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1 
 
 
 
EDUCAÇÃO PSICOMOTORA 
1 
 
 
Sumário 
NOSSA HISTÓRIA..................................................................................................... 2 
Introdução .................................................................................................................. 3 
A evolução da educação psicomotora .................................................................... 5 
O ambiente educacional ......................................................................................... 8 
O papel do professor na educação psicomotora .................................................. 10 
Desenvolvimento da psicomotricidade na criança ................................................ 11 
Motricidade ........................................................................................................... 14 
O objetivo da psicomotricidade na educação ....................................................... 17 
Psicomotricidade, leitura e escrita na alfabetização ............................................. 19 
O desenvolvimento psicomotor e a interação escolar .......................................... 22 
As dificuldades da aprendizagem ......................................................................... 26 
Considerações finais ................................................................................................ 28 
Referências .......................................................................................................... 29 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
3 
 
 
 
Introdução 
 
Em decorrência da modernização, da inovação tecnológica, dos ideais de vida e 
trabalho, entre outros, a escola tem valorizado cada vez mais uma educação formal, 
estabelecendo um padrão para o comportamento das crianças, a fim de que se 
adaptem e obtenham um melhor desempenho na alfabetização. Tal valorização se 
dá, muitas vezes, em detrimento de uma educação que valoriza a expressão corporal 
e a capacidade criativa da criança. 
Verifica-se por meio da vivência pedagógica enquanto educadora que, apesar das 
teorias existentes e dos conhecimentos adquiridos, muitos professores não refletem 
sobre sua prática educacional, bem como sobre os critérios que utilizam para 
desenvolvê-la, dessa forma compreendem superficialmente o universo da criança e 
acabam desconhecendo questões importantes que englobam o desenvolvimento 
infantil. 
Essas consequências podem ser oriundas de contextos que incluem uma formação 
que não prepara os professores para que tenham tal postura, bem como podem 
resultar ainda das condições de trabalho dos mesmos, que muitas vezes não oferece 
condições para uma formação continuada, a fim de permitir-lhes que desenvolvam 
melhor o trabalho docente. 
Por outro lado, na escola muitos alunos são rotulados como fracassados, preguiçosos 
ou vistos como se tivessem uma doença pré-estabelecida. Estudos de vários 
pesquisadores (LE BOULCH, 1987, 1988, 2008; FONSECA, 2008; FREIRE, 1989; 
OLIVEIRA, 2002; WALLON, 2005; entre outros), indicam que os aspectos 
psicomotores interferem na aprendizagem escolar dos alunos, embora poucos 
professores atribuam relevância ao desenvolvimento desses pressupostos 
psicomotores, principalmente na Educação Infantil. 
Crianças que tão novas e iniciando sua vida escolar já tinham que experimentar a 
sensação de fracasso por não conseguir acompanhar as demais, talvez por 
necessitarem de um pouco mais de preparo e desenvolvimento psicomotor. 
4 
 
 
As atividades psicomotoras e os exercícios corporais 
 desenvolvem a conscientização e o domínio do corpo, a apropriação do 
esquema corporal, a coordenação psicomotora, o ajustamento de gestos e de 
movimentos e o aumento das discriminações perceptivas (percepção e a integração 
da noção de espaço imediato (posições relativas, deslocamentos e itinerários) e a 
noção de tempo pessoal (coordenação dos movimentos e exercícios rítmicos). 
O desenvolvimento harmonioso dos componentes corporais, afetivos, intelectuais e 
da personalidade da criança, objetivam a conquista de uma relativa autonomia e da 
apreensão refletida do mundo que o cerca. 
 
5 
 
 
A evolução da educação psicomotora 
 
 
Início dos anos noventa lecionava a disciplina Educação Física Aplicada ao 
Magistério, onde no Centro Educacional Jerônimo Rosado, hoje Escola Estadual 
Jerônimo Rosado, funcionava o Curso de Magistério preparando professoras para 
ensino fundamental em nível de ensino médio. Dentro deste contexto utilizávamos os 
conteúdos da EDUCAÇÃO PSICOMOTORA OU DA PSICOMOTRICIDADE. 
 
Nesta aplicação a educação psicomotora é entendida como uma metodologia de 
ensino que instrumentaliza o movimento humano enquanto meio pedagógico para 
favorecer o desenvolvimento da criança, conforme a define LE BOULCH (1983). Os 
princípios fundamentais dessa metodologia são oriundos da psicomotricidade que, 
enquanto área de conhecimento, estuda a conduta motora no processo de 
desenvolvimento do ser humano. 
O objetivo principal era dar as alunas do Magistério conhecimentos suficientes para 
entenderem a importância dos movimentos corporais na educação das crianças. 
Fazer entender que O CORPO DA CRIANÇA É UM SÓ, já que tradicionalmente as 
escolas só visam o desenvolvimento intelectual das crianças como se elas tivessem 
somente cabeça esquecendo o resto do corpo. 
A Educação Física Aplicada ao Magistério associada à Educação Psicomotora foi um 
sucesso sendo aceita por toda comunidade escolar. Era assimilada com facilidade 
pelas alunas enquanto durou o Curso de Magistério que infelizmente foi extinto da 
rede pública estadual de ensino pela força da Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
– LDB – na qual só poderá lecionar no ensino fundamental quem possuir Curso de 
Formação Superior. 
Neste mesmo período em que lecionava no Centro Educacional Jerônimo Rosado 
havia a implantação de um projeto na rede municipal de ensino onde os professores 
de educação física atuavam aplicando juntamente com as professoras do ensino 
fundamental as atividades Curriculares inserindo conteúdos relacionados à 
PSICOMOTRICIDADE. Pioneirismo implantado pelo Professor Djalma Frota, tendo 
6 
 
 
sucesso garantido melhorando consideravelmente o desenvolvimento das crianças 
na evolução da aprendizagem e nos esportes em geral. Mas como no Brasil, 
evidentemente em Mossoró, a educação é tratada em décimo lugar e é um eterno 
laboratório de experiências, onde alunos e professores são eternas cobaias a 
EDUCAÇÃO PSICOMOTORA E A PSICOMOTRICIDADE foram abandonadas e 
esquecidas sendo as grandes perdedoras as milhares de crianças que tanto 
necessitam deste tipo de educação. 
 
