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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ CAMPUS DE CRATEÚS CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA CIVIL DISCIPLINA: ENGENHARIA DE PAVIMENTOS DOCENTE: DR. NELSON DE O. QUESADO FILHO ALICIA CARDOSO DE OLIVEIRA - 476177 FRANCISCO JOSUÉ MALAQUIAS VERAS - 499084 HANIEL MENDES LIMA - 516343 MAYARA CRISTINA LIMA DO NASCIMENTO - 500602 TAYNARA MARQUES MARTINS - 517084 CARACTERIZAÇÃO DE PAVIMENTOS URBANOS EM CRATEÚS: ESTUDO DE CASO NO BAIRRO MORADA DOS VENTOS 2 CRATEÚS - CE JUNHO DE 2025 2 SUMÁRIO 1.0 INTRODUÇÃO 3 1.1 Contextualização 3 1.2 Problema e Questões Motivadoras 3 1.3 Objetivos 4 1.3.1 Objetivo geral 4 1.3.2 Objetivo específicos 4 1.4 Justificativa 4 1.5 Descrição do Bairro 5 2.0 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 5 3.0 METODOLOGIA 7 3.1 Estudo de Caso 8 4.0 CARACTERIZAÇÃO DA INFRAESTRUTURA VIÁRIA DO BAIRRO 10 5.0 MAPEAMENTO E ANÁLISE DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS 14 6.0 RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS 19 7.0 CONCLUSÃO 21 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 22 APÊNDICE 25 3 1.0 INTRODUÇÃO 1.1 Contextualização A infraestrutura de transportes é um dos pilares para o desenvolvimento econômico, social e territorial das cidades. Sob a ótica geográfica, os sistemas de transporte exercem papel determinante na configuração do espaço urbano ao promoverem fluxos dinâmicos de pessoas, bens e serviços (Pons; Reynes, 2004). Nesse contexto, a infraestrutura viária urbana, composta por vias pavimentadas e não pavimentadas, permite a integração entre bairros, facilita o acesso aos serviços públicos e potencializa o crescimento urbano ordenado. Os pavimentos, como parte essencial dessa infraestrutura, garantem o deslocamento seguro e eficiente da população e da frota de veículos, sendo, portanto, determinantes para a qualidade de vida e a funcionalidade urbana (Oliveira et al., 2013). Entretanto, diversos municípios brasileiros enfrentam problemas relacionados à conservação e à durabilidade de seus pavimentos urbanos. Tais problemas decorrem, em grande parte, da ausência de planejamento técnico adequado, da má execução das obras e da falta de manutenção sistemática. Segundo Carmo e Raia Jr. (2018), apenas 21% dos trechos urbanos avaliados em rodovias federais apresentavam simultaneamente boas condições de pavimento, geometria e sinalização, revelando um quadro de fragilidade na infraestrutura viária, especialmente em regiões de médio porte no interior do país. 1.2 Problema e Questões Motivadoras No município de Crateús, localizado no interior do estado do Ceará, essa realidade é observada em diferentes bairros, onde a pavimentação apresenta manifestações patológicas diversas, como trincas, buracos, afundamentos e desgaste superficial. Essas falhas comprometem não apenas a trafegabilidade, mas também a segurança dos usuários e a eficiência da mobilidade urbana. Nesse cenário, surgem algumas questões motivadoras: quais são as principais patologias presentes nos pavimentos urbanos do bairro Morada dos Ventos II, em Crateús? Quais fatores contribuem para o surgimento dessas falhas? Como essas informações podem subsidiar ações técnicas de manutenção e melhoria da infraestrutura viária? 4 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivo geral Analisar as condições da infraestrutura viária de um bairro no município de Crateús, Ceará, por meio da identificação das manifestações patológicas nos pavimentos, com o intuito de propor recomendações técnicas voltadas à realização de ensaios e à implementação de melhorias estruturais. 1.3.2 Objetivo específicos Nesse sentido, objetiva-se: a) Levantar dados sobre a infraestrutura viária do bairro selecionado em Crateús, Ceará, identificando e classificando as manifestações patológicas presentes nos pavimentos; b) Analisar as causas das patologias observadas, considerando aspectos estruturais, ambientais e de manutenção; c) Propor recomendações técnicas para a realização de ensaios e medidas de intervenção que visem à recuperação e melhoria da qualidade da infraestrutura viária. 