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VOCABULARIO JURÍDICO
Por que vocabulário jurídico?
É indubitável que o discurso forense difere da elaboração discursiva de outros meios de 
comunicação escrita e nem sempre o sentido com um da palavra eqüivale à sua significação 
jurídica.
Veja a palavra transação, por exemplo, e seus significados listados 110 Novo dicionário Au­
rélio da língua portuguesa
[Do lat. transactione.]
S. f.
1. Ato ou efeito de transigir.
2. Combinação, convênio, ajuste.
3. Operação de compra e venda.
4. Inform. Em um sistema de informações, operação lógica que não fere a coerência dos 
dados armazenados.
5. Operação em que há troca ou transferência de valores.
6. Jur. Ato jurídico que dirime obrigações litigiosas ou duvidosas mediante concessões recí­
procas das partes interessadas; composição.
O profissional de direito convive com um sem -núm ero de palavras específicas, conferindo- 
lhe um jargão técnico que lhe permite expressar com precisão e clareza sua argumentação.
O vocabulário jurídico é requisito indispensável para que as idéias sejam revestidas de 
forma adequada, com precisão de significado. Assim, cabe aos operadores do direito e m ­
p reenderem esforço significativo na busca do te rm o que m elhor expuser o fato e seus fu n ­
dam entos jurídicos, objetivando a construção bem -articulada de suas peças processuais.
Com certeza, esse jargão supõe um processo de aprendizado, que ocorrerá tanto nos bancos 
escolares quanto no exame atento de peças elaboradas por colegas. Muita leitura e consulta a 
dicionários capacitarão o profissional de direito a uma melhor elaboração de sua peça.
C a pítu lo 3 — Vocabulário jurídico 2 1
Denotação e conotação
As palavras podem ter significado denotativo ou conotativo. A denotação diz respeito a 
um a ponte estabelecida entre o vocábulo e seu significado literal, ou seja, tal como está d e ­
finido no primeiro sentido do dicionário. Já a conotação expressa um a linguagem figurada, 
isto c, estabelece-se um feixe dc significados, do qual se elegerá um, norm alm ente afetivo c 
relacionado ao contexto.
Q uando dizemos "o leão é um a fera", a palavra 'fera' refere-se ao animal selvagem, bra- 
vio. Já na frase "aquele advogado é uma fera", poderem os ter vários significados para esta 
última palavra. Caso o profissional esteja preparadíssimo na defesa ou acusação de seu clien­
te, 'fera ' poderá significar "dotado de grande energia ou conhecimento". Em outro contexto, 
nessa mesma frase, a palavra 'fera' poderá significar agressividade.
Embora hoje em dia a lógica e a lingüística moderna estejam revendo esses conceitos à luz 
de novos estudos, podemos citar as sábias palavras esclarecedoras do mestre Othon Garcia:
Quando uma palavra é tomada no seu sentido usual, no sentido próprio, isto c, nào figurado, 
não metafórico, no sentido 'primeiro' que dela nos dão os dicionários, quando é empregada de tal 
modo que signifique a mesma coisa para mim e para você, leitor, como para todos os membros da 
comunidade sociolingüística de que ambos fazemos parte, então se diz que essa palavra tem um 
sentido denotativo (...) O seu sentido é, digamos assim, 'pão, pão, queijo, queijo'.2
E ele continua mais adiante:
Se, entretanto, a significação de uma palavra não é a mesma para mim e para você, leitor, 
como talvez nào o seja também para todos os membros da coletividade de que ambos fazemos parte, 
e não o é por causa da interpretação que cada um de nós lhe possa dar, se a palavra não remete a um 
objeto do mundo extra lingüístico mas, sobretudo, sugere ou evoca, por associação, outra(s) idéia(s) 
de ordem abstrata, de natureza afetiva ou emocional, então sc diz que seu valor, i.e., seu sentido, é 
conotativo ou afetivo.3
Lem brando que o discurso forense prim a pela clareza, objetividade c precisão, o p ro ­
fissional de direito deverá ter m uito cuidado na escolha de seu vocabulário, preferindo 
sem pre a denotação, para que sua m ensagem não assum a sentido dúbio ou sentido p ro ­
vocativo.
Sentido unívoco, equívoco e análogo
Há m uitas palavras, no universo jurídico, que, sc mal empregadas, podem gerar sentidos 
divergentes do pretendido. Por isso, em prol da precisão e da clareza, é importante estabele­
cer que, na linguagem forense, os termos podem apresentar sentido unívoco, equívoco ou, 
ainda, análogo. Vejamos as peculiaridades de cada um.
