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FUNDAMENTOS DO SERVIÇO SOCIAL: 
MOVIMENTO DE RECONCEITUAÇÃO NA 
AMÉRICA LATINA E BRASIL
CAPÍTULO 4 - MOVIMENTO DE 
RECONCEITUAÇÃO NA AMÉRICA LATINA
Rafaela Vieira
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Objetivos do capítulo
Ao final deste capítulo, você será capaz de:
• Entender a origem e a orientação do processo de Reconceituação na América Latina.
• Conhecer as contribuições dos teóricos latino-americanos.
• Identificar as propostas das escolas latino-americanas em relação ao processo de Reconceituação.
Tópicos de estudo
• Serviço Social latino-americano
• Asociación Latinoamericana de Escuelas de Trabajo Social (ALAETS)
• Centro Latinoamericano de Trabajo Social (CELATS)
• Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviços Sociais (CBCISS)
• Principais escolas de Serviço Social na América Latina
• Colômbia
• Uruguai
• Chile
• Argentina
• Militarismo na América Latina
• Golpes Militares
• A Reconceituação inconclusa
Contextualizando o cenário
Como já estudamos até aqui, a década de 1960 foi marcada por amplas manifestações populares, que explodiram
em diversas partes do mundo e continham diferentes reivindicações. Existia, naquele momento, um movimento
crítico ao . Na América Latina, mais especificamente, alguns economistas, sociólogos e outrosstatus quo
pensadores iniciaram estudos que evidenciavam a situação de dependência estrutural do continente em relação
aos Estados Unidos.
Nesse contexto de amplos questionamentos, setores do Serviço Social também questionaram a própria profissão.
Perguntavam-se a que interesses atendiam no cotidiano profissional e, ao concluir que serviam aos interesses da
classe dominante para preservar a ordem vigente, passaram a buscar possibilidades de transformar sua prática,
com vistas a representar a classe trabalhadora, na qual a categoria está inserida.
Diante desse cenário, questiona-se: como ocorreu a renovação do Serviço Social?
4.1. Serviço Social latino-americano
O chamado Movimento de Reconceituação do Serviço Social latino-americano ocorreu entre os anos de 1965 e
1975, embora haja algumas alterações de data para além desse período, dependendo do contexto interno de cada
país. Esse movimento consistiu, basicamente, no processo de renovação crítica da profissão e foi vivenciado pela
categoria em diversos países do continente.
É marcante nesse debate o reconhecimento, naquele momento, de que a América Latina se constitui,
geopoliticamente, como região una e diversa. Ou seja: ao mesmo tempo em que existe homogeneidade entre os
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países, sobretudo no que concerne à dependência, também existe a diversidade histórica e cultural que precisa ser
considerada.
Fonte: © gst / / Shutterstock.
Nesse sentido, duas entidades tiveram o papel de organizar os debates do Serviço Social em nível continental: a
Associação Latino-Americana de Escolas de Trabalho Social (ALAETS) e o Centro Latino-Americano de Trabalho
Social (CELATS). No Brasil, uma terceira organização também teve importância naquele momento: o Centro
Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviços Sociais (CBCISS).
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4.1.1. Asociación Latinoamericana de Escuelas de Trabajo Social (ALAETS) 
Os primeiros Congressos Panamericanos de Serviço Social datam da década de 1940, à época promovidos pela
Organização dos Estados Americanos (OEA). Já se tratava, portanto, de uma forma de integração profissional a
nível internacional. No entanto, naquele momento, isso se dava sob a hegemonia dos Estados Unidos da América
(EUA), o que significa, na prática, que o Serviço Social exercido na América Latina era pensado a partir das
concepções e orientações estadunidenses.
Clique a seguir e conheça mais sobre como se desenrolou essa história:
Criação da
ALAETS
Foi ainda nesse contexto que ocorreu a criação da Asociación Latinoamericana de
 (ALAETS), com sede em Lima, no Peru, como uma espécie deEscuelas de Trabajo Social
filial de organizações internacionais (CORNELY RAMOS, 2007).apud 
Questionamento
das bases
Na primeira metade dos anos 1960, já no cenário de efervescência social que levou,
dentre muitas outras consequências, ao questionamento das bases do Serviço Social
tradicional de forte influência estadunidense, a ALAETS foi relançada como uma
organização essencialmente latino-americana. A partir daquele momento, o Serviço
Social latino-americano passou a ser pensado com base na realidade do continente.
Assim, tanto a reestruturação da ALAETS quanto a criação do CELATS, pouco depois, receberam apoio financeiro
de agências internacionais, especialmente da Fundação Konrad Adenaeur (FKA), ligada à democracia-cristã alemã.
No entanto, a autonomia dos atores locais envolvidos foi respeitada nesse processo (SANTOS, 2007).
Virada do Serviço Social latino-americano.
Devido a essa reestruturação da entidade, muitos textos apresentam o ano de 1965 como sendo a sua fundação. O
objetivo da ALAETS, a partir de então, passa a ser de apoio mútuo e troca de recursos entre os centros de formação
profissional em Serviço Social da América Latina, tendo em vista a necessidade de maior articulação regional e de
fortalecimento das condições de formação.
