde, e reconhecendo que o método quantitativo simplifi ca a 
91
vida social aos fenômenos que podem ser enumerados, o presente trabalho aborda em 
conjunto a esse método, os aspectos qualitativos, para observação das cargas culturais, 
políticas, históricas e ideológicas(3).
A pesquisa terá como público alvo um total de dez usuários idosos que estejam 
internados no HRTVM, bem como dez profi ssionais da equipe multiprofi ssional (médicos, 
enfermeiros, fi sioterapeutas, nutricionista e técnicos de enfermagem) de saúde do referido 
hospital que atuam diretamente no cuidar dessa clientela.
Como estratégia inicial utilizou-se a realização de um grupo focal, também será utili-
zado como estratégia de coleta de dados, uma entrevista semi-estruturada, para que pos-
samos perceber algumas questões cujo grupo focal não tenha explicitado. Usaremos como 
critério de inclusão na pesquisa, os usuários que assinarem o Termo de Livre Consentimento 
Esclarecido, e que possuírem idade igual ou superior à 60 anos que estejam internados no 
HRTVM; teve como critério de exclusão aqueles usuários que se recusarem a assinar o 
TCLE e que possuam idade inferior à 60 anos, outros instrumentos de coleta de dados 
poderão ser acrescentados ao longo do projeto de pesquisa, segundo as necessidades 
encontradas.
Para a análise dos dados utilizaremos como referência(5), pois a autora defi ne que 
deve-se organizar os dados em categorias, para se obter um melhor e maior conhecimento 
dos resultados, dessa forma, as categorias promovem a união dos elementos em caracte-
rísticas comuns, como também um maior número de informações á custa de uma esque-
matização e assim correlacionar classes de acontecimentos para ordená-los.
Portanto, os dados colhidos na entrevista serão analisados e interpretados, por meio 
de diálogo entre informações obtidas nesse projeto e o referencial teórico construído. 
DISCUSSÕES E RESULTADOS
Os dados obtidos mostraram que os 10 idosos entrevistados (100%) disseram primei-
ramente que estavam satisfeitos com o atendimento ofertado no hospital, porém quando 
eram indagados mais profundamente sobre o seu relacionamento com os profi ssionais e as 
condições para que eles pudessem se sentir melhor no local de internamento, se observa 
muitos fatores negligenciados, mostrando que os próprios não são esclarecidos sobre seus 
direitos em sua assistência a saúde. 
Dos 9 profi ssionais entrevistados, todos responderam ter uma relação humanizada 
com o paciente idoso, de forma que proporcionassem uma atenção diferenciada a esse 
indivíduo, pelo fato de necessidades e limitações específi cas. No entanto 7 profi ssionais 
92
mostraram que o idoso sofre uma maior descriminação dentro do hospital devido sua idade 
avançada em relação a um jovem, em contrapartida 2 entrevistados disseram não visuali-
zar esse preconceito no hospital. Sendo assim podemos dessa forma observar uma discre-
pância nas entrevistas tanto dos idosos quanto dos profi ssionais de saúde.
Entendemos assim, que a humanização signifi ca a valorização, autonomia eprotago-
nismo de todos os sujeitos envolvidos no processo de produção em saúde, não apenas os 
usuários, mas também os responsáveis por prestar trabalho nos serviços de saúde. 
Dessa forma nos indagamos, pela opinião desses trabalhadores e usuários pela exis-
tência da humanização no serviço pesquisado. O que suas falas e sentimentos nos trazem 
para compreendermos melhor essa humanização que vem sendo promovida nos dias de 
hoje e, como a mesma está se dando em relação aos pacientes idosos.
Dessa forma percebemos que a humanização no serviço em saúde aos idosos, 
depende além do querer dos profi ssionais em tratá-los com dignidade, pois existe também 
o fator estrutural que deixa muito a desejar. 
Outro fator notado e extremamente importante que se confi gura como um empecilho 
no atendimento humanizado ao idoso, colocado pelos profi ssionais é a questão da família, 
que não possui o interesse de cuidar desses sujeitos, deixando o idoso sem companhia no 
hospital e até mesmo recusando-se a buscá-lo quando ele é liberado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Evidenciou-se a partir desta pesquisa que os profi ssionais de saúde do HRTVM pro-
curam ter uma boa relação com os idosos lá internados, porém alguns ainda possuem 
algum tipo de difi culdades em lidar com as limitações, necessidades e as incapacidades 
físicas desses sujeitos, mostrando dessa forma que esses profi ssionais precisam de pre-
paro e capacitações para lidar com o idoso internado.
Vimos também que por mais que os profi ssionais queiram prestar um atendimento 
humanizado ao idoso, ele não consegue pelo fato da precariedade estrutural do hospital, 
a vontade existe, a importância é reconhecida entre os profi ssionais, porém a questão 
estrutural ainda é um dos grandes entraves existentes para se oferecer um atendimento 
humanizado a esses sujeitos.
Afi rma-se então que esta questão no âmbito hospitalar é negligenciada, fato bas-
tante presente na fala dos profi ssionais e usuários idosos, percebe-se até mesmo certa 
angustia nas falas desses profi ssionais em não poder prestar um atendimento mais huma-
nizado devido à grande defi ciência estrutural, é preciso garantir melhores condições para 
93
realizarmos um cuidar que seja realmente humanizado, para termos assim uma atenção a 
saúde efi caz.
Dessa forma, sabemos que ainda há muito que avançar para termos uma atenção 
a saúde que seja humanizada, equânime e igualitária, pois termos o usuário como centro 
do nosso cuidado ainda é uma tarefa difícil, que precisa ser pensada e repensada diaria-
mente. Percebe-se também a grande necessidade da implantação de políticas que otimi-
zem essa realidade, para só assim termos uma maior resolutividade em saúde para os 
usuários idosos. 
REFERENCIAS
1 VERAS, Renato P. País jovem com cabelos brancos: a saúde do idoso no Brasil. Rio 
de Janeiro: Relume-Dumará, 1994.
2 BRASIL, Ministério da Saúde. Cadernos de Atenção Básica: Envelhecimento e Saúde 
da Pessoa Idosa. Brasília, 2006.
3 MINAYO, Maria Cecilia de Souza. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. 
Vozes. 7” edição. Petrópolis, 1993.4 Bardin L. Análise de conteúdo. Lisboa, 1997.
94
PROJEÇÕES DA POPULAÇÃO IDOSA PARAIBANA EM
RELAÇÃO ÀS PROJEÇÕES DOS PROFISSIONAIS MÉDICOS.
Mestrando Elídio Vanzella.UFPB 
Dr. Eufrásio de Andrade Lima Neto.UFPB
 Dr. César Cavalcanti da Silva.UFPB
INTRODUÇÃO
O direito universal e integral à saúde no Brasil foi uma conquista da sociedade. Esse 
direito está explicitado na Constituição Federal Brasileira, promulgada em 1988 e ratifi cado 
com a criação do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio das Leis Orgânicas da Saúde 
(8.080/90 e 8.142/90). Com estas ações, pelo menos no campo das intenções, o governo 
amparou e protegeu, legalmente, o direito ao acesso universal da população aos serviços 
de saúde. 
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE)1(2008) a população 
brasileira está envelhecendo de forma rápida e intensa. De acordo com este órgão, o Brasil 
tem na atualidade mais de 19 milhões de idosos e projeta para o ano de 2020 uma popula-
ção de 207 milhões de brasileiros, dentre os quais, 28 milhões terão 60 anos ou mais. Na 
Paraíba, segundo o censo 2010, a população com 60 anos ou mais é de 451.385 habitan-
tes e para 2015 projeta-se um total de 522.953 habitantes, caracterizando um crescimento 
de 15,86%. Essas projeções exigem do setor público responsável uma resposta imediata 
em termos, tanto de instalações hospitalares apropriadas para o atendimento de idosos, 
quanto de formação de profi ssionais de saúde, particularmente, médicos, com especializa-
ção em Geriatria. 
Partindo do pressuposto que, em um futuro muito próximo, a opção pela medicina 
voltada para o idoso não terá acompanhado a curva de crescimento da população idosa 
do Estado da Paraíba, formula-se a questão norteadora para o presente estudo: A curva 
de crescimento da população médica e de médicos geriatras do estado da Paraíba projeta 
números compatíveis com o crescimento da população idosa?
Para responder a estas questões, esta pesquisa apresenta como objetivo geral, 
conhecer a curva de crescimento da população idosa e da população médica do estado da 
Paraíba para os anos 2011 a 2015, e como objetivos específi cos, realizar projeções estatís-
ticas e Interpretar a curva de crescimento da população idosa e da população médica para 
o mesmo período.
95
METODOLOGIA
O estudo será do tipo exploratório-descritivo, desenvolvido a partir de abordagem 
quantitativa e os dados serão analisados por meio do pacote estatístico R (2.12.0), que é 
uma linguagem e ambiente para computação estatística e gráfi ca. O programa R está dis-
ponível como software livre, na forma de código aberto.
Para modelar a série temporal sobre o número de médicos que trabalham no Estado 
da Paraíba consideraremos o modelo de suavizamento de Holt-Winters e os modelos de 
Box-Jenkins. Segundo Morettin e Toloi2 (2006), série temporal é qualquer conjunto de 
observações ordenadas no tempo. Se estas observações consecutivas são dependentes 
uma das outras, é possível conseguir-se uma previsão, afi rma Souza3(1989) e assim forne-
cer bases para compreender o comportamento do evento ao qual está se analisando.
O princípio da análise pelas séries de tempo esta ancorado na possibilidade de se 
extrair conclusões sobre o comportamento passado da variável e que poderão fornecer 
informações sobre o seu provável comportamento no futuro4. 
As projeções da população idosa na Paraíba serão obtidas pela função geométrica:
 , onde: População inicial (P0), Intervalo de tempo em anos 
(n1), Taxa mensal de crescimento (r), e , onde: População inicial (P0), 
População fi nal (Pf) Intervalo de tempo em anos (n1).
Por fi m, para contrapor a curva de crescimento, projetada, para o número de médicos 
no período de 2011 a 2015 será realizada uma regressão linear simples, 
onde se determinará o valor β
1 
e por consequência determinar a reta onde os valores se 
distribuirão. A partir destes dados, será estimado o número de médicos que cancelarão 
seu registro no Conselho Regional de Medicina (CRM/PB) no mesmo período, permitindo 
que a partir do total de profi ssionais em atividade em 2010 e, pela ação de soma de novas 
entradas e subtração de valores cancelados se obtenha o número previsto de médicos nos 
próximos 5 anos no Estado da Paraíba.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Nesta seção serão apresentados resultados que foram obtidos nesta fase de seu estudo. 
A Figura 1, demonstra a evolução dos registros ao longo do tempo, e observando o 
gráfi co é possível verifi car uma tendência ascendente nos dados .
96
 Figura 1: Série dos médicos registrados no CRM/PB (1960-2010).
Com o objetivo estacionar a série, foi aplicado o procedimento de realizar diferenças 
sucessivas e com a segunda diferença a série apresentou, segundo o teste de Dickey-
Fuller, um p-valor 0,01,Para a análise com Holt-Winters, o modelo testado não apresentou um bom ajuste, 
sendo assim descartado. No ajuste do modelo de Box-Jenkins foi considerada a série com 
duas diferenças, que é estacionária, em seguida foi realizada a análise das funções de 
autocorrelação (MA) e autocorrelação parcial(AR) para a identifi cação das características 
da série. A Figura 2 apresenta o gráfi co de MA e AR para a série diferenciada. 
 
Figura 2: Gráfi co de autocorrelação(MA) e autocorrelação parcial(AR).
Com base nos gráfi cos (MA) e (AR) ajustou-se 3 modelos e o que apresentou menor 
valor para os critérios de informação Akaike AIC, AICc e BIC foi o Autoregressivo Médias 
Móveis - ARIMA(1,2,1) sendo este escolhido para o desenvolvimento do trabalho. Para 
validar o modelo é preciso que a análise estatística dos resíduos comprove que o mesmo 
apresenta normalidade em sua distribuição. Para esse fi m foi realizado os testes de 
Shapiro-Wilks com p-valor 0,4999 e Lilliefors com p-valor 0,5824, obteve-se p-valor maior 
que o nível de signifi cância de α =5%. A outra etapa de validação do modelo é a análise dos 
resíduos e constatou-se que os resíduos padronizados indicam que o modelo apresentou 
bom ajuste aos dados. 
97
Foram realizadas previsões 5 passos a frente e a precisão destas é encontrada 
quando calculados os erros de previsão, que apresentaram os seguintes resultados: Erro 
Percentual Médio Absoluto (MAPE)=17,7649, Erro Percentual Médio (EPM)=5,1253, Erro 
Absoluto Médio (EAM)=50,6210 e a Raiz do Erro Médio Quadrático (REMQ)=56,5746. Os 
erros encontrados apresentaram um valor aceitável, com isso foram realizadas as seguin-
tes previsões: 2011 com 296 médicos, 2012 com 328 médicos, 2013 com 321 médicos, 
2014 com 333 médicos e 2015 com 335 médicos. 
Com relação aos cancelamentos, previstos, de registros, entre 2011e 2015, por meio 
de uma regressão linear simples foi estabelecido o valor de , e o valor de resposta , foi 131; 
145; 142; 147 e 148. Ainda partindo do fato que em 2010 a Paraíba, segundo o CRM/PBa, 
registrava 4535 médicos em atividade e com a soma dos valores de médicos previstos para 
efetuarem seu registro no CRM/PB e, subtraindo-se os valores previstos para cancelamen-
tos podemos estimar que no Estado da Paraíba a quantidade de médicos em atividade 
prevista será 4700 em 2011, 4883 em 2012, 5062 em 2013, 5248 em 2014 e 5435 em 2015.
No Estado da Paraíba, a população com 60 anos ou mais, defi nida como idosa, repre-
sentava no ano de 2000, um total de 350.788 pessoas ou 10,19% do total de habitantes. 
No censo de 2010, o número de pessoas nessa categoria aumentou para 451.385, um 
crescimento em relação ao censo anterior de 28,67%. Com os dados dos censos de 2000 
e 2010, disponíveis no site do IBGE, foi possível por meio da função geométrica projetar 
as populações, com 60 anos ou mais, dos anos 2011 a 2015, que são apresentadas a 
seguir: 464.740 habitantes para 2011; 478.555 habitantes para 2012; 492.849 habitantes 
para 2013; 507.641 habitantes para 2014 e 522.953 habitantes para 2015. Um crescimento 
de 2010 para 2015 de 15,86%. 
A Tabela 1, abaixo resume as projeções descritas e demonstra ainda as projeções da 
relação entre médicos e população.
Tabela 1- Projeções de população e médicos (2011-2015)
Anos 2010 2011 2012 2013 2014 2015
Médicos (projeção) 4535 296 328 321 333 335
Médicos proj. cancelamentos 131 145 142 147 148
Número total médicos previsto 4700 4883 5062 5248 5435
População idosa (projeção) 451.385 464.740 478.555 492.849 507.641 522.953
População total/PB (projeção) 3.766.528 3.804.888 3.843.638 3.882.783 3.922.326 3.962.273
Prop. méd. para população total/ PB 831 810 787 767 747 729
Prop. novos méd. relação a pop. idosa 3548 1734 1179 898 733
98
CONCLUSÃO
A Organização Mundial de Saúdeb (OMS), preconiza como parâmetro ideal de aten-
ção à saúde da população a relação de 1 médico para cada 563 habitantes, isto para 
centros com uma rede de serviços bem estruturada. A população paraibana, em 2010 não 
conta com a proporção médica estabelecida pela OMS e pelas projeções até o ano de 2015 
a relação não será alcançada.
Em relação aos médicos com especialidade em geriatria, consta no banco de dados do 
CRM/PB, que até o ano de 2010, onze profi ssionais se registraram como geriatras, um geria-
tra para 41.035 habitantes idoso, número insufi ciente para a proporção da população idosa 
paraibana. Assim, contata-se uma defi ciência de proporções tão expressivas que mesmo rea-
lizando, neste estudo, uma projeção de que, caso todos os novos médicos que ingressarão 
na atividade médica optarem pela especialidade de geriatria, ainda assim não será atingida, 
até o ano de 2015, à proporção de médicos por habitante preconizada pela OMS, pois terí-
amos um médico para cada 729 habitantes e um geriatra para cada 733 habitantes idosos.
REFERÊNCIAS
1. Fundação Instituto Brasileiro de geografi a e Estatística-IBGE – Projeção da população 
do Brasil por sexo e idade: 1980-2050: Revisão 2008/IBGE, Coordenação de População e 
Indicadores Sociais. - Rio de Janeiro: IBGE; 2008.
2. Morettin PA, Toloi CMC. Análise de séries temporais. São Paulo: Edgard Blucher; 2006.
3. Souza RC. Modelos Estruturais para Previsão de Séries Temporais: Abordagens 
Clássica e Bayesiana. In: 17° Colóquio Brasileiro de Matemática. Rio de Janeiro; 1989.
4. Fischer S. Séries univariantes de tempo: metodologia de Box & Jenkins. Porto Alegre, 
Fundação de Economia e Estatística (FEE); 1982.
Sites visitados:
a. Conselho Regional de Medicina –CRM/PB. Pesquisa por especialidade [acesso 
em 15 ago 2011]. Disponível em: www.crmpb.cfm.org.br /index.php?option=com 
_medicos&Itemid=59. 
b. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 25a CONFERÊNCIA SANITÁRIA PAN-
AMERICANA 50a SESSÃO DO COMITÊ REGIONAL Washington, D.C., 21-25 setembro 
1998 Tema 4.6 da Agenda Provisória CSP25/12 (Port.) 15 julho 1998 ORIGINAL: INGLÊS. 
[acesso em: 15 ago 2011]. Disponível em: http://www.who.int 
99
CONHECIMENTO DE IDOSOS SOBRE A OCORRÊNCIA DE QUEDAS
Morganna Guedes Batista- FACENE1
Adriana Lira Rufino de Lucena -FACENE2
Fabiana Ferraz Queiroga Freitas- UFPB3
Cristiane dos Santos Costa- FACENE4
Naracy Vieira de Carvalho Vale -FACENE5
I NTRODUÇÃO 
O crescimento exponencial da população idosa desde o início do século XX é um 
fenômeno mundial e tem sido considerado um importante sinal de desenvolvimento entre 
diversos países1. No Brasil, este processo também vem ocorrendo de forma acelerada, 
havendo uma tendência para continuar aumentando nas próximas décadas. Estima-se que 
o número de idosos em nosso país alcançará 32 milhões no ano de 20202.
O envelhecimento é um processo dinâmico, natural e complexo, o qual envolve impor-
tantes modifi cações fi siológicas, sociais, bioquímicas e também psicológicas que muitas 
vezes podem estar associados a processos patológicos que comprometem signifi cativa-
mente a sua qualidade de vida e a independência funcional dos idosos3. Nesta perspectiva, 
uma das consequências mais discutidas e percebidas durante o envelhecimento atual-
mente relaciona-se a suscetibilidade para a ocorrência de quedas. Segundo o Ministério 
da Saúde em 2006 foram registradas 61.368 hospitalizações por queda de pessoas com 
60 anos ou mais de idade, cujos números representaram 2,8% de todas as internações de 
idosos no país4. 
Compreende-se que evitar os episódios de quedas, considerado um dos indicadores 
de qualidade de serviços para idosos, torna-se uma conduta necessária e essencial para 
aqueles que atuam na prática geriátrica – gerontológica. Somado a isso, a prevenção de 
quedas constitui-se como uma política pública indispensável, não apenas para propiciar 
uma melhor condição de vida e saúde aos idosos e seus familiares como também para 
1 Discente do 6º período do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança - FACENE.
2 Enfermeira. Especialista em Saúde da Famíliapela Faculdade Integradas de Patos (FIP). Mestranda em Ciências da Educação pelo 
Centro Integrado de Tecnologia e Pesquisa (Cintep). Docente da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança (FACENE).
3 Enfermeira. Especialista em Unidade de Terapia Intensiva pela Faculdade de Administração e Negócios de Sergipe. Mestranda em 
Enfermagem do Programa de Pós–Graduação em Enfermagem da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Docente da Faculdade 
de Enfermagem e Medicina Nova Esperança (FACENE/FAMENE).
4 Discente do 6º período do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança - FACENE.
5 Discente do 6º período do Curso de Graduação em Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança - FACENE.
100
possibilitar uma menor sobrecarga dos gastos públicos, os quais poderiam ser revertidos 
para outros fi ns.
Neste sentido, buscou-se com esta pesquisa possibilitar maior aprofundamento sobre 
o tema objetivando-se caracterizar o perfi l sócio-demográfi co, identifi car os fatores de ris-
cos predisponentes, a frequência de quedas em idosos comunitários e averiguar o conhe-
cimento e necessidade de informações sobre episódios de quedas. 
CAMINHO METODOLÓGICO
Estudo do tipo exploratório descritivo, com abordagem quantitativa, onde se tem 
como fi nalidades desenvolver, esclarecer e formular hipóteses pesquisáveis para estu-
dos posteriores5. O estudo foi desenvolvido no Projeto de Extensão e Iniciação Científi ca 
Envelhecimento Saudável da Faculdade de Enfermagem Nova Esperança, no ano 2011. 
A população do estudo foi constituída por idosos cadastrados no projeto, sendo a amostra 
composta de 30 idosos sendo 8 homens e 22 mulheres que aceitaram livremente participar 
da pesquisa assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. 
O instrumento utilizado para coleta de dados foi um questionário estruturado contendo 
questões referentes a caracterização socioeconômica da amostra: sexo, idade, renda e 
escolaridade, como questões referentes a temática estudada, voltadas para atender aos 
objetivos que se propõe a pesquisa. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados foram analisados quantitativamente, sendo agrupados de forma a constitu-
írem tabelas com números absolutos e percentuais. 
A pesquisa evidenciou que é no ambiente domiciliar a maior ocorrência das quedas 
(67%), sendo o banheiro o aposento mais comum (34%) e cujos resultados corroboram 
as pesquisas de autores6, os quais verifi caram, em seu estudo, que a maioria das que-
das entre os idosos ocorreram no próprio lar (66%), e foram relacionadas, principalmente, 
ao ambiente físico inadequado (80%). O banheiro foi mencionado como o cômodo mais 
comum para este tipo de acidente entre a população idosa7. Porém, outras pesquisas8, 
apontam resultados diferenciados em relação ao cômodo, destacando o quarto (13%), a 
sala (13%) e a cozinha (13%) como importantes locais para a ocorrência das quedas.
É fundamental identifi car o local onde ocorreu a queda a fi m de relacionar os fatores 
ambientais causadores da mesma com vistas a viabilizar um planejamento de medidas 
101
preventivas de segurança. Neste sentido, ressaltamos que uma avaliação periódica dos ris-
cos no ambiente doméstico é um importante requisito a ser assegurado pelos profi ssionais 
de saúde envolvidos.
Quanto à caracterização sócio-demográfi ca dos entrevistados podemos destacar a 
tabela abaixo:
Tabela 1: Caracterização sócio-demográfi ca dos idosos.
A pesquisa demonstrou que os acidentes guardam uma correlação com os estudos 
referenciados em relação à presença ou não de acompanhantes durante o evento, ou seja, 
65% dos que sofreram quedas mencionou não estar acompanhado. Sobre o tema, alguns 
autores9, afi rmam que a maioria dos estudos evidenciam ser a prevalência de quedas maior 
em indivíduos que não apresentam vida conjugal e moram sozinhos. Isso pode ser justifi cá-
vel, pois a convivência pode ocasionar um cuidado mútuo entre parceiros e possivelmente 
reduzir a ocorrência de quedas entre aqueles que vivem com companheiro (a). A tabela II 
apresenta o conhecimento e necessidade de informações dos idosos sobre prevenção de 
quedas.
102
Tabela 2: Opiniões dos idosos em relação ao autoconhecimento e necessidade
de informações sobre quedas.
Variáveis N %
Você acha ter conhecimento adequado sobre como pre-
venir as quedas?
SIM
NÃO
12
18
40,0
60,0
Você já recebeu orientações de um profi ssional de saú-
de em relação à prevenção de quedas?
SIM
NÃO
05
25
17%
83%
Você gostaria de obter mais informações sobre como 
prevenir as quedas por parte dos profi ssionais de saúde?
SIM
NÃO
30
0
100
0,0
É relevante ressaltar que 60% (18) dos entrevistados mencionaram não ter conheci-
mentos sobre aspectos preventivos relacionados às quedas em mesmo tempo que mencio-
naram interesse na temática, merecendo refl exão para os profi ssionais da área de saúde 
em aproveitar o interesse demonstrado pelos idosos para propiciar ações preventivas e 
consequentemente melhorar o nível de conhecimento entre os mesmos.
Em relação à participação dos profi ssionais de saúde no que se refere às orientações 
ofertadas aos idosos sobre a prevenção para ocorrência de quedas observou-se que 83% 
(25) deles negaram ter recebido algum tipo de informação. 
CONCLUSÃO
Após a análise dos dados pôde-se constatar que a queda é um evento frequente entre 
os idosos, sendo considerado um importante problema de saúde pública devido às reper-
cussões que as mesmas podem ocasionar a vida deste grupo etário. Acredita-se que ações 
de promoção e prevenção para os episódios de riscos podem ser desenvolvidos com o 
intuito de minimizar não apenas a freqüência, como também as complicações relacionadas 
a estes eventos. Esperamos que com estes resultados possamos subsidiar novas pesqui-
sas sobre a temática abordada despertando refl exões dos acadêmicos e profi ssionais de 
saúde para desenvolver e programar estratégias que minimizem os episódios de quedas e 
suas complicações entre os idosos.
103
REFERÊNCIAS
1. Álvares LM, Lima RC, Silva RA. Ocorrência de quedas em idosos residentes em insti-
tuições de longa permanência em Pelotas, Rio Grande do Sul, Brasil. Cad. Saúde Pública. 
2010; 26(1):31-40.
2. Gonçalves LG et al. Prevalência de quedas em idosos asilados do município de Rio 
Grande, RS. Rev Saúde Pública, 2008; 42(5):938-945.
3. Freitas EV, et al. Tratado de geriatria e gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
Koogan; 2006.
4. Ministério da Saúde (BR). Quedas em idosos. 2006. Disponível em: http:// www.data-
sus.gov.br. Acesso em 24 set 2011.
5. Gil AC. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4ª ed. São Paulo: Atlas; 1999.
6. Fabrício SCC, Rodrigues RAP, Costa Júnior ML. Causas e consequências de quedas 
de idosos atendidos em hospital público. Rev. Saúde Pública, 2004; 38(1):93-99.
7. GANANÇA FF et al. Circunstâncias e Consequências de Quedas em Idosos com 
Vestibulopatia Crônica. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. 2006; 72(3). 
8. RODRIGUES, K.L.; HONDA, C.M.; BURITI, M. A. Problema da perda de equilíbrio 
na terceira idade: fatores de risco e consequências. Revista Fisio&terapia, v. 43, n. 8, p. 
32-37, 2009.
9. Peracini MR, Ramos LR. Fatores associados a quedas em uma pesquisa coorte de 
idosos residentes na comunidade. Revista de Saúde Pública. 2002; 36(6):709-716. 
104
AVALIAÇÃO DO NÍVEL DE SATISFAÇÃO E PERFIL DOS IDOSOS 
ATENDIDOS NA CLÍNICA ESCOLA DE FISIOTERAPIA DE UMA 
INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR DO ALTO SERTÃO PARAIBANO
FERNANDES, Roberta Maria da Costa1; GOMES, Maria dos Milagres Fernandes1; GUEDES, 
Viviane Valéria de Caldas2; LIMA, Gisiane Cruz de1; PEREIRA, Wismary Fernandes1.
1. Acadêmicos do Curso de Bacharelado em Fisioterapia das
Faculdades Integradas de Patos – FIP.
2. Orientadora, Coordenadora da Clinica Escola de Fisioterapia das Faculdades
Integradas de Patos – FIP e Mestranda em Ciências da Educação – Lusófona Portugal.
