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Organização 
Linguística da Libras
Aline Aparecida Adão da Silva
Organização Linguística 
da Libras
2
Introdução
Neste conteúdo, você irá aprender sobre a estrutura e organização linguística de Libras.
Como toda língua, a Língua Brasileira de Sinais  não poderia ser diferente, 
possui estrutura gramatical organizada a partir de alguns parâmetros que estruturam 
sua formação nos diferentes níveis linguísticos que precisam ser respeitadas e que, 
devido à falta de informação, algumas pessoas pensam que a Libras é composta por 
gestos ou mímica.
Assim como o português e qualquer outra língua de um país vasto, a Libras também 
tem variações de sinais de uma região para outra, no mesmo país.
Sendo reconhecida como a primeira língua do surdo, a Libras rompe barreiras que 
a cultura surda já vem lutando há muito tempo para eliminar, assim surgindo o 
bilinguismo e abrindo as portas de novas descobertas. Novas descobertas que são 
antigas, que precisam ser reestruturadas com formação, capacitação e adequação do 
ambiente para receber alunos surdos.
Objetivos da Aprendizagem
Ao final do conteúdo, esperamos que você seja capaz de:
• Analisar as estruturas que compõem a língua, a gramática e a compreensão 
de textos escritos;
• Apresentar o vocabulário adaptado à Língua de Sinais;
• Conhecer os sinais da Libras referentes ao lar e à escola;
• Conhecer o processo do diálogo entre surdos e ouvintes;
3
Estrutura de Libras
A Língua de Sinais é um sistema linguístico utilizado pelos surdos como meio de 
comunicação, que nasceu da necessidade de se comunicar um com o outro, através 
do meio gestual-visual, o que acaba em alguns momentos sendo confundido, 
erroneamente, com as mímicas. 
Infelizmente, o intenso preconceito contra as formas icônicas acarretou 
o preconceito contra as línguas de sinais. As pessoas afirmaram durante 
muitos anos (alguns ainda o fazem) com base nos aspectos icônicos das 
línguas de sinais que elas são meras mímicas, encenação, imitação – e 
não verdadeiras línguas como um todo, e incapaz de expressar conceitos 
abstratos [...]. (TAUB, 2001, p. 2-3).
De acordo com Alvez (2010), a Língua de Sinais surge devido às relações entre as 
pessoas, em que é possível perceber a grande diferença entre as línguas devido ao fato 
de as orais utilizarem o meio viso-espacial, enquanto a de sinais, o meio oral-auditivo.
Para a inclusão do surdo, é preciso que este esteja em um ambiente que ofereça 
condições necessárias de aprendizagem, possibilitando o desenvolvimento da 
Língua Brasileira de Sinais e da Língua Portuguesa, com profissionais capacitados 
e que tenham domínio delas. As Línguas de Sinais têm regras próprias e são 
linguisticamente estruturadas, visto que não se trata apenas de gestos ou mímicas, 
mas principalmente de uma língua em si.
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) é conhecida também como Língua de Sinais 
Brasileira (LSB); língua natural utilizada pelas pessoas surdas que vivem no Brasil. 
Segundo Streiechen (2012), a Libras possui uma estrutura gramatical própria e, ao 
contrário do que muitos pensam, é independente da Portuguesa, pois apresenta 
suas regras próprias que precisam ser respeitadas para que a frase obtenha o 
resultado esperado no ato comunicativo. Ela não consiste na soletração, mas, sim, 
na representação do real, em que os signos são significados por meio dos sinais.
Os sinais são formados pelo movimento das mãos com um determinado formato em 
um determinado lugar, podendo este ser uma parte do corpo ou espaço em frente ao 
corpo. Essas articulações das mãos, que podem ser comparadas aos fonemas e às 
vezes aos morfemas, são chamadas de parâmetros. 
A estrutura da Libras se divide em cinco parâmetros, são eles:
4
1º Parâmetro: Configuração das Mãos (CM): são as mãos que tomam as diversas 
formas na realização de sinais, podendo ser da datilologia (alfabeto manual).
Figura 1 - Alfabeto manual
Fonte: Plataforma Deduca (2023).