Assim, a ALAETS se consolidou como um passo importante no processo de renovação profissional com destacado
papel no âmbito do Movimento de Reconceituação. Ao longo daquelas décadas, foi responsável pela promoção e
organização de importantes eventos que tinham o intuito de integrar o Serviço Social dos diferentes países do
continente e também de debater a sua renovação. De acordo com Alayón e Molina,
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neste cenário nos fóruns promovidos pela ALAETS por duas décadas, encontramos a ruptura com a
tese conservadora do serviço social de raízes positivistas, pragmáticas e de marcada influência
americana. Tudo isso expresso no movimento de reconceituação do serviço social latino-americano.
(Alayón e Molina, 2008, p. 35. Tradução nossa)
No ano de 2006, durante o 33º Congresso Mundial de Escolas de Serviço Social realizado no Chile, a ALAETS teve
seu nome alterado para Associação Latino-Americana de Ensino e Pesquisa em Trabalho Social (em espanhol, A
 – ALAEITS).rticulación Latinoamericana de Enseñanza y Investigación em Trabajo Social
4.1.2. Centro Latinoamericano de Trabajo Social (CELATS)
O Centro Latino-Americano de Trabalho Social (CELATS) foi criado na primeira metade dos anos 1970 como um
braço acadêmico da ALAETS. O Centro consistiu em um organismo de cooperação técnica internacional, que, junto
à ALAETS, teve papel de suma importância na renovação crítica do Serviço Social.
Leila Lima Santos, professora brasileira que foi diretora do CELATS nas décadas de 1970 e 1980, afirma que o
CELATS canalizou o processo renovador da profissão e o impulsionou por meio de formação continuada, pesquisa,
produção acadêmica, divulgação científica, encontros e debates, que rompiam as barreiras nacionais, mas não
desconsideravam as particularidades de cada país latino-americano (SANTOS, 2007).
Coube ao CELATS a criação do primeiro mestrado latino-americano em Serviço Social, desenvolvido em convênio
com a Universidade Autônoma de Honduras, em 1978. Esse curso ajudou na renovação profissional ao formar
novos quadros de intelectuais e pesquisadores no âmbito da profissão. Merece destaque também a revista da
instituição, que teve grande circulação e aceitação em diferentes âmbitos, inclusive em outras áreasAcción Crítica, 
(SANTOS, 2007). Entre o fim dos anos de 1970 e o início de 1990, 40 edições da revista foram impressas e circularam
entre os profissionais da área.
CURIOSIDADE
A professora Leila Lima Santos foi uma das principais responsáveis pelo chamado Método Belo
Horizonte (ou Método BH), que foi a primeira experiência de sistematização do Serviço Social por
meio de uma leitura marxista, realizada na Universidade Católica de Minas Gerais. Após a
demissão de alguns professores em circunstâncias desconhecidas, Santos foi convidada para
dirigir o CELATS.
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Ações do CELATS.
Ainda segundo Santos (2007),
as investigações promovidas pelo CELATS eram,sem dúvida, questionadoras do cujosestablishement,
resultados permearam a formação profissional. Elas se constituíam em textos de referência
importantes e abriram um espaço que permitiu atribuir visibilidade à ação de uma profissão até então
pouco valorizada (SANTOS, 2007, p. 176).
ALAETS e CELATS foram, portanto, os principais viabilizadores da integração e disseminação do Serviço Social
crítico na América Latina. Diferente do que havia antes, quando existiam os Congressos Panamericanos de Serviço
Social, no âmbito dos eventos promovidos pelas entidades latino-americanas ocorriam debates em torno das
particularidades regionais e necessidade de articulação da prática profissional a estas particularidades.
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Ramos (2007) ressalta a importância que ambas as entidades e todo esse contexto de interlocução tiveram na
constituição do Serviço Social crítico no Brasil, bem como nos demais países do continente. A Associação e o
Centro contribuíram com recursos financeiros e suporte profissional e político para organizar a categoria,
colocando em xeque o conservadorismo até então existente.
4.1.3. Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviços Sociais (CBCISS)
O Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviços Sociais (CBCISS) foi pensado ainda no final dos anos
1940 e ganhou vida em 1957 como um comitê destinado a preparar os assistentes sociais para participar dos
seminários organizados pelo Conselho Internacional de Bem-Estar Social (ICSW). Clique nas abas abaixo e conheça
mais sobre o CBCISS:
• Divulgação no Brasil
Além disso, esses assistentes sociais também teriam a incumbência de divulgar no Brasil aquilo que foi
debatido em tais eventos e incentivar a cooperação entre instituições e profissionais atuantes nos serviços
sociais. Segundo a página eletrônica oficial do CBCISS, suas principais contribuições financeiras provinham
do Serviço Social do Comércio (SESC) e do Serviço Social da Indústria (SESI).