 
INTRODUÇÃO
O envelhecimentoé um processo no qual o organismo sofre um declínio de suas 
capacidades devido a alterações naturais irreversíveis ocorridas com o passar do tempo 
que ocorrem de forma espontânea ou patológica. Associado a esse processo, observa-
mos alterações funcionais, psicossociais, nutricionais, entre outras, à medida que ocorre a 
senescência (MORELLI, 2004). O envelhecimento humano está associado a uma série de 
perdas, limitações e difi culdades mas, mesmo assim, não se pode considerar a velhice só 
como uma doença ou só como um problema. Porque, dessa forma, se estaria reduzindo o 
entendimento de todo um processo somente um determinado grupo social ou só para algu-
mas de suas características acessórias, fato que poderia comprometer a análise, especial-
mente se a intenção é analisá-lo de uma forma distinta das que são apontadas em algumas 
das pesquisas em geriatria e gerontologia (WITTER, 2006). Sendo o envelhecimento um 
conjunto de complexidades fi siológicas e mecânicas adquiridas durante todo o período da 
vida, justifi ca-se a importância desse estudo, que pretende verifi car o grau de satisfação dos 
idosos atendidos na Clínica Escola de Fisioterapia de uma Instituição de Ensino Superior 
do Alto Sertão Paraibano. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi Traçar o perfi l do idoso 
e analisar o seu grau de satisfação no atendimento de uma Clinica Escola de Fisioterapia 
de uma Instituição de Ensino Superior do Alto Sertão Paraibano, bem como identifi car as 
patologias com maior incidência nos idosos que procuram os serviços de Fisioterapia.
105
METODOLOGIA
A pesquisa é um estudo analítico com abordagem quantitativa sem intervenção, reali-
zada na Clínica Escola de Fisioterapia de uma Instituição de Ensino Superior do Alto Sertão 
Paraibano. Os instrumentos para coleta de dados foi uma entrevista com os pacientes da 
Clínica Escola. A pesquisa foi desenvolvida com os pacientes idosos com idade superior a 
60 anos atendidos na Clinica de Fisioterapia de uma Instituição de Ensino Superior do Alto 
Sertão Paraibano no período da pesquisa. A amostragem será do tipo não probabilística, 
por conveniência, baseada no critério da acessibilidade. Para caracterizar a amostra, utili-
zamos um questionário sócio demográfi co para verifi car o perfi l e a satisfação dos idosos 
atendidos na Clinica Escola de Fisioterapia, onde foram aplicados nos turnos matutino e 
vespertino que irá avaliar o grau de satisfação dos idosos atendidos na Clinica Escola da 
instituição. Para conhecer o perfi l, o instrumento de coleta de dados foi com base em con-
sultas das fi chas de avalição Fisioterapêuticas dos idosos da Clínica-Escola de Fisioterapia. 
O questionário compreenderá questões previamente elaboradas pelos pesquisadores foca-
lizando dados de identifi cação e aspectos específi cos relacionados à pesquisa, totalizando 
dez questões. Critérios de inclusão são pacientes com idade maior que 60 anos e paciente 
com tempo de atendimento superior a um mês. Nas questões de dados de identifi cação 
foram contemplados indicadores tais como turno de atendimento, idade, gênero, cidade e 
especialidade do atendimento. As perguntas do questionário eram objetivas, facilitando as 
respostas dos participantes da pesquisa. Cada um dos participantes recebeu um código, 
para uma posterior identifi cação.
RESULTADOS
A pesquisa teve como amostra 25 idosos, com idade mínima de 60 anos e máxima de 
89 anos, sendo a média de idade 71,4 anos, distribuídos em 16 idosos do sexo feminino 
e 9 idosos do sexo masculino, com tempo de atendimento superior a um 1 mês. Foram 
entrevistados pacientes nos turnos manhã e tarde, constituído de 11 pacientes do turno da 
manhã e 14 pacientes do turno da tarde. Os idosos participantes da pesquisa são atendidos 
em diversas especialidades; sendo que dentro destas, as encontradas foram neurologia, 
pneumologia, geriatria, traumato-ortopedia, reumatologia e cardiologia. De acordo com as 
especialidades os pacientes entrevistados apresentaram uma prevalência nas áreas de 
geriatria e reumatologia, ambos com uma porcentagem de 24%. Enquanto a área com 
menor índice de procura dos entrevistados foi a área de traumato-ortopedia, com uma por-
centagem de 4%. Na área de neurologia obtivemos uma porcentagem de 20%, na área de 
pneumologia a procura totalizou um uma porcentagem de 16% e na área de cardiologia a 
106
porcentagem encontrada foi 12%. Deste modo, o perfi l encontrado na pesquisa são idosos 
com patologias em sua maioria relacionadas a problemas adquiridos pela senescência, o 
que os enquadram na área de atendimento de geriatria e doenças reumáticas, levando 
esses idosos para o atendimento de especialidade de reumatologia. E apesar das quedas 
serem um problema constante em idosos, a menor procura por atendimento foi na área de 
traumato-ortopedia. Em relação ao nível de satisfação do atendimento da Clínica Escola, 
foi analisado um questionário com um total de 10 questões objetivas, analisando a satisfa-
ção nos níveis bom, regular e ótimo. As questões abordadas no questionário referiam-se 
ao tempo de espera pelo atendimento, acolhimento, orientações sobre o atendimento, a 
estrutura física da clínica, atenção/abordagem, relação terapeuta/paciente, frequência do 
atendimento, número de acadêmicos para a realização do atendimento, duração e efi cácia 
das sessões e rodízios dos acadêmicos, respectivamente. A tabela 1 mostra os resultados 
obtidos:
Tabela 1. Questionário de Satisfação dos Pacientes
Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Q6 Q7 Q8 Q9 Q10
Regular 5 1 1 1 0 0 1 4 1 2
Bom 14 12 12 10 10 9 12 13 14 11
Ótimo 6 12 12 14 15 16 12 8 10 12
Total 25 25 25 25 25 25 25 25 25 25
De um modo geral a avaliação foi positiva especialmente nos quesitos relação tera-
peuta/paciente, as instalações físicas da clínica, quanto ao esclarecimento e orientação, e 
a recepção/acolhimento, e a questão 5 (cinco) do questionário que refere-se a atenção e 
abordagem oferecidos por todos os integrantes da Clinica, funcionários e demais profi ssio-
nais, não recebeu nenhum regular durante a avaliação.
DISCUSSÃO
Beattie et al (2005), afi rmam que a satisfação do paciente em uma clínica escola está 
diretamente relacionada aos elementos que se referem à interação do paciente com seu 
terapeuta. Assim, fatores como tempo adequado gasto na terapia, terapeutas que demons-
tram habilidades bem desenvolvidas de comunicação, estrutura do ambiente, sensação de 
segurança também deve ser levado em conta e explicações claras sobre o tratamento a ser 
seguido seriam mais importantes para a satisfação do paciente. 
107
Segundo Monnin e Perneger (2002), a satisfação do paciente está relacionada 
com o grau de satisfação com que são respondidas às perguntas do paciente, fornecem 
informações e demostra respeito, gentileza, segurança e confi ança e tornando visível a 
importância da humanização entre o profi ssionais, aluno e o paciente.
CONCLUSÃO
A pesquisa realizada na Clínica Escola de Fisioterapia foi bastante relevante, pois a 
partir desta, podemos obter informações com relação ao perfi l dos idosos atendidos neste 
serviço, bem como as principais patologias que acometem esses indivíduos. Com relação 
ao nível de satisfação dos pacientes os resultados fi caram entre bom e ótimo com escores 
apresentando efeitos expressivos para nove das dez perguntas que compunham o nosso 
questionário. Diante do exposto, observa-se que o público alvo deste trabalho apresenta 
um bom nível de satisfação resultando em uma opinião positiva homogênea sobre a serie-
dade e competência do trabalho realizado por todos que fazem a Clínica-Escola.
REFERÊNCIAS
BEATTIE, P.; PINTO, M.; NELSON, M.; NELSON, R. Patient satisfaction with outpatient 
physical therapy: instrument validation. Phys Ther., 2002.
 MONNIN, D.; PERNEGER, TV. Scale to measure patient satisfaction with physical ther-
apy. Phys Ther., 2002.
REBELATTO, J.R.; MORELLI, J.G. Fisioterapia Geriátrica:prática da assistência do 
idoso. 2.ed. Barueri, SP: Manole, 2007.
WITTER, Geraldina Porto. Envelhecimento: Referenciais Teóricos e Pesquisas. 
Campinas, SP: Editora Alinea, 2006
108
SERÁ QUE A POLÍTICA PÚBLICA DE PREVENÇÃO DO CÂNCER 
CÉRVICO-UTERINO CONTEMPLA A FASE DE ENVELHECIMENTO?
Smalyanna Sgren da Costa Andrade- UFPB
 Merifane Januário de Sousa – Hosp. Edson Ramalho
INTRODUÇÃO
Recentemente, o processo de envelhecimento é uma das preocupações da huma-
nidade em decorrência da natural tendência de aumento do número de idosos em todo o 
mundo. A participação desta parcela populacional no total nacional dobrou nos últimos 50 
anos e projeções demográfi cas indicam que este segmento será responsável por 15% da 
população brasileira no ano de 2020 (1).
A dimensão do envelhecimento vai além do contexto biológico, necessitando de ações 
em favor dessa população, através de políticas de caráter mais preventivo e promocional, 
gerando assim, estratégias que contribuam para a manutenção da qualidade de vida, mini-
mizando a desigualdade e investindo nos indivíduos ao longo do ciclo vital (2).
Contudo, percebe-se que o envelhecimento ainda ganha maior expressão na socie-
dade, devido a crescente busca aos serviços de saúde por parte dos idosos, sendo isto um 
refl exo das doenças próprias do envelhecimento, as crônico-degenerativas, que perduram 
por vários anos e exigem acompanhamento constante, e cuidados permanentes, como 
exames rotineiros e medicação contínua (3). Desta maneira, as políticas públicas ainda con-
vergem para a melhoria da atenção à saúde do idoso no que se refere aos aspectos perti-
nentes à senilidade.
Com efeito, o rastreamento das mulheres idosas para realização do exame Papanicolau 
se constitui uma responsabilidade da equipe de saúde, e é preciso ter um olhar mais apu-
rado às questões do envelhecimento, à medida que tanto as afecções vaginais, quanto 
o câncer de colo uterino, são problemas que podem repercutir diretamente no bem-estar 
dessas mulheres, dada a fragilidade do processo de senescência.
Este estudo objetivou identifi car a quantidade de mulheres idosas que buscaram o 
exame Papanicolau no período de 2004 a 2009, a partir dos registros de citologia oncótica 
em uma Unidade de Saúde da Família. A aproximação com essa temática surgiu da par-
ticipação voluntária em um projeto de extensão fi nanciado pela Universidade Federal da 
Paraíba, cuja proposta envolveu a prevenção do câncer de colo uterino e de mama. 
109
Durante as atividades de extensão, percebeu-se que a maioria das mulheres que 
buscava o exame Papanicolau se inseria em uma faixa etária compatível com a jovialidade, 
ressaltando a necessidade de pesquisar o quantitativo de mulheres idosas inseridas nesta 
estratégia de rastreamento, para posterior refl exão do impacto das ações determinadas por 
políticas públicas de saúde. 
METODOLOGIA
Estudo do tipo documental e retrospectivo, de abordagem quantitativa, desenvolvido 
em uma Unidade de Saúde da Família, no Distrito Sanitário de Saúde V, no município 
de João Pessoa – PB. A Unidade Integrada de Saúde da Família é composta por quatro 
Unidades de Saúde da Família, onde todas desenvolvem o Programa Nacional de Controle 
do Câncer do Colo do Útero e de Mama, o “Viva Mulher”, no entanto, esta pesquisa foi 
desenvolvida em apenas uma das unidades, por ser a única do complexo a possuir os 
registros dos exames de Papanicolau durante um maior período de atendimento. 
A busca das informações foi realizada nos livros de registro de citologia oncótica. Foi 
levantado o total de mulheres que realizaram o exame no período de 2004 a 2009, sendo a 
delimitação da amostra, apenas as mulheres idosas, ou seja, aquelas com idade acima de 
60 anos. Os dados foram coletados nos meses de novembro e dezembro de 2010.
Para efetivação da pesquisa foram obedecidos os critérios estabelecidos na Resolução 
Nº 196/96, que regulamenta a pesquisa em seres humanos e acesso a dados pessoais do 
cliente para fi ns de pesquisa (4). Foi mantido o sigilo sobre a história clínica individual de 
cada atendimento, foi fornecida apenas a idade, fi cando assim impossível a identifi cação 
de qualquer mulher. A certidão de aprovação do Conselho de Ética em Pesquisa (CEP) do 
Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW) foi nº 731/10.
As informações coletadas foram organizadas de forma a constituírem um banco de 
dados no aplicativo Excel do programa Microsoft Offi ce Professional Plus 2010, para a 
representação gráfi ca e posterior análise à luz da literatura pertinente. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A busca nos livros de registro de citologia oncótica revelou que 1.510 mulheres se 
submeteram a coleta de citológico no período de 2004 a 2009. Deste total, apenas 27 
(1.78%) mulheres se enquadraram no critério de inclusão da amostra, ou seja, possuíram 
idade igual ou superior a sessenta anos (Figura 1).
110
É perceptível a redução expressiva de registros de mulheres idosas (acima de 60 
anos) que procuraram o serviço ginecológico. Esse dado sugere que talvez a busca pelo 
exame esteja diretamente ligada à vida sexualmente ativa, já que as idosas passam por 
alterações hormonais que repercutem no declínio da atividade sexual. 
No que tange as modifi cações fi siológicas dessa fase, infl uenciadas pelas alterações 
hormonais, podem-se apontar algumas mudanças sexuais, tais como a diminuição ou 
ausência do desejo sexual, os quais causam desconforto no momento da relação, criando 
uma situação delicada, muitas vezes gerando repulsa do parceiro (5). Além disso, em nossa 
cultura, é esperado que o idoso não sinta desejos relacionados a atividade sexual, do con-
trário esse desejo é considerado uma atitude imoral (6). 
Ante ao contexto, apesar de não possuirmos dados qualitativos que justifi quem a 
quantidade mínima de idosas na busca do exame. Deduz-se que elas possam atribuir ao 
mesmo, à conotação de prevenção de agravos decorrentes da atividade sexual, sendo 
talvez a não busca ao Papanicolau, uma confi rmação para a sociedade, de que elas não 
possuem vida sexualmente ativa.
Consoante ao discurso, no Brasil, o Papanicolau é a estratégia de rastreamento reco-
mendada pelo Ministério da Saúde prioritariamente para mulheres de 25 a 59 anos devido 
ao maior risco de desenvolvimento de lesões intraepiteliais percursoras do câncer de colo 
uterino (7). Neste aspecto, percebe-se que em virtude do cumprimento de metas de saúde, 
as mulheres idosas fi cam a margem dessa estratégia utilizada pelos serviços, sendo o 
rastreamento e a busca ativa de usuárias na senectude uma ação pouco executada pelos 
111
profi ssionais. Assim, a promoção da saúde deve ser efetivada por meio de parcerias inter-
setoriais, da participação popular e responsabilização coletiva.
A garantia de estratégias de promoção da saúde e prevenção de doenças, principal-
mente voltadas à educação sexual e reprodutiva, assim como o acolhimento e a realização 
do exame preventivo para o câncer do colo do útero em usuárias que têm atividade sexual – 
e as que não têm, a procurarem os serviços de saúde, devem articular as ações na atenção 
integral à saúde da mulher (8). 
CONCLUSÃO 
Mediante o contexto, a busca ao exame preventivo deve se entender as mulheres 
em todas as faixas etárias, fortalecendo a idéia de integralidade do cuidado à saúde em 
diferentes fases da vida. Desta forma, propostas e planos de ação em saúde pública não 
devem se restringir ao fato de cumprimento de metas, tampouco a papéis privativos de pro-
fi ssionais específi cos, sugerindo a responsabilização a toda a equipe de saúde em parceria 
com a comunidade, mudanças nos hábitos de vida incompatíveis com o bem-estar.
Refl etir sobre senectude feminina causa uma inquietação que vai além dos elementos 
e categorias geralmente utilizados para estereotipá-la em sua classifi cação e normatização. 
Portanto, é essencial que a mulher em diferentes fases da vida desfruteacupun-
tura, encontramos-1) Alívio das dores; 2) Locomoção; 3) Melhora na qualidade do sono; 
4) Melhora da auto-estima; No que se refere as difi culdades encontradas pelo idoso para 
realização da acupuntura, encontramos:1) Religião; 2) Falta de conhecimento a respeito da 
acupuntura.
CONCLUSÃO
O tratamento acupuntural realizado através de técnicas simples contribuiu de forma 
signifi cativa para que no século XX ocorresse uma verdadeira revolução da longevidade, 
que tende a se perpetuar por muito tempo, tornando-se muito maior no século seguinte. A 
importância da acupuntura nasce da premissa que o idoso quando tratado logo ao inicio do 
aparecimento dos primeiros sintomas tem maior probabilidade do não desenvolvimento de 
incapacidades já que seu acompanhamento começa a partir da desarmonia energética bio-
fi siológica. Neste tocante, o crescimento da população da terceira idade passará por proble-
mas comportamentais e também psicológicos grandiosos em um futuro próximo, já que são 
poucos os incentivos por parte das instituições de saúde e por órgãos governamentais.O 
Brasil em especial sofrerá um pouco mais, além de ser um país de terceiro mundo o aumento 
desta população é mais evidente, deixando estes idosos sem amplitude futura. Contudo, 
esses idosos passarão por tormentas em todos os aspectos se a partir de agora não for 
criada uma política de cuidados intensivos ao idoso, que funcione aliviando no mínimo seus 
9
sinais e sintomas patológicos decorrentes de sua idade. Assim, o enfermeiro é habilitado 
a exercer a acupuntura, desde que tenha cursado essa especialização que tem a duração 
de dois anos, seja em hospitais, PSF (se regulamentado pelo Estado e Município) ou na 
comunidade.Portanto, o COFEN, na resolução 197, deixa claro que a Acupuntura pode ser 
praticada por Enfermeiros, desde que seja especialista em Acupuntura com carga horária 
adequada e reconhecido pelo MEC.Os resultados do estudo possibilitaram traçar um per-
fi l dos participantes, analisando qualitativamente a necessidade de um acompanhamento 
efetivo aos idosos que apresentam obstáculos e/ou restrições no seu desenvolvimento, 
diminuindo a segregação dos mesmos.Segundos os dados coletados na pesquisa, encon-
tramos relação de melhora signifi cativa do quadro clínico dos idosos com terapia simples 
e de custos baixos. Qualitativamente, os mesmos referem evolução na qualidade de vida, 
corroborando ao controle da dor por acupuntura desde o aparecimento dos primeiros sinto-
mas, contemplando desta forma os benefícios acupunturais no alívio das dores e melhora 
do sono. 
REFERÊNCIA
1.GUYTON, A. C. Tratado de fi siologia médica. Guanabara Koogan. São Paulo, 2002.
2.HORTA W. de A. Processo de enfermagem. São Paulo: EPU/EDUSP, 1979.
3.PAVARINI, S. C. I. Dependência comportamental na velhice: uma análise do cuidado 
prestado ao idoso institucionalizado. 1996. Tese (Doutorado em Enfermagem)- UNICAMP, 
Campinas, 1996.
10
ATENDIMENTO HUMANIZADO AO IDOSO:CONHECIMENTO DE 
ENFERMEIROS EM UNIDADES DE SAÚDE DA FAMÍLIA
Jane Sibelle Idelfonso Sabino, Faculdades Integradas de Patos-FIP
Anchella Marla Dantas, Faculdades Integradas de Patos-FIP 
Camila Cayane Santos Fernandes, Faculdades Integradas de Patos-FIP 
Tarciana Sampaio Costa, Faculdades Integradas de Patos-FIP
Ankilma do Nascimento Andrade, Faculdade Santa Maria – FSM,
Faculdades Integradas de Patos- FIP
INTRODUÇÃO
O Brasil vivencia uma grande mudança em seu perfi l demográfi co e vem adquirindo 
características que em pouco tempo o tornará um país de pessoas idosas, despertando 
assim, o interesse pelo tema por pesquisadores, governo e pela sociedade. Este fato gerou 
um impacto marcante nos serviços de saúde, sendo as políticas públicas existentes, inefi -
cientes se não priorizarem a demanda de uma sociedade em processo de envelhecimento.
Em 2006, surge a Política Nacional de Humanização (PNH), lançada pelo Ministério 
da Saúde, que desenvolve um trabalho em consonância com o SUS, visando desfragmen-
tar os processos de trabalho, priorizando a integralidade da atenção na busca coletiva de 
saúde(1). Considera a humanização como um oferecimento de um atendimento qualifi cado, 
fazendo uso da tecnologia e ao mesmo tempo utilizando o acolhimento no ambiente de 
cuidado. Uma das causas para a implantação da PNH é a necessidade de uma qualifi ca-
ção visível dos profi ssionais para lidar com as dimensões subjetivas e sociais do processo 
saúde/doença. Por meio desta política, é garantido aos usuários o acesso à informações 
gerais sobre saúde, entre elas os direitos do código dos usuários do SUS. O profi ssional de 
saúde que pretende humanizar o atendimento deve estar ciente de que uma pessoa que 
adoece, em especial, os idosos precisam de cuidados qualifi cados(2). 
Reportando-se ao atendimento ao idoso nas Unidades de Saúde da Família/USF 
infelizmente segue uma padronização, na qual o cliente é atendido com normas e rotinas 
diárias que em sua maioria seguem um protocolo sistemático. Distanciando-se do real 
signifi cado de um atendimento humanizado, muitas vezes o idoso não é visto como um ser 
humano potencial, apenas como um condutor de refl exos degenerativos da idade(3). Diante 
do exposto o estudo tem como objetivo analisar o conhecimento dos enfermeiros sobre a 
humanização durante o atendimento ao idoso em Unidades de Saúde da Família.
11
 METODOLOGIA
A pesquisa constou de estudo do tipo exploratório-descritivo, com abordagem quali-
tativa. Foi desenvolvida nas Unidades de Saúda da Família, zona rural, do município de 
Cajazeiras-PB. A população e amostra foram compostas por 11 enfermeiros da Estratégia 
Saúde da Família. 
Os dados foram coletados em maio de 2011, nas USF, com data e horários previa-
mente agendados pela Coordenação da Atenção Básica. Optou-se pela técnica de análise 
Discurso do Sujeito Coletivo/DSC, que permite o resgate das opiniões coletadas, mediante 
transcrição das respostas adquiridas, seguida pela apreensão das palavras chaves, iden-
tifi cação das idéias centrais, seleção do discurso e elaboração dos quadros. Consiste num 
conjunto de procedimentos de tabulação de dados discursivos utilizados na pesquisa quali-
tativa que permite resgatar a compreensão sobre um determinado tema num dado universo. 
O Discurso do Sujeito Coletivo é a reunião num discurso-síntese das expressões-chave que 
manifestam a idéia central. Salienta-se que este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética 
em Pesquisa – CEP, da Faculdade Santa Maria, conforme protocolo número 632122010. 
RESULTADOS E DISCUSSÕES 
Os resultados foram descritos em idéias centrais para melhor compreensão e análise 
do discurso do sujeito. Neste sentido, quando indagados sobre quais as estratégias que 
você utiliza para a efetivação do cuidado humanizado? Surgiram as idéias centrais: Saber 
escutar, dar atenção e atender bem. 
É necessário que os profi ssionais procurem inovarem e implementarem estratégias 
adequadas para lidar com a pessoa idosa, pois o mesmo encontra-se com medos, receios, 
desesperançoso, e necessita de um ambiente acolhedor, alegre, aconchegante e agradável 
para que possa sentir a vontade de retornar e da continuidade a assistência que o mesmo 
está necessitando no momento. 
Visualizar e defender como fundamental a presença da pessoa na família e na socie-
dade de forma alegre, participativa, construtiva, é uma das importantes lições daqueles 
que abraçaram a proposta de atenção básica resolutiva, integral e humanizada, não deve 
aceitar apenas a longevidade do ser humano como a principal conquista da humanidade 
contemporânea, mas que esse ser humano tenha garantida uma vida com qualidade, feli-
cidade e ativa participação no seu meio(4).
Questionados sobre qual o entendimento sobre humanização, emergiram as seguin-
tes idéias centrais: Respeito, atenção e igualdade
12
Os discursos revelam que a humanização é ter respeito, atenção e igualdade na 
assistênciade sua sexua-
lidade de forma saudável, respeitando sua subjetividade na busca do conhecimento de 
seus próprios pensamentos, emoções, valores e desejos, em vez de relegá-los ao segundo 
plano em vista de parâmetros pré-fi xados na sociedade (9).
REFERÊNCIAS
1. Camarano AA. Envelhecimento da população brasileira: uma contribuição demográ-
fi ca. Tratado de geriatria e gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 
2006. 
2. Oliveira TC, Araújo TL, Moreira TM. Avaliação de fatores de risco para alterações car-
diovasculares e de alterações oculares em grupo de idosos. Rev. Nursing. 2003; 56(6), 
15-21.
3. Lima-Costa MF, Veras R. Saúde pública e envelhecimento. Cad. Saúde Pública. 2003; 
19(3):700-701.
112
4. Ministério da Saúde (Br) Resolução nº 196/96 sobre pesquisa envolvendo seres 
humanos. Conselho Nacional de Saúde. Comissão de Ética e Pesquisa – CONEP. 
Brasília, 1996.
5. Oliveira DMJ, Jesus MCP, Merighi MAB. Climatério e sexualidade: a compreensão 
dessa interface por mulheres assistidas em grupo. Texto contexto - enferm. [online], 
2008; 17 (3), 519-526. ISSN 0104-0707.
6. Santos SS. Sexualidade e a velhice: uma abordagem psicanalítica. Tratado de geria-
tria e gerontologia. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2006.
7. Ministério da Saúde (Br). Estimativa 2010: Incidência de câncer no Brasil. 
[site de Internet] Disponível em: http://www.inca.gov.br/estimativa/2010/index.
asp?link=conteudo_view.asp&ID=5 [Citado em 2011 set 16]. 
8. Ministério da Saúde (Br). Controle dos cânceres do colo uterino e da mama. Brasília; 
2006.
9. Zaccara AAL, Andrade SSC, Leite KNS, Costa TF, Silva BL, Silva FMC. Sexualidade 
em idosas: um estudo bibliográfi co. Anais do II Colóquio Luso-Brasileiro sobre saúde, 
educação e representações sociais; 2010 nov 22-25; João Pessoa, Brasil. João 
Pessoa: Universidade Federal da Paraíba; 2010; ISBN 978-85-7745-640-6.
113
EDUCAÇÃO EM SAÚDE VOLTADA AOS IDOSOS NA ESTRATÉGIA 
SAÚDE DA FAMÍLIA: IMPASSES, DESAFIOS E POSSIBILIDADES
Verbena Santos Araújo – UFPB/FMN
INTRODUÇÃO
As práticas educativas enquanto caminho integrador do cuidar, caracteriza-se como 
um excelente espaço de refl exão-ação, norteado por inúmeros saberes técnico-científi cos 
e populares, culturalmente signifi cativos para o exercício da democracia, capaz de promo-
ver mudanças individuais signifi cativas e prontidão para atuar na comunidade e na família, 
interferindo no controle e na implementação de políticas públicas em prol de uma transfor-
mação social(1). 
Mediante ao panorama atual observado no Brasil, no que diz respeito ao aumento da 
expectativa de vida das pessoas, onde estima-se que o índice de idosos chegará a 106,8% 
em 2050(2), torna-se de extrema importância conhecer as experiências vivenciadas pelos 
profi ssionais de saúde envolvidos nos processos de Educação em Saúde para idosos na 
Estratégia Saúde da Família. Neste sentido, este trabalho elegeu como objetivo: identifi car 
e compreender os impasses, desafi os e possibilidades das práticas de educação em saúde 
voltadas aos idosos na Estratégia Saúde da Família.
METODOLOGIA 
A pesquisa foi inserida numa abordagem qualitativa e subsidiada a partir da estratégia 
da História Oral Temática, e para sua viabilização elegeu-se como instrumento, a técnica 
de entrevista. 
O trabalho foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Universitário 
Lauro Wanderley-UFPB, sob o protocolo no. 093/10. Todas as etapas metodológi-
cas foram norteadas pelas observâncias éticas contempladas nas Diretrizes e Normas 
Regulamentadoras da Pesquisa Envolvendo Seres Humanos, estabelecidas pela Resolução 
nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde(3). 
Os cenários da pesquisa foram as Unidades Básicas de Saúde da Família que traba-
lham ou já trabalharam com Educação em Saúde voltadas para os Idosos, na Cidade de 
114
Campina Grande/PB, de onde foi selecionada a rede de estudo proposta, constituída por 
doze participantes, identifi cadas por pseudônimos para resguardar o caráter confi dencial 
das informações, fazendo alusão a pedras preciosas.