Temos de resgatar a Educação Psicomotora de uma forma oude outra pela sua 
importância no desenvolvimento global da criança levando em consideração que só 
existe educação quando estamos sendo educado num todo. Preparando o corpo todo, 
não só a nossa inteligência, mas também as emoções, os sentimentos, as relações 
sociais, os movimentos em geral. Aprender O ESQUEMA CORPORAL, A 
ESTRUTURAÇÃO ESPAÇO-TEMPORAL. Desenvolver as percepções diversas 
como olfato, tato, visão, paladar e audição, dando ao corpo a noção exata de como 
viver no ambiente coletivo, aprendendo a usar seu corpo através dos movimentos 
explorando cada detalhe, cada lugar do espaço, aprenderem a utilizar o tempo e tudo 
em volta com seus objetos. 
 
 
 
Segundo as professoras Ângela Maria da Paz e Molinari Solange Mari Sens "A 
educação física, como ação psicomotora e por meio da educação psicomotora, 
incentiva a prática do movimento em todo o transcurso de existência do ser humano. 
Tal concepção fundamenta-se nos conceitos da educação permanente, como uma 
nova forma de evento educativo que atualmente tende a revolucionar os sistemas 
educacionais de todo o mundo. Ela diversifica-se em função das relações sociais, das 
idéias morais, das capacidades e da maneira de ser de cada um, além de seus 
valores; educa o movimento, ao mesmo tempo em que põem em jogo as funções da 
inteligência. A partir dessa posição, pode-se ver a relação intrínseca das funções 
motoras cognitivas e que, também pela afetividade, encaminha o movimento" 
7 
 
 
Para Fonseca (1996, p.142): (...) a primeira necessidade seria, portanto: alfabetizar a 
linguagem do corpo e só então caminhar para as aprendizagens triviais que mais não 
são que investimentos perceptivo-motor ligados por coordenadas espaçostemporais 
e correlacionados por melodias rítmicas de integração e resposta. É com o movimento 
que a criança interage com seu corpo determina a sua lateralidade. O 
desenvolvimento psicomotor da criança compreende componentes fundamentais ao 
seu desenvolvimento como: esquema corporal, equilíbrio, coordenação, estruturação 
especial, temporal e lateralidade. Neste sentido, o presente artigo teve como 
referência principal os autores Le Boulch (1987), Oliveira (2009), Nicole (2004) e 
Fonseca (1996). 
 
 
8 
 
 
O ambiente educacional 
 
 
A relação direta com este ambiente educacional, especificamente na Educação 
Infantil, justifica a problemática que está sendo investigada, motivando a 
pesquisadora na busca de um aprofundamento acadêmico sobre as questões 
relacionadas à educação psicomotora na Educação Infantil. 
A educação psicomotora deve ser considerada como uma educação de base na 
escola de Educação Infantil e Ensino Fundamental, pois condiciona o processo de 
alfabetização; encaminha a criança a tomar consciência de seu corpo, da lateralidade, 
a situar-se no espaço, a dominar seu tempo, a adquirir a coordenação de seus gestos 
e movimentos. 
 
Segundo Le Boulch (1987, p. 129): A educação psicomotora na idade escolar deve 
ser antes de tudo uma experiência ativa de confrontação com o meio escolar, tem a 
finalidade não de ensinar à criança comportamentos motores, mas sim de permitirlhe, 
mediante o jogo, exercer sua função de ajustamento, individualmente ou com outras 
crianças. No estágio escolar, a primeira prioridade constitui atividade motora lúdica, 
fonte de prazer, permitindo a criança prosseguir a organização de sua imagem do 
corpo ao nível do vivido e de servir de ponto de partida na sua organização práxica 
em relação com o desenvolvimento das atitudes de análise perceptiva. 
A escola deve proporcionar a criança local e espaço adequados, com os recursos 
necessários para que possa se desenvolver de forma harmoniosa e integral, o que 
inclui a ação corporal, pois a criança aprende através do corpo em movimento. 
Portanto, cabe ao professor proporcionar os meios necessários para a prática 
pedagógica se efetive nessa direção. 
Uma proposta de educação psicomotora nas escolas visa desenvolver uma postura 
adequada frente à aprendizagem das crianças, de caráter preventivo em relação ao 
seu desenvolvimento integral nas várias etapas de crescimento. De acordo com 
9 
 
 
Marinho et al. (2007, p. 21), a capacitação dos professores deve libertar-se do modelo 
da racionalidade técnica, deve partir de problemas cotidianos que eles enfrentam, 
contextualizando-os e fazendo com que reflitam sobre sua própria ação. Ainda 
segundo os referidos autores: A compreensão relativa ao desenvolvimento 
psicomotor é importante para que o professor, em sua atuação na Educação Infantil 
ou nas séries iniciais, possa utilizarse desses conhecimentos para estimular as 
crianças de maneira que estas possam ter sucesso em sua vida escolar (MARINHO 
et al., 2007, p. 64). 
 
