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7. SOBRE A 
AVALIAÇÃO DA 
COMPETÊNCIA III 
DA MATRIZ DE 
REFERÊNCIA 
PARA A REDAÇÃO 
DO ENEM – 
ASPECTOS 
TEÓRICOS 
ViViane Cristina Vie ira1
APRESENTAÇÃO
Este artigo apresenta as principais bases teóricas que fundamentam o trabalho de 
avaliação do texto dissertativo-argumentativo a ser produzido pelo participante do 
Enem 2023, conforme a grade específica de avaliação da Competência III. Sintetiza o que 
se espera da produção textual segundo os parâmetros da estrutura funcional do gênero 
“texto dissertativo-argumentativo escolar”. Em seguida, aborda detalhadamente os quatro 
aspectos que se inter-relacionam na construção da argumentação: selecionar informações, 
relacioná-las, organizá-las e interpretá-las, em defesa de um ponto de vista relacionado 
ao tema. Por fim, sumariza os aspectos relacionados à progressão textual, inteligibilidade 
e informatividade dos textos argumentativos, apresentando alguns tipos de argumentos 
e suas características funcionais na construção do projeto de texto, da tomada de posição 
e defesa de ponto de vista, direcionado à proposição de intervenção sobre o tema social 
debatido.
1 Professora Associada do Departamento de Linguística, Português e Línguas Clássicas da Universidade de 
Brasília (UnB). Doutora e Mestra em Linguística-Linguagem e Sociedade pela UnB com Pós-doutorado pelo 
Programa de Estudos Pós-graduados em Língua Portuguesa da PUC-SP.
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ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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1 O TEXTO DISSERTATIVO-ARGUMENTATIVO ESCOLAR
Na Matriz de Referência para a Redação do Enem 2023, quatro das cinco competências 
avaliadas relacionam-se, em alguma medida, com a construção da argumentação. Argumentar 
é, portanto, uma modalidade retórica constitutiva do tipo textual dissertativo-argumentativo, 
que mobiliza capacidades discursivas de sustentação, refutação e negociação de tomadas de 
posição (pontos de vista) na discussão de problemas sociais controversos. 
O texto a ser produzido pelos participantes será do gênero dissertativo-argumentativo escolar, 
em prosa, sobre um tema de ordem social, científica, artística, cultural ou política. Nessa 
redação, em que predomina o tipo textual dissertativo-argumentativo, o participante do 
Enem deverá defender um ponto de vista — uma opinião fundamentada — a respeito do 
tema proposto, com base em argumentos consistentes, articulados com coerência e coesão, 
formando uma unidade textual com direção propositiva, ou seja, o participante deverá 
elaborar uma proposta de intervenção social para o problema discutido no desenvolvimento do 
texto.
Os aspectos a serem avaliados na produção textual escrita relacionam-se a cinco 
competências que devem ter sido desenvolvidas até esta fase escolar do Ensino Médio. Em 
um texto dissertativo-argumentativo, a argumentação é o eixo que conduz a escrita, na 
modalidade formal da língua portuguesa (Competência I). Nesta Matriz de Referência, quatro 
das cinco competências avaliadas relacionam-se, em alguma medida, com a construção da 
argumentação. 
A elaboração de proposta de intervenção (Competência V), por exemplo, deve estar articulada 
à discussão desenvolvida no texto e, por isso, à argumentação. O uso dos mecanismos 
linguísticos necessários para a construção da argumentação (Competência IV) mobiliza os 
elementos linguísticos de coesão utilizados na articulação dos argumentos. Já a compreensão 
da proposta de redação e a aplicação dos conceitos das várias áreas de conhecimento para 
desenvolver o tema (Competência II) também avalia, a partir da estrutura e função do texto 
dissertativo-argumentativo em prosa, a consistência da argumentação. A Competência III, 
por sua vez, volta-se para a análise detalhada da construção da argumentação, por meio da 
avaliação da seleção, relação, organização e interpretação de informações, fatos, opiniões e 
argumentos em defesa de um ponto de vista. 
