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PROFESSORES Dr. Gustavo Affonso Pisano Mateus Dra. Nayra Thais Delatorre Branquinho Tópicos Avançados em Biologia ACESSE AQUI O SEU LIVRO NA VERSÃO DIGITAL! EXPEDIENTE Coordenador(a) de Conteúdo Gustavo Affonso Pisano Mateus Projeto Gráfico e Capa André Morais, Arthur Cantareli e Matheus Silva Editoração Alan da Silva Francisco e Dario Claros Mercado Design Educacional Daniele Bellese dos Santos Curadoria Gisele da Silva Porto Revisão Textual Kelly Mathies Silveira Ilustração André Azevedo e Eduardo Alves Fotos Shutterstock DIREÇÃO UNICESUMAR NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Paula R. dos Santos Ferreira Head de Graduação Marcia de Souza Head de Metodologias Ativas Thuinie M.Vilela Daros Head de Recursos Digitais e Multimídia Fernanda S. de Oliveira Mello Gerência de Planejamento Jislaine C. da Silva Gerência de Design Educacional Guilherme G. Leal Clauman Gerência de Tecnologia Educacional Marcio A. Wecker Gerência de Produção Digital e Recursos Educacionais Digitais Diogo R. Garcia Supervisora de Produção Digital Daniele Correia Supervisora de Design Educacional e Curadoria Indiara Beltrame Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Av. Guedner, 1610, Bloco 4 Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 Impresso por: Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679 C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância. MATEUS, Gustavo Affonso Pisano, BRANQUINHO, Nayra Thais Delatorre. Tópicos Avançados em Biologia. Gustavo Affonso Pisano Mateus, Nayra Thais Delatorre Branquinho. Maringá - PR: Unicesumar, 2022. 208 p. ISBN 978-85-459-2146-2 “Graduação - EaD”. 1. Tópicos Avançados 2. Biologia 3. Biotecnologia. 4. EaD. I. Título. CDD - 22 ed. 570 FICHA CATALOGRÁFICA 02511299 Gustavo Affonso Pisano Mateus Olá, estudante! Minha história não é muito diferente da sua! Com toda certeza você ingressou em um curso relacio- nado às Ciências da Vida por sua afinidade com as discipli- nas de Ciências e Biologia durante a trajetória na Educação Básica. Me recordo do fascínio pelas aulas de Biologia, mi- nistradas pela professora Ana Glória, que me auxiliaram a compreender e canalizar esse fascínio. Na etapa do Ensino Superior, compreendendo um pouco mais sobre os de- safios da vida adulta e longe de casa, pude me aventurar no universo das disciplinas da Biologia, dividindo minha atenção entre o serviço militar, a pesquisa e os estudos. Al- guns anos se passaram e eu atendi a um chamado natural e inevitável da docência, presente no DNA familiar. Pude, então, me concentrar na Pesquisa em Biotecnologia, em nível de mestrado e doutorado, conhecendo e explorando novos produtos e a síntese laboratorial de substâncias. Confesso que foi um sonho realizado! Vencido o doutoramento, hoje me dedico à coordena- ção de cursos, à gestão educacional e ao planejamento de experiências pedagógicas. Eventualmente, arrisco-me frente a disciplinas específicas para não me afastar de um sonho e uma motivação inicial. Fora as experiências profissionais, me identifico em princípios e convicções muito particulares, tenho medos e sonhos comuns e, apesar de me comunicar bem, sou introvertido e gosto de uma vida reservada, em que é possível significar e partilhar vivências. http://lattes.cnpq.br/1379816809384173 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11025 Nayra Thais Delatorre Branquinho Olá, estudante! Vou contar um pouquinho da minha história para você: sempre gostei muito de estudar! Gostava de todas as disciplinas e sempre procurava me dedicar ao máximo. Durante o Ensino Fundamental e Médio, a área de Ciên- cias sempre chamou muito a minha atenção. Sempre pro- curava realizar leituras nas áreas Ambiental ou de Saúde. Minha professora de Ciências deixava que realizássemos pesquisas e pudéssemos ler um pouco para a turma no co- meço da aula. Sempre me organizava, assim que recebia o material, em procurar qual seria o tema da aula e preparava um texto pequeno para ler na frente da turma, para meus colegas. Com isso, ganhava uns pontinhos na minha nota! Todos os dias em que tinha aula de determinada disci- plina, quando chegava em casa, fazia novamente os exer- cícios e lia os textos de apoio para não “sofrer” nas provas. Assim, continuei com essa proposta de estudo no Ensino Médio. Foi um período de grande aprendizado, longe dos meus pais, morando em uma cidade grande. Para escolher o curso superior, optei pelas Ciências Biológicas, pois era o meu sonho. Durante a faculdade, fiquei dividida entre a licenciatura e o bacharelado, mas, depois de muita pesquisa e conversa com meus vetera- nos, decidi que a licenciatura era a mais completa titu- lação e que, depois, se quisesse, faria mais um ano de bacharelado. O que acabei fazendo, por sinal! A oportunidade de continuar os estudos no mestra- do e, mais tarde, no doutorado, me pareceram adequa- das. Realizar leituras de artigos científicos, participar de https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/14319 congressos internacionais, conhecer outras pessoas que trabalham com a linha de pesquisa em outros lugares do mundo é demais! Aprendi muito, convivi com professores incríveis! Essa vivência mudou minha forma de encarar a vida! Nas horas vagas, gosto muito de ler, andar de bicicleta e assistir a séries. Gosto de ouvir o som do pneu da bici- cleta no asfalto. São momentos a sós em que posso me conhecer melhor! . http://lattes.cnpq.br/9868070605680586 Olá, estudante! Nossa trajetória, nesta disciplina, inicia-se em função de alguns questionamentos es- senciais sobre a inserção profissional. Ao longo de toda a sua graduação, aposto que você sempre refletiu sobre a questão: “o que será que eu vou fazer profissionalmente após a conclusão do meu curso?” ou, ainda, “o que um biólogo pode realizar na prática, além da docência?” e, por fim, “com tantas mudanças de legislação ocorrendo e com novas possibilidades sendo geradas, como posso me enquadrar nesse cenário profissional?”. Todos esses questionamentos são importantes e devem ser realizados por todos nós, profissionais do segmento! A busca por identidade profissional há muito tempo é discutida nos meios acadêmico e científico. A experiência acadêmica nada mais é do que um processo que pressupõe uma concepção dos indivíduos, como a capacidade de simbolizar, representar, criar, responder, executar e compartilhar significados em relação aos objetos com os quais convive. Assim, conhecer a fundo detalhes sobre sua futura atuação, além de conhecimentos avançados em um processo de atualização, é fundamental! É preciso que você considere, estudante, que as ciências da vida, por suas relações inevitá- veis com as demais áreas do conhecimento, sempre estarão passando por atualizações e cons- tantes descobertas e renovações. Assim, a formação continuada nunca foi tão imprescindível! Como forma de experimentar e investigar algumas dessas informações que serão fundamentais em nosso contexto, nos voltaremos, neste momento, para a atuação profissional que dá respaldo a alguns de nossos questionamentos profissionais. Assim, sugiro que você acesse o site do Conselho Federal de Biologia (CFBio), que pode ser encontrado com uma simples busca no Google, para explorar o espaço chamado "áreas de atuação”. Neste, você encontrará três grandes áreas de atuaçãoTratam-se de análises relacionadas à caracterização de proteína expressadas, testes de digestibilidade in vitro, avaliação de toxicidade aguda oral em camundongos, avaliação de homologia estrutural da proteína com toxinas proteicas conhecidas, avaliação do potencial alergêni- co e equivalência nutricional, mais todos os testes relativos ao meio ambiente e produtividade (CARVALHO; MATEUS, 2019). Segundo Faleiro, Andrade e Reis Jr. (2011), nenhum outro tipo de alimento liberado para consumo humano passa por uma bateria de testes tão rigorosa. Nesse contexto, as ações de pesquisa e desenvolvimento assumem grande im- portância, pois são elas que subsidiam informações para a liberação comercial ou não dos OGMs, contribuindo cada vez mais nas tomadas de decisão sobre todos os assuntos relativos aos transgênicos. Para que a aplicação da biotecnologia ofereça segurança, uma série de nor- mativas e regulamentos devem ser seguidos. Atualmente, no Brasil, a Lei de Bios- segurança Nacional (Lei n. 11.105/2005) regula o uso da Biotecnologia no país. Em seu Art. 1º, prevê que: “ […] esta Lei estabelece normas de segurança e mecanismos de fis- calização sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a transferência, a importação, a exportação, o armazena- mento, a pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no meio 43 ambiente e o descarte de organismos geneticamente modificados (OGM) e seus derivados, tendo como diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente. (BRASIL, 2005, on-line) A CTNBio é o órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações que estabelece as normas para pesquisas com OGMs e seus derivados. A liberação comercial de um OGM ou produto oriundo deste só ocorre após a análise do resultado de extensivos testes toxicológicos, alergênicos, nutricionais e ambientais. O tempo médio de um estudo é de 12 anos, uma vez que, para isso, necessita-se de uma forte base acadêmica e científica. As avaliações de segurança seguem padrões internacionais definidos pela OMS e pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO/ONU). Existe uma associação e uma relação entre Biotecnologia e Bioética muito in- trínseca, a qual discutiremos em outra unidade. No entanto, neste momento, vale destacar que, para além das legislações, por se tratar de práticas que “resultam” ou representam um possível impacto ambiental e social, alguns princípios éticos são se- guidos pela comunidade científica para o desenvolvimento desses novos organismos. Como exemplo, podemos citar o princípio da precaução. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e conforme mencionado nos Arts. 10 e 11 do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança, o princípio da precaução é definido como “ A ausência de certeza científica devido à insuficiência das informa- ções e dos conhecimentos científicos relevantes sobre a dimensão dos efeitos adversos potenciais de um organismo vivo modificado na conservação e no uso sustentável da diversidade biológica na Parte importadora, levando também em conta os riscos para a saúde huma- na, não impedirá esta Parte, a fim de evitar ou minimizar esses efeitos adversos potenciais, de tomar uma decisão, conforme o caso, sobre a importação do organismo vivo modificado. (BRASIL, 2020, on-line) Esse mesmo princípio também foi proposto na Conferência Rio/92 sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, sendo definido como uma ferramenta UNICESUMAR UNIDADE 1 44 para “[…] a garantia contra os riscos potenciais que, de acordo com o estado atual do conhecimento, não podem ser ainda identificados”. Conforme o que é preconizado pelas legislações nacionais, o funcionamento da CTNBio é definido pela Lei de Biossegurança, regulamentada em 2005, segundo a qual: “ CTNBio, composta de membros titulares e suplentes, designados pelo Ministro de Estado da Ciência e Tecnologia, é constituída por 27 (vinte e sete) cidadãos brasileiros de reconhecida competência técnica, de notória atuação e saber científico, com grau acadêmico de doutor e com destacada atividade profissional nas áreas de biossegurança, biotecnologia, biologia, saúde humana e animal ou meio ambiente [...]. (BRASIL, 2005, on-line) Segundo a Lei de Biossegurança, a CTNBio tem, dentre outros, os seguintes objetivos: “ - Estabelecer normas para as pesquisas com OGM e derivados de OGM. - Estabelecer normas às atividades e aos projetos relacionados a OGM e seus derivados. - Estabelecer, no âmbito de suas competências, critérios de avaliação e monitoramento de risco de OGM e seus derivados. - Proceder à análise da avaliação de risco, caso a caso, relativamente a atividades e projetos que envolvam OGM e seus derivados. - Estabelecer os mecanismos de funcionamento das Comissões Inter- nas de Biossegurança – CIBio, no âmbito de cada instituição que se dedique ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnoló- gico e à produção industrial que envolvam OGM ou seus derivados. - Estabelecer requisitos relativos à biossegurança para autorização de funcionamento de laboratório, instituição ou empresa que desen- volverá atividades relacionadas a OGM e seus derivados. - Relacionar-se com instituições voltadas para a biossegurança de OGM e seus derivados, em âmbito nacional e internacional. - Autorizar, cadastrar e acompanhar as atividades de pesquisa com OGM ou derivado de OGM, nos termos da legislação em vigor. 45 - Autorizar a importação de OGM e seus derivados para atividade de pesquisa. (BRASI, 2005, on-line) Como podemos observar, são inúmeras as atribuições concedidas à CTNBio, por meio da Lei de Biossegurança, e deixa claro a grande preocupação em relação, principalmente, à biossegurança dos OGMs e seus derivados. Caso empresas ou demais entidades não respeitem as normas estabelecidas pela lei citada e pelas disposições legais pertinentes, os responsáveis pelos danos observados ao meio ambiente e a terceiros responderão, solidariamente, por indenização ou reparação parcial ou integral, independentemente da existência de culpa ou não. As infrações administrativas serão punidas na forma disposta no regulamento dessa lei, independentemente das medidas cautelares de apreensão de produtos, suspensão de venda de produto e embargos de atividades, com as seguintes sanções: “ I. Advertência; II. Multa; III. Apreensão de OGM e seus derivados; IV. Suspensão da venda de OGM e seus derivados; V. Embargo da atividade; VI. Interdição parcial ou total do estabelecimento, atividade ou em- preendimento; VII. Suspensão de registro, licença ou autorização; VIII. Cancelamento de registro, licença ou autorização; IX. Perda ou restrição de incentivo e benefício fiscal concedidos pelo governo; X. Perda ou suspensão da participação em linha de financiamento em estabelecimento oficial de crédito; XI. Intervenção no estabelecimento; XII. Proibição de contratar com a administração pública, por perío- do de até 5 (cinco) anos. (BRASIL, 2005, on-line) UNICESUMAR UNIDADE 1 46 Mesmo com todas as sanções descritas anteriormente, muitas vezes, a infração pode se constituir de um crime ou uma contravenção e, portanto, penas devem ser aplicadas pela autoridade fiscalizadora. A seguir, estarão dispostos os crimes e suas respectivas penalidades, segundo a Lei de Biossegurança: “ - Liberar ou descartar OGM no meio ambiente, em de- sacordo com as normas estabelecidas pela CTNBio e pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização, pode gerar pena de reclusão de 1 a 4 meses e multa. - Utilizar, comercializar, registrar, patentear e licen- ciar tecnologias genéticas de restrição do uso, pode ocasionar pena de reclusão de 2 a 5 anos e multa. - Produzir, armazenar, transportar, comercializar, importar ou exportar OGM ou seus derivados, sem autorizaçãoou em desacordo com as normas esta- belecidas pela CTNBio e pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização, pode acarretar em pena de re- clusão de 1 a 2 anos e multa. (BRASIL, 2005, on-line) Por fim, temos, ainda, a atuação do Conselho Nacional de Biossegu- rança (CNBS), que se refere a um órgão de assessoramento superior da Presidência da República, constituído pela Lei de Biossegurança, que objetiva formular e implementar a Política Nacional de Biosse- gurança (PNB). Nesse sentido, configuram-se como competências desse órgão: “ - Fixar princípios e diretrizes para a ação adminis- trativa dos órgãos e entidades federais com compe- tências sobre a matéria. - Analisar, a pedido da CTNBio, quanto aos aspectos da conveniência e oportunidade socioeconômicas e do interesse nacional, os pedidos de liberação para uso comercial de OGM e seus derivados. (BRASIL, 2005, on-line) 47 Todos os conceitos aqui apresentados são de grande valia para a atuação do pro- fissional em ciências biológicas, em especial se considerarmos que tal atuação é crescente no campo laboratorial e no desenvolvimento de produtos e tecnologias. Ainda, esse profissional atua com o segmento de qualidade de produtos alimen- tares em consonância com a legislação vigente. Como proposta de ação para seus estudos em relação a Biotecnologia e os OGMs, propomos que você acesse o site do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e consulte, no Registro Nacional de Cultivares (RNC), sobre os diferentes cultivares transgênicos, a fim de observar as documentações existen- tes, o número do registros, o detentor/mantenedor da tecnologia e, em especial, sobre o relatório de descritores e os eventos de transformação genética. O link para acesso é: https://www.gov.br/agricultura/pt-br/guia-de-servicos/registro- -nacional-de-cultivares-rnc. Ao realizar tais ações, você estará fazendo uma imersão no contexto da con- ferência de cultivares geneticamente modificados. Vamos experimentar? NOVAS DESCOBERTAS Título: Entendendo a Biotecnologia Autores: Aluízio Borém, Fabrício Rodrigues dos Santos e Welison Pereira Editora: UFV - Universidade Federal de Viçosa Sinopse: o livro aborda importantes aplicações biotecnológicas por meio de bases biológicas e ferramentas da área Genética. Os autores tam- bém apresenta capítulos dedicados às questões de bioética e patentes de invenções biotecnológicas no Brasil. UNICESUMAR https://www.gov.br/agricultura/pt-br/guia-de-servicos/registro-nacional-de-cultivares-rnc https://www.gov.br/agricultura/pt-br/guia-de-servicos/registro-nacional-de-cultivares-rnc 48 Chegou o momento de colocarmos os saberes prévios e adquiridos em prática, por meio do exercício de leitura e interpretação. Então, vamos exercitar respondendo às questões a seguir! 1. A Biotecnologia e o advento de tal ciência possibilitaram avanços na humanidade, nos mais variados segmentos, independentemente de serem econômicos, produtivos ou, ainda, da saúde, visando, sobretudo, ao atendimento das necessidades básicas e de demandas sociais emergentes. Nesse contexto, analise as afirmativas a seguir e marque V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) Por meio da Biotecnologia, foi possível produzir plantas geneticamente modifi- cadas com genes bacterianos que conferem resistência às pragas da lavoura. ( ) A modificação genética pode ser feita por métodos de incorporação de DNA, como a biobalística e a eletroporação. ( ) É inexistente qualquer tipo de regulamentação para produção e comercialização de OGMs no Brasil. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) V, V, F. b) V, V, V. c) F, V, V. d) F, F, V. e) F, F, F. 2. Ainda que a temática seja contemporânea e nova, o desenvolvimento de legislações e, até mesmo, as preocupações acerca do assunto OGMs, não são recente. Segundo a Lei de Biossegurança, a CTNBio surge como uma solução frente a isso, propondo medidas, regulamentos e dotada de atribuições. Nesse sentido, analise as afirmativas a seguir e marque V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) Estabelecer normas para as pesquisas com OGM e derivados deste. ( ) Estabelecer normas às atividades e aos projetos relacionados ao OGM e aos seus derivados. 49 ( ) Estabelecer, no âmbito de suas competências, critérios de avaliação e monitora- mento de risco de OGM e seus derivados. ( ) Proceder à análise da avaliação de risco, caso a caso, relativamente a atividades e projetos que envolvam OGM e seus derivados. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) V, V, V, F. b) V, V, V, V. c) F, V, F, V. d) F, F, V, V. e) F, F, F, F. 3. Sabemos que são inúmeras as atribuições concedidas à CTNBio por meio da Lei de Biossegurança, principalmente no que compete à biossegurança dos OGMs e de seus derivados. Caso empresas ou demais entidades não respeitem as normas esta- belecidas pela lei citada e suas disposições legais pertinentes, os responsáveis pelos danos observados ao meio ambiente e a terceiros responderão, solidariamente, por indenização ou reparação parcial ou integral, independentemente da existência de culpa ou não. Considerando as informações anteriores sobre as medidas punitivas empregadas pela CTNBio, analise as afirmativas a seguir e marque V para as verdadeiras e F para as falsas. ( ) Advertência. ( ) Multa. ( ) Apreensão de OGM e seus derivados. ( ) Suspensão da venda de OGM e seus derivados. ( ) Embargo da atividade. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) V, V, V, F, F. b) V, V, V, V, V. c) F, V, F, V, V. d) F, F, V, V, V. e) F, F, F, F, V. 2A Bioética e a Atuação Profissional Dr. Gustavo Affonso Pisano Mateus Dr. Nayra Thais Delatorre Branquinho Olá, estudante! Ao longo desta unidade, refletiremos e buscaremos respostas e per- cepções individuais sobre os limites da ética e da bioética, bem como a relação desta com as ciências da vida e a área da Saúde. Compreen- deremos, também, o processo de investigação científica nesse campo, a formação de comitês e as intersecções com outras áreas do saber, como os campos da Sociologia e Filosofia. Por fim, veremos sobre os princípios estruturantes ou pilares que norteiam as discussões cientí- ficas e as regulamentações em Bioética. Bons estudos! UNIDADE 2 52 Para iniciarmos, convido você a uma reflexão acadêmica destituída de precon- ceitos, pois, para dialogarmos sobre assuntos tão complexos, precisamos “rom- per” percepções pessoais para acompanhar linhas que tangenciam uma série de outras áreas do saber! Para que tenhamos noção da dimensão que esta unidade nos propõe, pre- cisamos passar brevemente por campos do saber voltados às ciências sociais aplicadas e às ciências da saúde. Compreendemos o quanto essa afirmação pode “assustar”, pois, normalmente, associamos esses campos do saber a discussões complexas e a uma série de au- tores e citações históricas, porém, tenha calma! Nosso papel, aqui, é conduzi-lo a uma jornada leve, repleta de reflexões acerca do nosso cotidiano, que, de alguma forma, nos auxiliarão com analogias associadas aos limites da ética e da bioética! Os estudos sobre a bioética podem ser permeados por uma série de precei- tos que chamaremos, neste momento, de “perspectivas”, compreendendo que esse termo contempla modelos, teorias e correntes suportados e fundamenta- dos por autores e pesquisadores clássicos e contemporâneos, que trazem temas como o início e o fim da vida, a genética moderna e as suas potencialidades, a conduta atitudinal de um profissional e a relação da bioética com a pesquisa em animais e humanos. Frente a essa complexidade, seria impossível esgotar esse assunto nas páginas de um único material didático, pois a densidade conceitual é ampla. Assim, propomos compreender aproximações iniciais pertinentes a sua formação inicial. Porém, fica aqui o alerta do quanto essa pauta de estudo é importante no contexto da formação continuada. Agora, para iniciarmos uma aproximaçãocom o tema, gostaríamos de levantar um questionamento: você já refletiu sobre a complexidade da Bioética enquanto ciência? Com toda certeza, você entende que os avanços científicos na área da Saúde Pre- ventiva ou Paliativa sempre se deram em função de algum episódio catastrófico ou negativo para a história da humanidade. Sabe, também, que a trajetória e o avanço da ciência, em seus mais variados segmentos, nem sempre atendeu a premissas huma- nitárias e de respeito à dignidade da vida humana, como observamos na atualidade. Desde os primórdios da humanidade, os atendimentos em saúde sempre se de- bruçaram sobre polêmicas envolvendo o processo de humanização em uma relação médico-paciente (GOLDIM, 2002), que ceifava a autonomia do paciente e denotava o caráter paternalista e sacerdotal de relação em que cabia ao médico a tomada de deci- sões, sendo ele o detentor de maior poder na relação (LÓPEZ-MUÑOZ et al., 2007). 53 Nesse contexto, trazemos à luz e como exemplos os experimentos conduzidos durante a Segunda Guerra Mundial (1936-1945), que eram realizados de maneira abrupta, ignorando a autonomia, o consentimento e o bem-estar dos indivíduos submetidos às pesquisas e às mais diversas barbáries. Na concepção de Das e Sil, (2017), tais eventos, por mais nebulosos que sejam, serviram e levantaram premissas iniciais para o surgimento de códigos éticos, principalmente no contexto pós-guerra, quando se notou a necessidade do estabelecimento de normas que poderiam guiar a atuação do médico em relação ao paciente, buscando respeitar os princípios da beneficência, não ma- leficência e, principalmente, da autonomia. Vamos aproximar essa analogia de nosso cotidiano: você possivelmente uti- liza produtos cosméticos em bases diárias, correto? E se dissermos que, para o desenvolvimento da ciência necessária para a utilização segura desses produtos, passamos por uma trajetória extensa de testes invasivos em animais? Você se espantaria com essa informação? Ainda nesse universo temático e com finalidade imersiva, propomos uma investigação inicial bem breve. Pensando nisso, escolha alguns produtos cosmé- ticos de seu dia a dia. Podem ser produtos dos seus familiares também, tudo bem? Depois, busque por informações nas embalagens ou no site da marca, relacionadas UNIDADE 2 UNIDADE 2 54 a testes em animais. Garantimos que, com essa pesquisa, você poderá se espantar com as informações levantadas! Agora, propomos que você registre, no diário de bordo, os resultados de suas buscas e reflexões! Aqui, precisamos lembrá-lo de que a finalidade dessa investigação não é ve- xatória ou para denegrir a marca X ou Y, mas, sim, refletir, relacionar e identificar aplicações da bioética em nossas vidas. Se traçarmos uma trajetória temporal, fica evidente que muito se avançou quanto à questão dos testes aos quais os animais eram e são submetidos, a fim de investigar e evitar reações adversas de produtos ou substâncias considera- das nocivas para testes com humanos (IKEDA; SMOLAREK, 2015). Porém, são questões pertinentes à bioética que se fazem presentes em nossas vidas e, por isso, desmistifica a relação que estabelecemos da bioética com algo voltado apenas à tecnologia e manipulação de material genético. Claro que essa premissa existe, mas é importante verificar os reflexos dessa ciência ao nosso redor! 55 Vamos, agora, conhecer um pouco do percurso histórico do surgimento da Bioética! Para iniciarmos, segundo Marchionni, (2008), a palavra “bioética” vem do grego “bio” (que significa vida) e “ética”, que vem de “ethos” (que, para os gre- gos, significa morada, habitat, refúgio). Porém, ainda segundo o mesmo autor, para os filósofos, “bioética” significa “modo de ser”, “caráter”, “índole”. Além disso, compreendemos que a ética é um conjunto de valores, virtudes e ações, os quais definem o querer, o poder e o dever. Para Dantas (2021), por mais que haja uma tendência a acreditar que a ética está limitada a aspectos sociais, é preciso considerar a sua especificidade e preo- cupação para com o indivíduo. Afinal, ao longo da vida, vamos adquirindo senso crítico e criando percepções sobre a realidade. Nesse processo vital, adquirimos e reproduzimos valores, princípios e crenças. Ademais, em algum momento, ques- tionaremos verdades estabelecidas e buscaremos nossas concepções. Isso traz mudanças, inclusive no que se refere às questões culturalmente herdadas. A ética veio para formar um embasamento moral, que é imprescindível ao desenvolvimento profissional, no qual ética e moral são complementares. Para Bento (2012), a moral se baseia no dever, na obrigatoriedade; enquanto a ética se resume em fazer o que é desejável. É importante compreender que tanto a ética quanto a moral não se tratam de verdades fixas, absolutas ou imutáveis. Assim como a cultura, os valores éticos e morais podem ser dinâmicos. Nesse sentido, segundo Dantas (2021, p. 161) “ Tal dinamismo está relacionado ao processo de questionamento e regulação de todas as regras e normas estabelecidas socialmente e que têm interferência direta sobre a nossa vida. Em resumo, a ética pressupõe os valores existentes e adquiridos social e culturalmente, enquanto a moral corresponde à racionalidade, à reflexão, ao ques- tionamento, à contestação ou à aceitação e concordância com estes. Então, a bioética, conforme Reich (1978, p. 20), consiste em um “[…] estudo sistemático das dimensões morais, incluindo a visão, a decisão, a conduta, e as normas das ciências da vida e da saúde, usando de inúmeras metodologias éticas em um contexto interdisciplinar”. UNIDADE 2 UNIDADE 2 56 A bioética tem caráter multidisciplinar, ou seja, abrange diversas áreas do co- nhecimento científico, como Biologia, Medicina, Sociologia, Psicologia, Filosofia, Antropologia, Direito, dentre outras (DUARTE, 2009). Por alguns autores, a bioética ainda pode ser caracterizada devido a sua “mul- ti-inter-transdisciplinar”, pois possibilita que análises mais precisas “religuem” vá- rios núcleos de conhecimento, com ângulos de observações distintos, tendo como ferramenta a interpretação de complexidade de cada área (GARRAFA, 2005). Na concepção de Garrafa (2005), a Bioética é um dos campos da Ética Aplicada que mais avançou nas últimas décadas e, depois de anos, ainda continua avan- çando, como quando falamos na sua aplicabilidade em questões como o acesso às necessidades básicas para a população LGBTQIA+, abordado no trabalho de Parente et al. (2021). Portanto, a bioética veio para contribuir com a humanidade e suas questões de diferenças e contradições em inúmeras áreas, para que possa ser facilitado o processo de convivência por pontos de vistas que são, muitas vezes, incompatíveis e distintos (DUARTE, 2009). Para o autor do primeiro livro sobre bioética, Van Rensselaer Potter (1971, p. 8), ela é algo essencial para se ter a conexão entre o ser humano e o especialista: 57 “ O que nós temos de enfrentar é o fato de que a ética humana não pode estar separada de uma compreensão realista da ecologia em um sentido amplo. Valores éticos não podem estar separados de fatos biológicos [...]. Como indivíduos nós não podemos deixar nosso destino nas mãos de cientistas, engenheiros, tecnólogos e políticos que esqueceram ou nunca souberam dessas verdades elementares. Em nosso mundo moderno, nós temos botânicos que estudam plantas ou zoologistas que estudam animais, no entanto, a maioria deles é especialista que não lida com as ramificações de seu conhecimento limitado. O surgimento histórico da bioética, muito comumente comentado, deu-se devido a experimentos com humanos de forma cruel, como os campos de concentração nazistas, as duas guerras mundiais e os tratados de direitos humanos (DINIZ; GUILHEM, 2017). A Segunda Guerra Mundial ficou conhecida como o maior acontecimento de atrocidades humanas, em que os médicos, nos campos de concentração, rea- lizavam inúmeros experimentos científicos, sem nenhum tipode consentimento e com a mais dura frieza humana. Com a investigação dos médicos nazistas e a exposição dos relatórios de experimentos realizados nos prisioneiros dos campos de concentração, houve o estabelecimento do Código de Nüremberg, em 1947, com seus dez princípios básicos, a saber: “ 1. O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente es- sencial. [...]. O dever e a responsabilidade de garantir a qualidade do consentimento repousam sobre o pesquisador que inicia ou dirige um experimento ou se compromete nele. São deveres e responsabilidades pessoais que não podem ser delegados a outrem impunemente. 2. O experimento deve ser tal que produza resultados vantajosos para a sociedade, que não possam ser buscados por outros métodos de estudo, mas não podem ser casuísticos ou desnecessários na sua natureza. 3. O experimento deve ser baseado em resultados de experimen- tação em animais e no conhecimento da evolução da doença ou outros problemas em estudo; dessa maneira, os resultados já co- nhecidos justificam a realização do experimento. 4. O experimento deve ser conduzido de maneira a evitar todo so- frimento físico ou mental desnecessários e danos. UNIDADE 2 UNIDADE 2 58 5. Não deve ser conduzido qualquer experimento quando existirem razões para acreditar que pode ocorrer morte ou invalidez perma- nente; exceto, talvez, quando o próprio médico pesquisador se sub- meter ao experimento. 6. O grau de risco aceitável deve ser limitado pela importância hu- manitária do problema que o experimento se propõe a resolver. 7. Devem ser tomados cuidados especiais para proteger o partici- pante do experimento de qualquer possibilidade de dano, invalidez ou morte, mesmo que remota. 8. O experimento deve ser conduzido apenas por pessoas cientifica- mente qualificadas. O mais alto grau de habilidade e cuidado deve ser requerido de aqueles que conduzem o experimento, através de todos os estágios deste. 9. O participante do experimento deve ter a liberdade de se retirar no decorrer do experimento, se ele chegou a um estado físico ou mental no qual a continuação da pesquisa lhe parecer impossível. 10. O pesquisador deve estar preparado para suspender os proce- dimentos experimentais em qualquer estágio, se ele tiver motivos razoáveis para acreditar, no exercício da boa-fé, habilidade superior e cuidadoso julgamento, que a continuação do experimento prova- velmente resulte em dano, invalidez ou morte para o participante. (CÓDIGO…, 1947, on-line) Segundo Diniz e Guilhem (2017), mesmo com o Código de Nüremberg pro- posto, muitos médicos não o levavam em consideração, isso porque já “seguiam” a proposta da ética médica, com o juramento hipocrático. Além disso, também ficou muito claro que apenas os médicos nazistas seriam capazes de tamanhas atrocidades. Mais tarde, em 1962, com a publicação de um artigo da jornalista Shana Ale- xander, intitulado por “Eles decidem quem vive, quem morre”, segundo o filósofo Jonsen (1993), teve-se um dos principais marcos para a ruptura da ética médica e a bioética. O artigo tratava da exposição de um grupo de médicos que deviam decidir entre inúmeros pacientes com problemas renais, os quais poderiam se beneficiar do uso da máquina de hemodiálise, recém-chegada na cidade. Porém, 59 os médicos incumbiram um grupo de pessoas leigas para que decidissem (com seus próprios critérios, sem conhecimentos médicos) quem faria ou não o tra- tamento. É claro que não foi correto abrir para o público esse tipo de decisão! Assim, em 1966, o fato de que não somente os médicos nazistas estariam descumprindo o seu juramento ético da profissão, mas, também, os demais profis- sionais, veio à tona. O caso do anestesista, o médico pesquisador Henry Beecher, foi um dos maiores exemplos disso. Ele publicava artigos com os resultados de suas pesquisas, as quais eram desenvolvidas em seres humanos escolhidos por meio de buscas em jornais, sendo negros, pobres, idosos, crianças, deficientes mentais… Ou seja, aqueles que não teriam o poder de consentir, em plenas con- dições mentais, os testes a que seriam submetidos. Com a publicação de 22 casos, deu-se o entendimento da falta de profissiona- lismo de Beecher, pois as pesquisas eram comparadas às que os médicos nazistas faziam, como a inoculação do vírus da hepatite em pessoas com retardo mental e a injeção de células cancerígenas em idosos senis, sem que soubessem o que estavam tomando. Assim, em todos os casos, os alvos da pesquisa não tinham o conhecimento, nem o consentimento de nada do que estavam sendo expostos, o que contribuiu para questionar a relação entre médico (pesquisador) e paciente (HECK, 2005; BYK, 2015; DINIZ; GUILHEM, 2017). Outro fato histórico, antes da criação da bioética, deu-se em 1967, com Ch- ristian Barnard, cirurgião cardíaco que transplantou o coração de um paciente quase morto. Nunca se soube, ao certo, em que condições o doador do órgão es- tava quando o médico realizou o transplante. Com isso, começaram-se a estipular critérios para morte cerebral e até que ponto poderiam considerar tal diagnóstico (DINIZ; GUILHEM, 2017; JONSEN, 1993). Nesse contexto, surge, pela primeira vez, a palavra “bioética” em um artigo de 1970, escrito pelo bioquímico e professor de oncologia Van Rensselaer Potter, intitulado como “Bioethics: the science of survival” ou, em português, “Bioética: a ciência da sobrevivência”. Segundo Potter, havia a necessidade de se conectar as culturas científico-tec- nológica e humanista-moral, o que foi descrito em seu outro artigo, publicado em 1971, intitulado “Bioethics: bridge to the future” ou “Bioética: ponte para o futuro”. De acordo com Bento (2008), Potter reivindicava a criação de uma nova ciência, uma ciência da sobrevivência, que se baseasse na aliança do saber bioló- gico com os valores humanos. Ele propunha um grande campo de aplicação da UNIDADE 2 UNIDADE 2 60 Bioética, em que a paz, a ecologia, a vida animal, o bem-estar da humanidade e o controle da população culminaria na sobrevivência da humanidade e do planeta em si. Porém, o reconhecimento de obra seminal de Bioética só foi consolidada no fim da mesma década, nos Estados Unidos, e o pioneirismo de Potter com a Neologia só foi reconhecido em 1990 (POTTER, 2017). Entretanto, o desenvolvimento da Bioética se fez em cada país de modo par- ticular, com seus contextos culturais ou suas circunstâncias específicas. De qual- quer forma, fez-se necessária a sua adesão e tudo que ela traz (PESSINI, 2007). O fator determinante para a consolidação da Bioética, foi a exposição dos abusos (novamente) que ocorriam em investigações científicas, no Estados Unidos, na déca- da de 1970, os quais usavam grupos vulneráveis, como idosos, crianças e negros em situação de pobreza (JONSEN, 2003). Na mesma década, em 1978, no mesmo país, foi feita a publicação do Relatório de Belmont, o qual sintetizava orientações éticas a serem seguidas por pesquisas biomédicas e comportamentais (POTTER, 2017). Foi com o Relatório de Belmont que a Bioética entrou como disciplina para acrescentar na formação dos profissionais da saúde. Ele nasceu como uma Co- missão Nacional para a Proteção de Sujeitos Humanos na Pesquisa Biomédica e Comportamental, quando todos os escândalos citados (e outros) foram expostos nos Estados Unidos, a fim de que houvesse um termo para buscar a ética nas pesquisas biomédicas (ROTHMAN, 1991). A proposta da comissão em questão (e, posteriormente, do Relatório de Bel- mont) se deu em três princípios éticos, a saber: “ 1. Respeito pelas pessoas: [...] a vontade deve ser um pré-requisito fun- damental para a participação na pesquisa científica, fazendo com que a concessão do consentimento somente tivesse validez após a infor- mação e a compreensão sobre a totalidade da pesquisa a ser realizada; 2. Beneficência: [...] compromisso do pesquisador na pesquisa cien- tífica para assegurar o bem-estar das pessoas envolvidas direta e indiretamente com o experimento,[...] não causar qualquer dano ou mesmo maximizar os benefícios previstos. 3. Justiça: [...] cuidado redobrado na escolha dos participantes da pesquisa científica. (DINIZ; GUILHEM, 2017, p. 9, grifos nossos) 61 Posterior ao Relatório de Belmont, ainda na década de 1970, foram realizados ajus- tes no termo, como a Teoria Principialis- ta de Tom Beauchamp e James Childress, que, com a publicação do livro “Princi- ples of biomedical ethics” ou “Princípios da ética biomédica”, complementaram os três princípios, com o acréscimo da não maleficência, que se trata de não causar danos, de forma intencional, psíquica, moral e socialmente. Também houve a alteração do “respeito pelas pessoas” por “autonomia”, a qual se define pelo fato de que o ser humano deve ter autonomia de suas decisões, ou seja, ninguém, de qual- quer modo, incapaz de fazer escolhas, de- verá ser submetido a pesquisas (FACCO; SCHNAIDER; SILVA, 2010). A partir da definição desses quatro princípios, outros autores constituíram a Teoria Principialista, que seria a des- crição de uma ética prática. No entanto, esse termo foi alvo de muitas críticas, até os dias atuais. Como dito, foi a partir da definição dos princípios de Bioética que a discipli- na começou a ser implementada, suge- rindo o uso de três grandes abordagens: historicista, filosófica e temática (COSTA; DINIZ, 1999; DINIZ; GUILHEM, 2017). O infográfico a seguir expressa um re- sumo dos pressupostos e princípios éticos relacionados à atuação ética, sobretudo na área da Saúde. UNIDADE 2 UNIDADE 2 62 O *princípio da bene�cência* deve servir como horizonte para uma normatização jurídica, a �m de que possa ser compreendido em situações especí�cas, preceituando e assegurando os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade cientí�ca, aos sujeitos da pesquisa, aos médicos e pacientes, bem como ao Estado. O *princípio da autonomia* corresponde ao direito de escolha que cada indivíduo possui, ou seja, cada pessoa tem o direito de se autodeterminar. Dessa forma, os pro�ssionais da saúde devem respeitar a vontade do “paciente” ou de seu representante. A autonomia traz a ideia de que as pessoas devem ser livres em decidirem o que irão realizar ou se submeter. Logo, respeitar a autonomia inerente de cada ser humano é prezar pela opinião e escolhas, evitando, dessa forma, violações ao livre arbítrio de cada indivíduo, a não ser que suas escolhas venham causar prejuízos para si mesmo ou para outrem. O *princípio da justiça*, criado por Aristóteles, liga-se à ideia de justiça social distributiva, sendo o mais elevado princípio. Tem como objetivo regular as condutas dos pro�ssionais da área da saúde e os pacientes, com propósito de fornecer os mesmos serviços de saúde a todos os indivíduos, sem concepção de raça, sexo e classe social. Com base nesse princípio, a exigência de proteção prevalece sobre as classes vulneráveis, para que não sejam alvo de pesquisas e ações médicas contra sua vontade. O *princípio da não male�cência* corresponde dizer que “não devemos infringir mal ou danos a outros'', sendo apenas um ponto de partida muito rudimentar como orientação acerca das condições nas quais as ações danosas são proibidas. OLHAR CONCEITUAL Portanto, é possível compreender que o “fenômeno da Bioética”, como descreve Engelhardt Jr. (2000, p. 4), “[…] está associado sob vários aspectos à desprofis- sionalização da ética médica e sua reconceitualização como disciplina secular, orientada filosoficamente, não dependente dos profissionais da saúde”. Todavia, a Bioética se relaciona a um saber que, diferentemente da ética antropocêntrica, considera a condição global de existência de todos os seres. 