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Tópico 06 Gestão Ambiental e Responsabilidade Social Educação Ambiental 1. Introdução No Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa (MICHAELIS, 2018), a palavra Educação apresenta nove definições, sendo, por exemplo: “Ato ou processo de educar (-se)”, “Processo que visa ao desenvolvimento físico, intelectual e moral do ser humano, através da aplicação de métodos próprios, com o intuito de assegurar-lhe a integração social e a formação da cidadania” e “Conhecimento e prática de boas maneiras no convívio social; civilidade, polidez”. Pense se o ser humano pode ser considerado educado, ao observar as imagens a seguir. Ser Humano Educado faz isso? Então, você realmente acha que o “ser humano” é educado? Quem é educado não destrói o que não é seu, respeita o próximo, cuida e preserva o que é de todos. Então, por que está havendo tanta destruição e atitudes deselegantes no nosso cotidiano? Precisamos pensar sobre isso e refletir porque toda mudança só ocorre quando nós nos conscientizamos dos nossos erros e ajudamos o nosso próximo a se conscientizar e mudar de atitudes também. Então, não é o professor responsável pela educação? A resposta certa é que todos são responsáveis pela educação e ela ocorre a todo o momento e em todo lugar por todas as pessoas. Em alguns anos, Werner E. Zulauf faz uma reflexão sobre a ação do homem no planeta em seu artigo científico “O meio ambiente e o futuro”. Em um dos seus parágrafos, é acordado que “[…] a qualidade da água se encontra fortemente ameaçada; que o clima tende a se transformar no próximo século por conta do efeito estufa e da redução da camada de ozônio e que a biodiversidade tende a se reduzir, empobrecendo o patrimônio genético […]”. E, como podemos perceber, já estamos sofrendo nos dias de hoje os efeitos do descaso com o meio ambiente. Leia o texto e adquira mais informações para ser cada dia mais um ser humano crítico que possui opiniões embasadas na ciência para promover melhoria no meio ambiente e, assim, promover vida para todos. Acesse o artigo na íntegra no link: Vamos passear pela educação, sendo ela focada na área ambiental, e descobrir o que temos que reaprender? 2. Conceitos de Educação Ambiental Antes de começar a leitura sobre o tema, assista ao vídeo seguinte para entrar no assunto sobre educação ambiental no mundo e no Brasil. http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0103-40142000000200009 Assista ao vídeo “História e Contexto – Educação Ambiental na Escola” parte 1 e 2 e conheça sobre as questões ambientais, congressos, situação ambiental no mundo e no Brasil, opiniões críticas de ambientalistas e jornalistas sobre o desenvolvimento a qualquer preço. São mostrados exemplos de degradação ambiental e morte do homem como ocorreu nas cidades de Bhopal, Cubatão etc. Veja o vídeo em: História e Contexto- Educação Ambiental na História e Contexto- Educação Ambiental na …… http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142000000200009 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40142000000200009 https://www.youtube.com/watch?v=Z1dTem-OhKU O homem em contato com o meio ambiente sempre provocou mudanças, mas, há muitos anos, essas eram para sua sobrevivência e manutenção da vida não levando a uma exploração além do que os recursos naturais poderiam suportar. No início, eram poucas pessoas e muito ambiente, mas a população foi aumentando e, junto com ela, o modo de produção foi se diferenciando, foi crescendo a supervalorização do capitalismo (dinheiro e lucro a qualquer preço) sem se preocupar com ambiente onde ele vivia. O homem se colocou acima de tudo e de todos e, como consequência da sua intervenção irresponsável, gerou degradação ambiental do ar, do solo e da água para as gerações presente e futura. Destruição do planeta Terra. (parte 1) (parte 2) História e Contexto- Educação Ambiental na História e Contexto- Educação Ambiental na …… https://www.youtube.com/watch?v=mZRcJU1lXA0 A resposta é sim, mas isso só ocorrerá se for por meio de uma educação transformadora, crítica, reflexiva, uma