Prévia do material em texto
FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA Breve histórico sobre a medida da velocidade da luz As primeiras análises da velocidade da luz partiram de Galileu Galilei, que tentou calcular o tempo para a luz ir de um morro a outro, a 2 km de distância, usando lanternas. Contudo, ele concluiu que o tempo era muito pequeno para os equipamentos da época. A tentativa seguinte veio de Ole Rømer, que notou variações no tempo entre eclipses ao longo do ano, questionando a ideia de velocidade infinita da luz. Com Christiaan Huygens, ele mediu tais variações e estimou a velocidade em cerca de 220 mil km/s, com erro de menos de 10%. O experimento de Michelson e Morley Em 1887, Michelson e Morley fizeram um experimento para medir a velocidade da Terra em relação ao éter luminífero, meio que supostamente propagava a luz. Utilizaram um interferômetro, medindo pequenas diferenças no tempo da luz. O resultado foi uma surpresa: a velocidade da luz não mudava, não importando a direção do movimento da Terra. Esse resultado nulo impactou as ideias sobre o éter e a luz. O surgimento da Teoria da Relatividade Após resultados de experimentos como o de Michelson e Morley, Albert Einstein propôs, em 1905, a Teoria da Relatividade Restrita. Einstein eliminou o éter, dizendo que as leis da Física são as mesmas para observadores em movimento uniforme, e que a velocidade da luz no vácuo é sempre constante, não importando a fonte ou o observador. Essa teoria mudou a forma de ver espaço e tempo, agora relativos e interdependentes. A relatividade de Galileu e suas transformações Antes de Einstein, Galileu Galilei já tinha proposto a relatividade. Para ele, as leis do movimento são as mesmas em sistemas que se movem em linha reta com velocidade constante. Assim, num navio em movimento uniforme, não se notaria o movimento por experiências mecânicas internas. As Transformações de Galileu, baseadas nisso, diziam que tempo e espaço eram absolutos, iguais para todos, e só posições e velocidades mudavam entre referenciais. A relatividade de Einstein: primeiro postulado, segundo postulado e a relatividade da simultaneidade; Einstein repensou as ideias de Galileu para que elas explicassem o comportamento da luz. Seu primeiro postulado declara que as leis da Física são iguais em todos os sistemas inerciais, sem nenhum ser especial. O segundo postulado garante que a velocidade da luz no vácuo é igual para todos que a medem, não importa se a fonte ou o observador se movem. Desse modo, surgiu a ideia de que a simultaneidade é relativa, ou seja, eventos que um observador vê como simultâneos podem não ser para outro, dependendo de como se movem um em relação ao outro. As transformações da relatividade de Einstein Com base nesses princípios, Einstein criou novas fórmulas matemáticas para descrever o espaço e o tempo de maneira que a velocidade da luz fosse sempre a mesma. Essas fórmulas mudaram as de Galileu e mostraram que tempo e espaço não são fixos, mudando conforme o observador se move. Assim, eventos que acontecem em lugares e tempos diferentes para um observador podem ser outros para quem se move em relação a ele, mostrando que o universo físico é relativo. Definição de sincronismo Na Teoria da Relatividade Restrita, sincronizar significa ajustar dois relógios para que mostrem o mesmo tempo em um dado sistema. No entanto, por causa da relatividade da simultaneidade, dois relógios sincronizados em um sistema podem não estar em sincronia em outro que se move. Isso mostra que a ideia de tempo absoluto não existe mais, e que a sincronização depende do ponto de vista escolhido. Transformações de Lorentz As Transformações de Lorentz, criadas pelo físico Hendrik Lorentz e depois usadas por Einstein, descrevem matematicamente como o espaço e o tempo se transformam entre dois pontos de vista em movimento. Elas garantem que a velocidade da luz seja sempre a mesma para todos e mostram efeitos como a dilatação do tempo e a contração do comprimento. Essas transformações foram muito importantes para a Relatividade Restrita e ainda são uma base da física atual. Dilatação do tempo e contração do comprimento Um dos resultados mais famosos da teoria é a dilatação do tempo, que diz que o tempo passa mais devagar para um corpo que se move em relação a um observador parado. Do mesmo modo, o comprimento de um objeto em movimento diminui na direção em que ele se move. Esses efeitos, quase invisíveis nas velocidades do dia a dia, ficam grandes quando os objetos se aproximam da velocidade da luz, o que foi visto em experimentos com partículas subatômicas.