Prévia do material em texto
1 PROPRIEDADES DA PSICOMOTRICIDADE HUMANA 1 Sumário NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 2 Introdução ............................................................................................................... 3 O que é a Psicomotricidade .................................................................................... 4 Propriedades psicomotoras desenvolvidas nas sessões de Psicomotricidade Educativa ou Psicocinética: .................................................................................. 10 Espaço temporal ............................................................................................... 10 Equilíbrio ........................................................................................................... 10 Ritmo ................................................................................................................. 11 Coordenação motora ampla ou global .............................................................. 12 Coordenação motora fina .................................................................................. 13 Agilidade ........................................................................................................... 13 Tonicidade ........................................................................................................ 14 Lateralidade ...................................................................................................... 15 Esquema corporal ............................................................................................. 16 A psicomotricidade e a Educação Física .............................................................. 16 A importância da psicomotricidade para o desenvolvimento infantil ..................... 18 A influência da psicomotricidade na aprendizagem .............................................. 19 Considerações Finais ............................................................................................... 23 Referências .......................................................................................................... 25 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 3 Introdução Hoje o mundo está crescendo muito rápido e as exigências sociais com o ser humano estão muito grandes. A sociedade exige pessoas críticas, atuantes, que saibam se expressar, posicionando-se e comunicando-se com clareza, portanto vemos aí a grande necessidade do desenvolvimento motor no processo ensino aprendizagem para que o ser humano possa enfrentar as situações do dia -a -dia, com maior capacidade e desenvoltura. Desde o início dos tempos o homem procurou desenvolver suas habilidades e aptidões. Conheceu o fogo, criou a roda, estudou a relação movimento/espaço, foi à lua, criou barreiras, destruiu barreiras e estudou os diversos elementos que compõe a sociedade. Conheceu o poder da ação e reação, fez de sua inteligência sua arma mais poderosa; construtiva e destrutiva. Houve mudança, houve movimento. A educação tem uma função essencial e importante neste processo. A escola deve ser um local agradável onde a criança sinta prazer em apreender e, especialmente trabalhe a coordenação motora das mesmas. Para que ela aprenda a conhecer e valorizar o seu corpo cabe aqui salientar a necessidade de citar durante o trabalho e em anexo atividades psicomotoras, que busquem despertar um melhor desenvolvimento psicomotor da criança, tais como: Domínio dos movimentos gestuais do corpo, Movimento com as mãos e os dedos, reconhecimento das partes do corpo, entre outros, tal trabalho resultara em uma melhor aprendizagem no processo de formação do educando. O movimento é o objeto primo da psicomotricidade. Entende-se o significado da psicomotricidade como sendo a ciência que tem como objeto de estudo o homem através de seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo externo e interno, isto é, a capacidade de se movimentar com intenção. Nesta pesquisa aborda-se a psicomotricidade no desenvolvimento infantil. Falar de psicomotricidade é falar de possibilidades. Existem possibilidades em cada etapa no desenvolvimento da criança, relacionando-a uma à outra. Cada criança é 4 única, cada ser é diferente, mas as relações de crescimento estão ligadas diretamente a afetividade, cognição e organização. Para tanto, o envolvimento desses processos é preenchido com os três conhecimentos básicos que norteiam a psicomotricidade, que são o movimento, o intelecto e o afeto, estes sim, são individuais e únicos em cada criança. O conhecimento do próprio corpo e do seu funcionamento são aspectos fundamentais para o desenvolvimento dos aspectos físico, motor e intelectual da criança, que se criança for bem trabalhada, principalmente em seus movimentos de lateralidade, espaço, tempo e percepção, ela estará melhor preparada para atuar na sociedade, também percebeu-se que através das atividades motoras obtém-se resultados mais rápidos e compensatórios por parte dos educandos e assim a importância do papel da escola e do educador em todo o processo. Sendo assim, formamos um espaço, um todo. Entendendo as relações de movimento com o meio tornará o indivíduo mais ou menos confiante e compreendente desse espaço que vive. O que é a Psicomotricidade A psicomotricidade refere-se diretamente ao movimento humano. É o relacionamento através da ação, é a integração do corpo com a natureza. Como ciência, a psicomotricidade é definida tendo como objeto de estudo o homem através de seu corpo em movimento relacionado com a sociedade e consigo mesmo. As relações do movimento corporal com o meio tornam o indivíduo mais confiante e compreendente do espaço que ocupa, e consequentemente melhor entendimento de suas emoções. “Psicomotricidade como a posição global do sujeito, que pode ser entendido como a função de ser humano que sintetiza psiquismo e motricidade com o propósito de permitir ao indivíduo adaptar de maneira flexível e harmoniosa ao meio que o cerca” (DE LIÈVRE Y STAES 1992, p. 39). 