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PSICOMOTRICIDADE FUNCIONAL E RELACIONAL 
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Sumário 
NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 2 
Introdução .................................................................................................................. 3 
História da Psicomotricidade .................................................................................. 7 
A Psicomotricidade no Brasil .................................................................................. 9 
Funcionamento do Desenvolvimento Psicomotor ................................................. 11 
Psicomotricidade Funcional ...................................................................................... 11 
Como surgiu a Psicomotricidade Funcional .......................................................... 12 
Objetivos da Psicomotricidade Funcional ............................................................. 14 
A estrutura da sessão ........................................................................................... 14 
Psicomotricidade Relacional .................................................................................... 15 
Os aspectos da Psicomotricidade Relacional ....................................................... 19 
A Sessão da Psicomotricidade Relacional ............................................................ 21 
O Profissional da Psicomotricidade Relacional ..................................................... 22 
A Psicomotricidade Relacional na Escola ............................................................. 23 
Psicomotricidade Relacional Na Clínica ............................................................... 25 
Diferenças da Psicomotricidade Funcional e Psicomotricidade ........................ 25 
Relacional ......................................................................................................... 25 
Considerações finais............................................................................................. 27 
Referências ........................................................................................................... 28 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
Introdução 
 
A Psicomotricidade Funcional está relacionada às famílias de exercícios. Já a 
Psicomotricidade Relacional se utiliza do corpo como uma das vias principais de 
aprendizagem. 
A Psicomotricidade segue duas linhas de pensamento. A Funcional, que possui uma 
metodologia diretiva, se utiliza do Teste-Família de Exercícios e mensura a 
capacidade motora. A Relacional, que possui uma metodologia não-diretiva e trabalha 
com brincar. Além de potencializar a aprendizagem e o desenvolvimento. 
"Psicomotricidade é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do 
seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo, bem como 
suas possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo 
mesmo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das 
aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas." (Definição da Sociedade Brasileira de 
Psicomotricidade). 
Encontramos várias definições para a Psicomotricidade. Cada autor coloca o seu 
olhar para defini-la. A ISPE-GAE e a SBP definem respectivamente a 
Psicomotricidade e o emprego de seu termo como: 
“Psicomotricidade é uma neurociência que transforma o pensamento em ato motor 
harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza as ações gerenciadas pelo 
cérebro e as manifesta em conhecimento e aprendizado. Psicomotricidade é a 
manifestação corporal do invisível de maneira visível. É uma ciência terapêutica 
adotada na Europa há mais de 60 anos, principalmente na França, que instituiu o 
primeiro curso universitário de Psicomotricidade em 1963 (ISPE-GAE, 2007). 
a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em 
movimento e em relação ao seu mundo interno e externo, bem como suas 
possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. 
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Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das aquisições 
cognitivas, afetivas e orgânicas. (S.B.P.1999) 
Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção de 
movimento organizado e integrado, em função das experiências vividas pelo sujeito 
cuja ação é resultante de sua individualidade, sua linguagem e sua socialização” 
(SBP, 2003). 
Nas palavras de Defontaine: “La Psychomotricité est le désir de faire, du vouloir faire; 
lê savoir faire et le pouvoir faire” (DEFONTAINE apud OLIVEIRA, 2001, p. 28). “A 
psicomtricidade é um caminho, é o desejo de fazer, de querer fazer; o saber fazer e 
o poder fazer” (ibidem, 2001, p. 34). Defontaine declara que só poderemos entender 
a psicomotricidade através de uma triangulação corpo, espaço e tempo. Defontaine 
define os dois componentes da palavra; psico significando os elementos do espírito 
sensitivo, e motricidade traduzindo-se pelo movimento, pela mudança no espaço em 
função do tempo e em relação a um sistema de referência (ibidem, 2001, p. 35). O 
Prof. Dr. Júlio de Ajuriaguerra, a Profª. Drª. Dalila M. M. de Costallat e a Profª. Drª. 
Maria Beatriz da Silva Loureiro, fundadora do GAE e do ISPE, conceituam e definem 
respectivamente a Psicomotricidade de seguinte modo: 
“A Psicomotricidade se conceitua como ciência da Saúde e da Educação, pois 
indiferente das diversas escolas, psicológicas, condutistas, evolutistas, genéticas, etc. 
ela visa a representação e a expressão motora, através da utilização psíquica e 
mental do indivíduo (AJURIAGUERRA apud ISPE-GAE, 2007). 
Psicomotricidade é a ciência de síntese, que com a pluralidade de seus enfoques, 
procura elucidar os problemas, que afetam as interrelações harmônicas, que 
constituem a unidade do ser humano e sua convivência com os demais (COSTALLAT 
apud ISPE-GAE, 2007). 
A Psicomotricidade é a otimização corporal dos potenciais neuro, psicocognitivo 
funcionais, sujeitos as leis de desenvolvimento e maturação, manifestados pela 
dimensão simbólica corporal própria, original e especial do ser humano” (LOUREIRO 
apud ISPE-GAE, 2007). 
Já Fonseca afirma que se deve tentar evitar uma análise desse tipo para não cair no 
erro de enxergar dois componentes distintos: o psíquico e o motor, pois ambos são o 
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mesmo (FONSECA apud OLIVEIRA, 2001). A psicomotricidade para Fonseca não é 
exclusiva de um novo método ou de uma “escola” ou de uma “corrente” de 
pensamento, nem constitui uma técnica, um processo, mas visa fins educativos pelo 
emprego do movimento humano (ibidem, 2001). 
Para Nicola, uma conceituação atual de psicomotricidade é que esta ciência nova, 
cujo objeto de estudo é o homem nas suas relaçõescom o corpo em movimento, 
encontra sua aplicação prática em formas de atuação que configuram uma nova 
especialidade. A psicomotricidade estuda o homem na sua unidade como pessoa 
(NICOLA, 2004, p. 5). Nicola ainda fornece outro conceito, pautada na soma do termo 
Motricidade e do prefixo Psico: 
 “Motricidade: por definição conceitual é a propriedade que têm certas células 
nervosas de determinar a contração muscular. 
 Psico (Gr Psyquê): vem representar a alma, espírito, intelecto. 
Psicomotricidade: condição de um estado de coisas corpo / mente. Visão global de 
um indivíduo, onde a base de atuação está no conhecimento desta fusão.” (ibidem, 
2004, p. 5). 
Segundo uma definição considerada por Jacques Chazaud, citada por Alves, “a 
psicomotricidade consiste na unidade dinâmica das atividades, dos gestos, das 
atitudes e posturas, enquanto sistema expressivo, realizador e representativo do 
“ser-em-ação” e da “coexistência” com outrem” (CHAZAUD apud ALVES, 2003, p. 
15). 
Além das duas linhas de pensamento, que são a Psicomotricidade Funcional e 
Psicomotricidade Relacional a Psicomotricidade também apresenta três vertentes: a 
Reeducação, a Terapia e a Educação. A Reeducação Psicomotora busca reeducar o 
corpo para que este reproduza movimentos motores de acordo com o padrão 
esperado. Essa prática tem evoluído de uma relação mecanicista e unilateral para 
uma relação de escuta e interação. A Terapia Psicomotriz considera as emoções 
como parte integrante do corpo, pois utiliza as bases da Psicanálise para trabalhar o 
indivíduo como um todo, sendo estes Portadores de Necessidades Especiais ou não. 
E que apresentem algum tipo de dificuldade motora ou de relação social. A Educação 
6 
 
