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1 
 
 
ESTIMULAÇÃO DO RECÉM-NASCIDO 
 
 
 
 2 
 
 
Sumário 
Unidade 1: Atuação da fisioterapia através da estimulação precoce em 
bebês prematuros ............................................................................................ 3 
Seção 1.1: Introdução ........................................................................ 3 
Seção 1.2: Relação com os pre-maturos ......................................... 6 
Seção 1.3: A prematuridade e o desenvolvimento: revisando ..... 11 
Unidade 2: Estimulação Precoce .................................................................. 13 
Seção 2.1: Introdução ...................................................................... 13 
Seção 2.2: Estimulação Auditiva .................................................... 14 
Seção 2.3: Estimulação das habilidades auditivas ....................... 16 
Seção 2.4: Estimulação Visual ........................................................ 19 
Seção 2.5: Estimulação Precoce de Crianças com Baixa Visão .. 21 
Seção 2.6: Estimulação Precoce de Crianças Cegas .................... 22 
Seção 2.7: Estimulação da Função Motora .................................... 24 
Unidade 3: Estimulação tátil-cinestésica no desenvolvimento e ganho de 
peso do rn pré-termo na uti. .......................................................................... 41 
Seção 3.1: Introdução ...................................................................... 41 
Seção 3.2: Prematuridade e fatores de risco ................................. 43 
Seção 3.3: Desenvolvimento neuropsicomotor e a maturação dos 
sistemas ...................................................................................................... 44 
Seção 3.4: Ganho de peso na UTI ................................................... 44 
Seção 3.5: Protocolo de estimulação tátil-cinestésica ................. 45 
Unidade 4: Os benefícios da estimulação motora em recém-nascidos na 
UTIN ................................................................................................................. 47 
Seção 4.1: Introdução ...................................................................... 47 
Seção 4.2: exercícios e posicionamento terapêuticos ................. 49 
Referências ..................................................................................................... 54 
 
 
 
 3 
 
Unidade 1: Atuação da fisioterapia através da estimulação 
precoce em bebês prematuros 
 
Seção 1.1: Introdução 
A prematuridade tem sido, há anos, um grande de-safio no atendimento em 
neonatologia, afetando o desenvolvimento e crescimento dos bebês, fazendo com que 
esses bebês manifestem deficiências na área em que começaria a assumir funções 
normais à idade. São chamados, então, de alto risco, nascidos antes das 37 semanas 
de gestação, pré-termo e com baixo peso, mais especificamente menor ou igual a 
1,500 g. 
Ocorre devido a vários fatores, entre eles, a má for-mação uterina, baixa 
condição socioeconômica, gestações múltiplas, tabagismo e, também, a rup-tura 
prévia da bolsa. A estrutura musculoesquelética desses bebês apresenta perda de 
destreza, perda ou ausência de força de contração voluntária, além de hipotonia. 
A Estimulação Precoce, também classificada como Estimulação Essencial ao 
Desenvolvimento, obje-tiva o desenvolvimento sensório-motor, cognitivo, afetivo do 
bebê prematuro e também a integração família-bebê. Em Cabral (1989 apud Navajas, 
2003), é definida como uma necessidade humana básica para o crescimento e 
desenvolvimento harmônico, pois, através desta prática, a criança desenvolve o seu 
potencial genético e atinge a maturidade física, mental e social. 
Segundo Souza (2013), o peso ao nascer e a pre-maturidade podem ser 
considerados, isoladamente, um dos principais fatores correlacionados à morbidade 
e à mortalidade neonatal, portanto, constituindo-se um indicador de saúde imediata 
do futuro do recém-nascido. Considera-se que o baixo peso ao nascer e a 
prematuridade sejam um problema de difícil controle, pois a prevenção desse quadro 
torna-se uma tarefa que envolve a quali-dade de vida da população. 
A condição socioeconômica é um dos fatores de risco que aumentam a 
probabilidade de déficits no desenvolvimento neuropsicomotor, acarretando o 
 
 
 
 4 
 
comprometimento nos bebês nascidos pré-termo, visto que famílias de baixa renda e 
pais sem grau de instrução estão menos favorecidos no acesso ao atendimento. 
Para Pinto et al. (2010), o risco de morbimortalidade é tanto maior quanto 
menor a idade gestacional e o peso ao nascimento, havendo riscos para a adaptação 
à vida extrauterina devido à imaturidade dos órgãos e sistemas. Esses riscos são 
agravados pelo fato de que grande parte dos recém-nascidos prematuros e de baixo 
peso é proveniente de famílias que apresentam problemas socioambientais e de 
saúde. 
O fator ambiental também é relevante em Pereira et al. (2014), quando dizem 
que o baixo grau de instrução e a precariedade dos serviços de saúde, com relação 
ao pré-natal, condições de parto e acompanhamento do bebê recém-nascido, podem 
ser agra-vantes com relação aos efeitos de risco para o bebê. 
Além de o Sistema Nervoso não estar em perfeita harmonia, os prematuros 
apresentam tecido adiposo reduzido, tônus muscular diminuído, a cabeça é 
relativamente grande em relação ao tórax, caixa torácica deficiente e abdômen 
distendido. Funcionalmente, apresentam maior probabilidade para o desenvolvimento 
tardio da icterícia fisiológica, funções digestivas e urinárias deficientes, rins menos 
eficientes, hipoglicemia, função respiratória prejudicada, incapacidade de manutenção 
da temperatura corpórea, níveis baixos dos fatores de coagulação, maior fragilidade 
capilar e armazenamento inadequado de minerais e vitaminas. 
Essas condições, na maioria das vezes, estão associadas também à 
hidrocefalia, microcefalia, às anormalidades cromossômicas, ao nascimento múltiplo, 
à lesão do plexo braquial e às doenças metabólicas. Com o atraso da maturação do 
Sistema Nervoso e do processo de mielinização, têm-se as complicações 
neurológicas, logo, com o intuito de evitá-las, o tratamento especializado, através da 
estimulação precoce, torna-se necessário para normalizar o tônus e permitir que a 
criança possa experimentar movimentos e posturas normais desde o nascimento, 
favorecendo o desenvolvimento mais perto possível do normal a esses recém-
nascidos. 
Segundo Hallal (2008), a estimulação precoce visa possibilitar ao indivíduo 
desenvolver-se em todo o seu potencial. Quanto mais imediata for a intervenção, 
 
 
 
 5 
 
preferencialmente antes dos 3 anos de idade, maiores as chances de prevenir e/ou 
minimizar a instalação de padrões posturais e movimentos anormais. 
A estimulação precoce busca devolver aos bebês seu perfeito 
desenvolvimento, e/ou condição mais próxima do normal, através de condutas 
específicas, após uma minuciosa avaliação, identificando os possíveis distúrbios e 
traçando um plano de tratamento adequado a cada paciente. 
A fisioterapia tem o papel fundamental de dar oportunidade para o bebê se 
desenvolver normalmente, ajudando na sua organização global, ou seja, diagnosticar 
alterações no desenvolvimento neuropsicomotor, orientar os pais, humanizar o 
ambiente, proporcionar melhor qualidade de postura evitando os padrões anormais, 
possibilitando movimento e a percepção adequada à idade gestacional, organi-zar o 
sono, facilitar a percepção global, normalizar o tônus, prevenir deformidades e 
contraturas, reduzir o stress do ambiente, tornar curto o tempo de internamento e 
oferecer tratamento especializado em bebê com anormalidade neurológica. 
Para Rios et al. (2008), a importância da atuação do fisioterapeuta na UTI 
neonatal será prevenirda urina que levam ao ganho de 
peso (FOGAÇA; CARVALHO; VERRESCHI, 2006). Também é importante lembrar 
que a responsividade do recém-nascido à estimulação tátil é muito melhor do que 
qualquer outra técnica sensorial, e as respostas de crescimento e maturação são 
muito maiores nos primeiros dias de vida do que quando comparada com em qualquer 
outra fase da vida. 
 
Seção 3.4: Ganho de peso na UTI 
A perda de peso nos primeiros dias após o nascimento é considerada normal 
por conta da redistribuição de fluidos. Rugolo (2005) traz que a dinâmica do 
crescimento neonatal é proporcional a idade gestacional, já a intensidade e duração 
 
 
 
 45 
 
da perda de peso inicial e consequente recuperação é inversamente proporcional a 
idade gestacional, peso e gravidade do prematuro. a necessidade nutricional de cada 
um costuma variar de acordo com o peso no momento do nascimento, porém a 
dificuldade de absorção interfere diretamente no ganho de peso ponderal , apesar da 
oferta da quantidade necessária . 
Kuhn et al. (1991), começou a relacionar o ganho de peso na uti e a maturação 
comportamental com a estimulação tátil-cinestésica, o que só vem se fortalecendo ao 
longo do tempo e dos artigos encontrados A estimulação tátil-cinestésica destaca-se 
como uma medida extremamente eficaz dentre as possíveis intervenções aplicadas 
no RN para acelerar o ganho de peso diário e reduzir por consequência o tempo de 
internação hospitalar. 
Field et al.(1986), realizou um estudo com prematuros com idade média de 31 
semanas e concluiu que a estimulação tátil-cinestésica fez com que os bebes 
ganhassem em média 47% a mais de peso por dia, permanecessem mais tempo 
acordados e possuíssem mais movimentos espontâneos do que os que não 
receberam nenhum tipo de estímulo. Em outro estudo encontrado os autores tinham 
como objetivo verificar os efeitos da estimulação no desenvolvimento de 5 crianças 
prematuras e de baixo peso ao nascer e após dez dias consecutivos de estimulação, 
concluíram que as crianças demonstraram maior ganho de peso, maior permanência 
em estado de alerta e padrões mais maduros quanto ao aspecto psicomotor 
(FERREIRA; BERGAMASCO, 2010). 
 