10 
 
 
O papel do professor na educação psicomotora 
 
 
Na Educação Infantil os professores estabelecem regras de tempo, se preocupam 
demasiadamente com o ensino das letras e números, deixando as experiências que 
poderiam ser vivenciadas de forma corporal e lúdica na sala de aula muitas vezes de 
lado, com isso diminui o prazer da criança em aprender, o processo de 
ensinoaprendizagem muitas vezes torna-se repetitivo, cansativo, sem despertar na 
criança muitas expectativas, privando-as da vivência corporal, do movimento e das 
atividades lúdicas. Acredita-se que para o desenvolvimento e a aprendizagem das 
crianças ocorrerem de forma favorável é necessário que aconteça um equilíbrio entre 
os fatores psicoemocional, cognitivo e corporal. 
Desta forma, a falta do desenvolvimento dos esquemas psicomotores, vem se 
destancado de forma recorrente como uma das causas das dificuldades de 
aprendizagem das crianças. 
Muitos professores em geral ainda estão retidos na preocupação do desenvolvimento 
motor das mãos, esquecendo que é através do corpo como um todo que as crianças 
se deslocam, manipulam, experimentam, sentem, fazem e aprendem, uma vez que 
não sendo possibilitadas tais vivências corporais as crianças mal conseguirão segurar 
um lápis ou colocar uma letra dentro de uma linha de um caderno. O que se percebe, 
muitas vezes, é que muitas crianças chegam ao primeiro ano do ensino fundamental 
sem o conhecimento do seu próprio corpo. 
O conhecimento, por parte dos professores, da importância de se trabalhar o 
desenvolvimento psicomotor constitui-se em uma ação preventiva, que colocada em 
prática diminuiria de forma expressiva as intervenções remediadoras relacionadas às 
questões de dificuldades de aprendizagem. Desta forma a prática psicomotora se 
torna imprescindível dentro do cotidiano escolar, cabendo ao professor trabalhar a 
parte cognitiva e a psicomotricidade de maneira que estejam interligadas entre elas; 
atribuindo relevância as atividades que envolvam o corpo e o movimento. 
 
11 
 
 
Desenvolvimento da psicomotricidade na criança 
 
 
É por meio do corpo que a criança realiza as suas primeiras trocas com o mundo e se 
forma psicologicamente. Para que possa estar em perfeita harmonia com o mundo 
externo, depende muito da qualidade dessas primeiras relações. A prática 
psicomotora realizada pela criança é que vai delinear o seu desenvolvimento 
psicológico e motor, lembrando que esta prática deve ocorrer de maneira tranquila e 
natural. O desenvolvimento da Psicomotricidade na criança envolve várias áreas que 
vão desde a maturação do sistema nervoso, processos neuromotores, prérequisitos, 
coordenação, chegando até mesmo ao corpo e a emoção. 
 
Como se observa, a psicomotricidade é um campo transdisciplinar, pois estuda, 
investiga e interessa a muitos profissionais que atendem crianças com problemas de 
desenvolvimento, de adaptação e de aprendizagem. Neste sentido, alguns estudos 
mais difundidos procuram explicitar a especificidade deste campo (Psicomotricidade) 
como vemos a seguir: PSICO: envolvem aspectos biomaturacionai, cognitivos e 
afetivos.O fator principal da Educação Psicomotora ou da Psicomotricidade é a visão global 
que tem das crianças considerando desenvolvimento dela de forma geral. Sendo de 
grande relevância educar a criança num todo, educar O COGNITIVO (a inteligência), 
A AFETIVIDADE (sentimentos e emoções), O SOCIAL (relações pessoais com ou 
outros) E O MOTOR (os movimentos em geral). Sempre em qualquer situação, em 
qualquer disciplina, em qualquer conteúdo levar em conta a criança NO TODO, nunca 
desassociar uma parte da outra. 
As atividades psicomotoras e os exercícios corporais desenvolvem a conscientização 
e o domínio do corpo, a apropriação do esquema corporal, a coordenação 
psicomotora, o ajustamento de gestos e de movimentos e o aumento das 
discriminações perceptivas (percepção e a integração da noção de espaço imediato 
(posições relativas, deslocamentos e itinerários) e a noção de tempo pessoal 
(coordenação dos movimentos e exercícios rítmicos). 
12 
 
 
O desenvolvimento harmonioso dos componentes corporais, afetivos, intelectuais e 
da personalidade da criança, objetivam a conquista de uma relativa autonomia e da 
apreensão refletida do mundo que o cerca. 
Desde o nascimento, devido à maturação do sistema nervoso e a realização de 
simples tarefas que fazem parte do cotidiano, a criança desenvolve seu corpo e os 
movimentos, assim vai aprimorando-se através dos gestos, à medida que manipula e 
encaixa objetos de diferentes formas, pesos e texturas e se expressa por gestos que 
vão sendo cada vez mais ampliados. Segundo o Referencial Curricular Nacional para 
a Educação Infantil - RCNEI (BRASIL, 2002): 
Desta maneira as crianças uma vez estimuladas à movimentação através de jogos e 
brincadeiras descobrem suas potencialidades corporais, assim se apropria de alguns 
conceitos como tempo, espaço, lateralidade, velocidade construindo seu saber, 
incorporando novos conhecimentos. Este momento da descoberta do corpo deve ser 
um momento prazeroso e ser despertado com muita curiosidade, pois uma das 
causas do distúrbio comportamental se verifica na distorção da imagem do corpo. 
O desenvolvimento de um esquema corporal adequado permite a criança um 
conhecimento adequado de seu corpo para poder então utilizá-lo, pois sem esse 
conhecimento não consegue realizar nenhum movimento que exija coordenação e 
equilíbrio. O esquema corporal, portanto, é a base para todo conhecimento que a 
criança tem do mundo, pois se não se conhecer dificilmente irá reconhecer o mundo 
que a rodeia, tal conhecimento é fundamental para que a criança tenha uma 
aprendizagem plena e possa se orientar no tempo e no espaço. 
A exploração do corpo através do movimento é de fundamental importância para o 
desenvolvimento infantil, mas para muitos professores priorizar tal encaminhamento 
no cotidiano pedagógico, muitas vezes significa bagunça, turbulência, sendo apenas 
tolerado nos momentos de recreio e das aulas de Educação Física. 
A atividade motora, como aspecto que influencia o desenvolvimento infantil, tem 
recebido pouca atenção por parte dos professores, mesmo sendo este um dos 
motivos visíveis relacionados à questão das dificuldades de aprendizagem, assim 
mesmo o movimento ainda é visto como parte desnecessária ao desenvolvimento 
humano. 
13 
 
 
Para que ocorra a aprendizagem da criança, ou seja, para que seu desenvolvimento 
ocorra de forma global e harmoniosa, é necessário oferecer condições favoráveis no 
ambiente escolar. Cabendo, portanto, aos educadores a disponibilização desses 
recursos. 
 