 
Psicomotora ou Prática Psicomotriz Educativa surge como uma evolução das duas 
vertentes citadas anteriormente. Ela busca o desenvolvimento global da criança 
(como um todo) através do lúdico facilitando sua socialização e auxiliando no 
processo de aprendizagem. 
Em função do lúdico, a criança expressa seus sentimentos de acordo com as suas 
motivações, levando-a ao desenvolvimento global. Segundo Negrine, brincando, a 
criança interage com o meio e potencializa a sua aprendizagem. 
 
 
 
 
7 
 
 
História da Psicomotricidade 
 
 
Historicamente o termo "psicomotricidade" aparece a partir do discurso médico, mais 
precisamente neurológico, quando foi necessário, no início do século XIX, nomear as 
zonas do córtex cerebral situadas mais além das regiões motoras. Com o 
desenvolvimento e as descobertas da neurofisiologia, começa a constatar-se que há 
diferentes disfunções graves sem que o cérebro esteja lesionado ou sem que a lesão 
esteja claramente localizada. 
São descobertos distúrbios da atividade gestual, da atividade prática. Portanto, o 
"esquema anátomo-clínico" que determinava para cada sintoma sua correspondente 
lesão focal já não podia explicar alguns fenômenos patológicos. É, justamente, a partir 
da necessidade médica de encontrar uma área que explique certos fenômenos 
clínicos que se nomeia, pela primeira vez, a palavra PSICOMOTRICIDADE, no ano 
de 1870. 
As primeiras pesquisas que dão origem ao campo psicomotor correspondem a um 
enfoque eminentemente neurológico. 
A figura de Dupré, neuropsiquiatra, em 1909, é de fundamental importância para o 
âmbito psicomotor, já que é ele quem afirma a independência da debilidade motora 
(antecedente do sintoma psicomotor) de um possível correlato neurológico. 
Em 1925, Henry Wallon, médico psicólogo, ocupa-se do movimento humano dandolhe 
uma categoria fundante como instrumento na construção do psiquismo. Esta 
diferença permite a Wallon relacionar o movimento ao afeto, à emoção, ao meio 
ambiente e aos hábitos do indivíduo. íquico. 
Em 1935, Edouard Guilmain, neurologista, desenvolve um exame psicomotor para 
fins de diagnóstico, de indicação da terapêutica e de prognóstico. Em 1947, Julian de 
Ajuriaguerra, psiquiatra, redefine o conceito de debilidade motora, considerandoa 
como uma síndrome com suas próprias particularidades. É ele quem delimita com 
clareza os transtornos psicomotores que oscilam entre o neurológico e o psiquiátrico. 
Com estas novas contribuições, a psicomotricidade diferencia-se de outras 
disciplinas, adquirindo sua própria especifidade e autonomia. 
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Na década de 70, diferentes autores definem a psicomotricidade como uma 
motricidade de relação. Começa então, a ser delimitada uma diferença entre uma 
postura reeducativa e uma terapêutica que, ao despreocupar-se da técnica 
instrumentalista e ao ocupar-se do "corpo de um sujeito" vai dando progressivamente, 
maior importância à relação, à afetividade e ao emocional. Para o psicomotricista, a 
criança constitui sua unidade a partir das interações com o mundo externo e nas 
ações do Outro (mãe e substitutos) sobre ela. 
A especificidade do psicomotricista situa-se assim, na compreensão da gênese do 
psiquismo e dos elementos fundadores da construção da imagem e da representação 
de si. O sintoma psicomotor instala-se, quando ocorre um fracasso na integração 
somatopsíquica, consequente de fatores diversos, seja na origem do processo de 
constituição do psiquismo, ou posteriormente em função de disfunções orgânicas e/ou 
psíquicas. A patologia psicomotora é, portanto, uma patologia do continente psíquico, 
dos distúrbios da representação de si cuja sintomatologia pode se apresentar no 
somático e/ou no psíquico. 
Com estas novas contribuições, a psicomotricidade diferencia-se de outras 
disciplinas, adquirindo sua própria especificidade e autonomia. Na década de 70, 
diferentes autores definem a psicomotricidade como uma motricidade de relação, 
enquanto na mesma época, profissionais estrangeiros convidados vinham ao Brasil 
para a formação de profissionais brasileiros. 
Em 1977 é fundado GAE, Grupo de Atividades Especializadas, que veio a promover 
a partir de 1980 vários encontros nacionais e latino-americanos. O 1° Encontro 
Nacional de Psicomotricidade foi realizado em 1979. O GAE é responsável pela parte 
clínica e o ISPE, Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação, destinado à 
formação de profissionais em psicomotricidade, se dedica ao ensino de aplicações da 
psicomotricidade em áreas de saúde e educação. 
Em 1982, o ISPE-GAE realiza o vínculo científico-cultural com a Escola Francesa 
através da exclusiva Delegação Brasileira da OIPR - Organisation Internationale de 
Psychomotricité et de Relaxation. A SBP - Sociedade Brasileira de 
Psicomotricidade, entidade de caráter científico-cultural sem fins lucrativos, foi 
fundada em 19 de abril de 1980 com o intuito de lutar pela regulamentação da 
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profissão, unir os profissionais da psicomotricidade e contribuir para o progresso da 
ciência, promovendo congressos, encontros científicos, cursos, entre outros. Começa 
então, a ser delimitada uma diferença entre postura reeducativa e uma terapêutica, já 
demonstrando diferenças em intervenções da Psicomotricidade, e que, ao 
despreocupar-se da técnica instrumentalista e ao ocupar-se do corpo em sua 
globalidade, vai dando progressivamente, maior importância à relação, à afetividade 
e ao emocional, acompanhando as tendências do momento por que passava. No 
entanto, sob o prisma do discurso da SBP, a psicomotricidade não é a soma da 
psicologia com a motricidade, ela tem valor em si. 
Para o psicomotricista, o conceito de unidade ultrapassa a ligação entre psico e soma. 
O indivíduo é visto dentro de uma globalidade, e não num conjunto de suas 
inclinações (SBP, 2003) e (ISPE-GAE, 2007). 
A Psicomotricidade Relacional surgiu a partir da década de 70, com o profissional de 
Educação Física francês, André Lapierre, que buscou constantemente o 
aperfeiçoamento profissional e fez grandes descobertas no âmbito afetivo corporal. O 
conceito de corpo evoluiu, e abriu-se um espaço significativo noâmbito educativo, 
possibilitando uma pedagogia baseada na descoberta, no desejo de aprender e no 
movimento espontâneo. 
 
