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SENAI Iniciativa da CNI - Confederação Nacional da Indústria SÉRIE METALMECÂNICA - METALURGIA TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES VOLUME 2SENAI Iniciativa da CNI Confederação Nacional da Indústria SÉRIE METALMECÂNICA - METALURGIA TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES VOLUME 2CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA - CNI Robson Braga de Andrade Presidente Diretoria de Educação e Tecnologia DIRET Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti Diretor de Educação e Tecnologia Júlio Sérgio de Maya Pedrosa Moreira Diretor Adjunto de Educação e Tecnologia Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SENAI Robson Braga de Andrade Presidente do Conselho Nacional SENAI - Departamento Nacional Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti Diretor Geral Júlio Sérgio de Maya Pedrosa Moreira Diretor Adjunto Gustavo Leal Sales Filho Diretor de OperaçõesIniciativa da CNI - Confederação Nacional da Indústria SÉRIE METALMECÂNICA - METALURGIA TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES VOLUME 2© 2016. SENAI Departamento Nacional © 2016. SENAI Departamento Regional de Minas Gerais Livro Didático alinhado ao Itinerário Nacional v.04 (2015) A reprodução total ou parcial desta publicação por qualquer meios, seja eletrônico, mecânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização, por escrito, do SENAI. Esta publicação foi elaborada pela equipe da Gerência de Educação Profissional do SENAI de Minas Gerais, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância. SENAI Departamento Nacional Unidade de Educação Profissional e Tecnológica UNIEP SENAI Departamento Regional de Minas Gerais Gerência de Educação Profissional GEP Núcleo de Educação a Distância NEAD FICHA CATALOGRÁFICA S474t Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional. Tratamento de / Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional de Minas Gerais. Brasilia: 2016. 174 p. il. (Série Metalurgia) Inclui referências. ISBN 9 788550 501260 1. Tratamento de 2. 3. Metalurgia. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional de Minas III. CDU: 621.79 SENAI Sede Serviço Nacional de Setor Bancário Norte Quadra 1. Bloco C. Edifício Roberto Aprendizagem Industrial Simonsen 70040-903 Brasília DF tel.: (0xx61) 3317-9001 Departamento Nacional Fax: (0xx61)3317-9190 http://www.senai.brLista de ilustrações Figura 91 Exemplo de fluxo de produção de um processo de pintura 185 Figura 92 Relação dos recursos tecnológicos, humanos e materiais com processo produtivo 187 Figura 93 Gestão de custos no setor de pintura 189 Figura 94 Perguntas que norteiam planejamento do processo 194 Figura 95 Verificação dos procedimentos operacionais padrão 197 Figura 96 Validação de processos 198 Figura 97 Carta de controle da concentração do desengraxante do banho 199 Figura 98 Processo de niquelagem antes e depois da implementação do just in time 205 Figura 99 Investimentos em treinamentos de pessoas 207 Figura 100 Parâmetros que constituem uma meta 212 Figura 101 Cartaz de sinalização para uso obrigatório de EPIs 214 Figura 102 Histograma de refugo de peças galvanizadas 215 Figura 103 Diagrama de Causa e Efeito 216 Figura 104 Mudar ou permanecer na zona de conforto? 223 Figura 105 Avaliação de insumos e equipamentos de um setor de pintura 225 Figura 106 Eliminação de desperdícios gerando oportunidades de melhorias em um processo 227 Figura 107 Ética profissional 231 Figura 108 Iniciativa 239 Figura 109 Sigilo 239 Figura 110 Imparcialidade 240 Figura 111 Competência 241 Figura 112 Otimismo 241 Figura 113 Compreensão 242 Figura 114 Grupo Equipe 246 Figura 115 Autonomia 250 Figura 116 Tomada de decisão 252 Figura 117 Cultura Organizacional 256 Figura 118 Capacitação profissional 263 Figura 119 Avaliação de desempenho 264 Figura 120 Processo de comunicação 266 Figura 121 Expressão de emoções 274 Figura 122 Organograma vertical 281 Figura 123 Organograma horizontal 282 Figura 124 Organograma radial 282 Figura 125 Dez fatores da empregabilidade 289 Figura 126 Habilidades de um empreendedor 294 Figura 127 Características empreendedoras 297 Figura 128 Responsabilidade e empreendedorismo 298Figura 129 Missão pessoal 300 Figura 130 Visão sistêmica 304 Figura 131 Visão sistêmica com suas entradas e saídas 305 Figura 132 Estrutura Informal e formal 313 Figura 133 Meios de comunicação 315 Figura 134 Etapas do planejamento estratégico 321 Figura 135 FOFA 322 Figura 136 Relação empresa e meio ambiente 328 Quadro 3 Grupos de trabalho X Equipe de trabalho 246Sumário Introdução 181 13 Análise de viabilidade técnica e econômica em processos de tratamento de superfície 183 13.1 Definição de fluxo de produção 184 13.2 Avaliação de necessidades e otimização de recursos humanos, materiais e tecnológicos 186 13.3 Custos em tratamento de superfície 187 14 Elaboração de documentação técnica 193 14.1 Planejamento do processo 194 14.2 Roteiro de trabalho/processo 195 14.3 Procedimentos operacionais 196 14.4 Validação de Processos 197 14.5 Plano de controle: parâmetros de controle e mecanismos de controle 199 15 Suporte técnico em processos de tratamento de superfícies 203 15.1 Atendimento de necessidades de recursos humanos, materiais e tecnológicos 204 15.2 Suporte ao atendimento de normas técnicas, ambientais, de saúde e segurança 205 15.3 Capacitação de recursos humanos 207 16 Coordenação da execução de processos de tratamento de superfícies 211 16.1 Metas de produção 212 16.2 Controle das normas técnicas, ambientais, de saúde e segurança 213 16.3 Controle da Qualidade 215 16.4 Definição de ações complementares e corretivas 217 17 Otimização de processos 221 17.1 Avaliação da qualidade de produtos e serviços 222 17.2 Impactos de mudanças nos processos de tratamentos de superficie 223 17.3 Mudanças na logística, leiaute e fluxo de processo 224 17.4 Avaliação de desempenho de máquinas, equipamentos, insumos e materiais 225 17.5 Implementação de melhorias 226 17.6 Validação de melhorias 227 18 Ética profissional 231 18.1 Ética profissional 232 19 Perfil profissional 237 19.1 Perfil profissional 238 20 Coordenação de equipe 245 20.1 Coordenação de equipe 246 20.2 Definição da organização do trabalho 24720.3 Níveis de autonomia nas equipes de trabalho 248 20.4.Gestão de rotina 250 20.5.Tomada de decisão 251 21 Cultura organizacional 255 21.1 Cultura organizacional 256 22 Desenvolvimento de equipes de trabalho 261 22.1 Desenvolvimento de equipes de trabalho 262 22.2 Motivação de pessoas 262 22.3 Capacitação 263 22.4 Avaliação de desempenho 264 22.5 Processos de comunicação 265 23 Administração de conflitos 271 23.1 Administração de conflitos 272 23.2 Identificação 273 23.3 Expressão de emoções 273 23.4 Intervenção de conflitos 274 24 Hierarquia nas relações de trabalho 279 24.1 Hierarquia nas relações de trabalho 280 24.2 Organograma 280 24 Desenvolvimento profissional 287 25.1 Planejamento profissional: ascensão profissional, formação profissional e investimento educacional 288 25.2 Empregabilidade 289 26 Empreendedorismo 293 26.1 Características e atitudes empreendedoras 294 26.1.1 Persistência e comprometimento 295 26.1.2 Independência e autoconfiança 296 26.1.3 Liderança e Iniciativa 296 26.1.4 Eficiência e Qualidade 296 26.1.5 Persuasão e rede contatos 296 26.1.6 Correr riscos calculados 297 26.1.7 Cooperação como ferramenta de desenvolvimento 297 26.2 Responsabilidade e empreendedorismo 298 26.3 A construção da missão pessoal 299 27 Visão sistêmica 303 27.1 Conceito 304 27.2 Microcosmo e macrocosmo 306 27.3 Pensamento sistêmico 30628 Estrutura organizacional 311 28.1 Formal e Informal 312 28.2 Funções e responsabilidades 313 28.3 Organização das funções, informações e recursos 314 28.4 Sistema de comunicação 314 29 Planejamento estratégico 319 29.1 Conceitos 320 29.2 Etapas do Planejamento Estratégico 321 30 Relações com mercado 327 30.1 Relações com mercado 328 Referências 337 Minicurrículo dos Autores 343Introdução Seja bem-vindo ao segundo volume da unidade curricular de Tratamento de Superfícies. É importante que você, como futuro profissional da área de metalurgia, além de conhecer os processos de tratamento de superfícies, aprenda também a gerenciá-los. Com esse objetivo, neste livro, estudaremos toda a parte de gestão envolvida nos processos de tratamentos de superfícies. Discutiremos as principais características que um bom profissional deve possuir, bem como as melhores opções de capacitação e empreendedorismo nessa área. Além disso, prepararemos você para enfrentar mercado de trabalho da melhor forma possível, ensinando como administrar os conflitos gerados em uma organização, entendendo a importância da visão sistemática e do planejamento estratégico. Vamos lá? Siga adiante para aprender mais sobre a gestão do Tratamento de Superfícies! AndreyPopovAnálise de viabilidade técnica e econômica em processos de tratamento de superfície 13 A constante busca de uma condição de competitividade no mercado requer das empre- sas de qualquer seguimento uma maneira que lhes permita avaliar quanto suas operações podem ser consideradas como as melhores e mais eficientes, que pode ser feito por meio da análise de viabilidade técnica e econômica dos processos. A análise permite a otimização dos processos industriais, ou seja, confere um valor satisfatório de custo-qualidade-tempo ao produto fabricado, tornando a produção cada vez melhor e mais eficiente. Como você já sabe, todas as empresas, incluindo as de tratamento de superfície, devem realizar essa análise, com objetivo de avaliar, gerir e melhorar seus componentes materiais, tecnológicos, estruturais e humanos. Mas, então, qual é a diferença entre análise de viabilidade técnica e análise de viabilidade econômica? A análise da viabilidade técnica visa avaliar a conformidade legal dos processos, projetos e serviços de tratamento de superfície. Já a análise de viabilidade econômica permi- te avaliar os custos, disponibilidade de insumos e equipamentos, verificando se 0 processo como um todo gerará lucro. Nesse contexto, a finalidade deste capítulo é fazer com que você conheça as principais estratégias, ferramentas, características e vantagens das análises de viabilidade técnica e econômica dos processos tratamento de superfície. Ao final deste capítulo, você será capaz de definir fluxo de produção para qualquer trata- mento de superfície, conhecerá a importância dos recursos humanos, materiais e tecnológicos empregados nesses processos, assim como custos de produção envolvidos. Vamos, então, dar início ao nosso estudo!184 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 45 13.1 DEFINIÇÃO DE FLUXO DE PRODUÇÃO o fluxo de produção constitui uma das principais ferramentas da análise de viabilidade técnica e eco- nômica em processos de tratamento de superfície. Observaremos que, por meio dele, podemos definir as principais etapas do processo produtivo, assim como eliminar operações desnecessárias que produzem impacto no custo final do produto. Após a definição do tipo de revestimento adequado para uma determinada superfície metálica, levan- do em consideração a aplicação do material e meio qual estará exposto, devemos planejar como será executado processo produtivo, ou seja, quais serão as suas etapas. Para execução de tal planejamento, a definição do fluxo de produção, isto é, da sequência do processo produtivo, é necessária. Como você já aprendeu em unidades curriculares anteriores, fluxo de produção descreve a sequência de um processo produtivo. Assim, em processos de tratamento de superfície, após definição do revestimento a ser aplicado para a proteção do metal, podemos definir um passo a passo que auxilia na determinação (montagem) do fluxo de produção: 1) Quais são os tipos de contaminantes presentes nas superfícies das peças a serem revestidas? Quais serão os pré-tratamentos empregados para limpeza e preparo da superfície? Etapas de lavagem serão utilizadas? Se sim, quantas? 