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DIREITO CIVIL
Parte Geral – Parte I
Livro Eletrônico
Presidente: Gabriel Granjeiro
Vice-Presidente: Rodrigo Calado
Diretor Pedagógico: Erico Teixeira
Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi
Gerência de Produção de Conteúdo: Bárbara Guerra
Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes
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do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de
uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às
penalidades previstas civil e criminalmente.
CÓDIGO:
250513071916
ROBERTA QUEIROZ
Mestre em Direito pela Universidade Católica de Brasília, com dissertação na área
de Direito Processual Civil – Negócios Jurídicos Processais. Especialista em Direito
Processual Civil, pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em novembro de 2009.
Graduada em Direito, pela Universidade Católica de Brasília, em dezembro de 2005.
Foi professora universitária do curso de Direito da Universidade Católica de Brasília.
Docente nas disciplinas de Direito Civil e Direito Processual Civil desde 2007 para
pós-graduação, preparatório de Exame de Ordem e concursos das carreiras jurídicas.
Professora de cursos de aperfeiçoamento na advocacia em Direito Civil e Processo
Civil na Escola Superior da Advocacia de Brasília – ESA/DF. Coordenadora do curso
preparatório para Exame de Ordem do Gran Cursos Online. Advogada inscrita na
OAB-DF.
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Parte Geral – Parte I
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SUMÁRIO
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Parte Geral – Parte I . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
Pessoa Natural . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
Gabarito Comentário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58
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APreSeNtAÇÃoAPreSeNtAÇÃo
Olá, aluno(a), tudo bem com você? Gostou da primeira aula?
Espero que sim...
Vamos dar continuidade ao nosso curso? Vamos para mais um capítulo da nossa novela
de Direito Civil...
No encontro anterior, conversamos sobre pontos introdutórios, mas hoje vamos falar
e pessoa natural... todos os aspectos da pessoa natural...
Sigamos, pois o tem hoje é do coração...
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Parte Geral – Parte I
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PARTE GERAL – PARTE IPARTE GERAL – PARTE I
PeSSoA NAtUrAlPeSSoA NAtUrAl
Nesse tópico nós começamos o estudo do Direito Civil falando de quem realmente é o
“centro” do Direito – a pessoa natural.
Quem é a pessoa natural?
É o ser humano! Esse é a pessoa que a gente tanto fala, com quem nos preocupamos
hoje no estudo e interpretação do Direito Civil.
Essa pessoa é tão importante, pois é ela o centro das relações jurídicas.
Aliás, você já ouviu falar na expressão “sujeito de direito”?
Provavelmente sim, mas você sabe a extensão dessa terminologia?
Bom, “sujeito de direito” é um gênero que comporta duas espécies: com personalidade
jurídica ou civil e sem personalidade jurídica ou civil – vejamos o esquema do coração:
É relevante que saibamos o conceito de sujeito de direito para fazermos a diferenciação
com o conceito de pessoa natural.
Veja que não são sinônimos!
Na verdade, sujeito de direito é gênero que comporta espécies.
A pessoa natural é “sujeito de direito” com personalidade jurídica, mas nem todo sujeito
de direito tem personalidade jurídica.
Sobre esse ponto, um questionamento é até interessante: Você sabia que no direito
civil existe princípio da legalidade também?
Ah, professora, eu sei que no Direito Administrativo, temos o princípio da legalidade Ah, professora, eu sei que no Direito Administrativo, temos o princípio da legalidade
e lá significa que o e lá significa que o administrador só poderá atuar quando a lei permitir; ; administrar
significa aplicar a lei de ofício..
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Muito bem, meu bem, mas e aqui no Direito Civil?
Pois bem, aqui também há um princípio da legalidade e ele é visto de maneira um pouco
diferenciada: para quem tem personalidade jurídica, esse princípio dita que “pode tudo
que a lei não proíba”.
então a pessoa natural e a pessoa jurídica podem tudo que a lei não proibir?então a pessoa natural e a pessoa jurídica podem tudo que a lei não proibir?
Sim. Exatamente.
Eu, Roberta, posso criar um regime de bens que não tem previsão na lei? Sim, posso –
a lei não me proíbe; posso criar um contrato que não tenha previsão legal? Sim, pois a lei
não me proíbe.
Veja que o particular com personalidade pode praticar os atos que a lei não proibir.
Aliás, isso foi um fundamento para a admissão, no ordenamento
jurídico, do casamento e da união estável homoafetiva. Isso porque,
embora a lei fale em “homem e mulher”, não houve proibição casais
homoafetivos, razão pela qual entendeu-se que há uma permissão
tácita. Esse foi o grande fundamento! Por isso, é possível o casamento homoafetivo, além
de outras razões como o direito à felicidade, a família eudemonista, da pauta do amor...
Por outro lado, o princípio da legalidade para quem não tem personalidade jurídica,
é analisado sob o mesmo ponto de vista do direito administrativo – só é permitido o que
está previsto em lei.
Aqui, fazendo uma correlação com o direito processual, veremos que esses sujeitos podem
ser autores ou réus de demandas judiciais, porque possuem o fenômeno da personalidade
judiciária, mas isso é matéria do Processo Civil.
Nossa, professora, gostei de saber disso, mas qual conceito de personalidade jurídica?Nossa, professora, gostei de saber disso,incapazes (não existe nenhum maior
absolutamente incapaz, lembre-se disso), será nomeado um curador.
Sabemos que a medida da curatela é excepcional e que também há a possibilidade de
se ter uma tomada de decisão apoiada.
Será designado curador para os ébrios habituais, os toxicômanos, aqueles que, por
causa transitória ou permanente, não podem ou não conseguem manifestar sua vontade,
e os pródigos.
Obs.: Cuidado, porque o pródigo tem um fenômeno de curatela restrita a aspectos
patrimoniais. Lembra da parábola do filho pródigo? Pródigo é o que gasta demais,
o que não se importa em preservar o patrimônio.
Em relação ao casamento, o pródigo pode escolher com quem quer se casar, mas não
pode escolher o regime de bens, por exemplo.
Art. 1.782. A interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, transigir, dar quitação,
alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, em geral, os atos que não sejam de
mera administração.
Agora, quando esses incapazes praticam os atos representados, eles são válidos, porque
temos um suprimento da incapacidade pela representação.
No entanto, quando o absolutamente incapaz pratica o ato sem o representante, o ato
é nulo, conforme artigo 166, I do CC.
Art. 166. É nulo o negócio jurídico quando:
I – celebrado por pessoa absolutamente incapaz;
(...)
Já quando o relativamente incapaz pratica o ato sem o seu assistente, o ato é anulável
conforme artigo 171, I do CC.
Art. 171. Além dos casos expressamente declarados na lei, é anulável o negócio jurídico:
I – por incapacidade relativa do agente;
(...)
Porém, existem atos que o menor púbere pode praticar mesmo sem o seu assistente, que
serão válidos: ser testemunha, aceitar contrato de mandato e fazer o próprio testamento.
Professora, o que vem a ser o benefício do restituio in integrum?Professora, o que vem a ser o benefício do restituio in integrum?
Ah sim, o benefício do Restitutio in Integrum estabelece que, quando alguém realizar
contrato com incapazes, poderá, o incapaz, reaver tudo que pagou. Esse benefício gera
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uma insegurança jurídica muito grande, porque, mesmo que o incapaz fosse representado,
a pessoa incapaz poderia reaver tudo que investiu, desfazendo o contrato.
O CC/1916 vedava expressamente o benefício da restituição integral.
Já o CC/2002 não menciona esse instituto. Porém, ele continua vedado. Isso porque nós
temos, no CC/2002, pontos peculiares a respeito de quem realiza contrato com menores.
Esse benefício da restituição integral passaria por cima, inclusive, de quem realizasse
contrato com menores representados e, no Brasil, a gente sabe que, se o menor estiver
representado, haverá suprimento da incapacidade e o ato estará perfeito.
Levando em consideração que falamos de personalidade jurídica e capacidade, ainda,
temos que mencionar, à título de curiosidade, o Marco Civil da Primeira Infância – Lei n.
13.257/2016, que fixa políticas públicas para a primeira infância – zero a seis anos.
Ainda, convém mencionar que a Súmula 342 do STF dispõe que no procedimento para
aplicação de medida socioeducativa, é nula a desistência de outras provas em face da
confissão do adolescente.
O Mútuo feito a menor não pode ser reavido (art. 588, CC), salvo artigo 589, CC:
Art. 588. O mútuo feito a pessoa menor, sem prévia autorização daquele sob cuja guarda estiver,
não pode ser reavido nem do mutuário, nem de seus fiadores.
Art. 589. Cessa a disposição do artigo antecedente:
I – se a pessoa, de cuja autorização necessitava o mutuário para contrair o empréstimo, o ratificar
posteriormente;
II – se o menor, estando ausente essa pessoa, se viu obrigado a contrair o empréstimo para os
seus alimentos habituais;
III – se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho.
Mas, em tal caso, a execução do credor não lhes poderá ultrapassar as forças:
IV – se o empréstimo reverteu em benefício do menor;
V – se o menor obteve o empréstimo maliciosamente. Mútuo é o empréstimo de coisa fungível.
Então, se você empresta dinheiro a menor de idade, não pode cobrar de volta, a não ser que
você prove as causas do art. 589.
Lembra que no Brasil dívida de jogo não pode ser cobrada? Pois bem, pode o menor ou
interdito cobrar dívida de jogo paga voluntariamente, conforme artigo 814 do CC: As dívidas
de jogo ou de aposta não obrigam a pagamento; mas não se pode recobrar a quantia, que
voluntariamente se pagou, salvo se foi ganha por dolo, ou se o perdente é menor ou interdito.
Lembre-se de que, em regra, as dívidas de jogo não têm exigibilidade, mas o devedor
que paga esse tipo de dívida não está fazendo pagamento indevido, não poderá exigir de
volta o que pagou...
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Porém, quando se trata de menor, ele poderá cobrar de volta as dívidas pagas em relação
a jogos ou apostas.
Ainda envolvendo questão de incapacidade, não haverá partilha amigável se houver
incapaz, conforme artigo 2.015 do CC – Se os herdeiros forem capazes, poderão fazer
partilha amigável, por escritura pública, termo nos autos do inventário, ou escrito particular,
homologado pelo juiz.
Perde a proteção o menor púbere (de 16 a 18 anos) que ocultar dolosamente a idade
ao obrigar-se: Artigo 180 do CC: O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para
eximir-se de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido
pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior.
Um tema muito cobrado em prova é a responsabilidade civil do incapaz que pode ser
responsabilizado subsidiariamente pelos atos lesivos praticados a terceiros (art. 928 do
CC). Veja que a responsabilidade será, portanto, subsidiária (responde, primeiramente, o
representante, apenas se ele não puder ou não tiver obrigação de responder por aquele
ato, é que se busca o incapaz).
Aos incapazes poderão ser nomeados curadores especiais para atuação em juízo:
art. 72 do CPC:
Art. 72. O juiz nomeará curador especial ao:
I – incapaz, se não tiver representante legal ou se os interesses deste colidirem com os daquele,
enquanto durar a incapacidade;
II – réu preso revel, bem como ao réu revel citado por edital ou com hora certa, enquanto não
for constituído advogado.
Parágrafo único. A curatela especial será exercida pela Defensoria Pública, nos termos da lei.
No Processo Civil, temos a capacidade de estar em juízo (própria de quem tem capacidade
de fato.) No caso dos incapazes, a incapacidade deverá ser suprida, pelo fenômeno da
representação, mas tem o menor a capacidade de ser parte (inerente a todo sujeito de
direitos).
Imagine uma ação de alimentos: o autor da ação é João, de 05 anos, representado pela
genitora, para suprir-lhe a incapacidade de estar em juízo (legitimidade ad processum).
Outro caso: Eu posso me casar com 16 anos? Sim, mas preciso ter o consentimento dos
meus pais. Se eles negarem, eu posso ajuizar uma ação que supra esse consentimento. Eu
tenho capacidade de ser parte? Sim. Eu tenho capacidade de estar em juízo? Não, porque só
tenho 16 anos. Meus pais vão me representar em uma ação contra eles mesmos? Não. Então,
o juiz designa curador especial (via de regra, um defensor público) para me representar. Esse
curador especial édiferente do curador do direito de família. É um curador do processo,
apenas dos interesses processuais, mencionado no artigo 72 do CPC.
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Ufa, professora, acabou?Ufa, professora, acabou?
Não, não, força...
Temos ainda que falar da súmula n. 358 do STJ: O cancelamento de pensão alimentícia
de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório,
ainda que nos próprios autos.