2º Parâmetro: Pontos de Articulação (PA) ou Localização: é o espaço em frente ao 
corpo ou onde incide a mão predominante configurada próxima à região do próprio 
corpo (à frente do tórax, por exemplo) ou em um espaço neutro vertical.
Figura 2 - Movimento de mão
Fonte: Plataforma Deduca (2023).
5
3º Parâmetro: Movimento (M): os sinais podem ou não ter um movimento.
Figura 3 - Movimento
Fonte: Capovilla e Raphael (2001).
4º Parâmetro: Expressão facial e/ou corporal: a entonação em Libras é feita pela 
expressão fácil.
Figura 4 - Expressão facial/corporal
Fonte: Capovilla e Raphael (2001).
5º Parâmetro: Orientação/Direção: os sinais têm direção com relação aos parâmetros 
citados anteriormente. Direção da mão durante a execução do sinal da Libras, para 
cima, para baixo, para o lado, para a frente e assim por diante. Também pode ocorrer 
a mudança de orientação durante a execução de um sinal.
6
Figura 5 - Parâmetros/Direção
Fonte: Capovilla e Raphael (2001).
É importante saber que a Configuração de Mão (CM), o Ponto de Articulação (PA) e o 
Movimento (M) são considerados como os parâmetros primários. Enquanto a expressão 
facial e/ou corporal e orientação/direção são denominados parâmetros secundários.
Sinais Básicos (Família, Meio de Transporte, Utensílios 
Domésticos)
No Brasil, a luta dos surdos por uma educação de qualidade e respeito aos aspectos 
socioculturais considera que a Língua Portuguesa não pode substituir a Língua de 
Sinais. Além disso, compreende-se também que o biliguismo, ou seja, o uso dessas duas 
línguas, não altera o direito do surdo de ser educado em sua língua natural, a Libras.
Segundo Leffa (1988), no ensino comunicativo:
[...] o material usado para a aprendizagem da língua deve ser autêntico. 
Os diálogos devem apresentar personagens em situações reais de uso da 
língua, incluindo até os ruídos que normalmente interferem no enunciado 
(conversas de fundo, vozes distorcidas no telefone, dicções imperfeitas, 
sotaques, etc.) [...] as quatro habilidades (ouvir, falar, escrever e ler) são 
apresentadas de modo integrado, mas dependendo dos objetivos, pode 
haver concentração em uma só. (LEFFA, 1988, p. 25).
Falar sobre o ensino de vocabulário em cursos de línguas é um grande desafio devido 
às estratégias utilizadas para memorização de listas de sinais organizados por 
categorias, como, por exemplo, animais, frutas, dias da semana e assim por diante, 
como uma prática recorrente nos cursos de Libras. Mas essa prática, muitas vezes, 
não deixa de ser fruto da falta de conhecimento de que as Línguas de Sinais possuem 
estrutura gramatical própria, visto que há também a falta de embasamento teórico e 
científico e de como ocorre a aprendizagem e seus aspectos didáticos.
7
Para Gesser (2009), é típico que o aluno, no início do aprendizado de uma nova língua, 
baseie-se na sua primeira língua, visto que as transferências, misturas e alternâncias 
linguísticas são comuns. Quando acontece o aprendizado é de extrema importância 
a utilização do meio visual, por exemplo, fazendo uso de vídeos com usuários surdos, 
sinalizando em diferentes contextos e oferecendo informações culturais a respeito da 
língua, da sua estrutura gramatical e da expressão.
Richards (2006) menciona que, nas abordagens tradicionais, ou seja, de cunho 
estruturalista, os programas de estudo consistiam em listas de palavras ou de itens 
gramaticais classificados de acordo com seus diferentes níveis de complexidade. 
Eram utilizados diálogos pré-elaborados pelo professor, contendo as estruturas que 
constituíam o enfoque da aula.
As propostas educacionais começam a estruturar-se a partir do Decreto nº 5.626/2005, 
que regulamentou a Lei de Libras (Língua Brasileira de Sinais), passando para os surdos 
o direito ao conhecimento a partir dessa língua. O português é utilizado na modalidade 
escrita, sendo a segunda língua, e assim a educação dos surdos passa a ser bilíngue.
Quando se fala em bilinguismo, vem a preocupação de qual seria sua contribuição 
para o desenvolvimento da criança surda, reconhecendoa Língua de Sinais como 
primeira língua e a Língua Portuguesa como segunda.