1. Sentido unívoco: no jargão técnico do profissional do direito, são palavras que contêm 
um único sentido, sendo utilizadas para descrever ou tipificar situações específicas. 
Tomemos, por exemplo, os termos 'roubo ' e 'furto '. Muitas vezes escutamos na mídia 
televisiva a confusão en tre essas duas palavras que têm, entretanto , definições bem
2 2 Parte I — A comunicação no texto jurídico
distintas no texto jurídico. Enquan to 'roubo ', dc acordo com o artigo 155 do Código 
Penal (CP) significa "subtrair, para si ou para outrem, coisa móvel alheia m ediante 
grave ameaça ou violência, depois de reduzir a resistência de uma pessoa" / o termo 
'furto ', no artigo 157, é designado como sendo "a subtração, para si ou para outrem, 
de coisa alheia móvel".5 Em suma, no roubo existe o e lem ento violência ou grave 
ameaça contra pessoa, situação inexistente no furto.
Outro exemplo corriqueiro no jargão do profissional do direito é a confusão entre os 
lermos 'petição' e 'requerimento'. A petição é, conforme ensina Eliasar Rosa, "toda de­
claração de vontade fundamentada pela qual alguém se dirige ao Juiz para entrega de 
determinada prestação jurisdicional, devendo, ou não, ser citada a outra parte". E com­
pleta: "Toda petição determina o conteúdo dc resolução judicial" diferindo, portanto, do 
'requerimento', "peça cm que o advogado solicita a intimação da parte, ou do perito, ou 
do representante do Ministério Público, ou a remessa dos autos do Contador etc."6
2. Sentido equívoco: as palavras equívocas são as que possuem mais de u m signifi­
cado, sendo este determ inado pelo contexto em que o vocábulo é empregado. Um 
bom exemplo específico do português forense é o do verbo 'seqüestrar '. Enquan to no 
Direito Processual Civil, artigo 822, a palavra significa medida cautelar incidental que 
objetiva "apreender judicialmente determ inado bem sob litígio", no Direito Penal, 
artigo 148, significa "privar ilegalmente alguém de sua liberdade de ir e vir".
Claro está que o profissional do direito deve em preender bastante esforço no sentido 
de evitar qualquer deslize na com preensão de sua mensagem, utilizando, sempre 
que em pregar palavras de natureza equívoca, marcadores que especifiquem o sentido 
pretendido.
3. Sentido análogo: são palavras que com põem u m m esm o campo de significado, e m ­
bora definam situações jurídicas diferentes.
É o caso dos vocábulos 'resolução', 'resilição' e 'rescisão'. Todas fazem m enção à idéia 
dc 'dissolução', porém cada um a traz sua especificidade. Se 'resolução' é a dissolu­
ção de um contrato ou acordo, 'resilição' será empregada quando da dissolução por 
vontade dos contraentes. Já o term o 'rescisão' ocorrerá na dissolução por lesão do 
contrato ou nulidade.
Assim, vemos que o emprego preciso de cada term o é de fundam ental importância no 
que tange à correta apreciação dc cada caso, c u m erro na escolha vocabular poderá 
ocasionar conseqüências jurídicas diversas do pretendido, podendo, inclusive, lesar o 
direito de outrem.
O leitor estará agora a se perguntar por que tantas variações, podendo ocasionar tantos 
problemas. Ele faria coro com o professor Garcia, quando reflete: "A linguagem ideal 
seria aquela em que cada palavra (significante) designasse ou apontasse apenas uma 
coisa, correspondesse a uma só idéia ou conceito, tivesse um só sentido (significado)". 
Mas o mestre continua: "Como tal não ocorre em n enh um a língua conhecida, as pala­
vras são, por natureza, enganosas, porque polissêmicas ou plurivalentes."7
C a pítu lo 3 — Vocabulário jurídico 1 2 3
Pelo exposto, depreende-se quea precisão vocabular c condição fundam ental para a 
eficiência do ato comunicativo jurídico.
Homônimos
Palavras hom ônim as são aquelas que têm a mesma pronúncia e grafia diferente. Por 
exemplo:
1. Cela (cubículo, quarto pequeno) x Sela (arreio de animais).
2. Concerto (recital) x Conserto (reparo).
3. Taxa (espécie de tributo) x Tacha (prego pequeno).
4. Cerrar (fechar) x Serrar (cortar).
Veja outros hom ônim os no Capítulo 18.