1.4 Justificativa A escolha do tema justifica-se pela relevância da infraestrutura viária no cotidiano urbano e pela constatação de que falhas nos pavimentos geram impactos diretos na mobilidade, na segurança pública, no transporte de cargas e na economia local. Em cidades de porte médio, como Crateús, a urbanização crescente nem sempre é acompanhada de investimentos proporcionais em infraestrutura. Assim, torna-se necessário realizar diagnósticos técnicos que possibilitem compreender o estado atual das vias e orientar estratégias de intervenção e manutenção mais eficazes. Além disso, ao focar em um bairro específico, o estudo busca fornecer uma análise detalhada e localizada, capaz de subsidiar decisões administrativas municipais, contribuindo para uma gestão pública mais eficiente e voltada ao bem-estar coletivo. 5 1.5 Descrição do Bairro O bairro Morada dos Ventos II localiza-se na zona urbana do município de Crateús, no estado do Ceará. Trata-se de um bairro residencial em crescimento, caracterizado por ocupações recentes e por uma malha viária de aproximadamente 1,1 km de extensão. Embora apresente potencial urbanístico, o bairro enfrenta problemas relacionados à pavimentação de suas ruas, que, em muitos trechos, exibe manifestações patológicas visíveis e falta de infraestrutura adequada. Por essas razões, o bairro foi selecionado como área de estudo para a pesquisa proposta. 2.0 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA A análise e correção de manifestações patológicas em pavimentos asfálticos deve seguir diretrizes técnicas estabelecidas por normas nacionais, que orientam desde o projeto e execução até a manutenção e restauração dos sistemas viários. De acordo com o Manual de Pavimentação do DNIT (2018), as falhas mais recorrentes em pavimentos flexíveis incluem trincas, buracos, afundamentos, ondulações e desagregações, sendo essas manifestações consequência de fatores estruturais, ambientais, de tráfego ou de execução inadequada. A NBR 7207:2003 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) especifica os requisitos para o preparo e aplicação do concreto asfáltico usinado a quente, estabelecendo critérios técnicos que visam garantir a durabilidade e a resistência do revestimento. O não cumprimento desses critérios pode resultar em patologias como trincas e desagregações, com comprometimento do desempenho funcional da via. Conforme o Manual de Restauração de Pavimentos Asfálticos do DNIT (2006), a inspeção visual é uma técnica fundamental para a identificação de falhas superficiais, sendo recomendada a classificação e o mapeamento detalhado das manifestações, com o uso de registros fotográficos e georreferenciamento. Esse procedimento permite a análise espacial das ocorrências e a definição de estratégias de intervenção específicas para cada tipo de dano. Além disso, o mesmo manual destaca a importância de se considerar a capacidade estrutural do pavimento, incluindo a avaliação do subleito, da base e da camada de revestimento, a fim de identificar possíveis causas estruturais das patologias observadas, como recalques diferenciais, perda de suporte ou falhas de compactação. 6 Em relação à manutenção, o Manual de Pavimentação do DNIT (2018) propõe medidas técnicas como o remendo profundo para áreas com perda de estrutura, a selagem de trincas para prevenir infiltrações e o recapeamento asfáltico em trechos com desgaste superficial generalizado. A adoção dessas técnicas está diretamente relacionada ao prolongamento da vida útil da via e à melhoria da segurança e do conforto dos usuários. Por fim, a drenagem superficial é abordada como elemento essencial para a conservação do pavimento. O manual ressalta que a presença de água no corpo do pavimento, muitas vezes decorrente de trincas abertas ou da ausência de dispositivos adequadosde escoamento, acelera o processo de degradação das camadas estruturais e deve ser tratada com prioridade em projetos de reabilitação (DNIT, 2018). Dessa forma, o diagnóstico e a correção das manifestações patológicas em pavimentos urbanos devem seguir um conjunto de procedimentos técnicos normatizados, que envolvem o conhecimento das normas da ABNT e às recomendações dos manuais do DNIT, assegurando intervenções eficazes, seguras e duráveis. 