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GEOGRAFIA AGRÁRIA Ana Carolina Freitas Xavier sa SOLUÇÕES EDUCACIONAIS INTEGRADASEstrutura fundiária brasileira Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar processo histórico da estruturação fundiária brasileira. Analisar a distribuição dos imóveis rurais brasileiros. Descrever as principais políticas agrárias brasileiras. Introdução Neste capítulo, você conhecerá processo histórico das estruturas so- ciais e econômicas das questões fundiárias no Brasil, cujas delimitações, de modo geral, trazem até hoje questões sociais complexas ao nosso cotidiano, entre elas a favelização dos centros urbanos em decorrência do êxodo rural. É válido ressaltar que as estruturas que construíram a base fundiária do Brasil são essencialmente fundamentadas nos latifúndios voltados à comercialização de commodities. Após a Constituição Federal, em 1988, emergiram novos atores no processo de implementação de políticas pú- blicas para a agricultura, em que pautas como a reforma agrária, violência no campo e defesa dos trabalhadores rurais ganharam força. Atualmente, mercado interno brasileiro é abastecido, em sua maior parte, por pro- dutos oriundos de propriedades familiares. E tanto a agricultura patronal quanto a agricultura familiar devem ter seus planos de desenvolvimento individualizados. Sabe-se que Brasil apresenta dimensões continentais, com diferenças culturais e ecossistêmicas, as quais, no contexto da agricultura, revelam grandes potencialidades e dificuldades, ressaltando a importância de um desenvolvimento territorial que leve em conta tais especificidades.2 Estrutura fundiária brasileira 1 Processos históricos da estruturação fundiária brasileira A origem do processo de estruturação fundiária no Brasil se iniciou com a chegada dos colonizadores portugueses, tendo como primeiro marco histórico as capitanias hereditárias (WEHLING; WEHLING, 1994). Conhecidas como as primeiras formas irregulares de divisão de terras, as propriedades eram doadas pela Coroa às pessoas ligadas ao rei de Portugal (Figura 1). Entre os deveres dos donatários da Coroa, estavam a de distribuir terras em forma de sesmarias (terreno não cultivado ou abandonado que era doado) a quem interessasse. Para ter direito ao recebimento das sesmarias, o interessado ou mesmo o compatriota bastava ser cristão e pagar o dízimo da Ordem de Cristo. Se a terra doada fosse inutilizada em até 10 anos, o documento de doação retornava ao poder público e o donatário poderia redistribuí-la. tamanho da doação variava de 1 até 4 léguas de frente aproximadamente de 7 a 28 km (WEHLING; WEHLING, 1994) cujo responsável precisava inicialmente de um pequeno valor para auxiliar quanto à aquisição de mudas, ferramentas e escravos. Paralelamente às sesmarias, havia a exploração do pau-brasil e o desen- volvimento da agricultura de subsistência com o cultivo de milho, mandioca, arroz e trigo, além da produção, algumas décadas depois, de açúcar. É válido ressaltar que a divisão territorial por sesmarias durou três séculos (de 1535 a 1822), tendo se tornado a base para os sistemas de monocultura que atendiam ao mercado de exportações (RODRIGUES, 2012). As maiores menções relacionadas à estruturação fundiária do desenvol- vimento do Brasil são marcadas legalmente pela Lei das Terras (1850) e pelo Estatuto da Terra (1964). A Lei 601, de 18 de setembro de 1850 (Lei das Terras) representou uma das primeiras leis no período pós-independência que dispunham de normativas sobre o direito agrário brasileiro. Ainda na conjuntura desta lei, aboliram-se as sesmarias, baniu-se a falta de acesso dos negros libertos e dificultou-se o acesso à terra para imigrantes que vieram para substituir a mão de obra escrava.Estrutura fundiária brasileira 3 LINHA Capitania de R R DA Capitaniade A de Francisco giraldes N do dauciro Coutinho Capilania de della de M TROPICO DE CAPRICOR NIO 25 R I Sete D Scala de 100 repartidaspoz Rio da prata " 44 45 47 N A L de Fernando 53 Figura 1. Mapa de Luís Teixeira das capitanias hereditárias (anexo ao Roteiro de todos os Sinaes). Fonte: Adaptada de Cintra (2015).4 