Assim, não tem essa história de deixar de pagar alimentos por ter alcançado a maioridade...
E também precisamos reforçar que o Novo Código Civil, ao reduzir a idade da capacidade
civil para 18 anos, não revogou o artigo 121, parágrafo 5º, do Estatuto da Criança e do
Adolescente, que fixa a idade de 21 anos para a liberação compulsória do infrator –
HC 28.332/RJ
Além disso, o enunciado 3 da I Jornada de Direito Civil estabelece que a redução do
limite etário para a definição da capacidade civil aos 18 anos não altera o disposto no
art. 16, I, da Lei n. 8.213/91, que, por sua vez, regula específica situação de dependência
econômica para fins previdenciários e outras situações similares de proteção, previstas
em legislação especial.
Agora sim, terminamos...
Terminamos esse ponto... rsrsrsrs.
Mas, professora, existe a possibilidade de antecipação da aquisição da capacidade de Mas, professora, existe a possibilidade de antecipação da aquisição da capacidade de
fato?fato?
Com certeza...
Por meio de um instituto chamado: EMANCIPAÇÃO!
A emancipação é uma forma de antecipar o momento de aquisição da capacidade de
fato, antes dos 18 anos.
O artigo 5º do Código Civil estabelece que:
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática
de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor
tiver dezesseis anos completos;
II – pelo casamento;
III – pelo exercício de emprego público efetivo;
IV – pela colação de grau em curso de ensino superior;
V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que,
em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
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Assim, observando a redação do artigo 5º, podemos verificar a existência de três
modalidades de emancipação:
Voluntária Judicial Legal
A emancipação voluntária é concedida pelos pais, direito no cartório, por meio de
escritura pública ao menor que tenha 16 anos.
A emancipação voluntária é IRREVOGÁVEL! Não existe desemancipação.
Todavia, é possível a sua anulação, por exemplo, por coação. Exemplo que aconteceu
na novela “Verdades Secretas”: a Giovanna chantageou o pai para que ele a emancipasse,
dizendo que divulgaria que ele tinha um caso com a “Angel”. Seu consentimento estava
viciado pela coação. Portanto, a emancipação poderia ter sido anulada.
Ademais, vale destacar que o pai e a mãe que emancipam seu filho NÃO se desobrigam
do dever de alimentos. Isso ocorre em decorrência do princípio da solidariedade que rege
as relações familiares. É o mesmo que acontece quando o pai paga alimentos e o filho
completa 18 anos. Ele deixa de dever em virtude do poder familiar, mas continua a dever
em razão do princípio da solidariedade, que rege as relações familiares.
Outra coisa: os pais são responsáveis pelos atos praticados pelos filhos, porque são
seus representantes e a responsabilidade do incapaz é subsidiária. A partir do momento
da emancipação, a responsabilidade passa a ser solidária, até os 18 anos.
Professora, mas e se o pai quer emancipar e a mãe não quiser?Professora, mas e se o pai quer emancipar e a mãe não quiser?
Se os pais divergirem acerca da emancipação, o juiz vai dirimir o conflito, em uma
ação judicial.
Não esqueça que a emancipação voluntária é discricionariedade dos pais, o filho não
pode exigir ser emancipado.
Na emancipação judicial, quem emancipa é o juiz, mediante ação judicial proposta
com essa finalidade, quando o menor possuir 16 anos, ouvido o tutor e o Ministério Público
(artigo 178 CPC).
Importante destacar que o tutor é proibido de emancipar o menor sob sua responsabilidade.
Apenas quem pode emancipar o tutelado é o juiz, por meio de um processo judicial específico
para isso, que terminará com uma sentença.
Nesse processo, haverá a oitiva do tutor e do MP (porque há interesse de incapaz).
A emancipação legal, como o próprio nome diz, se dá em virtude da lei, dos casos
previstos em lei, que são:
• Pelo casamento;
• Pelo exercício de emprego público efetivo;
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• Pela colação de grau em curso de ensino superior;
• Pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego,
desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia
própria.
Esses casos de emancipação legal NÃO estão sujeitos à homologação pelo juiz para
produzir efeitos.
No máximo, no caso da economia própria, é possível pedir uma declaração do juiz de
que já está emancipado, mas isso também não é obrigatório, apenas para fins probatórios.
Lembre-se de que o casamento de pessoas com menos de 16 anos era permitido
em casos de gravidez. Porém, agora, não se pode mais casar com menos de 16 anos em
NENHUMA HIPÓTESE.
A idade núbil mínima é 16 anos. Pode até ser que a menina menor de 16 anos engravide,
mas não poderá se casar!
Art. 1.520. Não será permitido, em qualquer caso, o casamento de quem não atingiu a idade núbil,
observado o disposto no art. 1.517 deste Código . (Redação dada pela Lei n. 13.811, de 2019)
Interessante salientar que essa regra da emancipação pelo casamento NÃO se aplica
à união estável.
Interessante também, e já cobrado em prova, é que se um adolescente se casa aos 16
e se divorcia aos 17, NÃO volta a ser incapaz, até porque ele não voltará a ser solteiro. Em
seus documentos, vai constar que ele é “divorciado”.
Entretanto, se o casamento for declarado nulo ou anulável, como nos casos previstos no
art. 1.521 do CC, será como se ele nunca tivesse existido, apagados serão todos os efeitos,
portanto, voltaria, tese, a ser incapaz, salvo no caso de um casamento putativo – que,
embora nulo ou anulável, foi contraído de boa-fé pelos nubentes –, no caso, para quem
estava de boa-fé, os efeitos do casamento serão mantidos, não retornando à incapacidade.
Art. 1.561. Embora anulável ou mesmo nulo, se contraído de boa-fé por ambos os cônjuges, o
casamento, em relação a estes como aos filhos, produz todos os efeitos até o dia da sentença
anulatória.
Mesmo que ele retorne à incapacidade, os terceiros de boa-fé que, porventura, tenham
contraído obrigações com esse menor, terão seus direitos resguardados.Professora, posso afirmar que para todo caso de emancipação exige-se 16 anos?Professora, posso afirmar que para todo caso de emancipação exige-se 16 anos?
Não, só se exige a idade mínima de 16 anos para a emancipação voluntária, judicial e, na
legal, apenas para o casamento e para os casos em que o menor tenha economia própria.
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Para os demais casos de emancipação legal, a lei não menciona a idade, olha isso, vou
indicar quais casos exigem 16 anos:
Tudo certo até aqui?
Que maravilha... então vamos falar de morte...
Veja que a pessoa natural nasceu, adquiriu personalidade jurídica e chega a hora que
ocorre a morte.
A morte põe fim à pessoa natural e, logicamente, à personalidade jurídica – põe fim
ao casamento, ao poder familiar, gera o fenômeno da herança, põe fim aos contratos
personalíssimos...
A morte é estudada pela Tanatologia, que faz parte da Medicina Legal, pode ser real
ou presumida.
Embora essas duas sejam destacadas como espécies de morte, ainda falamos na
comoriência e na morte civil.
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Vamos por parte...
A) MORTE REAL: É a morte em que temos o corpo morto. Havendo um corpo morto, o
médico atesta a morte por meio do atestado de óbito, e, a partir daí, é emitida a certidão de
óbito (que possui natureza declaratória). A morte real se verifica pela morte encefálica, até
mesmo para fins de transplante. Nas localidades em que não houver médico para atestar
a morte, esta poderá ser certificada por duas testemunhas que tenham presenciado ou
verificado o evento morte, de acordo com a Lei de Registros Públicos.
B) COMORIÊNCIA: É a morte simultânea.
EXEMPLO
O avião cai e todos os corpos são encontrados sem vida. Não sabemos precisar quem morreu
primeiro, por isso presume-se que a morte se deu de forma simultânea. A morte simultânea
é aquela ocorrida na mesma condição de tempo. Não precisa ser no mesmo lugar! Havendo
um terremoto, por exemplo, é possível aplicar a comoriência mesmo que as mortes tenham
ocorrido a quilômetros de distância uma da outra, se não for possível aferir o momento
exato do falecimento. A comoriência só é relevante para fins de direito sucessório, porque
os comorientes não serão considerados herdeiros entre si.
Art. 8º Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se
algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos.
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C) MORTE CIVIL:
Corresponde a uma pena de banimento.
É a pior pena que uma pessoa pode ter, porque a pessoa passa a ser tratada como
morta, mesmo estando viva.
No Brasil, não existe morte civil como pena.
Porém, há resquícios dessa morte no direito civil, que é a chamada “indignidade” e a
“deserdação”, do direito sucessório.
Ocorre quando um herdeiro é tratado como se morto fosse, no direito sucessório do
autor da herança. As causas de indignidade, estão previstas no art. 1.814 do CC, ao passo
que a deserdação está no art. 1.961 e seguintes.
Quem lembra da Suzane Von Richthofen?
Ela foi declarada indigna no recebimento da herança dos pais.
Mas isso é tema que vamos estudar em sucessões.
D) MORTE PRESUMIDA:
Ocorre quando não há um corpo morto presente.
Pode ser com ou sem declaração de ausência.
A morte presumida é muito cobrada em prova e pode ser dividida em duas modalidades:
SEM DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA
COM DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA
Antes de definirmos as diferenças, observe o seguinte questionamento:
Quem é o ausente?
Veja, ausente é aquele que sumiu do domicílio sem deixar notícias.
Para definição de quem é ausente, precisamos de NÃO NOTÍCIA e NÃO PRESENÇA.
Assim, a morte presumida sem declaração de ausência é a situação em que não há o
corpo morto, mas se tem notícia da pessoa e uma probabilidade alta de morte.
É a morte elencada no artigo 7º do CC, vejamos:
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Parte Geral – Parte I
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O “perigo de vida”, do art. 7º, I, ocorre, por exemplo, quando a pessoa é sequestrada e
não volta, desaparece com a queda de um avião...
Foram os casos da irmã do Vitor Belfort e da Eliza Samudio, lembra?
Veja que, aqui, não são casos de “não-notícia”.
São casos em que havia notícias da pessoa, sabia-se que ela estava em perigo, mas não
havia corpo.
Nos dois casos do referido artigo, encerradas as buscas, é possível entrar com um processo
judicial, no qual o juiz declarará a morte presumida, fixando a provável data da morte.
Isso é importante porque sabemos que, no momento em que ocorre a morte, temos a
transmissão imediata dos bens da herança aos herdeiros, por isso a relevância de fixar o
momento provável da morte.
Obs.: Então quando, na sua prova, cobrar qualquer questão dizendo que houve uma
“tragédia”, “sequestro”, “desastre”, “guerra” ou algo do tipo e o corpo sumiu, lembre-
se dessa morte.
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Acerca da morte da morte presumida com declaração de ausência é a situação de alguém
que despareceu do domicílio sem deixar notícia. Veja que não há provável morte, mas, a
princípio, apenas um desaparecimento.
Se, com o tempo, a pessoa não voltar, vai aumentando a chance de morte.
Pense, então, que o ausente é aquele que sumiu do domicílio sem deixar notícias. Imagine
que Civilina Maria decidiu mudar de vida, para se tornar dançarina de axé nas barracas de
Porto Seguro. Ela pega as coisas dela e desaparece. Ninguém tem conhecimento acerca de
seu paradeiro e não se tem notícias. Tem-se, assim, “não-notícia” e “não-presença”.
Ele poderá ser declarado ausente, contudo, onde ele estiver vivendo é PLENAMENTE CAPAZ.
Se o tempo passar e ele não voltar, declara-se a morte.
Mas para chegar nesse momento é preciso ter muuuita paciência, pois o procedimento
é bem demorado, bem longo...
Essa modalidade de morte está inserida nos artigos 22 a 39 do Código Civil.
Professora, pulamos os artigos 11 a 21?Professora, pulamos os artigos 11 a 21?
Sim sim, pulamos.
Esses artigos são inerentes aos direitos da personalidade, estudaremos depois.
Então, voltando a estudar essa morte, vamos estudar os artigos mencionados juntamente
com os artigos 744 e 745 do CPC, que trabalham o procedimento.
Veja que os artigos 22 a 39 constituemum verdadeiro roteiro a ser seguido. E é interessante
observar que esse roteiro é dividido em três momentos diferentes:
Veja que temos 3 fases, observe o roteiro do procedimento:
No início, não há período mínimo de desaparecimento. ( já caiu!!!)
Finalizadas as buscas, é possível requerer ao juiz a declaração de ausência.
Com isso, o juiz deverá nomear curador aos bens, conforme artigo 25 do CC, vejamos:
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Art. 25, CC. O cônjuge do ausente, sempre que não esteja separado judicialmente, ou de fato
por mais de dois anos antes da declaração da ausência ( já caiu!!!), será o seu legítimo curador.
