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TOXICOLOGIA E SEGURANÇA PÚBLICA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Olá, 
As drogas podem desestruturar famílias, afetando as atividades diárias e 
o bem-estar psicológico dos familiares. O impacto emocional e a sobrecarga 
física de cuidar de entes envolvidos com a drogadição podem levar a conflitos 
familiares, isolamento social e dificuldades financeiras. É importante buscar 
apoio e compreensão, além de considerar o engajamento da família no 
tratamento do dependente para lidar com essa situação desafiadora. 
Bons estudos! 
 
AULA 3 - DROGAS E 
FAMÍLIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
. 
 
 
 
 
 
 
 
3 REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DO USO E ABUSO DE DROGAS 
 
O uso excessivo de drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas, tem se tornado uma 
preocupação significativa em escala global. Reconhecido como uma doença crônica 
e recorrente pela Organização Mundial de Saúde (OMS), esse fenômeno acarreta 
sérias consequências pessoais e sociais, especialmente para os jovens e para a 
sociedade em geral. A história da relação entre a humanidade e as drogas é longa e 
complexa, passando de um uso ritualístico na antiguidade, com propósitos de 
transcendência, para o consumo contemporâneo, muitas vezes motivado pela busca 
de prazer imediato ou alívio de desconforto físico, psíquico ou social. As drogas estão 
presentes em todas as classes sociais e representam um dos grandes desafios 
atuais, ameaçando os valores políticos, econômicos e sociais (JODELET, 2001). 
Além disso, contribuem significativamente para o aumento dos gastos com 
tratamento médico, internações hospitalares, acidentes de trânsito, violência urbana 
e mortes prematuras, gerando repercussões sociais e econômicas consideráveis na 
sociedade contemporânea. 
A discussão sobre o uso de drogas ilícitas tem sido abordada como uma 
questão de saúde pública, reconhecendo a dependência química como um problema 
de saúde, enfatizando a importância da prevenção desse comportamento, que é 
atualmente uma das grandes preocupações da saúde pública do Estado moderno. 
A abordagem da questão das drogas ilícitas como um problema de saúde pública 
busca legitimar a criminalização do comportamento, enfatizando a necessidade de 
controle e prevenção. 
O consumo de substâncias psicoativas está em ascensão em nível global, 
despertando uma forte preocupação social. De acordo com o Relatório Mundial sobre 
Drogas da ONU, aproximadamente 27 milhões de pessoas, o equivalente a 0,6% da 
população mundial, são afetadas por esse problema. Esta tendência crescente tem 
gerado uma crescente apreensão na população, especialmente devido à falta de 
políticas públicas de longo prazo para lidar com essa questão, juntamente com o 
aumento da demanda por serviços de tratamento (JODELET, 2001). 
A definição de droga psicotrópica ou psicoativa pela Secretaria Nacional 
Antidrogas (SENAD) abrange qualquer substância capaz de alterar o funcionamento 
 
 
da atividade cerebral, podendo resultar em diversas alterações no comportamento, 
humor, cognição e percepção. Esses dados refletem a importância de um 
monitoramento mais abrangente do impacto das substâncias psicoativas na saúde 
pública, especialmente devido à aceleração das mudanças regulatórias e aos testes 
clínicos com essas substâncias (JODELET, 2001). 
A oferta de drogas ilícitas, que continua atingindo níveis sem precedentes, e 
as redes de tráfico cada vez mais ágeis estão agravando as crises globais 
convergentes e desafiando os serviços de saúde e as respostas de aplicação da lei, 
conforme aponta o Relatório Mundial sobre Drogas 2023 do Escritório das Nações 
Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). 
Esses dados destacam a necessidade de uma abordagem abrangente e 
coordenada para lidar com o aumento do consumo de substâncias psicoativas em 
nível global, visando não apenas a repressão ao tráfico, mas também a 
implementação de políticas de prevenção e tratamento eficazes. Conforme a 
Classificação Internacional de Doenças (CID-10), a dependência química é 
caracterizada pela presença de um conjunto de sintomas cognitivos, 
comportamentais e fisiológicos que indicam que o indivíduo continua utilizando uma 
substância, apesar dos graves problemas relacionados a ela. Uma vez estabelecida 
a dependência, o usuário acaba priorizando o uso da droga em detrimento de outras 
atividades e obrigações (JODELET, 2001). 
A dependência química, de acordo com a CID-10, é definida pela presença de 
sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos que indicam a continuidade do 
uso da substância, mesmo diante de problemas significativos relacionados a ela. 
Além disso, uma vez estabelecida a dependência, o usuário tende a priorizar o uso 
da droga em detrimento de outras atividades e responsabilidades. A dependência 
química é um problema complexo que envolve diversas dimensões, sendo 
considerada uma (SOARES, 2003). 
 