O bilinguismo visa oferecer à pessoa com surdez a possibilidade de se comunicar na 
Língua de Sinais e na língua da comunidade ouvinte sem problemas. Ele é mais do que 
o domínio puro e simples de outra língua como mero instrumento de comunicação, 
favorece o desenvolvimento cognitivo e a ampliação do vocabulário. E, nesse sentido, 
apenas os integrantes dessa comunidade, como surdos, podem contribuir de modo 
efetivo para a educação de crianças surdas. (FERNANDES, 2003).
A aquisição da Língua de Sinais permite ao surdo ter acesso aos conceitos de sua 
comunidade, formando e transformando sua maneira de pensar, agir e ver o mundo; 
enquanto que a Língua Portuguesa vem para complementar e fortalecer as suas 
estruturas linguísticas, permitindo e facilitando o acesso à comunicação.
Segundo Paiva (2004), a aprendizagem significativa aborda alguns elementos. 
Conheça-os. 
• Listas de vocabulário (as listas de palavras a serem aprendidas podem apa-
recer acompanhadas de sinônimos, antônimos, tradução ou definições).
• Mapas conceituais.
• Gradações de sentido.
8
• Prefixos e sufixos (uma forma de desenvolvimento de vocabulário é o traba-
lho com formação de palavras por meio da adição de sufixos).
• Associação de imagem com itens lexicais (as gravuras são importantes au-
xiliares para a aprendizagem de vocabulário).
• Recursos mnemônicos (técnicas que auxiliam a memorização).
• Combinação de palavras com definições.
• Colocação (fazer com que os alunos combinem itens que ocorrem normal-
mente juntos).
• Ações e gestos.
• Atividades lúdicas.
Richards (2006) relata que é fundamental que o professor tanto de línguas orais como 
de línguas de sinais como língua estrangeira, ao planejar sua aula, leve em conta:
Aprendizado
O aprendizado será facilitado no envolvimento dos alunos e com sua interação 
e comunicação por meio de tarefas e exercícios em sala de aula.
Conteúdo
O conteúdo deve ser relevante, pertinente, interessante e motivador.
Linguagem
O aprendizado de idiomas é facilitado tanto por atividades que envolvem o 
aprendizado indutivo ou por descoberta das regras de estruturação linguística 
quanto por aquelas que envolvem análise e reflexão sobre a linguagem.
Desenvolvimento
Os alunos desenvolvem seus próprios caminhos para o aprendizado, progridem 
em ritmos diferentes e apresentam necessidades e motivações distintas para 
aprender uma língua.
9
Estratégia de aprendizagem
O aprendizado bem-sucedido envolve a utilização de estratégias eficazes de 
aprendizado e comunicação.
Papel do professor
O papel do professor é o de facilitar a aprendizagem e promover o conhecimento, 
oferecendo oportunidades para que os alunos utilizem e pratiquem a língua 
estrangeira, além de refletir sobre a utilização e o aprendizado linguístico.
Colaboração
A colaboração e o compartilhamento entre todos os envolvidos favorecem 
o aprendizado.
Para uma aula significativa e eficaz na aprendizagem dos alunos, o professor deve 
desenvolver estratégias de ensino que estes reconheçam e façam uso de tais termos.
Sinais Básicos: Objetos do Lar e Material Escolar
O ensino de línguas orais foi orientado por abordagens fundamentadas em diferentes 
bases filosóficas, valores e conhecimento científico do contexto social e educacional 
vigentes, em consonância com as metas definidas por alunos e professores.
Segundo Gesser (2009), de modo geral, essas abordagens de ensino podem ser 
classificadas em duas categorias, diferenciadas de acordo com os conceitos de 
“língua(gem), de ensinar e de aprender”: as com foco na forma (estruturalista) e as 
com foco no uso (comunicativa) da língua. Analisando a estrutura da língua(gem), 
esta precisa ser entendida e estudada a partir da análise da estrutura formal da 
língua, contemplando o estudo da gramática, que inclui a sintaxe e a fonética, por 
exemplo. As regras e suas funções seriam o objeto de aprendizagem pelo aluno. No 
outro extremo, ou seja, para a abordagem comunicativa, a língua(gem) é concebida 
com um instrumento de comunicação e interação social. Os indivíduos são partícipes 
na construção discursiva, e de maneira sempre negociada buscam a compreensão 
mútua que vai além da simples decodificação linguístico-estrutural (GESSER, 2009).