• Renovação no Serviço Social brasileiro
Entretanto, a entidade não ficou imune às transformações ocorridas no mundo e no interior da profissão e,
a partir dos anos 1960, também teve papel importante no processo de renovação do Serviço Social
brasileiro. Segundo Aquino e outros (2017), embora o CBCISS não fosse uma instituição de formação
profissional, contou com a participação de alguns professores ligados às Pontifícias Universidades
Católicas do Rio de Janeiro e de São Paulo (PUC-Rio e PUCSP).
• Direções da profissão
No período em que ocorreu o Movimento de Reconceituação, não havia um consenso entre os
reconceituadores sobre qual direção a profissão deveria seguir. Existia uma vertente que buscava
modernizar o Serviço Social tradicional e outra que visava romper com as bases profissionais existentes, de
modo a realizar uma ampla transformação teórico-prática. Netto (2007) classificou essas vertentes como,
respectivamente, modernização conservadora e intenção de ruptura.
A seguir, veja figura ilustrativa dos seminários realizados pelo CBCISS.
PAUSA PARA REFLETIR
Por que é a integração regional é importante?
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Fonte: © TZIDO SUN / / Shutterstock.
Podemos considerar que o CBCISS foi o protagonista da vertente modernizadora do Movimento de
Reconceituação. Coube a ele a organização de seminários de teorização do Serviço Social que ocorreram em Araxá
(MG) em 1967, Teresópolis (RJ) em 1970, em Sumaré (RJ) em 1978 e em Alto da Boa Vista (RJ) em 1984, dos quais se
originaram documentos que serviram para ampliar o debate em torno da questão da renovação. Esses
documentos – que consistem, na verdade, nas resoluções desses eventos – receberam os nomes dos locais de
realização dos seminários e tinham o intuito de orientar a conduta profissional dos assistentes sociais. Além desses
encontros, o CBCISS teve destacado papel em atividades de editoração e organização de cursos voltados a
profissionais e docentes (NETTO, 2007, p. 153, nota de rodapé).
Seminários organizados pelo CBCISS.
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De acordo com Aquino e outros (2017), houve uma incorporação generalizada da categoria ao CBCISS, o que
delegou a ele
a sistematização da prática, o debate teórico e a ação profissional, com caráter de exclusividade, no
interior dos cursos de graduação e pós-graduação. Impõe orientação, tanto no âmbito da formação
profissional no interior dos cursos de Serviço Social, quanto na organização da categoria e no mercado
de trabalho. Amplia o universo de interlocutores em razão da pluralidade de sujeitos e organismos
envolvidos e do aumento do número de profissionais (AQUINO , 2017, p. 155).et al.
Pode-se considerar, portanto, que o CBCISS teve suas atribuições ampliadas. Nessa época, contudo, vivenciava-se
o período da ditadura militar no Brasil (classificada por José Paulo Netto e outros autores de autocracia burguesa),
o que impôs limites aos impulsos renovadores existentes. Assim, o CBCISS se constituiu como um “instrumento
institucional, formal, sistemático, operacional e legal em face das condições impostas pela autocracia burguesa, de
oposição às raízes do Movimento de Reconceituação no Brasil” (AQUINO et al, 2017, p. 153).
No entanto, apesar da contribuição do CBCISS na difusão de debates e pesquisas elaboradas no contexto da
Reconceituação, é preciso considerar que o contexto político-social da época não permitiu que a instituição fosse
além do que era possível naquele momento.
4.2. Principais escolas de Serviço Social na América Latina
Como já enfatizado, o Movimento de Reconceituação do Serviço Social ocorreu em diferentes países da América
Latina. No entanto, esse movimento não se processou da mesma forma em todos países. Pelo contrário, cada
localidade apresentou suas especificidades, que foram determinadas pelas conjunturas internas.
Porém, convém destacar dois pontos em comum. Primeiro, o projeto desenvolvimentista formulado pelos
organismos internacionais e que consistia em uma proposta de desenvolvimento econômico e social para ao
países considerados subdesenvolvidos. Segundo, as ditaduras militares que foram instauradas em muitos países
do continente nos anos 1960 e 1970. Dos países que serão estudados, apenas a Colômbia não teve ditadura.
Por outro lado, há uma curiosidade interessante que consiste em uma diferença dos países da América hispânica
em relação ao Brasil: antes da Reconceituação, a profissão era denominada em países como Argentina, Uruguai,
entre outros, como , e a mudança para aconteceu para marcar a ruptura com oServício Social Trabajo Social 
tradicionalismo profissional. No Brasil, essa troca de nomenclatura não aconteceu, embora a ruptura tenha
ocorrido.
ESCLARECIMENTO
O termo “autocracia burguesa” deriva do grego que significa “por si próprio”, e , que auto, kratos
significa “poder”. A sua associação com a ditadura militar brasileira vem do sociólogo Florestan
Fernandes, para quem a ditadura servia para garantir os interesses burgueses.
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4.2.1. Colômbia
A Colômbia ganhou sua primeira escola de Serviço Social em 1936. Tapiro (2012) explica que o desenvolvimento da
profissão no país se deu por etapas, mas pontua que elas são semelhantes às que ocorreram em outras
localidades.