Esse estudo foi direcionado de acordo com os pressupostos teóricos(4) de acordo com 
a pergunta de corte: Quais os impasses, desafi os e possibilidades encontrados nas práticas 
educativas direcionadas aos idosos na ESF?
A discussão do material produzido foi toda guiada pelo tom vital das narrativas, prece-
dida por leituras exaustivas e iluminadas pelos autores que compõem a literatura pertinente.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As ações educativas podem ser executadas em qualquer ambiente: como enferma-
rias, consultórios, salas de aula, grupo terapêutico, unidades de saúde, salas de espera e 
outros, desde que haja um propósito e ambiente propício(5).
Então, na Estratégia Saúde da Família, transformar a sala de espera em espaço de 
estreitamento das relações e diálogo entre o idoso e o educador em saúde é de suma 
importância, já que é um local de aconchego para os usuários, de partilha e de conversa, 
onde pode-se estimular a humanização do atendimento, proporcionar um ambiente de aco-
lhimento, principalmente aos idosos e familiares que utilizam os serviços de saúde. Sobre 
essa condição de execução de ações educativas na sala de espera a colaboradora a seguir 
tece seu depoimento: [...] a sala de espera é realmente o local preferido para fazermos as 
ações de educação em saúde. [...] nesse momento a gente tenta trabalhar com eles temas 
importantes.... (Alexandrita).
Sendo assim, um atendimento individual ou coletivo, com esses usuários, pode e 
deve ser um momento de rico aprendizado mútuo, pois pode ajudar bastante no contexto 
saúde-doença como mecanismo de orientação e troca, entre o profi ssional de saúde e o 
usuário, principalmente quando este é idoso e necessita de um atendimento especializado. 
Discursos como o da colaboradora Pérola revelam essa tendência, como forma de se apro-
ximar ao máximo do idoso: [...] durante a consulta nós conversamos com os idosos, os 
orientamos, damos explicações, os escutamos...
Porém, nota-se que é nos grupos onde há condições mais propícias ao desenvolvi-
mento de ações educativas em saúde mais efi cazes, como a maior disponibilidade para 
a apreensão e debate de informações e a troca de experiências entre os participantes. A 
atividade de grupo representa “uma oportunidade singular de repor a questão saúde no 
espaço coletivo, aprofundar aprendizados, fortalecer vínculos, propor abordagens lúdicas, 
115
dimensões ainda pouco valorizadas no contexto assistencial”(6). Em relação a esse método 
de abordagem grupal, as colaboradoras revelaram inúmeras experiências satisfatórias, 
dentre as quais destaca-se: [...]trabalhar com grupos é muito bom, pois a partir do momento 
em que os idosos participam desses encontros, e eles são sempre muito participativos com 
relação a sua saúde, então param de fi car esperando só pela sua família para tomar a ini-
ciativa... (Opala)
Nos grupos criam-se vínculos importantes entre os participantes e entre eles e os 
profi ssionais de saúde, otimizando o tempo e estreitando as relações de confi ança entre 
os sujeitos envolvidos, tornando a comunicação mais efi caz e a interpretação mais fácil, 
funciona como um fi ltro de onde passam apenas aqueles problemas pessoais e intransfe-
ríveis ou de caráter mais peculiar. Sobre o trabalho educativo em grupos a colaboradora 
Turquesa comenta: [...] muita coisa nós resolvemos no próprio grupo e passa pouca coisa 
por essa peneira e é a partir desse fi ltro que fazemos os encaminhamentos daqui, desafo-
gando bastante as nossas ações.
Então, criar a possibilidade de ter um espaço no qual pode-se realizar diferentes ati-
vidades e, ao mesmo tempo conversar, sorrir e estar com outras pessoas, promovendo 
assim momentos de laser e descontração é de fundamental importância, pois favorece 
o bem-estar do idoso e o liberta dos sentimentos negativos inerentes a essa faixa etária, 
melhorandosignifi cativamente a qualidade de vida desses usuários. 
As colaboradoras revelam que a melhoria na qualidade de vida dos idosos é evidente 
a partir das atividades desenvolvidas nos grupos. Portanto, é essencial que prossigam 
desenvolvendo tarefas físicas, lúdicas e intelectuais, sem esquecer-se de aproveitar tam-
bém momentos de laser e que a sociedade continue a se benefi ciar com sua efi ciência(7). 
Sendo assim, as colaboradoras afi rmam trabalhar nessa perspectiva, incluindo os idosos 
em atividades diversifi cadas de laser e descontração, em busca do seu bem-estar, resta-
belecimento da autoestima e a revalorização individual: [...] é um grupo voltado exclusiva-
mente para população idosa do distrito, em que há um trabalho direcionado para o lazer, 
proporcionando interação com outros grupos, visitação ao Centro de Convivência do Idoso, 
passeios, bingos semanais e grupo de dança... (Safi ra)
Porém, nos discursos de algumas colaboradoras, observa-se a prevalência do modelo 
tradicional, caracterizado como a adoção de estratégias de ação que incluem informações 
verticalizadas, sendo os idosos tratados como carentes de informações, cujo principal obje-
tivo é informar para a saúde(8). A revelação que segue traduz esse modelo: [...] já passamos 
vídeos orientando sobre o uso da insulina, ensinando direitinho sobre a medicação, quais 
atividades devem ser feitas... (Água marinha)
116
As palestras são caracterizadas, dentre os métodos formais, como o símbolo das 
práticas de educação em saúde. Nessa perspectiva, denota o discurso da colaboradora 
Diamante: [...] nós fazemos muitas palestras, falamos sobre todo tipo de assunto, agora 
mesmo teve palestra sobre o dia mundial da saúde, outra vez debatemos sobre o dia da 
consciência negra... 
Os discursos das colaboradoras também revelaram que a disposição de se traba-
lhar nessa perspectiva se esbarra em difi culdades encontradas no processo de trabalho, 
como a falta de tempo em detrimento da alta demanda e sobrecarga de atendimentos em 
função da cobrança de metas de produtividade, como sugere o discurso da colaboradora 
Turmalina: [...] o grupo da unidade se reúne uma vez por mês ou mais com os idosos [...], 
porém a questão da nossa rotina, do nosso atendimento, atrapalha muito o cronograma das 
ações educativas.
Ainda merece destaque outros desafi os encontrados pelos profi ssionais de saúde 
para realizarem ações educativas com seus idosos, como a ausência de espaço físico apro-
priado para a execução dessas atividades na comunidade adicionando-se a falta de cadei-
ras e material qualifi cado, evidenciando a necessidade de investimentos na infra-estrutura, 
para tornar esse ambiente mais agradável, atrativo, e adequado para as atividades junto à 
comunidade, como sugere o discurso: [...] você pode ver que a área física do nosso posto é 
pequena, nós não temos uma área para acolher a população com ações educativas como 
ela merece... (Alexandrita)
A falta de material de apoio educativo para a operacionalização das ações educativas 
é mais um impasse que limita as atividades grupais, uma vez que os insumos são impor-
tantes para a concretização das ações de educação em saúde, haja vista, a necessidade 
de ilustrar e dinamizar essas ações. Como observado abaixo: [...] não temos recurso audio-
visual nenhum, nós não temos uma televisão, não temos um DVD, não temos nada [...], se 
quisermos fazer algo diferente, realmente, temos que trazer de nossas casas, deslocar tudo 
ou pedir na secretaria com muita antecedência... (Jade)
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante dos desafi os e impasses revelados faz-se necessário ajustes, como investi-
mento na infraestrutura das áreas disponíveis, melhor organização nos cronogramas de 
atividades executáveis, na qualifi cação e simplifi cação dos materiais didáticos e metodoló-
gicos para a prática das ações educativas. 
117
É evidente a necessidade de se criar estímulos à participação e frequência da comu-
nidade as reuniões sistemáticas dos grupos e para a efetiva participação de todos os pro-
fi ssionais atuantes nessa proposta e, principalmente, a qualifi cação dos educadores em 
saúde, para melhorar as metodologias aplicadas ao processo educativo.
Mesmo diante das impossibilidades ou difi culdades vivenciadas, as colaboradoras 
encontram mecanismos satisfatórios para driblarem tais impasses, criando possibilida-
des e parcerias, sem medirem esforços para executarem suas ações educativas junto à 
comunidade idosa, enfrentando as carências e difi culdades político-administrativas e/ou de 
infra-estrutura.
REFERÊNCIAS 
1. Catrib AMF; Pordeus, AMJ; Ataíde MBC; Albuquerque VLM.; Vieira NFC. Promoção da 
saúde: saber fazer em construção. In: Barroso GT, Vieira NFC, Varela ZMV, organiza-
dores. Educação sem saúde: no contexto da promoção humana. Fortaleza: Demócrito 
Rocha, 2003.
2. Camarano AA. Envelhecimento da População Brasileira: problema para quem? Rev. 
Bahia Análise & Dados. Salvador – BA v.10 n.4 p.36-48 Março 2001.
3. Ministério da Saúde. Resolução 196/96 e suas complementações. Conselho Nacional 
de Saúde. Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Brasília: Editora MS, 2002.
4. Bom Meihy JCS. Manual de História Oral. São Paulo: Loyola, 2005.
5. Silva IZQJ. O trabalho em equipe no PSF: investigando a articulação técnica e a inte-
ração entre os profi ssionais. Rev Interface-Comun Saúde Educ 2005.
6. Assis M. Uma Nova Sensibilidade nas Práticas de Saúde. In Vasconcelos EM.(org). A 
saúde nas palavras e nos gestos. Refl exões da Rede de Educação Popular e Saúde. 
São Paulo: HUCITEC. 2001.
7. Barroso MJLCR. A Iniciativa Pública e Privada nos Serviços de Saúde, Educação, 
Cultura e Lazer. A Terceira Idade, n. 17, p. 28-38, 1999.
8. Alves VS. Um modelo de educação em saúde para o Programa Saúde da Família: 
pela integralidade da atenção e reorientação do modelo assistencial. Interface - 
Comunicação, Saúde, Educação, v.9, n.16, p.39-52, set.2004/fev.2005.
118
RISCO DE ÚLCERA DE PRESSÃO EM IDOSOS DE UMA UNIDADE DE 
SAÚDE DA FAMÍLIA – JOÃO PESSOA, PB.
INTRODUÇÃO
As intervenções da atenção básica e a Estratégia de Saúde da Família são funda-
mentais para o envelhecimento saudável e promoção à saúde do idoso. A saúde da pessoa 
idosa deve ser entendida como a interação entre saúde física, saúde mental, independência 
na vida diária, integração social, suporte familiar e independência econômica e suas ações 
devem estar direcionadas às mudanças de estilo de vida, hábitos saudáveis e eliminação 
de costumes nocivos à saúde, bem como na prevenção de quedas e no enfrentamento da 
violência e maus tratos contra os idosos(1). 
Entre os fatores que envolvem o processo do envelhecimento, estão relacionados o 
aparecimento de determinadas doenças crônico-degenerativas as quais geram incapacida-
des e dependência, fatores que são considerados como as maiores adversidades da saúde 
associadas ao envelhecimento. No contexto da Estratégia de Saúde da Família, destaca-
-se o trabalho dos profi ssionais de saúde voltados para a assistência integral e contínua 
de todos os membros das famílias vinculadas às unidades, em cada uma das fases de seu 
ciclo de vida, sem perder de vista o seu contexto familiar e social(2).
As úlceras de pressão (UP) podem ocasionar dor, infecções e aumento da imobilidade 
e dependência. Sua identifi cação precoce nos idosos de risco e dos fatores que os afetam 
individualmente é fundamental para sua prevenção. Muitos instrumentos para avaliar o 
risco de úlcera de pressão utilizam um sistema de pontuação, como a Escala de Branden 
que exige a avaliação dos parâmetros de percepção sensorial, umidade, atividade física, 
mobilidade, nutrição, fricção e cisalhamento, fornecendo um escore numérico de avaliação 
deste risco(3).
Na busca por uma melhor qualidade da assistência nos serviços de saúde, é importante 
reconhecer a úlcera de pressão como um problema extenso capaz de interferir nessa quali-
dade de vida,sendo, portanto, necessário que toda equipe multiprofi ssional de saúde esteja 
envolvida e estimulada a conhecer e entender o que são úlceras de pressão, suas causas 
e os fatores de riscos, a fi m de implementarem ações efetivas de prevenção e tratamento(4).
Com base nestas refl exões, o objetivo deste estudo foi identifi car o perfi l social, de 
saúde e o risco para desenvolver úlceras de pressão em idosos usuários de uma Unidade 
de Saúde da Família de João Pessoa/PB. 
119
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo quali-quantitativo com abordagem não-experimental, explorató-
rio e descritivo, que faz parte de uma pesquisa maior intitulada “perfi l de saúde, aspecto fun-
cional e social de idosos de uma unidade integrada de saúde da família – João Pessoa/PB. 
O local de estudo foi o território de uma Unidade de Saúde da Família, localizado em João 
Pessoa/ PB e a população utilizada foi constituída por 50 idosos cadastrados nesta unidade.
Os pesquisadores seguiram as observâncias éticas da Resolução 196/96 do Conse-
lho Nacional de Saúde, principalmente no cumprimento ao termo de consentimento livre e 
esclarecido, sendo aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da 
Saúde da Universidade Federal da Paraíba.
A coleta de dados foi realizada pelos próprios pesquisadores através de questioná-
rio e ocorreu nos meses de janeiro a março de 2010, através do uso de um questionário 
contendo questões objetivas sobre dados sócio-demográfi cos e da Escala de Branden para 
mensuração do risco de desenvolver úlcera de pressão.
Para a análise dos dados foi utilizado o programa Statistical Package for Social 
Sciences-SPSS V.13.1 e construídas as freqüência absoluta (n) e relativa (%), além da 
metodologia própria de mensuração da Escala de Branden.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
 Inicialmente, baseados nos dados coletados na primeira fase deste estudo, apresen-
tamos os dados de identifi cação sócio-demográfi ca dos idosos participantes do estudo: 
Tabela 1 – Distribuição dos idosos segundo suas características sócio-demográfi cas. João Pessoa, PB, 2010.
Variáveis N %
Sexo
Masculino
Feminino
Estado civil
Solteiro
Viúvo
Casado
Separado
Cor
Parda
Preto
Amarela
Branca
Escolaridade
Analfabeta
Ensino Fundamental
Ensino Médio
17
33
6
16
21
6
33
1
1
15
15
27
8
34
66
12
32
42
12
66
2
2
30
30
54
16
120
Ao se questionar a idade dos idosos obtivemos uma média de 72,59 (desvio padrão 
de 9,8), com máxima de 98 e mínima de 59. Observa-se a forte presença do sexo feminino, 
do baixo nível de escolaridade e no que diz respeito ao estado civil um grande número 
de idosos viúvos, ou seja, que vivenciam a velhice na ausência do seu companheiro (a), 
podendo ser este um fator determinante para qualidade de vida ou não.
Com relação à renda 22% (n=11) dos idosos ainda trabalham, e 78% (n=39) não tra-
balham, 76% (n=38) possuem aposentadoria e 24% (n=12) que não possuem este bene-
fício. A média da renda foi de R$ 858, 08 (desvio padrão de R$ 557,084), com máxima de 
R$ 3500 e mínima de R$ 500. Sendo que 60%(n= 30) dos idosos dividem sua renda com a 
família e 34% (n=17) não dividem.
Quanto ao perfi l de saúde os dados foram:
Tabela 2 – Distribuição dos idosos segundo suas características de saúde. João Pessoa, PB, 2010.
Variáveis N %
Estado de saúde
Muito bom
Bom
Regular
Ruim
Muito ruim
Assistência
Hospital
PSF
Clinica particular
Farmácia
Doença
HAS
DIA
Problema oftalmológico
Problema digestivo
Problema de audição
Problema bucal
Falta de apetite
Perda de memória
Queda
4
17
18
7
4
15
31
6
1
24
6
42
14
18
22
20
32
9
18
34
36
14
8
30
62
6
2
48
12
84
28
36
44
40
64
18
Quanto ao perfi l de saúde dos idosos a maior parte está em uma situação regular 
(autoreferido) com presença de algumas patologias crônicas características do envelheci-
mento. A maior parte utiliza dos serviços de saúde do PSF, destes 52% (n=26) realiza tra-
tamentos, 62% (n=31) buscam medicamentos, 46% (n=23) buscam receitas médicas, 40% 
(n=20) fazem acompanhamento de sua saúde com os profi ssionais da ESF, 32% (n=16) 
121
participam de atividades de prevenção de doenças e agravos, 28% (n=14) participam dos 
grupos de convivência, e destes 82% (n=41) garantem obter resolutividade dos seus pro-
blemas na Unidade de Saúde da Família.
Após a descrição dos dados da primeira etapa, segue-se a etapa de avaliação do 
risco de desenvolvimento de úlcera de pressão por estes idosos, utilizando-se uma escala 
de mensuração numérica.
A escala de Braden fornece seis parâmetros para avaliação, pelas suas subescalas: 
1- percepção sensorial; 2- umidade; 3- atividade; 4- mobilidade; 5- nutrição; 6- fricção e 
cisalhamento. Cada subescala tem pontuação que varia entre 1 e 4, com exceção do domí-
nio fricção e cisalhamento. A somatória total fi ca entre os valores 6 e 23. Escore igual ou 
menor que 16 denota que o paciente adulto tem risco para o desenvolvimento de UP, entre-
tanto, na presença de outros fatores como idade maior que 65 anos, febre, baixa ingestão 
de proteína, pressão diastólica menor que 60 MMHg e/ou instabilidade hemodinâmica os 
pacientes com escores 17 e 18 também são considerados como pacientes de risco(5). 
Os dados obtidos demonstraram que 94,1% (n=48) dos idosos do estudo estavam em 
um risco baixo para desenvolver úlcera de pressão. Apenas 5,9% (n=3) apresentaram um 
risco moderado. Isso se deve ao fato de que a maior parte dos idosos não encontravam-se 
em situação de dependência e poucos eram os que estavam em condições de restrição ao 
leito ou a cadeira de rodas.
CONCLUSÃO
O estudo, além de identifi car o perfi l social e de saúde, evidenciou através dos esco-
res totais da Escala de Braden que os idosos usuários da referida Unidade de Saúde não 
estão em risco para o desenvolvimento de úlcera de pressão, o que refl ete a boa resolu-
tividade das medidas de promoção, prevenção e recuperação da saúde da Estratégia de 
Saúde da Família para esta população. 
REFERÊNCIAS
1.Ramos LR. Fatores determinantes do envelhecimento saudável em idosos residentes 
em centro urbano: Projeto Epidoso, São Paulo. Cad Saúde Pública 2003; 1(3).
2.Silvestre JA, Neto MMC. Abordagem do idoso em programas de saúde da família. Cad 
Saúde Pública 2003; 19(3). 
122
3.Morton PG et al. Cuidados críticos de enfermagem: uma abordagem holística. Rio de 
Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.
4.Costa IG. Incidência de úlcera de pressão e fatores de risco relacionados em pacientes 
de um centro de terapia intensiva [Dissertação]. Ribeirão Preto, 2003.
5.Fernandes LM, Caliri MHL. Uso da escala de Braden e de Glasgow para identifi cação 
do risco para úlceras de pressão em pacientes internados em centro de terapia intensiva. 
Rev Latino-am Enfermagem 2008; 16(6).
123
CÂNCER DE MAMA NA TERCEIRA IDADE: CUIDADOS E PREVENÇÃO
Ana Lúcia de Medeiros1
Rômulo Wanderley de Lima Cabral2
Márcia Cristina de Jesus Souza3
1Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Professora do Departamento de Enfermagem em Saúde da Mulher e 
do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Obstétrica da Faculdade Santa Emília de Roda - FASER.
 2Enfermeiro. Mestre em Saúde Pública. Professor do Departamento de Enfermagem em Saúde da Mulher e 
do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem Obstétrica da Faculdade Santa Emília de Roda - FASER.
3Graduanda do Curso de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem Santa Emília de Rodat - FASER.
INTRODUÇÃO
O Brasil vivencia uma mudança profunda no perfi l demográfi co da população e vem 
adquirindo características que em pouco tempo o tornarão um país de pessoas envelhe-
cidas. Dentro desse contexto, tem-se outro fenômeno, o da feminização da velhice, que 
desperta o interesse de estudiosos, da sociedade e do governo1. 
A feminização da velhice no Brasil se explica em parte, pela maior expectativa de vida 
das mulheres, associada ao fato das mulheres serem detentoras de saberes e práticas de 
saúdevivenciadas nas suas experiências cotidianas do cuidar e identifi cam de forma pre-
coce sinais e sintomas de várias doenças, o que faz com que o grupo feminino seja a maior 
demanda dos serviços de saúde em todas as áreas1. 
Nesse contexto, se destaca que, apesar das mudanças ocorridas no quadro epide-
miológico da morbimortalidade feminina, o câncer de mama desponta como uma das maio-
res causas de morte na população feminina e como o tipo mais comum de câncer feminino2.
O câncer de mama é uma das neoplasias mais incidentes e prevalentes nas mulheres 
na maior parte do mundo. É provavelmente o mais temido, devido à sua alta frequência e 
principalmente pelos seus efeitos psicológicos, que afetam a percepção da sexualidade e a 
própria imagem pessoal. Ele é relativamente raro antes dos 35 anos de idade, mas acima 
desta faixa etária sua incidência cresce rápida e progressivamente3. 
No Brasil, o câncer de mama é o que mais causa mortes entre as mulheres. O câncer 
é uma doença crônica e degenerativa que possui evolução progressiva e demorada, exceto 
quando interrompido em algumas de suas fases. É caracterizado por um longo período de 
latência e fase assintomática prolongada, cuja etiologia geralmente está associada a uma 
série de fatores de riscos1. 
124
Conforme o Ministério da Saúde, os principais fatores de risco para o câncer de mama 
são: sexo feminino, envelhecimento, gravidez em idade tardia, menarca precoce, meno-
pausa após 55 anos, ciclos menstruais curtos, história familiar de câncer de mama, classe 
socioeconômica elevada, ausência de atividade sexual, residência em área urbana, inativi-
dade física e os fatores ambientais4.
Sabe-se que o estrogênio tem um importante papel no câncer de mama ao induzir o 
crescimento das células do tecido mamário, o que aumenta o potencial de alterações gené-
ticas e, consequentemente, o desenvolvimento do câncer. Por isso, qualquer fator que leve 
a um aumento no estrogênio poderá levar também a um aumento no risco de adoecer por 
câncer de mama4.
O objetivo desse estudo foi refl etir sobre o cuidado e a prevenção do câncer de mama 
em mulheres idosas, numa perspectiva refl exiva, do profi ssional enfermeiro. Portanto, 
espera-se com este estudo incentivar os profi ssionais de saúde, no sentido de incluir em 
suas práticas assistenciais o cuidado integral a saúde da mulher, em especial da idosa, 
contemplando dessa forma a prevenção do câncer de mama como um importante foco 
de atenção, considerando a elevada incidência desta patologia na população idosa. Além 
disso, esta refl exão poderá contribuir nas práticas de educação em saúde e em pesquisas 
congêneres.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão bibliográfi ca de publicações nacionais a cerca da problemá-
tica do cuidado e da prevenção do câncer de mama em mulheres com 60 anos e mais. O 
material considerado para análise foi obtido aleatoriamente em livros e periódicos nacionais. 
Os materiais considerados como pertinentes ao objeto de estudo foram classifi cados em 
três tópicos de refl exão: envelhecimento feminino, saúde e gênero; lacuna na integralidade 
da assistência à mulher idosa e cuidados e prevenção do câncer de mama na mulher idosa.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Categoria 1: Envelhecimento feminino, saúde e gênero
O acelerado processo de envelhecimento da população brasileira é um fato estatis-
ticamente comprovado, assim como, a feminização da velhice é uma evidência. Além do 
mais, pesa para as mulheres idosas de hoje a problematização das relações de gênero 
125
vivenciadas no cotidiano das famílias e da sociedade, considerado a importância dos valo-
res e papéis determinados para homens e mulheres no seu contexto social e histórico4.
No entanto, as idosas, mesmo enfrentando todas as desigualdades sociais, econômi-
cas e de gênero, uma boa parte deste contingente populacional consegue romper as barrei-
ras da exclusão e da dominação masculina, construindo um novo estilo de vida a partir da 
participação em programas, movimentos sociais e religiosos e da aquisição de autonomia 
fi nanceira conquistada pela benefi cio da aposentadoria, além de determinada liberdade de 
gênero decorrente da redução das tarefas domésticas5.
Categoria 2: lacuna na integralidade da assistência à mulher idosa com câncer 
de mama
Constatou-se que há na literatura nacional e internacional uma quantidade vasta de 
artigos científi cos publicados a respeito do câncer de mama.
As características da atual política de saúde, através da proposição do Sistema Único 
de Saúde (SUS), foram infl uenciadas pelo processo de municipalização, e principalmente, 
pela reorganização da atenção básica, por meio da Estratégia Saúde da Família. Apesar 
do empenho das autoridades e da expansão dessa estratégia no país, frente à elevada 
incidência do câncer de mama evidencia-se certa lacuna nos protocolos assistenciais no 
que se refere à prevenção e ao tratamento deste tipo de câncer em mulheres idosas, sendo 
este um sério problema de saúde pública no Brasil3.
Categoria 3: Cuidados e prevenção do câncer de mama na mulher idosa
O grande número de mulheres com diagnóstico de câncer de mama exige dos profi s-
sionais de saúde e, dentre estes, os de enfermagem, valorizar essa problemática, identifi -
cando ações de prevenção, educação e cuidado. 
Para a população em geral, em função do alto custo de programas de rastreamento 
para o câncer de mama, tem-se valorizado muito o auto-exame das mamas, que quando 
feito corretamente, pode levar a mulher a procurar o serviço de saúde precocemente, caso 
encontre alguma alteração, e talvez, em nosso país, chamar a atenção para o conheci-
mento do próprio corpo. O ensinamento prático, com linguagem apropriada, ressaltando a 
necessidade de efetuar o auto-exame das mamas de modo regular, cuidadoso e completo, 
parece ser a melhor abordagem6.
Assim, o enfermeiro nunca deve perder a oportunidade de oferecer instruções de 
como realizar o auto-exame das mamas, a importância de todos os meses está repetindo 
o exame numa data semelhante, enfatizando as alterações comuns que ocorrem durante 
o ciclo menstrual, e a importância de relatar qualquer alteração percebida que represente 
126
algo incomum ou nunca sentido antes a um profi ssional de saúde, esclarecendo a signifi -
cância de um diagnóstico precoce.
Além disto, as mulheres, com 40 anos ou mais, devem realizar o exame clínico das 
mamas anualmente. E toda mulher, entre 50 e 69 anos, deve fazer uma mamografi a a cada 
dois anos. As mulheres com caso de câncer de mama na família (mãe, irmã, fi lha etc., diag-
nosticados antes dos 50 anos), ou aquelas que tiverem câncer de ovário ou câncer em uma 
das mamas, em qualquer idade, devem realizar o exame clínico e mamografi a, a partir dos 
35 anos de idade, anualmente4.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Refl etir sobre a prevenção do câncer de mama em mulheres idosas, especialmente na 
atenção básica confi gurou-se em uma problemática que gerou uma curiosidade cientifi ca 
que estimulou a realização de buscas e pesquisas em livros e periódicos sobre a temática 
principalmente em decorrência dos crescentes índices de morbi-mortalidade feminina por 
esta patologia, inclusive na referida faixa etária.
Além deste aspecto, ressalta-se a transição demográfi ca da população brasileira 
e nesta a feminização da velhice, acentuando-se a demanda assistencial nos diferentes 
níveis de atenção a saúde, o que tem motivado os governos a implantação de Programas 
e Projetos destinados ao atendimento do idoso.
Porém, em relação à atenção integral e holística da mulher idosa em todas as suas 
necessidades de cuidados preventivos, identifi caram-se alguns determinantes de ordem 
institucional, profi ssional, cultural e de gênero, que terminam por dicotomizar e compar-
timentalizar a atenção para algumas patologias crônicas e degenerativas, quais sejam a 
hipertensão e o diabetes, em detrimento, a prevenção do câncer de mama.Portanto, frente a essas defi ciências assistenciais e a identifi cação dos vários deter-
minantes desta problemática de grande impacto na saúde das mulheres idosas, mostra-se 
com relevância refl exões como esta, pois a partir da discussão e da contextualização do 
fenômeno, constrói-se um marco temático crítico e refl exivo que poderá servir de subsidio 
para melhorar a assistência, favorecer a inclusão desta temática no ensino e estimular futu-
ras investigações, a cerca da problemática da prevenção do câncer de mama na velhice.