Estrutura fundiária brasileira Já o Estatuto da Terra (Lei 4.504, de 30 de novembro de 1964) defi- niu os conceitos legais de "minilatifúndio" e "latifúndio", com o objetivo maior de dar alcance, de forma concreta, às formas de intervenção fundiária. minifúndio foi definido como o imóvel de área inferior a uma unidade de módulo rural ou de "[...] possibilidades inferiores às da propriedade familiar [...]" (BRASIL, 1964, Art. 4°, inciso IV, documento on-line), o qual, por sua vez, designava a área mínima capaz de, em um imóvel rural de propriedade familiar, "[...] direta e pessoalmente explorado pelo agricultor e sua garantir-lhes [...] a subsistência e o progresso social e econômico [...]" (BRA- SIL, 1964, Art. 4°, inciso II, documento on-line). A força de trabalho familiar, considerada em função da sua viabilidade econômica, integrou o conceito legal de "agricultura familiar" na Lei 11.326, de 24 de julho 2006, servindo para qualificar a diferenciação estratégica de políticas públicas voltadas a grupos específicos da população rural. Diante desses fatos históricos, a sociedade brasileira se baseou no argumento de que aquele que tem propriedades de terra tem poder, fato ainda evidenciado pela maneira como a agricultura patronal evoluiu, principalmente após o século XVII, quando as relações do homem com a terra eram basicamente de subsistência ou de produção em grande volume. Porém, o conceito de proprie- dades familiares somente foi instituído em meados do século XX, advindo dos pequenos sítios cedidos às famílias para que pudessem permanecer em troca de trabalho para grandes latifúndios. processo de formação da agricultura familiar visando ao abastecimento do mercado nacional interno é muito recente, já que as propriedades menores não eram capazes de gerar excedentes para comercialização, o que nos leva a afirmar que a agricultura mercantil deu seu primeiro passo muito antes do marco legal da Lei das Terras. No contexto da estrutura fundiária, o proprietário fundiário permaneceu sempre como o dirigente do processo produtivo no Brasil, diferentemente do que acontecia na Europa, onde havia proprietários fundiários, processo que se distinguia do capitalista (SILVA, 1981). A agricultura capitalista no Brasil se desenvolveu em uma situação na qual nem toda terra era apropriada e não preexistia um monopólio de terras, tornando-se necessária a criação do conceito de terra com proprietário pela Lei das Terras. A estrutura fundiária não foi construída para a maioria (CARVALHO, 2010), situação em que o campo tem sido cenário de injustiças e de negação dos direitos sociais (CELOS, 2007), embora também um território no qual se dão as resistências sociais que lutam pelo direito à terra e à reforma agrária.Estrutura fundiária brasileira 5 Com a implementação do instrumento legal do Estatuto da Terra, a reforma agrária genuinamente se inseriu no cenário de políticas estruturais e sociais do Brasil, a partir da necessidade de uma mudança estrutural social e na po- lítica para que o pequeno agricultor conseguisse obter autonomia e diminuir a monopolização dos latifundiários: [...] a reforma agrária é entendida como uma política social a fim de atingir a redução da desigualdade no meio rural. Isso significa dizer que ela envolve não só a distribuição racional de terra, mas também a modificação das rela- ções de trabalho e do relacionamento do homem no meio. Enfim, pressupõe mudanças no meio rural de forma a oferecer condições de uma vida digna no campo (SILVEIRA, 2003, p. 97). A reforma agrária constitui um conjunto de ações governamentais realizadas pelos países capitalistas com o objetivo principal de modificar a estrutura fundiária, a partir de mudanças na distribuição, na renda e na posse da terra para assegurar ganhos sociais, culturais, técnicos, econômicos, políticos e de reordenação do território (OLIVEIRA, 2007). De modo mais complexo, a reforma agrária: [...] consiste na modificação da estrutura agrária de uma região ou de um país determinado, mediante a execução de mudanças fundamentais nas instituições jurídicas agrárias, no regime de propriedade da terra e na divisão