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18P - Português LPOR1A1-3 - Classes Gramaticais Questão 1 (Puccamp 2016) Editorial Na rotina de mãe de quatro fi lhos, a escritora israelense Ayelet Waldman começou a detectar em si mesma e em outras mães que conhecia uma ansiedade persistente, disparada pela frustração de não corresponder às próprias expectativas em relação à maternidade. Para piorar seu tormento, 1aonde quer que fosse, encontrava mulheres sempre prontas a apontar o dedo para seus defeitos, numa espécie de polícia materna, onipresente e onisciente. Em uma conversa deliciosa com a Revista em Dia, Ayelet discorre sobre as agruras das mães ruins, categoria na qual hoje se encaixa, e com orgulho. 2E ajuda a dissipar, com humor, o minhocário que não raro habita a cabeça das mães. Minhocário que, aliás, se não for bem administrado, pode levar a problemas muito mais sérios. 3É o que você verá na reportagem da página 14, que traz o foco para a depressão durante a gravidez. Poucos sabem, mas a doença pode ser deflagrada nessa fase e é bom que tanto as gestantes como outras pessoas ao redor fiquem atentas para que as mulheres nessa situação possam receber o apoio necessário. A revista também traz temas para quem a maternidade já é assunto menos relevante 4nesse momento da vida. Se você é daquelas que entraram ou consideram entrar na onda da corrida, terá boas dicas na página 18. 5Caso já esteja reduzindo o ritmo, quem sabe encontre inspiração para espantar a monotonia na crônica da página 8. Esperamos, com um grãozinho aqui, outro ali , poder contribuir um pouco para as várias facetas que compõem uma mulher saudável e de bem consigo mesma. Comenta-se com correção: a) (referência 3) A palavra você não é, aqui, um pronome de tratamento, mas um pronome indefinido, indicando “pessoa não identificada”, “alguém”, como em “Se você adoece, é descontado em seu salário”. b) (referência 4) A coesão realizada pelo pronome esse supõe a relação com um dado oferecido pelo contexto: trata-se do momento em que a mulher não está especialmente preocupada com a maternidade. c) (referência 5) Uma crônica é oferecida a quem lê; a coerência do texto não imporia qualquer l imite felipe13games@gmail.c om à crônica citada: pode tratar de qualquer assunto, que garantirá inspiração ao leitor pretendido. d) (referência 1) Levando em conta que o significado da palavra é “ao lugar em que”, aonde está empregada em desacordo com as normas gramaticais. e) (referência 2) Se outra formulação para o segmento E ajuda a dissipar fosse “E ajuda que se dissipa”, não haveria prejuízo da correção original. f) Não sei Questão 2 (Unifesp 2016) “Sermão de Santo Antônio aos peixes” de Antônio Vieira (1608-1697) A primeira cousa que me desedifica, peixes, de vós, é que vos comeis uns aos outros. Grande escândalo é este, mas a circunstância o faz ainda maior. Não só vos comeis uns aos outros, senão que os grandes comem os pequenos. [...] Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens. Olhai, peixes, lá do mar para a terra. Não, não: não é isso o que vos digo. Vós virais os olhos para os matos e para o sertão? Para cá, para cá; para a cidade é que haveis de olhar. Cuidais que só os tapuias se comem uns aos outros, muito maior açougue é o de cá, muito mais se comem os brancos. Vedes vós todo aquele bulir, vedes todo aquele andar, vedes aquele concorrer às praças e cruzar as ruas: vedes aquele subir e descer as calçadas, vedes aquele entrar e sair sem quietação nem sossego? Pois tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão de comer, e como se hão de comer. [...] Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, senão declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a plebe e os plebeus, que são os mais pequenos, os que menos podem, e os que menos avultam na república, estes são os comidos. E não só diz que os comem de qualquer modo, senão que os engolem e os devoram: Qui devorant. Porque os grandes que têm o mando das cidades e das províncias, não se contenta a sua fome de comer os pequenos um por um, poucos a poucos, senão que devoram e engolem os povos inteiros: Qui devorant plebem meam. E de que modo se devoram e comem? Ut cibum panis: não como os outros comeres, senão como pão. A diferença que há entre o pão e os outros comeres é que, para a carne, há dias de carne, e para o peixe, dias de peixe, e para as frutas, diferentes meses no ano; porém o pão é comer de todos os dias, que sempre e continuadamente se come: e isto é o que padecem os pequenos. São o pão cotidiano dos grandes: e assim como pão se come com tudo, assim com tudo, e em tudo são comidos os miseráveis pequenos, não tendo, nem fazendo ofício em que os não carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant plebem meam, ut cibum panis. Parece-vos bem isto, peixes? (Antônio Vieira. Essencial, 2011.) “Santo Agostinho, que pregava aos homens, para encarecer a fealdade deste escândalo mostrou-lho nos peixes; e eu, que prego aos peixes, para que vejais quão feio e abominável é, quero que o vejais nos homens.” (1º parágrafo) Nas duas ocorrências, o termo “para” estabelece relação de a) consequência. felipe13games@gmail.c om b) conformidade. c) proporção. d) finalidade. e) causa. f) Não sei Questão 3 (Unifesp 2016) “Mineirinho” de Clarice Lispector (1925-1977), publicada na revista Senhor em 1962 É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que está doendo a morte de um 1facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram 2Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um confl ito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: “O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no céu”. Respondi-lhe que “mais do que muita gente que não matou”. Por quê? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim. Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me faz ouvir o primeiro e o segundo tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina — porque eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro. Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos. Até que treze tiros nos acordam, e com horror digo tarde demais – vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu – que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. E de uma vida inteira, por Deus, o que se salvaàs vezes é apenas o erro, e eu sei que não nos salvaremos enquanto nosso erro não nos for precioso. Meu erro é o meu espelho, onde vejo o que em silêncio eu fiz de um homem. Meu erro é o modo como vi a vida se abrir na sua carne e me espantei, e vi a matéria de vida, placenta e sangue, a lama viva. Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. (Clarice Lispector. Para não esquecer, 1999.) 1facínora: diz-se de ou indivíduo que executa um crime com crueldade ou perversidade acentuada. 2Mineirinho: apelido pelo qual era conhecido o criminoso carioca José Miranda Rosa. Acuado pela polícia, acabou crivado de balas e seu corpo foi encontrado à margem da Estrada Grajaú- Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. felipe13games@gmail.c om Em “Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto” (1º parágrafo), o termo em destaque constitui a) um pronome. b) uma conjunção. c) um advérbio. d) um artigo. e) uma preposição. f) Não sei Questão 4 (Ufrgs 2016) Quando a 1economia 2política clássica nasceu, no Reino Unido e na França, ao final do século XVIII e início do século XIX, a questão da distribuição da renda já se encontrava no centro de todas as análises. Estava claro que 3transformações radicais entraram em curso, propelidas pelo crescimento 4demográfico sustentado – inédito até então – e pelo início do êxodo rural e da Revolução Industrial. Quais seriam as consequências sociais dessas mudanças? Para Thomas Malthus, que 5publicou em 1798 seu Ensaio sobre o princípio da população, não restava dúvida: a superpopulação era uma ameaça. Preocupava-se especialmente com a situação dos franceses 1 vésperas da Revolução de 1789, quando havia miséria generalizada no campo. 