3.1 A dependência química e seus impactos sobre a família 
 
A família desempenha um papel crucial nas sociedades modernas, não 
apenas na reprodução biológica, mas também no desenvolvimento cultural e 
econômico dos indivíduos. Segundo Soares (2003), a família é essencial para a 
 
 
sobrevivência, desenvolvimento e proteção integral dos filhos, destacando-se como 
uma instituição socializadora primária, responsável por garantir comportamentos 
normalizados pelo afeto e pela cultura. Assim, a família tem a responsabilidade de 
contribuir para a construção moral dos filhos e para o desenvolvimento adequado de 
suas personalidades, podendo ser responsabilizada tanto pelo início da fase de 
experimentação e uso contínuo de drogas, quanto pela criação de fatores de 
proteção. 
Melman (2001), alerta que nas sociedades ocidentais, o papel de amar e 
cuidar dos filhos representa um grande desafio e uma tarefa extremamente complexa 
e difícil. Isso decorre do fato de que, no que diz respeito à educação e formação das 
crianças até a idade adulta, os pais enfrentam muitas exigências e deveres. 
O adoecimento dos filhos impacta profundamente a autoestima dos pais, pois 
representa falhas no sistema familiar. A descoberta de uma doença pode 
desestabilizar toda a estrutura familiar, levando a uma ruptura nos vínculos entre os 
membros, resultando em mudanças significativas em suas vidas. Nessa situação, 
surgem conflitos emocionais, depressão, medo e incertezas em relação ao 
prognóstico e tratamento. Além disso, surgem preocupações com a situação 
financeira, gerando desordem na rotina e sobrecarga familiar (MARUITI; 
GALDEANO; FARAH, 2008). 
A sobrecarga familiar, conforme Soares e Munari (2007), pode ser descrita 
como o estresse emocional e econômico enfrentado pelas famílias em situações 
extremas, como no caso do adoecimento dos filhos. Essa sobrecarga pode afetar 
diversas áreas da vida, como a saúde, o lazer, o trabalho, o bem-estar físico e 
psicológico, bem como o relacionamento entre os membros da família. 
Os estudos conduzidos por Tobo e Zago (2005), demonstram que a presença 
de uma dependência química, juntamente com suas consequências, intensifica os 
conflitos e as dificuldades cotidianas enfrentadas pelos familiares. Essa 
intensificação dos conflitos resulta em um desgaste tanto físico quanto psicológico, 
gerando uma carga significativa para esses familiares. 
Esses dados destacam a importância de estudar as representações sociais 
das drogas conforme elaboradas pelos familiares de dependentes químicos. As 
representações emergentes dos discursos dos familiares são significativas, pois 
permitem compreender como lidam com a problemática da dependência química no 
 
 
cotidiano e como pensam e gerenciam suas práticas no contexto social. 
A representação é um fenômeno antigo, tão antigo quanto o próprio 
pensamento. A questão da representação surgiu para o homem desde o momento 
em que o próprio pensamento, em sua produçãoe exteriorização, tornou-se objeto 
de especulações filosóficas. A representação adquiriu materialidade e deixou de 
pertencer exclusivamente ao nível ideal, constituindo-se efetivamente como objeto 
de estudo para as ciências do homem. Dessa forma, possibilitou uma abordagem 
mais ampla para compreender o universo humano em seus aspectos psíquicos, 
sociais, individuais e coletivos (XAVIER, 2002). 
De acordo com Moscovici (2012), as representações sociais podem ser 
compreendidas como entidades quase tangíveis. Elas circulam, se cruzam e se 
cristalizam incessantemente por meio da fala, gestos e encontros em nosso 
cotidiano. A maioria das relações sociais estabelecidas, objetos produzidos e 
consumidos, bem como as comunicações trocadas, estão impregnados por elas 
(MOSCOVICI, 2012). 
 