Por isso, na avaliação da redação dissertativo-argumentativa, tal qual a exigida no Enem, 
bem como em outros exames de seleção e no contexto da sala de aula, atentar para a 
argumentação é fundamental. Nesse contexto, um argumento não é apenas uma informação, 
mas uma informação inserida no contexto da discussão para justificar o ponto de vista sobre 
a problemática social, com direção propositiva a uma possibilidade de solução (proposta de 
intervenção). 
ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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Para além de ser um conjunto de informações, fatos e opiniões justapostos, os argumentos 
estão sempre associados à defesa de um posicionamento do autor, constituído ou não 
como uma tese claramente exposta. Acrescente-se que esse posicionamento, ou a tese dele 
derivada, no caso de um instrumento de avaliação, deve estar associado ao tema proposto. 
Desse modo, tão importante quanto a qualidade da seleção e a profundidade da interpretação 
de fatos, informações e opiniões é o modo como eles se organizam no texto e as relações que 
estabelecem entre si no projeto de texto. Na avaliação do texto, então, a atenção terá de 
se voltar tanto para o aspecto da organização e diversidade informacional dos argumentos 
quanto para os elementos retóricos articulados.
Com base em Dolz, Noverraz e Schneuwly (2004), Marcuschi (2008, p. 219) distingue 
aspectos tipológicos dos gêneros textuais conforme os domínios sociais de comunicação 
e as capacidades de linguagem dominantes, oferecendo exemplos de gêneros a serem 
trabalhados nas práticas escolares. Especificamente sobre a argumentação, propõe:
ASPECTOS TIPOLÓGICOS DA ARGUMENTAÇÃO
Domínios sociais de 
comunicação
Capacidades de linguagem 
dominantes
Exemplos de alguns gêneros 
textuais
Discussão de problemas 
sociais controversos
ARGUMENTAR
Sustentação, refutação e 
negociação de tomadas de posição
Texto de opinião
Diálogo argumentativo
Carta do leitor
Carta de reclamação
Deliberação informal
Debate regrado
Discurso de defesa
Discurso de acusação
Quadro 1 – Aspectos tipológicos da argumentação. Adaptado de Marcuschi (2008, p. 219).
Argumentar é, portanto, uma modalidade discursiva constitutiva do tipo textual 
dissertativo-argumentativo que se relaciona aos domínios sociais de comunicação voltados 
para a discussão de problemas sociais controversos, e mobiliza capacidades de linguagem 
de sustentação, refutação e negociação de tomadas de posição (pontos de vista). 
Na avaliação da redação do Enem 2023, então, a atenção terá de se voltar tanto para o aspecto 
da organização e diversidade informacional dos argumentos quanto para os elementos 
retóricos articulados, que dão forma e potência persuasiva à argumentação. Espera-se, 
portanto, que, nessa etapa de escolaridade, o participante seja capaz de selecionar os 
argumentos mais adequados e organizá-los no texto, de forma clara e estratégica, em 
direção a uma conclusão propositiva (em relação ao problema social controverso), ao 
mesmo tempo em que relaciona e interpreta as informações para o desenvolvimento de 
uma efetiva defesa do ponto de vista relacionado ao tema. Esses são os aspectos gerais 
avaliados na Competência III.
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ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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2 AS HABILIDADES LINGUÍSTICO-DISCURSIVAS 
AVALIADAS NA COMPETÊNCIA III
No contexto da avaliação das redações do Enem, a Competência III contempla quatro 
habilidades linguístico-discursivas que se inter-relacionam na construção da argumentação 
em defesa de um ponto de vista: selecionar informações, relacioná-las, organizá-las e 
interpretá-las, em defesa de um ponto de vista relacionado ao tema:
COMPETÊNCIA III – Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, 
opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista.
Esses quatro aspectos, tratados aqui como habilidades, contemplam tanto os aspectos 
informacionais quanto os retóricos de construção da argumentação. Apesar de indicar a 
existência de quatro habilidades distintas, a avaliação deve ser feita em conjunto, pois se 
trata de um mesmo processo: o de construção da argumentação.Essas quatro habilidades, 
no entanto, só concorrem para a construção de uma argumentação se estiverem 
relacionadas à defesa de um ponto de vista. 
