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Lições de Direito da Familia 5° Impedimentos e inabilidades: o parentesco impede, por outro lado, o exercício, em determinados casos, das funções de alguém que nelas está investido. Pode fundamentar o impedimento o juiz, no caso do art. 122º, n.º 1, al. b) do CPC., quando seja parte na causa, por si ou como representante de outra pessoa, a sua mulher ou algum seu parente ou afim, em linha recta ou no 2º grau da linha colateral, ou quando alguma destas pessoas tenha na causa um interesse que lhe permita figurar nela como parte principal. Pode o parentesco ser causa de dedução de suspeição com os fundamentes no art. 127º, n.º 1, al. a) do CPC. 6º Relevancia noutros ramos do direito: o vinculo do parentesco tem ainda relevância no campo do direito penalt em certos casos pode constituir uma circunstância agravante ou desculpante, assim como tem também relevância no campo do direito do arrendamento, onde se reconhece o direito á transmissão do arrendamento, por morte do arrendatário para o conjuge, descendentes e ascendentes. A AFINIDADE O vinculo de afinidade é quele que liga cada um dos cônjuges aos parentes do outro conjuge, deriva da aliança entre o marido e a mulher, do casamento, portanto, e que se estende à família do outro cônjuge. O conceito legal está previsto no art. 14° CF. A afinidade inicia-se com o casamento e só produz efeitos a partir da sua celebração. Ela se determina pelas mesmas linhas e graus que definem o parentesco por laços de sangue, art.º 15º CF. Efeitos da afinidade Os efeitos aqui são mais restritos do que os do parentesco, exactamente porque o vinculo deriva do casamento e não de laços de sangue. Entre os afins não há quaisquer efeitos sucessórios. Quanto ao direito a alimentos, o Código de família no art. 249°, prevê no n.º 1, al. a) a obrigação de prestação de alimentos ao menor por parte do padrasto e madrasta, no caso de morte do progenitor natural, cônjuge do padrasto ou madrasta. O principal efeito da afinidade é o de constituir impedimento Classificação de irmãos a) Irmãos bilaterais (germanos) - de pai/mãe b) Irmãos consanguíneos unilaterincapacidade c) Irmãos unilaterais uterinos - de mãe EFEITOS DO PARENTESCO: direitos, obrigações e incapacidades O parentesco produz efeitos de onde derivam direitos, deveres e impedimentos. Verifica-se que estes efeitos tendem, cada vez mais, a produzir-se entre parentes de grau mais próximo, pois assiste-se à tendência de se ir restringindo o circulo familiar. 1°Efeito sucessório: é o principal efeito do parentesco, no caso do autor da herança falecer sem deixar testamento são chamados os sucessores legítimos (que são os parentes e o cônjuge) art. 2131º do CC. ainda o CC. no seu art. 2157° protege especialmente os herdeiros legitimários que são os descendentes e ascendentes. 2º Obrigação e direito a alimentos: a obrigação e direito a alimentos provem do direito e dever de assistência que deve existir entre os membros da familia, art. 249° CF. O direito e obrigação de alimentos estabelecem-se entre pessoas ligadas por diferentes vinculos familiares, como o parentesco, o casamento, a união de facto, afinidade e a tutela, por vezes. 3º Impedimentos matrimoniais: o parentesco produz ainda efeitos no campo do direito matrimonial, pois pode constituir impedimento matrimonial. Hå tipos de parentesco que importam a proibição absoluta de contrair casamento, como é o caso do casamento entre parentes em linha recta (ex: entre pai e filha ou entre a mãe e o filho) e ainda o casamento entre parentes no 2º grau da linha colateral, ou seja, entreirmãos. 4º Exercício de funções e direito de accionar: o parentesco tem ainda relevância no exercicio de certas funções de natureza familiar, como a de membro do conselho da família, (art.º 17º n.º 1 e 2) ou a de tutor de menor ou interdito (art. 233° n.º 2 do CF.). E ainda em certas acções de estado como a acção de reconhecimento da União de Facto por morte de um dos companheiros, (art. 123°, al. b)) e de impugnação de declaração de filiação (art. 189º do CF.) e os parentes na linha recta tēm o direito de prosseguir na acção de anulação de casamento (art.° 68°, n.° 1 do CF.). O PARENTESCO É a primeira fonte das relações familiares. O parentesco é o vinculo que une duas pessoas em consequência de uma delas descender da outra ou de ambas procederem de ascendência comum. Quando se då prevalência aos laços de parentesco temos a familia linhagem; se se atende mais aos laços de aliança, temos a família lar. Também existe o parentesco espiritual, como o do direito Canónico, que liga os padrinhos do baptismo aos seus afilhados. Linhas e graus de parentesco As linhas e os graus de parentesco servem para determinar a proximidade e a natureza do vínculo, como define o art.º 10º do C.F. Linhas: Linha recta ou estirpe: que liga as pessoas que descendem uma da outra. Quando se considere a linha recta do ascendente para o descendente (do avo para o pai e para o filho) temos a linha recta descendente; se caminharmos em sentido inverso, a partir do descendente (filho, pai, avô) temos a linha recta ascendente, nos termos do n.º 2 do art.º 11º do C.F. Linha colateral ou transversal: que liga as pessoas que têm um ascendente comum. Na linha de parentesco colateral, já se não encontra o encadeado de relações de filiação, pois essa linha tem origem no facto de os parentes terem só um ascendente comum. Os ascendentes e os colaterais bifurcam-se em dois troncos distintos, os da linha paterna e os da linha materna, quando o ascendente comum vem por via do pai ou por via da mãe. Graus: O parentesco é medido por graus, e é tanto mais próximo quanto menos são os graus de parentesco que há entre dois parentes. Assim, entre o pai e um filho há um grau de parentesco; entre o avô e neto, dois graus; entre o bisavõ e bisneto, três graus. Na linha colateral, temos os irmãos como parentes em 2º grau; tio e sobrinho, parentes em 3º grau; os primos filhos dos irmãos, parentes em 4º grau; e os filhos de primos são entre si parentes no 6º grau. Nesta linha somam-se os graus e exclui-se o ascendente comum. matrimonial, mas só quanto à afinidade em linha recta. Este impedimento vem expresso no CF., art.º 26º, al. b). Já não existe na linha colateral entre cunhados. A afinidade constitui também impedimento de suspeição do juiz e do Magistrado do Ministério Público, nos mesmos termos do parentesco. Em processos civeis em que os seus afins sejam parte, em linha recta, impede que alguém seja chamado a depor como testemunha; em processos de natureza criminal, o impedimento abrange também os afins do 2º grau, ou seja, os cunhados. Nos casos em que existe parentesco entre o arguido e a vítima, tal facto pode constituir circunstância agravante, como no caso do crime de Homicidio qualificado em razão da qualidade da vitima, (artigo 150. do Código Penal).