2) Após a limpeza, qual será o método de revestimento utilizado? Imersão, aspersão, deposição química ou algum outro? 3) Para o revestimento aplicado é necessária a passivação? Em caso positivo, que processo será empregado? 4) Um acabamento final da peça revestida é necessário? Como será realizado? No final, como última etapa do processo, a peça já revestida e acabada será embalada e armazenada para comercialização.13 ANÁLISE DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA EM PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE 185 o fluxo de produção, além de permitir a visualização da sequência das etapas do processo produtivo, auxilia na realização da análise mais detalhada dessas etapas, quando necessário. Como exemplo, na Figura 91, podemos observar 0 fluxograma¹ de um processo de pintura, contemplando as principais características e informações de cada etapa do processo. Temperatura: 60 100°C recepção Desengrachante Concentração: 2a 4% do desengraxante das peças alcalino Tempo: 15 minutos pH: 14 Água corrente Temperatura: ambiente Lavagem Tempo minutos Temperatura: 50 90°C Temperatura: ambiente Concentração: 5 25% Decapagem Decapagem Concentração: 1:1 (H HCL) Tempo: 30 minutos ácido sulfúrico ácido Tempo: 30 minutos pH: 1,0 pH: 1.0 Água corrente Temperatura: ambiente Lavagem Tempo: minutos Temperatura: 90°C pH: 10 Concentração LrAcidez total: 20 45% 12 Fosfatização 10 minutos Água corrente Lavagem Temperatura: ambiente Tempo: minutos Cromato Passivação Temperatura: 60°C Tempo: minutos Lavagem Água deionizada 3 estágios em cascata Em estufa resfriamento Secagem Pintura na saída Fim Armazenamento Figura 91 Exemplo de fluxo de produção de um processo de pintura Adaptado de 2010. o uso do fluxograma é muito comum para representar o fluxo de produção, principalmente por permitir análise visual simplificada e de fácil compreensão aos colaboradores de uma empresa. Os fluxogramas podem conter uma breve descrição das etapas do processo produtivo, assim como a representação dos subprodutos gerados, por exemplo, os gases tóxicos e efluentes dos processos de tratamento de superfície. Resumindo, podemos dizer que, por meio da definição do fluxo de produção, é possível padronizar as atividades de tratamento de superfície, entender as rotinas operacionais e as etapas críticas do processo, verificar possíveis falhas, e otimizar as etapas de produção, gerando maior lucro para as empresas, sempre que viável. 1 Fluxograma: representação gráfica de uma sequência de trabalho de forma186 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES CASOS E RELATOS Cada etapa de produção eleva o custo financeiro do processo e pode aumentar impacto no meio ambiente. Nesse contexto, a TREATPAINT, empresa de tratamento de superfície para pintura de eletrodomésticos, demandou a realização de um projeto que visava a análise de viabilidade técnica e econômica dos seus processos, objetivando a melhoria técnica e a redução de custos. A análise constatou a realização de três etapas intermediárias de lavagens entre desengraxe e a decapagem, e a decapagem e a fosfatização, totalizando assim seis etapas de lavagens somente nos processos de pré-tratamento de superfície que eram desnecessárias. Tendo em vista os testes realizados, coordenador do projeto reduziu número de lavagens para quatro, removendo uma etapa de lavagem entre cada etapa de pré-tratamento. Os resultados obtidos foram muito satisfatórios. Observou-se a redução de 1/3 do consumo de água nas etapas de preparação e limpeza da superfície, que, consequentemente, diminuiu volume de efluentes gerados, além de reduzir custo e tempo de operação do processo de pintura. 13.2 AVALIAÇÃO DE NECESSIDADES E OTIMIZAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS, MATERIAIS E TECNOLÓGICOS Você já imaginou uma indústria de tratamento de superfície, por exemplo, de eletrodeposição de zinco, operando com mão de obra ineficiente ou inadequada? Por mais automatizado que seja o processo produ- tivo, quem iria ligar as máquinas, configurar os painéis controladores e os computadores? Quem definiria tipo de peça a revestir? Quem compraria os insumos para a produção? E se faltassem insumos e equipamentos? Como seria realizar uma galvanização sem a utilização do zin- CO metálico? Como as peças seriam imersas nos banhos de eletrodeposição se não tivessem as gancheiras automáticas ou manuais? E imagina, então, como seria processo produtivo sem auxílio da tecnologia? Com certeza, sem esses recursos, dificilmente um processo produtivo seria totalmente Os recursos humanos, materiais e tecnológicos são componentes essenciais para o funcionamento de qual- quer organização, seja ela industrial, comercial ou educacional. Devem ser muito bem dimensionados e administrados para que a empresa possa garantir seu desempenho, alcançar seus objetivos e gerar lucros. Para que um determinado processo na área de tratamento de superfície ou em qualquer outra seja executado de maneira eficiente, isto é, para garantir a competividade do produto no mercado, é imprescindível realizar previamente uma análise das necessidades e/ou da otimização de recursos. A Figura 92 apresenta a relação dos recursos tecnológicos, humanos e materiais com processo produtivo.13 ANÁLISE DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA EM PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE 187 Recursos Tecnológicos Recursos Humanos informação, monitoramento) Entradas Saídas PROCESSO Produtos/serviços Recursos Materiais equiamentos) Figura 92 Relação dos recursos tecnológicos, humanos materiais com processo produtivo Fonte: 2016 Na execução de um determinado processo, deve-se sempre realizar levantamento da quantidade líquida de pessoas recursos humanos que serão envolvidas em todas as etapas da operação. Equipes de trabalho enxutas, com atividades bem definidas, aumentam a produtividade e geram mais lucro. Ao contrário, recursos humanos mal dimensionados e estruturados, com mão de obra excessiva ou es- cassa, causam prejuízos. o mesmo acontece com os recursos materiais e tecnológicos. Por exemplo, a indisponibilidade do zinco metálico no processo de galvanização ocasionará paradas e consequentemente reduzirá os lucros do pro- duto. Já quantidades excessivas desse insumo em estoque também trarão prejuízo, uma vez que capital de giro da empresa ficará aprisionado em forma de produtos armazenados. Perceba que o bom gerenciamento e a otimização dos recursos aumentam a produção, reduzem custos indesejáveis, elevam a disponibilidade dos equipamentos e tornam o processo muito mais rentável. CUSTOS EM TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE o gerenciamento e e a avaliação dos custos envolvidos em uma empresa são de extrema importância para a análise de viabilidade econômica de um processo, uma vez que eles são fatores determinantes no valor final do produto a ser vendido. Quanto menor o custo de produção, menor pode ser preço de venda do produto final. Você, como futuro profissional da área de metalurgia, além dos conhecimentos técnicos que estão sendo adquiridos, deverá compreender as questões econômicas que envolvem os processos produtivos. Nas organizações, existe uma priorização da análise e controle dos custos, uma vez que é, por meio da mi- nimização dos custos, que se alcança competitividade e maior ganho. É certo que empresas que não possuem preços competitivos estarão fadadas a sair do mercado.188 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES No revestimento de determinada superfície, os custos da produção decorrem principalmente dos funcionários, instalações, equipamentos, materiais e tecnologia. Apesar de algumas vezes os custos com revestimentos de superfícies metálicas serem dispendiosos, prejuízo decorrente da não proteção do metal, ou seja, da exposição do metal a um processo de corrosão acelerado, é muito maior. o custo com reposição de materiais, reparos, parada de linha e de equipamentos é elevadíssimo, muito maior do que a aplicação de um revestimento. Além do maior custo financeiro com processo de corrosão acelerado pela não ! FIQUE proteção de uma metálica, os produtos gerados no processo corrosivo ALERTA podem ser prejudiciais à saúde humana, causando irritações na pele e nos olhos, problemas respiratórios, entre outros. Mesmo com os revestimentos protetores, devemos ressaltar que, com passar do tempo, os metais ain- da estão sujeitos ao processo corrosivo. Podemos dizer que, anualmente, os custos gerados pelo fenômeno da corrosão nas mais diversas áreas, desde as estruturas metálicas até os implantes metálicos colocados em seres humanos, correspondem a cerca de 3 a 4% do produto interno bruto (PIB) de diversos países. Dessa forma, para a análise e gestão dos custos envolvidos em processos de tratamento de devemos estudar os diversos tipos de custos existentes. Mas, antes disso, temos de lembrar que são custos diretos indiretos. Custos diretos são os relacionados diretamente com custo do revestimento de um determinado produto: mão de obra, matéria-prima consumida (no processo de pintura, podemos citar os solventes, aditivos, resinas e pigmentos), materiais empregados na preparação e limpeza da (abrasivos, lixadeiras, polidoras, ar comprimido), reposição de partes corroídas, entre outros. Você sabia que a pintura é mecanismo de proteção de superfícies metálicas ? CURIOSI que possui melhor custo-benefício? A tinta é um revestimento barato, de fácil DADES aplicação, e alta durabilidade. Por exemplo, estima-se que, para 75 micrômetros de espessura de tinta em um carro de médio porte, a pintura corresponde somente a 0,8% do valor total do produto. Custos indiretos são aqueles que não se relacionam diretamente com a fabricação, isto é, são incluídos no produto final, conforme critérios predeterminados: gastos com energia, manutenção de equipamentos, aluguel do espaço industrial, danos ambientais e processo corrosivo acelerado inesperado. A Figura 93 ilustra a gestão de custos em um setor de pintura.13 ANÁLISE DE VIABILIDADE TÉCNICA E ECONÔMICA EM PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIE 189 Figura 93 Gestão de custos no setor de pintura Fonte: 2016 Agora que já estudamos as definições e alguns exemplos de custos diretos e indiretos, podemos citar os principais tipos de custos ligados às empresas de tratamento de superfície. Custo da mão de obra: relacionado ao pagamento do quadro de funcionários, isto é, ao salário de todos os colaboradores da empresa. Pode ser definido como direto quando falamos do pagamento da equipe envolvida nos processos de preparação, limpeza e revestimento