Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS 
LIBRAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AULA – 1 
PARÂMETROS E ESPECTOS 
LINGUÍSTICOS EM 
LIBRAS 
 
 
Prezado aluno, 
 
As línguas de sinais se diferenciam das orais, principalmente, devido à 
modalidade de produção e percepção. Elas são conhecidas pela construção de sua 
base de sinalização alicerçada em parâmetros próprios, que criam uma estrutura 
gramatical distinta, mas possuem fonética, fonologia, morfologia, sintaxe e 
semântica, assim como as línguas orais. 
 Neste capítulo, você estudará a diferença entre as línguas oral-auditivas e 
as gesto-visuais (visuoespacial); cada um dos parâmetros que compõem as línguas 
de sinais e suas particularidades; e como funciona a sua gramática. 
 
Bons estudos! 
 
 
 
1 PARÂMETROS EM LIBRAS E ESPECTOS LINGUÍSTICOS 
O termo “fonologia” é usado no contexto da pesquisa em língua de sinais para 
enfatizar os paralelos na estrutura entre a língua oral e a língua de sinais. 
Antecedendo a década de 60, 40 anos antes da legalização da Libras como língua 
oficial no Brasil, os sinais eram considerados como simples gestos independentes, 
não consideráveis, portanto, não contendo nenhum nível análogo ao fonológico. Brito 
(1995) reconhecia que os sinais da Língua Brasileira de Sinais poderiam ser vistos 
como composicionais, com subelementos contrastando entre si, ao contrário dos 
gestos. Pesquisas mais recentes buscaram aplicar abordagens à teoria fonológica em 
linguagens oralizadas, como a fonologia autossegmental, para sinalizar por uma 
estrutura própria. 
É amplamente reconhecido na literatura de língua de sinais que os parâmetros 
da Libras enquanto configuração de mão, ponto de articulação, movimento orientação 
e expressões faciocorporais têm um papel significativo no nível fonológico de maneira 
semelhante à linguagem oralizada, com propriedades de articulação, forma e 
vocalização. Pinto, em seu livro Língua Brasileira de Sinais, destaca que: 
[…] os 5 parâmetros da Libras são comparados aos fonemas no português e, 
às vezes, aos morfemas e estas estruturas sublexicais, fazem parte da 
gramática da Língua de Sinais com características distintivas ou 
características notáveis usadas para criar sinais com significado em Libras. 
Para produzir um sinal e retransmitir uma palavra com significado, esse sinal 
deve seguir cinco parâmetros que determinam sua definição e tom como: 
Configuração de Mãos, Ponto de Articulação, Movimento, Orientação e 
Expressão faciocorporal (PINTO, 2018 p. 87). 
Como visto, a língua de sinais é muito mais complexa do que somente aprender 
sinais ou fazer alguns gestos, pois deve-se ter a capacidade visuoespacial, a qual tem 
sua base estruturada nos cinco parâmetros básicos dessa língua. 
Diferentemente das demais línguas que utilizam quase que exclusivamente a 
modalidade oral-auditiva, falar e escutar, a língua de sinais é única e possui suas 
próprias regras gramaticais estruturadas nestes parâmetros, os quais, em conjunto, 
formam o que se define como um sinal ou entendimento semântico. 
 
 
 
Configuração de mão 
De acordo com Capovilla (2002), o parâmetro configuração de mão (CM) pode 
não existir igualmente em outras línguas de sinais, assim como alguns padrões de 
som que existem em uma língua oralizada não existem em outra linguagem. Uma 
mudança na forma (desenho) da mão pode resultar em um significado totalmente 
diferente do pensado, ou, ainda, ser sem sentido, da mesma forma que uma unidade 
de som alterada em uma palavra resulta em um significado diferente, como, por 
exemplo, “colher” (talher) para “colher” (colheita). 
Em um sinal, a forma da mão consiste em um ou mais dedos selecionados em 
uma posição particular para configurar a mão (CM) que, posteriormente, é realizada 
na efetivação dos sinais. Todo sinal tem um formato que a mão toma no momento de 
sinalizar, e este poderá ser oriundo do alfabeto manual ou dos números, ou, ainda, de 
outras configurações que não existem no grupo do alfabeto manual e dos números 
(não oriunda). Constate os exemplos a seguir: 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Observe que o sinal da palavra “segunda-feira” tem CM em “V” ou em “2” 
(ordinal). 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
 
 
 
“Remédio” tem configuração de mão em “1” (cardinal). 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
A palavra “tio” tem CM em “C”. Os sinais das palavras “segunda-feira”, 
“remédio” e “tio” são oriundas do alfabeto e dos números, uma vez que a configuração 
da sua mão predominante está relacionada a uma letra do alfabeto ou a números. 
 
Pontos de articulação 
Conforme Capovilla (2002), assim como na configuração de mão, os pontos de 
articulação (PA) são representados na estrutura dos recursos inerentes. Essa 
organização reflete a generalização de que existem cinco regiões do corpo (tronco, 
cabeça, braço, mão e espaço neutro), assim, precisa-se da mão configurada e do 
ponto de articulação para dar início ao sinal. 
Assim como na configuração de mão, que consiste em categorias dominantes 
e subordinadas, o mesmo ocorre com a categoria de PA. Cada morfema livre é restrito 
 