14 
 
 
Motricidade 
 
 
A motricidade envolve aspectos relacionados ao movimento e a ação corporal. Diante 
da abrangência de tantos aspectos que a psicomotricidade envolve e sua inter-relação 
com a motricidade, a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (SBP) fundada em 
1980, na procura de especificar a abrangência da Psicomotricidade em nosso país, 
elaborou um primeiro conceito de forma geral para esta área de conhecimento. 
Psicomotricidade é, portanto: (...) a ciência que tem como objeto de estudo o homem 
por meio do seu corpo em movimento e em relação ao seu mundo interno e externo, 
bem como suas possibilidades de perceber, atuar, agir com o outro, com os objetos 
e consigo mesmo. Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a 
origem das aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. 
(ALMEIDA, 2008, p. 17). 
 
Em síntese, a psicomotricidade é um termo empregado para a concepção de um 
movimento organizado, integrado, por meio de experiências vividas pelo indivíduo e 
cuja ação é o resultado de sua individualidade, linguagem e sua socialização. Assim, 
o desenvolvimento psicomotor da criança é sem dúvida um fator indispensável para 
a sua aprendizagem, pois se a aquisição for precoce pode ser compensada mais tarde 
por um atraso. Isto significa que o ideal é que a criança possa integrar cada um de 
seus processos antes de incorporar um novo. Todo desenvolvimento psicomotor é 
realizado por meio de uma adaptação a estímulos externos, ou seja, organismo e 
meio ambiente são dependentes um do outro, surgindo o raciocínio e a socialização 
dos desejos. 
 
A maturação e o processo neuromotor ocupará um lugar considerável nos primeiros 
meses de vida. O desenvolvimento do esquema corporal está associado em todos os 
casos à maturação nervosa por meio das leis psicofisiológicas. Ou seja: A lei 
cefalocaudal é o desenvolvimento que se estende da cabeça para os pés, num eixo. 
A lei proximodistal é o desenvolvimento que procede de dentro para fora à partir do 
15 
 
 
eixo central do corpo. (>>>) O processo é o mesmo, a criança tem a posse dos braços 
antes das mãos e a das mãos antes dos dedos. (NICOLA, 2004, p. 17). 
 
Nicola (2004) salienta que a primeira etapa do desenvolvimento motor da criança vai 
do nascimento aos dois anos de idade e a segunda etapa dos dois anos de idade aos 
cinco anos de idade, onde a preensão é cada vez mais precisa e a locomoção mais 
coordenada, assim como o equilíbrio. Vale lembrar que a elaboração do esquema 
corporal prossegue até os doze anos de idade. Vayer (1984, p.30) apud Oliveira 
(2009, p. 48) elucida que: Todas as experiências da criança (o prazer e a dor, o 
sucesso ou o fracasso) são sempre vividas corporalmente. 
 
Se acrescentarmos valores sociais que o meio dá ao corpo e a certas de suas partes, 
este corpo termina por ser investido de significações, de sentimentos e de valores 
muito particulares e absolutamente pessoais. (...) Para uma criança agir através de 
seus aspectos psicológicos, psicomotores, emocionais, cognitivos e sociais, precisa 
ter um corpo organizado. (...) para isso precisa levar em consideração os aspectos 
neurofisiológicos, mecânicos, anatômicos, locomotores. Outro fator importante para o 
desenvolvimento da criança é a lateralidade. Em relação ao desenvolvimento motor 
da criança, a lateralidade é uma parte importante para a formação do indivíduo. 
 
 
A lateralidade não é definida rapidamente na criança, sendo normal a dualidade dos 
movimentos, mesmo que se tenha feita a escolha da lateralidade predominante, pois 
as facilidades encontradas anteriormente não se desprendem e diante de 
dificuldades, a escolha passa a ser mais forçada. A lateralidade antes dos quatro anos 
de idade não é definida devido à maturação ainda não ser total. Importante se faz 
lembrar que não se deve forçar a definição da lateralidade, principalmente por parte 
dos pais, quando dizem frases do tipo "me dê com a mão certa", pois isto pode causar 
danos psicomotores. A criança deve descobrir isto sozinha. 
 
Com a idade de cinco a seis anos, a definição da lateralidade vai ocorrendo, 
naturalmente, pelo simples toque nos objetos. A lateralidade participa de todos os 
níveis da vida da criança, mas será somente definitiva quando todas as suas etapas 
16 
 
 
de desenvolvimento se concluir. É a partir dosseis a sete anos de idade que a criança 
descobre a manipulação de direita e esquerda nos outros e percebe então a 
consciência de sua lateralidade. Os movimentos gráficos preparatórios para a escrita 
não exigem da criança, deixando-a livre para optar pela sua lateralidade. 
 
A contrariedade da lateralidade pode levar a distúrbios psicomotores de aprendizado 
escolar e até dificuldades psicológicas. A lateralidade se definirá quando houver uma 
ideologia gráfica. (NICOLA, 2004, p.21) Muitas são as teorias e as hipóteses que 
explicam o porquê da preferência, pelo indivíduo, de um lado do corpo em relação a 
outro. Entre as hipóteses, sobre a prevalência manual, são citadas a visão histórica, 
a hereditariedade, a dominância cerebral, influência do meio psico-social-afetivo e 
educacional. 
17 
 
 
O objetivo da psicomotricidade na educação 
 
 
Interessante ressaltar que o corpo funciona como a primeira ferramenta pedagógica 
da criança. É através dele que o pequeno passa a ter ideias fundamentais para sua 
percepção de mundo, além de saber se localizar e a atuar no espaço em que está 
inserido. 
A psicomotricidade é responsável por trabalhar algumas funções primordiais para o 
desenvolvimento da criança, são elas: praxia fina, praxia global, 
lateralização e orientação espaço-temporal. 
– Praxia fina: essa coordenação de movimentos é direcionada àquelas tarefas 
que estimulam o controle visual e o trabalho com grupos musculares menores, ideais 
para atividades mais detalhistas como escrever, recortar, picotar, pinçar, etc. 
– Praxia global: a categoria atual requer o contrário do que é pedido na praxia 
fina, pois aqui a execução muscular é maior e exige um envolvimento do corpo de 
forma integral, como correr, pular, dançar, saltar, andar, entre outros. 
– Lateralização: esse conjunto de habilidades é dividida em lateralidade e 
dominância lateral. O primeiro pode ser definido como a consciência existente em 
dois lados do corpo e do ambiente que cerca a criança. O segundo, por sua vez, é a 
preferência de um dos hemisférios do corpo para a realização de atividades com mais 
força, precisão, excelência (diferença entre destros e canhotos). 
 
