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Gestão Democrática e a LDB A gestão democrática do ensino público, conforme estabelecem os artigos 14 e 15 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96), constitui-se como um dos principais pilares para a consolidação de uma escola pública participativa e comprometida com a transformação social. Segundo Vieira (2005), a legislação assegura ampla autonomia aos sistemas de ensino e às unidades escolares para organizarem suas práticas de gestão, respeitando as especificidades locais e regionais, desde que fundamentadas na participação efetiva da comunidade escolar e local. Nesse sentido, os elementos constitutivos da gestão democrática incluem a descentralização das decisões, a participação dos profissionais da educação, dos estudantes e das famílias, bem como a transparência na utilização dos recursos e na definição das ações pedagógicas e administrativas. Na dimensão política da escola, a gestão democrática ultrapassa o caráter meramente administrativo e assume um compromisso com a construção coletiva do projeto educacional. A transparência torna-se elemento essencial, pois possibilita o controle social, o diálogo e a corresponsabilidade entre os sujeitos envolvidos no processo educativo. Quando a escola promove espaços de escuta, como conselhos escolares, assembleias e reuniões participativas, fortalece a democracia interna e contribui para a formação de cidadãos críticos e conscientes de seus direitos e deveres. Contudo, Vieira (2005) alerta que a efetivação da gestão democrática depende não apenas da previsão legal, mas do engajamento político dos sujeitos e da superação de práticas autoritárias ainda presentes em muitas instituições escolares. Assim, a gestão democrática, ao se materializar de forma transparente na dimensão política da escola, reafirma a educação como um direito social e um instrumento de participação e emancipação coletiva.