educação que leva à conscientização e, portanto, a uma mudança de atitude. Segundo Paulo Freire (1987, 218 p.) “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo”. Será que podemos minimizar alguns problemas ambientais já presentes no nosso dia a dia e evitar outros? No artigo científico: “Por uma nova ética ambiental”, de Viveiros et al. (2015), lemos que o “[…] cientificismo contribuiu para que se aprofundasse a visão de posse absoluta e a exploração implacável sobre a natureza (terra, água, florestas), e que as fragilidades apresentadas pelo Planeta na atualidade são resultados do modo pelo qual se deu essa relação, ou seja, o modo como a partir do “domínio” sobre a natureza, o homem dilapidou e continua dilapidando os recursos naturais, com o intuito de produzir cada vez mais bens para o consumo, gerar e concentrar riquezas”. Leia o artigo na íntegra e faça uma reflexão sobre os pontos de vista levantados pelos autores acessando o link: http://www.scielo.br/pdf/esa/v20n3/1413-4152- esa-20-03-00331.pdf http://www.scielo.br/pdf/esa/v20n3/1413-4152-esa-20-03-00331.pdf http://www.scielo.br/pdf/esa/v20n3/1413-4152-esa-20-03-00331.pdf Vamos conhecer alguns conceitos/definições de educação ambiental? Antes, pense um pouco e, com seus conhecimentos, escreva sua definição. Em seguida, compare a sua definição com algumas outras existentes na literatura. A “Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental” foi um marco na área de educação ambiental. Essa Conferência foi organizada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) na cidade de Tbilisi, Geórgia (ex-URSS), no período de 14 a 26 de outubro de 1977. Nela, foi aprovada uma declaração que contempla 41 recomendações sobre o tema, e, dentre as várias informações, ela relata que: A Declaração da Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental (Conferência de Tbilisi) deixa claro que educação ambiental deve produzir transformação no ser humano para que ele, com consciência, possa conviver com o meio ambiente harmoniosamente, pois um depende do outro para ter vida. “A Educação Ambiental, bem compreendida, deverá constituir uma educação geral permanente que reaja às mudanças produzidas num mundo em rápida evolução. Essa educação deverá preparar o indivíduo através da compreensão dos principais problemas do mundo contemporâneo, proporcionando- lhe os conhecimentos técnicos e as qualidades necessárias para desempenhar uma função produtiva que vise melhorar a vida e proteger o ambiente, valorizando os aspectos éticos” (UNESCO, 1977, p.1). (Grifo nosso). Homem e meio ambiente: convívio harmonioso. As recomendações de educação ambiental propostas na declaração da Conferência de Tbilisi serviram de referencial para todo mundo e, a partir dela, foram sendo construídas outras definições, tendo-a sempre como base. De acordo com Pessoa (2011, p. 1) “as principais proposições de Tbilisi giram em torno das interações dos seres humanos entre si e com o meio e da responsabilidade de participação de cada um nas decisões e posturas em relação ao meio”. Mousinho (2003, p. 158) conceitua Educação Ambiental, como: “É um processo em que se busca despertar a preocupação individual e coletiva para a questão ambiental, garantindo o acesso à informação em linguagem adequada, contribuindo para o desenvolvimento de uma consciência crítica e estimulando o enfrentamento das questões ambientais e sociais. Desenvolve-se num contexto de complexidade, procurando trabalhar não apenas a mudança cultural, mas também a transformação social, assumindo a crise ambiental como uma questão ética e política” (Grifo nosso). Na Lei brasileira n. 9.795/99, que trata da educação ambiental, no artigo 1º a educação ambientalé descrita como: A educação ambiental, como foi visto nas definições apresentadas, é uma responsabilidade do indivíduo e da coletividade, e ela deve promover uma consciência crítica para que o homem promova desenvolvimento sem degradar/destruir/matar o meio ambiente. Você, por acaso, já viu o vídeo “Carta escrita no ano de 2070”? Ele apresenta a falta de educação