127
REFERÊNCIAS 
1 Carvalho MVB, Merighi MAB. O cuidar no processo de morrer na percepção de mulhe-
res com câncer: uma atitude fenomenológica. Rev Latino-am Enfermagem. 2005; 13(6): 
951-9. 
2 Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Implantando o viva mulher 
- Programa Nacional de Controle do Câncer do Colo de Útero e de Mama. Rio de 
Janeiro: Instituto Nacional do Câncer; 2006.
3 Cecília MRGC et al. Prevenção de câncer de mama em mulheres idosas: uma revisão. 
Rev Bras Enferm. 2009; 62(4):579-82. 
4 Ministério da Saúde (BR). Instituto Nacional do Câncer. Falando sobre câncer de 
mama. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Câncer; 2000.
5 Figueiredo MLF, Tyrrel MAR. O gênero (in) visível da terceira idade no saber da enfer-
magem. Rev Bras Enferm. 2005; 57(6): 679-82. 
6 Guedes MVC, Silva LF, Freitas MC. Educação em saúde: objeto de estudo em disserta-
ções e teses de enfermeiras no Brasil. Rev Bras Enferm. 2004; 57(6): 662-5.
7 Duncan BB, Schimidt MI, Giugliani ERJ. Medicina Ambulatorial-condutas de atenção 
primária baseadas em evidências. 3°ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
128
TENDÊNCIAS DAS PESQUISAS EM ENFERMAGEM NA ATUAÇÃO
DO (a) ENFERMEIRO (a) NA ASSISTÊNCIA AO IDOSO 1
Licia Marianne Pessoa Farias ²,Silvana Pontes de Oliveira2, Maria Tereza Dantas Bezerra2.
1Pesquisa realizada como requisito da disciplina “Ensino e Pesquisa I” do Curso de Enfermagem 
da Universidade Federal de Campina Grande.
2Graduanda em Enfermagem na Universidade Federal de Campina Grande.
INTRODUÇÃO
O Idoso tem sua defi nição baseada no limite etário, assim entende-se que idoso é o 
cidadão que possui uma idade superior aos 60 anos de idade 1.
No Brasil, o número de idosos vem crescendo gradativamente, de acordo com o IBGE 
em 2025 este país ocupará o sexto lugar no quantitativo de idoso2. O envelhecimento deve 
ser tratado de uma forma natural, incluindo os processos de envelhecimento e tudo o que 
lhe acompanha, como doenças crônicas.
O papel da enfermeira deve está ligado diretamente com o zelo, com o cuidado, com 
o aumento da estima e não apenas no tratamento de doenças3. 
Um dos grandes papéis da enfermeira relacionado com o idoso é a reabilitação, mas 
também se deve considerar a qualidade de vida, portanto o enfermeiro deve sempre trazer 
melhorias para promover a saúde do idoso e não só se preocupar com a cura da doença. 
Então o cuidar inclui também a redução de fatores que podem prejudicar a vivência dessa 
pessoa. A prática do profi ssional de enfermagem hoje muitas vezes tem uma imagem nega-
tiva, pois o enfermeiro leva em consideração o estado do idoso, lembrando sempre que é 
uma pessoa impossibilitada viver a vida, e com isso o tratamento decai e ao invés de cuidar 
o profi ssional deixa de lado o seu dever e prática a sua função de forma inadequada e gros-
seira, sem dar valor algum ao idoso 4.
Geovanini ressalta que (...) não existe o cuidar se eu não souber quem estou cui-
dando, existe o cuidar que parte do pressuposto do ser que é. Conhecer, cuidar e identifi car 
a coisa (a enfermidade, doença, a patologia) garante ao profi ssional a parcela técnica do 
cuidado, mas se for o sujeito enfermo que aparecer como uma coisa, a enfermagem perde 
seu sentido precípuo, deturpa sua natureza intríseca(...)5. 
Hoje, existe uma grande ajuda de pessoas que não tem nenhuma formação profi s-
sional e atuam no cuidado ao idoso. Esses cuidadores por terem uma convivência maior 
129
com os idosos e por saberem mais da vida de cada um, auxiliam no acompanhamento do 
enfermeiro, portanto o cuidador age juntamente com o enfermeiro, partindo de meios que 
levem em consideração o aspecto de vida de cada um. 
Esse artigo tem como principal objetivo conhecer a tendência em pesquisa acerca da 
assistência de enfermagem na atenção a pessoa idosa.
Têm-se outros objetivos dos quais entre eles está: a especifi cação do relacionamento 
entre o enfermeiro e idoso e o conhecimento de alguns direitos relacionados ao idoso;
METODOLOGIA
Estudo Bibliográfi co realizado com base em pesquisas, utilizando bancos de dados do 
Scielo (Scientifi c Electronic Library Online) e do CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento 
de pessoal de Nível superior).
Na busca foram detectados 14 artigos e 41 resumos de teses e dissertações relacio-
nados ao tema nessas bases de dados.
Após a leitura de cada um, ocorreu uma seleção daqueles que seriam de grande inte-
resse e só assim esses documentos bibliográfi cos foram analisados e estudados. Dessa 
forma foram encontrados no Scielo 14 artigos, que abordam a assistência do idoso no 
domicilio e a importância do cuidador para assistência domiciliar.
Já no CAPES foram encontrados primeiramente 41 resumos, a sua seleção foi feita 
e desses resumos foram excluídos 30, fi cando apenas com 11 porque ocorreram algumas 
repetições ou não condiziam com o objetivo da pesquisa.
As pesquisas enfatizam a importância de uma boa assistência ao idoso dada pelo 
profi ssional de Enfermagem, e foram feitas pelas palavras-chaves: assistência, idoso e 
enfermagem, nos meses de setembro e outubro, do ano de 2010.
Portanto têm-se uma abordagem qualitativa. Também se deve ter uma refl exão da 
atuação desses profi ssionais com esses cidadãos, pois eles muitas vezes são tratados de 
forma inadequada, com desrespeitos e ignorância e nós como profi ssionais desse ramo 
devemos combater essa violência de qualquer forma, para que assim os que atuam nessa 
especialidade sejam reconhecidos como bons profi ssionais e de qualidade.
130
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Obteve-se uma pesquisa que predominou a abordagem qualitativa, sendo assim ade-
quado para produção do conhecimento da atuação do Enfermeiro na assistência ao idoso. 
Tabela I-Distribuição de resumos e teses publicados sobre a atuação do enfermeiro na 
assistência ao idoso, nos bancos de dados do Scielo e Capes.
Características n %
Tipo (Artigo/Tese)
Artigo 14 56%
Tese 11 44%
Total 25 100%
Tipos de Estudo
Qualitativo 18 72%
Quanti-qualitativo 3 12%
Não Informado 4 16%
Total 25 100%
Temática
Relacionado à visão da enfer-
meira (cuidado na Unidade Bá-
sica de Saúde e Hospital)
8 32%
Relacionado à visão do idoso 4 16%
Relacionados à visão do cuida-
dor (cuidado domiciliar) 13 52%
Total 25 100%
Características n %
Cenários
Atenção Básica 9 36%
Domicilio 16 64%
Total 25 100%
Autores
Docente 8 32%
Discende de Doutorado 4 16%
Discende de Mestrado 10 40%
Mestre 3 12%
Total 25 100%
Regiões 
Sudeste 14 56%
Sul 6 24%
Norte 2 8%
Nordeste 3 12%
Total 25 100%
Quanto aos sujeitos, constata-se que nos artigos e dissertações utilizados abrange o 
profi ssional de enfermagem no geral, não especifi cando se masculino ou feminino. 
Na Pesquisa, principalmente no Scielo, houve uma diversifi cação de temas relaciona-
dos também com o idoso, mas que abrangiam muito a Enfermagem no domicilio do idoso, 
com a participação de cuidadores que atuariam sempre em conjunto com o profi ssional da 
enfermagem. No Capes, os temas já foram mais específi cos, e com grandes análises de 
como seria a atuação do enfermeiro com o idoso.
É destacada no estudo a participação de não-profi ssionais que auxiliam na assistên-
cia do idoso, atuando em conjunto com os profi ssionais de enfermagem.
A assistência ao idoso é tema deste estudo devido a grande problematização dos 
cuidados recebidos pelos idosos,tanto no domicilio quanto no próprio ambiente hospita-
lar. Esses idosos passam por experiências que devem ser tomadas em conhecimento de 
todos, pois os grandes números de maus tratos, tanto verbal quanto fi sicamente, crescem 
consideravelmente. Atos simples que interferem na vida de idoso, imagina-se dentro de um 
131
ambiente onde todos têm que estar ligados diretamente ao paciente, cuidando e dando o 
máximo de atenção possível, essa população sendo tratada de forma inadequada, seria 
um grande decaimento da vida de um idoso, pois esses processos só acelerariam o fi m da 
vida desses indivíduos.
A assistência ao idoso no ambiente familiar muitas vezes se torna difícil pela não-
-preparação das pessoas que o acompanham, muitas vezes é um fi lho, um neto que não 
tem preparação nenhuma para dar assistência a esses idosos, assim foram encontrados 
bibliográfi cos que demonstravam essa insegurança dos parentes e familiares, o que pro-
voca o grande crescimento de cuidadores de idosos.
No banco de dados do Scielo foram encontrados artigos que abordavam muito o papel 
dos cuidadores de idosos que podem ser classifi cados como os cuidadores formais que 
compreendem todos os profi ssionais e instituições que realizam atendimento sob forma de 
prestação de serviços e cuidadores informais, os familiares, amigos, vizinhos membro da 
igreja, entre outros 6. É essencial a pesquisa e compreensão do papel desses cuidadores, 
especialmente os informais, que manifestam seu papel fazendo um elo com a família e com 
o serviço de saúde.
As pesquisas também relacionam a saúde do idoso no programa da Unidade básica 
de saúde, onde esses idosos são tratados por profi ssionais que muitas vezes não possuem 
cursos de especialização em geriatria mais possuem especializações em saúde pública. 
Esses enfermeiros geralmente tem ações predominantes como ações curativas, ações vol-
tadas para promoção de saúde incluindo assim a visita domiciliar, orientações dietéticas, 
de higiene corporal/ambiental e de alterações fi siológicas decorrentes do envelhecimento. 
Verifi ca-se a partir dos resultados do estudo, uma tendência a investigação de temas 
principalmente relacionados aos cuidadores de Idosos no âmbito domiciliar e na Unidade 
de Saúde básica do Idoso.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Para realização desta pesquisa, foi necessário adquirir um conhecimento prévio sobre 
os bancos de dados utilizados, e só assim conseguiu-se a partir de produções cientifi cas 
analisar como está à assistência ao idoso feita a partir de profi ssionais de enfermagem. 
Pôde-se também analisar como está o crescente número de cuidadores destes idosos, que 
hoje serve como apoio aos profi ssionais de enfermagem. Foram utilizados textos bases, 
como Política Nacional do Idoso, que ajudaram na compreensão da importância do idoso 
na sociedade.
132
Esses estudos mostraram o quanto deve ser priorizada a assistência ao idoso, pelo 
fato de serem pessoas frágeis e que precisam de um acompanhamento preciso. Desta 
forma acredita-se que essa pesquisa irá contribuir para analise pessoal de cada profi ssional 
da enfermagem, levando em consideração o tratamento, o respeito que cada um deve ter 
para com esse individuo.
REFERÊNCIAS 
1. BRASIL. Ministério da Saúde. Estatuto do Idoso / Ministério da Saúde. –1. ed., 2ª 
reimpr. –Brasília:Ministério da Saúde, 2003.Acesso em:04/11/2010.
2. KALACHE A, VERAS RP, RAMOS LR. O envelhecimento da população mundial. 
Um desafi o novo. Rev. Saúde Pública.[internet]. 1987; v.21 : p. 200-10.Disponível 
em:http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034891019870003000.
3. BRASIL.Ministério da Saúde. Aprovação da política Nacional do Idoso. Brasília, 
19out.2006.Disponívelem:http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/2528%20
aprova%20a%20politica%20nacional%20de%20saude%20da%20pessoa%20idosa.
pdf
4. MACÊDO CP.Prática dos enfermeiros na assistência ao idoso nas Unidades 
Básicas de Saúde de Belo Horizonte.Minas Gerais:Universidade Federal de Minas 
Gerais;2003.
5. GEOVANINI T,MOREIRA A, DORNELLES S, MACHADO W.História da 
Enfermagem:versões e interpretações.3 ed.Rio de Janeiro:Revinter,2010.
6. ALVAREZ ÂM.Tendo que cuidar:a vivência do idoso e de sua família cuidadora 
no processo de cuidar e ser cuidado em contexto domiciliar. Santa Catarina: 
Universidade Federal de Santa Catarina; 2001.
133
ESPECIALISTAS EM GERIATRIA E A POPULAÇÃO
IDOSA PARAIBANA: UM ESTUDO DE PROJEÇÕES
Mestrando Elídio Vanzella.UFPB 
Dr. Eufrásio de Andrade Lima Neto.UFPB
 Dr. César Cavalcanti da Silva.UFPB
INTRODUÇÃO
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE)1 (2009), é 
indiscutível a melhoria nos níveis de sobrevivência da população brasileira a partir dos 
anos 1930 e conclui que, a esperança de vida ao nascer que era de 41,5 anos aumentou 
para 72,7 anos em 2008, com perspectiva de alcançar 81,2 anos em 2050. Na Paraíba, 
Considerando-se a divulgação da Síntese de Indicadores Sociais, feita pelo mesmo insti-
tuto, o crescimento na expectativa de vida aumentou para 69,4 anos em 2008. 
Em síntese, as informações sobre a esperança de vida ao nascer apontam, clara-
mente, para um processo de envelhecimento populacional no país, o que vai exigir novas 
prioridades na área das políticas públicas a serem direcionadas para grupos populacionais 
específi cos. Como exemplo dessa prioridade, destaca-se a formação urgente de recursos 
humanos para atendimento geriátrico e gerontológico.
Para Pereira, Feliz e Schawnke2 (2010), a atenção adequada à saúde dos idosos, 
requer conhecimentos específi cos diferentes daqueles necessários ao cuidado de adultos 
e há evidências na literatura de que muitos médicos encontram difi culdades para o atendi-
mento dessa população. Dentro deste contexto, a inclusão do processo de envelhecimento 
como curso de vida e em todos seus aspectos nos currículos de graduação é uma prio-
ridade. Ainda pelo fato de que a população brasileira está envelhecendo e que os idosos 
possuem em relação aos jovens, mais doenças crônicas e consequentemente o número 
de consultas é superior, difi cilmente o país contará com número sufi ciente de especialistas 
e o atendimento dos pacientes geriátricos deverá, por muito tempo, continuar sendo feito 
por médicos de outras áreas. Assim, partindo do pressuposto que, em um futuro muito pró-
ximo, o número de médicos com especialidade para atenção da população idosa não terá 
acompanhado a curva de crescimento desta população no Estado da Paraíba, formula-se a 
questão norteadora para o presente estudo: A curva de crescimento da população médica 
com especialidades na área de atenção ao idoso do estado da Paraíba projeta números 
compatíveis com o crescimento da população idosa?
134
Para responder a estas questões foi formulado como objetivo geral: Conhecer a curva 
de crescimento da população idosa e da população médica especialista do estado da 
Paraíba para os anos 2011 a 2015, e como objetivos específi cos: Determinar quais espe-
cialidades médicas são prioritárias para a atenção a saúde do idoso; realizar projeções 
estatísticas e interpretar a curva de crescimento da população idosa e da população médica 
especialista para o mesmo período.
METODOLOGIA
O estudo será do tipo exploratório-descritivo, desenvolvido a partir de abordagem 
quantitativa e os dados serão analisados por meio do pacote estatístico R (2.12.0), que é 
uma linguagem e ambiente para computação estatística e gráfi ca. O programa R está dis-
ponível como software livre, na forma de código aberto.
As especialidades médicas consideradas neste estudo foram as de geriatria, endocri-
nologia, fi siatria, neurologia, gastroenterologia, ortopedia e cardiologia.
Para modelar a série temporal sobre o número de médicos especialistas que traba-
lham no Estado da Paraíba consideraremos o modelo de suavizamento de Holt-Winters e 
os modelos de Box-Jenkins. Segundo Morettin e Toloi3 (2006), série temporalé qualquer 
conjunto de observações ordenadas no tempo. Se estas observações consecutivas são 
dependentes uma das outras, é possível conseguir-se uma previsão, afi rma Souza4(1989) 
e assim fornecer bases para compreender o comportamento do evento ao qual está se 
analisando.
O princípio da análise pelas séries de tempo esta ancorado na possibilidade de se 
extrair conclusões sobre o comportamento passado da variável e que poderão fornecer 
informações sobre o seu provável comportamento no futuro5. 
As projeções da população idosa na Paraíba serão obtidas pela função geométrica:
, onde: População inicial (P0), Intervalo de tempo em anos (n1), 
Taxa mensal de crescimento (r), e , onde: População inicial (P0), População 
fi nal (Pf) Intervalo de tempo em anos (n1).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
135
Neste seção serão apresentados resultados que foram obtidos nesta fase de seu 
estudo. A Figura 1 demonstra a evolução dos registros de médicos especialistas do ano de 
1959 até o ano de 2010.
Figura 1: Série dos médicos especialistas registrados no CRM/PB (1959-2010).
Com o objetivo estacionar a série, foi aplicado o procedimento de realizar diferenças e 
com uma diferença a série apresentou, segundo o teste de Dickey-Fuller, um p-valor 0,01, 
cirúrgico é permeado por diversas 
tecnologias, procedimentos invasivos e dolorosos e ainda pelo uso de jargões por parte 
dos profi ssionais que prestam o cuidado, além disso, a hospitalização exige mudanças nos 
hábitos de vida, podendo desencadear no idoso ansiedade e medo, devido às expectativas, 
dúvidas e tremores em relação ao que irá acontecer3 .Diante dessa perspectiva, destaca-
-se o uso da comunicação terapêutica pelo enfermeiro que presta assistência ao idoso no 
período pré-operatório, visando o esclarecimento de anseios, dúvidas e redução da ansie-
dade. Destaca-se, pois, que para enfrentar esse momento, o paciente necessita que de um 
bom relacionamento interpessoal baseado em uma comunicação efi caz, sendo esse um 
dos instrumentos indispensáveis para o cuidado humanizado, infl uenciando diretamente na 
qualidade da assistência, bem-estar, aprendizado e recuperação da saúde do paciente. No 
que concerne a população idosa evidencia-se a importância da capacitação dos profi ssio-
nais em cuidar das especifi cidades envolvidas no processo de senescência e a conscien-
tização dos benefícios que podem ser obtidos por meio da comunicação interpessoal.4,5 
.Dessa forma, realizar o cuidado de enfermagem a pacientes idosos que serão submetidos 
à cirurgia, priorizando uma boa relação interpessoal, requer do enfermeiro habilidades e 
139
conhecimentos a respeito das possíveis alterações funcionais e reações emocionais que o 
mesmo pode apresentar frente a esta circunstância5 . Assim sendo, é de suma importância 
acolher o ser doente como pessoa que tem necessidade de se relacionar e expressar seus 
sentimentos. Ante o exposto, esse estudo teve como objetivo analisar o processo comuni-
cativo entre enfermeiro e paciente idoso em pré-operatório.
METODOLOGIA
Estudo descritivo e exploratório, com abordagem qualitativa, realizado na Clínica 
Cirúrgica de um Hospital Escola, no município de João Pessoa-PB. A escolha dessa clínica 
é justifi cada pela grande rotatividade de pacientes idosos nas várias especialidades de 
procedimentos cirúrgicos realizados e pela relevância da comunicação, como parte indis-
pensável à assistência em enfermagem cirúrgica. Cabe destacar que para realização desse 
estudo foram considerados os aspectos éticos preconizados pela Resolução Nº 196/96 do 
Conselho Nacional de Saúde6, que normatiza a pesquisa envolvendo seres humanos, tendo 
parecer favorável sob número de protocolo 114/10. Fizeram parte do estudo 15 pacientes 
internados no referido serviço de saúde, com 60 anos ou mais, no período de dezembro 
de 2010 a fevereiro de 2011. Os dados foram coletados por meio da técnica de entrevista, 
utilizando um instrumento estruturado. Os dados empíricos foram analisados e organizados 
em categorias conforme análise de conteúdo proposta por Bardin7 utilizando as seguintes 
etapas: a) Leitura fl utuante (pré-análise): são leituras e releituras constantes para a orga-
nização do material analisado, para a sistematização de dados; b) Análise temática: trans-
formação dos dados brutos em unidades de compreensão do texto (núcleos de sentido) 
para a classifi cação e a agregação dos dados, procurando identifi car as categorias que 
comandarão a especifi cação dos temas; c) Tratamento dos resultados: organização de uma 
estrutura condensada das informações para permitir, especifi camente, refl exões e interpre-
tações sobre cada categoria apresentada, utilizando os fragmentos das falas dos próprios 
sujeitos participantes da pesquisa7.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Destaca-se a seguir algumas categorias desenvolvidas a partir dos relatos desses 
pacientes: Categoria 1: Orientações de enfermagem, nesta categoria observa-se uma defi -
ciência na comunicação interpessoal, visto que o enfermeiro não ofertou as orientações de 
forma adequada aos pacientes, como identifi cado nos relatos que seguem: [...] só explicou 
que não posso comer de tudo por causa da cirurgia e que a medicação que estou tomando 
140
é pra melhorar, se ela disse é porque sabe ne?; Disse que eu ia almoçar e depois ia tomar 
só líquido pra o preparo da cirurgia e deu um medicamento, eu acho que é pra limpar 
o intestino [...]; e Ela só falou que eu ia fi car sem comer umas horas antes da cirurgia. 
Pode-se perceber que os pacientes recebem apenas algumas orientações sendo essas 
parciais, o profi ssional de enfermagem não explica com clareza as ações que são inclusive 
de direito do paciente. Cabe enfatizar que a falta de orientação/informação leva a situações 
de sensação de culpa, aumentando a ansiedade e nervosismo principalmente no paciente 
idoso que poderá possuir défi cits cognitivos decorrentes da senescência associados ao 
quadro patológico que o levou a hospitalização. Desse modo o enfermeiro deve ao informar 
algo, explicar o motivo de tal acontecimento, assim no pré-operatório, o paciente necessita 
de uma assistência de enfermagem individualizada e sistematizada, avaliando suas con-
dições físicas e psicológicas, identifi cando seus problemas e fornecendo-lhe informações 
necessárias, visando redução da ansiedade e medo em decorrência do ato anestésico 
cirúrgico8. Categoria 2: Assistência de enfermagem, as falas a seguir mostram a percep-
ção do paciente frente à assistência de enfermagem durante o período pré-operatório: [...] 
elas são boazinhas, só acho que elas deveriam passar a visita tanto de dia quanto a noite 
e perguntar como a gente tá se sentindo, porque à noite elas só vêm verifi car a pressão e 
dar o comprimido; e [...] aqui tá bom, só as vezes que elas falam baixo, mais é porque tam-
bém eu não escuto direito, mas no geral são tudo muito simpáticas e as coisas são limpas. 
Observa-se que os pacientes apesar de insatisfeitos com algumas atitudes do enfermeiro, 
agem com naturalidade diante de tais fatos, apresentando sentimentos de conformismo e 
impotência frente ao problema, não relatando ou expressando a sua opinião. Os discursos 
mostram que o enfermeiro pode estar oferecendo pouca oportunidade de relação interpes-
soal com os idosos, visto que a sua assistência, conforme relato, consiste apenas em atos 
técnicos como aferir a pressão arterial e administrar medicamentos. Esse fato compromete 
a assistência integral, visto que a dimensão subjetiva do idoso não está sendo valorizada, 
isso é refl etido quando esses profi ssionais não oportunizam a expressão e sentimentos 
desses pacientes como mencionado no discurso. Nessa perspectiva, planejar o cuidado 
de enfermagem a pacientes idosos que serão submetidos à cirurgia, requer do enfermeiro 
não apenas habilidade técnica, mas também ter conhecimento científi co da comunicação 
terapêutica, sendo capaz de dialogar, escutar, perceber, tocar, vivenciar e fi car junto a este 
paciente, transmitindo-lhe confi ança e segurança9. Categoria 3: Ouvir o paciente, identifi -
cou-se nas falas dos pacientes a ausência da comunicação terapêutica, pois o enfermeiro 
não demonstrou paciência para ouvir os pacientes, como exemplos: [...] até que dá atenção, 
mas quando a gente tá falando não tem muita paciência não, acho que é porque elas tem 
muita coisa pra fazer ne?; e [...] ela conversou muito pouco e foi embora, não deu tempo 
de perguntar nada. Evidencia-se que os pacientes não tiveram a oportunidade de falar e/
141
ou expressarem o que estavam sentido, por falta de interesse do profi ssional de enferma-
gem em não ouvi-los atentamente. De alguma maneira isso pode repercutir no processo 
de saúde-doença, principalmente tratando-se do paciente idoso, que em decorrência do 
fenômeno de envelhecimento poderá sentir-se excluído socialmente, quando esse sente a 
necessidade de falar, mas não encontra alguém disposto a escutá-lo, muitas vezes a “dor” 
do estado emocional passa a atingir o sistema biológico não contribuindo negativamente 
para a recuperação desse idoso. Escutar refl exivamente é indispensável, se constituindo 
em uma das formas para que hajaum relacionamento empático e assistência humanitária 
e resolutiva. Somente o paciente pode dizer o que sente, o que pensa, que imagem tem de 
si mesmo e da sua situação, devendo ser considerado pelo enfermeiro sua primeira fonte 
de informação10.
CONCLUSÃO
Os resultados apontam que a comunicação terapêutica não vem sendo desenvolvida 
efi cientemente no cuidado de enfermagem dispensado a idosos em pré-operatório, uma 
vez que a maioria desses pacientes relataram falhas na assistência prestada por esses pro-
fi ssionais. Foi identifi cado algumas barreiras no que tange a interação enfermeiro-paciente, 
como a não oportunidade de expressão e a priorização em procedimentos técnicos, e o 
uso de orientações parciais e incompletas. Desta forma, evidenciou-se a ausência de um 
cuidado efi caz ao paciente idoso, já que o cuidado perpassa a comunicação, assim sendo, 
especialmente o idoso necessita de um olhar diferenciado diante do fenômeno cirúrgico, 
assim sendo, a comunicação torna-se um importante instrumento capaz de minimizar os 
impactos causados por essa situação. Desse modo, faz-se necessário enfatizar que os pro-
fi ssionais de enfermagem precisam possuir conhecimentos acerca das técnicas de comu-
nicação terapêutica, visando oferecer uma assistência de qualidade, bem como devem 
valorizar os aspectos biológicos, físicos e emocionais, entendendo o envelhecimento como 
fenômeno complexo e heterogêneo.
REFERÊNCIAS
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o cuidado de enfermagem. Rev Bras Enferm.2007; 60(3): 263-67.
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sentimentos dos familiares envolvidos no processo. Rev. esc. enferm. USP; 2010 44( 
2): 360-67 
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contribuição para a consulta de enfermagem. Rev. Latino-am. Enfermagem. 2005; 
13(5): 723-28.
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mento essencial do cuidado. Rev Bras Enferm.2008; 61(3):312-18.
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Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas envolvendo Seres Humanos. 
Brasília, 1996.
7. Bardin, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edição 70, 1979.
8. Jorgetto, G. V.; Noronha, R.; Araújo, I. E. Assistência de enfermagem a pacientes cirúr-
gicos: avaliação comparativa. Rev Eletrônica de Enfermagem.2005; 7(3): 273 -77.
9. Chistóforo BEB, Zagonel IPS, Carvalho DS. Relacionamento enfermeiro-paciente 
no pré-operatório: uma refl exão à luz da teoria de Joyce Travel bee. Cogitare 
Enferm.2006; 11 (1): p.55-60.
10. Inaba LC, Silva MJP, Telles SCR. Paciente crítico e comunicação: visão de familia-
res sobre sua adequação pela equipe de enfermagem. Rev. esc. enferm. USP. 2005; 
39(4): 423-29.
143
O CUIDADO AO IDOSO NO ÂMBITO FAMILIAR
Francisca Valéria Alencar Fernandes1
Graduanda de Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba.
Carla Braz Evangelista2
Graduanda de Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba.