 A Psicomotricidade no Brasil 
 
 
A Psicomotricidade no Brasil foi norteada pela escola francesa. Durante as primeiras 
décadas do século XX, época da primeira guerra mundial, quando as mulheres 
adentraram firmemente no trabalho formal enquanto suas crianças ficavam nas 
creches, a escola francesa também influenciou mundialmente a psiquiatria infantil, a 
psicologia e a pedagogia. 
Em 1909, a figura de Dupré, neuropsiquiatra, é de fundamental importância para o 
âmbito psicomotor, já que é ele quem afirma a independência da debilidade motora, 
antecedente do sintoma psicomotor, de um possível correlato neurológico. Neste 
período o tônus axial começava a ser estudado por André Thomas e Saint-Anné 
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Dargassie. Em 1925, Henry Wallon, médico psicólogo, ocupa-se do movimento 
humano dando-lhe uma categoria fundante como instrumento na construção do 
psiquismo. Esta diferença permite a Wallon relacionar o movimento ao afeto, à 
emoção, ao meio ambiente e aos hábitos do indivíduo, e discursar sobre o tônus e o 
relaxamento. 
Em 1935, Edouard Guilmain, neurologista, desenvolve um exame psicomotor para 
fins de diagnóstico, de indicação da terapêutica e de prognóstico. Em 1947, Julian de 
Ajuriaguerra, psiquiatra, redefine o conceito de debilidade motora, considerandoa 
como uma síndrome com suas próprias particularidades. É ele quem delimita com 
clareza os transtornos psicomotores que oscilam entre o neurológico e o psiquiátrico. 
Ajuriaguerra aproveitou os subsídios de Wallon em relação ao tônus ao estudar o 
diálogo tônico. A relaxação psicotônica foi abordada por Giselle Soubiran (SBP, 2003) 
e (ISPE-GAE, 2007). 
 “No Brasil, Antonio Branco Lefévre buscou junto as obras de Ajuriaguerra e 
Ozeretski, influenciado por sua formação em Paris, a organização da primeira escala 
de avaliação neuromotora para crianças brasileiras. Dra. Helena Antipoff, assistente 
de Claparéde, em Genebra, no Institut Jean-Jacques Rosseau e auxiliar de Binet e 
Simon em Paris, da escola experimental "La Maison de Paris", trouxe ao Brasil sua 
experiência em deficiência mental, baseada na Pedagogia do interesse, derivada do 
conhecimento do sujeito sobre si mesmo, como via de conquista social... Em 1972, a 
argentina, Dra. Dalila de Costallat, estagiária do Dr. Ajuriaguerra e da Dra. Soubiran 
em Paris, é convidada a falar em Brasília às autoridades do Ministério da Educação, 
sobre seus trabalhos em deficiência mental e inicia contatos e trocas permanentes 
com a Dra. Antipoff no Brasil” (ISPE-GAE, 2007). 
 