Seção 3.5: Protocolo de estimulação tátil-cinestésica 
Não foi possível definir um protocolo unanime, os autores estudados nesse 
artigo possuíam o seu próprio protocolo e eram diferentes uns dos outros, porem todos 
os autores concordam que os estímulos só poderiam ser realizados de acordo com o 
comportamento de aproximação ou afastamento do RN, para que ele aceitasse bem 
a técnica e que esta fosse eficaz. Em um estudo apenas a estimulação foi dividida em 
duas etapas, e o total de tempo de aplicação da técnica não poderia passar de 25 
minutos. A primeira etapa, que deveria ser de no máximo 5 minutos, foi a estimulação 
cinestésica, que consistia em movimentos de flexão e extensão das articulações dos 
 
 
 
 46 
 
membros inferiores e superiores e a segunda, que não deveria passar de 10 minutos, 
foi a estimulação tátil e que consistia em deslizar os dedos com uma pressão 
moderada em toda superfície da região temporal, frontal, periorbital, nasal, perilabial 
e mandibular do rosto e na face externa dos membros superiores e inferiores 
(MENDES, 2007). 
Em outro estudo feito com 40 recém-nascidos pré-termo e com baixo peso 
pode-se observar um protocolo diferente, que consistia em 4 ou 5 intervenções 
semanais com duração entre 5 e 15 minutos cada uma. O tempo variava de acordo 
com os limiares de cada bebê e era sempre feito no estado de alerta. A estimulação 
tátil consistia em toques suaves, lentos e contínuos e de sequencia não rígida e na 
direção cefalo-caudal quando feita no tronco e proximal pra distal quando era 
realizada nos membros. Já a estimulação cinestésica consistia na flexão e extensão 
lenta dos membros, exploração manual do prematuro pelo seu corpo e do 
posicionamento em decúbito lateral ou dorsal, sempre com a ajuda de rolos de tecido 
colocados em formato de ninho. O resultado desse estudo concordou com os outros, 
apresentando um ganho de peso de 5 gramas por dia e a diminuição da permanência 
hospitalar em 4,5 dias, porém esses números não apresentaram uma significância 
estatística, o que significa apenas uma tendência a melhora de ambos os critérios 
citados anteriormente (FERREIRA; BERGAMASCO, 2010). 
A presente unidade verificou que a estimulação tátil-cinestésica é um recurso, 
seguro e eficaz quando realizado por uma equipe treinada e motivada. Contudo, faz-
se necessário maior investigação sobre o tema e evidências para confirmar os reais 
efeitos sobre o peso, já que os poucos estudos realizados anteriormente mostravam 
apenas uma tendência a melhora, mas não conseguiram atingir níveis significativos 
estaticamente, como mostrado no estudo recentemente publicado, o que se apresenta 
muito encorajador mas que deve ser visto com cautela. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Unidade 4: Os benefícios da estimulação motora em 
recém-nascidos na UTIN 
 
Seção 4.1: Introdução 
De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o RN é classificado 
como pré-termo (RNPT) quando nasce com idade gestacional (IG) inferior a 37 
semanas, sendo que nesta fase o mesmo ainda apresenta órgãos em fase de 
desenvolvimento, com imaturidade do SNC (sistema nervoso central), esses bebês 
nascidos precocemente apresentam maior chance de desenvolver alterações no seu 
desenvolvimento (SCOCHI et al., 2003 citado por URZÊDA et al., 2009). 
O desenvolvimento do SNC tem inicio no período embrionário, continuando 
esse processo após o nascimento (MEDEIROS; ZANIN; ALVES, 2009). 
Cada fase de desenvolvimento e crescimento cerebral tem seu tempo e não 
ocorre individualmente, o nascimento prematuro interrompe a evolução normal desses 
eventos e as crianças nascidas prematuramente são consideradas de risco em 
relação ao desenvolvimento e às incapacidades funcionais (MARLOW et al., 2005 
apud ZOMIGNANI; ZAMBELLI; ANTONIO, 2008). 
A idade gestacional e o peso ao nascimento constituem os principais fatores 
determinantes de complicações neonatais, que tem sido mais frequentemente 
apontadas como possíveis fatores de risco para o desenvolvimento neurológico e 
intelectual anormais, dentre as complicações, destacam-se: hemorragia intracraniana, 
 
 
 
 48 
 
anóxia, pacientes com apneia ou doenças de membrana hialina, infecções (LEONE, 
2002 citado por ZOMIGNANI; ZAMBELLI; ANTONIO, 2008). 
Garcia et al. (2005) apud Medeiros, Zanin e Alves (2009), citam ainda, 
hemorragia periventricular, doenças respiratórias e cardíacas, distúrbios metabólicos, 
hematológicos, gastrintestinais, dificuldade na manutenção da temperatura corpórea 
e asfixia perinatal, que podem prejudicar o desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) 
da criança, levando à distúrbios como retardo mental, paralisia cerebral, perda visual 
e auditiva, problemas neurológicos mais leves e distúrbios da coordenação motora, 
tendo assim uma evolução desigual em relação a uma criança nascida a termo. 
O desenvolvimento neuropsicomotor é caracterizado por uma sequência de 
mudanças que ocorrem no comportamento da criança com a idade podendo sofrer 
influencias biológicas e ambientais (GALLAHUE e OZMUN, 2003 citado por URZÊDA 
et al., 2009). 
“Os fatores ambientais interferem na motricidade e também no atraso do 
desenvolvimento da imagem corporal da criança, isso acontece devido à internação 
por longos períodos em UTI sem receber estímulos adequados e exposta a ruídos 
excessivos e luminosidade exagerada” (SILVA e GAETAN, 2004 citado por 
MEDEIROS; ZANIN; ALVES, 2009, p. 368). 
A maioria dos estudos classifica os riscos para problemas no desenvolvimento 
da criança em dois tipos: biológicos eambientais. Os fatores de riscos biológicos são 
eventos que ocorrem no período pré, peri e pós-natal que resultam em danos 
biológicos e podem aumentar a probabilidade de prejuízo no desenvolvimento da 
criança. Entre elas, podem se destacar a prematuridade, o baixo peso ao nascimento, 
a anóxia neonatal. Os fatores de risco ambientais estão relacionados às experiências 
adversas ligadas à família, ao meio ambiente e à sociedade em que a criança vive 
(FORMIGA e LINHARES, 2011). 
E com os avanços médico-cientifícos na área de neonatologia e 
consequentemente o aumento das taxas de sobrevivência dos RN’s prematuros, tem 
se observado RN com idade gestacional (IG) cada vez menores recebendo alta das 
UTIN em condições aparentemente satisfatórias (RESEGUE; PUCCINI; SILVA, 2007 
citado por URZÊDA et al., 2009). 
 
 
 
 49 
 
Embora a taxa de mortalidade dos RN’s de alto risco tenha diminuído, houve 
um aumento de incidência de distúrbios neuropsicomotores entre os bebês 
sobreviventes (PERLMAN, 2001 e NETO et al., 2005 citado por URZÊDA et al., 2009). 
Além dos fatores orgânicos e/ou ambientais que podem interferir 
negativamente no desenvolvimento da criança, o conhecimento e a identificação dos 
de proteção são de grande importância na implementação de medidas preventivas e 
intervenção precoce com bebês de risco (GUIMARÃES e TUDELLA, 2003 apud 
FORMIGA et al., 2004). 
A identificação precoce das alterações no desenvolvimento da criança e/ou dos 
indicadores de risco (orgânicas e/ou ambientais), possibilita uma intervenção oportuna 
(Pedromônico, 2003) e, de acordo com a Política Nacional de Prevenção de 
Deficiências (Brasil, 1992), o objetivo seria encontrar o momento ideal para a 
intervenção; na legislação, prevenir significa realizar ações que impeçam a 
ocorrências dos fatos ou fenômenos prejudiciais à vida, a saúde e, caso ocorram, 
evitar a progressão de seus efeitos (FORMIGA et al., 2004). 
Segundo Johnston et al. (2012) o fisioterapeuta que atua na área de 
neonatologia é responsável pela avaliação e prevenção cinético-funcional como 
também por intervenções de tratamento (fisioterapia respiratória e/ou motora). 
 
Seção 4.2: exercícios e posicionamento terapêuticos 
Segundo Duarte et al. (2011) o processo de maturação neurológica do RN 
ocorre a partir do desenvolvimento e a diferenciação das fibras musculares (Tipo I e 
Tipo II). Sendo que os estágios de diferenciação e desenvolvimento das células 
musculares primárias ocorrem nos primeiros meses de gestação, e, ao nascimento, a 
maior parte dos músculos esqueléticos já estão formados. As estruturas articulares 
estão desenvolvidas no final da 8ª semana de gestação. O crânio se desenvolve no 
período fetal e a plasticidade dos ossos e suas conexões articulares frouxas permitem 
que a calvária sofra, durante o parto, modificações temporárias na sua forma. Com 30 
a 32 semanas de IG, o tono flexor torna-se aparente nos membros inferiores (MMII), 
e, com 36 semanas, é observado nos membros superiores (MMSS). 
 
 
 
 50 
 
O bebê prematuro apresenta uma hipotonia global devido a imaturidade do 
SNC quanto do músculo, tendo suas extremidades em padrões de extensão e 
abdução (pela falta de flexão fisiológica), pois o RNPT não desenvolve o padrão de 
flexão por não ter permanecido “contido”o tempo suficiente dentro do útero materno 
caracterizando-se como um bebê em extensão (GARCIA e LIMA, 2009). 
Nos RNPT, a mielinização do sistema subcorticoespinhal ocorre sob forte 
influencia da ação da gravidade que sobre a musculatura hipotônica e a restrição dos 
movimentos espontâneos, associados ao posicionamento insuficiente no leito, 
resultam em anormalidades transitórias do tono muscular e deformidades do sistema 
musculoesquelético mesmo em RN neurologicamente sadios (DUARTE et al., 2011). 
A grande parte dos movimentos dos RN’s é representada por reflexos 
primitivos, como: sucção, Moro, preensão palmar, preensão plantar, Galant, Marcha, 
reflexo tônico cervical assimétrico (RTCA) e anfíbio, que desaparecem ao longo dos 
6 primeiros meses de vida, pois as estruturas neurológicas vão amadurecendo e 
tornando-se funcionais. A ausência desses reflexos em idades em que deveriam estar 
presentes ou a persistência desses em idade em que deveriam ter desaparecido, 
poderá indicar prejuízo neurológico (SCHERZER, 2000 citado por URZÊDA et al., 
2009). 
A ausência de estímulos nos primeiros dias de vida pode levar o RN a ter uma 
dificuldade de adaptação sensorial e atraso no desenvolvimento motor necessitando 
intervir precocemente (BARBOSA, 2007 citado por MATTOS e BELLANI, 2010). 
“Durante a infância, especialmente no 1º ano de vida, se a criança for privada 
de estímulos, como em hospitalizações prolongadas, o desenvolvimento 
neuropsicomotor pode ser comprometido” (SARMENTO, 2007 citado por IZUMI; 
FUJISAWA; GARANHANI, 2011, p. 218). 
“A intervenção precoce é definida como o conjunto de ações tendentes a 
proporcionar a criança as experiências sensório-motoras de que esta necessita desde 
o seu nascimento, para desenvolver ao máximo seu potencial neuropsicomotor” 
(BRANDÃO, 1992 citado por URZÊDA et al., 2009, p. 320). 
A intervenção precoce é vista como uma forma de potencializar a interação da 
criança com o meio ambiente através de estímulos que levam a obtenção de 
 
 
 