do material. Ou indireto, quando falamos do pagamento de gerentes, supervisores, colaboradores dos setores administrativo, de recursos humanos e de limpeza. Custo energético: muito expressivo, pois engloba todo custo com energia demandada pela organi- zação. É direto quando a energia gasta está relacionada à produção das peças: lixadeiras mecânicas, bombas, compressores de an comprimido, estufa de secagem, braços e mãos mecânicas. É indireto, quando a energia gasta não se relaciona com a produção: luzes, computadores, bebedouros. Custo com matéria-prima: relacionado com os materiais utilizados para revestimento do metal, en- globam, por exemplo, os materiais abrasivos: lixas, escovas, emulsões, ácidos, bases, material de re- vestimento, entre outros. É importante lembrar que ele é contabilizado pela quantidade consumida e pela perda de cada material com seu respectivo preço. Custo administrativo: refere-se a impostos, despesas com seguro, à documentação, inspeção, ao controle de qualidade, tratamento de rejeito, transporte, armazenamento, à estocagem, a aluguéis de equipamentos e instalações, medidas de proteção, de prevenção ambiental e de segurança pessoal. Custo com ferramentas e maquinário: envolve não só o valor de aquisição inicial, mas de manutenção e/ou substituição dos equipamentos e das ferramentas. Exemplos: jatos abrasivos (bicos, compressores), ferramentas manuais, lixadeiras, esmeris de chicote, acessórios diversos, andaimes, escadas, cabos, talhas, linha transportadora, estufas de secagem, deionizadores, gancheiras, entre outros.190 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES Custo de retrabalho: relacionado à repetição de um processo devido a falhas na execução. É extre- mamente indesejável, pois envolve o uso adicional de matéria-prima, mão de obra, energia, entre outros. Quanto menor o custo de retrabalho, melhor é considerado desempenho do processo e maior o lucro da empresa. Em algumas situações, o custo de retrabalho é tão elevado que é preferível descartar o produto defeituoso e fabricar outro. Outros custos: estão relacionados com eventuais paradas da linha de produção, seja por causa de mau tempo, acidentes ou falta de condições de segurança. Além disso, desperdício, as perdas e sobras de tinta e materiais podem ser incluídos nessa rubrica. Você deve ter percebido que conhecimento e a gestão dos principais tipos de custo ligados aos pro- cessos de tratamento de superfície são extremamente relevantes para a análise de viabilidade econômica. Custos controlados e reduzidos aumentam significativamente a competividade da empresa no mercado, fornecendo produtos mais baratos e de qualidade. Por meio da análise do fluxo de produção, dos recursos necessários e dos custos, podemos otimizar os processos de revestimento de superfície metálica, proporcionando qualidade ao produto, reduzindo os custos e aumentando consequentemente o lucro. Aprofunde seus conhecimentos sobre análise de viabilidade técnica e econômica SAIBA lendo estudo de caso: "Uma análise do desempenho dos custos em uma empresa de tratamento de superfície por publicado no XXX Encontro Nacional MAIS de Engenharia de Produção (ENGEP, 2010). A matéria está disponível no link: http:// pg.utfpr.edu.br/dirppg/ppgep/ebook/2010/CONGRESSOS/ENEGEP/4.pdf RECAPITULANDO Neste capítulo, você aprendeu que a análise de viabilidade técnica e econômica dos processos de tratamento de superfície metálicas é extremamente importante para que as operações industriais sejam cada vez melhores e mais eficientes. Vimos que a definição do fluxo de produção, a análise e otimização dos recursos humanos, materiais e tecnológicos necessários, o conhecimento e a gestão dos custos envolvidos são fatores relevantes que devem ser considerados na análise de viabilidade técnica e econômica. Além disso, ainda neste capítulo, estudamos as diferenças entre o custo direto e indireto e os principais tipos de custos de uma empresa na área de Tratamento de Vamos prosseguir nossos estudos? Você está quase lá!Elaboração de documentação técnica 14 Seja bem-vindo ao capítulo de elaboração de documentação, no qual estudaremos a im- portância do planejamento e elaboração da documentação técnica para a organização e alcance dos objetivos das empresas. São tão importantes quanto as nossas atividades diárias, que planejamos e as quais obedecemos para alcançar aquilo que queremos. Por exemplo, você, quando iniciou os estudos deste curso, teve de seguir um roteiro de aprendizagem. A primeira unidade curricular que você estudou foi Fundamentos de Comunicação e QSMS (Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde), para depois aprender sobre fundi- ção, usinagem, soldagem, tratamentos térmicos, entre outros assuntos, para que, finalmen- te, você analisasse os tratamentos de superfície. Com certeza, se tivéssemos iniciado nossa aprendizagem pela unidade curricular de tratamento de superfície, a compreensão seria bem confusa e complicada. o mesmo ocorre nas empresas: elas devem planejar adequa- damente suas atividades, elaborar e colocar em prática seus próprios roteiros de trabalho/ processo e procedimentos operacionais para alcançar os objetivos desejados. Você, um futuro profissional da área de metalurgia, ao final deste capítulo, deverá estar apto a compreender as etapas do planejamento para os processos de tratamento de super- fície, a importância da elaboração da documentação técnica, sua validação e os parâmetros e mecanismos de controle dos processos. Vamos lá?194 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 14.1 PLANEJAMENTO DO PROCESSO Assim como planejamos as ações do nosso cotidiano, as indústrias de tratamento de superfície de- vem planejar seus processos. Você, por exemplo, está fazendo este curso de metalurgia com um objeti- vo, correto? Provavelmente, para se tornar um excelente profissional. Da mesma forma, para revestir determinada superfície metálica, é necessário planejar e controlar processo produtivo para alcançar os resultados almejados. Análogo ao planejamento de uma viagem, em que determinamos onde ficar, como in meio de transporte, quando viajar a data da viagem e que fazer, o planejamento do processo produtivo também deve ser elaborado. A Figura 94 apresenta as perguntas que norteiam o planejamento do processo. que? Quais? Como? Planejamento do Quantos? Por processo Quando? Para Onde? Figura 94 Perguntas que norteiam planejamento do processo Fonte: 2016 o planejamento do processo é vital para funcionamento de uma empresa. Por meio dele, é possível coordenar e integrar pessoas, máquinas, matérias-primas e linhas de produção em um sistema harmônico que alcance a máxima eficiência e eficácia. Nesse contexto, é importantíssimo ressaltar a diferença entre eficiência e A eficiência está relaciona- da à maneira com que se realiza um determinado processo. Uma operação é dita eficiente quando se consome o mínimo de recursos disponíveis para obtenção de um determinado resultado, ou seja, quando a utilização dos recursos materiais, humanos e tecnológicos é otimizada. A eficácia avalia até que ponto se alcançou um deter- minado objetivo, independentemente da forma de obtenção, isto é, mede grau de atingimento do resultado. o planejamento de um processo de tratamento de superfície pode ser dividido em três etapas prin- cipais, sendo elas:14 ELABORAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA 195 1) Elaboração do plano de produção define que a empresa pretende produzir em um determinado período, sendo que o tipo de produção é extremamente relevante para a elaboração desse plano. Nos processos de tratamentos de superfície, normalmente tipo de produção varia de acordo com as peças a serem revestidas. A produção pode ser realizada por encomenda, por exemplo, revesti- mentos de grandes tubulações e infraestruturas, ou por lotes, por exemplo, revestimentos de carros ou eletrodomésticos. Na produção por lotes, a elaboração do plano é baseada na previsão de vendas. Vejamos! o plano de uma pintura automotiva deve conter os seguintes itens: quantos carros vão ser pintados, qual é modelo, qual será a duração, quais e quantas pessoas serão envolvidas, quais as matérias-primas necessárias e sua quantidade, qual linha industrial estará disponível para execução da tarefa, quais equipamentos serão utilizados e suas devidas disponibilidades, entre outros fatores. 2) Implementação do plano de produção é a programação da produção por meio do detalhamento do plano, quando são elaborados os roteiros de trabalho/processo e os cronogramas de produção a serem seguidos pela empresa naquele determinado tempo. Dessa forma, por meio da especificação das atividades propostas e do detalhamento do plano de produção, as áreas envolvidas no processo podem preparar-se para atender à demanda de produção. almoxarifado de um setor de pintura, por exemplo, deve planejar e programar seu estoque com quantidades suficientes de determinados solventes, aditivos, resinas e pigmentos para atender à formulação correta da tinta que será aplicada nas superfícies metálicas. 3) Execução do plano de produção etapa final do planejamento, ou seja, etapa em que plano elaborado é executado. o controle e a avaliação de cada atividade planejada são fundamentais. No final dessa etapa, espera-se atingir os objetivos propostos. Normalmente, para processos de tratamento de superfície, resultado final esperado é a obtenção de um revestimento eficiente, de alta qualidade e durabilidade. 14.2 ROTEIRO DE TRABALHO/PROCESSO Como vimos no planejamento do processo, o roteiro de trabalho, também denominado roteiro de proces- so, deve ser estabelecido, a fim de alcançar os resultados desejados e planejados pelas organizações. Uma sequência da ordem de operações a serem executadas é determinada e deve ser cumprida. Alte- rações na ordem do roteiro influenciam diretamente processo produtivo e a qualidade do produto final. Podemos comparar o roteiro de trabalho à receita de um bolo. É possível adicionar ovos batidos a um bolo após ele estar assado? Se os ovos não fossem adicionados, a qualidade e sabor final do bolo seriam os mesmos? Claro que não! o mesmo acontece com o roteiro de trabalho. Se, por exemplo, no desengraxe de uma peça metálica, o aquecimento do banho for esquecido ou realizado após a imersão da peça no tanque, a qualidade e a eficiência do processo não seriam as mesmas de quando ela ocorre conforme planejado. Provavelmente, a peça necessitaria de um novo desengraxe. A omissão ou alteração da ordem das etapas do roteiro de processo alteram as características e as propriedades que foram planejadas para o produto final.196 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES Como exemplo de um roteiro de processo de tratamento de superfície, podemos citar desengraxe de uma peça metálica. 1) Recebimento do material a ser desengraxado (separar e analisar as peças que serão desengraxadas). 2) Preparação do banho: 2.1 Adicionar desengraxante e verificar a sua concentração no banho (2 a 4% do desengraxante); 2.2 Verificar o pH da solução (pH deve estar entre 12 e 14); 2.3 Aquecer banho (temperaturas entre 60 e 80°C); 2.4 Ligar a circulação do banho. 3) Desengraxe (imergir a peça no banho já preparado entre 5 a 10 minutos, conforme necessidade). 