Logo Passei Direto
Buscar

Ferramentas de estudo

Questões resolvidas

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Questões resolvidas

Prévia do material em texto

Tipos de processos inflamatórios e
neoplasias
Tipos de processos inflamatórios: inflamação aguda, inflamação crônica. Neoplasias.
Profa. Helena Horta Nasser
1. Itens iniciais
Propósito
Os processos inflamatórios são divididos em processos agudos e crônicos, compreender como acontece
esses processos possibilita identificar as alterações morfológicas em cada tipo de inflamação. As neoplasias
podem acometer qualquer tecido do organismo. Analisar as peculiaridades de cada tipo de neoplasia e as
alterações causadas na estrutura do tecido auxilia a interpretação dos exames histopatológicos.
Objetivos
Descrever as inflamações agudas.
 
Reconhecer as inflamações crônicas.
 
Identificar as neoplasias.
Introdução
Ao longo deste tema, vamos estudar os processos inflamatórios agudos e crônicos e entender as suas
diferenças, como são desencadeados e as alterações morfológicas que cada um desses tipos de inflamação
pode ocasionar nos tecidos. Além disso, vamos explorar os diferentes tipos de neoplasias e a peculiaridade de
cada um desses processos nos diferentes tecidos do corpo.
 
Você sabe o que é inflamação? Quando o organismo inicia um processo inflamatório? A inflamação é uma
resposta boa ou ruim para o organismo? Você sabia que a fumaça de cigarro causa uma reação inflamatória
aguda no pulmão de fumantes com o recrutamento de células, como neutrófilos? Você sabia que as
neoplasias são diferentes em cada tipo de tecido? Quais são as alterações causadas em cada tipo? Vamos
descobrir?
• 
• 
• 
1. Inflamações agudas
Inflamação
Inflamação deriva do latim inflamare e do grego phlogos, que significa “pegar fogo”. A inflamação é a
manifestação das respostas imunitárias inata e adaptativa orquestradas por mediadores inflamatórios (pró-
inflamatórios, anti-inflamatórios e pró-resolução).
Imunitária inata
Primeira linha de defesa do organismo. Não gera memória imunológica e é altamente inespecífica.
Exemplos: barreiras físicas, químicas, barreiras microbiológicas (microbiota normal), presença de
macrófagos (fagócitos) nas mucosas; produção de proteínas (enzimas), como a lisozima na lágrima
que tem poder antimicrobiano. Principais células: macrófagos, neutrófilo e células NK.
Imunitária adaptativa
Segunda linha de defesa do organismo, gera memória imunológica e é altamente específica. É
dividido em resposta imune celular (mediada pelos linfócitos T) e humoral (mediada pelos linfócitos
B).
Mediadores inflamatórios
Mediadores inflamatórios são substâncias produzidas pelas células que atuam na comunicação entre
as células. O reconhecimento pelas células desses mediadores gera uma cascata de ativação
intracelular que culmina em uma resposta celular que pode ser pró-inflamatória, anti-inflamatória ou
pró-resolução.
Essa é uma resposta protetora que acontece em uma série de etapas e tem a finalidade de recrutar células e
moléculas de defesa da circulação para os locais da agressão com o objetivo de eliminar o agente agressor.
 
No entanto, os processos inflamatórios, além de eliminar o agente agressor, muitas vezes, causam danos
teciduais com a perda de função dos tecidos. Existem diferentes doenças crônicas causadas pelas reações
inflamatórias, como a artrite reumatoide e a aterosclerose.
 
Você imagina por que quando uma farpa entra no nosso pé em poucas horas ela fica vermelha, quente e
dolorida? Vamos entender?
Inflamação aguda
A inflamação aguda é a primeira resposta do organismo frente a um agente agressor, inicia-se em poucos
minutos após a agressão, tem uma pequena duração e é autolimitada. Essa resposta é uma manifestação do
sistema imune inato, que acontece em tecidos altamente vascularizados e pode ser desencadeado por
diferentes estímulos.
 
No quadro 1 a seguir, podemos conhecer algumas dessas causas:
Quadro 01: Causas da inflamação aguda
 
 
Infecções (bacterianas, viriais, fúngicas e parasitárias)
Toxinas microbianas
Necrose tecidual por isquemia, trauma e lesões químicas e físicas
Corpos estranhos (madeira, sujeiras, traumas, fios de suturas, substâncias depositadas no
organismo (cristas de colesterol na aterosclerose) e lipídeos (síndrome metabólica associada
à obesidade).
Reações imunes (reações de hipersensibilidade). As respostas imunes lesivas são
direcionadas contra antígenos próprios, causando as doenças autoimunes, ou são reações
excessivas contra substâncias, como em alergias, ou contra microrganismos do ambiente.
Fonte: Helena Horta Nasser.
Quando um organismo reconhece um agente agressor, as células residentes dos tecidos tentam eliminar esse
agente e liberam uma série de mediadores (proteínas, mediadores lipídicos e outros mediadores
inflamatórios), que são responsáveis pelo aumento da permeabilidade vascular e a saída de proteínas e
células para o local da inflamação.
 
Exsudação é o nome dado ao deslocamento de fluidos, proteínas e células sanguíneas da corrente sanguínea
para dentro do tecido intersticial ou das cavidades corporais.
 
Pode ser de dois tipos diferentes:
 
Exsudato é o fluido extravascular que apresenta uma elevada concentração proteica e contém resíduos
celulares, presente nas respostas inflamatórias.
Transudato é um fluido com baixo conteúdo proteico (a maior parte composta de albumina), pouco ou
nenhum material celular. Esse é comum em patologias onde há a diminuição de proteínas plasmática,
como a albumina, por perda (problemas renais) ou deficiência na produção (desnutrição grave ou
problemas hepáticos, lembrando que a maioria das proteínas plasmáticas são produzidas no fígado),
que gera um desbalanço entre as pressões oncóticas e hidrostáticas, e um maior extravasamento de
liquido dos capilares para o interstício, sem a drenagem adequada.
O edema denota excesso de fluido no tecido intersticial ou das cavidades serosas, que pode ser ou um
exsudato ou um transudato.
O pus, um exsudato purulento, é um exsudato inflamatório rico em leucócitos (principalmente
neutrófilos), restos de células mortas e, em muitos casos, microrganismos.
 
Essa resposta vai gerar os 5 sinais cardinais (clássicos) da inflamação, que são: calor, vermelhidão, edema,
dor e perda de função.
Didaticamente, a resposta inflamatória aguda possui 3 componentes principais, são eles:
• 
• 
• 
• 
5 sinais cardinais (clássicos) da inflamação
Os 5 sinais cardinais da inflamação são causados pelas reações vasculares e celulares: Calor, eritema e o
inchaço (edema) são causados pela vasodilatação e aumento da permeabilidade vascular. A dor: A
vasodilatação comprime fibras nervosas que ocasionam a dor e são liberados mediadores que causam
dor (prostaglandinas, neuropeptídios e citocinas). Perda de função: O edema causado impede a
movimentação, principalmente nas articulações.
Componentes principais da inflamação aguda.
Veja mais detalhadamente cada um desses componentes:
Vasoconstrição seguida de vasodilatação
Logo após o reconhecimento da lesão ocorre uma rápida vasoconstrição, seguida de intensa
produção de diferentes mediadores, principalmente, a histamina, que vão agir sobre a musculatura
lisa dos vasos sanguíneos provocando um aumento do fluxo sanguíneo no local da inflamação
(vasodilatação). O maior suprimento de sangue gera vermelhidão (eritema) e calor no local da
inflamação.
Aumento da permeabilidade endotelial
A vasodilatação é seguida pelo um aumento da permeabilidade vascular. A permeabilidade endotelial,
normalmente, acontece pela contração da musculatura endotelial e aumento dos espaços entre as
células endoteliais, estimulada pelos mediadores histamina, bradicinina, leucotrienos e outros
mediadores químicos. No entanto, pode ser ocasionada por lesão direta ao endotélio, como acontece
nas queimaduras, pela ação de toxinas e microrganismos.
A vasodilatação e o aumento da permeabilidade vascular geram uma modificação no fluxo sanguíneo,
diminuindo sua velocidade (estase) e aumentando a quantidade de hemácias no local da lesão, isso
também contribui para a vermelhidão. Além disso, os espaços entre as células do endotélio permitemde charuto, dispostas compactamente em
feixes de várias direções. No corte longitudinal, os feixes apresentam os núcleos dispostos lado a lado,
formando paliçadas que se repetem de espaço em espaço. Faixas anucleadas entre as paliçadas, conhecidas
como corpos de Verocay, são constituídas apenas por prolongamentos celulares.
Corte histológico do nervo ventricular, corado por HE, aumento de 10X. Tumor de
Scwannomas, principal tumor do SNP, constituído por feixes de células neoplásicas
alongadas. Os núcleos posicionam-se lado a lado formando paliçadas.
No sistema nervoso central, os tumores mais importantes são os tumores neuroectodérmicos. Eles originam-
se do tubo neural, ou seja, glia e neurônios. Na prática, a maioria tem origem em glia, especialmente, nos
astrócitos. De acordo com a localização e idade do paciente, os tumores apresentarão diferentes
características. Essas neoplasias apresentam crescimento invasivo, sem limites nítidos e é não encapsulado.
 
Podemos conferir a classificação dos tumores do sistema nervoso central e suas principais características
microscópicas e macroscópicas.
Tumores neuroectodérmicos
Localização: Astrócitos 
Tipo: Astrocitomas
 
Características microscópica:
 
1. Astrociomas difusos - Diferenciados e bastante heterogêneos, os astrocitos podem se apresentar de 3
formas: 
 
Fibrilares: Produzem muitas fibrilas gliais. Apresentam baixa celularidade, com poucas atipias, e podem
até confundir-se com uma área de gliose. As células têm prolongamentos filamentosos e o espaço
entre as células é preenchido por uma trama fibrilar. 
 
Protoplasmáticos: Produzem poucas fibrilas gliais. Têm maior celularidade que os fibrilares e os
prolongamentos celulares são curtos. Não raro apresentam pequenos cistos contendo material amorfo
basófilo entre as células. 
 
Gemistocíticos: Lembram células reacionais. Contudo, há perda da relação núcleo-citoplasma, atipias
nucleares e multinucleação. 
 
2. Astrociomas pilocíticos: São bem diferenciados, com baixa celularidade. Padrão pilocítico, ou seja, as
células têm longos e finos prolongamentos que se dispõem em feixes, como uma cabeleira. Pode apresentar
estruturas hialinas, chamadas fibras de Rosenthal, que lembram pequenas cenouras, entre os prolongamentos
celulares.
 
Padrão protoplasmático, com microcistos situados entre as células neoplásicas (degeneração microcística).
• 
• 
• 
 
3. Gliobastoma: Variante maligna do astrocitoma, com: Atipia celular (grande variação na forma e tamanho);
Mitoses atípicas; Proliferação vascular ao redor do tumor e no tecido como um todo; Necrose, mas áreas
necróticas menores, de contornos geográficos, em cuja periferia as células neoplásicas estão concentradas e
dispostas em paliçada, chamado de necrose em pseudopaliçada. Altamente invasivo.
 
Características macroscópica:
 
Situam-se na substância branca de um dos hemisférios cerebrais. São mal delimitados. Nunca são
encapsulados. Apresentam coloração amarelada podendo ter cistos com áreas centrais de necrose e
hemorragia.
São tumores bem delimitados e geralmente císticos. Normalmente localizados no cerebelo. O cisto
contém líquido amarelado. Na parede do cisto há uma área mais saliente, onde a neoplasia é mais
espessa. Contudo, jamais há cápsula.
Massa expansiva mal delimitada na substância branca de um hemisfério cerebral. Apresenta Necrose e
pode haver formação de cistos e/ou hemorragia.
 
