Prévia do material em texto
02 E BOOK SAUDAÇÕES FARMACÊUTICAS BEM VINDO INTRODUÇÃO SOBRE ESTE EBOOK Muitas patologias atingem nosso sistema digestório, entretanto, a grande maioria delas são transtornos menores e podem ser tratados com medicamentos isentos de prescrição e com mudanças no estilo de vida. Desta forma, abordamos neste material problemas como a azia, má digestão, gastrite, vômito, gazes, diarréia, constipação, hemorróida, entre outros... Com enfoque nos tratamentos farmacológicos e não farmacológicos, com dicas simples para a realização de melhor cuidado farmacêutico. Além disso, apresentamos algumas dicas de uso de alguns medicamentos que constantemente são utilizados erroneamente. Ajudando farmacêuticos a cuidar de gente. 03 E BOOK SOBRE O AUTOR @profmarcoacosta PROFESSOR DOUTOR MARCO ANTONIO COSTA Possui graduação em Farmácia Bioquímica pela Universidade Estadual de Maringá (1990) e doutorado em Ciências Farmacêuticas também pela Universidade Estadual de Maringá (2011). Atualmente é professor Associado da Universidade Estadual de Maringá. Atua em Farmácia de Dispensação desde 1990. Atua em Cuidado Farmacêutico, com ênfase em pre- scrição farmacêutica e acompanhamento farmaco- terapêutico. Ministra cursos de farmacologia e farmaco- terapia dos vários sistemas. Atua em Saúde Pública em acompanhamento de estágios e como Tutor do Programa PET SAÚDE. Ideal- izador, professor e orientador do primeiro Mestrado em Assistência Farmacêutica do Brasil. 04 E BOOK TRANSTORNOS DO TRATO DIGESTÓRIO A digestão começa antes do alimento chegar a boca. A visão e o olfato estimulam o trato digestório e já começa a salivação e produção de ácido no estômago, estimulado pela produção de gastrina (estimulação hormonal) para preparar a digestão. O processo mecânico começa na boca, pela mastigação, que inicia a trit- uração. A mastigação também estimula a produção de gastrina que vai fazer a bomba de prótons funcionar. O esôfago é só uma passagem do alimento ao estômago. Mas temos que lembrar que o tecido é delicado e não pode sofrer ação do ácido (refluxo) pois pode causar lesões. No estômago é onde ocorre a maior ação de digestão. O Ácido é secre- tado pelas células parietais nos dois terços proximais (corpo) do estômago. O ácido gástrico facilita a digestão criando um pH ideal para a pepsina e a lipase gástrica. A liberação de ácido clorídrico é feita através da enzima H+/K+-AT- Pase (bomba de prótons), que fica localizada nos canalículos das células pari- etais. Para que essa enzima seja ativada, depende de três estímulos princi- pais: histamina, gastrina e acetilcolina. Esses três elementos tem receptores nas células parietais, que quando se ligam, ativam a bomba. O primeiro mecanismo de controle da produção é o hormonal, estimu- lando a liberação da gastrina. As células parietais tem receptor de gastrina, a qual quando se liga, faz a bomba funcionar. Assim, quando você vê um alimen- to ou sente o cheiro, estimula a gastrina. Assim como a mastigação, ou seja, tudo que você coloca na boca, estimula a produção de gastrina. Quem tem azia tem que evitar de fumar, colocar caneta na boca, mascar chicletes, etc…, pois aumentará a acidez. O controle da produção é por feed back negativo, quando a acidez aumenta e feed back positivo quando diminui. O segundo mecanismo de controle de produção de ácido é a histamina. A histamina é liberada pela ação da própria gastrina ou por degranulação de leucócitos estimulados em processos de agressão do epitélio, por diferentes agentes, como álcool, alimentos gordurosos, café, medicamentos, substân- cias tóxicas de cigarro e etc… O terceiro mecanismo é via acetilcolina. O sistema digestório é muito enervado e tem controle rígido do Sistema Nervoso, o qual controla o peri- staltismo. O principal neurotransmissor liberado é a acetilcolina. Quando aumenta a liberação, ela se liga aos receptores e aumenta a produção de ácido. Quando você fica nervoso, estressado ou ansioso, aumenta a acidez por esta ação, podendo levar a gastrite nervosa. 05 E BOOK Normalmente, a mucosa gastrintestinal é protegida por vários mecanismos distin- tos: A produção de muco e HCO3 pela mucosa pela ação da prostaglandina (PGI2) cria um gradiente de pH do lúmen gástrico (baixo pH) para a mucosa (pH neutro). O muco fun- ciona como uma barreira contra a difusão de ácido e pepsina (por isso que anti-inflamatóri- os não seletivos agridem o estômago, pois inibe a produção de prostaglandina.) Células epiteliais removem o excesso de íons de hidrogênio (H+) via sistemas de transporte de membrana e têm junções apertadas, que impedem a difusão reversa dos íons de H+. O fluxo sanguíneo na mucosa remove o excesso de ácido que se difundiu pela camada epitelial. O final da digestão é no duodeno, onde a maior parte dos nutrientes são absorvidos pela ação das proteases e principalmente os triglicerídeos que são quebrados em ácidos graxos pelas lipases e absorvidos. A maioria dos medicamentos também são absorvidos na porção inicial do duodeno. A partir daí o bolo alimentar passa a ser chamado de bolo fecal, onde o que não é absorvido vai sendo moldado no intestino grosso até ser eliminado em fezes. Causas da Azia e Gastrite (diagnosticado pela endoscopia e biópsia) Helicobacter Pylori stress ansiedade nervosismo álcool medicamentos (AAS, Anti-inflamatórios não esteroidais) outras infeções : fungos, vírus e protozoários Tratamento Não Farmacológico Alimentação adequada: evitar os alimentos que te fazem mal (indiscrição alimentar) e o exagero na quantidade (intolerância alimentar) Coma em pequenas quantidades, de 3 em 3 horas Mastigue bem os alimentos (facilita a digestão) Evite fast foods e Junk foods Não coma 2 horas antes de deitar Reduza a ingestão de agressores como álcool e café Evite bebidas gaseificadas Evite Leite, pois apesar de aliviar a acidez momentaneamente, ele tem baixa digesti- biidade e fará com que produza mais ácido Muito líquido Exercício Físico (sedentarismo deixa a digestão mais lenta) Tratamento Medicamentoso Deve ser realizado racionalmente, ou seja, somente quando necessário e até a mel- hora dos sintomas. Não devem usar os medicamentos frequentemente por meses ou anos.. 06 E BOOK Queimação ou dor na região epigástrica, na boca do estômago. O estômago está vazio, não se confunde com má digestão. O ácido pro- duzido sobe para a região epigástrica dando a queimação (semiologia) e dor a apalpação (semi- otécnica) Combate diminuindo a acidez. Trabalha-se com anti-ácido, não precisa tomar inibidores de bomba de prótons. Anti-ácidos Barato, fácil de usar e muito efetivo. São bases como hidróxido de alumínio, hidróxido de magnésio, bicarbonato de sódio, salicilato de bismuto e carbonato de cálcio. O Hidróxido de alumínio e de magnésio são associados porque o magnésio solta o intestino e alumínio constipa, assim não haverá efeito no intestino. Além disso , o magnésio tem um efeito mais rápido e fulgaz e o alumínio a ação é mais lenta de duradoura, permitindo que haja o efeito imediato e tardio. Cuidado com anti-ácidos Carbonato de cálcio tem que ser evitado para quem tem litíase, assim como o sódio deve ser evitado para hipertensos. Além disso, o bicarbonato distende a mucosa gástrica poden- do facilitar o aparecimento de úlcera. Tem que conhecer o paciente. Vai tratar 3 dias, se não melhorar tem que investigar, pois não é só azia, podendo ser gastrite e vai ter que utilizar inibidores de bomba. Quando o anti-ácido for efervescente, deve-se esperar efervescer tudo até formar toda a base, pois irá reduzir a queimação. Se tomar efervescendo o gás carbônico vai estimular a produção de mais ácido e o paciente não vai mel- horar. Quando for má-digestão o ideal é tomar efervescendo para que o gás carbônico produza eructação, pois o principal sintoma é o empacha- mento. O fato de produzir mais ácido não inter- fere aqui, pois ajudará a facilitar a digestão. PROTETORES ESTOMACAISSucralfato (Sucralfilm©) O sucralfato liga-se às proteínas de cargas positivas formando um gel que adere à mucosa gástrica , proporciona- ndo uma proteção uniforme contra o ataque ácido e da pep- sina. Misoprostol Análogo da prostaglandina que leva a produção de muco e proteje. Entretanto, foi retira- do do tratamento ambulatorial pois causa contração de muscu- latura lisa e provoca aborto. O uso hoje é somente hospitalar e rigorosamente controlado. 01AZIA Está ligada ao alimento parado no estôma- go. A digestão está demorando a acontecer. Neste caso, o ácido não subirá e ficará por todo o estômago envolvendo o alimento. Assim, o paci- ente pode ter queimação na região epigástrica, mas não é o único sintoma. O paciente terá também empachamento (principal), muitos gases, náusea ou ânsia, dor abdominal superior esquerda (semiotécnica). Dependendo do tempo e intensidade dos sintomas eu vou direcionar o tratamento. Se tratar a má-digestão e não resolver, continua com sintomas todo dia, encaminhe para investi- gação de gastrite ou úlcera. Verificar a causa: ansiedade, stress, nervo- sismo. Tratar a causa para evitar os sintomas com tratamento não farmacológico e farmacológico. Mude o estilo de vida, cuide da alimentação, diminua o stress, durma bem, tome muito líquido, pratique exercícios, faça algo que goste. Se for necessário, procure um psiquiatra para tratar a ansiedade. O melhor é a prevenção. Anti-ácidos: Nem sempre são efetivos. Ideal para diminuir o empachamento. Lembre-se que o alimento está parado no estômago e vai precisar ser digerido. O ideal é associar o anti-ácido com um pró-cinético. Pró-Cinéticos: Aumentam a velocidade de esvaziamento gástrico, melhora a digestão e evita a ânsia e o vômito. Bromoprida: bloqueio dos receptores da dopamina-2 (D2) no sistema nervoso cen- tral e no trato gastrintestinal. Aumenta a motilidade do estômago e relaxa o esfíncter inferior. 1 cápsula (10 mg) de 12/12 h ou de 8/8 h (dose máxima 60 mg/dia). Domperidona: antagonista da dopamina com propriedades antieméticas . Só usar em adultos. Aumenta a motilidade do estômago e relaxa o esfíncter inferior. Mais efetivo do que o bromoprida. A dose de Domperidona deve ser a menor dose eficaz para a situ- ação individual (tipicamente 30 mg/dia) e pode ser aumentada, se necessário, a uma dose diária oral máxima de 40 mg. Outros: Enzimas digestivas, gotas preciosas, fitoterápicos (espinheira santa). Cuidado com o uso do Digeplus© : apesar de conter pepsina, o que auxilia muito na digestão, simeticona, que elimina os gases, o pró-cinético é metoclopramida que pode causar efeitos extra-piramidais. Acompanhe o seu paciente e suspenda o uso se apare- cer sintomas. 