Nesse tipo de redação, a defesa do ponto de vista é condição essencial para a existência 
de argumentos. Sem um posicionamento do autor, não há o que se defender e, então, 
as informações não serão transformadas em argumentos. Vale notar que, no texto da 
Matriz, o termo “argumento” aparece de modo paralelo aos termos “informações”, “fatos” e 
“opiniões”. Porém, além de “fatos” e “opiniões” serem também informações, o argumento 
só se constitui a partir de uma discussão em que haja defesa de ponto de vista no projeto 
de texto que considere o gênero textual solicitado. As habilidades mobilizadas para a 
construção da argumentação que sustenta o ponto de vista são simultâneas: selecionar, 
relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos. 
Os textos motivadores da proposta de redação do Enem oferecem um repertório que 
serve como ponto de partida para a abordagem do tema pelo participante e, ainda, 
como parâmetro para a avaliação de habilidades de leitura, interpretação e seleção de 
informações, fatos, opiniões e argumentos, oriundos tanto do repertório disponível 
nos textos motivadores quanto do uso de repertório cultural particular do participante 
(avaliado na Competência II). A partir dessas habilidades simultâneas, cabe ao participante 
selecionar e relacionar informações, bem como organizar os argumentos que sustentem 
o ponto de vista que irá defender nos limites estruturais-funcionais do texto dissertativo-
argumentativo. 
Quando avaliamos a capacidade de selecionar, observamos a qualidade das informações 
selecionadas para compor o projeto de texto dissertativo-argumentativo. Como o 
interesse principal de um instrumento que avalia produções textuais não é aferir se o autor 
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do texto detém conhecimentos específicos sobre o tema, a avaliação deve estar voltada 
à diversidade de informações e, principalmente, sua relação com o tema e com o ponto 
de vista defendido. Não se trata de uma questão quantitativa, mas se essas informações 
– fatos e opiniões – foram selecionadas a partir de diferentes áreas do conhecimento e 
a partir de uma postura autoral propositiva. Em geral, nas propostas de redação, alguns 
textos motivadores são apresentados ao participante, e é a partir deles que se analisa se os 
argumentos selecionados são apenas os que já foram apresentados nos textos motivadores 
ou se há alguns que fazem parte de um repertório autoral do participante, e como tais 
informações são articuladas na redação.
Em uma análise do conjunto de informações selecionadas e articuladas no texto, outra 
habilidade importante é a de interpretar as informações. Para avaliar a interpretação, 
observamos se há a construção de um contexto para as informações selecionadas em 
relação ao ponto de vista defendido pelo participante. Informações não interpretadas e não 
contextualizadas podem não constituir argumentos porque ficam “soltas”, “desconexas” 
no texto.
Então, a avaliação volta-se também para a habilidade de organizar as informações no 
texto. A organização está relacionada com a hierarquia das informações selecionadas e 
devidamente interpretadas, isto é, contextualizadas. Nesse ponto, o que está em avaliação 
é a capacidade do autor do texto de delimitar para o leitor quais informações são centrais 
e quais são periféricas na defesa de seu posicionamento. A clareza na delimitação de um 
eixo central de argumentação é o que torna a organização do texto reconhecível para o 
leitor. A habilidade na construção dessa estrutura é o que o avaliador analisa, observando 
os aspectos retóricos no planejamento persuasivo do texto. 
Por fim, o avaliador deve analisar a capacidade de relacionar os argumentos. Bastante ligado 
à hierarquização e à interpretação das informações, o estabelecimento de nexo entre os 
argumentos e as informações deve ser observado para avaliar se os argumentos, mesmo os 
bons argumentos, relacionam-se entre si e com o ponto de vista defendido. Como autor do 
texto, o participante seleciona as informações que julga pertinentes para a defesa de seu 
ponto de vista. Essas informações, entretanto, só se constituirão em argumentos se, como 
já vimos, estiverem: (a) devidamente interpretadas; (b) hierarquizadas e (c) conectadas 
entre si. É importante frisar que essa conexão, avaliada na Competência III, se dá mais no 
plano semântico do que no emprego de mecanismos estruturais de coesão, avaliado na 
Competência IV. 