§ 1º Em falta do cônjuge, a curadoria dos bens do ausente incumbe aos pais ou aos descendentes,
nesta ordem, não havendo impedimento que os iniba de exercer o cargo.
§ 2º Entre os descendentes, os mais próximos precedem os mais remotos.
§ 3º Na falta das pessoas mencionadas, compete ao juiz a escolha do curador.
Nomeado o curador, teremos a publicação de editais (arts. 744 e 745, CPC), de
dois em dois meses, chamando o ausente, para que ele retorne ao seu domicílio.
Esses editais serão publicados no site do próprio tribunal e do CNJ, durante 01 ano ou
03 anos, se a pessoa que desapareceu deixou mandatário que o representasse.
Suponhamos que Civilina Maria, no nosso exemplo anterior, não deixou representante.
Então, os editais seriam publicados pelo período de um ano.
Passado esse tempo e ele não tiver retornado, inicia-se a sucessão provisória, na qual o
juiz fará uma partilha dos bens deixados por ele aos herdeiros e vai entregar a eles a posse
provisória dos bens.
Os herdeiros vão conservar e dar caução de devolução desses bens.
Lembre-se de que herdeiros que não sejam necessários, mas sejam legítimos (como
irmãos, sobrinhos, tios e primos), caso venham receber a posse provisória, em virtude da
sucessão provisória, deverão capitalizar 50% dos frutos obtidos por esses bens (tipo se
receber um aluguel...)
Assim que a sentença transitar em julgado, decorridos 15 dias, será feita a abertura
do testamento.
Porém, ela só produz efeitos 180 dias depois.
Produziu efeitos, o juiz entrega os bens aos herdeiros, mediante caução de devolução,
salvo herdeiro necessário que está dispensado da caução.
Aí vamos contar 10 anos dos 180 dias. ( já caiu!!!)
Lembre-se de que eles só começam a contar após o decurso do prazo de 180 dias! Não
é logo após a sentença.
Decorridos os 10 anos, será aberta a sucessão definitiva.
Com isso, essa posse provisória se transforma em uma propriedade resolúvel, ou seja,
que se resolve em virtude de um acontecimento futuro – que seria volta do desaparecido.
Se a Civilina Maria voltar nesse estágio, terá direito a seus bens no estado em que se
encontrem. Se ele voltasse durante a posse provisória, teria direito aos bens e aos frutos.
A propriedade só se torna definitiva 10 anos depois da entrega da propriedade resolúvel.
DETALHE DE PROVA: se Civilina Maria, no momento do desaparecimento, já contava com
80 anos de idade e há 05 anos não se tinha notícias a seu respeito, poder-se-á proceder
diretamente à sucessão definitiva.
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O estado de viuvez, o seguro de vida e a declaração de morte somente com a sucessão
definitiva.
Lembra que falei que se trata de um procedimento trifásico?
Então, na primeira fase, artigos 22 a 25 do CC, há uma preocupação com o ausente, e,
à medida que o tempo vai passando, sem notícias suas começa a segunda fase – artigos
26 a 36 do CC; na terceira fase – artigos 37 a 39 do CC, a preocupação passa a ser com os
herdeiros.
Não se esqueçam de ler os artigos 22 a 39 do CC e os artigos 744 e 745 do CPC, pois eles
têm vários detalhes que você tem que ler acompanhando o esquema abaixo que representa
um “esqueleto” do procedimento, olha só:
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Ah, ainda tenho algumas observações a fazer, dá só uma olhadinha:
• A comprovação de propriedade não é condição sine qua non para declaração de
ausência – Resp 1.016.023/DF – INFO 357 STJ.
• Súmula 331 do STF – é legítima a incidência de imposto de transmissão “causa mortis”
no inventário por morte presumida.
• Fins de transplantes – Lei n. 9.434/1997 – diagnóstico de morte encefálica constatada
por dois médicos não participantes da remoção dos órgãos. Na doação de órgãos post
mortem, só é possível dispor dos órgãos. Não pode escolher o beneficiário.
• Concessão de benefício previdenciário em consequência de desaparecimento do
segurado em desastre, acidente ou catástrofe independe de morte presumida – Lei n.
8.213/91, artigo 78, §1º. Não é necessário procedimento judicial para essa finalidade.
• Desaparecimento entre 02/09/61 e 05/10/88 – morte presumida – Lei n. 9.140/1995.
Essa lei trabalha questões ocorridas durante o período do regime militar. Ela determina
que são mortos presumidos os desaparecidos entre 02/09/61 e 05/10/88. A partir de
1988 tivemos o início do regime democrático. A lei trata de desaparecidos políticos,
cujos corpos nunca foram encontrados. Será declarada, pela via judicial, a morte
presumida dessas pessoas.
• Art. 77 da Lei de Registros Públicos – sepultamento somente com certidão de óbito –
atestado de óbito por médico ou duas testemunhas que presenciaram ou verificaram
a morte. Lembre-se de que pessoas cujas mortes foram violentas não podem ter o
corpo cremado.
Por fim, para terminar essa parte de pessoa natural, quero que você tenha atenção
apenas a dois artigos finais:
Art. 9º Serão REGISTRADOS em registro público:
I – os nascimentos, casamentos e óbitos;
II – a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz;
III – a interdição por incapacidade absoluta ou relativa;
IV – a sentença declaratória de ausência e de morte presumida.
Art. 10. Far-se-á AVERBAÇÃO em registro público:
I – das sentenças que decretarem a nulidade ou anulação do casamento, o divórcio, a separação
judicial e o restabelecimento da sociedade conjugal;
II – dos atos judiciais ou extrajudiciais que declararem ou reconhecerem a filiação;
São artigos bem de decorar mesmo...
Não são tão cobrados...
Agora sim, terminamos o conteúdo de hoje...
Mas nossa aula não acabou...
Hora de ler o resumo e lembrar de tudinho...
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RESUMORESUMO
No encontro de hoje conversamos basicamente aspectos relacionados às notas
introdutórias do Direito Civil e sobre pessoa natural.
Os artigos abordados foram: 1º a 39 do CC, exceto do 11 ao 21 que serão estudados no
próximo encontro...
Veja que tivemos uma transição legislativa do Código Civil de 1916 para o de 2002.
Esse Código, de 1916, era composto por um sistema extremamente cuidadoso com
questões patrimoniais e algumas figuras específicas eram a “preocupação” desse diploma,
dentre elas:
a) o homem – que tomava as decisões nas relações familiares, fixava domicílio conjugal,
autorizava a esposa a trabalhar, administrando-lhe o salário, detinha o pátrio poder (isso
mesmo, pátrio poder!) sob os filhos, entre outros...;
b) o testador – que nas relações sucessórias poderia dispor livremente e da forma que
melhor lhe aprouvesse os seus bens;
c) os contratantes – que poderiam contratar da forma que melhor lhe conviessem e
sem possibilidade de revisão contratual (salvo a questão do fortuito ou força maior, não
existia teoria da imprevisão);
d) os proprietários – que poderiam utilizar a propriedade da maneira que pretendia sem
preocupação com viés social.
Hoje tais figuras ainda existem, mas estão alinhadas com ditames constitucionais, mais
precisamente a Dignidade da Pessoa Humana.
Tudo isso em decorrente dos movimentos de preocupação com a pessoa humana e não
mais com o patrimônio. É que, atualmente, verifica-se a existência de uma summa divisio
constitucionalizada que se expressa na aproximação do direito público com o direito privado.
Assim, hoje, o Código Civil de 2002, tem como a preocupação do momento a dignidade
da pessoa humana – essa é a responsável pela forma de estrutura do atual sistema civil. É
a responsável pela aproximação do direito público e do direito privado.
No “mundo privado”, verifica-se, portanto, uma humanização do Direito Civil, uma
constitucionalização do Direito Civil.
Temos, assim, três princípios que regem o nosso Direito Civil moderno:
• Princípio da eticidade – impõe ética e boa-fé nas relações privadas;
• Princípio da socialidade – impõe a função social aos institutos privados;
• Princípio da operabilidade ou concretude – impõe a inserção de cláusulas gerais no
texto legal para permitir interpretação contemporânea.
O ponto central do Direito é a pessoa humana, a pessoa natural.
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A expressão “sujeito de direito” é um gênero que comporta duas espécies: com
personalidade jurídica ou civil e sem personalidade jurídica ou civil.
O artigo 2º do Código Civil estabelece que: A personalidade civil da pessoa começa do
nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. O
Código adota, portanto, a teoria natalista. Mas não quer dizer que a teoria concepcionista
não tenha espaço. Tem! Principalmente na jurisprudência.
No Brasil, considera-se “nascimento com vida” o funcionamento do aparelho
cardiorrespiratório – entrou ar nos pulmões, adquire a personalidade jurídica. Basta o
funcionamento do aparelho cardiorrespiratório.
Entenda: no Brasil, não se exige viabilidade, não se exige sobrevida, não se exige forma
humana. Isso quer dizer que, no Brasil, basta respirar para ser pessoa natural.
O nascituro tem direitos, tais como:
• O STJ reconhece o direito ao dano moral para nascituro – {Resp 399.028/SP}
{Resp1.487.089 – caso Rafinha Bastos X Wanessa Camargo}
• O nascituro tem direito a receber alimentos gravídicos – lei 11.804/2008. Lembre-se
de que esses alimentos são fixados a partir de indícios da paternidade. O exame de
DNA intrauterino não pode ser obrigatório, porque pode acarretar danos ao feto.
Além disso, pode ocasionar a prisão do devedor de alimentos, caso ele não pague, nos
moldes do artigo 732 e seguintes do CPC.
Lembre-se, também, que, com o nascimento do bebê, caso seja constatado que o
alimentante não era pai, não há a possibilidade de repetibilidade, porque os alimentos são
irrepetíveis, indevolvíveis. Talvez, o sujeito possa pleitear danos morais ou materiais em
face da genitora, mas deverá comprovar os aspectos relacionados à responsabilidade civil,
em uma vara cível (e não de família).
• Existe direito ao pagamento de DPVAT pela morte de nascituro – {Resp 1.120.676 –
informativo 547 do STJ}.
Não é uma jurisprudência recente, mas continua a ser objeto de discussões, pois a lei do
DPVAT trata dos danos “à pessoa humana”. Se o nascituro fosse considerado meramente
uma coisa, não se teria direito ao pagamento de DPVAT pela morte de nascituro em acidente
de trânsito. Porém, o STJ decidiu pela aplicação do seguro ao nascituro, seguindo a linha
concepcionista.
• O nascituro pode receber doação, sem prejuízo do recolhimento do imposto de
transmissão inter vivos (exemplo simplório: chá de fraldas);
• O nascituro pode ser beneficiado por legado e herança (para ser herdeiro, tem que
estar vivo na data da morte do autor da herança, ou pelo menos CONCEBIDO, e o
nascituro o está, concorda?);
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Parte Geral – Parte I
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• Pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses;
• O Código Penal tipifica o crime de aborto;
• É desnecessária a intervenção do MP como curador ao nascituro no ato em que
nubentes definem o regime de bens do casamento – {Resp 178.254}. Isto porque
cabe apenas ao casal definir o seu regime de bens.
A personalidade jurídica (art. 2º, CC) é a aptidão genérica para titularizar direitos
e deveres.
Já a capacidade de direito (ou capacidade de gozo) é prevista no art. 1º do CC, que diz
que TODA PESSOA É CAPAZ DE DIREITOS E DEVERES.
Obs.: NÃO EXISTE NINGUÉM INCAPAZ DE DIREITO!
Quando a pessoa completa 18 anos, adquire a capacidade de fato.
PESSOA COM DEFICIÊNCIA É CAPAZ! Pode casar, ter filhos, tomar decisões a respeito
da sua própria vida.
Os incapazes, elencados nos artigos 3º e 4º do Código civil são os que não possuem
capacidade de fato.
No entanto, podem praticar atos da vida civil desde que sejam representados. A ausência
da representação pode ocasionar um ato nulo ou anulável, conforme, respectivamente se
tratar de absolutamente ou relativamente incapaz.
A emancipação é uma forma de antecipar o momento de aquisição da capacidade de
fato, antes dos 18 anos.
O artigo 5º do Código Civil estabelece que:
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática
de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor
tiver dezesseis anos completos;
II – pelo casamento;
III – pelo exercício de emprego público efetivo;
IV – pela colação de grau em curso de ensino superior;
V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que,
em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
Por fim, a morte extingue a pessoa natural e, logicamente, encerra a personalidade jurídica.
