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Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br 7. Tiristores Tiristor é o nome usado para designar uma família de componentes de quatro camadas (P-N-P-N). Nesta seção serão abordados os tiristores SCR e TRIAC. Embora o GTO seja também um tiristor, ele será abordado na seção de chaves controláveis. 7.1 O SCR O SCR – Silicon Controled Rectifier – é o mais antigo dispositivo semicondutor de potência, possui construção simples, ainda hoje é o dispositivo capaz de manipular as mais altas potências. É possível encontrar no mercado dispositivos que podem suportar vários Kilovolts e vários Kiloampères. Entretanto, como mencionado na tabela 1, somente seu ligamento pode ser controlado. A figura seguinte mostra o símbolo do SCR, juntamente com sua característica estática (idealizada). Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br Figura 7.1 O SCR e sua característica estática Fonte: Apostila SENAI Eletrônica, 2007, p. 97. Além de possuir anodo e catodo como os diodos, o SCR possui um terminal de controle, o gate. Desta forma, o SCR comporta-se como um “diodo controlável”, sendo capaz de bloquear tensões positivas e negativas. No estado de condução do SCR real, a queda de tensão direta (VT) é bastante pequena, da ordem de 1 a 3V, mesmo nos dispositivos capazes de suportar vários Kilovolts. O ligamento do SCR é feito através do terminal Gate (porta ou gatilho), onde deve ser aplicado um pulso de corrente positiva em relação ao catodo, com amplitude e duração suficientes. O SCR entrará em condução se estiver sob polarização direta anodo – catodo, e manterá seu estado de condução se, antes de ser retirada a corrente de gate, a corrente de anodo for superior ao valor chamado corrente de travamento (latching), IL . Caso contrário o SCR retoma o estado de bloqueio. A figura seguinte ilustra o processo de ligamento do SCR. Como pode ser observado, existe um tempo de atraso td entre o estabelecimento da corrente de gate e o início do crescimento da corrente de anodo. O tempo tr refere-se ao intervalo de decaimento da tensão anodo-catodo de 90% para 10% de seu valor inicial. O tempo de ligamento ton é a soma de td e tr. Figura 7.2 Processo de ligamento do SCR Fonte: Apostila SENAI Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br Eletrônica, 2007, p. 98. No processo de ligamento, é importante limitar a taxa de crescimento da corrente (di/dt) no dispositivo, sob pena de formação de pontos quentes (“hot spots”) próximos ao gate com a conseqüente destruição do componente. Não é possível realizar o desligamento do componente pelo terminal de gate. Inclusive, após o disparo, a corrente de gate pode ser retirada sem comprometer a condição de condução do SCR. Há dois meios de efetuar o bloqueio do SCR: Comutação natural: neste caso, a corrente de anodo naturalmente cai abaixo do valor mínimo chamado corrente de manutenção IH – (Holding Current), o que dá início à comutação. Em aplicações CA, isto ocorre automaticamente nas passagens por zero da forma de onda corrente. Comutação forçada: neste caso, o tiristor é reversamente polarizado por um circuito auxiliar (chamado circuito de comutação forçada) ou, às vezes, pelo próprio circuito de potência. O processo de bloqueio é semelhante ao dos diodos. Depois de se anular, a corrente de anodo se inverte durante o intervalo trr. Para que o SCR mantenha seu estado de bloqueio, ele somente pode receber nova polarização direta após passado um tempo superior a tq (tempo de comutação), o qual é igual à soma de trr e tgr, o tempo de recuperação de gatilho. O tq é Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br dependente da temperatura e da corrente direta, dentre outros parâmetros. A figura seguinte ilustra o processo de bloqueio do SCR, juntamente com a indicação dos tempos relevantes. Figura 7.3 Processo de bloqueio do SCR Fonte: Apostila SENAI Eletrônica, 2007, p. 99. Após completo o