07 E BOOK 02MÁ DIGESTÃO 08 E BOOK Inflamação do epitélio do estômago. Provoca sintomas iguais a má-digestão. Tem níveis de intensidade: leve, moderada ou acentuada. O diagnóstico é clínico e por endosco- pia. Se não tratar adequadamente pode provocar lesão, tornando-se uma úlcera. Mesmo tratamento não medicamentoso já comentado. Anti-ácido não é efetivo sozinho. Serve como adjuvante no tratamento. Anti-Histmamínicos H2 Inibem a ligação da histamina no receptor H2. Lembrem-se que os anti-histamínicos comuns agem em receptores H1, que estão em todos os tecidos. No estômago os recep- tores são H2. Não funcionam em gastrite nervosa, pois não tem ação nos receptores de acetilcolina. Só resolvem problemas de agressores como café, álcool, medicamentos, etc... Cimetidina: causava muita ginecomastia e muita interação medicamentosa. Deixou de ser utilizada. Ranitidina: retirada do mercado por ter um possível cancerígeno. Famotidina: A dose recomendada é de 1 comprimido de 40 mg/dia, ao deitar. A duração do tratamento é de 4 a 8 semanas, mas deve-se acompanhar pela endoscopia. Mel- horou, parou. Nizatidina: É indicada para o tratamento de gastrite aguda e exacerbações agudas de gastrite crônica. Também é indicada no tratamento de até 8 semanas da úlcera duodenal ativa, úlcera gástrica benigna e gastrite erosiva. Na maioria dos pacientes, a cicatrização ocorre dentro de até 4 semanas. É indicada para o tratamento de manutenção em dose reduzida de 150 mg ao deitar-se, após a cicatrização de úlceras duodenais ativas e gástri- cas benignas. Mepiramina: anti H1 e anti H2. Está no Engov para evitar a azia da ressaca. Pode causar sonolência. É um risco para quem toma antes de beber. Só tomar no dia seguinte. Inibidores de Bomba de Prótons Inibem o funcionamento da Bomba de Prótons. Não inibem a ligação da gastrina, da acetilcolina e da histamina. Utilizados para reduzir muito a produção de ácido. A posologia depende da intensidade do processo. Portanto a dose deve ser individualizada de acordo com cada paciente. 03GASTRITE 09 E BOOK A duração do tratamento depende da evolução clínica do paciente. Doses recomendadas dos principais IBPs Lanzoprazol 15 a 30 mg/dia Pantoprazol 20 a 40 mg/dia Rabeprazol 10 a 20 mg/dia Ezomeprazol 20 a 40 mg/dia Omeprazol O mais utilizado, pois as UBS fornecem ao paciente. É uma pró-droga que precisa ser ativado pelo próprio ácido do estômago. Por isso tem que ser tomado em jejum, ou com 3 horas sem alimen- tação. Os outros IBPs não precisam ser tomados em jejum. Podem ser tomados em qualquer horário independente da alimentação. Inibe irreversivelmente a bomba por 24-48 horas. A posologia habitualmente recomendada é de um a dois comprimidos ao dia de 10 ou 20mg. O problema é o uso irracional do Omeprazol. As pessoas usam para prevenção. Se você não tem problema de estômago, não precisa utilizar, mesmo se for tomar um anti-inflamatório. Ou usam por muitos anos seguidos… O paci- ente relata tomar há muito tempo sem fazer uma revisão por endoscopia para ver se ainda é necessário. Ou o paciente fala que se parar de tomar, causa queimação. Isso é o efeito rebote do IBP. O IBP de tanto inibir a produção de ácido, leva a um aumento da produção de gastrina, que produz mais ácido, precisando tomar o IBP. Este ciclo se mantém e quando ele para de tomar o IBP, dá quei- mação. Neste caso, tem que “desmamar”, retirar aos poucos para evitar a queimação rebote (associado a tratamento medicamentoso) Isso porque existem muitos efeitos colaterais que precisam ser observados. Esse aumento de pro- dução de gastrina pode levar a Gastrinoma (Cãncer de Estômago), ou pode dar Agastrinemia, parada da produção, prejudicando a digestão, além de impedir a absorção de algumas vitaminas, alguns nutrientes, podendo levar a demência, perda de memória, entre outros. Está ligado também a fratura de quadril, hipomagnesemia e problemas renais a longo prazo. Os IBPs mais novos, são mais potentes, por- tanto são usados em menores quantidades, o que diminui a possibilidade desses efeitos colaterais. O ideal é usar o IBP até tratar o problema. Acompanhe, faça uma endoscopia, melhorou, parou. Se o paciente for tomar anti-inflamatório, hoje temos no mercado, associação deles com os IBPs, podendo assim, usar o IBP somente durante o uso do anti-inflamatório. Como vimos na aula de Azia e Gastrite, temos 3 mecanismos de controle da pro- dução de ácido no estômago, gastrina (via hormonal), histamina (agressão ao epitélio) e acetilcolina (via nervosa). Várias situações levam ao aumento da acidez ou redução da proteção estomacal, levando a azia, má-digestão, gastrite, podendo levar ao aparecimento de ulcerações na parede. Algumas causas podem ser: Estímulos hormonais como fumo e mascar chicletes. Alimentação inadequada, com muita gordura. Agressores como álcool e café Stress, nervosismo, ansiedade. Fator genético; Uso de medicamentos que afetam as defesas da parede do estômago, como anti-inflamatórios ou AAS, por exemplo; Infecção pela bactéria Helicobacter pylori, que se multiplica no estômago e enfraquece a sua barreira protetora; As lesões são diagnosticadas via endoscopia e a biópsia revela se há ou não a pre- sença do H.pylori. A grande maioria está relacionada com a bactéria. O tratamento é fundamental para a redução e eliminação das úlceras, caso contrário, pode levar a câncer. O melhor manejo do paciente é a prevenção. Quando aparece a azia ou a gastrite tem que incentivar o paciente a mudança de estilo de vida, além de fazer o tratamento adequa- do da gastrite. 