ambiental do ser humano e as suas consequências. Você, ao assistir, pode pensar: o vídeo é uma ficção. Será que essa ficção não poderia ser tornar uma realidade? Espero que isso nunca aconteça, afinal, ninguém gostaria de viver no mundo mostrado no vídeo, certo? Porém, para isso, precisamos repensar nossa relação com o meio ambiente e cuidar/preservar, pois, só existe, no mundo inteiro, o planeta Terra para vivermos. “[…] os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (BRASIL, 1999, p. 1, grifo nosso.) Assista o vídeo “Carta do ano 2070 – Advertência à Humanidade – Preservação da Água | Meio Ambiente” Veja o vídeo em: É importante ressaltar que a educação ambiental não é uma responsabilidade só das instituições de ensino. Você também tem essa responsabilidade no seu dia a dia, pois, segundo Candiani (et. al. 2004, p.76), a educação ambiental deve ser “[…] uma educação para a cidadania; configurando-se como elemento determinante para a consolidação de sujeitos cidadãos. […] cada pessoa ser portadora de direitos e deveres, e, por conta disso, converter-se em ator corresponsável na defesa da qualidade de vida”. Tenho certeza de que você, aluno, está se tornando a cada dia um ser humano mais consciente com o cuidar/preservar o ambiente. 3. História, Conferências, Leis e Decretos da Educação Ambiental no Mundo e no Brasil Então, agora que já temos uma ideia do que é educação ambiental, vamos ver como foi o percurso, desse assunto até os dias de hoje, conhecendo um pouco da história, dos congressos e tratados. Antes de ler o texto, assista ao vídeo recomendado abaixo para ter uma noção sobre a história da educação ambiental. Carta do ano 2070 - Advertência à HumanidaCarta do ano 2070 - Advertência à Humanida…… https://www.youtube.com/watch?v=VTc9UPtW2ts A história da educação ambiental inicia-se nos anos 60 em função dos sérios danos ambientais a que o planeta Terra estava sendo submetido pelo modelo do desenvolvimento econômico adotado. Dias (2004, p. 74) relata alguns danos: Assista ao vídeo para entrar em contato com a história da Educação Ambiental no mundo. O vídeo “Educação Ambiental: uma viagem pela história” tem 13 minutos e 55 segundos, sendo que a parte que conta a história da educação ambiental, a partir da Conferência de Estocolmo, inicia em 7 minutos e 55 segundos. Veja o vídeo em: Educação Ambiental Uma viagem pela históriaEducação Ambiental Uma viagem pela história “Rios mortos, transformados em canais de lodo, o ar das cidades envenenado pela poluição generalizada, destruição das florestas, solos envenenados por biocidas, águas contaminadas e tantas outras mazelas compunham, enfim, um quadro de devastação sem precedentes na existência da espécie humana”. https://www.youtube.com/watch?v=Vo-PkW6Mc5M Devastação ambiental. Nesse quadro de devastação, surge, em 1962, uma publicação “bomba” de um livro chamado “Primavera Silenciosa”. Esse livro foi escrito pela bióloga norte americana Rachel Carson. Sua publicação provocou uma verdadeira revolução e fez o mundo parar para pensar sobre como estávamos lidando com as questões ambientais em todo planeta e como poderíamos ser prejudicados levando, assim, a temática ambiental a ser repensada e discutida internacionalmente (DIAS, 2004). O livro “Primavera Silenciosa” faz várias denúncias ambientais acendendo um alerta para os problemas ambientais. Em seu livro, a autora relata: “Pela primeira vez na história do mundo, cada um dos seres humanos está agora sujeito a entrar em contato com substâncias químicas perigosas… Elas entraram e alojaram- se no corpo dos peixes, dos pássaros, dos répteis, dos animais domésticos e dos animais selvagens… Tudo isso acontece em consequência do surto repentino e do prodigioso crescimento da indústria.” (CARSON, 1969, p. 25-26). Ela alertou a todos que a destruição de plantas e animais, ou seja, do ambiente em si, estaria afetando a vida do homem. As plantas, os animais, a água, o solo, o ar e o homem, ou seja, todos, fazem parte do sistema de vida do planeta e um depende do outro. Afetando um, todos serão afetados. A partir daí, foram