 51 
 
respostas próximas ao padrão de normalidade e à inibição da aprendizagem de 
movimentos e posturas anormais (DUARTE et al., 2011). 
A principal justificativa da intervenção precoce é normalizar o tônus e permitir 
que pela plasticidade, estas sensações normais sejam absorvidas e sejam mantidas 
pelo maior tempo possível, para que as sensações anormais sejam colocadas em 
segundo plano, fazendo com que o cérebro só integre as sensações normais e depois 
as use para sempre (OLIVEIRA e OLIVEIRA, 2006 apud MEDEIROS; ZANIN; ALVES, 
2009). 
Quando ocorre lesão de um sistema que ainda não esta em pleno 
funcionamento, ao contrário de um já amadurecido, a possibilidade de adaptação é 
maior, que ocorre pela plasticidade cerebral sendo máxima nos primeiros meses de 
vida do RN (ALBANUS, 2004 citado por MEDEIROS; ZANIN;ALVES, 2009). 
De acordo com Lopes et al. (2010) a estimulação é fundamental no 
desenvolvimento dos RN’s sendo que ele nasce com muitas habilidades inatas, mas 
que para serem aprimoradas é necessário que ele seja estimulado a conhecer coisas 
novas e isso contribui para que ele se desenvolva mais rápido e eficazmente se 
estimulado desde cedo. 
“Antes de ser submetido a qualquer tipo de intervenção, o neonato deve possuir 
capacidade mínima para controlar suas funções fisiológicas básicas e estar 
responsivo aos estímulos do meio ambiente” (DUARTE et al., 2011, p. 344). 
O fisioterapeuta deve ter noções e conhecimentos sobre o desenvolvimento, 
para poder avaliar o lactente sabendo identificar as características individuais do 
desempenho (OLIVEIRA e OLIVEIRA, 2006 citado por MEDEIROS; ZANIN; ALVES, 
2009). 
“A avaliação neurológica do bebe é composta basicamente pela observação do 
tônus muscular, da postura, da movimentação espontânea e reflexos primitivos” 
(MARLOW, 2004 citado por URZÊDA et al., 2009, p. 320). 
De acordo com Duarte et al. (2011) o fisioterapeuta na sua avaliação deve 
coletar dados de nascimento, evolução nas primeiras horas de vida, evolução clínica, 
estado de consciência, tono muscular, reflexos primitivos, desenvolvimento motor, 
maturidade dos sistemas, doenças associadas e intercorrencias durante o período de 
 
 
 
 52 
 
internação. Essas informações indicarão o melhor momento para o inicio da 
intervenção. 
Obter informações sobre o seu dia: como dormiu, se chorou, e o nível de 
estresse que é percebido por alterações fisiológicas, como o aumentoda freqüência 
respiratória (FR), freqüência cardíaca (FC), e sinais e sintomas, como bocejar, 
soluçar, espirrar, vomitar, coloração da pele, arquear o tronco, suspirar, desviar o 
olhar, franzir a testa, tremer, chorar e abrir os dedos da mão com mais freqüência. 
Verifica-se também o posicionamento do RN na incubadora ou no berço aquecido 
quanto à sua organização, deve-se apresentar um estimulo de cada vez, levando em 
consideração intensidade, duração, freqüência e tipo, de acordo com a tolerância 
fisiológica de cada RN, pois muitos não são capazes de processar múltiplas interações 
e podem chegar ao seu limite (GARCIA e LIMA, 2009). 
Alguns estudos enfatizam os cuidados que devem ser tomados quanto ao 
excesso de estímulos nos RN’s, pois eles não apresentam estrutura de defesa 
formada, então estímulos em excesso podem complicar ainda mais o crescimento e 
o desenvolvimento (MARTINEZ et al., 2003 citado por MEDEIROS; ZANIN; ALVES, 
2009). 
Segundo Garcia e Lima (2009) a intervenção precoce envolve tanto a inibição 
quanto a estimulação, protegendo o neonato do excesso de estimulação de acordo 
com o desenvolvimento adaptativo do neonato. Os objetivos da intervenção precoce 
é dar condições para que o neonato se auto-organize, assim como promover a 
normalização do tônus diminuindo os padrões e posições anormais, as contraturas, 
as deformidades e as possíveis sequelas, reposicionar o RN na direção da maturação 
fisiológica, facilitando e mantendo o desenvolvimento, e não o acelerando. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 53 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 54 
 
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pela hospitalização, pela manutenção ou ainda normalização e estabilização dos 
padrões motores, bem como do tônus e trofismo muscular, além de estimular e 
acompanhar o desenvolvimento neuropsicomotor. 
O tratamento deve ser orientado aos pais e deve-se buscar um 
acompanhamento paralelo à equipe multidisciplinar, de forma que se intensifique, res-
peitando os limites do bebê, fazendo com que ele adquira aos poucos independência 
nas suas atividades diárias. 
Segundo Silva et al. (2015), as habilidades funcionais são aquelas que 
permitem a execução das atividades de vida diária próprias de cada idade, na medida 
em que evoluem, vão proporcionando independência, autonomia e melhor exploração 
do ambiente. Assim, o ambiente em que vive a criança assume um papel decisivo em 
sua vida, de forma que as oportunidades presentes no domicílio possam favorecer ou 
não a construção de habilidades funcionais necessárias à adaptação e exploração do 
meio. 
 
 
 
 6 
 
Os recursos terapêuticos utilizados devem levar em conta o melhor 
posicionamento para o bebê, intensificando o padrão flexor, aumentando orientação 
da linha média e promovendo estados de organização. Deve visar a um melhor 
desempenho funcional na acomodação, na orientação e no comportamento motor. 
Quanto à estimulação sensório-motora, o tratamento busca organizar o fun-
cionamento do sistema nervoso, inibindo as atividades motoras patológicas, 
adequando o tônus muscular e facilitando o desenvolvimento, sempre utilizando o 
meio em que o bebê vive como instrumento terapêutico. 
O planejamento de intervenções em fisioterapia, através da estimulação 
precoce em bebês prematuros, traz vários benefícios e potencializa seu 
desenvolvimento neuropsicomotor. Assim, seja qual for a causa da pre-maturidade, 
ao identificar o atraso, esses programas devolvem aos bebês, após meses de 
tratamento, uma melhora significativa quanto aos padrões motores normais de 
cognição e comportamento. 
Este estudo busca identificar quais são as causas mais frequentes do atraso 
no desenvolvimento em bebês prematuros e como essas afetam o seu crescimento. 
Tem como objetivo mostrar a importância da estimulação precoce e/ou essencial, 
através da abordagem fisioterapêutica, no processo de desenvolvimento dos bebês 
nascidos pré-termo. Também irá abordar a necessidade do acompanhamento do 
cuidador e da família em paralelo ao profissional, no ambiente da criança, para 
acelerar os programas interventivos minimizando os comprometimentos e mostrar 
que o perfil das mães dos prematuros e a caracterização dos nascidos vivos são 
influenciados pela condição socioeconômica e ambiental onde vivem, desde a 
gestação ao nascimento dos bebês. 
 
Seção 1.2: Relação com os pre-maturos 
Com base nos resultados de estudo, observou-se que a família representada, 
principalmente pela participação da mãe, cuidadora primária, trouxe um significativo 
apoio na intervenção nos pre-maturos, uma vez que ela participava e tinha mais 
convicção da importância da figura materna junto ao fisioterapeuta, que busca 
focalizar a atenção da criança e das necessidades da família, considerando os fatores 
 
 
 
 7 
 
psicoafetivos. A figura materna foi descrita, inicialmente, como desestimulada e 
ansiosa, por não ter resultados imediatos e para querer tê-los logo. Algumas, depois 
que entenderam a importância do seu papel, se motivaram e encontraram respostas 
positivas no tratamento. 
Segundo Bosanello (1998 apud Britto, 2013), o principal motivo da criança não 
demonstrar progresso no seu desenvolvimento é o fato de as mães não cumprirem as 
orientações dadas. As mães se mostram superprotetoras, ansiosas, não colaboram e 
apresentam inadequações em sua relação com o filho, podendo, assim, comprometer 
o desenvolvimento infantil. Supõe-se que as faltas frequentes das mães sejam devido 
à ausência de motivação para frequentar o atendimento. 
Quanto à dedicação paterna, verificou-se que os pais assumiam um apoio 
menor, mas fundamental no tratamento. Um grande número de pais se mantinha 
afastado por causa, principalmente, das suas responsabilidades, como provedores do 
lar, não por vontade própria, cabendo às mães uma condição mais favorável na 
participação. 
De acordo com essa ideia, ressaltou-se em Sígolo (2000 apud Formiga et al., 
2004) o papel da interação mãe-filho no processo de construção de um ambiente 
adequado como estimulante ao desenvolvimento da criança. Os estudos realizados 
apontaram que as mães se revelam promotoras da autonomia infantil à medida que, 
gradativamente, permitem iniciativas de contato mais frequentes por parte da criança, 
aumentam a provisão de estimulação de nível moderado e direcionam o com-
portamento infantil para a realização da tarefa e/ou atividade de forma independente. 
Já analisando o papel do cuidador e da família, foi constatado que existiam 
interações que se agregavam ao desenvolvimento e às capacidades sociocognitivas 
dos bebês. 
Os primeiros anos de vida da criança, compreen-didos do 4º mês aos 18 meses 
de vida, são carac-terizados pelo período mais importante para a maturação 
neurológica e aquisição da independência motora. Os artigos avaliados indicam a 
prematuridade como uma das principais causas de atraso no desenvolvimento 
neuropsicomotor, com predomínio no sexo masculino, de baixo peso ao nascer e a 
necessidade de ser acompanhado através de uma avaliação dos reflexos neonatais. 
 
 
 
 8 
 
Assim, com a estimulação precoce, as aquisições das habilidades motoras foram 
favorecidas, bem como o surgimento das atividades reflexas junto aos movi-mentos 
voluntários no prematuro, já que a mesma é a primeira forma de integração do ser 
humano com o ambiente e chave para o surgimento dos movimentos voluntários. 
Para Eckert (2009), a importância de se avaliar os reflexos neonatais para 
verificar se há alguma de-fasagem no desenvolvimento motor do bebê pre-maturo 
(falta complementar a frase). Porém, esse é apenas um instrumento que facilita a 
detecção pre-coce de desvios no desenvolvimento motor de bebês que nasceram em 
condições de risco, não significando que a criança de tenra idade, que apresenta 
resposta inadequada a determinados estímulos durante a avaliação dos reflexos 
neonatais, necessariamente, terá atraso no desenvolvimento motor. 
Vale ressaltar que o acompanhamento até o primeiro ano de vida é fundamental 
no caso de bebês prematuros, pois, caso seja detectada alguma alteração, é possível 
indicar, de forma precoce, o atendimento adequado, com vistas à estimulação 
psicomotora global. 
Conforme dados apresentados na 5ª Jornada Materno-Infantil realizada em 
1998, no Brasil, a taxa de nascimento pré-termo representa 11% dos nascimentos, 
enquanto o índice mundial de recém-nascidos com baixo peso varia de 6 a 11%. 
Considerando que a estimulação precoce consiste em um planejamento de 
técnicas psicomotoras, através dos estímulos sensoriais que condicionam a criança a 
apresentar uma interação melhor com o meio, há uma correlação com a necessidade 
de estimular a atividade reflexa, nesses prematuros, através da integração sensorial. 
Para Perin (2010), a estimulação precoce dentro da fisioterapia é baseada no 
comportamento neuromuscular e também nos princípios da plasticidade neural, 
determinando períodos do desenvolvimento neonatal como altamente receptivos a 
intervenções com exercícios sensório-motores. Dentro da estimulação, o 
fisioterapeuta conduz uma avaliação inicial e contínua da criança, desen-volvendo 
metas e objetivos, por meio da utilização de métodos adequados às suas 
necessidades. 
 