Fonte: © pavalena / / Shutterstock.
Na época da criação da primeira escola, o Serviço Social colombiano esteve fortemente arraigado ao catolicismo e
se constituiu como uma profissionalização da assistência social. A segunda etapa foi marcada pelo projeto
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desenvolvimentista de meados do século XX. Já a terceira consiste na denominada Reconceituação. Todavia,
Tapiro (2012) tece críticas a respeito de como esse processo se deu na Colômbia, uma vez que, segundo ele, havia
uma visão superficial de que aquele era um momento de aproximação ao marxismo, mas não existiam análises
sobre os limites e as contradições das referências utilizadas, levando a uma falsa ideia de homogeneidade do
processo (TAPIRO, 2012).
Ainda que considere, ainda hoje, a necessidade de aprofundamento do debate marxista no Serviço Social
colombiano, o autor aponta três contribuiçõesimportantes do movimento reconceituador. Conheça essas
contribuições clicando nas abas a seguir:
Uma postura ética dos profissionais, embora, na opinião dele, seja, muitas vezes, neutra e ambígua, com
predominância de elementos liberais.
A exigência de análises das realidades da América Latina para dar respostas à profissão.
O reconhecimento da pesquisa como uma parte fundamental da formação e da prática profissional.
4.2.2. Uruguai
Diferente do Brasil, o Serviço Social no Uruguai não nasceu ancorado à Igreja Católica, mas ao movimento
higienista, o que significa que teve seu desenvolvimento subordinado à instituição médica. Portanto, sua base
prática e teórica estava ligada mais ao reformismo social burguês, e apenas em menor escala ao conservadorismo
católico (ACOSTA, 2014).
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Fonte: © pavalena / / Shutterstock.
No final da década de 1950 foi criado um curso de Serviço Social na Universidade da República (UDELAR), o
primeiro no âmbito universitário. Conheça mais sobre essa escola e o processo de mobilização docente e
estudantil que ocorreu no Uruguai clicando a seguir:
Trajetória da escola
A trajetória dessa escola, assim como a de outras que existiram anteriormente fora da Universidade, foi marcada
por uma série de revisões curriculares. Em 1966, o movimento estudantil suscitou a materialização de um novo
currículo. Este apresentava influências desenvolvimentistas.
Ditadura militar
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No entanto, esse processo de mobilização docente e estudantil sofreu forte baque com a instauração da ditadura
militar, em 1973, quando a Universidade perdeu sua autonomia. A Escola de Serviço Social da UDELAR, ao longo
dos anos ditatoriais, foi fechada, reaberta, teve troca de direção, demissão de professores e ajustes no currículo.
Em certa ocasião, o diretor nomeado pelo governo chamou a imprensa para denunciar uma “infiltração
subversiva” na escola, mostrando livros de Marx para comprovar o que dizia e pedaços de madeira que, segundo
ele, poderiam ser usados como armas (ACOSTA, 2014).
Rearticulação
Ainda segundo Acosta (2014), os profissionais formados pela Universidade rearticularam, em 1981, o Sindicato dos
Assistentes Sociais do Uruguai, que havia sido posto na ilegalidade em 1973. Esse mesmo grupo de profissionais foi
fundamental para a reorganização da categoria em uma associação que apoiou a volta, a partir de 1984, do diretor
e dos docentes que atuavam na Escola Universitária de Serviço Social antes da ditadura.
Entre o final dessa década (a ditadura acabou em 1984) e os anos 1990, a Escola deu lugar ao Departamento de
Trabalho Social dentro da Faculdade de Ciências Sociais. O principal motivo dessa mudança foi a concepção do
Serviço Social como área de pesquisa, e não apenas profissão executora.
4.2.3. Chile
A primeira escola de Serviço Social da América Latina surgiu no Chile em 1925 por iniciativa do Estado, que buscou
inspiração no modelo de formação profissional belga. Isso ocorreu em um momento de acirramento da luta de
classes no país. Nesse sentido, a profissionalização do Serviço Social faz parte de um processo de
institucionalização das reivindicações populares, no qual diferentes especialidades foram chamadas para atender
às intervenções estatais no campo da assistência social (CASTRO, 2000).
Já no ano de 1929 foi criada a Escola Elvira Matte de Cruchaga, a primeira escola de Serviço Social católica chilena.
Este empreendimento esteve associado à pretensão da Igreja de reocupar a posição de “condutora moral da
sociedade”. Embora houvesse semelhanças entre ambas as escolas, a principal diferença é que a estatal visava
formar o assistente social para ser um auxiliar do médico, enquanto a católica não limitava o campo da
intervenção profissional, sendo que esta estava vinculada à caridade cristã (CASTRO, 2000, p. 73-74).
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Fonte: © pavalena / / Shutterstock.