Localização: Oligodendrócitos 
Tipo: Oligodendrogliomas 
 
Características microscópica:
 
Astrociomas de tronco central: Apresenta características intermediárias ao tipo difuso e pilocítico.
São formados por oligodendrocitos, que são células pequenas, com núcleo redondo e citoplasma claro,
geralmente com halo vazio em volta do núcleo (aspecto em ovo frito). A impressão é de regularidade.
Os vasos são delicados, com ramificação dicotômica, e formam uma trama comparada a tela de
galinheiro. 
 
Características macroscópica:
 
Massas difusamente infiltrativas, que se misturam imperceptivelmente com o tecido nervoso normal,
separando mais que destruindo estruturas. A ponte aumenta de volume, tomando aspecto
'hipertrófico'.
Massas acinzentadas, geralmente melhor delimitadas que os astrocitomas. Calcificações são comuns.
 
Localização: Epedimonas 
Tipo: Ependimomas 
 
Características microscópica:
 
Bem diferenciadas e uniformes. Apresentam um arranjo radialmente ao redor de vasos, aos quais lançam um
prolongamento. Os núcleos ficam a certa distância do vaso, deixando um halo anucleado (róseo) perivascular
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
(pseudorosetas perivasculares). As células podem apresentar um centro vazio, chamadas rosetas verdadeiras
ou de Flexner. 
 
Características macroscópica:
 
Massas acinzentadas, bem delimitadas, que podem ter aspecto em couve-flor (papilífero), e fazer saliência no
interior do ventrículo, mas infiltram o tecido cerebral adjacente. 
 
Localização: Tumores neurais imaturos 
Tipo: Meduloblastomas
 
Características microscópica:
 
Meduloblastomas são pouco diferenciados, constituídos por células pequenas, com citoplasma muito
escasso lembrando linfocitos, mas os núcleos são ovalados. Mitoses são comuns. As células se
distribuem de forma homogênea. 
Geralmente, há pouca necrose e não se observa proliferação vascular. 
O tumor infiltra a leptomeninge e penetra no sistema nervoso a distância pelos espaços de Virchow-
Robin. 
 
Características macroscópica:
 
Localização cerebelar. O tumor é branco ou róseo-acinzentado, homogêneo. Geralmente não há
necrose nem hemorragias. 
Apesar de aparentemente bem delimitado. Formam massas relativamente bem delimitadas, em geral,
na linha média (vermis) do cerebelo. Comprimem o IV° ventrículo, obstruindo o fluxo liquórico,
causando hidrocefalia e hipertensão intracraniana. Esta é a situação mais comum na infância. 
Tumores mesodérmicos 
Localização: Fibroblastos meníngeos 
Tipo: Meningiomas 
 
Características microscópica:
 
Apresentam células uniformes, núcleo redondo ou alongado, cromatina frouxa, citoplasma róseo,
abundante, de limites imprecisos. As células podem arranjar-se segundo vários padrões, nos quais é
baseada a classificação dos meningiomas. Muito comum é a disposição concêntrica das células, em
redemoinhos, lembrando bulbo de cebola. O centro destes agrupamentos calcifica-se, chamando-se
corpo psamomatoso, quando numerosos, denomina-se o tumor meningioma psamomatoso. 
Os corpos psamomatosos resultam da deposição de cálcio em células neoplásicas degeneradas
(calcificação distrófica). 
 
Características macroscópica:
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
 
Meningiomas são bem delimitados, aderidos à dura-máter, esféricos ou achatados. Deslocam e
comprimem o cérebro sem invadi-lo. Após remoção, deixam uma depressão na superfície cerebral. 
A superfície do tumor é lobulada, lembrando couve-flor. 
Não possuem cápsula. Neoplasias benignas. 
Conhecendo esses aspectos, vamos observar alguns cortes histológicos de tumores neuroectodérmicos
originados a partir dos Astrócitos.
Glioblastoma
Glioblastoma
Glioblastoma
Glioblastoma
Células neoplásticas difusas no tecido nervoso.
• 
• 
• 
Astrocitoma
Astrócito com aspecto gemistocítico (citoplasma rosa, abundante e
núcleo excêntrico).
Astrocitoma
Astrocitoma
Astrócitos com prolongamento encobrindo os vasos (pé sugador).
Astrocitoma
Celularidade moderada, sem proliferação vascular.
Neoplasias de pequenas células redondas
Esse é o nome dado para um grupo de tumores altamente agressivo, formados por células indiferenciadas,
pequenas e com alta relação núcleo-citoplasma. As neoplasias que compõem esses grupos de tumores estão
descritas no quadro a seguir (Quadro 08).
Quadro 08: Tipos de tumores de pequenas células redondas
 
 
Tumores mais comuns
na idade pediátrica.
• Sarcoma de Ewing
• Neuroepitelioma periférico, também conhecido como tumor
neuroectodérmico primitivo (PNET), ou sarcoma de Ewing
extraesquelético;
• Neuroblastomaperiférico (tipo clássico);
• Rabdomiossarcoma;
• Tumor desmoplásico de pequenas células redondas (DSRCT);
• Linfomas e leucemias, geralmente do tipo linfoblástico;
• Osteossarcoma de pequenas células;
• Condrossarcoma mesenquimatoso.
Tumores mais comuns
na idade adulta.
• Carcinoma de pequenas células (ou indiferenciado ou
neuroendócrino);
• Neuroblastoma do olfatório;
• Carcinoma neuroendócrino cutâneo ou de células de Merkel;
• Melanoma de pequenas células;
• Tumor extramedular de células mieloides ou sarcoma
granulocítico.
Fonte: Helena Horta Nasser.
Durante a análise histopatológica, o diagnóstico diferencial é muito difícil, você imagina por quê?
Como as células são altamente indiferenciadas, elas apresentam alta semelhança morfológica quando as
amostras são coradas pela coloração convencional (Hematoxilina-eosina), sendo necessário realização de
testes imunohistoquímicos para chegar a uma conclusão diagnóstica. Esse padrão de células indiferenciados
pode ser observado na figura a seguir.
Cortes histológicos, corados por HE, mostrando Sarcoma de Ewing, um exemplo de
neoplasia de pequenas células redondas.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Estudamos sobre as neoplasias epiteliais e apreendemos que as neoplasias são classificadas
de acordo com as células de origem, o padrão macroscópico e microscópico. Acerca desse
assunto, marque a opção incorreta.
A
O papiloma é uma neoplasia benigna que origina projeções no epitélio de revestimento, com aspecto de
couve-flor. As células apresentam hiperqueratose e coilocitose.
B
O carcinoma basocelular é característico do epitélio de mucosa e de glândulas endócrinas.
C
O adenoma é constituído por uma massa de células semelhante a uma glândula que pode ou não estar
limitada por uma cápsula fibrosa, sem evidência de invasão tecidual.
D
O carcinoma epidermoides, por ocorrer no epitélio, sofreu metaplasia para o epitélio escamoso.
A alternativa B está correta.
Os carcinomas são neoplasias epiteliais malignas, características do epitélio de revestimento (escamoso), e
podem ser divididos em basocelular e epidermoides. O adenoma e o adenorcarcinoma são característicos
do epitélio de mucosa e de glândulas.
Questão 2
Apreendemos que os tumores no sistema nervoso são heterogêneos, podem aparecer em
qualquer idade e acometer qualquer tecido. Sobre as neoplasias que acometem o sistema
nervoso, assinale a alternativa correta.
A
Os tumores neuroectodérmicos originam-se do tubo neural, ou seja, glia e neurônios. Na prática, a maioria tem
origem em glia, especialmente, nos astrócitos.
B
Meningiomas são tumores mesodérmicos que apresentam um padrão de necrose pesudopaliçada.
C
No sistema nervoso central, a neoplasia maligna mais importante é o tumor de Schwannomas.
D
Astrociomas difusos apresentam o padrão histológico à presença de padrão pilocítico e protoplasmático.
A alternativa A está correta.
No sistema nervoso periférico, o tumor mais importante é o tumor de Schwannomas, uma neoplasia
benigna que acomete os nervoso e raízes. Os tumores neuroectodérmicos são as neoplasias mais
importantes do sistema nervoso central. O Gliobastoma representa a variante maligna dos Astrocitomas.
Esse tumor apresenta um padrão de necrose do tipo pesudopaliçada. Os Astrociomas do tipo pilocíticos
apresentam o padrão histológico à presença de padrão pilocítico e protoplasmático.
4. Conclusão
Considerações finais
Ao longo desta jornada, apreendemos como são desencadeados os processos inflamatórios e as
peculiaridades da inflamação aguda (curta duração) e crônica (longa duração). Vimos que todo o processo
inflamatório é orquestrado pelas células inflamatórias, células residentes do tecido lesado e mediadores
inflamatórios.
 
O processo inflamatório agudo é composto por 3 etapas principais: as reações vasculares (vasoconstrição
rápida seguida de vasodilatação), o aumento da permeabilidade vascular e o recrutamento de leucócitos,
principalmente, os neutrófilos. É importante ressaltar o padrão de células recrutadas que dependem do
estímulo, assim outras células também participam do processo inflamatório, como eosinófilos, linfócitos,
plasmócitos, mastócitos e basófilos.
 
Se o agente agressor não for eliminado, o processo inflamatório agudo evolui para o crônico. Na inflamação
crônica, os macrófagos desempenham importante papel na manutenção e propagação do processo
inflamatório e iniciam o processo de reparação tecidual, que nos tecidos é conhecido como fibrose.
 
Vimos também que a inflamação crônica pode ser classificada como granulomatosa ou não granulomatosa de
acordo com o agente agressor. Ao final do módulo, abordamos os diferentes tipos de neoplasias (malignas e
benignas) do epitélio, células mesênquimas, do sistema nervoso e de pequenas células redondas, verificando
o padrão histopatológico das principais neoplasias.
Podcast
Para encerrar, ouça o áudio sobre os tópicos principais abordados no tema.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore+
Para saber mais sobre os assuntos explorados neste tema, visite:
 
O site do departamento de Patologia Geral da UNICAMP para conhecer melhor o padrão
histopatológico das principais neoplasias mesênquimas e verificar as diferenças histológicas em cada
tipo de tumor do sistema nervoso central.
A página do Departamento de Patologia Médica da UFRJ, e conheça mais sobre as principais
alterações morfológicas e funcionais nos processos inflamatórios e neoplásicos.
 
Vimos de forma rápida as respostas imune, inata e adaptativa. Para relembrar esses conceitos, busque os
seguintes vídeos. In: Youtube:
• 
• 
 
Imunidade inata ativando reposta imune adquirida;
Fluxo sanguíneo – invasão do vírus.
 
Para fixar mais sobre as células, os processos inflamatórios agudos, a diapedese e fagocitose, busque os
seguintes vídeos. In: Youtube:
 
Processo inflamatório imunologia;
Hematopoese.
 
Pesquise os artigos:
 
Sistema Imunitário – Parte I Fundamentos da imunidade inata com ênfase nos mecanismos moleculares
e celulares da resposta inflamatória, de Wilson de Melo Cruvinel, Danilo Mesquita Júnior, Júlio Antônio
Pereira Araújo, Tânia Tieko Takao Catelan, Alexandre Wagner Silva de Souza, Neusa Pereira da Silva e
Luís Eduardo Coelho Andrade, publicado em 2010 na Revista Brasileira de Reumatologia.
Sistema Imunitário – Parte II Fundamentos da resposta imunológica mediada por linfócitos T e B, de
Danilo Mesquita Júnior, Júlio Antônio Pereira Araújo, Tânia Tieko Takao Catelan, Alexandre Wagner Silva
de Souza, Wilson de Melo Cruvinel, Luís Eduardo Coelho Andrade e Neusa Pereira da Silva, publicado
em 2010 na Revista Brasileira de Reumatologia.
Sistema Imunitário – Parte III O delicado equilíbrio do sistema imunológico entre os polos de tolerância
e autoimunidade, de Alexandre Wagner Silva de Souza, Danilo Mesquita Júnior, Júlio Antônio Pereira
Araújo, Tânia Tieko Takao Catelan, Wilson de Melo Cruvinel, Luís Eduardo Coelho Andrade, Neusa
Pereira da Silva, publicado em 2010 na Revista Brasileira de Reumatologia.
Características Gerais das Neoplasias, disponibilizado pela UNICAMP, nas áreas de Semiologia e
Patologia.
 