Maria Izabel Gonçalves de Alencar Freire3
Graduanda de Enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba
INTRODUÇÃO
A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera como idosas as pessoas com 60 
anos ou mais, se elas residem em países em desenvolvimento, e, com 65 anos ou mais se 
forem habitantes de países desenvolvidos. (3) 
Atualmente se observa um aumento expressivo do número de idosos em todo o 
mundo. Este aumento do contingente de idosos se deve ao que chamamos de transição 
epidemiológica ou demográfi ca, que é derivada da diminuição das taxas de natalidade e 
diminuição das taxas de mortalidade, fazendo com que haja a diminuição de crianças na 
população e um aumento considerável na expectativa de vida. (9) 
As estatísticas da OMS apontam que até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo 
em número de idosos. Em 2003, a esperança de vida estimada ao nascer no Brasil, para 
ambos os sexos, subiram para 71,3 anos; foi um aumento de 0,8 anos em relação à de 
2000 (70,5 anos).(1) 
É de fundamental importância preservar os direitos daqueles que possuem mais de 60 
anos, defendendo os que um dia poderão ser materializados para nossa próprio benefício 
quando a senilidade chegar. Nesta vicissitude, destaca-se a família, que até pouco tempo 
atrás, era entendida como o conjunto de pessoas residentes sob o mesmo teto e que entre 
si, apresentam laços de parentesco e de afi nidade. Hoje, tem seu conceito etimológico e 
representações bem característicos, modifi cados pelo poder do tempo e substituição de 
valores. (²) 
No entanto, o que não deve ser ultrapassado ou negligenciado, nesta fase de transição, 
irrefutavelmente, é a responsabilidade moral que se deve ter entre cada um de seus cons-
tituintes, responsabilidade esta que é construída e reforçada pelos ideais de amor e pelo 
sentimento peculiar de se pertencer à um núcleo especial que é a família. As repercussões 
144
destas diversidades no contexto familiar têm implicado diretamente em um de seus mem-
bros, o idoso. (5)
Portanto, o objetivo primordial da pesquisa consiste em avaliar as responsabilidades 
da família quanto ao cuidado do ser idoso.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo retrospectivo, longitudinal, descritivo, exploratório com abor-
dagem qualitativa, do tipo revisão bibliográfi ca. Após a defi nição do tema os dados foram 
coletados através de bases teóricas presentes em acervos literários, periódicos e artigos 
eletrônicos científi cos. 
A pesquisa exploratória tem como principal fi nalidade desenvolver, esclarecer e modi-
fi car conceitos e idéias, com vista a problemas formulados. Assim, a pesquisa exploratória 
é desenvolvida para proporcionar uma visão geral acerca de determinado fato.¨(6)
Na pesquisa descritiva os fatos são observados, registrados, analisados, classifi cados 
e interpretados sem que o pesquisador realize nenhuma interferência nos mesmos. Sendo 
assim, a pesquisa exploratória descritiva além de permitir a exploração de uma validade 
não conhecida, da qual há necessidade de maiores informações, ainda proporciona maio-
res conhecimentos sobre determinados problemas. (6)
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A família, a sociedade e o estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos 
da cidadania, garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem 
estar e o direito a vida. O processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral, 
devendo ser objeto de conhecimento e informação para todos. O idoso não deve sofrer dis-
criminação de qualquer natureza. A Lei nº. 8.842, de 4 de Janeiro de 1994, tem por objetivo 
assegurar os direitos sociais do idoso, criando condições para promover sua autonomia, 
integração e participação efetiva na sociedade.(10)
Família é defi nida como um grupo enraizado numa sociedade que possui uma traje-
tória que lhe delega responsabilidades sociais. Cabe aos membros da família entender o 
idoso em seu processo de vida, de transformações, conhecerem suas fragilidades, modi-
fi cando sua visão e atitude sobre a velhice e colaborar para que o idoso mantenha sua 
posição junto ao grupo familiar e a sociedade. (10)
145
Isto pode implicar em alterações na função tradicional da família de suporte e apoio 
aos idosos, seja pelo menor número de membros na família para cuidar das pessoas idosas 
ou pelo menor tempo da mulher, tradicional cuidadora dos dependentes da família, para 
assumir os cuidados dos parentes idosos. (3)
As pesquisas demográfi cas mostram crescente diversidade e fl uidez nos arranjos 
familiares brasileiros evocando um cenário bem mais complexo do que a suposta pas-
sagem do modelo “patriarcal”, associado à convivência de muitos parentes e um sistema 
hierárquico rígido de valores e posições de autoridade,para o modelo “moderno”, formado 
pelo casal heterossexual e seus fi lhos, em que a criança ocupa lugar de destaque que anti-
gamente era reservado ao idoso. (5)
Geralmente a função do cuidador é assumida por uma única pessoa da família, deno-
minada cuidador principal, seja por instinto, vontade, disponibilidade ou capacidade. Este 
assume tarefas de cuidado atendendo às necessidades do idoso e responsabilizando-se 
por elas. Os cuidadores atribuem sua vontade e seu compromisso à solidariedade com o 
companheiro(a) de vida, ao desejo de retribuir os cuidados recebidos na infância, ao seu 
horror ao isolamento e à ausência de outras alternativas. (8) 
Contudo, diante de um novo contexto social há vários desfalques nessa estrutura, 
onde muitas vezes o idoso é abandonado, estigmatizado, discriminado, vivendo a mercê de 
sua própria sorte. Nas situações familiares em que os idosos dependem dos fi lhos sejam 
em abrangência ou instancia, estes podem exercer poder de forma impiedosa sobre seus 
pais e avós, o que pode confi gurar uma situação de abuso. Seja em forma de maus tratos, 
abandono e/ou negligência por parte dos mais jovens para com os mais velhos. (4)
A questão dos maus tratos em idosos pelos seus familiares, onde os mesmos vivem 
sob agressão física, verbal ou psicológica. Muitas vezes essas agressões, são praticadas 
por rejeição dos familiares, por se sentirem obrigados a cuidar do idoso, e também quando 
cuida do idoso apenas com interesse em sua renda mensal. Essa afi rmação mostra que o 
idoso torna-se muitas vezes um fardo pesado para os seus familiares, de modo a desen-
cadear o desinteresse pelo seu bem-estar e até mesmo uma revolta pela obrigação de 
cuidar desse idoso, o que compromete diretamente a atenção que deve ser dispensada ao 
mesmo.(4)
Além da disponibilidade de tempo para o cuidado com o idoso, que se encontra muitas 
vezes difi cultada devido às responsabilidades de cada membro da família, ainda existe a 
questão da qualidade do cuidado prestado por parte dos familiares, pois se o mesmo é feito 
por amor torna-se menos exaustivo para quem cuida. No entanto, se o mesmo for feito ape-
nas por obrigação poderá tornar-se devido à complexidade desse zelo, uma tarefa árdua 
146
e frustrante para o cuidador, e principalmente, para o idoso que é quem está necessitando 
desta atenção. (3)
Portanto, de acordo com o art. 230 da Constituição Federal Brasileira (1988), a família, 
a sociedade e o Estado têm o dever de assegurar ao idoso todos os direitos da cidadania, 
garantindo sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade, bem-estar e direito 
à vida, entretanto, é necessário enfatizar que, embora a legislação e as políticas públicas 
afi rmem e a própria sociedade acredite que os idosos devam ser cuidados pela família (por 
questões morais, econômicas ou éticas), não se pode garantir que a família prestará um 
cuidado humanizado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Diante do exposto, conclui-se que as Políticas Nacionais e a Constituição Federal 
apontam à família como responsável pelo atendimento às necessidades do idoso, muito 
embora até agora o delineamento de um sistema de apoio às famílias e a defi nição das res-
ponsabilidades das instâncias de cuidadores formais e informais, na prática, não acontecem. 
Portanto, os sistemas de saúde pública ou privado não estão preparados para atender 
nem a demanda de idosos que cresce a cada dia, nem a de seus familiares. Isto faz vir à 
tona a necessidade de novas políticas públicas de saúde direcionadas aos idosos. Bem 
como um melhor conhecimento por parte da família sobre a complexidade dos eventos que 
ocorre durante o envelhecimento de seus membros propiciando um melhor cuidar dos mes-
mos direcionando o cuidar adequado ao idoso, incluindo medidas preventivas específi cas, 
proporcionando a este último, um, envelhecimento saudável no seio da família cumprindo 
suas responsabilidades éticas legais. 
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Idosos Brasileiros. Rio de Janeiro: IPEA, 1999. Disponível em: Acesso em: 10 de setembro de 
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2005. 
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Janeiro: Caderno Saúde Pública, 2003. Disponível em: Acesso em: 10 de setembro de 
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balizada. São Paulo: Atheneu, 2005.
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10.TEIXEIRA, Fátima. O Idoso e a Família: Os Dois Lados da Mesma Moeda. São Paulo, 
2000. Disponível em: Acesso em: 08 de 
Setembro de 2009. 
148
ASSISTÊNCIA AO IDOSO NA PROMOÇÃO DA SAÚDE: PRODUÇÃO 
CIENTÍFICA NO CAMPO DA EDUCAÇÃO FÍSICA
INTRODUÇÃO
O envelhecimento tem se tornado um dos temas mais comentados em todos os meios 
científi cos e populares, visto que a população mundial está envelhecendo progressiva-
mente¹, e como tal, é um processo comum a todos os seres vivos, portanto, um fator natural 
e inevitável, regido por bases fi siológicas cujas alterações determinam mudanças estrutu-
rais no corpo e, conseqüentemente funcionais. No ser humano, assume dimensões que 
ultrapassam o ciclo biológico, acarretando também conseqüências sociais e psicológicas², 
gerando repercussões políticas e sociais voltadas às necessidades individuais e coletivas 
do idoso, evidenciando a importância de garantir aos mesmos não só uma sobrevida maior, 
mas também uma boa qualidade de vida. Atualmente, a maior proporção de idosos está 
principalmente nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Paraíba. O Brasil, hoje, 
apresenta um contingente de aproximadamente 21 milhões de idosos (pessoas com idade 
igual ou superior a 60 anos); em 2025 esse número passará para 32 milhões, quando o 
Brasil ocupará o sexto lugar no mundo em população idosa (...)³. A Organização Mundial da 
Saúde adotou o termo “envelhecimento ativo” como forma de propor ações que favoreçam 
o modo de vida mais saudável no decorrer da vida. Uma das propostas sugeridas para um 
envelhecimento saudável e ativo, e que assume papel fundamental na promoção da saúde, 
assim como nas diferentes estratégias de prevenção de doenças, é a prática regular de ati-
vidade física. Para que esse crescimento seja acompanhado de uma boa qualidade de vida 
aos idosos, faz-se necessário que a população seja preparada para um envelhecimento 
mais ativo³. Com programas de atividade física esses efeitos podem ser prevenidos ou até 
mesmo minimizados, pois evidenciando os trabalhos no sentido biológico, teremos reper-
cussões no processo comportamental desses indivíduos, já que trabalhar a inter-relação 
entre corpo e mente é ponto fundamental na prevenção da saúde. É certo que não se pode 
evitar o envelhecimento. No entanto, pode-se exercer infl uênciaprestada. Humanizar é mais que uma vontade, é uma atitude, é necessário 
reconhecer o ser humano idoso em sua singularidade onde cada um apresenta desejos, 
sonhos, dúvidas, e problemas diferentes e ao mesmo tempo dar atenção e escutar as suas 
necessidades não só físicas, mas psicológicas. 
A humanização no atendimento exige dos profi ssionais de saúde, essencialmente, 
compartilhar com o seu paciente experiências e vivências que resultem na ampliação do 
foco de suas ações, via de regra restritas ao cuidar como sinônimo de ajuda às possibilida-
des da sobrevivência. Dessa forma, cada encontro entre o profi ssional e o paciente reveste-
-se de uma tomada de consciência quanto aos valores e princípios norteadores de suas 
ações, num contexto relacional(5,6).
Com relação aos princípios da Política Nacional de Humanização, surgem as idéias 
centrais: Fica até repetitivo, mas é receber bem os pacientes e tratá-los com respeito
Em relação a questão que trata sobre os princípios da Política Nacional de Humanização, 
os profi ssionais de enfermagem não são conhecedores dos mesmos, com isso, não sabem 
como utilizá-los na assistência. Nota-se uma carência no sentido de humanizar dentro do 
que é legalizado e preconizado pelo Ministério da Saúde, o não conhecimento pode ser por 
falta de aperfeiçoamento ou muitas vezes falta de interesse pelo assunto, mas cabe a cada 
um se especializar, ter interesse e reverter esse quadro, e parar de falar em humanização 
na teoria e sim colocar em prática dentro dos princípios éticos e legais existentes. 
Os princípios da PNH são: a valorização da dimensão subjetiva e social em todas as 
práticas de atenção e gestão, fortalecendo, estimulando processos integradores e promo-
tores de compromisso e responsabilização; estímulo a processos comprometidos com a 
produção de saúde e com a produção de sujeitos; fortalecimento de trabalho em equipe 
multiprofi ssional, estimulando a transdisciplinariedade e agrupalidade. Atuação em rede 
com alta conectividade, de modo cooperativo e solidário, em conformidade com as dire-
trizes do SUS e utilização da informação, da comunicação, da educação permanente e 
dos espaços da gestão na construção da sua autonomia e protagonismo de sujeitos e 
coletivos(6,7).
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A Enfermagem tem papel relevante no atendimento humanizado ao idoso, sendo res-
ponsável por esclarecer suas dúvidas, medos e ansiedades favorecendo um vínculo afe-
tivo para com o usuário. O atendimento realizado de forma satisfatória trás tanto para o 
13
profi ssional quanto para o paciente alegria e motivação para a continuidade da assistência, 
ressaltando que quando se escuta, compreende e se solidarializar com o problema do outro 
“o paciente idoso” o enfermeiro tem aptidão para realizar as intervenções necessárias e 
cabíveis no momento do acolhimento. 
O que verifi camos foi a falta de interesse, vínculo afetivo e de prazer para trabalhar 
com o idoso, considerada uma área que precisa de identifi cação, pois exige muito do pro-
fi ssional, sendo necessário paciência, conhecimento técnico e científi co sobre as patolo-
gias decorrentes da idade, como também de amor, cuidar e assistir bem o idoso de forma 
humanizada e ao mesmo tempo agilizada requer competência, e quando se tem afi nidade 
por determinado publico conseqüentemente se tem resultados positivos.
Diante disso, acreditamos que o acolhimento e atendimento de qualidade para com o 
idoso, devem priorizar o cuidado e a humanização da assistência. A enfermagem como pro-
fi ssão envolvida com o cuidado ao ser humano em todas as fases da vida pode contribuir 
e muito neste processo de modifi cação, ou seja, a senilidade, pois ela além de acolher é 
quem capacita outros profi ssionais, então é responsável por oferecer aos usuários atendi-
mento humanizado nos serviços que dispõe. 
Espera-se que este estudo sirva de incentivo para que os profi ssionais procurem se 
conscientizar no sentido de melhorar a qualidade da assistência em especial para com a 
pessoa idosa, desempenhando e desmistifi cando funções juntamente com a equipe de 
saúde em prol de melhores resultados, se cada um procurar desempenhar e desenvolver 
seu papel de forma correta, teremos se não perfeito mas com certeza um atendimento 
humanizado, acolhedor ou ate mesmo a assistência que tanto almejamos. 
REFERÊNCIAS 
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2528 de 19 de outubro de 2006.
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Organização da Atenção no SUS – A integralidade da atenção a saúde. Encontro dos 
estudantes universitários da área de saúde e o SUS. Brasília, 17 maio de 2003.
15
CARACTERIZAÇÃO DOS CUIDADORES DE IDOSOS
ADSCRITOS NA ESTRATÉGIA DE SAÚDE DA FAMÍLIA
NO MUNICÍPIO DE JOÃO PESSOA - PB
Barbosa KTF¹, Nunes TB², Oliveira FMRL³, Pedroza AP4, Sá LR5
1 - Graduanda de Enfermagem da UFPB. Bolsista de Iniciação Cientifica
2 - Graduanda de Enfermagem da UFPB. Bolsista de Iniciação Cientifica
3 - Graduanda de Enfermagem da UFPB. Bolsista de Iniciação Cientifica
4 - Enfermeira. Especialista em Estratégia de Saúde da Família.
Mestranda em enfermagem pela Universidade Federal da Paraíba 
5 - Graduanda de Enfermagem da UFPB. Bolsista de Iniciação Cientifica
INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, a sociedade tem observado um crescimento signifi cativo da 
população mundial, com mudanças dos índices elevados de mortalidade, natalidade e de 
populações predominantemente jovens, resultando consequentemente, um aumento da 
proporção de pessoas idosas (1).
No Brasil, no início do século, os idosos representavam 3,2% da população, em 1960 
eram 4,7% e no ano de 2025 poderão chegar a 13,8%, estimando-se que o país será o 
sexto do mundo em número de idosos (2).
Estudos realizados sobre a terceira idade revelam que o aumento do número de ido-
sos se deve a vários fatores: tendência crescente da expectativa de vida, estando hoje o 
nível de esperança de vida ao nascer em torno de 71,3 anos, melhoria geral das condições 
de saúde e mudança dos padrões de doença e saúde como também, a redução dos índices 
de mortalidade e diminuição da taxa de natalidade (3).
Entre as principais preocupações relacionadas à saúde advindas com a longevidade 
destacam-se as maiores ocorrências de doenças crônicas, quedas e incapacidade funcio-
nal, fazendo com que esses indivíduos necessitem, em muitos casos, de um cuidado per-
manente e continuado para o adequado manejo clínico de suas patologias, uma vez que, o 
paciente idoso normalmente demanda condições específi cas para o seu cuidado devido à 
diminuição de algumas capacidades ao longo dos anos (4).
Vários fatores levam a escolha do cuidador, dentre eles, destaca-se: depender fi nan-
ceiramente do idoso, obrigação moral e princípios religiosos, o fato de ser cônjuge, a ausên-
cia de outros familiares parasobre a maneira de como 
envelhecer, contribuindo para um signifi cativo bem-estar com qualidade de capacitação 
em suas atividades/movimentos e relacionamento social. Diante destas considerações, é 
inegável a produção de novos conhecimentos acerca da assistência ao idoso na promo-
ção da saúde, no campo da educação física. Daí o nosso interesse como profi ssionais de 
saúde em realizar um estudo tendo como foco norteador os seguintes questionamentos: 
149
Quais as modalidades da produção científi ca acerca da assistência ao idoso na promoção 
da saúde, no campo da educação física disseminada em periódicos online no período de 
2006 a 2011? Quais as áreas do conhecimento e a formação dos autores dos artigos inse-
ridos na pesquisa? Qual o enfoque dos artigos na qualidade de vida do idoso? Na busca de 
responder aos questionamentos propostos, o presente estudo tem por objetivos verifi car as 
modalidades da produção científi ca acerca da assistência ao idoso na promoção da saúde, 
no campo da educação física disseminada em periódicos online no período de 2006 a 2011; 
identifi car as áreas do conhecimento e a formação dos autores dos artigos inseridos na 
pesquisa e descrever o enfoque dos artigos em relação à qualidade de vida no idoso.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa documental, com abordagem quanti-qualitativa tendo como 
fonte de dados artigos nacionais publicados em periódicos online acerca da assistência ao 
idoso na promoção da saúde, no campo da educação física em periódicos online no perí-
odo de 2006 a 2011. Para viabilizar a coleta do material empírico utilizou-se a Biblioteca 
Virtual em Saúde, consultando a base de dados: Scientifi c Eletronic Library Online (Scielo). 
A busca bibliográfi ca foi realizada a partir das seguintes palavras-chave: Assistência ao 
idoso na promoção da saúde; Assistência ao idoso na educação física; Assistência ao idoso 
na promoção da saúde em educação física; Atividade física associada à promoção da saúde 
em idosos. A coleta de dados ocorreu durante os meses de agosto a setembro de 2011. 
O universo do estudo foi constituído por 15 publicações. Para seleção da amostra foram 
estabelecidos os critérios de inclusão, tais como: o título abordasse a temática investigada; 
o artigo estivesse publicado no período selecionado para o estudo; e o trabalho estivesse 
na íntegra e no idioma. Portanto, a amostra foi composta por apenas 11 artigos que atende-
ram aos critérios pré-estabelecidos. As etapas operacionais adotadas neste estudo foram: 
seleção da base de dados; elaboração de critérios de inclusão; seleção dos artigos abor-
dando a temática; extração dos dados das publicações investigadas a partir dos objetivos 
propostos; agrupamento dos itens selecionados por categorias; apresentação dos dados 
obtidos por meio de representação. 
APRESENTAÇÃO DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Para melhor compreender a temática investigada, os dados obtidos nos artigos inclu-
ídos na investigação proposta foram agrupados, sendo possível evidenciar os dados refe-
rentes ao ano, à modalidade de publicação, à área de formação dos pesquisadores e aos 
150
enfoques contemplados pelos autores do material analisado. Quanto aos anos de publi-
cação, observou-se que os períodos 2008 e 2009 apresentaram três artigos publicados 
cada, totalizando 55% da amostra; 2007 e 2010, dois artigos publicados cada, 36%; foi 
encontrado um artigo no período 2011, 9%. Cumpre assinalar que em 2006, constatou-se 
que não houve nenhuma publicação nos periódicos pesquisados acerca do tema proposto. 
De uma forma geral, observou-se um número reduzido de publicações acerca da assistên-
cia ao idoso no campo da educação física. Em relação ao tipo de pesquisa, evidencia-se 
que a maioria trata-se de Revisão de Literatura, com cinco publicações, 45%, seguido de 
artigos Originais com quatro artigos, 37%, e Relato de Experiência com dois artigos publi-
cados, 18%, concluindo que existe um maior interesse dos pesquisadores em apresentar 
estudos provenientes de pesquisa de revisões literárias acerca da temática em estudo. 
Quanto à área do conhecimento das publicações, destaca-se: Ciências Biológicas e da 
Saúde com a maioria dos artigos publicados e Ciências Humanas e Sociais, representa-
das pelos cursos de Psicologia e Serviço Social. No tocante à formação profi ssional dos 
autores, o quantitativo mais representativo foi de Educação Física, seguido por Medicina, 
Nutrição, Enfermagem e Psicologia. Odontologia e Serviço Social apareceram com dois 
autores cada; Ciências Biológicas, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional com apenas um 
autor. Isso nos mostra o interesse por parte destes pesquisadores das referidas áreas na 
produção de novos conhecimentos para respaldar a importância de uma assistência inte-
gral ao público idoso. Analisando as publicações inseridas no estudo, criamos duas catego-
rias em relação ao conteúdo: Qualidade de vida no idoso e Envelhecimento populacional e 
inovações. Os títulos dos artigos estão expressos nos quadros 1 e 2:
CATEGORIA I – Qualidade de vida no idoso
Títulos das publicações
A educação em saúde como agente promotor de qualidade de vida para o idoso; 
Impacto de um programa de promoção da saúde na qualidade de vida do idoso; 
Programa de atendimento multidisciplinar a saúde do idoso: contribuições da educação física; 
Atividade física e prevalência de quedas em idosos residentes no sul do Brasil;
Avaliação dos níveis de atividade física, autonomia funcional e qualidade de vida de idosas integran-
tes do programa de saúde da família; 
Programa de atividade física em unidades básicas de saúde: relato de experiência no município de 
Rio Claro – SP.
Quadro 1 - Distribuição dos artigos por título da categoria I – 
Qualidade de vida no idoso, segundo o conteúdo das publicações selecionadas para o estudo.
Fonte: Material empírico do estudo, 2011.
151
Verifi ca-se na análise desses artigos que o acesso aos serviços de saúde de qualidade 
é um elemento central para a qualidade de vida relacionada à saúde do idoso, onde esses 
indivíduos devam se sentir bem psicologicamente, em boas condições físicas e social-
mente integrados. O exercício físico regular pode trazer benefícios para a manutenção da 
saúde física e mental dos idosos, pois contribui para a prevenção de doenças crônico-dege-
nerativas, para uma maior autonomia funcional, melhora na auto-estima e auto-imagem e 
na sociabilização, componentes fundamentais da qualidade de vida.
CATEGORIA II - Envelhecimento populacional e inovações
Títulos das publicações
Envelhecimento populacional contemporâneo: demandas, desafi os e inovações;
Trabalho voluntário: uma alternativa para a promoção da saúde de idosos;
Ações educativas em promoção da saúde no envelhecimento: a experiência do núcleo de atenção ao 
idoso da UNATI/UERJ;
Efeitos longitudinais das atividades avançadas de vida diária em idosos: implicações para a reabilita-
ção gerontológica.
Educação física para idosos: a promoção da saúde como suporte para a prática educativa;
Quadro 2 - Distribuição dos artigos por título da categoria II – Envelhecimento populacional e inovações, 
segundo o conteúdo das publicações selecionadas para o estudo.
Fonte: Material empírico do estudo, 2011.
Nesses artigos, observa-se a valorização da informação, como componente educativo, por 
sua capacidade em prever e possibilitar do diagnóstico precoce, especialmente em relação 
às doenças crônicas, podendo retardar o aparecimento desses agravos e melhorar a qua-
lidade de vida. Aponta a manutenção de atividades como um benefício e uma necessidade 
para a satisfação com a vida na velhice, enfatizando que a maioria dos idosos requer e de-
seja níveis elevados de atividade social. E que a pessoa que envelhece em boas condições 
é aquela que permanece ativa e consegue resistir a vários obstáculos, em especial ao de-
sengajamento social Especialmente no caso dos idosos, que podem tersua independência 
e autonomia abalada devido às perdas fi siológicas, psicológicas e sociais, associadas à 
imagem negativa do envelhecimento, as intervenções em saúde, como é o caso da educa-
ção física, precisam basear-se no sentido biopsicossocial. Tais práticas adquirem um pa-
pel importante para essa população, tornando possível disseminar informações e construir 
ações que preconizem hábitos de vida saudáveis, para um envelhecimento bem sucedido.
152
CONCLUSÃO
Observa-se que a discussão acerca da assistência ao idoso na promoção da saúde, 
no campo da educação física, está em processo de desenvolvimento, pois foram encon-
tradas poucas publicações sobre o tema investigado. Sendo assim, há uma preocupação 
de pesquisadores de diversas áreas do conhecimento sobre este fenômeno, buscando dar 
visibilidade ao tema. Faz-se necessário, portanto, conhecimento científi co adequado, capa-
citação dos profi ssionais envolvidos no cuidar de idosos, visando habilidades e competên-
cias para se desenvolver ações específi cas que garantam uma qualidade de vida aos que 
vivenciam o processo de envelhecer. É mister que o referido tema ganhe maior notoriedade 
nas pesquisas e exposições literárias no cenário nacional, a fi m de propor medidas que 
possam garantir melhor qualidade de vida a essa faixa etária. Dessa forma, a divulgação 
de artigos referentes à assistência ao idoso na promoção da saúde, no campo da educa-
ção física, contribuirá com informações para delinear propostas inovadoras de educação 
e atividade física, respeitando às diferenças e buscando o rompimento de barreiras para 
a construção de um novo paradigma, permitindo não somente o acesso desse grupo aos 
recursos de ensino aprendizagem como também a inserção social do mesmo. 
REFERÊNCIAS
1. VERDERI, Érica. O corpo não tem idade: educação física gerontológica. Jundiaí, 
SP: Editora Fontoura, 2004, 1ª ed.
2. PICKLES B. et al. Fisiologia na 3ª idade. 2.ed. São Paulo: Santos, p.197-212, 2000
3. MINISTÉRIO DA SAÚDE (Br). Portal da Saúde. Disponível em . Acesso em 12 de setembro de 2011. 
153
ASSISTÊNCIA AO IDOSO NO CONTEXTO DOMICILIAR:
PRODUÇÃO CIENTÍFICA NO CAMPO DA SAÚDE 
Eveline de Oliveira Barros (UFPB), Leila de Cássia Tavares da Fonsêca (UFPB),
Dafne Souto Macêdo (UFPB), Karla Dayanne Nunes Barbosa Menezes (UFPB),
Glauciele Barbosa Pereira Medeiros (UFPB)
INTRODUÇÃO
O envelhecimento populacional é um fenômeno mundial, com signifi cativas modifi ca-
ções demográfi cas no fi nal do Século XX. Diversos estudos e pesquisas afi rmam que, em 
1900, menos de 1% da população tinha mais de 65 anos de idade, enquanto no fi nal do 
século XX, cerca de 6,2% da população atingiam esse patamar etário1. O Brasil, nos últi-
mos anos, vem apresentando um novo padrão demográfi co que se caracteriza pela redu-
ção da taxa de crescimento populacional e por transformações profundas na composição 
de sua estrutura etária, com um signifi cativo aumento do contingente de idosos1. Desde 
a década de 1940, vem sendo registrado crescente número de idosos na população2. O 
envelhecimento da população é consequência de algumas ações que foram consolidadas 
para a melhoria da qualidade de vida, entre as quais se destacam fatores como alimenta-
ção, educação, habitação, saneamento básico, vacinas, medicamentos para controle de 
doenças crônicas, refl etindo no aumento da expectativa de vida3. O processo de envelhe-
cimento e sua consequência natural, a velhice, são descritos como uma série de modifi -
cações nos aspectos físicos, cognitivos e socioeconômicos do ser humano, tornando-o 
mais susceptível ao desenvolvimento de patologias, sejam estas agudas ou crônicas4, bem 
como de adquirir incapacidades, resultando na necessidade de uma assistência domiciliar. 