4) Análise do desengraxe (verificar, pelo teste da gota d'água, se o processo de desengraxe foi eficiente). 14.3 PROCEDIMENTOS OPERACIONAIS Você já parou para pensar como é possível que um refrigerante de determinada marca, fabricado em diferentes países, tenha mesmo sabor e as mesmas características, independentemente de sua origem de fabricação? Da mesma forma, como é que a pintura dos carros, por exemplo, possui a mesma durabilidade e qualidade no Brasil e no Japão? Com certeza, devido à experiência já adquirida neste curso, você pode dizer que isso é possível, de- corrente da elaboração dos procedimentos operacionais que visam padronizar os processos produtivos. Após a Revolução Industrial, com início da mecanização dos processos industriais, iniciou-se a padronização dos processos. A Ford, inicialmente fabricava carros somente da cor preta, focando a padronização no processo, esquecendo-se da satisfação ? CURIOSI dos clientes, que almejavam outras cores para os automóveis. Atualmente, devido à DADES extrema competitividade do mercado, a concepção de padronização mudou muito. Hoje, a Ford produz inúmeros modelos de carros com diferentes cores, empregando sistemas de pintura cada vez mais inteligentes, a fim de atender satisfação a seus consumidores. A padronização dos processos/tarefas por meio dos procedimentos operacionais padrões, conhecidos como POPs, tem por finalidade garantir que as características e desempenho de certo revestimento serão os mesmos, independentemente do lote de fabricação, do turno que produziu produto e da origem de produção. Os padrões operacionais podem ter duas origens: provenientes da fábrica, ou elaborados pelo coor- porativo² da empresa. Por exemplo, unidades fabris podem ter técnicas diferentes para a realização do processo de pintura de um carro. Contudo, a formulação da tinta utilizada deve ser a mesma em todas as unidades da empresa. Dessa maneira, a fábrica deve elaborar um POP específico para manuseio do equipamento empregado na aplicação da tinta, porém obedecendo às diretrizes do POP coorporativo para a formulação da tinta. 2 Coorporativo: organização da empresa que define os objetivos as estratégias econômicas e políticas de todas as unidades fabris.14 ELABORAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA 197 Normalmente, os padrões operacionais elaborados pelo coorporativo são mais difíceis de ser alterados. Quando isso ocorre, todas as unidades que utilizam padrão devem ser comunicadas e treinadas a respeito dele. Padrões criados na fábrica possuem maior autonomia para alterações. As modificações nos POPs devem ser executadas de acordo com as necessidades operacionais, sempre visando à melhoria dos resultados. A Figura 95 apresenta a verificação dos procedimentos operacionais padrão em uma indústria de automóveis. Figura Verificação dos procedimentos operacionais padrão Fonte: 14.4 VALIDAÇÃO DE PROCESSOS Após planejamento do processo, a elaboração do roteiro de trabalho e dos padrões operacionais, será possível garantir que os resultados esperados serão alcançados? Claro que não! Os processos ainda devem ser validados e posteriormente monitorados. Após a elabo- ração do roteiro de trabalho, assim como os procedimentos operacionais padrões, os processos devem ser estudados e avaliados de acordo com os requisitos ambientais, econômicos, de qualidade e de segurança, para, então, serem validados. Caso algum processo não atenda às normas e requisitos ambientais, de qualidade ! FIQUE e segurança, ele necessariamente será invalidado, independentemente da sua ALERTA eficiência econômica para uma organização.198 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES A validação de processos é definida como ato documentado que atesta que os processos com equi- pamentos, materiais e atividades, alcancem os resultados esperados. É ato de assegurar que processo, quando operado sob condições predeterminadas, resultará em um produto que reunirá especificações e atributos de qualidade. om/ktsimage Figura 96 Validação de processos Por que devemos validar os processos de tratamento de superfície? Quais são os benefícios proporcio- nados pela validação? A validação dos processos de tratamento de superfície permite que os processos de revestimentos sejam executados de forma correta com maior economia. É por meio da validação que se atende aos aspectos regulatórios do processo, à conformidade com as especificações, à segurança, à confiabilidade e à garantia de qualidade e durabilidade dos revestimentos. Devemos lembrar que a validação dos processos também deve ser executada nas operações de pré- tratamentos, por exemplo, jateamento abrasivo, lixamento, decapagem, desengraxamento, entre outras. Um aspecto importante da validação é a qualificação dos equipamentos e instalações. Mas que é qualificar? Existe diferença entre validar e qualificar? Voltemos ao já citado exemplo do bolo. Antes de prepará-lo, devemos verificar se forno está aque- cendo, assim como se a batedeira está funcionando adequadamente. Essa verificação é denominada qualificação de equipamentos e instalações, sendo uma das etapas da validação. Assim, após a qua- lificação dos aparelhos para a confecção do bolo, pode-se realizar a validação do processo, que consiste em checar se os procedimentos descritos na receita alcançarão os objetivos desejados, ou seja, a produ- ção de um bolo14 ELABORAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA 199 14.5 PLANO DE CONTROLE: PARÂMETROS DE CONTROLE E MECANISMOS DE CONTROLE o maior desafio enfrentado na indústria é garantir que os resultados planejados sejam alcançados. Vimos que, para se ter um sistema integrado operando de maneira esperada, são fundamentais bom planejamento, a elaboração de roteiros de trabalho e procedimentos operacionais eficazes e validados. Mas, ainda assim, não podemos garantir um produto final com a qualidade almejada, correto? A produção deve ser monitorada por meio de um plano de controle estrategicamente elaborado e bem definido, para qual devem-se determinar os principais parâmetros de controle do processo, ou seja, os itens críticos que afetam diretamente desempenho e a qualidade do revestimento protetor. Na pintura, por exemplo, podemos citar alguns parâmetros que necessariamente devem ser controla- dos no processo produtivo, como: Viscosidade da tinta; Umidade e temperatura do local de aplicação; Tempo de secagem ou tempo de cura; Espessura da camada formada; Concentração do banho de desengraxe, decapagem e fosfatização. Assim, após a definição dos parâmetros de controle, como efetivamente realizá-lo? A resposta é sim- ples! Por meio dos mecanismos de controle. As cartas de controle são mecanismo de controle do CEP (Con- trole Estatístico de Processo). o seu uso em larga escala se justifica pela facilidade de compreensão visual da variabilidade dos resultados. Por meio da carta é possível verificar se o processo está sob controle e se ele permanecerá sob controle. Na Figura 97, podemos observar um exemplo de uma carta, de controle do parâmetro de concentração do banho de desengraxe de um setor de pintura. 5 4,5 4 (%) 3,5 Limite Superior 3 Limite Inferior 2.5 2 1,5 1 8 10 12 14 16 18 20 22 24 Hora da análise Figura 97 Carta de controle da concentração do desengraxante do banho Fonte: 2016200 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES Observa-se, na Figura 97, que, à medida que desengraxe é efetuado ao longo do dia, existe uma tendência de redução do consumo do desengraxante no banho. Por meio da carta de controle, é possível monitorar a concentração de desengraxante e realizar a troca da solução do banho, quando necessário. Às 18 horas, observa-se que a concentração atingiu valor de limite inferior, sendo necessária uma nova solução de desengraxante para manter processo sob controle, ou seja, dentro dos limites preestabelecidos. Apesar do respeito aos procedimentos operacionais, a falta de controle da concentração do desengra- xante no banho poderia resultar em concentrações abaixo de 2%, que provavelmente ocasionaria uma operação de desengraxe ineficiente, com retrabalhos para processo. o controle do processo também envolve a correção de falhas no processo e/ou equipamentos. Por meio dessas ações corretivas e preventivas, é possível corrigir os erros e evitar futuras falhas simila- res. Dessa forma, mediante a repetição das operações, controle permite melhoria contínua do proces- so, reduzindo custos com falhas e retrabalhos. No artigo publicado na revista de Tratamento de Superfície, n°31, edição de maio/ SAIBA junho de 2015, Edmilson Gaziola relata que processos bem planejados e que MAIS obedecem às receitas de operação são capazes de alcançar a melhoria contínua. Aprenda mais, lendo texto completo: "Melhoria Contínua Aplicação do CQI Continuous Quality Improvement". CASOS E RELATOS Planejar e controlar sem padronizar! Isso não adianta! Em uma pequena indústria de tratamento de superfície, realiza-se a pintura de estruturas metálicas com dimensões moderadas, por meio de pistolas de ar comprimido. Devido a diversos problemas apontados no controle da espessura das camadas de tinta, realizou-se uma análise técnica do pro- cesso de aplicação da tinta. Como resultado, constatou-se que, apesar da indústria ter um excelente planejamento da produção e controlar as principais variáveis do processo, a empresa ainda não possuía um procedimento operacional padrão para manuseio da pistola. Nesse tipo de pintura, é extremamente necessário que operador obedeça a um POP: manter a pistola cerca de 25 cm da superfície a ser pintada, posicioná-la perpendicularmente à superfície metálica, entre outros fatores.14 ELABORAÇÃO DE DOCUMENTAÇÃO TÉCNICA 201 Assim, supervisor da área, com os operadores, criou um POP para manuseio da pistola, a fim de obter uma aplicação ideal da tinta. Ele foi validado pelo gerente, que verificou, com muita atenção, se todas as etapas descritas no documento atendiam aos requisitos de saúde e segurança dos operadores. Após a validação, os funcionários que realizam a aplicação da tinta foram treinados no novo padrão operacional e posteriormente, para assegurar sucesso da ação, foram checados em campo quanto ao aprendizado adquirido. o resultado obtido foi excepcional. Os custos com excesso de tinta foram reduzidos significati- vamente, e, além da proteção conferida pela camada de tinta, revestimento conferiu melhor aparência às peças, mais lisa e uniforme. RECAPITULANDO Você aprendeu, neste capítulo, a importância de um bom planejamento das atividades dos processos. Aprendeu que somente planejar não é suficiente para alcançar os resultados esperados. É necessário também elaborar roteiros e procedimentos operacionais padrões, validá-los e adotar medidas para controle dos principais parâmetros do processo. Essas ações, realizadas de forma integrada e bem aplicada, reduzem os custos dos processos e permitem melhoria contínua. Vamos em frente com nossos estudos sobre o mundo de gestão de tratamento de superfície!Suporte técnico em processos de tratamento de superfícies 15 Suportar significa manter, sustentar. Então, que significa suporte técnico em processos de tratamento de Para que toda organização ou empresa alcance seus objetivos, é necessário fornecimento de condições adequadas para que as atividades possam ser executadas, ou seja, é necessária a disponibilização adequada de recursos e normas fundamentadas. o suporte técnico constitui a base para as operações dos processos de tratamento de su- perfície. 