Leia também o arquivo:
 
Classificação das inflamações agudas.
Referências
CRUVINEL, W.M. et al. Sistema Imunitário – Parte I: Fundamentos da imunidade inata com ênfase nos
mecanismos moleculares e celulares da resposta inflamatória. São Paulo: Revista Brasileira de Reumatologia,
2010.
 
GASPARD, K. J. Células sanguínea e sistema Hematopoiético. In: PORTH, C. M.; MATFIN, G. Fisiopatologia. 8.
ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
 
KUMAR, V.; ABBAS, A. K.; ASTER, J. C. Robbins & Contran: Bases morfológicas das doenças. 9. ed. Holanda:
Editora Elsevier, 2016.
 
JUNIOR, D. M. et al. Sistema imunitário – Parte II: Fundamentos da resposta imunológica mediada por linfócitos
T e B. São Paulo: Revista Brasileira de Reumatologia, 2010.
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
javascript:void(0);
javascript:void(0);
 
PORTH, C. M.; MATFIN, G. Fisiopatologia.8 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan LTDA. 2008.
 
PORTH, C. M.; SOMMER, C. Inflamação, reparo tecidual e cura de feridas. In: PORTH, C. M.; MATFIN, G. 
Fisiopatologia. 8. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.
 
SILVERTHRON, D. U. Fisiologia Humana: Uma abordagem integrada. 7 ed. Porta Alegre: Artmed. 2017.
 
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP). Site didático de anatomia patológica, neuroanatomia e
neuroimagem. Consultado em meio eletrônico em: 10 ago. 2020.
 
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (UNICAMP). Departamento de diagnóstico oral. Características
gerais das Neoplasias e tumores benignos bucais. Consultado em meio eletrônico em: 10 ago. 2020.
 
UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ). Departamento de Patologia. Histopatologia geral.
Consultado em meio eletrônico em: 10 ago. 2020.
 
VASCONCELOS, A. C. Patologia Geral em Hipertexto. Belo Horizonte: UFMG, 2000.
 
ZAGO, M. A; CALADO, R. T. Eritropoiese e Eritropoetina. Produção e destruição das hemácias. São Paulo:
Atheneu, 2001.
	Tipos de processos inflamatórios e neoplasias
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Inflamações agudas
	Inflamação
	Imunitária inata
	Imunitária adaptativa
	Mediadores inflamatórios
	Inflamação aguda
	Vasoconstrição seguida de vasodilatação
	Aumento da permeabilidade endotelial
	Recrutamento dos leucócitos para o local da inflamação
	Saiba mais
	Principais mediadores inflamatórios
	Conteúdo interativo
	Neutrófilos e macrófagos
	Neutrófilos
	Macrófagos
	Eosinófilo
	Saiba mais
	Verificando o aprendizado
	A resposta inflamatória aguda pode ser dividia em 3 constituintes principais. Sobre esses constituintes, assinale a alternativa incorreta.
	Aprendemos que o tipo de leucócito que é recrutado varia de acordo com o tempo da resposta inflamatória e com o tipo de estímulo. Sobre as células recrutadas durante um processo inflamatório agudo, assinale a alternativa correta.
	2. Inflamações crônicas
	Inflamação crônica
	Linfócitos
	Atenção
	Linfócito T
	Linfócitos B
	Saiba mais
	Inflamação crônica inespecífica e granulomatosa
	A inflamação crônica inespecífica (ou não granulomatosa)
	A inflamação crônica granulomatosa
	Atenção
	Saiba mais
	Inflamação crônica granulomatosa imunes
	Inflamação crônica granulomatosa imunes
	Inflamação crônica granulomatosa imunes
	Inflamação crônica granulomatosa de corpo estranho
	Inflamação crônica granulomatosa de corpo estranho
	Inflamação crônica granulomatosa de corpo estranho
	Efeitos sistêmicos da inflamação
	Conteúdo interativo
	Reparação e regeneração tecidual
	Regeneração tecidual
	Reparo por deposição de tecido conjuntivo
	Cura por primeira intenção (primária)
	Cura por segunda intenção (secundária)
	Figura 1
	Figura 2
	Figura 3
	Atenção
	Verificando o aprendizado
	Como estudamos, a resposta inflamatória crônica é caracterizada pelo recrutamento de células mononucleares, destruição e reparo tecidual. Sobre as células recrutadas nesse tipo de resposta, assinale a alternativa incorreta.
	Aprendemos que a inflamação crônica pode apresentar dois padrões de resposta, ela pode ser inespecífica ou granulomatosa. Sobre esses padrões, analise as alternativas e assinale a opção correta.
	3. Neoplasias
	Neoplasia
	Neoplasias malignas x benignas
	Conteúdo interativo
	Neoplasias epiteliais
	Papilomas
	Adenomas
	Carcinoma epidermoide
	Carcinoma basocelular
	Adenocarcinomas
	Neoplasias mesenquimais
	Tumores benignos
	Fibroma
	Lipoma
	Osteoma
	Condroma
	Hemangioma
	Linfangioma
	Leiomioma
	Rabdomioma
	Tumores malignos
	Fibrossarcoma
	Lipossarcoma
	Osteossarcoma
	Condrossarcoma
	Hemogiossarcoma
	Linfagiossarcoma
	Leimiossarcoma
	Rabdomiossarcoma
	Neoplasias do sistema nervoso
	Tumores neuroectodérmicos
	Tumores mesodérmicos
	Glioblastoma
	Glioblastoma
	Glioblastoma
	Glioblastoma
	Astrocitoma
	Astrocitoma
	Astrocitoma
	Astrocitoma
	Neoplasias de pequenas células redondas
	Verificando o aprendizado
	Estudamos sobre as neoplasias epiteliais e apreendemos que as neoplasias são classificadas de acordo com as células de origem, o padrão macroscópico e microscópico. Acerca desse assunto, marque a opção incorreta.
	Apreendemos que os tumores no sistema nervoso são heterogêneos, podem aparecer em qualquer idade e acometer qualquer tecido. Sobre as neoplasias que acometem o sistema nervoso, assinale a alternativa correta.
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore+
	Referênciaso extravasamento de plasma e células da corrente sanguínea para o local da inflamação e formação
do edema.
Em condições normais, o sistema linfático é responsável pela absorção de 15% do plasma que é
extravasado dos capilares. No processo inflamatório agudo, com o aumento da permeabilidade
vascular, há também um maior extravasamento de plasma e células. Dessa forma, o fluxo linfático é
aumentado e ajuda a drenar o fluido do edema que se acumula devido ao aumento de permeabilidade
vascular. No entanto, se a quantidade de fluido for muito grande, o sistema linfático não consegue
drená-lo totalmente.
Recrutamento dos leucócitos para o local da inflamação
A vasodilatação e o aumento da permeabilidade permitem o efluxo dos leucócitos da corrente
sanguínea para o local da inflamação. Esse processo é deflagrado quando as células residentes do
tecido, como resposta aos agentes agressores, produzem citocinas (um tipo de mediadores
inflamatório) que são responsáveis pelo o recrutamento dos leucócitos.
Saiba mais
A permeabilidade vascular provocada por mediadores apresenta rápida ativação e duração. Entretanto, a
permeabilidade vascular pode demorar mais para ser deflagrada e ter uma maior duração, como
acontece nas lesões endoteliais ocasionadas por queimaduras solares ou por lesão direta ao endotélio
(necrose) que pode ser ocasionada pelas toxinas, microrganismos e pelo próprio neutrófilo que está
participando da resposta inflamatória, e lesa o endotélio e assim amplificar a reação. A partir dessas
informações, você imagina por que quando vamos a praia a queimadura de sol só aparece algum tempo
depois? A Resposta é a seguinte: a queimadura de sol vai desencadear um aumento da permeabilidade
vascular pela lesão ao endotélio leve e contração endotelial. No entanto, nesse caso, a vasodilatação e o
aumento da permeabilidade com o extravasamento de proteínas e células da corrente sanguínea, vai
acontecer de forma tardia e prolongada. A vasodilatação e o aumento da permeabilidade vão causar
vermelhidão, dor e edema na pele característico da queimadura de sol, que vão aparecer tempos depois
da exposição ao sol. 
Como você imagina que acontece esse recrutamento?
 
Em condições normais, as hemácias fluem em uma posição central do vaso sanguíneo e os leucócitos em uma
posição mais periférica, e não há ligação dos leucócitos, há células endoteliais. No início do processo
inflamatório, com a vasodilatação, mais leucócitos passam a fluir na periferia do vaso e ficam em contato com
a parede endotelial, em um processo conhecido como marginação.
 
Além disso, os leucócitos passam a expressar na membrana plasmática, estimulados por citocinas, moléculas
de adesão, ou seja, moléculas de reconhecimento dos leucócitos com as células endoteliais. Em um primeiro
momento, a marginação e a expressão de moléculas de adesão (chamadas de seletinas) permitem a ligação
dessas células à parede vascular de forma transitória, separando e se ligando novamente, ocorrendo assim o 
rolamento da célula na parede endotelial.
 
Em seguida, os leucócitos tornam-se ativados e aderem ao endotélio com uma ligação mais (via moléculas de
adesão chamadas de integrinas). Após essa adesão forte, os leucócitos passam entre as células endoteliais
(diapedese), ultrapassando a membrana basal, provavelmente, pela a produção de colagenases que clivam o
tecido conjuntivo, entram no tecido extravascular e migram ao local da lesão através de estímulos
quimiotáxicos.
 
Quimiotaxia: locomoção seguindo um gradiente químico, podendo ser exógeno (toxinas bacterianas) ou 
endógenos (citocinas, como IL-8), metabólitos do leucotrienos e componentes do sistema complemento.
Sistema complemento: constituído por um conjunto de proteínas plasmáticas que se ativam durante as
respostas inflamatórias. A ativação desse conjunto de proteínas ocorre através de uma cascata enzimática e
que culmina na lise dos patógenos. O termo complemento refere-se à capacidade destas proteínas assistirem
ou complementarem a atividade antimicrobiana dos anticorpos).
Na figura a seguir, temos um esquema resumindo as etapas da resposta que acontece durante a inflamação
aguda. Vamos conhecer?
Esquema mostrando a Inflamação aguda. No exemplo, a agressão foi causada pelo
prego.
Principais mediadores inflamatórios
No vídeo a seguir, serão apresentados os principais tipos de mediadores inflamatórios.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Qual tipo de leucócito é recrutado durante?
 
No sangue, existem diferentes tipos de leucócitos, como, por exemplo, os neutrófilos, monócitos, linfócitos e
os eosinófilos. O tipo de leucócito que é recrutado varia de acordo com o tempo da resposta inflamatória e
com o tipo de estímulo.
 
Hematopoese
 
As células sanguíneas são sintetizadas na medula óssea a partir das células pluripotentes hematopoéticas.
Essas células respondem a diferentes estímulos (fatores de crescimento), que estimulam a proliferação e
diferenciação celular.
Hematopoese. Esquema ilustrando a síntese das células sanguíneas na medula
óssea.
Vamos agora conhecer cada uma dessas células e quando elas são ativadas.
Neutrófilos e macrófagos
Neutrófilos
Os neutrófilos ou polimorfonucleares ou neutrófilos segmentados são leucócitos presentes na corrente
sanguínea que apresentam núcleos formados com 3 ou 5 lóbulos, ligados entre si por pontes de cromatinas e
são as células mais abundante na circulação periféricas. Essas células fazem parte da imunidade imune inata e
apresentam alta capacidade fagocítica atuando, principalmente, na defesa contra as bactérias.
Ilustração 3D dos neutrófilos. Na imagem, a célula apresenta o núcleo com 3
lóbulos. Essa célula é um fagócito e, normalmente, está presente nas primeiras
horas da resposta inflamatória aguda.
Na grande maioria dos processos inflamatórios agudos, nas primeiras 24 horas, os neutrófilos são as primeiras
células a serem recrutadas, pois estão em maior concentração na corrente sanguínea, respondem mais
rapidamente aos mediadores inflamatórios e aderem com maior facilidade ao endotélio vascular.
 