Essas quatro habilidades, portanto, são avaliadas em conjunto, e aos diferentes 
desempenhos dos participantes na seleção, organização, relação e interpretação dos 
argumentos correspondem diferentes níveis. A avaliação de um conjunto de textos 
— especialmente quando se trata de processos em que há milhares de candidatos — 
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ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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depende da delimitação clara dos níveis atingidos pelos autores, a fim de que seja dado 
igual tratamento a situações textuais semelhantes. É por isso que a Matriz de Referência 
para Redação do Enem, assim como a grade específica para avaliação, a seguir, não apenas 
indicam as competências e habilidades avaliadas, mas também descrevem as situações de 
texto esperadas em cada nível:
COMPETÊNCIA III – MATRIZ DE REFERÊNCIA
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, 
opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista
Nível 0 Apresenta informações, fatos e opiniões não relacionados ao tema e sem defesa de 
um ponto de vista.
Nível 1 Apresenta informações, fatos e opiniões pouco relacionados ao tema ou incoerêntes e 
sem defesa de um ponto de vista.
Nível 2
Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, mas desorganizados 
ou contraditórios e limitados aos argumentos dos textos motivadores, em defesa de 
um ponto de vista.
Nível 3
Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, limitados aos 
argumentos dos textos motivadores e pouco organizados, em defesa de um ponto 
de vista.
Nível 4 Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema, de forma organizada, 
com indícios de autoria, em defesa de um ponto de vista.
Nível 5 Apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema proposto, de forma 
consistente e organizada, configurando autoria, em defesa de um ponto de vista.
Quadro 2 – Competência III – Matriz de referência. Fonte: ENEM 2022.
COMPETÊNCIA III – GRADE ESPECÍFICA DE CORREÇÃO
Nível 0 Aglomerado caótico de palavras, independentemente da abordagem do tema 
(tangenciamento ou abordagem completa).
Nível 1 Projeto de texto sem foco temático ou com foco temático 
distorcido.
Textos tangentes não 
devem 
ultrapassar este nível.
Nível 2 Projeto de texto com 
muitas falhas. E
Sem desenvolvimento ou 
com desenvolvimento de 
apenas uma informação, 
fato ou opinião.
Textos que apresentam 
contradição grave não 
devem ultrapassar este 
nível.
Nível 3 Projeto de texto com 
algumas falhas. E Desenvolvimento de informações, fatos e opiniões 
com algumas lacunas.
Nível 4 Projeto de texto com 
poucas falhas. E Desenvolvimento de informações, fatos e opiniões 
com poucas lacunas.
Nível 5 Projeto de texto 
estratégico. E
Desenvolvimento de 
informações, fatos e 
opiniões em todo o texto.
Aqui se admitem 
deslizes pontuais, 
sejam de projeto e/ou 
de desenvolvimento.
Quadro 3 –Competência III – Grade específica de correção. Fonte: ENEM 2022
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COMPETÊNCIA III – DETALHAMENTO DA GRADE ESPECÍFICA DE CORREÇÃO
Selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em 
defesa de um ponto de vista
Nível 0
Aglomerado caótico de palavras, independentemente da abordagem do tema 
(tangenciamento ou abordagemcompleta).
Explicação: apresenta um conjunto de palavras desarticuladas, independentemente 
da abordagem do tema (tangenciamento ou abordagem completa).
Nível 1
Projeto de texto sem foco temático ou com foco temático 
distorcido
Explicação: apresenta informações, fatos e opiniões 
tangentes ao tema ou incoerentes e sem defesa de um 
ponto de vista.
Textos tangentes não 
devem 
ultrapassar este nível.
Nível 2
Projeto de texto com muitas falhas E Sem desenvolvimento 
ou com desenvolvimento de apenas uma informação, fato 
ou opinião.
Explicação: apresenta informações, fatos e opiniões 
relacionados ao tema em defesa de um ponto de vista, 
sem direção propositiva, de modo desorganizado ou 
contraditório, e limitados à cópia dos textos motivadores.
Textos que apresentam 
contradição grave não 
devem ultrapassar este 
nível.
Nível 3
Projeto de texto com algumas falhas E Desenvolvimento de informações, fatos e 
opiniões com algumas lacunas.
Explicação: apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema em defesa 
de um ponto de vista, com direção propositiva, limitados aos argumentos apresentados 
nos textos motivadores e pouco organizados.
Nível 4
Projeto de texto com poucas falhas E Desenvolvimento de informações, fatos e 
opiniões com poucas lacunas.