5 De acordo com Coste (1978, p.23), é a ciência encruzilhada, onde se cruzam e se encontram múltiplos pontos de vista biológicos, psicológicos, psicanalíticos, sociológicos e lingüísticos. A psicomotricidade está relacionada ao desenvolvimento das aquisições afetivas, cognitivas e orgânicas. Três conhecimentos básicos substanciam esse processo: o movimento, o intelecto e o afeto. Compreender esses processos direciona o olhar para a criança num todo, visando contribuir para o entendimento desses três conhecimentos. São conhecimentos básicos relacionados a psicomotricidade: o movimento, o intelectoe o afeto. O movimento, segundo dicionário Cegalla (2005), “movimento é o deslocamento de um corpo, ou parte dele, no espaço; série de atividades organizadas com um fim comum; atividade, ação”. Fonseca (1988) define que: “O movimento humano é construído em função de um objetivo. A partir de uma intenção como expressividade íntima, o movimento transforma-se em comportamento significante”. Para abordar o primeiro conhecimento básico é necessário citar Wallon (1971), que fundamenta os estágios da criança e foca no estágio inicial, o movimento. Wallon define a criança em seu primeiro estágio de desenvolvimento como um ser que expressa a emoção no seu corpo e a emoção antecede a cognitividade, defendida por Piaget. O movimento segundo Wallon não é entendido apenas como desenvolvimento a partir do fisiológico é também uma forma de relação com o meio. O movimento tem ação direta sobre o meio, relacionando-se intrinsecamente com o afetivo. “O movimento humano é a parte mais ampla e significativa do comportamento do ser humano”. É obtido através de três fatores básicos: os músculos, a emoção e os nervos, formados por um sistema de sinalizações que lhes permitem atuar de forma coordenada” (BARROS & NEDIALCOVA, 1999: p.3). O movimento no desenvolvimento infantil tem uma função fundamental, principalmente nos primeiros estágios da criança onde está não adquiriu a linguagem 6 falada ainda. O movimento tem a função de comunicação. É através do movimento que a criança expressa suas sensações e manifesta o contato com o mundo ao seu redor. Entende-se por comunicação o ato ou ação de comunicar-se, está dada através de gesticulação, expressando assim seus desejos, vontades e sentimentos. As necessidades físicas ou psíquicas são expressas através do movimento, essa, portanto, é a primeira forma de comunicação antes do desenvolvimento da linguagem. Essa comunicação através do movimento é definida por Wallon como comunicação emocional. A necessidade da criança de se expressar faz com que a postura corporal demonstre seu estado orgânico ou emocional. O intelecto, segundo Aurélio (2004) define intelecto como inteligência, e inteligência como faculdade ou capacidade de aprender, apreender, compreender ou adaptar-se facilmente; intelecto, intelectualidade, destreza mental; agudeza, perspicácia. O processo de cognição leva ao desenvolvimento do intelecto, isto é, quanto mais aquisição do conhecimento, maior a maturação do processo intelectual. Neste segundo conhecimento básico tem-se como base de fundamentação Piaget. De acordo com Piaget, a aprendizagem é decorrência do desenvolvimento cognitivo, vinculado por sua vez, à maturação biológica e a qualidade dos desafios do meio. O intelecto está relacionado ao cognitivo, que faz relação com o movimento para se estabelecer a comunicação com o meio. Voltando ao primeiro conhecimento básico com referência a comunicação, Wallon define que a maturação e aprendizagem – processo de desenvolvimento do intelecto – estão condicionadas pela riqueza do intercâmbio emocional e da comunicação com o outro. O afeto é definido como afeição, carinho, atenção, simpatia. As aquisições afetivas vêm completar os conhecimentos básicos. A ação é impulsionada pela emoção. “Emoção é a referência a um sentimento e seus pensamentos distintos, estados psicológicos e biológicos, e a uma gama de tendências para agir. Há centenas de emoções, juntamente com suas combinações, variações, mutações e matizes” (GOLEMAN, 1996, p. 34). 7 Todos os movimentos, gestos, mímicas são expressos pela emoção, indicando uma pré-linguagem. A criança associa novos significados e percepções as suas ações a sua consciência e a sua cognição, possibilitando o desenvolvimento da afetividade e consequentemente da inteligência. A afetividade tem papel fundamental no desenvolvimento infantil, existem dois fatores das quais a afetividade é dependente: o orgânico e o social. “[…] a constituição biológica da criança ao nascer não será a lei única do seu futuro destino. Os seus efeitos podem ser amplamente transformados pelas circunstâncias sociais da sua existência, onde a escolha individual não está ausente” ( WALLON, 1971, p. 34) O aspecto afetivo por si só não pode modificar as estruturas cognitivas, mas pode influenciar as estruturas a se modificar. No processo de ensino-aprendizagem, o aspecto afetivo é de grande importância para compreender que cada criança é única, tanto no desenvolvimento afetivo, quanto no cognitivo. Afetividade é um termo que usamos para identificar um domínio funcional, este por sua vez, de acordo com Wallon (1971), são quatro: o ato motor; o conhecimento; a afetividade e a pessoa. São eles que dão uma determinada direção ao desenvolvimento e no decurso da vida humana, cada um desses domínios tem seu próprio campo de ação e organização, mas mantém em relação com os demais uma espécie de mecanismo interfuncional. A criança, no decorrer de seu desenvolvimento, estabelece diferentes níveis de relacionamento, a partir dessas relações, também modifica suas sensações em relação à afetividade. Intrinsecamente, todos os três conhecimentos básicos estão ligados. É através do movimento, que a criança expressa suas emoções, e através das emoções em relação com o meio que ela desenvolve sua cognição. Considera-se a emoção altamente orgânica, pois é a partir das reações fisiológicas da criança, que as emoções são expressas. Estas fazem modificar as reações do organismo, como mudanças no batimento cardíaco, sensações corporais, entre outros. A emoção faz com que a criança se relacione com o meio e passa a se conhecer melhor. 