surgindo vários eventos para debater sobre o assunto. Por exemplo, em 1968, foi realizada a Conferência sobre Educação na Grã-Betanha e nela foi recomendada a fundação da Sociedade para Educação Ambiental que ocorreu em 1969. Também em 1968, na cidade de Roma, houve a criação do Clube de Roma, que foi formado por 30 especialistas, de diversas áreas, com o objetivo de discutir as questões ambientais. O tema educação ambiental passa a ser tão importante que, em 1969, houve o lançamento da primeira revista sobre Educação Ambiental (DIAS, 2004). Dentre os diversos eventos, nos dias 05 a 16 de junho de 1972, a Organização das Nações Unidas (ONU) organizou, na cidade de Estocolmo, Suécia, a primeira Conferência Mundial de Meio Ambiente Humano, conhecida também como Conferência de Estocolmo. Nessa Conferência, surgiram as diretrizes para o Programa Internacional de Educação Ambiental, em que a recomendação n. 96 “reconhece o desenvolvimento da Educação Ambiental” como o elemento crítico para o combate à crise ambiental do mundo” (DIAS, 2004, p. 36). Pedrini (1998) destaca que foi nessa Conferência que a educação ambiental foi considerada, pela primeira vez, importante para minimizar a degradação ambiental. Enquanto a Conferência de Estocolmo discutia a preservação e a melhoria do ambiente, o Brasil, para promover o seu desenvolvimento industrial, por meio dos seus representantes, anunciava ao mundo que estava aberto à poluição e à degradação ambiental, desde que isso resultasse em aumento do Produto Interno Bruto (PIB) e, conforme estava anunciado em um cartaz, “[…] temos várias cidades que receberiam de braços abertos a sua poluição, porque o que nós queremos são empregos, são dólares para o nosso desenvolvimento” (DIAS, 2004, p. 36). É assustadora essa posição do Brasil. Aí vemos reforçada a importância de uma Educação Ambiental no dia a dia da população, seja ela política ou não. Em 1973, pelo Decreto n. 73.030, foi criada no Brasil a Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA) que trataria das questões ambientais e, em 1977, a SEMA iniciou a formulação de um documento de Educação Ambiental para servir como referência nacional (MINISTÉRIO DE MEIO AMBIENTE, 2018). Em 1975, a Unesco realizou o Encontro Internacional em Educação Ambiental, na cidade de Belgrado, onde foi produzida a Carta de Belgrado, que contempla os princípios e orientações para uma educação ambiental internacional. Nesse mesmo ano, vários países realizam encontros para debater o tema (DIAS, 2004). Em 1977, surgiu o mais importante congresso na área de educação ambiental, a I Conferência Intergovernamental sobre Educação Ambiental na cidade de Tbilisi, capital da Georgia. Ela foi organizada pela Unesco e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e é considerada referência internacional quando se fala em educação ambiental (DIAS, 2004). A Declaração dessa Conferência apresentava os objetivos, as funções, as estratégias, as características e as recomendações para educação ambiental. Das 41 recomendações de Tbilisi, consta a Recomendação n. 1 no site do Ministério do Meio Ambiente. Das 41 recomendações de Tbilisi, consta a Recomendação nº 1 no sitedo MINISTÉRIO DE MEIO E daí para frente, várias outras conferências foram acontecendo. Em 1981, a Lei n. 6.938 estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), seus fins e mecanismos de formulação e aplicação. Essa lei, no seu artigo 2°, apresentou como princípios “X – educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente” (BRASIL, 1981, p. 1). Reforçando uma educação ambiental para todos, o capitulo VI da Constituição Federal Brasileira de 1988, no artigo 225, relata que cabe ao poder público “VI – promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública para a preservação do meio ambiente” (BRASIL, 1988, p.1). Em 1989, o Sema se fundi com Sudepe, Sudhevea e IBDF. Assim, é formado o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Ele foi criado pela Lei n. 7.335 e, dentre suas várias atribuições, está a educação ambiental (BRASIL, 1989). Em 1992, ocorreu a importante “Conferência sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (UNCED)”, conhecida também como Rio-92 ou Eco-92. Dentre os vários assuntos ambientais abordados, a educação ambiental foi um deles. Segundo Dias, (2004, p. 50): AMBIENTE. Acesse o link para conhecê-la: https://blog.portaleducacao.com.br/entendendo-a- conferencia-de-tbilisi-1977/ “A Rio-92 corrobora as premissas de Tbilisi e através da Agenda 21, Seção IV, Cap. 4, define as áreas de programas para a EA, reorientando a educação para o desenvolvimento https://blog.portaleducacao.com.br/entendendo-a-conferencia-de-tbilisi-1977/ https://blog.portaleducacao.com.br/entendendo-a-conferencia-de-tbilisi-1977/ Em 1994, o Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA) foi aprovado pelo presidente da República e a sua missão é: “A educação ambiental contribuindo para a construção de sociedades sustentáveis com pessoas atuantes e felizes em todo o Brasil” (BRASIL, 2014, p. 26). Ele tem vários objetivos, porém, listaremos apenas alguns a seguir. sustentável. A conferência Rio-92 atualmente é reconhecida como o encontro internacional mais importante desde que o ser humano se organizou em sociedades. Durante a Rio-92, a assessoria do MEC promove no CIAC Rio das Pedras, Jacarepaguá, Rio de Janeiro, de 01 a 12 de junho, o Workshop sobre EA, com o objetivo de socializar os resultados das experiências em EA, integrar a cooperação do desenvolvimento em EA nacional e internacional, e discutir metodologias e currículo para a EA. No encontro foi formalizada a Carta Brasileira para EA. O IBAMA cria, no âmbito das Superintendências Estaduais, os Núcleos de Educação Ambiental (NEA), visando estimular o desencadeamento do processo de EA nos estados”. “Promover processos de educação ambiental voltados para valores humanistas, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências que contribuam para a participação cidadã na construção de sociedades sustentáveis. Fomentar processos de formação continuada em educação ambiental, formal e não formal, dando condições para a atuação nos diversos setores da sociedade. […] Promover campanhas de educação ambiental nos meios de comunicação de massa, de forma a torná-los Em 1999, é instituída a Lei n. 9.795, referente à Política Nacional de Educação Ambiental e, em 2002, essa política é regulamentada pelo Decreto n. 4.281 de 25 de junho de 2002 (BRASIL, 1999, 2002). Vale lembrar que ainda há outros dois grandes marcos, a COP 21 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas 21) e a COP 26 (Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas 26), que aconteceram, respectivamente, nos anos de 2015 e 2021. Segundo o texto publicado pelo Senado, em Paris, a COP 21 veio propor novas metas na redução da emissão de gases poluente na colaboradores ativos e permanentes na disseminação de informações e práticas educativas sobre o meio ambiente. […] Promover a inclusão digital para dinamizar o acesso a informações sobre a temática ambiental, garantindo inclusive a acessibilidade de portadores de necessidades especiais. […] Promover e apoiar a produção e a disseminação de materiais didático-pedagógicos e instrucionais. Sistematizar e disponibilizar informações sobre experiências exitosas e apoiar novas iniciativas. Produzir e aplicar instrumentos de acompanhamento, monitoramento e avaliação das ações do ProNEA, considerando a coerência com suas Diretrizes e Princípios” (BRASIL, 2014, p.26-27). atmosfera, na tentativa de limitar o aumento da temperatura global abaixo 2 °C até o ano de 2100. Já a COP 26, que aconteceu em Glasgow, na Escócia, volta a firmar a necessidade da redução da emissão dos gases de efeito estufa (GEE), porém, em 45% até 2030, para que se consiga firmar a variação da temperatura global, ou seja, tentar estabelecer um número fixo para variação da temperatura. Vale lembrar que a Conferência das Partes (COP) acontece anualmente, porém, alguns anos tem uma maior visibilidade que outros e no ano de 2020 não aconteceu, devido a pandemia do Corona Vírus. Quantos acontecimentos, não é mesmo? Vamos analisar um pequeno resumo