Explicação: apresenta informações, fatos e opiniões relacionados ao tema em defesa 
de um ponto de vista, de forma organizada, com direção propositiva e indícios de 
autoria na construção da argumentação por meio de novas informações.
Nível 5
Projeto de texto estratégico E Desenvolvimento de 
informações, fatos e opiniões em todo o texto. 
Explicação: apresenta informações, fatos e opiniões 
relacionados ao tema em defesa de um ponto de 
vista, com direção propositiva e organização textual 
estratégica e autoral, por meio de novas informações e 
relações argumentativas.
Aqui se admitem 
deslizes pontuais, 
sejam de projeto e/ou 
de desenvolvimento.
Quadro 3 – Competência III - Detalhamento da Grade específica de correção. Elaboração da autora.
Em suma, na Competência III, espera-se, com base nesses critérios, um texto que 
apresente, claramente, uma posição crítica a ser defendida e os argumentos que 
justifiquem a posição assumida em relação à temática social da proposta de redação.
A Competência deve avaliar, inclusive, aspectos semânticos tais como a inteligibilidade 
e a informatividade, ou seja, a clareza e a qualidade das informações contidas em um 
texto, assim como a sua coerência e a plausibilidade entre as ideias apresentadas, o que 
depende de:
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• seleção de argumentos;
• relação de sentido entre as partes do texto;
• progressão textual fluente e articulada com o projeto de texto;
• desenvolvimento dos argumentos.
A seleção de informações para compor os argumentos deve ser estratégica e produtiva, 
e não genérica e desarticulada, a fim de garantir a consistência e a coerência da defesa 
do ponto de vista sobre o tema. 
Deve haver apresentação clara do ponto de vista, de forma a assegurar as relações de 
sentido entre as partes maiores do texto — proposição do ponto de vista, desenvolvimento 
de argumentos e conclusão orientada para proposta consistente de solução da questão 
social debatida, não necessariamente nessa ordem, mas todas as partes precisam estar 
articuladas no texto. Também devem ser garantidas as relações lógicas e de sentido entre 
as partes menores do texto, no encadeamento de ideias, frases, períodos, parágrafos (o 
que será avaliado na Competência IV). 
Conforme Cavalcante (2016, p. 131), o primeiro desafio na avaliação da Competência 
III é buscar qual é a tese central do texto, ou seu ponto de vista principal. A tese 
central defendida pelo participante pode não ser explicitada logo no início do texto. 
Muito frequentemente, o texto dissertativo-argumentativo principia com declarações 
generalizantes ou com um comentário geral, que geralmente tem o propósito de apenas 
introduzir o tema do texto. Já a tese, ou ponto de vista central, é de construção autoral, 
particular. Vejamos como se estrutura um parágrafo-padrão dissertativo-argumentativo.
O parágrafo-padrão argumentativo estrutura-se como um pequeno texto com 
introdução, desenvolvimento, conclusão, em torno de uma frase-núcleo a partir da qual 
se desdobra um conjunto de ideias complementares. Vejamos um exemplo apresentado 
em Resende e Vieira (2014, p. 188):
Exemplo 1
“Basta ser homem, estar em sociedade e estar rodeado de pessoas falantes que a 
língua – este sistema de comunicação inigualável – emerge, se instaura e toma conta 
de todos nós, de nossos pensamentos, de nossos desejos e de nossas ações. Falar faz 
parte do nosso cotidiano, de nossa vida. A troca por meio das formas linguísticas é a 
nossa dádiva maior, nossa característica básica. É por meio de uma língua que o ser 
humano se individualiza, em um movimento contínuo de busca de identidade e de 
distinção. É isto, enfim, que nos torna humanos e nos diferencia de todos os outros 
animais.” [...]
SCHERRE, Marta. Preconceito linguístico deveria ser crime. Revista Galileu. Editora 
Globo, novembro de 2009, p. 94-95. 
ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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A frase-núcleo, sublinhada no parágrafo acima, inicia o primeiro período e apresenta o 
ponto de vista de que a língua, como um sistema de comunicação inigualável, integra nossa 
vida social. Segue-se uma explicitação dos modos como a língua participa da sociedade: 
como ela é constituída e constitui nossos pensamentos, desejos, ações. Em seguida, o 
parágrafo dissertativo-argumentativo elabora e desdobra as ideias complementares: de 
que falar faz parte do cotidiano, de que a troca linguística é nossa característica básica, de 
que por meio da língua o ser humano se individualiza e se diferencia dos demais animais. 