A morte é estudada pela Tanatologia, que faz parte da Medicina Legal. Ela podeser real
ou presumida.
Embora essas duas sejam destacadas como espécies de morte, ainda falamos na
comoriência e na morte civil.
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A) MORTE REAL: É a morte em que temos o corpo morto. Havendo um corpo morto, o
médico atesta a morte por meio do atestado de óbito, e, a partir daí, é emitida a certidão
de óbito (que possui natureza declaratória).
B) COMORIÊNCIA: É a morte simultânea.
EXEMPLO
O avião cai e todos os corpos são encontrados sem vida. Não sabemos precisar quem morreu
primeiro, por isso presume-se que a morte se deu de forma simultânea. A morte simultânea
é aquela ocorrida na mesma condição de tempo. Não precisa ser no mesmo lugar! Havendo
um terremoto, por exemplo, é possível aplicar a comoriência mesmo que as mortes tenham
ocorrido a quilômetros de distância uma da outra, se não for possível aferir o momento
exato do falecimento. A comoriência só é relevante para fins de direito sucessório, porque
os comorientes não serão considerados herdeiros entre si.
C) MORTE CIVIL: Corresponde a uma pena de banimento.
É a pior pena que uma pessoa pode ter, porque a pessoa passa a ser tratada como
morta, mesmo estando viva.
No Brasil, não existe morte civil como pena.
Porém, há resquícios dessa morte no direito civil, que é a chamada “indignidade” e a
“deserdação”, do direito sucessório.
D) MORTE PRESUMIDA: Ocorre quando não há um corpo morto presente.
Pode ser com ou sem declaração de ausência.
A morte presumida é muito cobrada em prova e pode ser dividida em duas modalidades:
SEM DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA – ARTIGO 7º DO CC – PROVÁVEL MORTE
Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:
I – se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;
II – se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois
anos após o término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida
depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do
falecimento.
COM DECLARAÇÃO DE AUSÊNCIA – ARTIGO 22 A 39 DO CC
Aqui nessa modalidade tem-se o procedimento trifásico marcado pela declaração de
ausência, pela sucessão provisória e pela sucessão definitiva.
Então, na primeira fase, artigos 22 a 25 do CC, há uma preocupação com o ausente, e,
à medida que o tempo vai passando, sem notícias suas começa a segunda fase – artigos
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26 a 36 do CC; na terceira fase – artigos 37 a 39 do CC, a preocupação passa a ser com os
herdeiros.
O estado de viuvez, o seguro de vida e a declaração de morte somente com a sucessão
definitiva.
E, muito cobrado, é que se pode requerer a sucessão definitiva, também, provando-se
que o ausente conta oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele.
reSolUÇÃo De QUeStÕeS
Agora precisamos treinar bastante.
Aqui você vai fazer todas as questões sobre o tema abordado já cobradas na OAB pela FGV.
Respira e vai!!!!!
Logo após você responder tudo eu volto com você para comentar uma a uma!
E eu quero que você tome nota de quantas questões você teve de acerto e de erro...
Divirta-se!!!!!
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QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO
001. 001. (FGV/2022/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXV) Maurício, ator, 23 anos, e Fernanda,
atriz, 25 anos, diagnosticados com Síndrome de Down, não curatelados, namoram há 3 anos.
Em 2019, enquanto procuravam uma atividade laborativa em sua área, tanto Maurício quanto
Fernanda buscaram, em processos diferentes, a fixação de tomada de decisão apoiada para
o auxílio nas decisões relativas à celebração de diversas espécies de contratos, a qual se
processou seguindo todos os trâmites adequados deferidos pelo Poder Judiciário. Assim,
os pais de Maurício tornaram-se seus apoiadores e os pais de Fernanda, os apoiadores dela.
Em 2021, Fernanda e Maurício assinaram contratos com uma emissora de TV, também
assinados por seus respectivos apoiadores. Como precisarão morar próximo à emissora, o
casal terá de mudar-se de sua cidade e, por isso, está buscando alugar um apartamento.
Nesta conjuntura, Maurício e Fernanda conheceram Miguel, proprietário do imóvel que o
casal pretende locar.
Sobre a situação apresentada, conforme a legislação brasileira, assinale a afirmativa correta.
a) Maurício e Fernanda são incapazes em razão do diagnóstico de Síndrome de Down.
b) Maurício e Fernanda são capazes por serem pessoas com deficiência apoiadas, ou seja,
caso não fossem apoiados, seriam incapazes.
c) Maurício e Fernanda são capazes, independentemente do apoio, mas Miguel poderá exigir
que os apoiadores contra assinem o contrato de locação, caso ele seja realmente celebrado.
d) Miguel, em razão da capacidade civil de Maurício e de Fernanda, fica proibido de exigir
que os apoiadores de ambos contra assinem o contrato de locação, caso ele seja realmente
celebrado.
002. 002. (FGV/2020/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXI) Márcia, adolescente com 17 anos
de idade, sempre demonstrou uma maturidade muito superior à sua faixa etária. Seu
maior objetivo profissional é o de tornar-se professora de História e, por isso, decidiu criar
um canal em uma plataforma on-line, na qual publica vídeos com aulas por ela própria
elaboradas sobre conteúdos históricos. O canal tornou-se um sucesso, atraindo multidões
de jovens seguidores e despertando o interesse de vários patrocinadores, que começaram
a procurar a jovem, propondo contratos de publicidade. Embora ainda não tenha obtido
nenhum lucro com o canal, Márcia está animada com a perspectiva de conseguir custear
seus estudos na Faculdade de História se conseguir firmar alguns desses contratos. Para
facilitar as atividades da jovem, seus pais decidiram emancipá-la, o que permitirá que celebre
negócios com futuros patrocinadores com mais agilidade. Sobre o ato de emancipação de
Márcia por seus pais, assinale a afirmativa correta.
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a) Depende de homologação judicial, tendo em vista o alto grau de exposição que a adolescente
tem na internet.
b) Não tem requisitos formais específicos, podendo ser concedida por instrumento particular.
c) Deve, necessariamente, ser levado a registro no cartório competente do Registro Civil
de Pessoas Naturais.
d) É nulo, pois ela apenas poderia ser emancipada caso já contasse com economia própria,
o que ainda não aconteceu.
003. 003. (FGV/2019/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX/PRIMEIRA FASE) Gumercindo,77
anos de idade, vinha sofrendo os efeitos do Mal de Alzheimer, que, embora não atingissem
sua saúde física, perturbavam sua memória. Durante uma distração de seu enfermeiro,
conseguiu evadir-se da casa em que residia. A despeito dos esforços de seus familiares,
ele nunca foi encontrado, e já se passaram nove anos do seu desaparecimento. Agora, seus
parentes lidam com as dificuldades relativas à administração e disposição do seu patrimônio.
Assinale a opção que indica o que os parentes devem fazer para receberem a propriedade
dos bens de Gumercindo.
a) Somente com a localização do corpo de Gumercindo será possível a decretação de sua
morte e a transferência da propriedade dos bens para os herdeiros.
b) Eles devem requerer a declaração de ausência, com nomeação de curador dos bens, e,
após um ano, a sucessão provisória; a sucessão definitiva, com transferência da propriedade
dos bens, só poderá ocorrer depois de dez anos de passada em julgado a sentença que
concede a abertura da sucessão provisória.
c) Eles devem requerer a sucessão definitiva do ausente, pois ele já teria mais de oitenta
anos de idade, e as últimas notícias dele datam de mais de cinco anos.
d) Eles devem requerer que seja declarada a morte presumida, sem decretação de ausência,
por ele se encontrar desaparecido há mais de dois anos, abrindo-se, assim, a sucessão.
004. 004. (FGV/2016/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/XX/PRIMEIRA FASE) Cristiano, piloto
comercial, está casado com Rebeca. Em um dia de forte neblina, ele não consegue controlar
o avião que pilotava e a aeronave, com 200 pessoas a bordo, desaparece dos radares da
torre de controle pouco antes do tempo previsto para a sua aterrissagem. Depois de vários
dias de busca, apenas 10 passageiros foram resgatados, todos em estado crítico. Findas as
buscas, como Cristiano não estava no rol de sobreviventes e seu corpo não fora encontrado,
Rebeca decide procurar um advogado para saber como deverá proceder a partir de agora.
Com base no relato apresentado, assinale a afirmativa correta.
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a) A esposa deverá ingressar com uma demanda judicial pedindo a decretação de ausência
de Cristiano, a fim de que o juiz, em um momento posterior do processo, possa declarar a
sua morte presumida.
b) A esposa não poderá requerer a declaração de morte presumida de Cristiano, uma vez
que apenas o Ministério Público detém legitimidade para tal pedido.
c) A declaração da morte presumida de Cristiano poderá ser requerida independentemente
de prévia decretação de ausência, uma vez que esgotadas as buscas e averiguações por
parte das autoridades competentes.
d) A sentença que declarar a morte presumida de Cristiano não deverá fixar a data provável
de seu falecimento, contando-se, como data da morte, a data da publicação da sentença
no meio oficial.
005. 005. (FGV/2016/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/XX (REAPLICAÇÃO SALVADOR/BA)
Pedro, em dezembro de 2011, aos 16 anos, se formou no ensino médio. Em agosto de 2012,
ainda com 16 anos, começou estágio voluntário em uma companhia local. Em janeiro de
2013, já com 17 anos, foi morar com sua namorada. Em julho de 2013, ainda com 17 anos,
após ter sido aprovado e nomeado em um concurso público, Pedro entrou em exercício no
respectivo emprego público.
Tendo por base o disposto no Código Civil, assinale a opção que indica a data em que cessou
a incapacidade de Pedro.
a) Dezembro de 2011.
b) Agosto de 2012.
c) Janeiro de 2013.
d) Julho de 2013.
006. 006. (FGV/2014/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/XIV/PRIMEIRA FASE) Raul, cidadão
brasileiro, no meio de uma semana comum, desaparece sem deixar qualquer notícia para
sua ex-esposa e filhos, sem deixar cartas ou qualquer indicação sobre seu paradeiro.
Raul, que sempre fora um trabalhador exemplar, acumulara em seus anos de labor um
patrimônio relevante. Como Raul morava sozinho, já que seus filhos tinham suas próprias
famílias e ele havia se separado de sua esposa 4 (quatro) anos antes, somente após uma
semana seus parentes e amigos deram por sua falta e passaram a se preocupar com o seu
desaparecimento.
Sobre a situação apresentada, assinale a opção correta.
a) Para ser decretada a ausência, é necessário que a pessoa tenha desaparecido há mais de
10 (dez) dias. Como faz apenas uma semana que Raul desapareceu, não pode ser declarada
sua ausência, com a consequente nomeação de curador.
b) Em sendo declarada a ausência, o curador a ser nomeado será a ex-esposa de Raul.
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c) A abertura da sucessão provisória somente se dará ultrapassados três anos da arrecadação
dos bens de Raul.
d) Se Raul contasse com 85 (oitenta e cinco) anos e os parentes e amigos já não soubessem
dele há 8 (oito) anos, poderia ser feita de forma direta a abertura da sucessão definitiva.
007. 007. (FGV/2015/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/XVI) Os tutores de José consideram
que o rapaz, aos 16 anos, tem maturidade e discernimento necessários para praticar os
atos da vida civil. Por isso, decidem conferir ao rapaz a sua emancipação.
Consultam, para tanto, um advogado, que lhes aconselha corretamente no seguinte sentido:
a) José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva do tutor sobre as
condições do tutelado.
b) José poderá ser emancipado via instrumento público, sendo desnecessária a homologação
judicial.
c) José poderá ser emancipado via instrumento público ou particular, sendo necessário
procedimento judicial.
d) José poderá ser emancipado por instrumento público, com averbação no registro de
pessoas naturais.
008. 008. (FGV/2013/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/X/PRIMEIRA FASE) Gustavo completou
17 anos de idade em janeiro de 2010. Em março de 2010 colou grau em curso de ensino
médio. Em julho de 2010 contraiu matrimônio com Beatriz. Em setembro de 2010, foi
aprovado em concurso público e iniciou o exercício de emprego público efetivo. Por fim,
em novembro de 2010, estabeleceu-se no comércio, abrindo um restaurante.
Assinale a alternativa que indica o momento em que se deu a cessação da incapacidade
civil de Gustavo.
a) No momento em que iniciou o exercício de emprego público efetivo.
b) Quando colou grau em curso de ensino médio.
c) No momento em que contraiu matrimônio.
d) No momento em que se estabeleceu no comércio, abrindo um restaurante.