Parônimos
Paronímia c o fenôm eno lingüístico no qual palavras têm som sem elhante ao de outras, 
podendo confundir-se com estas quando ouvidas por pessoas pouco instruídas. Significa o 
uso de palavras de sentido diferente, mas sem elhantes pela grafia ou pelo som.
Eis alguns exemplos jurídicos de parônimos:
1. Absolver (perdoar) x Absorver (assimilar):
O réu fo i absolvido pelo júri.
Os ensinamentos não foram, absorvidos pelos alunos de direito.
2. Comprimento (extensão) x Cumprimento (saudação):
O comprimento da área alienada fiduciariamente é insignificante.
A vítima, não sabendo do perigo, chegou a cumprimentar seu algoz.
3. Descriminar (tirar o crime) x Discriminar (diferenciar):
0 tipo conhecido como sedução fo i descriminalizado.
A discriminação salarial entre empregados pode levar a um pedido de equiparação.
4. Destratar (ofender) x Distratar (romper o trato):
O advogado fo i destratado pelo juiz em plena audiência.
O contrato cria, o distrato desfaz.
5. Elidir (suprimir) x Ilidir (refutar, anular):
A audiência especial de conciliação fo i elidida porque o acordo era inviável.
Para ilidir a aplicação da pena pela ausência em audiência a parte deve comprovar impossibili­
dade de locomoção.
2 4 Parte I — A comunicação no texto jurídico
6. Eminente (ilustre, preclaro) x Im inente (prestes a acontecer):
Um eminente ministro do STJ palestrou na faculdade.
A lesão ao direito do autor é iminente, daí a necessidade de concessão da tutela antecipada requerida.
7. Emitir (mandar para fora) x Imitir (colocar, investir em):
Foram emitidas debêntures para que a sociedade pudesse ampliar suas atividades, buscando re­
cursos no mercado.
0 autor fo i imitido na posse do imóvel objeto do litígio.
8. Flagrante (manifesto, evidente) x Fragrante (perfumado):
Qualquer pessoa do povo pode prender em flagrante delito.
A fragrância da terra mostrava que o imóvel não era improdutivo.
9. Incontinenti (sem delonga) x Incontinente (falho de moderação):
O juiz determinou a citação incontinenti.
0 advogado demonstrou incontinência verbal durante a instrução da causa.
10. Infligir (impor pena) x Infringir (desobedecer):
A sociedade infligiu ao criminoso pena exemplar.
O motorista infringiu diversas leis de trânsito.
11. Mandado (ordem) x Mandato (procuração):
O mandado que estava na posse do oficial de justiça determinava a busca e apreensão dos autos. 
Sem instrumento de mandato o advogado não pode defender interesses em juízo.
12. Remição (resgate, pagamento) x Remissão (perdão, absolvição):
Para evitar que o bem saísse de seu patrimônio, o devedor efetuou a remição da dívida.
É possível que o credor efetue a remissão de uma dívida que possui e, em isso ocorrendo, ela é extinta.
13. Fluir (correr em estado fluido) x Fruir (estar na posse de; possuir):
A oitiva da testemunha fluiu como o réu desejava.
A Lei garante ao proprietário o poder de fruir do bem de que é titular.
14. Ratificar (confirmar) x Retificar (corrigir):
O autor ratificou em depoimento pessoal que realizava horas extras.
No aditamento o autor retificou seu nome, que fora lançado com erro na petição inicial.
C a pítu lo 3 — Vocabulário jurídico 2 5
15. Emenda (correção) x Ementa (resumo):
Por meio de um a emenda à inicial o autor retificou a data de admissão na empresa.
A ementa daquele acórdão continha um a omissão, que fo i enfrentada através da oposição de
embargos de declaração.
Neologismos
Neologismo é u m fenôm eno lingüístico que consiste na criação de u m a p a la v ra ou ex­
pressão ou na atribuição de novo sentido a um a antiga.
Há uma tendência popular de criar, principalmente a partir de prefixos e sufixos, novas 
palavras. Embora encontre respaldo lingüístico, esta situação, por não estar legitimada na 
gramática padrão, pode gerar problemas. Assim, evite a tentação e, sempre que ficar em d ú ­
vida quan to à existência ou não de um vocábulo, consulte o Vocabulário ortográfico da língua 
portuguesa, publicado pela Academia Brasileira de Letras.