 
 
a uma única área corporal principal, como a cabeça, o tronco, a mão e o braço não 
dominante ou o espaço neutro. 
Cabeça: Para toda regra pode haver uma exceção, o que ocorre no ponto de 
articulação. Nem todos os sinais idealizados na região da cabeça precisam encostar 
na face, mas devemos observar que a mão predominante está na região da cabeça 
ou da face, tendo como ponto de alicerce o queixo, o nariz, o olho, a boca, a bochecha, 
a orelha, a maçã da face, a testa ou o topo da cabeça. Observe os exemplos a seguir: 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Observe que o sinal de “bonito” tem movimento à frente da face, mas não 
exatamente precisa ser feito varrendo (encostando) o rosto; “mulher” e “telefone” 
também tiveram como apoio a bochecha, e todos os sinais tiveram como ponto de 
articulação “cabeça”. 
Braço: Os sinais que têm como ponto de articulação “braço” terão seu apoio 
no braço, no antebraço, no punho ou no cotovelo. 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Para o sinal de “banheiro”, o apoio é no antebraço, e, para o sinal de “ciúmes”, 
o apoio é no cotovelo, assim, seu PA é “BRAÇO”! 
 
 
 
Mão: Para este PA, os sinais serão feitos no dorso da mão, na palma da mão 
e nos dedos da mão. 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
 
Em ambos os exemplos os sinais estão sendo feitos na palma da mão, assim, 
o seu PA é “mão”. 
Tronco: O ponto de articulação “tronco” tem como referência os sinais onde as 
mãos serão posicionadas na barriga, na cintura, no peito, no pescoço ou no ombro. 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Ambos os sinais têm como PA “tronco”, visto que sua mão configurada está 
incidindo no peito. 
Espaço neutro: Para o ponto de articulação “espaço neutro”, há somente duas 
localizações: a frente do tronco ou acima da cabeça, ou seja, a mão não encostará 
em nenhum outro membro do corpo. Neste PA, a mão predominante do sinalizador 
estará, no mínimo, a dez centímetros de distância do tronco ou acima da cabeça. 
 
 
 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Para o sinal da palavra “demitir”, o movimento será concluído após soltar o 
dedo médio para a frente; e o sinal de “vôlei” é feito simulando o lance de jogo acima 
da cabeça. 
Movimento 
O terceiro parâmetro, “movimento” (MV), pode ser caracterizado por sinais 
lexicais, pois são atos dinâmicos com uma trajetória, um começo e um fim. Sua 
representação fonológica varia conforme a parte do corpo usada para articular o 
movimento (são as setas nas imagens). O movimento utilizado entre um sinal e outro 
é uma mudança natural e não prevalece no movimento do sinal. 
Capovilla (2002), explica que as partes do corpo envolvidas no movimento são 
organizadas dentro de uma característica própria de cada sinal, começando com as 
articulações proximais e terminando com as articulações mais distais. Em algunssinais, é possível que não haja movimentos, fazendo o sinal ser sem movimento, bem 
como é possível ter dois tipos simultâneos de movimentos articulados em conjunto, 
ou seja, o movimento das duas mãos simultaneamente, e, ainda, há uma gama de 
movimentos possíveis para realizar um sinal. 
Já sabemos que os movimentos são parte da fonologia, não apenas de pares 
mínimos, sendo bastante escassos, mas também porque a especificação de 
movimento é ativa na gramática, morfológica e fonologicamente. Observe os 
exemplos a seguir: 
 
 
 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
O sinal da palavra “brincar” tem movimento circular, ao passo que o movimento 
da palavra “verdade” tem movimento para cima e para baixo. 
Orientação 
A orientação é tradicionalmente considerada um parâmetro secundário, uma 
vez que há menos pares mínimos baseados apenas na orientação (BRITO, 1995). 
Alguns autores se baseiam na direção da palma da mão e das pontas dos dedos da 
mão (p. ex., a palma da mão está voltada para a esquerda e as pontas dos dedos 
estão voltadas para a frente). Pinto cita, ainda, que: 
[…] quando um sinal tem sua direção e há uma inversão, significa a oposição, 
contrário ou concordância. Esta se refere à direção onde a palma da mão 
fique virada para produzir um sinal. Podendo ser: palma da mão para cima, 
palma para baixo, palma da mão direita, palma da mão esquerda, com a 
palma para frente ou palma da mão para trás (palma virada para você). 
(PINTO, 2018 p. 106). 
Expressão faciocorporal 
O quinto e último parâmetro, as expressões faciocorporais (ECF), também é 
conhecido como “expressões não manuais”. Esse recurso é idealizado com a face 
e/ou o corpo, podendo ser feito em conjunto com a utilização das mãos ou para 
transcorrer um contexto. Esse item é extremamente importante, e, caso não seja 
idealizado concomitantemente, os sinais tornam-se comprometidos e até sem sentido. 
Diante de todos os parâmetros apresentados, forma-se o sinal em Libras. 
Observe um sinal em que são aplicados os cinco parâmetros de Libras: 
 
 
 
 
Fonte: bit.ly/3zOiuvx 
Agrupando os dados da tabela, conseguimos obter as informações necessárias 
para que um sinal seja realizado adequadamente. Todos os sinais têm esses 
parâmetros, e uma pequena falha na execução de algum deles altera o seu 
significado, inclusive trazendo consequências à morfologia da Libras. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BRITO, L. F. Por uma gramática da língua de sinais. Rio de Janeiro: Tempo 
Brasileiro, 1995. 
CAPOVILLA, F. C. Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngue Língua de Sinais 
Brasileira, Volume II: sinais de M a Z. São Paulo: Editora da Universidade de São 
Paulo, 2002. 
PINTO, D. N. Libras: Língua Brasileira de Sinais. Aracaju: UNIT, 2018.

Mais conteúdos dessa disciplina