11 
 
 
Funcionamento do Desenvolvimento Psicomotor 
 
 
Para que possamos compreender melhor a importância da psicomotricidade no 
desempenho escolar das crianças, é preciso entender como esse processo acontece. 
Sistema Nervoso: 
Oliveira afirma que o movimento e a integração do homem às condições do meio 
ambiente, dependem do sistema nervoso. Esse sistema coordena e controla todas as 
atividades do organismo, integra sensações e idéias, interpreta os estímulos vindos 
da superfície do corpo, e de todas as funções é selecionar e procurar informações, 
canalizando-as para as regiões motoras correspondentes do cérebro, para que depois 
sejam emitidas respostas adequadas, de acordo com cada indivíduo. As células que 
compõe o sistema nervoso, são os neurônios, que possuem a função de 
condutibilidade e excitabilidade. 
A maturação nervosa é um dos fatores relevantes no desenvolvimento mental, sendo 
importante considerar fatores como interação do indivíduo com o meio. A 
psicomotricidade pode auxiliar o aluno a alcançar um desenvolvimento integral, que 
o preparará para uma aprendizagem mais satisfatória. Algumas habilidades são muito 
importantes no desenvolvimento psicomotor da criança. Essas habilidades permitem, 
por exemplo, que uma pessoa manipule objetos da cultura em que vive. Para que 
essa pessoa se movimente no espaço com desenvoltura, equilíbrio e coordenação, é 
preciso ter o domínio do gesto e do instrumento. A coordenação e o equilíbrio são 
elementos de base para qualquer movimento. 
 
 
Psicomotricidade Funcional 
 
 
Esta área é uma divisão da Educação Física usando alguns tipos de exercícios que 
buscam a reeducação motora, aonde o responsável conduz a sessão sendo o 
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exemplo, desta forma o indivíduo começa a se exercitar com o intuito de sanar 
prováveis dificuldades motoras. Exemplos de exercícios: Correr, descer, pular e subir. 
 
É um trabalho realizado de forma direta, onde o profissional, no caso o Psicomotricista 
(nome dado a este profissional habilitado), planeja as atividades onde ele irá cultivar 
e realizar uma série de exercícios psicomotores com desígnios já pré-estabelecidos 
com o intuito de desenvolver a área motora a ser trabalhada. 
Depois de um tempo de trabalho, o Psicomotricista dirige as crianças durante sua 
execução onde novamente ele atua como exemplo, em seguida as crianças devem 
seguir os movimentos todas as vezes que forem requeridas. O principal objetivo das 
práticas da Psicomotricidade Funcional é com relação ao ato motor. 
 
Não trabalha com o indivíduo como um todo, é uma prática que se faz necessária em 
alguns episódios ou em algumas ocasiões, mas acredita-se que somente ela não é 
satisfatória quanto à abordagem da psicomotricidade que desenvolve e trabalha sobre 
o indivíduo no seu conjunto, onde é trabalhada a cognição, mente, afetividade e corpo. 
Os trabalhos práticos da Psicomotricidade Funcional variam de acordo com a linha 
teórica que o Psicomotricista adota. 
O psicomotricista é o profissional da área da saúde e educação que pesquisa, ajuda, 
previne e cuida do homem na aquisição, no desenvolvimento e nos distúrbios da 
integração somapsiquica. (Almeida, p.17) 
Como surgiu a Psicomotricidade Funcional 
 
 
A Psicomotricidade Funcional surgiu a partir da Educação Física utilizando-se das 
famílias de exercícios para a reeducação motora, onde o facilitador dirige a sessão 
sendo o modelo, de forma a levar o indivíduo a exercitar o corpo de forma a sanar 
possíveis dificuldades motoras. São exemplos de exercícios: subir, descer, pular e 
correr. Ela trabalha com um método diretivo de família de exercícios. Trabalha-se com 
as crianças oferecendo alguns materiais e onde o facilitador oferece o próprio corpo 
como forma de ajuda para desenvolver as atividades. 
13 
 
 
Como a base do seu trabalho é diretiva, o psicomotricista planeja as atividades, ou 
seja, planeja uma série de exercícios psicomotores com objetivos pré-estabelecidos 
visando desenvolver a área motora a ser trabalhada. Durante um tempo estipulado, o 
psicomotricista dirige as crianças durante sua execução atuando como modelo. As 
crianças devem seguir os seus movimentos tantas vezes quantas forem solicitadas. 
 
14 
 
 
 
Objetivos da Psicomotricidade Funcional 
 
 
A Psicomotricidade Funcional tem como objetivo educar sistematicamente as diversas 
condutas motrizes partindo dos déficits encontrados. Busca com isso, a existência de 
uma melhor integração do sujeito na vida social e escolar. 
As práticas da Psicomotricidade Funcional atuam basicamente no ato motor, não 
entendendo ou trabalhando o indivíduo como um todo. Essa prática pode ser 
necessária em alguns momentos ou em alguns casos, mas se acredita que somente 
ela não seja tão eficaz quanto à abordagem da psicomotricidade que trabalha o 
indivíduo em sua totalidade, unindo mente, corpo, cognição e afetividade. 
Baseia-se na organização e aplicação de exercícios que trabalhem mecanicamente o 
aprimoramento dos movimentos, os lapidando tendo como base de padrão o 
desenvolvimento de acordo com a faixa etária. Utilizam-se também de baterias de 
atividades para mensurar o nível de desenvolvimento dos indivíduos.A estrutura da sessão 
 
 
Muitos trabalhos têm sido relacionados com a detectação, a análise e a reeducação 
de diferentes temas da vida humana e os pesquisadores se baseiam em testes para 
realizar os diferentes estudos. (Rosa Neto, p.28) 
Normalmente as sessões baseiam-se em ciclos de atividades que trabalhem as 
habilidades motrizes. 
O desenvolvimento da sessão de psicomotricidade funcional é estruturado de forma 
que o aluno imite os modelos de exercícios pré-programados, que são propostos pelo 
professor “(...) a criança não tem escolha, todas ao mesmo tempo devem realizar os 
exercícios que são propostos” (NEGRINE, 2002, p.117). O professor utiliza-se de 
métodos diretivos, tornando seu aluno dependente de suas ações, não dando espaço 
15 
 
 
para que a criança realize atividades que permitam explorar o mundo simbólico, 
impedindo a exteriorização de sua expressividade motriz. 
 