009. 009. (FGV/2012/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/VI/PRIMEIRA FASE) Francis, brasileira,
empresária, ao se deslocar do Rio de Janeiro para São Paulo em seu helicóptero particular,
sofreu terrível acidente que culminou com a queda do aparelho em alto-mar. Após sucessivas
e exaustivas buscas, feitas pelas autoridades e por empresas privadas contratadas pela
família da vítima, infelizmente não foram encontrados os corpos de Francis e de Adilson,
piloto da aeronave. Tendo sido esgotados os procedimentos de buscas e averiguações, de
acordo com os artigos do Código Civil que regulam a situação supramencionada, é correto
afirmar que o assento de óbito em registro público
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a) independe de qualquer medida administrativa ou judicial, desde que seja constatada a
notória probabilidade de morte de pessoa que estava em perigo de vida.
b) depende exclusivamente de procedimento administrativo quanto à morte presumida
junto ao Registro Civil das Pessoas Naturais.
c) depende de prévia ação declaratória judicial quanto à morte presumida, sem necessidade
de decretação judicial de ausência.
d) depende de prévia declaração judicial de ausência, por se tratar de desaparecimento de
uma pessoa sem dela haver notícia.
010. 010. (FGV/2011/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/IV/PRIMEIRA FASE) Rodolfo, brasileiro,
engenheiro, solteiro, sem ascendentes ou descendentes, desapareceu de seu domicílio há
11 (onze) meses e até então não houve qualquer notícia sobre seu paradeiro. Embora tenha
desaparecido, deixou Lisa, uma amiga, como mandatária para a finalidade de administrar-
lhe os bens. Todavia, por motivos de ordem pessoal, Lisa não quis exercer os poderes
outorgados por Rodolfo em seu favor, renunciando expressamente ao mandato. De acordo
com os dispositivos que regem o instituto da ausência, assinale a alternativa correta.
a) O juiz não poderá declarar a ausência e nomear curador para Rodolfo, pois Lisa não
poderia ter renunciado o mandato outorgado em seu favor, já que só estaria autorizada a
fazê-lo em caso de justificada impossibilidade ou de constatada insuficiência de poderes.
b) A renúncia ao mandato, por parte de Lisa, era possível e, neste caso, o juiz determinará
ao Ministério Público que nomeie um curador encarregado de gerir os bens do ausente,
observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores e curadores.
c) Os credores de obrigações vencidas e não pagas de Rodolfo, decorrido 1 (um) ano da
arrecadação dos bens do ausente, poderão requerer que se determine a abertura de sua
sucessão provisória.
d) Poderá ser declarada a sucessão definitiva de Rodolfo 10 (dez) anos depois de passada
em julgado a sentença que concedeu a sucessão provisória, mas, se nenhum interessado
promover a sucessão definitiva, nesse prazo, os bens porventura arrecadados deverão ser
doados a entidades filantrópicas localizadas no município do último domicílio de Rodolfo.
011. 011. (CESPE/2009/OAB/EXAME DE ORDEM/2/PRIMEIRA FASE) Assinale a opção correta acerca
das pessoas naturais e jurídicas.
a) A personalidade civil da pessoa natural tem início a partir do nascimento com vida,
independentemente do preenchimento de qualquer requisito psíquico.
b) O indivíduo de 16 anos de idade, ao contrair casamento, adquire a plena capacidade civil
por meio da emancipação, voltando à condição de incapaz se, um ano após o casamento,
sobrevier a separação judicial.
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c) Na sistemática do Código Civil, não se admite a declaração judicial de morte presumida
sem decretação de ausência.
d) A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa com o início de suas
atividades jurídicas.
012. 012. (CESPE/2008/OAB-SP/EXAME DE ORDEM/3/PRIMEIRA FASE) Tendo o fragmento de
texto acima como referência e considerando os dispositivos do Código Civil relativos às
pessoas natural e jurídica, assinale a opção correta.
Pessoa e todo ente físico ou moral suscetível de direitos e obrigações, sendo, portanto, sujeito
de direitos.
Idem. ibidem.
a) A capacidade de exercício da pessoa natural corresponde à sua inaptidão para ser sujeito
de direito.
b) A capacidade de exercício ou de fato da pessoa natural pressupõe a de gozo ou de direito,
mas esta pode subsistir sem aquela.
c) A incapacidade relativa da pessoa natural não pode ser suprida.
d) O estado político da pessoa natural indica a sua situação em relação ao matrimônio e
ao parentesco consanguíneo ou por afinidade.
013. 013. (VUNESP/2007/OAB-SP/EXAME DE ORDEM/3/PRIMEIRA FASE) A personalidade civil da
pessoa natural surge e desaparece, respectivamente, com
a) o nascimento e a morte.
b) a concepção e a morte.
c) a maioridade e a morte.
d) a concepção e a senilidade.
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GABARITOGABARITO
1. c
2. c
3. c
4. c
5. d
6. d
7. a
8. c
9. c
10. c
11. b
12. b
13. a
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GABARITO COMENTÁRIOGABARITO COMENTÁRIO
Obs.: Ufa... você treinou e agora vamos comentar todas as questões.
Faça uma análise de quantas questões você acertou, se ficar abaixo de 80% de
acerto, volte e leia o material novamente e refaça as questões!
Tenha compromisso comigo, hein?!
001. 001. (FGV/2022/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXV) Maurício, ator, 23 anos, e Fernanda,
atriz, 25 anos, diagnosticados com Síndrome de Down, não curatelados, namoram há 3 anos.
Em 2019, enquanto procuravam uma atividade laborativa em sua área, tanto Maurício quanto
Fernanda buscaram, em processos diferentes, a fixação de tomada de decisão apoiada para
o auxílio nas decisões relativas à celebração de diversas espécies de contratos, a qual se
processou seguindo todos os trâmites adequados deferidos pelo Poder Judiciário. Assim,
os pais de Maurício tornaram-se seus apoiadores e os pais de Fernanda, os apoiadores dela.
Em 2021, Fernanda e Maurício assinaram contratos com uma emissora de TV, também
assinados por seus respectivos apoiadores. Como precisarão morar próximo à emissora, o
casal terá de mudar-se de sua cidade e, por isso, está buscando alugar um apartamento.
Nesta conjuntura, Maurício e Fernanda conheceram Miguel, proprietário do imóvel que o
casal pretende locar.
Sobre a situação apresentada, conforme a legislação brasileira, assinale a afirmativa correta.
a) Maurício e Fernanda são incapazes em razão do diagnóstico de Síndrome de Down.
b) Maurício e Fernanda são capazes por serem pessoas com deficiência apoiadas, ou seja,
caso não fossem apoiados, seriam incapazes.
c) Maurício e Fernanda são capazes, independentemente do apoio, mas Miguel poderá exigir
que os apoiadores contra assinem o contrato de locação, caso ele seja realmente celebrado.
d) Miguel, em razão da capacidade civil de Maurício e de Fernanda, fica proibido de exigir
que os apoiadores de ambos contra assinem o contrato de locação, caso ele seja realmente
celebrado.
Gente, nessa questão temos a cobrança do tema de incapacidade e a questão da pessoa
com deficiência. Lembra? Então, veja que, conforme mencionamos, pessoa com deficiência
é capaz e não há mais a questão da interdição.
Contudo, podem essas pessoas requererem a tomada de decisão apoiada, prevista no artigo
1783-A do CC, vejamos:
Art. 1.783-A. A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a pessoa com deficiência
elege pelo menos 2 (duas) pessoas idôneas, com as quais mantenha vínculos e que gozem de sua
confiança, para prestar-lhe apoio na tomada de decisão sobreatos da vida civil, fornecendo-lhes
os elementos e informações necessários para que possa exercer sua capacidade.
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§ 1º Para formular pedido de tomada de decisão apoiada, a pessoa com deficiência e os apoiadores
devem apresentar termo em que constem os limites do apoio a ser oferecido e os compromissos
dos apoiadores, inclusive o prazo de vigência do acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos
interesses da pessoa que devem apoiar.
§ 2º O pedido de tomada de decisão apoiada será requerido pela pessoa a ser apoiada, com
indicação expressa das pessoas aptas a prestarem o apoio previsto no caput deste artigo.
§ 3º Antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de decisão apoiada, o juiz, assistido por
equipe multidisciplinar, após oitiva do Ministério Público, ouvirá pessoalmente o requerente e
as pessoas que lhe prestarão apoio.
§ 4º A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre terceiros, sem restrições,
desde que esteja inserida nos limites do apoio acordado.
§ 5º Terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial pode solicitar que os
apoiadores contra-assinem o contrato ou acordo, especificando, por escrito, sua função
em relação ao apoiado.
§ 6º Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo relevante, havendo divergência
de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos apoiadores, deverá o juiz, ouvido o Ministério
Público, decidir sobre a questão.
§ 7º Se o apoiador agir com negligência, exercer pressão indevida ou não adimplir as obrigações
assumidas, poderá a pessoa apoiada ou qualquer pessoa apresentar denúncia ao Ministério
Público ou ao juiz.
§ 8º Se procedente a denúncia, o juiz destituirá o apoiador e nomeará, ouvida a pessoa apoiada
e se for de seu interesse, outra pessoa para prestação de apoio.
§ 9º A pessoa apoiada pode, a qualquer tempo, solicitar o término de acordo firmado em processo
de tomada de decisão apoiada.
§ 10. O apoiador pode solicitar ao juiz a exclusão de sua participação do processo de tomada de
decisão apoiada, sendo seu desligamento condicionado à manifestação do juiz sobre a matéria.
§ 11. Aplicam-se à tomada de decisão apoiada, no que couber, as disposições referentes à
prestação de contas na curatela.
Letra c.
002. 002. (FGV/2020/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXI) Márcia, adolescente com 17 anos
de idade, sempre demonstrou uma maturidade muito superior à sua faixa etária. Seu
maior objetivo profissional é o de tornar-se professora de História e, por isso, decidiu criar
um canal em uma plataforma on-line, na qual publica vídeos com aulas por ela própria
elaboradas sobre conteúdos históricos. O canal tornou-se um sucesso, atraindo multidões
de jovens seguidores e despertando o interesse de vários patrocinadores, que começaram
a procurar a jovem, propondo contratos de publicidade. Embora ainda não tenha obtido
nenhum lucro com o canal, Márcia está animada com a perspectiva de conseguir custear
seus estudos na Faculdade de História se conseguir firmar alguns desses contratos. Para
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facilitar as atividades da jovem, seus pais decidiram emancipá-la, o que permitirá que celebre
negócios com futuros patrocinadores com mais agilidade. Sobre o ato de emancipação de
Márcia por seus pais, assinale a afirmativa correta.
a) Depende de homologação judicial, tendo em vista o alto grau de exposição que a adolescente
tem na internet.
b) Não tem requisitos formais específicos, podendo ser concedida por instrumento particular.
c) Deve, necessariamente, ser levado a registro no cartório competente do Registro Civil
de Pessoas Naturais.
d) É nulo, pois ela apenas poderia ser emancipada caso já contasse com economia própria,
o que ainda não aconteceu.
Gente, nessa questão temos a cobrança do tema de emancipação. Lembra? Então, veja que
Márcia é adolescente com 17 anos, menor púbere.
Ela é relativamente incapaz. Poderia ser emancipada? Sim!
Ela já estava exercendo sua atividade profissional e já contava com maturidade. Contudo,
como vimos, isso somente não é suficiente, ela precisa de economia própria.
Não haveria necessidade de homologação do juiz e, mesmo que concedida pelos pais,
depende de escritura pública, não é mesmo?
No caso, os pais concederam, então a letra correta é a letra C – Deve, necessariamente, ser
levado a registro no cartório competente do Registro Civil de Pessoas Naturais.
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática
de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor
tiver dezesseis anos completos;
II – pelo casamento;
III – pelo exercício de emprego público efetivo;
IV – pela colação de grau em curso de ensino superior;
V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que,
em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
Letra c.
003. 003. (FGV/2019/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX/PRIMEIRA FASE) Gumercindo, 77
anos de idade, vinha sofrendo os efeitos do Mal de Alzheimer, que, embora não atingissem
sua saúde física, perturbavam sua memória. Durante uma distração de seu enfermeiro,
conseguiu evadir-se da casa em que residia. A despeito dos esforços de seus familiares,
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ele nunca foi encontrado, e já se passaram nove anos do seu desaparecimento. Agora, seus
parentes lidam com as dificuldades relativas à administração e disposição do seu patrimônio.