O neologismo é u m fenôm eno com um nas línguas, um a vez que estas se caracterizam por 
serem dinâmicas, ajustando-se ao desenvolvimento cultural hum ano . Só as línguas mortas, 
como o latim, por exemplo, são estáticas, justo por não serem mais faladas, e sim somente 
utilizadas para fins mais específicos dentro da língua escrita.
Como pode-se observar, o fenôm eno do neologismo mostra que a língua está em evolução. 
Entretanto, alguns neologismos têm vida curta, pois só servem para designar algo circunscrito 
a u m determinado m om ento histórico-cultural. Outros, porém, incorporam-se à língua.
O neologismo está m uito presente, atualm ente , nas discussões e assuntos ligados ao cam ­
po da Internet. Há alguns anos surgiu a palavra 'deletar'. Era um neologismo e só recen te­
m ente ela foi incorporada form alm ente ao idioma. Na verdade, só o tempo dirá se as novas 
palavras serão incorporadas ao idioma.
Na área jurídica, o neologismo deve ser repelido porque certam ente não é campo ad e ­
quado para a criação de novas palavras ou significados. Gera arrepios imaginar sua criação e 
uso em debates técnicos que envolvam bens tão relevantes como a liberdade e o patrimônio 
das pessoas.
Estrangeirismos
Preconiza a Constituição Federal no artigo 13: "A língua portuguesa é o idioma oficial da 
República Federativa do Brasil".8
Mas a incorporação de estrangeirismos é um falo lingüístico ex trem am ente com um . 
Quem hoje em dia fala em 'quebra-luz ' em vez de 'a b a ju r? Pois saibam que esta última é 
um aportuguesam ento da palavra francesa abat-jour. Q uem tam bém desconhece o significa­
do da palavra 'd e le ta r? Mas esse verbo foi incorporado m uito recentem ente à língua p o r tu ­
guesa, já constando, inclusive, de nosso vocabulário ortográfico, produzido pela Academia 
Brasileira de Letras.
Há formas estrangeiras que, por força do intercâmbio político, econômico ou cultural, 
impuseram-se en tre nós. Um exemplo é a forma 'outdoor'. Há outras que foram aportu-
2 6 ■ Parte I — A comunicação no texto jurídico
gucsadas, como a palavra layout, que já consta dc nosso vocabulário ortográfico como 
'le iau ie '.
No caso de uso de u m estrangeirismo, deve-se usar o itálico se ele estiver grafado em 
sua língua de origem. Entretanto , caso ele já esteja incorporado ao nosso léxico, devemos 
a ten ta r para usar a correspondente aportuguesada. Consulte sem pre o Vocabulário ortográfico 
da língua portuguesa. Você pode acessá-lo no site www.academia.org.br.
Ultimamente, m uitas palavras estrangeiras incorporaram-se ao costum e lingüístico bra­
sileiro e, certamente, algumas fazem parte do vocabulário jurídico.
Use-as, se necessário, de forma parcimoniosa, e não para tentar convencer seu leitor de que 
você conhece outros dois ou três idiomas, já que não é isso que assegura ganho de causa.
A propósito, diz-se estrangeirismo quando propositalmente se utiliza um term o estran­
geiro mesmo quando existe um correspondente na língua portuguesa. Por exemplo: ele 
comeu u m hot dog (cm vez dc comeu u m cachorro-quente); ela é um a lady (em vez de ela 
é uma dama).
Expressões latinas
Quanto às expressões latinas, elas serão úteis quando utilizadas corretamente, pois têm o 
condão de transmitir com invulgar felicidade uma idéia que necessitaria de muitas palavras.
Por exemplo, a ação de investigação dc paternidade surgiu a partir do seguinte brocardo 
latino: matercertus, pater incertus (a m ãe é certa, o pai, incerto). Quantas palavras não se pou ­
pam com essaexpressão, que sintetiza a própria razão de ser de um a ação?
Outro exemplo: a expressão ad corpus, não raras vezes utilizada em transações imobiliárias, 
significa a venda de u m corpo determinado — por exemplo, a Fazenda Bem Viver — , sendo 
apenas enunciativa a área total, pois o relevante é a unidade que está sendo alienada.