da mesma. Além de tudo isso, pressupõe a construção de obras e prestação de serviços de diferentes naturezas tendentes a incrementar a produção e melhorar a forma de distribuição dos benefícios obtidos dela, a fim de conseguir me- lhores condições de vida e de trabalho, em benefício da comunidade rural e acrescenta que no conceito enunciado é necessário distinguir vários aspectos importantes: (1) político: que consiste na participação do governo na ação que visa planejar e realizar a reforma agrária; (2) jurídico: que está arrai- gado única e exclusivamente na reforma institucional e nos conteúdos dos atos de governo de origem legislativa ou de regulamentação necessárias para instrumentá-la; (3) econômico: que compreende o conjunto de medidas que são adotadas para melhorar os índices de produtividade, para obter uma melhor distribuição da riqueza, para promover a conservação das fontes na- turais da produção, para dividir os latifúndios, para concentrar e reagrupar os minifúndios, etc.; (4) técnico: que se refere especialmente às modificações nas formas de trabalho e a seus aperfeiçoamentos, à mecanização agrícola, ao uso de fertilizantes, ao sistema de transporte, etc.; (5) social: que abarca um cem números de mudanças a fim de lograr um estado sanitário melhor da população, melhorar o nível alimentar, evitar as enfermidades, repartir ensinamentos adequados, capacitar os trabalhadores, induzi-los a adaptar-se às mudanças necessárias para viver e trabalhar em condições mais favoráveis (MENDONÇA LIMA, 1970, 55-56).6 Estrutura fundiária brasileira Durante o século XX, a agricultura do Brasil passou por um intenso pro- cesso de transformação, que incluiu incentivos fiscais com políticas agrícolas, modernização das bases técnicas, expansão da fronteira agrícola e aumento da produção e da produtividade. Os impactos da modernização agrícola cul- minaram em uma dispensa da mão de obra do camponês, que se viu obrigado a procurar outros meios de sobrevivência, migrando para os grandes centros urbanos em busca de oportunidades, o que promoveu a ampliação da desi- gualdade social e econômica. De acordo com Laranjeira (1983), as primeiras propostas legais sobre re- forma agrária no Brasil surgiram após a Constituição Federal de 1946, marco legal que tratava da desapropriação por interesse social e da justa distribuição de terras. Porém, as ideias reformistas se desfizeram diante do fato de a postura parlamentar ser muito conservadora. As frentes reformistas surgiram bem antes, em 1930, diante do cenário de incentivo à industrialização, quando o país vivenciou conflitos no campo; em 1945, após o governo de Getúlio Vargas, surgiram as primeiras Ligas Camponesas, graças às quais, de 1940 a 1960, a luta pela reforma agrária, composta por foreiros, moradores, rendeiros, pequenos proprietários e trabalhadores assalariados contra o grande latifúndio, ganhou dimensão nacional (OLIVEIRA, 2007). Nas décadas de 1960 e 1970, a "Revolução Verde" disseminou novas práticas agrícolas, ampliando a produtividade pelo melhoramento genético de sementes e pelo uso de fertilizantes e defensivos agrícolas e maquinários, que impactaram diretamente na redução dos custos de manejo e na melhoria do rendimento agrícola. Em paralelo, as agências governamentais, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), e as universidades começa- ram a desenvolver tecnologias próprias. Com as oportunidades de ganhos e os avanços das fronteiras agrícolas, que passaram a incorporar a terra ao mercado, esta acabou perdendo cada vez mais sua função social, expulsando posseiros, índios e pequenos proprietários e incentivando a inserção de em- presas multinacionais em grandes latifúndios, ações que, legalmente, foram protegidas pelo Estatuto da Terra (RODRIGUES, 2012). Vale ressaltar que a modernização não teve apenas impactos negativos, mas também promoveu o crescimento econômico por meio da geração de excedente produtivo, embora conservando estruturas agrárias que garanti- ram os interesses dos latifúndios, excluindo o camponês (quilombola, povos tradicionais, indígenas, assentados rurais) das novas bases sociais