Torna-se essencial que os profi ssionais de saúde tomem consciência dos fatores determi-
nantes desse processo, compreendendo sua complexidade e magnitude, atuando em prol 
da promoção da saúde dos idosos. No Brasil, a transição demográfi ca e a transição epide-
miológica apresentam, cada vez mais, um quadro de sobrevivência de idosos na depen-
dência de uma ou mais pessoas – cuidadores – que suprem as suas incapacidades para a 
realização das atividades de vida diária5. Comumente esses cuidadores não contam com 
conhecimentos prévios e básicos para o desempenho de seu papel em consonância com 
as necessidades do idoso funcionalmente dependente. Atualmente, chegar à velhice é um 
fato comum, onde há algum tempo, era privilégio de poucos. Porém, deve-se considerar 
154
que o aumento da expectativa de vida apenas se torna interessante quando associado à 
qualidade aos anos conquistados. O cuidado domiciliar requer a reorganização dos servi-
ços de saúde com ênfase na promoção e ed ucação, identifi cando as reais necessidades 
dos envolvidos, permitindo também a autonomia e a co-responsabilidade, a valorização da 
subjetividade e a criação de vínculo6. Tais práticas exigem a participação ativa do idoso no 
movimento de construção e efetivação das leis e políticas sociais e de saúde que viabili-
zem o viver e o envelhecer com qualidade. Segundo o Ministério da Saúde7, a assistência 
domiciliar é uma modalidade integrante da Atenção Domiciliar, que pode ser realizada por 
profi ssionais da Atenção Básica ou da atenção especializada e destina-se a responder às 
necessidades de saúde de um determinado segmento da população com perdas funcionais 
e dependência para a realização das atividades da vida diária. A Política Nacional do Idoso 
e a Política Nacional da Saúde do Idoso determinam que a assistência a essa população 
deva ter como preocupação básica a sua permanência na comunidade, no seu domicílio, de 
forma autônoma pelo maior tempo possível4. As políticas sociais e de saúde do idoso têm 
como uma das prioridades a manutenção do idoso no seu ambiente domiciliar. O interesse 
pelo estudo decorre da importância da publicação de trabalhos sobre temas relacionados 
à assistência ao idoso no contexto domiciliar, não apenas como parte do compromisso de 
divulgação de dados necessários à Saúde Pública, mas também para contribuir com uma 
melhor ampliação e disseminação de estudos sobre o tema, em virtude do crescente fenô-
meno do envelhecimento humano, bem como das complicações advindas desse processo 
biológico8, visando melhores e mais adequadas condições de vida e saúde à população 
idosa. Neste sentido, questiona-se: Como se encontra a produção científi ca relacionada à 
Assistência ao Idoso no Contexto Domiciliar? Ante ao questionamento suscitado, esta pes-
quisa objetiva verifi car a produção científi ca em periódicos on-line relacionada à Assistência 
ao Idoso no Contexto Domiciliar, no período de 2006 a 2010.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa documental, com abordagem quanti-qualitativa, tendo como 
fonte de dados teses e artigos nacionais publicados online, acerca do tema abordado, no 
período de 2006 a 2010. Os dados foram coletados durante os meses de agosto e setem-
bro de 2011. O universo do estudo foi constituído por 04 teses e 13 artigos, totalizando 17 
fontes, disponibilizadas online na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Para a localização das 
fontes foram utilizados os seguintes descritores: assistência and idoso. Para selecioná-las 
foram adotados os seguintes critérios de inclusão: que as fontes abordassem a temática 
investigada; tivessem sido publicadas no período de 2006 a 2010; e apresentassem o texto 
na íntegra e no idioma português. Para viabilizar a coleta do material empírico, em relação 
155
aos artigos, foi elaborado um instrumento contendo os seguintes aspectos: título do peri-
ódico e do artigo, ano da publicação, modalidade de publicação do artigo, e enfoque dos 
artigos. Em relação às teses, foi elaborado um instrumento contendo: título da tese, ano da 
publicação e o enfoque das mesmas. Para cada fonte selecionada foi criada umafi cha de 
leitura contendo todos os dados apresentados no instrumento anteriormente citado, facili-
tando, dessa maneira, o registro, bem como a análise dos dados.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Quanto aos anos de publicação, os resultados mostraram que o ano de 2009 cor-
respondeu ao maior número de publicações, com 06 fontes (35,3%), seguidos do ano de 
2010 com 02 (11,8%), 2008 também com 02 (11,8%), 2007 com 04 (23,5%) e 2006 com 
03 artigos (17,6%). No que concerne às modalidades de publicação referenciadas nas 
fontes selecionadas para a pesquisa, todas foram identifi cadas como artigos originais 
(100%). Com os dados obtidos sobre a temática abordada, todas as fontes enfatizam a 
progressão do envelhecimento da população a nível mundial e que, diante da magnitude 
deste evento, as políticas públicas e privadas serão afetadas, exigindo dos gestores inves-
timentos favoráveis a esta classe populacional, como também a criação, implementação e 
desenvolvimento de programas de assistência voltada aos profi ssionais da área da saúde, 
sensibilizando-os quanto à interatividade no processo da assistência, juntamente com a 
família dos idosos, visto que a necessidade de aquisição de orientações e conhecimento 
acerca da assistência foi abordada na maioria das fontes pesquisadas. Salientando-se que, 
quando orientados adequadamente, os idosos e as pessoas que lhes assistem alcançam 
melhor qualidade de vida e contribuem para a redução considerável das internações hos-
pitalares9. Os resultados apontaram que a assistência prestada aos idosos é iniciada pelos 
profi ssionais da saúde, porém o suporte maior desta cabe a um cuidador, que geralmente 
é um membro da família, prevalecendo o sexo feminino, com destaque para o cônjuge e 
fi lhos. Dentre os cuidadores, foi visto que eles gostariam de receber ajuda no cuidado, mas 
não de abandoná-lo, considerando uma atividade que requer tempo e esforço, tornando-se, 
muitas vezes, exaustiva.
CONCLUSÃO
A assistência ao idoso a nível domiciliar requer, dentre outras coisas, respeito, afetivi-
dade, entendimento sobre o envelhecimento e organização das ações entre os cuidadores 
e o idoso10. A discussão acerca da assistência ao idoso no contexto domiciliar está em 
156
processo de desenvolvimento, visto que foram encontradas poucas publicações sobre o 
tema investigado. A partir do resultado deste estudo, observa-se que é imprescindível iden-
tifi car as necessidades de educação em saúde de profi ssionais que prestam assistência aos 
idosos a nível domiciliar, como também ampliar as ações desta assistência, considerando 
que o idoso é um indivíduo com necessidades próprias e particulares de atenção à saúde, 
promovendo um cuidado integrado e qualifi cado à população idosa. Sendo assim, faz-se 
necessário o conhecimento científi co adequado e a capacitação dos profi ssionais envolvi-
dos na assistência aos idosos, visando habilidades e competências para se desenvolver 
ações específi cas que garantam uma qualidade de vida aos que vivenciam o processo de 
envelhecimento humano.
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Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística; 2009.
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res. Rev de Enfermagem UERJ. 2009; 17 (1): 41 – 45.
10. Braz E, Ciosak SI. O tornar-se cuidadora na senescência. Esc Anna Nery Rev de 
Enfermagem. 2009; 13 (2): 372 – 377. 
158
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DE UM GRUPO DE
IDOSOS ATENDIDOS NO MUNICÍPIO DE CUBATI – PB
PELO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA.
Michelly Martins de Melo – Diretora do Hospital e Maternidade de Cubati - PB
Bruna Moura da Silva - UEPB - Universidade Estadual da Paraiba
José Edison Rodrigues Junior - UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte
INTRODUÇÃO
O envelhecimento é um processo natural, mas hoje no mundo é faixa etária que vem 
crescendo cada vez mais. Tanto isso é verdade que se estima para o ano de 2050 que exis-
tam cerca de dois bilhões de pessoas com sessenta anos e mais no mundo, a maioria delas 
vivendo em países em desenvolvimento. No Brasil, estima-se que existam, atualmente, 
cerca de 17,6 milhões de idosos. A partir da Política Nacional de Saúde do idoso em 19 de 
outubro de 2006, contribuiu de forma signifi cativa para uma melhor assistência de saúde 
voltada para a pessoa idosa. (1)
Com o crescimento da população idosa que é um processo natural que ocorre den-
tro da sociedade, se da á importância de melhorar a qualidade de vida, diante disto o 
Brasil passou a criar leis voltadas para se obter um envelhecimento saudável e ativo desta 
população. 
O Programa de Saúde da Família é a porta de entrada do sistema de saúde, tendo 
como foco a promoção, prevenção e recuperação da saúde de forma, mas digna e confor-
tável, para se ter um envelhecimento mais saudável.
Para tanto, a abordagem do idoso na equipe do PSF, tem uma nova “visão” para o 
envelhecimento promovendo uma assistência universal, integral, interdisciplinar e interse-
torial, assim contribuindo para uma promoção da saúde. Espera-se oferecer a pessoa idosa 
e a sua rede de suporte social, incluindo familiares e cuidadores, uma atenção humanizada 
com orientação, acompanhamento e apoio domiciliar respeitando suas difi culdades e as 
culturas locais. (1)
A importância deste trabalho objetivou conhecer a Qualidade de Vida de um grupo de 
idosos residentes no município de Cubati – PB. Esta pesquisa teve o intuito de contribuir 
signifi cativamente melhorar o nível de conhecimento da comunidade em questão como tam-
bém no âmbito de interesses dos profi ssionais de saúde a estes idosos, sabendo-se que 
159
esta pesquisa serviu de embasamento neste campo contribuindo na obtenção de melhores 
resultados sobre a Qualidade de Vida.
METODOLOGIA
Tratou-se de uma pesquisa de campo com abordagem quanti-qualitativa. Abordagem 
(2) quantitativa tem por objetivo proporcionar uma visão geral do tipo aproximativo de deter-
minado fato. Quanto à abordagem qualitativa (3) afi rma que este tipo de analise trabalha 
com nível de realidade não mensurável, desta forma, aborda o universo dos signifi cados, 
motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, correspondendo a um espaço mais notá-
vel das relações dos processos e dos fenômenos que não podem reduzir-se a variáveis 
quantitativas.
A população desta pesquisa correspondeu a 112 usuários cadastrados e acompa-
nhados pelos profi ssionais do Programa Saúde da Família - PSF III do município de Cubati 
- PB, na faixa etária acima de 60 anos. A amostra do estudo foi formada por 30 idosos, cor-
respondendoa 18% do total da população apresentada. A escolha dos informantes se deu 
de acordo com a demanda dos mesmos a referida Unidade do PSF que facilitou a coleta 
dos dados para realização da pesquisa. Onde os quais se encaixaram em todos os critérios 
de inclusão e exclusão.
O instrumento de coleta de dados utilizado foi um formulário estruturado, com vinte e 
três perguntas objetivas, aplicado de forma individual, direta, clara, para ser aplicado junto 
aos usuários já cadastrados no Programa Saúde da Família (PSF). 
A pesquisa teve inicio através da inserção da pesquisadora no campo, realizando 
uma visita ao Programa Saúde da Família (PSF) para aplicação do formulário explicando 
os esclarecimentos gerais sobre a pesquisa, assinatura do Termo de Consentimento Livre e 
Esclarecido (TCLE) e mais alguma dúvida que surgiu durante o diálogo entre pesquisadora 
e informante. O formulário foi aplicado de forma individual.
Os dados coletados foram tabulados, colocados em gráfi cos e tabelas, através dos 
programas Microsoft Word e Excel, e estatisticamente para melhor organização e interpre-
tação dos mesmos para posterior análise isto levando em consideração dados relevantes 
seqüenciados de acordo com o formulário padrão. 
A referida pesquisa, quanto aos aspectos éticos, foi baseada na Resolução 196/96 
que aborda os deveres e diretos do pesquisador e do sujeito. Cabe ao pesquisador prestar 
esclarecimentos sobre ela, deixando claro a justifi cativa, os objetivos e os procedimentos 
que serão utilizados na mesma.
160
O projeto para pesquisa foi exposto à avaliação do Comitê de Ética em Pesquisa - 
CEP da Universidade Estadual da Paraíba - UEPB garantindo que a pesquisa só será rea-
lizada após a autorização do parecer favorável.
RESULTADO E DISCUSSÃO
Sobre a Qualidade de Vida (QV) na velhice, (4) é percebida a dimensão subjetiva e 
depende estreitamente dos julgamentos do indivíduo sobre a sua funcionalidade física, 
social e psicológica e bem-estar psicológico (capacidade do indivíduo para adaptar-se às 
perdas e de recuperar-se de eventos estressantes do curso de vida individual e social). 
Observa que 65% dos idosos consideram sua QV como boa, 20% afi rmaram ser regu-
lar “nem boa e nem ruim”, 10% ótima e 5% péssima.
 A QV (5) constitui um compromisso pessoal a busca continua de uma vida saudável, 
desenvolvida a luz de um bem estar indissociável das condições do modo de viver como: 
saúde, moradia, educação, lazer, transporte, liberdade, trabalho, auto-estima entre outros.
Como nos mostra a seguir as realizações das atividades de lazer desempenhadas 
pelos idosos, onde 90% realizam alguma atividade de lazer, assim podendo melhorar a QV 
desses que usufruem e 10% não pratica nenhum tipo de atividade de lazer. Dentre as ati-
vidades de lazer realizadas pelos idosos as mais referidas pela amostra foram: assistir TV 
ouvir música e rádio perfazendo 65% da amostra, 5% dança, 5% viagens, 5% passei, 10% 
demonstraram desempenhar outras atividades e 10% não prática. Isso condiz com o meio 
que eles estão inseridos e a realidade da sociedade, pois é o que eles têm para recrear e 
se diverte.
O Programa Saúde da Família (PSF), criado pelo Ministério da Saúde desde 1994 visa 
reorganizar as práticas da atenção a saúde, tendo como principal objetivo levar a saúde 
para mais perto da família com intuito de melhorar a QV dos brasileiros através de ações 
e prevenção, promoção e recuperação da saúde de forma integral e contínua incorporado 
os princípios básicos da universalização, descentralização, integralidade e participação da 
comunidade, incluindo também as ações de saúde do idoso, visando melhorar sua QV prin-
cipalmente no controle das doenças. (6) 
Destarte que 70% dos idosos entrevistados são acometidos por algum tipo de doença 
e 30% não possuem nenhum tipo de doença, dentre estes 70% estão inseridos as seguin-
tes doenças: 21,5% cardiovascular, 35,7% hipertenso, 14,3% osteoporose e 28,5% outros 
tipos de doença que não foram citados no presente estudo. As pessoas idosas aparte 
dessa etapa da vida estão mais vulneráveis a desenvolver uma doença crônica não trans-
missível, tende a comprometer de forma signifi cativa a QV. 
161
CONCLUSÃO
Diante da rapidez com o envelhecimento populacional tem ocorrido, principalmente no 
nosso país, trazendo importantes conseqüências nos aspectos político, social, cultural, epi-
demiológica e gerando necessidade de transformação em várias áreas, os achados deste 
estudo, podem contribuir para algumas ações, com vista à melhorar a Qualidade de Vida 
dos idosos do município avaliado.
Faz-se necessário que os profi ssionais que atuam no PSF participem ativamente da 
melhoria da qualidade de vida das pessoas idosas, abordando seus aspectos físicos con-
siderados normais e identifi cando precocemente as alterações patológicas, percebendo os 
fatores de risco neles intervindo, se necessário mantendo a pessoa idosa integrada com 
sua família e fora do isolamento social.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. Brasil. Ministério da Saúde. Envelhecimento e saúde da pessoa idosa. Caderno de 
atenção básica. nº. 19 Brasília – DF, 2006.
2. Gil, AC. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas S.A. 2002.
3. Minayo, MCS. O desafi o do conhecimento: pesquisa qualitativa em saúde. 8 ed. São 
Paulo: Hucitec, 2004. 269p.
4. Neri, AL. Qualidade de vida na velhice. In: Trabalho de Geriatria e Gerontologia. 
Freitas; EV. et al. Rio de janeiro, Editora Guanabara Koogan S. A., 2004. 
5. Santos, SR.; Santos, IBC.; Fermandes, MG.; Henriques, MERM. Qualidade de vida do 
idoso na comunidade: aplicação de Flanagan. Rev. Latina-am. Enfermagem, v. 1º, n.6, 
p.757-764, Nov./dez. 2002.
6. Costa, EMA; Carbone, MH. Saúde da Família: uma abordagem interdisciplinar. Rio de 
Janeiro. 2004.
162
O PROCESSO COMUNICATIVO ENTRE ENFERMEIROS E IDOSOS 
HOSPITALIZADOS EM UNIDADE DE CLÍNICA CIRÚRGICA
Laura Cristhiane Mendonça Rezende- UFPB
Kaisy Pereira Martins- UFPB
Danielle Samara Tavares de Oliveira- UFPB
Tatiana Ferreira da Costa– UFPB 
INTRODUÇÃO
O envelhecimento é um processo natural, individual e gradativo, que caracteriza uma 
etapa da vida onde ocorrem modifi cações fi siológicas, bioquímicas e psicológicas, entre 
outras, que irão infl uenciar de maneira decisiva a vida do idoso. Envelhecer implica certas 
perdas físicas, mentais ou sociais, que aliadas à vivencia de fatores penosos e geradores 
de sofrimento, provocam reações de medo, angustia, dor e solidão, tornando o idoso um 
indivíduo fragilizado1,2. O cuidado de enfermagem a pacientes idosos requer o desenvolvi-
mento de aptidões e qualidades singulares, e a comunicação é um importante aspecto deste 
cuidado, pois quando estabelecida, proporciona bem-estar, já que através do processo 
comunicativo se desenvolvem as relações interpessoais e terapêuticas. A problemática da 
comunicação na assistência à pessoa idosa é uma questão que inclui todos os profi ssionais 
de saúde envolvidos nos cuidados, mas é de particular interesse para o enfermeiro dado 
que, fundamentam a sua prática na comunicação e são os profi ssionais responsáveis pela 
assistência direta destes pacientes2. A população idosa representa uma clientela cada vez 
mais presente nos serviços de saúde, com destaque para os serviços onde procedimentos 
cirúrgicos são realizados, o que requer dos profi ssionais aprender a cuidar das especifi -
cidades envolvidas e conscientização da fonte benéfi ca que a comunicação interpessoal 
constitui³. Cuidar dos idosos é prestar cuidados e preocupar-se com eles. Dar conforto e 
apoio em momentos de ansiedade e solidão, saber comunicar com eles e ajudá-los, iden-
tifi cando os problemas através de uma vigilância contínua2. O período pré-operatório do 
paciente idoso é um momento que requer cuidados especiais, considerando a fragilidade 
imposta pela doença, envelhecimento e ainda pela própria situação, uma vez que o proce-
dimento cirúrgicoprovoca estresse físico e psicológico. Sendo assim, o idoso hospitalizado 
que se submeterá a um procedimento cirúrgico requer uma atenção redobrada, exigindo 
um cuidado diferenciado, com maior sensibilidade e perspicácia do profi ssional que presta 
o atendimento4. Como destacado, os profi ssionais de enfermagem possuem uma grande 
163
responsabilidade na assistência ao idoso, tendo em vista que para cuidar, é importante 
saber se comunicar efi cientemente, e no caso destes pacientes, a comunicação deve ser 
adequada as suas necessidades e restrições físicas, cognitivas e psicológicas. Comunicar 
é um dos papéis fundamentais do enfermeiro, sendo necessário refl etir se este é efetuado 
efi cazmente com a pessoa idosa, de forma a enriquecer a qualidade dos cuidados que lhes 
são prestados, principalmente durante o pré-operatório2. Diante do exposto, o estudo tem 
como objetivo investigar como se dá o processo comunicativo entre enfermeiros e idosos 
admitidos em unidade de clínica cirúrgica.
METODOLOGIA
Trata-se de um estudo descritivo, exploratório e observacional realizado na clínica 
cirúrgica de um hospital de grande porte, localizado no município de João Pessoa-PB. A 
escolha dessa clínica é justifi cada pela grande rotatividade de pacientes, por realizar pro-
cedimentos cirúrgicos de diversas especialidades e pela importância de uma comunicação 
adequada e efi ciente no âmbito cirúrgico, visando a redução de anseios e medo. A clínica 
cirúrgica do hospital é composta 58 leitos. Cabe destacar que para a realização deste 
estudo foram considerados os aspectos éticos preconizados pela Resolução Nº 196/96 
do Conselho Nacional de Saúde5, que normatiza a pesquisa envolvendo seres humanos. 
A coleta de dados foi iniciada somente após o parecer favorável do Comitê de Ética em 
Pesquisa, sob o número de protocolo 114/10. Participaram do estudo 5 enfermeiros vin-
culados ao Hospital e que desenvolvem suas atividades na clínica cirúrgica da institui-
ção. Foram incluídos os profi ssionais que estiveram presentes no momento da coleta e 
aceitaram participar da pesquisa mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre 
e Esclarecido, os quais tiveram garantido por parte das pesquisadoras o atendimento aos 
aspectos éticos envolvidos no processo de pesquisa, inclusive o de desistir da participação 
no estudo em qualquer de suas etapas. Os dados foram coletados no período de fevereiro 
a março de 2011, através da técnica de observação sistemática, utilizando-se um instru-
mento estruturado do tipo check list, por meio do qual foi analisada a comunicação entre os 
enfermeiros e os pacientes idosos. O instrumento é composto pelos seguintes dados: sexo, 
idade, ano de formação, horas trabalhadas semanais, tempo de serviço no hospital e em 
outras instituições, bem como de aspectos relacionados à análise da comunicação entre 
enfermeiros e a pessoa idosa no pré-operatório. 
164
RESULTADOS
A faixa etária dos profi ssionais variou de 24 a 59 anos, e o tempo de exercício da pro-
fi ssão oscilou de 6 meses a 26 anos. A carga horária semanal de trabalho destes profi ssio-
nais é de 30 horas e 18 horas para os enfermeiros que desenvolvem atividade voluntária. 
Foram observadas 9 interações entre enfermeiros e idosos, estas apresentaram uma dura-
ção mínima de 5 minutos e máxima de 50, apresentando assim uma média de 25 minutos. A 
idade dos pacientes variou de 65 a 87 anos. Buscando avaliar a qualidade da comunicação 
desenvolvida com o idoso, analisaram-se os seguintes aspectos: se apresentou ao paciente; 
utiliza uma linguagem simples; individualizou a comunicação com o paciente; permaneceu 
próximo ao leito; estimulou a expressão de sentimentos; induziu respostas; utilizou um tom 
de voz baixo; demonstrou dedicar tempo à interação; tocou o paciente. Os resultados obti-
dos mostraram que um percentual bastante reduzido, apenas 22,2% dos enfermeiros, se 
apresentaram ao paciente idoso; de um modo geral todos os profi ssionais utilizaram uma 
linguagem simples durante a interação com os idosos, porém 55,5% citaram pelo menos 
uma vez termos técnicos. Quanto mais palavras técnicas e de difícil entendimento forem 
utilizadas, mais se perde a oportunidade do diálogo e da ampliação do conhecimento que 
se dá na medida da troca e do compartilhamento das informações, e mais se demonstra 
o desconhecimento do idoso acerca do que está sendo verbalizado6. Durante as observa-
ções 44,4% dos enfermeiros se direcionaram ao acompanhante para coletar informações 
acerca da pessoa idosa, ou seja, não individualizaram a comunicação com este paciente, 
diminuindo assim a construção do vínculo enfermeiro-cliente; 77,7% permaneceram pró-
ximo ao leito; apenas em 3 do total de admissões, os enfermeiros estimularam a expressão 
de sentimentos. A capacidade do enfermeiro para incentivar a comunicação é muito impor-
tante, especialmente na investigação de problemas com o paciente e no encorajamento 
para expressar os seus sentimentos7. Em mais da metade das interações (55,5%) os pro-
fi ssionais induziram os idosos à determinadas respostas pela forma como elaboravam as 
perguntas. Existem questionamentos que tendem a direcionar excessivamente e induzir 
as respostas ou perguntas muito amplas que, quando em excesso, tendem a produzir dis-
persão e perda de objetividade. De uma maneira geral, o ideal é que o enfermeiro realize 
questionamento do mais amplo para o mais específi co8
. Apenas em 33,3% das admissões 
foi utilizado um tom de voz baixo por parte dos profi ssionais, que devem ter a consciência 
de que a ansiedade vivida pelo idoso hospitalizado, associado as suas perdas cognitivas, 
pode difi cultar o entendimento de explicações longas. Dessa forma, as explicações devem 
ser dadas de maneira clara, concisa e em um tom de voz audível9. Em 77,7% das intera-
ções os profi ssionais demonstraram dedicar tempo à conversa; nenhum profi ssional tocou 
terapeuticamente o idoso. Para que o enfermeiro ofereça o cuidado emocional é necessário 
165
ser bom ouvinte, expressar um olhar atencioso, mostrar-se disponível a conversa e tocar o 
paciente, confortando e recuperando sua auto-estima10.
CONCLUSÃO
Por meio do estudo, é possível perceber que os enfermeiros que compuseram a amos-
tra, não desenvolvem uma comunicação terapêutica durante a interação com pacientes 
idosos, sendo necessário desta forma, conscientizar os mesmos de que uma comunicação 
adequada à pessoa idosa proporciona um melhor enfrentamento da situação, minimiza a 
ansiedade, esclarece dúvidas do paciente, entre outros benefícios que contribuem com o 
seu bem-estar. Além disso, é necessário o conhecimento das alterações fi siológicas, psíqui-
cas e sociais decorrentes do envelhecimento, buscando assistência integral e humanizada.
REFERÊNCIAS
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tais do idoso hospitalizado. Monografi a apresentada ao Curso de Especialização em 
Psicologia da Saúde. Natal, 2004.
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Mestrado em Ciências de Enfermagem. Porto, 2003.
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com a invasão do espaço pessoal e territorial. Esc. Anna Nery, Rio de Janeiro, v. 12, 
n. 2, Jun. 2008.
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2007 Out-Dez; 16(4): 737-45.
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Diretrizes e Normas Regulamentadoras de Pesquisas envolvendo Seres Humanos. 
Brasília, 1996.
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Revista Brasileira de Enfermagem, v. 59, n. 3, p. 327- 330, mai./jun. 2006.
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mento essencialdo cuidado. Rev Bras Enferm.2008; 61(3):312-18.
166
8. De Marco, MA. Do modelo biomédico ao modelo biopsicossocial: um projeto de educa-
ção permanente. Rev. bras. educ. med. 2006, vol.30, n.1, pp. 60-72. 
9. Oliveira PS, Nóbrega MML, Silva AT, Filha, MOF. Comunicação terapêutica em enferma-
gem revelada nos depoimentos de pacientes internados em centro de terapia inten-
siva. Revista Eletrônica de Enfermagem, v. 07, n. 01, p. 54 – 63, 2005. 
10. Oriá MOB, Moraes LMP, Victor JF. A comunicação como instrumento do enfer-
meiro para o cuidado emocional do cliente hospitalizado. Revista Eletrônica de 
Enfermagem, v. 06, n. 02, 2004.
167
A ATIVIDADE FÍSICA E O ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL
Ana Carolina F. Simões - UEPB
Anna Gabrielly A. da Silva - UEPB
Joanna D’arc Ferreira - UEPB
Liziane B. de Sousa - UEPB¹
INTRODUÇÃO
A importância de atividades físicas tornou-se objeto de estudo para muitos, não só no 
campo da saúde, visto que, envolve processos biológicos, fi siológicos, mentais e sociais.