 
 
 
– Orientação espaço-temporal: a psicomotricidade trabalha com a compreensão 
do mundo tal como ele é estruturado em espaço e tempo; além da compreensão do 
aqui e do agora; a concepção do que está antes e depois; a habilidade de organizarse 
no espaço e no tempo para assumir o controle das tarefas da vida cotidiana. 
18 
 
 
Além das funções citadas acima, temos também a equilibração, a tonicidade e o 
esquema imagem corporal. Vale salientar que a criança aprende a agir com total 
autonomia e a interagir de maneira mais dinâmica com seus coleguinhas. 
A psicomotricidade e a educação andam lado a lado em prol do desenvolvimento da 
criança. No entanto, é normal que muitos pais não saibam como acontece de fato 
essa relação na vida de seus filhos. O artigo de hoje mostra como é importante 
estimular a conscientização de tais movimentos na concepção pedagógica dos 
pequenos. 
 
 
 
19 
 
 
Psicomotricidade, leitura e escrita na alfabetização 
 
 
Desde há muito tempo, tem surgido preocupações com o fracasso escolar das 
crianças, que chegam ao final do Ensino Fundamental I, com extremas dificuldades 
quanto à leitura. Le Boulch (1997) já elencava que 20% da população escolar 
marginalizada era devida à leitura não adquirida no fim do ano. O problema que 
sentimos então é de relacionar este insucesso com as dificuldades da criança em 
dificuldades eletivas ou ser de causas socioculturais ou afetivas. 
 
É fato que o círculo afetivo da criança, o interesse ou o desinteresse podem influenciar 
muito no processo de aprendizagem escolar. Não podemos esquecer também que a 
cultura familiar possui influência em criar ou não uma forte motivação na criança para 
o aprendizado. Fica clara a importância da família na escolaridade de um indivíduo. 
Entretanto, se mesmo assim, a criança que tiver problemas de desenvolvimento 
funcional, esta pressão familiar pode passar de fonte positiva para negativa, quando 
a família passa a não compreender o fracasso da criança, adotando por vezes 
atitudes culpabilizantes. Sendo assim, podemos citar alguns aspectos funcionais 
importantes do aprendizado da leitura, de acordo com Le Bulch (1997, p. 31): 
Percebemos três grandes causas funcionais nos problemas de leitura e escrita, que 
são os déficits da função simbólica que podem ser observados nas debilidades; os 
atrasos ou os defeitos de linguagem; os problemas essencialmente psicomotores. 
Com base nisso, podemos afirmar que a psicomotricidade auxilia muito em conjunto 
com métodos de alfabetização. 
 
 
Sabemos que a escrita e a linguagem são essenciais ao processo de comunicação, 
mas é a linguagem que surge primeiro, antes do grafismo. A aquisição da linguagem 
desempenha um papel decisivo na compreensão do mundo e na transmissão de 
valores pessoais, sociais e culturais. A criança utiliza o código da linguagem para 
formular seus sentimentos, suas sensações e valores, para transmitir e receber as 
20 
 
 
informações. Depende muito do meio em que está inserida, de seus contatos sociais 
e de sua exercitação e treino. (OLIVEIRA, 2009, p. 105). Deste modo, o aprendizado 
da leitura e da escrita apoia- se numa linguagem expressiva. 
 
Isto significa que é preciso ajudar a criança a utilizar a linguagem mais rica e correta 
possível, para a alfabetização. Outra questão a ser apresentada em relação ao 
problema na leitura, está relacionada à lateralidade. "A dificuldade de orientação e o 
problema de leitura não passam de dois sintomas ligados à mesma causa: a 
dislateralidade" (LE BOULCH, 1997, p.33). Ainda sobre esse assunto, o autor elucida 
que: A leitura de um texto é feita graças a uma sucessão de movimentos oculares 
bruscos e ritmados, orientados obrigatoriamente da esquerda para a direita. A 
organização desta motricidade ocular é muito precoce. (...) a primeira fixação de 
natureza reflexa é monocular. Ela se estabiliza por volta do quinto dia de vida. 
 
É apenas na quarta semana que a convergência dos dois olhos fica assegurada. 
Observa-se o mesmo fenômeno na persecução visual; um dos olhos, o diretor, conduz 
o segundo. Esta perseguição é, a princípio, uma sucessão de reflexos; depois vai 
organizar-se como movimento automático regular por volta da décima semana. O 
comando destes automatismos é subcortical e depende dos tubérculos 
quadrigêmeos. (LE BOULCH, 1997, p. 34). Isto porque a alfabetização necessita de 
um desenvolvimento da linguagem, ou seja, de uma boa pronúncia e os prérequisitos 
pertencentes ao âmbito psicomotor, dentre eles o esquema corporal, estruturação 
espaço temporal. Finalmente, para que a criança adquira a leitura é necessário que 
possua: (...) além da capacidade de simbolização, de verbalização, desenvolvimento 
intelectual, algumas habilidades pessoais essenciais. Ela deve possuir capacidade de 
memorização e acuidade visual, coordenação ocular, mínimo de atenção dirigida e 
concentração, um mínimo de vocabulário e de compreensão, noção de lateralidade, 
pois a nossa escrita se faz linearmente da esquerda para a direita. Além disso, deve 
possuir também orientação espacial e temporal. As palavras se sucedem num espaço 
e tempo determinados. (OLIVEIRA, 2009, p. 
114). 
 