6Na época, a França era 7de longe o país mais populoso da Europa: por volta de 1700, já contava com mais de 20 milhões de habitantes, enquanto o Reino Unido tinha pouco mais de 8 milhões de pessoas. A 8população francesa se expandiu em ritmo crescente ao longo do século XVIII, aproximando-se dos 30 milhões. Tudo leva a crer que esse 9dinamismo demográfico, desconhecido nos séculos anteriores, contribuiu para a 10estagnação dos salários no campo e para o aumento dos rendimentos associados à 11propriedade da terra, sendo, portanto, um dos fatores que levaram 2 Revolução Francesa. 12Para evitar que torvelinho 13similar vitimasse o Reino Unido, Malthus argumentou que 14toda assistência aos 15pobres deveria ser suspensa de imediato e a taxa de natalidade deveria ser severamente controlada. Já David Ricardo, que publicou em 1817 os seus Princípios de economia política e tributação, preocupava-se com a 16evolução do preço da terra. Se o crescimento da população e, 17consequentemente, da produção agrícola se prolongasse, a terra tenderia a se 18tornar escassa. De acordo com a lei da oferta e da procura, o preço do bem escasso – a terra – deveria subir de modo contínuo. No l imite, 19os donos da terra receberiam uma parte cada vez mais significativa da renda nacional, e o 20restante da população, uma parte cada vez mais reduzida, 21destruindo o equil íbrio social. De fato, 22o valor da terra permaneceu alto por algum tempo, mas, ao longo de século XIX, caiu em relação 3 outras formas de riqueza, à medida que diminuía o peso da agricultura na renda das nações. 23Escrevendo nos anos de 1810, Ricardo não poderia antever a importância que o progresso tecnológico e o crescimento industrial teriam ao longo das décadas seguintes para a evolução da distribuição da renda. Adaptado de: PIKETTY, T. O Capital no Século XXI. Trad. de M. B. de Bolle. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2014. p.11-13. Geralmente, substantivos denotam seres ou coisas. Às vezes, no entanto, podem denotar ação ou processo. Assinale a alternativa que contém um substantivo que, no texto, denota processo. felipe13games@gmail.c om a) economia (ref. 1) b) estagnação (ref.10) c) similar (ref. 13) d) tornar (ref. 18) e) restante (ref. 20) f) Não sei Questão 5 (Enem 2015) A rapidez é destacada como uma das qualidades do serviço anunciado, funcionando como estratégia de persuasão em relação ao consumidor do mercado gráfico. O recurso da l inguagem verbal que contribui para esse destaque é o emprego a) do termo “fácil” no início do anúncio, com foco no processo. b) de adjetivos que valorizam a nitidez da impressão. c) das formas verbais no futuro e no pretérito, em sequência. felipe13games@gmail.c om d) da expressão intensificadora “menos do que” associada à qualidade. e) da locução “do mundo” associada a “melhor”, que quantifica a ação. f) Não sei Questão 6 (Unesp 2015) A gente Honório Cota Quando o coronel João Capistrano Honório Cota mandou erguer o sobrado, tinha pouco mais de trinta anos. Mas já era homem sério de velho, reservado, cumpridor. Cuidava muito dos trajes, da sua aparência medida. O jaquetão de casimira inglesa, o colete de linho atravessado pela grossa corrente de ouro do relógio; a calça é que era como a de todos na cidade — de brim, a não ser em certas ocasiões (batizado, morte, casamento — então era parelho mesmo, por igual), mas sempre muito bem passada, o