10 E BOOK 04ÚLCERA GÁSTRICA 11 E BOOK Tratamento Não Farmacológico Alimentação adequada: evitar os alimentos que te fazem mal (indiscrição alimentar) e o exagero na quantidade (intolerância alimentar) Coma em pequenas quantidades, de 3 em 3 horas Mastigue bem os alimentos (facilita a digestão) Evite fast foods e Junk foods Não coma 2 horas antes de deitar Reduza a ingestão de agressores como álcool e café Evite bebidas gaseificadas Evite Leite, pois apesar de aliviar a acidez momentaneamente, ele tem baixa digestib- ilidade e fará com que produza mais ácido Muito líquido Exercício Físico (sedentarismo deixa a digestão mais lenta) Tratamento Farmacológico A adesão do paciente é fundamental, tanto ao farmacológico quanto ao não farma- cológico. Não adianta tomar medicamento e continuar com os hábitos e situações que causam aumento da acidez. Inibidores de bomba: uso fundamental. Vai ser usado até a remissão definitiva (acom- panhamento via endoscopia) Antibióticos: são associados aos inibidores de bomba para tratar o H. pylori, quando for o caso. São utilizados Claritromicina, Amoxicilina e Tetraciclina. O metronidazol também pode ser utilizado, dependendo do tipo de bactéria que estiver associada. Temos alguns esquemas diferentes no mercado: Esogastro©;: Claritromicina, Amoxicilina e Esomeprazol. Traz 7 cartelas diferentes e o esquema é o uso concomitante do IBP e Antibióticos. Usado no caso de úlceras leves. Pyloripac© IBP: Claritromicina, Amoxicilina e Lansoprazol. O esquema é 14 dias só com o IBP para reduzir o tamanho das lesões (tratamento prévio das lesões). Depois as cápsulas vão conter IBP e antibióticos. Depois termina somento com o IBP novamente. Usado no caso de úlceras moderadas ou severas. No pós-tratamento, ao contrário da gastrite, este paciente que teve úlcera, deverá manter algum tempo o IBP para prevenção (até 2 anos). Controle via endoscopia. O que não pode é tomar sempre, durante anos, sem fazer revisão, o que poderá levar a vários efeitos adversos do IBP. 12 E BOOK Queimação do esôfago pela ação do ácido estomacal. Pode levar a sérias complicações: Esofagite Disfagia Esôfago de Barret: Metaplasia do epitélio estratificado esofágico em colunar associa-se à esofagite, ulceração, estenose esofágica e, adenocarci- noma. Problamas Respiratorios: Apnéias, tosse crônica, lesões parecidas com aftas, disfonias, sibilância, otites, e penumonias. Desnutrição: Geralmente em lactente que regurgita muito, tem recusa alimentar por esofagite. Quadro Clínico a. No lactente Classicamente vômitos e regurgitação ou seja refluxo regurgitante aconpan- hado ou não de sintomas como: choro forte semelhante ao das cólicas do recém-nascido, choro no início das mamadas , recusa alimentar, acordar noturno chorando, caretas, ruminação, apnéia, estridor, sibilância, catarros de repetição, otites. b. Na criança maior A regurgitação desaparece e isso, nem sempre significa cura. Podem asso- ciar-se os sintomas das complicações: Do trato gastrointestinal: pirose, dor retroesternal ou em epigástrio, e disfagia a alimen tos sólidos, halitose, rumi- nação; do trato respiratório: otites catarros, sibilos, apnéias; Tratamento não farmacológico a. Posição Evitar decúbito dorsal horizontal, roupas ou fraldas apertadas, agitar ou comprimir o abdome da criança (situação freqüente quando o lactente está no colo), trocar fraldas em decúbito dorsal horizontal . Indicar posição semi-sentada (em posição lateral esquerda preferencial- mente após as alimentações ou decúbito ventral elevado) Adultos: elevar travesseiro/cabeçeira b. Dieta fracionada e mais freqüente. Evitar “irritantes gástricos”: cítricos, chá e café preto, achocolatados e gordura de origem animal. Na persistência do quadro ou clínica exuberante considerar o tratamento medicamentoso Não coma duas horas antes de deitar. 0 5R E F L U X O G A S T R O -E S O F Á G IC O O Fígado e a Vesícula Biliar não fazem parte do sistema digestório, mas participam do final da digestão. O fígado metaboliza as substâncias ingeridas e a vesícula produz ácidos biliares que vão promover a micela para permitir a quebra dos triglicerídeos no duo- deno. Causas dos problemas relacionados ao fígado: Excesso de gordura no fígado (Alimentar); Intoxicação pelo excesso de ingestão de bebidas alcoólicas; Uso indiscriminado de medicamentos; Hepatite. Obviamente só faremos o manejo de transtornos menores hepáticos, ou seja, somente problemas relacionados a má alimentação ou bebida. Transtornos maiores encaminhamos ao médico, como hepatite e cirrose. Os sintomas de transtornos menores são dores de cabeça, boca amarga, enjôo. Outros sintomas já indicam transtornos maiores como pele e olhos amarelados (icterícia); urina com coloração amarelada ou escura; tontura; vômito; falta de apetite; can- saço; fumento de peso; fezes com coloração alterada; Tratamento Farmacológico Medicação procinética: melhorar a dinâmica gastroduodenal. 