21 
 
 
De igual modo, a escrita é um meio de comunicação e expressão pessoal para o 
social. A escrita depende de dois sistemas simbólicos: um sonoro e um gráfico. Deste 
modo, estas duas exigências vêm justificar a importância à dimensão afetiva, 
destacada anteriormente e a atuação de funções psicomotoras para o início da 
alfabetização. Em relação à escrita, esta é antes de tudo um aprendizado motor. Para 
a aquisição desta praxia específica e complexa, é preciso um ajustamento,ou seja, 
proporcionar à criança, uma motricidade espontânea, coordenada e rítmica, a qual 
evitará futuros problemas de disgrafia. Neste sentido, a habilidade manual será 
desenvolvida por meio de modelagem, recorte, colagem, abotoar, amarrar, alinhavo, 
que são exercícios de dissociação ao nível de mão e dedos, a qual objetivam 
exercícios de percepção do próprio corpo. 
 
O traçado e sua orientação da esquerda para a direita serão melhorados pelos 
exercícios gráficos com base nas formas da pré- escrita, como por exemplo, as 
diferentes hélices, as ondas, guirlandas. Neste sentido, é fundamental que a criança 
tenha este período preparatório. Isto por que: (...) se o ensino da escrita deve adaptar-
se às necessidades e às possibilidades da criança, esta, no entanto, se achará 
confrontada com uma exigência muito grande no plano formal. Contrariamente aos 
exercícios de coordenação global, onde sempre existe a escolha dos meios em 
relação ao objeto perseguido, no trabalho gráfico e, mais particularmente, na 
reprodução das formas codificadas, a exigência leva progressivamente à 
espontaneidade. (LE BOULCH, 1997, p. 32). 
 
Le Boulch (1997) destaca que a boa visualização e a fixação das formas são os 
principais problemas apresentados ao fracasso escolar no aprendizado da leitura, 
pois as simples disgrafias estão relacionadas aos problemas de coordenação motora 
e representam alguns dos motivos de fracassos, mas não dos mais graves. Oliveira 
(2009) elucida que no início quando a criança começa a lidar com a escrita, ela 
desenha por prazer de desenhar, faz traços e riscos, sendo verdadeiras garatujas que 
ninguém entendem, somente elas. Estas garatujas são longitudinais e os traços 
desordenados. 
De acordo com Oliveira (2009, p.110): À medida que vai havendo um maior 
amadurecimento visomotor, a criança vai conquistando novas estruturas de 
22 
 
 
movimento e as garatujas se tornam mais arredondadas, espiraladas. Por último 
surgem as bolinhas. Ela não acalca mais o papel a ponto de rasgá-lo, ou desenha tão 
clarinho que não se enxerga, mas passa a adquirir um maior controle da tonicidade 
de seus músculos e dos instrumentos que utiliza, como o lápis, a borracha, a tinta. A 
esse respeito, Moreira (s/d, p. 67) destaca que a criança deixa de desenhar ao entrar 
na escola e acrescenta ainda que: (...) deixa de brincar, pois está deixando uma forma 
de expressão que é sua, para seguir um padrão escolar imposto, a alfabetização. (...) 
A alfabetização despreza assim a linguagem da criança que se expressa através do 
desenho e do jogo e procura equipá-la com uma linguagem ensinada (...). 
A mecânica da alfabetização implica que a criança abandone a sua escrita e adote 
uma escrita aprendida, convencional. Interessante se faz destacar que a escrita 
pressupõe, também, é um desenvolvimento motor adequado, por meio de habilidades 
que são fundamentais ao seu desenvolvimento. Entre elas podemos citar a 
coordenação fina que irá auxiliar na melhor posição do traçado, preensão correta do 
lápis, bom esquema corporal, boa coordenação óculo manual, além da tonicidade 
adequada a qual determina o controle neuromuscular, que determina também a 
inibição voluntária. A inibição voluntária é a capacidade de parar o gesto no momento 
que se quer ou que precisa. 
 
O desenvolvimento psicomotor e a interação escolar 
 
 
Os argumentos geralmente invocados para justificar a educação psicomotora na 
escola primária colocam em evidência a superação de dificuldades escolares. Na 
tentativa de uma verdadeira preparação para a vida é que entra o papel da escola, e 
os métodos pedagógicos renovados tendem a ajudar as crianças a se desenvolverem 
da melhor maneira possível. O desenvolvimento psicomotor auxilia a criança para a 
vida, desde a fase escolar até a fase profissional. 
As práticas da psicomotricidade geralmente se desenvolvem com atividades que 
objetivam movimento, possuindo uma extensa ligação com o desenvolvimento, a 
aprendizagem e a personalidade da criança. 
23 
 
 
A educação psicomotora é uma técnica, que através de exercícios e jogos adequados 
a cada faixa etária leva a criança ao desenvolvimento global de ser. Devendo 
estimular, de tal forma, toda uma atitude relacionada ao corpo, respeitando as 
diferenças individuais (o ser é único, diferenciado e especial) e levando a autonomia 
do indivíduo como lugar de percepção, expressão e criação em todo seu potencial. 
Trata-se de uma técnica que objetiva ampliar as possibilidades de maturação e 
interações da criança, sendo que deve ser considerada antes de tudo uma 
experiência ativa de confrontação com o meio interno e externo. Porque a partir deste 
contato, irá permitir uma integração de estímulos deste ambiente, favorecendo o seu 
ajustamento com outras crianças. Isto poderá ser possível também através de jogos, 
atividades lúdicas, motoras, fontes de prazer, e remetendo neste contexto toda uma 
organização e sua imagem no corpo, em relação às suas vivencias. 
A educação psicomotora é desenvolvida como um elemento preventivo ou profilático 
para dificuldades que possam surgir no processo de aprendizagem escolar ou até 
mesmo para um trabalho reeducativo futuro, porque é integrante do desenvolvimento 
natural da criança. O educador terá então uma função de grande importância no 
desenvolvimento da criança. Ele irá acompanhá-la em suas descobertas, no sentido 
de suas explorações do meio, podendo até mesmo, estimular a criança, encorajá-la 
em seus desafios, favorecendo assim a promoção do seu desenvolvimento. O 
educador também pode auxiliar no desbloquear, desinibir, facilitar o amadurecimento, 
elevando a uma maior autonomia e desenvolvimento da criatividade da criança. 
Assim a estimulação psicomotora compreende-se por um programa que envolve 
contribuições para o desenvolvimento harmonioso da criança no começo da vida. São 
atividades que se preocupam e vão ao encontro das condições que o indivíduo 
apresenta. Acima de tudo despertando o corpo e a afetividade por meio de 
movimentos e jogos e buscando a harmonia constante. A estimulação psicomotora 
tende a ser considerada como uma estimulação essencial à criança e deve ser 
realizada nos primeiros anos de vida e entre pais e filhos. 
Dentro da educação psicomotora deve-se alcançar três metas básicas, objetivos: 
- A aquisição do domínio corporal: definindo a lateralidade, a orientação 
espacial, desenvolvendo a coordenação motora, o equilíbrio e a flexibilidade. 
24 
 