 
 
 9 
 
O planejamento de uma intervenção adequada é fei-to através de umaavaliação criteriosa, identificação dos desvios, peso ao nascer, força muscular, 
motricidade fina e ampla, fala e das capacidades funcionais. 
Segundo Willrich (2008), a repercussão do baixo peso ao nascer sobre o 
desempenho motor de lac-tentes a termo, peque nos para a idade gestacional, foi 
avaliada, compa rando-os com bebês de peso adequado para a idade gestacional. O 
peso ao nas-cimento influenciou o de sempenho motor, favore-cendo o grupo de 
bebês com peso adequado. 
Quanto à Tabela II, os estudos fornecem embasa-mentos relacionados à 
estimulação precoce, considerando o desenvolvimento harmônico da criança através 
da prática, e a atuação do fisioterapeuta, através de atividades lúdicas, fundamental 
para que os bebês desenvolvam todo o potencial. 
As fases do programa de estimulação precoce e/ou essencial devem ter como 
objetivos favorecer a aceitação do tratamento e a hospitalização, verificar o grau de 
coordenação motora, ganhos de coeficiente de desenvolvimento e participação da 
família, promover estímulos visuais, táteis e sonoros, além de estimular a 
deambulação, desenvolver hábitos de vida diária e estímulo ao desenvolvimento da 
linguagem. 
Segundo Cabral (1989), através do lúdico, a criança descobre o mundo, 
estimula a criatividade e a coordenação sensório-motora e a percepção, além de 
preparar-se para a vida adulta. A preocupação dos profissionais quanto ao 
acompanhamento para com o pré-termo é demonstrada no momento em que esses 
se dispõem a esclarecer aos pais a debilidade do filho, despertando neles a 
curiosidade de aprender, fornecendo guias, para que possam pôr em prática. 
Afirmam Martinez et al.( 2007) que uma das formas de favorecer a relação entre 
pais e bebês é disponibilizar sugestões de manuseios e cuidados na estimulação de 
seus bebês. Neste processo, o mais importante a se considerar é a individualidade de 
cada bebê, capacitando os pais a identificarem as potencialidades de seu filho. 
É necessário que se utilizem recursos que subsidiem as situações de 
orientação dos pais para o acompanhamento e estimulação do desenvolvimento do 
bebê, capazes de agir em relação à probabilidade de ocorrência de problemas. 
 
 
 
 10 
 
Conhecer esses bebês é um dos primeiros passos durante a intervenção, e a 
individualidade de cada um é que trará diferentes respostas aos estímulos dados, 
fazendo com que o tempo de hospitalização seja variável para bebês com idades 
diferentes. 
De acordo com isso, Medeiros (2009) salienta que a intervenção 
fisioterapêutica precoce apresenta bons re sultados, mas, na prática, muitos bebês 
são encaminha dos tardiamente às instituições, ge-ralmente apresentando algum tipo 
de deficiência. Tal situação restringe a intervenção, que não pode alcançar o objetivo 
de prevenção das alterações patológicas no desenvolvimento. Quando o quadro já se 
encontra instalado, a fisioterapia tem como objetivos principais promover o 
desenvolvimento neuropsicomotor da criança e minimizar os padrões patológicos 
presentes, incentivando o contato do pequeno com os pais para conseguir melhor 
eficácia da in tervenção. 
Afirma Willrich (2008) que o desenvolvimento motor atípico não se vinc ula, 
obrigatoriamente, à presença de alterações neurológicas ou estruturais. Mesmo 
crianças que não apresentam sequelas graves podem ter comprometimento em 
algumas áreas de seu desenv olvimento neuropsicomotor. 
A imaturidade biológica dos bebês nascidos pre-maturos, principalmente os 
bebês de alto risco e crianças até 3 anos, requer muita delicadeza na identificação 
precoce dos desvios, através da avaliação fisioterapêutica. E o encaminhamento para 
o diagnóstico e intervenção, através de testes dos reflexos e reações, auxilia na 
elaboração de um programa de tratamento. 
Segundo Oliveira (2006), o fisioterapeuta precisa ter noções e conhecimento 
claros sobre o desenvolvimento, para poder avaliar o lactente ou a criança, sendo 
capaz de identificar as características indi-viduais do desempenho, além de conhecer 
mais as capacidades e respostas diante de certos estímulos que podem ser 
esperados em determinada idade. 
Para Figueiredo et al. (1995), a cada retorno são dadas orientações referentes 
ao manuseio, ao brin-car e ao posicionamento adequados de acordo com os 
resultados obtidos dos testes aplicados e o grau de desenvolvimento apresentado 
pelas crianças. 
 
 
 
 11 
 
As duas últimas citações deixam claro que a individualidade de cada paciente 
deve ser sempre considerada, visto que a evolução do tratamento para cada um 
segue naturalmente, durante toda a intervenção, sempre acrescendo novas condutas, 
até que se aproxime do normal. 
A estimulação precoce dentro da fisioterapia é ba-seada no comportamento 
neuromuscular e tam-bém nos princípios da plasticidade neural, deter-minando 
períodos do desenvolvimento neonatal como altamente receptivos a intervenções com 
exercícios sensórios-motor. Dentro da estimulação, o fisioterapeuta conduz uma 
avaliação inicial e contínua da criança, desenvolvendo metas e ob-jetivos, utilizando 
métodos adequados às suas ne-cessidades (PERIN, 2010). 
O fisioterapeuta, através da estimulação precoce, acompanha os bebês de alto 
risco, direcionando-os às suas famílias, em uma articulação dos fato-res, tais como a 
maturação, a autonomia, a psicomotricidade e a socialização, de forma que possam 
atingir o melhor desenvolvimento possível. 
 
 
Seção 1.3: A prematuridade e o desenvolvimento: revisando 
Pode-se concluir que a prematuridade é o maior fator de risco para o 
aparecimento das alterações no desenvolvimento motor dos bebês, comprometendo 
o processo de crescimento e sua capacidade funcional. Esse fato interfere no 
cotidiano da criança, proporcionando limitações. Trata-se de um problema de saúde 
pública, visto que envolve famílias de diversas classes sociais, sendo cada vez mais 
frequente nos centros de pediatria. 
A família é dita como de grande importância para incentivá-los durante o 
tratamento, com apoio, afetividade e atuação no processo de socialização. A figura da 
mãe foi a que mais se destacou quanto ao suporte dado ao fisioterapeuta e demais 
profissionais, mesmo com as várias reações de insegurança, muitas das vezes. Esse 
sentimento mudou a partir do momento que começaram a observar os resultados 
positivos e a evolução da terapia. 
A atuação do fisioterapeuta buscou promover, de forma preventiva, a harmonia 
no desenvolvimento motor dos bebês prematuros, através de técnicas que 
 
 
 
 12 
 
promovessem, aos poucos, uma melhora funcional, desenvolvessem a 
psicomotricidade, o controle motor e estimulassem a relação entre o bebê a sua 
família. Faz-se necessária a existência de uma equipe multidisciplinar, que trate cada 
aspecto conforme a sua particularidade, respeitando a idade e o limite de cada 
paciente, principalmente durante os primeiros anos de vida. Assim, envolve-se a 
participação de psicólogos, nutricionistas, educadores físicos, enfermeiros, médicos, 
educadores e fonoaudiólogos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 13 
 
Unidade 2: Estimulação Precoce 
 
Seção 2.1: Introdução 
Entende-se a estimulação precoce (EP) como uma abordagem de caráter 
sistemático e sequencial, que utiliza técnicas e recursos terapêuticos capazes de 
estimular todos os domínios que interferem na maturação da criança, de forma a 
favorecer o desenvolvimento motor, cognitivo, sensorial, linguístico e social, evitando 
ou amenizando eventuais prejuízos (LIMA; FONSECA, 2004; RIBEIRO et al., 2007; 
HALLAL; MARQUES; BRACHIALLI, 2008). 
Os primeiros anos de vida têm sido considerados críticos para o 
desenvolvimento das habilidades motoras, cognitivas e sensoriais. É neste período 
que ocorre o processo de maturação dosistema nervoso central sendo a fase ótima 
da plasticidade neuronal. Tanto a plasticidade quanto a maturação dependem da 
estimulação (BRAGA, 2014). 
De acordo com Lima e Fonseca (2004), a plasticidade neural fundamenta e 
justifica a intervenção precoce para bebês que apresentem risco potencial de atrasos 
no desenvolvimento neuropsicomotor. Isso porque é justamente no período de zero a 
3 anos que o indivíduo é mais suscetível a transformações provocadas pelo ambiente 
externo. 
A estimulação precoce tem, como meta, aproveitar este período crítico para 
estimular a criança a ampliar suas competências, tendo como referência os marcos 
do desenvolvimento típico e reduzindo, desta forma, os efeitos negativos de uma 
história de riscos (PAINEIRAS, 2005). 
Na sequência, serão apresentadas orientações e técnicas de intervenção, 
como subsídios aos profissionais de saúde na efetuação da estimulação precoce das 
crianças de zero a 3 anos, bem como para contribuir na orientação às famílias, na 
perspectiva de potencializar os efeitos positivos desta abordagem no desenvolvimento 
da criança. 
 
 
 
 
 14 
 
Seção 2.2: Estimulação Auditiva 
A perda auditiva, independente do tipo (condutiva ou sensorioneural) e grau 
(leve a profunda) pode levar a prejuízo na aquisição e desenvolvimento da linguagem 
oral, e pode se manifestar após o nascimento e de maneira tardia. 
A audição será estimulada por meio da localização sonora afim de exercitar a 
memória, atenção e a repetição de sons ludicamente. Imitando os sons, possibilita-se 
a repetição por parte da criança e início de um jogo que será importante para a futura 
articulação da fala. Iniciando assim a possibilidade de discriminação dos sons. Os 
sons que a criança é capaz de emitir são muito ricos e variados e, por essa razão, 
deve se dar oportunidade de exercitar os movimentos de boca e lábios 
constantemente (BARATA; BRANCO, 2010). 
À medida que o bebê se desenvolve, podem ser introduzidas atividades com 
música e imagens (DVD, por exemplo), livros de plástico e emborrachados, miniaturas 
e brinquedos macios para encaixe que facilitem a nomeação de objetos, o cantar e o 
contar histórias. Para crianças de 6 a 12 meses, é importante a estimulação de 
vocabulário voltada à criança, como o uso de objetos de uso diário, partes do corpo e 
nomes de pessoas e animais. 
Figura 6 – Estímulo por meio de localização sonora utilizando brinquedo que 
emite sons 
 
 
A estimulação auditiva pode ocorrer de forma isolada afim de trabalhar 
gradativamente as habilidades auditivas de: atenção, localização, lateralização, 
discriminação, compreensão auditiva. Logo este aspecto pode ser eliciado 
 
 
 