1. Bromoprida: Antagonista central e periférico da dopamina . Pode ocorrer espas- mo muscular localizado ou generalizado, cefaléia, sonolência, calafrios, astenia, distúrbios visuais acomodativos. Dose: 0,5 a 1 mg/kg/dia, 3 a 6 vezes ao dia, 15 a 30 minutos antes das refeições. Pode causar efeitos extra-piramidais, usar com cautela. 2. Domperidona: A mais indicada. Antagonista dopaminérgico, sem efeitos colat- erais. Tem baixa penetração através da barreira hemato-encefálica, não causando reações extrapiramidais. 0,2 a 0,6 mg/kg/dose, 3 a 4 vezes ao dia, antes das refeições e antes de deitar. Podem ser associados, se necessário: Anti-ácidos: Devem ser usados na presença de esofagite. Antagonistas dos receptores H2 da histamina Bloqueadores da bomba de prótons 13 E BOOK 06DISTÚRBIOS HEPÁTICOS Quando o paciente tem uma má-digestão como saber se o fígado está envolvido? - sintomas de dor de cabeça e boca amarga além dos sintomas de má-digestão, como empachamento e dor abdominal superior esquerdo. - O tempo é fundamental para saber. Como o fígado participa somente no final, se o paciente se alimentou em até 12 horas antes, só trate a má-degestão, se não houver sintomas clássicos hepáticos. Se a alimentação ocorreu há mais de 12 horas, mesmo sem sintomas clássicos, trate também o fígado. No caso da bebida alcóolica você pode tratar depois ou prevenir com hepatoproteto- res como Epocler® ou Eparema® que contém aminoácidos estimulantes hepáticos. O Epocler® contém betaína, metionina e colina. Além disso tem a Vitamina B6 que é detoxicante hepática, o Sorbitol que desobrecarrega o fígado pois facilita a excreção da bile e a adenosina (que fornece energia para a metabolização). Deve-se tomar um antes e outro depois de beber pois estimula o metabolismo. Permite você tomar mais e não ficar de res- saca. O Engov® contém hidróxido de alumínio, AAS, Cafeína e Mepiramina. Estes princípios ativos vão tirar a dor de cabeça e a azia da ressaca. Então, só deve ser utilizado depois de beber. Não pode ser utilizado antes, pois a Mepiramina, além da ação anti-hista- mínica em H2, também tem ação em H1 e atravessa a barreira hemato encefálica, deprim- indo o sistema nervoso. Assim, você pode potencializar a depressão do SN com o álcool e levar até a coma. Também a Mepiramina funciona como anti-emético, o que inibe esse me- canismo de defesa do organismo, fazendo com que a pessoa continue bebendo sem elimi- nar o excesso de álcool e aumentar a toxicidade. Cuidado como pacientes que tem esteatose (obesos) ou que bebem muito ou já tiveram hepatite. Nestes casos evite o uso de medicamentose quando for utilizar, evitar os hepatotóxicos como o Paracetamol e a Nimesulida. Tratamento não farmacológico Aumentar a ingesta de Água; Diminuir a ingesta desnecessária de medicamentos; Excluir ingesta de álcool; Repouso – cabeceira elevada; Aumentar a ingesta de Ferro; Magnésio; Cobre; Tratamento Farmacológico Reposição de Vitaminas – Complexo B - Vitamina A/D/E. Complexo Vitamínico, Posologia: Tomar 1 comprimido de 12/12h por 15 dias, posteriormente 1 cp/dia pela manhã. – Xantinon b12® Fitoterapia (No máximo 2 terapêuticas): Carqueja; Erva Tostão; Picão Preto; Boldo; Alcachofra e Guaco; Sulfato Ferroso + Ácido fólico: Em dias alternados (História Clinica) Colagogos Estimulante excreção biliar (Boldo, cáscara sagrada) – usados em má-digestão (sem ação hepática) Coleréticos estimulam a produção da bile no fígado (alcachofra, menta) 14 E BOOK 15 E BOOK Aparece geralmente com a má-digestão e pode acometer o estômago e intestino. Se não houver causa aparente, encaminhar ao médico, pois pode ser um transtorno maior. Ne- cessitará de diagnóstico clínico e de imagem. Quando for um transtorno alimentar, podemos cuidar do paciente. Podemos manejar o paciente até 2 dias com gases. Mais que isso, se não melhorar, encaminhar. Caracterizada por dor abdominal, difusa (semiologia). Abdômen Globoso e timpâni- co e dores a palpação principalmente em região umbilical (semiotécnica). Tratamento não farmacológico Cuidar da alimentação para não formar gases. O ideal é evitar: legumes, feijão, cereais, ervilha, milho, grão de bico, adoçantes, alimentos gordurosos, açúcar (doces em geral). Alguns medicamentos causam gases, por exemplo, a Metformina. O cuidado com a alimentação em que ser mais rígido. Mastigar bem os alimentos; Aumentar a ingesta de liquido; Evitar falar durante a refeição; Diminuir o volume de ar deglutido; Evitar alimentação e refrigerante; Soltar... Tratamento Farmacológico - Dimeticona: ainda encontrada no mercado, mas reduziu muito o uso. É uma pró-droga, precisa ligar ao epitélio para formar a simeticona. Nesta ligação, pode dar contração e aumentar a cólica no início. - Simeticona: Droga ativa. Elimina as bolhas alterando a tensão superficial. Posologia: Latentes de 4 a 6 gotas. Crianças até 12 anos de 6 a 12 gotas. Adultos até 16 gotas. Se precisar repetir, cada 8 horas. Melhorou, parou. 