63 Até este ponto de nossa trajetória, compreendemos a Bioética como um ramo da Ética que volta suas reflexões a tudo aquilo que se relaciona à vida. Desse modo, quando nos deparamos com problemas éticos envolvendo a vida de seres humanos ou animais, temos problemas bioéticos que geram questionamentos e se tensionam com inúmeras outras áreas do saber, a exemplo do aborto, da eu- tanásia, dos transplantes, da clonagem, do suicídio assistido e das células tronco. Estes são alguns dos assuntos que, de maneira direta ou indireta, fazem parte do cotidiano de muitos profissionais da saúde e áreas correlatas. Vale lembrar que são situações relacionadas à ética e moralidade, que atingem a sociedade como um todo. Assim, a Bioética assume e desempenha um papel fundamental no tratamento desses temas, sendo que, com o advento da medicina e da sociedade, as discussões se intensificam e, conforme a ciência avança, são definidas e compreendidas “novas concepções de certo e errado”. No âmbito da pesquisa, resguardada por uma série de no- mativas, aquela envolvendo animais sempre desperta mui- ta curiosidade e tabus, logo, explorar essa temática se faz necessário. Assim, convidamos você a explorar a trajetória, as implicações e as normativas que permeiam a bioética animal em nosso podcast. Aperte o play e compreenda mais sobre esse contexto!. Neste ponto, vamos a uma reflexão: o que, de fato, é permitido ou não pela lei? Além disso, partindo para um novo direcionamento em nossas reflexões, quais são os limites morais da seleção genética de embriões em virtude dos riscos potenciais? É fato que a área da Saúde lida com temáticas e assuntos associados a tabus, em função da intensa discussão sobre “os problemas éticos” envolvidos. Aqui, então, estabelecemos um paralelo com a Biotecnologia, sobre a qual falamos na primeira unidade, que compreende discussões sobre ferramentas e tecnologias que possibilitam a manipulação e edição gênica. Também reiteramos a ideia de que é necessária uma intensificação da discussão com os segmentos médicos e farmacêuticos sobre os adventos e produtos biotecnológicos, no contexto das possibilidades, bem como os limites éticos e o atendimento de normas para a prestação de produtos e serviços em saúde, sobretudo quando ocorre o uso de UNIDADE 2 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11020 UNIDADE 2 64 dados de saúde para pacientes juntamente com o uso de algoritmos, reforçando a criação interna de conselhos de ética. De acordo com os estudos de Myszczuk (2005), em sua obra “Genoma huma- no: limites jurídicos à sua manipulação”, expressam-se os detalhes da aprovação de um projeto de declaração voltado ao genoma humano, que o classifica en- quanto um patrimônio genético da humanidade, reiterando a necessidade de sua preservação, postulando que ele só pode ser manipulado em condições estritas e em completo respeito aos direitos humanos. Ainda segundo o autor, a Declaração Universal do Genoma Humano e dos Direitos Humanos considera violações dos direitos humanos a discriminação genética. Tal documento proíbe a clonagem humana e exige a garantia do prin- cípio da dignidade humana, mas essa fronteira entre o que é aceitável ou não, a cada dia, torna-se mais desafiadora e delicada (MYSZCKUK, 2005). NOVAS DESCOBERTAS A ciência sempre surpreende positivamente com seus adventos e avan- ços constantes. Muitas vezes, transcende algumas barreiras que, no passado, não eram facultadas. Diante disso, o convidamos a ler esta notícia sobre o transplante de um coração de suíno em um indivíduo que sofria de uma doença cardíaca com risco de morte. Vale conferir! Vamos, agora, avançar para uma reflexão sobre outro tópico que merece atenção e maturidade para que seja abordado: o aborto. Aqui, e na formação de profissionais das ciências da vida, esse diálogo faz, mais do que nunca, muito sentido, sobretudo devido à formação de docentes da Educação Básica e de futuros pesquisadores. Assim, é fato que todos os seres humanos possuem um ciclo biológico de vida, composto de início, meio e fim. É, também de conhecimento de todos, que métodos contraceptivos que não afetam ou causam prejuízoà saúde dos indiví- duos são permitidos, mas é inegável a necessidade de políticas públicas claras e consolidadas que possam direcionar esforços e concretizar dados no que se refere à conscientização populacional quanto às implicações do processo gestacional e ao planejamento familiar. Reside, diante desse cenário, um pressuposto ético relevante fundado no princípio da beneficência, que dá suporte a essa ideia. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15050 65 Novos seres humanos devem existir se houver condições de garantir a eles uma vida com qualidade, condizente com os direitos constituintes preconizados pelas legislações es- truturantes: leia-se a Constituição, a Declaração Universal de Direitos Humanos e o Estatuto das Crianças e dos Adoles- centes. Entretanto, sabemos que, na prática, muitas vezes, isso não ocorre. Como exemplo, podemos citar uma gravidez não prevista/desejada ou não planejada na juventude, que pode “comprometer” um projeto de vida. Frente a um contexto des- se porte, práticas abortivas acabam sendo realizadas. Claro que a questão de o aborto ser ou não permitido é bem mais complexa e requer estudos, análises e percepções, mas o contexto da prevenção e prudência se faz necessário: “ […] o aborto pode ser moralmente permiti- do em uma série de casos, mas ele é duvidoso em outros casos, tanto moralmente como até legalmente, e justamente por isso há todo o de- bate sobre a questão do aborto: quando há ris- co para a gestante, quando há má formação ou, ainda, quando há doenças que impedirão uma vida com qualidade. (DANTAS, 2021, p. 168) Nossas reflexões envolverão diferentes áreas do saber, pois vertentes jurídicas e sociais aplicadas podem ser acrescidas a esse diálogo, sustentando que, em alguns, o aborto deve ser permitido. Legislações diferentes se aplicam em outros paí- ses, permitindo o aborto, relacionando-se ao maior ou me- nor grau de liberdade existente, assim como à valorização do princípio da autonomia da mulher. Contudo, entraves e inter- secções dos próprios princípios podem ser observados, visto que o princípio da não maleficência pode ser invocado para coibir o aborto, mas pode se contrapor a ele o princípio da autonomia da mulher, que deveria decidir livremente sobre manter ou não a gestação. UNIDADE 2 UNIDADE 2 66 É justamente na contraposição desses princípios que surgem os dilemas mo- rais. De um lado, tem-se a posição pró-vida e, de outro, a posição pró-escolha. De acordo com Dall’Agnol (2005, p. 26-27), acerca da gestação, temos que: “ A interrupção do desenvolvimento do zigoto não parece ser proble- mática por motivos morais nem naturais, muitos abortos espontâ- neos acontecem nesse período, se o óvulo fecundado não se fixa no útero materno. Na realidade, não há ainda a gestação no sentido es- trito do termo. Isso se segue segundo alguns principialistas que não há problemas morais relacionados com a experimentação embrio- nária. Até o décimo quarto dia o zigoto não apresenta nenhum traço morfológico humano, sustenta-se ainda que até a décima segunda semana gestações indesejadas por razões sólidas, por exemplo, má- formação do feto ou feto portador de doença gravíssima deveriam poder ser interrompidas, por isso o aborto não contraria as leis na- turais e seria justificável moralmente. O princípio da autonomia pode, neste caso, ser invocado sobrepondo-se aos demais. A partir desse estágio do desenvolvimento da gravidez o córtex cerebral já está formado, logo o feto sente dor e por conseguinte o princípio da não maleficência proibiria o aborto, superpondo-se ao da autono- mia. Desde esse ponto de vista, então, a interrupção da gestação deve ser permitida somente em um número extremamente pequeno de casos. Por exemplo, se a mãe correr risco de vida. A partir do sexto mês, quando o feto está completo e pode sobreviver fora do útero materno, com os cuidados normais que toda criança precisa ter, as gestações jamais deveriam ser interrompidas voluntariamente. Dessa forma, frente a essas informações, percebemos, neste ponto de nossos estudos, a complexidade da questão do aborto. É justamente por isso que existem posições pró-vida e pró-escolha, que estão sempre em disputa. Logicamente que a adoção de um posicionamento, em muitos casos, estará atrelado a percepções e valores morais imbuídos, porém é importante considerar a cientificidade de cada situação. Sigamos com reflexões atreladas a outra temática importante: a fertilidade. Na perspectiva de Dall’Agnol (2005), a fertilização se configura e se caracteri- za como um modo de resolução dos problemas da reprodução natural. Todavia, existem outras maneiras que se relacionam a um planejamento familiar, em seus 67 variados significados, que podem ser interessantes, como é o caso da adoção ou da utilização de uma barriga de aluguel. Este último, apesar de delicado e contar com uma série de implicações legislativas, configura-se, também, como um dos recursos que podem ser considerados para essa finalidade. Há certo limite para esses métodos, sobretudo no que se refere à clonagem reprodu- tiva para seres humanos, que, na visão da Bioética, não deveria ser permitida. Além de problemática, é “tecnicamente questionável” e pode estar relacionada com “desejos ego- cêntricos”. Assim, na perspectiva da Bioética, tal prática deve ser totalmente proibida se tiver como finalidade o fornecimento de órgãos para transplante (DALL’AGNOL, 2005). NOVAS DESCOBERTAS Título: Uma prova de amor Ano: 2009 Sinopse: Sara (Cameron Diaz) e Brian Fitzgerald (Jason Patric) são in- formados que Kate (Sofia Vassilieva), sua filha, tem leucemia e possui poucos anos de vida. O médico sugere aos pais que tentem um procedi- mento médico ortodoxo, gerando um filho de proveta que seja um doador compatível com Kate. Eles aceitam a proposta. Assim, nasce Anna (Abigail Breslin), que, logo ao nascer, doa sangue de seu cordão umbilical para a irmã. Anos depois, os médicos decidem fazer um transplante de medula de Anna para Kate. Ao atingir 11 anos, Anna precisa doar um rim para a irmã. Cansada dos procedimentos médicos aos quais é submetida, ela decide en- frentar os pais e lutar na justiça por emancipação médica, de modo que te- nha direito a decidir sobre o que fazer com o seu próprio corpo. No que diz respeito ao início da vida, não podemos nos esquecer da experimen- tação embrionária, com vista à melhoria genética: “ A experimentação pode, a princípio, ser feita pelo presente que os pré- -embriões excedentes podem servir para desenvolver técnicas capazes de usar, por exemplo, células tronco para fins de transplante. Nesse está- gio, nenhuma pessoa é envolvida e, portanto, não há aqui o desrespeito à autonomia. O princípio da não maleficência também não coíbe essa prática assim a questão da melhoria genética. Desse modo, a melhoria genética não possui nada de moralmente condenável em si mesma. (DALL’AGNOL, 2005, p. 25) UNIDADE 2 UNIDADE 2 68 Contudo, deve-se evitar que a genética se torne uma nova premissa para discrimi- nações sociais, pois tal fato culminaria no ferimento radicalmente do princípio da justiça. Nesse sentido, com base na concepção presente na bibliografia, torna-se possível afirmar que existe a eugenia negativa e positiva, terminologias novas que vão fazer muito sentido a partir deste ponto! Em uma analogia simples, a eugenia positiva é preventiva, enquanto a euge- nia negativa se figura no campo do melhoramento. A positiva reside na premissa de que certas doenças de cunho hereditário poderiam ser evitadas por uma inter- venção terapêutica, ao passo que a negativa é aquela que abarca as intervenções reformadoras, procurando, assim, produzir seres geneticamente aperfeiçoados, dotados de caracteres fenotípicos tidos como desejados. A primeira é justificável, enquanto a segunda não. O problema sempre residirá em encontrar o limite entre ambas. Desse modo, figura um debate sobre o atendimento das necessidades básicas condizentescom os direitos constitucionais e com a dignidade da pessoa humana. A Bioética entra em debate quando não há a satisfação dessas necessidades bási- cas. Podemos pensar isso a partir do princípio da não maleficência e da beneficência. Há vários temas específicos relacionados à qualidade de vida e que não pode- remos esgotar à nível de formação inicial. Porém, ganha destaque e espaço, neste momento, o tema: transplante de órgãos. Dantas (2021, p. 172) postula que: “ Parece evidente pensar que, em nome da melhoria da qualidade de vida das pessoas, esse procedimento é justificável moralmente e, assim, podemos também refletir sobre a questão de doar os órgãos de alguém que morreu. Tanto a pessoa que morreu antecipadamente poderia falar que “sim”, ela estaria a favor de doar os seus órgãos, assim como a família desta pessoa que faleceu. Isso pode ser consi- derado moralmente justificável e até mesmo obrigatório. Outra reflexão importante e que cabe neste ponto está relacionada à qualidade de vida e relação da humanidade com o meio ambiente: “ É importante destacar a relação da pessoa com o meio ambiente e com os animais. A visão tradicional que instrumentaliza a natureza deve ser superada. A natureza não deve ser vista apenas como algo 69 a ser explorado, mas deve ser vista como o habitat natural do ser humano. Em relação ao que se relaciona com o fim da vida humana, aborda-se questões como o suicídio, suicídio assistido, a eutanásia, a ortotanásia (morte que acontece de forma natural, sem o uso de procedimentos invasivos, a fim de prolongar a vida) e a distanásia (morte lenta, com sofrimento e dor decorrentes de procedimentos médicos). Nesse ponto, nós podemos pensar essas questões a partir do choque de princípios. De um lado, nós temos a vida sob qual- quer circunstância e de outro lado nós temos autonomia, liberdade e autodeterminação. (DANTAS, 2021, p. 172) É fato e senso comum que alguns países possuem legislações específicas a esse respeito, havendo, também, vertentes religiosas que defendem que a vida tem um valor superior à autonomia, bem como diversos teóricos e legislações que defendem que a autonomia é a base da dignidade da pessoa humana. Essas ques- tões do fim da vida humana são extremamente complexas e justamente por isso há bons argumentos, tanto a favor da vida quanto a favor da autonomia. Dessa forma, no contexto mais amplo, que compreende “meio ambiente”, surgem outros questionamentos que podem ser problematizados pela Bioética. A genômica moderna e o projeto genoma humano avançam a passos lar- gos, possibilitando a interferência em características humanas que, antes, seriam moldadas pela natureza ou, até mesmo, pelo comportamento social e cultural. O mesmo ocorre com os animais. Aqui, surge uma reflexão: até que ponto a Engenharia Genética pode ser benéfica ou não para a natureza? Na contemporaneidade, os direitos dos animais ganham destaque, assim como o direito ao não sofrimento e à liberdade, considerando sua possibilidade de viver de modo natural (SINGER, 2018). Esses são problemas recentes que, anteriormente, não eram discutidos por uma questão que abrange valores sociais, morais e culturais que se modificaram ao longo do tempo e que ainda ganharam espaços e adesão populacional mediante eventos recentes e exposição midiática. Iniciamos, então, uma reflexão teórica que parte para o campo da Filosofia, subsi- diada pelos argumentos de Singer (2018), que se associa à ética na contemporaneidade. Para o autor, inicialmente, a ética não é algo vinculado estritamente ao contexto religioso, o que ele chama de “inteligível ao contexto religioso”, afinal, também existe uma ética filosófica que vai além da questão religiosa e que se pauta na razão UNIDADE 2 UNIDADE 2 70 (SINGER, 2018). Isso nos leva à reflexão de que nem sempre tais valores ou convic- ções podem estar, de fato, associados. A ética rompe as barreiras da relatividade e subjetividade, uma vez que ela não pode ser restrita ao relativismo de determinada cultura e, também, não pode se restringir às ideias e aos valores individuais. Uma vez vencido esse entendimento, fica claro que todas as questões éticas re- sidem em um âmbito muito mais amplo do que a subjetividade de um sujeito, seu interesse pessoal, questões próprias, como uma filosofia de vida, ou gostos pessoais. O que necessita ficar evidente é que a ética, enquanto concepção racional e humana, é uma condição necessária. Razões e justificativas necessitam ser con- sideradas em uma perspectiva coletiva, rompendo o estigma de que um posicio- namento pode ser defendido ou sustentado com base em interesses particulares, dando à ética um ponto de vista universal, empático e igualitário. Ao nos debruçarmos sobre eventos históricos da humanidade para essa reflexão, nos deparamos com eventos em que a superioridade racial ou sexual eram de deter- minados indivíduos/populações, inferidos em relação a outros. Todavia, na atualida- de, além do fator constitucional, que estabelece a igualdade entre todos, independen- temente da cor da pele, do sexo, da idade, da crença religiosa, dentre outros fatores, há o fator cultural, que pressupõe a alteridade ou, em outros termos, a empatia. Vejamos uma simples analogia proposta por Dantas (2021, p. 175) quanto à igualdade e sua aplicação, antes de nos aprofundarmos sobre essa questão: “ […] vamos pensar na igualdade e sua aplicação. Imagine que você tenha, em sua bolsa, duas aspirinas e próximo a você tem duas pessoas com dores de cabeça. A princípio, segundo o método de igualdade, o correto seria dar uma aspirina para cada pessoa. Agora, imagine outra situação: você tem duas aspirinas e há dez pessoas com dores de cabeça, com intensidade similar. Como escolher quem deve receber uma aspirina? Além disso, há casos em que a intensi- dade da dor é diferente. Por exemplo, numa escala de 0 a 10, a dor de uma está em 3 enquanto a dor da outra está em 9. Se você dividir as aspirinas uma para cada uma, a primeira ficará completamente sem dor e a segunda, provavelmente, permanecerá com dor. Então, talvez, nessa situação, a melhor alternativa é dar as duas aspirinas para aquela que está com maior intensidade de dor. E assim você conseguirá diminuir a desigualdade inicial. 71 Singer (2018) também propõe uma analogia interessante para essa compreensão. Segundo o autor, agindo igualmente com desiguais, apenas mantemos a desi- gualdade. Portanto, às vezes, é preciso agir desigualmente para conseguir uma igualdade maior no final. Essa é a lógica da equidade. Ainda sobre a perspectiva do mesmo autor, existem quatro princípios éticos ou proposições fundamentais para entender a sua filosofia, dos quais todo o restante de seu pensamento deriva e que são, também, proposições fundamentais para aplicar em qualquer outro tipo de filosofia moral para além da utilitarista (SINGER, 2002). É preciso lembrar que tais princípios derivam das conclusões de Singer (2002) e requerem reflexões difíceis que poucas pessoas estão dispostas a aceitar, como conclusões sobre aborto, eutanásia, infanticídio, direitos animais e, até mesmo, ajuda aos mais pobres. Isso porque desafiam o nosso senso comum e fazem com que as pessoas queiram proibir a divulgação dessas visões. Vencida essa premissa, vamos aos princípios! De acordo com Dantas (2021, p. 177), o primeiro princípio prevê que “ […] a dor é ruim em si mesma e não importa quem esteja sentindo. Peter Singer é um filósofo utilitarista. O utilitarismo é a ideia de que, em termos éticos, o certo e o errado vão delimitar as conse- quências das nossas ações. Essas consequências, no fim das contas, na perspectiva de Singer, ocasionaram mais prazer do que dor ou vice-versa, e aí reside a interpretação da ação. Se a ação aumentou a dor, logo ela foi ruim. Agora, se ela aumentou o prazer, ela foi boa; mas claro que isso é apenas uma simplificação para fins didáticos. UNIDADE 2 UNIDADE 2 72 Dantas (2021, p. 177) aindareflete sobre aquilo que foi postulado por Singer (2002) ao expressar o seguinte: “ A dor pode ser considerada como todo tipo de sofrimento ou afli- ção. Entretanto, não se trata de assumir que apenas a dor seja algo ruim ou que ocasionar dor seja sempre algo errado. Antes, certas dores são aceitáveis, seja quando direcionadas a nós ou aos outros, tais como retirar um apêndice defeituoso ou, então, encarcerar um criminoso. Sendo o foco da filosofia utilitarista diminuir a dor para aumentar a utilidade (esta seria um termo aqui cunhado pelo filó- sofo Jeremy Bentham que se refere a tudo aquilo que diz respeito a nossa felicidade), é natural que seja irrelevante a cor de pele, sexo, religião e por aí vai de quem efetivamente sente dor. Da mesma forma, é irrelevante se sente dor, se é humano ou não. De modo que a dor de animais, não humanos, deva ser evitada também. Dando continuidade, o segundo princípio prevê que: “ […] dor e aflição não são propriedades exclusivamente humanas. A evidência da nossa condição comum, como a grande maioria dos ou- tros animais, é a nossa capacidade de sentir dor, nossa capacidade de experienciar situações desconfortáveis e buscar um certo alívio delas, fugindo, então, dessa situação desconcertante para alcançar algum nível de prazer. Existem diferentes sentimentos que nós compartilha- mos em comum com vacas, porcos, frangos e muitas outras espécies que nós exploramos, mas que, na grande maioria das vezes, simples- mente não consideramos os seus interesses. (DANTAS, 2021, p. 178) Em uma analogia relacionada a práticas comuns da pecuária e do agronegócio, pode- mos pegar uma vaca matriz de reprodução separada de seu filhote à força, o que lhe causaria suficiente tristeza em comparação a uma mulher humana comum que viesse a passar pela mesma situação. Outros exemplos também podem ser mencionados, como o caso de suínos ou bovinos que vivem em regime de confinamento severo, muitas vezes engaiolados, sem poder se mover de um lado para o outro, apenas po- dendo ficar em pé, comer e dormir. Assim, tornam-se igualmente entediados, tendo 73 uma vida de aflição muito maior do que a maioria dos seres humanos seria capaz de compreender, de imaginar, e por aí vai. Peter Singer (2002), com essa ideia, deixa claro que existem certas propensões naturais de cada espécie que, quando não são suficientemente realizadas, geram descontentamento, tristeza e dor. Assim, se a natureza dos animais é a liberdade, a sua privação os condena ao sofrimento. Isso não é uma mera constatação des- critiva, mas, sim, um indicador normativo. Ora, a dor é o que de mais objetivo a gente pode mensurar para tentar entender o que é o certo e o errado a se fazer. Desse modo, quanto maior a capacidade de sofrimento de um ser vivo, maior deve ser o nosso cuidado na tentativa de evitá-lo. Já no que diz respeito ao terceiro princípio, Dantas (2021, p. 179) menciona que: “ Raça e sexo não são moralmente relevantes tal como a espécie. Esse princípio, aponta para a necessidade de considerar cada ser por si mesmo na hora de calcular o mal feito ao matá-lo. Assim, sexo, raça, religião e espécie não são critérios moralmente válidos para justifi- car ou não a morte. Ora, para alguém que entende que brancos de- vem ser privilegiados em relação a negros ou vice-versa, que alguém da raça oposta morra não é exatamente um grande mal, mesmo para o homem que pensa que uma mulher é uma propriedade. UNIDADE 2 UNIDADE 2 74 Ainda segundo Dantas (2021), em uma analogia similar, o especismo (discri- minação por espécie) coloca os seres humanos em uma escala de importância superior aos animais não humanos. É uma ideia que tenta delimitar o que é o certo e o que é o errado de acordo com a espécie que pertence o animal afetado, logo, o que importa, na hora de decidir a gravidade de uma morte, não é o sexo, a religião, a raça ou a espécie daquele que foi morto, mas se a vida que se foi tinha interesse em continuar a viver ou se era efetivamente capaz de viver. Frente a isso, não seria lógico ignorar os interesses de outros seres simplesmente porque não fazem parte da nossa espécie. Da mesma forma que raça, sexo e religião não são moralmente relevantes, a espécie também não deve ser. E, por fim, temos o quarto princípio, que traz o seguinte: “ Somos responsáveis não só pelo que fazemos, mas também pelo que poderíamos ter impedido. Por fim, mas não menos importante, Peter Singer (2002) segue coerentemente a filosofia utilitarista e torna claro que a omissão também é uma ação. Se o utilitarismo está certo e o que importa são as consequências das nossas ações, a julgar que não fazer nada também é agir. Então, quando nos isentamos de ajudar aqueles que precisam da nossa ajuda, somos responsáveis pela sua desgraça. Temos que pensar nas consequências daquilo que fazemos, mas também precisamos refletir sobre as consequências das nossas omissões e fugas de situações que se apresentam e reivindicamos não ter responsabilidade alguma sobre elas. (DANTAS, 2021, p. 180) 75 Bem, esses foram os quatro princípios éticos de Peter Singer. Tratam-se de princípios conceituais básicos que, em tese, qualquer pessoa poderia aceitar. Todavia, quando nos questionamos sobre o exercício da prática desses princípios, a realidade dos fatos parece não ser tão simples. Desse modo, surgem novos questionamentos, como o da relação com os próprios alimentos e com os animais: é necessário reconhecer que o prazer de comer carne não nos garante ou dá algum direito sobre os interesses daqueles animais que, provavelmente, se pudessem escolher, não optariam por ser abatidos. Afinal, o instinto de sobrevivência é intrínseco e latente em todo ser vivo. Ainda nesse ínterim de reflexão, o quarto princípio, acrescido à lógica do primeiro, nos faz questionar não apenas a omissão frente aos animais, mas evidencia o quanto evitamos olhar para as mazelas do mundo que assombram e assolam, inclusive, a nossa própria espécie. Isso nos leva a pensar que é preciso operar na premissa de algum nível de bom senso, ainda que, por sermos humanos, somos logicamente falhos por termos interesses particulares, subjetivos e que sempre são tendenciosos a evitar todo e qualquer esforço desnecessário. Entretanto, a lógica do menor possível parece simbolizar uma fuga da dor e da busca pelo estabelecimento de um bem-estar mínimo. A busca por conforto é algo universal no reino animal, seja entre humanos, seja entre não humanos. Peter Singer (2002), reconhece esse comportamento humano, dando priori- dade, então, aos interesses dos seres sencientes, aqueles que são capazes de expe- rimentar prazer e dor. Outra discussão interessante permeada pela Bioética é acerca do suicídio as- sistido. Proibido em vários países e incompreendido por muitas pessoas, é um ato humano irreversível e que traz um questionamento acerca do meio ou fim da vida. Continuar vivendo até quais circunstâncias? Esse é o dilema principal! Em casos de legalidade, o sofrimento intolerável e o grau de consciência do doente são fundamentais para a prática. Partindo para a finalização dos temas que nos propomos a conhecer e refletir ao longo desta unidade, chegamos à aplicação dos princípios da Bioética na prá- tica, e um dos exemplos mais comuns consiste nos comitês de bioética. Neste momento de nossa leitura, imaginamos que você esteja fazendo a se- guinte reflexão: “certo, já ouvi falar em comitê de ética, mas comitê de bioética é UNIDADE 2 UNIDADE 2 76 uma novidade!”. Os comitês de ética desempenham papel fundamental no con- texto da ética, porém, em algumas situações, eles possuem atribuições diferentes. Porém, fique tranquilo! Iremos diferenciá-los a partir de agora. A respeito do comitê de bioética, de acordo com Francisconi et al. (2002, p. 1), ele “ […] pode ser definido como um corpo interdisciplinar de pessoas que têm por objetivo ensinar, pesquisar, prestar consultoria e sugerir normas institucionais em assuntoséticos. Assim, os comitês de bioética repre- sentam um grande avanço em instituições de saúde, pois ajudam as equipes a consentimentos e decisões difíceis, que muitas vezes envolve questões de natureza moral, sendo um verdadeiro dilema. Porém, de- vido ao surgimento da bioética ter sido no meio clínico, muitas pessoas acreditam que ela só se remete a isso, ou só existe questões de bioética, a serem resolvidas a âmbito clínico, mas a bioética não está restrita apenas a ciências da saúde, ela abrange todas as áreas do conhecimento. Os comitês de ética, por muitas vezes, substituíram e supriram a presença de comitês de bioética, porém houve uma grande necessidade de grupos que discu- tissem as necessidades humanas, não somente em relação às pesquisas clínicas, mas, também, quanto a questões que retratam o quão afetado estaria o meio am- biente, de forma geral, com o desenvolvimento de certas pesquisas e/ou quaisquer outras ações de profissionais que ferissem a integridade dos seres. As pesquisas biomédicas que ocorrem na América Latina são escassas de consentimento livre e esclarecido, o que está intimamente relacionado ao desenvolvi- mento dos países, o que as diferem das realizadas nos Estados Unidos, por exemplo, onde há menores índices, atualmente, de pesquisas sem o consentimento livre e esclarecido. A respeito desse consentimento, segundo a Resolução n. 196 (1996, on- -line), trata-se de “ […] anuência do sujeito da pesquisa e/ou de seu representante legal, livre de vícios (simulação, fraude ou erro), dependência, subordi- nação ou intimidação, após explicação completa e pormenorizada sobre a natureza da pesquisa, seus objetivos, métodos, benefícios previstos, potenciais de riscos e o incômodo que esta possa acar- retar, formulada em um termo de consentimento, autorizando sua participação voluntária na pesquisa. 77 Na América Latina, como o sistema de ensino é precário, os pesquisados que se submetem às pesquisas mal sabem o que está escrito em um documento, muitas vezes inteligível. Esse documento, por não ter valor jurídico, mas ético, faz-se útil para o andamento das pesquisas (HOSSNE; VIEIRA, 1995; WOLTMANN, 2006). Contudo, como Woltmann (2006, p. 117) citou em seu trabalho: “ Foram os CEP’s das instituições que surgiram como grandes foros dessas discussões sobre pesquisa em geral, e especialmente sobre a pesquisa biomédica envolvendo seres humanos, numa tentativa de garantir que os pesquisados não sofram constrangimento ou sofri- mento, garantindo, assim, sua dignidade como pessoas, e que seus direitos fundamentais não sejam transgredidos somente em nome do conhecimento. Esse é o marco da mudança de paradigmas do pesquisador latino-americano. Logo, os comitês de bioética não são os mesmos que as comissões de ética médi- ca, os quais estão vinculados aos Conselhos Regionais de Medicina, compostos apenas por médicos. Segundo Troster (2000), o que se vê é uma grande busca desses comitês, por parte dos pacientes e de seus familiares, mesmo que eles existam em poucas quantidades no Brasil. Destacamos, aqui, que, em função da formação dos profissionais em ciências biológicas, a atuação em comitês de ética e bioética serão, muitas vezes, necessários. Você consegue perceber a proximidade conceitual com a área da Educação para Saúde e do curso enquanto uma ciência multidisciplinar? PENSANDO JUNTOS UNIDADE 2 UNIDADE 2 78 Bem, caro leitor, chegamos no momento de realizar uma ação que nos dê visibi- lidade sobre os conceitos até aqui versados. O questionamento que levantamos e a ação que será requerida estão relacionados aos conselhos de ética de suas regiões: você sabe da existência de algum conselho de ética na região onde mora? Possivelmente, você não terá essa informação na ponta da língua, por isso, para suprir esse impasse, nossa proposta é que você acesse o site http://conse- lho.saude.gov.br/comites-de-etica-em-pesquisa-conep?view=default e consulte, dentre o expressivo número de conselhos de ética nas diferentes regiões do país, aquele que mais se aproxima de você. Essa consulta pode ser feita via CEP e, quem sabe, surge aqui uma aproxima- ção e uma futura possibilidade de inserção nesse ambiente profissional! Essa ação é importante, pois é muito relevante que você conheça e se apro- xime do “local” onde se expressam e materializam os conhecimentos até aqui construídos e consolidados. A atuação de um profissional das ciências biológicas em um conselho de ética é fundamental, uma vez que temos domínio e proximidade com disciplinas bases das ciências da vida. Essa atuação também é fundamental para o conhecimento dos fluxos legislativos e das plataformas para a submissão de projetos e propostas relacionados ao desenvolvimento da ciência e tecnologia, na busca por novas soluções, produtos ou serviços que atendam às necessidades da sociedade. NOVAS DESCOBERTAS Título: Bioética, saúde e sociedade Autor: Marisa Palácios Editora: Fiocruz. Sinopse: a coletânea organizada por Marisa Palácios, professora titu- lar da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), apresenta contribuições e diálogos entre a ética e a saúde pública. As muitas mudanças causadas pelas inovações tecnológicas nas áreas de Saúde e, especialmente, na saúde coletiva, são debatidas no livro, que reúne textos de especialistas de diversas áreas do conhecimento (Direito, Medicina, Farmácia, Ciências Sociais, Filoso- fia, Enfermagem, Psicologia etc.), em torno de temas atuais e desafiadores para toda a sociedade. http://conselho.saude.gov.br/comites-de-etica-em-pesquisa-conep?view=default http://conselho.saude.gov.br/comites-de-etica-em-pesquisa-conep?view=default 79 1. A existência de diferentes princípios à luz da ética e da bioética norteiam e dão sub- sídios para os diferentes diálogos e as compreensões nesse universo. Frente a isso, assinale a alternativa que corresponde ao nome do princípio descrito a seguir. “Corresponde ao direito de escolha que cada indivíduo possui, ou seja, cada pessoa tem o direito de se autodeterminar. Dessa forma, os profissionais da saúde devem respeitar a vontade do paciente ou de seu representante”. Estamos nos referindo ao princípio: a) do livre arbítrio. b) da não maleficência. c) da segurança. d) da autonomia. e) da maleficência. 2. Leia o excerto a seguir, postulado por Engelhardt (2010, p. 4): “[…] está associado sob vários aspectos à desprofissionalização da ética médica e sua reconceitualização como disciplina secular, orientada filosoficamente, não dependente dos profissionais da saúde”. ENGELHARDT JR., H. T. The foundations of Christian bioethics. Lisse: Swets & Zeitlinger, 2000. Nesse contexto, assinale a alternativa que nomeia o conceito descrito. a) Fenômeno da conduta médica. b) Fenômeno astrológico. c) Fenômeno natural. d) Fenômeno da Bioética. e) Fenômeno da conduta biológica. 80 3. Trata-se de um estudo sistemático das dimensões morais, incluindo a visão, a de- cisão, a conduta e as normas das ciências da vida e da saúde, utilizando inúmeras metodologias éticas em um contexto interdisciplinar. Nesse entendimento, é correto afirmar que o conceito descrito corresponde: a) aos princípios. b) à moral. c) à ética. d) à Bioética. e) à Ciência. 3Me Formei, e Agora? Dr. Nayra Thais Delatorre Branquinho Olá, estudante! Nesta unidade, será abordado sobre a profissão do biólogo! Veremos, assim, sobre o histórico, as resoluções que regulamentam a pro- fissão, a criação dos conselhos que fiscalizam a profissão, emitem cartei- ras profissionais e são responsáveis por estabelecer multas e penalidades como o disposto em lei. Além disso, entenderemos quanto à importância do diploma, às diferenças entre as habilitações de licenciatura e bachare- lado, à carga horária das habilitações, às áreas de atuação de cada um e onde cada profissional poderá atuar, de acordo com a sua formação. Por fim, nos aprofundaremos sobre o código de ética, aprenderemos algumas curiosidades eas penalidades as quais o biólogo poderá ser submetido, caso não realize as medidas necessárias para regulamentar sua situação. Com todos esses assuntos, temos a certeza de que a leitura desta uni- dade será essencial para compreendermos essa maravilhosa profissão! Bons estudos! UNIDADE 3 82 Você se lembra daquele momento em que escolheu as Ciências Biológicas como curso superior? Na época, você gostava dos conteúdos que envolviam as ciências em sua escola, não é? Alguns realizaram outro curso por diversas questões, pes- soais ou não, mas, mesmo assim, o desejo em cursar Biologia ainda permaneceu, como um sonho a ser realizado, certo? Assim, chegou a oportunidade: você organizou sua rotina, fez um planeja- mento financeiro e, finalmente, realizou a matrícula no curso! Foram diversas disciplinas até aqui. Os ensinamentos de seus mestres marcaram sua trajetória, sendo que, com algumas disciplinas, você teve mais afinidade, enquanto outras se tornaram mais complicadas. Agora que o seu curso está finalizando, novos desafios virão à frente: deixamos de nos preocupar com a correria em estudar, entregar as atividades e assistir às diversas aulas conceituais e ao vivo referentes às disciplinas. Da mesma forma como a ciência, nossa vida não permanece imutável. Quan- do finalizamos uma etapa, novos desafios surgem, a exemplo de encontrar um emprego na área. Ao longo do curso de Ciências Biológicas, você vivenciou diversas discipli- nas teóricas. No entanto, sabemos que existe uma grande diferença entre teoria e prática. Dessa forma, seu desafio, agora, é encontrar um emprego. No entanto, provavelmente não sabe por onde começar, nem onde buscar seu primeiro em- prego na área de Ciências Biológicas, não é mesmo? Sua família, seus amigos e até colegas dão opiniões divergentes sobre o curso e qual rumo tomar, mas isso lhe deixa mais aflito sobre qual carreira seguir. E agora? Será que você conhece todos os caminhos que o biólogo pode seguir ao longo de seu percurso? A Biologia é um ramo da Ciência que tem contribuído e evoluído muito no Brasil. A história começou há 85 anos, com o primeiro curso, denominado “História Natural”. Entretanto, a regulamentação da profissão de biólogo e a criação do Conse- lho Federal de Biologia (CFBio) e dos Conselhos Regionais de Biologia (CRBios), os quais veremos ao longo da unidade, levou um tempo para ser firmada. O CFBio é uma autarquia federal criada a partir da Lei n. 6.684, de 3 de setembro de 1979. Ela foi alte- rada pela Lei n. 7.017, de 30 de agosto de 1982, que permitiu o desmembramento do curso de Biomedicina, regulamentada pelo Decreto n. 88.438, de 28 de junho de 1983. Ao realizar a implementação pelo conselho, o biólogo saiu efetivamente do exercício não regulamentado das suas atividades. Nesse aspecto, passou a ocu- par o nível superior regulamentado no país, a partir de seus conselhos federal e 83 regional de Biologia, ou seja, um grande avanço para a categoria! A profissão conta, portanto, com mais de 40 anos de regulamentação. Esta, contudo, foi marcada por lutas e reali- zações, refletindo no fortalecimento da profissão e do reconhecimento. O CFBio divide as áreas de atuação do biólogo em três: Meio Ambiente e Biodiversidade, Saúde e Biotecnolo- gia e Produção. Nesta unidade, então, veremos um pouco mais sobre elas e você será direcionado a se aprofundar em outros materiais para esclarecer sua compreensão. É importante verificar as áreas de atua- ção do biólogo antes de escolher em qual delas deseja atuar, afinal, o conselho de Biologia não apenas defende a profissão, mas, também, realiza a fiscalização desse profissional em seu dia a dia. Assim, de acordo com a sua afinidade, em qual área você gostaria de seguir dentro da profissão? Para conhecer a rotina desse profissio- nal, é possível questionar/acompanhar a rotina de algum biólogo que conheça e rea- lizar anotações a respeito do que descobrir! Sabemos que todos os cursos apre- sentam uma missão de fundamental im- portância para o profissional conhecer mais sobre o exercício do seu trabalho de forma adequada e legal, para que garanta a qualidade dos serviços prestados. Além disso, existe um órgão fiscal organizado para regulamentar e fiscalizar a profissão. UNICESUMAR UNIDADE 3 84 Assim, leia e reflita sobre a missão dos conselhos profissionais em Biologia: “ - Defender, disciplinar e fiscalizar o exercício profissional do biólogo, representando, em juízo e fora dele, os interesses gerais dos profissio- nais e assegurando a qualidade dos serviços prestados à sociedade. - Zelar, juntamente com os biólogos, pela vida em todas as suas formas e pelos interesses sociais, tendo como referência o desenvol- vimento científico e tecnológico necessário à constante melhoria da qualidade de vida da população, à conservação e a sustentabilidade da biodiversidade e dos ecossistemas. - Orientar os biólogos sobre seus direitos e deveres profissionais estabe- lecidos em normas éticas e princípios, e em especial no código de ética. - Estimular a honradez no exercício da profissão, velando pelo prestí- gio e bom nome dos biólogos que a exercem. (BRASIL, 1979, on-line) Reflita sobre essa missão e anote no diário de bordo as suas reflexões! 85 Vamos conversar mais sobre a história por trás da regulamentação do biólogo no país? A história de regulamentação se iniciou na década de 1970, com a criação da Associação Paulista de Biólogos (APAB), a fim de concretizar o reconhecimen- to da profissão no Brasil. Uma história, como podemos perceber, muito recente. O desafio para se concretizar essa regulamentação ocorreu com alguns repre- sentantes de associações do Rio Grande do Sul, Pernambuco e Rio de Janeiro. Nu- merosas delegações de docentes e estudantes de graduação em Ciências Biológicas de diversos Estados se mobilizaram com o objetivo de regulamentar a profissão. Para essa regulamentação, órgãos de fiscalização foram estabelecidos pela Lei n. 6.684/1979, legislação determinante na conclusão do processo legislativo, com a aprovação do substitutivo na Câmara dos Deputados, que foi sancionado pelo Presidente da República e que regulamentou a profissão de biólogo, assim como criou o CFBio e os CRBios (BRASIL, 1979). Se você realizou uma leitura atenta da indicação de artigo anterior, percebeu que os conselhos atuam em conjunto com o Ministério do Trabalho, realizando NOVAS DESCOBERTAS Convido você a realizar a leitura de um artigo referente à legislação. Uma leitura atenta lhe permitirá que compreenda melhor sobre a pro- fissão e, claro, que esclareça pontos que podem estar confusos em sua cabeça. Veremos, então, sobre a criação de órgãos regulamenta- dores da profissão, que fazem a fiscalização e atuam de forma mais direta com os profissionais: “ Art. 6º Ficam criados o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Biologia (CRBio) e Biomedicina (CRBM) – com a incumbência de fiscalizar o exercício das profis- sões definidas nesta Lei. § 1º Os Conselhos Federais e Regionais a que se refere este artigo constituem, em conjunto, uma autarquia fe- deral vinculada ao Ministério do Trabalho. § 2º O Conselho Federal terá sede e foro no Distrito Fe- deral e jurisdição em todo o País e os Conselhos Re- gionais terão sede e foro nas Capitais dos Estados, dos Territórios e no Distrito Federal. (BRASIL, 1979, on-line) UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15788 UNIDADE 3 86 a fiscalização quanto às pessoas físicas portadoras de carteira profissional e às empresas que contam com biólogos atuando em seu quadro de profissionais. É importante ressaltar que as organizações também devem fazer o seu registro junto ao conselho para realizar a sua atuação. No Brasil, a atuação do CFBio é consolidada por meio da Resolução CFBio n. 8/1996, em que foram criados os Conselhos Regionais de Biologia. Estes eram personalidades jurídicas e de direito público, de autonomia administrativa e financeira, ficandodos biólogos, sendo elas: em Meio Ambiente e Biodiversidade, em Saúde e em Biotecnologia e Produção. A proposta, aqui, é que, em um exercício de transparência, você enumere as atribui- ções da profissão que desconhecia. Com toda certeza vai ficar surpreso por compreen- der a diversidade de áreas de atuação na qual nos inserimos. Claro que, no caso de licenciados, é necessário compreender a dinâmica de inserção no conselho de classe, porém, iremos compreender isso juntos, ao longo desta unidade! TÓPICOS AVANÇADOS EM BIOLOGIA Realmente, espero que você tenha se surpreendido, de forma positiva, em relação às informações que encontrou. Confessamos que, em nossa trajetória enquanto aca- dêmicos, não recebemos orientações ou fomos estimulados a conhecer esse lado de nossa profissão, o que fez com que, após a conclusão, precisássemos buscar e explorar esse universo. Confessamos, também, que, em diálogo com vários colegas de profissão, já identificamos que essa não é uma prática realizada, e isso, lamentavelmente, implica em um processo de desvalorização de nossa profissão. É preciso compreender que, nessa eterna busca por uma identidade profissional, sempre haverá processos de renovação. No contexto da licenciatura, é evidente que, em face de uma reforma do ensino, como no caso da publicação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), haverá ressignificações e necessidades de atualização para atender aos processos educacionais vigentes. Já no caso do biólogo, oriundo de uma licenciatura que fizer a complementação de carga horária, bem como no caso dos bacharéis, sempre observaremos novas le- gislações que preconizam e regem sobre a área de atuação, expandindo campos em função dos avanços da legislação. Um exemplo disso é a recente expansão da atuação profissional do biólogo na Saúde e na Estética. Assim, acompanhar os processos e a evolução dos campos de atuação se faz um exer- cício necessário, de pertencimento, e que vai de encontro à tão esperada busca pela iden- tidade profissional. Para que isso, de fato, ocorra, iremos, neste momento, agir e conhecer os caminhos para que possamos nos habituar com tal prática. Para tanto, retornaremos ao site do CFBio, a fim de conhecer as resoluções mais atuais acerca dos avanços profissionais. Esse exercício será importante no futuro, pois se trata do caminho oficial para acompanhar as resoluções e legislações específicas de sua futura profissão! Propomos, aqui, uma autorreflexão avaliativa, antes de nos aventurarmos nessa trajetó- ria de conhecimento e descobertas: você conhecia o site do CFBio? Quantas das resoluções mais atuais você já leu? Acompanhou na mídia alguma discussão sobre as novas atribuições? Faça uma autoavaliação sincera e compreenda que, mesmo se a resposta para todas essas questões for negativa, não há problema algum! Estamos aqui, prestes a embarcar em uma aventura que nos orientará sobre essa necessidade e esse processo, até que se tornem hábitos. Vamos lá?! Bons estudos! IMERSÃO RECURSOS DE Ao longo do livro, você será convida- do(a) a refletir, questionar e trans- formar. Aproveite este momento. PENSANDO JUNTOS NOVAS DESCOBERTAS Enquanto estuda, você pode aces- sar conteúdos online que amplia- ram a discussão sobre os assuntos de maneira interativa usando a tec- nologia a seu favor. Sempre que encontrar esse ícone, esteja conectado à internet e inicie o aplicativo Unicesumar Experien- ce. Aproxime seu dispositivo móvel da página indicada e veja os recur- sos em Realidade Aumentada. Ex- plore as ferramentas do App para saber das possibilidades de intera- ção de cada objeto. REALIDADE AUMENTADA Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Posicionando seu leitor de QRCode sobre o códi- go, você terá acesso aos vídeos que complementam o assunto discutido. PÍLULA DE APRENDIZAGEM OLHAR CONCEITUAL Neste elemento, você encontrará di- versas informações que serão apre- sentadas na forma de infográficos, esquemas e fluxogramas os quais te ajudarão no entendimento do con- teúdo de forma rápida e clara Professores especialistas e convi- dados, ampliando as discussões sobre os temas. RODA DE CONVERSA EXPLORANDO IDEIAS Com este elemento, você terá a oportunidade de explorar termos e palavras-chave do assunto discu- tido, de forma mais objetiva. Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. O download do aplicativo está disponível nas plataformas: Google Play App Store https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3881 APRENDIZAGEM CAMINHOS DE 1 2 3 4 5 A BIOTECNOLOGIA ENQUANTO CIÊNCIA E SUAS CONTRIBUIÇÕES 11 A BIOÉTICA E A ATUAÇÃO PROFISSIONAL 51 81 ME FORMEI, E AGORA? 117 ASTRONOMIA 159 A GESTÃO DOS RECURSOS NATURAIS E OS ESTUDOS SOBRE OS IMPACTOS AMBIENTAIS 1A Biotecnologia Enquanto Ciência e suas Contribuições Dr. Gustavo Affonso Pisano Mateus Olá, estudante! Nesta unidade, conheceremos um pouco mais sobre a Biotecnologia! Antes de nos aprofundarmos, é preciso compreender que o pre- sente material se destina à compreensão daquilo que é emergente, contemporâneo e avançado em relação aos estudos, aos avanços e às contribuições das Ciências Biológicas, logo, percorrer os avanços biotecnológicos se torna inevitável. Diante disso, ao longo de nossa jornada, no decorrer desta unidade, conceituaremos Biotecnologia e compreenderemos seus processos, suas origens e suas implicações. Além disso, entenderemos a relação simbiótica da Biotecnologia com as outras áreas do saber e conheceremos algumas das contribuições dessa ciência emergente para o desenvolvimento da humanidade. Bons estudos! UNIDADE 1 12 Para iniciarmos nossas reflexões, é preciso reconhecer a inegável contribuição da Ciência para a vida como um todo e para a humanidade. Obviamente, nossa pró- pria existência e a vida como conhecemos é dependente e só foi possível graças aos avanços e às contribuições da Ciência, sejam elas relacionadas ao desenvolvi- mento de fármacos, produtos e alimentos, sejam elas ligadas a tecnologias. Assim, Biotecnologia e Ciência sempre “caminharam” juntas, rumo ao atendimento das necessidades históricas e emergentes da humanidade. Desse modo, façamos uma breve reflexão sobre o contexto mundial da pande- mia de Covid-19 e da propagação dessa doença, causada pelo vírus Sars-CoV-2, também conhecido popularmente como “Novo Coronavírus”: todos observamos um movimento global da Ciência e da Biotecnologia para o desenvolvimento de uma vacina efetiva contra o vírus. Ainda que existam movimentos e ideologias antivacinas, dados científicos (com ênfase na ideia de “ciência”) demonstraram a efetividade das diferentes vacinas desenvolvidas com o auxílio de ferramentas biotecnológicas no processo de imunização da população e, consequentemente, diminuição dos casos e das hospitalizações em decorrência de Covid-19. Claro que, aqui, também compreendemos que os vírus RNAs, como é o caso do Sars-CoV-2, possuem certa plasticidade devido à variabilidade genética, logo, ondas e “surtos” associados à diminuição dos cuidados e protocolos de biossegurança possibi- litam curvas epidemiológicas que oscilam e oscilarão em relação ao número de casos. Contudo, queremos exemplificar como a humanidade se encontrou dependente desse contexto científico e como os benefícios, como a diminuição dos casos, foram significativos após o desenvolvimento de vacinas efetivas. É possível constatarmos tal fato ao observarmos dados epidemiológicos dos municípios e Estados, de forma geral. Saindo um pouco do contexto da pandemia de Covid-19, reflita, ainda, sobre o quanto o desenvolvimento de outras vacinas e demais fármacos impactou de forma positiva e contribuiu para o desenvolvimento da humanidade e a obtenção de uma vida digna e saudável para a população. Caso prefira, podemos, também, problematizar o contexto da agricultura e do desenvolvimento de alimentos:estabelecidos: ■ CRBio-1: São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, com sede em São Paulo; ■ CRBio-2: Rio de Janeiro e Espírito Santo, com sede no Rio de Janeiro; ■ CRBio-3: Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, com sede em Porto Alegre; ■ CRBio-4: Amazonas, Acre, Amapá, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Pará, Rondônia e Roraima, com sede em Brasília; ■ CRBio-5: Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pernambuco, Piauí e Sergipe, com sede em Recife. Porém, devido ao crescimento profissional, visando a uma maior proximidade com os conselhos, foram criados mais dois conselhos regionais em 2005, os CRBios 6 e 7. O CRBio-6 foi criado por meio da Resolução CFBio n. 50, de 18 de fevereiro de 2005, com seis Estados desmembrados do CRBio-4, sendo eles: Amazonas, Acre, Amapá, Pará, Rondônia e Roraima, com sede em Manaus (BRASIL, 2005a). O CRBio-7 foi criado por meio da Resolução CFBio n. 62, de 11 de junho de 2005, com um Estado desmembrado do CRBio-3, sendo ele o Paraná, com sede em Curitiba (BRASIL, 2005b). Com a mesma finalidade e atendendo a uma demanda dos biólogos da 5ª região, por meio da Resolução CFBio n. 344, de 6 de junho de 2014, foi criado o CRBio-8, com três Estados desmembrados do CRBio-5, sendo eles: Bahia, Ala- goas e Sergipe, com sede na cidade de Salvador, na Bahia (BRASIL, 2014). Na figura a seguir, temos a distribuição atual dos CRBios no Brasil. Vejamos! 87 CRBio - 01 - SP, MT,MS CRBio - 02 - RJ,ES CRBio - 03 - RS, SC CRBio - 04 - DF, GO, MG, TO CRBio - 05 - PE, CE, MA, PB, PI, RN CRBio - 06 - AM, AC, AP, PA, RO, RR CRBio - 07 - PR CRBio - 08 - BA, AL, SE Descrição da Imagem: a imagem mostra o mapa do Brasil pintado nas cores laranja, roxo, amarelo, verde, vermelho, preto, rosa e lilás. Do lado esquerdo, temos uma legenda que se apresenta em formas retangulares com cada cor citada e, ao lado, estão escritos os CRBios e sua respectiva numeração, sendo de 1 à 8. Representando cada cor, há um CRBio. A coloração laranja representa o CRBio-1 e abrange os Estados de São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. A cor roxa representa o CRBio-2 e abrange os Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A cor amarela representa o CRBio-3 e abrange os Estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A cor verde representa o CRBio-4 e abrange os Estados do Distrito Federal, de Goiás, de Minas Gerais e do Tocantins. A cor vermelha representa o CRBio-5 e abrange os estados do Pernambuco, do Ceará, do Maranhão, da Paraíba, do Piauí e do Rio Grande do Norte. A cor preta representa o CRBio-6 e abrange os Estados do Amazonas, do Acre, do Amapá, do Pará, da Rondônia e de Roraima. A cor rosa representa o CRBio-7 e abrange, unicamente, o Estado do Paraná. A cor lilás representa o CRBio-8 e abrange os Estados da Bahia, do Alagoas e do Sergipe. Figura 1: Distribuição dos CRBios no Brasil. / Fonte: Brasil (1996, on-line). UNICESUMAR UNIDADE 3 88 Os CFBios dizem respeito a uma autarquia federal vinculada ao Ministério do Trabalho, tendo a incumbência de fiscalizar o exercício das profissões. Para rea- lizar essa demanda, o CFBio é composto por dez membros efetivos e suplentes estabelecidos pela Lei n. 6.684/1979. Para verificarmos com maior cautela sobre esse ponto, podemos nos apoiar na Resolução CFBio n. 481, de 10 de agosto de 2018! Nos artigos a seguir, vamos tratar sobre a questão dos membros do Conselho Federal e seus respectivos suplentes, assim como as questões sobre as eleições, as quais, você, profissional detentor de registro, deve participar, caso não participe, poderá ser punido por meio de multa. Vejamos quais os pontos interessantes neste artigo: “ § 1º Os membros do conselho federal e respectivos suplentes, com mandato de quatro anos, serão eleitos por um Colégio Eleitoral in- tegrado de um representante de cada Conselho Regional, por este eleito em reunião especialmente convocada. § 2º O Colégio Eleitoral convocado para a composição do conselho federal reunir-se-á, preliminarmente, para exame, discussão, apro- vação e registro das chapas concorrentes, realizando as eleições vinte e quatro horas após a sessão preliminar. § 3º Competirá ao Ministro do Trabalho baixar as instruções regu- ladoras das eleições dos conselhos federal e regionais. Art. 8º Os membros dos conselhos regionais e os respectivos su- plentes, com mandato de quatro anos, serão eleitos pelo sistema de eleição direta, através do voto pessoal, secreto e obrigatório dos profissionais inscritos no Conselho, aplicando-se pena de multa, em importância não excedente ao valor da anuidade, ao que deixar de votar sem causa justificada. § 1º Na composição dos conselhos assegurar-se-á a representação proporcional das duas modalidades. § 2º O descumprimento do critério de proporcionalidade previsto no parágrafo anterior, no intuito de favorecer determinada moda- lidade, poderá ensejar intervenção do Ministério do Trabalho no órgão infrator. (BRASIL, 1979, on-line) 89 OLHAR CONCEITUAL CFBio Dentre as competências atribuídas ao CFBio, disponíveis no Art.10 da Lei (BRASIL, 1979), temos: a realização de eleições para a presidência e vice-presidência; execução da função normativa, interpretação e execução e �scalização da pro�ssão, supervisão dos pro�ssionais e organização, propor instalação, orientação e inspeção dos Conselhos Regionais, �xar jurisdição, e examinar suas prestações de contas, neles intervindo desde que indispensável ao restabelecimento da normalidade administrativa ou �nanceira ou à garantia da efetividade ou princípio da hierarquia institucional. Sobre os Regimentos, o Conselho deve ainda, conhecer e dirimir dúvidas suscitadas pelos Conselhos Regionais e prestar-lhes assistência técnica permanente; apreciar e julgar os recursos de penalidade imposta pelos Conselhos Regionais; estabelecer as taxas de anuidade e multas; aprovação de sua proposta orçamentária e autorização da abertura de créditos adicionais, bem como operações referentes a mutações patrimoniais; dispondo da participação de todos os Conselhos Regionais, sobre o Código de Ética Pro�ssional, funcionando como Conselho Superior de Ética Pro�ssional (BRASIL, 1979). Sobre a execução da pro�ssão, velar sobre o prestígio e bom nome dos que a exercem, instituir o modelo das carteiras e cartões de identidade pro�ssional; autorizar o Presidente a adquirir, onerar ou alienar bens imóveis; emitir parecer conclusivo sobre prestação de contas a que esteja obrigado; publicar anualmente, seu orçamento e respectivos créditos adicionais, os balanços, a execução orçamentária e o relatório de suas atividades (BRASIL, 1979). CRBio As competências cabíveis aos CRBio, disponível no Art. 12 desta Lei (BRASIL, 1979), temos a eleição dos membros, que é realizada por maioria absoluta. Com relação as propostas para seu regimento, sendo submetidas ao Conselho Federal. Processos referentes a infração presente no Código de Ética serão julgadas e decididas pelo Conselho. A ação em conjunto com a sociedade e escolas ou faculdades de Biologia. A expedição de identidade e carteira pro�ssional, após a solicitação pelo Biólogo, assim como a veri�cação de documentação. Os registros dos Biólogos devem manter-se atualizadas em seu banco de dados, tanto pessoas físicas quanto jurídicas. Relatórios de trabalhos e relações dos pro�ssionais e �rmas registrados, assim como a �scalização do exercício pro�ssional e aplicação de penalidades previstas, sendo que o julgamento das infrações e aplicação de penalidades previstas na Lei e normas complementares do Conselho Federal. A coleta das anuidades, multas e taxas devem ser recolhidas pelo Conselho Regional e repassados ao Conselho Federal. Esta prestação de contas deve contar na publicação anual de seu orçamento e respectivos créditos adicionais, contendo os balanços, a execução orçamentária e o relatório de suas atividades (BRASIL, 1979). UNICESUMAR UNIDADE3 90 Podemos compreender que o conselho tem o caráter de defender a profissão do biólogo, e não de defender o profissional em si. Mas o que isso quer dizer? Significa que cabe ao profissional compreender e interpretar sobre as áreas em que o biólogo pode atuar, os requisitos necessários dentro de cada modalidade e que ele deve ter para atuar em cada uma delas. Muitas áreas exigirão uma forma- ção complementar, em nível, muitas vezes, de especialização, para complementar sua formação, por exemplo. Assim, caso o profissional não tenha formação, não seja registrado no con- selho ou, ainda, atue em área que não contemple sua atuação, poderá sofrer as medidas punitivas estabelecidas pelo conselho regional em que está alocado. NOVAS DESCOBERTAS Para que você compreenda mais sobre o assunto e possa realizar suas consultas, sempre que achar necessário, a respeito da sua área de atuação e das novidades dessa maravilhosa profissão, sugerimos que acesse o site do CFBio pelo QR Code! Desse modo, você poderá acessar o site do conselho regional de sua jurisdição, importante para que conheça alguns detalhes referentes ao Estado onde atuará como biólogo. Além da legislação, o site apresenta um espaço para dúvidas frequen- tes e é a ponte entre você, profissional, e o conselho, sendo possível, quando tiver dúvidas, realizar buscas e envie suas dúvidas, as quais são respondidas pelo próprio órgão fiscalizador. Sobre a profissão de biólogo, temos a Lei n. 6.684/1979, que aborda sobre as profissões de biólogo e biomédico; a Lei n. 7.017, de 30 de agosto de 1982, que dispõe sobre o desmembramento dos conselhos federal e regionais de Biologia e Biomedicina; e, ainda, o Decreto n. 88.438/1983, que normatiza a atuação. Vamos, então, começar analisando a Lei n. 6.684/1979, que traz: “ Art. 1º O exercício da profissão de Biólogo é privativo dos porta- dores de diploma: I – devidamente registrado, de bacharel ou licenciado em curso de https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15045 91 História Natural, ou de Ciências Biológicas, em todos as suas espe- cialidades ou de licenciado em Ciências, com habilitação em Bio- logia, expedido por instituição brasileira oficialmente reconhecida; Il – expedido por instituições estrangeiras de ensino superior, re- gularizado na forma da lei, cujos cursos forem considerados equi- valentes aos mencionados no inciso I. Art. 2º Sem prejuízo do exercício das mesmas atividades por outros profissionais igualmente habilitados na forma da legislação especí- fica, o biólogo poderá: I – formular e elaborar estudo, projeto ou pesquisa científica básica e aplicada, nos vários setores da Biologia ou a ela ligados, bem como os que se relacionem à preservação, saneamento e melhoramento do meio ambiente, executando direta ou indiretamente as atividades resultantes desses trabalhos; II – orientar, dirigir, assessorar e prestar consultoria a empresas, fun- dações, sociedades e associações de classe, entidades autárquicas, privadas ou do poder público, no âmbito de sua especialidade; III – realizar perícias e emitir e assinar laudos técnicos e pareceres de acordo com o currículo efetivamente realizado. (BRASIL, 1979, on-line) No Art. 1°, primeiro parágrafo da lei, observamos que o profissional biólogo é aquele devidamente registrado, com diploma de bacharel ou licenciado em Ciências Biológicas. Mas será que existem diferenças entre o licenciado e o bacharel? Na Resolução CNE/CES n. 7, de 11 de março de 2002, explica-se sobre o projeto pedagógico de formação profissional do curso de Ciências Biológicas. Ele deve explicitar sobre o perfil, as habilidades e competências, a estrutura do curso, o conteúdo, o formato dos estágios, as Atividades Acadêmicas Complementares (AAC) e o tipo de avaliação (BRASIL, 2002b). Nesse sentido, o bacharel, dentro de sua formação acadêmica, tem a matriz curricular voltada à pesquisa, tendo uma formação mais prática. Sua carga ho- rária é de 3.200 horas, sendo que, assim que se forma, o biólogo que apresenta bacharelado em sua formação já pode tirar o CRBio, pois contempla o disposto. UNICESUMAR UNIDADE 3 92 O bacharel em Biologia não poderá dar aula em Ensino Fundamental e Ensino Médio, a não ser que apresente uma pós-graduação, uma especialização ou um mestra- do em Educação. Porém, pode ministrar aula em universidades públicas ou privadas, desde que esteja cursando ou tenha um diploma de especialização ou mestrado. O licenciado em Ciências Biológicas pode ministrar aulas, tanto para o Ensi- no Fundamental quanto para o Ensino Médio. Além da carga horária referente ao curso, o estudante terá, também, algumas disciplinas referentes à área Pedagógica, atrelada ao ensino. Algumas universidades permitem a realização das duas habilitações. Tanto o licenciado quanto o bacharel podem solicitar o registro junto ao CRBio, desde que completem as 3.200 horas previstas na grade curricular. Caso o licenciado não tenha tido uma formação que atenda a essa carga horária, será necessário que ele realize cursos complementares, a fim de completar essa carga horária. Isso desde que sejam cursos voltados à formação em Ciências Biológicas. Frente a isso, é relevante compreendermos que só é considerado biólogo o in- divíduo portador de diploma, seja na habilitação em licenciatura, seja no Ba- charelado. Portanto, reforçamos a importância de o estudante portar um diploma. Verifique, agora, o disposto na Lei n. 6.684/1979, em seu Art. 20: “ O exercício das profissões de que trata a presente lei, em todo o território nacional, somente é permitido ao portador de carteira profissional expedida por órgãos competentes. Parágrafo único. É obrigatório o registro nos conselhos regionais das empresas cujas finalidades estejam ligadas às Ciências Biológicas, na forma estabelecida em regulamen- to. (BRASIL, 1979, on-line)Assim, percebemos que, para ser considerado biólogo atuante fora da sala de aula, você deve possuir a carteira profissional. Esta só é possível por meio de uma solicitação no site do conselho regional de sua região, conforme disposto no Art. 27 do Decreto n. 88.438/1983: “ Art. 27. Para se inscrever no conselho regional de sua jurisdição o biólogo deverá: I - satisfazer as exigências da Lei nº 6.684, de 03 de setembro de 1979; II - não estar impedido de exercer a profissão; 93 III - gozar de boa reputação por sua conduta pública. Parágrafo único. O conselho federal disporá em resolução sobre os documentos necessários à inscrição. Art. 28. Qualquer pessoa ou entidade poderá representar ao conse- lho regional contra a inscrição de biólogo. (BRASIL, 1983, on-line) Descrição da Imagem: a imagem mostra a carteira profissional do biólogo. Trata-se de um documento de capa azul escura com escritos em dourado. Na parte superior, está escrito, em formato curvado, “Conselho Federal de Biologia”. Logo abaixo, podemos observar a logo da Constituição Federal de 1988. No meio da imagem, está escrito “Carteira de Identidade Profissional de Biólogo”, sendo que “Biólogo” está escrito em letra maior quando comparada às demais. Figura 2: Carteira profissional do biólogo. / Fonte: Elaborada pela autora (2022). Mas, se eu tenho o diploma de licenciado em Ciências Biológicas, será que devo solicitar o registro ao conselho para ministrar aulas em escolas? E mesmo não possuindo o registro profissional, é errado chamar de “biólogo”? PENSANDO JUNTOS UNICESUMAR UNIDADE 3 94 Para ministrar aulas, não é necessário solicitar o registro no conselho. O exercí- cio da profissão de biólogo é privativo dos portadores de diploma devidamente registrado, de bacharel ou licenciado em curso de História Natural ou de Ciên- cias Biológicas, em todas as suas especialidades; ou de licenciado em Ciências, com habilitação em Biologia, expedido por instituição brasileira oficialmente reconhecida. O registro pode ser de dois tipos: definitivo ou provisório. 1. O registro definitivo é destinado aos portadores de diplomade gradua- ção devidamente registrado no MEC ou por delegação de competência a estabelecimento de ensino; ou diploma expedido por instituição es- trangeira de Ensino Superior, regularizado e cujo curso for considerado equivalente a qualquer daqueles mencionados no inciso I do Art. 1º da Lei n. 6.684/1979, ou seja, revalidado por uma instituição oficial brasileira. 2. O registro provisório tem validade de 12 meses e é destinado ao gra- duado nos cursos descritos no Art. 1º, inciso I, da Lei n. 6.684/1979, de- vidamente reconhecidos, que já tenha colado grau e que ainda não teve o diploma expedido pela instituição de ensino. O registro provisório poderá ser prorrogado por uma única vez, conforme os dispositivos da Resolução CFBio n. 176/2008 (BRASIL, 2008). Gostaríamos de salientar, aqui, a importância de conhecer e compreender as áreas e os atributos referentes à profissão. Apenas com uma boa leitura sobre os detalhes de cada área, você poderá atuar de forma correta! O não cumprimento de determinadas exigências pode ser considerado uma infração. Assim, informe-se sobre a área em que deseja atuar, suas atri- buições, competências, habilidades e, talvez, se uma formação complementar poderá ser exigida. Acesse o QR Code para ouvir o podcast desta unidade! Nele, falaremos sobre os tipos de pós-graduação: stricto sensu e lato sensu, ofertados pelas instituições de ensino. Aperte o play para conhecer mais! https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11021 95 Mas, afinal, quais ações podem ser consideradas como infrações ao profissional biólogo? A infração é o ato de cometer qualquer delito, ou seja, é um ato ilícito. As infrações também estão dispostas no Decreto n. 88.438/1983, em seu Art. 32: “ Art. 32. Constitui infração disciplinar: I - transgredir preceito do código de ética profissional; II - exercer a profissão, quando impedido de fazê-lo, ou facilitar, por qualquer meio, o seu exercício aos não registrados ou aos leigos; III - violar sigilo profissional; IV - praticar, no exercício da atividade profissional, ato que a lei defina como crime ou contravenção; V - não cumprir, no prazo assinalado, determinação, emanada de órgãos ou autoridade do conselho regional, em matéria de compe- tência deste, após regularmente notificado; VI - deixar de pagar, pontualmente, ao conselho regional, as contri- buições a que está obrigado; VII – faltar a qualquer dever profissional prescrito neste regulamento; VIII – manter conduta incompatível com o exercício da profissão. Parágrafo único. As faltas serão apuradas levando-se em conta a natu- reza do ato e as circunstâncias de cada caso. (BRASIL, 1983, on-line) Para realizar trabalhos como autônomo ou em empresas, enquanto biólogo, assim como assumir vagas em concursos, após a sua formação, é preciso solicitar o re- gistro. Desse modo, deve-se acessar o site do conselho regional de sua jurisdição, na região onde você reside, e seguir as instruções. Geralmente, serão solicitados alguns documentos. A seguir, temos uma lista com alguns documentos que, geralmente, o conse- lho pode solicitar. A listagem é referente ao Conselho Regional de Biologia da 7ª região (CRBio-7), mas destacamos, aqui, a importância de verificar no site do conselho de sua região. UNICESUMAR UNIDADE 3 96 Assim, os documentos são: ■ duas fotos iguais, de frente, tamanho 3x4 e recente (como para RG). O CRBio-7 não aceitará fotos sorrindo, de lado, com brincos visíveis, roupas coloridas, camisas de time de futebol ou com propaganda. Lembre-se de que o documento é oficial e tem fé pública; ■ cópia de Certificado de Conclusão de Curso (somente no caso de registro provisório); ■ cópia de diploma da graduação, frente e verso; ■ cópia de Certificado de Curso de Pós-Graduação, se possuir, frente e verso; ■ cópia de histórico escolar da graduação, frente e verso; ■ cópia de título eleitoral, frente e verso, anexando o comprovante da última votação; ■ cópia de Certificado Militar, frente e verso (apenas para biólogos do sexo masculino); ■ cópia de cédula de identidade, frente e verso; ■ cópia de CPF, frente e verso; ■ cópia de comprovante de endereço residencial, como fatura de energia, de água ou de telefone fixo; ■ cópia de laudo laboratorial ou outro documento que comprove tipo san- guíneo e fator abo/Rh; ■ cópia de comprovante de pagamento da taxa inerente ao processo de registro e anuidade proporcional; ■ ficha de inscrição preenchida e assinada. Todos os documentos deverão ser apresentados por cópia autenticada ou cópia simples acompanhada dos seus respectivos originais, para autenticação na Se- cretaria do CRBio-7 (frente e verso, quando for o caso). Após realizar a inscrição, deve-se fazer o pagamento da anuidade. Dessa forma, sua atuação no mercado de trabalho, prestando serviços, estará legalizada! Mas qual o valor? Como pagar? O Art. 23 da Lei n. 6.684/1979 prevê o pagamento da anuidade ao conse- lho regional da jurisdição, sendo uma condição de legitimidade do exercício da profissão. A data prevista para o pagamento anual ocorre até o dia 31 de março, exceto a primeira, que é realizada no ato do registro. 97 O profissional dotado de carteira profissional, que exer- ça sua atividade como autônomo, deverá solicitar o registro de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), que especifica sua atuação na área. São consideradas atividades profissionais nas áreas de Ciências Biológicas ou relaciona- das a ela aquelas desenvolvidas em caráter contínuo, por meio de contrato de trabalho ou vínculo de outra natureza, nas modalidades de ocupação de cargo ou função. De acordo com a Resolução CFBio n. 11, de 5 de julho de 2003, todas as atividades profissionais realiza- das por profissional autônomo em áreas das Ciências Biológicas, juntamente com o CRBio ao qual o biólogo esteja inscrito, está sujeita à ART (BRASIL, 2003a). A resolução defende que o registro de ART deve ser solicitado dentro de um prazo de até 30 dias a partir do início das atividades. Temos, também, a Resolução CFBio n. 126, de 19 de novembro de 2007, a qual permite o registro de ARTs atrasadas e retroativas, mediante o pagamento de multa e da taxa de registro (BRASIL, 2007). O procedimento para registro de ART é diferente para cada conselho re- gional, por isso, deve-se verificar como proceder no site do CRBio de sua jurisdição! Já o Termo de Responsabilidade Técnica (TRT) é um serviço solicitado por pessoa jurídica, em que a finalidade básica ou o objeto de sua prestação de serviço esteja ligado à Biologia e que tenha biólogos em seu qua- dro de funcionários. Nesse sentido, a empresa é obrigada a se inscrever e ter o registro no CRBio. Ao realizar a inscrição como pessoa jurídica, ocorre a nomeação de responsável técnico por meio de TRT. O biólogo que for indicado deverá ter habilitação profissio- nal para atuação na área e que se enquadre em um dos itens dispostos a seguir: UNICESUMAR UNIDADE 3 98 “ I - possuir titulação acadêmica na área solicitada, mediante docu- mentação comprobatória, conferida por instituição de ensino de- vidamente reconhecida e credenciada pelo Ministério da Educação – MEC ou obtido em instituição estrangeira, devidamente convali- dada por instituição de ensino superior autorizada pelo MEC, aten- didos todos os dispositivos legais aplicáveis, ou; II - possuir título de especialista, na área solicitada, conferida por Sociedade Científica ou pelo próprio Sistema CFBio/CRBios, ou; III - ter ementário das disciplinas correlatas à área de atuação reque- rida e experiência profissional de no mínimo 360 horas que deverá ser comprovado, ou; IV - possuir estágio curricular supervisionado na graduação de no mínimo 360 horas, na área/especialidade solicitada, indicada no histórico escolar ou declaração emitida pela Instituição de Ensino Superior. (BRASIL, 1979, on-line) Assim, quando estiver atuando em determinada área, o biólogo deve ter com- promisso, respeito e ética. Para tanto,podemos verificar o código de ética do profissional biólogo, que traz a orientação das ações de colaboradores e expli- cita a postura da empresa frente aos diferentes públicos com os quais interage. Serve de inspiração para as pessoas que aderem a ele e se comprometem com o seu conteúdo! A Resolução CFBio n. 2, de 5 de março de 2002, aprova o código de ética do profissional biólogo. No arquivo, temos as normas éticas e os princípios que devem ser seguidos pelos biólogos no exercício da profissão (BRASIL, 2002a). Também se enquadram nesse cenário as pessoas jurídicas e firmas individuais devidamente registradas nos conselhos de Biologia, bem como os ocupantes de cargos eletivos e comissionados. Destacamos, assim, o Art. 2°, que traz o seguinte: “Toda atividade do biólogo deverá sempre consagrar respeito à vida, em todas as suas formas e manifestações e à qualidade do meio ambiente” (BRASIL, 2002a, on-line). Ainda dentro dessa abordagem, os Arts. 3° e 4° reforçam a importância do cumprimento da lei e dos princípios orientadores, em que temos: 99 “ Art. 3º – O Biólogo exercerá sua profissão cumprindo o disposto na legislação em vigor e na específica de sua profissão e de acordo com o “Princípio da Precaução” (definido no Decreto Legislativo n. 1, de 03/02/1994, nos Artigos 1º, 2º, 3º e 4º), observando os preceitos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Art. 4º – O biólogo terá como princípio orientador no desempenho das suas atividades o compromisso permanente com a geração, a aplicação, a transferência, a divulgação e o aprimoramento de seus conhecimentos e experiência profissional sobre Ciências Biológicas, visando o desenvolvimento da Ciência, a defesa do bem comum, a proteção do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida em todas suas formas e manifestações. (BRASIL, 2002a, on-line) O profissional tem direitos e deveres a serem cumpridos e respeitados. Com re- lação aos direitos, encontramos essa disposição no Art. 5º, enquanto os deveres estão dispostos no Art. 6°. Quanto aos direitos, podemos citar: exercer suas atividades profissionais com autonomia, dentro de um ambiente favorável, de acordo com os princípios e as normas éticas, zelando pelo trabalho de qualidade. Já com relação aos deveres, o profissional deve se manter em constante aprimoramento técnico e científico, de forma que garanta a eficácia e qualidade do seu trabalho, com o objetivo de conservar todas as formas de vida (BRASIL, 2002a). O código destaca que o trabalho deve ser realizado com excelência, utilizando palavras como “dedicação”, “responsabilidade”, “diligência”, “austeridade” e “seriedade”. Assim, gostaríamos que você compreendesse o peso de ter o compromisso e cum- prir com o dever que o código nos fornece, para mantermos as atividades de forma ética. Logo, você deve assumir a responsabilidade para as quais esteja capacitado, sendo ne- cessário que se informe sobre as áreas e os cursos que deve ter para atender ao disposto. O biólogo ainda pode atuar em áreas da Educação, de pesquisa e atividades que contribuam para a melhoria das condições de vida. A importância de o bió- logo divulgar essas informações para o conhecimento da população é visível: a informação deve ser transmitida de forma coerente, de acordo com o nível das pessoas que estão sendo expostas a ela (BRASIL, 2002a). UNICESUMAR UNIDADE 3 100 Dentre as atividades, podemos citar: denunciar atividades que causem riscos, efetivos ou potenciais, de prejuízos sociais, danos à saúde ou ao meio ambiente, denunciando o fato, formalmente, mediante representação ao CRBio de sua re- gião e/ou aos órgãos competentes, com discrição e fundamentação. Além disso, a Resolução CFBio n. 2/2002 dispõe sobre o apoio a associações profissionais e científicas que tenham por finalidade: “ a) defender a dignidade e os direitos profissionais dos biólogos; b) difundir a Biologia como ciência e como profissão; c) congregar a comunidade científica e atuar na política científica; d) a preservação e a conservação da biodiversidade e dos ecossistemas; e) apoiar a pesquisa e o desenvolvimento da ciência. (BRASIL, 2002a, on-line) O profissional deve atender às solicitações encaminhadas a ele pelo CFBio e CRBio, atendendo às convocações e fornecendo informações: “ XII – Colaborar com os CRBios e o CFBio, atendendo suas convo- cações e normas; XIII – Fornecer, quando solicitado, informações fidedignas sobre o exercício de suas atividades profissionais; XIV – Manter atualizado seus dados cadastrais, informando imedia- tamente quaisquer alterações tais como titulação, alteração do ende- reço residencial e comercial, entre outras. (BRASIL, 2002, on-line) Os Arts. 7, 8, 9 e 10, referentes à Lei 6.684/1979, traz sobre a importância das relações profissionais do biólogo, que deve se resguardar diante de atividades cometidas por outro biólogo exonerado, não devendo assumir o serviço e não causar dano a outro profissional. Dessa forma, é preciso prestar com respeito os serviços dentro de princípios técnicos, científicos, éticos e de precaução. Trata, também, sobre as atividades profissionais, estabelecendo que o biólogo, ao emitir laudos, pareceres, perícias, pesquisas, consultorias, prestação de serviços e outras 101 atividades profissionais, não deverá ultrapassar os limites de suas atribuições. Compete, portanto, ao biólogo, realizar o levantamento dessas atribuições e co- nhecer os limites prescritos de sua competência em determinada área. A realização de falsificação ou alteração de documentos, assim como a in- terpretação errônea ou deturpação, permitindo a alteração de resultados de seus serviços ou de outro biólogo, é ilegal. Os profissionais, docentes e orientadores podem esclarecer e informar sobre dúvidas que os estudantes tenham dentro da legislação vigente. Mas, aqui, destacamos a importância de você ir em busca de respostas, atuando como protagonista de sua história! Além disso, a consulta ao código de ética é fundamental. E caso sua dúvida não seja sanada por esses profissionais, poderá enviar perguntas ao conselho regional (BRASIL, 1979). Sobre a atuação do biólogo, outro ponto importante é que não se deve atuar praticando tortura ou outras formas de violência com relação a qualquer forma de vida. Deve-se contribuir para o desenvolvimento das Ciências Biológicas, com objetivos claros e justificáveis, zelando pelas variadas formas de vida. Dentro dessa abordagem, quanto a pesquisas e atuação em ambientes educacio- nais, considerando a prática de coleta, manejo, introdução, reprodução ou retirada de espécies em ambientes naturais ou manejados, é necessário obedecer e cumprir a legislação vigente. Caso observe ou presencie atividades danosas aos seres vivos ou às espécies, deve realizar a avaliação e denunciar às autoridades. Ademais, caso o serviço envolva experimentos de manipulação com técnicas de DNA recombinante em seres humanos, plantas, animais e microrganismos ou produtos oriundos destes, o profissional deverá se fundamentar no princípio da precaução (BRASIL, 2002a). O princípio da precaução é muito importante em Bioética e se baseia na ausência de certeza científica formal. A existência de risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prever o dano e realizar uma avaliação sobre medidas para contê-lo. É uma proposta necessária para resguardar os legítimos interesses do indivíduo e da so- ciedade. Assim, reconhecermos a existência de ocorrer dano e a necessidade de avaliá-lo é de grande responsabilidade profissional (BRASIL, 2002a). EXPLORANDO IDEIAS Outras atividades, quanto à realização de exames, testes de paternidade ou doenças, assim como outros testes, experimentos ou pesquisas, devemos manter os princí- UNICESUMAR UNIDADE 3 102 pios éticos e não divulgar os resultados. Com isso, mantemos a privacidade e con- fidencialidade dos resultados encontrados, resguardando as pesquisas provenientes de seu trabalhoe que podem expor as pessoas que solicitaram esse serviço. No entanto, devemos nos lembrar que, caso esses resultados venham a indicar risco ou prejuízo à saúde humana, à biodiversidade ou ao meio ambiente, caberá ao profissional co- municar às autoridades competentes. Caso não realize esse comunicado, será visto como atuante no acobertamento de tal prática e poderá sofrer as medidas puníveis da prática. Em se tratando de pesquisas que utilizem organismos patogênicos ou Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), precisam estar dentro de normas técnicas espe- cíficas de Biossegurança. Assim, será possível garantir a integridade dos pesquisadores, das pessoas envolvidas e do meio ambiente, aplicando-se o princípio da precaução. A Resolução CFBio n. 2/2002 ainda esclarece que o biólogo pode colaborar ou realizar determinados experimentos que envolvam armas biológicas ou seres humanos. Nos Arts. 22, 23 e 24, podemos ter maior clareza sobre essa abordagem: “ Art. 22 – É vedado ao biólogo colaborar e realizar qualquer tipo de experimento envolvendo seres humanos com fins bélicos, políticos, raciais ou eugênicos, assim como utilizar seu conhecimento para desenvolver armas biológicas. Art. 23 – Nas pesquisas que envolvam seres humanos, o biólogo deverá incluir, quando pertinente, o Termo de Consentimento In- formado, ou a apresentação de justificativa com considerações éticas sobre o experimento. Art. 24 – É vedado ao biólogo o envio e recebimento de material biológico para o exterior sem a prévia autorização dos órgãos com- petentes. (BRASIL, 2002a, on-line) Ainda sobre ética em pesquisas, temos a informação de que as publicações técni- cas e científicas orientam que, caso o biólogo não tenha realizado a pesquisa, não deve fazer a publicação do trabalho em seu nome, assim como inserir o nome de outros, os quais não cooperaram ou tenham contribuído com o trabalho. Podemos perceber que essa atuação depende muito mais da consciência do profis- sional em prosseguir de forma clara, promovendo a qualidade e integridade do trabalho! Nesses trabalhos de pesquisa, devem ser realizadas citações necessárias, de acordo com as normas da ABNT. Como você deve conhecer, a realização de 103 cópias, ao se apropriar de ideias, dados, imagens ou conclusões que não são suas, pode acarretar plágio, e o infrator será punido. Diante disso, recomendamos que fique por dentro dessas normas, para que conheça as formas corretas de citação direta e indireta e como citar as referências ao final do texto. Devemos lembrá-lo, ainda, de não realizar cópias e, caso utilize um texto base, es- creva com suas palavras, a fim de reforçar a argumentação ou destacar o que gostaria. Como vimos os direitos, os deveres, as infrações e o código de ética, vamos, agora, tratar sobre as penalidades as quais o biólogo pode ser submetido caso realize atividades profissionais sem o registro ou sem a solicitação de ART, em que será necessário que o CRBio o autue. Caso o profissional não recorra ou não realize as medidas legais para regu- larizar sua situação, poderá sofrer penalidades, conforme o disposto no Art. 33 do Decreto n. 88.438/1983: “ Art. 33. As penas disciplinares consistem em: I - advertência; II - repreensão; III - multa equivalente a até 10 (dez) vezes o valor da anuidade; IV - suspensão do exercício profissional pelo prazo de até 3 (três)anos, V - cancelamento do registro profissional. § 1º Salvo os casos de gravidade manifesta ou reincidência a impo- sição das penalidades obedecerá à gradação deste artigo, observadas as normas estabelecidas pelo Conselho Federal para disciplina no processo de julgamento das infrações. § 2º Na fixação da pena serão considerados os antecedentes profis- sionais do infrator, o seu grau de culpa, as circunstâncias atenuantes e agravantes e as consequências da infração. § 3º As penas de advertência, repreensão e multa serão comunicadas pela instância própria, em ofício reservado, não se fazendo constar dos assentamentos do profissional punido, a não ser em caso de reincidência. (BRASIL, 1983, on-line) UNICESUMAR UNIDADE 3 104 Caso não seja tão grave a infração, será enviada uma notificação, por meio de correspondência, podendo se tratar de uma notificação ou advertência. Nesses casos, o profissional será orientado sobre o procedimento a ser realizado para sua regularização novamente. Mas, deixamos claro, aqui, que a forma de punição será de acordo com a gravidade da ação realizada pelo profissional. Assim que constatada a atuação ilegal ou fora de conformidade com o esta- belecido com o conselho regional, este entrará em contato com o profissional, informando sobre a constatação da irregularidade e o que o indivíduo deve fazer para regularizar sua situação. De acordo com a gravidade da ação, o profissional poderá recorrer a alguma ação na justiça, pagar uma multa, enviar documentos que faltam ou solicitar o serviço de ART perante algum serviço já realizado. Lembrando que, para isso, é estabelecido um prazo pelo conselho, o qual deve ser atendido. O ideal é que, as- sim que for notificado, o profissional faça os reparos necessários para não ser pe- nalizado, podendo, em um caso mais grave, ter o registro profissional cancelado. O cancelamento de registro é possível também de ser requerido, caso tenha encerrado suas atividades profissionais, seja por motivo de doença ou aposenta- doria, seja por motivo de mudança de atividade profissional. No entanto, ficará impedido de exercer qualquer atividade profissional na área das Ciências Bioló- gicas a partir do momento em que protocolar o seu pedido de cancelamento do registro. As medidas necessárias para cancelar e reativar o registro estão explici- tadas no site do conselho de sua região (BRASIL, 1979). Somente ficará desobrigado de efetuar o pagamento das anuidades e demais obrigações junto ao CRBio após a homologação do cancelamento do registro pelo Plenário do Conselho. O cancelamento do registro profissional, ao ser deferido, não inibirá, extin- guirá ou prejudicará a instauração, o andamento, a instrução, o julgamento e o apenamento do biólogo em relação a qualquer processo ético-disciplinar contra ele já instaurado e/ou a inscrição/cobrança/execução de débito existente até a data do protocolo do requerimento de cancelamento (BRASIL, 1979). Sobre o cancelamento de registro de pessoas físicas, temos o disposto na Resolução CFBio n. 16/2003. Dos documentos necessários para cancelamento, será necessário que acesse a lista no CRBio de sua jurisdição. Alguns documentos que o CRBio-7 solicita são: 105 “ a) Formulário de Requerimento do Cancelamento preenchido e com justificativa bastante clara e descritiva do motivo. O formulário deve ser entregue fisicamente (pessoalmente ou via correios), não sendo aceitas versões digitalizadas; […] b) Cópia de documento que comprove o não exercício da profissão. Exemplos: holerite, comprovante de aposentadoria, carteira de trabalho (seguintes páginas: dados pessoais e último contrato de trabalho, com a folha seguinte em branco), ou uma de- claração em papel timbrado da empresa onde trabalha, informando seu cargo atual e a descrição do cargo. c) Entregar junto CRBio a Cédula de Identidade de Biólogo e Carteira de Identificação Profissional de Biólogo originais, para serem arquivados; d) Solicitar baixa de todas as Anotações de Responsabilidade Téc- nica – ART em aberto; e) Cópia do Pagamento da Taxa (verifique o valor) feito através de boleto que deverá ser solicitado pelo e-mail (verifique o e-mail do CRBio). (CRBIO-7, [s. d.], on-line, grifos nossos) Após sua regulamentação, a profissão ainda não tinha um símbolo oficial. Para tanto, o CFBio lançou, em 1997, um concurso para a escolha do símbolo do biólogo. Foram apre- sentados 24 trabalhos. Destes, a comissão julgadora instituída pelo CFBio selecionou três e abriu uma consulta aos biólogos. Foi escolhido o trabalho denominado “Óvulo estilizado, sendo fecundado”.Nesse ano, foi lançado um selo comemorativo pelos Cor- reios com o símbolo do biólogo (BRASIL, 1979). Na 213ª Reunião Plenária do Conselho Federal de Biologia, de 25 de outubro de 2008, com a participação dos presidentes dos CRBios, foi aprovada por unanimidade a re- vitalização do símbolo do biólogo. Ele foi publicado por meio da Resolução CFBio n. 187/2009 e registrado no INPI em 7 de maio de 2009, sendo seu uso restrito ao Siste- ma CFBio/CRBios. EXPLORANDO IDEIAS UNICESUMAR UNIDADE 3 106 Descrição da Imagem: a imagem é uma ilustração colorida representando o símbolo do biólogo. Tem o formato circular com a borda azul escuro. Dentro do círculo, temos o desenho representativo de duas folhas verdes, posicionadas na porção inferior do círculo, em que se projetam uma para a direita e outra para a esquerda. A folha à esquerda está dividida ao meio, mostrando, do lado direito, a cor verde em tom mais escuro e, do lado esquerdo, com verde claro. A folha da direita está na cor verde, em tom es- curo, com um desenho concêntrico em tom claro no centro da folha. Na parte superior do círculo, temos duas fitas em azul escuro que descem em formato helicoide, formando um zigue-zague até o centro da imagem, representando o código genético, a molécula de DNA. Assim que chega ao centro do círculo, essas fitas em azul se fundem e aumentam a largura, transformando-se no desenho representativo de um espermatozoide chegando entre as folhas. Figura 3: Símbolo oficial do biólogo / Fonte: CFBio (2022, on-line). Muito bem! Agora que você conhece a legislação que regulamenta a profissão, vamos abordar sobre as áreas em que podemos atuar! Segundo a Resolução CFBio n. 227/2010, de 18 de agosto de 2010, que dispõe sobre a regulamentação das atividades profissionais e das áreas de atuação do biólogo, ficam estabelecidas as áreas discriminadas como competência da atuação do Biólogo: 1. Meio Ambiente e Biodiversidade; 2. Saúde; 3. Biotecnologia e Produção. Vamos, então, analisar cada especificidade dentro das três grandes áreas! 