 15 
 
conjuntamente com a estimulação de linguagem durante o momento lúdico e 
contextual. 
As crianças que apresentam perda auditiva podem se beneficiar de Aparelhos 
de Amplificação Sonora Individual (AASI) e Implante Coclear, cuja concessão e 
adaptação estão disponíveis no SUS. A escolha do tipo de AASI depende do grau da 
perda auditiva e tem como objetivo estimular a audição residual da criança. Nas 
perdas auditivas de graus leve e moderado, a criança vai ser capaz de ouvir sons 
como as vogais e consoantes mais graves do tipo: /m/, /d/, /b/, etc. A dificuldade maior 
será para ouvir os sons fricativos do tipo: /f/, /v/, /s/, /z/ etc. Por outro lado, nas perdas 
auditivas sensório-neuronais bilaterais de graus severo e profundo, a criança obtém 
pouco ou nenhum benefício com a indicação do AASI. Nesses casos, a indicação é o 
tratamento cirúrgico p através do implante coclear. 
Destaca-se que apenas a adaptação do AASI e/ou Implante Coclear não será 
suficiente para que a criança adquira a linguagem oral, sendo imprescindível a 
realização de terapia fonoaudiológica, tendo como foco a criança, a família e a escola. 
Além das perdas auditivas, existem outros distúrbios relacionados à audição 
humana que requer atenção dos profissionais da áreas da saúde voltados à 
comunicação. Os distúrbios do processamento auditivo, são alterações qualitativas 
que interferem no processamento das informações captadas pelas vias auditivas. 
Neste caso, a pessoa ouvirá claramente a fala humana, mas apresentará dificuldades 
na decodificação e interpretação da mensagem recebida. 
Assim como na perda auditiva, o Distúrbio do Processamento Auditivo pode 
interferir na compreensão verbal e consequentemente na expressão linguística do 
individuo, afetando a comunicação verbal. 
O papel da família é fundamental no processo de estimulação precoce, 
adaptação de AASI/Implante Coclear e reabilitação, uma vez que é o ambiente familiar 
que melhor pode oferecer situações para estimulação das funções auditivas e o 
desenvolvimento da linguagem, seja esta oral ou através dos sinais. 
A primeira infância é o período mais nobre para a plasticidade neuronal, 
portanto, a tendência dessas crianças é de apresentarem os melhores resultados 
quando estimuladas. 
 
 
 
 16 
 
 
Seção 2.3: Estimulação das habilidades auditivas 
A criança deve reconhecer os sons produzidos por objetos e pelas pessoas 
através da fala, monitorar a própria voz em termos de padrões de timbre, duração, 
intensidade e entonação e desenvolver a percepção auditiva, que compreende a 
consciência, a localização e a compreensão dos sons. 
• Detecção: é a habilidade auditiva em que a criança deve perceber a 
presença e ausência do som. 
• Discriminação: é o ato de diferenciar dois ou mais estímulos sonoros. 
• Reconhecimento: é a habilidade de identificar o som e a fonte sonora 
com capacidade de classificar ou nomear 
o que ouviu. 
• Compreensão: é o ato de estabelecer relações entre o estímulo sonoro 
produzido, outros eventos do ambiente e o próprio comportamento. Essas relações 
têm as propriedades de reflexividade, simetria e transitividade.(BASTOS; FLEIG; 
NASCIMENTO, 2010). 
O reconhecimento auditivo ocorre em duas etapas: a) introdutória, onde os 
estímulos são apresentados em conjunto fechado (closed-set); b) o reconhecimento 
auditivo avançado, na qual são apresentados estímulos auditivos em conjunto aberto 
(open-set) (BEVILAQUA; FORMIGONNI, 2005). 
O reconhecimento representa o início da habilidade de compreensão, 
consequentemente, pressupõe todos os níveis de processamento auditivo, a saber: 
detecção, discriminação, reconhecimento introdutório e avançado, envolvendo os 
processos psíquicos de atenção e memória (BASTOS; FLEIG; NASCIMENTO, 2010). 
Para trabalhar as habilidades auditivas, em situações ou atividades que têm 
por objetivo desenvolver a discriminação auditiva, a criança deverá indicar se os sons, 
palavras, frases são iguais ou diferentes, começando por grandes diferenças e 
avançando com diferenças mais sutis entre os sons. Quanto ao reconhecimento dos 
sons, na etapa introdutória do reconhecimento auditivo, o fonoaudiólogo apresenta 
para a criança atividades de múltipla escolha, promovendo o reconhecimento de 
onomatopeias, vogais, consoantes, palavras e frases, e, na etapa avançada, as 
 
 
 
 17 
 
opções devem ser abertas e a criança deve, necessariamente, repetir o que ouviu. Já, 
para estimular a compreensão, recomenda que se comece de forma simples, com a 
criança respondendo a perguntas simples, como: “qual é seu nome?”, “onde está o 
papai?”; e com o passar do tempo e com o avanço do processo terapêutico, 
habilidades para entender frases mais complexas, histórias, entre outros (BASTOS; 
FLEIG; NASCIMENTO, 2010). 
Durante o reconhecimento auditivo, espera-se que a criança saiba: reconhecer 
as vogais, reconhecer os traços distintivos das consoantes, reconhecer as palavras e 
as frases. Em relação à compreensão, as autoras afirmam que as pessoas envolvidas 
com o trabalho terapêutico da criança devem estar com ela, auxiliando-aem sua tarefa 
mais difícil, que é a utilização da audição, pois é aí que se encontra uma alteração em 
seu sistema anatomofisiológico (BEVILAQUA; FORMIGONNI, 2005). 
Os estímulos verbais a serem utilizados nas tarefas e atividades para o 
desenvolvimento das habilidades auditivas podem ser de diferentes níveis de 
complexidade, dependendo de cada criança, da sua idade, do domínio da língua oral 
que apresenta e da habilidade auditiva já conquistada. O trabalho com detecção tem 
os seguintes objetivos: determinar se a prótese auditiva está funcionando bem, ajudar 
a criança a aprender e a se descobrir, e preparar a criança para os níveis mais 
refinados das habilidades auditivas. Assim que a criança consegue detectar o som, o 
trabalho deve focar a discriminação auditiva, estimulando a criança a diferenciar os 
seguintes sons: vogais, traços distintivos de consoantes, palavras, frases e curvas 
melódicas (BASTOS; FLEIG; NASCIMENTO, 2010). 
Algumas respostas ao comportamento auditivo são expressas por meio de 
respostas motoras, como a localização do som, que é expressa por meio do controle 
e rotação cervical, e posteriormente pela dissociação de cinturas escapular e pélvica. 
Dessa maneira, faz-se necessário integrar a observação das aquisições de 
habilidades motoras à avaliação do comportamento auditivo, a fim de excluir 
alterações puramente motoras que alterariam resultados audiológicos, além de ser de 
fundamental importância avaliar o desenvolvimento global do indivíduo nos diversos 
domínios, tais como motor, de linguagem e da cognição (COSTA, 2000). 
 
 
 
 
 18 
 
Exposição à Língua Oral 
A criança deve ter a oportunidade de interagir com crianças que usam a fala 
como meio de comunicação. A exposição à língua oral deve ocorrer de forma 
frequente. Deve ser trabalhada a produção de fonemas, palavras e frases e a 
compreensão da fala através da leitura orofacial. A leitura orofacial deve ocorrer de 
forma natural, com a pessoa falando com voz clara, um pouco mais devagar do que 
o normal, usando articulação normal e sem exageros. A voz deve ter intensidade 
normal. Falar de frente, com o rosto iluminado, no mesmo nível visual que a criança. 
Usar expressões faciais e entonações ricas. Deixar os lábios descobertos. Comunicar-
se através de um contexto significativo. Manter sempre um diálogo. Respeitar as 
trocas de turnos. 
 
Exposição à Língua de Sinais 
A Língua de Sinais é uma língua visual-gestual. Ela é composta de movimentos 
e formatos específicos de mãos, braços, olhos, face, cabeça e postura corporal. Deve 
ser considerada a possibilidade de inserção da criança em um ambiente em que a 
interação se faça por meio dos estímulos sonoros associados à língua de sinais. 
 
Orientação à família: 
No caso de crianças pequenas, de zero a 3 anos de idade, a família deve ser 
o centro das orientações. A essência de um programa centrado na família é a divisão 
de tarefas entre pais e profissionais, pois muitas vezes, após o diagnóstico, os pais 
param de falar com a criança. São eles que passam a maior parte do tempo com a 
criança e, portanto, devem ser orientados quanto à estimulação de linguagem de 
forma geral. Deve haver um trabalho com grupos de pais, a fim de que possam 
externalizar, explorar e dividir sentimentos e emoções sobre a problemática da surdez. 
Sentimentos dos pais: negação, culpa, raiva, confusão, inadequação. Estágios pelos 
quais eles passam: negação, resistência, afirmação, aceitação. Profissional deve 
respeitar esses sentimentos. Desenvolver a autoconfiança dos pais e da criança. A 
criança deve ser vista em sua totalidade. A criança deve ser tratada de forma igual ao 
das outras crianças. Seu desenvolvimento ocorre de forma igual ao das outras 
 
 
 
 19 
 
crianças. Não esperar resultados imediatos, o progresso é lento e gradual. Envolver 
toda a família no processo. A família é a chave do sucesso. 
 
Seção 2.4: Estimulação Visual 
A estimulação visual, não tem que ser nada muito complexo, sendo necessário 
ocorrer desde os primeiros dias de vida, nas atividades de vida diária e nos contatos 
afetivos com o cuidador. Para realizar a estimulação é necessário criar experiências 
agradáveis através do brincar, para chamar a atenção da criança. Desta forma, 
utilizam-se os possíveis recursos/intervenções: 
• Estimular o uso da visão residual durante o brincar com outras crianças 
e com os cuidadores. 
• Estimular o comportamento exploratório do ambiente demonstrando de 
forma verbal onde a criança está, com quem está, onde irá, quais objetos estão no 
ambiente. 
• Utilizar brinquedos e objetos adaptados de acordo com as necessidades 
da criança por meio das funções sensoriais (auditiva, tátil, proprioceptiva e vestibular) 
com brinquedos grandes, na linha média e no campo visual de 20 cm, estimulando 
verbalmente que a mesma busque com o olhar e a cabeça (se houver controle de 
tronco). 
• Objetos de tamanhos e tipos variados, com cores de alto contraste e 
coloridos (com amarelo e preto e/ou vermelho e branco) e/ou com brilho e iluminados, 
estimulando a visão residual e percepção tátil no campo visual de 20 cm. 
• Brinquedos sonoros (como por exemplo chocalhos), dispostos na frente 
da linha média da criança, em seu campo visual e/ou horizontalmente realizando 
movimentos com 
o brinquedo de trás para frente e assim sucessivamente, de forma lenta 
para a criança perceber o objeto à sua volta. 
• Estimular aspectos táteis com diferentes texturas, como por exemplo: 
grãos, esponjas, algodão etc. É necessário colocar as mãos da criança na textura e 
com ajuda terapêutica auxiliar a criança a se auto estimular, sempre dando estímulos 
 
 
 
 20 
 
verbais do que está sendo passado em seu corpo e qual o tipo de textura, se é: áspero, 
liso, gelado, entre outros. 
• Evitar a luz direta nos olhos em crianças que apresentem crises 
convulsivas, mas se não houver é importante utilizar lanternas em ambiente escuros 
apontando para determinados pontos do ambiente e para objetos que o terapeuta 
quer que a criança olhe. 
• Orientar familiares de como utilizar esses recursos em suas residências, 
para que o faça e aumente o estímulo dado à criança (BRASIL, 2013). 
 