para oEstrutura fundiária brasileira 7 desenvolvimento, como um reflexo das estruturas em que se embasaram as ações de desenvolvimento desde o período colonial. Segundo Rodrigues (2012), os impactos negativos do desenvolvimento capitalista da agricultura foram identificados em outros países, como na Inglaterra, onde também se deram a proletarização do homem do campo, a destruição das economias naturais e a submissão ao poder do capital. Saiba mais O agronegócio e a agricultura familiar são conceitos criados para se referir, respecti- vamente, à agricultura capitalista e à agricultura camponesa, cujo emprego faz parte do debate quanto aos paradigmas de retirar ou de deixar sobressair caráter de classe social no desenvolvimento territorial rural (FERNANDES; WELCH; GONÇALVES, 2012). 2 Distribuição dos imóveis rurais brasileiros Para conhecer a distribuição de terras, é importante entender como o governo orienta os planos de ações para atender, principalmente, aos interesses do capital que ordenam os investimentos em infraestrutura para determinadas regiões, elevando os fluxos e a dinâmica em detrimento de outros espaços que vivem de modo mais lento e escasso (FERNANDES; WELCH; GONÇALVES, 2012). De acordo com Oliveira (2011), desde a década de 1960 a população urbana ultrapassou a porcentagem da população rural no Brasil. desenvol- vimento da agricultura se baseou em contradição e desigualdades quanto à distribuição de terras, muitas delas ainda hoje visíveis no desenvolvimento de políticas públicas. Na distribuição da propriedade fundiária, geralmente a grande propriedade ocupa as terras mais adequadas e uma considerável parcela da população rural não dispõe de terras suficientes para custeio em nível adequado. Há, ainda, outra parcela da população rural, que constitui a maioria que habita o campo, que não dispõe de terra nem de recursos e possibilidades para ocupar e explorar terras alheias a título de arrendatário autônomo, submetendo-se a procurar emprego em grandes latifúndios, motivo que muitas vezes determina os baixos padrões técnicos do trabalhador rural brasileiro (PRADO JÚNIOR, 2000).8 Estrutura fundiária brasileira A partir da distribuição fundiária brasileira, existe uma relação de efeito- -causa entre a miséria da população rural e o tipo de estrutura agrária do Brasil, principalmente pelo fato de ter sido traçada com base na concentração da propriedade fundiária: de um lado, grandes proprietários e fazendeiros; de outro, trabalhadores sem ou com uma quantidade insuficiente e de terras, com desnível nas condições de vida e diferença intensa na posição que os dois grupos ocupam frente às atividades agrárias (CELOS, 2007). De acordo com Oliveira (2011), ainda que nos últimos anos tenha ha- vido um incremento de propriedades que não eram consideradas latifúndios, a estrutura fundiária brasileira tem um caráter concentrador de terras, podendo- -se afirmar que a distribuição de terras no país é desigual. Tal aumento de pequenas propriedades se originou em paralelo ao processo de formação dos movimentos sociais de campesinato durante o século XX entre 1950 e 1995- 1996, houve um crescimento em propriedades com menos de 100 hectares e com mais 1.000 hectares. De acordo com Oliveira (2011), de acordo com os censos agropecuários de 1940 até 1995/1996, a maior parte do solo no Brasil foi ocupada por pastagens. Os procedimentos da produção agropecuária brasileira se justificam pela maior soma de rendas e/ou lucros no menor prazo possível, além de um mínimo de despesa, circunstâncias responsáveis pelo baixo nível de vida da população rural. Assim, o papel que sempre coube à massa trabalhadora do campo brasi- leiro é tão somente o de fornecer força de trabalho à minoria privilegiada da agricultura brasileira. De acordo com Prado Júnior (2000), existe um processo de compensação mais acentuado e de predomínio cada vez maior nas zonas do país nas quais há maior progresso e desenvolvimento. Para a contabilização dessas áreas, é necessário conhecer a definição de estabelecimento agropecuário: "[...] toda unidade de produção dedicada, total ou parcialmente, a atividades