Após a entrada nos tecidos, os neutrófilos têm vida curta, pois realizam a fagocitose e, em seguida, entram
rapidamente em apoptose. Nas infecções bacterianas, como as produzidas pela bactéria Pseudomonas sp., o
infiltrado celular é predominantemente de neutrófilos, que são continuamente recrutados por vários dias
seguidos.
Fagocitose é o processo pela qual uma célula
engloba partículas sólidas (patógenos ou restos
celulares) a partir de projeções na membrana
plasmática (pseudópodes) com posterior
eliminação dessa partícula. Células como
macrófagos e neutrófilos são exemplos de
fagócitos. Também realizam fagocitose as
células dendríticas e as células Natural Killer
(NK).
 
A fagocitose acontece nas seguintes etapas:
 
Reconhecimento e ligação com a partícula a ser ingerida via receptor de membrana;
Ingestão com subsequente formação do vacúolo digestivo (fagossoma);
Fusão do fagossoma com o lisossoma formando o fago lisossomo ou vacúolo digestivo;
Morte ou degeneração do material ingerido.
• 
• 
• 
• 
 
“Apoptose ou Morte Celular Programada é um tipo de ‘autodestruição celular’ que requer energia e síntese
proteica para a sua execução. Está relacionado com a homeostase na regulação fisiológica do tamanho dos
tecidos, exercendo um papel oposto ao da mitose. O termo é derivado do grego apoptosis, que se referia à
queda das folhas das árvores no outono - um exemplo de morte programada fisiológica e apropriada que
também implica em renovação.” (Vasconcelos, 2000)
 
A morte dos microrganismos é realizada pelas espécies reativas de oxigênio e espécies reativas de nitrogênio,
principalmente, aquelas derivadas do óxido nítrico (NO). Além disso, os macrófagos e os neutrófilos
apresentam lisossomos repletos de grânulos, que ajudam a eliminar os agressores e quando liberados ajudam
a controlar o dano tecidual.
 
Os neutrófilos apresentam inúmeros grânulos no citoplasma que se coram peloscortantes neutros, o núcleo é
lobulado e corado com corantes basofílicos.
 
Os neutrófilos também sintetizam redes de fibrinas extracelulares que fornecem alta concentração de
substâncias antimicrobianas no local de infecção, impedindo a disseminação dos microrganismos.
 
Neutrófilos têm dois principais tipos de grânulos:
1) Os grânulos menores específicos (ou secundários) contêm lisozima, colagenase, gelatinase, lactoferrina,
ativador de plasminogênio, histaminase e fosfatase alcalina.
2) Os grânulos azurófilos maiores (ou primários) contêm mieloperoxidase, fatores bactericidas (lizozima,
defensinas), hidrolases ácidas e uma variedade de proteases neutras (elastase, catepsina G, colagenases não
específicas, proteinase 3).
 
Na figura a seguir, temos as fotos dos neutrófilos em distensões sanguíneas e no corte histológico durante um
processo inflamatório agudo. Vamos conhecer?
Fotos mostrando neutrófilos no sangue em cortes histológicos. Neutrófilos obtidos a
partir de amostras de sangue de um paciente normal (seta azul). Repare nos
núcleos multilobulados das células. Além dos neutrófilos na lâmina estão presentes
hemácias (seta preta) Coloração de GIENSA.
Fotos mostrando neutrófilos no sangue em cortes histológicos. Corte histológico de
glomérulo renal, corado por HE, aumento de 40x, mostrando presença de
numerosos neutrófilos (seta). Foto de um paciente com glomerulonefrite aguda após
infecção por Estreptococos sp.
Macrófagos
Após um determinado período da resposta inflamatória aguda (aproximadamente 24-48 horas), o
recrutamento de neutrófilos diminui e o predomínio passa a ser dos monócitos com maior presença de
macrófagos no local da inflamação. De forma diferente dos neutrófilos, essas células quando saem da
corrente sanguínea, sobrevivem por mais tempo, pois se diferenciam em macrófagos, conseguem se proliferar
nos tecidos.
 
Mas qual a diferença entre os macrófagos e monócitos?
 
Os monócitos constituem de 3-8% dos leucócitos circulantes e apresentam núcleo ovoide em forma de
ferradura, com a cromatina frouxa e o citoplasma basófilo com alguns grânulos.
Esquema ilustrando os monócitos. Os monócitos apresentam núcleo ovoide em
forma de ferradura, com a cromatina frouxa e o citoplasma basófilo com alguns
grânulos (lisossomos).
Essa célula está presente na corrente sanguínea e é uma fase de maturação da célula mononuclear fagocitária
originária na medula óssea, que, após alguns dias na circulação sanguínea, passa para os órgãos terminando
sua diferenciação em macrófagos.
Esquema ilustrando o recrutamento dos monócitos da corrente sanguínea para o
tecido e a diferenciação em macrófagos.
Os macrófagos são fagócitos do sistema imune inato e que condicionam a resposta imune adaptativa, pois
funcionam como uma célula apresentadora de antígenos aos linfócitos T, iniciando assim a resposta imune
adaptativa.
 
Os macrófagos estão amplamente distribuídos no organismo, atuando na defesa dos tecidos. São residentes
do:
 
Pulmão (macrófagos alveolares);
Fígado (células de kupffer);
Rins (células mesenquimais);
Sistema nervoso (células da microglias) e
Tecido conjuntivo (histiócitos).
 
Os macrófagos residentes dos tecidos, quando em contato com o agente agressor, são capazes de fagocitar
na tentativa de eliminá-lo e produzir mediadores inflamatórios, destravando o processo inflamatório.
 
Não são só os macrófagos que ativam a inflamação. As células residentes do tecido também apresentam a
capacidade de produção de mediadores inflamatórios.
 
Os macrófagos são células maiores do que os neutrófilos, apresentam forma arredondada ou alongada e tem
um núcleo ovoide ou redondo, com a cromatina mais frouxa. O citoplasma é abundante, com coloração rosa,
apresentam mais lisossomos que os monócitos e, às vezes, podem conter elementos fagocitados em seu
citoplasma.
• 
• 
• 
• 
• 
Esquema ilustrando os macrófagos. No esquema são apresentados inúmeros
grânulos que representam os lisossomas.
Foto ilustrando os macrófagos (seta). Na foto podemos observar que os macrófagos
são moléculas grandes, com núcleos arredondados, citoplasma abundante e
granular (seta).
Neutrófilos e macrófagos apresentam vários receptores e moléculas de superfície que estão envolvidos em
sua ativação. Eles incluem:
 
Receptores para manose que se ligam a glicoproteínas de bactérias.
Receptores do tipo Toll-like que respondem a diferentes tipos e componentes de micróbios.
Receptores de comunicação celular em resposta a infecções e injúria tecidual.
Moléculas de adesão celular que afetam a adesão de leucócitos.
Receptores para complemento que reconhecem fragmentos degradados do complemento depositados
na superfície dos micróbios.
• 
• 
• 
• 
• 
Receptores para manose
Espécie de lectina tipo C encontrada, por exemplo, na superfície de macrófagos, células dendríticas
imaturas e na superfície de células da pele.
Eosinófilo
Os eosinófilos são células que estão presentes em pequenas concentrações no sangue periférico, estando
mais distribuídos nas regiões de mucosa, ou seja, no trato gastrointestinal, respiratório e geniturinário. Essas
células apresentam núcleos com dois lóbulos e seu citoplasma repleto de grânulos altamente catiônicos que
se coram em vermelho pelo corante eosina.
 
Como podemos diferenciar morfologicamente um eosinófilo do neutrófilo?
 
Os eosinófilos se diferem dos neutrófilos, pois os neutrófilos apresentam mais lobulações e o citoplasma
quase não tem grânulos coráveis.
 
Na figura a seguir, podemos ver as características morfológicas dos eosinófilos.
Esquema ilustrando os eosinófilos. No esquema são apresentados inúmeros
grânulos coráveis com o corante de eosina.
Corte histológico de fígado, corados com HE, aumento de 40x. Na foto vemos a
presença de eosinófilos com núcleo bilobado e grânulos acidófilos (seta azul), que
coram pela eosina. Essa lâmina foi obtida de um paciente com granuloma provocado
por Schistosoma mansoni.
Os eosinófilos são recrutados da mesma forma que os neutrófilos (pela ação de mediadores inflamatórios e
ligação ao endotélio pelas moléculas de adesão). No entanto, são recrutados nas infecções parasitárias
(parasitas muito grandes não conseguem ser fagocitados) e nas reações alérgica.
 
Os eosinófilos combatem a infecção pela citotoxicidade mediada por células dependente de anticorpos, ou
seja, eles reconhecem e se ligam aos anticorpos IgE ou IgA que recobrem os antígenos-alvos. Após a ligação,
essas células liberam seus grânulos, que induzem a inflamação pela produção de mediadores lipídicos e
citocinas.
Grânulos
Os grânulos dos eosinófilos são: Proteína básica principal que apresenta toxicidade para parasitas, induz
a degranulação de mastócitos e basófilos, e ativa a síntese de fatores de remodelação por células
epiteliais.Proteína catiônica eosinofílica, tem propriedades antivirais.Neurotoxina derivada de eosinófilo,
tem propriedades antivirais e cria poros na membrana das células alvos.Peroxidase eosinofílica, que têm
grande potencial citotóxico sobre parasitas, mas também podem causar lesão tecidual. 
Saiba mais
Você lembra dos basófilos e mastócitos? Assim como os eosinófilos, os basófilos e mastócitos produzem
mediadores lipídicos e citocinas que induzem a inflamação e no seu interior possuem grânulos que
induzem a inflamação, como histamina. Eles são particularmente importantes na inflamação associada a
reações de hipersensibilidade imediata e doenças alérgicas. Vamos conhecer as particularidades de
cada um: Os basófilos derivam de progenitores da medula óssea e circulam no sangue. Os grânulos dos
basófilos, que se coram em azul-escuro com um corante básico, contêm histamina e outros mediadores
bioativos da inflamação. A imunoglobulina E (IgE), secretada por plasmócitos, se liga a basófilos
deflagrando a liberação de histamina e agentes vasoativos dos grânulos dos basófilos. Os mastócitos
são células residentes da superfície de mucosa do trato gastrointestinal e respiratório. Essas células são
derivadas das mesmas células-troncohematopoéticas que os basófilos, mas só terminam sua
diferenciação celular nos tecidos. A ativação dos mastócitos libera os conteúdos de seus grânulos
(histamina, proteoglicanos, proteases e citocinas, tais como o fator de necrose tumoral (TNF-α) e a
interleucina IL-16, estimula a síntese de mediadores lipídicos derivados de precursores na membrana
plasmática (metabólitos do ácido araquidônico, tais como prostaglandinas, e fator de ativação de
plaquetas) e estimulação da síntese de citocinas e quimiocinas por outras células inflamatórias, tais
como monócitos e macrófagos. 
Após o recrutamento dos leucócitos para o local da inflamação, à medida que o agente é eliminado pela
fagocitose, o organismo libera mediadores anti-inflamatórios que visam a diminuição da resposta inflamatória
e o retorno da homeostase (resolução completa).
 
No entanto, os leucócitos ao serem ativados liberam metabólitos tóxicos e proteases que geram danos ao
tecido. Nesse caso, no final do processo inflamatório, ocorre um reparo com a substituição pelo tecido
conjuntivo (fibrose ou cicatrização).
 