Mas, no âmbito jurídico, u m problema que se tem observado é o uso excessivo dc ex­
pressões latinas. Q uem as emprega deve fazê-lo com edidam ente, para que a peça processual 
possa ser compreendida até m esm o pelas partes — maiores interessados no processo e que, 
no mais das vezes, não detêm conhecimentos técnico-jurídicos.
Se falarmos contractus qui habent tractum sucessivum et dependentiam de futuro, rebus sicstan- 
tibus intelliguntur, quase n inguém saberá que estamos abordando a teoria da imprevisão, 
aplicável aos contratos. As pessoas acharão que somos cultos, mas não en tenderão absolu­
tam ente nada.
Nesse caso, é mais fácil fazer um a digressão acerca desse princípio, explicando que é 
aplicável aos contratos de trato sucessivo com execução diferida no futuro, que podem ser 
revistos se, en tre o m om en to da contratação e o do cum prim ento da obrigação, houver m o ­
dificação radical no estado das coisas que a torne por demais onerosa para um a das partes.
Finalmente, é sempre bom lembrar que palavra latina não é acentuada.
Gírias
Gíria é um a palavra nova ou já existente na língua que assum e acepções diferentes de 
seu sentido denotativo, sendo utilizada em linguagem coloquial. Por exemplo, a palavra
http://www.academia.org.br
C a pítu lo 3 — Vocabulário jurídico | 2 7
I r a d o ' deixa de ser relacionada ao sen tim en to de raiva, ira, para designar algo 'legar, 
'bacana '.
O linguajar técnico-jurídico não se coaduna com a utilização desses termos. A gíria e m ­
pobrece o texto e revela que o escritor possui vocabulário limitado.
Nesse sentido, prega Luis Antonio Sacconi:
A língua escrita não a tolera, a não ser na reprodução da fala de determinado meio ou época, 
com a visível intenção de documentar o fato, ou em casos especiais de comunicação entre amigos, 
familiares, namorados, etc., caracterizada pela linguagem informal.9
Então, gíria, jamais. Falou, bicho?
Palavras de baixo calão
Trata-se do uso dc termos que a ten tam contra a moral das pessoas. Um advogado — ou 
quem participe do processo — deve escrever respeitosamente, sem ofensas. Evite palavras, 
frases, expressões ou construções vulgares.
Palavras de baixo calão ou ofensas a parte adversa são inadmissíveis e intoleráveis em 
uma petição, exceto se destinadas à tradução de algo que ocorreu e se tiverem relevância 
com o objeto da pretensão deduzida em juízo — por exemplo, a transcrição literal de xin- 
gam entos assacados contra o au to r para fundam entar u m pedido de indenização por dano 
moral por injúria.
Se assim não for, a lei determina, inclusive, que tais expressões sejam riscadas da peça: "É 
defeso às partes e seus advogados em pregar expressões injuriosas nos escritos apresentados 
no processo, cabendo ao juiz, de ofício ou a requerim ento do ofendido, m andar riscá-las".10
Isso, convenham os, é no m ínim o vergonhoso para o advogado, além de poder gerar o u ­
tra ação com pedido dc dano moral por parte do ofendido.
Pleonasmos
'P leonasmo' significa o emprego de palavras inúteis para a expressão do pensam ento. É a 
redundância de termos. Em certos casos, ele pode dar mais colorido, vigor ou graça ao estilo, 
devendo ser utilizado, quando cabível, com sabedoria. Veja alguns exemplos:
0 plano é para sua livre escolha.
Esses pequenos detalhes merecem atenção.
É expressamente proibido fum ar neste recinto.
Todos têm certeza absoluta de que ele é culpado.
Arcaísmos
Arcaísmos são palavras que caíram em desuso.
No português forense, é comum vermos textos que utilizam palavras arcaicas por entenderem 
que estão sendo eruditos. Esse vício redacional encontrou respaldo por muitos anos nos bancos 
escolares, nos quais 'escrever bonito' significava "escrever de maneira incompreensível".
2 8 Parte I — A comunicação no texto jurídico
Um bom exemplo e o que se segue:
O juiz, em sua postura irrepreensível, recolheu o pronunciamento das testemunhas e comungou 
com os nobres alvarizes em sua decisão correta e acrisolada.
O profissional do direito deve ter cm m en te que a m elhor redação é aquela em que im ­
pera a clareza de expressão, abolindo elaborações confusas, vagas e pseudam ente eruditas, 
próprias do início do século passado.
