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CURSO IPv6 BÁSICO
Rodrigo Regis dos Santos
Antônio M. Moreiras
Eduardo Ascenço Reis
Ailton Soares da Rocha
Núcleo de Informação e Coordenação do ponto BR
São Paulo
2010
Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR
Diretor Presidente
Demi Getschko
Diretor Administrativo
Ricardo Narchi
Diretor de Serviços
Frederico Neves
Diretor de Projetos Especiais e de Desenvolvimento
Milton Kaoru Kashowakura
Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações – CEPTRO.br
Antônio Marcos Moreiras
Coordenação Executiva e Editorial: Antônio Marcos Moreiras
Autores / Design / Diagramação
Rodrigo Regis dos Santos
Antônio Marcos Moreiras
Eduardo Ascenço Reis
Ailton Soares da Rocha
Sobre o Projeto IPv6.br
O IPv6 é a nova geração do Protocolo Internet.
Ele já vem sendo utilizado há algum tempo. Mas agora sua implantação deve ser 
acelerada. Ela é imprescindível para a continuidade do crescimento e da evolução da 
Internet!
O objetivo do projeto IPv6.br do NIC.br é estimular a utilização do novo protocolo na 
Internet e nas redes brasileiras. Para saber mais acesse o sítio Internet www.ipv6.br 
ou entre em contato pelo e-mail ipv6@nic.br.
O CEPTRO.br- Centro de Estudos e Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações 
do NIC.br – é responsável por projetos que visam melhorar a qualidade da Internet no 
Brasil e disseminar seu uso, com especial atenção para seus aspectos técnicos e de 
infraestrutura. Mais informações podem ser obtidas no sítio Internet www.ceptro.br.
Sobre os autores
Rodrigo Regis dos Santos é Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade 
Presbiteriana Mackenzie e atualmente está especializando-se em Gestão e 
Infraestrutura de Telecomunicações pela mesma Universidade. Especialista em IPv6, 
trabalha no NIC.br atuando como um dos responsáveis pelo projeto IPv6.br, que tem 
por objetivo incentivar o uso do protocolo no país.
Antonio M. Moreiras é engenheiro eletricista e mestre em engenharia pela POLI/USP, 
MBA pela UFRJ, além de ter estudado Governança da Internet na Diplo Foundation e 
na SSIG 2010. Trabalha atualmente no NIC.br, onde está envolvido em projetos para o 
desenvolvimento da Internet no Brasil, como a disseminação do IPv6, a 
disponibilização da Hora Legal Brasileira via NTP, estudos da Web, ENUM, entre 
outros.
Eduardo Ascenço Reis é especialista em redes IP, sistemas Unix e serviços Internet. 
Como formação, possui Curso de Especialização em Redes de Computadores pelo 
LARC/USP e Bacharelado em Ciências Biológicas pela USP. Sua atuação profissional 
em TI ocorre desde 1995, com experiências nas empresas: Universidade de São Paulo 
(USP), Ericsson Brazil, comDominio (IDC - AS16397), CTBC Multimídia (NSP, ISP - 
AS27664). Atualmente atua como supervisor de projetos no Centro de Estudos e 
Pesquisas em Tecnologia de Redes e Operações (CEPTRO.br) do Núcleo de 
Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e é um dos responsáveis pelo 
PTTmetro (PTT.br).
Ailton Soares da Rocha é Analista de Projetos no NIC.br, onde está envolvido com 
pesquisas e projetos relacionados à infraestrutura da Internet no país, com importante 
atuação nos projetos IPv6.br e NTP.br. Engenheiro eletricista e de telecomunicações 
graduado pelo INATEL, atuou por mais de 10 anos na coordenação da área de redes e 
Internet da instituição.
Sobre a licença
•
 Para cada novo uso ou distribuição, você deve deixar claro para outros os termos da licença desta obra.
• No caso de criação de obras derivadas, os logotipos do CGI.br, NIC.br, IPv6.br e CEPTRO.br não devem ser utilizados.
•
 Na atribuição de autoria, essa obra deve ser citada da seguinte forma:
•
 Apostila “Curso IPv6 básico” do NIC.br, disponível no sítio http://curso.ipv6.br ou através do e-mail ipv6@nic.br.