07FLATULÊNCIA 16 E BOOK 08ENJÔO, NÁUSEA E VÔMITO Mecanismo de defesa. Caracterizados por desconforto na região abdominal, con- trações involuntárias e compressão estomacal. Definindo os termos: Náusea ou enjôo é aquela sensação de estômago embrulhado, você sabe que não está bem. Ânsia já é a contração em si, é a tendência de vomitar. Contração do estômago e do esôfago. Vômito: é o ato propriamente dito. Principais Causas - Alimento: Intolerância alimentar (comer muito) e Indiscrição alimentar (come o que faz mal) - Álcool em excesso - Corpo estranho - Produtos químicos - Drogas: Antiinflamatórios, antibióticos, outros… - Agentes infecciosos: Doenças virais (ex: meningite) e bacterianas (quadro inicial) e Doenças metabólicas sistêmicas (ex: labirintite) A ânsia e a náusea (enjôo) são transtornos menores e são resolvidos facilmente. Entretanto o vômito pode se tornar um transtorno maior, dependendo da intensidade e tempo de duração. O vômito pode levar a desidratação (transtorno maior). O paciente vai precisar de soro e acompanhamento médico. Sinais de desidratação: boca seca, extremidades enruga- das, lábio ressecado, palidez, olho fundo, prostação, entre outras. Maneja o paciente no máximo 2 dias, se não melhorar, encaminhe. Se aparecer febre, dor de cabeça ou outros sintomas, como sinais de desidratação, encaminhe mesmo se for no primeiro dia. Tratamento não farmacológico Aumentar o fluxo respiratório; repouso; descobrir a causalidade; Gengibre Manejo dietético: Jejum 24 horas, retorno à alimentação de forma gradativa com alimen- tos de alta digestibilidade. As vezes o melhor tratamento é o próprio vômito. Alivia e melhora. Tratamento farmacológico Impedem ou aliviam os sintomas da ânsia de vômito Procinéticos e anti-eméticos: Agem no centro do vômito no Sistema Nervoso Central. Dispensação somente com prescrição médica. 17 E BOOK METOCLOPRAMIDA : O único efetivo para cortar o vômito. Os outros são efetivos para cortar o enjôo e a ânsia. 1 comprimido (10mg), 3 vezes ao dia, via oral, 30 minutos antes das refeições. A dose máxima diária recomendada é 30 mg. A duração máxima recomendada do trata- mento são 5 dias. Cuidado: podem dar efeitos extrapiramidais: convulsão, discinesia (alter- ação de movimento) , distonia (contrações involuntárias), acatisia (agitação). Podem deixar sequelas permanentes. BROMOPRIDA: 1 cápsula (10 mg) de 12/12 h ou de 8/8 h (dose máxima 60 mg/dia). Cuida- do: podem dar efeitos extrapiramidais DOMPERIDONA: atividade mais rápida. 1 cápsula (10 mg) de 12/12 h.: DIMENIDRINATO: muito efetivo para cinetose. Causa sono. Crianças 25mg de 12/12h não podendo ultrapassar 150mg/dia. Adultos 50mg de 6/6h não podendo ultrapassar 400mg/dia por causa da depressão do sistema nervoso. Obs: Não utilizar para fazer criança dormir por risco de causar grande depressão do siste- ma nervoso. Porque existe Dimenidrinato associado a Vitamina B6 (Piridoxina)? Quando foi concebido era para tratar enjôos alimentares, pois a Piridoxina é detoxicante hepática. Entretanto, como ativa o metabolismo, faz com que o dimenidrinato seja metabo- lizado mais rapidamente, diminuindo a depressão do SN não causando sono (além de conter metade da dose). Indicado para crianças e grávidas. ONDANSETRONA: Muito efetivo para cinetose e para enjôos de quimioterapia e radioter- apia. Adultos 8mg 12/12h e crianças 4mg 12/12h. Causa menos sono do que os outros. MECLIZINA: Antiemético utilizado mais para labirintite, quimioterapia e radioterapia. Alguns pacientes respondem bem para cinetose. Adulto de 25 a 50mg uma hora antes da refeição. Só pode ser usada uma vez ao dia. Contra-indicada para crianças. Deprime muito o sistema nervoso. Obs: Todos não podem ser usados com outros depressores do SN, como benzodiazepínic- os, anti-histamínicos, álcool, etc… 18 E BOOK Diarréia é caracterizada pelo aumento da presença de líquidos nas fezes, levando a evacuação líquida ou semi-liquida pelo menos três vezes no período de 24 horas. Caso contrário, caracteriza somente um desarranjo. O manejo da diarréia é diferente do dessaranjo. No desarranjo é verificar a causa e eliminar. Geralmente é alimentar e pode ser tratado com reguladores intestinais e formadores de massa (ex: Plantago ovata). Diarréia é um transtorno menor que pode se transformar em um transtorno maior se for mal cuidado, podendo causar principalmente a desidratação. Causas de diarréia: Infecções, Gastroenterites, Uso ou abuso de me- dicamentos (metformina, antibióticos, entre outros), Alergias (intolerância a gluten, a lactose), etc… Investigar a causa, o tempo e a intensidade. Pode levar a diminuição da absorção de nutrientes e aumento de Secreção de agua e eletrólitos. Porém geralmente é autolimitante, a não ser que esteja associa- do a um transtorno maior como infeção, alergia, etc… Monitora por 2 dias, se não melhorar, encaminhe. Se aparecer outros sintomas, encaminhar mesmo no primeiro dia. Se tiver outros sintomas como febre ou ser sanguinolenta, encaminhar para o médico Tratamento Não Farmacológico Ingestão de muito líquido, cuidado com a alimentação e prática de exercícios físicos, são fundamentais para manter o funcionamento