A velhice é encarada, na maioria das vezes, de forma negativa, pois com ela vem a 
“inutilidade”, o isolamento e como conseqüência o acarretamento de doenças fi siológicas 
e mentais. É de suma importância fazer entender que, o envelhecimento é um processo, a 
velhice é uma fase e o idoso é o resultado fi nal, e este por fi m precisa obter acesso a uma 
boa qualidade de vida. Portanto, o presente trabalho tem por objetivo estabelecer a relação 
entre atividade física e saúde do idoso à nível de Campina Grande e mostrar as instituições 
que oferecem atividades sócio-recreativas voltadas para a terceira idade.
A saúde é um bem vital para todo e qualquer ser humano. De fato, não há dúvida 
de que, independente da classe social, formação, raça ou mesmo nacionalidade, a 
saúde é uma das prioridades de todos os seres humanos e, portanto, preocupação 
inerente a toda sociedade. Com efeito, os problemas relacionados a esta área têm 
sido objeto constante de estudo do homem, direcionando tanto para evitar o surgi-
mento como a prevenir propagação de doenças, visando especialmente a promo-
ção do bem estar do indivíduo e de toda a coletividade. (PERIM, 2007: 3)
METODOLOGIA
Este trabalho foi realizado tendo como base pesquisas qualitativas e bibliográfi cas. 
Qualitativa, pois se trata de uma temática de diversos signifi cados, que visam analisar um 
aprofundamento do processo de envelhecimento com a prática de atividades físicas.
168
RESULTADOS E DISCURSÃO
Sabemos da importância que a atividade física procede diante de um melhor funcio-
namento corporal, no envelhecimento por sua vez, é necessário a prática dessas atividades 
que atua benefi ciando a saúde física como também a saúde mental.
Os Exercícios Físicos para os idosos tendem a ser utilizados de forma lenta, porém 
com grandes resultados, obtendo mais sustentação e tornando o idoso cada vez mais inde-
pendente e inserido na sociedade. 
Além de proporcionar esse bem-estar ao idoso, ao participar de grupos que juntamente 
com profi ssionais da prática de atividades físicas, o idoso se esquiva do sedentarismo, do 
mal-humor e torna-se um indivíduo cada vez mais socializado, fazendo novas amizade e 
dispondo um relaxamento do corpo e da mente na prática desses exercícios.
O objetivo da atividade física na velhice é desenvolver melhorias para o corpo, propor-
cionando um bom funcionamento corporal onde todos os benefícios obtidos por essa prá-
tica auxiliem na prevenção e no controle de doenças, sendo importantes para a redução da 
mortalidade associada a elas, modifi cando uma pessoa sedentária e transformando-a. Isso 
mostra que uma pequena mudança nos hábitos de vida é capaz de provocar uma grande 
melhora na saúde e na qualidade de vida.
No campo da saúde mental, a prática de exercícios ajuda na regulação ao sistema 
nervoso, melhora o fl uxo de sangue para o cérebro, ajuda na capacidade de lidar com pro-
blemas e com o stress a ansiedade e funciona como um grande elemento no tratamento da 
depressão. A atividade física pode também exercer efeitos no convívio social, o idoso pode 
melhorar no seu convívio familiar, ou se sociabilizar cada vez mais.
Esta prática está a cada dia sendo mais aproveitada no processo de benefi ciação e 
recuperação do idoso, um bom funcionamento do corpo indica melhor estado de saúde 
adiante.
 Hoje os idosos que praticam qualquer tipo de atividade física, podem notar um grande 
diferencial em sua vida, obtendo cada vez mais benefícios e uma vida saudável, prevenindo 
com exercícios o que antes poderia ser remediado.
No campo da saúde física podemos destacar algumas dessas melhorias, com relação 
a perda de peso e da porcentagem de gordura corporal (o que implica em uma obesidade 
futura), o controle da pressão arterial (doença esta, que vem aumentando sua incidência 
nos últimos anos), melhora do diabetes, diminuição do colesterol, diminuição de tensões 
musculares e mentais.
169
Com isso, os idosos vão obtendo ganhos na prática das atividades físicas como o 
ganho de fl exibilidade de mobilidade, sustentação, postura, evitando cargas muito fortes 
e contrações isométricas, preparando o organismo para suportar estímulos cada vez mais 
fortes, e recebendo com isso sensação de bem-estar e recuperação da auto-estima.
Com relação à saúde mental, já foi comprovado cientifi camente que, a prática de 
atividades físicas regulares contribui efetivamente para uma vida mais saudável, visto que 
exerce importante infl uência no controle de distúrbios neurológicos ou simplesmente seu 
bem estar mental.
A atividade física é de suma importância no processo de envelhecimento, pois diminui 
consideravelmente o número de acidentes e fraturas ósseas, principalmente de fêmur.
Com bases em estudos realizados no campo da Gerontologia, sobre condições de 
saúde, viu-se que há uma intensa correlação entre incidência de quedas e o baixo nível de 
atividade física. Com isso, pode-se entender que tais atividades são cruciais para a preven-
ção de quedas, surgimento de fraturas e uma possível dependência física. 
Sabendo que, no processo de envelhecimento o idoso tende a reduzir o seu desem-
penho, que requer uma regulação do seu sistema nervoso, fi cando cada vez mais lento e 
menos potente, isso nos leva a considerar que na terceira idade fi camos relativamente mais 
fracos. Com isto, devemos ter vários cuidados na prática de atividades físicas, devendo ter 
sempre um acompanhamento detalhado com profi ssionais.
Alguns dos cuidados que o idoso deve ter na prática física é presença de dores, 
exaustão e fadiga, ao pressentirem esses sintomas, os exercícios que antes praticados 
devem ser restritos antes que cause danos ao indivíduo.
 O idoso não deve ultrapassar a amplitude máxima dos movimentos e nem prolongar 
a prática de qualquer exercício com a presença de dor, não levar a exaustão adiante. É 
necessário nesses casos um acompanhamento médico antes da prática desses exercícios.
Devem ser restritos exercícios anaeróbicos, pois estes predominam o fornecimento de 
energia através de processos metabólicos. São atividades breves, mas, de altas intensida-
des e sem o envolvimento de oxigênio, o que seria bastante prejudicial para o idoso.
Os exercícios isométricos também se encontram restritos ao idoso no campo físico, 
pois tais exercícios aumentam a resistência vascular de forma que aumenta a pressão 
sanguínea causando sobrecarga de pressão ao coração. Devido a isto deve ser sempre 
realizado com acompanhamento de um profi ssional de Educação Física. São contra-indica-
dos para pessoas com problemas de hipertensão porque podem elevar a pressão arterial; 
Cardiopatas também devem evitar este tipo de treinamento;
170
Além desses exercícios também, são banidos para os idosos exercícios de alta inten-
sidade que causem fadiga e qualquer tipo de exercício que utilizem movimentos rápidos e 
bruscos. Em suma, o ideal de atividades físicas mantidasna terceira idade seria de baixa 
e moderada intensidade.
Em Campina Grande, são oferecidos atividades e programas especialmente desen-
volvidos para idosos com o objetivo de visar uma questão de bem-estar, proporcionando ao 
idoso um âmbito para a sua particularidade onde o mesmo poderá desfrutar de benefícios 
de acordo com suas necessidades. Esses programas terão que estar relacionados com 
as modifi cações mais importantes que acontecem de acordo com o processo de enve-
lhecimento, destinando-se a melhorias para um envelhecimento saudável. O seu objetivo 
primordial é promover atividades recreativas, com intuito de levar o lazer para os idosos e 
aumentar as atividades de sociabilização, fazendo com que eles possam estar casa vez 
mais interligados entre grupos de sua mesma faixa etária; estabelecendo sempre progra-
mas de relaxamento causando o bem estar cotidiano. 
O Centro de Convivência do Idoso, situado na Rua 15 de novembro, n 2110, no Bairro 
dos Cuités, em Campina Grande-PB, destina-se a atender idosos dos diversos bairros da 
cidades, oferecendo atividades culturais , educativas, recreativas, e de saúde , valorizando 
também a prática de atividades físicas. 
Os grupos sociais que são formados nessa instituição voltadas somente para os ido-
sos de campina grande contam com a presença de profi ssionais e especialistas nas áreas 
de Enfermagem, Serviço Social, Fisioterapia, Psicologia, Pedagogia, Geriatria, Odontologia 
e Educação Física. 
Além dessa instituição podemos destacar em Campina Grande-PB a valorização e a 
concretização de espaços voltados para a terceira idade. Com o acompanhamento de pro-
fi ssionais diários, onde esses idosos possam visitar e serem acompanhados pelos grupos 
que funcionam no Parque da criança no Bairro do Catolé, onde disponha de aulas de aeró-
bica, alongamentos, onde estes possam estar à-vontades para fazerem suas caminhadas 
a qualquer hora ou momento.
Um dos espaços concretizados e inaugurado a pouco tempo, foi o Plínio Lemos, onde 
dispunha de total espaço para prática de atividades físicas, e a inovação de uma piscina 
atlética onde é realizado hidroginástica para a terceira idade com acompanhamento de pro-
fi ssionais e também uma quadra poliesportiva, para a prática de esportes.
O Ideal é que adiante possamos ter mais instituições como essas que valorizem a 
prática física, criando cada vez mais espaços para que os idosos possam estar acolhidos e 
com uma saúde mais sustentável.
171
CONCLUSÃO
Com base na pesquisa apresentada, podemos afi rmar que, no processo de enve-
lhecimento o idoso se torna relativamente mais frágil, logo faz-se necessário um acompa-
nhamento multidisciplinar tendo por fi nalidade a interação da prática de atividade física e a 
obtenção de uma melhor qualidade de vida.Com isso visando priorizar o atendimento aos 
idosos com a concretização de instituições e espaços adequados para um bom funciona-
mento da atividade física, sempre com a direção de profi ssionais especializados.
REFERÊNCIAS 
Motta, VLB, et al. In: Atividade física e Saúde do Idoso. Terceira idade: comportamento, 
gênero e estilo de vida. 1ª ed. Curitiba: Editora CRV, 2010. Capítulo 11, p.167-177. 
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bro de 2011]. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd74/idade.htm. 
172
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DE IDOSOS 
INSTITUCIONALIZADOS: UMA PERSPECTIVA DE PROMOÇÃO À SAÚDE
Maíra Creusa Farias Belo
 
- Profª Orientadora Esp.- UNESC Faculdades - UEPB
Gabriela Brasileiro Campos Mota – Profª MSc. da FCM e UEPB
Leiliane Cléia de Sousa – Fisioterapeuta graduada na UNESC Faculdades
INTRODUÇÃO
Ultimamente, o Brasil vem demonstrando um novo padrão demográfi co que se carac-
teriza pela redução da taxa de crescimento populacional e por modifi cações na composição 
de sua estrutura etária, com um signifi cativo aumento do contingente de idosos (IBGE, 
2009). 
Nesse contexto até 2025, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. 
Tal processo de transição ocasiona redução na disponibilidade de cuidadores domiciliares, 
contribuindo para a necessidade de institucionalização, ocasionando uma qualidade de 
vida (QV) ruim. 
Nessa problemática, o idoso institucionalizado constitui, quase sempre, um grupo pri-
vado de seus projetos, pois encontra-se afastado da família, da casa, dos amigos, das 
relações nas quais sua história de vida foi construída. Pode-se associar à essa exclusão 
social as marcas e seqüelas das doenças crônicas não transmissíveis, que são os motivos 
principais de sua internação nas ILP’s (PELEGRIM, 2008).
Diante destas evidências o presente estudo teve como objetivo avaliar a qualidade 
de vida de idosos institucionalizados residentes em uma instituição de longa permanência 
(ILP) da cidade de Lagoa Seca-PB.
METODOLOGIA
A pesquisa do ponto de vista de seus objetivos foi descritiva, exploratória, quantitativa 
e transversal. Com relação aos procedimentos técnicos, a pesquisa se enquadra na cate-
goria de campo.
A pesquisa foi realizada em uma ILP localizada no Sitio Rosa Branca, na cidade de 
Lagoa Seca, no estado da Paraíba, denominada Lar da Sagrada Face. O período de coleta 
173
de dados se deu entre os dias 11 e 15 do mês de Abril de 2011, após autorização das enti-
dades envolvidas. 
A população foi composta por 13 idosos da referida ILP. A amostragem foi do tipo não-
-probabilística, de caráter intencional, por conveniência, incluindo 10 idosos, devido ao fato 
de que um idoso não apresentava nível cognitivo compatível com o questionário, o seguinte 
não aceitou participar da pesquisa e o último não se encontrava na ILP nos dias da coleta. 
Foram incluídos na pesquisa os participantes que: Assinaram o TCLE, faziam parte da 
ILP há no mínimo dois meses e que tinham 60 anos ou mais. Foram exclusos os partici-
pantes que não tinham um nível de cognição compatível com o exigido para responder as 
perguntas.
Como instrumento, utilizamos dois questionários: o primeiro, sóciodemográfi co atra-
vés do qual foram obtidas as seguintes variáveis: sexo, idade, situação conjugal, quantidade 
de fi lhos, renda, procedência da renda, parentes vivos e a relação com os parentes, objeti-
vando caracterizar a amostra em questão. O segundo, o WHOQOL-OLD (FLECK, 2006) foi 
desenvolvido para avaliar a QV de pessoas idosas. O módulo WHOQOL-OLD consiste em 
24 itens atribuídos a seis domínios. Os domínios são: “Funcionamento do sensório” (FS), 
“Autonomia” (AUT), “Atividades passadas, presentes, futuras” (PPF), “Participação social” 
(PSO), “Morte e morrer” (MEM) e “Intimidade” (INT). Os dados coletados com o instrumento 
WHOQOL-OLD foram analisados seguindo as instruções do mesmo. 
Os dados foram tratados mediante a estatística descritiva, com a verifi cação de média 
e desvio-padrão. O cálculo dos escores do WHOQOL-OLD foi realizado através da analise 
estatística usando o pacote SPSS 17.0, utilizando sua função descritiva de proporção e 
distribuição de freqüência. Os resultados foram expostos sob a forma de gráfi cos, através 
do programa Microsoft Excel 2007. 
O estudo está de acordo com a resolução n° 196/96 do CNS.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
Dos 10 idosos entrevistados, 60% estavam com idade entre 70 e 80 anos e 40% entre 
80 e 90 anos. Destes, 50% eram do sexo feminino, 50% eram solteiros e 70% não possu-
íam fi lhos. Dos entrevistados 90% possuem parentes vivos e sua relação com os mesmos 
é considerada para 20% deles boa e para 30% ruim.
Estudos confi rmam que o nível educacional não está associado a variações na QV 
em idosos, sugerindo que os relacionamentos pessoais satisfatórios,seguidos de boas 
174
condições de saúde e monetárias e atividade sexual são de fato os que mais contribuem 
para alterações na QV, em detrimento da idade, sexo, estado civil e educação (CELICH, 
2008).
Quando comparados a QV entre os gêneros, o feminino obteve o escore maior, apre-
sentando uma melhor QV; percebemos ainda que quanto melhor a relação com os parentes, 
mais elevado o escore. No que se refere aos escores de QV, eles são uma escala positiva 
(quanto maior o escore, melhor a QV), e não existem pontos de corte que determinem um 
escore abaixo ou acima do qual se possa avaliar a QV como “ruim” ou “boa”. 
No presente trabalho obtivemos as seguintes pontuações: para o domínio FS = 16, 
AUT = 6, PPF = 8, PSO = 14, MEM = 14, INT = 0, Totalizando um escore geral (overall) de 
58 pontos. Analisando as facetas FS, AUT, PPF, PSO, MEM, INT isoladamente obtivemos 
os seguintes resultados. O primeiro domínio do questionário trata-se do FS e este avalia o 
impacto da perda do funcionamento dos sentidos (perdas na audição, visão, paladar, olfato, 
tato) na QV (FLECK, 2006). O valor encontrado foi de 16 pontos, o maior obtido entre os 
domínios. Uma das hipóteses propostas a respeito do resultado obtido é que para a maioria 
dos idosos a perda ou diminuição dos sentidos não afetam a QV, pois não os impossibilitam 
de se relacionar com os demais idosos.
O domínio AUT avalia a independência do idoso para tomar suas próprias decisões, 
sentir que controla seu futuro, fazer as coisas que gostaria de fazer ou acreditar que as pes-
soas ao seu redor respeitam sua liberdade (FLECK, 2006). O escore obtido foi de 6 pontos, 
o mais baixo encontrados dentre os domínios.
Talvez uma explicação para o fato seja a de que os idosos em ILP’s não são respei-
tados em relação a sua liberdade, os mesmos devem obedecer às regras da instituição em 
que se encontram e realizar as AVD’s com horários estabelecidos pelos responsáveis pelo 
local, não podendo expressar suas vontades e desejos, tendo que cumprir ordens. Nessa 
perspectiva, o estudo de Celich (2008), relata que a capacidade do idoso para a tomada de 
decisão, alicerçado no seu desenvolvimento psicológico-moral é um construto imprescindí-
vel no processo de envelhecimento, estando relacionado aos domínios de QV. 
No que se refere às PPF é avaliada a satisfação com as realizações na vida, as opor-
tunidades de novas realizações, reconhecimento merecido na vida, a felicidade com o que 
ainda se espera do futuro e com objetivos a serem alcançados (FLECK, 2006). O dado 
obtido na amostra foi de 8 pontos, o segundo menor escore entre os domínios. Tal dado 
corrobora com os resultados do estudo de Celich (2008) onde, as PPF alcançaram um 
escore baixo na sua amostra denotando a insatisfação em relação às conquistas da vida 
em comparação com aquilo que se anseia. 
175
Talvez a explicação para tal episódio seja que os idosos em ILP’s não almejam mais 
conquistas, estão conformados com as oportunidades que adquiriram anteriormente a ins-
titucionalização, ou pelo menos estão adaptados com a nova vida.
Na avaliação da QV foram obtidos os escores médios e desvio padrão dos cinco 
domínios do WHOQOL-OLD (tabela 1)
Tabela 1: Quadro dos escores médios e desvio padrão dos cinco domínios do WHOQOL-OLD
na amostra de 10 idosos da referida ILP de Lagoa Seca/PB.
Faceta ou domínio do WHOQOL-
-OLD
N Média Desvio Padrão
Funcionamento Sensorial 10 6,9500 7,33036
Autonomia 10 4,2500 3,00657
Atividades Passadas, Presentes e 
Futuras
10 4,2500 3,25859
Participação Social 10 4,8500 4,70470
Morte e Morrer 10 6,4500 7,34471
Escore Geral 10 5,3500
FONTE. Pesquisa direta, 2011.
A interpretação do quadro dos resultados deve ser feito do seguinte modo: Os valo-
res obtidos indicam proporcionalmente a QV: valores altos indicam alta QV associados ao 
domínio e os valores mais baixos o oposto. No domínio MEM ocorre o inverso. 
Os valores constados no desvio padrão demonstram-se altos devido ao fato de que 
as respostas dos participantes oscilaram muito, por causa das possibilidades de repostas 
ao questionário serem amplas, variando de 1 à 5. Em que cada participante interpreta seus 
domínios de forma particular, ou seja, o processo de envelhecimento, em sua dimensão 
física e funcional ocorre de forma diferenciada em cada pessoa.
 Muitos estudos foram encontrados sobre a investigação da QV em ILP e nesta faixa 
etária, entretanto, poucos aplicaram os instrumentos utilizados nesta pesquisa. Uma expli-
cação pode ser o fato do questionário WHOQOL-OLD ter validação recente. Apenas quatro 
artigos foram encontrados sobre a validação deste instrumento pelo Grupo WHOQOL-OLD, 
que tratam apenas do processo de validação deste instrumento. Difi cultando a comparação 
entre os dados obtidos com os da literatura.
176
CONCLUSÃO
Com base na pesquisa realizada, foi possível concluir que idosos institucionalizados 
apresentam uma QV ruim, o que pode ser explicado ao vermos que os piores escores em 
relação aos domínios foram autonomia (AUT) e atividades passadas, presentes e futuras 
(PPF). Dessa forma, percebeu-se a importância da participação de profi ssionais da área da 
saúde, que sejam habilitados para poderem auxiliar nas limitações da capacidade funcional 
do idoso, buscando a reabilitação precoce e prevenindo a perda funcional. 
A pesquisa realizada apresentou difi culdades em relação à escassez de estudos apli-
cando o mesmo instrumento para a percepção de QV (WHOQOL-OLD). Devido à falta de 
publicações, houve insufi ciência de bases literárias para fundamentar de forma mais ampla 
o estudo. 
Sendo assim, outros estudos se fazem necessários em populações maiores, correla-
cionando os escores da QV aos dados sócio-demográfi cos, a fi m de confi rmar as tendên-
cias observadas nesse estudo, para que dessa forma seja possível determinar quais as 
reais necessidades da população em questão.
REFERÊNCIAS
Celich KLS. Domínios de qualidade de vida e capacidade para a tomada de decisão 
em idosos participantes de grupos de terceira idade. Tese (Doutorado) Pontifícia 
Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Instituto de Geriatria e Gerontologia. 
Doutorado em Gerontologia Biomédica. Porto Alegre: PUCRS, 2008.
Fleck MPA. Projeto Desenvolvido no Brasil pelo Grupo de Estudos em Qualidade de 
Vida. Versão em Português dos Instrumentos de Avaliação de Qualidade de Vida 
(WHOQOL) 1998. Rio de janeiro, 2006.
IBGE. Indicadores sociodemográfi cos e de saúde no Brasil, 2009. Disponível em: 
. 
Acesso em 05 de outubro de 2010.
Pelegrin AKAP, et. al. Idosos de uma Instituição de Longa Permanência de Ribeirão 
Preto: níveis de capacidade funcional. EERP - USP. Arq. Ciênc. Saúde, 2008.a tarefa de cuidar, manifestação de gratidão pelo idoso. 
16
Cuidar de um idoso no domicílio é uma tarefa árdua, pois o cuidado é delegado, geral-
mente, a uma pessoa que não possui apenas essa atividade e acaba conciliando-a com 
outras tarefas, como o cuidado dos fi lhos, da casa, atividade profi ssional, dentre outras. 
Este acúmulo de atividades resulta em esgotamento, podendo levar o cuidador domiciliar 
ao adoecimento. Frequentemente, se percebe que o cuidador domiciliar não possui outra 
pessoa para dividir as suas responsabilidades, levando a um acúmulo de atividades (5).
Destarte, apresenta como problema de pesquisa: “Qual o perfi l dos cuidadores de 
idosos adscritos na Estratégia de Saúde da Família (ESF) no município de João Pessoa – 
PB?”; e como objetivo, caracterizar os cuidadores dos idosos adscritos à Estratégia Saúde 
da Família no município de João Pessoa – PB.
METODOLOGIA
Estudo descritivo, transversal, com abordagem quantitativa, realizado com cuidadores 
de idosos adscritos no Programa de Saúde da Família do município de João Pessoa - PB, 
no período de agosto a novembro de 2010. O estudo descritivo tem por objetivo descrever 
características de uma determinada população ou fenômeno ou, então, o estabelecimento 
de relações entre variáveis (6). A pesquisa quantitativa preocupa-se em medir (quantidade, 
frequência e intensidade) e analisar as relações causais entre as variáveis, apresentando 
como principal característica, o emprego, geralmente, para a análise dos dados, de um 
instrumental estatístico, e usa como instrumento para coleta de dados, questionário estru-
turado, elaborados com questões fechadas (7). 
A coleta de dados foi realizada através de um questionário pré-codifi cado que abor-
dava questões referentes à caracterização do cuidador, identifi cando o sexo, faixa etária, 
tempo que desempenha a função e vínculo com o idoso. As entrevistas foram feitas face a 
face nas residências cadastradas na Estratégia Saúde da Família.
A amostra, do tipo aleatória, foi constituída de 77 familiares cuidadores selecionados 
de uma população identifi cada nas Unidades Básicas de Saúde com Programa de Saúde 
da Família (PSF) do município de João Pessoa, PB.
Os dados obtidos foram digitados em um banco de dados no pacote estatístico 
Statistical Package for Social Sciences 13.0 e analisados descritivamente, com cálculo dos 
resultados em valores mínimos, médios e máximos, desvio-padrão e mediana.
O projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos do 
Hospital Universitário Lauro Wanderley e devidamente protocolado, analisado e aprovado, 
segundo as exigências da Resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério 
da Saúde (8).
17
RESULTADOS
As características predominantes dos 77 cuidadores participantes dessa pesquisa 
serão descritas a seguir, na Tabela 1.
Tabela 1 – Características predominantes dos cuidadores dos idosos adscritos à Estratégia Saúde da 
Família no município de João Pessoa – PB.
Características n % IC 95%
Sexo
Feminino 70 90,9 3,7-17,8
Masculino 7 9,1 82,2-96,3
Faixa etária
De 17 a 24 anos 6 7,8 2,9-16,2
De 25 a 35 anos 14 18,2 10,3-28,6
De 36 a 45 anos 22 28,6 18,8-40,0
De 46 a 59 anos 19 24,7 15,6-35,8
De 60 anos ou mais 16 20,8 12,4-31,5
Tempo que desempenha a função de cuidador
De 0 a 12 meses 24 31,2 21,1-42,7
De 13 a 24 meses 11 14,3 7,4-24,1
 25 meses ou mais 42 54,5 42,8-65,9
Vínculo com o idoso
Informal 67 87,0 6,4-22,6
Formal 10 13,0 77,4-93,6
Observou-se no estudo a predominância de cuidadores do sexo feminino (90,09%). 
As pessoas que prestavam cuidado aos idosos, na sua maioria, pertenciam a faixa etária 
de 36 a 45 anos (28,6 %).
O item referente ao tempo que desempenha a função de cuidador mostra que 54,5% 
dos cuidadores o fazem há 25 meses ou mais. 
Observa-se uma signifi cativa porcentagem de cuidadores informais (87,0%) em rela-
ção com os cuidadores formais (13,0 %). 
DISCUSSÃO
No presente estudo foi encontrado uma prevalência de cuidadoras mulheres, verifi -
cando-se que, dentre os 77 entrevistados a maioria (90,09%) era do sexo feminino enquanto 
que apenas 9,1% eram do sexo masculino. 
18
Um esperado predomínio quando analisado outros estudos semelhantes, onde em 
um estudo transversal de abordagem quantitativa em uma Unidade Básica na Zona Oeste 
da capital paulista, afi rma em sua pesquisa, que cerca de 92,5% dos cuidadores são mulhe-
res (9). Tais dados corroboram com a cultura prevalente em nosso pais, onde através de 
gerações foi construído o papel da mulher cuidadora.
Em relação a faixa etária, observamos uma predominância de 28,6% de cuidadores 
entre 36 a 45 anos. Estes dados mostram-se diferentes dos estudos realizados onde foram 
observados a que 59% dos entrevistados estavam acima de 50 anos e 30,8% apresenta-
vam idades na faixa de 60-69 anos, respectivamente (10-11). .
Foi observado na presente pesquisa, os cuidadores entrevistados (54,5%) desem-
penhava esta função a 25 meses ou mais. Neste mesmo segmento, estudo semelhante 
foi encontrado uma média de 9,8 anos cuidando do familiar e mediana de 6 anos(12). Ao 
analisar estas informações nota-se a necessidade do cuidado holístico para os cuidadores, 
pois a responsabilidade em cuidar de pessoas idosas pode produzir consequências físicas 
e mentais ao longo dos anos.
Analisando o vínculo do cuidador com o idoso, identifi camos que 87% dos entrevis-
tados possuíam vínculo informal, constituindo-se de cônjuge, fi lhas ou outros familiares 
próximos que prestam cuidados básicos e domiciliares a este idoso. Há relato em estudos 
que 50% dos entrevistados eram fi lhas e 28% da amostra era constituída por cônjuges (13). A 
incidência de cuidadores formais, com formação e remuneração ainda é bastante limitada, 
onde no nosso estudo, dos 77 cuidadores entrevistados apenas 10 possuíam um vínculo 
formal.
CONCLUSÃO
Os achados deste estudo evidenciam o predomínio do sexo feminino entre os cuida-
dores dos idosos, onde estão nesta função em média há mais de dois anos. Estes além 
de realizarem os cuidados necessários para a manutenção diária dos idosos e que exigem 
tempo, ocasiona desgaste físico pelo vínculo informal maior condicionando ao idoso, como 
também desgaste emocional.
Os resultados encontrados neste estudo poderão fornecer subsídios para os serviços 
de atenção básica, servindo para a formação de estratégias adequadas voltadas aos cui-
dadores, a afi m de promover maior qualidade de vida e evitar complicações futuras, como 
sobrecarga e estresse.