10
Somente nos anos 1980 foi que começou a surgir a abordagem comunicativa, a 
qual esclarece que aprender uma língua é saber se comunicar, com as funções 
comunicativas da língua, e o exercício mecânico ficando como segundo plano dentro 
do processo de ensino-aprendizagem. Na proposta comunicativa do ensino de línguas, 
o vocabulário deve ser trabalhado dentro de contextos significativos para o aluno e 
que reflita o uso natural do idioma. (RICHARDS, 2006).
Foram desenvolvidos muitos estudos em torno do ensino de línguas, com incentivos e 
buscas de estratégias de aprendizagem com vocabulários relevantes e significativos. 
Cotterall e Reinders (2005) reforçam esse relato através de um levantamento da área 
de ensino de línguas, agrupando as estratégias específicas para a aprendizagem de 
vocabulário em metacognitivas, cognitivas, sociais e de comunicação.
Estratégias metacognitivas
Estratégias que os aprendizes utilizam para organizar e avaliar sua aprendizagem.
Estratégias cognitivas
Estratégias que implicam a utilização de processos mentais para a 
aprendizagem.
Estratégias sociais e de comunicação
Estratégias relacionadas ao aprender com o outro. Também chamadas de 
estratégias de compensação, estão relacionadas às táticas empregadas pelo 
aprendiz para superar ausência de conhecimento para permitir a comunicação.
Espera-se que os surdos compreendam a escrita a partir de estruturas simples 
que gradativamente progridem para estruturas complexas. Diante disso, Sánchez 
(1989) diz que os surdos, diferentemente dos ouvintes, não podem aprender o som 
das letras porque não ouvem e não podem fazer uso do mecanismo alfabético para 
extrair significado do escrito.
As propostas educacionais direcionadas para o sujeito surdo vêm com o objetivo 
de proporcionar o pleno desenvolvimento de suas capacidades, desenvolvendo a 
importância de a criança compreender a utilidade da escrita, oferecendo-lhe uma 
metodologia de ensino própria. O contato com a Língua Portuguesa se dá de forma 
funcional, com objetos e coisas familiares para estabelecer a relação da palavra com 
11
as coisas, através de recursos visuais seguidos de uma exploração contextual do 
conteúdo para que a sua aquisição provoque no aluno interesse, vontade, prazer, 
criando desafios para que haja uma evolução em sua aprendizagem.
É importante que a escola consiga ter esse olhar preocupado com a aprendizagem do aluno 
surdo, buscando maneiras para inserir e oferecer uma oportunidade de aprendizagem, 
não se preocupando somente em alfabetizar, mas oferecendo as condições necessárias 
para que se torne leitor e escritor, apoiado no aspecto visual e não codificador e 
decodificador dos símbolos gráficos. Conseguindo realizar esse tipo de aprendizagem, o 
resultado será de surdos alfabetizados em ambas as línguas (bilíngues), que conhecem 
e podem desfrutar de sua cultura e da cultura ouvinte, dando a oportunidade de se inserir 
na sociedade, participando e exercendo seu papel de cidadão. 
Comunicação do Surdo
A Língua de Sinais é a língua natural dos surdos com suas características próprias, 
que utiliza os gestos e as expressões faciais como forma de comunicação. 
Através de inúmeros estudos em diversos ambientes linguísticos, foram encontrados 
surdos filhos de pais surdos, surdos filhos de pais ouvintes e ouvintes filhos de pais 
surdos, que contribuíram para identificar as fases que demonstram o processo de 
apropriação da Língua de Sinais por parte dos surdos que se comunicam através 
das mãos e dos movimentos com determinado formato que se caracterizam como 
articulações das mãos. 
Na Língua de Sinais, cada pessoa tem um sinal correspondente a fim facilitara 
comunicação, não sendo preciso utilizar todas as letras do alfabeto para indicar o 
nome. Quando um surdo se apresenta, é bem comum que diga seu nome e seu sinal. 