3.2 A dinâmica das representações sociais na construção dos saberes 
populares e do senso comum 
 
As representações sociais são construções que funcionam como "teorias" 
sobre saberes populares e do senso comum. Por meio de discursos compartilhados 
coletivamente e devido à sua dinamicidade, influenciam os comportamentos e 
interações dos indivíduos com o meio (STREY, 2010). Dessa forma, todos os 
fenômenos socialmente constituídos são investidos simbolicamente, recebendo 
nomes e significados que os avaliam, explicam e lhes conferem sentido. A 
dinamicidade das representações sociais faz com que esses significados se 
transformem de acordo com os modelos vigentes em uma determinada época e 
formação social (COUTINHO; ARAÚJO; GONTIÉS, 2004). 
Segundo a definição clássica apresentada por Jodelet (2001), as 
representações sociais são modalidades de conhecimento prático orientadas para a 
comunicação e para a compreensão do contexto social, material e ideativo em que 
vivemos. Elas se manifestam como elementos cognitivos, tais como imagens, 
conceitos, categorias e teorias, mas não se reduzem a esses componentes 
 
 
cognitivos, sendo preferencialmente socialmente elaboradas e compartilhadas. Em 
função disso, as representações contribuem para a construção de uma realidade 
comum, que possibilita a comunicação entre os grupos, facilitando a compreensão 
dos fenômenos. 
De acordo com Spink (1993), as representações sociais desempenham quatro 
funções fundamentais na dinâmica das relações sociais e práticas. São elas: 
1. A função de saber, que permite aos sujeitos compreender, explicar e 
apreender os fatos reais; 
2. A função identitária, que define as características da identidade dos grupos, 
protegendo as peculiaridades grupais; 
3. A função de orientação, que guia as atitudes e comportamentos, definindo a 
função do contexto situacional a priori, bem como a qualidade das relações 
pertinentes para o sujeito e a resolução adequada de tarefas; e 
4. A função de justificativa, que permite aos indivíduos justificar a posteriori as 
tomadas de posição e atitudes do cotidiano ou do relacionamento com as 
pessoas envolvidas em determinados contextos. 
A formação de uma representação envolve, primeiramente, a transformação 
de objetos do mundo exterior em noções familiares que sejam fáceis de 
compreender, perceber, selecionar e categorizar. Posteriormente, essas noções 
podem ser integradas aos conhecimentos já existentes. 
 
3.3 Trazendo à luz as representações sociais da dependência química: o papel 
dos familiares no entendimento e cuidado 
 
A adoção de um referencial teórico fundamentado nas representações sociais 
permitiu identificar mecanismos para compreender como os familiares percebem o 
problema das drogas e como orientam suas condutas em relação ao dependente 
químico, contribuindo para uma compreensão abrangente da dependência química 
e seus efeitos na família. Como uma forma de conhecimento prático, as 
representações sociais formuladas pelos familiares podem chamar a atenção para 
os impactos que a dependência química pode causar não apenas na vida dos 
usuários, mas também na vida de seus familiares, devido à sobrecarga associada 
ao papel de cuidador (SOARES, 2003). 
 
 
Os apontamentos sobre a dependência química revelam os efeitos dessa 
prática na sociedade, tornando-se um problema não apenas pessoal ou individual, 
mas um problema de saúde pública de grandes proporções no cenário mundial, 
afetando os familiares de forma significativa. Nesse contexto, as famílias são as mais 
afetadas, sofrendo os efeitos mais prejudiciais, incluindo a destruição das relações 
familiares. Os conflitos gerados apontam para o adoecimento dos membros da 
família e a diminuição da qualidade de vida. 
Esses fatores abalam profundamente toda a família, resultando em 
sentimentos negativos como angústia e medo, levando ao desequilíbrio e, muitas 
vezes, à ruptura dos laços entre os membros. Para minimizar essas condições, é 
necessário estabelecer vínculos e compreender as populações afetadas por esse 
problema, tanto os usuários quanto seus familiares, e assim planejar e implementar 
estratégias para combater essa questão e promover a saúde dessas populações 
(SOARES, 2003). 
Nas demandas por políticas públicas de combate ao uso abusivo de drogas, 
fornecendo uma resposta ao reconhecimento do sofrimento dos familiares 
cuidadores, que lidam diariamente com a sobrecarga física e emocional de cuidar de 
seus entes envolvidos com a drogadição. 
Além disso, sobre a promoção da saúde e o suporte a essas famílias, visando 
minimizar os impactos sociais causados pelas drogas na realidade brasileira. Dessa 
forma, novas possibilidades de tratamento para os dependentes e seus 
familiares/cuidadores podem ser vislumbradas, com o intuito de reduzir a culpa e 
melhorar a qualidade de vida, diminuindo os impactos da dependência química e a 
sobrecarga que ela acarreta aos familiares (SOARES, 2003). 
 