Notadamente, algumas mudanças já haviam ocorrido até a década de 1960, quando teve início o Movimento de
Reconceituação na América Latina, como o aumento do número de escolas. O professor brasileiro Vicente de Paula
Faleiros trabalhou na Escola de Serviço Social da Universidade Católica de Valparaíso a partir de 1970 e relata que,
quando chegou, os alunos já faziam greve há mais de três meses pela renovação do corpo docente e reestruturação
do curso (FALEIROS, 1997).
Percebe-se, pois, a importância do movimento estudantil nesse processo, que vinha no trilho do movimento mais
global, a exemplo dos estudantes franceses de 1968. De acordo com o autor em tela, o objetivo dos universitários
chilenos era “transformar as práticas do Serviço Social, iniciando, impulsionando novas práticas a partir dos
estágios, e nas instituições num novo dimensionamento teórico-prático” (FALEIROS, 1997, p.114).
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Ainda segundo o professor Faleiros (1997), os estudantes e docentes de Serviço Social não estavam isolados. Por
meio dos estágios que realizavam em indústrias, sindicatos, institutos de reforma agrária e centros sociais urbanos,
eles tinham contato com os operários, camponeses e movimentos sociais urbanos que também passavam por um
período de lutas populares. Aliás, essa transformação das práticas profissionais requerida por setores do Serviço
Social, por sua vez, exigia justamente um compromisso com as classes dominadas.
Todavia, a ditadura que se instaurou em 1973 sob o comando de Augusto Pinochet, que depôs o presidente
socialista democraticamente eleito Salvador Allende, interrompeu todo o processo de ebulição social com
repressões que envolviam prisões, torturas, assassinatos e exílios. Esta ditadura, considerada uma das mais cruéis
da América Latina, terminou em 1990. Durante esse período, a renovação profissional continuou a ser pensada no
Chile, mas de forma notadamente mais tímida.
4.2.4. Argentina
Na Argentina, assim como em diversos outros países do continente, a Reconceituação do Serviço Social também se
deu no lastro dos questionamentos ao imperialismo estadunidense e da crítica ao modelo positivista-funcionalista
que vigorava no interior da profissão. Moljo e outros (2017) destacam que no âmbito do movimento reconceituador
argentino teve mérito o Instituto de Serviço Social, também chamado de Instituto Bolivar, que foi o berço do Grupo
Ecro, formado por estudantes e docentes.
CONTEXTO
O movimento que ficou mais conhecido como Maio de 68 foi uma onda de protestos iniciados
pela ação de estudantes universitários franceses que reivindicavam melhorias na educação. As
manifestações cresceram e ganharam a adesão de operários, que realizaram uma grande greve
na França. Esse movimento influenciou outros ao redor do mundo.
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Fonte: © pavalena / / Shutterstock.
O Instituto de Serviço Social surgiu dentro do contexto do desenvolvimentismo, quando o governo argentino
solicitou à ONU um trabalho de assessoria ao ensino de Serviço Social ofertado no país, uma vez que considerava
necessário que os assistentes sociais argentinos estivessem mais preparados para trabalhar com o
desenvolvimento de comunidades. Segundo Moljo e outros (2017), isso foi realizado pela assistente social chilena
Maidagán de Ugarte, que visitou as escolas de Buenos Aires, Rosário, La Plata e Santa Fé. Assim, ao considerar que
elas não possuíam o perfil desejado para o projeto desenvolvimentista, recomendou modificações na grade
curricular, perfil profissional e conteúdos teóricos estudados. Como as recomendações não foram atendidas, foi
criado o Instituto do Serviço Social em 1959, que se manteve em funcionamento até 1969.
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Desse Instituto surgiu o Grupo Ecro, formado por estudantes e docentes que criaram uma editora homônima
responsável por difundir as ideias ascendentes à época, que questionavam o Serviço Social tradicional e acabou
gerando um movimento editorial (MOLJO et al, 2017).
Embora o Instituto e o Grupo tenham nascido com inspiração desenvolvimentista, o intercâmbio realizado com as
experiências que ocorriam, sobretudo, no Chile e no Uruguai, levou à radicalização das ideias, como o
questionamento do sistema capitalistae a defesa de que o Serviço Social deveria trabalhar para atender aos
interesses da classe trabalhadora, por exemplo. Esse fato consistiu em fator determinante para a Reconceituação
na Argentina.
Ainda conforme Moljo e outros (2017), correntes mais conservadoras da profissão consideravam o Movimento de
Reconceituação perigoso. Assim, ele foi ganhando força justamente por meio do desenvolvimento de comunidade,
uma vez que a aproximação de estudantes à realidade das comunidades acabou radicalizando a ação desses
jovens. Este processo foi acentuado pela criação de novas escolas de Serviço Social, cujo objetivo inicial era
atender ao desenvolvimentismo, mas que foram, assim como as escolas já existentes, mudando seus planos de
estudo e indo ao encontro da Reconceituação. Todavia, todo esse processo foi interrompido com a implantação da
ditadura militar em 1976.