107 UNICESUMAR UNIDADE 3 108 Em primeiro lugar, quanto à atuação dentro da área Ambiente e Biodiversidade, de acordo com a Resolução CFBio n. 227/2010, o biólogo pode atuar em: ■ Aquicultura: Gestão e Produção; ■ Arborização Urbana; ■ Auditoria Ambiental; ■ Bioespeleologia; ■ Bioética; ■ Bioinformática; ■ Biomonitoramento; ■ Biorremediação; ■ Controle de Vetores e Pragas; ■ Curadoria e Gestão de Coleções Biológicas, Científicas e Didáticas; ■ Desenvolvimento, Produção e Comercialização de Materiais, Equipamen- tos e Kits Biológicos; ■ Diagnóstico, Controle e Monitoramento Ambiental; ■ Ecodesign; ■ Ecoturismo; ■ Educação Ambiental; ■ Fiscalização/Vigilância Ambiental; ■ Gestão Ambiental; ■ Gestão de Bancos de Germoplasma; ■ Gestão de Biotérios; ■ Gestão de Jardins Botânicos; ■ Gestão de Jardins Zoológicos; ■ Gestão de Museus; ■ Gestão da Qualidade; ■ Gestão de Recursos Hídricos e Bacias Hidrográficas; ■ Gestão de Recursos Pesqueiros; ■ Gestão e Tratamento de Efluentes e Resíduos; ■ Gestão, Controle e Monitoramento em Ecotoxicologia; ■ Inventário, Manejo e Produção de Espécies da Flora Nativa e Exótica; ■ Inventário, Manejo e Conservação da Vegetação e da Flora; ■ Inventário, Manejo e Comercialização de Microrganismos; ■ Inventário, Manejo e Conservação de Ecossistemas Aquáticos: Límnicos, Estuarinos e Marinhos; 109 ■ Inventário, Manejo e Conservação do Patrimônio Fossilífero; ■ Inventário, Manejo e Produção de Espécies da Fauna Silvestre Nativa e Exótica; ■ Inventário, Manejo e Conservação da Fauna; ■ Inventário, Manejo, Produção e Comercialização de Fungos; ■ Licenciamento Ambiental; ■ Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL); ■ Microbiologia Ambiental; ■ Mudanças Climáticas; ■ Paisagismo; ■ Perícia Forense Ambiental/Biologia Forense; ■ Planejamento, Criação e Gestão de Unidades de Conservação (UC)/Áreas Protegidas; ■ Responsabilidade Socioambiental; ■ Restauração/Recuperação de Áreas Degradadas e Contaminadas; ■ Saneamento Ambiental; ■ Treinamento e Ensino na Área de Meio Ambiente e Biodiversidade. UNICESUMAR UNIDADE 3 110 Dentro da área Saúde, de acordo com a Resolução CFBio n. 227/2010, o Biólogo pode atuar em: ■ Aconselhamento Genético; ■ Análises Citogenéticas; ■ Análises Citopatológicas; ■ Análises Clínicas; ■ Análises de Histocompatibilidade; ■ Análises e Diagnósticos Biomoleculares; ■ Análises Histopatológicas; ■ Análises, Bioensaios e Testes em Animais; ■ Análises, Processos e Pesquisas em Banco de Leite Humano; ■ Análises, Processos e Pesquisas em Banco de Órgãos e Tecidos; ■ Análises, Processos e Pesquisas em Banco de Sangue e Hemoderivados; ■ Análises, Processos e Pesquisas em Banco de Sêmen, Óvulos e Embriões; ■ Bioética; ■ Controle de Vetores e Pragas; ■ Desenvolvimento, Produção e Comercializa- ção de Materiais, Equipamentos e Kits Bio- lógicos; ■ Gestão da Qualidade; ■ Gestão de Bancos de Células e Material Ge- nético; ■ Perícia e Biologia Forense; ■ Reprodução Humana Assistida; ■ Saneamento Saúde Pública/Fiscalização Sa- nitária; ■ Saúde Pública/Vigilância Ambiental; ■ Saúde Pública/Vigilância Epidemiológica; ■ Saúde Pública/Vigilância Sanitária; ■ Terapia Gênica e Celular; ■ Treinamento e Ensino na Área de Saúde. 111 Finalmente, na terceira e última grande área indicada pela Resolução CFBio n. 227/2010, Biotecnologia e Produção, o profissional biólogo pode atuar em: ■ Biodegradação; ■ Bioética; ■ Bioinformática; ■ Biologia Molecular; ■ Bioprospecção; ■ Biorremediação; ■ Biossegurança; ■ Cultura de Células e Tecidos; ■ Desenvolvimento e Produção de Organismos Geneticamente Modifica- dos (OGMs); ■ Desenvolvimento, Produção e Comercialização de Materiais, Equipamen- tos e Kits Biológicos; ■ Engenharia Genética/Bioengenharia; ■ Gestão da Qualidade; ■ Melhoramento Genético; ■ Perícia/Biologia Forense; ■ Processos Biológicos de Fermentação e Transformação; ■ Treinamento e Ensino em Biotecnologia e Produção. UNICESUMAR UNIDADE 3 112 Vale deixar claro, aqui, que, por mais empolgante que seja essa diversidade de áreas e campos, é necessário se informar sobre cada uma delas. Para o biólogo atuar algumas, será necessário que tenha que partir para cursos complementares, pois apenas a graduação em Ciências Biológicas pode não ser suficiente. Fique atento e consulte as resoluções pertinentes! Você pode encontrá-las no site do CFBio. O CFBio ainda reitera que, considerando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia, assim como a evolução do mercado de trabalho, outras áreas de atua- ção poderão ser incorporadas após deliberação pelo Plenário do CFBio. Com isso, podemos compreender a necessidade em estar sempre em contato com o conselho e realizar os cursos necessários para que não sejamos surpreendidos pela fiscaliza- ção do conselho ou penalizados, visto que a falta de informação não é justificativa plausível para o descumprimento das leis disponíveis para consulta (BRASIL, 1979). Quanto à regulamentação das atividades profissionais e das áreas de atuação do biólogo em Meio Ambiente e Biodiversidade, Saúde e Biotecnologia e Produ- ção, seguimos o estabelecido na Resolução CFBio n. 227/2010, de 18 de agosto de 2010, que dispõe sobre as atividades profissionais que poderão ser exercidas, no todo ou em parte, pelo biólogo, de acordo com seu perfil profissional: “ - Assistência, assessoria, consultoria, aconselhamento, recomendação; - Direção, gerenciamento, fiscalização; - Ensino, extensão, desenvolvimento, divulgação técnica, demons- tração, treinamento, condução de equipe; - Especificação, orçamentação, levantamento, inventário; - Estudo de viabilidade técnica, econômica, ambiental, socioambiental; - Exame, análise e diagnóstico laboratorial, vistoria, perícia, avalia- ção, arbitramento, laudo, parecer técnico, relatório técnico, licen- ciamento, auditoria; - Formulação, coleta de dados, estudo, planejamento,projeto, pes- quisa, análise, ensaio, serviço técnico; - Gestão, supervisão, coordenação, curadoria, orientação, responsa- bilidade técnica; Importação, exportação, comércio, representação; 113 - Manejo, conservação, erradicação, guarda, catalogação; - Patenteamento de métodos, técnicas e produtos; - Produção técnica, produção especializada, multiplicação, padro- nização, mensuração, controle de qualidade, controle qualitativo, controle quantitativo; - Provimento de cargos e funções técnicas. (BRASIL, 2010, on-line) É necessário acessar os sites referentes aos conselhos e ficar por dentro das novi- dades, das alterações e da inserção de áreas em que a categoria pode atuar. Fique de olho, pois sempre temos novas áreas de atuação sendo inseridas! Além disso, faça a leitura com calma ao se tratar de resoluções que podem ser alteradas constantemente, visto que é possível termos algumas mudanças em determi- nada área de um ano para outro. Logo, ter cuidado e estar sempre informado é essencial! Finalizamos, então, esta unidade, com o nosso juramento, de acordo com o estabe- lecido na Resolução do CFBio n. 3/1997, que institui o juramento oficial do biólogo, de- vendo ser adotado em todo o território nacional, no ato de colação de grau de biólogo. O juramento tem o seguinte enunciado: “ JURO, PELA MINHA FÉ E PELA MINHA HONRA E DE ACOR- DO COM OS PRINCÍPIOS ÉTICOS DO BIÓLOGO, EXERCER AS MINHAS ATIVIDADES PROFISSIONAIS COM HONESTI- DADE, EM DEFESA DA VIDA, ESTIMULANDO O DESENVOL- VIMENTO CIENTÍFICO, TECNOLÓGICO E HUMANÍSTICO COM JUSTIÇA E PAZ. (BRASIL, 1997, on-line) UNICESUMAR UNIDADE 3 114 Acreditamos que o juramento é uma reflexão que perdura por toda a vida. Não é apenas uma frase bonita para causar arrepios na hora da colação de grau e emocionar. Desejamos, assim, que essas palavras norteiem o seu dia a dia ao atuar em qual- quer área das Ciências Biológicas, seja dentro de uma sala de aula, seja dentro de um laboratório, diante de um juiz, ao realizar perícias ou em qualquer outra situação! A ação proposta é que você analise o juramento feito pelo biólogo e as áreas referentes à atuação desse profissional. Movimente-se a favor de conquistar esse juramento por meio de sua ação profissional, dentro da área que escolheu: qual ação você se propõe a realizar para que seus princípios éticos e de responsabili- dade sejam alcançados? Desejamos que você tenha sucesso, compromisso, respeito à vida e dedicação! 115 1. Para a regulamentação da profissão de biólogo, órgãos de fiscalização foram esta- belecidos pela Lei n. 6.684/1979. Tal legislação foi determinante na conclusão do processo legislativo com aprovação do substitutivo na Câmara dos Deputados, que foi sancionado pelo Presidente da República em 3 de setembro de 1979 e que regu- lamentou a profissão de biólogo, assim como criou o CFBio e os CRBios. A partir desta regulamentação, os CRBios sofreram alguns desmembramentos em território nacional, sendo divididos, no ano de 2014, em: a) Quatro regiões. b) Cinco regiões. c) Seis regiões. d) Sete regiões. e) Oito regiões. 2. A habilitação é a parte diversificada de um curso, com um conjunto de disciplinas de formação profissional específica que se diferencia significativamente das demais matérias da grade curricular. O biólogo pode ter dois tipos de habilitação: a licencia- tura e o bacharelado. Explique a diferença entre elas. 3. As Ciências Biológicas dizem respeito à área que tem como objetivo estudar todos os tipos de vida: flora, fauna, seres humanos e animais. Esse estudo engloba desde a escala atômica até a taxonomia, ou seja, a classificação das espécies. Considerando a Resolução CFBio n. 227/2010, que dispõe sobre a regulamentação das atividades profissionais e das áreas de atuação do biólogo, cite quais são as três áreas de atuação do curso de Ciências Biológicas. 4. A Resolução CFBio n. 11, de 5 de julho de 2003, estabelece que todas as atividades profissionais, realizadas por profissional autônomo, em áreas das Ciências Biológicas, juntamente com o CRBio ao qual o biólogo esteja inscrito, está sujeita à ART, que especifica sua atuação na área. Nesse sentido, o que seria a ART, qual a importância de realizar essa solicitação e quais as consequências do profissional que não realizar essa solicitação? 116 5. Leia a seguir o Art. 1º da Lei n. 6.684/1979, que regulamenta a profissão do biólogo: Art. 1º O exercício da profissão de biólogo é privativo dos portadores de diploma: I – devidamente registrado, de bacharel ou licenciado em curso de História Natural, ou de Ciências Biológicas, em todos as suas especialidades ou de licenciado em Ciências, com habilitação em Biologia, expedido por institui- ção brasileira oficialmente reconhecida; Il – expedido por instituições estrangeiras de ensino superior, regularizado na forma da lei, cujos cursos forem considerados equivalentes aos men- cionados no inciso I. (BRASIL, 1979, on-line) Agora, explique, qual a importância de solicitar a carteira profissional de biólogo. 4 Astronomia Dra. Nayra Thais Delatorre Branquinho Olá, estudante! Nesta unidade, abordaremos sobre um tema muito importante para o ensino de Ciências: o histórico a respeito do estudo dos planetas, astros e modelos planetários. Tratam-se de fenômenos relacionados ao movimento de rotação e translação da Terra, tendo como conse- quências as estações do ano, o dia e a noite. Assim, nossa discussão será a respeito dos planetas, das estrelas, dos cometas, do Sol e da Lua. Ainda, nossa conceitualização envolverá a explicação sobre eclip- se, maré e fases da lua. Bons estudos! UNIDADE 4 2 O professor encontra diversos desafios dentro da sala de aula. Não basta ter o domínio do conteúdo e realizar um planejamento de aula, pois cada turma se revela como um novo desafio, composta por pessoas com experiências diferentes, com dificuldades em determinados temas e afinidades em outros. Isso ocorre devido à singularidade de cada ser humano! No curso de licenciatura em Ciências Biológicas, apesar de termos determinada carga horária de disciplinas que atendem às exigências dos conselhos, contemplando a docência, posteriormente à conclusão do curso, você pode sentir a necessidade de atua- lizar seus conhecimentos, buscando por novas leituras sobre os mais diversos temas. Quem optar pela docência no Ensino Básico, terá como desafio, por exemplo, ministrar a disciplina de Ciências. Seu plano de aula deve atender à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas um conteúdo que pode se apresentar de forma desafiadora é a Astronomia no Ensino Fundamental II. Provavelmente você deve estar se perguntando: eu não tive uma disciplina que tratasse especificamente desse tema com maior aprofundamento, logo, como devo proceder, frente às condutas ética e profissional, para sanar essa fragilidade? A Astrobiologia é um campo recente de pesquisa multidisciplinar, aliando Astro- nomia e Biologia. Trata-se de um segmento inovador de investigação científica, com pesquisadores de diversas áreas em busca de compreender o fenômeno da vida na Terra ou onde ela possa existir. Dessa forma, temos temas que permeiam esse campo e envolvem a caracterização do que seria a vida e que tipo de vida se deve procurar. Uma das perguntas mais antigas na história da humanidade é: o que é vida? 3 A Terra é o único lugar onde conhecemos a vida, assim, é necessário delimitarmos o que é vivo ao nosso entendimento sobre como esse fenômeno é manifestado na Terra. Os conteúdos relacionados à temática astrobiológica estabelecem múltiplas relações e superposições dentre os temas que contemplam o fenômeno “vida” em toda a sua dimensionalidade. Esses assuntos são encontrados, mesmo que dispersos entre as disciplinas, nos parâmetros nacionais e nas diretrizes de vários Estados, por meio de suas próprias políticas curriculares. Nesse sentido, os documentos ofi- ciais são os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), as Diretrizes CurricularesEstaduais (DCEs) e a recente Base Nacional Comum Curricular (BNCC), com o objetivo de servirem de apoio para a estruturação de propostas de ensino. Com relação às Ciências Naturais, nos PCNs são identificados conceitos liga- dos à Astrobiologia, como no eixo temático “Terra e Universo”, que recomenda o estudo da Astronomia. Temos, ainda, a necessidade, no Ensino Fundamental, de incentivar o aproveitamento da diversidade de conteúdo das disciplinas cientí- ficas e tecnológicas pelos professores durante o planejamento de aulas. De acordo com a BNCC, quanto ao estudo das Ciências por meio de um novo olhar sobre o mundo, as escolhas e intervenções devem ser pautadas nos princípios da sustentabilidade e do bem comum. Dessa forma, é preciso analisar a complexidade dos processos relativos à origem e evolução da vida do planeta, das estrelas e do cosmos, além da dinâmica das suas interações, da diversidade dos seres vivos e da sua relação com o ambiente. Sabemos que, na grade curricular do curso, apesar de termos o conteúdo de Física aplicada à Biologia, o tema astronômico não é abordado de maneira mais aprofundada. Logo, nossa formação pode estar fragilizada nesse conteúdo. Com isso, mostra-se o quanto a atualização de conteúdos é essencial! Alguns exemplos sobre a necessidade dessa atualização estão nas informações que os jornais compartilham sobre determinados fenômenos ou algumas infor- mações a respeito de planetas, cometas, meteoros, dentre outros. Como exemplo, podemos citar o fato de que Plutão deixou de ser um “planeta”, passando à catego- ria de “planeta anão”, no ano de 2006. Além disso, pode-se abordar uma erupção solar, uma chuva de meteoros ou a adaptação de aulas de acordo com o período e os fenômenos observados no céu, como a visualização de eclipses solar e lunar, as marés alta e baixa, bem como a aparição de cometas, como o cometa Halley, que orbitam em torno do Sol, em média, a cada 76 anos. UNIDADE 4 UNIDADE 4 4 O intuito do curso superior é fornecer bibliografias e temas nos quais você, futura- mente, poderá se aprofundar, de acordo com sua escolha ou necessidade profissional. Basta ter curiosidade e não ter preguiça de “arregaçar as mangas”, a fim de mergulhar nos diversos conteúdos, vídeos, artigos científicos e livros relacionados ao tema. Você, que já está finalizando seu curso, é dotado de conhecimento, disciplina e organização para manter todas as atividades em dia, acessar todas as referências do plano de ensino e complementar os conteúdos vistos em aula. Assim, possivel- mente já notou a fragilidade encontrada no curso de graduação em licenciatura em Ciências Biológicas. Propomos, então, que procure em livros didáticos de Ciências e Biologia sobre a temática de astronomia. Faça a leitura do material, verifique se ele está atuali- zado e qual o grau de aprofundamento do tema. Depois, colocando-se no papel de professor, tente elaborar um plano de aula simples referente ao tema a partir da leitura do material encontrado. Como você trabalharia esse tema? A Biologia tem como estudo a vida em suas mais diversas formas. Nosso universo é imenso, com diversos locais onde não é possível checar se existe vida ou não. Por meio dos avanços em Astronomia e o conhecimento em Biologia, podemos avançar nas pesquisas, utilizando instrumentos necessários para encarar esse obstáculo. Tal busca por vida em outros planetas tem gerado muita curiosidade por todos. 5 Diante disso, enquanto docente do curso de Ciências, reflita sobre a importância de conhecer mais sobre outros planetas e a possibilidade de haver ou não vida neles. O Sol, a Lua e as estrelas sempre foram muito admirados e observados, desde muito tempo atrás. Assim, foram desenvolvidas diversas teorias para explicar so- bre o posicionamento da Terra, do Sol e da Lua diante de um universo tão vasto. Os modelos planetários mais discutidos foram desenvolvidos por Ptolomeu e Copérnico. Porém, eles não foram os únicos a pensarem e estabeleceram mode- los planetários. Anteriormente a eles, tivemos diversos nomes que contribuíram com a Astronomia. Ptolomeu apresentou o modelo geocêntrico, enquanto Copérnico apresentou o modelo heliocêntrico do sistema solar. No entanto, ainda devemos nos lembrar da contribuição dos egípcios, babilônios e gregos, anteriormente a esse período, seguidos de Galileu Galilei, William Harvey e Johannes Kepler (AMORIM, 2021). No século XVI, Ptolomeu foi o primeiro a apresentar dados numéricos a par- tir de dados observacionais. Ele estabeleceu que a Terra, esférica, posicionava-se ao centro do céu, que também é esférico. A partir disso, considerou um modelo geocêntrico (Figura 1). Em sua época, era dotado de tanta autoridade dentre os demais astrônomos que sua proposta da ordem dos planetas (Lua, Mercúrio, UNIDADE 4 UNIDADE 4 6 Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno) foi bem aceita. Em sua obra, aborda que o movimento de cada planeta é individual, sendo que a reunião deles ilustra a natureza epicíclica dos planetas (AMORIM, 2021). Lua Sol Mercúrio Vênus Terra Marte Júpiter Saturno Universo de Ptolomeu Revolução cientí�ca Júpiter Saturno Marte Sol Lua Mercúrio Vênus As estrelas Descrição da Imagem: na imagem, temos o esquema do modelo geocêntrico do sistema solar. Podemos observar a Terra com a porção continental em verde e azul, a porção oceânica, oito círculos pontilhados ao redor da Terra, aumentando consecutivamente. O primeiro representa a trajetória da Lua, em azul; o segundo, de Mercúrio, em preto; o terceiro, de Vênus, em laranja; o quarto, do Sol, em amarelo; o quinto, de Marte, em vermelho; o sexto, de Júpiter, em marrom; o sétimo, de Saturno, em azul; e no oitavo está escrito “as estrelas”. Figura 1: Modelo geocêntrico. 7 Ptolomeu contribuiu muito com o seu tempo. Ele construiu tabelas em que as pessoas podiam prever a posição de cada corpo celeste em seu modelo, consi- derando determinadas datas. Para o movimento do Sol, Ptolomeu observou os dados do modelo proposto por Hiparcos, notando que, em 300 anos, mudanças nos dados obtidos por Hiparcos não foram evideciadas quando comparados aos que obteve em seu tempo (AMORIM, 2021). Quanto aos dados observados na Lua, ele constatou uma anomalia em seu movimento, que não foi observada por Hiparcos. Anterior à Ptolomeu, foi suge- rida uma teoria sobre a latitude, e outra sobre a longitude da Lua, separadamente. A nova proposta de Ptolomeu, para a segunda teoria, afirmava que a diferença da longitude observada da Lua e a prevista por Hiparcos era dependente da posição desse astro em relação ao Sol, sendo maior nas meias-luas (quadraturas). Assim, para solucionar o problema, Ptolomeu propôs um epiciclo (Figura 2), o qual não está centrado na Terra (AMORIM, 2021). Terra Planeta Epiciclo Deferente Descrição da Imagem: a imagem, colorida, mostra um quadro em preto como margem, um círculo em vermelho encostado na porção inferior e na lateral esquerda. No centro desse círculo, temos um ponto preto e, do lado esquerdo, um círculo todo pintado em azul claro. Acima deste está escrito a palavra “Terra”. Entre a porção lateral direita e superior, temos um círculo em azul com um círculo em azul escrito “planeta”. Há uma elipse em azul fora do círculo em vermelho, que aponta para o planeta. Figura 2: Trajetória dos epiciclos / Fonte: Guedes (2011, on-line). UNIDADE 4 UNIDADE 4 8 Copérnico, observando o movimento dos planetas, propôs que o Sol era que es- tava no centro e que ocorriam movimentos circulares ao redor, mesmo que hou- vessem variações. Posteriormente, adotou epiciclos ao movimento dos planetas. Copérnico também utilizou dados herdados das antigas civilizações para elaborar suas teorias. Apesar de a intenção não ser causar uma reforma completa da Astronomia, ele percebeu que eram necessárias novas observações e cálculos mais precisos (AMORIM, 2021). Sua obra, intitulada “De revolutionibus orbium coelestium”, só foi publicada no finalde sua vida, no período da Reforma Protestante. Esse atraso também se deu devido à incapacidade de encontrar qualquer evidência direta do movimento da Terra. Sua obra não foi aceita pela Igreja Católica, sendo publicada anonima- mente. Em 1616, foi inserida no Index Librorum Prohibitorum, a lista de livros proibidos pelos católicos (AMORIM, 2021). Após dois séculos da publicação, a obra se tornou ponto de partida de diversos debates filosóficos e religiosos. Colocando o Sol no centro do sistema solar, Copérnico provocou diversos debates e modificou todo o conhecimento anterior, até mesmo o relacionamento entre Deus e o ser humano, considerando um modelo heliocêntrico (Figura 3). 9 No século XVI, o filósofo italiano, Giordano Bruno (1548-1600), sugeriu que as estrelas eram sistemas planetários habitados por outras raças de seres humanos. Com essa ideia, houve um conflito entre a Ciência e a crença da Igreja, em que se acreditava no papel central da humanidade no universo. Em 1600, como Bruno se recusou a negar sua ideia, foi queimado na fogueira por heresia (AMORIM, 2021). Sol Vênus Marte Júpiter Saturno Sol As estrelas Mercúrio Saturno Sistema Solar Heliocêntrico de Copérnico Júpiter Marte Mercúrio Vênus Terra Lua Terra Lua Revolução cientí�ca Descrição da Imagem: na imagem, temos o esquema do modelo heliocêntrico do sistema solar. Podemos observar o Sol, em amarelo, no centro, com oito círculos pontilhados ao seu redor, aumentando conse- cutivamente. No primeiro, Mercúrio, em preto; no segundo, Vênus, em laranja; no terceiro, Terra, com a porção continental em verde e em azul, a porção oceânica e, ao redor da Terra, um círculo pontilhado com o desenho de uma meia lua em azul; o quarto, Marte, em vermelho; o quinto, Júpiter, em marrom; o sexto, Saturno, em azul; e no oitavo está escrito “as estrelas”. Figura 3: Modelo heliocêntrico. / Fonte: Amorim (2021). UNIDADE 4 UNIDADE 4 10 Apesar de não ter sido o primeiro a propor o modelo heliocêntrico, com o Sol no centro e mais dois planetas antes da Terra, Mercúrio e Vênus (Figura 4), ao realizar novos cálculos sobre os planetas, comparando-os com os da Grécia Antiga, Bruno percebeu que alguns dados foram alterados ao longo dos anos. O trabalho do filósofo inspirou diversos outros astrônomos que tentavam confirmar um modelo geocêntrico (AMORIM, 2021). De acordo com Amorim (2021), no mundo dos astros existem fenômenos cíclicos. O nascer e o pôr do Sol são movimentos causados devido à rotação da Terra, por exemplo, repetindo-se periodicamente a cada 365 dias, cinco horas e 45,2 segundos. Tal ciclo está relacionado a dois fatos: o planeta Terra se movi- menta em uma órbita ao redor do Sol e o eixo de rotação da Terra em torno de si mesma é levemente inclinado em relação ao plano de sua órbita. Isso faz com que a duração do período diurno (entre o nascer e o pôr do Sol), para pontos da Terra fora da linha do Equador, mude ao longo do ano, ocorrendo de modo oposto nos hemisférios sul e norte, como podemos observar na figura a seguir. 11 O padrão de movimento solar está impresso por meio de linhas imaginárias sobre os mapas que usamos com frequência. Por exemplo, temos a linha do Equador, que divide o globo terrestre em dois hemisférios (norte e sul). Entre as linhas de Capricórnio e Câncer, temos regiões onde pode ocorrer, em dias específicos do ano, o que se chama de “Sol a pino”, ou seja, o Sol no ponto mais alto do céu. Por fim, todos os pontos do globo terrestre entre os polos e as linhas dos círculos po- lares Ártico (ao norte) e Antártico (ao sul) são aqueles que passam menos de um dia inteiro do ano sem Sol no céu e um dia inteiro com o Sol sem se pôr, gerando o evento conhecido como “Sol da meia noite” (AMORIM, 2021). Hoje, sabemos que as órbitas da Lua e dos planetas são elípticas, uma espécie de circunferência levemente achatada, sendo que o astro central não é tão central, Primavera Inverno Outono Verão Descrição da Imagem: a figura mostra uma imagem colorida de um esquema do sistema solar. No centro, temos o Sol, representado por uma bola laranja com traços amarelados, que dizem respeito às explosões solares que ocorrem no astro. A Terra está representada por quatro círculos, um acima, outro abaixo, outro do lado direito e outro do lado esquerdo, com coloração azulada, representando os oceanos; e, em verde, representando as porções continentais. Partindo de cada círculo que representa a Terra, temos uma flecha que aponta para o próximo, no sentido anti-horário. Na representação da Terra abaixo do Sol, está escrito “outono”. No da direita, “inverno”. No superior, “primavera”. No da esquerda, “verão”. Figura 4: Estações do ano. UNIDADE 4 UNIDADE 4 12 mas fica em um ponto deslocado. Assim, a distância entre eles e a estrela acaba mudando com o tempo, ora mais próximo (periélio), ora mais longe (afélio), como observamos a seguir (AMORIM, 2021). Descrição da Imagem: a imagem mostra dois es- quemas. No primeiro, na parte superior, o Sol, em la- ranja, está na porção late- ral direita, enquanto a Lua está em cinza. Uma seta parte da porção inferior da Lua, ao redor da repre- sentação do Sol, apontan- do para a porção superior da Lua. Nesta, está escrito “afélio”. No segundo es- quema, na parte inferior, o Sol, em laranja, está na porção lateral esquerda, enquanto a Lua está em cinza. Uma seta parte da porção superior da Lua, ao redor da representação do Sol, apontando para a porção inferior da Lua. Na porção superior à Lua, está escrito “periélio”. Figura 5: Afélio e periélio. A distância média da Terra ao Sol é de cerca de 150 milhões de quilômetros. Com o tempo, pode ocorrer variação dessa distância, sendo, no periélio, 147 milhões de quilômetros e, no afélio, 152 milhões de quilômetros (CHOWN, 2014). Importante compreendermos que as estações do ano não ocorrem devido ao periélio e afélio. Caso fosse, teríamos o verão no periélio, e o inverno no afélio. Note que, caso seguíssemos essa lógica, teríamos estações do ano ocorrendo no mesmo momento nos hemisférios norte e sul, porém, quando é verão no sul, é inverno no hemisfério norte, ou seja, as estações não coincidem. 13 O que realmente causa as estações do ano é a inclinação do eixo de rotação do nosso planeta em relação ao seu plano de órbita em torno do Sol. Dessa forma, ao longo de seis meses do ano, teremos dias mais longos e noites mais curtas no sul, e o contrário no norte. Nos seis meses seguintes, a lógica se inverte. É isso que causa os solstícios e equinócios. Agora, discutiremos sobre a formação do sistema solar! O primeiro a propor uma teoria física para a origem do sistema solar foi Renè Descartes (1596-1650). A lei da gravitação não era conhecida ainda. Assim, Des- cartes afirmava que a força que domina o universo era dominada pelo contato entre os corpos e que ele estava permeado de vórtices de partículas invisíveis em turbilhão (SCHAPPO, 2022). Em 1745, o naturalista Georges-Louis de Buffon (1707-1788) propôs que houve a passagem de um cometa próximo ao Sol, colidindo com este. Desse modo, absorveu matéria, começou a girar em torno dele e, aos poucos, foi des- prendendo matéria e dando origem aos planetas. Alguns anos depois, os astrôno- mos alteraram a hipótese, afirmando que houve matéria arrancada do Sol, e que a outra estrela se condensou para formar os planetas, que foram levados à órbita ao redor do Sol devido à colisão das duas estrelas (SCHAPPO, 2022). A proposta da formação do sistema solar mais recente é a Teoria da Nebu- losa Solar, proposta por Pierre-Simon de Laplace, astrônomo e médico francês que, em 1796, combinou a ideia do vórtice de Descartes com as leis da gravidade e do movimento de Newton, a fim de produzir um modelo de uma nuvem ro- tativa de matéria, que se contraiu sob a própria gravitação e se achatou em um disco: hipótese nebular. Enquanto o disco ficava menor, ele teve de conservar o momento angular e girar cada vezmais rápido (SCHAPPO, 2022). Os argumentos utilizados por Laplace foram que, enquanto estivesse girando o mais rápido possível, o disco derramaria sua borda externa para deixar para trás um anel de matéria. Em seguida, o disco poderia se contrair ainda mais, acelerar novamente e deixar outro anel. Dessa forma, imaginou que o disco em contração abandonaria uma série de anéis, sendo que cada um deles poderia se tornar um planeta, circulando a estrela recém-nascida no centro do disco (SCHAPPO, 2022). De acordo com a hipótese nebular, o Sol deve girar muito rapidamente ou, em outras palavras, conservar a maior parte do momento angular do sistema solar. UNIDADE 4 UNIDADE 4 14 Após muitos estudos, essa teoria é atualmente aceita. Logo, assume-se que os planetas, que se movem em suas órbitas, conservam a maior parte do momento angular do sistema solar. Já o Sol, no entanto, gira lentamente. A rotação do Sol contém apenas cerca de 0,3% do momento angular do sistema solar. Pela teoria atualmente aceita, conhecida como Teoria da Nebular Modifica- da, para o caso de nosso sistema solar, que se originou sob condições específicas, uma nebulosa rotativa se formou com uma concentração central chamada de “protossol”, cercada por um disco rotativo de gás e poeira. Após algum tempo, esse disco se condensou em muitos pedaços: os asteroides e os protoplanetas, sendo que estes últimos se transformaram em planetas, capturando pedaços de materiais vizinhos (SCHAPPO, 2022). Essas condições, para a formação do sistema solar, poderiam explicar o mo- tivo pelo qual os planetas detêm cerca de 98% do momento angular total do sistema solar, ao passo que o Sol contém 99.9% da massa total. Também explicam o porquê de as órbitas dos planetas serem quase circulares. Assim, os processos de colisão, acréscimo e vulcanismo desempenharam um papel muito importante no início do sistema solar, na formação dos planetesimais e dos corpos maiores, bem como nas colisões entre esses corpos. No caso dos planetas exteriores, um núcleo rochoso ou de gelo se estrutu- rou. Conforme a teoria, se esse núcleo foi grande o suficiente, ocorreu um acú- mulo de gás e poeira da nebulosa solar. Como as temperaturas eram frias no sistema solar externo, é possível que os grandes núcleos retivessem o material da nebulosa solar. Por isso, a composição atual das atmosferas de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno está próxima das proporções solares. Já para os planetas internos, as temperaturas eram mais altas, sendo possível que átomos e moléculas, como hidrogênio e hélio, escapassem. As missões Apollo para a Lua forneceram importantes informações sobre o número de crateras de impacto no satélite, que é proporcional ao tempo decorrido desde que a sua superfície foi exposta. A densidade delas foi combinada com a datação das amostras retornadas de posições conhecidas na superfície, revelando uma densidade desde 4,6 bilhões de anos atrás. A Lua contém um registro de crateras bem preservado, pois, nela, não ocorre erosão pela atmosfera ou por oceanos. Por sua vez, o registro de crateras da Terra é afetado pela erosão da atmosfera pelos oceanos e processos vulcânicos e tectônicos. Schappo (2022) menciona que crateras de impacto são conhecidas na 15 Terra, sendo estas cerca de 150. Aproximadamente 20% são cobertas por sedimen- tação. Pode-se utilizar o registro desses impactos em cada corpo celeste avistado por satélite para estudos da idade e história geológica desse corpo. A lua de Satur- no, Mimas, apresenta uma cratera de 130 quilômetros de diâmetro, por exemplo, a qual foi descoberta por Frederick William Herschel. A colisão que Mimas sofreu gerou uma cratera que quase a despedaçou, pois há fissuras no outro lado dessa lua e que podem estar relacionadas a um evento desse porte. Um segundo exemplo extremo é a bacia de impacto Ela, no hemisfério sul de Marte. Essa cratera maciça tem cerca de 2.100 quilômetros de diâmetro e 9 quilômetros de profundidade. Assim, podemos inferir que existem duas populações de corpos macroscó- picos diferentes que atingem a Terra: 1. a primeira se reduziu com o passar do tempo, conforme as colisões acon- teciam ou os corpos eram ejetados do sistema solar (grande asteroide); 2. a segunda diz respeito ao grupo atual de corpos que impactam a Terra (meteoros e meteoritos). A formação de uma cratera depende do tamanho do objeto impactante e de sua velocidade de queda. O parâmetro de interesse é a energia cinética do corpo. Em geral, os objetos impactantes estão viajando a dezenas de quilômetros por segundo, tornando as energias cinéticas de impacto bem altas. Como você pode imaginar, existem duas formas físicas de crateras: 1. as simples, para pequenos impactos; 2. as complexas, formadas por energias de grande impacto. Considerando- -se as energias maiores, as crateras complexas podem incluir colapso da parede e um pico central. As duas formas, simples e complexa, produzem ejeção de matéria, e a distância a que os objetos lançados se deslocam depende da força gravitacional no corpo- -alvo. Dessa forma, a relação real entre o tamanho do impactante e a dimensão da cratera envolve a energia cinética da colisão, a gravidade do objeto, a força do material impactante (relevante para pequenos impactos), o ângulo de incidência e a composição do alvo. UNIDADE 4 UNIDADE 4 16 Vamos, agora, abordar sobre o sistema solar e a classificação dos planetas! Devido às forças moleculares presentes no gás, em temperaturas baixas, a matéria sólida pode se condensar. Para baixas temperaturas, grãos que estão origi- nalmente na nuvem interestelar originarão a nebulosa solar, que não evapora. Em regiões internas da nebulosa interestelar, silicatos podem se condensar primeiro. Regiões mais externas, logo, mais frias, compostos voláteis como o gelo, o metano e a amônia, também podem se condensar. Conforme a nebulosa solar se desprende, os sólidos se condensam, formando corpos pequenos que contêm ferro, chamados asteroides, que, primeiro, for- mam-se nas regiões mais externas da nebulosa solar. Posteriormente, os mate- riais mais voláteis, externos à nebulosa solar, podem se condensar conforme a temperatura cai. Enquanto esse processo ocorre, a temperatura na parte interior da nebulosa solar também resfria, favorecendo a condensação dos silicatos, em algumas regiões e a certas temperaturas, até o sulfeto de ferro. Porém, evidências NOVAS DESCOBERTAS Título: Astrobiologia no Ensino Médio Autoras: Angela Ferreira Portella e Adriana Oliveira Bernardes Editora: Livraria da Física Sinopse: o livro apresenta um compilado de artigos acerca dos tra- balhos realizados em escola pública do Estado do Rio de Janeiro, sobre os temas Astrobiologia/Astronomia. São, ao todo, cinco artigos, começando pelo trabalho “Introduzindo o estudo da Astrobiologia em colégio público da rede estadual do Rio de Janeiro: uma experiência no âmbito PROEMI (Projeto En- sino Médio Inovador)”, em que, por meio de uma oficina feita com alunos do primeiro ano do Ensino Médio, foram obtidos grandes resultados, quantitati- vos e qualitativos, no ensino de Astronomia/Astrobiologia. Em seguida, esse trabalho foi estendido para turmas de Educação de Jovens e Adultos, em que foi confirmado que, independentemente da idade dos estudantes, a Astrono- mia e Astrobiologia continuam sendo um recurso maravilhoso para o ensino. 17 científicas indicam que a temperatura jamais foi baixa o suficiente para a con- densação do gelo, do metano e da amônia (SCHAPPO, 2022). Podemos inferir que pequenos pedaços de materiais sólidos colidiram e fo- ram agregados a mais matéria sólida, de modo a se tornarem autogravitantes. A partir desse ponto, o protoplaneta pôde começar a agrupar material de planetas vizinhos. Se o planeta tiver crescido o bastante nesse processo, foi capaz de atrair e reter, por gravidade, os gases hidrogênio e hélio (SCHAPPO, 2022). Os tamanhos gigantescos dos planetas dessa natureza se devem à capturasabemos que o nosso planeta é diverso e que existe uma grande variedade de espaços, divididos em regiões e territórios, expostos a condições climáticas e com características geográficas e ecológicas diferentes. Até aqui, tudo bem! Sabemos que todas as nações precisam produzir seus próprios alimentos para atender a uma necessidade básica da população, que é o de se alimentar. Entretanto, considerando uma série de variáveis ecossis- 13 têmicas, climáticas, biológicas e geológicas, os diferentes cultivares apresentam características distintas para conseguirem se desenvolver em regiões diferentes. Neste momento, provavelmente você deve estar se lembrando do processo e da Teo- ria da Seleção Natural — e o parabenizamos por isso! —, mas é preciso, também, questio- nar-se: além do processo de seleção natural, que é dependente do tempo, existe alguma outra forma de garantir o atendimento da elevada demanda populacional por alimento? A resposta é simples: mediante o uso das ferramentas da Biotecnologia! Por meio de processos biotecnológicos e do uso de ferramentas da Engenha- ria Genética, foi possível criar linhagens de cultivares que sejam capazes de se de- senvolver de forma mais ágil, exibir características mais adequadas às condições climáticas, geológicas e nutricionais e, ainda, apresentar resistência a doenças e pragas comuns às lavouras de cada região. Os dois exemplos nos remetem a situações e contextos nos quais a Biotecno- logia se apresentou enquanto requisito para as melhorias, os avanços e as con- tribuições citadas. Contudo, enquanto profissionais da Ciência, vamos conferir alguns dados que sustentam tais afirmações? Aproveitamos para aquecer a nossa curiosidade investigativa levantando alguns questionamentos: quais as áreas de aplicação mais comuns da Biotecnologia? Você acredita que produtos biotecno- lógicos estão presentes no seu cotidiano? Reflita sobre esses pontos enquanto seguimos nosso diálogo, considerando os dois exemplos acima apresentados! Obviamente, você deve se recordar da disciplina de Imunologia, que traz so- bre os complexos processos envolvidos em uma resposta imunológica e o quanto os eventos envolvidos e necessários para o desenvolvimento de uma vacina são “morosos”. No entanto, aqui, relembraremos os princípios básicos brevemente. A primeira vacina de que se tem registro na história foi criada em 1796 pelo médico britânico Edward Jenner, usada para o combate à varíola. Jenner desco- briu que, ao expor um indivíduo a uma versão bovina da varíola, inicialmente, resultaria em reações leves da doença, porém, logo em seguida, a pessoa se recu- perava e desenvolvia imunidade contra a versão humana da doença, não sendo mais infectada pelo vírus causador da varíola em seres humanos, quando a ex- posição ocorria. Nesse caso, constatou-se que o vírus causador da varíola bovina poderia ser utilizado para a imunização de humanos, e essa é uma metodologia que auxilia no desenvolvimento de vacinas semelhantes até hoje (PONTE, 2020). Logicamente, existem formulações distintas para cada tipo de vacina! UNICESUMAR UNIDADE 1 14 Agora que relembramos esse processo, vejamos como ele se aplica à vacina contra Covid-19: segundo informações presentes na página do Instituto Butantan, a vacina contra Covid-19 chamada “CoronaVac” ou vacina adsorvida Covid-19 (inativada), é sintetizada utilizando a cepa CZ02 do Novo Coronavírus (Sars-CoV-2) inativada. Assim, substâncias químicas são adicionadas para que o vírus não possa causar a doença, ficando, dessa forma, “morto” (PERGUNTAS…, [c2022]). Na sequência, outras substâncias, como o hidróxido de alumínio, são adicionadas, visando à pro- teção e defesa geradas pelos anticorpos nas pessoas vacinadas. Com isso, quando um indivíduo vacinado entra em contato com o agente causador da doença, os anticorpos imediatamente criam um mecanismo de defesa, baseado na memória do sistema imunológico, evitando que o vírus cause agravos à saúde. Vale lembrar que nem sempre o agente causador é responsável por provocar a doença. Às vezes, a causa é uma toxina produzida por ele. Diante desse contexto, você deve estar reconhecendo o envolvimento de várias ciências nesse processo, o que nos abre espaço para o entendimento da Biotecnolo- gia. Veremos mais sobre ela no contexto da saúde e da epidemiologia ao longo desta unidade, mas, agora, façamos um breve salto para o nosso segundo exemplo, aquele voltado à agricultura e produção de alimentos. 