Outro aspecto importante a ressaltar, que é bem diferente do contexto escolar 
brasileiro, é que a sessão é realizada somente em ambientes fechados (sala de 
psicomotricidade) que possuem materiais fixos (escadas, barra de equilíbrio, tatames) 
e diversos materiais complementares (blocos de espuma, aros, bola grande bichos 
de pelúcia, cordas, fantasias). Estes ambientes possuem também mesa com cadeiras 
e material audiovisual e musical, e o grupo de crianças é em número bem reduzido 
(MARTÍNEZ, PEÑALVER e SANCHEZ,2003). 
 
 
Psicomotricidade Relacional 
 
 
É uma atividade baseada no BRINCAR ESPONTÂNEO e na COMUNICAÇÃO 
NÃOVERBAL que permite à criança, ao adolescente, ao jovem e ao adulto expressar 
suas dificuldades relacionais e ajudá-los a superá-las. O foco é impulsionar o ser 
humano a BRINCAR COM O CORPO numa vivência simbólica com os objetos 
(materiais utilizados nas sessões), na interação com os parceiros da brincadeira e 
consigo mesmo. O brincar é o elemento motivador para provocar a exteriorização 
corporal, pois entende-se que a ação de brincar impulsiona processos de 
desenvolvimento e de aprendizagem. 
 
A Psicomotricidade Relacional é uma prática educativa de valor preventivo, com 
ênfase na saúde e não na doença, possibilita um tempo e um espaço onde o sujeito, 
de forma espontânea e criativa, possa expressar com liberdade e autenticidade todo 
o seu potencial motor, cognitivo, afetivo, social e relacional, para que, 
consequentemente, possa melhorar o desenvolvimento global de sua aprendizagem, 
de sua capacidade de adaptação social e afetiva. 
 
16 
 
 
O psicomotricista relacional ajuda, faz a mediação, provoca, escuta, interage com o 
outro como seu parceiro no jogo simbólico. Realiza a operação inversa, pois tem que 
ser capaz de detectar o sentido real que se esconde por trás do simbólico, por trás da 
brincadeira, decodificar a dimensão inconsciente, para poder responder à evolução 
do jogo simbólico, identificando suas dificuldades e potenciais para poder criar 
estratégias que contribuam para o seu desenvolvimento global. 
 
Como diferencial de muitas outras atividades, na Psicomotricidade Relacional, existe 
uma relação psicomotora que apresenta espontaneamente uma tonalidade AFETIVA, 
quando não está fechada somente em conteúdos intelectuais, racionais ou em 
objetivos pedagógicos ou clínicos reeducativos. Por esse motivo o acréscimo da 
palavra RELACIONAL a esse trabalho de PSICOMOTRICIDADE, porque essa 
palavra marca a especificidade desse método: nossa atenção e nosso trabalho estão 
concentrados sobre a RELAÇÃO e mais precisamente sobre o conteúdo simbólico 
dessa relação. 
 
Atualmente, é um diferencial na atuação profissional, tornando-se indispensável em 
escolas, clínicas, empresas, terceira idade, entre outros. Está sendo requisitada como 
uma ferramenta de trabalho revolucionária, por seu modo de abordar as relações e o 
desenvolvimento humano. 
O fundamento teórico que norteia essa forma de pensar é que utilizar uma prática 
pedagógica pela via corporal não significa apenas treinar a criança para adquirir novas 
habilidades motrizes que vão permitir a ampliação do vocabulário Psicomotriz, mas 
antes de tudo, significou estabelecer uma série de estratégias de ação que permita a 
criança se exteriorizar através de diferentes vocabulários (lingüístico, gestual, motriz, 
etc.) p.142-143 – Negrine. 
VERDERI (1998) nos traz o aluno-corpo como movimento em tudo o que faz. Um 
corpo que age e interage, buscando novas possibilidades, necessitando assim, estar, 
ser, sentir e ser sentido. 
A Psicomotricidade Relacional tem sua base na psicanálise e diz respeito a sua 
relação primária entre mãe e filho. Assim, através do brincar, a aprendizagem e o 
desenvolvimento são potencializados. Desta maneira, o indivíduo consegue 
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expressar sentimentos através do corpo. Ampliando e diversificando o seu 
vocabulário psicomotor. 
A Psicomotricidade Relacional surgiu, naturalmente, durante a reavaliação das 
práticas exercidas pelos profissionais, que de certa forma, perceberam que faltava 
algo que atendessem a todas as necessidades dos indivíduos que apresentavam 
alguma dificuldade e procuravam ajuda. A partir dessa busca, por mais qualidade no 
atendimento foram sendo aprimoradas técnicas que até hoje são utilizadas para 
trabalhar através da própria expressão corporal do indivíduo para ajudá-lo a superar 
suas dificuldades. 
A Psicomotricidade Relacional tem um componente importantíssimo, que é o 
diferencial do que já possuem as outras práticas educativas, que é o jogo. Contudo, 
não estamos falando de um jogo de basquete ou de futebol, mas sim, de um jogo da 
Psicomotricidade Relacional que é o lúdico, que é o brincar da criança. Assim, nós 
podemos encontrar em uma atividade/sessão de Psicomotricidade Relacional o salto, 
onde, por exemplo, se pode demonstrar a estrutura corporal da criança. 
Nesse caso, em que crianças que saltam, a sua estrutura corporal é bem mais 
diferenciada das crianças que não saltam ou não conseguem saltar. 
Outro elemento que é importantíssimo na Psicomotricidade Relacional ou em uma 
sessão é a construção (Ex.: de madeiras), que também demonstram a estrutura 
corporal da criança. Uma criança que constrói na vertical, a sua estrutura estará bem 
mais aperfeiçoada do que o de uma criança que não consegue. Outros elementos da 
Psicomotricidade Relacional são as fantasias, as roupas e tecidos que são utilizadas 
na questão do simbolismo ou jogo simbólico, as quais as crianças podem se 
exteriorizar durante a sessão. 
 