A cicatrização também ocorre nos locais onde não é possível a regeneração tecidual e em cavidades serosas
(como a pleura e o peritônio). Caso o agente agressor não seja eliminado, o resultado é a evolução para a
inflamação crônica, que estudaremos no próximo módulo.
Verificando o aprendizado
Questão 1
A resposta inflamatória aguda pode ser dividia em 3 constituintes principais. Sobre esses
constituintes, assinale a alternativa incorreta.
A
A vasodilatação e o aumento da permeabilidade vascular tornam o tecido vermelho (eritema) pelo aumento do
fluxo sanguíneo no local da inflamação.
B
A permeabilidade vascular, normalmente, ocorre pela contração das células endoteliais mediada,
principalmente, pela histamina.
C
O recrutamento de leucócitos da corrente sanguínea para o local de inflamação pode ser dividido em
marginação, rolamento, adesão e diapedese.
D
A resposta consiste na vasoconstrição seguida de vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular
seguida de recrutamento de leucócitos.
A alternativa A está correta.
Como estudamos, a resposta inflamatória aguda possui 3 componentes principais: reações vasculares,
como vasoconstrição rápida seguida de vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e
recrutamento de leucócitos para o local da lesão. A vasodilatação e o aumento da permeabilidade vascular
geram modificação no fluxo sanguíneo, diminuindo sua velocidade (estase) e aumentando a quantidade de
hemácias no local da lesão, o que também contribui para a vermelhidão.
Questão 2
Aprendemos que o tipo de leucócito que é recrutado varia de acordo com o tempo da
resposta inflamatória e com o tipo de estímulo. Sobre as células recrutadas durante um
processo inflamatório agudo, assinale a alternativa correta.
A
Nas primeiras 24 horas de lesão, os macrófagos são as células predominantemente recrutadas.
B
Nas primeiras 24 horas do início da lesão, os neutrófilos são as células predominantemente recrutadas.
C
Nas primeiras 24 horas do início da lesão pelo vírus do HPV, os eosinófilos são as células predominantemente
recrutadas.
D
Após 48 horas do início da lesão, os neutrófilos são as células predominantemente recrutadas.
A alternativa B está correta.
Na inflamação aguda, o tipo de leucócito recrutado vai variar com o tempo do início da lesão e o tipo de
organismo causador da lesão. Normalmente, nas primeiras 24 horas, o neutrófilo é a célula
predominantemente recrutada. Esse fato parece estar relacionado com sua maior concentração no plasma,
maior capacidade de adesão ao endotélio e resposta mais rápida aos mediadores inflamatórios. No entanto,
após a fagocitose, essa célula rapidamente sofre apoptose. Após 48 horas, os monócitos são mais
recrutados e esses são diferenciados em macrófagos, que apresentam capacidade de fixar no tecido e
proliferar. Os eosinófilos são recrutados em infecções parasitárias e alérgicas.
2. Inflamações crônicas
Inflamação crônica
O que é inflamação crônica?
A inflamação crônica é uma inflamação de duração prolongada, podendo se estender semanas, meses ou até
mesmo anos. Esse tipo de inflamação pode se desenvolver a partir de um processo inflamatório agudo
recorrente ou progressivo. Além disso, ela pode se iniciar de forma silenciosa, a partir de respostas latentes e
de baixo grau que não apresentam nenhuma manifestação prévia de reação aguda.
 
No quadro a seguir (Quadro 02), podemos ver as diferentes causas das inflamações crônicas.
Quadro 02: Causas da inflamação crônica.
 
 
Infecções persistentes com microrganismo que são difíceis de eliminar (microbactérias,
certos vírus, parasitas e fungos)
Doenças de hipersensibilidade
Exposição prolongada a agentes potencialmente tóxicos, tanto endógenos quanto exógenos
Corpos estranhos como: talco, sílica e materiais de sutura
Doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer; a síndrome metabólica e o
diabetes do tipo 2; certas neoplasias, em que as reações inflamatórias promovem o
desenvolvimento de tumores
Fonte: Helena Horta Nasser.
As inflamações crônicas são caracterizadas pelo recrutamento de células mononucleares (macrófagos,
linfócitos e plasmócitos), destruição tecidual causada pela persistência do agente agressor ou pelas próprias
células inflamatórias e tentativa de reparo com a substituição do tecido lesado pelo tecido conjuntivo, a
proliferação de novos vasos sanguíneos (angiogênese) e a fibrose.
 
Também participam da inflamação crônica algumas células encontradas em inflamação aguda, como os
eosinófilos, mastócitos e neutrófilos. Os neutrófilos estão presentes em muitas formas de inflamação crônica
que duram por meses, induzidos tanto por microrganismos persistentes e por mediadores produzidos pelos
macrófagos ativados e linfócitos T. Na infecção bacteriana crônica do osso (osteomielite), um exsudato
neutrofílico pode persistir por muitos meses. No pulmão de fumantes, também é visto nas lesões crônicas
grande quantidade de infiltrado de neutrófilos.
 
Nesse tipo de resposta inflamatória, as células dominantes são os macrófagos. Como visto, essas células são
residentes dos tecidos e são recrutados ao local da inflamação em resposta aos mediadores inflamatórios. Em
uma inflamação aguda, normalmente, essas células são recrutadas após 48 horas do início da inflamação e
apresentam a capacidade de se instalar e proliferar no local da agressão, persistindo assim por bastante
tempo. Essas células:
 
Fagocitam e eliminam os microrganismos e tecido necrosado.• 
Produzem e secretam mediadores inflamatórios, como as citocinas, deflagrando assim, o processo
inflamatório.
Apresentam os antígenos para os linfócitos t ativando-os.
Respondem a citocinas produzidas pelas células t.
Iniciam o processo de reparação tecidual.
 
Dessa forma, os macrófagos iniciam uma cascata de ativação que é essencial para a defesa contra muitos
microrganismos através de respostas imunológicas mediadas por células. Entretanto, em inflamações
crônicas, podemos observar o predomínio de linfócitos como acontece nas doenças de hipersensibilidade e
em algumas doenças autoimunes.
 
Como os linfócitos agem nas respostas inflamatórias? Vamos descobrir?
Fibrose
O termo fibrose é utilizado para descrever a deposição extensa de colágeno que ocorre nos pulmões,
fígado, rins e outros órgãos, como consequência da inflamação crônica ou no miocárdio, após a necrose
isquêmica extensa (infarto). A fibrose é um processo patológico induzido por estímulos lesivos
persistentes, como infecções crônicas e reações imunológicas, tipicamente associado à perda tecidual.
Já organização é uma fibrose que ocorre em um espaço tecidual ocupado por exsudato inflamatório.
Linfócitos
Os linfócitos B e T são originários da medula óssea a partir do mesmo progenitor linfoide, mas a maturação
dessas duas células acontece de forma distinta. As células que vão originar os linfócitos T saem da medula e
vão para o timo, onde ocorre todo o processo dediferenciação; após a diferenciação, os linfócitos T maduros
atingem a circulação.
• 
• 
• 
• 
Linfócitos. Os linfócitos são divididos em linfócitos T e B e são células que podem
amplificar e propagar a resposta inflamatória.
Os linfócitos B ficam na medula, onde realizam sua proliferação e maturação, após a diferenciação, vão para
os órgãos linfoides secundários (linfonodos e baço). Essas células são importantes mediadores da resposta
imune adaptativa contra patógenos infecciosos, mas também estão presentes também durante as
inflamações crônicas e, quando ativados, geram respostas mais graves.
 
Durante a resposta inflamatória, os antígenos, os microrganismos e as citocinas produzidas por macrófagos
ativam os linfócitos T e B, que migram da corrente sanguínea pelo mesmo mecanismo dos neutrófilos, ou seja,
estimulados pelos mediadores inflamatórios com a produção de moléculas de adesão, diapedese e
quimiotaxia, até o local da inflamação. Essas células amplificam e propagam a resposta inflamatória crônica.
Atenção
Em inflamações agudas, podemos ter como primeiras células recrutadas os linfócitos, são exemplos nas
infecções virais e algumas reações de hipersensibilidade que temos o predomínio de linfócitos ativos,
macrófagos. 
Vamos agora ver a importância dos linfócitos T e B nos processos inflamatórios crônicos.
Linfócito T
Os linfócitos T são responsáveis pela resposta celular e são divididos em linfócitos T CD4+ (auxiliares)
e TCD8+ (citotóxicos), mas os linfócito T CD4+ é o tipo de linfócito mais importante na manutenção
do processo inflamatório crônico.
Durante um processo inflamatório, células apresentadoras de antígenos, como os macrófagos,
apresentam o antígeno ao linfócito T CD4+ ativando-o. A estimulação dessa célula produz citocinas
capazes de ativar novos macrófagos, eosinófilos, neutrófilos e induzem a produção de quimiocinas e
outras citocinas inflamatórias.
A ativação do linfócito T e a estimulação de novos macrófagos promovem maior apresentação de
antígenos, possibilitando assim a retroalimentação do processo inflamatório crônico.
O linfócito T CD8+: Esse tipo de linfócito T é ativado quando a célula é infectada com antígenos
intracitoplasmáticos (infecção viral), e nas células tumorais. Após o reconhecimento e interação das
células infectadas com os linfócitos T CD8+, há fusão das membranas (por exocitose) e liberação dos
grânulos citoplasmáticos do linfócito T, a granzima (que induz apoptose da célula danificada) e
perforina (que cria poros na membrana), gerando a destruição das células. Além disso, há liberação
de citocinas que ativam as células inflamatórias.
Linfócitos B
Os linfócitos B são responsáveis pela resposta humoral, que se caracteriza pela produção de
anticorpos (imunoglobulinas) capazes de neutralizar, ou até mesmo destruir os antígenos. Durante a
resposta imune, os linfócitos B são ativados através do reconhecimento de uma parte do antígeno por
um receptor de membrana.
Essa ligação gera uma cascata de ativação que culmina na proliferação e diferenciação em várias
células capazes de secretar anticorpos com alta afinidade chamadas de plasmócitos. Nas
inflamações crônicas, estão presentes os linfócitos B ativados e os plasmócitos. Os anticorpos
produzidos por essas células podem ser específicos para antígenos estranhos, contra o tecido lesado
e até mesmo contra o próprio organismo.
Saiba mais
Em algumas reações inflamatórias crônicas, como na artrite reumatoide de longa duração e na tireoide,
da tireoidite de Hashimoto, os linfócitos acumulados, as células apresentadoras de antígenos e os
plasmócitos se agrupam para formar tecidos linfoides que lembram linfonodos. Eles são chamados de
órgãos linfoides terciários. 
Os linfócitos T e B não podem ser diferenciados morfologicamente e se apresentam como células esféricas,
pequenas de núcleos denso, pequenos com cromatina de grumos grosseiros e citoplasma quase ausente,
quase invisível. No entanto, os plasmócitos são células com formato ovalado, com núcleo redondo e
excêntrico e citoplasma basofílico.
 