desses momentos marcantes para o desenvolvimento e manutenção do meio ambiente? Tabela 01 – Conferência de Estocolmo – Estocolmo/1972 Informações Gerais Foi organizada pela ONU e se refere a Primeira Conferência Ambiental. Participação de 113 países e 250 organizações internacionais. Pontos debatidos Tentativa da redução dos impactos ambientais. A necessidade de engajamento dos Estados. Preservação da fauna, flora e redução do uso de produtos tóxicos. Incentivar, através de suporte financeiro, o desenvolvimento dos países subdesenvolvidos. Resultados Elaboração da PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente). Elaboração do relatório com as obrigações dos países, referente a preservação ambiental. Desenvolvimento de políticas de gerenciamento ambiental. Tabela 02 – Eco-92 – Rio de Janeiro/1992 Informações Gerais Também chamada como conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Organizada pela ONU. Reunião com 172 países e em média 1400 organizações não governamentais (ONGs). Pontos debatidos Abordagem sobre o Relatório de Estocolmo. Definição de um modelo de desenvolvimento social, relacionando com as implicações no meio ambiente, na promoção do desenvolvimento sustentável. Resultados Devido à falta de recursos naturais, não seria possível promover um desenvolvimento sustentável, com isso, evidenciou que o modelo econômico desenvolvido não garantiria o sustento do próximo século. Elaboração da agenda 21: Promover o Desenvolvimento sustentável; Convenção – Quadro sobre Mudanças Climáticas; Promoção da biodiversidade. Definição de um período de 10 anos para ocorrência de um novo encontro para exposição e discussão dos resultados. Tabela 03 – Conferência das Partes – Protocolo de Kyoto – Kyoto/1997 Informações Gerais Retomada da ECO-92 sobre as mudanças climáticas, elaborando metas para diminuição dos Gases de Efeito estufa (GEE). Pontos debatidos Definição das metas de emissão dos GEE. A necessidade de executar e atingir as metas estabelecidas sobre a emissão dos gases. Resultados Principal resultado dessa conferência foi a criação do Protocolo de Kyoto, entrou em vigor só em 2005, material que apresenta as metas dos países quanto a emissão dos GEE, parar, contenção do aumento do aquecimento global. Tabela 04 – Rio +10 – Joanesburgo/2002 Informações Gerais Conhecida como Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável. Organizado pela ONU. Reunião com 189 países e mais as ONGs. Pontos debatidos Conservação ambiental. Problemas sociais (fome e pobreza). Promoção do Desenvolvimento sustentável (principalmente pelos países desenvolvidos). Voltou a falar da ECO-92 e dos objetivos a serem atingidosque foram firmados na Agenda 21. Resultados Estipularam metas para redução de número de pessoas que não tinham acesso a água potável; Confecção do documento Declaração de Joanesburgo que abordava os tópicos: globalização e suas consequências na fome e miséria, proteção e manutenção da biodiversidade, acesso a água potável e saneamento básico, acesso à energia e saúde. Tabela 05 – Rio +20 – Rio de Janeiro/2012 Informações Gerais Conhecida como Conferência Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável. Organizado pela ONU. Reunião com 193 países que faziam parte da ONU. Foi, até então, o evento mais noticiado nas mídias naquela época, comparado aos outros acontecimentos. Pontos debatidos Discussão de todos os tópicos abordados nos eventos anteriores, desde a Eco-92. A intensificação sobre a temática Sustentabilidade e os compromissos acordados pelos países. Lançou o questionamento sobre o futuro: “Qual o futuro que queremos?” Resultados Criação do documento intitulado como “Qual o futuro que queremos?”, trazendo ainda sobre pobreza, associação dos pontos socioeconômicos com o desenvolvimento sustentável, uso consciente dos recursos naturais, diminuição da desigualdade. Estabelecimento de metas, baseados na Agenda 21, para a promoção do Desenvolvimento sustentável. Tabela 06 – Conferência das Partes 21 (COP 21) – Paris/2015 Informações Gerais Encontro da Convenção- Quadro sobre Mudança do Clima. Conhecido