8 Portanto, é necessário considerar de forma integrada os três conhecimentos básicos, entendendo que o desenvolvimento da afetividade vai influenciar diretamente no desenvolvimento do cognitivo da criança. Para Le Boulch (1984, p. 24), a educação psicomotora deve ser: Considerada como uma educação de base na escola infantil. Ela condiciona todos os aprendizados pré-escolares; leva a criança a tomar consciência de seu corpo, da lateralidade, a situar-se no espaço, a dominar seu tempo, a adquirir habilmente a coordenação de seus gestos e movimentos. A educação psicomotora deve ser praticada desde a mais tenra idade; conduzida com perseverança, permite prevenir inadaptações difíceis de corrigir quando já estruturadas... É possível, por intermédio de uma ação educativa, a partir dos movimentos espontâneos da criança e das atitudes corporais, beneficiar a formação da imagem do corpo, essência da personalidade. A educação psicomotora refere-se a uma formação de base imprescindível a toda criança que seja normal ou com alguma limitação. Contrapõe a uma dupla finalidade: assegurar o desenvolvimento funcional, considerando as possibilidades da criança e auxilia sua afetividade a expandir-se e a equilibrar-se por intermédio da interação com o ambiente humano. Na educação infantil e no ensino fundamental é possível beneficiar-se da Psicocinética a qual toma a forma de uma verdadeira educação psicomotora, estabelecida sobre o conhecimento das leis do desenvolvimento, qualificando a ação educativa global e integradora. A Psicocinética, como método pedagógico, compõe um meio educativo fundamental às primeiras etapas de desenvolvimento do ser humano, aos olhos de seu criador (Jean Le Boulch), bem como uma forma de desenvolvimento da tomada de consciência sobre seu próprio corpo e as adaptações posturais indispensáveis durante a aprendizagem nas demais fases evolutivas do ser humano. Na faixa etária que corresponde do zero aos 9 doze anos de idade da criança, a educação psicocinética compreende-se como uma legítima educação psicomotora. Usualmente, toda ação educativa pressupõe tomada de posições quanto à sua finalidade, assim sendoeste método tem por objetivo beneficiar o desenvolvimento condicional do ser e formar um indivíduo capaz de situar-se e atuar em um mundo em constante transformação, por meio de: • Melhor conhecimento e compreensão de si mesmo; • Melhor ajuste de sua conduta; • Verdadeira autonomia e acesso às responsabilidades ao longo da vida social (LE BOULCH, 1983). Cabe ao educador conhecer as etapas do desenvolvimento psicomotor da criança, características das faixas etárias, necessidades e interesses, para melhor planejar a ação docente. Por isso, é de fundamental importância que o educador desenvolva atividades com objetivos predefinidos, e não aleatoriamente, arrolando-as como necessárias ao domínio do esquema corporal, como se esta expressão significasse apenas uma coisa. O desenvolvimento psicomotor, tanto de crianças especiais quanto as não especiais, solicita o auxílio constante do educador, por meio da estimulação em sala de aula e do encaminhamento/facilitação, quando se fizer necessário. O educador pode ajudar e muito, saudável em todos os níveis, na estimulação do desenvolvimento cognitivo e para o desenvolvimento de aptidões e habilidades, na formação de atitudes por meio de uma relação afetiva e estável (que crie uma atmosfera de segurança e bem-estar para a criança) e, sobretudo, respeitando e aceitando a criança do jeito que ela é. A educação psicomotora na idade escolar deve ser antes de qualquer coisa, um conhecimento ativo de comparação com o meio. O auxílio educativo originário dos pais e do meio escolar tem a finalidade não de ensinar à criança comportamentos motores, todavia, sim de consentir-lhe desempenhar sua função de ajustamento, individualmente ou com outras crianças. 10 Propriedades psicomotoras desenvolvidas nas sessões de Psicomotricidade Educativa ou Psicocinética: Espaço temporal Normalmente, até os dois anos e meio, o ambiente da criança é um espaço vivido, dentro do qual ela se ajusta desenvolvendo seus movimentos coordenados em função de um objetivo a ser atingido. Entre os três e os seis anos, a criança chega à reprodução dos elementos do espaço, encontrando formas e dimensões. No final do período pré-escolar, o desenvolvimento da relação corpo-espaço deriva em uma disposição individualista do universo. A criança desvendou sua dominância, verbalizou-a, chegando a um corpo orientado, que lhe convirá de padrão para situar os objetos alocados no espaço circundante. A orientação dos objetos faz-se, então, em função da posição atual do corpo da criança. Este equilíbrio favorece a interiorização, que é um fator indispensável, sem o qual a estruturação do espaço não pode efetuar-se. Atividades de orientação espaço temporal: andar devagar até o fim da sala; andar depressa, voltando ao ponto de partida; andar devagar e depois correr uma mesma distância demarcada na quadra. Alves (2007) apresenta uma informação, que a estruturação temporal é a capacidade que um indivíduo tem de estabelecer uma relação de ações a uma determinada medida de tempo, onde há uma sequência de fatos e intervalos. Esta noção é desenvolvida com o amadurecimento das fases anteriores passado e presente mais tarde precisa de outra fase que vai dar o apoio ideal, o futuro. Equilíbrio É o cerebelo que ajusta permanentemente o tônus postural em combinação com o desenvolvimento do ato motor. Ele fixa essas reações como forma de automatismos posturais inconscientes, tradução das experiências vividas individualmente. Essas atitudes de referência estabilizadas, verdadeiros esquemas posturais inconscientes, são, porém, constantemente adaptadas às condições atuais de desenvolvimento da ação, graças à atuação das reações de equilibração. O 11 desempenho normal da função de equilibração pode ser perturbado por causas psicológicas. Todo medo acarreta reações de enrijecimento as quais afetam as reações reflexas de equilibração. Manutenção do corpo em uma mesma posição durante um tempo determinado. Pode ser estático ou dinâmico. Exemplo: brincar de estátua, marchar nos calcanhares, permanência em pé, sentada ou deitada. O equilíbrio para Rosa Neto (2002) é um segmento diferenciado, sendo a base mais importante da ação de um corpo. Para ele quanto mais imperfeito é o movimento deste corpo, mais e mais energia se gasta nesta luta diária para manter o equilíbrio que gera uma série de males corporais, mentais e espirituais aumentando assim o nível de estresse, ansiedade e angustia de um indivíduo. Para que o ser humano mantenha-se em pé Rosa Neto (2002) presume que o sistema motor do organismo humano assegura a manutenção do equilíbrio estático e dinâmico, numa luta constante contra as forças da gravidade, esse fato só é possível porque o tônus de manutenção postural que é um conjunto de reações de equilíbrio e de manutenção de atitude que são controlados pelos sistemas neuromusculares que recebem aferências proprioceptivas, labirínticas e visuais que informam o deslocamento do centro de gravidade onde serão geradas correções apropriadas que vão manter a estrutura estável. O equilíbrio é o conjunto estático das aptidões. Abrange o controle postural e de locomoção. Esse equilíbrio estático caracteriza-se pelo tipo de equilíbrio conseguido em certa posição. Já o equilíbrio dinâmico é aquele que se consegue por um corpo em movimento. Ritmo Refere-se à movimentação própria de cada um. Ritmo lento, moderado, acelerado, cadenciado. Noção de duração e sucessão, no que diz respeito à percepção dos sons no tempo. A ausência de habilidade rítmica pode originar uma leitura lenta, silabada, com pontuação e entonação inadequadas. Na parte gráfica, as dificuldades de ritmo colaboram para que a criança escreva duas ou mais palavras unidas, que adicione letras nas palavras ou omita letras e sílabas. Exercícios de ritmo: 12 Permanecer na ponta dos pés, enquanto se conta até dez. Levantar e baixar na ponta dos pés. Andar sobre linhas marcadas no chão: retas, quebradas, curvas, sinuosas, círculos, mistas. Bater palmas no ritmo do professor (rápido, lento, forte, fraco). Bater bola com a mão seguindo o ritmo marcado pelo professor. Essa capacidade significa saber avaliar o tempo dentro da ação; em outras palavras, é a habilidade que a criança adquire para se organizar a partir do ritmo empregado em seu próprio ritmo. Além disso, tal organização está associada ao fato de saber diferenciar o que é rápido do que é lento. Os pequenos passam a conceber o momento do tempo em relação a outras situações vivenciadas por eles. Importante ressaltar que o ritmo determina esse aspecto. A partir dele, as crianças começam a ter uma noção do tempo em que alguma atividade será realizada. Sugestões de atividades: correr em determinado ritmo, bater palmas, lançar bolas a um determinado ponto, Coordenação motora ampla ou global Realização de grandes movimentos com todo o corpo, envolvendo as grandes massas musculares, havendo harmonia nos deslocamentos. Não a precisão nos movimentos, ainda que seja admirável a coordenação perfeita dos movimentos. Exemplo: marchar batendo palmas, correr, saltar, saltitar, rodopiar, descer, subir, etc. Gallahue (2002) define coordenação motora como o movimento que recruta grandes grupos musculares utilizados na maioria das habilidades desenvolvidas por um indivíduo. Essa coordenação global ajuda diretamente no equilíbrio postural, dissociação dos movimentos e na realização de movimentos combinados como amarelinha, acertar a cesta de lixo com uma bola de papel, jogar boliche e muitos outros que precisam de grandes grupos musculares para executar essas atividades (NOGUEIRA; CARVALHO; PESSANHA 2007) Gomes (1995) nos relata que a coordenação global tem uma vista a execução voluntaria mais ou menos complexas, que são movimentos que utilizam todasas partes do corpo cabeça, ombro, pés, quadril e tornozelos sendo este um fato que proporciona a participação de vários grupos musculares de forma simultânea. 