agropecuárias, florestais e aquícolas, subordinada a uma única administração: a do produtor ou a do administrador [...]" (IBGE, 2009, 40). Já naquelas destinadas à produção comercial e de subsistência, incluem-se os hortos, reformatórios, os asilos, as escolas profissionais e os hotéis-fazenda e locais para lazer, desde que disponham de algum tipo de exploração agropecuária, florestal ou aquícola, exceto os quintais de residência com pequenos animais e hortas domésticas. No Brasil, a concentração de terras é geralmente representada pelo índice de Gini (Quadro 1), uma métrica usual para aferir a desigualdade social, de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo a 1, maior será a desigualdade entre a distribuição de terras.Estrutura fundiária brasileira 9 Quadro 1. Índice de Gini da distribuição da posse da terra, conforme Unidade da Federa- ção. Censo Agropecuário, 1975 a 2006 Índice de Gini Estado 1975 1980 1985 1995/96 2006 Rondônia 0,623 0,653 0,656 0,766 0,714 Acre 0,632 0,693 0,626 0,723 0,716 Amazonas Norte 0,921 0,871 0,82 0,809 0,838 Roraima 0,887 0,788 0,753 0,815 0,666 Pará 0,868 0,843 0,828 0,815 0,821 Amapá 0,855 0,85 0,865 0,835 0,851 Maranhão 0,927 0,926 0,924 0,904 0,866 Piauí 0,898 0,898 0,897 0,874 0,856 Ceará 0,784 0,78 0,816 0,846 0,862 Rio Grande do Norte 0,862 0,851 0,854 0,853 0,824 Nordeste Paraíba 0,845 0,828 0,843 0,835 0,821 Pernambuco 0,829 0,825 0,831 0,822 0,825 Alagoas 0,846 0,847 0,86 0,865 0,871 Sergipe 0,855 0,848 0,86 0,848 0,822 Bahia 0,812 0,826 0,841 0,835 0,839 Minas Gerais 0,756 0,768 0,772 0,773 0,795 Sudeste Espírito Santo 0,628 0,657 0,673 0,692 0,733 Rio de Janeiro 0,791 0,805 0,816 0,791 0,798 São Paulo 0,775 0,774 0,772 0,76 0,803 Paraná 0,729 0,743 0,752 0,743 0,77 Sul Santa Catarina 0,659 0,68 0,685 0,673 0,68 Rio Grande do Sul 0,755 0,762 0,764 0,763 0,772 (Continua)10 Estrutura fundiária brasileira (Continuação) Quadro 1. Índice de Gini da distribuição da posse da terra, conforme Unidade da Federa- ção. Censo Agropecuário, 1975 a 2006 Índice de Gini Estado 1975 1980 1985 1995/96 2006 Mato Grosso do Sul 0,909 0,871 0,861 0,823 0,857 Centro-Oeste Mato Grosso 0,944 0,922 0,91 0,871 0,865 Goiás + Tocantins 0,749 0,755 0,756 0,741 0,782 Distrito Federal 0,783 0,755 0,776 0,802 0,818 Fonte: Adaptado de Hoffmann e Ney (2010). A desigualdade na distribuição da terra é alta em todas as unidades da federação: 15 estados mais o Distrito Federal têm índice Gini maior ou igual a 0,80, enquanto 10 estados apresentam índice menor que 0,80, com destaque para Santa Catarina e Roraima, com índices menores que 0,70. Na região Nor- deste, o estado do Alagoas apresenta a maior desigualdade fundiária (0,871), seguido pelo Maranhão (0,866), e, na região Centro-Oeste, o estado do Mato Grosso é o mais desigual quanto à distribuição de terras (0,865). Destaca-se que os estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Amapá apresentam alta concentração da terra em latifúndios. Já os estados nordestinos, como Alagoas, têm desigualdade fundiária alta, mas a agricultura também se caracteriza por uma grande participação de pequenas propriedades agrícolas (IBGE, 2009). Na Figura 2, podemos observar mais de perto essa desigualdade quanto à propriedade da terra, essencialmente pelo crescimento do número de estabe- lecimentos situados no interior do Brasil quando comparamos a distribuição da utilização da terra entre os anos de 1940 e 1995 com a expansão da fron- teira agrícola para os estados de Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Bahia e Maranhão. Em Mato Grosso, onde têm se expandido nos últimos anos as grandes plantações de grãos, surpreende a queda sistemática do índice de Gini de 0,944, em 1975, para 0,865, em 2006.Estrutura fundiária brasileira 11 O estado de Roraima registrou tanto a maior queda no índice de Gini (-24,9%) quanto da área média dos estabelecimentos (-71,7%), o que mostra que ele caiu da posição do 6° estado com a maior desigualdade fundiária do país para a de menor desigualdade por meio do crescimento do número de estabelecimentos relativamente pequenos na região, embora estes ainda sejam grandes quando comparados à média nacional (HOFFMANN; NEY, 2010). 