 
- Controle da inibição voluntária: melhorando o nível de abstração, concentração 
e desenvolvendo as gnosias. 
- Desenvolvimento socio-afetivo: reforçando as atitudes de lealdade, 
companheirismo e solidariedade. 
Vygotsky afirmou que: No início da idade pré-escolar, quando surgem os desejos que 
não podem ser imediatamente satisfeitos ou esquecidos, e permanece ainda a 
característica do estágio precedente de uma tendência para a satisfação imediata 
desses desejos, o comportamento da criança muda. Para resolver essa tensão, a 
criança em idade pré-escolar envolve-se num mundo ilusório e imaginário onde os 
desejos não realizáveis podem ser realizados, e esse mundo é o que chamamos de 
brinquedo. A imaginação é um processo psicológico novo para a criança. Com todas 
as funções da consciência, ela surge originalmente da ação". 
O brinquedo é, portanto, o reflexo do inconsciente da criança. Este também pode ser 
denominado como fantasmas, ou seja, uma produção imaginária do inconsciente, 
capaz de motivar o comportamento cem que o indivíduo tenha consciência deles. 
E através da ação, a criança sai descobrindo suas preferências e adquirindo a 
consciência dos esquemas corporais, para isso é necessário que ele vivencie diversas 
situações durante o seu desenvolvimento, nunca esquecendo que a afetividade é a 
base de todo o processo de desenvolvimento e principalmente ensino-aprendizagem,que por sua vez é favorecido, se a criança adquire um bom desenvolvimento de todo 
seu esquema corporal. 
A espontaneidade em que esta criança possa ser submetida, poderá acarretar 
possibilidades desde organismo previamente educado em reagir de forma 
espontânea a situações de urgência, isto será possível através de suas vivencias. E 
Principalmente se esta espontaneidade for desenvolvida no contexto afetivo, motor, 
mais tarde irá refletir um organismo capaz de elaborar metas e estratégias adequadas 
ao tipo de situação em que este se encontrar e assim estabelecer suas possibilidades. 
25 
 
 
Para se realizar uma atividade de educação psicomotora, é necessário que haja um 
local apropriado, onde existem vários materiais para serem utilizados (cordas, bolsa, 
colchão para saltos, jogos de montar, etc.). Durante uma atividade devem ser 
desenvolvidos três momentos distintos: 
- Iniciação (entrada): tem como objetivo reunir as crianças para que se descreva 
o que vai ocorrer durante a sessão. Este momento é importante porque permite que 
criança se identifique verbalmente e respeite o momento de início da atividade. 
- Desenvolvimento do jogo: Nesse momento a criança pode atuar livremente nos 
brinquedos (jogando, se expressando, pulando, etc.). 
- Termino ou saída: O grupo se reúne novamente para dizer o que fez, ou seja, 
fazer um resumo das atividades. 
Podemos utilizar outras maneiras de iniciar e de terminar uma atividade, como por 
exemplo: contar histórias, rodas cantadas, jogos e etc. Desta forma, a criança será 
estimulada e ficará "atenta" para a atividade proposta. Para a criança interagir neste 
processo é necessário que o professor saia de sua postura e assume uma postura de 
observador, para que a partir daí possa interferir no processo de desenvolvimento. 
É importante ressaltar que a intervenção psicomotora no desenvolvimento da criança, 
não se restringe a ser um recurso pedagógico, mas sim possuir, além disso, toda a 
estrutura para trabalhar toda e qualquer ação educativa, que consequentemente vai 
estar intimamente ligado o desenvolvimento geral da criança tal como sua 
personalidade. 
Através do desenvolvimento da educação psicomotora, é possível explorar as 
vivências, expressões, aperfeiçoamento e integração das capacidades sensoriais, 
perceptivas, motoras, cognitivas e afetivas da criança, e ainda tende s estimular e 
enriquecer a sua relação consigo mesmo e com o mundo esterno e assim perpassar 
ativamente em sua própria evolução. 
Torna-se um fator primordial no processo de educação psicomotora o fator social, ou 
seja, a presença dos pais encontra-se bastante significativo para um bom 
desenvolvimento do trabalho do psicomotricista. Pois é através dos pais que serão 
26 
 
 
buscadas toda a informação necessária para contribuir no desenvolvimento da 
criança. 
No ensino tradicional é dito que a criança deve estar biologicamente pronta para a 
aprendizagem. Isto quer dizer que a criança só aprende quando amadurece (dentro 
do enfoque biológico). Esta é uma das grandes "desculpas" para o fracasso escolar.O 
auxílio educativo geralmente é proveniente dos pais e do âmbito escolar, tendo como 
finalidade mediante as práticas da psicomotricidade exercer a função de ajustamento 
da criança seja de forma individual ou coletiva. Dentro destes aspectos, a Educação 
Psicomotora surgi para que haja um melhor desenvolvimento da criança, através da 
utilização dos movimentos do corpo. 
As dificuldades da aprendizagem 
Com grande frequência encontramos crianças com dificuldades no aprendizado da 
leitura, escrita ou matemática, com desempenho acadêmico abaixo do esperado para 
a sua faixa etária. As crianças se sentem fracassadas, surgindo a ansiedade e 
problemas emocionais, com sentimentos de que são incapazes de assimilar qualquer 
coisa que os professores proponham a ensinar. Ou então, são encaminhadas a 
diferentes profissionais para que sejam avaliadas para que se conclua algo em 
relação à sua dificuldade no desempenho acadêmico. 
 