0 correto gerenciamento dos recursos materiais, humanos e tecnológicos e cum- primento das normas estabelecidas permite que os processos se tornem competitivos, com elevada produtividade. Como futuro profissional da área de metalurgia, ao final deste capítulo, por você deverá conhecer a importância do atendimento dos recursos materiais, humanos e tecnológicos para os tratamentos de superfície e do cumprimento das normas aplicadas a esses processos. Além disso, você deverá também ser capaz de entender e explicar qual é objetivo da capaci- tação dos recursos humanos e porquê de ela ser tão relevante para as organizações. S U P R E Rodrigo de Lacerda204 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 15.1 ATENDIMENTO DE NECESSIDADES DE RECURSOS HUMANOS, MATERIAIS E TECNOLÓGICOS Como o corpo humano, que necessita de uma boa alimentação, água e atividades físicas regulares para garantir seu bom funcionamento, os processos industriais também requerem recursos³ imprescindíveis para a execução de suas atividades. A indisponibilidade desses recursos afeta a produtividade, tornando os processos ineficientes ou até mesmo inexistentes. o que são esses recursos necessários para produção e como atendê-los da melhor forma possível? Os recursos necessários para que os processos de tratamento de superfície ocorram de forma ade- quada, com produção eficiente garantindo sua permanência no mercado, são os recursos materiais, os humanos e os tecnológicos. o gerenciamento dos recursos materiais deve ser realizado, a fim de garantir que todos os insumos, assim como os equipamentos, na quantidade, local e tempo certos, estejam à disposição dos setores de produção da empresa. o eficiente gerenciamento de estoques garante atendimento à demanda produtiva. A gestão de esto- que tem vários objetivos, dentre os quais podemos citar: Minimização do investimento em estoques (deve-se operar com um estoque equilibrado); Previsão das necessidades e disponibilidades de materiais; Criação de contato permanente com fornecedores; Verificação de preços, qualidade e condições de fornecimento; Padronização de materiais, embalagens e fornecedores; Controle da disponibilidade de materiais e situações de pedidos, tanto em relação aos fornecedores como em relação à produção industrial; Obtenção da segurança de fornecimento, e preços mínimos de compra. Atualmente, diversas empresas, principalmente do ramo automobilístico, como a Toyota, adotam como gerenciamento de estoque o sistema conhecido como Just in time (JIT), do inglês na "hora certa". o JIT determina que nada deve ser ? CURIOSI produzido, transportado ou comprado antes do momento A aplicação desse DADES sistema apresenta diversas vantagens, tais como: linhas de produção sem gargalos, melhoria na qualidade, redução de custos e agilidade no prazo de entrega do produto final. A única desvantagem do JIT é não poder ser aplicado em produtos com demanda pouco previsível e/ou com grandes oscilações. A Figura 98 apresenta um desenho esquemático comparando o antes e depois da implantação do JIT em um processo de niquelagem. 3 Recurso: aquilo que gera, potencialmente ou de forma efetiva, qualquer tipo de riqueza.15 SUPORTE TÉCNICO EM PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 205 Peças limpas, aguardando Peças niqueladas Embalagem despache processo de niquelação JUST IN TIME Rodrigo Henrique del Peças niqueladas prontas para serem embaladas despachadas Figura 98 Processo de niquelagem antes depois da implementação do just time Fonte: 2016 Os recursos humanos são aqueles responsáveis pela mão de obra, que transforma os insumos em produtos acabados ou serviços prestados. o processo produtivo deve ter pessoas capacitadas e aptas a exercerem as atividades que lhes foram atribuídas. É de extrema importância ressaltar que o atendimento aos recursos humanos não se baseia unicamente na ação de contratar pessoas para executar determinadas atividades. Está muito além disso. As pessoas devem ser capazes de se adaptarem a um ambiente complexo e mutável, aliando sempre qualidade, produtividade e competividade. Assim, é essencial que os colaboradores sejam capacitados, treinados, orientados e liderados. Os recursos tecnológicos estão relacionados à tecnologia de informação e à automação dos equipa- mentos. São essenciais para processo produtivo, uma vez que constituem o diferencial de uma empresa para manter-se competitiva no mercado. Por meio de processos inovadores, como técnicas inteligentes de revestimento, ou pelo uso de equi- pamentos mais sofisticados que reduzem tempo de produção aumentando a produtividade, bom ge- renciamento dos recursos tecnológicos aumenta a efetividade dos processos de tratamento de superfície. 15.2 SUPORTE AO ATENDIMENTO DE NORMAS TÉCNICAS, AMBIENTAIS, DE SAÚDE E SEGURANÇA suporte técnico, além do atendimento aos recursos materiais, humanos e tecnológicos, essenciais ao tratamento de superfície, é também constituído por normas técnicas, ambientais, de saúde e de segurança. As organizações devem ser capazes de oferecer condições suficientes para cumprimento das normas. Por exemplo, como sabemos, a pintura industrial é um processo de tratamento de superfície que acarreta uma série de riscos, e, por esse motivo, diversas normas relacionadas ao ambiente, à saúde e à segurança dos operadores devem ser respeitadas.206 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES o processo requer obrigatoriedade do uso de vestimentas protetivas, máscaras, óculos e luvas, para evitar intoxicações e inalação de produtos químicos. Contudo, de que adianta os funcionários conhecerem os riscos e as medidas preventivas se a organização não está apta a fornecer os equipamentos de proteção individual vestimentas, máscaras e óculos obrigatórios? ! FIQUE A NR 6 define que todas as empresas devem fornecer aos empregados, ALERTA gratuitamente, os EPIs adequados ao risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento. Da mesma forma, armazenamento das tintas e solventes deve ser realizado em locais com elevada ventilação, protegidos do calor solar, a fim de evitar derramamentos, aquecimentos externos e possíveis incêndios. Então, de que adiantaria se, por falta de espaço físico ou por algum outro motivo, a armazena- gem desses produtos fosse feita em locais descobertos? A resposta é simples! Nada! descumprimento das normas, independentemente de qualquer razão, acarreta processos inseguros e improdutivos que podem ocasionar danos irreparáveis, como a destruição de equipamentos e insumos devido a um incêndio, ou até mesmo a perda da vida de um colaborador. As organizações devem ser capazes de fornecer materiais e equipamentos, sinalizações adequadas, manuais de pesquisa e treinamentos suficientes para atendimento e cumprimento dessas normas. Só assim os processos se tornam seguros, confiáveis e produtivos. Existem diversas normas nacionais e internacionais que regem os processos de tratamento de super- fície. De acordo com cada pré-tratamento aplicado, com revestimento empregado e com os testes de verificação da qualidade utilizados, as normas devem ser estudadas e disseminadas no meio industrial. Por exemplo, a norma britânica BS EN ISO 1463, 2004, aborda método de mensuração da espessura do revestimento pelo microscópico. A norma sueca SS 3683 fornece padrões para a limpeza de aços por jate- amento. A norma brasileira NBR 6323 apresenta especificações para a galvanização de produtos de aço e ferro fundido. Conheça as principais normas nacionais e internacionais relacionadas ao processo de SAIBA galvanização por meio do Guia de Galvanização por Imersão a Quente, elaborado pelo MAIS Instituto de Metais não Ferrosos, acessando link guia-de-galvanizacao-por-imersao-a-quente.pdf15 SUPORTE TÉCNICO EM PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 207 15.3 CAPACITAÇÃO DE RECURSOS HUMANOS Atualmente, em uma economia cada vez mais globalizada, influenciada pelas inovações tecnológicas e científicas, mercado de tratamento de superfície tornou-se demasiadamente competitivo, com clientes cada vez mais exigentes. Nesse contexto, fator humano configura-se como um diferencial decisivo para sucesso de uma organização. o potencial de uma empresa não é mais definido somente pelos seus produtos, espaço físico, capaci- dade tecnológica ou pelo mercado em que atua, mas também pela criatividade e proatividade de seus laboradores. Hoje um funcionário não é diferenciado pelo que sabe ou pelo que faz, mas pela capacidade de aprendizagem e realização. Mas, então, como obter esse tipo de profissional se cada um de nós já possui personalidade, valores e habilidades? Por meio de uma capacitação que estimule com que as pessoas adquiram novos conheci- mentos, habilidades e atitudes. Investimento em treinamento é principal meio de capacitação de pessoas. o aumento da capacidade intelectual, das habilidades e das técnicas de trabalho dos funcionários permite não somente crescimen- to profissional, mas também crescimento econômico da empresa. Figura Investimentos em treinamentos de pessoas Para o sucesso da capacitação de pessoas, é de extrema importância a avaliação dos resultados, isto é, a organização deve verificar o processo de aprendizado e mensurar os resultados obtidos após o treinamento. o investimento na capacitação de recursos humanos traz uma série de vantagens, dentre elas, a cons- cientização dos empregados no cumprimento das normas da empresa, a sinergia das equipes (formação de equipes integradas que superam as dificuldades), a redução de custos, a diminuição da rotatividade, a elevação da produtividade, a melhoria da qualidade, o aumento da flexibilidade, a ampliação da capa- cidade intelectual dos colaboradores e mais oportunidades de crescimento.208 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES CASOS E RELATOS Aprenda cada dia uma nova coisa! Ricardo, profissional da área de metalurgia recém-formado, foi contratado para trabalhar na operação de eletrodeposição de estanho, especificamente no setor de produção de folhas de flandres utilizadas para a proteção de alimentos enlatados da empresa ESTANHOFOOD. Ricardo estava muito ansioso, pronto para colocar a "mão na massa"e praticar os conhecimentos adquiridos no curso, quando recebeu a notícia de que todo novo talento deveria passar por um mês de treinamento nas diversas áreas da empesa, para, só depois, ser direcionado ao seu setor. Inicialmente, ficou extremamente decepcionado. Contudo, durante esse período, à medida que ficava a par do negócio da ESTANHOFOOD e aprofundava seus conhecimentos técnicos em relação ao processo de estanhagem, tornou-se cada vez mais apaixonado pelo seu trabalho e pelos valores da companhia. Por meio dos treinamentos, técnico percebeu que todas as áreas da empresa estavam interli- gadas. Uma falha no processo de eletrodeposição do estanho acarretaria não só retrabalho da peça metálica, como também atraso da entrega dos produtos aos clientes, criando elevados prejuízos econômicos para a organização. Além disso, ele também foi treinado em relação a todos os padrões operacionais que seriam de sua competência e às normas técnicas, ambientais, de