Na figura a seguir, podemos observar as diferenças morfológicas dos linfócitos, plasmócitos e macrófagos.
Característica morfológica dos linfócitos, macrófagos e plasmócitos. Corte
histológico de córtex cerebral, corado por HE, aumento de 40X e 100X. Na foto,
podemos observar as diferentes características morfológicas dos linfócitos,
plasmócitos e macrófagos. Os linfócitos são células pequenas, com citoplasma
escasso e núcleo redondo e denso. Os plasmócitos são células maiores que os
linfócitos, com formato ovalado, com citoplasma basofílico, núcleo redondo e
excêntrico, e podem ser binucleados. Quando observado em aumento, o núcleo
apresenta roda de carroça. Os macrófagos são maiores que os plasmócitos,
apresentam a forma variável (arredondada ou oval), com o núcleo com uma
cromatina frouxa e o citoplasma róseo podendo ter material fagocitado dentro.
Inflamação crônica inespecífica e granulomatosa
A inflamação crônica pode apresentar dois padrões: inespecífica ou granulomatosa.
A inflamação crônica inespecífica (ou não granulomatosa)
Consiste em um acúmulo difuso de macrófagos e linfócitos, com distribuição no tecido lesionado ao redor do
vaso e/ou no interstício conjuntivo. Nesse tipo de inflamação crônica, também ocorre a proliferação de
fibroblastos, com subsequente formação de uma cicatriz que substitui o tecido conjuntivo normal.
Cicatriz
Associada à cura de feridas na pele, também é usada para descrever a substituição de células
parenquimatosas em qualquer tecido por colágeno, como ocorre no coração após infarto do miocárdio.
Exsudato inflamatório crônico inespecífico, com linfócitos (seta azul), plasmócitos
(seta vermelha), macrófagos (seta preta) e fibroblastos (seta verde) distribuídos
difusamente e ao redor dos vasos sanguíneos.
Nas fotos, podemos observar as diferentes características morfológicas dos
linfócitos, plasmócitos, macrófagos e fibroblastos jovens (núcleo ovalado ou
alongado, volumoso, cromatina frouxa. Citoplasma escasso, às vezes, de difícil
identificação, podendo formar prolongamentos saindo dos polos nucleares)
presentes no exsudato inflamatório crônico inespecífico (aumento de 40X).
A inflamação crônica granulomatosa
É um tipo inflamação crônica caracterizada pela formação do granuloma. Esse tipo de inflamação é deflagrado
quando um agente agressor é difícil de eliminar.
 
Os granulomas podem ser de dois tipos de acordo com a sua patogenicidade, os granulomas de corpo
estranho e os granulomas imunes. No quadro a seguir (Quadro 03), podemos conhecer as diferentes causas
dos granulomas.
Quadro 03: Tipos de granulomas.
 
 
Granuloma de
corpo estranho
Se formam ao redor de corpos estranhos ao organismo (fio de suturas,
talco e outras fibras), que são grandes o suficiente para serem
fagocitadas e impedir a estimulação da resposta inflamatória ou imune.
Granuloma
imune
Diferentes agentes que induzem a resposta imunológica mediada pela
célula T, quando é difícil eliminar o agente iniciador, como é o caso de um
microrganismo persistente ou autoantígeno.
Fonte: Helena Horta Nasser.
Você sabe o que é um granuloma?
 
O granuloma é uma pequena lesão (1-2mm) que consiste em um amontoado de macrófagos circundados de
linfócitos T e, algumas vezes, está associado à necrose central do tecido. Nos granulomas, os macrófagos
sofrem algumas alterações morfológicas que visam aumentar a capacidade de fagocitose dessas células.
 
O principal constituinte dos granulomas são as células epitelioides, que são macrófagos com um volume
aumentado, alongado com a cromatina frouxa e que, na coloração de hematoxilina e eosina, apresenta um
citoplasma granular rosa com limites indistintos. Essas células estão interligadas entre si, o que se assemelha
a um epitélio, e são circundados por linfócitos. Em granulomas mais antigos, eles podem ainda estar envolvido
por tecido conjuntivo e fibroblastos.
Atenção
As células epitelioides são os constituintes obrigatórios dos granulomas.Caso não tenha essa célula,
não é considerado um granuloma. 
Outro constituinte importante do granuloma, mas não obrigatório, é a célula gigante ou gigantócito, que são
formados a partir da união de vários macrófagos, originando macrófagos volumosos multinucleados. Nos
granulomas ocasionados por alguns agentes infecciosos, uma combinação de hipóxia e lesão tecidual pode
levar à necrose do tecido.
Saiba mais
Nos granulomas imunes causados pela Mycobacterium tuberculosis, as células gigantes podem ter seus
núcleos em formato de ferradura localizado na periferia das células, são chamadas de célula gigante de
Lagnhans. Nos granulomas de corpo estranho, o núcleo das células gigantes está agrupado no centro. 
Nas figuras a seguir, podemos conhecer melhor as características morfológicas dos granulomas de corpos
estranhos e imunes.
Inflamação crônica granulomatosa imunes
Corte histológico, corado pela HE de linfonodo, aumento de 10X. Na foto,
paciente com tuberculose linfodonal. Exemplo de granuloma de corpo
estranho. O granuloma é formado por um amontoado de macrófagos que
sofreram alterações, circundados por linfócitos T e que pode estar
associado à necrose tecidual.
Inflamação crônica granulomatosa imunes
Corte histológico, corado pela HE de linfonodo, aumento de 40X. Na foto,
paciente com tuberculose linfodonal. Observar a presença de células
epitelioides, sem limites definidos e com o plasma corado em vermelho e
células gigantes do tipo Langhans, que são células com os núcleos em
forma de ferradura.
Inflamação crônica granulomatosa imunes
Corte histológico, corado pela HE de linfonodo, aumento de 10X. Na foto,
paciente com tuberculose linfodonal. Observar a presença de gigantócito
e uma área como resíduos amorfos, sem estrutura, eosinófilos e
granulares, com perda completa de detalhes celulares, indicativo de
necrose. Na foto, é indicado a necrose do tipo caseosa, pois o tecido fica
com aspecto de queijo. Essa necrose é observada nas lesões teciduais
pela Mycobacterium tuberculosis.
Inflamação crônica granulomatosa de corpo estranho
Corte histológico de tecido subcutâneo corado pela HE, com aumento de
10X e 40X. No tecido, há acúmulo de lipídeos, que funcionam como um
corpo estranho. Na foto, a gotícula de lipídeo é envolvida por
macrófagos, com depósito das células epitelioides e gigantes. As células
gigantes no granuloma de corpo estranho apresentam vários núcleos que
se agrupam no centro da célula.
Inflamação crônica granulomatosa de corpo estranho
Corte histológico de tecido subcutâneo corado pela HE, com aumento de
10X e 40X. No tecido, há acúmulo de lipídeos, que funcionam como um
corpo estranho. Na foto, a gotícula de lipídeo é envolvida por
macrófagos, com depósito das células epitelioides e gigantes. As células
gigantes no granuloma de corpo estranho apresentam vários núcleos que
se agrupam no centro da célula.
Inflamação crônica granulomatosa de corpo estranho
Corte histológico de tecido subcutâneo corado pela HE, com aumento de
10X e 40X. No tecido, há acúmulo de lipídeos, que funcionam como um
corpo estranho. Na foto, a gotícula de lipídeo é envolvida por
macrófagos, com depósito das células epitelioides e gigantes. As células
gigantes no granuloma de corpo estranho apresentam vários núcleos que
se agrupam no centro da célula.
Efeitos sistêmicos da inflamação
No vídeo a seguir, você vai conhecer os efeitos sistêmicos da inflamação.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Reparação e regeneração tecidual
Durante os processos inflamatórios, além dos mecanismos destravados pelo organismo para eliminar o agente
agressor, é iniciado os mecanismos de reparação tecidual.
 
Você sabe o que é reparo?
 
O reparo representa a restauração da arquitetura e da função dos tecidos após uma lesão, que pode ocorrer
por dois mecanismos diferentes, dependendo do tamanho e local da lesão:
Regeneração tecidual
Processo pelo qual as células lesionadas são substituídas por células do mesmo tecido, restaurando a
morfologia e o funcionamento normal do tecido. A restauração tecidual ocorre pela proliferação de
células residentes que sobreviveram à agressão e, em alguns casos, a partir das células-tronco
desses tecidos.
Esse processo é coordenado por fatores de crescimento que são liberados pelos macrófagos
ativados durante a inflamação e pelas células epiteliais e endoteliais localizadas próximas ao local da
lesão.
A regeneração acontece nas lesões leves e superficiais. Além disso, vai depender da capacidade de
proliferação intrínseca das células lesadas. Com base na capacidade proliferativa, as células dos
tecidos são divididas em 3 grupos (Quadro 04).
Quadro 04: Classificação dos tecidos de acordo com a capacidade de proliferação
Tipo de
tecidos Tipo de proliferação Exemplos de tecidos Tipo de
regeneração
Lábios ou
instáveis
São células que
estão
continuamente em
divisão pela
proliferação das
células troncos e de
células maduras.
Tecido
hematopoiético da
medula óssea; Maioria
dos epitélios de
superfície (pele,
cavidade oral, vagina
e cérvice), epitélio do
pâncreas, glândulas
salivares, trato biliar,
do trato
gastrointestinal,
trompas de falópio.
Esses tecidos
podem regenerar-
se prontamente
após a lesão,
contanto que a
reserva de células-
tronco esteja
preservada.
Estáveis
As células desses
tecidos são
quiescentes (no
estágio G0 do ciclo
celular) e têm
apenas atividade
proliferativa mínima
em seu estado
normal.
Parênquima da maior
parte dos tecidos
sólidos, como fígado,
rim e pâncreas.
Células endoteliais,
fibroblastos e células
musculares lisas.
Com exceção do
fígado, os tecidos
estáveis têm
capacidade
limitada de se
regenerar após
eventuais lesões.
Essas células são
capazes de se
dividir em resposta
à lesão ou à perda
da massa tecidual.
Permanentes
São
terminantemente
diferenciadas e não
proliferativas na
vida pós-natal.
Neurônios, células
musculares cardíacas
e esqueléticas.
Realizado pela
formação de
cicatriz.
Fonte: Helena Horta Nasser.
Regeneração hepática: O fígado humano tem uma capacidade notável de se regenerar, conforme
demonstrado por seu crescimento após hepatectomia parcial. A regeneração acontece pela
proliferação dos hepatócitos remanescentes e repovoamento a partir das células progenitoras.
Reparo por deposição de tecido conjuntivo
Esse tipo de reparo acontece em algumas situações:
Quando as lesões são graves ou crônicas com danos às células parenquimatosas, ao epitélio e
à estrutura de tecidos conjuntivos;
Quando as células que não se dividem (permanentes) forem lesadas;
Quando o reparo não é obtido através da regeneração. Nesses casos, o reparo é realizado pela
deposição de tecido conjuntivo (fibrose) que fornece a estabilidade estrutural para que o
tecido lesado retorne ao funcionamento, mas como é um tecido mais simples e primitivo do
que o tecido original há perda de função.
O reparo por reposição do tecido conjuntivo que seguem as lesões teciduais e em uma resposta inflamatória
ocorre em etapas conectadas (inflamação, proliferação, contração da ferida e remodelamento) e
didaticamente são divididas em dois grandes grupos:
Cura por primeira intenção (primária)
Quando a lesão envolve apenas a camada
epitelial, as bordas opostas da lesão são
próximas e quase não há perda tecidual. A
incisão cirúrgica limpa não infectada é um
exemplo desse tipo de reparo.
Cura por segunda intenção (secundária)
Quando a perda de células ou tecidos é mais
extensa, como ocorre em grandes feridas,
abscessos, ulcerações e na necrose isquêmica
(infarto) de órgãos parenquimatosos. Nesses
casos, o processo de reparo segue as mesmas
etapas (inflamação, proliferação e
remodelamento). No entanto, como a lesão é
maior, o processo envolverá maior reação
inflamatória, maior quantidade de restos
necróticos e exsudato inflamatório. Há
desenvolvimento abundante de tecido de
granulação, acúmulo de MEC (matriz
extracelular) e formação de uma grande
cicatriz, além de uma contração da ferida pela
ação de miofibroblastos.Na figura a seguir, temos um esquema explicando as etapas do reparo tecidual (inflamação, proliferação e
contração e remodelamento) após uma ferida na pele.
O reparo de 1º e 2º intenção é divido nas etapas de inflamação, proliferação e contração da ferida e
remodelamento. Após a formação de uma lesão do tipo corte na pele, a ferida estimula a ativação da
• 
• 
• 
coagulação e resulta na formação de um coágulo sanguíneo na superfície da ferida. No coágulo, além de
conter o sangramento, estão presentes fibrina, fibronectina e componentes do complemento, funcionando
como arcabouço para as células em migração, que são atraídas por fatores de crescimento, citocinas e
quimiocinas liberadas na área.
 
