Art. 5º da Constituição comentado
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Art. 5º da Constituição comentado

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Análise e síntese dos 78 incisos do artigo 5º da
Constituição Federal do Brasil e de suas
principais idéias, feita por Kamila Venuto de
Souza e Gabriel Freitas Angst.

Art. 5o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no
País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

O artigo 5º trata dos direitos e deveres individuais e coletivos que são objeto dos incisos I ao
LXXVIII e parágrafos. Estes são, em suma, os princípios fundamentais hoje genericamente
denominados Direitos Humanos.

O Caput do artigo 5º garante o princípio da isonomia, assegurando aos brasileiros (natos e
naturalizados) e aos estrangeiros residentes no país os direitos nele elencados (há autores que
afirmam que os turistas também têm os direitos do artigo 5º, e o caput desse artigo estaria com
falha de construção; há também quem diga que a Constituição quis dizer isso mesmo, e os turistas
seriam protegidos por tratados internacionais [{§3º} Leonardo Martins]. O princípio da isonomia é
um princípio jurídico informador de toda a ordem constitucional. A igualdade pode ser formal ou
material. Fala-se em igualdade formal [perante a lei] quando todos são tratados da mesma
maneira (igualdade perante a lei), e em igualdade material [real; na lei] quando os mais fracos
recebem um tratamento especial no intuito de se aproximar aos mais fortes.

O termo igualdade pode ser interpretado de duas formas: 1. a primeira no
sentido de dar aos cidadãos as mesmas regras (“todos são iguais perante à Lei”) –
sentido de “Igualdade Formal”; 2. o segundo no sentido de conceder a cada cidadão
a devida norma, prezando por suas diferenças e igualdades (Conceito Aristotélico de
justiça ) – sendo este no sentido de “Igualdade Material”.

“A legislação não pode diferenciar de forma arbitrária os indivíduos, para tanto considera-se
três finalidades fundamentais: 1º - A limitação do legislador - O legislador está obrigado no
exercício de sua função legislativa a respeitar o principio da igualdade não podendo por meio de
leis diferenciar abusivamente e até mesmo arbitrariamente as pessoas; 2º - Limitação ao
intérprete - Diz respeito principalmente à autoridade pública. Podemos citar como exemplo a
limitação ao poder judiciário quando tribunais diferentes ao aplicar a mesma lei a fatos idênticos
dão diversas interpretações aos casos concretos, neste caso caberá recurso especial para o STJ
garantir o principio da igualdade; 3º - Limitação aos particulares - Os particulares em suas
relações devem respeitar o princípio da igualdade, impedindo que façam discriminações abusivas,
para tanto poderão responder pelos seus atos, como por exemplo: responder por danos morais ou
constrangimento ilegal, etc”.

São características dos direitos fundamentais:
a) historicidade: tiveram origem no Cristianismo;
b) universalidade: são destinados a todos os seres humanos;
c) limitabilidade: não são absolutos. Dois direitos fundamentais podem se chocar, hipótese

em que o exercício de um implicará a invasão do âmbito de proteção de outro. Nesse caso, exige-
se um regime de cedência recíproca;

d) concorrência: podem ser “acumulados” (um mesmo titular pode ter diversos direitos);
e) irrenunciabilidade: os indivíduos não podem dispor desses direitos;
f) inalienabilidade;
g) imprescritibilidade: não há perda pelo não-exercício;

Direito Constitucional: Artigo 5º
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É preciso lembrar que os direitos fundamentais não são apenas os numerados pelo Título II
da Constituição, podendo ser encontrados esparsamente. E, por fim, não esquecer que, segundo o
artigo 60, §4º da Constituição Federal, todos os direitos e garantias individuais (o artigo 5º por
completo) são cláusulas pétreas, sem prejuízo das demais enumeradas.

Completa ainda o caput a garantia da inviolabilidade do direito à vida (o Estado deverá
promover todas as ações necessárias à saúde das pessoas, criando e mantendo hospitais, por
exemplo), o princípio da liberdade, o princípio do direito à segurança (segurança contra assaltos,
contra o desemprego, etc.) e o direito à propriedade, onde a Constituição fornece alicerces para o
desenvolvimento econômico e social do país.

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos
desta Constituição;

Também faz parte do princípio da igualdade. Reforça o princípio da isonomia, no qual todos
são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza, mas dessa vez com enfoque na
igualdade entre os sexos.

Com relação a esse princípio, ele é baseado no artigo 3º, IV (afastamento de qualquer forma
de discriminação) e firma, por exemplo, o artigo 7º, XXX (proibição da diferença de salários para a
mesma função, por motivos de sexo, idade, cor ou estado civil). Nota-se influências também no
artigo 5º, XLVIII.

II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão
em virtude de lei;

Vê-se aqui a enunciação de um princípio basilar do Estado de Direito: o Princípio da
Legalidade, ou seja, somente a letra da lei pode impor obrigações ou dispensas.

Alguns atos administrativos, no entanto, possuem força de lei quando nos obrigam à
determinados procedimentos (apresentar determinados documentos pessoais, requerimentos, ou
então obedecer a regulamentos de órgãos públicos). Embora determinados atos administrativos,
como decretos e portarias, também obriguem os cidadãos, em última análise, isto só é possível
porque alguma lei permite.

III – ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou
degradante;

Decorre do direito à vida. A lei 9.455/97 define em seu artigo 1º o que é tortura:

“Art. 1º Constitui crime de tortura:
 I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe

sofrimento físico ou mental:
 a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira

pessoa;
 b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;
 c) em razão de discriminação racial ou religiosa;
 II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência

ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo
pessoal ou medida de caráter preventivo.”

Direito Constitucional: Artigo 5º
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Tratamento degradante é o que humilha e diminui a pessoa diante dos olhos dos outros, e
dos próprios olhos. Tratamento desumano é o aplicado com intenso sofrimento físico ou mental,
sem que tenha um propósito claro, sem haver uma motivação aparente.

As garantias trazidas no inciso III do artigo 5º são valores individuais superiores a qualquer
interesse coletivo.

IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

A liberdade manifestação constitui um direito fundamental do cidadão, manifestação esta que
se externa de diversas formas – oralmente, por escrito, entre outras. Porém, tais liberdades
públicas não se dão de maneira absoluta e incondicionada, havendo limites que impossibilitam
manifestações de conteúdo imoral e que venham a implicar qualquer ilicitude. Além disso, é
vedado o seu anonimato, cuja finalidade consiste em prevenir mensagens apócrifas (suposta,
secreta); de cunho calunioso, injurioso, difamatório. A vedação ao anonimato, nada mais é do que
uma garantia à incolumidade dos direitos de personalidade como a honra, a vida privada, a
imagem e a intimidade, visando desta maneira, inibir o abuso cometido no exercício de manifestar
seu pensamento e sua possível responsabilização, “a posteriori”, civil ou criminal.

V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além
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