18 
 
 
É importante ressaltar que existem nuances dentro da psicomotricidade relacional, e 
que autores que tiveram a mesma formação inicial, no decorrer de seus estudos 
acabam, seguindo linhas diferentes, como por exemplo: Aucouturier, Lapierre e 
Negrine. 
Aucouturier determina que, na sessão, o jogo de pulsão (jogo sensório-motor – 
classificação de Piaget)deve ser potencializado, e a prática da psicomotricidade tem 
sua função até os oito anos, por outro lado Lapierre entende que o jogo simbólico é 
que deve ser potencializado, e que a psicomotricidade deve se aplicar às crianças, 
aos adolescentes e também aos adultos (NEGRINE, 1995). 
Uma característica importante a respeito da psicomotricidade relacional de 
Aucouturier, que é seguida por diversos psicomotricistas, é que a organização da 
sessão segue uma sequência temporal, isto é, a criança deve seguir uma determinada 
ordem para executar os jogos: momento inicial ou ritual de entrada; jogos de 
segurança profunda, jogos de prazer sensório-motor; jogos simbólicos; narração de 
história, atividades de representação e momento final ou ritual de saída (MARTÍNEZ, 
PEÑALVER e SANCHEZ,2003). 
Os estudos iniciais de Negrine estiveram voltados à prática da psicomotricidade 
funcional. Sua formação na Escola de Expressão e Psicomotricidade da Prefeitura de 
Barcelona seguiam as orientações de Bernard Aucouturier, mas alinha pedagógica 
que ele segue no momento atual está configurada dentro de uma perspectiva 
relacional (NEGRINE, 2002). 
Um aspecto importante a destacar é que a psicomotricidade relacional desenvolvida 
por Negrine se diferencia das demais práticas devido a fatores que são bem 
referenciados por Falkenbach (2002, p. 76): 
a) o autor se diferencia da maioria dos psicomotricistas pela sua fundamentação 
teórica que reconhece as diferentes vertentes da psicomotricidade e os seus 
principais autores, bem como as limitações e as vantagens das práticas que utilizam; 
b) oxigena o referencial teórico da psicomotricidade com elementos da 
antropologia, da psicopedagogia que contribuem à tradicional visão psicanalista, que 
ainda é hegemônica e a enriquecem; 
19 
 
 
c) inova com a utilização dos referencias teóricos de Vygotsky, teórico que 
contribui para uma mudança na compreensão psicopedagógica do desenvolvimento 
e aprendizagem infantil, bem como do significado dos jogos para a prática da 
psicomotricidade; 
d) estabelece um divisor de águas para a leitura do movimento que faz a criança. 
Explica que em um ambiente lúdico a criança faz uma trajetória denominada de 
trajetória lúdica e seu movimento flutua entre; a) ser um movimento técnico, o que 
significa fazer exercícios; b) brincar de faz-de-conta, isto é, jogar simbolicamente; 
e) desenvolve e estrutura a organização da prática psicomotriz educativa com 
grupos de crianças, adequadas para o ensino regular e os diversos contextos que 
promovem a movimentação infantil. 
Este eixo da psicomotricidade educativa é multifacetado, cabendo ao professor de 
Educação definir qual será sua proposta de trabalho, traçando objetivos e tendo como 
base concepções sobre o desenvolvimento e aprendizagem infantil. 
 
 
 
Os aspectos da Psicomotricidade Relacional 
 
 
(NEGRINI 2002) explica que a psicomotricidade relacional utiliza-se da ação do 
brincar como elemento motivador para provocar a exteriorização corporal da criança, 
pois entende que a ação de brincar impulsiona processos de desenvolvimento e de 
aprendizagem. Essas estratégias de intervenções pedagógicas criam, também, 
condições favoráveis para a construção de um vocabulário psicomotor amplo e 
diversificado e servem como meio de melhora das relações da criança com o adulto, 
com os iguais, com os objetos e consigo mesma. 
A utilização de métodos não-diretivos permite que a criança manifeste todo seu 
interesse, atitudes e valores que retratam as emoções e os sentimentos de cada 
momento vivido. Estes métodos também permitem que o psicomotricista faça 
interpretações significativas das ações que a criança experimenta quando se 
20 
 
 
exterioriza, seja através da mímica, dos gestos ou das produções plásticas. Para isso 
é necessário que tenha uma atenção maior, pois deve observar e identificar as 
crianças que mais necessitam de seu auxílio (NEGRINE, 2002). 
Na forma de pensar de Negrine (2002), a psicomotricidade relacional está alicerçada 
em três aspectos, que determinam suas finalidades. O primeiro diz respeito à 
experimentação corporal múltipla e variada, no qual o psicomotricista deve permitir, 
facilitar e provocar a criança à experimentação de diversos movimentos com o próprio 
corpo, com objetos ou com disfarces. 
O segundo aspecto é o estímulo à vivência simbólica, isto é, permitir que a criança 
realize atividades representativas. Com a realização destas ações corporais 
(movimentos, gestos, mímicas) a criança constrói o conhecimento das coisas e do 
mundo, amplia seu vocabulário psicomotor, aciona mecanismos de pensamento 
representativo. Este, por sua vez, aciona a fala egocêntrica, exercitando a 
comunicação oral. 
O terceiro aspecto se refere à comunicação como elemento de intervenção 
pedagógica, de socialização e de exteriorização da criança. Isto quer dizer que a 
comunicação expressa de diferentes formas - verbal, plástica, pictórica - serve como 
instrumental que o psicomotricista utiliza para fazer a criança evoluir. 
 