Assinale a opção que indica o que os parentes devem fazer para receberem a propriedade
dos bens de Gumercindo.
a) Somente com a localização do corpo de Gumercindo será possível a decretação de sua
morte e a transferência da propriedade dos bens para os herdeiros.
b) Eles devem requerer a declaração de ausência, com nomeação de curador dos bens, e,
após um ano, a sucessão provisória; a sucessão definitiva, com transferência da propriedade
dos bens, só poderá ocorrer depois de dez anos de passada em julgado a sentença que
concede a abertura da sucessão provisória.
c) Eles devem requerer a sucessão definitiva do ausente, pois ele já teria mais de oitenta
anos de idade, e as últimas notícias dele datam de mais de cinco anos.
d) Eles devem requerer que seja declarada a morte presumida, sem decretação de ausência,
por ele se encontrar desaparecido há mais de dois anos, abrindo-se, assim, a sucessão.
Atenção que aqui temos a cobrança de morte presumida com declaração de ausência.
Gumercindo já estava com 77 anos de idade e desapareceu. Quando falamos em
desaparecimento temos que lembrar de que? Da ausência, né?
Então... recorde do procedimentodo artigo 22 a 39 do CC.
Nesse ponto, devemos destacar a questão diz que ele tinha 77 anos quando desapareceu,
mas já havia passado 9 anos do desaparecimento. Com mais 3 anos ele completou 80 anos
e de seis anos já não se tinha mais notícia...
Lembra que a lei fala 5 anos? Pois bem, já deu o prazo, certo? Assim temos a incidência do
artigo 38 do CC?
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta
oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele.
Acertou?
Letra c.
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dias de busca, apenas 10 passageiros foram resgatados, todos em estado crítico. Findas as
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Com base no relato apresentado, assinale a afirmativa correta.
a) A esposa deverá ingressar com uma demanda judicial pedindo a decretação de ausência
de Cristiano, a fim de que o juiz, em um momento posterior do processo, possa declarar a
sua morte presumida.
b) A esposa não poderá requerer a declaração de morte presumida de Cristiano, uma vez
que apenas o Ministério Público detém legitimidade para tal pedido.
c) A declaração da morte presumida de Cristiano poderá ser requerida independentemente
de prévia decretação de ausência, uma vez que esgotadas as buscas e averiguações por
parte das autoridades competentes.
d) A sentença que declarar a morte presumida de Cristiano não deverá fixar a data provável
de seu falecimento, contando-se, como data da morte, a data da publicação da sentença
no meio oficial.
Eita eita que temos outra questão de morte... Eu te disse que era um tema cobrado...
Bom, aqui temos que aquela situação que te falei... qual?
“Então quando, na sua prova, cobrar qualquer questão dizendo que houve uma “tragédia”,
“sequestro”, “desastre”, “guerra” ou algo do tipo e o corpo sumiu, lembre-se dessa morte.”
Pois é, qual o artigo que fundamenta essa resposta? O artigo 7º:
Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:
I – se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;
II – se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois
anos após o término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida
depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do
falecimento.
Marcamos, portanto, a letra C – A declaração da morte presumida de Cristiano poderá ser
requerida independentemente de prévia decretação de ausência, uma vez que esgotadas
as buscas e averiguações por parte das autoridades competentes.
Letra c.
005. 005. (FGV/2016/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/XX (REAPLICAÇÃO SALVADOR/BA)
Pedro, em dezembro de 2011, aos 16 anos, se formou no ensino médio. Em agosto de 2012,
ainda com 16 anos, começou estágio voluntário em uma companhia local. Em janeiro de
2013, já com 17 anos, foi morar com sua namorada. Em julho de 2013, ainda com 17 anos,
após ter sido aprovado e nomeado em um concurso público, Pedro entrou em exercício no
respectivo emprego público.
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Tendo por base o disposto no Código Civil, assinale a opção que indica a data em que cessou
a incapacidade de Pedro.
a) Dezembro de 2011.
b) Agosto de 2012.
c) Janeiro de 2013.
d) Julho de 2013.
Olha bem essa questão...
Temos aqui, mais uma vez, o tema de emancipação...
Na situação hipotética temos que: Pedro, em dezembro de 2011, aos 16 anos, se formou no
ensino médio (relevância zero para emancipação). Em agosto de 2012, ainda com 16 anos,
começou estágio voluntário em uma companhia local (relevância zero para emancipação).
Em janeiro de 2013, já com 17 anos, foi morar com sua namorada (sim, e daí? Lembra que
casamento emancipa, união estável, não!!!). Em julho de 2013, ainda com 17 anos, após ter
sido aprovado e nomeado em um concurso público (agora siiiim, está emancipado!), Pedro
entrou em exercício no respectivo emprego público.
Então, data em que cessou a incapacidade de Pedro foi em julho de 2013.
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática
de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor
tiver dezesseis anos completos;
II – pelo casamento;
III – pelo exercício de emprego público efetivo;
IV – pela colação de grau em curso de ensino superior;
V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que,
em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
Letra d.
006. 006. (FGV/2014/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/XIV/PRIMEIRA FASE) Raul, cidadão
brasileiro, no meio de uma semana comum, desaparece sem deixar qualquer notícia para
sua ex-esposa e filhos, sem deixar cartas ou qualquer indicação sobre seu paradeiro.
Raul, que sempre fora um trabalhador exemplar, acumulara em seus anos de labor um
patrimônio relevante. Como Raul morava sozinho, já que seus filhos tinham suas próprias
famílias e ele havia se separado de sua esposa 4 (quatro) anos antes, somente após uma
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semana seus parentes e amigos deram por sua falta e passaram a se preocupar com o seu
desaparecimento.
Sobre a situação apresentada, assinale a opção correta.
a) Para ser decretada a ausência, é necessário que a pessoa tenha desaparecido há mais de
10 (dez) dias. Como faz apenas uma semana que Raul desapareceu, não pode ser declarada
sua ausência, com a consequente nomeação de curador.
b) Em sendo declarada a ausência, o curador a ser nomeado será a ex-esposa de Raul.
c) A abertura da sucessão provisória somente se dará ultrapassados três anos da arrecadação
dos bens de Raul.
d) Se Raul contasse com 85 (oitenta e cinco) anos e os parentes e amigos já não soubessem
dele há 8 (oito) anos, poderia ser feita de forma direta a abertura da sucessão definitiva.
Aqui temos, de novo, tema de morte...
Falei que é bem recorrente...
Raul desapareceu – você lembra de quê? Lembra de morte presumida com declaração de
ausência...
Então... recorde do procedimento do artigo 22 a 39 do CC.
Quando ele desapareceu, morava sozinho e estava separado de sua esposa há 4mas qual conceito de personalidade jurídica?
Então, trata-se de uma aptidão genérica para titularizar direitos e deveres.
Destacamos a palavra “deveres” porque é muito comum você falar “direitos e obrigações”,
quando, na verdade, é melhor mencionar “deveres”.
Isso porque, no Direito Civil, a palavra “obrigação” tem a ver com o aspecto patrimonial
(dar, fazer, não fazer...), ao passo que a expressão “deveres” é um gênero, um termo muito
mais abrangente do que simplesmente “obrigações”.
Muito cuidado com isso! O dever inclui a obrigação e, também, outros aspectos que não
tenham conteúdo patrimonial, a exemplo do dever de fidelidade no casamento...
Importante colacionarmos aqui, também, que personalidade jurídica é sinônimo de
personalidade civil.
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Nesse sentido, o artigo 2º do Código Civil estabelece que:
Obs.: A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe
a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.
roberta, quando se dá o início da personalidade jurídica?roberta, quando se dá o início da personalidade jurídica?
Ocorre com o nascimento com vida.
No Brasil, considera-se “nascimento com vida” o funcionamento do
aparelho cardiorrespiratório – entrou ar nos pulmões, adquire a personalidade
jurídica.
Existe um exame próprio para verificar se houve ou não entrada de ar
nos pulmões, chamado “docimasia hidrostática de Galeno”, que consiste
na colocação de fragmentos do pulmão do recém-nascido – caso venha a
falecer, óbvio, né, Brasil?! Se os fragmentos flutuarem, é porque entrou
ar, então adquiriu personalidade jurídica.
Ainda que tenha sido um breve suspiro...
Aqui eu quero fazer nossos esquemas também, veja:
Saber se respirou ou não é para fins de ciência exata se o sujeito adquiriu ou não
personalidade jurídica.
Imagina o pai do nascituro que morreu no curso da gestação. Se ele respira, recebe a
herança e se morre logo após, transmite a herança para a mãe dele. Se ele sai do ventre
materno e não respira, ele não receberá a herança e a regra sucessória dos bens de
falecimento do pai seguirá a regra normal do art. 1.829: não havendo descendentes, vai
para os ascendentes – no caso, a mãe!
Ei, não esqueça que as certidões mencionadas possuem natureza declaratória!!! Por
isso, tem efeito ex tunc.
EXEMPLO
Eu nasci no dia 09 de julho, mas minha certidão de nascimento deve ter sido feita em algum
dia posterior a essa data. Eu não passei a existir a partir da data em que foi feita a certidão,
mas, sim, desde o meu nascimento!!!
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Entendeu? O início da personalidade, então, se dá com o nascimento com vida. A certidão
de nascido morto, o natimorto, tem assento no livro auxiliar, letra C, do cartório de pessoas
naturais, conforme a Lei de Registros Públicos.
No Brasil, basta o funcionamento do aparelho cardiorrespiratório.
Entenda: no Brasil, não se exige viabilidade, não se exige sobrevida, não se
exige forma humana. Isso quer dizer que, no Brasil, basta respirar para ser
pessoa natural.
• Não se exige viabilidade: não é preciso a formação interna dos órgãos de maneira
perfeita, apta a propiciar a vida extrauterina. Por isso que os anencefálicos nascem,
respiram, e, mesmo tendo uma má formação cerebral adquirem personalidade jurídica,
mesmo sabendo que eles podem morrer imediatamente após o parto. O mesmo
ocorre com pessoas com microcefalia ou com uma formação interna dos órgãos que
inviabilize a vida extrauterina.
• Não se exige sobrevida: sobrevida seria um lapso temporal mínimo fora do ventre
materno para adquirir personalidade. No Brasil, não temos isso. Nasceu e respirou,
já ganha a personalidade jurídica.
• Não se exige forma humana: é até um termo pejorativo, mas significa pessoas com
deformidades físicas – aquelas que destoam da forma tradicional humana também
adquirem a personalidade jurídica.
roberta, entendi tudo, tudinho, mas o que acontece com o nascituro? É ou não é pes-roberta, entendi tudo, tudinho, mas o que acontece com o nascituro? É ou não é pes-
soa? tem direitos? Como é essa história?soa? tem direitos? Como é essa história?
Aaaaah, cuidado com essa questão do nascituro!
A gente entra na análise das teorias...
Olha só, temos três teorias mencionadas na doutrina, vejamos:
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De acordo com a teoria natalista, o nascituro só se torna pessoa a partir do momento
em que adquire a personalidade jurídica, ou seja, com a respiração. Assim, para os defensores
dessa teoria, a ideia é a de que, não sendo pessoa, é coisa.
Já a teoria da personalidade condicional ou personalidade formal, a observa que o
nascituro seria uma “quase pessoa”. Ele pode receber direitos, mas estaria sob condição
suspensiva de nascer com vida. Se nasceu com vida, é pessoa. Se não, nunca foi. É um “meio
termo”. Confesso que acho estranha essa teoria...
A teoria concepcionista, por sua vez, diz que é pessoa desde a concepção. É uma que está
muito em voga, sendo abordada especialmente pelos doutrinadores mais modernos, como
Pablo Stolze, Cristiano Chaves e Flávio Tartuce. Esses professores defendem a concepção.1
Uau, mas qual a teoria adotada pelo Código Civil?Uau, mas qual a teoria adotada pelo Código Civil?
O artigo 2º do CC, que mencionamos acima, deixa muito claro:
Obs.: A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a
salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.
Uai, então é a teoria NAtAlIStA!Uai, então é a teoria NAtAlIStA!
Sim, perfeito!
Isso porque o dispositivo legal diz que a personalidade civil da pessoa começa do
nascimento com vida.
MAS CUIDADO: já vimos que o ordenamento jurídico civilista não é sinônimo
de Código Civil. Como eu te disse, essa ideia já está ultrapassada! Na verdade,
o CC está dentro do ordenamento jurídico civilista, que é composto, também,
por outras normas, entendimentos doutrinários e jurisprudenciais.
É importante mencionar que o STJ é concepcionista, uma vez que, por
exemplo, ele reconhece a possibilidade de dano moral ao nascituro. Por isso, melhor entender
que, embora a redação do artigo 2º do CC não tenha sido alterada até o momento, há uma
grande possibilidade de alteração futura (em breve), porque a teoria natalista é considerada
um pouco ultrapassada nos dias de hoje.