qualidade e de segurança relacionadas ao seu Assim, para finalizar, gerente ministrou treinamento, sobre aprendizagem constante. No fe- chamento do encontro, o gerente reforçou que: "Se você continuar fazendo que sempre fez, continuará obtendo os mesmos resultados. Então, busque novos conhecimentos, aprenda cada dia uma nova coisa e obterá resultados excepcionais, profissionais e pessoais!"15 SUPORTE TÉCNICO EM PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 209 RECAPITULANDO Aprendemos, neste capítulo, que atender às necessidades dos recursos materiais, humanos e tecnológicos é vital para bom funcionamento dos processos de tratamentos de superfície. Vimos que as organizações devem fornecer condições adequadas para que os funcionários cumpram as normas internas e externas, em operações que respeitem meio ambiente, a segurança e a saúde. Aprendemos, ainda, que atualmente a capacitação dos recursos humanos é um fator diferencial para as empresas. Por meio de pessoas orientadas, treinadas e motivadas, é possível gerar lucros, obtendo a melhoria contínua dos processos produtivos. Vamos em frente com nossos estudos!Coordenação da execução de processos de tratamento de superfícies 16 o alcance dos resultados esperados pelas empresas de tratamento de não depen- de apenas de um bom planejamento aliado ao suporte de processos, mas necessita também da coordenação da execução das diversas atividades. Já aprendemos que os processos de tratamento de superfície envolvem várias etapas, des- de o recebimento e inspeção da superfície metálica a ser revestida até o despacho e transporte final do produto. o desafio é saber como controlar esses diversos processos e suas variáveis. Como monitorar se uma determinada norma está sendo cumprida ou não? Como controlar se uma atividade foi realizada de acordo com os procedimentos e regras da organização? Não tenha dúvidas, você, como futuro profissional da área de metalurgia, enfrentará esses desafios. É por isso que, ao final deste nosso estudo, você deverá ser capaz de analisar as metas de produção e sua importância para a execução dos processos de tratamento de superfície, entender e aplicar os mecanismos de controle de qualidade e de cumprimento das normas, elaborar ações corretivas e preventivas eficazes para a resolução dos diversos problemas que podem ocorrer. Está preparado?! Vamos adiante! @istokphoto.com/Xpoint212 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 16.1 METAS DE PRODUÇÃO A coordenação da execução de processos de tratamento de superfícies depende diretamente do estabelecimento prévio das metas de produção. Por meio da definição das metas⁴, é possível monito- rar o cumprimento do planejamento e mensurar o desempenho da produtividade da fábrica. Sem as metas de produção, não existem parâmetros para planejar ou aprimorar qualquer processo. Uma empresa sem metas é semelhante a um barco à deriva. Pode até chegar a algum lugar, mas quanto tempo gastaria? Aonde chegaria? Como seria a trajetória? Quais seriam os recursos empregados? Eles esta- riam disponíveis e seriam suficientes? Muitos questionamentos podem surgir, certo? Sabemos que toda embarcação precisa ser guiada para chegar ao lugar planejado. Deve-se utilizar mínimo esforço para atingir máximo desempenho do barco. Assim funcionam os processos de tratamento de super- fície, que também devem ser controlados e otimizados, a fim de que os objetivos da organização sejam alcan- çados. A coordenação e controle desses processos constituem as principais finalidades das metas de produção. Mas, então, de onde vêm essas metas? Da vontade do gerente? Do superior imediato? Não. As metas vêm dos clientes, ou seja, do mercado. Cada vez mais, as pessoas exigem produtos de qualidade, com menor preço. Os gerentes e supervisores responsáveis pelos processos apenas têm a função de desdobrarem as metas de produção a todos os funcionários, de acordo com a exigência im- posta pelo mercado consumidor do produto. Devemos lembrar que as metas, ao serem elaboradas, devem ser constituídas de cinco parâmetros essenciais, ou seja, devem ser específicas, temporais, mensuráveis, relevantes e atingíveis. A Figura 100 apresenta esses parâmetros. eSpecifica Temporal Quando? Mensurável META Relevante Atingivel Comol Figura 100 que constituem uma meta Fonte: 2016 Parâmetros que constituem uma meta Para entender melhor esses parâmetros, vamos analisar um exemplo de meta de produção. Um funcionário do setor de pintura de uma empresa tem como meta que a perda de tinta no processo de aplicação realizado com pistola não ultrapasse 5% do total da tinta consu- mida durante um ano de produção. 4 Meta: índice almejado de resultado do processo que está sendo analisado em um determinado período de tempo.16 COORDENAÇÃO DA EXECUÇÃO DE PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 213 Essa meta é relevante? Para quê? Por quê? Sim, atingir essa meta implica a redução de custos ope- racionais. Evita desperdício da matéria-prima, é lucrativo para a empresa, e, além disso, confere ao produto maior competitividade no mercado. Todo processo deve sempre ser executado com mínimo possível de recursos, em quantidades suficientes para garantir a qualidade do produto. Essa meta é específica? Quem a executará? Onde? Ela é clara: deve-se reduzir a perda de tinta na aplica- ção com pistola. É uma meta de responsabilidade de todos que atuam nesse processo de aplicação, dentro do setor de pintura. Você já deve ter percebido também que a meta é mensurável e temporal, correto? Observe que está estabelecido que, para o cumprimento da meta, a perda de tinta não pode ser superior a 5% do total, em um prazo de um ano de análise. Se valores menores que 5% forem alcançados em um ano de produção, cumprimento da meta será bem-sucedido. Como, então, definir se ela é atingível? Metas devem ter valores plausíveis, ou seja, não devem conter valores impossíveis de atingir, mas, ao mesmo tempo, devem ser desafiadoras. Por exemplo, se historicamente índice de perda de tinta no processo de aplicação, nos últimos três anos, foi de 30%, 28%, 29%, um valor de 5% de per- da seria praticamente inviável. Já para índices anteriores de 8%, a meta de 5% seria um ótimo desafio! Você, como futuro profissional da área de metalurgia, quando iniciar sua carreira profissional, provavel- mente, terá metas a cumprir. Lembre-se sempre de analisá-las e, mais importante, ao final da análise, de traçar ações para alcançá-las. No exemplo citado, diversas ações poderiam ser tomadas com o propósito de cumprir a meta estabele- cida, por exemplo, a limpeza dos bicos da pistola antes de cada operação de pintura, a verificação contínua da pressão do ar comprimido, a correta formulação da tinta, o manuseio adequado da pistola e o monito- ramento da camada de espessura da tinta. 16.2 CONTROLE DAS NORMAS TÉCNICAS, AMBIENTAIS, DE SAÚDE E SEGURANÇA Você já sabe que as normas técnicas, ambientais, de saúde e de segurança devem ser respeitadas por todos os funcionários de uma organização, independentemente do cargo ou função. Como gerenciar efetivo cumprimento dessas normas? Como verificar se os processos estão sendo executados segundo as normas vigentes, a fim de garantir operações seguras, confiáveis e produtivas? Existem diversos métodos para coordenar as atividades operacionais e garantir que elas estejam em conformidade com as normas estabelecidas. Eis alguns exemplos: Uso de checklist por exemplo, processo de pintura com pistola deve ser realizado somente em lugares abertos ou com ventilação constante. o uso de um checklist para a verificação das condições do ambiente da pintura poderia auxiliar monitoramento e a execução adequada do processo.214 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES Avisos com cartazes e/ou panfletos método bastante empregado, principalmente no cumprimento das normas de segurança. Em áreas de risco, por exemplo, os processos de revestimento feitos por imersão a quente, em que se trabalha com elevadas temperaturas, uso de vestimentas, óculos, luvas e capacete com protetor facial é obrigatório. As sinalizações, por meio desses artefatos, auxiliam os operadores no cumprimento dessas normas. A Figura 101 apresenta um exemplo de cartaz de sinalização para uso obrigatório de EPIs. SEGURANÇA USO OBRIGATÓRIO DE: PROTETOR AVENTAL ÓCULOS MÁSCARA LUVAS AURICULAR Figura 101 Cartaz de sinalização para uso obrigatório de EPIs Fonte: 2016 Realização de auditorias auditorias internas e externas são excelentes métodos de verificação do enquadramento organizacional às normas. As empresas de tratamento de recebem cons- tantemente auditorias externas para a verificação e/ou adequação do cumprimento das normas ambientais, principalmente relacionadas ao correto descarte dos efluentes gerados nos processos. As auditorias internas também são amplamente empregadas para a verificação do cumprimento dos diversos procedimentos operacionais e das normas internas estabelecidas. A melhor forma de evitar acidentes em empresas de tratamento de superfície por ! FIQUE intoxicação, devido à inalação de gases tóxicos, como dióxido de enxofre e gases ALERTA cianídricos, realização de treinamentos e de auditorias internas que chequem o correto cumprimento das normas e dos procedimentos operacionais pelos funcionários. Documentos e materiais de consultas nos tratamentos de superfície, os processos, na maioria das vezes, são baseados em medidas específicas (espessura, valores de aderência das camadas, tempera- turas de banho), que devem estar sempre disponíveis para consulta nas áreas produtivas. Geralmente, os padrões operacionais, que devem sempre estar à disposição dos funcionários, incorporam as diver- sas especificações determinadas nas normas.16 COORDENAÇÃO DA EXECUÇÃO DE PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 215 16.3 CONTROLE DA QUALIDADE Como podemos identificar se um processo de tratamento de superfície atingiu o nível de qualidade esperado? E, ainda, como garantir que um revestimento protetivo de uma superfície metálica terá a quali- dade desejada? Pode-se dizer que todo processo que opera de acordo com as normas estabelecidas, atende às exatas especificações, possui baixo índice de retrabalhos e constantemente melhora as operações, reduzindo os gastos, é um processo de alta qualidade. o monitoramento das diversas atividades para que sejam executadas segundo planejamento defini- do é função do controle de qualidade. Ele, por meio de diversos ensaios já abordados no capítulo de "Testes de verificação da Qualidade", visa assegurar a qualidade em toda a cadeia produtiva, ou seja, desde recebimento das matérias-primas e fabricação do produto final até descarte dos efluentes. Além disso, também é objetivo do controle de qualidade a detecção dos defeitos e avarias dos produtos, bem como a elaboração de ações adequadas para a solução dos problemas encontrados. o gerenciamento dos índices e a identificação das causas dos defeitos da produção geralmente são realizados por meio de sete ferramentas do CEP. Podemos citar exemplos de algumas dessas ferramentas; Histograma Gráfico de barras que permite a clara visualização do padrão de distribuição de valores, e é utilizado para determinar a dispersão e a localização das amostras coletadas. o eixo vertical ou comprimento das barras indica a frequência ou porcentagem analisada. Já eixo horizontal se refere ao intervalo de cada classe. Na Figura 102, podemos observar um histograma da quantidade de re- fugo de peças de uma empresa de galvanização no período de um ano. Observa-se que, entre abril e julho, o número de peças refugadas foi bastante elevado. Após esse período, provavelmente devido a ações adotadas e também a um maior controle da produção garantindo a qualidade do produto, esse número foi significativamente reduzido. 