60.0912 Estrutura fundiária brasileira A região Sul, de modo mais específico Santa Catarina, tem valores me- nores em comparação ao restante do país, o que pode ser atribuído ao tipo migratório que ocupou a região após o início do século XX, com a cultura do campesinato trazida pela migração europeia, o pioneirismo na agricultura familiar e o sistema de cooperativismo que ainda se mantém forte e consoli- dado no século XXI. Os dados da distribuição de terras em 1995 expressam a concentração da estrutura fundiária, já que 89% dos estabelecimentos com menos de 100 hectares dispunham de apenas 20% da área ocupada, enquanto 1% das pro- priedades com mais de 1.000 hectares controlavam 45% (OLIVEIRA, 2011), discrepância que reproduz que, mesmo partindo do ponto de desenvolvimento especificamente capitalista, as relações de produção camponesas também aumentaram (OLIVEIRA, 2011). 3 Políticas agrárias brasileiras Sem dúvidas, a atividade agrícola é um dos pilares estratégicos para o desen- volvimento econômico do Brasil, tendo garantido ao longo dos anos geração de renda, de empregos e de segurança alimentar. A agricultura brasileira pode ser considerada uma atividade altamente dinâmica e moderna (GARCIA; VIEIRA FILHO, 2014), formada por uma acentuada heterogeneidade da cadeia produtiva, impulsionada principalmente pela modernização do setor agrícola e pelos incentivos políticos na década de 1950. As políticas agrárias no Brasil lutam por espaço e igualdade no campo a partir da redução do monopólio comercial dos grandes latifúndios no desen- volvimento rural. De acordo com Fernandes (2015), a elaboração de políticas públicas parte da correlação entre os interesses das classes e das forças in- terinstitucionais, podendo-se dizer que, no período dos governos militares, as políticas públicas foram desenvolvidas a partir dos interesses das corpo- rações e dos latifúndios. Entre 1950 a 1970, as políticas públicas procuraram introduzir elementos tecnológicos na dinâmica do produtor rural para aumentar a produção e a produtividade agropecuária, projeto que balizou a construção de dinâmicas produtivas e econômicas com uma agricultura mais industrial e a abertura de novos mercados (NAVARRO, 2001). Nos últimos 40 anos, a agricultura brasileira se diversificou, e, embora ainda haja marcas dos dilemas e desafiosEstrutura fundiária brasileira 13 sociais da formação econômica e social do Brasil, na atual conjuntura existe uma atuação maior da sociedade civil e do mercado no desenvolvimento econômico da agricultura. Para entender as políticas agrárias, é preciso inicialmente reconhecer que os territórios necessitam de políticas diferenciadas de desenvolvimento para os camponeses e os agricultores patronais: o agronegócio baseia suas políticas no desenvolvimento dos trabalhos assalariados e na exportação de commo- dities, enquanto o território camponês exige uma visão de desenvolvimento que fortaleça a lógica do trabalho familiar, cooperativo ou associado, para produzir produtos que atendam aos mercados locais, regionais, nacional e de exportação (FERNANDES, 2015). A primeira citação legal de critérios sociais e da função social da pro- priedade rural foi estabelecida no Estatuto da Terra em 1964 (VALADARES et al., 2013): favorecimento do bem-estar dos proprietários e trabalhadores e de suas famílias; manutenção de níveis suficientes de produtividade; amparo de recursos naturais; observância das disposições legais que regulam as relações de trabalho. incentivo à modernização no campo levou à necessidade de um inves- timento maior, tendo sido criado, em 1965, o Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR), modelo de fomento que se adaptou apenas ao produtor que tinha condições de dar garantias e se adequar ao novo modelo que visava à produção de commodities. Em 1970, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária foi criado diante de um cenário repressor no quesito social com o avanço da pobreza no campo e altos níveis de êxodo rural. Em 1985, foi anunciado o I Plano Nacional da Reforma Agrária (PNRA), que previa