21 
 
 
A Sessão da Psicomotricidade Relacional 
 
 
Esta se divide em três fases: o rito de entrada, a sessão propriamente dita e o rito de 
saída. 
No rito de entrada é onde o psicomotricista reúne todos os participantes em círculo 
para que sejam verbalizadas as regras, o que podem fazer e utilizar, as 
apresentações para início já de uma interação. Assim também já informando como se 
finalizará a sessão, que ao facilitador informar o término das atividades deverão 
organizar os materiais utilizados. 
Na sessão propriamente dita os alunos poderão dentro dos limites quanto a espaço e 
atitudes já informados pelo facilitador, fazer o que quiserem. Tendo mínimas 
interferências do psicomotricista, somente em momento que sejam necessários um 
estimulo para iniciar uma nova brincadeira. 
No rito de saída será o momento onde todos verbalizarão suas atividades, o que mais 
gostaram, com quem interagiram, trazendo assim um “feedback” para o 
psicomotricista. 
Segundo Negrine (2002), a sessão de psicomotricidade relacional segue uma rotina 
que se divide em três momentos: 1º) ritual de entrada; 2º) atividades livres de 
expressão, construção e comunicação e 3º) ritual de saída, pois todo o ato 
pedagógico deve ter início, meio e fim. 
No ritual de entrada, o professor e as crianças sentam-se em círculo, se apresentam 
de forma que todos possam falar e ser escutados estabelecendo as combinações 
(regras de convivência) referentes àquela sessão, cabe ao psicomotricista neste 
momento provocar as crianças a realizarem diversas experimentações. 
A segunda parte da sessão é destinada à realização de atividades livres de 
expressão, construção e comunicação. No início se dá um estímulo às crianças e 
depois elas passam a brincar com o que quiserem. É importante que o psicomotricista 
permita a experimentação de diversas atividades e que exija o cumprimento das 
regras de convivência estabelecidas no ritual de entrada. 
22 
 
 
O ritual de saída é o momento em que o psicomotricista diz que o jogo acabou. Com 
isso as crianças devem interromper as brincadeiras e devem ajudar a guardar o 
material que foi utilizado na sessão, pois isto havia sido combinado no ritual de 
entrada. Após terem guardado todos os materiais, se dá início ao encerramento da 
sessão. Todos devem sentar novamente em círculo e o psicomotricista deverá 
provocar a verbalização das crianças ao grande grupo sobre aquilo que realizaram 
durante a sessão e sobre o que mais gostaram de fazer, sempre lembrando que todos 
terão a oportunidade de falar e ser escutados. 
Outro aspecto importante a ressaltar, que é bem diferente do contexto escolar 
brasileiro, é que a sessão é realizada somente em ambientes fechados (sala de 
psicomotricidade) que possuem materiais fixos (escadas, barra de equilíbrio, tatames) 
e diversos materiais complementares (blocos de espuma, aros, bola grande bichos 
de pelúcia, cordas, fantasias). Estes ambientes possuem também mesa com cadeiras 
e material audiovisual e musical, e o grupo de crianças é em número bem reduzido 
(MARTÍNEZ, PEÑALVER e SANCHEZ,2003). 
 
O Profissional da Psicomotricidade Relacional 
 
 
Na sessão de Psicomotricidade, o papel do psicomotricista facilitador é o de instigar 
ou provocar a participação e o movimento do sujeito. Neste trabalho, não existe 
direcionalidade ou qualquer tipo de interferência do facilitador. Ele não ordena 
exercícios ou exige movimentos. O objetivo é provocar, instigar, facilitar e 
proporcionar o acesso a diversos materiais e sensações motoras. E observando a 
atuação do sujeito durante a sessão, o Psicomotricista analisará suas reações para 
compor o diagnóstico e a possíveis provocações futuras, para o auxílio na superação 
das dificuldades desse sujeito. 
O facilitador, em uma sessão relacional é o profissional que se dispõe emocional e 
corporalmentepara ser o elo de apoio e incentivo nas superações do indivíduo. Ele é 
o observador, que a partir das práticas realizadas irá compor a aplicabilidade e a 
eficácia do tratamento, em cada caso. O facilitador não interfere no jogo e no brincar 
23 
 
 
da criança, mas se utiliza da observação do brincar para auxiliar na terapia 
necessária, buscando a superação das dificuldades apresentadas. 
 
A Psicomotricidade Relacional na Escola 
 
 
O corpo e a aprendizagem caminham juntos! É por meio do corpo que o indivíduo 
entra em contato com o conhecimento. Do nascimento à idade adulta o corpo registra 
experiências e sentimentos, automatiza e domina movimentos, amplia sua 
capacidade de ação e produz padrões culturais de comportamentos. A 
Psicomotricidade Relacional é uma ferramenta que investe não em dificuldades e 
sintomas, mas em possibilidades de crescimento e de aperfeiçoamento em que o 
sujeito potencializa a capacidade de desenvolver globalmente sua personalidade. 
 "No que se refere à Psicomotricidade Relacional, podemos dizer que a aprendizagem 
e o desenvolvimento se produzem pelas formas de relação afetiva com o outro, de 
acordo com as possibilidades e limites de cada um, em comum acordo." (Vieira, 
Batista e Lapierre. 2005, p.40) 
O Ministério da Educação (MEC) tenta elevar o padrão educacional das nossas 
escolas e torná-las um lugar onde o conhecimento circule de forma harmônica e 
prazerosa. Essa tentativa gera todo um investimento na área de ensino por parte de 
órgãos oficiais e chega a causar certo impacto social. 
No entanto, não observamos um resultado palpável na aprendizagem por parte das 
nossas crianças. Assim, todo o investimento não chega a atingir ou repercurtir 
efetivamente nas próprias crianças, pois são projetos descentralizados do que é 
primordial para o processo de aprendizagem do indivíduo: o investimento no 
desenvolvimento pessoal. 
 