A fase inflamatória inicia-se com o recrutamento de neutrófilos para o local da lesão. Após 24 h, os
macrófagos se juntam aos neutrófilos para continuar a ingestão de fragmentos celulares; estes desempenham
papel essencial na produção de fatores de crescimento para a fase proliferativa. Os macrófagos são células-
chave constituintes do reparo tecidual, removendo os resíduos extracelulares, a fibrina e outros materiais
estranhos, além de promover angiogênese e deposição de MEC.
 
Na fase de proliferação, as células mais importantes são os fibroblastos, células do tecido conjuntivo que
sintetizam e secretam o colágeno, proteoglicanos e glicoproteínas e uma família de fatores de crescimento
que induzem o processo de angiogênese (crescimento de novos vasos sanguíneos) e proliferação e migração
de células endoteliais. O componente final da fase proliferativa é a epitelização, durante a qual as células
epiteliais nas bordas da ferida proliferam para formar uma nova camada de superfície, semelhante à que foi
destruída pela lesão.
 
Remodelamento inicia-se aproximadamente 3 semanas após a lesão com o desenvolvimento da cicatriz
fibrosa e pode continuar por 6 meses ou mais, dependendo da extensão da ferida. Ocorre redução na
vascularidade e remodelação contínua do tecido cicatricial simultaneamente por meio da síntese de colágeno
pelos fibroblastos e da lise pelas enzimas colágenas. Como resultado desses dois processos, a arquitetura da
cicatriz é capaz de aumentar sua resistência à tração, e a cicatriz encolhe, tornando-se menos visível.
 
Como acontece o reparo tecidual nos tecidos?
 
Nos tecidos, uma lesão persistente leva à inflamação crônica e perda da arquitetura tecidual. Os mediadores
inflamatórios produzidos pelos leucócitos e células residentes do tecido, além de desencadear o processo
inflamatório, vão estimular a migração e proliferação de fibroblastos e miofibroblastos, além da deposição de
colágeno e outros tecidos de matriz, com substituição do tecido normal pela fibrose.
 
O mecanismo que esse reparo acontece é o mesmo que ocorre na pele. No entanto, nos tecidos, a fibrose é
um processo patológico e pode ser responsável pela perda da função e insuficiência dos órgãos.
 
Os distúrbios causados pela fibrose incluem diversas doenças crônicas e debilitantes, como cirrose hepática,
esclerose sistêmica (esclerodermia), doenças fibrosantes do pulmão (fibrose pulmonar idiopática,
pneumoconioses e fibrose pulmonar induzida por radiação e por drogas), doença renal terminal e pericardite
constritiva.
 
Na figura a seguir, podemos observar o padrão histológico do reparo tecidual por fibrose. Vamos observar?
Figura 1
Mostra o parênquima pulmonar, com granuloma encapsulado por uma rede
de fibrina (Seta).
Figura 2
Mostra o tecido de granulação (com a presença de novos capilares e células
inflamatória). Na foto, também estão demostrados fibroblastos e a síntese de
colágenos. A fibrose é a evolução final do tecido de granulação.
Figura 3
Mostra fibroblastos com núcleo alongado, volumoso, cromatina frouxa e com
prolongamentos saindo dos polos nucleares. Os fibroblastos estão envoltos
de uma substância amorfa, altamente proteica que se cora de rosa, que
representam as fibras colágenas.
Atenção
Não confundir granuloma com tecido de granulação. 
Granuloma: É uma pequena lesão (1-2mm) que consiste em um amontoado de macrófagos
circundados de linfócitos T e, algumas vezes, está associado à necrose central do tecido. É
resultado de um tipo especial de reação inflamatória crônica, em que os macrófagos sofrem
modificações estruturais e funcionais para aumentar a eficiência da fagocitose, característico
de inflamações crônicas.
Tecido de granulação: A resposta à injúria dos tecidos é o acúmulo de um exsudato
inflamatório. O tecido de granulação é composto de exsudato inflamatório com linfócitos,
plasmócitos, macrófagos e fibroblastos, as células inflamatórias (linfócitos e plasmócitos)
ajudam a combater o agente inflamatório através da imunidade humoral (anticorpos) e
celular. Os macrófagos fagocitam os germes e os restos celulares resultantes da inflamação.
Os fibroblastos produzem colágeno. Com o passar do tempo, as células inflamatórias vão
diminuindo em número e a quantidade de colágeno vai aumentando, até constituir uma
cicatriz de tecido fibroso denso. Além disso, apresenta os capilares jovens, de paredes finas
e células endoteliais com núcleos tumefeitos.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Como estudamos, a resposta inflamatória crônica é caracterizada pelo recrutamento de
células mononucleares, destruição e reparo tecidual. Sobre as células recrutadas nesse tipo
de resposta, assinale a alternativa incorreta.
A
A análise morfológica dos linfócitos revela células esféricas, pequenas de núcleos denso, pequenos com
cromatina de grumos grosseiros e citoplasma quase ausente, quase invisível.
B
A análise morfológica dos plasmócitos revela células com formato ovalado, com núcleo redondo e excêntrico e
citoplasma basófilico e maior que os linfócitos.
C
Os linfócitos são as únicas células que participam das respostas inflamatórias crônicas.
D
A estimulação dos linfócitos T possibilita a amplificação e manutenção dos processos inflamatórios crônicos.
A alternativa C está correta.
Na resposta inflamatória crônica, os macrófagos são as células predominantes, mas também participam da
inflamação crônica algumas células encontradas em inflamação aguda, como os eosinófilos, mastócitos e
neutrófilos. Durante as inflamações crônicas, pode haver o predomínio de linfócitos, como ocorre quando a
inflamação é destravada por vírus. Os linfócitos, quando ativados, geram respostas crônicas mais graves. A
estimulação do linfócito T gera a produção de diferentes mediadores, que ativam novos macrófagos,
eosinófilos, neutrófilos e induzem a produção de quimiocinas e outras citocinas inflamatórias, possibilitando
a amplificação e manutenção dos processos inflamatórios crônicos.
Questão 2
Aprendemos que a inflamação crônica pode apresentar dois padrões de resposta, ela pode
ser inespecífica ou granulomatosa. Sobre esses padrões, analise as alternativas e assinale a
opção correta.
A
O granuloma é representado histologicamente pelo acúmulo difuso de macrófagos e linfócitos, com
distribuição no tecido lesionado ao redor do vaso e, ou no interstício conjuntivo.
B
A reação inflamatória crônica inespecífica é caracterizada pela formação de um granuloma.
C
Durante a análise histológica do tecido, a confirmação de uma inflamação granulomatosa deve ser feita pela
presença de células gigantes.
D
Durante a análise histológica do tecido, a confirmação de uma inflamação granulomatosa deve ser feita pela
presença de células epitelioide.
A alternativa D está correta.
A reação inflamatória crônica inespecífica consiste em um acúmulo difuso de macrófagos e linfócitos, com
distribuição no tecido lesionado ao redor do vaso e, ou no interstício conjuntivo. A inflamação crônica
granulomatosa é caracterizada pela formação do granuloma, que são formados por macrófagos
circundados de linfócitos T e, algumas vezes, está associado à necrose central do tecido. Nos granulomas,
os macrófagos sofrem modificações estruturais para conseguir realizar a fagocitose do corpo estranho. O
principal constituinte são ascélulas epitelioides, em que, para confirmar a formação de um granuloma, deve
estar presente esse tipo celular. As células gigantes nem sempre são observadas.
3. Neoplasias
Neoplasia
O que é Neoplasia?
 
Depois de estudarmos sobre os tipos de processos inflamatórios, agora, vamos entender os diferentes tipos
de neoplasias.
 
Neoplasia ou tumor significa um “novo crescimento” e é uma massa anormal de tecido, cujo crescimento é
excessivo, não coordenado e persistente.
 
As neoplasias são classificadas como benignas e malignas, de acordo com as características celulares, taxa
de crescimento, modo de crescimento, capacidade de invadir e formar metástases em outros órgãos e
potencial para causar a morte.
Neoplasias malignas x benignas
Assista ao vídeo a seguir para saber mais sobre as Neoplasias.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Neoplasias epiteliais
As neoplasias epiteliais são classificadas de acordo com as células de origem, o padrão macroscópico e
microscópico. No quadro a seguir (Quadro 05), podemos conhecer melhor a nomenclatura das neoplasias
nesse tecido.
Quadro 05: Nomenclatura das neoplasias epiteliais.
 
Origem Tumor Benigno Tumor Maligno
Epitélio de revestimento Papiloma Carcinoma escamocelular ou epidermoide
Padrão glandular Adenoma Adenocarcinomas
Fonte: Helena Horta Nasser.
Veremos a seguir um pouco mais sobre esses tipos de neoplasias e o padrão histológico de cada uma delas.
Papilomas
Neoplasias epiteliais benignas que originam projeções no epitélio de revestimento. Macroscopicamente,
apresentam-se como uma lesão com a superfície irregular ou verrugosa com aspecto de couve-flor.
Histologicamente, há projeções digitiformes (em forma de dedos) do epitélio de revestimento.
 
No tecido epitelial, as células apresentam hiperqueratose (produção anormal de queratina) e coilocitose
(célula com citoplasma claro e núcleo picnótico). O tecido conjuntivo faz projeções afiladas que acompanham
o epitélio e é composto de vasos sanguíneos, arteríolas e fibras colágenas, o chamado eixo conjuntivo-
vascular.
Neoplasia epitelial benigna de tecido de revestimento (Papiloma).
Corte histológico, corado com HE, aumento de 10X. A foto está representando um Papiloma urotelial de
bexiga. O papiloma é uma neoplasia de tumor benigno onde o tumor não infiltra o estroma. O epitélio
apresenta projeções papilares (círculo) ao longo de eixos conjuntivo-vasculares.
Adenomas
São tumores epiteliais benignos que surgem no epitélio da mucosa (estômago, intestino delgado e intestino
grosso), nas glândulas (endócrinas e exócrinas) e tubos. Os adenomas podem evoluir para neoplasias
malignas, muito comum nos adenomas de cólon, que causam complicações sérias, como a compressão de
outros órgãos e podem produzir quantidades anormais de hormônios.
 
O padrão histológico do adenoma vai variar de acordo com o local de origem. Microscopicamente, o adenoma
é constituído por uma massa de células semelhante a uma glândula que pode ou não estar limitada por uma
cápsula fibrosa, sem evidência de invasão tecidual.
 
As células apresentam variação no volume celular, com dois ou três núcleos, hipercromasia citoplasmática e
nuclear e perda da capacidade de diferenciação em células colunares e caliciformes. Em órgãos com cavidade
oca, como no trato digestivo, o adenoma cresce acima do lúmen, formando o chamado pólipo.
 
Há três variedades, que formam um espectro contínuo.
1) Adenomas tubulares: Tumores benignos menores, com superfície lisa ou finamente aveludada, são
penduculados em que se predominam largamente glândulas tubulares (o ápice das células está voltado para
luz da glândula e o estroma conjuntivo-vascular forma o interstício entre as glândulas), ou seja, que se
aprofundam no estroma do pólipo.
2) Adenomas vilosos: São maiores (com 5 – 10 cm de diâmetro), apresentam base de implementação larga
(sésseis). São formados por longas papilas estruturadas em torno de um eixo conjuntivo vascular em formato
de dedo de luva (componente viloso).
Adenomas túbulos-vilosos: Apresentam até 5 cm de diâmetro, pendunculares e são intermediários entre esses
dois tipos de adenomas (possui características dois tipos).
 