 
É importante que, durante a estimulação visual, seja observada a postura, uma 
vez que pode ocorrer desvios compensatórios inadequados a outros processos 
sensoriais, resultando em respostas desordenadas. A relação entre visão e 
coordenação motora é indissociável, pois o movimento da cabeça acompanha o olhar 
propiciando a percepção do objeto, enquanto é captada a forma. Desencadear a 
reação de proteção em deficientes visuais é importante, uma vez que esta é a última 
etapa de defesa do SNC, estando relacionada com as respostas de equilíbrio postural. 
Deve-se evitar o uso de objetos agrupados, sendo necessário dar um maior 
espaço entre eles, pois há a possibilidade da criança não conseguir observar o objeto 
apresentado no meio. Respostas visuais de perto são melhor recuperadas, 
requerendo a realização da estimulação inicial numa esfera visual mais próxima, 
 
 
 
 21 
 
distanciando de acordo com a melhora da criança. Para observar se há melhora é 
necessário observar se há fixação do olho no objeto, interesse e capacidade de 
exploração do estímulo (FERNANDES, 2004 
O conhecimento do desenvolvimento infantil (aspectos motores, sensoriais, 
cognitivos, sociais), da influência do aspecto visual no desenvolvimento e na 
aprendizagem, da observação atenta do comportamento da criança (com relação aos 
familiares, brinquedos e atividades propostas) e das informações sobre sua vida 
doméstica ajudará na análise e na elaboração do plano de atendimento para cada 
criança/família. 
É importante salientar que a orientação aos pais/cuidadoresauxilia no 
tratamento realizado com a criança com deficiência visual, pois ao entenderem quais 
recursos e como utilizá-los serão coterapeutas, auxiliando no tratamento mais efetivo. 
 
Seção 2.5: Estimulação Precoce de Crianças com Baixa Visão 
Cabe ao profissional de estimulação precoce evidenciar junto a família as reais 
potencialidades da criança. Muitas destas estão encobertas pela expectativa da 
família por uma resposta igual a de crianças sem comprometimentos. As respostas 
tão esperadas podem necessitar de adaptações para melhor posicionamento, para 
apresentação de objetos em localização adequada (de acordo com o campo visual), 
para adequação da iluminação ambiente ou direcionada, para adequação da distância 
de apresentação dos estímulos, para adequação das características dos objetos (cor, 
contraste, tamanho, textura). Essas modificações/ adaptações devem ser orientadas 
à família e adotadas em todas as atividades da criança. Essa interação modifica a 
relação a criança desenvolve-se com o estímulo, e a família, ao perceber o quanto a 
criança pode realizar, irá oferecer maiores oportunidades. 
Para avaliação mais efetiva, é necessário realizar após o exame oftalmológico, 
a avaliação funcional da criança para estimulação visual de acordo com a etapa do 
desenvolvimento sensório motor. A avaliação contém: funções visuais básicas, como: 
apresentar reação à luz, reflexo palpebral, reação ao sol, reage às cores, visão 
periférica, visão central, entre outros; visão à distância, como: localização de luz, 
cores, objetos grandes e pequenos, miniaturas e a qual distância; funções 
 
 
 
 22 
 
visomotoras, como: seguir a luz ou objetos em movimento, fixar o olhar, apresentar 
coordenação mão/boca, olho/mão, olho/objeto, manipular objetos examinando-os 
visualmente, aproximar objetos para examiná-los, realizar busca visual, entre outros; 
e funções perceptivas: identificar expressão facial, reconhecer a própria imagem no 
espelho, reconhecer objeto familiar, separar objeto por forma, por tamanho, por cor, 
entre outros. 
Quando a deficiência visual é diagnosticada no 1° ano de vida e a criança 
recebe a estimulação precoce, observam-se melhoras na eficiência visual, e 
consequentemente no desenvolvimento neuropsicomotor. Se adotada a estimulação 
sensorial precoce com ênfase no visual, mais de 50% das crianças com deficiência 
poderiam atingir o desenvolvimento normal. Dessa forma, a visão é o sentido mais 
importante para a criança, em que olhando, ela observa suas ações, suas atitudes, as 
pessoas, os gestos, e o meio em que vive, possibilitando interação com objetos e 
formando significados (RIBEIRO, 2007). 
 
Seção 2.6: Estimulação Precoce de Crianças Cegas 
Nos atendimentos programados para realização de estimulação precoce, é 
importante orientar a família sobre a importância de experimentar os diversos 
movimentos e posições na aquisição de habilidades motoras futuras, assim como 
elucidar e demonstrar as formas adequadas de promovê-las. Vale lembrar que toda a 
estimulação deve ser realizada de forma lúdica e agradável para a criança. 
Frequentemente observamos que a criança apresenta a cabeça baixa e 
necessita de um estímulo visual adequado ou diferente do visual (ou associado) para 
elevá-la. O contato com o rosto da mãe, o sopro suave no seu rosto, a fala mansa e 
direcionada funcionam como estímulo agradável. 
É importante que quando a criança localiza o brinquedo e leva as mãos para 
tentar alcançá-lo, seja permitido efetivar o alcance e a exploração do brinquedo 
através de outros sentidos (tato, olfato, gustação, auditivo), uma vez que o processo 
de aprendizagem de crianças cegas se dá por meio dos sentidos remanescentes. O 
tato, por exemplo, auxilia no reconhecimento de padrões 3D. Entretanto, não são 
 
 
 
 23 
 
poucas as crianças que reagem evitando o contato com texturas, sons, gostos 
diversos, necessitando intervenção também nesta área. 
Quanto ao alcance, considerando que a visão não será o seu motivador 
primário, são necessários outros atrativos para que a criança busque algo que não 
esteja em contato com o seu corpo. Os brinquedos que produzem sons são 
frequentemente usados para promover o alcance, mas para uma abordagem mais 
efetiva, podem estar combinados a movimentos direcionados ou coativos (mão sobre 
mão). 
No movimento coativo, a mão da criança é posicionada sobre ou sob a mão do 
adulto e este direciona o movimento. É importante permitir que a criança participe da 
forma mais ativa possível. Assim, a criança pode aprender movimentos de alcance e 
exploração direcionados de uma forma segura e eficaz. 
Algumas crianças chegam a manter-se com os braços fletidos e elevados na 
altura da cabeça (como um castiçal), necessitando de auxílio para iniciar o brincar e 
o manipular na linha média. Atitudes simples, como incentivá-la a segurar a 
mamadeira, o peito, ou o copinho durante a alimentação e o direcionamento de 
movimentos com descrito anteriormente, podem ser bastante úteis. 
Cada criança tem sua forma de aprender padrões visuais, do seu jeito, 
assumindo comportamentos específicos, a partir das suas necessidades. O 
importante é oferecer condições para que a criança vivencie novas experiências e as 
internalize, sempre ao seu tempo. 
Todas as crianças com baixa visão ou cegueira, devem realizar avaliação 
oftalmológica e serem acompanhadas pelos Centros Especializados em Reabilitação 
ou em Serviços de Reabilitação Visual para realização de treino de mobilidade, 
indicação de uso tecnologia assistiva lentes especiais, bengalas, entre outras, como 
estratégias de apoio, ampliação da autonomia e da inclusão social. Sugere-se que os 
serviços especializados também realizem matriciamento das equipes de atenção 
básica para acompanhamento e monitoramento do desenvolvimento das crianças, 
bem como para o adequado acolhimento e orientação quanto às adaptações de 
ambiência na residência, uso de materiais especiais por parte das famílias, utilizando 
 
 
 
 24 
 
inclusive de dispositivos de cuidado em reabilitação na comunidade que possam 
promover o cuidado e o desenvolvimento das habilidades dessas crianças. 
 
Seção 2.7: Estimulação da Função Motora 
Formiga, Pedrazzani e Tudela (2010) ressalta que a intervenção precoce em 
bebês de risco possui importante significado no sentido de fortalecer e/ou formar 
novas conexões neuronais: 
tendo-se em mente que os eventos plásticos de reorganização que ocorrem 
em decorrência de uma lesão cerebral têm paralelo com o processo de 
desenvolvimento ontogenético, reforça-se ainda mais o conceito de que se 
deve tê-lo como ponto de partida no tratamento, no qual os estímulos 
sensitivo-motores devem ser conduzidos do mais simples até que alcancem, 
através do aumento progressivo no grau de dificuldades, uma complexidade 
funcional maior (FORMIGA; PEDRAZZANI; TUDELA, 2010, p. 46). 
 
 
Tudella et al. (2004) investigaram a eficácia da intervenção precoce em bebês 
com diagnóstico de paralisia cerebral. Os resultados mostraram que o tratamento 
iniciado precocemente, até o quinto mês de idade, em crianças com diagnóstico de 
paralisia cerebral traz significativamente mais benefícios ao desenvolvimento 
neuromotor em comparação ao tratamento realizado após essa idade. 
Formiga, Pedrazzani e Tudela (2010) citam as principais metas de um 
programa de intervenção precoce: 
1. Maximizar o potencial de cada criança inserida no programa por meio 
da estimulação em nível ambulatorial e também em seu ambiente natural, 
estabelecendo o tipo, 
o ritmo e a velocidade dos estímulos, e designando, na medida do 
possível, um perfil de reação. 
2. Potencializar a contribuição dos pais ou responsáveis, de modo que eles 
interajam com a criança de forma estabelecer mutualidade precoce na comunicação 
eafeto, prevenindo o advento de patologias emocionais e cinestésicas. 
3. Promover um ambiente favorável para o desempenho de atividades que 
são necessárias para o desenvolvimento da criança. 
 
 
 
 25 
 
4. Oferecer orientações aos pais e a comunidade quanto às possibilidades 
de acompanhamento desde o período neonatal até a fase escolar. 
5. Promover um modelo de atuação multiprofissional e interdisciplinar. 
6. Disseminar informações incentivando e auxiliando a criação de novos 
programas de estimulação precoce. 
 