15 Como deve ter percebido, não houve a necessidade de dialogarmos sobre como ocorre o processo de fabri- cação das vacinas, o processo de transformação bacteria- na ou, ainda, as tecnologias moleculares utilizadas para o desenvolvimento de linhagens de cultivares vegetais. Devemos atrelar significado aos exemplos apresentados, considerando algumas informações significativas. A Embrapa, recentemente, publicou em seu site um artigo intitulado “Transgenia: quebrando barreiras em prol da agropecuária brasileira”, em que algumas informações relevantes em nosso contexto são apre- sentadas. Segundo o artigo, a transgenia se configura como a evolução do melhoramento genético conven- cional, possibilitando a transferência de características expressadas por genes de interesse agronômico entre espécies diferentes, previamente isolados. Tal fato pos- sibilita, por exemplo, o isolamento e as transferências de genes de microrganismos para plantas, com o obje- tivo de torná-las resistentes a doenças ou mais nutriti- vas, dentre outras inúmeras aplicações. Dessa forma, a ciência e a tecnologia desenvolvidas possibilitaram o advento de culturas transgênicas há 25 anos, atualmen- te, das culturas cultivadas em nosso país com Biotec- nologia, sendo que 92% da soja é transgênica, 90% do milho e 47% do algodão também são geneticamente modificados (TRANSGENIA…, [s. d.]). É provável, agora, com a leitura, que você já se adiantou e refletiu sobre as demais contribuições dessa ciência para a economia, o meio ambiente, a biossegurança e os desafios alimentares, não é? Mas, na prática, como o desenvolvimento ou a descoberta de um novo produto ocorre? É importante destacar que o Brasil possui uma das leis de biossegurança mais rigorosas do mundo quanto à disponibilização de novos produtos aos consumido- UNICESUMAR UNIDADE 1 16 res, visando à prevenção e minimização de riscos inerentes às atividades de pesqui- sa, produção e desenvolvimento tecnológico, garantindo a saúde do ser humano e dos animais, a preservação do meio ambiente e a qualidade dos resultados. A Lei n. 11.105/2005 regula as atividades com transgênicos e de Biotecnologia em geral, assim como determina que, desde a sua descoberta, até chegar a ser um produto finalizado e apto para a comercialização, um transgênico é obrigado a passar por inúme- ros estudos, os quais requerem, aproximadamente, dez anos de pesquisa. Somente depois de analisado e aprovado pela CTNBio é que o produto pode ser comercializado no mercado. Isto é, a produção de transgênicos é uma atividade legal e legítima, regida por legislação específica e pautada por rígidos critérios de biossegurança (BRASIL, 2005). Façamos, juntos, uma breve experiência investigativa em sua residência: busque por alimentos e produtos comuns em seu cotidiano, como alimentos a base de soja e milho ou produtos como algodão, cremes corporais ou shampoos. Avalie a composi- ção de cada item, observando se existe alguma indicação diferente ou uma sinalização de transgênicos na composição, que normalmente está disposta na embalagem. Depois, faça essa breve pesquisa e registre seus “achados” sobre o assunto no diário de bordo! 17 Apostamos que você encontrou uma série de produtos com a sinalização a seguir, não é? Descrição da Imagem: a imagem contém o símbolo empregado em produtos transgêni- cos. Trata-se de um triângulo com as bordas em preto. Seu interior é amarelo e traz a letra “T”, também em cor preta, em seu interior. Figura 1:de matéria, sobrando pouco para a formação de objetos adicionais. Por esse motivo, a distância entre as órbitas dos planetas internos foi mais tardia, pois era preciso mais tempo para que a temperatura se resfriasse para condensar a matéria. A maioria dos compostos condensáveis, que carregam hidrogênio, não teve a opor- tunidade de se solidificar. Logo, planetas chamados de “terrestres” só poderiam ser naturalmente pequenos (SCHAPPO, 2022). Presume-se que grandes ventos solares, em torno de 105 anos após a formação do protossol, varreram o sistema solar de gás e poeira. Segundo essa teoria, os asteroides existentes ou se chocaram com os planetas ou foram ejetados para fora do sistema solar, incluindo perturbações gravitacionais causadas pelos planetas gigantes. Apenas o cinturão de asteroides permanece atualmente, guardando a história do sistema solar como memória (SCHAPPO, 2022). Cálculos quantitativos são frequentemente realizados, a fim de modelar os processos brevemente recém-discutidos. Contudo, ninguém conseguiu produzir um modelo que descrevesse em detalhes a formação do sistema solar. Além disso, pouco se sabe sobre todos os processos físicos envolvidos e as suas condições iniciais. Por essa razão, adota-se a hipótese nebular (SCHAPPO, 2022). Vamos, então, fazer uma breve descrição dos planetas do nosso sistema solar? De acordo com Milone et al. (2018), ao todo, são oito planetas, e a sequência em que seguiremos será em ordem de proximidade ao Sol, sendo eles: Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. UNIDADE 4 UNIDADE 4 18 Mercúrio é o planeta mais próximo do Sol. Em latim, seu nome corresponde ao deus grego Hermes, filho de Zeus. É o menor dentre todos os planetas (MILONE et al., 2018). Esse planeta não apresenta evidências de atmosfera, de acordo com medições obtidas por sinais de rádio. Outras técnicas mostram que é mínima, quase inexistente. A variação de temperatura entre o dia e a noite variam entre -170°C (lado oculto do Sol) a 430°C (lado iluminado pelo Sol). Um dia solar equivale a três dias estelares (também chamado de dia sideral, período de 23 horas 56 minutos e 4 se- gundos) ou dois anos mercurianos. Esse período é igual a 176 dias solares terrestres. A insolação atinge cerca de dez vezes o valor da Terra. O albedo visual de Mercúrio é semelhante ao da Lua. Albedo é a medida da quantidade de radiação solar refletida de um objeto ou alvo com relação à quantidade de energia incidente. As observações de radar mostram que ocorre a existência de degelo em crateras nos polos de Mercúrio, assim como vários tipos de imagens foram usadas para reduzir as propriedades da superfície do planeta (SCHAPPO, 2022). Mercúrio brilha como a Lua, e os dois astros recebem vários meteoritos por dia, fato que justifica os primeiros centímetros da superfície do planeta terem Descrição da Imagem: a imagem, colorida, mostra uma representação da ordem dos astros no sistema solar. À esquerda, temos uma pequena porção do Sol, representado em amarelo, com radiação sendo emitida em várias direções, temos oito esferas representando os planetas. Da esquerda para a direita, o primeiro em azul; o segundo em amarelo, com tamanho maior; o terceiro, representado pela Terra, com a porção continental em verde e, em azul, a porção oceânica; o quarto em laranja, com tamanho semelhante ao primeiro; o quinto em cinza e marrom; o sexto em amarelo, com um anel em diagonal; o sétimo em verde; e o oitavo em azul escuro. Os dois últimos apresentam o mesmo tamanho. Figura 6: Sistema solar. 19 uma densidade muito baixa, ao passo que as camadas mais profundas são mais compactas (SCHAPPO, 2022). O conteúdo de ilmenita (mineral mais comum em titânio) é menos abundante em Mercúrio do que na Lua. Ilmenita é o mineral de titânio de ocorrência mais co- mum e abundante. Apresenta-se na cor preta, do ferro, com cristalização hexagonal, romboédrica. Teoricamente, possui 53% de TiO2 e 47% de Fe. Pode conter pequenas quantidades de magnésio e manganês e, em muitos casos, até 6% em peso de Fe2O3 . Vênus é o nome da deusa grega do amor, Afrodite. Durante a Antiguidade, Vênus era conhecida como “Estrela D’Alva”, que significa “primeira estrela da manhã”. É o mais brilhante dos planetas e está sempre próximo ao Sol, como Mercúrio, pois suas órbitas são internas à da Terra. O tamanho de Vênus é com- parável ao tamanho da Terra (SCHAPPO, 2022). Sobre esse planeta, as observações realizadas sugerem que apresenta superfí- cie composta por rocha seca, não muito diferente de algumas rochas conhecidas da superfície da Terra. Por meio de sondas e radares, valores obtidos por compri- mento de onda vão ao encontro das medidas conhecidas de minerais basálticos secos, que se acredita constituírem a maior parte da superfície de Vênus. O planeta ainda conta com atmosfera densa, sendo a mais densa de todos os planetas. Os constituintes atmosféricos são o dióxido de carbono e o nitrogênio, em proporções aproximadas de 96,5% e 3,5%, respectivamente, cobertas de nuvens espessas compostas, principalmente, de ácido sulfúrico e contaminantes, causan- do intensa reflexão da luz do Sol. Não existe água no planeta. A temperatura aproximada é de 460°C na super- fície. Há uma suposição que explica que a alta temperatura da superfície — seja devido ao efeito estufa, seja devido à explicação física — se deve por conta da luz visível do Sol, que é apenas parcialmente absorvida pelas nuvens e pela atmosfera do planeta. A superfície aquecida irradia novamente no infravermelho e, pelo fato de a atmosfera ser muito absorvente na região espectral dessa radiação, a luz irradiada não consegue sair (SCHAPPO, 2022). Já a Terra é o nome de uma deusa romana, esposa de Céu. Nosso planeta é o único que apresenta uma temperatura que permite a existência de água em forma lí- quida, fato que também permite a existência de vida. Inclusive, deveria ser chamado de “planeta Água” e não “planeta Terra”, afinal, ¾ de sua superfície é coberto por água. Apresenta um satélite natural, que é a Lua. Existe uma teoria que mostra a formação da Lua, juntamente com a Terra, havendo uma separação posterior. UNIDADE 4 UNIDADE 4 20 Marte se refere ao deus latino da guerra, cujo correspondente grego é Ares. Co- nhecido como “planeta vermelho”, sua cor avermelhada se dá por conta da poeira, rica em ferro, que cobre parcialmente a sua superfície. O período de rotação de Marte é semelhante ao da Terra. Com os avanços científicos, tornou-se possível coletar muitos dados com o envio de sondas não tripuladas para o planeta. Assim, verificou-se que ele apresenta vulcões extintos. Além disso, a temperatura é de cerca de 30ºC à 90°C (SCHAPPO, 2022). São vistos, na superfície, muitos sistemas de canais que se assemelham a leitos secos de rios, usados para indicar que existia água líquida em sua superfície e que, agora, parecem estar em calotas polares. Marte se move em uma órbita um pouco maior do que a da Terra. A atmosfera marciana é tênue, apresenta uma pressão superficial, aproxi- madamente, de 200 vezes menor do que a da Terra. O constituinte primário da Descrição da Imagem: a imagem mostra uma fotografia do espaço, com o planeta Terra de cima. É possível observar o fundo preto com pontos luminosos, que são estrelas, e o planeta Terra ao centro da imagem. Na porção central do planeta, temos um continente em tons de verde e marrom, mostrando a porção de terra circundado por grandes porções azuladas e manchas brancas. Figura 7 – Terra. 21 atmosfera mais baixa é o dióxido de carbono. A quebra da molécula de dióxido de carbono produzida pela radiação ultravioleta solar produz monóxido de carbono e oxigênio molecular. Vapor de água também foi observado em Marte e usado para determinar a distribuição desse líquido no planeta, bem como sua influência no comportamento atmosférico. O planeta possui dois satélites, Fobos e Deimos (em grego, “medo” e “terror”), cujos nomes representamos dois filhos de Ares. São pequenos, da ordem de dez quilômetros de raio, e possuem forma irregular, como a de uma batata. São, prova- velmente, asteroides capturados pela gravidade do planeta (MILONE et al., 2018). Júpiter é o maior planeta do sistema solar. Seu nome latino corresponde, em grego, a Zeus, o maior dos deuses do Olimpo. É o planeta mais colorido do sistema solar. Devido a sua rápida rotação, aparenta ter faixas em sua atmosfera superior. Não apresenta uma superfície sólida visível e, portanto, nenhuma evidência his- tórica de colisão. A composição atmosférica é, principalmente, de hidrogênio e hélio molecular (SCHAPPO, 2022). Atualmente, conhecemos 63 satélites de Júpiter, porém, ainda podemos ter outros, aumentando esse valor. Schappo (2022) mencionar que Júpiter apresenta um anel, semelhante a Sa- turno, mas esse anel se apresenta fino e escuro, diferentemente do de Saturno, que é bastante brilhante e define a aparência do planeta. O planeta Saturno tem este nome devido ao deus romano que ensinou aos seres humanos a agricultura, sendo associado ao deus grego Cronus. O planeta apresenta um sistema de anéis visível. Estes, são compostos por partículas de gelo e poeira, cujos tamanhos vão desde um milésimo de milímetro até dezenas de metros. Apesar de sua grande extensão — o raio externo fica a 480 000 quilô- metros do centro de Saturno —, os anéis do planeta são extremamente finos, da ordem de duzentos metros (SCHAPPO, 2022). Até o momento, abordamos apenas sobre planetas conhecidos desde a Anti- guidade. No entanto, Urano é um planeta que ficou conhecido na Era Moderna, em 1781. É um planeta gasoso, sem superfície. Na sua atmosfera, temos os gases hidrogênio, hélio e algumas porções pequenas de metano, amônia e vapores de água, que ficam orbitando entre si. Por meio de telescópios terrestres, é possível observar que o Urano é um disco azul esverdeado. Conta com cerca de 27 satélites conhecidos, a maioria composto de gelo, sendo Miranda um de seus maiores. UNIDADE 4 UNIDADE 4 22 Espectros eletromagnéticos mostram que, nesses satélites, há água congelada. Netuno vêm do nome latino Poseidon, deus grego dos mares. Apresenta coloração esverdeada, com 13 satélites e um sistema de anéis. Por último, mas não menos importante, Plutão é diferente dos demais pla- netas, sendo que houve discussões, desde o século XX, sobre a sua posição como planeta. Na mitologia, refere-se ao deus romano Hades, deus dos mortos. Seu tamanho é o menor quando comparado aos demais planetas, com um raio de 2.300 metros. Apresenta três satélites. A órbita de Plutão era excêntrica e inclinada. Devido à observação de outros obje- tos que orbitam a Terra e com a mesma distância deste em relação ao Sol, passou a ser considerado uma “planeta anão”. Sobre isso, existe uma diferença entre um planeta e um planeta anão. O primeiro pode ou não apresentar satélites em sua órbita, enquanto planetas anões podem ter companheiros de órbitas que não são seus satélites. Assim, de acordo com uma reunião da União Astronômica Internacional, em 2006, a definição de um planeta anão é um corpo que orbita em torno do Sol, esférico devido a sua própria gravidade, que não possua fusão nuclear interna e cuja órbita esteja localizada em uma região do sistema solar que possua outros corpos orbitando em torno do Sol. Hoje, são reconhecidos como planetas anões três corpos: Plutão, Ceres e Éris (HELERBROCK, [c2022]). Plutão não é mais um planeta. O principal parâmetro que levou a União Internacional da Astronomia a remover Plutão da lista de planetas é o fato de ele não ser capaz de con- duzir a sua própria órbita, ou seja, ele depende de outros planetas que influenciam em sua trajetória. Dentre eles, Netuno e objetos congelados do Cinturão de Kuiper (VOELZKE; ARAÚJO, 2010; MILONE et al., 2018). PENSANDO JUNTOS Os corpos menores do sistema solar são os asteroides, os objetos do Cinturão de Kuiper, os meteoritos, os satélites, os anéis dos planetas jovianos e os cometas. Vamos, agora, apresentar alguns relatos sobre cada um deles! Os asteroides são pequenos corpos numerosos que orbitam o Sol. Localizam- se, em sua maioria, entre Marte e Júpiter, região conhecida como Cinturão de Aste- roides. Dentre eles, o maior é Ceres, com 1.000 km de diâmetro (SCHAPPO, 2022). 23 As órbitas dos asteroides conhecidas são todas ao redor do Sol, seguindo o mesmo sentido dos planetas. Acredita-se que a colisão do asteroide Chicxulub com a Terra, há 65 milhões de anos, tenha levado os dinossauros ao desapareci- mento (SCHAPPO, 2022). Os asteroides são pequenos demais para serem avistados por telescópios. O infravermelho e a espectroscopia permitem obter informações quanto à com- posição e idade dos asteroides, fornecendo evidências que, um dia, há 4,6 bilhões de anos, eles constituíram planetas do sistema solar. Poucos apresentam satélites, o que é um indício de que tenham sido originados de colisões. O Cinturão de Kuiper é uma região com restos congelados, localizados no plano do sistema solar, estendendo-se após a órbita de Netuno até 150 Unidades Astronômicas (UA) do Sol. Apresenta-se em formato achatado, indicando que os objetos que o compõem são remanescentes dos planetesimais formados da nebulosa solar. O primeiro objeto transneturiano foi descoberto em 1992, com diâmetro estimado de 200 km, a cerca de 40 UA do Sol (SCHAPPO, 2022). Unidade Astronômica é a distância média da Terra ao Sol! No ano de 1997, mais de 30 corpos foram localizados no Cinturão de Kuiper. Em 2002, foi descoberto um objeto transneturiano maior do que Ceres, com 1.250 km de diâmetro, chamado Quasar. Já em 2004, foi descoberto o Sedna, com raio entre 550 km e 900 km, a uma distância de 13 bilhões de quilômetros em relação ao Sol. Em 2005, foi achado Éris, que, de acordo com medidas realizadas pelo telescópio Hubble, é maior do que Plutão e conta com um diâmetro em torno de 2.398 km, sendo que sua distância em relação ao Sol varia entre 38 UA a 98 UA. O Cinturão de Kuiper tem um satélite Dysnomia. Sugere-se que possa conter mais de 35.000 corpos com um diâmetro superior a 100 km. Já os meteoritos são originados do impacto de meteoroides, geralmente asteroides, na atmosfera terrestre. Podem surgir, por exemplo, de um cometa, que, ao passar perto do Sol, perde parte de seus componentes sólidos junto com seus elementos voláteis. Os componentes sólidos perdidos ficam orbitando em torno do Sol na mesma órbita do cometa. Assim, toda vez que a Terra atravessa essa órbita, surge uma nuvem de meteoros. Temos alguns fragmentos que vagueiam pelo sistema solar, classificados quanto a sua composição e ao seu tamanho. A exemplo desses fragmentos, po- demos citar os cometas. UNIDADE 4 UNIDADE 4 24 Você já deve ter escutado sobre o famoso cometa Halley, que orbita o Sol a uma média a cada 75 anos. A última vez que ele esteve próximo da nossa es- trela (no periélio de sua órbita) foi em 1986. Provavelmente, a próxima vez que poderemos vê-lo novamente será por volta de julho de 2061 (MELLO, 1986). Cometas se apresentam com tamanho de dezenas de quilômetros, com- postos por rocha, poeira e gases congelados. Quando se aproximam do Sol, são aquecidos, o que faz com que parte de sua composição gasosa seja volatilizada, desprendendo-se do núcleo e formando a cauda do cometa, cujo comprimento pode atingir milhões de quilômetros. Alguns podem ser vistos da Terra, princi- palmente em ambientes abertos e longe das luzes da cidade. Outros podem ser observados apenas por telescópios e binóculos (SCHAPPO, 2022). Temos mais do que apenas quatro tipos de iluminação da face lunar voltada para a Terra. Portanto, a classificação em apenas quatro fases da lua é apenas uma convenção. Podemos ter outros fragmentos rochosos bastante grandes, mas sem a com- posição gasosa que se volatiliza ao chegar perto do Sol, como os asteroides. Estes apresentam tamanho variando de um metro até centenas de quilômetros. Muitossão destroços que sobraram do processo de formação do sistema solar, “fósseis astronômicos” resultantes da aglomeração de matéria até formar um objeto ma- croscópico, mas que não cresceu o suficiente para formar astros tão grandes como planetas ou planetas anões (SCHAPPO, 2022). Milhões de asteroides existem, principalmente, em regiões como o Cinturão de Asteroides, localizado entre Marte e Júpiter; o Cinturão de Kuiper, localizado para além da órbita de Netuno; e, também, a Nuvem de Oort, considerada o limite exterior do sistema solar, podendo conter bilhões (ou até trilhões) de objetos, como asteroides e cometas, localizada a uma distância entre 2.000 e 100 mil vezes maior do que aquela que separa a Terra e o Sol. Um meteorito se parece com uma rocha da Terra, porém seu interior é quei- mado em razão do grande calor. Ao entrar na atmosfera terrestre, o meteorito ad- quire uma crosta de fusão por conta do aquecimento provocado pelo atrito com a atmosfera, criando um rastro brilhante que pode ser visto a olho nu. É comum que se fragmente, formando o que conhecemos por chuva de meteoros. Se o corpo fragmentado for muito pequeno, ele poderá chegar à Terra quase intacto. Diversos meteoritos atingem a Terra diariamente, de 100 a 1.000 toneladas. Um exemplo se deu em 1976, na China, quando houve a queda de um meteoro de 25 1,76 toneladas. O objeto, ao colidir com a Terra, deve ter massa e energia cinética suficientemente altas para suportar o calor gerado pelo atrito com a atmosfera e se manter grande ao atingir o solo, gerando uma grande cratera. Então, pode-se assumir que os meteoritos são meteoros que atravessam a atmosfera da Terra sem serem completamente vaporizados, chocando-se com o solo. Já o número de satélites e luas de um planeta está associado a sua massa. A maior Lua do sistema solar é Ganimedes, um dos quatro satélites galileanos de Júpiter. A segunda é Titan, Lua de Saturno. Ambas são, inclusive, maiores do que o planeta Mercúrio. Os quatro planetas jovianos (Júpiter, Saturno, Urano e Netuno) possuem um sistema de anéis composto por milhares de partículas que orbitam muito próximo a eles. Possivelmente, formaram-se a partir de um satélite que se quebrou ou por con- ta de um material que nunca se aglomerou para formar a Lua (SCHAPPO, 2022). Saturno tem os anéis considerados mais bonitos, os quais apresentam partícu- las de gelo que refletem muito bem a luz. Já os anéis dos demais planetas jovianos são constituídos por partículas escuras (SCHAPPO, 2022). Acesse o QR Code a seguir para ouvir o podcast desta unidade! Nele, falaremos sobre a importância dos astros para o ser humano como uma forma de contar os dias e elaborar um calendário. Abordaremos, especificamente, sobre a origem da semana. Aperte o play para se aprofundar no assunto! As estrelas são objetos celestes e conversores de elementos químicos e partículas elementares. Em seu interior, por causa da alta pressão e da elevada temperatura, ocorrem reações de fusões nucleares, gerando elementos químicos e energia. Quanto mais antiga, menos elementos pesados em seu interior. Vistas como fontes pontuais e utilizadas como pontos de orientação, as estre- las têm tamanhos e cores diferentes. Vamos, então, entender algumas considerações a respeito desses astros? Conforme Schappo (2022), o Sol foi utilizado como modelo para a análise de es- trelas mais distantes. Utilizando equipamentos ópticos modernos, forneceram linhas UNIDADE 4 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11022 UNIDADE 4 26 espectrais fortes para o hidrogênio, que pertencem à faixa amarela do espectro ele- tromagnético. Pode-se dizer que toda estrela gera emissão de raios-x em algum nível. Em 1666, Isaac Newton decompôs a luz visível do Sol com um prisma e ob- teve as diversas tonalidades que compõem o espectro de luz visível. Atualmente, conhecemos que cada banda se refere a pequenos intervalos de frequência e, com efeito, a pequenos intervalos de comprimento de onda (SCHAPPO, 2022). Hoje, sabemos que o Sol é a fonte cósmica de raios-x mais próxima e, com isso, a mais brilhante. Ele tem uma luminosidade de raios-x relativamente modesta quando comparação com outras estrelas observadas. O fluxo geral de raios-x produzido pelo Sol também é pequeno em relação à emissão solar em outros comprimentos de onda. Ademais, a temperatura de sua coroa gira em torno de dois milhões de graus Celsius (SCHAPPO, 2022). Por meio de instrumentos ópticos modernos, é possível medir uma faixa de comprimento de onda muito maior do que apenas a da região visível. Schappo (2022) cita que, no ano de 1860, foi determinado que a distribuição das linhas no espectro estava relacionada a elementos químicos. Assim, a análise das raias espec- trais se tornou o estudo dos elementos químicos formados e existentes nas estrelas. A condição de altas densidades e temperaturas no interior de qualquer estrela permite que dois ou mais elementos ou núcleos atômicos se combinem por fusão nuclear. Essas reações transformam um elemento em outro, liberando grande energia, e recebem o nome de nucleossínteses. A maior parte dos processos de nucleossíntese ocorre no interior da estrela. Na primeira etapa de vida de uma estrela, ela transforma hidrogênio em hé- lio e, por sua vez, este se acumula, sem reagir no interior do astro. Tal etapa é conhecida como cadeia próton-próton e ocorre no Sol e em todas as estrelas. O Sol possui um campo magnético, que é produzido pelo mecanismo dínamo. A rotação do envelope estelar convectivo externo gera correntes elétricas abaixo da superfície. Como a corrente elétrica provoca um campo magnético, este estará aproximadamente alinhado com o seu eixo rotacional. Assim, o campo magné- tico percorre a superfície da atmosfera. O aquecimento da coroa solar se dá por conta da torção das linhas de campo magnético, que intensificam localmente o campo. A rotação diferencial no enve- lope solar externo faz com que sua força varie um ciclo de 11 anos. Esse fenômeno produz uma variação cíclica no número de manchas na superfície solar e uma variação cíclica na emissão de raios-x (SCHAPPO, 2022). 27 Tem-se, então, uma variação cíclica na intensidade de altas energias ejetadas pelo Sol. Ao morrer, a estrela pode assumir quatro possibilidades para a sua úl- tima queima: 1. não deixar vestígios; 2. tornar-se uma anã branca; 3. passar a ser uma estrela de nêutrons; 4. gerar um buraco negro. Para não deixar vestígios, sua composição deve ser de hidrogênio e hélio. Além disso, a estrela deve ter uma massa compreendida em um intervalo bem definido. Assim, ela colapsa violentamente, ejetando a sua matéria para o espaço, sem dei- xar remanescentes. No início do universo, pela falta de elementos pesados, esse fenômeno era mais comum. Para se tornar uma estrela anã branca, a estrela deve ter, em seu nascimento, até oito massas solares. A anã branca, como o nome diz, é uma estrela compacta, sendo que sua massa, após a morte, com ejeção de matéria, fica em torno de 0,6 MO (a massa do Sol é representada pelo símbolo MO) e raio de 103 de quilôme- tros (SCHAPPO, 2022). Anãs brancas são compostas por uma matéria degenerada que só existe em situa- ções de altíssima pressão, chamada de “pressão de degenerescência dos elétrons”. Ela impede o colapso gravitacional da estrela, causado por autogravidade, criando uma situação de equilíbrio entre a pressão de degenerescência e as forças gravitacionais. Desse modo, não ocorre uma explosão, mas um resfriamento, e, com isso, uma mu- dança em sua cor, até o ponto de não ser mais possível ver o astro (SCHAPPO, 2022). As anãs brancas são o que restou após a morte de uma estrela, logo, espera-se que, em sua composição química, estejam contidos os mesmos elementos do astro original: hélio, carbono e oxigênio ou neônio e magnésio. Nesse sentido, para o equilíbrio entre a pressão de degenerescência e a autogravidade, existe um limite para a massa das anãs brancas, chamado de“limite de Chandrasekhar”, que está em torno de 1,4 MO. Se a massa do astro for de até 3 MO, ela poderá se tornar uma estrela de nêutrons, que é o tipo mais denso de estrelas, com composição básica de nêu- trons. O que impede o colapso desse tipo de astro é o equilíbrio da pressão de degenerescência dos nêutrons e sua autogravidade. Um tipo peculiar de estrela de nêutrons é o pulsar, sendo que uma de suas ca- racterísticas diz respeito ao forte campo magnético, que resulta em alto campo elé- UNIDADE 4 UNIDADE 4 28 trico. Os campos magnéticos agregam as partículas carregadas nas regiões polares, por isso, a estrela emite luz direcionada em forma de cone em torno dessas regiões. A primeira estrela de nêutrons foi detectada em 1967, em que sinais pulsados de rádio chegavam à Terra com precisão de 1,33728 segundos, vindos da constela- ção de Vulpécula. Essas pulsações decaiam muito rapidamente, o que sugeria que os pulsares eram estrelas de nêutrons em rotação. O tempo médio de vida de um pulsar é de 10 milhões de anos, se ele não estiver em um sistema binário. Isso indica que esses astros são mais raros do que estrelas de nêutrons (SCHAPPO, 2022). Por fim, uma estrela morre e pode gerar um buraco negro. Para tanto, deve ser de 25 a 100 massas solares em seu nascimento. A autogravidade é muito superior à pres- são de degenerescência, e o colapso é tão violento que sequer permite à luz escapar. O estudo matemático dos buracos negros pode ser realizado a partir da Teoria da Relatividade, proposta por Einstein. De acordo com ela, o centro de um buraco negro apresenta um ponto de densidade infinita, onde as leis da Física, como nós as conhecemos, não se aplicam mais. Assim, se a estrela tiver, em seu nascimento, mais de 10 MO, também haverá a possibilidade de ocorrer a formação de um buraco negro após a sua morte (SCHAPPO, 2022). Estrelas com essas características nascem em menor número e queimam seu combustível por reações termonucleares mais rapidamente do que as demais, lembrando que, quanto maior for a massa da estrela, mais rapidamente ela con- verterá elementos químicos mais leves e mais pesados (SCHAPPO, 2022). A Espectroscopia nos permitiu classificar as estrelas de acordo com as linhas escuras (absorção) formadas nesse espectro. As estrelas da sequência principal apresentam características físicas fortemente relacionadas a sua classe espectral. Essas relações são precisas, pois são afetadas por diferenças na composição quí- mica das estrelas e, também, pelo tempo passado na sequência principal. Com instrumentos ópticos modernos, o espectro obtido das estrelas pode ser medido em uma faixa de comprimento de onda muito maior do que apenas a região visível. Essa análise de alta resolução apresenta a existência de um fundo contínuo contendo linhas de absorção, as quais correspondem a transições de elétrons formando átomos e íons. As fortes linhas individuais de absorção variam muito de uma estrela para outra e podem não se fazer presentes, em alguns casos. Se os espectros de muitas 29 estrelas forem comparados, será possível organizá-los em uma sequência na qual cada espectro varia apenas um pouco em relação a seus vizinhos. A abundância de elementos no interior varia conforme a estrela, mas, em geral, o hidrogênio é o componente mais abundante. Sua concentração pode variar entre 68% a 76%. O hélio é o segundo mais abundante, correspondente a 24% a 30% da massa estelar. O oxigênio, carbono, nitrogênio e demais elementos seguem em ordem decrescente de abundância. Magnésio, silício, ferro e enxofre apresentam taxas de uma parte por mil, em massa. Assim, compreendemos que a ideia fundamental da classificação espectral é que, para certa composição química, o padrão das linhas de absorção formadas nas camadas mais externas da superfície de uma estrela estará associado à tem- peratura e pressão. Não são só os corpos quentes que emitem radiação, mas, também, os corpos frios, pois suas temperaturas são maiores do que o zero absoluto. Logo, se as estrelas possuem energia térmica, ou seja, vibração molecular, irão emitir radiação de corpo negro. Assim, o gás frio que está no espaço, que possui temperatura pouco acima do zero absoluto, também emite essa radiação. Quanto mais quente estiver um objeto, maior será a radiação emitida pelo corpo negro, bem como o comprimento de onda do fóton emitido quando uma partícula coli- dir com um elétron. Portanto, essas duas características, temperatura e cor (com- primento de onda do fóton emitido), têm grande importância na Astronomia. A maioria das estrelas transita com velocidades intermediárias. Dessa forma, quanto mais quente for o objeto, mais rápido, em média, os elétrons viajarão. Como os elétrons de alta velocidade são raros, colisões de alta energia não ocor- rem frequentemente, e fótons de comprimento de onda curto são raros. Grande parte das colisões não gera fótons com comprimento de onda longo. Pelo contrário: ocorre uma distribuição de velocidades médias de elétrons, logo, uma distribuição de eventos de energias médias. O objeto mais quente emite mais luz azul do que vermelha (portanto, parece azul), ao passo que o objeto mais frio emite mais luz vermelha do que azul. Na classificação espectral, as estrelas são designadas como O, B, A, F, G, K e M. Além disso, apresentam ordem decrescente de temperatura, conforme podemos observar no quadro a seguir. Esse sistema é utilizado há um século e, mesmo assim, surgem novos objetos com diferentes classes espectrais ainda não observadas. UNIDADE 4 UNIDADE 4 30 Classe es- pectral Temperatu- ra aproxi- mada (K) Linhas de hidrogênio de Balmer Outras caracterís- ticas espec- trais Exemplos visíveis a olho nu O 40.000 Fracas Hélio ioniza- do Meissa (O8) B 20.000 Médias Hélio neutro Achernar (B3) A 10.000 Fortes Cálcio fracamente ionizado Sirius (A1) F 7.500 Médias Cálcio fracamente ionizado Canopus (F0) G 5.500 Fracas O meio este- lar possui cál- cio ionizado Sol (G2) K 4.500 Muito fracas Cálcio fortemente ionizado Arturus (K2) M 3.000 Muito fracas Linhas fortes para óxido de titânio Betelgeuse (M2) Quadro 1: Classificação espectral das estrelas. / Fonte: Adaptado de Amorim (2021). A sequência espectral classifica uma estrela de acordo com a sua temperatura. As estrelas de classe O são as mais quentes, e a temperatura diminui ao longo da se- quência, em direção às estrelas de classe M, que são as mais frias (AMORIM, 2021). Cada faixa espectral é dividida em dez subclasses. Assim, para a classe es- pectral A, há as subclasses A0 a A9, e assim por diante. O Sol, por exemplo, não é apenas uma estrela G, mas G2. Já as estrelas do tipo M têm bandas produzidas por óxidos metálicos, como o óxido de titânio. Enfim, parece uma tarefa simples deduzir a composição química das estrelas apenas analisando seus espectros, porém, trata-se de um problema nada trivial e que, até 1920, não era tão com- preendido quanto agora (AMORIM, 2021). De acordo com Schappo (2022), temos três tipos de espectros observados por astrônomos: 31 1. contínuo; 2. de absorção; 3. de linha escura. De emissão ou de linhas brilhantes, as linhas espectrais mais comuns, em todos eles, são as linhas de hidrogênio de Balmer, as quais oferecem uma boa precisão para estimar a temperatura estelar por meio da cor. As fortes marcações das vá- rias linhas espectrais de uma estrela dependem da temperatura de sua superfície. Com base nisso, é possível concluir que todas as estrelas com certa temperatura devem ter espectros semelhantes. Uma linha espectral pode ser fraca pelo fato de o átomo ser raro ou por não apresentar a eficiência necessária para absorver certos comprimentos de onda. Isso ocorre em regiões nas quais a temperatura da estrela é muito alta ou muito baixa. Se um espectro tiver linhas correspondentes a determinado elemento quími- co, é certo que a estrela é muito alta ou muito baixa. Se um espectro tiver linhas correspondentesa determinado elemento quí- mico, é certo que a estrela que o emitiu contém átomos desse mesmo elemento. Porém, se tal componente estiver ausente das linhas espectrais, há a possibilidade de que exista no interior da estrela, mas sua temperatura não contribui para a emissão das linhas espectrais visíveis. Existe uma consequência física que afeta o espectro. Refere-se ao efeito Do- pler, que representa a mudança no comprimento de onda da radiação eletromag- nética causada pelo movimento da fonte. A velocidade radial do objeto pode ser determinada com base na relação entre a variação do valor do comprimento de onda e, portanto, a magnitude do deslocamento Dopler. A luminosidade da estrela é uma informação observável que permite estimar a massa de uma estrela pelo tipo espectral emitido por ela. Para o caso de sistemas binários, conhecendo a massa de uma das estrelas, podemos determinar a massa da outra por meio da Lei de Kepler. Para estrelas com massas grandes (maiores do que três massas solares), a luminosidade é proporcional ao cubo da massa. Já para as estrelas com mas- sas pequenas (menores do que a massa solar), a luminosidade é proporcional à potência de 2,5 da massa. Até mesmo as estrelas das quais há informações mais substanciais, só é possível medir os parâmetros de luminosidade, massa, raio e UNIDADE 4 UNIDADE 4 32 composição química. Porém, as estrelas precisam seguir certas condições em todas as suas camadas para que sua existência seja possível (SCHAPPO, 2022). Para um pequeno elemento de volume considerado em qualquer parte no interior da estrela, a força gravitacional que o puxa para o centro do astro deve se equilibrar com a força da pressão que o empurra para fora. A distribuição de massa informa como ocorre a distribuição de matéria no interior da estrela, de acordo com o raio considerado. Estrelas densas, para raios pequenos, apresentam alta densidade, por exemplo. A produção e energia é uma condição que expressa a Lei de Conservação de Energia. A energia produzida no interior da estrela é deslocada e irradiada. Na superfície, e a razão com a qual ela é produzida, depende de sua distância até o centro do astro (SCHAPPO, 2022). O gradiente de temperatura é uma função decrescente do raio e depende de como a energia é transportada. Para uma estrela, o modo de transporte de energia a ser considerado é a radiação, visto que a convecção e a condução são ineficientes. O processo de condução se faz importante apenas em estrelas compactas, logo, a temperatura de radiação é a predominante no estudo das estrelas. O gradiente da temperatura radioativa é diretamente proporcional à luminosidade. Aqui, não estamos considerando a condição de estabilidade do equilíbrio radioativo, ou seja, as perturbações entre as camadas, tampouco a possibilidade da mudança de composição química entre as camadas estudadas das estrelas. O Sol converte hidrogênio em hélio a uma velocidade colossal. Tal conversão entre elementos químicos é o que gera a energia de fusão nuclear, a mesma utilizada nas bombas de hidrogênio que atingiram o Japão na Segunda Guerra Mundial. Em função da grande massa do Sol, essa energia é da ordem de trilhões. Assim, quanto maior for a massa de uma estrela, mais rápido ela converterá um elemento químico em outro. Sob essa ótica, é possível estimar o tempo de vida de uma estrela realizando a razão entre sua energia disponível e a taxa com que ela gasta essa energia. O tempo de vida de uma estrela é consequência de suas condições de nascimento. O Telescópio Espacial Hubble foi projetado por volta dos anos de 1970. Ele foi colocado em órbita em 1990, com o intuito de fotografar galáxias e estrelas. Porém, ao ser acionado, percebeu-se que as imagens se apresentavam distorcidas. Tentativas de corrigir o foco da imagem não tiveram sucesso, já que o problema estava no espelho central do Hubble. Ele havia sido projetado em um formato mais 33 plano do que deveria ser, impedindo focar a imagem com maior nitidez. Assim, dois astronautas norte-americanos realizaram o conserto do telescópio em órbita. O Hubble é um telescópio refletor (seu elemento óptico principal é um espelho), com 2,40 metros de diâmetro (se fosse um telescópio terrestre, seria considerado um telescópio de porte médio). Possui alcance de 14 bilhões de anos-luz e tem capacidade de aproximação de cerca de 350 vezes mais do que um telescópio terrestre. Ademais, é capaz de focalizar objetos a 4.800 km ou detectar a luz de um vaga-lume a 16.000 km. Em 2021, houve uma falha em um de seus computadores. Para esse conserto, foi necessário convocar todos os funcionários que estavam presentes em sua construção na década de 1980. Foram duas semanas de intenso trabalho para conseguirem. E ele voltou a funcionar, agora com imagens incríveis! A distância entre a Terra e seu satélite natural, a Lua, é de 38 mil quilômetros. Tendo uma variação entre o perigeu de 360 mil e de 400 mil no apogeu. Os eclipses solares ocorrem em decorrência do alinhamento astronômico entre o Sol, a Lua e a Terra, como podemos observar na figura a seguir. A região de sombra do Sol não consegue atingir a Terra, sendo completamente estendido, como mostrado em S. Uma pessoa, nessa região, observará um eclipse solar total, quando o disco solar é completamente escondido pela Lua. As regiões de penum- bra, indicadas por P, experimentam um bloqueio de apenas parte da luz solar. Na prática, um observador, dentro da penumbra, perceberá o disco solar apenas par- cialmente escondido pela Lua. Trata-se do eclipse solar parcial (SCHAPPO, 2022). Descrição da Imagem: a imagem mostra o eclipse solar em preto e branco, com o Sol à esquerda, representado por um círculo e vários raios partindo dele. À direita, temos a Terra, representada pelos continentes e os oceanos. Entre o Sol e a Terra, temos a Lua. Da Terra, em direção à Lua, podemos observar uma penumbra que parte dos hemisférios norte e sul para os hemisférios norte e sul da Lua. Partido dos hemisférios norte e sul da Lua, temos a projeção de uma sombra em cinza, até uma pequena região central da Terra. Figura 8: Eclipse solar. / Fonte: Schappo (2022). P P P P SS D A B C Ponto de vista terrestre A B C D Nova Q. Crescente Cheia Q. Minguante S S P P UNIDADE 4 UNIDADE 4 34 Já no eclipse lunar, temos a Terra entre o Sol e a Lua. Eclipses penumbrais da Lua são aqueles em que nosso satélite natural entra total ou parcialmente dentro da penumbra. O que se observa, para esses casos, é que a Lua fica levemente obscu- recida. Quanto mais para dentro da penumbra, mais obscurecida ficará (Figura 9). Descrição da Imagem: a imagem mostra o eclipse lunar em preto e branco, com o Sol à esquerda, repre- sentado por um círculo e vários raios partindo dele. No centro, temos a Terra e, à direita, a Lua. Da Terra, em direção à Lua, podemos observar uma penumbra que parte dos hemisférios norte e sul e converge em direção ao espaço. Partido próximo aos hemisférios norte e sul da Terra, temos a projeção de uma sombra em cinza, até a Lua, a qual a cobre por inteiro. Figura 9: Eclipse lunar. / Fonte: Schappo (2022). Outro fator importante, ocasionado devido aos astros, além dos eclipses, diz respei- to aos seus efeitos na água do mar. As marés são efeitos resultantes do processo de atração gravitacional, especificamente entre o oceano e a Lua, e o oceano e o Sol. Sempre haverá duas regiões terrestres experimentando a condição de máxi- mo da “maré alta”, e duas vivenciando a condição de mínimo da “maré baixa”. A explicação para esse espichamento do nível oceânico tem a ver com a força da gravidade: como o nosso planeta tem dimensões muito grandes ao redor do glo- bo, a força de atração lunar experimental por cada local oceânico será levemente diferente do nosso satélite natural. Quanto à alternância de tempo sobre as condições das marés, basta lembrarmos de que o nosso planeta gira ao redor do seu próprio eixo, completando uma voltaa cada 24 horas. Assim, o ponto A, dentro de seis horas, estará deslocado em ¼ de volta, passando da região de maré alta para outra de maré baixa. Após 12 horas, quando o ponto A completou meia volta de rotação terrestre, estará