7 3.0 METODOLOGIA Esta seção apresenta os procedimentos metodológicos utilizados para atingir os objetivos da pesquisa. A Figura 1 ilustra, por meio de um fluxograma, as etapas desenvolvidas ao longo do estudo. Figura 1: Fluxograma. Fonte: Autores, 2025. A metodologia deste estudo caracteriza-se como exploratória e descritiva, com uma abordagem quali-quantitativa, combinando técnicas de coleta e análise de dados qualitativos e quantitativos. Segundo Garcia, Nascimento e Silva (2017), a integração entre métodos qualitativos e quantitativos permite uma compreensão mais ampla e aprofundada dos fenômenos educacionais, favorecendo análises mais ricas e contextualizadas. A pesquisa foi conduzida por meio de um estudo de caso, que, conforme Yin (2010), configura-se como uma estratégia de pesquisa que permite investigar fenômenos contemporâneos inseridos em contextos reais, sendo especialmente útil para estudos técnicos 8 como os voltados à infraestrutura urbana, em que o pesquisador não tem controle sobre os eventos. O estudo teve como foco a caracterização das manifestações patológicas em pavimentos urbanos do bairro Morada dos Ventos II, no município de Crateús, Ceará. A coleta de dados ocorreu em etapas. Inicialmente, foi realizado um levantamento preliminar no local, com observações diretas das condições dos pavimentos, levando em consideração aspectos como a dimensão e a classificação das vias, o tipo de revestimento aplicado, o perfil de tráfego predominante, a condição geral das superfícies e as características climáticas da região. Em seguida, foi feito o mapeamento das ruas com maior fluxo de veículos e com sinais evidentes de desgaste ou falhas estruturais, que passaram a ser o foco das análises. As inspeções visuais em campo constituíram o principal instrumento da pesquisa, por meio do qual foram identificadas e classificadas manifestações patológicas como trincas longitudinais e transversais, panelas, afundamentos e outras patologias. Todas as ocorrências foram registradas por meio de fotografias e georreferenciamento, utilizando coordenadas geográficas para permitir uma análise espacial mais precisa dos danos. Os dados quantitativos, referentes à frequência e à distribuição das patologias, foram organizados em tabelas e gráficos, permitindo uma visualização clara da extensão dos problemas em cada trecho analisado. Já os dados qualitativos, derivados da interpretação técnica das falhas observadas, possibilitaram a identificação de causas prováveis, como falhas construtivas, inadequação do subleito ou ausência de drenagem. Com base nesses resultados, foram propostas soluções técnicas adequadas para a correção e prevenção das patologias identificadas, levando em conta a realidade local e os princípios de durabilidade e funcionalidade da infraestrutura urbana. 3.1 Estudo de Caso O estudo foi realizado no bairro Morada dos Ventos II, situado na zona urbana de Crateús, Ceará. Trata-se de uma área em expansão habitacional, com crescente demanda por infraestrutura urbana adequada. A escolha do bairro justifica-se pela visível deterioração de suas vias, aliada à importância social da região no contexto urbano do município. O levantamento em campo contemplou as vias com maior volume de tráfego e evidentes manifestações patológicas. As inspeções visuais foram sistemáticas, considerando 9 tanto aspectos técnicos quanto a frequência e a severidade das falhas encontradas. A aplicação de registros fotográficos e georreferenciados conferiu maior precisão ao mapeamento das ocorrências, contribuindo para uma análise mais detalhada da situação viária local. A abordagem permitiu não apenas documentar as condições atuais dos pavimentos, mas também subsidiar propostas de intervenções técnicas voltadas à melhoria da mobilidade urbana, da segurança viária e da durabilidade da infraestrutura. 10 4.0 CARACTERIZAÇÃO DA INFRAESTRUTURA VIÁRIA DO BAIRRO O bairro Morada dos Ventos II, localizado no município de Crateús, Ceará, apresenta uma malha viária com 1,1 km de extensão e uma largura média de 20 metros. O levantamento da infraestrutura viária da área foi realizado com base em imagens georreferenciadas, onde as vias foram classificadas por cores, de acordo com suas funções e características de tráfego, seguindo critérios técnicos de hierarquização. Figura 2: Hierarquia e função viária. Fonte: Autores, 2025. As vias representadas pela cor amarela correspondem às vias locais. Essas vias têm como principal função o acesso direto às propriedades residenciais e comerciais, suportando volumes reduzidos de tráfego e velocidades mais baixas. Elas não têm a função de conduzir grandes fluxos de veículos, sendo desenhadas para promover a conectividade entre o interior do bairro e vias de maior hierarquia. Segundo Setti (1997), vias locais são destinadas basicamente ao acesso local, com baixo volume de tráfego e sem função de interligação entre diferentes