A estimulação das funções motoras irá ocorrer por meio da abordagem 
proprioceptiva, visando proporcionar a sensação de onde se localizam partes do seu 
próprio corpo, no espaço, com maior diversidade de experiências 
sensitivas/sensoriais e promoção de praxias do sistema sensório motor oral e do 
próprio toque. Quanto à motricidade deve ser trabalhado e reforçado movimentos 
diversos, que favoreçam adequação de tônus e força muscular. Este é um trabalho 
que resulta na consciência do próprio corpo e inibição de movimentos estereotipados 
(BARATA; BRANCO, 2010). Formiga, Pedrazzani e Tudela (2010) destacam a 
importância do contato físico da criança com o terapeuta e com as pessoas que a 
cincundam, bem como brinquedos e brincadeiras proporcionando apoio afetivo, 
segurança e o equilíbrio de que necessita para crescer em harmonia com o meio em 
que vive. Para isso, é necessário compreender que a quantidade de estímulos 
oferecidos estará estreitamente relacionada à sua capacidade, interesse e 
possibilidades. Não se deve forçar a criança, e nem cansá-la, pois o essencial nessa 
relação é ter conhecimento de suas necessidades e da medida exata de estímulos 
para supri-las. 
É importante que o ambiente familiar seja estimulador; cada troca de posição, 
troca de roupa, oferta de brinquedos, banho, deve ser acompanhados de estímulos 
verbais e táteis. Sempre que possível, a criança deve estar perto dos pais, cuidadores, 
irmãos, enquanto estiverem trabalhando, conversando, se alimentando ou brincando. 
Ela precisa participar da dinâmica da casa. 
Atividades de estimulação sensorial tátil com objetos de diferentes cores, 
texturas, ruídos são de fácil execução e aquisição pela família e são de suma 
importância para auxiliar no desenvolvimento. Atividades de interação tátil e 
proprioceptiva que promovam a interação e reforcem os laços afetivos, como a 
 
 
 
 26 
 
Massagem Shantala, também podem e devem ser utilizadas no processo de 
estimulação precoce. 
Várias técnicas podem ser usadas para a estimulação precoce dos bebês com 
alterações do desenvolvimento neuropsicomotor. Esta técnicas ou métodos de 
tratamento são apoiados em diferentes modelos teóricos que reconhecem a 
contribuição genética na determinação hierárquica do desenvolvimento da criança, 
como também a contribuição de outras áreas do desenvolvimento infantil, como 
sensorial, cognitiva, biomecânica e ambiental, na caracterização final do 
comportamento motor (DARRAH, 1998). Apesar das divergências entre as várias 
teorias ou entre os métodos de tratamento, é consenso que o desenvolvimento motor 
resulta, em última instância, da interação contínua entre potenciais biológicos e 
circunstâncias ambientais que envolvem a criança. 
Em situações de alterações neurológicas, através de mecanismos de 
neuroplasticidade e aprendizagem motora, o cérebro cria caminhos alternativos na 
busca de movimentos mais eficazes (LENT, 2002). As experiências ambientais, que 
incluem a estimulação precoce, têm um papel fundamental na formação de redes 
neurais mais fortes e definitivas. Esse processo, entretanto, é definido pelo potencial 
neurológico de cada criança. De acordo com suas potencialidades, a criança com 
alterações neurológicas poderá encontrar caminhos alternativos para desempenhar 
suas funções motoras (LATASH, 1996). Diferentes posturas e formas adaptativas de 
movimento podem propiciar maior estabilidade e funcionalidade. A criança, por 
exemplo, pode encontrar uma forma diferente para sentar ou andar, que favoreça 
maior equilíbrio ou menor gasto energético. O enfoque do tratamento não deve ser a 
deficiência ou a tentativa de obter um padrão “normal” de movimento, mas sim 
alcançar a funcionalidade. Uma alteração motora não deve ser tratada somente por 
existir, mas na medida em que a intervenção contribua para melhorar o desempenho 
da criança em seu contexto cotidiano, e consequentemente sua funcionalidade 
(BRAGA, 2005). 
Para fins didáticos, vamos dividir as propostas de atividade de estimulação 
motora pela sequência dos principais marcos do desenvolvimento. Não é necessário 
que a criança atinja um dos marcos para que seja estimulado o outro, isso vai da 
 
 
 
 27 
 
observação do terapeuta e do potencial motor da criança. Muitas vezes a estimulação 
de uma postura mais alta ajuda a adquirir o controle em uma postura mais baixa. 
 
 
 
Estimulação da linha média: 
O alcance bimanual e a manipulação de objetos são propiciados quando o bebê 
domina a movimentação, principalmente dos membros superiores, na linha média. 
A postura em supino é ideal para este estímulo. Podemos usar brinquedos 
coloridos e luminosos para atrair a atenção do bebê, incentivando-o a manter a cabeça 
na linha média. Se ele não conseguir ativamente, pode ser auxiliado pelo terapeuta. 
Nessa mesma posição, já com a cabeça posicionada, estimule a preensão bimanual 
na linha média. Enquanto o bebê percebe o objeto, ajude-o a alcança-lo apoiando 
seus cotovelos e direcionando suas mãos. Para que a informação seja melhor 
recebida e assimilada pelo SNC podemos acentuar a descarga de peso na região 
cervical e tronco superior, elevando a pelve do bebê e aproximando os membros 
inferiores dos superiores. Este movimento também fortalece a musculatura 
abdominal, alonga a musculatura cervical e permite o alcance dos pés pelas mãos, 
conforme mostrado a seguir: 
 
 
 
 28 
 
 
 
Podemos estimular a linha média posicionando a criança em uma boia de pano 
ou inflável ou na postura de decúbito lateral, sempre observando a posição da cabeça. 
 
 
Estimulação do controle cervical 
Para que o controle cervical aconteça é necessário que exista um sinergismo 
entre a musculatura flexora e extensora do pescoço e do tronco superior. 
 
 
 
 29 
 
Podemos promover esta estimulação em supino e até mesmo em decúbito 
lateral. Porém, na postura em prono, temos um melhor controle da simetria corporal e 
podemos utilizar a gravidade como fator de estimulação. Pode-se colocar um rolo de 
tecido ou espuma em baixo das axilas, com os braços a frente desse, para auxiliar no 
deslocamento do peso corporal e no movimento de extensão cervical. É importante 
utilizar objetos coloridos, ruidosos ou luminosos para atrair a atenção do bebê, 
favorecendo o seguimento visual e a elevação da cabeça. O rolo deve ser de uma 
altura que permita o apoio dos cotovelos. 
 
 
Podemos ainda utilizar para esse objetivo bolas terapêuticas, cunhas de 
espuma e até mesmo o colo do estimulador. O puxado para sentar pode ser utilizado 
como estimulação desde que o bebê já tenha um controle cervical inicial. 
 
 
 
 30 
 
 
 
Uma maneira prazerosa e eficaz de se estimular o controle cervical é 
posicionando o bebê deitado sobre o peito do estimulador. 
 
 
 
 31 
 
 
 
Para estimular o equilíbrio da cabeça na posição sentada, é importante que o 
tronco da criança esteja estabilizado. O terapeuta, posicionado a criança à frente do 
seu corpo, pode auxiliar o bebê a manter a cabeça ereta, apoiando-a por trás do 
pescoço e no queixo, mas sem restringir seus movimentos. Gradualmente, o apoio 
podeser diminuído até que o bebê seja capaz de manter sua cabeça bem alinhada. 
Quando a criança atingir um equilíbrio parcial de cabeça, movimentar lentamente seu 
tronco para trás e para frente, assim como para ambos os lados, pode favorecer as 
reações de endireitamento da cabeça (BRAGA, 2005). 
 
 
 
 32 
 
 
Estimulação do Rolar 
Na postura supina, podemos incentivar o rolar através da fixação visual em um 
objeto ou mesmo no rosto do terapeuta ou estimulador. No início pode ser necessário 
auxílio para atingir a postura e, para isso, o terapeuta pode apoiar os ombros ou a 
pelve do bebê, ajudando-o na impulsão do movimento. Provavelmente, será 
necessário ajudá-lo na liberação do braço tanto no rolar de supino para prono, quanto 
vice-versa. Essa atividade também promove estímulos vestibulares e labirínticos, 
auxiliando na aquisição das reações labirínticas e retificação. Em crianças que já 
tenham desenvolvido essa reação, podemos utilizá-la como auxiliar da estimulação 
do rolar. Realizar esta atividade no colo do terapeuta ou estimulador também é 
bastante eficaz e, muitas vezes, mais confortável e acolhedor para o bebê. 
 
 
 
 
 33 
 
 
 
Estimulação do sentar 
A partir do momento em que entendemos que o desenvolvimento 
neuropsicomotor é contínuo e dependente das ações e repetições dos padrões 
motores, compreendemos que todas as atividades estimuladas desde o início já estão 
preparando o bebê para sentar. O domínio da postura sentada exige um bom 
sinergismo de musculatura de tronco e membros inferiores, além do completo 
desenvolvimento do controle cervical e das reações de retificação e proteção. 
Formiga, Pedrazzani e Tudela (2010), relatam a resistência de familiares e cuidadores 
do bebê em colocá-lo precocemente nesta posição, por medo de alguma alteração na 
estrutura vertebral. Porém, sentar a criança e fornecer o apoio necessário é essencial 
 
 
 
 34 
 
para o bom desenvolvimento de suas capacidades. O controle de tronco pode ser 
estimulado através de: 
– Atividade em prono proporcionando a extensão do tronco 
seja utilizando a bola, rolo ou o colo do terapeuta. 
– Incentivo da postura sentada, mesmo com apoio, utilizando-se de boias 
infláveis, almofadas, colo ou até mesmo o cantinho do sofá ou poltrona. 
 
Devem-se incentivar as posturas de carregar sentado no braço como 
cadeirinha ou mesmo apoiado pelo abdômen e desencorajar a prática de colocar a 
criança no ombro com o rosto voltado para trás ou deitado no colo. 
 
 
 
 
 35 
 
– Atividades com a criança sentada no chão, ajudando-a a manter o equilíbrio 
através do apoio na pelve. Incentive a criança a fazer o apoio anterior das mãos. À 
medida que o controle de tronco melhore, ofereça a ela um brinquedo favorito para 
que possa alcançar somente se liberar o apoio de uma das mãos, praticando assim 
as reações de equilíbrio (BRAGA, 2005). 
 
– Atividades sentado na bola, rolo, cavalo de borracha ou colo do terapeuta 
provocando desequilíbrios para frente, para trás e para os lados ativando a 
musculatura de tronco e as reações de retificação. 
 
– Depois que a criança for capaz de sentar-se sem o uso das mãos para apoio, 
o terapeuta pode encorajá-la a realizar movimentos rotacionais do tronco, durante 
jogos, para melhorar o seu equilíbrio sentado (BRAGA, 2005). 
 
 
 
 
 36 
 
 
Estimulação do arrastar 
– O arrastar permite à criança locomover-se por maiores distâncias, de forma 
mais rápida e com mudanças mais eficazes de direção do que o rolar. O terapeuta ou 
familiares podem ajudar a criança a aprender a arrastar em prono, flexionando um dos 
membros inferiores, o que confere o apoio necessário para que ela impulsione o corpo 
à frente através da extensão dessa perna. A criança pode completar o movimento, 
utilizando os braços para puxar o corpo (BRAGA, 2005). 
 
 
Estimulação da postura de gatas e do engatinhar 
Para que o bebê consiga se manter na postura de gatas é necessário que ele 
tenha uma boa fixação de cintura escapular e pélvica. Atividades que promovam o 
apoio de mão com cotovelos estendidos, utilizando bola, rolo, cunha, colo do terapeuta 
e até atividades mais elaboradas como a brincadeira do “carrinho de mão” são úteis 
para aquisição dessa habilidade. 
 