o assentamento de 1,4 milhão de famílias, com prazo de 4 anos, embora essa proposta tenha enfrentado intensa reação da parte governamental conservadora, formada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), pela Organização das Cooperativas do Brasil (OCB) e pela União Democrática Ruralista (UDR). Após essas intervenções (conservadoras) e 12 versões modificadas do plano, e diante da desconfiguração de seu propósito inicial, o plano acabou não sendo implementado.14 Estrutura fundiária brasileira A desapropriação de terras por interesse social é protegida pela Constituição Federal (artigo 186), que transfere grandes propriedades para trabalhadores rurais camponeses, além de contribuir para que as propriedades rurais cum- pram com as funções sociais, econômicas e ambientais, porém ainda assim os processos de desapropriação são judicialmente complexos, contraditórios e repletos de morosidade (NORDER, 2014). Ainda, dos acontecimentos importantes relacionados às políticas agrárias brasileiras, destaca-se o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), surgido em 1995, que passaria a representar o reconheci- mento e a legitimação do Estado em relação aos agricultores familiares, apenas categorizados socialmente como "pequenos", "produtores de baixa renda" e "agricultores de em um período marcado pelo elevado custo e pela escassez de crédito na agricultura (GUANZIROLI, 2007). A partir da década de 1990, já com governos neoliberais e a criação do Estado mínimo, os movimentos camponeses começaram a se manifestar, reivindicar e propor políticas de desenvolvimento rural. Em 1996, após o mas- sacre de Carajás, no Pará, foi criado o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), ação que exaltou a importância de outras vertentes da agricultura que não o agronegócio e a agricultura patronal no Brasil. Até a criação do MDA, todas as políticas públicas eram criadas dentro das delimitações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (que surgiu em 1860, ainda no Brasil imperial). As discussões territoriais e a diferenciação dos modelos de desenvolvimento territorial ganharam maior visibilidade a partir do MDA pois este se tornou o canal mais acessível de comunicação entre os movimentos sociais do campesinato e os gestores públicos (DELGADO; LEITE, 2011). Porém, apenas em 2006, com a criação da Lei 11.326, a agricultura familiar ganhou definição conceitual, evento a partir do qual os planos de desenvolvimento tenderam a diferenciar entre o agronegócio (grandes pro- priedades) e a agricultura camponesa. As disputas ligadas à terra são fruto da diferenciação de leitura de como os modelos de desenvolvimento foram construídos, já que alguns não incluíam de fato a agricultura familiar. Alguns movimentos sociais como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), o Movimento das Mulheres Camponesas (MMC) e a Confederação Nacional do Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) são exemplos de movimentos camponeses que lutaram por condições que levaram à criação dos planos safras da agricultura familiar. Nesse sentido, torna-se cada vez mais necessário o reconhecimento político e institucional de mercados de povos antes considerados "minoriasEstrutura fundiária brasileira 15 do como agricultura familiar, quilombolas, comunidades tra- dicionais e extrativistas. Nos últimos anos, as políticas governamentais de distribuição de renda contribuíram para a melhoria da qualidade de vida da população, entretanto as interpretações de seus resultados não podem desconsiderar políticas públicas que também contribuíram para tais melhorias, como o Programa Nacional de Educação e Reforma Agrária (PRONERA) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além de outras políticas relacionadas à reforma agrária (MARINHO; LINHARES; CAMPELO, 2011). Vale ressaltar, diante de todo o conflito territorial no Brasil, a presença dos povos indígenas e dos ativistas ambientais. Na Amazônia, tem-se por exemplo o movimento liderado por Chico Mendes, entre outros seringueiros, que lutaram para a implementação de reservas extrativistas não apenas como forma de