regiões. A via destacada em vermelho, identificada como Avenida Tabelião Edmar Lopes Martins, é classificada como via coletora. As vias coletoras têm a função intermediária de distribuir e coletar o tráfego das vias locais para as vias arteriais, permitindo a circulação interna em áreas urbanas. Elas apresentam uma maior capacidade de tráfego que as vias locais 11 e, geralmente, possuem sinalização e estrutura mais robustas. Conforme Borges (2005), as vias coletoras são responsáveis por encaminhar o tráfego das vias locais até as vias arteriais, servindo como elo intermediário na hierarquia viária urbana. Já as vias representadas pela cor verde são classificadas como vias arteriais. Essas vias são destinadas à movimentação de volumes mais expressivos de tráfego, conectando bairros, regiões urbanas distintas e servindo como corredores principais de circulação. Elas priorizam a fluidez do tráfego e tendem a ter controle mais rígido de acessos e interseções. De acordo com Vasconcellos (2000), as vias arteriais estruturam a circulação urbana, absorvendo grandes volumes de tráfego e promovendo o deslocamento entre zonas urbanas de maior importância funcional. Além disso, conforme levantamento visual e georreferenciado realizado durante a pesquisa, observou-se a presença significativa de manifestações patológicas no pavimento. As panelas (buracos) foram as mais recorrentes, totalizando 106 ocorrências, seguidas por trincas, trincas do tipo couro de jacaré, irregularidades de superfície e ondulações. Esses dados demonstram a degradação funcional das vias e reforçam a necessidade de intervenções técnicas. O tipo de revestimento predominante nas vias do bairro Morada dos Ventos II é o pavimento asfáltico, caracterizado por sua aplicação em áreas urbanas devido à capacidade de suportar diferentes volumes de tráfego com desempenho satisfatório quando bem mantido. No entanto, ao longo do trecho analisado, observa-se que a maioria dos trechos asfálticos apresenta sinais evidentes de desgaste, incluindo desagregações, trincas superficiais e múltiplas intervenções remendadas, o que indica manutenção corretiva pontual e não sistematizada Além disso, conforme levantamento visual e georreferenciado realizado durante a pesquisa, observou-se a presença significativa de manifestações patológicas no pavimento. As panelas (buracos) foram as mais recorrentes, totalizando 106 ocorrências, seguidas por trincas, trincasdo tipo couro de jacaré, irregularidades de superfície e ondulações. Esses dados demonstram a degradação funcional das vias e reforçam a necessidade de intervenções técnicas. 12 Gráfico 1: Distribuição das manifestações patológicas. Fonte: Autores, 2025. Quanto à condição geral dos pavimentos, verifica-se um estado variando de regular a ruim, com a presença significativa de falhas visíveis como buracos, trincamentos em bloco, remendos mal executados e desníveis ao longo das vias. Essas manifestações patológicas indicam uma degradação progressiva dos revestimentos, frequentemente associada à ausência de drenagem adequada, tráfego excessivo ou uso de materiais de baixa qualidade na execução original. Segundo Motta e Bernucci (2006), a deterioração dos pavimentos em áreas urbanas está diretamente relacionada à falta de inspeções técnicas regulares e ao descuido com as intervenções corretivas, que, quando mal planejadas, agravam os danos estruturais em vez de solucioná-los. O perfil do tráfego em Crateús (CE) apresenta um volume considerado leve a moderado, sendo composto principalmente por motocicletas, automóveis e pequenos caminhões. Esse tráfego, embora não intenso, somado às condições climáticas locais, impõe desafios significativos à durabilidade dos pavimentos rodoviários. O clima de Crateús é classificado como semiárido quente, caracterizado por temperaturas médias entre 26 °C e 28 °C, e índices pluviométricos irregulares, com precipitação anual média em torno de 731 mm a 740 mm, concentrada nos meses de janeiro a maio (Arce, 2021). 