375,0 350,0 300,0 275.0 250,0 225.0 125,0 100.0 0,0 JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ 102 Histograma de refugo de peças Fonte: 2016216 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES Curva de Pareto Também conhecida como Gráfico de Pareto, permite a ordenação do gráfico de acordo com a importância da variável em questão, sempre partindo da variável mais relevante para a menos relevante. É utilizada para análise e identificação de causas e/ou problemas relevantes. Permite a concentração dos esforços, priorizando as ações que trarão os melhores resultados para sanar os problemas detectados. Cartas de controle Gráfico que permite acompanhamento do processo produtivo. Por meio da determinação dos limites superior e inferior de uma determinada variável, é possível verificar se processo está sob controle. Diagrama de causa e efeito Também conhecido como Diagrama de Ishikawa ou Espinha de Peixe, tem a finalidade de organizar as ideias para identificar as possíveis causas de um problema prioritário. A estrutura é constituída por 6Ms, isto é, as causas relacionadas à não conformidade encontrada po- dem estar ligadas ao método, material, máquina, medida, mão de obra ou meio ambiente emprega- dos no processo de produção. A Figura 103 apresenta Diagrama Espinha de Peixe. Máquina Medida Meio Ambiente PROBLEMA EFEITO Mão de Obra Método Matéria Prima Figura 103 Diagrama de Causa Efeito Fonte: 2016 o controle estatístico de processo (CEP) é amplamente empregado, uma vez que permite monitora- mento eficaz da qualidade em tempo real. Por meio do uso das ferramentas, os operadores são capazes de administrar as variáveis de interesse e adotar ações de correção e melhoria, sempre que necessário. Conheça mais sobre o Controle de Qualidade em Tratamentos de Superfície, SAIBA acessando a matéria de Mariana Mirrha "Qualidade Assegurada" na Revista de MAIS Tratamento de Superfície, edição 198, setembro de 2016, pelo link:16 COORDENAÇÃO DA EXECUÇÃO DE PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 217 o controle de qualidade se iniciou na década de 1920, quando Dr. Walter Andrew Shewhart, da empresa de telefonia Bell TelephoneLaboratories, desenvolveu a ferramenta de cartas de controle para análise de dados provenientes de ? CURIOSI amostragens. Em 1935, na Inglaterra, inglês Egon Sharpe Pearson também adotou DADES o controle de qualidade como base para a execução dos padrões normativos. Mas foi somente após a Segunda Guerra Mundial, que efetivamente controle estatístico de qualidade ganhou destaque. Os japoneses foram os precursores e criaram o método, que hoje é conhecido como Controle de Qualidade Total. 16.4 DEFINIÇÃO DE AÇÕES COMPLEMENTARES E CORRETIVAS A coordenação de processos de tratamento de também envolve a definição das ações com- plementares e corretivas. Como sabemos, mesmo com um controle rigoroso da qualidade e das normas aplicáveis, os desvios, as anomalias e não conformidades podem ocorrer em um processo produtivo. Devemos lembrar que existe diferença entre desvio, anomalia e não conformidade. Desvio é qualquer resultado de uma variável que esteja fora da faixa de controle. Anomalia é algo que não se esperava, por exemplo, a quebra/falha de um equipamento. A não conformidade é defeito/problema que não atende aos requisitos normativos e às especificações técnicas dos produtos em relação ao cliente ou mercado. Podemos citar que a temperatura do banho de desengraxe abaixo do valor específico, a quebra de uma bomba dosadora de decapante e a má aderência de uma camada de tinta são, respectivamente, exemplos de desvio, anomalia e não conformidade de processos de tratamento de superfície. o controle de qualidade possui diversas ferramentas para detectar esses problemas e defeitos, assim como para apontar as possíveis causas. Mas como tratá-los? Você, futuro profissional da área de metalurgia, como agiria frente a essas falhas/defeitos? A primeira ação é bloqueio, isto é, eliminar ou parar efeito indesejado. Por exemplo, em um processo de zincagem, verificou-se que a camada de zinco estava muito irregular, não uniforme, com valores fora da especificação do produto. Portanto, seria imperativo parar a linha de produção, evitando a fabricação de mais peças. o próximo passo seria restabelecimento do processo o mais brevemente possível, por meio das ações corretivas. Se problema da uniformidade da camada estiver relacionado, por exemplo, à circulação e ao aquecimento do zinco no tanque, manutenções imediatas devem ser realizadas. Porém, algumas vezes, a correção quase imediata não é possível, sendo necessária a elaboração de pla- nos de ação com ações corretivas e preventivas. Ações preventivas devem sempre ser levantadas, tanto para falhas que já ocorreram, como para falhas que poderiam vir a ocorrer no processo produtivo. As ações preventivas são fundamentais para a melhoria contínua dos processos, uma vez que têm como objetivo evitar que os problemas e defeitos ocorram.218 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES No exemplo citado, a manutenção e lubrificação dos dispositivos de circulação e aquecimento do banho deveriam ser realizadas periodicamente, evitando futuras falhas desses componentes. A criação de um checklist, por exemplo, seria um excelente método para controle e verificação das atividades de manutenção propostas. Por fim, devemos lembrar que o sucesso da execução das ações propostas está diretamente ligado à esti- pulação de prazos, aos responsáveis pela execução e ao constante followup, ou acompanhamento das ações. CASOS E RELATOS Um caso de sucesso! No ano de 2015, Marcelo, profissional da área de metalurgia da empresa GLOBALTUBOS, responsável pelo setor de qualidade da linha de pintura de tubos para encanamentos, tinha como meta anual de produção não ultrapassar limite de 3000 mil tubos refugados, isto é, tubos não conformes, com defeitos. Em maio, Marcelo verificou que havia 2000 tubos refugados devido ao não atendimento das especificações do produto. Não era ainda a metade do ano, e 2/3 do valor da meta já estavam comprometidos. Tentando solucionar problema, Marcelo, por meio de uma análise criteriosa das falhas ocorridas e utilizando Gráfico de Pareto, verificou que os maiores índices de defeitos ocorridos nos primeiros cinco meses do ano estavam relacionados à perda de aderência da camada e à formação de crateras. Usando diagrama de causa e efeito, constatou que as prováveis causas desses problemas estavam atreladas ao método de preparação e limpeza da superfície dos tubos metálicos, que estava ineficiente. Visando ao alcance da meta do final do ano pela redução das não conformidades do processo nos próximos meses, Marcelo estabeleceu um plano de ação extremamente efetivo. Imediatamente realizou treinamentos com todos os operadores que atuavam nos pré-tratamentos, criou cartas de controle para uma monitoração mais efetiva das variáveis fundamentais nesses processos, por exemplo, para a temperatura dos banhos e concentração dos reagentes, e estabeleceu reuniões periódicas para a discussão dos resultados obtidos nos processos de preparação e limpeza dessas peças. o resultado foi espetacular! No final do ano, técnico atingiu sua meta, com um valor de refugo de 2350 tubos e foi premiado pela empresa como funcionário destaque pelo seu excelente desempenho no ano de16 COORDENAÇÃO DA EXECUÇÃO DE PROCESSOS DE TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 219 RECAPITULANDO Neste capítulo, você aprendeu que a coordenação da execução dos diversos processos de tratamento de superfície é essencial para alcance dos objetivos propostos. Vimos que a definição das metas de produção auxilia controle dos processos produtivos. Além disso, entendemos que a análise das metas é de extrema importância para atingir os resultados desejados. Aprendemos que existem diversos mecanismos, como uso de checklist, cartazes, auditorias, que podem ser utilizados para controle do cumprimento das normas técnicas, ambientais, de saúde e segurança. Além disso, foi possível entender as finalidades do controle de qualidade de um processo de tratamento de e conhecer algumas ferramentas que apoiam a coordenação dos processos, como gráfico de Pareto, as cartas de controle, diagrama de causa e efeito e histograma. Ainda neste capítulo, você compreendeu que a coordenação da execução dos processos se baseia na elaboração de ações corretivas e complementares para sanar os diversos problemas que podem ocorrer em um processo produtivo.Otimização de processos 17 A cada dia, mercado tende a ser mais competitivo e, para sobreviver nesse cenário, as empresas precisam romper diversas barreiras, a fim de garantir a permanência do negócio. Nesse contexto, a forma pela qual as organizações são conduzidas é determinante nos resul- tados obtidos. As empresas devem sempre tentar produzir, utilizando mínimo possível de recursos, para obter melhor rendimento, isto é, devem otimizar seus processos. Assim, este capítulo tem como objetivo preparar profissionais para lidar com a otimização dos processos de tra- tamentos de superfície. Ao final deste estudo, você, como profissional da área de metalurgia, por meio de técnicas e métodos que serão abordados, deverá ser capaz de avaliar a qualidade dos produtos e ser- viços oferecidos pela organização em que atua e poderá analisar os diversos impactos que poderão ocorrer, tais como: mudanças na logística, no leiaute e no processo produtivo. Você também estará apto a implementar e validar as melhorias propostas, a fim de maximizar a eficiência das atividades produtivas. Vamos adiante! Business PROFIT h smagilov222 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 17.1 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE PRODUTOS E SERVIÇOS Em um cenário cada vez mais competitivo, as organizações necessitam avaliar não apenas a qualidade dos produtos que oferecem, mas também os serviços prestados. o conceito de qualidade deve ser visto pelas empresas como efetivo atendimento das necessidades e desejos dos clientes. o foco da gestão de qualidade deve estar direcionado para a satisfação dos clientes⁵, que não se resume unicamente à produção de um produto, conforme as especificações exigidas. Está muito, além disso, englobando prazo de entrega do produto, e o suporte oferecido pela empresa após a compra, por exemplo. Alguma vez você já comprou um produto e não recebeu na data que esperava? Já tentou ligar para fazer reclamações e não foi atendido de maneira adequada? Já tentou realizar alguma troca de produto e não conseguiu? Possivelmente, alguma dessas situações já aconteceu com você, e não foi uma experiência agradável. As expectativas impostas ao produto desejado não foram totalmente atendidas. o produto, às vezes, pode até ser de qualidade, mas, se os demais serviços prestados pela empresa não forem minimamente satisfatórios, isso gerará insatisfação, resultando muitas vezes na perda do consumidor. As avaliações da qualidade dos produtos e serviços são importantíssimas para que as empresas melho- rem suas atividades e, dessa forma, aumentem, cada vez mais, sua credibilidade no mercado e obtenham a fidelidade dos clientes. Como sabemos, a qualidade dos produtos nos processos de tratamento de é avaliada por meio dos testes de qualidade e por ferramentas de controle. Já a avaliação dos serviços é um desafio para inúmeras organizações, uma vez que a satisfação dos clientes é determinada por muitos fatores intangíveis. Um método bastante empregado para esse tipo de avaliação é modelo conhecido como 5 Gaps, ou lacunas, que se baseia em 5 falhas relacionadas às expectativas dos clientes em relação ao real produto ofertado: Confiabilidade (Gap1) Realização dos serviço conforme o prometido, de forma confiável e cuidadosa; Capacidade de resposta (Gap2) Disposição ao atendimento das necessidades dos consumidores nos prazos determinados; Segurança (Gap3) Conhecimento do produto e atenção dada aos clientes para proporcionar credi- bilidade e fidelidade; Elementos tangíveis (Gap4) Aparência das instalações físicas e dos equipamentos, além de meios de comunicação estabelecidos e adequados; Empatia (Gap5) Atenção diferenciada oferecida aos clientes. 