Com base em Goldstein, Louzada e Ivamoto (2009), usamos o trecho acima como um 
exemplo de um parágrafo-padrão do tipo dissertativo-argumentativo, embora não haja 
regras fixas para essa organização. Notamos que, além de introduzir a ideia central, este 
tipo de parágrafo apresenta:
• unidade – cada parágrafo tem apenas uma ideia principal à qual as demais ideias estão 
correlacionadas, sem repetições desnecessárias ou desvios e mudanças abruptas que 
possam comprometer a unidade de sentido; 
• coerência – a ideia principal do parágrafo deve ficar evidente, bem como a relação de 
sentido entre ela e as demais informações do parágrafo;
• clareza – o parágrafo apresenta, de forma organizada e suficiente, as informações 
necessárias para a compreensão do assunto tratado, contribuindo para a defesa do 
ponto de vista construído no texto como uma unidade global. 
Esse tipo de organização semântica favorece uma progressão textual fluente e articulada 
com o projeto de texto autoral, ou seja, com a unidade global textual (composta por suas 
partes composicionais: proposição do ponto de vista, desenvolvimento de argumentos e 
conclusão orientada para proposta consistente de solução da questão social debatida), 
o que revela que a redação foi planejada e que as ideias são apresentadas de forma 
organizada na estrutura global do texto. Cada parágrafo precisa apresentar informações 
coerentes com o que foi apresentado anteriormente no texto, sem repetições 
desnecessárias, mudanças abruptas sobre o que está sendo discutido e sem informações 
genéricas ou “soltas”, isto é, desarticuladas da unidade textual.
Por fim, o desenvolvimento de argumentos deve explicitar a relevância das ideias 
articuladas para a defesa do ponto de vista, por meio da apresentação produtiva de novas 
informações socioculturais e de ideias originais e autorais coerentes com a discussão do 
tema. Tais ideias devem estar articuladas em relações argumentativas de exemplificação, 
de comparação, de causa e consequência, de sustentação, de refutação e de explicação, 
por exemplo, de modo a justificar para o leitor o ponto de vista escolhido nas negociaçõesde tomada de posição autoral.
Conforme o Material de Leitura do Curso de Capacitação a Distância ENEM 2022, para 
avaliação da Competência III, 
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ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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na Grade de Correção, a autoria prevista na Matriz de Referência está relacionada 
ao projeto de texto elaborado e ao desenvolvimento de informações, fatos e 
opiniões trazidos pelo participante em sua produção textual. Isso significa que uma 
redação com autoria é aquela em que o participante apresenta um projeto de texto 
estratégico e em que consegue cumprir com êxito, de maneira consistente, o que foi 
programado, ou seja, apresenta ao leitor, de forma organizada e gradativa, a linha 
de raciocínio que mobilizou em defesa de um ponto de vista. (ENEM, 2022, p. 08).
O conceito de autoria, então, é entendido como a habilidade para selecionar e 
recontextualizar adequadamente — por inferências e em paráfrases, por exemplo — 
informações alheias, ou seja, já presentes nos textos motivadores, assim como para 
mobilizar, de forma original e consistente, informações do próprio repertório intertextual, 
cultural, histórico, social e vivencial do candidato-autor (critério avaliado na Competência 
II) na construção da argumentação, persuasão e sustentação de seu ponto de vista. A 
veracidade e a plausibilidade das informações recontextualizadas no texto também 
são características do texto autoral, além das habilidades envolvidas na construção 
das relações argumentativas (de exemplificação, comparação, causa e consequência, 
sustentação, refutação e explicação etc.), de modo a fundamentar as ideias e justificar 
para o leitor o ponto de vista escolhido nas negociações de tomada de posição.