3.4 Posicionamento do terapeuta 
Nas famílias afetadas pela dependência, o terapeuta deve estabelecer uma 
conexão com o problema para conseguir superá-lo. Nesse contexto, o Dr. Denis 
Valée sugere duas categorias de terapeutas especializados em dependências: os 
terapeutas da limpeza e os terapeutas da falta (PINSKY; BESSA, 2012). 
Os terapeutas da limpeza têm como objetivo romper o laço da dependência, 
considerando-o o único sintoma a ser tratado. Eles se ajustam ao desejo dos pais do 
dependente de eliminar a droga do ambiente familiar, idealizando uma família livre 
 
 
de substâncias psicoativas. Essa visão de pureza é simbolicamente associada à 
ausência de sexualidade, conflitos e distinções geracionais. Essa abordagem remete 
à ideia de que o perigo sempre provém do exterior: existe um mundo sem drogas e 
outro com elas; no primeiro, o paciente é livre, enquanto no segundo, ele se torna 
alienado e dependente. 
 Por outro lado, os terapeutas da falta reconhecem a presença da droga como 
um elemento que reúne os membros da família. Nesse caso, a substância faz parte 
do ambiente familiar e sua utilização, ou mesmo a sua abstinência, pode ajudar a 
explorar e tratar as dinâmicas tanto terapêuticas quanto familiares. Assim, a 
responsabilidade pela dependência não recai exclusivamente sobre a família. É 
importante notar que a dependência não se limita a uma única interação, mas a 
droga influencia um estilo específico de relacionamento, especialmente em questões 
relacionadas à morte e à transgressão (PINSKY; BESSA, 2012). 
Observa-se, portanto, que a família se reúne para evitar a verdadeira união. 
O contexto terapêutico enfrenta uma crise contínua, e sua capacidade de suporte é 
frequentemente questionada. As sessões são frequentemente relatadas, com 
atrasos recorrentes. O paciente se torna um símbolo da cumplicidade e do fascínio 
pelo proibido, representando um estigma familiar que é transmitido como uma norma. 
Os membros da família podem afirmar: Em nossa família, sempre há um herói, um 
tio problemático, uma irmã envolvida em fraudes. 
O que resta desse emaranhado de jogos que flertamcom a ilegalidade? A 
resposta é um espaço que deve ser preenchido pelo paciente, que se torna um 
reflexo do compromisso familiar oriundo do sistema. A valorização velada das 
normas sociais e morais é reconhecida e, ao mesmo tempo, superada em todos os 
momentos da terapia. O paciente é a representação viva desse compromisso, e a 
tarefa do terapeuta é ajudar todos a perceberem que essa foi a maneira que o 
paciente encontrou para se adaptar ao seu ambiente familiar. Portanto, se sua 
presença parece desorganizar a ordem, na realidade, ele apenas a respeita. É 
necessário, então, desvendar esses paradoxos constantes que envolvem a família e 
o paciente, e, a partir daí, o terapeuta. 
A dependência de uma substância, para o indivíduo, representa um 
compromisso que lhe permite reavaliar sua autonomia em um determinado momento 
do ciclo familiar, quando acredita que a sobrevivência da família está em risco. A 
 