Um caso especial: a ambigüidade
Há, na linguagem, uma situação específica de ambigüidade, ocasionada pela presença 
de dois nom es an tecedendo o pronom e relativo 'que ' ou os pronom es possessivos 'seu(s) ' e 
'suais) '. Veja duas frases que nos servem de exemplo:
A advogada falou com o procurador que trabalhava ali. (Quem na verdade trabalha ali: 
a advogada ou o procurador?)
A advogada falou com o procurador em seu escritório. (De quem era o escritório: do ad­
vogado ou do procurador?)
A fim de evitar o duplo sentido, podemos utilizar alguns recursos:
1. Deslocar as orações de m aneira que som ente um dos termos preceda os pronomes:
A advogada, que trabalhava ali, falou com o procurador.
A advogada falou, em seu escritório, com o procurador.
2. Substituir o p ronom e relativo pelo correspondente 'o qual' (e suas variantes no plural 
ou no feminino):
A advogada, a qual trabalhava ali, falou com o procurador.
A advogada falou com o procurador, o qual trabalhava ali.
3. Substituir o p ronom e possessivo por um demonstrativo:
A advogada falou com o procurador na sala deste.
Erros crassos
Erros crassos são erros grosseiros de escrita. Tais equívocos devem ser evitados a qualquer 
custo, na medida em que petições redigidas com deficiências desse quilate perdem (e muito) 
credibilidade e confiança.
Seguem alguns exemplos, entre muitos.
1. Jus x juz: 'jus' é escrito com 'esse' porque que vem de 'justiça' (também com 'esse'). 
Não existe "juz".
Por tudo o que fo i exposto na causa de pedir, o autor faz jus à indenização por dano moral, o que 
persegue através da presente demanda.
C a pítu lo 3 — Vocabulário jurídico | 2 9
2. Tampouco x Tão pouco: ' tam pouco ' reforça uma negação, significa 'nem ', 'm uito 
m enos'. Já 'tão pouco ' significa 'm uito pouco', 'em pequena quantidade '.
0 reclamante não recebeu o 13* salário do último ano trabalhado e tampouco o dos anos anterio­
res. (Significa que ele não recebeu uma coisa nem outra.)
O preso recebeu tão pouca comida.
3. Haja vista x Haja visto: 'haja vista' vem da expressão 'tendo em vista'. Logo, é in ­
variável. Não existe 'haja visto', pois não existe 'tendo em visto'.
O autor merece ser declarado filho do réu, haja vista o reconhecimento expresso desse fato pelo 
reclamado.
4. Pacífico x Passífico: 'pacífico' é escrito com 'cê', e nunca com dois 'esses'.
É pacífico, na jurisprudência pátria, que a matéria em exame não comporta recurso extraordinário.
5. Exceção x Excessão de incompetência: um a das modalidades de resposta é a e x ­
ceção dc incompetência relativa, que será apresentada em peça autônom a. A palavra 
'exceção' é escrita com 'cê-cedilha' e nunca com dois 'esses'.
"Argúi-se, por meio de exceção, a incompetência relativa."11
"Apresentada a exceção de incompetência, abrir-se-á vista dos autos ao exceto, por 24 
horas improrrogáveis, devendo a decisão ser proferida na primeira audiência ou sessão que 
se seguir."12
6. FGTS x Fundiário: 'fundiário ' significa 'relativo à terra'. O Brasil tem um grave 
problema fundiário, pois existem muitos latifúndios improdutivos. Mas esse termo 
não guarda n en h u m a relação com o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), 
assim considerado u m dos direitos dos em pregados.13 Há verdadeira disseminação do 
uso indevido dessa palavra.
O reclamante não teve a CTPS assinada e, por conseguinte, não teve recolhido o depósito do
FGTS.Erros crassos devem ser evitados a todo custo, sob pena de o operador necessitar 
sistematicamente 'culpar a secretária' por u m suposto erro.
Recursos gráficos
Servem para retratar outras intenções. São exemplos letras maiúsculas, minúsculas, as­
pas, negrito, itálico, espaçamento, onomatopéia e asteriscos.
A s p a s
As aspas são sinais de pontuação representadas pelos s in a is " e ", e são utilizadas geral­
m en te em citações, como dem onstra o exem plo a seguir:
3 0 Parte I — A comunicação no texto jurídico
0 professor Othon Moacir Garcia, na apresentação de sua obra, afirma que tem procurado "ensi­
nar não apenas a escrever mas principalmente a pensar" (p. VIU).