5 Satisfação dos clientes: o sentimento de prazer ou desapontamento resultante da comparação do desempenho esperado de produtos e serviços oferecidos com as expectativas dos clientes.17 OTIMIZAÇÃO DE PROCESSOS 223 Outro método também muito utilizado para a avaliação da qualidade dos produtos e serviços ofe- recidos é o uso da Pesquisa de Satisfação dos Clientes. Quando bem implementado e executado pelas organizações, traz resultados surpreendentes. A elaboração das perguntas, assim como a metodologia de aplicação, devem ser estudadas, a fim de que os resultados obtidos sejam reais e sinceros, aumen- tando a empatia da relação fornecedor/cliente. Devemos ter muito cuidado com método empregado para a avaliação da qualidade de serviços. Algumas empresas, erroneamente, tomam por base a avaliação da satisfação dos consumidores pelo nú- mero de reclamações do produto, obtidas em um determinado período, ou seja, de reclamação de clientes. Entretanto, existem pesquisas que demonstram que apenas 5% dos insatisfeitos comunicam formalmente seu desapontamento, tornando esse dado não representativo. Como futuro profissional da área de metalurgia, você deverá avaliar tanto a qualidade dos produtos quanto a dos serviços prestados. Lembre-se sempre de que esse pode ser um fator decisivo para a conquis- ta de novos clientes e obtenção de melhores resultados. 17.2 IMPACTOS DE MUDANÇAS NOS PROCESSOS DE TRATAMENTOS DE SUPERFÍCIE Quando falamos em otimização de processos, é preciso abordar as mudanças de processos. Saber mudar é essencial para crescimento e sucesso das organizações. As mudanças, quando bem avaliadas, planejadas e estudadas, promovem impactos positivos nos processos de qualquer setor. As empresas que não acompanham a evolução de seus processos, não buscam a automação de suas ati- vidades nem a capacitação contínua das pessoas, ou seja, continuam fazendo aquilo que sempre fizeram, correm um grande risco de não permanecerem no mercado. A Figura 104 ilustra a importância de sair da zona de conforto e buscar novas oportunidades e desafios. Novas oportunidades Crescimento Medo Insatisfação Realização Aumento dos lucros Elevação de custos Zona de conforto Mudança Figura 104 Mudar ou permanecer na zona de conforto? Fonte: 2016224 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES Especificamente nos processos de tratamento de superfícies, podemos citar como mudanças benéficas: a troca de equipamentos, por exemplo, de lixadeiras manuais para automáticas; modificações do leiaute visando a um melhor fluxo das operações, colocando as operações de pré-tratamentos mais próximas ao processo de aplicação do revestimento; mudanças nas funções de cargos, com o treinamento de funcioná- rios para executar diferentes atividades. As mudanças, quando bem planejadas e executadas, trazem diversas vantagens, entre as quais se des- tacam a redução de tempos das atividades operacionais, a redução de custos, aumento da eficiência dos processos e consequentemente a otimização das operações. 17.3 MUDANÇAS NA LOGÍSTICA, LEIAUTE E FLUXO DE PROCESSO Após estudar impacto das mudanças nos processos de tratamento de superfície, iremos dar uma atenção maior às mudanças na logística, leiaute e fluxo de produção. Alterações nos processos logísticos assim como no leiaute de produção interferem de forma direta, positiva ou negativamente, no fluxo de produção. Organizações em que as operações de logística são ineficientes e/ou trabalham com um leiaute errado geram fluxos de processo excessivamente longos e confusos, maior estoques de materiais e insumos, tem- pos de processamento desnecessários, operações inflexíveis e muitas vezes dispensáveis, filas de espera, insatisfação dos consumidores e custos elevados. As operações logísticas, assim como leiaute industrial, devem ser elaborados de forma a maximizar a funcionalidade do processo e otimizar ambiente de trabalho. Você já pensou que aconteceria se os tanques de desengraxe, decapagem e fosfatização de uma empresa de pintura se situassem em ambientes separados e distantes? Com certeza, esses processos te- riam baixa eficiência, haveria maior confusão quanto à ordem das operações, maior movimentação devi- do ao transporte das peças a serem pintadas, a disponibilização dos insumos poderia ser comprometida, e os custos seriam elevados principalmente em virtude do maior tempo de produção e do número de homens/horas empregados no processo. As mudanças na logística e no leiaute, quando bem analisadas, otimizam os processos, reduzindo signi- ficativamente os custos de produção. Aprenda mais sobre as mudanças na logística, leiaute e fluxo de produção aplicado ao SAIBA setor metalúrgico por meio da leitura de um estudo de caso de sucesso realizado por MAIS Gustavo Gerlach: "Proposta de melhoria de layout visando à otimização do processo produtivo em uma empresa de pequeno porte", Horizontina, 2013. ! FIQUE As mudanças realizadas no leiaute e na logística devem atender a todos os ALERTA requisitos de segurança, como ter rotas de fuga livres e claras.17 OTIMIZAÇÃO DE PROCESSOS 225 17.4 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DE MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS, INSUMOS E MATERIAIS A otimização dos processos de tratamento de superfície também depende da avaliação do desempenho de máquinas, equipamentos, insumos e materiais empregados. Com certeza, uso de tinta de baixa qualidade acarretaria a redução da eficiência do processo, mesmo que ele seja realizado por um sistema de pintura eletroforética extremamente sofisticado. Da mesma forma, baixo rendimento de um equipamento reduziria os lucros de uma empresa, mesmo que ela empregue em seus processos as tecnologias mais avançadas de revestimentos inteligentes. Para que os processos possam consumir mínimo de recursos necessários com rendimento máximo, ou seja, de forma otimizada, é necessário avaliar desempenho dos diversos equipamentos e materiais utilizados no processo produtivo. As paradas de máquina, as quebras de equipamentos, uso de insumos de má qualidade e emprego de materiais de vida útil reduzida na certa constituem prejuízos/desperdicios para qualquer processo produtivo. A Figura 105 ilustra como ocorre a avaliação de insumos e equipamentos em um setor de pintura. Rodr igo Rodrigo Henrique de Lacerda Figura 105 Avaliação de insumos equipamentos de um setor de pintura Fonte: 2016 A avaliação de desempenho pode ser realizada por meio de diversos mecanismos e ferramentas, por exemplo: análise criteriosa do histórico de paradas e manutenção dos equipamentos e máquinas, análise do índice de falhas, ou até mesmo criação de um checklist para monitorar propriedades e características importantes dos materiais e dos processos. Você, como futuro profissional da área de metalurgia, tem o dever de, ao detectar baixo rendimento de máquinas, equipamentos, insumos e materiais, propor ações de melhorias, a fim de otimizar as operações.226 TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES 17.5 IMPLEMENTAÇÃO DE MELHORIAS Você deve estar se perguntando: "o que fazer após avaliar o desempenho das máquinas e insumos e identificar oportunidades de melhoria na logística, no leiaute e nos processos de tratamento de superfície?" A resposta é muito simples. Devemos implementar as melhorias propostas, isto é, fazer com que as oportunidades de aumento da eficiência do processo se tornem reais. Existe um conjunto de programas, ferramentas e métodos aplicados ao controle do processo de pro- dução que podem ser utilizados pelas organizações para reduzir os custos e melhorar a qualidade dos produtos, atendendo às exigências e alcançando a satisfação dos clientes. o PDCA, O Kaizen e 5Ss são exemplos de um método, de um programa e de uma ferramenta, que auxiliam a implementação de melhorias. PDCA Método de gerenciamento da qualidade para controle do processo. Conforme já estudado em unidades curriculares anteriores, constitui-se de quatro etapas fundamentais: planejar, executar, verificar e agir (do inglês plan, do, check e act). o PDCA deve ser aplicado sempre que existirem metas ou projetos de melhoria, uma vez que tem por finalidade tornar mais claros e eficientes os processos envolvidos e atingir os resultados esperados. KAIZEN Programa que visa eliminar os desperdícios relacionados a processos produtivos, criação de novos projetos ou produtos, mudanças de maquinários e leiaute ou até mesmo a processos administrativos. A metodologia consiste em um aprimoramento contínuo e gradual das operações, implementado por meio do envolvimento ativo e do comprometimento de todos os colaboradores, e principalmente pelo modo como as tarefas são executadas. Você sabia que a metodologia do KAISEN foi nomeada pelos japoneses, no início da década de 40, com objetivo de reconstruir as indústrias japonesas após a ocupação ? CURIOSI das tropas americanas? programa permitiu uma reconstrução rápida das organizações, DADES sem muitos investimentos. Além disso, auxiliou na prevenção da fome e de outros distúrbios da sociedade, gerados pelo contexto histórico daquela época. 5Ss Ferramenta que possibilita o desenvolvimento de um plano sistemático de classificação, ordem e limpeza, que aumenta a produtividade, motiva os colaboradores e melhora clima organizacional. Os objetivos da metodologia são melhorar a eficiência do processo por meio da correta destinação dos materiais, melhorar a qualidade dos produtos e serviços, maximizar a utilização dos recursos dis- poníveis e reduzir os gastos. Como futuros profissionais atuantes na área de Metalurgia, devemos lembrar sempre que qualquer ação/atitude que elimine desperdícios deve ser considerada uma proposta de melhoria para as organi- zações e deve ser necessariamente implementada por meio dos métodos, ferramentas e programas de controle de produção e qualidade. A Figura 106 apresenta maneiras para eliminar desperdícios em processos industriais.