adequado do intesti- no. No caso da diarréia é recomendado: Muito liquido (rehidratantes, soro caseiro); Cenoura ou sucos; Maçã; Goiaba (casca); Leite de soja; Água de coco; Gelatina; Dieta leve; Biscoito de Polvilho; Biscoito de água e sal. EVITAR: Chocolate, mel, linguiça (embutidos), mamão, melão, abacate e carne mal cozida. Tratamento Farmacológico Reidratante oral + fibras Repositor de flora (a base debactérias ou fungos): Ex: Floratil©, Repoflor© Medicamentos usados no tratamento dos sintomas das diarréias agudas e crônicas e do seus efeitos no organismo, servem para parar a diarréia, con- trolar os seus efeitos e corrigir os seus efeitos no organismo. Antidiarréicos controladores do peristaltismo e promotores da absorção de água: Imosec©: Diminui a motilidade intestinal (loperamida) - só usar em casos não infecciosos. Dose inicial de 4mg (2 comprimidos) + 2mg em novos episódios. Cuidado: só dispense com prescrição. Não indique. O que não se deve comer quando usar o antidiarréico: Uva, Pêra, Laranja, Mamão, Alface, Couve, Repolho 0 9D IA R R É IA Diminuição do peristaltismo intestinal. Dificuldade de defecar. Tira a qualidade de vida, a pessoa ficar nervosa e irritada. Transtorno menor que podemos cuidar sempre. O normal é defecar de 6 a 12 vezes por semana. Mas varia muito de pessoa para pessoa. Se a pessoa está bem com sua constância, não é problema. Se a constipação per- manecer por muito tempo, se torna um transtorno maior, podendo necessitar de lavagem. Neste caso, encaminhe. Não é só a demora em defecar que caracteriza a constipação. Outros achados também indicam, como: Fezes ressecadas; Dificuldade de Evacuar; Evacuação incompleta; Diminuição do volume das fezes; Afundar na água; Pequenas “bolinhas” Causas: Falta de líquido; Alimentação gordurosa, com baixa digestibilidade Mastigação Inadequada; Balanço de proteína/carboidrato (se tiver muita proteína, precisa aumentar a água) Idade (idosos são mais constipados – precisa fazer exercício); Peso (obesos são mais constipados); Gênero (mulheres mais constipadas. Alterações hormonais interferem como hipotir eoidismo); Gases – refrigerantes e água com gás; Dormir após o Almoço, sedentarismo. Falta de Exercicios fisicos; Medicamentos: Codeína; Antiácidos; Antihipertensivos; Antidepressivos; Baixa ingesta de Água, de Fibras e de Verduras; Excesso de Laxativos. Tratamento Não Farmacológico Consumo de Fibras (25 a 30g/dia); leguminosas, cereais, frutas, verduras, lentilhas, farelos, centeio, arroz integral, pão integral, etc... Ingesta de líquidos: mínimo 2 litros dia Prática de Exercícios (leves caminhadas) Massagem local: Direita para a Esquerda – 30 minutos após a alimentação; Alimentação diversos horários (3 em 3 horas); Priorize alimentação mais pastosa; Alimentos com probióticos; 19 E BOOK 10CONSTIPAÇÃO Tratamento Farmacológico Quando o paciente chega constipado, você tem que resolver o problema já com me- dicamento. Depois que resolver, vamos pensar em regular o intestino dele e cobrar o trata- mento não medicamentoso. Para resolver a constipação, temos: 1. Agentes Osmóticos: Retêm água na luz intestinal fluidificando as fezes e estimu- lando a peristalse; - Glicerina. 2. Agentes Umectantes e emolientes fecais: Produto oleoso, não digerida pelas enzimas humanas, lubrifica a parede intestinal e o bolo fecal, facilitando a sua saída. - Nujol®; Laxol®; 3. Laxantes Estimulantes: Antraquinonas, aumenta motilidade e secreção de água – Fitoterápicos: Cáscara Sagrada, Cassia, Sene Dependendo da concen- tração podem ser laxativos ou reguladores. Cuidado com o Sene por ser tóxico não pode ser utilizado por mais de 3 meses. Lacto-Purga® (bisacodil); Polissulfato de Sódio (Guttalax®): irritam a mucosa para aumentar o peristaltismo. Cuidado: algumas pessoas ficam dependentes do medicamento para defecar. Portanto, usar com cautela. Resolveu, parou. 4. Outros Estimulantes Óleo de Rícino; Óleo Mineral; Enemas para adultos e crianças (lavagem); Glic- erina (supositórios): preferível para crianças. Regulação Intestinal Depois de resolver a constipação, é hora de regular o transito intestinal para evitar nova constipação. Assim, junto com o tratamento não farmacológico podemos indicar: - Agentes formadores do bolo fecal, formadores de massa: “Simular uma ingesta correta de fibras para alimentação” Posologia: Pela Manhã e final de Tarde. Plantago ovata; Lactulose; Naturetti; Trifibra mix; Goma; Metilcelulose. Se o paciente não melhorar com o tratamento medicamentoso e não medicamento- so, encaminhar para o médico para investigar a causa (pode ser um transtorno maior como mega-cólon, câncer, etc). Não utilizar reguladores e laxativos em crianças. Somente supositório de glicerina e enemas. Não utilizar Escopolamina em cólicas de constipação. A Escopolamina diminui o peristaltismo, levando a piora da constipação. ANTIESPASMÓDICOS – reduz contrações involuntárias da musculatura lisa Escopolamina - Buscopam® Atropina – (hospitalar) Atropa Beladona - Atroveran® 20 E BOOK 21 E BOOK Dores intensas acompanhadas de espasmos; Tratamento não farmacológico Melhorar a alimentação; Ingesta de água; Chá de Camomila; Aquecimento da região Posturas (deitar de bruço ou de