Se você ainda não tem, quando conhecer um surdo ou um grupo de surdos, poderá ser 
“batizado” com um sinal. Alfabeto manual é usado somente para nomes de pessoas 
e lugares, rótulos; não é uma representação direta do português e sim da ortografia. 
É uma sequência de letras escritas do português que chamamos de datilologia.
Segundo Quadros (1997), a linguagem é um sistema de comunicação natural ou 
artificial, humano ou não, assim, linguagem pode ser compreendida como qualquer 
forma utilizada com algum tipo de intenção comunicativa incluindo a própria língua.
A fim de que os surdos tivessem a oportunidade de se comunicar, foram desenvolvidos 
alguns meios de comunicação, como:
12
a. Língua Brasileira de Sinais (Libras) 
Usada pelos surdos e pelas comunidades surdas, está fundamentada pela Lei Federal 
nº 10.436, de 24 de abril de 2002, e regulamentada pelo Decreto nº 5.626, de 22 de 
dezembro de 2005. Apresenta-se de forma diferente das línguas orais-auditivas, pois 
são línguas espaço-visuais; meio da visão e da utilização do espaço; articulada através 
das mãos, das expressões faciais e do corpo. As Línguas de Sinais, ao contrário do 
imaginário de muitos, não são simplesmente mímicas e gestos soltos que os surdos 
utilizam para se comunicarem. São línguas com estruturas gramaticais próprias, 
assim como as demais línguas. (QUADROS, 1997).
“A aquisição da Libras possibilita a estruturação do pensamento e da cognição e 
ainda uma interação social, ativando consequentemente o desenvolvimento da 
linguagem”. (BRASIL, 2006, p. 28).
b. Comunicação total
É vista como uma filosofia de educação em que o princípio básico é se comunicar. Chegou 
ao Brasil no final da década de 1970. Ela defende a utilização de toda e qualquer forma 
de comunicação com a criança surda, incluindo a fala, a leitura orofacial, o treinamento 
auditivo, a mímica, a leitura, a escrita e os sinais, sendo estes considerados como 
facilitadores de comunicação com as pessoas surdas, privilegiando a comunicação e 
interação das línguas tanto orais quanto sinalizadas. (MARTINS, 2012).
A comunicação total valoriza a comunicação e a interação, e não apenas a língua; 
defende a utilização de qualquer recurso linguístico, como a Língua de Sinais, a 
linguagem oral ou os códigos manuais. Dentro de sua filosofia, não há exigência da 
participação de adultos surdos na educação da criança com deficiência auditiva.
O seu desenvolvimento não tem foco apenas nos processos de aquisição da 
linguagem, mas também no funcionamento da linguagem, em que, apoiada pelos 
pressupostos da Teoria da Comunicação, a linguagem é concebida como um código 
que propicia um reservatório de mensagens possíveis. 
A criança é exposta desde cedo: à linguagem oral; à leitura labial; aos gestos e 
ao alfabeto manual; à amplificação sonora; à leitura e escrita.
c. Oralismo
É um método de ensino da língua materna por meio da imposição da oralização nos 
processos de aprendizagem dos surdos, em que se defende que a maneira mais eficaz 
13
de ensinar o surdo é a partir da língua oral ou falada. Nas suas diversas configurações, 
passou-se a ser criticado devido ao fracasso em oferecer condições efetivas para a 
educação e o desenvolvimento da pessoa surda, pelo fato de propiciar a aquisição 
da linguagem oral como forma de integração, em vez de eliminar a desigualdade 
entre surdos e ouvintes quanto às oportunidades de desenvolvimento. Na tentativa 
de impor o meio oral, interditando formas de comunicação viso-gestual, reduziu as 
possibilidades de trocas sociais, impossibilitando a integração.
d. Bilinguismo
É caracterizado pelo aprendizado de duas línguas; é a aquisição da Língua de Sinais, 
que é considerada a língua natural dos surdos, e da língua oral utilizada em seu país 
como uma segunda língua.
Segundo Quadros (1997), o bilinguismo é uma proposta de ensino em que as escolas 
se propõem a tornar acessível à criança as duas línguas no contexto escolar. Estudos 
apontam para essa proposta como sendo a mais adequada para o ensino das crianças 
surdas, uma vez que considera a Língua de Sinais como sendo natural e parte desse 
pressuposto para a instrução da língua escrita.