•
 Qualquer uma destas condições podem ser renunciadas, desde que você obtenha permissão do autor.
 Se necessário, o NIC.br pode ser consultado através do email ipv6@nic.br. 
•
 Nada nesta licença prejudica ou restringe os direitos morais do autor.
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Neste módulo de introdução, iniciaremos conhecendo um pouco da história da Internet e 
do desenvolvimento do protocolo IP.
Entenderemos quais os problemas causados pela forma adotada inicialmente para 
distribuição dos endereços IP e pelo rápido crescimento da Internet, e quais as soluções adotadas 
para resolver esses problemas. Seguindo este histórico, veremos como algumas dessas soluções 
evoluíram até se chegar a definição da versão 6 do protocolo IP, o IPv6.
Também veremos neste módulo, através de dados estatísticos, a real necessidade da 
implantação do IPv6 nas redes de computadores, confrontando dados sobre o ritmo de 
crescimento da Internet e sobre a adoção e utilização do IPv6. Também serão discutidas as 
consequências da não implantação do novo protocolo IP e da larga utilização de técnicas tidas 
como paliativas, como por exemplo as NATs.
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Introdução
Módulo 1
O Departamento de Defesa (DoD - Department of Defense) do governo estadunidense 
iniciou em 1966, através de sua Agencia de Pesquisas e de Projetos Avançados (ARPA - 
Advanced Research Projects Agency), um projeto para a interligação de computadores em centros 
militares e de pesquisa. Este sistema de comunicação e controle distribuído com fins militares 
recebeu o nome de ARPANET, tendo como principal objetivo teórico formar uma arquitetura de 
rede sólida e robusta que pudesse, mesmo com a queda de alguma estação, trabalhar com os 
computadores e ligações de comunicação restantes. Em 1969, são instalados os primeiros quatro 
nós da rede, na Universidade de Los Angeles (UCLA), na Universidade da Califórnia em Santa 
Bárbara (UCSB), no Instituto de Pesquisas de Standford (SRI) e na Universidade de Utah.
No início, a ARPANET trabalhava com diversos protocolos de comunicação, sendo o 
principal o NCP (Network Control Protocol). No entanto, em 1/1/1983, quando a rede já possuía 
562 hosts, todas as máquinas da ARPANET passaram a adotar como padrão os protocolos 
TCP/IP, permitindo o crescimento ordenado da rede e eliminando restrições dos protocolos 
anteriores. 
Definido na RFC 791, o protocolo IP possui duas funções básicas: a fragmentação, que 
permite o envio de pacotes maiores que o limite de tráfego estabelecido de um enlace, dividindo-
os em partes menores; e o endereçamento, que permite identificar o destino e a origem dos 
pacotes a partir do endereço armazenado no cabeçalho do protocolo. A versão do protocolo IP 
utilizada na época e atualmente é a versão 4 ou IPv4. Ela mostrou-se muito robusta, e de fácil 
implantação e interoperabilidade, entretanto, seu projeto original não previu alguns aspectos 
como:
– O crescimento das redes e um possível esgotamento dos endereços IP;
– O aumento da tabela de roteamento;
– Problemas relacionados a segurança dos dados transmitidos;
– Prioridade na entrega de determinados tipos de pacotes.
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●
 1969 – Início da ARPANET
●
 1981 – Definição do IPv4 na RFC 791
●
 1983 – ARPANET adota o TCP/IP 
●
 1990 – Primeiros estudos sobre o esgotamento 
dos endereços
●
 1993 – Internet passa a ser explorada 
comercialmente
� Intensifica-se a discussão sobre o possível 
esgotamento dos endereços livres e do aumento da 
tabela de roteamento.
A Internet e o TCP/IP
As especificações do IPv4 reservam 32 bits para endereçamento, possibilitando gerar mais 
de 4 bilhões de endereços distintos. Inicialmente, estes endereços foram divididos em três classes 
de tamanhos fixos da seguinte forma:
� Classe A: definia o bit mais significativo como 0, utilizava os 7 bits restantes do 
primeiro octeto para identificar a rede, e os 24 bits restantes para identificar o host. 
Esses endereços utilizavam a faixa de 1.0.0.0 até 126.0.0.0;
� Classe B: definia os 2 bits mais significativo como 10, utilizava os 14 bits seguintes 
para identificar a rede,