também com Acordo de Paris. Teve seu objetivo pensado na ECO-92. Pontos debatidos Redução de emissão de GEE. Objetivo de conter o aquecimento global abaixo de 2ºC (de preferência em 1,5 °C). Todos os países signatários devem assumir metas de forma voluntária para redução da emissão de GEE. Resultados Definição de que a cada 5 anos, essas metas devem ser revisadas e incrementadas. Tabela 07 – COP 26 – Glascow/2021 Informações Gerais Encontro da Convenção- Quadro sobre Mudança do Clima. Aconteceu na Escócia em Glascow, em 2021. Teve seu objetivo pensado na ECO-92. Pontos debatidos Criação de um direcionamento (“mapa”) do caminho para que o Acordo de Paris seja efetivo pelas nações. Regulamentação da negociação global de crédito de carbono. Resultados Negociação quanto à redução de emissão de metano. Diminuição do uso de carvão. Brasil e México foram os únicos que regrediram na revisão de suas metas em 2020 (seria redução de 50% até 2030, porém, revisou e disse que seria de 43%). O Brasil se comprometeu a antecipar de 2030 para 2028, o fim do desmatamento ilegal. Conheça mais sobre os movimentos ambientais a partir do século XIX até o ano de 2015 lendo o texto escrito Já no ano de 2022, no mês de novembro, aconteceu a COP 27 no Egito. Foi um momento muito importante, pois foi realizada em meio a uma instabilidade internacional devido à guerra entre a Rússia e Ucrânia e durante a percepção do agravamento das mudanças climáticas, tendo como exemplo, as enchentes ocorridas no Paquistão, no segundo semestre do mesmo ano. O encontro veio firmar o que já havia sido traçado no Acordo de Paris, trazendo alguns debates quanto ao desmatamento nos biomas, com destaque para a Amazônia, a promoção da agricultura sustentável, a garantia da segurança alimentar nos países menos desenvolvidos, o futuro verde associado aos créditos de carbono, uma parceria entre países e empresas na criação e execução de políticas e planos que tendem a diminuir as emissões de carbono. Pelo visto, a estrada para a consolidação da educação ambiental ainda é longa, mas ela só será percorrida com sucesso quando houver conscientização de que o homem depende do ambiente e vice-versa. Essa estrada tem que ter inclusive as suas pegadas para que o fim (se tiver) seja de sucesso e isso significa vida para todos. 4. Conclusão No tópico, buscou-se mostrar como surgiu a educação ambiental, suas definições e algumas conferências que auxiliariam nas discussões sobre a temática. A Educação Ambiental deve estar presente no dia a dia do indivíduo e da coletividade para que todos possam participar da preservação pela ONU e assistindo aos vídeos presentes no link a seguir: https://brasil.un.org/pt-br/91223-onu-e-o-meio- ambiente https://brasil.un.org/pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente https://brasil.un.org/pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente ambiental com consciência. Parafraseando Paulo Freire, é a educação do homem que pode promover mudanças, positivas ou negativas, no planeta Terra. O caminhar da educação ambiental ainda não chegou ao fim. Ele começou nos anos 1960 e ainda temos muito que evoluir para que essa estrada nos leve a um planeta onde possamos ter vida de qualidade para TODOS. 5. Referências BRASIL, Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. Dispõe sobre a educação ambiental, institui a Política Nacional de Educação Ambiental e dá outras providências. Disponível em: . ______. Recomendações Tbilisi (1977). Algumas Recomendações da Conferência Intergovenamental sobre Educação Ambiental aos Países Membros. Disponível em: https://www.mma.gov.br/destaques/item/8065- recomenda%C3%A7%C3%B5es-de-tbilisi ______ . Constituição (1988). Constituição [da] República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988. ______ . Decreto nº 4.281, de 25 de junho de 2002. Regulamenta a Lei n 9.795, de 27 de abril de 1999, que institui a Política Nacional de Educação Ambiental, e dá outras providências. Disponível em: . ______ . Lei nº 9.795, de 27 de abril de 1999. 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