vinco perfeito. Dava gosto ver: O passo vagaroso de quem não tem pressa — o mundo podia esperar por ele, o peito magro estufado, os gestos lentos, a voz pausada e grave, descia a rua da Igreja cumprimentando cerimoniosamente, nobremente, os que por ele passavam ou os que chegavam na janela muitas vezes só para vê-lo passar. Desde longe a gente adivinhava ele vindo: alto, magro, descarnado, como uma ave pernalta de grande porte. Sendo assim tão descomunal, podia ser desajeitado: não era, dava sempre a impressão de uma grande e ponderada figura. Não jogava as pernas para os lados nem as trazia abertas, esticava-as feito medisse os passos, quebrando os joelhos em reto. Quando montado, indo para a sua Fazenda da Pedra Menina, no cavalo branco ajaezado de couro trabalhado e prata, aí então sim era a grande, imponente figura, que enchia as vistas. Parecia um daqueles cavaleiros antigos, fugidos do Amadis de Gaula ou do Palmeirim, quando iam para a guerra armados cavaleiros. Ópera dos mortos, 1970. de Autran Dourado (1926- 2012) Analisando o último período do terceiro parágrafo, verifica-se que a palavra “feito” é empregada como a) advérbio. b) verbo. c) substantivo. d) adjetivo. e) conjunção. f) Não sei. felipe13games@gmail.c om Questão 7 (Fuvest 2015) Tornando da malograda espera do tigre, 1alcançou o capanga um casal de velhinhos, 2que seguiam diante dele o mesmo caminho, e conversavam acerca de seus negócios particulares. Das poucas felipe13games@gmail.c om palavras que apanhara, percebeu Jão Fera 3que destinavam eles uns cinquenta mil-réis, tudo quanto possuíam, à compra de mantimentos, a fim de fazer um moquirão*, com que pretendiam abrir uma boa roça. - Mas chegará, homem? perguntou a velha. - Há de se espichar bem, mulher! Uma voz os interrompeu: - Por este preço dou eu conta da roça! - Ah! É nhô Jão! Conheciam os velhinhos o capanga, a quem tinham por homem de palavra, e de fazer o que prometia. Aceitaram sem mais hesitação; e foram mostrar o lugar que estava destinado para o roçado. Acompanhou-os Jão Fera; porém, 4mal seus olhos descobriram entre os utensílios a enxada, a qual ele esquecera um momento no afã de ganhar a soma precisa, que sem mais deu costas ao par de velhinhos e foi-se deixando-os embasbacados. ALENCAR, José de. Til. *moquirão = mutirão (mobilização coletiva para auxílio mútuo, de caráter gratuito). Considerada no contexto, a palavra sublinhada no trecho “mal seus olhos descobriram entre os utensíl ios a enxada” (ref. 4) expressa: a) tempo. b) qualidade. c) intensidade. d) modo. e) negação. f) Não sei. felipe13games@gmail.c om Questão 8 (Unifesp 2015) Você conseguiria ficar 99 dias sem o Facebook? Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio que muitos poderão considerar impossível: 1ficar 99 dias sem dar nem uma “olhadinha” no Facebook. O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.O projeto também é uma resposta aos experimentos psicológicos realizados pelo próprio Facebook. A diferença neste caso é que o teste é completamente voluntário. Ironicamente, para poder participar, o usuário deve trocar a foto do perfi l no Facebook e postar um contador na rede social. Os pesquisadores irão avaliar o grau de satisfação e felicidade dos participantes no 33º dia, no 66º e no último dia da abstinência. felipe13games@gmail.c om Os responsáveis apontam que os usuários do Facebook gastam em média 17 minutos por dia na rede social. Em 99 dias sem acesso, a soma média seria equivalente a mais de 28 horas, 2que poderiam ser uti l izadas em “atividades emocionalmente mais realizadoras”. (http://codigofonte.uol.com.br. Adaptado.) Examine as passagens do primeiro parágrafo do texto: “Uma organização não governamental holandesa está propondo um desafio” “O objetivo é medir o grau de felicidade dos usuários longe