13 Gráfico 2: Precipitação média mensal em Crateús. Fonte: Autores, 2025. As temperaturas elevadas e a irregularidade das chuvas favorecem o surgimento de fissuras e danos térmicos na superfície asfáltica, pois a expansão e contração dos materiais pavimentares sob o calor intenso, especialmente no inverno nordestino e nas temperaturas máximas, comprometem a integridade estrutural das vias. Além disso, os picos pluviométricos, mesmo que breves, podem infiltrar-se em microfissuras, acelerando processos de degradação por erosão e ressecamento acelerado. Portanto, para a manutenção eficaz das vias em Crateús, é imprescindível considerar tanto o comportamento do tráfego quanto às variáveis climáticas locais, adotando técnicas de pavimentação e materiais com maior resistência térmica e flexibilidade. Segundo Oliveira (2020), as características climáticas do município, como as altas temperaturas e a escassez hídrica, exercem influência direta sobre o conforto ambiental urbano e, por extensão, sobre as infraestruturas construídas, exigindo planejamento adaptado às condições do semiárido. 14 5.0 MAPEAMENTO E ANÁLISE DAS MANIFESTAÇÕES PATOLÓGICAS O mapeamento das manifestações patológicas no bairro Morada dos Ventos II foi realizado por meio de georreferenciamento, utilizando equipamentos de GPS e imagens aéreas atualizadas. Cada falha identificada no pavimento foi registrada com coordenadas precisas, categorizada conforme as normas técnicas da ABNT NBR 9452/2016, fotografada e geolocalizada em planta para facilitar o diagnóstico e posterior planejamento das intervenções. Figura 3: Mapa de georreferenciamento. Fonte: Autores, 2025. Na representação gráfica resultante desse levantamento, utilizou-se uma codificação cromática para indicar os tipos de manifestações observadas nas vias. As áreas marcadas em verde correspondem aos trechos com panelas; as áreas em vermelho representam as trincas lineares; as regiões em azul indicam a presença de trincas do tipo couro de jacaré; e as áreas destacadas em amarelo correspondem às ondulações no pavimento. Esse método permitiu a identificação e análise detalhada de diferentes tipos de danos no revestimento asfáltico, possibilitando a quantificação e o registro sistemático das patologias presentes nas vias. 15 A primeira patologia observada com alta incidência foi a presença de panelas, também conhecidas como buracos, que se caracterizam pela perda localizada do material de revestimento, expondo as camadas inferiores do pavimento. Figura 4: Panelas da via. Fonte: Autores, 2025. De acordo com a classificação da ABNT NBR 9452, essas falhas são consideradas defeitos severos, pois afetam diretamente a integridade estrutural da via e a segurança viária. Durante o levantamento, foram identificadas 106 panelas, com diâmetros variando entre 10 cm e 85 cm, demonstrando variações de gravidade. As panelas causam desconforto aos usuários, aumentam os riscos de acidentes e comprometem o escoamento superficial da água, além de exigir intervenções corretivas frequentes. Os registros fotográficos mostram buracos profundos e com bordas irregulares, evidenciando a necessidade de intervenções urgentes. As trincas foram outra manifestação patológica frequente, caracterizadas como rupturas lineales no revestimento asfáltico, conforme a classificação da ABNT NBR 9452. Elas surgem, geralmente, em função do envelhecimento do pavimento ou do tráfego excessivo, principalmente de veículos pesados. 16 Figura 5: Trincas da via. Fonte: Autores, 2025. No estudo, foram identificadas trincas com extensões variando de 15 a 53 cm, algumas isoladas e outras com tendência à ramificação. Sua presença facilita a infiltração de água, agravando o processo de deterioração do pavimento. As imagens registradas indicam trincas longitudinais, com abertura perceptível, sinalizando um estágio intermediário de degradação. As irregularidades no asfalto foram classificadas como deformações de superfície, causadas principalmente por falhas na execução, recalques da base ou deformações acumuladas ao longo do tempo Figura 6: Irregularidades da via. Fonte: Autores, 2025. 17 Esse tipo de defeito compromete tanto o conforto da viagem quanto a funcionalidade da drenagem superficial, uma vez que favorece o acúmulo de água em determinados pontos. Durante a análise, identificou-se presença de trincas múltiplas, início de processos erosivos e remendos asfálticos com desníveis de até 10 cm entre os pontos reparados e o revestimento original. Essas falhas são visíveis em fotografias registradas, que evidenciam o contraste entre áreas remendadas e a superfície original. As ondulações representam outra deformação crítica encontrada, especialmente em trechos mais extensos das vias. Segundo a literatura técnica, essas ondulações se formam por tráfego pesado, calor excessivo ou deficiência na resistência ao cisalhamento da mistura asfáltica. Figura 