4.3. Militarismo na América Latina
Como já observado, ditaduras militares foram instauradas em diversos países do continente durante a segunda
metade do século XX. Esses regimes, assim como os golpes de Estado que lhes deram origem, tiveram apoio
estratégico e financeiros dos Estados Unidos, que, naquele período de Guerra Fria, temiam perder influência na
América Latina, o que resultaria em perdas econômicas para a potência capitalista.
Em alguns casos, as ditaduras interromperam (e, em outros, dificultaram) o florescimento do debate que acontecia
no interior do Serviço Social. Por isso, a Reconceituação não teve, naquele período, todas as suas possibilidades
esgotadas. Ou seja: muitos debates e experiências foram interrompidos, o que torna difícil imaginar como seria o
Serviço Social hoje se o regime ditatorial não tivesse acontecido. Por outro lado, o debate pôde reflorescer após
aquele período.
4.3.1. Golpes militares
No período que se seguiu à Segunda Guerra Mundial tivemos a polarização geopolítica entre as potências Estados
Unidos da América (EUA), capitalista, e União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), comunista. Tal conflito,
que não era só ideológico, mas também econômico, ficou conhecido como Guerra Fria. Diferentes países sentiram
os efeitos, em maior ou menor grau, dessa rivalidade. Na América Latina, a ilha caribenha de Cuba passou, em
1959, por uma revolução que a libertou da ditadura de Fulgêncio Batista, e aderiu ao socialismo.
PAUSA PARA REFLETIR
Quais as principais semelhanças e diferenças entre os processos reconceituadores dos países
estudados?
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Fonte: © gary yim / / Shutterstock.
Após a Revolução Cubana, os EUA redobraram suas atenções para a América Latina de modo a impedir outras
sublevações. É nesse contexto que se inicia uma série de golpes militares em diferentes países do continente. Em
comum, todos esses golpes tiveram o apoio dos EUA e visavam, por meio de métodos violentos, impedir o avanço
das esquerdas.
Os principais golpes militares ocorreram nos seguintes países: Brasil (1964), Bolívia (1964), Peru (1968), Chile
(1973), Uruguai (1973), Argentina (1966 e 1976). Cabem aqui dois esclarecimentos. Antes da Revolução Cubana os
EUA já vinham apoiando ditaduras e golpes de Estado no continente. Foi o que aconteceu com a Guatemala (1954)
e com o Paraguai (1954). Até mesmo o regime de Fulgêncio Batista tinha apoio da potência imperialista. Além
disso, a ditadura que se iniciou na Argentina em 1966 havia acabado em 1973, mas um segundo golpe ocorrido em
1976 instaurou outra ditadura, que perdurou até 1983.
No que se refere ao tema deste capítulo, é importante compreender que as ditaduras militares foram minando o
debate que ocorria em torno da renovação crítica do Serviço Social. Isso porque ela se dava com base na
aproximação da categoria a dois elementos combatidos por aqueles regimes: uma literatura acadêmica tida como
subversiva e os movimentos populares.
Com isso, segundo Santos (2007), as experiências renovadoras ficaram restritas à universidade devido à relativa
autonomia de que elas conseguiam dispor. Mas ainda assim, em alguns casos, como no Uruguai, essa autonomia
foi perdida.
ASSISTA
O filme Condor (Brasil, 2008) aborda a cooperação existente entre os governos militares da
América do Sul que tinha como objetivo reprimir os grupos de oposição.
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Ditaduras do período.
Já no Brasil, o processo foi peculiar. Clique para acompanhar como se deu esse processo e compará-lo ao processo
no restante da América Latina.
• Movimento e ditadura
Enquanto o Movimento de Reconceituação na América Latina ocorreu de 1965 a 1975, a ditadura brasileira
já estava em andamento desde 1964. Isso significa que, antes desse período, já houve um primeiro
momento de questionamento ao Serviço Social tradicional.
• Leitura marxista
Posteriormente, no início dos anos 1970, existiu uma experiência na Escola de Serviço Social da
Universidade Católica de Minas Gerais que buscava compreender a profissão a partir de uma leitura
marxista. Mas essa experiência (conhecida como Método BH) chegou ao fim com a demissão dos
professores envolvidos.
• Seminários e ações da CBCISS
O CBCISS promovia seus seminários e demais ações apesar da ditadura. No entanto, é preciso observar que
a instituição não realizava uma crítica contundente ao regime militar e ao sistema capitalista, motivo pelo
qual Netto (2007) afirma que ela buscava incitar uma modernização conservadora, permanecendo dentro
dos limites impostos pela conjuntura.
• Ampliação dos cursos de Serviço Social
Outro fator que precisa ser destacado é a ampliação dos cursos de Serviço Social dentro das universidades
públicas naquele período. O regime militar tinha interesse na formação de assistentes sociais, mas desde
que desempenhassem a sua prática tradicional.
O período não estava preocupado em garantir políticas públicas pautadas na universalização dos direitos sociais.
Queria apenas a execução acrítica dos serviços públicos, suprindo as carências imediatas da população e
apassivando a luta de classes.