lado) Tratamento Farmacológico DIPIRONA Peso Dose Gotas (500 mg/mL) (Média de idade) 5 a 8 kg (3 a 11 meses) Dose única 2 a 5 gotas Dose máxima diária 20 gts (4 tomadas x 5 gotas) 9 a 15 kg (1 a 3 anos) Dose única 3 a 10 gotas Dose máxima diária 40 (4 tomadas x 10 gotas) 16 a 23 kg (4 a 6 anos) Dose única 5 a 15 gotas Dose máxima diária 60 (4 tomadas x 15 gotas) 24 a 30 kg (7 a 9 anos) Dose única 8 a 20 gotas Dose máxima diária 80 (4 tomadas x 20 gotas) 31 a 45 kg (10 a 12 anos) Dose única 10 a 30 gotas Dose máxima diária 120 (4 tomadas x 30 gotas) 46 a 53 kg (13 a 14 anos) Dose única 15 a 35 gotas Dose máxima diária 140 (4 tomadas x 35 gotas) PARACETAMOL Crianças: A dose pediátrica de paracetamol varia de 10 a 15 mg/kg/dose, com intervalos de 4 a 6 horas entre cada administração. Tome 1 gota/kg até a dosagem máxima de 35 gotas (200 mg/mL). Não exceda 5 administrações, em doses fracio- nadas, em um período de 24 horas. Para crianças abaixo de 11 kg ou 2 anos evitar. Adultos no máximo 4g/dia. O ideal é no máximo 4 drágeas de 750mg cada 6hs. 1 1C Ó L IC A S Trata-se de uma dilatação do vaso sanguíneo do plexo hemorroidário formando uma estenose (bolsa) onde acumula sangue. Pode ser interna ou externa. Trans- torno menor podendo ser cuidado pelo farmacêutico. Causas: Herança genética; Postura Ereta; Uso de laxativo que pode lesar a região; Defecação difícil; Uso crônico de laxativos; Longos períodos sentado no banheiro; Gestação; Rotinas Esportivas pesadas; Esforços; Relação Anal; Má higienização; Tratamento não farmacológico Hábitos alimentares para evitar constipação – evitar pimentas; Inserção de frutas e vegetais; Alimentos integrais; Repouso; Pedaleira elevada; Aumentar a ingesta de Água; Diminuir o esforço ao evacuar; Higienização (banho) após a evacuação (não utilizar papel higiênico por causa do atrito); Tratamento farmacológico Eliminação da dor e inflamação e melhora da vascular- ização Podemos cuidar mesmo com sangramento. Se começar aparecer outros sintomas como febre ou se aumentar muito o tamanho deve-se encaminhar para o médico. Utilização de Anti-inflamatórios (naproxeno, cetoprofeno, ibuprofeno) Anestésicos locais – pomadas associadas com vascular- izadores ou anti-inflamatórios (Ex: Procto-glyvenol (Lido- caína + tribinosídeo), Proctosan (Lidocaína + castanha da índia). Aplicar no local 2 vezes ao dia, após higienização 22 E BOOK 12HEMORRÓIDA Vascularização Castanha da Índia (anti-exuda- tiva – diminui a inflamação, tonifica o capilar) Aesculus hippocastanum (No- varrutina®) POSOLOGIA: Tomar 1 com- primido de 8/8 horas por 7-10 dias Exceto: Venocur Triplex (ru- tosídeo + castanha da índia) Tomar 1 comprimido de 12/12 horas por 10 dias 23 E BOOK Mesalazina ASPECTOS FARMACOCINÉTICOS Início de efeito: 3 a 4 semanas (colite ulcerativa), 9 semanas (artrite reumatóide). Pico de concentração sérica: aproximadamente 1,5 a 6 horas. Meia-vida de eliminação: 5 a 10 horas. EFEITOS ADVERSOS Dor de cabeça , Fotossensibilidade, Rash, Anorexia, Náusea,vômito, diarréia, desconforto gástrico, Oligospermia reversível, Dermatite exfoliativa, prurido, necrólise epidérmica, urticária, anafilaxia, Alucinações, vertigem, depressão, Hepatite, Reações tipo doença do soro, Anemia macrocítica e macrocitose, anemia megaloblástica, leucopenia, neutropenia, trombocitopenia, Lúpus eritematoso sistêmico, Nefrotoxicidade, proteinúria, cristalúria. Sulfassalazina ORIENTAÇÕES AO PACIENTE Ingerir o medicamento após as refeições ou com alimento para diminuir a irritação gastrintestinal. Ingerir o medicamento com 250 mL de água. Alertar para a importância de manter ingestão hídrica adequada. Reforçar a importância de manter boa higiene oral, acompanhamento odontológico. Alertar para evitar se expor ao sol sem proteção. Alertar que o surgimento de coloração amarelo-alaranjada na urina ou pele não apresenta significado clínico. Ressaltar a importância de notificar imediatamente o surgimento de reações de hip- ersensibilidade. Orientar que pode haver período de latência de 4 a 12 semanas. 13COLITE ULCERATIVA OU DOENÇA DE CROHN REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS FUCHS, Flávio D. Farmacologia Clínica: Fundamentos da terapêutica racional. 2ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. NELSON, David L.; LEHNINGER, Albert L.; COX, Michael M. Lehninger principles of biochemistry. Macmillan, 2008 OBRELI NETO, P. R.; BALDONI, A. O.; GUIDONI, C. M. Farmacoterapia: guia terapêuti- co de doenças mais prevalentes. Diabetes mellitus. São Paulo: Pharmabooks, 2013. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Bulas de medicamentos. https://ww- w.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/bulas-e-rotulos. Acessado em 19 de agosto de 2021. Biblioteca Virtual em Saúde. Ministério da Saúde. Disponível em: https://bvsa- lud.org/sobre-o-portal/. Acesso em 20/08/2021 GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis Arthur; SCHAFER, Andrew I. (Ed.). Goldman-Ce- cil. Tratado de medicina interna. Elsevier Health Sciences, 2021. PBharucha AE, Pemberton JH, Locke GR. American Gastroenterological Association technical review on constipation. Gastroenterology [Internet]. 2013; 144:218–238 24 E BOOK