1 Dentre os concepcionistas existem os mais “extremistas” e os “menos extremistas”. Os primeiros, consideram pessoa
desde a concepção, desde o coito. Se teve a relação sexual e fecundou o óvulo, é pessoa. Já outros, consideram que é
pessoa a partir do 14º dia após o coito, que é quando ocorre o fenômeno da nidação, ocorrido quando o embrião se fixa
na parede do útero materno.
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a sua reprodução, cópia, divulgação ouanos.
A letra “a” fala em 10 dias, mas como lhe disse não tem esse prazo.
A letra “b” fala que a esposa será curadora, mas o artigo 25 do CC estabelece que o cônjuge
não pode estar separado de fato há mais de dois anos para ser curador.
A letra C não pode ser, pois a questão fala em ter deixado procurador para a contagem de
anos, como dita o artigo 26 do CC.
Marcamos, portanto, a letra D, com base no artigo 38 do CC:
Art. 38. Pode-se requerer a sucessão definitiva, também, provando-se que o ausente conta
oitenta anos de idade, e que de cinco datam as últimas notícias dele.
Letra d.
007. 007. (FGV/2015/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/XVI) Os tutores de José consideram
que o rapaz, aos 16 anos, tem maturidade e discernimento necessários para praticar os
atos da vida civil. Por isso, decidem conferir ao rapaz a sua emancipação.
Consultam, para tanto, um advogado, que lhes aconselha corretamente no seguinte sentido:
a) José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva do tutor sobre as
condições do tutelado.
b) José poderá ser emancipado via instrumento público, sendo desnecessária a homologação
judicial.
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c) José poderá ser emancipado via instrumento público ou particular, sendo necessário
procedimento judicial.
d) José poderá ser emancipado por instrumento público, com averbação no registro de
pessoas naturais.
Gente, mais uma de emancipação e aqui cobra a questão do menor tutelado. Eu disse a você
que o menor, quando tiver sobre ele o poder familiar dos pais, ser-lhe-á nomeado tutor
e esse não pode emancipar o menor, quem vai emancipá-lo é o juiz, conforme artigo 5º:
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática
de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor
tiver dezesseis anos completos;
II – pelo casamento;
III – pelo exercício de emprego público efetivo;
IV – pela colação de grau em curso de ensino superior;
V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que,
em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
Marcamos, assim, a letra A – José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com
a oitiva do tutor sobre as condições do tutelado.
Letra a.
008. 008. (FGV/2013/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/X/PRIMEIRA FASE) Gustavo completou
17 anos de idade em janeiro de 2010. Em março de 2010 colou grau em curso de ensino
médio. Em julho de 2010 contraiu matrimônio com Beatriz. Em setembro de 2010, foi
aprovado em concurso público e iniciou o exercício de emprego público efetivo. Por fim,
em novembro de 2010, estabeleceu-se no comércio, abrindo um restaurante.
Assinale a alternativa que indica o momento em que se deu a cessação da incapacidade
civil de Gustavo.
a) No momento em que iniciou o exercício de emprego público efetivo.
b) Quando colou grau em curso de ensino médio.
c) No momento em que contraiu matrimônio.
d) No momento em que se estabeleceu no comércio, abrindo um restaurante.
Aqui você não tem nem direito de errar mais...
Novamente emancipação, pelos mesmos motivos da questão do “Pedro”.
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Gustavo completou 17 anos de idade em janeiro de 2010. Em março de 2010 colou grau
em curso de ensino médio. (relevância zero para emancipação) Em julho de 2010 contraiu
matrimônio com Beatriz (casou? Emancipou!). Em setembro de 2010, foi aprovado em
concurso público e iniciou o exercício de emprego público efetivo ( já estava emancipado pelo
casamento em julho de 2010). Por fim, em novembro de 2010, estabeleceu-se no comércio,
abrindo um restaurante. ( já estava emancipado pelo casamento em julho de 2010)
Relembre o artigo 5º -
Art. 5º A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática
de todos os atos da vida civil.
Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade:
I – pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor
tiver dezesseis anos completos;
II – pelo casamento;
III – pelo exercício de emprego público efetivo;
IV – pela colação de grau em curso de ensino superior;
V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que,
em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria.
Marcamos assim, a letra C – No momento em que contraiu matrimônio.
Letra c.
009. 009. (FGV/2012/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/VI/PRIMEIRA FASE) Francis, brasileira,
empresária, ao se deslocar do Rio de Janeiro para São Paulo em seu helicóptero particular,
sofreu terrível acidente que culminou com a queda do aparelho em alto-mar. Após sucessivas
e exaustivas buscas, feitas pelas autoridades e por empresas privadas contratadas pela
família da vítima, infelizmente não foram encontrados os corpos de Francis e de Adilson,
piloto da aeronave. Tendo sido esgotados os procedimentos de buscas e averiguações, de
acordo com os artigos do Código Civil que regulam a situação supramencionada, é correto
afirmar que o assento de óbito em registro público
a) independe de qualquer medida administrativa ou judicial, desde que seja constatada a
notória probabilidade de morte de pessoa que estava em perigo de vida.
b) depende exclusivamente de procedimento administrativo quanto à morte presumida
junto ao Registro Civil das Pessoas Naturais.
c) depende de prévia ação declaratória judicial quanto à morte presumida, sem necessidade
de decretação judicial de ausência.
d) depende de prévia declaração judicial de ausência, por se tratar de desaparecimento de
uma pessoa sem dela haver notícia.
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Mais uma questão de morte...
Francis sofreu acidente e o corpo sumiu... lembra de que?
“Então quando, na sua prova, cobrar qualquer questão dizendo que houve uma “tragédia”,
“sequestro”, “desastre”, “guerra” ou algo do tipo e o corpo sumiu, lembre-se dessa morte.”
Pois é, qual o artigo que fundamenta essa resposta? O artigo 7º:
Art. 7º Pode ser declarada a morte presumida, sem decretação de ausência:
I – se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida;
II – se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois
anos após o término da guerra.
Parágrafo único. A declaração da morte presumida, nesses casos, somente poderá ser requerida
depois de esgotadas as buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do
falecimento.
Marcamos, portanto, a letra C – depende de prévia ação declaratória judicial quanto à morte
presumida,sem necessidade de decretação judicial de ausência.
Letra c.
010. 010. (FGV/2011/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO/IV/PRIMEIRA FASE) Rodolfo, brasileiro,
engenheiro, solteiro, sem ascendentes ou descendentes, desapareceu de seu domicílio há
11 (onze) meses e até então não houve qualquer notícia sobre seu paradeiro. Embora tenha
desaparecido, deixou Lisa, uma amiga, como mandatária para a finalidade de administrar-
lhe os bens. Todavia, por motivos de ordem pessoal, Lisa não quis exercer os poderes
outorgados por Rodolfo em seu favor, renunciando expressamente ao mandato. De acordo
com os dispositivos que regem o instituto da ausência, assinale a alternativa correta.
a) O juiz não poderá declarar a ausência e nomear curador para Rodolfo, pois Lisa não
poderia ter renunciado o mandato outorgado em seu favor, já que só estaria autorizada a
fazê-lo em caso de justificada impossibilidade ou de constatada insuficiência de poderes.
b) A renúncia ao mandato, por parte de Lisa, era possível e, neste caso, o juiz determinará
ao Ministério Público que nomeie um curador encarregado de gerir os bens do ausente,
observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores e curadores.
c) Os credores de obrigações vencidas e não pagas de Rodolfo, decorrido 1 (um) ano da
arrecadação dos bens do ausente, poderão requerer que se determine a abertura de sua
sucessão provisória.
d) Poderá ser declarada a sucessão definitiva de Rodolfo 10 (dez) anos depois de passada
em julgado a sentença que concedeu a sucessão provisória, mas, se nenhum interessado
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promover a sucessão definitiva, nesse prazo, os bens porventura arrecadados deverão ser
doados a entidades filantrópicas localizadas no município do último domicílio de Rodolfo.
Professora, socorro, mais uma de morte?Professora, socorro, mais uma de morte?
Pois é, eu disse que sempre cai e você ainda está duvidando (rsrsrsrsrs)
Então... recorde do procedimento do artigo 22 a 39 do CC.
Rodolfo, brasileiro, engenheiro, solteiro, sem ascendentes ou descendentes, desapareceu
de seu domicílio há 11 (onze) meses e até então não houve qualquer notícia sobre seu
paradeiro. (desparecimento) Embora tenha desaparecido, deixou Lisa, uma amiga, como
mandatária para a finalidade de administrar-lhe os bens. (gente, aqui ele deixou procuração,
mas atenção que a mandatária não quis, então não conta o prazo de 3 anos) Todavia, por
motivos de ordem pessoal, Lisa não quis exercer os poderes outorgados por Rodolfo em seu
favor, renunciando expressamente ao mandato. De acordo com os dispositivos que regem
o instituto da ausência, assinale a alternativa correta.
Assim, aplicamos o roteiro do artigo 22 ao 39 do CC.
a) O juiz não poderá declarar a ausência e nomear curador para Rodolfo, pois Lisa não
poderia ter renunciado o mandato outorgado em seu favor, já que só estaria autorizada a
fazê-lo em caso de justificada impossibilidade ou de constatada insuficiência de poderes.
(pode declarar sim!)
b) A renúncia ao mandato, por parte de Lisa, era possível e, neste caso, o juiz determinará
ao Ministério Público que nomeie um curador (o próprio juiz nomeará) encarregado de gerir
os bens do ausente, observando, no que for aplicável, o disposto a respeito dos tutores e
curadores.
c) Os credores de obrigações vencidas e não pagas de Rodolfo, decorrido 1 (um) ano da
arrecadação dos bens do ausente, poderão requerer que se determine a abertura de sua
sucessão provisória. – letra correta, conforme artigo 26 e artigo 27 do CC
Art. 26. Decorrido um ano da arrecadação dos bens do ausente, ou, se ele deixou representante
ou procurador, em se passando três anos, poderão os interessados requerer que se declare a
ausência e se abra provisoriamente a sucessão.
Art. 27. Para o efeito previsto no artigo anterior, somente se consideram interessados:
I – o cônjuge não separado judicialmente;
II – os herdeiros presumidos, legítimos ou testamentários;
III – os que tiverem sobre os bens do ausente direito dependente de sua morte;
IV – os credores de obrigações vencidas e não pagas.
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d) Poderá ser declarada a sucessão definitiva de Rodolfo 10 (dez) anos depois de passada
em julgado a sentença que concedeu a sucessão provisória, mas, se nenhum interessado
promover a sucessão definitiva, nesse prazo, os bens porventura arrecadados deverão ser
doados a entidades filantrópicas localizadas no município do último domicílio de Rodolfo.
(lembra que eu disse a você que o prazo de 10 anos começa a contra a parti dos 180 dias,
conforme artigo 37 – Dez anos depois de passada em julgado a sentença que concede a
abertura da sucessão provisória, poderão os interessados requerer a sucessão definitiva e
o levantamento das cauções prestadas.)
Letra c.
011. 011. (CESPE/2009/OAB/EXAME DE ORDEM/2/PRIMEIRA FASE) Assinale a opção correta acerca
das pessoas naturais e jurídicas.
a) A personalidade civil da pessoa natural tem início a partir do nascimento com vida,
independentemente do preenchimento de qualquer requisito psíquico.
b) O indivíduo de 16 anos de idade, ao contrair casamento, adquire a plena capacidade civil
por meio da emancipação, voltando à condição de incapaz se, um ano após o casamento,
sobrevier a separação judicial.
c) Na sistemática do Código Civil, não se admite a declaração judicial de morte presumida
sem decretação de ausência.
d) A existência legal das pessoas jurídicas de direito privado começa com o início de suas
atividades jurídicas.
Gente, essa questão é antiga, mas a gente tem que estudar também. Foge um pouco do
formato FGV, mas vale a pena estudar...
A personalidade civil da pessoa natural tem início a partir do nascimento com vida,
independentemente do preenchimento de qualquer requisito psíquico.
Marcamos a letra A, pois realmente, no Brasil não se exige mais que a simples respiração
para aquisição da personalidade jurídica.
A letra “b” não pode ser, pois sabemos que o casamento emancipa, mas a separação e
divórcio não desfazem a emancipação.
A letra “c” diz que não é possível morte presumida sem decretação de ausência, o que
sabemos que não é verdade. Aliás, essa modalidade está no artigo 7º do CC.
A letra “d” vai contra a redação com o artigo 45 do CC, que vamos estudar na próxima aula.
Letra b.