Podemos tam bém utilizar as aspas para destacar palavras ou expressões que fogem à 
norm a culta, como arcaísmos, latinismos, gírias etc.
Vale ressaltar que, quando usadas dentro de um texto já entre aspas, são chamadas de 
'aspas simples' e representadas pelos s in a is ' e
E t c .
Etcetera é uma expressão que significa "e os restantes" ou "e outras coisas mais". Usa-se 
norm alm ente no fim de uma frase para representar que existe um a continuação lógica. Por 
ser um a abreviação, o ponto é sempre obrigatório.
Não é recomendável sua utilização nas petições jurídicas, especialmente naquelas em 
que se formula algum pedido, pois suscita dúvida na m ente do julgador, além de afastar a 
pretensão da certeza e determinação reclamadas cm lei.
Imagine-se u m pedido dc "aluguéis vencidos c vincendos etc." ou "verbas resilitórias 
- aviso prévio, 13° salário etc.". Haverá dúvida sobre o que realm ente está sendo postulado 
em juízo. Quais seriam os outros direitos representados pelo 'e tc /? Fica difícil saber.
Tal situação agride o artigo 286 do CPC:
0 pedido deve ser certo ou determinado. É lícito, porém, formular pedido genérico:
1 - nas ações universais, se não puder o autor individuar na petição os bens demandados;
II - quando não for possível determinar, de modo definitivo, as conseqüências do ato ou do 
fato ilícito;
III - quando a determinação do valor da condenação depender de ato que deva ser praticado 
pelo réu.14
Por fim, nunca escreva 'c etc.', pois a conjunção já faz parte da abreviatura.
S ic
Sic é term o usado em um a citação para evidenciar que determ inada palavra ou frase foi 
utilizada no texto original escrito ou falado por outrem.
Norm alm ente é utilizado para enfatizar erro ortográfico daquele último autor, por vezes 
como forma dc ironia, ou apenas para ten tar impor descrédito ao adversário. Também serve 
na transcrição de algum depoim ento existente nos autos.
É meio legítimo de escrita, competindo ao advogado que escreve não com eter erros que 
possam dar m argem a esse tipo de exploração.
C a pítu lo 3 — Vocabulário jurídico | 31
Notas
1 Versão eletrônica, 3.0.
2 Othon Garcia, Comunicação em prosa moderna. 4.
ed. Rio de Janeiro: FJV, 1976, p. 149.
3 Othon Garcia, Comunicação em prosa moderna. 4.
cd. Rio de Janeiro: FJV, 1976, p. 150.
4 Brasil, artigo 155, Decreto-Lei na 2.848, de 7 de 
dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial 
da União, Brasília, 31 dez. 1940.
5 Brasil, artigo 157, Decreto-Lei nü 2.848, de 7 de 
dezembro de 1940. Código Penal. Diário Oficial 
da União, Brasília, 31 dez. 1940.
6 Eliasar Rosa, Os erros mais comuns nas petições. 6.
cd. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1985, p. 85.
7 Othon Garcia, Comunicação em prosa moderna. 4. 
ed. Rio de Janeiro: FJV, 1976, p. 146.
8 Brasil, artigo 13, capítulo III, Constituição da 
República Federativa do Brasil. Brasília: Senado, 
1988.
9 Luis Antonio Sacconi, Nossa gramática: teoria e 
prática. São Paulo: Atual Editora, 1998, p. 11.
10 Brasil, artigo 15, Lei n- 5.869, de 11 de janeiro 
de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Diá­
rio Oficial da União, Brasília, 17 jan. 1973.
11 Brasil, artigo 112, Lei n- 5.869, de 11 de janeiro 
de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Diá­
rio Oficial da União, Brasília, 17 jan. 1973.
12 Brasil, artigo 800, Decreto-Lei nü 5.452, de i- 
de maio de 1943. Consolidação das Leis do Tra­
balho. Diário Oficial da União, Brasília, 9 ago. 
1943.
13 Brasil, artigo 1-, Lei 8.036, de 11 de maio de 
1990. Dispõe sobre o Fundo de Garantia do 
Tempo de Serviço, e dá outras providências. Diá­
rio Oficial da União, Brasília, 14 mai. 1990.
14 Brasil, artigo 286, Lei nü 5.869, de 11 de janeiro 
de 1973. Institui o Código de Processo Civil. Diá­
rio Oficial da União, Brasília, 17 jan. 1973.

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