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Gardnerella vaginalis — Revisão Acadêmica 1. Definição e Contexto Clínico Gardnerella vaginalis é uma bactéria anaeróbia facultativa associada à vaginose bacteriana (VB), uma disbiose caracterizada pela redução dos lactobacilos e aumento do pH vaginal. Embora possa estar presente em mulheres assintomáticas, desempenha papel central na patogênese da VB. 2. Taxonomia e Genômica Estudos genômicos recentes revelaram grande variabilidade dentro da espécie, indicando a presença de diferentes linhagens com potencial de virulência distinto. 3. Morfologia e Características Microbiológicas Bactéria pleomórfica, Gram variável, anaeróbia facultativa, capaz de formar biofilme aderido ao epitélio vaginal, o que favorece a persistência e resistência ao tratamento. 4. Epidemiologia A VB é a infecção vaginal mais comum em mulheres em idade reprodutiva. Está associada a múltiplos parceiros, tabagismo e uso excessivo de duchas vaginais. 5. Patogênese Envolve a adesão ao epitélio, formação de biofilme e produção de enzimas e toxinas como vaginolysina e sialidases, que alteram o microambiente vaginal e a imunidade local. 6. Quadro Clínico e Complicações Os principais sintomas são corrimento acinzentado e odor fétido. A VB aumenta o risco de infecções sexualmente transmissíveis e complicações obstétricas, como parto prematuro. 7. Diagnóstico Baseia-se nos critérios de Amsel, escore de Nugent e testes moleculares (PCR). A presença de clue cells é característica da infecção. 8. Tratamento O tratamento de escolha é o metronidazol (oral ou gel) ou clindamicina vaginal, conforme diretrizes do CDC. As recidivas são frequentes devido à persistência do biofilme. 9. Resistência e Recidiva A formação de biofilmes polimicrobianos protege as bactérias dos antibióticos, resultando em altas taxas de recidiva. Estudos relatam aumento de resistência ao metronidazol. 10. Pesquisas Recentes Novas terapias incluem o uso de endolisinas específicas, probióticos e transplante de microbiota vaginal (VMT). Pesquisas genômicas buscam diferenciar subespécies com maior virulência. 11. Conclusão Gardnerella vaginalis é um importante agente na vaginose bacteriana. O manejo adequado requer não apenas tratamento antimicrobiano, mas também restauração da microbiota vaginal e prevenção de recidivas. Referências 1. STATPEARLS. Gardnerella vaginalis. NCBI Bookshelf, 2023. 2. CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Bacterial Vaginosis: Treatment Guidelines. 2021. 3. MA, X. et al. Biofilm and pathogenic factor analysis of Gardnerella. Frontiers in Microbiology, 2022. 4. MORRILL, S. et al. Gardnerella as cause of BV. Frontiers in Microbiology, 2020. 5. SCHWEBS, T. et al. Antibiotic resistance in Gardnerella biofilms. Antibiotics, 2024. 6. TARRACCHINI, C. et al. Genomic variability of Gardnerella species. Microbial Genomics, 2020. 7. TISAKOVA, L. P. et al. Endolysins targeting Gardnerella biofilm. Nature npj Microbiology, 2025.