da rede social.” A uti l ização dos artigos destacados justifica-se em razão a) da retomada de informações que podem ser facilmente depreendidas pelo contexto, sendo ambas equivalentes semanticamente. b) de informações conhecidas, nas duas ocorrências, sendo possível a troca dos artigos nos enunciados, pois isso não alteraria o sentido do texto. c) da generalização, no primeiro caso, com a introdução de informação conhecida, e da especificação, no segundo, com informação nova. d) da introdução de uma informação nova, no primeiro caso, e da retomada de uma informação já conhecida, no segundo. e) de informações novas, nas duas ocorrências, motivo pelo qual são introduzidas de forma mais generalizada. f) Não sei felipe13games@gmail.c om Questão 9 (Ufrgs 2015) Viagens, cofres mágicos com promessas sonhadoras, não mais 5revelareis 6vossos tesouros intactos! Hoje, quando i lhas polinésias afogadas em concreto se transformam em porta-aviões ancorados nos mares do Sul, quando as favelas corroem a África, quando a aviação 9avilta a floresta americana antes mesmo de poder 7destruir-lhe a virgindade, de que modo poderia a pretensa 10evasão da viagem conseguir outra coisa que não 14confrontar-nos 15com as formas mais miseráveis de nossa existência histórica? 18Ainda 22assim, compreendo a paixão, a loucura, o equívoco das narrativas de viagem. Elas 16criam a i lusão daquilo 1__________ não existe mais, mas 2__________ ainda deveria existir. Trariam nossos modernos Marcos Polos, das mesmas terras distantes, desta vez em forma de fotografias e relatos, as especiarias morais 3_________ nossa sociedade experimenta uma necessidade aguda ao se sentir 11soçobrar no tédio? É assim que me identifico, viajante procurando em vão reconstituir o exotismo com o auxíl io de fragmentos e de destroços. 19Então, 26insidiosamente, a i lusão começa a tecer suas armadilhas. Gostaria de ter vivido no tempo das verdadeiras viagens, quando um espetáculo ainda não estragado, contaminado e maldito se oferecia em todo o seu esplendor. 20Uma vez 12encetado, o jogo de conjecturas não tem mais fim: quando se deveria visitar a Índia, em que época o estudo dos selvagens brasileiros poderia levar a conhecê-los felipe13games@gmail.c om na forma menos alterada? Teria sido melhor chegar ao Rio no século XVIII? Cada década para 23trás 29permite 27salvar um costume, 28ganhar uma festa, 17parti lhar uma crença suplementar. 21Mas conheço bem demais os textos do passado para não saber que, me privando de um século, renuncio a perguntas dignas de enriquecer minha reflexão. E eis, diante de mim, o círculo intransponível: quanto menos as culturas tinham condições de se comunicar entre si, menos também os emissários 8respectivos eram capazes de perceber a riqueza e o significado da diversidade. No final das contas, sou prisioneiro de uma 32alternativa: 30ora viajante antigo, confrontado com um prodigioso espetáculo do qual quase tudo lhe escapava 24— ainda pior, inspirava troça ou desprezo 25—, 31ora viajante moderno, correndo atrás dos vestígios de uma realidade desaparecida. Nessas duas situações, sou perdedor, pois eu, que me lamento diante das sombras, talvez seja impermeável ao verdadeiro espetáculo que está tomando forma neste instante, mas 4__________ observação, meu grau de humanidade ainda 13carece da sensibil idade necessária. 33Dentro de alguma centena de anos, neste mesmo lugar, outro viajante pranteará o desaparecimento do que eu poderia ter visto e que me escapou. Adaptado de: LÉVI-STRAUSS, C. Tristes trópicos. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. p. 38-44. Considere as seguintes afirmações acerca de expressões e trechos do texto. I. O emprego do advérbio insidiosamente (ref. 26) enfatiza o caráter enganador das i lusões a que se refere o texto naquela passagem. II. Os segmentos iniciados pelas formas verbais salvar (ref. 27) ganhar (ref. 28) e partilhar (ref. 17) estão em paralelismo sintático que indica serem, os três, complementos de permite (ref. 29). III. O emprego de ora ... ora (refs. 30 e 31) está relacionado ao sentido da palavra alternativa (ref. 32). Quais estão corretas? a) Apenas I. b) Apenas II. c) Apenas III. d) Apenas I e II. e) I, II e III. f) Não sei. felipe13games@gmail.c om Questão 10 (Ufrgs 2015) 01. À porta do Grande Hotel, pelas duas da 02. tarde, Chagas e Silva postava-se de palito à 03. boca, como se tivesse descido do restaurante 04. lá de cima. Poderia parecer, pela estampa, 05. que somente ali se comesse bem em Porto felipe13games@gmail.c om 06. Alegre. Longe disso! A Rua da Praia que o 07. diga, ou melhor, que o dissesse. O faz de 08. conta do inefável personagem ligava-se mais 09. à importância, à moldura que aquele portal 10. lhe conferia. Ele, que tanto marcou a rua, 11. tinha franco acesso às poltronas do saguão 12. em que se refestelavam os importantes. 13. Andava dentro de um velho fraque, usava 14. gravata, chapéu, bengala sob o braço, barba 15. curta, polainas e uns olhinhos apertados na 16 ......... bronzeada. O charuto apagado na boca, 17. para durar bastante, era o toque final dessa 18. composição de pardavasco vindo das Alagoas. 19. Chagas e Silva chegou a Porto Alegre em 20. 1928. Fixou-se na Rua da Praia, que percorria 21. com passos lentos, carregando um ar de 22. indecifrável importância, tão ao jeito dos 23. grandes de então. Os estudantes tomaram 24. conta dele. Improvisaram comícios na praça, 25. carregando-o nos braços e fazendo-o 26. discursar. Dava discretas mordidas e 27. consentia em que lhe pagassem o cafezinho. 28. Mandava imprimir sonetos, que "trocava" por 29. dinheiro. 30. Não era de meu propósito ocupar-me do 31. "doutor" Chagas e, sim, de como se comia 32. bem na Rua da Praia de antigamente. Mas ele 33. como que me puxou pela manga e levou-me 34. a visitar casas por onde sua imaginação de 35. longe esvoaçava. 36. Porto Alegre, sortida por tradicionais 37. armazéns de especialidades, dispunha da 38. melhor matéria-prima para as casas de pasto. 39. Essas casas punham ao alcance dos gourmets 40. virtuosíssimos "secos e molhados" vindos de 41. Portugal, da Itál ia, da França e da Alemanha. 42. Daí um longo e ........ período de boa comida, 43. para regalo dos homens de espírito e dos que 44. eram mais estômago que outra coisa. 45. Na arte de comer bem, talvez a dificuldade 46. fosse a da escolha. Para qualquer lado que o 47. passante se virasse, encontraria salões 48. ornamentados, .... .. .. maiores ou menores, 49. tabernas ou simples tascas. Adaptado de: RUSCHEl, Nilo. Rua da Praia. Porto Alegre: Editora da Cidade, 2009. p. 110-111. Assinale, entre as alternativas a seguir, a que apresenta palavras pertencentes à mesma classe gramatical. a) se (l . 03) e se (l . 20) b) disso (l . 06) e melhor (l . 07) c) disso (l . 06) e melhor (l . 07) d) importância (l . 09) e dificuldade (l . 45) felipe13games@gmail.c om e) franco (l . 11) e dentro (l . 13) f) Não sei Questão 11 (Unifesp 2014) Casimiro de Abreu pertence à geração dos poetas que morreram prematuramente, na casa dos vinteanos, como Álvares de Azevedo e outros, acometidos do “mal” byroniano. Sua poesia, reflexo autobiográfico dos transes, imaginários e verídicos, que lhe agitaram a curta existência, centra-se em dois temas fundamentais: a saudade e o l irismo amoroso. Graças a tal fundo de juvenil idade e timidez, sua poesia saudosista guarda um não sei quê de infanti l . (Massaud Moisés. A literatura brasileira através dos textos, 2004. Adaptado.) Os substantivos do texto derivados pelo mesmo processo de formação de palavras são a) juvenil idade e timidez. b) geração e byroniano. c) reflexo