 
droga funciona como uma máscara que oculta a verdadeira situação, e o dependente 
a utiliza – muitas vezes com a colaboração de um traficante que faz parte da família 
– como uma estratégia relacional que se torna evidente para o terapeuta. Nesse 
contexto, a dependência é o primeiro pedido que surge na terapia familiar. 
Logo, surgem as díades: mães/filhos, irmãos/irmãs, que estão fortemente 
interligadas e que, ao solicitar ajuda, podem parecer que estão se desintegrando. 
Essas díades oscilam entre dois extremos, buscando manter uma distância que 
permita a cada membro preservar sua identidade, ao mesmo tempo em que mantém 
o relacionamento. Essa busca sugere que os participantes de uma díade tentam 
escapar do impasse entre fusão e abandono por meio da triangulação com um 
terceiro elemento – a droga, por exemplo (PINSKY; BESSA, 2012). 
Nas chamadas famílias aditivas, em que a questão da dependência afeta a 
todos e a própria família depende de suas conexões, existe um paradoxo. A família 
é o espaço onde se entrelaçam a sincronia das interações entre os membros e a 
diacronia do ciclo vital e da transmissão de mitos. O paradoxo pode ser resumido na 
afirmação: “para que essa família sobreviva, é necessário que ela também morra”. A 
autonomia de seus membros está ligada à dependência do sistema familiar, e 
qualquer outra forma de dependência tende a reforçá-la. A singularidade do trabalho 
terapêutico reside na tentativa de desvendar esse paradoxo, permitindo que a família 
não dependa mais de sua energia destrutiva para manter sua coesão. 
Os estudos sobre a origem das condutas de dependência, baseados em 
relatos de vida, mostram que o paciente dependente frequentemente é assombrado 
pelos fantasmas de sua história familiar, que ficam ocultos. Muitos exemplos 
evidenciam as lealdades invisíveis que conectam o dependente aos pais, sejam eles 
próximos ou distantes, assim como a ascendência que pode estar ausente ou 
afastada. Essas lealdades seguem um código moral silencioso e funcionam como 
um lembrete de uma ética que não é discutida. 
Os curto-circuitos entre gerações e as relações intergeracionais 
frequentemente se referem a segredos familiares, sejam eles reais ou fictícios. Isso 
aprisiona o dependente, que perde sua própria autonomia psíquica e se vê imerso 
em um contexto de desejos e transgressões que não lhe pertencem, mas que ele 
acaba internalizando como parte de si (PINSKY; BESSA, 2012). 
O segredo permanece oculto, pois os pais não conseguiram passar pelo luto 
 
 
necessário. Hélène Collet, Xavier Colle e Didier Rosch levantam essa hipótese em 
casos em que a criança foi deixada aos cuidados dos avós por um período. Os pais 
aguardavam a dor da separação, transmitindo-lhe, de forma não verbalizada, a 
seguinte visão do mundo: “toda relação tem um fim previsível; devemos aproveitar o 
momento, pois o futuro é incerto”. Assim, a transmissão dos mitos familiares é 
questionada. 
O tratamento da dependência pode ser encarado como um objetivo 
terapêutico ou como uma postura moral? Essa é a questão que deve ser colocada 
aos dependentes. Muitas vezes, eles têm um histórico que nos precede: possuem 
experiência e, por vezes, um entendimento de sua própria dependência, do prazer 
que dela extraem e do preço que pagam. 
É nossa responsabilidade trabalhar, junto com eles e suas famílias, em torno 
do que eles compartilham; cabe a nós ajudá-los a se libertar das amarras para que 
possam estabelecer novos vínculos que sejam benéficos e que promovam a 
autonomia psíquica de todos os envolvidos. O nosso trabalho na terapia familiar foca 
nas relações de codependência. 
Durante uma visita ao país Sikh, notamos uma placa na entrada do aeroporto 
de Amritsar que dizia: “a única alternativa à coexistência é a autodestruição!”. Certas 
famílias vivem essa realidade e compreendem bem como a droga pode ser tanto 
uma forma de acreditar que escaparão dessa armadilha quanto um reforço para a 
própria dependência (PINSKY; BESSA, 2012). 
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
 
COUTINHO, M. P. L.; ARAÚJO, L. F.; GONTIÉS, B. Uso da maconha e suas 
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Estudo, v. 9, n. 3, p. 469-477, 2004. 
 
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D. (Org.). As representações sociais. Rio de Janeiro: Editora Universitária-UERJ, 
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PINSKY, I.; BESSA, M. A. (Orgs.). Adolescência e drogas. 3. ed. São Paulo: 
Contexto, 2012. 
 
SOARES, C. B. Família e desinstitucionalização: impacto da representação social 
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Goiânia - GO. 
 
SOARES, C. B.; MUNARI, D. B. Considerações acerca da sobrecarga em 
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SPINK, M. J. P. O conceito de representação social na abordagem psicossocial. 
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STREY, M. N. Psicologia social contemporânea. 13. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 
2010. 
 
TOBO, N. I. V.; ZAGO, M. M. F. El sufrimiento de la esposa en la convivencia con 
el consumidor de bebidas alcohólicas. Revista Latino-Americana de Enfermagem, 
v. 13, p. 806-812, 2005. 
 
XAVIER, R. Representação social e ideologia: conceitos intercambiáveis? 
Psicologia & Sociedade, v. 14, n. 2, p. 18-47, 2002. 
 
 
 
 
(PINSKY; BESSA, 2012).

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