novamente em maré alta, e assim sucessivamente. Portanto, a cada 12 horas e 25 minutos, aproximadamente, P P P P SS D A B C Ponto de vista terrestre A B C D Nova Q. Crescente Cheia Q. Minguante S S P P 35 temos marés altas sucessivas (ou baixas sucessivas). O ciclo não é de 12 horas exatas porque a Lua não está parada no mesmo lugar (SCHAPPO, 2022). O fenômeno-chave, aqui, é a gravidade. Tal força não atua apenas entre a Terra e a Lua ou entre a Terra e o Sol. Também existem forças atrativas gravitacionais entre a Terra e qualquer outro astro do sistema solar, mas as distâncias são tais que os efeitos significativos de marés sobre o nosso planeta são causados, sobretudo, pela Lua e pelo Sol. Assim como pela presença das luas, também temos os efeitos do sol nas marés. As marés causadas pelo Sol são menos significativas, já que a distância entre a Terra e o Sol é maior. As fases da Lua são mudanças na aparência do disco lunar conforme a Lua vai orbitando o nosso planeta. Enquanto faz a volta ao redor da Terra, do nosso ponto de vista terrestre, temos condições de perceber uma mudança na região da Lua, a qual é iluminada pelo Sol, fonte de luz do sistema solar. De acordo com Schappo (2022), quando a Lua está na posição A da sua órbita, está do mesmo lado do Sol, em relação ao nosso planeta, por isso, a face lunar voltada para a Terra está escura, formando o que se chama de Lua Nova. Do outro lado da órbita, quando a Lua está em C, o Sol e a Lua ficam em lados opostos do nosso planeta, o que chamamos de Lua Cheia. Os pontos intermediários, B e D, completam as duas outras conhecidas fases da Lua: o Quarto Crescente e o Quar- to Minguante, respectivamente. Nesse sentido, vale mencionar que a mudança na iluminação da face lunar voltada para a Terra vai acontecendo gradativamente ao longo dos dias. Tudo isso pode ser observado na figura a seguir. UNIDADE 4 UNIDADE 4 36 Os meteoroides são fragmentos de rocha. Seu tamanho pode variar entre alguns micrômetros (espessura do fio de cabelo) e um metro. Os fragmentos menores também podem ser resquícios da formação do sistema solar, mas não somente de colisões entre asteroides, incluindo até a fragmentação de cometas nas proxi- midades do Sol, que podem gerar meteoroides que ficarão vagando pelo espaço e, claro, poderão entrar na atmosfera da Terra. Descrição da Imagem: a imagem mostra dois esquemas em preto e branco. No primeiro, temos o Sol à esquerda, representado por um círculo e vários raios partindo dele. À direita, temos a Terra e, ao re- dor, quatro desenhos da Lua, rodeados por um círculo tracejado, mostrando a sua trajetória ao redor da Terra. As quatro luas apresentam uma divisão, mostrando uma porção em preto e outra em preto e branco. Já no segundo esquema, temos os quatro desenhos representativos da Lua, sendo a primeira mais escurecida, com a letra A, na parte de cima e, abaixo, está escrito “Nova”; a segunda apresenta uma divisão, sendo o lado esquerdo mais escuro, enquanto o direito, em preto e branco, acima traz a letra B e, abaixo, está escrito “Q. Crescente”; na terceira, temos a Lua em preto e branco, acima traz a letra C e, abaixo, está escrito “Cheia”; na quarta, temos a Lua dividida ao meio, com a porção esquerda em preto e branco e, à direita, também em preto e branco, acima traz a letra D e, abaixo, está escrito “Q. Minguante”. Figura 10: Fases da Lua. / Fonte: Schappo (2022). P P P P SS D A B C Ponto de vista terrestre A B C D Nova Q. Crescente Cheia Q. Minguante S S P P 37 Esses fragmentos viajam a uma velocidade bastante alta, em torno de dezenas de quilômetros por segundo, e, quando acontece de colidirem com a Terra, são “recebidos” pela nossa atmosfera. A interação deles com ar, a altas velocidades, rapidamente os incinera, não deixando qualquer vestígio perigoso remanescente para cair sobre nossas cabeças. Tal processo gera um rastro luminoso no céu, cujo brilho varia de acordo com o tamanho do meteoroide que se desintegrou. O rastro costuma sumir de forma rápida e, por causa da ausência de luz solar, é mais facilmente perceptível à noite. Portanto, o processo de desintegração, com consequente geração do rastro luminoso (Figura 11), é um fenômeno que ocorre dentro da atmosfera terrestre, a uma altitude da ordem de dezenas a centenas de quilômetros (a depender do tamanho, da velocidade e do ângulo de incidência). São chamados de meteoros ou estrelas cadentes, fazendo uma alusão a “estrelas caem do céu”, embora não tenham a ver com as estrelas. Descrição da Imagem: a imagem mostra o céu noturno de uma mata, na qual temos diversas árvores ao redor. O centro o céu mostra as estrelas. Centralmente, no céu, temos o meteoro, caracterizado por uma luz mais intensa e um rastro luminoso. Figura 11: Rastros luminosos de um meteoro. UNIDADE 4 UNIDADE 4 38 Em alguns casos, meteoroides podem chegar à superfície terrestre, causando estragos. Os resquícios de rochas são chamados de meteoritos, independentemente de seu tamanho. Com grande importância científica, esses fragmentos contêm informações sobre composição, densidade e idade para desvendar a origem e evolução do sistema solar. Diariamente, a qualquer hora do dia ou da noite, existe poeira espacial e partículas tão pequenas quanto grãos de areia que caem sobre a Terra. Pelo tamanho diminuto, rapidamente desaceleram ou incineram na atmos- fera, não deixando nenhum fragmento com tamanho suficiente para nos causar estragos. Porém, fragmentos maiores podem causar desastres (SCHAPPO, 2022). Quando o tamanho passa de dezenas e uma centena de metros, há chances de haver uma devastação significativa no local da queda. Em 30 de junho de 1908, por exemplo, em uma região remota da Sibéria, nos arredores do Rio Tunguska, um asteroide desse porte entrou na nossa atmosfera, aquecendo-se a ponto de explodir no ar e espalhar pequenos fragmentos pelo terreno. Apesar de não ter crateras de impacto, a energia liberada na desintegração explosiva do asteroide devastou centenas de quilômetros quadrados de floresta. Caso acontecesse em um grande centro urbano, muitas vidas poderiam ter sido perdidas. Essa data foi considerada o “Dia do Asteroide” (SCHAPPO, 2022). Se houver algum impacto de asteroides, danos podem ocorrer. A extinção dos dinossauros, até onde sabemos, pode ter sido causada devido a um impacto desse tipo, por volta de 65 milhões de anos atrás. Temos, também, a colisão de um asteroide, com tamanho estimado entre dez e 20 quilômetros, na Península de Yucátan, no México, que causou grande devastação local, criando uma cratera de mais de 150 quilômetros de diâmetro. Como consequência, a quantidade de poeira arremessada na atmosfera se espalhou pelo globo, criando um bloqueio suficiente da luz solar por um período de semanas a meses, desestabilizando os ecossistemas e o desenvolvimento de boa parte das formas de vida (SCHAPPO, 2022). Schappo (2022) cita que, para evitar esse tipo de desastre, existem programas espaciais de monitoramentos com o objetivo de identificar asteroides potencial- mente perigosos e determinar seus parâmetros orbitais, de modo a prever pos- síveis impactos futuros. No momento, nenhum objeto potencialmente perigoso conhecido está em rota de colisão com a Terra nas próximas centenas de anos. De qualquer forma, a vigilância dos conteúdos e a busca por outros ainda não identificados são constantes. As crateras lunares são exemplos vívidos que nos lembram diariamente quanto ao que pode acontecer. 39 NOVAS DESCOBERTAS Título: Armagedom Ano: 1998 Sinopse: um asteroide ameaça colidir com a Terra e destruir todas as formas de vida. A solução encontrada é colocar uma bomba nuclear no interior do corpo rochoso. Um perfuradorde petróleo é convocado para a missão e reúne uma equipe nada convencional. Comentário: messa ficção científica, mostra-se a constatação, pelo progra- ma espacial de monitoramento, que há um asteroide de grande proporção que atingirá a Terra, extinguindo a raça humana. Para evitar o impacto, a agência espacial contrata os melhores perfuradores de petróleo para perfu- rarem e explodirem esse asteroide. Caso haja alguma possibilidade de um futuro impacto, com asteroides maiores, com possibilidades de danos globais, uma alternativa é utilizar espaçonaves próximas a eles para causar atração gravitacional suficiente e desviá-lo do curso ou enviar sondas capazes de pousar sobre eles e, por meio de algum sistema de propulsão, empurrá-los para fora do trajeto de colisão. Também se cogita a possibilidade de explodi-los, mas é preciso cautela, pois podemos transformar um “problema grande” em vários pedaços menores e perigosos, o que nos levaria a uma “chuva de problemas”. Por isso, algumas sondas recentes conseguiram pousar neles, afinal, são muito importantes e se deve conhecer bem o problema para aprender a lidar com ele (SCHAPPO, 2022). Caro estudante, estamos finalizando a unidade e queremos desejar, aqui, que você tenha criatividade para propor dinâmicas que incentivem os seus alunos a terem interesse em reportagens e assuntos que abordem a temática desenvolvida. Temos certeza de que você escolheu este curso por ter grande interesse em Ciências, tendo a capacidade de inspirar nossos futuros alunos! Agora que vimos um pouco mais sobre o conteúdo de Astronomia e sua importân- cia dentro da área de Ciências, convidamos você a realizar uma análise sobre os con- teúdos que foram vistos ao longo da unidade e aqueles encontrados no livro didático. Seguindo a BNCC, podemos ter diversas formas e questões para serem discu- tidas com nossos alunos, temas atuais que poderão ser abordados em suas aulas, aliando o conteúdo visto até aqui e o cotidiano no qual estamos acostumados. UNIDADE 4 40 1. Muitos foram os modelos planetários até se chegar ao sistema solar tal qual o conhe- cemos hoje. Desde Ptolomeu a Galileu Galilei e Johaness Kepler. A Terra deixou de ser o centro do universo, e os planetas passaram a girar ao redor do Sol. Porém, um longo processo se deu até chegarmos ao modelo proposto atualmente, consideran- do 500 anos de formulações e reformulações teóricas. Assim, explique os modelos geocêntrico e heliocêntrico. 2. O sistema solar se formou há cerca de 4,7 bilhões de anos. Contudo, sua origem ainda é questionada, visto que não há uma teoria que satisfaça inteiramente todas as questões que perpassam a formação do Sol e dos planetas. Atualmente, há uma teoria mais aceita entre a comunidade científica. Qual é o nome dessa teoria? Expli- que sobre ela. 3. No conteúdo de Astronomia, podemos ter diversos astros, como o Sol, a Lua, os planetas, os cometas e os asteroides. A Terra é o terceiro planeta do sistema solar. A grande variedade de objetos que existem nesse sistema possuem singularidades. Nesse sentido, relacione as colunas a seguir. 1. Lua. 2. Terra. 3. Marte. 4. Netuno. 5. Cinturão de Kuiper. 6. Saturno. 7. Plutão. 8. Meteoros. 9. Asteroides. 41 ( ) Não é mais classificado como planeta. ( ) Apresenta água na forma líquida e vida. ( ) Conhecido como “planeta vermelho”, apresenta vulcões extintos. ( ) Satélite natural da Terra. ( ) Região com restos congelados, estendendo-se após a órbita de Netuno. ( ) Quarto maior planeta do sistema solar. ( ) Tem seus anéis considerados os mais bonitos, os quais apresentam partículas de gelo que refletem muito bem a luz. Já os anéis dos demais planetas jovianos são constituídos por partículas escuras. ( ) Pequenos corpos numerosos que orbitam o Sol. Localizam-se, em sua maioria, entre Marte e Júpiter, região conhecida como Cinturão de Asteroides. ( ) Podem surgir, por exemplo, de um cometa, que, ao passar perto do Sol, perde parte de seus componentes sólidos junto com seus elementos voláteis. Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta. a) 3, 5, 2, 6, 9, 7, 1, 8, 4. b) 2, 5, 8, 9, 4, 3, 7, 1, 6. c) 5, 8, 7, 3, 1, 9, 2, 6, 4. d) 7, 2, 3, 1, 5, 4, 6, 9, 8. e) 9, 8, 6, 4, 5, 1, 2, 7, 3. 5A Gestão dos Recursos Naturais e os Estudos Sobre os Impactos Ambientais Dr. Gustavo Affonso Pisano Mateus Olá, estudante! Estamos caminhando para o fim de nossa jornada, por isso, precisa- mos conhecer um pouco mais sobre a gestão dos recursos naturais, os estudos ambientais e de regulamentação, os quais incluem a atuação do profissional das Ciências da Vida. Nesta unidade, então, conheceremos os requisitos legislacionais para a “criação/implementação” de um empreendimento e os estudos am- bientais propriamente ditos. Bons estudos! UNIDADE 5 2 Acreditamos que, neste momento de sua leitura e formação, você já tenha refle- tido sobre o desenvolvimento sustentável e a sustentabilidade em si! Como profissionais das Ciências Biológicas, buscamos sempre auxiliar no processo de desenvolvimento econômico de forma sinérgica com o desenvolvi- mento social e a proteção ambiental. Aqui, reside a própria definição de desenvol- vimento sustentável. Contudo, para que possamos viabilizar esse desenvolvimen- to em conformidade com as legislações preconizadas pelas diferentes esferas do poder, é preciso compreender os processos envoltos por trás do desenvolvimento econômico propriamente dito. Assim, trazemos à luz alguns questionamentos relevantes: você já se questionou sobre os processos legais para a instalação/criação de um empreendimento? Quais são os processos necessários para a realização de uma gestão adequada dos recursos natu- rais existentes? Quais são os recursos naturais existentes em nosso território nacional? Esses questionamentos, possivelmente, direcionaram-no a uma reflexão sobre o desenvolvimento sustentável — e iremos, de fato, explorar tais conceitos ao lon- go desta unidade —, mas, para gerarmos significado nesse momento, precisamos compreender que, enquanto profissionais das ciências da vida, com atuação direta na educação e junto ao meio ambiente, devemos conciliar o desenvolvimento da economia com a preservação/conservação dos recursos. Note que as palavras escolhidas para acompanhar “recursos” foram “preservação” e “conservação”, uma vez que as ferramentas da gestão de recursos naturais nos en- sinam que existem estratégias definitivas para os cenários que devem ser adotadas. Todavia, sempre nos caberá fomentar o desenvolvimento social e econômico em conformidade com as questões ambientais. Assim, a proposta que lhe fazemos, neste momento, consiste em conhecer e diferenciar os conceitos de preservação e conservação, em especial porque atuará na Educação Básica, que se configura como a base para a implementação desses conceitos na prática. Afinal, desde eventos “ini- ciais” voltados às crises ambientais, como a Conferência de Tbilisi, na década de 1970, convencionou-se que a educação ambiental deveria desempenhar um papel funda- mental para a promoção de uma reintegração do ser humano com o meio natural, buscando fazê-lo se compreender enquanto integrante do meio ambiente, a fim de evidenciar a relação de interdependência econômica, social, política e ecológica, sem se esquecer dos aspectos éticos, tecnológicos e culturais (JACOBI, 2003). Dessa forma, embora haja uma polissemia conceitual e científica relacionada ao emprego dos conceitos de preservação e conservação, por parte dos profis- 3 sionais das áreas ambiental, jornalística e política, conheceremos suas aplicações com base em uma análise de legislações relevantes da área ambiental. Conservação, nas leis brasileiras, relaciona-se à proteção dos recursos naturais, com a utilização racional, garantindo sua sustentabilidade e existência para as futuras gerações. Já a preservação visa à integridade e perenidade de algo. O termo se refere à proteção integral, à “intocabilidade”,fazendo-se necessária quando há risco de perda de biodiversidade, seja de uma espécie, seja de um ecossistema como um todo. Agora que compreendemos a diferença entre conservação e preservação, podemos citar mais um termo importante em nossa jornada de estudos: a ter- minologia de Unidade de Conservação (UC). Diante disso, que tal realizarmos um levantamento das localidades e dos nomes das UCs presentes em seu Estado? Busque por informações específicas sobre essas unidades, como “ato de criação”, “grupo”, “municípios”, “bacia hidrográfica” e “área”. Com isso, você poderá investigar acerca da existência dessas unidades, além de conhecer as legislações que as fomentam e garantem a sua existência! Vamos refletir sobre a sua pesquisa? O que você encontrou a partir dela? As unidades buscadas possuem um site específico? Registre no diário de bordo as informações encontradas! UNICESUMAR UNIDADE 5 4 Possivelmente, você encontrou informações significativas em sites nos governos dos Estados e, assim, compreendeu que existem diferentes formas de regulamentar essas unidades, sendo por meio de resoluções, decretos ou leis estaduais. Compreendeu, também, que tais unidades possuem variações em tamanho, número de municípios cobertos, pertencem a grupos diferentes e cobertura de distintas bacias hidrográficas. Antes de compreendermos quanto a tudo o que foi proposto nos objetivos de aprendizagem e em seus desdobramentos, conceituaremos as bases iniciais, os recursos naturais, para, posteriormente, aprendermos como, de fato, ocorre a sua gestão. Vamos começar!? Sabemos que um recurso natural pode ser conceituado como qualquer mate- rial presente na natureza e que pode ser transformado ou beneficiado, tornando-o mais valioso e útil. Citamos como exemplo a madeira, que é utilizada na confec- ção de móveis; ou os metais, utilizados enquanto matéria-prima de máquinas; dentre outras analogias comuns que nos cercam. Os recursos podem ser classificados enquanto renováveis e não renováveis. Os recursos renováveis são aqueles que podem ser repostos depois de removidos ou extraídos pelas atividades antrópicas. Por exemplo, florestas são renováveis quando as árvores são derrubadas para a obtenção de madeira, mas, concomitantemente, são plantadas novas árvores. Nessa mesma linha de 5 raciocínio, as energias solar e eólica são exemplos de recursos ambientais ener- géticos renováveis. É importante destacar que alguns recursos renováveis podem se tornar não renováveis em consequência do crescimento da população e do mau uso que deles fazemos. Vejamos o seguinte exemplo: ainda que as plantas e os vegetais sejam con- siderados recursos renováveis, quando cortamos uma árvore (extraímos um re- curso florestal), a qual demora mais de 150 anos para fornecer madeira para uso comercial, esse recurso é, na realidade, não renovável na escala humana, pois precisamos considerar uma análise temporal. Isto é, as espécies vivas deixam de ser recursos renováveis quando sua exploração compromete a sua capacidade de reprodução. Assim, quando temos um recurso que possui capacidade de uso sustentável em determinada área, é dito que ele apresenta uma capacidade de rendimento sustentável. Para Barbieri (2011), esse conceito pode ser compreendido como a quanti- dade máxima de exploração que equilibra a capacidade de regeneração com a quantidade coletada. UNICESUMAR UNIDADE 5 6 Por sua vez, os recursos não renováveis compreendem os materiais explorados pelo ser humanos e que se findam ao serem intensamente explorados, e/ou aque- les que, para se “renovarem”, requerem muito tempo. Em outras palavras, são os materiais cuja exploração em grande escala ou desordenada pode levar ao seu esgotamento, como os combustíveis fósseis, a exemplo de carvão, petróleo, gás natural, xisto betuminoso e muitos outros minerais. Vencida essa classificação inicial, precisamos compreender que os recur- sos naturais são materiais providos pela natureza, como florestas, minerais, solo, água e vida selvagem. Logo, não podem ser criados ou manufaturados pelos seres humanos, como o plástico ou outros polímeros. A principal causa de preocupação para com os recursos naturais está rela- cionada a sua exploração acelerada e a um eminente esgotamento impulsionado pelo aumento da população e pelo uso excessivo desses recursos. A situação ambiental da Terra nos desafia a preservar os recursos naturais e, ao mesmo tempo, possibilitar um desenvolvimento social justo, permitindo que as sociedades humanas atinjam uma melhor qualidade de vida em todos os aspectos. Diante disso, a necessidade de consolidar novos modelos de sustenta- bilidade, em nosso país, exige a construção de alternativas de utilização dos re- cursos, orientada por uma racionalidade ambiental e uma ética da solidariedade. Diversos estudos nos mostram que as modificações no meio ambiente, de origem antrópica, vêm alterando os ecossistemas naturais, consumindo recursos desenfread- amente e causando alterações aos meios naturais. Como toda ciência, existem teorias que nos auxiliam com essa compreensão. Assim, convidamos você a dar o play e conhecer mais sobre uma dessas teorias, conhecida como “Curva Ambiental de Kuznets”. Vamos lá?! Frente a esse contexto, entenderemos, a partir de agora, sobre uma nova classifica- ção/categorização para os recursos: podemos compreendê-los enquanto recursos pesqueiros, minerais, hídricos e florestais. A seguir, há algumas informações sobre esses recursos e as legislações diretamente relacionadas a eles. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11024 7 Recursos pesqueiros: a Lei n. 11.959, de 29 de junho de 2009, dispõe sobre a Política Nacio- nal de Desenvolvimento Sus- tentável da Aquicultura e da Pesca. Ela define a expressão “recursos pesqueiros” como “[…] os animais e os vegetais hidró- bios passíveis de exploração, es- tudo ou pesquisa pela pesca amadora, de subsistência, cien- tífica, comercial e pela aquicultura” (BRASIL, 2009, on-line). Essa lei, em seu Art. 1, tem como objetivos: • assegurar o desenvolvimento sustentável da pesca e da aquicultura como fonte de alimentação, emprego, renda e lazer, garantindo o uso sustentável dos recursos pesqueiros, bem como a otimização dos be- nefícios econômicos decorrentes, em harmonia com a preservação e conservação do meio ambiente e da biodiversidade; • garantir o ordenamento, o fomento e a fiscalização da atividade pes- queira; • propiciar a preservação, conservação e recuperação dos recursos pes- queiros e ecossistemas aquáticos; • assegurar o desenvolvimento socioeconômico, cultural e profissional dos que exercem a atividade pesqueira, bem como de suas comuni- dades. UNICESUMAR UNIDADE 5 8 Recursos minerais: o Brasil possui uma grande diversi- dade de minerais (mais de 55 diferentes, atualmente) e um grande estoque de recursos desse porto, já que possui al- gumas das maiores reservas minerais do mundo. Os princi- pais minérios encontrados no Brasil são: ferro, bauxita, cobre, cromo, ouro, estanho, níquel, manganês, zinco, dentre outros. Recursos hídricos: a parce- la renovável de água doce da Terra é de cerca de 40.000 km3 anuais, correspondendo à di- ferença entre as precipitações atmosféricas e a evaporação de água sobre a superfície dos continentes. Quase dois terços retornam rapidamente aos cur- sos de água e oceanos, após as grandes chuvas. O restante é absorvido pelo solo, permeando suas camadas superficiais e se armazenando nos aquíferos subterrâneos, os quais, por sua vez, serão as principais fontes de alimentação dos cursos de água durante as estiagens. A parcela relati- vamente estável de suprimento de água é, portanto, de pouco menos de 14.000 km3 anuais. Essa parcela de água doce acessível à humanidade, no estágio tecnológico atual e a custos compatíveis com seus diversos usos, é o que se denomina “recursos hídricos” (PEREIRA JR., 2004). O Plano Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), estabelecidopela Lei n. 9.433/1997, é um dos instrumentos que orienta a gestão das águas no Brasil. O conjunto de diretrizes, metas e programas que constituem o PNRH foi construído com amplo processo de mobilização e participação social. 9 Conforme seu Art. 1, essa política se baseia nos seguintes fundamentos: • a água é um bem de domínio público; • a água é um recurso natural limitado, dotado de valor econômico; • em situações de escassez, o uso prioritário dos recursos hídricos é o consumo humano e a dessedentação de animais; • a gestão dos recursos hídricos deve sempre proporcionar o uso múltiplo das águas; • a bacia hidrográfica é a unidade territorial para implementação da PNRH e atuação do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos; • a gestão dos recursos hídricos deve ser descentralizada e contar com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades. Além disso, conforme o seu Art. 2, tem os seguintes objetivos: • assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de água, em padrões de qualidade adequados aos respectivos usos; • assegurar a utilização racional e integrada dos recursos hídricos, in- cluindo o transporte aquaviário, com vista ao desenvolvimento sus- tentável; • garantir a prevenção e defesa contra eventos hidrológicos críticos de origem natural ou decorrentes do uso inadequado dos recursos na- turais. UNICESUMAR UNIDADE 5 10 Recursos florestais: os recursos florestais são os produtos da floresta, como maté- rias-primas, alimen- tos e paisagem para recreio e lazer. São exemplos: madeira, utilizada nas indús- trias de móveis e pa- pel; resina, utilizada nas indústrias de tintas e vernizes; frutos e sementes, como castanhas, nozes e pinhões, que têm como destino a indústria alimentar; carvão etc. Os recursos florestais são protegidos pelo novo Código Florestal, que, nos últimos tempos, tem causado tanta polêmica (Lei n. 12.651, de 25 de maio de 2012). Conforme o Art. 1 – A da lei, modificado pela Lei n. 12.727, de 17 de outubro de 2012, o novo código atende aos seguintes princípios: 1. afirmação do compromisso soberano do Brasil com a preservação das suas florestas e demais formas de vegetação nativa, bem como da biodiversidade, do solo, dos recursos hídricos e da integridade do sistema climático, para o bem-estar das gerações presentes e futuras; 2. reafirmação da importância da função estratégica da atividade agrope- cuária e do papel das florestas e demais formas de vegetação nativa na sustentabilidade, no crescimento econômico, na melhoria da qualidade de vida da população brasileira e na presença do país nos mercados nacional e internacional de alimentos e bioenergia; 3. ação governamental de proteção e uso sustentável de florestas, con- sagrando o compromisso do país com a compatibilização e harmoni- zação entre o uso produtivo da terra e a preservação da água, do solo e da vegetação; 169 4. responsabilidade comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios, em colaboração com a sociedade civil, na criação de políticas para a preservação e restauração da vegetação nativa e de suas funções ecológicas e sociais nas áreas urbanas e rurais; 5. fomento às pesquisas científica e tecnológica na busca da inovação para o uso sustentável do solo e da água, a recuperação e a preserva- ção das florestas e demais formas de vegetação nativa; 6. criação e mobilização de incentivos econômicos para fomentar a pre- servação e recuperação da vegetação nativa, bem como para promover o desenvolvimento de atividades produtivas sustentáveis. O Brasil sempre foi marcado por uma economia exploratória de seus recursos naturais abundantes. Segundo Bassoi e Guazelli (2004), os demais ciclos econô- micos brasileiros sempre se relacionaram à exploração de algum recurso natural, como o pau-Brasil, a cana-de-açúcar, a pecuária extensiva, a mineração do ouro e de outros metais, o extrativismo da borracha, as madeiras nobres, a água (nas suas múltiplas utilizações), os recursos pesqueiros e, mais recentemente, os recursos genéticos, que são de difícil valoração econômica. Apesar de extensas explorações desde que o Brasil se tornou uma colônia portuguesa, os primeiros esforços reais para alcançar uma política ambiental mais adequada ocorreram na década de 1930, quando o país começou a tomar medidas firmes para a industrialização. Nesse período, foram protocolados al- guns documentos direcionados à gestão de recursos naturais, dentre os quais, podemos mencionar: ■ Código de Caça e Pesca (Decreto n. 23.672/1934); ■ Código Florestal (Decreto n. 23.793/1934); ■ Código de Minas (Decreto n. 24.642/1934); ■ Código de Águas (Decreto n. 24.643/1934). Além disso, nessa época, também foi criado o Parque Nacional do Itatiaia, con- siderado o primeiro do Brasil (Decreto n. 1.713/1937). UNICESUMAR UNIDADE 5 12 As políticas públicas ambientais desse período procuraram alcançar efeitos com a criação de órgãos específicos, como o Departamento Nacional da Produ- ção Mineral, que gerenciava os recursos minerais; o Departamento Nacional de Água e Energia Elétrica, que gerenciava os recursos hídricos; dentre outros. A partir desse período, até o início da década de 1970, nosso país apresentou um significativo crescimento econômico, e a poluição industrial, causada por tal desenvolvimento, embora alta, era vista como sinal de progresso e compreendida por muitos políticos e cidadãos. Somente em 1972 as preocupações ambientais mundiais ganharam propor- ção, após a Conferência de Estocolmo. Todavia, durante o período do governo militar em nosso país, as questões ambientais não eram prioridade, pois se de- fendia o desenvolvimento econômico a qualquer custo, em uma analogia aceita para o período em que a poluição era o “preço” a se pagar para o desenvolvimento, logo, a nação iria se opor à instalação das indústrias poluidoras. A legislação federal sobre matéria ambiental, nessa época, buscava atender a problemas específicos, dentro de uma abordagem segmentada e fragmentada do meio ambiente, que só veio a ser expandida anos depois. Os problemas am- bientais eram percebidos e tratados de modo isolado e localizado, repartindo o meio ambiente em solo, ar e água, mantendo a divisão dos recursos naturais, da água, das florestas, dos recursos minerais, dentre outros. Ainda assim, segundo Barbieri (2016), apenas no início da década de 1980 é que os problemas ambientais passaram a ser considerados generalizados e inter- dependentes, ou seja, deveriam ser tratados mediante políticas integradas. A política ambiental brasileira apresentou um significativo avanço na práxis das questões ambientais, em 1981, quando foi criada a Política Nacional do Meio Am- biente (PNMA), instituída e consolidada pela Lei n. 6.938, de 31 de agosto de 1981. Logo, os princípios da PNMA são relevantes para os recursos naturais, dentre os quais, podemos destacar os seguintes: I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, conside- rando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessaria- mente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo; II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; III - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; IV - - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras; 13 VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais; VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental; VIII - recuperação de áreas degradadas; IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação; X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente. (BRASIL, 1981, on-line) Ainda de acordo com a mesma legislação, configuram-se como objetivos da PNMA: I - àcompatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preser- vação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; II - à definição de áreas prioritárias de ação governamental relativa à qua- lidade e ao equilíbrio ecológico, atendendo aos interesses da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos territórios e dos municípios; III - ao estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambiental e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais; IV - ao desenvolvimento de pesquisas e de tecnologias nacionais orientadas para o uso racional de recursos ambientais; V - à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à divulgação de dados e informações ambientais e à formação de uma consciência pú- blica sobre a necessidade de preservação da qualidade ambiental e do equilíbrio ecológico; VI - à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente, concorrendo para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida; VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. (BRASIL, 1981, on-line) Dessa forma, fica evidente esse novo olhar para o ambiente ao observarmos a Constituição Federal de 1988, que representou um avanço considerável na área ambiental, pois estabeleceu a defesa do meio ambiente como um dos princípios a serem abordados para as atividades econômicas (BRASIL, 1988). UNICESUMAR UNIDADE 5 14 Ciente de que as atividades antrópicas causam impactos ao meio ambiente, a legislação ambiental brasileira prevê que determinados empreendimentos e certas atividades potencialmente causadoras de significativa degradação do meio ambiente devem seguir o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e o Relatório de Impacto no Meio Ambiente (RIMA), dentro do processo de Avaliação de Impactos Ambientais (AIA), a fim de avaliar as consequências dessas atividades no meio ambiente, bem como controlar e corrigir os danos causados. São novos conceitos dos quais passaremos a nos apropriar a partir de agora! O conceito de AIA passou a ser adotado quando ganhou espaço na legislação norte-americana, enquanto componente da National Environmental Policy Act (NEPA) ou Política Nacional do Meio Ambiente dos Estados Unidos, na década de 1970, com seu escopo voltado ao planejamento ambiental. Tal fato nos eviden- cia a clara influência da política ambiental norte-americana em nossa legislação ambiental. Ela atribuiu novos significados à expressão “meio ambiente”, os quais transcendem os componentes físicos e biológicos, passando a incluir aspectos sociais e culturais, da mesma forma como observado em nossa constituição, que somente foi criada e instituída anos depois. Como forma de alcançar tais objetivos, a NEPA previu, em sua Seção 102, certos dispositivos a serem cumpridos, dentre eles: 1. nas tomadas de decisões, utilizar uma abordagem sistemática e interdisci- plinar que proporcione o uso das ciências naturais e sociais, assim como das técnicas de planejamento ambiental; 2. identificar e desenvolver métodos e procedimentos que certifiquem que os va- lores ambientais não quantificados sejam considerados na tomada de decisões; 3. incluir, em qualquer recomendação ou relatório sobre propostas de legis- lação e outras ações federais que afetem, significativamente, a qualidade do ambiente humano, uma declaração detalhada do responsável sobre: a) o impacto ambiental da ação proposta; b) os efeitos ambientais adversos que não puderem ser evitados, caso a proposta seja implementada; c) alternativas à ação proposta; d) a relação entre os usos locais e em curto prazo do ambiente humano, a manutenção e a melhoria da produtividade em longo prazo; e) qualquer comprometimento de recursos (irreversível e irrecuperável) envolvidos se a ação proposta fosse implementada. 15 Para Sánchez (2008), a política norte-americana se aplica às decisões do governo federal que possam acarretar alterações do meio ambiente, ou seja, a AIA é o re- sultado de um processo político que buscou atender a uma demanda social que estava mais desenvolvida nos Estados Unidos. Além disso, evoluiu e foi modifica- da de acordo com a sua aplicabilidade em outros contextos culturais e políticos, dentro do princípio de prevenção da degradação ambiental e como forma de subsidiar o processo decisório da instalação de empreendimentos e atividades modificadoras do meio ambiente. A partir da década de 1970, vários países adotaram as premissas estabelecidas pela AIA, em seus diferentes contextos nacionais, como Alemanha, Canadá, França e Irlan- da. Posteriormente, a Holanda também entrou nessa lista, especificamente em 1981. Conforme Goulart e Callisto (2003), desde a sua criação, a AIA e os EIAs têm sido considerados importantes instrumentos para a discussão do planejamento das atividades humanas, de forma que estas alcancem os anseios conservacionistas, sociais e econômicos da sociedade. A partir dessa década, consolidou-se e se institucionalizou, à nível mundial, a aplicação da AIA, fruto dos avanços nas discussões acerca da concepção, das fases de execução, dos atores sociais envolvidos e da inserção no processo de tomada de decisão (ABSY et al., 1995). Atualmente, os estudos relacionados à AIA e à aplicação permanecem viáveis e ativos na legislação. Mesmo em países onde ela não é prevista em caráter de obrigatoriedade, o instrumento é aplicado por força das exigências de organismos de cooperação internacional, como órgãos setoriais da Organização das Nações Unidas (ONU), do Banco Mundial (BIRD) e do Banco Interamericano de De- senvolvimento (BID) (SAMPAIO; SILVA, 2014). Em uma rápida analogia, faz muito sentido a existência de critérios e estudos protetivos e preventivos para a instalação de empreendimentos potencialmente impactantes, certo? Do contrário, como poderíamos compreender, de forma estratégica, os danos que pode- riam ser causados a curto e longo prazos? PENSANDO JUNTOS UNICESUMAR UNIDADE 5 16 No Brasil, a primeira experiência com a AIA se deu no ano de 1972, quando o Banco Mundial solicitou a realização desse processo para fins de financiamento do projeto da Hidrelétrica de Sobradinho. Além disso, outros projetos também foram realizados seguindo as normas de agências internacionais por falta de leis ambientais nacionais, como a Usina Hidrelétrica de Tucuruí e o Terminal Porto- -Ferroviário Ponta da Madeira (BARBIERI, 2004; ABSY et al., 1995). Segundo o Absy et al. (1995, p. 24), “[...] diferentemente dos países desen- volvidos, que implantaram a AIA em resposta a pressões sociais e ao avanço da consciência ambientalista, no Brasil ela foi adotada, principalmente, por exigência dos organismos de financiamento”. Os primeiros passos relativos à exigência legal sobre a AIA foram dados em 1980, por meio da Lei n. 6.803/1980 (Art. 10, § 3º), que dispõe sobre as diretrizes básicas para o zoneamento industrial nas áreas críticas de poluição: “ Além dos estudos normalmente exigíveis para o estabelecimento de zoneamento urbano, a aprovação das zonas a que se refere o pará- grafo anterior, será precedida de estudos especiais de alternativas e de avaliações de impacto, que permitam estabelecer a confiabilidade da solução a ser adotada. (BRASIL, 1980, on-line) Foi no ano de 1981 que o Brasil definiu um grande marco na legislação ambiental, incluindo a AIA como um dos instrumentos da PNMA para atingir alguns de seus objetivos, como: “ I - à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; [...] III - ao estabelecimento de critérios e padrões de qualidade ambien- tal e de normas relativas ao uso e manejo de recursos ambientais; [...] V - à difusão de tecnologias de manejo do meio ambiente, à di- vulgação de dados e informações ambientais e à formaçãoSímbolo de transgênico. A intenção e finalidade desse exercício é que você tenha encontrado em sua casa uma grande variedade de produtos com essa sinalização, a fim de verificar que a Biotecnologia é mais comum e aplicável em nossa rotina do que imaginamos. Essa sinalização representa a presença de produtos ou componentes trans- gênicos, sendo que, atualmente, e até o ano de 2022, sua presença em rótulos e embalagens é obrigatória, conforme regulamenta o Decreto n. 4.680, de 24 de abril de 2003 (BRASIL, 2003). Iremos explorar e conceituar “transgênicos” mais a frente, em nossa leitura, porém, até aqui, o objetivo é que você compreenda o quão presentes eles se fazem em nosso dia a dia! Que tal avançarmos para mais uma etapa nessa trajetória de novas descober- tas? Vejamos o que a história tem a nos apresentar! O surgimento da Biotecnologia é inevitavelmente associado ao advento de fenômenos sociais, científicos e tecnológicos que acompanham a humanidade desde a Antiguidade, auxiliando com a evolução em vários aspectos. Precisa- mos, também, considerar que essa capacidade “evolutiva” da Biotecnologia a torna uma ciência dinâmica e inovadora. A primeira definição de que se tem conhecimento do termo “biotecnologia” emer- giu em 1914, postulado pelo engenheiro agrícola Karl Ereky, em um experimento de criação de suínos. No período, ele objetivava substituir práticas já comuns na indústria agrícola por novas técnicas pautadas no desenvolvimento científico e tecnológico. UNICESUMAR UNIDADE 1 18 Segundo Malajovich (2016), somente em 1915 surgiu uma definição inicial que conceituava a Biotecnologia enquanto ciência e como método que possibi- lita a obtenção de produtos a partir da matéria-prima e mediante a intervenção de organismos vivos. Apesar de termos uma definição inicial, se considerarmos algumas vertentes e a influência do tempo sobre essa ciência, encontraremos uma vertente tradicionalista e outra contemporânea, dando origem a uma divisão: Biotecnologia Tradicional e Biotecnologia Moderna. Façamos uma breve analogia para que possamos diferenciar esses conceitos! Anteriormente, mencionamos que a Biotecnologia está associada ao desen- volvimento da humanidade e do tempo, e é justamente nessa intersecção que a Biotecnologia Tradicional se encontra, pois, segundo Ninis e Bilibio (2012), ela se relaciona aos “avanços” considerados mais simples, que só foram possíveis graças ao domínio do fogo, à aquisição da linguagem, à formação de sociedades e ao desenvolvimento e aprimoramento da agricultura. Malajovich (2016) cita que outros fatores podem ser considerados frente a esse contexto, como a domesticação de animais, a transformação de alimentos (fermen- tação de pães e queijos) e a apropriação de propriedades medicinais de algumas plantas. Todas essas ações, dentro de uma perspectiva histórica, ocorreram sem um aprofundamento científico e eram baseadas apenas em conhecimentos empíricos, desconsiderando as leis de hereditariedade e a existência de microrganismos. 19 Ao avançarmos em nossa linha do tempo, pensando em história e evolução, o pro- gresso da humanidade passou a exigir processos cada vez mais complexos e, so- bretudo, eficientes, tornando indispensável a compreensão/utilização de recursos naturais, a fim de atender às necessidades da sociedade (BORÉM; SANTOS, 2008). Essa “evolução” é atribuída, principalmente, à Biotecnologia aplicada à econo- mia, à sociedade e aos benefícios ambientais, passando de tecnologias tradicio- nais e conservadoras para uma Biotecnologia Moderna, com técnicas também modernas, que contemplam diferentes áreas e muitos outros campos das ciências, como a Bioquímica, a Imunologia, a Genética, a Biologia Celular e Molecular, dentre outros (FALEIRO; ANDRADE; REIS JR., 2011). Você, enquanto estudante astuto, que passou por disciplinas como Genética e Biologia Celular e Molecular, logo, deve estar buscando um marco para essa transição. Algo que possa marcar essa “virada de chave”, não? A resposta mais rápida para essa questão poderia ser a descoberta do modelo helicoidal da molécula de DNA (ácido desoxirribonucleico) por Watson e Crick, em 1953. Apesar de parecer óbvio, estamos, aqui, mergulhando em um ramo complexo da ciência, por isso, o marco passa a ser representado por um feito, muito mais complexo, que consistiu uma série de experimentos realizados por Boyer e Cohen, resultando na transferência de um gene de um sapo para uma bactéria, em 1973 (OCTAVIANI, 2013). Para que possamos compreender o quão significativo esse marco foi, vejamos alguns dos reflexos positivos possibilitados por tais experimentos! Segundo Albuquerque (2001), esses experimentos possibilitaram avanços nos es- tudos de alteração genética de um organismo, transferindo-lhe genes de interesse que tiveram origem em outra espécie. O avanço foi tão significativo para a ciência e para a humanidade como um todo que gerou, também incertezas e questionamentos sobre os limites da ética, da ciência e da capacidade do ser humano transformar organismos. Mais tarde, em 1974, com a Conferência de Asilomar, foram tratadas questões acerca dos riscos das técnicas de engenharia genética e da segurança dos espaços labo- ratoriais, temas que foram devidamente explorados um pouco mais adiante na história. Observe, na linha do tempo a seguir, outros pontos e marcos relevantes na história da Biotecnologia Clássica e Moderna. Note, também, em escala temporal, a evolução da Biotecnologia enquanto ciência, bem como sua contribuição para o desenvolvimento de produtos e serviços comuns e usuais à humanidade. UNICESUMAR UNIDADE 1 20 OLHAR CONCEITUAL BIOTECNOLOGIA CLÁSSICA SÉCULO XIX Microbiologia, Bioquímica, Imunologia, Biologia celular, Genética; 1907-1909 Cultivo *in vitru* de tecidos animais e humanos 1914-1918 Produção de acetona por fermentação 1919 Primeira de�nição do termo Biotecnologia (Ereky 1939 Cultivo *in vitru* de tecidos vegetais 1944 Produção de penicilina. Biologia Molecular1953 Modelo da dupla hélice de DNA Antiguidade: Pão, queijo, cerveja, vinho BIOTECNOLOGIA MODERNA 1973 Tecnologia do DNA-recombinante 1975 Tecnologia de hibridomas* 1975-1990 Tecnologia do DNA, bases comerciais e primeiras patentes 1990-2000 Bens e serviços em vários setores da sociedade (primeira planta geneticamente modicada e primeiro mamífero a ser clonado - Ovelha Dolly); 2001-2003 Genoma humano e avanços da Genômica**2004 Primeira conferência sobre Biologia Sintética 2009 Obtenção de células iPS*** por reprogramação de células somáticas diferenciadas2010 Edição gênica com CRISPR (Clustered Regularly Interspaced short Palindromic Repeats)**** 2020-2021 Desenvolvimento de Vacinas contra a Covid-19 Fonte: Adaptada de Malajovich (2017). 