e imaginários. d) prematuramente e autobiográfico. e) saudade e infanti l . f) Não sei. felipe13games@gmail.c om Questão 12 (Ufrgs 2014) O que havia de tão revolucionário na Revolução Francesa? Soberania popular, l iberdade civi l , igualdade perante a lei – 1as palavras hoje são ditas com tanta facil idade que somos incapazes de imaginar seu caráter explosivo em 1789. Para os franceses do Antigo Regime, 6os homens eram 8desiguais, e a desigualdade era uma boa coisa, adequada à ordem hierárquica que 2fora posta na natureza pela própria obra de Deus. A l iberdade significava privi légio – isto é, l iteralmente, 12“lei privada”, uma prerrogativa 13especial para fazer algo negado a outras pessoas. O rei, como fonte de toda a lei, distribuía privi légios, 3pois havia sido 19ungido como 16o agente de Deus na terra. Durante todo 17o século XVIII, os fi lósofos do Iluminismo questionaram esses 9pressupostos, e os panfletistas profissionais conseguiram 14empanar 20a aura sagrada da coroa. Contudo, a desmontagem do quadro mental do Antigo Regime demandou violência iconoclasta, destruidora do mundo, revolucionária. 7Seria ótimo se pudéssemos associar 18a Revolução exclusivamente à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, mas ela nasceu na violência e imprimiu seus princípios em um mundo violento. Os conquistadores da Basti lha 24não se l imitaram a destruir 21um símbolo do despotismo real. 4Entre eles, 150 foram mortos ou feridos no assalto à prisão e, quando os sobreviventes apanharam o diretor, cortaram sua cabeça e desfi laram-na por 25Paris 22na ponta de uma lança. felipe13games@gmail.c om Como podemos captar esses momentos de loucura, quando tudo parecia possível e o mundo se afigurava como uma tábula rasa, apagada por uma onda de comoção popular e pronta para ser redesenhada? Parece incrível que um povo inteiro fosse capaz de se levantar e transformar as condições da vida cotidiana. Duzentos anos de experiências com admiráveis mundos 26novos tornaram-nos 15céticos quanto ao 10planejamento social. 27Retrospectivamente, a Revolução pode parecer um 23prelúdio ao 11totalitarismo. Pode ser. Mas um excesso de visão 28histórica retrospectiva pode distorcer o panorama de 1789. Os revolucionários franceses não eram nossos contemporâneos. E eram um conjunto de pessoas não excepcionais em circunstâncias excepcionais. Quando as coisas se 29desintegraram, eles reagiram a uma necessidade imperiosa de dar-lhes sentido, ordenando a sociedade segundo novos princípios. Esses princípios ainda permanecem como uma denúncia da tirania e da injustiça. 5Afinal, em que estava empenhada a Revolução Francesa? Liberdade, igualdade, fraternidade. Adaptado de: DARNTON, Robert. O beijo de Lamourette. In: ____. O beijo de Lamourette: mídia, cultura e revolução. São Paulo: Cia. das Letras, 2010. p. 30-39. A separação de alguns adjuntos adverbiais antecipados é opcional em português, e, em alguns casos, é realizada para dar-lhes destaque. Considere, nessa perspectiva, as seguintes sugestões de alteração de emprego de vírgula com relação ao texto. 1. Inserção de vírgula imediatamente após novos (ref. 26). 2. Retirada da vírgula que ocorre imediatamente após Retrospectivamente (ref. 27). 3. Inserção de vírgula imediatamente após histórica (ref. 28). 