Todavia, a maior inserção da categoria no espaço acadêmico permitiu o aprofundamento do diálogo com outras
disciplinas e o acesso a diferentes autores. Esses fatores foram essenciais para a renovação profissional no Brasil.
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4.3.2 A Reconceituação inconclusa
Como vimos, os golpes militares ocorridos em vários países do continente interromperam os debates críticos
realizados na época. Todavia, após o fim das ditaduras, esses debates puderam ser retomados não apenas do
ponto de onde haviam parado, mas com o acúmulo de todas as contradições reveladas pelos regimes ditatoriais,
que ratificaram a condição subalterna da América Latina perante o imperialismo estadunidense e colocaram fim à
crença de que as burguesias nacionais tinham interesses nacionalistas.
Vamos clicar a seguir e conhecer mais sobre os fatores que incentivaram a continuidade dos debates no Serviço
Social:
Neoliberalismo
Outro fator importante impôs às ciências humanas novas mediações e reflexões: a implementação no
neoliberalismo (em alguns casos após a ditadura, como no Brasil, e em outros durante o regime militar, como no
Chile).
Lutas sociais
Esses elementos, assim como as lutas sociais que emergiram no período de redemocratização, incentivaram a
continuidade dos debates no interior do Serviço Social após o fim das ditaduras.
Acesso às obras marxistas
Cabe também assinalar o acesso de docentes, estudantes e profissionais às obras de Karl Marx. Se, antes, a
categoria recorria ao marxismo por meio de intérpretes, a partir da penúltima década do século XX, as obras
originais de Marx passaram a servir de base de estudo para amplo contingente de assistentes sociais.
Tudo isso, todavia, é um processo em aberto que continuamente precisa ser reforçado e aprofundado e que,
portanto, pode-se considerar inconcluso. Isso porque ainda se vivencia, no âmbito da profissão, um processo de
amadurecimento e de fortalecimento do projeto profissional forjado a partir do Movimento de Reconceituação do
Serviço Social, que teve como base os fundamentos da teoria social crítica.
Propostade atividade
Agora é a hora de recapitular tudo o que você aprendeu nesse capítulo! Então, elabore um infográfico destacando
as principais ideias abordadas ao longo do conteúdo. Ao produzir seu infográfico, considere as leituras básicas e
complementares realizadas.
Recapitulando
Ao longo do capítulo, vimos que a partir da década de 1960 ocorreu o que ficou conhecido como Movimento de
Reconceituação do Serviço Social. Esse movimento teve origem quando setores da profissão sentiram a
necessidade de debatê-la e modificar suas práticas. Estes setores questionavam o Serviço Social tradicional, numa
espécie de “crise de identidade profissional”. A partir de então, diferentes entidades contribuíram com o processo
de renovação crítica, a exemplo da ALAETS, do CELATS e do CBCISS. Os dois primeiros visavam integrar a profissão
em nível regional, o que é importante tendo em vista as características comuns presentes nos países latino-
americanos.
96
Vimos também como se deu a Reconceituação na Colômbia, Uruguai, Chile e Argentina. Nos três últimos países, o
processo renovador tinha mais força, mas foi interrompido pelas ditaduras militares iniciadas em 1973 (Uruguai e
Chile) e 1976 (Argentina). As ditaduras, aliás, foram instauradas em vários países da América Latina. Elas tinham o
apoio dos EUA, que visavam manter o domínio sobre a região.
Referências
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RAMOS, S. R. A organização política dos(as) assistentes sociais na Amárica Latina e os rebatimentos para a
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Dissertação (Mestrado em Serviço Social) - Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.
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https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistaempauta/article/view/32724
https://www.cbciss.org/
https://www.cbciss.org/
https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistaempauta/article/view/32726
https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistaempauta/article/view/32726
http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinppIII/html/Trabalhos/EixoTematicoJ/008100eb963407cde276Samya.pdf
http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinppIII/html/Trabalhos/EixoTematicoJ/008100eb963407cde276Samya.pdf
https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistaempauta/article/view/167/193
https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistaempauta/article/view/167/193
	FSSMRALB_C01-C06
	FSSMRALB_C01-C04
	FSSMRALB_C01-C02
	FSSMRALB_C0
	FSSMRALB_C01
	Compreenda seu livro: Metodologia
	Compreenda seu livro: Percurso
	Boxes
	Apresentação da disciplina
	A autoria
	Fabiana Demétrio
	Micaela Alves Rocha da Costa
	Rafaela Vieira
	Veronica Ferreira Pinto
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	1.1 Categorias da teoria marxista
	1.1.1 Produção de mercadoria
	1.1.2 Mais-valia
	1.1.3 Ideologia
	1.1.4 Alienação
	1.2 A luta de classes e a economia política