21 Legenda: * Hibridomas correspondem a linhagens celulares desenvolvidas para a produção de anticorpos desejados em grande proporção. ** Ciência que estuda o genoma completo de um organismo. Em outras palavras, destina-se ao estudo de toda a informação hereditária de um organismo que está codificada em seu DNA. A Genômica pode, ainda, compreender os esforços para determinar e conhecer a sequência completa do DNA de organismos de interesse. *** iPS corresponde às células tronco pluripotentes que podem dar origem a qualquer tipo de célula fetal ou adulta. **** A tradução do termo significa “repetições curtas agrupadas e regularmente interespaçadas”, que correspondem à sequência de DNA bacteriano (repetições de nucleotídeos) em forma de palíndromo. Ele pode ser lido ou codificado em qualquer um dos sentidos. Conforme podemos observar, são várias as contribuições dessa ciência à huma- nidade, as quais possibilitam a vida como a conhecemos hoje. Segundo Malajovich (2016), existem, ainda, inúmeras outras contribuições, sendo que, dentre elas, destacam-se: resistência de plantas a doenças, plásticos biodegradáveis, detergentes de alta eficiência,de uma consciência pública sobre a necessidade de preservação da quali- 17 dade ambiental e do equilíbrio ecológico; VI - à preservação e restauração dos recursos ambientais com vistas à sua utilização racional e disponibilidade permanente, concorren- do para a manutenção do equilíbrio ecológico propício à vida; VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de re- cuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, da contri- buição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. (BRASIL, 1981, on-line) Dois anos após o surgimento da PNMA, foi regulamentado o Decreto n. 88.351/1983, que relaciona a AIA aos sistemas de licenciamento de empreendi- mentos e atividades efetivas ou potencialmente poluidoras, assim como deter- mina, em seu Art. 17, § 1º, que “[...] caberá ao Conama fixar os critérios básicos, segundo os quais serão exigidos estudos de impacto ambiental para fins de licen- ciamento” (BRASIL, 1983, on-line). A incorporação da AIA à legislação brasileira foi confirmada e fortalecida com o Art. 225 da Constituição Federal de 1988, que cita: “ Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. § 1º Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: [...] IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que se dará publi- cidade. (BRASIL, 1988, on-line) No ano de 1986, por meio da Resolução Conama n. 01/1986, estabeleceram-se as definições, as responsabilidades, os critérios básicos e as diretrizes gerais para o uso e a implementação da AIA como um dos instrumentos da PNMA. Também UNICESUMAR UNIDADE 5 18 se evidenciou que o proponente de determinado projeto, sujeito a apresentar a AIA, deve levar ao órgão ambiental dois documentos importantes: EIA e RIMA. Assim, o EIA e o RIMA objetivam avaliar todas as possíveis alterações que um empreendimento ou uma atividade pode acarretar ao ambiente (físico, bio- lógico, econômico e social), de modo a propor alternativas menos impactantes e confrontar com a hipótese de não execução do projeto. O EIA é um importante estudo ambiental que analisa a viabilidade do empreendimento, alinhando o desenvolvimento econômico-social à preservação das questões ambientais. Logo, sua realização passa a ser obrigatória para a instalação de empreendimentos ou atividades potencialmente danosos ao meio ambiente, se assim julgar o órgão ambiental competente. EXPLORANDO IDEIAS A exigência legal cabe ao órgão ambiental (municipal, estadual ou, até mesmo, o Ibama) e servirá como orientação para a decisão de concessão ou não de uma licença ambiental. Mas, afinal, você saberia dizer quais seriam os empreendimentos e as ativi- dades que necessitam de elaboração de EIA e RIMA? A Resolução Conama n. 01/1986, em seu Art. 2, traz uma lista de todos os tipos de empreendimentos e atividades modificadores do meio ambiente que, obrigatoriamente, precisam elaborar os dois estudos como requisito para a ob- tenção da licença ambiental. Deles eles, temos: ■ estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; ■ ferrovias; ■ portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos; ■ aeroportos; ■ oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de es- gotos sanitários; ■ linhas de transmissão de energia elétrica; ■ obras hidráulicas para a exploração de recursos hídricos; ■ extração de combustível fóssil (petróleo, xisto e carvão); ■ extração de minério; 19 ■ aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos; ■ usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária, acima de 10 Miliwatt; ■ complexos e unidades industriais e agroindustriais (petroquímicos, si- derúrgicos, cloroquímicos, destilarias de álcool, hulha, extração e cultivo de recursos hídricos); ■ distritos industriais e Zonas Estritamente Industriais (ZEIs); ■ projetos urbanísticos acima de 100 hectares ou em áreas consideradas de relevante interesse ambiental; ■ qualquer atividade que utilize carvão vegetal em quantidade superior a dez toneladas por dia. Atente-se que, no entanto, é praticamente impossível elaborar uma listagem com- pleta de empreendimentos e atividades que necessitam da elaboração de EIA e RIMA, cabendo ao proponente do projeto a consulta ao órgão ambiental. Para finalizar, perceba que a exigência de EIA e RIMA compõe uma das etapas do licenciamento ambiental: a licença prévia, que tem como função orientar a decisão administrativa de concessão ou não da licença ambiental. Agora, avançaremos a um nível de detalhamento ainda maior acerca do aten- dimento da legislação ambiental e do advento das atividades humanas! Como sabemos, as atividades humanas, em sociedade, podem alterar a qua- lidade ambiental. Nesse sentido, no Brasil, existem leis que buscam compatibili- zar a atividade econômica do país com a preservação do meio ambiente, como estudamos na unidade anterior. De acordo com Sánchez (2008), o licenciamento ambiental brasileiro co- meçou em alguns Estados, em meados da década de 1970, e foi incorporado à legislação federal como um dos instrumentos da Lei n. 6.938/1981, que dispõe sobre a PNMA. A referida lei declara que: “ [...] a construção, instalação, ampliação e funcionamento de estabe- lecimentos e atividades utilizadores de recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidores ou capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental dependerão de prévio licenciamento ambiental. (BRASIL, 1981, on-line) UNICESUMAR UNIDADE 5 20 Assim, perceba que o licenciamento ambiental é exigido para a construção e instalação de empreendimentos/atividades e, também, para a ampliação de es- tabelecimentos existentes, assim como para o seu funcionamento. Além disso, observa-se que o fechamento ou a desativação de “[...] empreendi- mentos/atividades utilizadores de recursos ambientais efetiva ou potencialmente poluidores, ou capazes de causar degradação ambiental” (BRASIL, 1981, on-line), não era objeto de autorização ambiental, de acordo com a PNMA, de forma que essa última fase do ciclo de vida dos empreendimentos não era percebida como capaz de causar danos ambientais. Foi somente no ano de 2002 que foram encontradas, na legislação brasileira, especificações sobre o encerramento de empreendimentos/atividades. O Decreto n. 47.400/2002 estabelece que os empreendimentos sujeitos ao licen- ciamento ambiental deverão comunicar ao órgão competente do Sistema Estadual de Qualidade Ambiental (SEAQUA) a suspensão ou o encerramento das suas atividades. Vejamos, a seguir, o que o decreto expressa em alguns de seus parágrafos: “ § 1.º - A comunicação a que se refere o “caput”, deverá ser acompanhada de um Plano de Desativação que contemple a situação ambiental existente e, se for o caso, informe a implemen- tação das medidas de restauração e de recuperação da qualidade ambiental das áreas que serão desativadas ou desocupadas. § 2.º - O órgão competente do SEAQUA deverá analisar o Plano de Desativação, verificando a adequação das propostas apresentadas, no prazo de 60 dias. § 3.º - Após a restauração e/ou recuperação da qualidade ambiental, o empreendedor deverá apresentar um relatório final, acompanhado das respectivas Anotações de Responsabilidade Técnica, atestando o cumprimento das normas estabelecidas no Plano de Desativação. § 4.º - Ficará o declarante sujeito às penas previstas em lei, em caso de não cumprimento das obrigações assumidas no relatório final. (SÃO PAULO, 2002, on-line) 21 Nesse sentido, o licenciamento ambiental se torna um dos mais importantes ins- trumentos da PNMA, objetivando compatibilizar a preservaçãodo meio am- biente com o desenvolvimento econômico e social, assegurando que um direito não comprometa o outro. Logo, o licenciamento ambiental adota um caráter preventivo, ou seja, visa evitar que um empreendimento/atividade cause danos ao meio ambiente, seja no seu planejamento, seja na sua implantação ou, ainda, em sua operação e/ou desativação. É importante destacar que a PNMA criou o Sistema Nacional do Meio Am- biente (SISNAMA), do qual o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) faz parte. Dessa forma, tanto a Lei n. 6.938/1981 quanto o Decreto n. 99.274/1990 atribuem ao Conama a competência de estabelecer normas e critérios para o li- cenciamento de empreendimentos/atividades utilizadores de recursos ambientais efetiva ou potencialmente poluidores. Assim, o Conama, no exercício de suas competências, instituiu uma série de resoluções a respeito do licenciamento ambiental, sendo as mais importantes: Re- soluções n. 001/1986 e 237/1997. A Resolução Conama n. 237/1997, por exemplo, define o licenciamento ambiental como: “ [...] procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental com- petente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou daquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, conside- rando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso. (CONAMA, 1997, on-line) Dessa forma, observe que o licenciamento ambiental é definido como um proce- dimento administrativo, ou seja, que se estende, temporalmente, e requer provi- dências em uma sequência encadeada, de modo a abranger todas as variáveis que podem afetar, negativamente, o meio ambiente, cujo produto final é a autorização do empreendimento/atividade, sob o atestado de cumprimento da legislação vigente. Todavia, segundo Sánchez (2008, p. 80), UNICESUMAR UNIDADE 5 22 “ [...] não há direito líquido e certo de um empreendedor obter uma licença ambiental, mas cabe ao agente público (órgão licenciador) analisar o projeto pretendido e seus impactos ambientais para de- cidir da conveniência ou não de conceder a licença (autorização), e quais condições podem ser impostas para que esta seja concedida. E quais são as atividades ou os empreendimentos sujeitos ao licenciamento am- biental? Em seu Anexo I, a Resolução Conama n. 237/1997 traz uma lista de empreen- dimentos/atividades que estão sujeitos, a exemplo de: ■ atividades de extração e tratamento de minerais; ■ indústrias de produtos minerais não metálicos; ■ indústrias metalúrgicas; ■ indústrias mecânicas; ■ indústrias de material elétrico, eletrônico e de comunicações; ■ indústrias de materiais de transporte; ■ indústrias de madeira; ■ indústrias de papel e celulose; ■ indústrias de borracha; ■ indústrias de couros e peles; ■ indústrias químicas; ■ indústrias de produtos de matéria plástica; ■ indústrias têxtil, de vestuário, calçados e artefatos de tecidos; ■ indústrias de produtos alimentares e bebidas; ■ indústrias de fumo; ■ indústrias diversas; ■ obras civis; ■ serviços de utilidade; ■ transporte, terminais e depósitos; ■ turismo; ■ atividades diversas; ■ atividades agropecuárias e que utilizam recursos naturais. Devemos compreender que, além das atividades contidas nessa lista, também podem existir outras atividades passíveis de licenciamento ambiental, a depender do uso dos recursos naturais e da capacidade do empreendimento em causar 23 degradação ambiental ou de ser efetivo ou potencialmente poluidor. Cabe ao empreendedor a consulta ao órgão ambiental competente. Vamos, agora, compreender um pouco mais sobre os diferentes tipos de licenciamentos ambientais. A respeito deles, Teixeira (2010) os classifica em quatro tipos, dependendo da potencialidade de causar impacto ambiental: com- plexos, ordinários, simplificados e corretivos. Ainda, segundo Farias (2006), a maior parte das atividades licenciadas são do tipo “licenciamento ordinário”, pois, em termos numéricos, são poucas aquelas que podem ser consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras. No estudo do licenciamento ambiental, é importante compreendermos as com- petências para este. A Constituição Federal de 1988, no que diz respeito à preser- vação do patrimônio público em geral, e claro, do meio ambiente, estabelece, em seu Art. 23, que é de competência de todos os entes federados (União, Estados, Distrito Federal e municípios): “ III - proteger os documentos, as obras e outros bens de valor his- tórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens naturais notáveis e os sítios arqueológicos; *Licenciamento complexo*: quando a atividade ou o empreendimento é capaz de causar signi�cativo impacto ambiental. Necessita de apresentação de Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (RIMA), apoiados no Termo de Referência (TR) fornecido pelo órgão ambiental. *Licenciamento ordinário*: quando a atividade ou o empreendimento não apresenta signi�cativo impacto ambiental. Neste caso, EIA e RIMA são substituídos por outro estudo ambiental menos complexo, exigido pelo órgão ambiental. *Licenciamento simpli�cado*: quando a atividade ou empreendimento causam baixo impacto ambiental, de acordo com o artigo 12, § 1º, da Resolução CONAMA nº 237/97. Poderá ser solicitado um Relatório Ambiental Simpli�cado (RAS). *Licenciamento corretivo*: quando a atividade ou empreendimento opera sem a licença ambiental. Neste caso, o órgão ambiental poderá embargar a atividade, ainda que cumulada com outra sanção, a �m de estimular a requisição de licenciamento ambiental. UNICESUMAR UNIDADE 5 24 VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em qualquer de suas formas; VII - preservar as florestas, a fauna e a flora. (BRASIL,1988, on-line) Nesse sentido, de acordo com a Resolução Conama n. 237/1997, compete ao Ibama a concessão de licenças ambientais a empreendimentos/atividades: a) localizados ou desenvolvidos conjuntamente no Brasil e em país limítrofe; b) localizados ou desenvolvidos no mar territorial; c) localizados ou desenvolvidos na plataforma continental; d) localizados ou desenvolvidos na zona econômica exclusiva; e) localizados ou desenvolvidos em terras indígenas ou em unidades de con- servação do domínio da União; f) localizados ou desenvolvidos em dois ou mais estados; g) cujos impactos ultrapassem os limites do país; h) cujas atividades envolvem material radioativo; i) militares. (CONAMA, 1997, on-line) Compete aos Estados e ao Distrito Federal o licenciamento de empreendimentos/ atividades: a) desenvolvidos em mais de um município; b) localizados ou desenvolvidos nas florestas e demais formas de vegetação natural de preservação permanente; c) cujos impactos ambientais diretos ultrapassem os limites territoriais de um ou mais municípios. (CONAMA, 1997, on-line) Ainda, compete ao órgão ambiental municipal o licenciamento de empreendi- mentos/atividades de impacto ambiental local e daqueles que lhe forem delegados pelo Estado por instrumento legal ou convênio (CONAMA, 1997). Vimos que o licenciamento ambiental é definido como um procedimento administrativo necessário a determinado empreendimento, o qual, por sua vez, requer certas providências e cujo objetivo é a autorização legal da atividade eco- nômica, sob atestado de cumprimento da legislação para controle ambiental. As- sim, enquanto o licenciamento ambiental é um procedimento, a licença ambien- tal é o documento produto do licenciamento ambiental. Ela é definida como o: 25 “ [...] ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente es- tabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou ju- rídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentosou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental. (CONAMA, 1997, on-line) Para a obtenção da licença ambiental, os impactos ambientais decorrentes da implantação e operação do empreendimento deverão ser previstos, corrigidos, mitigados e/ou compensados, devendo ser introduzidas práticas adequadas de gestão na operação, na perspectiva da contribuição do empreendimento à qua- lidade ambiental e sua sustentabilidade (IBAMA, 2002). Nesse sentido, atente-se ao fato de que a licença ambiental não é concedida em um único documento, mas, sim, nas diversas fases de um empreendimento, como forma de o órgão ambiental obter conhecimento aprofundado de todos os aspectos que podem causar dano ambiental. Logo, o licenciamento não ter- mina com a obtenção da licença ambiental, de modo que, após a emissão desta, o órgão ambiental poderá modificar as condicionantes estabelecidas na licença, bem como as medidas de controle e adequação. Além disso, pode suspender ou cancelar a licença quando houver “[...] violação ou inadequação de quaisquer condicionantes ou normas legais, omissão ou falsa descrição de informações relevantes que subsidiaram a expedição da licença, e superveniência de graves riscos ambientais e de saúde” (CONAMA, 1997, on-line). Ademais, para o caso de empreendimentos/atividades que provoquem perda de biodiversidade e recursos naturais, a compensação ambiental é obrigatória no licenciamento ambiental, com fundamento no EIA (IBAMA, 2002). É importante destacar que, para cada uma das fases de um empreendimento/ atividade citadas anteriormente, é necessário uma licença adequada. São elas: Licença Prévia, Licença de Instalação e de Operação e Licença Simplificada. Veremos, com mais detalhes, cada uma delas a partir de agora! Na primeira etapa de obtenção do licenciamento ambiental, o empreendedor procurará o órgão ambiental competente e definirá, junto com ele, a documenta- ção necessária a ser levantada, os projetos e estudos necessários. A Licença Prévia (LP) aprovará a localização e atestará a viabilidade am- biental do empreendimento, após exame dos impactos ambientais gerados, dos UNICESUMAR UNIDADE 5 26 programas de redução e da mitigação dos impactos negativos e de maximização dos impactos positivos. Para o caso de empreendimentos efetiva ou potencialmente causadores de danos ambientais, a emissão da LP dependerá da aprovação do EIA e de seu res- pectivo RIMA (IBAMA, 2002; TCU, 2007), conforme preconizado na Resolução Conama n. 01/1986. Para o caso de dispensa de apresentação do EIA/RIMA, o empreendedor deverá apresentar um Relatório de Controle Ambiental (RCA), conforme preco- nizado na Resolução Conama n. 10/1990, ou outros estudos ambientais exigidos pelo órgão ambiental. Nesse contexto, observe que a concessão da LP é condição para a continui- dade do processo de licenciamento ambiental, sendo um sinal verde para o em- preendedor seguir adiante com o projeto do empreendimento/atividade. O Tribunal de Contas da União (TCU) destaca a importância dessa fase, uma vez que é nela em que: ■ são levantados os prováveis impactos ambientais e sociais; ■ são avaliadas a magnitude e abrangência dos impactos; ■ são formuladas medidas para minimizar ou eliminar os impactos; ■ são ouvidos os órgãos ambientais e, também, os órgãos e as entidades setoriais, em cuja área de atuação se situa o empreendimento; ■ são discutidos com a comunidade, caso haja audiência pública, os im- pactos ambientais, bem como as medidas mitigadoras e compensatórias; ■ é tomada a decisão sobre a viabilidade ambiental do empreendimento. Por fim, cabe ao órgão ambiental estabelecer o prazo de validade de cada licença. De acordo com a Resolução Conama n. 237/1997, “[…] o prazo de validade da licença prévia (LP) deverá ser, no mínimo, o estabelecido pelo cronograma de elaboração dos planos, programas e projetos relativos ao empreendimento/ati- vidade, não podendo ser superior a 5 (cinco) anos” (CONAMA, 1997, on-line). Após a obtenção da LP, deverá ser solicitado, no órgão ambiental, a Licença de Instalação (LI), juntamente com o projeto de construção do empreendimen- to, incluindo, neste, as medidas de controle ambiental determinadas previamente. Para requerer a LI, o empreendedor deverá cumprir alguns requisitos, como com- provar o cumprimento das condicionantes estabelecidas na LP; apresentar planos, programas e projetos ambientais detalhados e seus respectivos cronogramas de 27 implementação; assim como apresentar um detalhamento das partes dos projetos de engenharia relacionados às questões ambientais (TCU, 2007). Observe que a concessão dessa licença ambiental implica na autorização das obras do empreendimento, cabendo ao órgão ambiental o monitoramento das condicionantes determinadas. A Resolução Conama n. 237/1997 cita que “[…] o prazo de validade da licença de instalação (LI) deverá ser, no mínimo, o esta- belecido pelo cronograma de instalação do empreendimento ou atividade, não podendo ser superior a 6 (seis) anos” (CONAMA, 1997, on-line). Assim, após a obtenção da LI, deverá ser solicitado, no órgão ambiental, a Licença de Operação (LO), a qual aprova a forma de convívio do empreendimento com o meio ambiente e estabelece condicionantes para a continuidade da operação. Ela é concedida após a verificação do cumprimento das condicionantes estabelecidas nas licenças anteriores e contém medidas de controle ambiental e condicionantes que deverão ser cumpridas para o funcionamento do empreendimento (TCU, 2007). A LO é concedida por um período finito, sendo que “[…] o prazo de validade da licença de operação (LO) deverá considerar os planos de controle ambiental e será de, no mínimo, 4 (quatro) anos e, no máximo, 10 (dez) anos” (CONAMA,1997, on-line). Além disso, atente-se que, no prazo de 120 dias antes da expiração da LO, deverá ser requerida a Renovação da Licença de Operação (RLO) junto ao órgão ambiental para a continuidade das atividades do empreendimento. Ademais, conforme previsto na Resolução Conama n. 237/1997, “[…] pode- rão ser estabelecidos procedimentos simplificados para os empreendimentos/ atividades de pequeno potencial de impacto ambiental, que deverão ser aprova- dos pelos respectivos Conselhos de Meio Ambiente” (CONAMA, 1997, on-line). Nesse tipo de licença ambiental, conhecida como Licença Simplificada, as três fases do licenciamento podem ser reunidas em apenas uma ou duas fases, le- vando em consideração a gravidade dos impactos ambientais a serem causados pelo empreendimento. Desse modo, o órgão ambiental poderá emitir uma única licença, composta pela localização, instalação e operação do empreendimento, de acordo com o Art. 5 da Resolução Conama n. 412/2009; ou após atestar a viabilidade do empreendimento, por meio da LP, autorizando sua instalação e operação, mediante a concessão de uma única LIO, conforme previsto na Reso- lução Conama n. 387/2006. Nesse contexto, segundo Teixeira (2010), esse tipo de licença simplificada pode ser concedida a empreendimentos elétricos com pequeno potencial de UNICESUMAR UNIDADE 5 28 impacto ambiental, sistema de esgotamento sanitário, projetos de assentamento de reforma agrária, empreendimentos destinados à construção de habitações de interesse social, dentre outros. Finalizando os tipos de licenças, existem casos em que há a necessidade de uma Licença Ambiental de Regularização, quando as obras do empreendi- mento ou suas atividades se iniciam sem as devidas LI e LO, respectivamente. No entanto, Oliveira (1998, p. 127) destaca que, nessas situações, nem sempre o licenciamento ambiental é concedido: “ [...] analisada a questão, caso seja inviável a instalação ou opera- ção do empreendimento no local onde estava sendo realizada, por razões ambientais, a licença deve ser negada e intimado o respon- sável a restabelecer as condiçõesambientais existentes antes de sua intervenção, inclusive via judicial. Apenas se for viável a instalação e operação do empreendimento no local é que se admite que tenha prosseguimento ao processo de licenciamento. Para a permissão e regularização de empreendimentos em que a instalação e opera- ção são viáveis, foi estabelecido, pelo Art. 79 da Lei n. 9.605/1998, o Termo de Com- promisso (TC), cuja função é permitir que as pessoas físicas ou jurídicas responsáveis pelas empresas irregulares tomem as devidas ações corretivas, atendendo às exigên- cias impostas pelas autoridades ambientais. Após a celebração do TC, ficam suspensas as autorizações administrativas impostas ao empreendimento (TCU, 2007). Agora que conhecemos os tipos de licenças existentes, vamos direcio- nar nossos esforços para conhecer as etapas do procedimento de licenciamento ambiental. É fato que elas devem obedecer ao disposto no Art. 10 da Resolução Conama n. 237/1997, dentre as quais algumas podem ser dispensadas. Na primeira etapa, serão definidos quais documentos, projetos e estudos se- rão necessários para iniciar o licenciamento ambiental. Em seguida, é requerida pelo empreendedor, dando-se a devida publicidade, a licença ambiental. Esta é regulamentada pela Resolução Conama n. 006/1986 e deve ocorrer em três fases: no pedido da licença, na concessão e, também, na renovação, que deve ser feita em jornal local e no Diário Oficial. Posteriormente, os documentos serão analisados pelo órgão ambiental e, quando necessário, são realizadas vistorias técnicas. Quando couber, serão soli- 29 citados esclarecimentos e complementações dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados, bem como uma audiência pública, de acordo com a regulamentação pertinente. Além disso, poderão ser solicitados esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental. Por fim, haverá a emissão de parecer técnico conclusivo e, quando couber, parecer jurídico de deferimento ou indefe- rimento do pedido de licença ambiental. O infográfico a seguir ilustra todas essas etapas, resumidamente. Acompanhe! De�nição dos projetos e estudos ambientais. Requerimento da licença ambiental. Análise do processo. Vistorias técnicas. Solicitação de esclarecimentos e complementações. Audiência pública. Solicitação de esclarecimentos e complementações da audiência. 07 08 Emissão do parecer técnico: deferimento ou indeferimento. Milaré (2013) nos explica que essas etapas do licenciamento ambiental podem ser resumidas em três fases, a saber: 1. fase deflagratória, em que o interessado requer a licença; 2. fase instrutória, na qual será realizada a arrecadação dos componentes que contribuirão com a decisão administrativa; 3. fase decisória, na qual a licença é ou não aprovada pelo órgão ambiental. UNICESUMAR UNIDADE 5 30 Obviamente, precisamos compreender que o processo de licenciamento ambien- tal envolve custos, todos a cargo do proponente. Alguns desses custos envolvem: ■ contratação de empresa de consultoria ambiental para a elaboração dos estudos ambientais (EIA, RIMA etc.); ■ contratação de empresa de consultoria ambiental para interagir com o órgão ambiental, podendo ou não ser a mesma que elaborou os estudos ambientais; ■ despesas relativas a reuniões e/ou audiências públicas, quando necessário; ■ despesas com publicações em jornal de extensa veiculação, de modo a tor- narem públicas a solicitação, a concessão e a renovação da licença ambiental; ■ pagamento das taxas de emissão das licenças e da análise dos projetos, cobradas pelo órgão ambiental, variando de acordo com a licença (LP, LI ou LO) e com o potencial poluidor ou o porte do empreendimento; ■ despesas relativas à implementação de atividades voltadas ao atendimento das condicionantes da licença ambiental. Dessa forma, observe que o licenciamento ambiental é um processo custoso, uma vez que o proponente do projeto gerará gastos com a contratação de consultores ambientais para lidar com a documentação, bem como para elaborar os estudos ambientais exigidos pelo órgão ambiental; além das despesas com taxas para emissão da licença, publicação em jornal de vasta circulação e, até mesmo, com reuniões ou audiências públicas, se for o caso. Ainda, dentro do contexto dos custos, a implantação de todas as medidas exigidas pelo órgão ambiental é muito importante, como a instalação de uma estação de tratamento de efluentes, filtros nas chaminés etc. 31 Enquanto Estado Democrático de Direito, o Brasil tem o dever de propiciar e fomentar a participação e o envolvimento da população em todas ações que se relacionam ao direito fundamental de um meio ambiente ecologicamente equili- brado e sadio. Assim, evidenciam-se as audiências públicas como exemplos nessa busca por interação/participação. A audiência pública é o momento, ao longo do processo de obtenção de licença ambiental de uma obra/atividade, em que a população pode obter escla- recimentos e elucidações sobre suas características e seus impactos (negativos e positivos) por meio da apresentação do RIMA. Nesse sentido, propomos que você, no exercício da cidadania, procure pelos órgãos ambientais de seu município, possivelmente representados pelas secreta- rias de meio ambiente, e tome nota das agendas de audiência pública dos proces- sos de licenciamento ambiental. Essa experiência é relevante para a sua atuação enquanto futuro profissional do meio ambiente, além de lhe fornecer visibilidade quanto aos licenciamentos provisionados para o seu município, possibilitando, ainda, sua participação enquanto profissional em formação e cidadão. NOVAS DESCOBERTAS Título: Avaliação de impacto ambiental: conceitos e métodos Autor: Luis Enrique Sánchez Editora: Oficina de Textos Sinopse: mantendo a estrutura e sequência dos capítulos, essa se- gunda edição do livro foi inteiramente revista, atualizada e, inevitavelmente, ampliada. Dentre as principais novidades, destacam-se as várias menções aos padrões de desempenho socioambiental da International Finance Cor- poration (IFC). A explicitação da noção de hierarquia de mitigação também está presente em vários capítulos. Outros novos temas, como justiça am- biental, serviços ecossistêmicos e impactos sobre a saúde, também foram incorporados à edição. Novos casos e exemplos reais são mencionados, ampliando a lista de EIAs de diversos países citados. Além disso, novas re- ferências bibliográficas alertam os estudantes e profissionais da área para a importância de se manter atualizado. Mais referências também foram acres- centadas à seção “Recursos”, que permite ao leitor localizar fontes de infor- mação e documentos técnicos, seja para aprofundar seus estudos ou suas pesquisas, seja para melhorar sua prática profissional. UNICESUMAR 32 1. Estão atrelados a esse recurso natural, segundo a Lei n. 11.959, de 29 de junho de 2009, os animais e vegetais hidróbios passíveis de exploração, estudo ou pesquisa pela pesca amadora, de subsistência, científica, comercial e pela aquicultura. Partindo do fragmento textual apresentado, assinale a alternativa correta quanto ao recurso natural descrito. a) Recursos minerais. b) Recursos pesqueiros. c) Recursos florestais. d) Recursos hídricos. e) Recursos naturais não renováveis. 2. A política ambiental nacional sofreu uma série de influências em âmbito internacional, oriundas das experiências positivas em países mais desenvolvidos, que passaram a inserir a AIA em seus documentos estruturantes na década de 1970. Nesse sentido, assinale a alternativa a seguir que expressa o nome da política am- biental internacional responsável pela difusão e adoção do conceito de AIA por outras nações. a) National Environmental Policy Act (NEPA). b) National Park Environment Act (NEPA). c) National Environmental Publicity Act (NEPA). d) International Environmental Policy Act (NEPA). e) National Organization Environmental Publicity Act (NEPA). 3. Em seu Anexo I, a Resolução Conaman. 237/1997 traz uma lista de empreendimen- tos/atividades que estão sujeitos a licenças ambientais, a exemplo de: • atividades de extração e tratamento de minerais; • indústrias de produtos minerais não metálicos; 33 • indústrias metalúrgicas; • indústrias mecânicas; • indústrias de material elétrico, eletrônico e de comunicações; • indústrias de materiais de transporte; • indústrias de madeira; • indústrias de papel e celulose; • indústrias de borracha; • indústrias de couros e peles; • indústrias químicas; • indústrias de produtos de matéria plástica; • indústrias têxtil, de vestuário, calçados e artefatos de tecidos; • indústrias de produtos alimentares e bebidas; • indústrias de fumo; • indústrias diversas; • obras civis; • serviços de utilidade; • transporte, terminais e depósitos; • turismo; • atividades diversas; • atividades agropecuárias e que utilizam recursos naturais. Todavia os tipos de licenças podem ser variáveis em detrimento da circunstância. Nesse sentido, assinale a alternativa a seguir que compreende os quatro tipos de licenciamentos ambientais. a) Licenciamentos Certificador, Ordinário, Simplificado e Corretivo. b) Licenciamentos Complexo, Ordinário, Estratificado e Corretivo. c) Licenciamentos Desordenado, Ordinário, Simplificado e Corretivo. d) Licenciamentos Complexo, Ordinário, Simplificado e Corretivo. e) Licenciamentos de Ocupação, Ordinário, Simples e Corretivo. 34 Unidade 1 ALBERTS, B. et al. Fundamentos da biologia celular. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2011. ALBUQUERQUE, M. B. M. Biossegurança, uma visão da história da ciência. Biotecnologia, Ciência & Desenvolvimento, [s. l.], v. 3, n. 18, p. 42-45, 2001. ANACONDA 2: a caçada pela orquídea sangrenta. Direção: Dwight H. Little. Estados Unidos: [s. n.], 2003. 1 DVD (97 min.), son., color. BHATIA, S. Food biotechnology. Nova Iorque: WPI Publishing, 2016. BORÉM, A.; SANTOS, F. R. 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Regulamenta os incisos II, IV e V do § 1º do art. 225 da Constituição Federal, estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, cria o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança – PNB, revoga a Lei nº 8.974, de 5 de janeiro de 1995, e a Medida Provisória nº 2.191-9, de 23 de agosto de 2001, e os arts. 5º, 6º, 7º, 8º, 9º, 10 e 16 da Lei nº 10.814, de 15 de dezembro de 2003, e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/lei/l11105.htm. Acesso em: 13 fev. 2022. BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança. Brasí- lia: Ministério do Meio Ambiente, 2020. 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Acesso em: 24 fev. 2022. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Atos/decretos/1937/D01713.html http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Atos/decretos/1937/D01713.html http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d23672.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d23672.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d23793.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d23793.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d24642.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1930-1949/d24642.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d24643compilado.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d24643compilado.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1980-1989/d88351.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/antigos/D99274compilado.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6803.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L6938.htm 43 BRASIL. Lei n. 9.433, de 8 de janeiro de 1997. Institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, cria o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamenta o inciso XIX do art. 21 da Constituição Federal, e altera o Art. 1º da Lei n. 8.001, de 13 de março de 1990, que modificou a Lei n. 7.990, de 28 de dezembro de 1989. Brasília: Presidência da República, [2010]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9433.htm. Acesso em: 28 jun. 2022. BRASIL. Lei n. 9.605, de 12 de fevereiro de 1998. Dispõe sobre as sanções penais e administra- tivas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 1998. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/l9605.htm. Acesso em: 4 fev. 2022. BRASIL. Lei n. 11.959, de 29 de junho de 2009. Dispõe sobre a Política Nacional de Desenvol- vimento Sustentável da Aquicultura e da Pesca, regula as atividades pesqueiras, revoga a Lei n. 7.679, de 23 de novembro de 1988, e dispositivos do Decreto-Lei n. 221, de 28 de fevereiro de 1967, e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2009. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l11959.htm. Acesso em: 28 jun. 2022. BRASIL. Lei n. 12.651, de 25 de maio de 2012. Dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis n. 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; revoga as Leis n. 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, e a Medida Provisória n. 2.166-67, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2012. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm. Acesso em: 28 jun. 2022. BRASIL. Lei n. 12.727, de 17 de outubro de 2012. Altera a Lei n. 12.651, de 25 de maio de 2012, que dispõe sobre a proteção da vegetação nativa; altera as Leis n. 6.938, de 31 de agosto de 1981, 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e 11.428, de 22 de dezembro de 2006; e revoga as Leis n. 4.771, de 15 de setembro de 1965, e 7.754, de 14 de abril de 1989, a Medida Provisória n. 2.166-67, de 24 de agosto de 2001, o item 22 do inciso II do art. 167 da Lei n. 6.015, de 31 de dezembro de 1973, e o § 2º do art. 4º da Lei n. 12.651, de 25 de maio de 2012. Brasília: Pre- sidência da República, [2012]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2012/lei/l12727.htm. Acesso em: 28 jun. 2022. CONAMA – CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução Conama n. 01, de 23 de janeiro de 1986. Dispõe sobre critérios básicos e diretrizes gerais para a avaliação de impac- to ambiental. Brasília: Conama, 1986. Disponível em: http://www.ima.al.gov.br/wizard/docs/ RESOLU%C3%87%C3%83O%20CONAMA%20N%C2%BA001.1986.pdf. Acesso em: 28 jun. 2022. CONAMA – CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução Conama n. 237, de 19 de dezembro de 1997. Dispõe sobre a revisão e complementação dos procedimentos e crité- rios utilizados para o licenciamento ambiental. Brasília: Conama, 1997. Disponível em: https:// www.icmbio.gov.br/cecav/images/download/CONAMA%20237_191297.pdf. Acesso em: 28 jun. 2022. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9433.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l11959.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/lei/l11959.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12651.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12727.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/lei/l12727.htm http://www.ima.al.gov.br/wizard/docs/RESOLU%C3%87%C3%83O%20CONAMA%20N%C2%BA001.1986.pdf http://www.ima.al.gov.br/wizard/docs/RESOLU%C3%87%C3%83O%20CONAMA%20N%C2%BA001.1986.pdf https://www.icmbio.gov.br/cecav/images/download/CONAMA%20237_191297.pdf https://www.icmbio.gov.br/cecav/images/download/CONAMA%20237_191297.pdf 44 CONAMA – CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução Conama n. 387, de 27 de dezembro de 2006. Estabelece procedimentos para o licenciamento ambiental de projetos de assentamentos de reforma agrária, e dá outras providências. Brasília: Conama, 2006. Disponí- vel em: http://www.ibama.gov.br/component/legislacao/?view=legislacao&legislacao=113039. Acesso em: 28 jun. 2022. CONAMA – CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução Conama n. 412, de 13 de maio de 2009. Estabelece critérios e diretrizes para o licenciamento ambiental de novos empreendimentos destinados à construção de habitações de Interesse Social. Brasília: Cona- ma, 2009. Disponível em: http://www.ibama.gov.br/sophia/cnia/legislacao/CONAMA/RE0412- 130509.PDF. Acesso em: 28 jun. 2022. FARIAS, T. Fases e procedimentos do licenciamento ambiental. Fórum de Direito Urbano e Ambiental, Belo Horizonte, v. 5, n. 27, p. 3289-3427, maio/jun. 2006. GOULART, M. D. C.; CALLISTO, M. Bioindicadores de qualidade de água como ferramenta em estudos de impacto ambiental. 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Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Decreto n. 47.400, de 4 de dezembro de 2002. Regulamenta dispositivos da Lei Estadual n. 9.509, de 20 de março de 1997, referentes ao licenciamento ambiental, estabelece prazos de validade para cada modali- dade de licenciamento ambiental e condições para sua renovação, estabelece prazo de análise dos requerimentos e licenciamento ambiental, institui procedimento obrigatório de notifica- ção de suspensão ou encerramento de atividade, e o recolhimento de valor referente ao preço de análise. São Paulo: Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, 2022. Disponível em: https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/decreto/2002/decreto-47400-04.12.2002.html. Acesso em: 28 jun. 2022. TCU – TRIBUNAL DE CONTAS DA UNIÃO. Cartilha de licenciamento ambiental. 2. ed. Brasília: TCU, 2007. Disponível em: https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/cartilha-de-licenciamen- to-ambiental-2-edicao.htm. Acesso em: 28 jun. 2022. TEIXEIRA, D. M. Os procedimentos do licenciamento ambiental. Boletim Científico ESMPU, Brasília, ano 9, n. 32-33, p. 37-69, jan./dez. 2010. Disponível em: https://escola.mpu.mp.br/pu- blicacoescientificas/index.php/boletim/article/view/302/273. Acesso em: 28 jun. 2022. https://www.al.sp.gov.br/repositorio/legislacao/decreto/2002/decreto-47400-04.12.2002.html https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/cartilha-de-licenciamento-ambiental-2-edicao.htm https://portal.tcu.gov.br/biblioteca-digital/cartilha-de-licenciamento-ambiental-2-edicao.htm https://escola.mpu.mp.br/publicacoescientificas/index.php/boletim/article/view/302/273 https://escola.mpu.mp.br/publicacoescientificas/index.php/boletim/article/view/302/273 46 Unidade 1 1. A afirmativa III é falsa, pois a CTNBio prevê o estabelecimento de uma regulamentação para produção e comercialização de OGMs no Brasil. 2. Todas as afirmativas são verdadeiras, segundo o conteúdo apresentado ao longo da unidade. 3. Todas as afirmativas são verdadeiras, segundo o conteúdo apresentado ao longo da unidade. Unidade 2 1. A alternativa D corresponde à correta descrição apresentada. 2. A alternativa D corresponde à correta descrição apresentada. 3. A alternativa D corresponde à correta descrição apresentada. Unidade 3 1. Apesar de, inicialmente, termos apenas cinco regiões, hoje, contamos com oito regiões. 