13 Coordenação motora fina É a competência para realizar movimentos específicos, usando os pequenos músculos, a fim de atingir a execução bem-sucedida da habilidade. Solicita uma ação de grande exatidão no movimento. Movimentos manuais em que coordenação e a precisão são essenciais. Exemplo: tocar piano, escrever, modelagem com massinhas, recortar, colar, trabalhos com objetos pequenos como: pinças, alicates de unha, etc. Gallahue (2002) diz que a coordenação motora fina é evidenciada através da execução de movimentos de uma parte específica do corpo responsável por movimentos mais afinados Oliveira (2002) complementa dizendo que a coordenação motora fina está relacionada com a habilidade e a agilidade manual que consiste num processo de desenvolver diversas formas de pegar um objeto principalmente em um movimento combinado dos dedos das mãos constituindo um aspecto particular da coordenação global. Guardiã e Coelho (1993) afirmam que essa coordenação trabalha a nível das articulações do ombro, pulsos, mãos e dedos em movimentos que vão afinando progressivamente dos ombros para as pontas dos dedos caracterizando numa atividade preparatória para a escrita. Agilidade Caracteriza-se pelas atividades que estabelecem movimentos rápidos e precisos. Exercícios de Agilidade: fazer uma fila, colocar cones enfileirados e pedir que alunos corram em velocidade, esquivando dos cones. Aula de queimada. Os alunos com bolas de plástico no meio da quadra vão arremessar as bolas em um aluno que estará no gol, esse precisará livrar-se das bolas que serão arremessadas, brincar de pega- pega, brincar de pico-bandeira ou jogos de esquiva. Determinar se um indivíduo está pronto e apto a aprender algo novo varia conforme a habilidade a desenvolver e também respeitando as particularidades de cada um deles. Na infância, já sabemos que os períodos de aprendizagem mais oportunos ou sensíveis ocorrem entre os 5 e 10 anos, pois é nessa etapa que as taxas de crescimento das crianças crescem de maneira constante e mais estável, o que facilita a adaptação delas aos novos aprendizados. Para desenvolver qualquer capacidade física ou qualquer nova habilidade, principalmente a agilidade, é preciso saber unir dois pontos importante: o 14 entendimento do desafio da atividade e a motivação das crianças para buscar o melhor a cada nova tentativa. Utilizar atividades competitivas em equipe, com funções diferentes para cada jogador, pode ajudar muito no desenvolvimento da agilidade. Se as crianças entendem o desafio, elas tentarão vencê-lo a todo o custo e, para isso, usarão variadas estratégias para alcançar o sucesso. Tonicidade É a ação de fortificar-se, fortalecer-se, robustecer-se. É a qualidade, estado ou condição de tônico. Analisa-se que a tonicidade é a força muscular que o aluno/criança vai contraindo em razão das atividades concretizadas diariamente. É a que indica o tônus muscular, exerce um papel de suma importância no desenvolvimento motor da criança. Ela garante, além das atitudes, todos os sentidos de postura, mímicas e emoções de onde vêm as atividades motoras. O tônus é o início de tudo, é o fator fundamental da Psicomotricidade, tanto que está localizado na 1ª unidade neurofuncional de Lúria, fazendo parte assim do alicerce da vida afetiva, motora e cognitiva, trazendo a nós, a base para a constituição da aprendizagem, cuja função é de alerta e de vigilância, tendo papel fundamental no desenvolvimento motor, e psicológico. As funções do tônus são descritas por diversos autores de maneiras diferentes, de acordo com as áreas de estudo de cada um, e encontramos em todas as definições, a importância desta entidade Psicomotora para a realização do movimento corporal. Segundo Wallon (in FONSECA,1992), podemos ter duas funções do músculo: a de encurtamento e alongamento das miofibrilas, e a de suporte mantendo o apoio à musculatura esquelética em estado de repouso. As duas funções dependem do nível inferior medular e superior reticular e cortical. Este tônus a que Wallon se refere, é o tônus postural, responsável por toda equilibração no ser humano. Já para André Tomas, Ajuriaguerra e Dargassies (in FONSECA,1992), existem duas formas de tonicidade: a de repouso e a de atividade, sendo que ambas preparam a musculatura para as atividades postural e práxia. 15 Sherrington (in FONSECA,1992), referiu-se à tonicidade na integração entre várias partes do sistema nervoso, para que se possa realizar um movimento. A hipotonia ou a hipertonia, estão relacionadas ao tônus de suporte com base na extensibilidade e passividade, muito importante na qualidade do movimento. Lateralidade O tema lateralidade surgiu a partir da abordagem sobre dominância cerebral feita por Paul Broca em 1865, onde foram descobertas muitas informações que contribuíram para o entendimento de acontecimento observável da neurologia relacionado com a dominância de um dos hemisférios cerebrais referentes a fenômenos motores (ROCHA, 2008). Para Silva e Borges (2008) a lateralidade é a dominância de um indivíduo maior em um dos lados do corpo ao nível dos olhos, mãos e pés sendo que esse lado do corpo que ele domina tem mais força muscular, rapidez e precisão na hora de executar as atividades. A lateralidade do corpo se refere a dominância lateral da mão, olho e pé, capacitando o indivíduo a desenvolver as aptidões adquiridas. A lateralidade manual surge geralmente no fim dos doze meses de vida e no início do segundo ano, mas vai firmar seu estabelecimento físico por volta dos quatro ou cinco anos de idade. A lateralidade é responsável pela conscientização simbólica dos dois hemisférios do corpo (direito e esquerdo), a lateralidade estabelece na criança a noção dos lados da estrutura corporal e espacial. A partir desse conhecimento, o pequeno começa a desenvolver uma dessas partes com mais força, coordenação, preferência e domínio. Tudo isso está ligado à dominância cerebral. Para a obtenção desse domínio, as atividades mais apropriadas são aquelas em que um dos lados sejam trabalhados, são elas: pular de um pé só, pular em círculos, entre outras. 