processo de comutação, é importante limitar a taxa de subida da tensão no dispositivo (dv/dt), sob pena de ligamento indevido. Devido à presença da capacitância de junção, a corrente de deslocamento causada por uma taxa dv/dt elevada pode provocar o disparo acidental do SCR. Para evitar esse problema, deve ser externamente ligado ao SCR um circuito que reduza essa taxa, chamado circuito “snubber”, o qual consiste num circuito RC série. Dependendo das necessidades da aplicação, vários tipos de SCRs são disponíveis: SCRs de frequência de rede: também conhecidos por “phase control SCRs”, são utilizados em retificadores controlados e como chave eletrônica CA. Os parâmetros mais importantes são as capacidades de tensão e corrente e a queda de tensão direta. Em favor de uma pequena queda de tensão direta, o tempo de Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br comutação tq não é otimizado, variando entre 50 e 300μs. Este tipo de SCR pode ser encontrado para operar em tensões de até 5-12kV e correntes de até 3-4kA, aproximadamente. SCRs rápidos: também conhecidos por “inverter type SCRs”, são projetados para utilização em choppers e inversores, e desta forma possuem um tempo de comutação reduzido (2 a 50μs) . A utilização destes tiristores está sendo abandonada devido à performance muito superior dos transistores IGBT e MOSFET de potência. Apenas são utilizados em potências muito elevadas. Os tempos de l igamento e desligamento dos SCR são relativamente elevados, o que produz consideráveis perdas por comutação. Por isso, a utilização de SCRs é restrita a aplicações de frequência não muito elevadas. A necessidade de circuitos de comutação forçada e a menor velocidade são as grandes desvantagens dos SCRs. Nos dias de hoje, devido aos avanços na tecnologia dos transistores de potência MOSFET e IGBT, o SCR tem sua utilização restrita a circuitos retificadores de linha, relés de estado sólido e conversores de altíssimas potências (na casa das dezenas de MVA), como transmissão de energia CC em alta tensão (HVDC), acionamento de grandes motores de vários MVA, ETC. A tabela seguinte ilustra resumidamente as características de alguns dispositivos. Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br Tabela 7.1 Características elétricas de alguns dispositivos A seguir estão os significados dos parâmetros mais importantes. Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br VDRM VRRM VRSM VR VT (dv/dt)cr ITSM ITM ou ITRM IT ou ITAV ITRMS i2 t IR IRD IL IH (di / dt) cr tq tgr td ou tgd tr ou tgr tON ou tgt trr IRM Qrr PTOT ou PD(AV) Tj Rthjc ou RθJC rT IGT VGT VGRM IGD VGD PGM PG(AV) IGTM ou IGSM - Tensão direta repetitiva - Tensão reversa repetitiva - Tensão de surto reversa não repetitiva - Tensão reversa contínua - Queda de tensão direta com o SCR em condução - Máxima taxa de crescimento da tensão - Corrente de surto direta não repetitiva - Corrente de surto direta repetitiva - Corrente direta média - Corrente direta eficaz - Este valor é utilizado para selecionar o fusível de proteção, que deve possuir um i2t menor do que o do SCR. - Corrente reversa (corrente de fuga) - Corrente direta com o SCR bloqueado (corrente de fuga) - Corrente de travamento (latching current) - Corrente de manutenção (holding current) - Máxima taxa de crescimento da corrente - Tempo de comutação - Tempo de recuperação de gate - Tempo de atraso no ligamento - Tempo de decaimento da tensão anodo – catodo - Tempo de ligamento - Tempo de recuperação reversa - Pico da corrente de recuperação reversa, é dado para valores de temperatura, IF e diF / dt específicos. - Carga que flui para no circuito durante ointervalo trr - Dissipação de potência - Faixa de temperatura de operação da junção - Resistência térmica entre a junção – encapsulamento em ºC / W - Resistência ôhmica do tiristor - Mínima corrente de gate para o disparo - Mínima tensão de gate para o disparo - Tensão reversa que pode ser aplicada à junção G-K - Máxima corrente de gate que certamente não provocará o disparo (“gate non-trigger current”) - Máxima tensão de gate que certamente não provocará o disparo (“gate non-trigger voltage”) - Pico de potência de gate - Potência média de gate - Corrente de gate 7.2. Triac O TRIAC – “Thyristor AC” pode ser interpretado como a conexão de dois SCRs em anti-paralelo. O componente é bidirecional em Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br corrente e tensão, possuindo os terminais de carga MT1 e MT2 (MT = “Main Terminal”), bem como o terminal de gate. O maior problema do TRIAC é que sua capacidade de dv/dt é muito baixa, tipicamente 5 a 20V / μs, contra 100 1000 V/ μs nos SCRs. Além disso, somente estão disponíveis dispositivos para correntes de apenas aproximadamente 40 Arms. Esses fatores seriamente limitam sua capacidade de controle de potência, mas não impedem sua ampla e difundida utilização em aplicações CA de baixa potência. A figura seguinte mostra o símbolo do TRIAC, juntamente com sua característica estática idealizada. Como pode ser observado, é um dispositivo que opera em todos os quadrantes do plano v x i. Sendo um tiristor, possui característica de travamento, isto é, uma vez em condução a corrente de gate pode ser retirada. Figura 7.4 O TRIAC e sua característica v x i Fonte: Apostila SENAI Eletrônica, 2007, p. 101. O processo de bloqueio é similar ao do SCR. Embora com sensibilidades diferentes, o TRIAC pode ser disparado tanto com correntes positivas quanto negativas no gate, mas sempre em relação a MT1. Como o TRIAC pode conduzir em ambas as direções, em aplicações CA ele somente dispõe de um breve intervalo de tempo para recuperar sua condição de bloqueio na passagem por zero da forma de onda senoidal de corrente, o que Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br limita seu emprego confiável em frequências de até 60HZ. Quando aplicado no controle de cargas indutivas, o atraso da corrente em relação a tensão implica que quando a corrente cai abaixo da corrente de manutenção IH e o TRIAC bloqueia, surge sobre os terminais do mesmo certa tensão. Se esta tensão surge muito rapidamente, o TRIAC retoma o estado de condução e o controle é perdido. A fim de evitar esse problema, a taxa dv / dt de subida da tensão deve ser limitada através de uma rede RC série ligada aos terminais do componente (circuito “snubber”). Na prática, em aplicações de alta potência, quando é necessário efetuar o controle bidirecional de correntes mais elevadas, utilizam-se dois SCRs ligados em anti- paralelo. A designação dos parâmetros dos TRIACs são semelhantes às dos tiristores. A tabela seguinte mostra resumidamente as características de alguns dispositivos. Tabela 7.2 Características elétricas de alguns dispositivos 7.3 Diac Os diacs são diodos de disparo bidirecional, composto por três camadas (PNP) com a simples função de disparar tiristores. Sua construção assemelha-se a de um transistor bipolar, porém difere na dopagem do cristal N. Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br Seu funcionamento é simples: Para passar do estado de bloqueio para o estado de condução, é preciso ultrapassar a tensão de ruptura (VR), rompendo assim, a junção polarizada inversamente, podendo a corrente fluir em ambos sentidos. Para voltar ao estado de bloqueio, basta remover a tensão por alguns instantes. Os diacs servem para controlar o disparo de triacs quando uma tensão de referência chegar a certo valor. Figura 7.4 O DIAC e sua simbologia Fonte: Apostila SENAI Eletrônica, 2007, p. 112. 