7: Ondulações da via. Fonte: Autores, 2025. Os trechos afetados exibem deformações contínuas que comprometem a dirigibilidade e aumentam o risco de perda de controle dos veículos, principalmente em velocidades elevadas. Foi possível mapear áreas inteiras com ondulações, com registros fotográficos que ilustram claramente a deformação no perfil longitudinal do pavimento. Por fim, foram identificadas manifestações classificadas como trincas em forma de couro de jacaré, uma das patologias mais severas segundo as normas técnicas. Essa falha se caracteriza por um conjunto de trincas interligadas, sem direção predominante, formando padrões semelhantes à pele de um jacaré. 18 Figura 8: Fissuras tipo couro de jacaré. Fonte: Autores, 2025. Tais trincas indicam falhas estruturais significativas, geralmente decorrentes de colapso do revestimento, base ou subleito, além de drenagem deficiente e envelhecimento do material asfáltico. Foram registradas diversas áreas com trincas múltiplas e início de desagregação nas bordas, comprometendo a funcionalidade da via. As imagens captadas evidenciam a extensão desse tipo de falha, exigindo intervenções estruturais e não apenas superficiais. As manifestações patológicas observadas no bairro Morada dos VentosII estão associadas a uma combinação de fatores técnicos, ambientais e operacionais. Um dos principais fatores é o tráfego excessivo, especialmente de veículos pesados, que impõem cargas acima da capacidade projetada para o pavimento. Além disso, a ausência de manutenção preventiva contribui para o agravamento das falhas, permitindo que pequenas trincas evoluam para buracos ou deformações severas. Outro fator crítico é a infiltração de água, que ocorre por meio de trincas abertas ou sistemas de drenagem ineficientes, comprometendo as camadas inferiores do pavimento. Problemas no projeto ou na execução das camadas estruturais, como espessuras insuficientes, compactação inadequada ou uso de materiais de baixa qualidade, também foram identificados como causas relevantes. Tais deficiências reduzem a resistência do pavimento às ações do tráfego e às variações climáticas, acelerando o processo de deterioração. Como consequência, observa-se uma redução significativa da vida útil do pavimento, aumento nos 19 custos de manutenção, comprometimento da segurança dos usuários com riscos de acidentes e derrapagens, um evidente desconforto na dirigibilidade, especialmente em trechos com ondulações e desníveis acentuados. Além disso, a má funcionalidade das vias gera atrasos para os usuários, impactando negativamente a mobilidade urbana local. 6.0 RECOMENDAÇÕES TÉCNICAS Com base nas manifestações patológicas identificadas nas vias do bairro Morada dos Ventos II, incluindo panelas, trincas, irregularidades superficiais, ondulações e deformações estruturais, propõem-se um conjunto de recomendações técnicas com o objetivo de recuperar a funcionalidade da malha viária e prevenir novas ocorrências. Inicialmente, a elevada ocorrência de panelas exige intervenções de caráter emergencial. Recomenda-se a execução de serviços de tapa-buracos com o uso de material betuminoso usinado a quente, assegurando adequada compactação e nivelamento da superfície. Para garantir que esses reparos tenham durabilidade e que as causas estruturais dessas falhas sejam corretamente compreendidas, recomenda-se a realização de ensaios de compactação (Proctor e densidade in situ). Esses ensaios permitem avaliar o grau de compactação das camadas de base e sub-base, identificando pontos com deficiências que podem estar originando os afundamentos e desagregações. As trincas lineares observadas ao longo das vias devem ser tratadas por meio da selagem com materiais flexíveis, como mastiques asfálticas. Esse processo tem a finalidade de evitar a infiltração de água que possa comprometer as camadas inferiores do pavimento. Para subsidiar essa intervenção, é indispensável a inspeção visual sistemática com registro fotográfico, que As irregularidades na camada de rolamento, como desníveis acentuados e emendas mal executadas, requerem fresagem e recapeamento das áreas afetadas. Essas ações promovem a regularização da superfície e melhoram o conforto e a segurança dos usuários. A aplicação do ensaio de irregularidade longitudinal, por meio da viga Benkelman ou do Índice de Irregularidade Internacional (IRI), é fundamental para mensurar a planicidade da via e orientar a profundidade e a extensão das intervenções de fresagem. 