	1.2.1 Luta de classes como força motriz da história
	1.2.2 A economia capitalista e o processo de produção
	1.3 Valor, trabalho e sociedade
	1.3.1 Valor-trabalho: transformação da natureza e constituição do ser social
	1.3.2 Práxis, ser social e subjetividade
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSMRALB_C02
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	2.1. Influência marxista
	2.1.1. O militantismo no Serviço Social
	2.1.2. O messianismo no Serviço Social
	2.1.3. O fatalismo e o Serviço Social
	2.2. Interpretações da teoria marxista
	2.2.1. Louis Althusser e os Aparelhos Ideológicos de Estado
	2.2.2. Os marxismos de Lenin e Trotsky
	2.2.3. A incorporação de interpretações marxistas no Serviço Social
	2.3. Retorno aos textos de Marx
	2.3.1. A obra de Iamamotto & Carvalho
	2.3.2. Aplicação da teoria de Marx no Serviço Social
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSMRALB_C03
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	3.1. Proposta teórico-metodológica
	3.1.1 Concepção dialética da história
	3.1.2 O intelectual orgânico
	3.1.3 A filosofia da práxis
	3.2 Principais conceitos em Gramsci
	3.2.1 Conceito de cultura
	3.2.2 Construção da contra-hegemonia
	Reivindicações da classe trabalhadora e o conceito de hegemonia
	Domínio e consenso
	Poder coercitivo
	3.2.3 Sociedade civil
	3.2.4 Estado ampliado
	3.3 Contribuição da teoria de Gramsci para o Serviço Social
	3.3.1 Superação do determinismo marxista
	3.3.2 Economicismo perde força
	3.3.3 Valorização da cultura
	3.4 A direção histórica indicada por Gramsci
	3.4.1 Protagonismo dos sujeitos
	3.4.2 Nova ordem societária
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSMRALB_C04
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	4.1. Serviço Social latino-americano
	4.1.1. Asociación Latinoamericana de Escuelas de Trabajo Social (ALAETS)
	4.1.2. Centro Latinoamericano de Trabajo Social (CELATS)
	4.1.3. Centro Brasileiro de Cooperação e Intercâmbio de Serviços Sociais (CBCISS)
	Divulgação no Brasil
	Renovação no Serviço Social brasileiro
	Direções da profissão
	4.2. Principais escolas de Serviço Social na América Latina
	4.2.1. Colômbia
	4.2.2. Uruguai
	4.2.3. Chile
	4.2.4. Argentina
	4.3. Militarismo na América Latina
	4.3.1. Golpes militares
	Movimento e ditadura
	Leitura marxista
	Seminários e ações da CBCISS
	Ampliação dos cursos de Serviço Social
	4.3.2 A Reconceituação inconclusa
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSMRALB_C05
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	5.1 Movimento de Reconceituação
	5.1.1 Reconceituação brasileira
	5.1.2 Bases sócio-políticas
	5.2 Intenção deruptura
	5.2.1 Proposta metodológica da intenção de ruptura
	5.2.2 Influência da teoria marxista na construção da metodologia
	5.2.3 Método Belo Horizonte: uma proposta alternativa
	5.2.4 Crítica ao método de Belo Horizonte (BH)
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSMRALB_C06
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	6.1. Especificidades do Serviço Social
	6.1.1 Processo para a construção do objeto profissional
	6.1.2 A diversidade de objetos
	6.2. Perspectiva libertadora
	6.2.1 A realidade social como objeto
	6.2.2 A formação de consciência
	6.2.3 A ação libertadora
	6.3. A busca de um conhecimento
	6.3.1 A dialética do conhecimento
	Sujeito e objeto do conhecimento em relação dialética
	A totalidade dos fenômenos
	Conhecimento concreto
	6.3.2 A relação sujeito-objeto-objetivos
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSMRALB_C07
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	7.1 Instituições como espaços de prática
	7.1.1 Instituições como aparelhos funcionais
	7.1.2 Instituições como reprodução da força de trabalho
	7.1.3 Instituições como espaço de contradições
	7.2 Prática do Serviço Social nas instituições
	7.2.1 O Estado como espaço de prática
	Estado como espaço de exercício profissional
	Conceito de Estado
	Confusão conceitual
	7.2.2 Articulação com a sociedade
	7.2.3 Articulação com os movimentos sociais
	7.3 Instituições como espaços de transformação
	7.3.1 Objeto profissional e objeto institucional
	7.3.2 Possibilidades de transformações institucionais
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
	FSSMRALB_C08
	Objetivos do capítulo
	Tópicos de estudo
	Contextualizando o cenário
	8.1 A metodologia e a Reconceituação
	8.1.1 Ação política e a teoria dialética
	8.1.2 O paradigma das correlações de forças
	8.1.3 Polarização
	8.2 As ideologias do Serviço Social reconceituado
	8.2.1 Liberal
	8.2.2 Desenvolvimentista
	8.2.3 Revolucionária
	8.3 Sistematização do trabalho social
	8.3.1 A construção de uma proposta metodológica de atuação
	8.3.2 Ciência e técnica social
	8.3.3 A ação profissional, atores e a estrutura
	8.4 Aplicação da teoria reconceituada
	8.4.1 O assistente social como intelectual orgânico
	8.4.2 O profissional como sujeito da história
	Proposta de atividade
	Recapitulando
	Referências
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	Página em branco

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