As dificuldades de aprendizagem podem surgir sob diferentes aspectos, entre eles, 
problemas emocionais, físicos ou sensoriais, linguagem deficiente, metodologias, 
falta de estimulação adequada nos pré-requisitos necessários à alfabetização, falta 
de maturidades para iniciar o processo de alfabetização, dislexia, deficiências não 
verbais, entre outras. Os problemas de aprendizagem surgem por meio de uma 
associação de causas. Quando a dificuldade de aprendizagem está relacionada à 
escola, o motivo pode ser a metodologia utilizada, motivação escassa, 
relacionamento professor-aluno, a necessidade de uma adaptação curricular, entre 
outros. Alguns alunos vêm para a escola com diversas deficiências, com níveis de 
maturidade desiguais ou inferiores ao que se espera em sua idade cronológica. Muitos 
trazem uma bagagem cultural, social, intelectual, neurológica muito defasada em 
relação aos seus companheiros e isto se constitui em desvantagens cruciais para a 
aprendizagem da leitura, escrita e cálculo (OLIVEIRA, 2009, p. 120). 
27 
 
 
 
A criança que possui algum déficit físico ou sensorial mais grave pode apresentar 
limitações em sua aprendizagem. Além de um acompanhamento médico, métodos 
mais adequados à sua realidade, pois ela precisa aprender como aprender. Nestes 
tipos de situações, a criança possui uma maior probabilidade de apresentar 
dificuldades na aprendizagem. O desenvolvimento da linguagem também afeta a 
aprendizagem, pois uma criança que falou tarde e ainda não domina muito bem a 
linguagem, poderá manifestar alguma dificuldade na aprendizagem da leitura. 
 
Crianças com dificuldades de aprendizagem apresentam em geral algumas 
perturbações afetivas, como sentimento de inferioridade, sensação de fracasso, 
tristeza, desinteresse, ansiedade para ler e escrever, sendo que algumas se isolam 
das outras. Os fatores ambientais interferem muito, como a questão da nutrição e da 
saúde da criança, bem como a criança que não dorme muito bem, ou seja, o 
necessário. Uma carência alimentar tanto quantitativa quanto qualitativa pode 
ocasionar em déficit alimentar crônico e que acarreta em distrofia generalizada, 
afetando sensivelmente a capacidade de aprender. (..) essas perturbações podem ter 
como consequência problemas cognitivos mais ou menos graves, mas não 
configuram por si sós um problema de aprendizagem. Se bem não são a causa 
suficiente, aparecem, no entanto, como causa necessária. (PAIN, 1989, p. 29). 
 
Assim como a alimentação, a imaturidade também é um fator que muito influencia no 
processo de aprendizagem. Isto porque para se iniciar a alfabetização é preciso existir 
um mínimo de maturidade, a qual é dependente em parte do que foi adquirido pelas 
experiências de vida. Igualmente, as deficiências não verbais muitas vezes são 
deixadas de lado. Podemos citar entre elas a orientação espacial, lateralidade, 
orientação temporal, especificamente o ritmo, o significado das expressões faciais, 
limitações de percepção social. Importante lembrar que destas experiências não 
verbais depende a aquisição de muitas outras aprendizagens. E é neste momento 
que um trabalho que envolva atividades psicomotoras adequadas à necessidade da 
criança, que as dificuldades de aprendizagem podem ser superadas. Fica claro que 
a psicomotricidade pode auxiliar as crianças, pois ela é a fonte de muitos saberes, e 
é de um desenvolvimento psicomotor adequado que surge uma aprendizagem eficaz. 
28 
 
 
 
Considerações finais 
 
 
A psicomotricidade não é algo como uma técnica nova ou até mesmo uma corrente 
de pensamento, mas sim, uma ciência com fins educativos e que emprega o 
movimento humano. O que se pretende esclarecer é que este movimento do corpo 
traz benefícios à criança em desenvolvimento e no processo de aprendizagem, 
tornando o ensinar e aprender algo mais tranquilo e prazeroso,frente aos desafios 
que a criança enfrenta ao adentrar a escola. E isto faz com que a sua alfabetização 
seja mais aproveitada e prazerosa, evitando futuros problemas de aprendizagem. 
29 
 
 
Referências 
 
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Curitiba: Expoente, 2001. 
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Artmed, 2008. 
FREIRE, João Batista Freire. Educação de corpo inteiro: teórica e prática da 
Educação Física. São Paulo: Editora Scipione, 1989 
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3. ed. São Paulo: Atlas, 
1995. 
LE BOULCH, Jean. O corpo na escola no século XXI: práticas corporais. São Paulo: 
Phorte, 2007. 
___________. O Desenvolvimento Psicomotor do nascimento até 6 anos: a 
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__________. Rumo a uma ciência do movimento humano. Porto Alegre: Artes 
Médicas, 1987. 
MARINHO, Hemínia Regina Bugeste. et al. Pedagogia do movimento: universo 
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OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: educação e reeducação num 
enfoque psicopedagógico. 13. ed. Petrópolis: Vozes, 2002. 
SANCHES, Pilar Arnaiz; MARTINEZ, Marta Rabadán; PEÑALVER, Iolanda Vives. 
A Psicomotricidade na educação infantil: uma prática preventiva e educativa. Porto 
Alegre: Artmed, 2003. 
TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a 
pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 2008. 
WALLON, Henri. A evolução psicológica da criança. Lisboa: Edições 70, 2005.

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