16 Esquema corporal Em 1911 o neurologista Henry Head lançou o conceito de esquema corporal, que a cada instante permitia ao indivíduo construir um modelo postural de se mesmo (ROSA NETO, 2002). O esquema corporal é o conhecimento que um indivíduo tem do seu próprio corpo tais como os componentes ou partes, envolvidos nos movimentos corporais, posturas e atitudes além de aprender a controlá-lo e fazendo do corpo um instrumento de construção e ação se tornando um objeto concreto de sua comunicação (CORDEIRO; RIBEIRO, MORAIS 2008). Já Gomes (1995) afirma que a elaboração do esquema corporal aparece cada vez mais cedo e estará concluída quando a criança tiver quatro ou cinco anos. Esquema corporal é a consciência do corpo como meio de comunicação consigo mesmo e com o meio. É um elemento básico indispensável para a formação da personalidade da criança. É a representação relativamente global, científica e diferenciada que a criança tem de seu próprio corpo Wallon (1974. p.9). O esquema corporal resulta das experiências que possuímos provenientes do corpo e das sensações que experimentamos. Não é um conceito aprendido e que depende de treinamento. Ele se organiza pela experienciação do corpo da criança. É uma construção mental que a criança realiza gradualmente, de acordo com o uso que faz de seu corpo. Segundo Le Boulch (1981, p. 74), o esquema corporal é dividido em etapas. A psicomotricidade e a Educação Física Deste os primórdios a Educação Física se preocupava em enfatizar adimensão bi fisiológica do corpo mais a partir da metade do século passado surge um outro ideal a psicomotricidade com uma visão de ciência e técnica onde homem é um ser essencialmente biológico e passa a ser considerado numa visão abrangente onde é inserido o processo social, histórico e cultural (MOLINARI; SENS, 2003). A Educação Física é uma área inserida na escola, cujo seus benefícios varia desde a compreensão corporal que acontece através de uma experimentação de vários tipos de atividades corporais, portanto a Educação Física escolar não desenvolve apenas a parte fisiológica nos seres humanos, mais sim um alto conceito corporal que 17 melhora a autoestima e o autoconceito, que acontece através do movimento, para que possa alcançar pleno desenvolvimento do conhecimento do corpo como parte da cultura humana (PAIM; BONORINO, 2009). É nas aulas de Educação Física do ensino infantil que a psicomotricidade é desenvolvida através de atividades que desenvolve o afetivo, cognitivo e psicomotor que constitui num fator de equilíbrio para as crianças promovendo uma integração de tudo que é total no ser humano em um rico espaço de aprendizagem e potencialidades que acontece a partir dá estimulação, que permite a criança superar os limites das relações com o seu mundo interno e externo (MANHÃES, SOUZA; SIQUEIRA 2009). A educação física tem um papel fundamental no desenvolvimento psicomotor da criança. É através dela que as crianças vão demonstrar suas habilidades e dificuldades em relação ao movimento. A educação física é baseada nas necessidades da criança. Tão importante quanto se alimentar, ela deve ser bem condicionada a fim de desenvolver meios para que a criança sinta-se estimulada e consequentemente tenha um bom desenvolvimento. A educação física escolar tem como objetivo principal incentivar os movimentos corporais buscando compreender todas as etapas da vida. A educação psicomotora bem desenvolvida pode detectar problemas futuros e até mesmo resolvê-los, em relação à concentração, coordenação, dificuldades de aprendizagem. As habilidades da criança, bem desenvolvidas possibilitam que estas aprendam melhor ou que, possam ser detectadas com antecedência problemas como citados acima, colaborando assim para corrigi-los. O esquema corporal da criança deixa de ser limitado tornando-a mais perceptiva ao meio. Entende-se por esquema corporal o ritmo, o tempo e o espaço da criança. Tanto o afeto, quanto o intelecto é desenvolvido a partir do movimento – atividade física – que possibilita esse desenvolvimento. É necessário que a criança tenha uma boa coordenação motora para iniciar seu processo de escrita, assim como para a leitura é necessário que consiga concentrar-se. Portanto a educação psicomotora no ensino infantil exerce um papel fundamental em toda a vida do indivíduo. 18 “É a educação um fato social tão antigo quanto o próprio homem, devendo ter sido praticada desde que apareceu na terra a primeira família humana. Coincide, assim, o início da história da educação com o da história da humanidade” (BELLO, 1978 p. 9). A importância da psicomotricidade para o desenvolvimento infantil Compreende-se a importância da psicomotricidade para o desenvolvimento infantil, vê-se a necessidade de conhecer as etapas do desenvolvimento humano, mais especificadamente os desenvolvimentos infantis, delimitando fatores que faz a ligação da criança com o meio. Neste aspecto, observa-se que as primeiras percepções corporais da criança irão expressar suas sensações, sentimentos e, é a partir do movimento que a criança passa a se conhecer melhor. Desenvolver o esquema corporal e a psicomotricidade é parte fundamental para uma boa aprendizagem e uma ótima preparação futura perante a sociedade. O autor Seber (1997) afirma que: “É preciso entender que, o domínio de uma atividade não é conquistado de imediata. Só o funcionamento de uma ação pode conduzir a um aprimoramento dos movimentos”. Conhecer o próprio corpo significa ter uma compreensão global do seu desenvolvimento. Isso implica conhecer e entender o seu desenvolvimento motor, sua lateralidade, saber orientar-se no espaço, ter uma memória sinestésica desenvolvida, fazendo com que haja uma interação entre corpo e aprendizagem. Avaliando que a criança, desde sua