4. Retirada da vírgula que ocorre imediatamente após desintegraram (ref 29). Quais preservariam a correção em termos de pontuação? a) Apenas 1. b) Apenas 2. c) Apenas 1 e 4. d) Apenas 2 e 4. e) Apenas 3 e 4. f) Não sei felipe13games@gmail.c om Questão 13 (Enem 2013) felipe13games@gmail.c om Nessa charge, o recurso morfossintático que colabora para o efeito de humor está indicado pelo(a) a) emprego de uma oração adversativa, que orienta a quebra da expectativa ao final. b) uso de conjunção aditiva, que cria uma relação de causa e efeito entre as ações. c) retomada do substantivo “mãe”, que desfaz a ambiguidade dos sentidos a ele atribuídos d) uti l ização da forma pronominal “la”, que reflete um tratamento formal do fi lho em relação à “mãe”. e) repetição da forma verbal “é”, que reforça a relação de adição existente entre as orações. f) Não sei felipe13games@gmail.c om Questão 14 (Unesp 2013) Os donos da comunicação Os presidentes, os ditadores e os reis da Espanha que se cuidem porque os donos da comunicação duram muito mais. Os ditadores abrem e fecham a imprensa, os presidentes xingam a TV e os reis da Espanha cassam o rádio, mas, quando a gente soma tudo, os donos da comunicação ainda tão por cima. Mandam na economia, mandam nos intelectuais, mandam nas moças fofinhas que querem aparecer nos shows dos horários nobres e mandam no society que morre se o nome não aparecer nas colunas. Todo mundo fala mal dos donos da comunicação, mas só de longe. E ninguém fala mal deles por escrito porque quem fala mal deles por escrito nunca mais vê seu nome e sua cara nos “veículos” deles. Isso é assim aqui, na Bessarábia e na Baixa Betuanalândia. Parece que é a lei. O que também é muito justo porque os donos da comunicação são seres lá em cima. Basta ver o seguinte: nós, pra sabermos umas coisinhas, só sabemos delas pela mídia deles, não é mesmo? Agora vocês já imaginaram o que sabem os donos da comunicação que só deixam sair 10% do que sabem? Pois é; tem gente que faz greve, faz revolução, faz terrorismo, todas essas besteiras. Corajoso mesmo, eu acho, é falar mal de dono de comunicação. Aí tua revolução fica xinfrim, teu terrorismo sai em corpo 6 e se você morre vai lá pro fundo do jornal em quatro l inhas. felipe13games@gmail.c om (Millôr Fernandes. Que país é este?, 1978.) No último período do texto, a discrepância dos possessivos teu e tua (segunda pessoa do singular) com relação ao pronome de tratamento você (terceira pessoa do singular) justifica-se como a) possibil idade permitida pelo novo sistema ortográfico da l íngua portuguesa. b) um modo de escrever característico da l inguagem jornalística. c) emprego perfeitamente correto, segundo a gramática normativa. d) aproveitamento esti l ístico de um uso do discurso coloquial. e) intenção de agredir com mau discurso os donos da comunicação. f) Não sei. felipe13games@gmail.c om Questão 15 (Unifesp 2013) O silêncio é a matéria significante por excelência, um continuum significante. O real da comunicação é o silêncio. E como o nosso objeto de reflexão é o discurso, chegamos a uma outra afirmação que sucede a essa: o silêncio é o real do discurso. O homem está “condenado” a significar. Com ou sem palavras, diante do mundo, há uma injunção à “interpretação”: tudo tem de fazer sentido (qualquer que ele seja). O homem está irremediavelmente constituído pela sua relação com o simbólico. Numa certa perspectiva, a dominante nos estudos dos signos, se produz uma sobreposição entre linguagem (verbal e não-verbal) e significação. Disso decorreu um recobrimento dessas duas noções, resultando uma redução pela qual qualquer matéria significante fala, isto é, é remetida à linguagem (sobretudo verbal) para que lhe seja atribuído sentido. Nessa mesma direção, coloca-se o “império do verbal” em nossas formas sociais: traduz-se o silêncio em palavras. Vê-se assim o silêncio como linguagem e perde-se sua especificidade, enquanto matéria significante distinta da linguagem. (Eni Orlandi. As formas do silêncio, 1997.) Na oração do 4º parágrafo – [...] para que lhe seja atribuído sentido. –, o pronome “lhe” substituia expressão a) um recobrimento. b) uma redução. c) l inguagem e significação. d) qualquer matéria significante. felipe13games@gmail.c om e) o si lêncio. f) Não sei 18P - Português LPOR1A1-3 - Classes Gramaticais