O texto dissertativo-argumentativo situa um tema e o discute apresentando “o outro 
lado da questão”, para melhor fundamentar o ponto de vista (aspecto avaliado na 
Competência II). A conclusão decorrerá do que se afirmou antes, estabelecendo relações 
lógicas (avaliadas na Competência IV) por meio de operadores argumentativos, tais 
como: “mas; assim; tanto...quanto; até mesmo; ainda; o que comprova; deste modo; 
porém; como vemos; considerando os fatos; em consequência disso; um outro lado da 
questão é...” (RESENDE, VIEIRA, 2014, p. 130). 
A argumentatividade é constitutiva da própria linguagem e todo texto possui orientação 
argumentativa, presente no movimento retórico em busca pela adesão do leitor às ideias 
apresentadas, como Koch (1998) nos lembra:
A argumentatividade permeia todo o uso da linguagem humana, fazendo-se 
presente em qualquer tipo de texto, e não apenas naqueles tradicionalmente 
classificados como argumentativos. Não há texto neutro, objetivo, imparcial: os 
índices de subjetividade se materializam no discurso, permitindo que se capte a sua 
orientação argumentativa (KOCH, 1998, p. 60).
Tomada em sentido amplo, a argumentatividade pode se manifestar em textos escritos 
por meio de avaliações (com o uso de termos como “inigualável” e “dádiva”, no exemplo 
1); de verbos auxiliares modais (com o emprego de “deveria”, no título do texto do 
exemplo 1); de pressuposições (expressa no trecho do exemplo 1: “É por meio de uma 
língua que o ser humano...”), dentre vários outros. 
No entanto, no caso do texto predominantemente do tipo dissertativo-argumentativo, 
como o da redação do Enem, que é direcionado para a persuasão e para o convencimento 
do leitor, a argumentação específica, e não só a argumentatividade em sentido amplo 
ENEM 2023 ● A alegria dos reencontros
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discutida acima, organiza-se em torno de estruturas textuais típicas que formam a base 
do texto argumentativo: uso de verbos no presente; verbos relacionais “ser”, “estar”, 
seguidos de atribuição de qualidade (“A troca por meio das formas linguísticas é a nossa 
dádiva maior, nossa característica básica”, exemplo 1 com destaques nossos) (MARCUSCHI, 
2008). 
Também é característica da composição do texto dissertativo-argumentativo, como o da 
redação do Enem, a construção de estratégias argumentativas para sustentar o ponto de 
vista assumido, com o uso de:
• exemplos, dados estatísticos, pesquisas, fatos comprováveis, citações ou depoimentos 
de pessoas especializadas no assunto, pequenas narrativas ilustrativas, alusões 
históricas e comparações entre fatos, situações, épocas ou lugares distintos. 
Para estabelecer relações de sentido coerentes e bem articuladas, é preciso se valer de 
recursos coesivos que deixem explícitas as relações entre as partes do texto (aspecto 
avaliado na Competência IV). Essas informações, fatos e opiniões relacionados ao tema 
podem ser organizados no texto por tipos de argumentos, como os seguintes, para a 
construção de tomadas de posição sobre o tema (conforme GOLDSTEIN, LOUZADA, 
IVAMOTO, 2009; KOCH, 1998; LEBLER, LANES, 2021; RESENDE, VIEIRA, 2014):
• Argumento de autoridade – citações ou depoimentos de pessoas especializadas ou 
conceituadas no campo social ou temático; argumentos fundamentados na fama, 
no fetichismo de massas, na “confiança” inspirada pela pessoa ou pela instituição 
mencionada;
• Argumento conceitual ou técnico – citações ou depoimentos de pessoas especializadas 
no assunto; uso de léxico (palavras) técnico, especializado;
• Argumento por provas concretas – apresentação de dados quantitativos, 
acontecimentos notórios, dados estatísticos, pesquisas, fatos comprováveis, alusões 
históricas e socioculturais de amplo conhecimento;
• Argumento de “consenso” ou princípio ético – apresentação de valores éticos, morais 
supostamente universais;
• Argumento por exemplificação – apresentação ou enumeração de exemplos, de breves 
narrativas ilustrativas;
• Argumento de causa e consequência – apresentação de um fato que decorre de outro, 
um fato que acarreta outro, em conexão causal entre os dois fatos;
• Argumento de apelo emocional – construção de ideias que apelam para despertar 
emoções, sentimentos, afetos (dúvidas, desejos, temores);
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• Argumento por exclusão, refutação ou contraposição – construção de objeção a 
argumentos contrários ao ponto de vista defendido;
• Argumento de comparação – comparação entre elementos, com vista a uma dada 
conclusão;
• Argumento de justificativa ou explicação – explicação, justificativa, sustentação do 
enunciado anterior;
• Argumento por escala argumentativa – relação de gradação de força crescente no 
sentido de uma mesma conclusão, por meio de operadores argumentativos, tais 
como “até mesmo”, “até’, “inclusive”, etc.