concepção, já possui movimentos, e se os mesmos não forem bem trabalhados durante sua infância, trarão sérios problemas na vida adulta, cabe ao educador, detectar as dificuldades de aprendizagem, que pode ser constatado durante o período escolar, e investigar as causas de forma ampla. Sabendo-se que tais dificuldades, podem muitas vezes ser de aspecto orgânicos, neurológicos, mentais, psicológicos, adicionados a problemática ambiental em que a criança vive. Sendo este um ser social, com cultura e linguagem adquiridas durante sua vida até o momento, traz consigo todo o conhecimento que já adquiriu. Ele faz parte da sociedade e é um ser único, individual e precisa ser trabalhado em sua totalidade, aí 19 entra a importância do desenvolvimento psicomotor do processo ensino aprendizagem. Segundo Jean Piaget (1975) os atos biológicos são atos de organização e adaptação ao meio ambiente. O termo organização refere-se à tendência invariável das espécies de organizar seus processos internos em sistemas coerentes. O termo adaptação se dá quando o organismo se transforma em função do meio e quando essa variação tem como efeito um acréscimo das trocas entre ambos. A inteligência, portanto, seria uma forma especial de adaptação biológica. O desenvolvimento é um processo ativo, dinâmico e interativo, que vai acontecendo no desenrolar da vida. Como visto nos três conhecimentos básicos, a criança, no processo de desenvolvimento, passa pelas três etapas que são, o movimento, o intelecto e o afeto. A partir de cada um deles observa-se a importância da psicomotricidade no desenvolvimento infantil (Idem). Quando a criança apresenta dificuldades de aprendizagem, na maioria das vezes, uma simples atividade que envolva seu corpo pode solucionar tal problema. Cabe ao educador ter o conhecimento e ajudar seu aluno, já que toda criança tem capacidades, habilidades e aptidões. Basta só ser observada com carinho, pois o seu futuro depende muito da sua formação inicial que acontece na família e principalmente na escola. A influência da psicomotricidade na aprendizagem O desempenho motor da criança está intrinsecamente ligado à aprendizagem. As habilidades motoras de recorte, colagem, escrita e o desenvolvimento do intelecto requerem conhecimento do próprio corpo. Se os estímulos forem realizados de forma a abranger todas as áreas do corpo, certamente o desenvolvimento psicomotor se dará plenamente, contribuindo assim para uma melhor aprendizagem. O desenvolvimento psicomotor bem estimulado para contribuir para evitar problemas de aprendizagem. Estes podem ter várias causas como: causas neurologias, sensoriais, emocionais, sociais, intelectuais ou problemas físicos. É importante conhecer a causa para auxiliar a criança. A educação psicomotora pode favorecer o desenvolvimento das capacidades existentes e a motivação é um fator fundamental para a aprendizagem. 20 “Se eu tivesse que reduzir toda a psicologia educacional a um único princípio, diria isto: O fator isolado mais importante que influencia a aprendizagem é aquilo que o aprendiz já conhece. Descubra o que ele sabe e baseie nisso seus ensinamentos” (AUSUBEL, NOVAK, HANESIAN, 1980) Ausubel nos remete a aprendizagem significativa, para que ela ocorra é necessário que a criança tenha uma atitude positiva para aprender de modo significativo, ou seja, tenha predisposição para aprender. É importante que a criança relacione material novo aos materiais disponíveis em sua estrutura cognitiva. Ao teorizar a aprendizagemsignificativa observa-se a importância da motivação para aprender. A motivação é um fator subjetivo, mas pode ser potencializada através de estímulos. A aprendizagem é o resultado da estimulação do ambiente sobre o indivíduo já maduro. Por isso, é importante que a aprendizagem possa ser significativa, esta por sua vez, nos remete a psicomotricidade, que se bem desenvolvida na criança pode gerar níveis de aprendizagem bem melhores, ou se não bem estimuladas, causar conseqüências. Para que a aprendizagem provoque uma efetiva mudança de comportamento e amplie cada vez mais o potencial da criança, é necessário que ela estabeleça relação direta com o meio e com aquilo que esta aprendendo. Para isso, é importante a estimulação. É de suma importância, que o professor conheça as crianças e o processo de aprendizagem e possa se interessar por elas como seres humanos, que sentem emoções, que estão se transformando e mais que isso, que são únicos no seu desenvolvimento. A identificação dos problemas de psicomotricidade apresentadas em cada criança é única, e é por isso, a importância de conhecê-la num todo, identificar suas dificuldades para poder ajudá-la. Para saber se uma criança tem problemas de psicomotricidade é necessário fazer uma avaliação psicomotora, através de exercícios específicos, que verifiquem aspectos como: 21 • qualidade tônica (rigidez ou relaxamento muscular); • qualidade gestual (dissociação manual e dos membros superiores e inferiores; • agilidade; • equilíbrio; • coordenação; • lateralidade; • organização temporoespacial; grafomotricidade. Essa avaliação pode revelar na criança, respeitadas as características próprias do seu desenvolvimento, se existem atrasos no desenvolvimento motor e perturbações de equilíbrio, coordenação, lateralidade, sensibilidade, esquema corpora, estrutura e orientação espacial, grafismo, afetividade, etc. Tais problemas podem fazer-se notar tanto na Pré-escola como nas séries iniciais, com maior ou menor intensidade e decorrendo das mais variadas causas como: • debilidade intelectual; • problemática emocional; • retardos de maturação; • desarmonias tônico-motoras. Os tipos de distúrbios psicomotores, quando se usa o termo distúrbio liga-se diretamente a problemas que envolve o indivíduo em sua totalidade. Distúrbios afetivos e psicomotores estão ligados, se influenciam e se reforçam mutuamente. Sendo assim, a psicomotricidade leva sempre em conta o indivíduo como um todo, pesquisando se o problema está no corpo, na área da inteligência ou na afetividade. Traçar um diagnóstico não é tarefa fácil, devido à complexidade do ser humano. Com relação ao tratamento, ele varia de criança para criança, dependendo da patologia que elas apresentam. Segundo Haim Grünspun, os distúrbios apresentam os seguintes quadros: instabilidade psicomotora, debilidade psicomotora, inibição psicomotora, lateralidade cruzada, imperícia. 