2. Como vimos, as duas habilitações possíveis são o bacharelado e a licenciatura. O bacharel possui uma formação acadêmica mais prática, com carga horária de 3.200 horas, diferentemente do licenciado, que apresenta muitas disciplinas pedagógicas. Assim que se forma, o biólogo que apresenta bacharelado em sua formação já pode tirar o CRBio, devido à carga horária. 47 O bacharel em Biologia não poderá dar aula em Ensino Fundamental e Ensino Médio, a não ser que apresente uma pós-graduação, uma especialização ou um mestrado em Educação. Porém, pode ministrar aula em universidades públicas ou privadas, desde que esteja cursando ou tenha um diploma de especialização ou mestrado. O licenciado em Ciências Biológicas pode ministrar aulas, tanto para o Ensino Fundamental quanto para o Ensino Médio. Além da carga horária referente ao curso, o estudante terá, também, algumas disciplinas referentes à área Pedagógica, atrelada ao ensino. Os dois profissionais podem solicitar o registro junto ao CRBio, desde que completem as 3.200 horas previstas na grade curricular. Será necessário que o licenciado realize cursos complementares, a fim de completar essa carga horária, desde que sejam cursos voltados à formação em Ciências Biológicas. Dessa forma, podemos compreender as diferenças em termos de formação do estudante, aluno do curso de Ciências Biológicas. 3. O biólogo tem diversas áreas para atuação. De acordo com a sua afinidade, poderá seguir dentro de três grandes áreas: Meio Ambiente e Biodiversidade, Saúde e Bio- tecnologia e Produção. 4. O profissional dotado de carteira profissional, que exerça sua atividade como autô- nomo, deverá solicitar o registro de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART), que especifica sua atuação na área. São consideradas atividades profissionais aquelas desenvolvidas em caráter contínuo por meio de contrato de trabalho ou vínculo de outra natureza, nas modalidades de ocupação de cargo ou função. O registro de ART deve ser solicitado dentro de um prazo de até 30 dias a partir do início das atividades. A Resolução CFBio n. 126, de 19 de novembro de 2007, permite o registro de ARTs atrasadas e retroativas mediante o pagamento de multa e da taxa de registro. 5. O exercício da profissão, em todo o território nacional, somente é permitido ao porta- dor de carteira profissional expedida por órgãos competentes. O profissional dotado de carteira profissional, que exerça sua atividade como autônomo, deverá solicitar o registro de ART, que especifica sua atuação na área. Dessa forma, caso o profissional não tenha carteira profissional, não poderá atuar como profissional biólogo. 48 Unidade 4 1. O modelo geocêntrico estabelece que a Terra, esférica, posiciona-se no centro do céu. Foi proposto, primeiramente, por Ptolomeu. Já o modelo heliocêntrico, aceito até hoje, indica que o Sol é que está no centro do céu e que ocorrem movimentos circulares ao redor, mesmo em casos de variações. Foi proposto por Copérnico. 2. A Teoria da Nebulosa Solar, proposta por Pierre-Simon de Laplace, combinou a ideia do vórtice de Descartes com as leis da gravidade e do movimento de Newton, a fim de produzir um modelo de uma nuvem rotativa de matéria que se contraiu sob a própria gravitação e se achatou em um disco: hipótese nebular. Enquanto o disco ficava menor, ele teve de conservar o momento angular e girar cada vez mais rápido. Ao girar cada vez mais rápido, o disco derramaria sua borda externa para deixar para trás um anel de matéria. Em seguida, o disco poderia se contrair ainda mais, acelerar novamente e deixar outro anel. Dessa forma, imaginou-se que o disco, em contração, abandonaria uma sériede anéis, sendo que cada um deles poderia se tornar um planeta, circulando a estrela recém-nascida no centro do disco. De acordo com a hipótese nebular, o Sol deve girar muito rapidamente ou, em outras palavras, conservar a maior parte do momento angular do sistema solar. Assume-se que os planetas, que se movem em suas órbitas, conservam a maior parte do momento angular do sistema solar, enquanto o Sol, no entanto, gira lentamente. 3. Como vimos ao longo da unidade, a ordem correta seria: 7, 2, 3, 1, 5, 4, 6, 9, 8. Undade 5 1. A resposta correta é a letra “b”. 2. A resposta correta é a letra “a”. 3. A resposta correta é a letra “d”. A Rotina Hospitalar - Como a Psicopedagogia Pode Ajudar? Ensino e Aprendizagem e o Contexto Hospitalar: Reflexões e Prática do Psicopedagogo Atuação Psicopedagógica com Pacientes no Ambiente Hospitalar Trabalho do Psicopedagogo Projeto Político Pedagógico, _Hlk107291663 Button 14: Botão 28: Botão 29: Button 16: Página 9: Botão 24: Botão 25: Botão 26: Botão 27: Botão 21: Botão 22: Botão 23: Button 24:biocombustíveis, processos indus- triais eco-friendly (menos poluentes e mais condizentes com as questões ambien- tais), redução de pesticidas, biorremediação de poluentes, exames diagnósticos mais precisos e novos medicamentos. Um ponto de reflexão bem significativo em nosso contexto nacional está relacionado ao potencial biotecnológico encontrado na natureza. Aqui, surge mais um termo interessante em nossos estudos: a bioprospecção. Um país tão vasto e com tanta diversidade de espécies possui um elevado potencial para a bioprospecção. Mas, afinal, o que vem a ser a bioprospecção? Para compreender, podemos pegar como exemplo a cena de um filme. Trata-se de “Anaconda 2: a caçada pela orquídea sangrenta”, em que um personagem captura uma aranha cuja peçonha causa paralisia em suas presas. Em uma das cenas, um dos personagens diz: “eu possivelmente descobri um valioso e novo agente anestésico para a empresa Wexell-Hall”. Ele afirma isso porque a Wexell-Hall é uma empresa farmacêutica (fictícia) que atua com Biotecnologia e Bioprospecção. Assim, pode- mos dizer que “bioprospecção” é a capacidade de explorar recursos naturais para a obtenção de micro e macromoléculas que contenham informações bioquímicas e UNICESUMAR UNIDADE 1 22 genéticas, as quais podem ser convertidas ou aplicadas em produtos comerciais vol- tados à agricultura, à biorremediação, ao cosméticos e às indústrias farmacêuticas. NOVAS DESCOBERTAS Para fazermos uma imersão no exemplo indicado, convidamos você a assistir ao filme “ Anaconda 2: a caçada pela orquídea sangrenta”. A produção está disponível em diversas plataformas de streaming e também podem ser encontrado no YouTube. Esse exemplo nos leva a refletir sobre a relação entre biodiversidade e biotec- nologia, de forma direta e proporcional, ou seja, quanto maior a diversidade, maior o potencial biotecnológico. Considerando os últimos anos e o cenário ambiental nacional, é notável que es- tamos em um declínio significativo em relação à biodiversidade existente em todos os nossos biomas. Assim, a preocupação ambiental tem dirigido o uso responsável da biotecnologia, não somente para o controle da poluição, mas, também, para a re- dução de poluentes e para o biomonitoramento de todos os fatores constituintes do ambiente (ar, água, solo e seres vivos) (THAKUR, 2006; BORÉM; GIUDÍCE, 2008). Outro evento importante para a Biotecnologia Moderna, que resultou no de- senvolvimento dos bioprocessos contemporâneos, foi a fermentação. Segundo registros históricos, o processo de produção de bebidas alcoólicas, por meio da fermentação de grãos de cereais, já era realizado pelos sumérios e babilônios antes de 6.000 a.C. Avançando um pouco na escala temporal, em 2.000 a. C., os egípcios, que já dominavam o processo de fermentação para a fabricação de cerveja, passaram a utilizá-lo na fabricação de pães também (LIMA et al., 2001). Logicamente, tempos depois, Louis Pasteur comprovou que o processo de fermentação até então estudado era provocado por microrganismos, podendo haver variações quanto ao seu tipo, à presença ou ausência de ar, refutando a ideia de que se tratava de um processo puramente químico (BORZANI et al., 2001). Com isso, certamente você deve ter se recordado das teorias de Pasteur, de seus estudos do Ensino Médio ou, ainda, das aulas de Microbiologia. Entretanto, o que pouco se discute é acerca da contribuição das guerras históricas da humanidade para o processo de advento dos bioprocessos e da biotecnologia como um todo. 23 Durante os eventos da Primeira Guerra Mundial, a Alemanha aprimorava sua atuação em processos microbiológicos para a obtenção de álcool e, consequentemen- te, a produção de glicerol (insumo para a produção de explosivos). Em contrapartida, a Inglaterra produziu em larga escala a acetona para a fabricação de munições, sendo que esse processo colaborou para o desenvolvimento dos fermentadores industriais e das técnicas de controle de infecções (SERAFINI; BARROS; AZEVEDO, 2002). A produção de antibióticos foi um grande marco industrial! A partir de 1928, com a descoberta da penicilina por Alexander Fleming, muitos outros tipos de an- tibióticos foram desenvolvidos no mundo. Na década de 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, esses medicamentos passaram a integrar os processos industriais biotecnológicos, principalmente nos Estados Unidos, baseando-se, inicialmente, na síntese da penicilina e, posteriormente, da estreptomicina (BORZANI et al., 2001). De acordo com Scriban (1985), outro marco da Biotecnologia Moderna foi a síntese química do DNA (ácido desoxirribonucleico), que foi executada por Kornberg em 1967, fato que denominou de “Revolução Genética” as novas técni- cas de manipulação genética: DNA recombinante e fusão celular ou hibridoma. Note que, aqui, ganha espaço uma nossa expressão em nossa trajetória, que é a tecnologia do DNA recombinante. A partir dela, esclareceremos e relacio- naremos a tecnologia do DNA com os componentes intracelulares aos avanços biotecnológicos. Sigamos nossa jornada! Obviamente, você, enquanto estudante das ciências da vida, já refletiu sobre a quantidade de formas de vida existentes no planeta, a diversidade de compo- sições, as estruturas e a complexidade desses seres vivos. Tais questionamentos foram objetos de estudo das ciências da vida por muitos anos e resultaram em saberes epistemológicos relacionados à classificação dos seres vivos. Quando pen- samos nisto, sabemos que existem modelos e teorias que competem a zoologia de vertebrados e invertebrados, a botânica e a sistemática. No entanto, daremos “um passo para trás” e consideraremos uma classificação/divisão inicial mais simplória, dividindo os seres vivos em unicelulares e pluricelulares, sendo que: ■ unicelulares: envolvem bactérias, protozoários, algas unicelulares e leveduras; ■ pluricelulares: envolvem os demais seres vivos. Avançaremos, então, na construção de um novo raciocínio! Tanto seres unicelulares quanto pluricelulares podem, ainda, ser classificados, de acordo com a organização estrutural, em eucariontes e procariontes. UNICESUMAR UNIDADE 1 24 A diferença mais significativa entre ambos, conforme Rettori e Volpe (2000), baseia-se na existência ou ausência de uma organela que “abrigue” o DNA da cé- lula. Havendo a presença de tal estrutura na célula, afirma-se, então, que se trata de uma célula nucleada, caracterizando uma célula eucariótica. Caso não exista tal organela na célula, podemos inferir que se trata de uma célula procariótica, em que o DNA se encontra disperso no citoplasma. Observe, a seguir, com o auxílio da figura apresentada e de objetos de apren- dizagem em 3D, um comparativo entre as células dos procariotos e eucariotos. Plasmídeo Cápsula Parede Celular Membrana Plasmática Citoplasma Flagelo Fímbrias Ribossomos DNA cromossômico Descrição da Imagem: a imagem é uma ilustração que representa e indica todas as estruturas que compõem a célula bacteriana de um bacilo (formato cilíndrico) flagelado, que contém estrutura flagelar muito similar a “fios de cabelo”, porém que se movimentam frequentemente, localizado em uma das extremidades da estrutura corpórea do bacilo. É possível visualizar, na superfície do bacilo, pequenos fios curtos e finos, com leves curvaturas, que são as fímbrias. Ainda, é possível observar o DNA plasmidial e cromossômico disperso no interior do bacilo, explicitando que não existe um núcleo que “abriga” o material genético, logo, ele fica disperso no interior da célula. Figura 2: Estrutura de uma célula bacteriana. 25 Na sequência, observe a complexidade estrutural e a presença de um núcleo em células procarióticas, com o auxílio dos QR Codes! Célula Animal Célula Vegetal Célula Procariótica (Bacilo) Todos os seres vivos são constituídos de células. Devido à grande diversidade de seres existentes, não é difícil relacionar que existe uma grande variedade celular, diversa em formas, tamanhos e funções.Chegamos, assim, a um ponto essencial de nossa jornada: o momento de retomar conceitos como unidade funcional, DNA, cromossomos e genes. Sabemos que a energia é essencial para que uma célula realize diferentes “pro- cessos”, a exemplo de síntese de enzimas, síntese de parede celular e membranas, crescimento, multiplicação, além do reparo celular. Segundo Pelczar Jr., Chan e Krieg (1997), a energia pode ser obtida por meio de moléculas químicas (quimiossíntese) ou energia luminosa (fotossíntese), am- bas posteriormente convertidas em energia química para ser utilizada no meta- bolismo celular dos organismos. UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15053 https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15052 UNIDADE 1 26 Para Alberts et al. (2011), a Bioquímica nos ensina que diferentes reações meta- bólicas ocorrem ou são facilitadas com o auxílio de proteínas que possuem atividade catalítica. Tais características conferem a elas a classificação de enzimas. Ainda segundo os autores, assim como as proteínas estruturais, as enzimas são sintetizadas nos ribosso- mos, os quais dizem respeito a pequenos componentes citoplasmáticos. A estrutura das proteínas depende da informação genética codificada no DNA, que será, posteriormen- te, transcrita em RNA (ácido ribonucleico) e traduzida, na sequência, no citoplasma. Aqui, precisamos compreender que, no contexto do desenvolvimento animal, a Biotecnologia dá suporte à Engenharia Genética no fomento tecnológico, mas fique tranquilo, pois iremos explorar isso posteriormente! Neste momento, para compreendermos aplicações da Biotecnologia, vamos nos debruçar brevemente naquilo que a Genética, enquanto ciência, nos propor- ciona para entendermos o desenvolvimento dos organismos. Isto é, para ter noção quanto ao processo de formação e desenvolvimento de um indivíduo eucarionte, como no caso de um animal, desde o zigoto até o adulto, e, consequentemente, suas propriedades biológicas individuais, fazendo-se necessário identificar os ge- nes que controlam e atuam sobre esses processos. Torna-se importante, também, conhecer esses genes, suas funções e suas posições em um cromossomo, para compreendermos sua utilização para fins experimentais ou comerciais, como no caso da obtenção de produtos ou características de interesse. Para Griffiths et al. (2016), a maioria dos processos fisiológicos dos organis- mos é baseada em proteínas, cujas informações, genéticas para suas sínteses, está determinada e contida no DNA (ácido desoxirribonucleico). Esse conjunto total de informação genética de um organismo está presente no interior das células e compõe o genoma completo de um indivíduo. No caso dos eucariotos, a parte majoritária do DNA de um genoma é encontrado no núcleo celular. Cada um dos filamentos consiste em um “esqueleto” de nucleotídeos, consti- tuídos de cópias repetidas de um açúcar (desoxirribose) e um fosfato. No caso do DNA, este será composto por Adenina (A), Guanina (G), Citosina (C) e Timina (T). Conforme Griffiths et al. (2016), nos dois filamentos, o esqueleto de açúcar- -fosfato estará voltado para a face externa, enquanto a base nucleotídica possui sua face voltada para a parte interna, realizando um pareamento complementar à base da fita ou do filamento oposto, sendo A complementar à T e G comple- mentar à C. O inverso a essa afirmação também é verdadeiro. Vejamos a figura a seguir! 27 PARES DE BASE DO DNA ADENINA TIMINA GUANINA CITOSINA Backbone Backbone Backbone Backbone Pontes de Hidrogênio Par de Bases Esqueleto de Açúcar-Fosfato A T G C 3’ 3’ 5’ 5’ 0.34 nm 2 nm 3.4 nm Descrição da Imagem: a imagem representa, à esquerda, uma molécula de DNA, na vertical, em uma estrutura com formato de hélice, na qual as bases nitrogenadas Adenina (barra de cor amarela) e Timina (barra de cor roxa) e Guanina (barra de cor rosa) e Citosina (barra de cor azul) se ligam de forma comple- mentar, formando uma escada helicoidal, ou seja, formando várias voltas em torno de um eixo imaginário. A base da estrutura do DNA (primeira torção) apresenta as bases nitrogenadas desconectadas entre si, em que estão ligadas apenas nas laterais da “escada” e desconectadas no centro. À direita, estão expressadas quimicamente as ligações realizadas entre as bases Adenina e Timina e Guanina e Citosina, respectivamente. Figura 3: Estrutura e componentes do DNA A molécula de DNA presente no núcleo da célula está fragmentada em unidades denominadas “cromossomos”, conforme podemos observar na Figura 4. Os organis- mos da mesma espécie possuem determinado número característico de cromosso- mos em seus gametas, conhecido como “carga cromossômica” ou “número haplóide UNICESUMAR UNIDADE 1 28 (n)”. Nos seres humanos, por exemplo, n = 23. Cada cromossomo é formado por um filamento de DNA compactado, por meio de estruturas chamadas “nucleosso- mos” (um octâmero de proteínas histonas). Tais proteínas são as responsáveis pela compactação e descompactação do DNA (GRIFFITHS et al., 2016). Célula somática Núcleo Cromossomo Estrutura do Cromossomo Estrutura do DNA Estrutura do Gene DNA Descrição da Imagem: na imagem, podemos observar uma célula somática, representada por dois círculos azuis (um dentro do outro), em que o maior representa a célula e o menor representa o núcleo. O material genético, em forma de cromossomos, representados por estruturas em “X”, de coloração azul, estão locali- zados dentro do núcleo da célula. Uma seta vermelha aponta para o núcleo evidenciado ao centro do topo da figura, e outra seta vermelha evidencia o material genético (em formato de fio (cromatina) de cor azul, emaranhado) presente em um dos cromossomos, agora à direita do topo da figura. Desse cromossomo em destaque, é evidenciado o filamento de cromatina, que desce em direção ao centro da figura, mostrando as histonas presas ao filamento, proteínas responsáveis pelo enovelamento do filamento de cromatina. Da parte menos enovelada (com histonas mais espaçadas) parte o filamento de cromatina, agora sem essas proteínas, em que é possível observar a estrutura simplificada em formato de dupla hélice. Figura 4: Representação da estrutura cromossômica ao DNA. 29 Uma característica importante em relação ao material genético nuclear e que ocorre na maioria dos animais e das plantas se refere à presença de uma cópia muito semelhante do conjunto básico de cromossomos, conhecidos como “in- divíduos diplóides (2n)” (GRIFFITHS, et al., 2016). Segundo Malajovich (2016), em células somáticas, os cromossomos se dis- põem sempre em pares. A exemplo, na espécie humana, o número de cromosso- mos 2n equivale a 46, sendo que um par de cromossomos determina o sexo do indivíduo. Os cromossomos sexuais são idênticos na mulher (46, XX) e diferentes no homem (46, XY). Lembrando que, em outras espécies, a determinação do sexo pode seguir uma série de mecanismos diferentes. EXPLORANDO IDEIAS Para exempli�car possibilidades de mecanismos envolvidos na determinação sexual, trago a caso da Drosophila melanogaster, aquele mosquitinho pequeno que sempre apareço perto de frutas (pseudofrutos) como a banana. O genoma de D. melanogaster (sequenciado em 2000), contém 4 pares de cromossomos - um par X/Y e três autossomos rotulados 2, 3 e 4. O genoma dessa espécie foi sequenciado no ano 2000 e possui 139,5 milhões de pares de bases, cerca de 15.682 genes. A determinação do sexo em Drosophila ocorre pela proporção de cromossomos X em relação aos autossomos, diferindo do que acontece com os seres humanos. Embora o cromossomo Y seja totalmente heterocromático, ele contém pelo menos 16 genes, muitos dos quais têm funções relacionadas ao sexo masculino. (DE SOUSA et al., 2020) *"et al" em Itálico* UNICESUMAR UNIDADE 1 30 Sabemos que os genes são compostos por longos segmentos de DNA dispostos em um cromossomo e que estes podem variar de forma expressiva entre as espé- cies. Compreender isso se faz importante, pois nos dá luz sobre os processosde hereditariedade e sobre como as informações são transmitidas entre os descen- dentes. Essas informações nos serão importantes quando abordarmos técnicas para a manipulação gênica e “obtenção/seleção” de características relevantes, que possam ser de interesse humano, quando se trata de cadeias animais e vegetais. Agora, faremos uma pausa em nossa jornada para compreender a influência histórica da genética no que diz respeito a alguns conceitos e para falarmos sobre um dos pensadores que, até hoje, contribui para o desenvolvimento dos saberes nesse campo. Assim, dialogaremos brevemente sobre Gregor Mendel. Em 1865, o monge austríaco, biólogo e botânico, Gregor Mendel, apresentou o trabalho “Experimentos com plantas híbridas”, que compilava resultados experi- mentais de estudos realizados com ervilhas (Pisum sativum L.) por um período de sete anos. Apesar de não receberem a merecida atenção da comunidade científica durante muito tempo, a partir de 1900, outros pesquisadores passaram a investigar os princípios da herança genética e da hereditariedade em diversos organismos vivos, promovendo visibilidade e aplicabilidade aos princípios postulados por Men- del. Os experimentos de Mendel, então, deram origem à Primeira Lei de Mendel, também conhecida como Lei de Segregação ou Monoibridismo. Essa lei nos traz a informação de que indivíduos frutos de cruzamentos iniciais (de primeira geração ou F1), são denominados “monoíbridos” por expressarem alguma característica fenotípica relacionada a um fator hereditário. Atualmente, conforme Griffiths et al. (2016), compreende-se que o gene (fator) existe em duas formas, cha- madas de alelos, representadas cada uma por um fenótipo diferente no organismo. Durante o processo conhecido como meiose, a divisão celular, ocorre, também, a divisão do núcleo e, principalmente, dos cromossomos, onde se localizam os pares de genes. Logo, quando os membros dos cromossomos se segregam, carregam consigo alelos de um par de genes, dos quais segregam igualmente durante a gametogênese. Avançando em seus experimentos, Mendel, ao analisar descendentes oriundos dos mesmos genitores e que apresentavam diferentes características, postulou o segundo princípio da hereditariedade ou Segunda Lei de Mendel, a Lei de Segregação Inde- pendente ou Diíbridismo. Esta, por sua vez, refere-se à segregação independente dos alelos de dois ou mais pares de genes em cromossomos diferentes, durante a meiose. 31 Considere que, durante seus estudos, Mendel não tinha conhecimento dos eventos subcelulares que ocorriam para a formação dos gametas. Assim, para compreendermos a segregação gênica, é necessário entendermos os dois tipos de divisões nucleares que ocorrem nas células eucarióticas. NOVAS DESCOBERTAS Para relembrarmos os tipos de divisões celulares existentes, de uma forma bem simples e significativa, recomendamos que você assista ao vídeo a seguir para resgatar a compreensão desses eventos. Aprovei- te o momento para fazer anotações sobre termos e terminologias que serão imprescindíveis para os seus estudos! Concluímos, aqui, nossas reflexões sobre as Leis de Mendel, comprovadamente apli- cáveis a todos os eucariontes, cujos princípios são aplicados na contemporaneidade. Agora, munidos de toda a compreensão de conteúdos expostos, conheceremos sobre a aplicabilidade e as técnicas biotecnológicas. Continue com a gente! Ao avaliarmos a história, poderemos concluir que os agricultores podem ser descritos como os primeiros agentes da Biotecnologia. Para Bhatia (2016), a partir do momento em que se iniciou a domesticação das espécies, ou seja, o cruzamen- tos de diferentes variedades de plantas para selecionar as melhores, os agricultores estavam, ainda que subjetivamente, realizando as primeiras alterações genotípicas. Todavia, a natureza é melhorista nata e, antes do evento relacionado à domesticação, já ocorreram milhares de anos de evolução e processos de seleção natural, cujas variações fenotípicas e cuja recombinação intercromossômica eram comuns devido à adaptação aos diferentes ambientes e aqueles em constante mudança. Nossa jornada de atualização, temos um ponto de inflexão, que, para nós, pro- fissionais das ciências da vida, faz-se muito relevante. Quando falamos ou refleti- mos sobre biotecnologia, organismos geneticamente modificados e transgenia, é comum que nossas percepções iniciais, em nível de senso comum, aproxime todos esses termos/temáticas, resultando no que chamamos de polissemia científica. Tal fenômeno ocorre quando colocamos a compreensão inicial sobre um assunto na mesma caixinha em que outro tema. Isso é natural, mas, enquanto guardiões da epistemologia científica, devemos distinguir adequadamente os conceitos. UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15054 UNIDADE 1 32 Vejamos uma breve diferenciação, para que possamos, a partir deste ponto, mencionar tais conceitos, compreendendo seus respectivos significados! O transgênico é um organismo que recebe um gene retirado de outra espécie, o que lhe confere uma característica nova em função da inserção de um gene promotor de alguma característica de interesse. Já um organismos gene- ticamente modificados (OGM) se configura como um organismo que tive seu material genético alterado, mas não necessariamente recebeu genes de outras espécies, como podemos considerar a alteração genética de bactérias, para que estas expressassem seus genes de síntese de substâncias de interesse com mais frequência ou de forma mais ágil. NOVAS DESCOBERTAS Essa diferenciação é importante e pode lhe ajudar na compreensão biotecnológica que foge do senso comum. Assim, recomendamos que assista ao vídeo para mais detalhes! Segundo Vargas et al. (2018), atualmente, existem, também, técnicas de modifi- cação direta do DNA, que substituem genes ou os inserem com características exatas, diferentemente das técnicas tradicionais, que alteravam os organismos sem manipulação genética direta, marcando, assim, o início da Biotecnologia Moderna. Nesse sentido, esta, por meio das avançadas técnicas de Engenharia Genética, apresentou notáveis contribuições à humanidade, adicionando precisão e rapidez no desenvolvimento de novas variedades de organismos. No contexto da modificação genética de plantas, a tecnologia do DNA re- combinante, no geral, utiliza técnicas de manipulação do DNA em um panorama simplificado. Se pudéssemos transcrever, em palavras simples, os passos para a obtenção de uma planta geneticamente modificada, o faríamos indicando as seguintes etapas: 1. o isolamento e a clonagem de um gene útil; 2. a transferência desse gene para dentro da célula vegetal; 3. a integração desse novo gene no genoma da planta; 4. a regeneração da planta a partir da célula transformada; 5. a expressão do gene introduzido nas plantas regeneradas; 6. a transmissão do gene introduzido de geração em geração. https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15055 33 Existem diversas técnicas para se obter um trans- gênico (organismo que recebeu carga genética oriunda de outra espécie), todas baseadas na transferência de um gene isolado para uma nova célula. Elas podem compreender meios diretos ou indiretos para alcançar tal resultado, como contar com o auxílio de um vetor intermediário, neces- sário para que ocorra a transferência do material genético. Na agricultura, os vetores mais comuns são as bactérias do gênero Agrobacterium, comu- mente conhecidas como “agrobactérias”, sendo a Agrobacterium tumefaciens e a Agrobacterium rhizogenes as mais utilizadas. As bactérias do gênero Agrobacterium são comuns e se encontram naturalmente no solo, asso- ciando-se às raízes das leguminosas, podendo oca- sionar “tumores benéficos” nas raízes das plantas, permitindo a absorção mais eficiente do nitrogênio. Segundo Carvalho e Mateus (2019), no mo- mento em que essas bactérias se fixam nas raízes, elas transferem seu DNA para a planta infectada por meio de um plasmídeo (DNAextracromos- somal), chamado de plasmídeo Ti (indutor de tumor) em A. tumefaciens e plasmídeo Ri em A. rhizogenes. Esses genes são transferidos e passam a ser expressos no DNA da planta, levando à pro- dução de tumores também em seus descendentes. Logo, é um processo que ocorre naturalmente na natureza! Vejamos na figura a seguir uma representa- ção dos processos necessários para produzir um transgênico, com o auxílio de A. tumefaciens, co- nhecido como transferência do T-DNA para uma célula vegetal. UNICESUMAR UNIDADE 1 34 Genoma Bacteriano Plasmídeo-Ti Núcleo Transferência do T-DNA para a célula vegetal Célula Vegetal T-DNA inserido T-DNA Descrição da Imagem: a imagem representa, à esquerda, a célula de uma bactéria, em que, na superfí- cie da parte superior da célula, está escrito o nome do gênero da bactéria “Agrobacterium”, que possui formato retangular na horizontal, com cantos arredondados. Está representada em cor azul. No interior da bactéria, é possível ver o genoma bacteriano (em formato de filamento) solto no citoplasma, o plasmí- deo-Ti e o fragmento de T-DNA inserido nesse plasmídeo. Ainda nessa célula, na extremidade da direita, onde ela se conecta com um célula vegetal (retângulo verde na vertical com várias organelas coloridas evidenciadas) por uma abertura na parede celular, ocorre a passagem de seu DNA plasmidial (que fora previamente transformado) para o interior da célula vegetal. O T-DNA transferido pela bactéria é inserido ao núcleo da célula vegetal, levando consigo o trecho do DNA de interesse. Figura 5: Transferência do T-DNA para uma célula vegetal Observe que, inicialmente, os genes de interesse são inseridos no DNA bacteriano e, na sequência, a bactéria entra em contato com as células do organismo receptor para transferência dos genes de interesse. Esse é um dos métodos mais “simples” e difundidos entre as células vegetais devido à sua “facilidade operacional”, à sua eficiência e ao seu baixo custo. Entretanto, o sucesso desse método depende da susceptibilidade da planta às agrobactérias. Outra técnica existente é a biobalística, popularmente conhecida como bombardeamento de partículas, em que o DNA que expressa a característica 35 desejada ou de interesse é recoberto com micropartículas dos elementos tungs- tênio ou ouro. Essas micropartículas, então, são projetadas sobre o tecido da espécie que se pretende modificar a altíssimas velocidades (até 1.500 km/h), sob condições de vácuo parcial (27 mmHg) (CARVALHO; MATEUS, 2019). Em tal processo, as micropartículas penetram e se inserem na célula e, eventualmente, o DNA “preso” é liberado, dispersa-se e se integra ao genoma do organismo hos- pedeiro. Esse sistema pode ser usado não apenas para plantas, mas para qualquer espécie de microrganismos e animais. UNICESUMAR UNIDADE 1 36 Descrição da Imagem: na imagem, temos a representação esquemática de dois processos de transgenia, em que um gene de interesse é identificado e isolado para esses processos. O primeiro deles, representado à es- querda, é o processo de transformação bacteriana, em que um trecho do gene isolado é inserido no plasmídeo de uma bactéria (agrobactéria), agora transformada. Esse processo é representado por uma célula bacteriana, de formato retangular e com as extremidades ovaladas, com seu DNA solto e emaranhado no interior da célula, e seu plasmídeo com o trecho de DNA de interesse agora compondo essa molécula. A transformação indica o trecho de DNA inserido no plasmídeo “destacado” em coloração mais escura. Nesse processo, a transferência é feita pelo plasmídeo, que inclui no genoma da planta o fragmento de interesse. O segundo processo, representado à direita, é o de biobalística, em que o trecho do DNA de interesse (gene) é replicado e depositado sobre pequenas partículas de ouro, gerando uma estrutura similar à junção de pequenos círculos com pequenas “cruzes”. Para que a técnica de biobalística ocorra, temos vetores que representam “tiros” das pequenas “cruzes” sobre uma célula vegetal, um processo de bombardeamento que promove a introdução dos fragmentos de DNA de interesse no genoma da planta. Por fim, na base da figura, está representada a seleção de células que contém o DNA oriundo da transformação bacteriana ou da biobalística (presença do transgene), em que observamos seis núcleos celulares, porém cinco deles foram excluídos (apresentam um “X” grande sobre eles), indicando que não possuem o transgene. Apenas um (sem o “X” em sua superfície) indica que o núcleo possui em seu interior transgene. Ao lado direito da representação dos seis núcleos, observamos, após uma seta que aponta para a direita, a célula vegetal de formato retangular, evidenciada, contendo o transgene, e, na sequência, originando um vegetal completo, ou seja, uma planta transgênica. Figura 6: Sistema de transferência de gene de uma planta por meio das técnicas de transgenia, pelo uso de agrobactérias e biobalística. / Fonte: Adaptada de Reis et al. (2018). 37 A eletroporação consiste em outra técnica utilizada para a transferência de DNA. Nela, protoplastos e células vegetais que não possuem parede celular devido ao uso de enzimas digestivas do tipo celulases são mantidos em meios de cultura, os quais contêm os genes a serem transferidos, sob agitação constante. Na sequên- cia, são expostos a impulsos elétricos, que induzem a abertura momentânea da membrana celular, possibilitando a entrada dos novos genes. Nos protoplastos, ocorre o processo de regeneração celular e a consequente inserção dos genes de interesse nas novas plantas, via processo de hereditariedade. Nesse método, é possível fazer a manipulação das sequências de DNA a serem incorporadas, antes da aplicação, o que se configura como uma vantagem. Em contrapartida, como desvantagem, observa-se a existência quase embrionária de protocolos e metodologias científicas que garantam a regeneração de protoplastos de forma eficiente e sem altos custos. Estudos com cultivares como arroz e milho vêm se intensificando atualmente (CARVALHO; MATEUS, 2019). Neste ponto de nossa leitura, observamos uma convergên- cia da Biotecnologia com a Nanotecnologia, uma ciência emergente e que tem contribuído muito com as áreas Am- biental e da Saúde. Vamos, então, compreender um pouco mais sobre o assunto? Convidamos você a nos acompanhar ouvindo o podcast. Vamos lá?! UNICESUMAR https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/11019 UNIDADE 1 38 Caminhando para o fim da apresentação das técnicas usuais da Biotecnologia, a microinjeção se caracteriza como um método, inicialmente utilizado apenas para a transformação gênica de animais, mas seu uso foi adaptado e difundido para transgenia em células vegetais, em função dos adventos científico e tecnológico. Essa técnica consiste na inserção literal de material genético diretamente no núcleo da célula a ser modificada, por meio de microcapilares, possibilitando a inserção do DNA de interesse na célula-alvo, sem a inviabilização desta. É um procedimento complexo e que envolve altos custos, mas de grande eficiência e que vem apresentando resultados positivos. Observe na figura a seguir uma representação do processo em uma célula e a representação da técnica em uma célula vegetal. Célula competente Incubação Choque elétrico Recuperação Descrição da Imagem: a imagem representa uma célula competente em formato retangular, com as extremidades esféricas contendo material genético disperso em seu interior. Uma seta à direita da cé- lula aponta para a direita e representa o processo de incubação, em que essas células permanecem em um meio de cultura contendo plasmídeos. A célula é submetida a choques elétricos, representados por pequenos raios. Esse processo faz com que seu envoltório celular se torna poroso, agora representado por traços pontilhados, e a célula esteja apta a “receber” plasmídeos com o trecho de DNA de interesse (representado por um círculo em que dois trechos distintos possuemcoloração mais escura). Após esse processo, outra seta indica que a célula passará, ainda, pelo processo de recuperação e seu envoltório celular será reconstituído, deixando de ser tracejado e passando a ser representado por linhas sólidas. Figura 7: Representação da técnica de eletroporação. / Fonte: Adaptada de Fonseca (2017). 39 Descrição da Imagem: a figura é composta por duas imagens, sendo estas a 8(a), à esquerda, uma representação esquemática; e a 8(b), à direita, uma representação da técnica em célula vegetal, respecti- vamente. A imagem 8(a) apresenta uma célula animal em cor roxa, com seu núcleo circular ao centro em cor azul. Para essa célula, atribuímos o nome de “célula hospedeira”. Ao redor, em cor roxa, temos uma “pipeta de sustentação” em cor cinza, cuja estrutura se assemelha muito a uma pinça, pois sua finalidade é realmente “segurar” a célula hospedeira. No canto superior da imagem, temos a representação de uma seringa de injeção, exatamente como as utilizadas para aplicar vacinas. De cor cinza, ela possui uma “agulha” inserida na célula, alcançando seu núcleo e, na ponta da seringa, deixando a agulha, é possível observar o DNA de interesse (representado na cor vermelha) no núcleo da célula, configurando o processo de transformação gênica por meio de microinjeção. Já a imagem 08(b) possui a representação da mesma técnica em uma célula vegetal, porém em um esquema mais realista. A célula vegetal em cor verde se encontra em estágio de divisão, pois é possível observar o núcleo se dividindo, processo que daria origem a novas células. No lado direito da imagem 8(b), observa-se uma estrutura muito similar à “ponta de uma agulha” inserindo DNA (representado por várias partículas brancas) no núcleo da célula. Figura 8: Representação esquemática da técnica de microinjeção em células vegetais. Pipeta de suporte ou sustentação Célula Hospedeira Núcleo DNA de interesse Pipeta de Microinjeção Pipeta de suporte ou sustentação Célula Hospedeira Núcleo DNA de interesse Pipeta de Microinjeção A B UNICESUMAR UNIDADE 1 40 Com o advento da ciência e o olhar positivo que a Biotecnologia vem recebendo, novas técnicas vêm sendo testadas e surgindo em busca de maior rapidez, eficácia e precisão, como o caso das técnicas de “dedo de zinco” (zinc finger), mutagê- nese oligo-dirigida, cisgenia e intragenia, metilação de DNA RNA-dependente, estaquia, melhoramento reverso, agroinfiltração, biologia sintética e genomas sintéticos. Logicamente, a adoção do método de transgenia depende da espécie que virá a ser modificada e do objetivo da prática de transformação. Lembrando que sem- pre devem ser consideradas as vantagens e desvantagens de cada procedimento, assim como os custos e a viabilidade legal. NOVAS DESCOBERTAS Muito provavelmente, você já acompanhou/presenciou diálogos em nível de senso comum, sobre a preocupação do consumo de produtos transgênicos e seus possíveis agravos à saúde. Contudo, é importante diferenciar OGM de transgênico para podermos compreender benefí- cios relacionados à produção e às especificidades relacionadas ao seu consumo. Assim, indicamos a leitura do artigo: “Transgênicos: avalia- ção da possível (in)segurança alimentar através da produção científi- ca”, disponível no QR Code. Bom, chegamos ao momento de nossa jornada juntos no qual precisamos pensar cole- tivamente sobre a regulação e legislação aplicada à biossegurança em caráter nacional. Para Faleiro, Andrade e Reis Jr. (2011), a biossegurança aplicada às OGMs deve ser compreendida como o conjunto de normas e protocolos necessários para a minimização dos impactos gerados pelo uso da biotecnologia. Ainda segundo os autores, o estabelecimento de normas e leis para a regulação desse processo vem se intensificando em cada país. Enquanto profissional das ciências da vida, é preciso que você faça a projeção das preocupações para os demais segmentos da sociedade, como nas esferas ambiental e alimentar. Tal preocupação já foi expressa pela sociedade na década de 1970, após a socialização dos primeiros trabalhos sobre a manipulação, construção e transferência de genes entre espécies diferentes, com o auxílio da Engenharia Genética, incitando os primeiros “alertas” na comunidade científica quanto aos impactos ainda imprevisíveis na saúde humana e ambiental (FALEIRO; ANDRADE; REIS JR., 2011). https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/15056 41 Em função desse processo, em 1974, ocorreu o primeiro encontro da comuni- dade científica, chamado “Conferência de Asilomar sobre as Moléculas de DNA Re- combinante”, resultado da mobilização da comunidade científica para o estabeleci- mento e a determinação de diretrizes e normatizações pertinentes à biossegurança. Conforme Faleiro, Andrade e Reis Jr. (2011), nesse encontro, foram discutidos critérios de segurança, em especial no que referia às barreiras biológicas e físicas, critérios éticos para os experimentos com OGMs, recomendações para o controle de descartes de material e a padronização das metodologias. Assim, configurou-se um marco na discussão global para assegurar o avanço dos processos tecnológi- cos e proteger a saúde humana, animal e ambiental. Em esfera nacional, as agências reguladoras responsáveis pela fiscalização e pelos demais assuntos relacionados aos OGMs são a CTNBio e, em alguns casos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). No contexto em que o desenvolvimento de OGMs resultem ou sejam componentes de produtos a serem consumidos pela população, é importante considerar orientações da Food and Agriculture Organization (FAO) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) (em inglês, Who World Health Organization - WHO) (FAO, 1996). Sobre essas orientações, temos: 1. as consequências diretas de alteração nos níveis de expressão de genes existen- tes pela introdução do novo gene ou modificações genéticas causadas por ele; 2. as consequências diretas (por exemplo, efeitos antinutricionais, tóxicos ou alergênicos) da presença nos alimentos da proteína codificada pelo gene introduzido; 3. as consequências indiretas dos efeitos de qualquer novo produto ou ní- veis alterados de produtos já existentes no metabolismo do organismo, levando à presença de novos compostos ou níveis alterados de com- postos já existentes; 4. as consequências das mutações causadas no processo de introdução genética no organismo, como controle ou ativação de genes latentes, levando à pre- sença de novos componentes ou níveis alterados de componentes existentes; 5. as consequências da transferência do gene para a flora gastrointestinal pela ingestão do alimento geneticamente modificado e/ou alimentos derivados deles; 6. potencial efeito adverso à saúde associado ao OGM pelo alimento. UNICESUMAR https://www.gov.br/anvisa/pt-br UNIDADE 1 42 Em âmbito nacional, o plantio e uso de transgênicos são regulamentados com base em uma série de estudos científicos e, ainda assim, é importante destacar que, de acordo com o Decreto n. 4.680, de 24 de abril de 2003, todos os produtos e ingredientes transgênicos deverão ser rotulados, dando visibilidade ao consu- midor sobre sua presença, considerando tanto alimentos destinados a animais quanto alimentos processados (BRASIL, 2003). Esse decreto culminou no desenvolvimento do regulamento técnico sobre rotulagem de alimentos e ingredientes alimentares que o contenham, ou seja, aqueles itens produzidos a partir de OGM, deverão, por obrigatoriedade, apre- sentar a informação no rótulo de forma legível: “(nome do produto) transgênico” ou “contém (nome do ingrediente) transgênico” (BRASIL, 2003). O que se observa, em senso científico, é que, do ponto de vista alimentar, o nível de segurança requerido, em relação aos OGMs, é muito alto e crítico. Isto é, tais alimentos são submetidos a uma bateria de análises antes da sua autorização, sua liberação e posterior comercialização.