20 Nos trechos onde foram identificadas ondulações extensas e deformações persistentes, é necessário um reforço estrutural mais profundo. Recomenda-se, nesses casos, a reconstrução localizada da base e da sub-base, com controle rigoroso da compactação, além da aplicação de uma nova camada de revestimento com espessura e qualidade compatíveis com o volume de tráfego local. Para fundamentar tecnicamente essa decisão, é indicado o ensaio de deflexão (FWD - Falling Weight Deflectometer), que avalia a capacidade estrutural do pavimento e identifica os segmentos com perda de suporte. Em conjunto, a Domingo deve ser utilizada para verificar a espessura e as condições das camadas existentes, confirmando a origem das patologias estruturais. A presença de empoçamentos, associada à degradação do pavimento, indica falhas no sistema de drenagem superficial. Portanto, torna-se necessário revisar e ampliar os dispositivos existentes, como sarjetas, bocas de lobo e caixas coletoras. A realização de uma análise técnica do sistema de drenagem, com foco na eficiência do escoamento das águas pluviais, permitirá identificar os pontos críticos onde há acúmulo de água e onde a drenagem insuficiente contribui para o avanço das patologias. Por fim, propõe-se a implantação de um programa de manutenção preventiva, com a elaboração de um cronograma contínuo de inspeções e ações corretivas pontuais. Essa estratégia visa identificar precocemente novas manifestações patológicas e possibilitar intervenções de menor custo antes que os danos se agravem. A manutenção preventiva deve ser orientada pelos dados gerados nas inspeções visuais sistemáticas, Essas recomendações não se limitam à recuperação imediata da infraestrutura viária, mas estão fundamentadas em uma abordagem técnica, preventiva e sustentável, essencial para garantir a durabilidade, a segurança e a funcionalidade das vias do bairro Morada dos Ventos II. A integração entre diagnóstico técnico preciso e soluções bem direcionadas representa um passo essencial para o avanço da qualidade da infraestrutura urbana no município de Crateús. 21 7.0 CONCLUSÃO Este estudo proporcionou um diagnóstico detalhado das manifestações patológicas presentes nos pavimentos do bairro Morada dos Ventos II, em Crateús, Ceará. Foi possível constatar que a infraestrutura viária do bairro se encontra em um estado que varia de regular a ruim, com a predominância de problemas como panelas, trincas, irregularidades na superfície, ondulações e trincas tipo "couro de jacaré". A análise demonstrou que essas patologias são resultado de uma combinação de fatores, incluindo o tráfego de veículos, a ausência de manutenção preventiva eficaz, a infiltração de água e possíveis falhas no projeto ou na execução das camadas estruturais do pavimento. As recomendações técnicas propostas são desde reparos emergenciais com tapa-buracos até a reconstrução localizada de base e sub-base, aprimoramento da drenagem e a implementação de um programa de manutenção preventiva visando não apenas corrigir os problemas existentes, mas também prevenir futuras deteriorações. A importância da realização de ensaios específicos, como os de compactação, irregularidade longitudinal e deflexão, foi ressaltada como fundamental para tomada de decisões técnicas precisas e garantir a durabilidade e a segurança das intervenções. Em suma, a recuperação e a melhoria da infraestrutura viária do bairro Morada dos Ventos II são cruciais para a mobilidade urbana, a segurança dos usuários e o bem-estar social de seus moradores. Este estudo reforça a necessidade de um planejamento técnico adequado e de investimentos contínuos em manutenção, essenciais para promover o desenvolvimento ordenado e a qualidade de vida em municípios como Crateús. A implementação dessas recomendações representa um passo significativo em direção a uma gestão viária mais eficiente e sustentável para o município. 22 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS – ABNT. NBR 7207: Concreto Asfáltico Usinado a Quente – Preparo e Aplicação. Rio de Janeiro, 2003. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7181:2016 – Análise granulométrica. Rio de Janeiro: ABNT, 2016. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 7182:2016 – Solo – Ensaio de compactação. Rio de Janeiro: ABNT, 2016. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. 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