A proposta educacional do bilinguismo só começou a se estruturar a partir do Decreto 
nº 5.626/2005, o qual prevê a organização de turmas bilíngues, compostas de alunos 
surdos e ouvintes, em que as duas línguas, Libras e Língua Portuguesa, são utilizadas 
no mesmo espaço educacional, tendo os alunos surdos a Libras como primeira 
língua e a Língua Portuguesa como segunda, na modalidade escrita. Essa proposta 
bilíngue traz uma grande contribuição para o desenvolvimento da criança surda ao 
reconhecer a Libras como uma língua oral e como instrumento de fortalecimento de 
estruturas linguísticas, favorecendo o desenvolvimento cognitivo.
Assim sendo, independentemente de serem oralizadas ou sinalizadas, o ideal é fazer 
escolhas que permitam à pessoa surda ser natural em sua comunicação. Portanto, o 
que importa realmente é oferecer uma educação que possibilite o desenvolvimento 
integral do indivíduo a fim de que desenvolva todas as suas potencialidades.
14
Quando se pensa no aluno surdo nas turmas regulares, há pontos 
que precisam ser analisados, como: O professor tem a formação 
específica?; Como será a comunicação entre professor e aluno?; 
Como será sua alfabetização?; Terá intérprete para acompanhá-lo 
nas aulas?
Reflita
Se a escola estivesse preparada para receber o aluno surdo, essas dúvidas não 
existiriam, mas com a realidade de hoje essa é a maior preocupação: apenas “incluir” 
o aluno, deixando de fazer a sua real inclusão. A Libras trabalhada com a Língua 
Portuguesa insere o aluno no contexto escolar e o faz interagir com o todo. A formação 
do professor é um dos fatores imprescindíveis para que os profissionais de educação 
possam atuar, efetivamente, frente aos alunos em classe e no ambiente escolar, de 
maneira eficiente, por mais diversificado que esse grupo se apresente, oferecendo-lhe 
conteúdos adequados de acordo com a necessidade do aluno. No entanto, essa ainda 
não é a nossa realidade, pois faz-se da inclusão uma socialização e esquece-se do 
ponto principal: o direito e a igualdade de uma educação de qualidade. 
A inserção do surdo não pode ficar apenas na socialização, não que seja ruim, pois 
é indispensável para seu desenvolvimento, porém, é preciso oferecer a oportunidade 
de vivenciar e apropriar-se de comportamentos produzidos pela sociedade da qual 
está fazendo parte, adquirindo os valores, as normas, os costumes e as condutas 
que a sociedade transmite e exige. A partir do momento em que a criança passa 
a frequentar a escola, ela está se transformando em outro importante contexto de 
socialização que será determinante para o seu desenvolvimento e curso posterior de 
sua vida, pois irá interagir com pessoas de diferentes meios familiares, concepções 
de vida, graus de conhecimento, etnias, religiões etc. (BRASIL, 2006).
Quando o aluno surdo tem essa oportunidade, ele consegue adequar-se aos espaços 
e buscar aceitação em cada situação do cotidiano escolar. A língua, nesse caso, será 
aquisição considerável para que o processo de inclusão do aluno surdo se efetive. 
A aceitação de uma proposta educacional que valorize a Libras, o contato com os 
surdos e a identidade da criança será mais fortalecida. Com esses modelos, surgirão 
as oportunidades de representações sociais e a interiorização de significados da 
cultura, que serão compartilhados socialmente em todos os momentos de sua 
vida. Não podemos esquecer que a interação do surdo deverá estar estruturada de 
forma a estimular a troca, valorizar ideias e oferecer respeito. Se a escola seguir o 
15
que se pede nos direitos ao surdo, seu ensino será muito mais significativo, pois 
oferecerá um ambiente desafiador,que estimula a troca de opiniões, a construção do 
conhecimento, a interação e a empatia.
Tão importante quanto o desenvolvimento da linguagem é proporcionar ao surdo o 
meio para desenvolvê-la de acordo com as possibilidades próprias da sua condição. 