7.4. UJT Transistor unijunção Os UJT (Unijunction Transistor) podem ser utilizados em osciladores de baixa frequência, disparadores, estabilizadores, geradores de sinais dente de serra e em sistemas temporizados. Figura 7.5 O UJT Fonte: Apostila SENAI Eletrônica, 2007, p. 117. Constituição Interna Basicamente o transistor de unijunção é constituído por uma Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br barra de material semicondutor do tipo N (de alta resistividade) com terminais nos extremos. Tais contactos não constituem junções semicondutoras, e assim, entre B2 (base 2) e B1 (base 1) temos, na prática uma resistência, formada pelo material semicondutor N. O material do tipo P como material do tipo N formam a única junção PN semicondutora interna. Figura 7.6 O UJT - Constituição Interna Fonte: Apostila SENAI Eletrônica, 2007, p. 117. Tudo se passa como se o bloco do tipo N fosse formado por duas simples resistências (Rb2 e Rb1), em série, tendo ligado no seu ponto central um diodo (terminal E ou Emissor). O terminal do emissor (E) está mais próximo da base 2 (B2). Princípio de funcionamento Figura 7.7 O UJT – Princípio de funcionamento Fonte: Apostila SENAI Eletrônica, 2007, p. 118. O valor resistivo normal entre os terminais da base 2 e 1 é relativamente alto (tipicamente entre 4 K e 12 K). Assim, se ligarmos o terminal B2 a um potencial positivo (tipicamente entre 6 e 30 Volt), e o terminal B1 ao negativo, uma corrente muito pequena circulará por Rb2 e Rb1. Ao mesmo tempo, Rb2 e Rb1 formam um divisor de tensão, em cujo ponto intermédio surge Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br uma tensão menor, porém proporcional àquela que foi aplicada a B2. Suponhamos que Rb2 e Rb1 têm valores iguais, de 5 K cada um. Assim, se aplicarmos (com a polaridade indicada) 10 Volt entre B2 e B1, o “cátodo” do “diodo” do emissor terá uma tensão de 5 Volts. Ao aplicarmos, então, uma tensão de entrada no emissor (E) do UJT, esta terá que, inicialmente vencer a barreira de potencial intrínseca da junção PN ( 0,6V) e, em seguida, superar a própria tensão que polariza o “cátodo” (5 Volts no exemplo). Nesse caso, enquanto a tensão aplicada ao terminal do emissor (E) não atingir 5,6 Volt (0,6V + 5V) não haverá passagem de corrente pelo emissor através de Rb1 para a linha de negativo da alimentação. Mantendo-se no exemplo, uma tensão de emissor igual ou maior do que 5,6 Volts determinará a passagem de uma corrente; já qualquer tensão inferior (a 5,6V) será incapaz de originar passagem da corrente elétrica pelo emissor (E) e por Rb1. Enquanto os 5,6V não forem atingidos, a corrente será nula, como através de um interruptor aberto. Alcançando os 5,6V, tudo se passa como se o tal interruptor estivesse fechado. A corrente que circulará estará limitada unicamente pelo valor resistivo intrínseco de Rb1. Como a transição de corrente nula, para corrente total, entre emissor (E) e base 1 (B1) se dá sempre de forma abrupta (quando a tensão de emissor chega à tensão/limite de disparo), podemos considerar o UJT como um simples interruptor acionado por tensão. Características técnicas • Tensão entre bases (Vbb) – é a máxima tensão que pode ser Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br aplicada entre as bases. • Tensão entre emissor e base 1 (Vb1e) – é a máxima tensão que pode ser aplicada entre esses dois terminais. • Resistência entre bases (Rbb) – é a resistência existente entre os dois terminais de base. • Corrente de pico de emissor (Ie) – é a corrente máxima que pode circular entre o emissor e a base 1 quando o transistor é disparado. • Razão intrínseca de afastamento () Figura 7.6 O UJT – Características técnicas Fonte: Apostila SENAI Eletrônica, 2007, p. 119. é a chamada razão intrínseca de afastamento, que nada mais é do que o fator do divisor de tensão.A faixa típica de variação de é de 0,5 a 0,8. Por exemplo, o 2N2646 tem um de 0,65. Se este UJT for usado com uma tensão de Alimentação de 10 Volt V1 é a chamada tensão intrínseca de afastamento porque ela mantém o diodo emissor com polarização inversa para todas as tensões aplicadas ao Emissor, inferiores a V1. Se V1 for igual a 6,5 Volt, então temos de aplicar um pouco mais Conteúdo gerado pelo EAD https://app.nmceduc.com.br ( 0,6V) do que os 6,5V para polarizar diretamente a junção PN e haver condução entre Emissor e a Base 1.