 
 
A Psicomotricidade Relacional na Escola é uma atividade preventiva que através do 
jogo simbólico e espontâneo, o educando pode exercitar sua expressividade e 
autenticidade, qualidades importantes para o desenvolvimento da autonomia e da 
24 
 
 
autoestima, potencializando o desejo para a aprendizagem. "Sua intervenção é em 
nível do relacional, com repercussões em todo o processo educativo". (CABRAL, 
2001, p. 68). 
 
25 
 
 
Psicomotricidade Relacional Na Clínica 
 
 
É uma prática que atua no plano da saúde de um modo geral, sem perder de vista 
sua ação terapêutica e preventiva. Por meio da mediação corporal estimula a 
capacidade relacional, a adaptação socioemocional e psicomotora, através do jogo 
simbólico e da comunicação não-verbal. 
"Na Psicomotricidade Relacional as intervenções do Terapeuta 
Psicomotricista facilitam os processos do desenvolvimento, que de alguma maneira, 
estão bloqueados ou canalizados de forma improdutiva, impedindo uma vida mais 
saudável e feliz." (VIEIRA, BATISTA E LAPIERRE, 2005, P. 149). 
A Psicomotricidade Relacional na clínica trabalha questões como agressividade, 
limite, afetividade, inibição, TDA/H (hiperatividade), dificuldades de aprendizagem e 
atenção, alterações de percepção corporal, autonomia, auto estima, queda de 
rendimento escolar, dificuldade de expressão verbal ou gráfica, depressão, TOC, 
medos, dificuldade de integração e participação em atividades grupais, isolamento, 
falta de iniciativa, passividade, entre outras. 
 
 
 
Diferenças da Psicomotricidade Funcional e Psicomotricidade 
Relacional 
 
 
Na educação psicomotora funcional, o adulto exerce uma relação de comando com a 
criança, raramente ocorrem contatos corporais. A criança deve seguir os modelos que 
são propostos pelo professor, caso não consiga, os erros são corrigidos. O professor 
utiliza-se de métodos diretivos para a realização das atividades que são pré-
programadas, e a sessão é destinada a grupos de crianças. 
26 
 
 
Já na educação psicomotora relacional, a relação que o professor exerce com a 
criança, é de ajuda, de escuta, de mediação, de interação e de provocação a novos 
desafios, ocorre o contato corporal entre ele e as crianças, e entre elas mesmas. 
A sessão de psicomotricidade relacional é destinada a grupos de crianças e dividese 
em três fases: 1º) ritual de entrada, 2º) atividades livres de expressão, construção e 
comunicação e 3º) ritual de saída. O professor utiliza-se de métodos não diretivos 
para a realização de sua prática, na sua avaliação não mede e nem compara uma 
criança com a outra, ou seja, não emite juízo de valor. 
O quadro abaixo tem como objetivo mostrar de uma forma didática a descrição e a 
categorização das duas vertentes da psicomotricidade aqui citadas 
 
EDUCAÇÃO PSICOMOTORA 
 FUNCIONAL 
 
EDUCAÇÃO PSICOMOTORA 
RELACIONAL 
 
Sanar problemas motores, melhorar 
as aprendizagens cognitivas e o 
comportamento da criança. 
 
Desenvolver as potencialidades 
relacionais da criança utilizando a 
ação do brincar 
 
 
 
A educação psicomotora deve ser uma formação de base indispensável para toda 
criança, pois oferece uma melhor capacitação ao aluno para uma maior assimilação 
das aprendizagens escolares. Um bom desenvolvimento psicomotor proporciona ao 
aluno algumas capacidades básicas para um bom desempenho escolar. 
 
27 
 
 
Considerações finais 
 
 
Não há um conceito e definição única para a psicomotricidade. Existem olhares plurais 
sobre a Psicomotricidade, o que não quer dizer que tais discursos possam divergir, 
pelo contrário, tais discursos são pautados em pressupostos comuns da 
Psicomotricidade. Quanto ao aspecto da intervenção na área da psicomotricidade, 
existem basicamente três áreas de atuação: educação, reeducação e terapia 
psicomotora. Apesar de já haver a vários anos no Brasil, cursos de graduação e pós-
graduação latu censo em psicomotricidade reconhecidos pelo MEC, a 
Psicomotricidade ainda não é uma profissão regulamentada: “No Brasil, tramitamos 
com um projeto de legalização da profissão do psicomotricista na Assembleia 
Nacional desde 1996” (ISPE-GAE, 2007), “A Sociedade Brasileira de 
Psicomotricidade... tem como objetivo maior a busca pela legalização do projeto que 
regulamenta a profissão” (SBP, 2003). E por ser a Psicomotricidade uma profissão 
não regulamentada, e por vezes, profissionais de diferentes áreas possivelmente 
adentrarem em intervenções delimitadas a outras profissões, acreditamos que podem 
ocorrer conflitos de atuação e intervenção profissional em determinadas áreas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
28 
 
 
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