• Argumento por classe argumentativa – enumeração de enunciados de uma mesma 
classe argumentativa que somam argumentos em direção a uma mesma conclusão, 
por meio de operadores argumentativos, tais como “e”, “também”, “ainda”, “nem”, 
“não só... mas também”, tanto... quanto”, “além disso”, etc.
No que se refere à Competência III, são seis os níveis a serem avaliados, de 0 a 5, com uma 
gradação progressiva de maior proficiência à medida que se aproxima do nível 5, em que 
se espera um texto dissertativo-argumentativo que apresente:
• informações, fatos e opiniões relacionados ao tema em defesa de um ponto de vista;
• direção propositiva (orientada para a solução da questão) e organização textual 
estratégica em projeto de texto autoral (com planejamento, seleção e articulação 
estratégica de informações);
• informações relevantes sobre o tema (configurando autoria pela originalidade e 
consistência informacional) e relações argumentativas (por meio de exemplificação, 
comparação, justificativa ou explicação, por exemplo, estabelecendo relações de 
causa e consequência, de sustentação, de refutação etc., na negociação de tomada 
de posição).
Lembrando que, mesmo no nível 5, ainda são permitidos deslizes pontuais que não 
prejudiquem a boa qualidade da estratégia desenhada para o texto.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste artigo revisamos as principais basesteóricas que fundamentam o trabalho de 
avaliação do texto dissertativo-argumentativo a ser produzido pelo participante do Enem 
2023, conforme a grade específica de avaliação da Competência III. Vimos detalhadamente 
os quatro aspectos que se inter-relacionam na construção da argumentação: selecionar 
informações, relacioná-las, organizá-las e interpretá-las, em defesa de um ponto de vista 
relacionado ao tema. Ainda, percorremos os principais aspectos relacionados à progressão 
textual, inteligibilidade e informatividade dos textos argumentativos, conhecendo alguns 
tipos de argumentos e suas características funcionais na construção da tomada de posição 
e defesa do ponto de vista do texto, cujo projeto retórico deve se orientar para a proposição 
de intervenção sobre o tema social debatido.
O objetivo é que este material sirva de apoio tanto para a formação de avaliadores da 
redação do Enem 2023 quanto para o trabalho efetivo das avaliações dos textos no que 
diz respeito às habilidades contempladas pela Competência III – selecionar, relacionar, 
organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto 
de vista.
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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argumentativos: subsídios para qualificação de avaliadores. Lucília Helena do Carmo Garcez; 
Vilma Reche Corrêa (Org.). Brasília: Cebraspe, 2016, p. 129-134.
ENEM 2016. Orientações pedagógicas para as equipes de supervisores e de avaliadores. 
ENEM 2022. Competência III – Material de Leitura do Curso de Capacitação a Distância.
GOLDSTEIN, Norma; LOUZADA, Maria Silvia; IVAMOTO, Regina. O texto sem mistério: leitura 
e escrita na universidade. São Paulo: Ática, 2009. 
INEP. Matriz de Referência para Avaliação do ENEM. Disponível em: . 
Acesso em: 15 mar. 2017.
KOCH, Ingedore V. A inter-ação pela linguagem. São Paulo: Contexto, 1998. 
LEBLER, C.; LANES, L. A tríade plano de texto, argumentação e autoria na redação do 
Enem.  Revista Eletrônica de Estudos Integrados em Discurso e Argumentação, v. 21, n. 3, 
p. 38-54, 31 dez. 2021.
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: 
Parábola, 2008.
RESENDE, Viviane de M.; VIEIRA, Viviane. Leitura e Produção de Textos na Universidade: 
roteiros de aula. Col. Ensino de Graduação. Brasília: Universidade de Brasília, 2014.
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