Na figura a seguir, podemos observar os aspectos morfológicos dos adenomas de reto, tireoide, suprarrenal e
ovários.
Pólipo
Tudo aquilo que se eleva acima da mucosa, independente da natureza do tecido que
origina. Tipos: Pólipos sésseis (sem pendículo) ou Hiperplásicos: Pólipos pequenos (entre 1 a 3 mm) que
consiste em focos de hiperplasia da mucosa, sem a tendência à progressão ou proliferação
maligna.Pólipos neoplásicos benignos: Pólipos maiores (a partir de 0,5 cm), que tendem a ser
pedunculados.
Corte histológico, corado com HE, aumento de 10X. Na foto, está representado um
adenoma de reto. A foto mostra o componente granular do adenoma, com os ápices
das células voltados para o lúmen envoltas de tecido conjuntivo (círculo).
Corte histológico, corado com HE, aumento de 10X. Na foto, está representado um
adenoma de reto. A foto mostra o componente viloso do adenoma, com longas
projeções em dedo de luva, com células cilíndricas assentadas sobre eixos
conjuntivo-vasculares, e o ápice está voltado para a superfície da vilosidade.
Corte histológico, corado com HE, aumento de 40X. Na foto, está representado um
adenoma da supra renal, em que o tumor apresenta células com dois núcleos,
células com diferentes tamanhos, hipercromasia nuclear, citoplasmática e
desorganizados.
Corte histológico, corado com HE, aumento de 10X. Na foto, está representado um
adenoma folicular da Tireoide, em que o tumor apresenta uma cápsula fibrosa de
espessura variável. O tecido neoplásico é mais compacto que o tecido tireoidiano
normal e apresenta pequenos folículos.
Corte histológico, corado com HE, aumento de 10X. Na foto, está representado um
adenoma de reto. Nos adenomas epiteliais, as células perdem a capacidade de se
diferenciar em células caliciformes e colunares.
Corte histológico, corado com HE, aumento de 40X. Na foto, está representado um
cistoadenoma de ovário. Mostra-se o epitélio de revestimento cilíndrico, semelhante
ao encontrado na trompa de falópio, e com cílios, pela ação do estrogênio. O epitélio
do ovário é caracterizado por um epitélio cilíndrico simples.
Carcinoma epidermoide
Neoplasia maligna comum na pele, com grande capacidade de metástase para linfonodos, hematogênicas,
fígado e pulmão. Esse tumor pode ser originado no epitélio escamoso ou outro epitélio que tenha sofrido
metaplasia para o epitélio escamoso, como o epitélio cilíndrico ciliado (mucosa brônquica) ou epitélio simples
mucoso (endocérvice).
 
As células imitam a epiderme normal, mas apresentam uma arquitetura desorganizada, com diferentes formas,
atipias nucleares e mitoses típicas e atípicas. Há áreas bem diferenciadas com grupamentos celulares com
condensação da queratina, a chamada pérola córneas e desmossomos (junção intracelular que mantém as
células unidas) e áreas menos diferenciadas, com figuras de mitoses mais frequentes.
 
O tumor infiltra para a derme na forma de linguetas, há infiltrado inflamatório e necrose na derme.
Carcinoma epidermoide da pele. Corte histológico de lesão epitelial, corado por HE,
aumento de 10x e 40x.
Carcinoma basocelular
Neoplasia maligna de pele, comum em áreas expostas, principalmente, na face (sobrancelhas, região malar,
orelhas, nariz e lábios). É um tumor de invasividade local, que, se não tratado, pode destruir extensas áreas
(chamado úlcera roedora), mas, raramente, verifica-se mitoses para linfonodos e, na maioria dos casos, após
remoção cirúrgica, há cura.
 
Nessa neoplasia, o tumor destrói a epiderme e ocupa a derme em blocos celulares com formato arredondado,
formados por massas de células que lembram as células da camada basal da epiderme. O limite com a derme
é nítido e há um infiltrado inflamatório na derme.
 
As células apresentam um núcleo ovalado, cromatina densa, citoplasma escasso e basófilo. Os núcleos estão
arranjadosperpendicularmente à superfície do agrupamento (disposição em paliçada), aspecto próprio do
carcinoma basocelular.
Carcinoma Basocelular da pele. Corte histológico de lesão epitelial, corado por HE,
aumento de 10x e 40x.
Adenocarcinomas
Neoplasia maligna que surge no epitélio da mucosa (estômago, intestino delgado e intestino grosso), nas
glândulas (endócrinas e exócrinas) e tubos, e pode aparecer com diferentes padrões de diferenciação celular.
 
No adenocarcinoma diferenciado, há perda da arquitetura normal organizada. Na maior parte das áreas, as
células formam glândulas com luz (área bem diferenciada do tumor), ou então com aspecto cribriforme (várias
luzes aparentando uma peneira). O tumor infiltra todas as camadas da mucosa (onde se originou), passando
pela submucosa, camada muscular e camada serosa.
 
Em muitos tumores, há presença de células neoplásicas junto aos adipócitos, nesta região, observa-se a
reação desmoplásica, ou seja, a produção de tecido fibroso induzido pelas células cancerígenas, que é
dependente da secreção de hormônios que estimulam a proliferação de fibroblastos e a síntese de colágeno,
dando uma consistência dura ao tumor.
Adenocarcinoma diferenciado de intestino grosso. Corte histológico do intestino
grosso, corado por HE, aumento de 10x e 40x.
No adenocarcinoma indiferenciado, quase não há formação de estruturas glandular, as células são soltas, não
constituem agregados com luz. Por isso, ficam arredondadas e podem ser confundidas em uma primeira vista
com macrófagos e com um exsudato inflamatório, mas são diferenciadas pelo aspecto do núcleo. Este é
hipercromático e volumoso em relação ao citoplasma com perda da relação núcleo-citoplasma.
 
Em alguns casos, as células neoplásicas podem produzir muco, produzindo vacúolos que deslocam o núcleo
para a periferia, anel de sinete. Também há invasão de camadas de tecido subsequentes de forma difusa.
Adenocarcinoma indiferenciado de estômago. Corte histológico de mucosa gástrica,
corado por HE, aumento de 10x e 40x.
Neoplasias mesenquimais
As neoplasias mesenquimais são um grupo de neoplasias que correspondem aos tumores encontrados no
tecido conjuntivo, tecido sanguíneo e muscular.
 
Agora, vamos conhecer um pouco mais dos principais tumores benignos e malignos.
Tumores benignos
Fibroma
Origem: Fibroblasto
Característica: Apresenta número variável de fibroblastos entremeados por fibras colágenas e pequenos
vasos sanguíneos. Os fibromas tendem a ser de consistência firme têm aspecto fasciculado ao corte.
Lipoma
Origem: Tecido adiposo
Característica: Presença de células adiposas maduras, número variável de fibras colágenas que sustentam
ocasionalmente os vasos sanguíneos.
Osteoma
Origem: Osso
Característica: Apresenta atividade osteolítica. Formada de osso extremamente denso, contendo pouco tecido
medular ou formada por osso esponjoso com espaços medulares abundante preenchidos por tecido fibro-
adiposo.
Condroma
Origem: Cartilagem
Característica: O tumor tem aspecto basófilo, devido à matriz cartilaginosa, na qual se encontram células
neoplásicas estrelares (o mais comum, porém, que as células sejam
cúbicas). Não há atipias nem mitoses.
A substância fundamental basófila da matriz cartilaginosa é secretada pelas próprias células neoplásicas, e é
rica em ácido hialurônico e glicosaminoglicanas.
Hemangioma
Origem: Vasos sanguíneos
Característica: Tumor composto por vasos sanguíneos, geralmente, é encapsulado. Hemangioma pode ser
cavernoso (os espaços vasculares são grandes e dilatados) ou capilar (composto de vasos de pequeno
calibre).
Linfangioma
Origem: Vasos sanguíneos
Característica: Ocorrem devido ao desenvolvimento anormal dos vasos linfáticos, impedindo o fluxo de linfa
com consequente formação de cistos, cujas membranas são revestidas por endotelio vascular. De acordo com
o tamanho destes cistos, são classificados como macrocísticos (higroma cístico), microcísticos (cavernosos e
capilares).
Leiomioma
Origem: Músculo liso
Característica: Feixes de fibras musculares lisas entremeadas por tecido conjuntivo. Para diferenciar o
colágeno do músculo liso, comumente é usada coloração de tricrômico de Masson.
Rabdomioma
Origem: Músculo estriado
Característica: As características histológicas desta neoplasia são a presença de células grandes e redondas,
com citoplasma eosinofílico e granular, rico em glicogênio. Apresentam também estriações transversais.
Tumores malignos
Fibrossarcoma
Origem: Fibroblasto
Característica: Podem ocorrer em qualquer local do corpo, mas são mais comuns no retroperitônio, coxa,
perna. As células apresentam-se como massas sem encapsulação, infiltrativa, com aspecto de "carne de
peixe" que apresentam áreas de hemorragia e necrose. Observam-se todos os graus de diferenciação.
Lipossarcoma
Origem: Tecido adiposo
Característica: Macroscopicamente, tem aspecto cinza-esbranquiçado a amarelado. Ao exame histológico, o
tumor tende a ser monomórfico, pode apresentar aparência gelatinosa e multilobulada, com células
arredondadas e núcleo vesicular e frequentes mitoses. Apresentam áreas de necrose e hemorrágicas. São
divididos em: diferenciado, mixoide, de células redondas e pleomórficas.
Osteossarcoma
Origem: Osso
Característica: Tumor originado em osteoblastos, constituído por células atípicas e sem nenhuma organização.
As células neoplásicas podem depositar matriz óssea, como os osteoblastos, que, no osteossarcoma, é
chamada de matriz osteoide. A produção de osteoide é a marca registrada do osteossarcoma, independente
da quantidade (abundante ou escassa) e da produção de outros elementos do mesênquima, como cartilagem.
Condrossarcoma
Origem: Cartilagem
Característica: Produz uma substância intersticial e células que assumem um aspecto de cartilagem hialina,
com graus de anaplasia e focos de calcificação. Presença de células binucleares em forma desarranjada,
células condroblásticas anaplásicas, mitoses atípicas, pleomofismo e hipercromatismo.
Hemogiossarcoma
Origem: Vasos sanguíneos
Característica: Massas de células endoteliais mostrando grande atipia celular. Pode ser encontrado células
anaplásicas (sem diferenciação) e diferenciadas com vasos sanguíneos definidos ou indefinidos. Há presença
de células gigantes e figuras de mitoses.
Linfagiossarcoma
Origem: Vasos sanguíneos
Característica: Tumor raro que surge após uma obstrução linfática prolongada. Composto de canais forrados
por células endoteliais anaplásicas (sem diferenciação celular).
Leimiossarcoma
Origem: Músculo liso
Característica: Normalmente, são observados no miométrio. Podem crescer como massas carnosas e
volumosas que invadem a parede uterina ou massas polipoides que se projetam para dentro do lúmen uterino.
Apresentam atipias celulares, com inúmeras mitoses, células gigantes, irregulares e núcleos hipercromáticos.
Rabdomiossarcoma
Origem: Músculo estriado
Característica: Presença de células com estrias dentro do citoplasma fibrilar de formato fusiforme.
Histologicamente pode apresentar 05 padrões, são eles: embrionário, botrioide, alveolar, pleomórfico, e de
células fusiformes. O embrionário é o tipo mais comum.
Neoplasias do sistema nervoso
Os tumores no sistema nervoso são muito heterogêneos, podem aparecer em qualquer idade e acometer
qualquer tecido. Esses tumores, devido a sua localização, apresentam um mau prognóstico, independente da
malignidade dele. Você imagina por quê?
Mesmo os tumores benignos, que apresentam o crescimento lento são capazes de comprimir partes
importantes do Sistema nervoso. Além disso, a incisão cirúrgica para a remoção é sempre uma
cirurgia de alto risco pela localização da maioria dos tumores é complicada.
No sistema nervoso periférico, o tumor mais importante é o tumor de Schwannomas, uma neoplasia benigna
que acomete os nervoso e raízes. Macroscopicamente, os Schwannomas são arredondados, sólidos, bem
delimitados e crescem lentamente, comprimindo, mas nunca invadindo o cérebro ou a medula.
Microscopicamente, são células fusiformes, com núcleos em forma

Mais conteúdos dessa disciplina