preservação, mas também de renda e de reforma agrária na região (OLIVEIRA, 2011). Diante dos substanciais problemas quanto à formação e à distribuição territorial da questão fundiária no Brasil, são necessárias modificações que possibilitem a implementação de um novo modelo que envolva concepções de progresso, desenvolvimento da economia e da sociedade (PRADO JÚNIOR, 2000), e, por consequência, uma nova proposta de reforma agrária capaz de modificar a estrutura fundiária e tentar equilibrar as oportunidades. O passo para implementar novos modos de desenvolvimento territorial foi dado em 2012, com a alteração do Código Florestal brasileiro (Lei n° 12.651, de 25 de maio de 2012), contando com a participação ativa da agricultura familiar: trata-se da inserção de um registro o Cadastro Ambiental Rural (CAR) de todas as propriedades e de sua situação legal quanto ao uso do solo para minimizar os impactos negativos causados pela substituição da vegetação natural: A compreensão de onde, quando e porquê de a intensificação e as mudan- ças de uso do solo ocorrerem e como o Código interfere nestas mudanças pode auxiliar uma revisão que produza os efeitos desejados (eficazes) e que gere uma relação equilibrada entre custos e benefícios de implementação (eficiência). Para alcançar tal propósito, são necessárias pesquisas que se tenham base em modelos de uso do solo. Esses modelos são representações do atual uso do solo e de mudanças ocorridas no passado, ou que ocorrerão no futuro. São explicitamente geográficos, ou seja, geram dados espacializados que auxiliam na compreensão dos processos e determinam seus resultados quantitativo (LAMBIN; ROUNSEVELL; GEIST, 2000, documento on-line, tradução nossa).16 Estrutura fundiária brasileira Diante dos novos cenários que necessitam de olhares voltados ao desen- volvimento sustentável, o CAR representa uma importante ferramenta de gestão para conhecer as áreas produtivas e não produtivas, possibilitando a inserção de políticas de desenvolvimento territorial mais bem adaptadas à realidade do campo. Fique atento A extensão rural se diferencia conceitualmente da assistência técnica pelo fato de que esta não tem, necessariamente, um caráter educativo, pois visa somente a resolver problemas pontuais, sem capacitar produtor rural (PEIXOTO, 2008). Exemplo A maior parte dos grandes proprietários de terras é sonegadora do único imposto a que propriedades fundiárias rural estão submetidas no Brasil: Imposto Territorial Rural (ITR). De acordo com Oliveira (2011), a maioria dos posseiros se localiza na região Nordeste. Referências BRASIL. Lei 4.504, de 30 de novembro de 1964. Dispõe sobre Estatuto da Terra, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/I4504. htm. Acesso em: 20 maio 2020. BRASIL. Lei 11.326, de 24 de julho de 2006. Estabelece as diretrizes para a formulação da Política Nacional da Agricultura Familiar e Empreendimentos Familiares Rurais. Disponível em: htm. Acesso em: 20 maio 2020. BRASIL. Lei 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm Acesso em: 20 maio 2020.Estrutura fundiária brasileira 17 CARVALHO, L.H. A concentração fundiária e as políticas agrárias governamentais recentes. Revista IDeAS, Rio de Janeiro, V. 4, n. 2, p. 395-428, 2010. CELOS, J.F. direito enquanto práxis contra hegemônica e a luta pela terra na perspectiva dos movimentos sociais populares. 2007. Dissertação (Mestrado em Direito Obrigacional Pú- blico e Privado) Programa de Pós-Graduação em Direito, Faculdade de História, Direito e Serviço Social, Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho", Franca, 2007. CINTRA, J.P. As capitanias hereditárias no mapa de Luís Teixeira. Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material, São Paulo, V. 23, n. 2, p. 11-42, 2015. DELGADO, N. G.; LEITE, S.P. Políticas de desenvolvimento territorial no meio rural brasileiro: novas institucionalidades e protagonismo dos atores. 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Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.Encerra aqui 0 trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra.Conteúdo: S a SOLUÇÕES EDUCACIONAIS INTEGRADAS