 
 
 
 
 37 
 
Treino de transferência de side para side e side para gatas são importantes para 
treinar a musculatura rotadora do tronco favorecendo o engatinhar com dissociação. 
A estimulação do engatinhar propriamente dita pode ser feita com o incentivo 
de um brinquedo a frente da criança e a facilitação dos movimentos alternados de 
braço e pernas. 
Um tecido no tronco pode ser utilizado para auxiliar nessa estimulação, porém 
com muita atenção para não puxar a criança para cima, não permitido assim a correta 
descarga de peso nos membros. 
 
A criança pode necessitar de ajuda para a aprendizagem da transferência de 
sentado para a posição de gatas e vice-versa. O terapeuta ou familiares podem ajudá-
la a fazer apoio com as mãos no chão, enquanto gira a pelve fazendo apoio nos 
joelhos e mãos. Essa mudança de posição permite à criança maior independência 
enquanto brinca no chão. Os movimentos intermediários entre uma posição e outra 
podem ser ensinados à criança de forma lenta e gradativa, dando chance para que 
ela experimente cada etapa, exercitando o equilíbrio e a tomada de peso corporal 
(BRAGA, 2005). 
 
 
 
 38 
 
 
 
 
Estimulação da postura ajoelhada e agachada 
A estimulação destas posturas mais altas é importante para preparar o bebê 
para a postura bípede. Para isso, podemos utilizar atividades de alcance acima da 
cabeça (presas na parede ou em um espelho, por exemplo) e facilitar a passagem do 
sentado de lado (side) para a postura de joelho e com isso conseguir alcançar o objeto. 
 
Incentivar a postura agachada (cócoras) também é importante, pois o bebê 
precisa dela para pegar objetos no chão e transferir-se de sentado para de pé. 
 
Estimulação do semiajoelhado e transferência para o ortostatismo 
O semiajoelhado é uma postura de transição e muito utilizada para atingir a 
postura ortostática. Aproveite a atividade da postura ajoelhada e incentive a passagem 
do pé para frente, ora de um lado, ora de outro. Pode-se manter a postura de frente 
 
 
 
 39 
 
para o espelho ou posicionar a criança de frente para o terapeuta. Esse tipo de postura 
fortalece o vínculo do estimulador com a criança, tornando a atividade mais eficaz e 
prazerosa. 
 
Coloque o objeto uma pouco mais acima da cabeça incentivando o alcance e, 
com isso, a extensão do joelho que está à frente e a transferência para a postura de 
pé. 
Outro modo de estimular a transferência de sentado para de pé, especialmente 
se a criança apresentar dificuldades em dissociar movimentos da perna, é a mudança 
da posição sentada em um banco ou colo de um adulto com os dois pés tocando o 
chão (BRAGA, 2005). 
 
 
Estimulação do ortostatismo estático e do andar 
 
 
 
 40 
 
Com a criança apoiada em um móvel ou em outra pessoa, promover o 
desequilíbrio para frente, trás e lados estimulando as estratégias de equilíbrio do 
tornozelo e quadril. Pode-se incentivar a marcha lateral com apoio, progredir para 
marcha para frente com apoio seja empurrando uma cadeira, banco ou mesmo um 
andador infantil. Ao estimular a marcha com o apoio de uma ou ambas as mãos do 
estimulador, é necessário estar atento a não incentivar a extensão dos ombros da 
criança (manter os braços para cima), pois essa posição altera a descarga de peso e 
com isso dificulta a aquisição do equilíbrio de péseja estático ou dinâmico. O melhor 
ponto de apoio para estimulação da marcha é pelo quadril. 
 
Estimulando a exploração do ambiente 
Formiga, Pedrazzani e Tudela (2010) salientam a importância dessa 
estimulação. É necessário que sejam oferecidas diversas oportunidades para o bebê 
explorar e movimentar-se ativamente durante a intervenção. Ela coloca também a 
importância de objetos diversificados como escorregadores, bancos de madeira, 
piscinas de bolinhas, cama elástica, degraus e materiais de diferentes texturas, porém 
destaca que é no ambiente doméstico que a criança irá entrar em contato com os 
objetos e pessoas do seu convívio, explorar os móveis da sala, mexer nas panelas da 
cozinha, bater nos móveis com escovas, pentes e chaveiros. Os pais devem ser 
orientados da importância destas atividades. 
O bebê também precisa ser incentivado a engatinhar embaixo das cadeiras da 
sala ou da cozinha na intenção de buscar um objeto e, com isso, desenvolver uma 
variedade de sensações e movimentos, como abaixar a cabeça para passar por baixo, 
movimentar os membros dentro das amplitudes permitidas. Estes deslocamentos vão 
 
 
 
 41 
 
auxiliar no desenvolvimento das noções espaciais como “em cima”, “embaixo”, 
“dentro” e “fora”. 
Programas de orientações para os pais e cuidadores devem ser desenvolvidos 
visando o melhor benefício para o bebê. As atividades de estimulação precoce devem 
ser realizadas diariamente e se possível mais de uma vez ao dia. Porém, de nada 
adianta ir diariamente à sessão de terapia e depois passar o resto do dia em situações 
que não favoreçam esta estimulação. É muito mais vantajoso um bebê ir uma a duas 
vezes por semana na terapia onde a família e o cuidador são devidamente orientados 
e participam do tratamento. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Unidade 3: Estimulação tátil-cinestésica no 
desenvolvimento e ganho de peso do rn pré-termo na uti. 
 
Seção 3.1: Introdução 
É considerado recém-nascido pré-termo (ou prematuro) aquele nascido antes 
de 37 semanas de idade gestacional (ou IG). Ao longo dos anos e com o aumento da 
tecnologia nas UTIS neonatais, assim como com o uso de ventilação mecânica e o 
 
 
 
 42 
 
advento da terapia com surfactante e o melhor treinamento e conhecimento na 
perinatologia a taxa de sobrevivência de lactentes prematuros vem aumentando cada 
vez mais. Apesar disso os prematuros ainda se encontram sob maior risco de déficits 
de desenvolvimento e condições de incapacidade que os termos, que são aqueles 
indivíduos nascidos após as 37 semanas gestacionais (SHEAHAN; BROCKWAY; 
TECKLIN, 2002). 
O acompanhamento de crianças consideradas de risco é de suma importância, 
visto que o desenvolvimento do RNPT pode ocorrer de forma adequada, porem num 
ritmo mais lento do que o termo, devido a imaturidade de seus sistemas (que pode 
ser maior ou menor a depender da IG). Nesse momento a estimulação precoce entra 
como uma forma de potencializar a interação do lactente com o ambiente através de 
estimulações que levam a facilitação e a obtenção de respostas próximas ao padrão 
de normalidade e a inibição ou correção da aprendizagem de movimentos e postura 
anormais ou inadequados. Ela tem como principal objetivo normalização do tono de 
forma global, estimulação proprioceptiva e aumento do limiar de sensibilidade tátil-
cinestésica. Portanto, a estimulação precoce procura dar ao neonato condições para 
que ele se auto-organize, assim como visa facilitar ou corrigir os desvios do 
desenvolvimento neuropsicomotor dessas crianças, já que a experiência do 
movimento frequentemente é limitada ou perturbada no bebê prematuro (DUARTE et 
al., 2007) 
Qualquer programa de intervenção deve seguir algumas normas como, por 
exemplo, adequar o ambiente às limitações impostas pelo cuidado intensivo, adaptar-
se de acordo com a maturidade de cada lactente, observar e adequar as condições 
fisiológicas e comportamentais, ser individualizado e modificado conforme as 
condições clinicas e maturidade apresentada por cada criança, considerar a 
quantidade de estímulos que cada um pode tolerar e estar sempre atento aos sinais 
emitidos, como os sinais de aproximação ou afastamento que normalmente são muito 
claros e indicam quanto mais pode-se trabalhar (DUARTE et al., 2007). 
Dentre as estimulações comumente utilizadas na pratica clinica pelos 
fisioterapeutas, temos a estimulação Tátil-cinestésica que foi definida como uma 
terapia onde o toque é aplicado de maneira suave e sistemática, baseada na 
 
 
 
 43 
 
precocidade do sentido do tato que já se encontra presente no feto a partir de sete 
semanas e meia de gestação. Ela é considerada um procedimento muito seguro para 
auxiliar no desenvolvimento dos prematuros, além disso, sabe-se também que nos 
primeiros dias de vida a resposta dos recém-nascidos (RN) ao estimulo tátil é melhor 
do que em qualquer outra fase do desenvolvimento, quando comparada a outras 
modalidades sensoriais, por isso ela vem sendo amplamente divulgada e estudada 
(VICKERS, 2008). 
A dinâmica do crescimento neonatal é proporcional a idade gestacional, já a 
intensidade e duração da perda de peso inicial e consequente recuperação é 
inversamente proporcional a idade gestacional, peso e gravidade do prematuro. a 
necessidade nutricional de cada um costuma variar de acordo com o peso no 
momento do nascimento, porém a dificuldade de absorção interfere diretamente no 
ganho de peso ponderal (RUGOLO, 2005). 
 
Seção 3.2: Prematuridade e fatores de risco 
Os autores estudados concordam que prematuro é aquele recém-nascido que 
vem ao mundo com menos de 37 semanas de gestação. A prematuridade é 
decorrente de circunstâncias diversas e muitas vezes imprevisíveis, acontece em 
todos os lugares e classes sociais e trazem como fatores de risco inúmeros fatores, 
porém foram encontradas algumas causas mais citadas e muitas delas são 
relacionadas ao aparelho genital feminino como, por exemplo, alterações placentárias 
(placenta prévia e descolamento prematuro) e excesso de líquido amniótico. Outros 
fatores incluem ainda a idade materna, (que possuem maior incidência em mães muito 
jovens) eclampsia, infecções maternas e primiparidade. Porém, na grande maioria dos 
casos, os autores concordam que a causa ainda é desconhecida. 
 
 
 
 
 
 44 
 
Seção 3.3: Desenvolvimento neuropsicomotor e a maturação dos 
sistemas 
 O sistema nervoso da criança está em constante evolução e transformação 
desde a vida intrauterina, e após o nascimento dependem muito das condições 
ambientais encontradas, como resultado da soma desses fatores intra e extrauterinos 
temos o desenvolvimento neuropsicomotor. Quando o RN vem ao mundo de forma 
prematura, algumas fases são interrompidas e por isso pode ocorrer o atraso no 
desenvolvimento e na maturação dos sistemas. É importante lembrar que todo exame 
neurológico deve respeitar a evolução do desenvolvimento do sistema nervoso do RN, 
e os comportamentos do mesmo não estão devidamente estabelecidos até a 36 
semana de idade gestacional, sendo assim é importante se atentar para o fato de que 
no prematuro as respostas neurológicas são compatíveis com o que seria encontrado 
na idade gestacional que ele se encontra, e não na idade cronológica como 
comumente se espera (GHERPELLI, 2003). 
Um estudo encontrado evidenciou uma capacidade da pele em metabolizar 
coordenar e organizar estímulos externos mantendo a homeostase interna e externa 
sinalizando a interação que existe entre o sistema endócrino e a estimulação cutânea. 
Assim foi observado que a estimulação tátil-cinestésica produz efeitos importantes na 
maturação e na atividade do sistema nervoso simpático, ele leva a um aumento da 
excreção de adrenalina e noroadrenalina através

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