O seu desempenho não pode ficar restrito à fala, deixando-a como o único recurso 
para a expressão do pensamento. O aprendizado da Língua Portuguesa é a maior 
dificuldade para os alunos surdos. Apesar do enorme esforço de professores e dos 
próprios alunos, os resultados nem sempre são satisfatórios.
O desempenho do aluno surdo está diretamente ligado à atenção que lhe é dada com 
relação à língua, pois, quanto mais cedo tem contato com sua língua materna, mais 
fácil se dará seu processo de aprendizagem.
Embora uma língua se organize nos níveis fonológico, morfossintático, semântico e 
pragmático, para o aprendizado de Língua Portuguesa pelo aluno surdo, praticamente 
são considerados apenas os níveis morfossintáticos, semântico e pragmático, 
observando a não configuração de imagem acústica e as dificuldades articulatórias 
de alunos surdos. (BRASIL, 1997).
Não podemos ignorar a aprendizagem da Língua Portuguesa ou valorizar somente a 
Língua de Sinais, até porque o surdo utiliza-se de contextos em que o conhecimento 
do português escrito é necessário.
Conforme a Lei de Diretrizes e Bases, no artigo 59:
Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades 
especiais: I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e 
organização específica para atender às especificidades próprias das 
necessidades; A pré-escola de o ensino regular e a da educação especial 
devem ser estimuladas a oferecer uma educação pautada no bilinguismo. 
(BRASIL, 1996).
A Língua Brasileira de Sinais (Libras) figura entre as milhares 
de fontes disponíveis para uso em editores de texto.
Com sinais do alfabeto manual/datilológico (com letras de A a Z) e numerais 
(de 0 a 9), a fonte Libras2002 permite brincar com a língua gestual em 
programas do pacote Office, Adobe etc. Para baixar a fonte, acesse o site da 
Cultura Surda (culturasurda.net).
16
Conclusão 
Vimos neste conteúdo que a Língua de Sinais, além de um sistema linguístico 
utilizado pelos surdos para se comunicarem, vem para reafirmar que é a língua 
natural dos surdos que precisam vivenciar suas experiências e interagir com sua 
comunidade. Sua gramática é constituída de elementos próprios; estruturada a partir 
de mecanismos fonológicos, morfológicos, sintáticos e semânticos, suas variações 
linguísticas (icônica e arbitrária) são significativas para a vivência e experiência da 
comunidade surda. 
A Libras consegue transmitir ideias de movimento e expressão faciais e/ou corporais 
para que o surdo tenha toda sua capacidade desenvolvida através de estratégias 
adequadas. A estrutura gramatical é organizada a partir de parâmetros que 
estruturam sua formação nos diferentes níveis linguísticos, como: Configuração 
das Mãos, Pontos de Articulação ou Localização, Movimento, Expressão visual e/ou 
facial e Orientação/Direção, os quais, sendo utilizados corretamente e com respeito, 
proporcionarão uma comunicação natural entre o surdo e o ouvinte.
O respeito é o ponto-chave para que a comunidade surda realize a comunicação, e 
todo o direito de aprendizagem que o Decreto nº 5.626/05, que regulamentou a Lei de 
Libras (Língua Brasileira de Sinais), vem para reafirmar o direito ao conhecimento a 
partir de sua língua natural. Mesmo com leis que oportunizam essa oportunidade de 
aprendizagem com igualdade para todos, é preciso que haja professores qualificados 
que possam oferecer essa aprendizagem significativa de acordo com a necessidade 
dos alunos surdos, valorizando sua primeira língua, a de sinais, e depois a sua 
segunda, a Língua Portuguesa. 
Já imaginou como deve ser interessante trabalhar a leitura e escrita 
com surdos com o auxílio de um software? Quer saber mais? Então, 
veja este artigo no link.
Saiba mais
http://ojs.sector3.com.br/index.php/wie/article/view/2618
17
Referências 
ALVEZ, C. B. et al. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: Abordagem 
bilíngue na escolarização de pessoas com surdez. Brasília: Ministério da Educação, 
Secretaria de Educação Especial; [Fortaleza]: Universidade Federal do Ceará, 2010.
ALMEIDA, M. A. A criança deficiente e a aceitação da família. Rio de Janeiro: Nova Era, 
1993.
BRASIL. Decreto-Lei nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei nº 
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