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REFERÊNCIAS 
1 - Costa EFA, Porto CC, Soares AT. Envelhecimento populacional brasileiro e o 
aprendizado de geriatria e gerontologia. Rev da UFG. 2003 Dez; 5(2). 
2 – Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística. Projeção da População do Brasil 
[Internet]. Brasil: Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística;[acesso em 20 set 
2011]. Available from: URL: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_
impressao.php?id_noticia=127. 
3 – Motta AB. Chegando pra idade. In: Barros MML. Velhice ou terceira idade. Rio de 
Janeiro: Fundação Getúlio Vargas; 2003. p. 223-35. 
4 –Duca GF, Thume E, Hallal PC. Prevalência e fatores associados ao cuidado domi-
ciliar a idosos. Rev. Saúde Pública [serial online]. 2011 Out; 45(1). 5 
– Gonçalves LHT. Perfi l da família cuidadora de idoso doente/fragilizado do contexto 
sociocultural de Florianópolis, Sc. Rev Texto e Contexto – enferm. 2006 Dez; 15(4).
6 WEIRICH, C. F. et al. O trabalho gerencial do Enfermeiro na Rede Básica de Saúde. 
Texto & Contexto - enferm. 2009 abr/jun; 18(2): 249 -257.
7 - Terence ACF, Escrivão Filho E. Abordagem quantitativa, qualitativa e a utilização da 
pesquisa-ação nos estudos organizacionais. In: XXVI ENEGEP. 2006 out.; Fortaleza. 
Disponível em: www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP2006_TR540368_8017.pdf.
8 - Ministério da Saúde (Brasil). Resolução Nº 196 de 10 de outubro de 1996:aprova as 
diretrizes e nor mas regulamentadoras de pesquisa envolvendo seres hu manos. Conselho 
Nacional de Saúde, Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Brasília: Ministério da 
Saúde; 1996. 
9 – Alvarenga MRM, Oliveira MAC, Yamashita CT, Amendola F. Perfi l sociodemográfi co de 
cuidadores familiares de pacientes dependentes atendidos por uma unidade de saúde da 
família no município de São Paulo. Rev O mundo da saúde 2010; 34(1). 
10 – Amendola F, Oliveira MAC, Alvarenga MRM. Qualidade de vida dos cuidadores de 
pacientes dependentes no programa saúde da família. Rev Texto e Contexto – enferm. 
2008; 17(2).
11 – Karsh UM. Idosos dependentes: famílias e cuidadores. Rev Caderno de Saúde 
Pública. 2003; 19(3).
20
A IMPORTÂNCIA DE GRUPO DE IDOSOS NO CAMPO DA
ROMOÇÃO DA SAÚDE EM PUBLICAÇÕES ON-LINE
Kamila Nethielly Souza Leite (UFPB) 
Smalyanna Sgren da Costa Andrade (UFPB) 
Joana D’arc Lyra Batista (UFPB) 
Ana Aline Lacet Zaccara (UFPB)
Tatiana Ferreira da Costa (UFPB) 
INTRODUÇÃO
A população idosa aumenta com o passar do tempo e de acordo com o Censo de 
2000, realizado pelo IBGE, a população idosa corresponde a 15 milhões de indivíduos com 
60 anos ou mais, o que signifi ca 8,6% da população brasileira e, nos próximos 20 anos, ela 
poderá ultrapassar os 30 milhões de pessoas, representando, assim, 13% de sua popula-
ção total (1).
No decorrer do processo de envelhecimento, muitas transformações biológicas e psí-
quicas acontecem devido à mudança do estilo de vida nessa nova fase e isso requer uma 
atenção, pois tais modifi cações, aliadas à transição demográfi ca da população mundial 
ocasiona demandas de serviços previdenciários, de saúde e de assistencial social. Diante 
disso, os idosos irão ter novas necessidades o que exige adaptação e espaço na socie-
dade para que vivam com qualidade de vida. E os profi ssionais de saúde têm a tarefa e 
responsabilidade de promover a saúde para que essa população alcance a longevidade 
com qualidade de vida (2).
A participação de idosos em grupos de promoção da saúde exerce infl uência em sua 
qualidade de vida. E os grupos de idosos na atenção à saúde funcionam como uma rede de 
apoio propiciando a formação de vínculos e a inclusão social. Ao agregar pessoas com difi -
culdades semelhantes possibilitam o convívio, fato de importância para amenizar a solidão 
e também à felicidade, motivação e aprendizado, todos signifi cados atribuídos igualmente 
à qualidade de vida e saúde(3).
Para tanto, um grupo torna-se um espaço possível e privilegiado de rede de apoio e 
um meio para discussão das situações cotidianas, sendo constituído a partir de interesses 
e temas em comum que permite descobrir potencialidades e trabalhar a vulnerabilidade no 
21
envelhecimento, de acordo com as necessidades apresentadas. Essa estratégia possibilita 
a ampliação do vínculo entre equipe e pessoa idosa, sendo um espaço complementar da 
consulta individual, de troca de informações, de oferecimento de orientação e de educação 
em saúde (4).
Desta forma, diante das modifi cações geradas pelo processo de envelhecimento, 
são necessárias ações que contemplem não somente o setor assistencial, mas também 
o campo da promoção da saúde e prevenção de agravos, com o intuito de fornecer uma 
melhoria da saúde na senilidade. Dentre as ações, a criação de grupo de idosos, é com-
preendida como uma estratégia inovadora e efi ciente, tornado o estudo relevante à medida 
que disponibiliza uma melhor compreensão do impacto desses grupos para a saúde dos 
indivíduos na senescência. 
A partir do exposto, objetivou-se identifi car nas publicações os discursos mais predo-
minantes sobre grupo de idosos e suas repercussões na saúde nessa fase da vida.
CONSIDERAÇÕES METODOLÓGICAS
Trata-se de um artigo de Revisão Sistemática da Literatura que se constitui uma revi-
são de estudos por meio de uma abordagem sistemática e ampla, do ponto de vista do 
percurso metodológico que deve ser claramente defi nido (5). 
O estudo partiu da necessidade de avaliação de artigos que contemplasse a importân-
cia da utilização de grupo de idosos para a promoção da saúde. Após a defi nição do tema 
de interesse, passou-se a seleção dos artigos no Centro Latino-Americano e do Caribe de 
Informação em Ciências da Saúde (BIREME). Quanto à base de dados, utilizou-se as fon-
tes de informação LILACS e SciELO. 
Foram selecionados artigos oriundos de produções nacionais, devido às peculiari-
dades das políticas públicas de saúde no Brasil voltada à população idosa; e a partir da 
década de 90, tendo em vista que no fi nal deste período, a Organização Mundial de Saúde 
(OMS) passou a utilizar o conceito de “envelhecimento ativo” que pode ser compreendido 
como o processo de otimização das oportunidades de saúde que visam promover modos 
de viver mais saudáveis, com um ganho substancial em qualidade de vida e saúde (4).
Utilizou-se o unitermo ‘grupo de idosos’ para busca, obtendo-se um total de 2.682 arti-
gos, sendo 881 no idioma português. Diante da amplitude de artigos, a pesquisa foi refi nada 
agregando-se os unitermos ‘promoção da saúde’ AND ‘qualidade de vida’, gerando um total 
de 37 artigos disponíveis na base de dados, sendo 18 dos quais, trabalhos publicados em 
texto completo. Destes, fi zeram parte da amostra nove artigos, haja vista os demais se tra-
tarem de teses e estarem fora do tempo de publicação determinado.
22
Após a identifi cação dos artigos realizou-se leitura inicial dos mesmos, observando-se 
o tema e conteúdos gerais para posterior organização dos discursos mais predominantes 
que atendessem ao objetivo da pesquisa. Procedeu-se as para assegurar aproximações 
consistentes e verifi car a frequência com que apareceram. Foram consideradas mais rele-
vantes aquelas características que se repetiram pelo menos em dois artigos distintos. Em 
seguida realizou-se a combinação dos achados procurando capturar a idéia central do texto 
nas publicações.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
De um total de 9 artigos analisados, 9 (100%) abordaram as relações sociais e os 
grupos de idosos; e nos mesmos 9 (100%) foi possível identifi car o tema qualidade de vida 
relacionado a promoção da saúde e em 4 (44,44%) se referem aos profi ssionais de saúde, 
em especial o enfermeiro
• Grupo de idosos e Relações sociais
Sentir-se socialmente inserido é um benefício importante para os idosos, pois diminui 
a monotonia e reafi rma a possibilidade de ser ativo (6). E o grupo tem um papel importante 
na formação de vínculo, ampliação de redes sociais e motivação para pensar e executar 
outros projetos de vida para o futuro. E essa participação social aumenta aquisição de 
novos conheci mentos, e o idoso irá ter mais autonomia para realizar projetos e resolver 
problemas (1).
• Qualidade de vida e promoção da saúde
A qualidade está diretamente relacionada com a saúde, alimentação, com o con-
vívio social e familiar, lazer, distrações, relacionamentos, comunicação, convívio 
familiar,oportunidade de aprendizagem e com o bem está físico, muitos idosos que prati-
cam atividade física, ou seja, têm estilo de vida ativo apresentam uma qualidade de vida 
boa e na análise dos artigos, a prática da atividade física foi muito citada e verifi cou-se que 
a mesma acarreta benefícios físicos e psicológicos (7).
• Importância dos profi ssionais de saúde e a promoção da saúde
A importância de os profi ssionais de saúde em avaliar as condições de vida do idoso e 
junto com ele buscar recursos para melhorar e/ ou manter seu bem-estar, por meio de sua 
23
integração social, através de atividades que lhe proporcionem prazer e, por conseguinte, 
qualidade de vida (8).
Um fator importante para promoção da saúde é a ampliação dos conhecimentos da 
população e dos profi ssionais de saúde sobre o processo de envelhecimento e sobre fato-
res de risco e de proteção das doenças e agravos mais comuns entre os idosos (3).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Pode-se identificar que os grupos de idosos estimulam a participação em atividades 
e o convívio social. E isso infl uência na qualidade de vida que está associada à felicidade, 
motivação e aprendizado que os idosos buscam nas relações sociais.
A promoção da saúde em idosos, enquanto estrutura de intervenção coletiva e inter-
disciplinar com os profi ssionais de saúde, leva à transformação contínua do nível de saúde 
e condições de vida dessa faixa etária vendo-a como um ser biopsicossocial, contribuindo 
assim para a superação do modelo biomédico de atenção à saúde.
REFERÊNCIAS
1. Masuchi MH, Abou-Hala-Teixeira AZ, Guarnieri AP, Aziz JL, Brito FC, Abou-Hala-Corrêa 
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25
GRUPO AMIGOS DO CORAÇÃO: IDENTIFICANDO OS FATORES
DE RISCO PARA INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA
Aíla Marôpo Araújo1
Faculdade de Cultura, Ciências e Extensão do Rio Grande do Norte (FACEX).
INTRODUÇÃO 
O envelhecimento populacional representa uma realidade que marcou o mundo desde 
o século XX. No Brasil, têm-se acentuado o crescimento da população idosa, e o resultado 
poderá ser observado em 2025, quando o país terá cerca de 32 milhões de pessoas com 
mais de 60 anos1-2.
O processo de envelhecimento resulta em uma transição demográfi ca que acarreta na 
transição epidemiológica, com foco para as doenças crônicas não-transmissíveis, tem-se 
como destaque a Doença Renal Crônica (DRC)1-2.
A Insufi ciência Renal Crônica (IRC) ou DRC caracteriza-se como uma síndrome clí-
nica, oriunda da perda progressiva e irreversível da função renal3.
Conhecer os fatores de risco para DRC é de suma importância para a redução da mor-
bidade e mortalidade desta. Pois a prevenção de doenças crônicas degenerativas, como a 
IRC representam um problema de saúde pública mundial, a qual é um enorme desafi o aos 
gestores e profi ssionais de saúde no âmbito da Atenção Básica.
Este estudo pretende conhecer e identifi car os fatores de risco para o desenvolvi-
mento de Insufi ciência Renal Crônica (IRC), em um grupo de adultos e idosos da comuni-
dade praiana de Vila de Ponta Negra-Natal/RN.
METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa exploratória descritiva de abordagem quantitativa, desen-
volvida em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) em Natal/RN, com 23 adultos e idosos do 
grupo Amigos do Coração.
1 Acadêmica do 8º período do Curso de Graduação em Enfermagem da FACEX/RN/BRASIL. Acadêmica do 4º período 
do Curso de Graduação em Gestão em Sistemas e Serviços de Saúde da UFRN/RN/BRASIL. E-mail: ailamaropo@
yahoo.com.br
26
Os estudos exploratórios-descritivos combinados almejam descrever completamente 
determinado fenômeno4. E o método quantitativo valoriza a verifi cação, o controle, o quan-
titativo e a neutralidade científi ca4. 
A coleta de dados foi realizada nos meses de junho e julho de 2011, em encontros 
quinzenais do grupo. Foi utilizado um formulário semi-estruturado, que incluiu itens de 
caracterização: sexo, idade, situação conjugal, escolaridade e renda familiar mensal. Além 
disso, fatores de risco pessoais para IRC: etilismo, tabagismo, dieta, uso de temperos pron-
tos, adição de sal de cozinha a comida já pronta, consumo de embutidos, realização de ati-
vidades físicas ou esportes, presença de hipertensão ou diabetes e adesão ao tratamento. 
E por último, os fatores de risco relacionados à história familiar de IRC: história familiar 
de hipertensão, diabetes e de problemas renais. Os dados foram digitados em planilhas 
(Microsoft Excel 2010) e analisados por meio da estatística descritiva. 
Todos os sujeitos assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido após infor-
mados acerca dos objetivos e do caráter voluntário de sua participação na pesquisa. Este 
estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa em Seres Humanos da Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte sob o n°229/2011.
RESULTADOS E DISCUSSÕES 
Gráfi co 1 - Caracterização dos sujeitos quanto às variáveis sóciodemográfi cas: sexo, idade (anos),
situação conjugal, escolaridade e renda familiar. Sujeitos participantes do grupo
“Amigos do Coração” em uma Unidade Básica de Saúde. Natal, RN, 2011.
Observa-se no gráfi co 1 que 82,6% dos participantes eram mulheres. A feminilização 
encontrada corrobora com o estudo de Silva e colaboradores, pode-se aferir que as mulhe-
res apresentam maior atenção com a saúde e o autocuidado, enquanto que sujeitos do sexo 
masculino participam com menor frequência de ações coletivas por razões socioculturais5.
27
A faixa etária predominante foi de 65 anos ou mais (60,9%). No período de 1999 a 
2009 o quantitativo de idosos nesta faixa etária diante do conjunto da população passou de 
6,2% para 7,8%6. Em relação a situação conjugal, os dados confl uem com os estudos de 
Cesar e colaboradores7 66,2% (casados), 23,5% (viúvos) e 4,1% (solteiros). 
Quanto à Renda mensal, o Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística (IBGE), coloca 
que a aposentadoria possibilitou ao idoso garantia para as necessidades básicas, embora 
este esteja mais vulnerável a despesas com medicamentos e outros tratamentos6.
Para a escolaridade, estudo recente de Silva e colaboradores5, apresenta um padrão 
semelhante ao nosso, cerca de 70% dos idosos possuem até quatro anos de estudo. 
Em relação aos fatores de risco pessoais para IRC, 56,5% dos idosos utilizam tem-
peros prontos na alimentação, e 52,2% referem o consumo de embutidos. O Ministério da 
Saúde recomenda que alimentos com os itens supracitados sejam reduzidos ou evitados, 
pois possuem um teor de sal considerável, importante desencadeador para a elevação da 
Pressão Arterial8.
Os dados evidenciaram que 78,3% não realizam atividades físicas ou esportes. 
Observa-se índices semelhantes na pesquisa de Romero e colaboradores (2010), em que 
51% realizavam atividade física enquanto que 49% não. Verifi ca-se nos estudos um perfi l 
sedentário dos sujeitos9.
Quanto às morbidades a maioria são portadores de Hipertensão Arterial Sistêmica 
(HAS) (87%), segundo o Censo Brasileiro de Diálise esta é colocada como diagnóstico da 
doença renal primária com percentual de 35% e diabetes (27%)10.
A pesquisa também revelou que 87% dos idosos cumprem rigorosamente o horário 
das medicações. Fato este que mostra uma continuidade e adesão ao processo terapêutico 
medicamentoso de HAS, de modo que o uso correto do anti-hipertensivo leva a uma redu-
ção e/ou controle dos níveis pressóricos9.
Gráfi co 2 – Caracterização dos fatores de risco relacionado à história familiar de Insufi ciência Renal Crônica. 
Sujeitos participantes do grupo “Amigos do Coração” em uma Unidade Básica de Saúde. Natal, RN, 2011.
28
Segundo o gráfi co 2, 87% dos participantes possuem história familiarde Hipertensão. 
Na pesquisa de Romero e colaboradores9 50,8% dos pesquisados possuem antecedentes 
familiares com HAS. 
Em última análise 65,2% dos participantes não possuem história familiar de proble-
mas renais, enquanto que 34,8% possuem. Os estudos colocam que a história familiar 
também contribui no desenvolvimento dos problemas renais11. 
CONCLUSÃO
O grupo de convivência é um espaço para promoção do autocuidado, prevenção de 
doenças e agravos, e de fomento à qualidade de vida. Com isso, o conhecimento e a iden-
tifi cação dos fatores de risco para IRC é de suma importância para a sensibilização dos 
atores envolvidos (idosos, profi ssionais e gestores da saúde) para a construção de políticas 
públicas e estratégias de prevenção que contemplem o espectro desta morbidade.
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30
PROJETO ENVELHECENDO COM QUALIDADE DE VIDA: 
DESENVOLVIMENTO DE PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO 
GERONTOLÓGICA MULTIDIMENSIONAL DAS CONDIÇÕES DE SAÚDE 
DE IDOSOS INTEGRANTES DE GRUPOS DE CONVIVÊNCIA
Vilani Medeiros de A. Nunes¹
Mayonara Fabíola Silva Araújo²
Fádila Larice A. da Costa Goes Melo²
Hilda Dias da S. Rodrigues²
Caio Magno F. Ferreira²
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
INTRODUÇÃO
O envelhecimento é um ato inerente a vida sendo este um fenômeno universal, carac-
terístico tanto dos países desenvolvidos quanto dos países em desenvolvimento, ocorrendo 
pelo decréscimo das taxas de natalidade e de mortalidade sendo caracterizado por altera-
ções morfológicas, bioquímicas, fi siológicas, nutricionais, farmacodinâmicas, farmacociné-
ticas, comportamentais e psicossociais que quando não avaliadas de forma interdisciplinar 
poderão interferir na qualidade de vida em pessoas idosas¹. A população idosa no mundo 
tem mostrado um crescente aumento, com estimativas que indicam uma elevação desses 
índices para as próximas décadas. Em contraposição, percebe-se que nossa sociedade 
confunde a imagem do envelhecer e da velhice com uma fase da vida em declínio, tanto 
no aspecto físico e psíquico como nas relações sociais². O envelhecimento populacional 
brasileiro caracteriza-se pelo acúmulo de incapacidades progressivas nas suas atividades 
funcionais e de vida diária, associada a condições socioeconômicas adversas³. 
A mortalidade é substituída por comorbidades e a manutenção da capacidade funcio-
nal surge, portanto, como um novo paradigma de saúde, relevante para o idoso. Percebe-se 
que nas alterações relacionadas com a idade estão a presença de fatores de risco e a 
ocorrência de doenças crônico-degenerativas que determinam para o idoso certo grau de 
dependência, relacionado diretamente com a perda de autonomia e difi culdade de realizar 
as atividades básicas de vida diária o que pode interferir na sua qualidade de vida, prejudi-
cando a independência e autonomia dos indivíduos4. Essas modifi cações, apesar de serem 
normais do processo de envelhecimento, acarretam perdas progressivas da capacidade de 
31
adaptação ao meio ambiente, tornando o indivíduo mais vulnerável aos processos patoló-
gicos. Estes fatores contribuem para a grande prevalência de limitações físicas e comorbi-
dades refl etindo em sua independência e autonomia. O novo paradigma de saúde do idoso 
brasileiro é como manter a sua capacidade funcional mantendo-o independente e preser-
vando a sua autonomia5. 
Profi ssionais que trabalham com o processo do envelhecimento nas mais diversas 
áreas de saber (médicos, fi sioterapeutas, enfermeiros, terapeutas ocupacionais e outros), 
tentam proporcionar, em todos os níveis de atenção à saúde (primário, secundário e terci-
ário), o bem estar bio-psico-social dos idosos, potencializando suas funções globais, a fi m 
de obter uma maior independência, autonomia e uma melhor qualidade para essa fase de 
vida6. Diante dessas inquietações, para se alcançar esta abordagem holística da pessoa 
idosa, surgiu o interesse entre profi ssionais que estudam o envelhecimento humano, no 
estabelecimento de um protocolo de avaliação multidimensional da pessoa idosa deno-
minada através do Projeto “Envelhecendo com Qualidade de Vida”, tendo, como temática 
principal, a manutenção da capacidade funcional global que é, em essência, uma atividade 
multiprofi ssional. Essa proposta tem como objetivos oferecer subsídios técnico-geronto-
-geriátricos à melhoria do cuidado oferecido aos idosos. 
O enfoque se dá na perspectiva de atenção na qualidade da assistência às pessoas ido-
sas, no sentido de acompanhar e monitorar as atividades relacionadas à sua saúde. O refe-
rido projeto se insere ao Grupo de Pesquisa de Envelhecimento Humano de Pesquisadores 
desta Universidade composto por quatro áreas de atividades interdisciplinaresprograma-
das: Atividades Educativas com Idoso, Assistência Fisioterápica aos Idosos, Assistência 
Multiprofi ssional aos Idosos, Ofi cina de Extensão da Terceira Idade: Desenvolvimento de 
Tecnologias na área de Gerontologia. As atividades foram realizadas nas áreas de nutrição, 
fi sioterapia e enfermagem, e recentemente somou-se ainda a colaboração participativa de 
estudantes de graduação nas áreas descritas. A proposta deste projeto se consolida na 
Área Temática das Ciências da Saúde, na perspectiva do cumprimento ao preceito da indis-
sociabilidade das dimensões ensino, pesquisa e extensão, caracterizada pela integração 
das ações a serem desenvolvidas que irão contribuir à formação técnica e cidadã do estu-
dante e pela produção e difusão de novos conhecimentos e novas metodologias. 
METODOLOGIA
O Projeto ENVELHECENDO COM SAÚDE envolve atividades assistenciais e educa-
tivas nas áreas de nutrição, enfermagem e fi sioterapia. As ações assistenciais são desen-
volvidas através de testes multidimensionais e orientações da assistência gerontológica 
32
adequada, avaliação e acompanhamento fi sioterápico aos idosos portadores de disfunções 
motoras e ações assistenciais da enfermagem. As ações educativas são oferecidas aos 
idosos com o objetivo de conscientizá-los sobre a promoção de saúde e prevenção de 
doenças. Orientações práticas e cursos foram ministrados objetivando o bem estar dos ido-
sos; questões como: formas de evitar dor na coluna, orientações sobre quedas, a melhor 
maneira de posicionar o paciente no leito, como realizar as transferências com os idosos e 
outras foram abordadas. O programa tem suas ações desenvolvidas nas localidades inter-
-bairros do município de Santa Cruz, RN. 
RESULTADOS/ DISCUSSÃO
As ações realizadas incluíram: 
a) Atividades Educativas e Assistenciais com Idosos: realizada pelos alunos e 
docentes da enfermagem e nutrição com o objetivo de desenvolver atividades de ações 
educativas, preventivas e de promoção de saúde em uma instituição de longa permanên-
cia. O projeto visa também: estimular sua autonomia e favorecer o autocuidado através do 
conhecimento sobre sua saúde.
b) Assistência Fisioterapêutica aos Idosos: realizado pelos alunos e docentes da 
área de fi sioterapia e tem como objetivos desenvolver ações fi soterapêuticas junto à comu-
nidade de idosos institucionalizados no nível de atenção primária à saúde como também 
proporcionar aos alunos da graduação e pós-graduação a oportunidade de acompanhar e 
estudar as disfunções físicas desses idosos. Além disso, o projeto também propõe: possi-
bilidade de desenvolvimento do conteúdo programático prático da disciplina de Fisioterapia 
Aplicada à Geriatria, permitindo aos alunos do curso de graduação efetuar ocasionalmente 
avaliações dos idosos residentes na instituição. Outra contribuição do projeto é o aspecto 
preventivo e educativo com a formação de grupos de idosos voltados para o autocuidado, 
socialização e integração. Os alunos orientam as adaptações ambientais e a prescrição de 
acessórios para deambulação visando aumentar a autonomia dos idosos.
c) Assistência Multiprofi ssional aos Idosos: realizado pelos alunos e docentes das 
áreas de enfermagem, nutrição e fi sioterapia com objetivos de avaliar e intervir sob o ponto 
de vista multiprofi ssional junto aos idosos institucionalizados. O aspecto preventivo é abor-
dado através de informações sobre os processos fi siológicos do envelhecimento, preven-
ção de quedas, manutenção da capacidade física e de outros fatores que possam reduzir a 
qualidade de vida do idoso. Todo paciente é submetido ao protocolo de avaliação geriátrica 
multidisciplinar, proposto nesse projeto. 
33
A integração dos objetivos propostos se concretiza com a realização de reuniões men-
sais com todos os profi ssionais e acadêmicos envolvidos na atenção dos idosos. Nestas 
reuniões são discutidos casos clínicos das abordagens realizadas, são sugeridas interven-
ções e formas de atuação que levem a uma melhor qualidade de vida dos idosos. São rea-
lizadas várias ações no intuito de alcançar a Melhoria da Qualidade de Vida desses Idosos, 
através de uma abordagem multiprofi ssional e interdisciplinar.
CONCLUSÃO
O envelhecimento é um processo complexo e está associado a uma série de doenças, 
incapacidades múltiplas, dependência e perda da autonomia. O prolongamento da vida não 
é uma atitude isolada, necessitando de uma integração entre idoso, família e/ou, instituição 
e profi ssionais especializados. A atuação dos diversos profi ssionais não deve ser centrada 
somente nas doenças, mas também nas principais condições que causam incapacidades 
e conseqüente declínio no grau de dependência funcional e prejuízo na qualidade de vida. 
Esse é o novo desafi o da saúde do idoso no Brasil. Além dessa contribuição social, o pro-
jeto também possibilita aos alunos de diversas áreas de saúde um contato mais estreito 
e real entre a universidade e comunidade, oferecendo aos alunos uma oportunidade, que 
talvez seja única, de uma atuação multiprofi ssional, garantindo, dessa forma, uma aborda-
gem e visão holística do idoso. O projeto também contribui para o desenvolvimento de con-
teúdo programático prático para várias disciplinas de graduação em áreas distintas como 
fi sioterapia (Fisioterapia Aplicada à Geriatria) e enfermagem (Enfermagem Gerontológica) 
e Nutrição (Avaliação Nutricional). Possivelmente, adequações e novas iniciativas somar-
-se-ão ao projeto para o seu crescimento; entretanto; durante sua atuação serão realizados 
os ajustes necessários a melhoria das ações e qualidade dos serviços institucionais ofere-
cidos aos idosos.
O envelhecimento populacional em nosso país já é uma realidade. Ações que buscam 
lidar com esse crescente contingente de idosos devem ser priorizadas em todas as áreas 
do saber. As universidades têm como papel social prestar a sua contribuição, apoiando 
iniciativas que visem melhorar a qualidade de vida da população que envelhece. Assim, o 
Projeto Envelhecendo com Saúde prestará serviços à comunidade sob a forma de ações 
assistenciais e educativas oferecidas pelos projetos de extensão vinculados.
34
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35
PROPOSTA DE INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM PARA IDOSOS 
HOSPITALIZADOS COM INCAPACIDADE FUNCIONAL
Gabriela Lisieux Lima de Souza - UFPB 
Ana Claudia Torres de Medeiros - UFPB 
Maria Miriam Lima da Nóbrega - UFPB 
INTRODUÇÃO
Um dos fenômenos de maior impacto observado neste início de século é o aumento 
expressivo da população idosa, comprovado por estudos demográfi cos e epidemiológi-
cos. Esse evento ocorreu, inicialmente, nos países desenvolvidos e, posteriormente, de 
forma acelerada, nos países em desenvolvimento, em decorrência da redução das taxas 
de fecundidade e de mortalidade. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra

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