22 instabilidade psicomotora é o tipo mais complexo e que causa uma série de transtornos pelas reações que o portador apresenta. Nesse quadro predomina uma atividade muscular contínua e incessante; debilidade psicomotora caracteriza-se pela presença da paratonia ou da sincinesia. Paratonia é a persistência de uma certa rigidez muscular, que pode aparecer nas quatro extremidades do corpo ou somente em duas. A sincinesia é a participação de músculos em movimentos aos quais eles não são necessários; inibição psicomotora é quando as características da debilidade psicomotora estão presentes com uma distinção fundamental: na inibição psicomotora existe a presença constante da ansiedade; lateralidade cruzada é a falta das dominâncias do mesmo lado do corpo. A maioria dos autores acredita que existe no cérebro um hemisfério dominante responsável pela lateralidade do indivíduo. Desta maneira, de acordo com a ordem enviada do hemisfério dominante, teríamos o destro e o canhoto. No entanto, além da dominância da mão, existe também a do pé, do olho e do ouvido. Quando estas dominâncias não se apresentam do mesmo lado, dizemos que o indivíduo tem lateralidade cruzada; imperícia é em geral, a dificuldade de realizar certas tarefas que requerem uma apurada habilidade manual. As atividades motoras desempenham na vida da criança um papel importantíssimo, em muitas das suas primeiras iniciativas intelectuais. Enquanto explora o mundo que a rodeia com todos os órgãos do sentido, ela percebe também os meios com os quais fará grande parte dos seus contatos sociais” (JOSÉ e COELHO, 2000, p. 109). Durante a infância, até aproximadamente 3 anos, a criança não tem bem definida suas funções motoras, explora o mundo e os objetos com os seus órgãos dos sentidos, cada vez com mais curiosidade, criando mediações entre ela e o meio em que vive. Só mais tarde é que ela começa a entender a relação entre o concreto e o abstrato, separando movimentos e pensamentos. 23 Considerações Finais Entende-se que o desenvolvimento infantil, independente da teoria relacionada a ele, tem como pontos principais o movimento, o afeto e o intelecto, o que remete diretamente a psicomotricidade. As etapas do desenvolvimento infantil se dão pelo contato com o meio relacionando o corpo com o ambiente. Para o corpo desenvolver suas funcionalidades é necessário um bom desenvolvimento psicomotor. É importante pontuar que, a psicomotricidade no desenvolvimento infantil contribui para melhor coordenação motora, tarefas de praxia global e praxia fina, também como para a aprendizagem ajudando nas atividades de leitura, escrita, concentração, raciocínio lógico. A relação que a criança tem como meio em que vive se bem estimulado passa a ser mais intensa, possibilitando a criança de conhecer-se melhor e compreender o mundo que a rodeia. Considera-se com essas colocações, que o objetivo geral dessa pesquisa foi alcançado, visto que foi possível conhecer a importância da psicomotricidade no desenvolvimento infantil. Através de atividades psicomotoras, o educando terá melhor desenvolvimento, que virá somar em sua aprendizagem, conforme estão descritas no trabalho e em anexo, várias atividades que podem ser trabalhadas; sendo o ser humano um ser único e individual, parte principal do processo, deve ser trabalhada com várias atividades psicomotoras que venham auxiliá-lo em seu desenvolvimento; a escola tem papel fundamental no desenvolvimento da criança, todos os agentes são responsáveis para a boa formação do indivíduo, nela deve ter um espaço adequado para a realização de atividades, bem como materiais necessários para cada atividade. Considera-se que o educador tem que criar condições para que as crianças desenvolvam suas capacidades num todo, sendo a criança um ser único e individual, vindo de diferentes culturas e meios sociais adversos, apresentando inúmeras carências. 24 Levando em consideração que Educação e aprendizagem caminham juntas, e o aluno não é só conceitos, pois ele possui um corpo e este movimento, que precisam ser trabalhados, pois se passarem despercebidos durante sua infância, e na fase escolar. poderá acarretar sérios problemas em sua vida adulta 25 Referências ASSUNÇÃO, E. e COELHO, José Maia Tereza. Problemas de Aprendizagem. São Paulo: Ática, 1997. BARRETO, S. J. Psicomotricidade: Educação e Reeducação. 2. ed. Blumenau: Acadêmica, 2000. FONSECA, Vitor da. Psicomotricidade. 2ª ed. São Paulo, Martins Fontes, 1988. LE BOULCH, Jean. O desenvolvimento psicomotor – do nascimento até 6 anos. Trad.: Ana G. Brizolara, 2ª ed., Porto Alegre, Artes Médicas, 1984. LIMA, Aline Souza; BARBOSA, Silvia Bastos. Psicomotricidade na Educação Infantil. Artigo do Colégio Santa Maria. São João de Meriti. Julho de 2008. OLIVEIRA, Gislene de Campos. Contribuiçõesda psicomotricidade para a superação das dificuldades de aprendizagem. In: SISTO, Fermino Fernandes...[et al.]. Atuação psicopedagógica e aprendizagem escolar. 6º Edição. Petrópolis, RJ: Vozes, 1996.