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012. 012. (CESPE/2008/OAB-SP/EXAME DE ORDEM/3/PRIMEIRA FASE) Tendo o fragmento de
texto acima como referência e considerando os dispositivos do Código Civil relativos às
pessoas natural e jurídica, assinale a opção correta.
Pessoa e todo ente físico ou moral suscetível de direitos e obrigações, sendo, portanto, sujeito
de direitos.
Idem. ibidem.
a) A capacidade de exercício da pessoa natural corresponde à sua inaptidão para ser sujeito
de direito.
b) A capacidade de exercício ou de fato da pessoa natural pressupõe ade gozo ou de direito,
mas esta pode subsistir sem aquela.
c) A incapacidade relativa da pessoa natural não pode ser suprida.
d) O estado político da pessoa natural indica a sua situação em relação ao matrimônio e
ao parentesco consanguíneo ou por afinidade.
Gente, mais uma questão antiga, mas a gente tem que estudar também. Foge um pouco
do formato FGV, mas também vale a pena estudar...
Marcamos a letra B, pois, realmente, a capacidade de exercício ou de fato da pessoa natural
pressupõe a de gozo ou de direito, mas esta pode subsistir sem aquela.
Lembra que o incapaz é aquele que não tem capacidade de fato, mas todo mundo tem
capacidade de direito ou de gozo, conforme artigo 1º do CC – Toda pessoa é capaz de direito.
A letra “a” diz que “a capacidade de exercício da pessoa natural corresponde à sua inaptidão
para ser sujeito de direito”. Esse item não é verdadeiro, pois lhe disse que sujeito de direito
é gênero que comporta a espécie com ou sem personalidade jurídica.
A letra “c” também não condiz com a realidade, pois o incapaz pode praticar atos da vida
civil, desde que representados, pois a representação supre a incapacidade.
A letra “d” está errada, pois relaciona-se com estado civil e não político.
Letra b.
013. 013. (VUNESP/2007/OAB-SP/EXAME DE ORDEM/3/PRIMEIRA FASE) A personalidade civil da
pessoa natural surge e desaparece, respectivamente, com
a) o nascimento e a morte.
b) a concepção e a morte.
c) a maioridade e a morte.
d) a concepção e a senilidade.
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Aqui temos a teoria natalista, que já comentamos e a morte que, por sua vez, põe fim à
pessoa natural.
Letra a.
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Sumário
Apresentação
Parte Geral – Parte I
Pessoa Natural
Resumo
Questões de Concurso
Gabarito
Gabarito Comentáriodistribuição, sujeitando-se aos infratores à responsabilização civil e criminal.
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Então, embora o Código Civil aponte claramente para a adoção da teoria natalista, o
ordenamento jurídico como um todo, considerando o “todo”, indica uma forte tendência
para a adoção da teoria concepcionista.
Um tema muito recorrente de OAB é a Lei de Alimentos Gravídicos, e quem é o destinatário
desses alimentos? O nascituro, óbvio, pensando, então, em uma teoria concepcionista.
Contudo, não podemos deixar de mencionar a ADI 3510, que discutiu a questão das
células-tronco, na qual o STF decidiu que o embrião congelado é objeto de direito. Então,
temos que analisar todas as situações, sem fixar barreiras de informação. Mas não se
preocupa, a banca não vai querer cobrar isso... é polêmico demais..., mas vou retomar o
tema mais adiante.
Assim, considerando os aspectos mencionados, podemos mencionar alguns direitos
do nascituro:
• O STJ reconhece o direito ao dano moral para nascituro – {Resp 399.028/SP}
{Resp1.487.089 – caso Rafinha Bastos X Wanessa Camargo}.
• O nascituro tem direito a receber alimentos gravídicos – lei 11.804/2008. Lembre-se
de que esses alimentos são fixados a partir de indícios da paternidade. O exame de
DNA intrauterino não pode ser obrigatório, porque pode acarretar danos ao feto.
Além disso, pode ocasionar a prisão do devedor de alimentos, caso ele não pague, nos
moldes do artigo 732 e seguintes do CPC.
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Lembre-se, também, que, com o nascimento do bebê, caso seja constatado que o
alimentante não era pai, não há a possibilidade de repetibilidade, porque os alimentos são
irrepetíveis, indevolvíveis. Talvez, o sujeito possa pleitear danos morais ou materiais em
face da genitora, mas deverá comprovar os aspectos relacionados à responsabilidade civil,
em uma vara cível (e não de família).
Outro ponto é que, tais alimentos são convertidos imediatamente em alimentos definitivos
com o nascimento do bebê.
• Existe direito ao pagamento de DPVAT pela morte de nascituro – {Resp 1.120.676 –
informativo 547 do STJ}.
Não é uma jurisprudência recente, mas continua a ser objeto de discussões, pois a lei do
DPVAT trata dos danos “à pessoa humana”. Se o nascituro fosse considerado meramente
uma coisa, não se teria direito ao pagamento de DPVAT pela morte de nascituro em acidente
de trânsito. Porém, o STJ decidiu pela aplicação do seguro ao nascituro, seguindo a linha
concepcionista.2
• O nascituro pode receber doação, sem prejuízo do recolhimento do imposto de
transmissão inter vivos (exemplo simplório: chá de fraldas);
• O nascituro pode ser beneficiado por legado e herança (para ser herdeiro, tem que
estar vivo na data da morte do autor da herança, ou pelo menos CONCEBIDO, e o
nascituro o está, concorda?);
• Pode ser-lhe nomeado curador para a defesa dos seus interesses;
• O Código Penal tipifica o crime de aborto;
• É desnecessária a intervenção do MP como curador ao nascituro no ato em que
nubentes definem o regime de bens do casamento – {Resp 178.254}. Isto porque
cabe apenas ao casal definir o seu regime de bens.
Para corroborar tudo, olha só esse compilado publicado no site do STJ:
JUrISPrUDÊNCIA reCoNHeCe DIreItoS e lIMIteS À ProteÇÃo JUrÍDICA Do NASCItUro
Ainda que o artigo 2º do Código Civil condicione a aquisição de personalidade jurídica
ao nascimento, o ordenamento jurídico brasileiro reconhece e concede ao nascituro um a
categoria especial de direitos – os quais abrangem situações jurídicas destinadas a garantir
o desenvolvimento digno e saudável no meio intrauterino e o consequente nascimento
com vida –, a exemplo do direito à vida e à assistência pré-natal. Não há, no entanto, uma
delimitação expressa do rol de tais direitos.
2 LEI N. 6.194, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1974 – Dispõe sobre Seguro Obrigatório de Danos Pessoais causados por veículos
automotores de via terrestre, ou por sua carga, a pessoas transportadas ou não.
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As correntes doutrinárias que buscam balizar a proteção jurídica devida àqueles que
ainda não nasceram se dividem em três.
A primeira, natalista, defende que a titularização de direitos e a personalidade jurídica
são conceitos inexoravelmente vinculados, de modo que, inexistindo personalidade jurídica
anterior ao nascimento, a consequência lógica é que também não há direitos titularizados
pelo nascituro, mas mera expectativa de direitos.
Já para a teoria concepcionista, a personalidade jurídica se inicia com a concepção,
muito embora alguns direitos só possam ser plenamente exercitáveis com o nascimento,
como os decorrentes de herança, legado e doação.
Por último, há a teoria da personalidade condicional, para a qual a personalidade tem
início com a concepção, porém fica submetida a uma condição suspensiva (o nascimento
com vida), assegurados, no entanto, desde a concepção, os direitos da personalidade,
inclusive para assegurar o nascimento.
DIre Ito À vIDA
Ao reconhecer a uma mulher o direito de receber o seguro DPVAT após sofrer aborto em
decorrência de acidente de carro, o relator do recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ),
ministro Luis Felipe Salomão, esclareceu que o ordenamento jurídico como um todo – e não
apenas o Código Civil de 2002 – alinhou-se mais à teoria concepcionista para a construção
da situação jurídica do nascituro.
Em seu voto no REsp 1.415.727, o ministro ressaltou que é garantida aos ainda não
nascidos a possibilidade de receber doação (artigo 542 do CC) e de ser curatelado (artigo
1.779), além da especial proteção do atendimento pré-natal (artigo 8º do Estatuto da
Criança e do Adolescente). O relator ainda citou as disposições do Código Penal, no qual o
crime de aborto é alocado no título referente a “crimes contra a pessoa”, no capítulo dos
“crimes contra a vida”.
“Mesmo que se adote qualquer das outras duas teorias restritivas, há de se reconhecer
a titularidade de direitos da personalidade ao nascituro, dos quais o direito à vida é o mais
importante”, afirmou.
Para ele, garantir ao nascituro expectativas de direitos – ou mesmo direitos condicionados
ao nascimento – “só faz sentido se lhe for garantido também o direito de nascer, o direito
à vida, que é direito pressuposto a todos os demais”.
SeGUro DPv At
Salomão destacou que, mesmo em sua literalidade, o Código Civil não mistura os conceitos
de existência da pessoa e de aquisição da personalidade jurídica. De acordo com o ministro,
ainda que não se possa falar em personalidade jurídica, é possível falar em pessoa. “Caso
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contrário, não se vislumbraria nenhum sentido lógico na fórmula ‘a personalidade civil da
pessoa começa’ se ambas – pessoa e personalidade civil– tivessem como começo o mesmo
acontecimento.”
Ao analisar o caso concreto, o relator avaliou que o artigo 3º da Lei 6.194/1974 garante
indenização por morte; assim, “o aborto causado pelo acidente subsume-se à perfeição ao
comando normativo, haja vista que outra coisa não ocorreu, senão a morte do nascituro,
ou o perecimento de uma vida intrauterina”.
O ministro ressaltou que a solução apresentada está alinhada com a natureza jurídica
do seguro DPVAT, uma vez que a sua finalidade é garantir que os danos pessoais sofridos
por vítimas de acidentes com veículos sejam compensados, ao menos parcialmente.
Em 2010, o mesmo entendimento já havia sido aplicado pelo ministro Paulo de Tarso
Sanseverino. Ao proferir o voto vencedor no REsp 1.120.676, ele concluiu que “a interpretação
mais razoável desse enunciado normativo (Lei n. 6.194/1974), consentânea com a nossa
ordem jurídico-constitucional, centrada na proteção dos direitos fundamentais, é no sentido
de que o conceito de ‘dano-morte’, como modalidade de ‘danos pessoais’, não se restringe
ao óbito da pessoa natural, dotada de personalidade jurídica, mas alcança, igualmente, a
pessoa já formada, plenamente apta à vida extrauterina, embora ainda não nascida, que,
por uma fatalidade, acabara vendo a sua existência abreviada em acidente automobilístico”.
Na ocasião, os ministros da Terceira Turma reconheceram que era devido o pagamento
do seguro DPVAT a um casal em virtude de aborto sofrido pela mulher quatro dias após
acidente de trânsito, quando ela estava com 35 semanas de gestação.
erro eM eXAMe
A jurisprudência do STJ possibilita ao nascituro a indenização por danos morais, os
quais devem ser decorrentes da violação da dignidade da pessoa humana (em potencial),
desde que, de alguma forma, comprometam o seu desenvolvimento digno e saudável no
meio intrauterino e o consequente nascimento com vida, ou repercutam na vida após o
nascimento.
A partir desse entendimento, a Quarta Turma estabeleceu que uma menina, à época
dos fatos na condição de nascitura, não tinha direito à indenização por danos morais em
virtude da realização de exame de ultrassonografia cujo resultado, erroneamente, indicou
que ela teria síndrome de Down. Tanto o centro radiológico responsável pelo exame quanto a
operadora do plano privado de saúde foram condenadas solidariamente a pagar indenização
aos pais da criança.
O relator do REsp 1.170.239, ministro Marco Buzzi, ressaltou que há um “inequívoco
avanço, na doutrina, assim como na jurisprudência, acerca da proteção dos direitos do
nascituro. A par das teorias que objetivam definir, com precisão, o momento em que o
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indivíduo adquire personalidade jurídica, assim compreendida como a capacidade de
titularizar direitos e obrigações, é certo que o nascituro, ainda que considerado como
realidade jurídica distinta da pessoa natural, é, igualmente, titular de direitos da personalidade
(ao menos reflexamente)”.
Com base no princípio constitucional da dignidade da pessoa humana, destacou o
ministro, é permitido ao magistrado conferir, em cada caso concreto, proteção aos bens
da personalidade, consistentes na composição da integridade física, moral e psíquica do
indivíduo, compatível com o contexto cultural e social de seu tempo.
Ao citar precedentes do STJ no sentido de conceder indenização por danos morais ao
nascituro, o ministro Buzzi observou que não é toda situação jurídica que ensejará o dever
de reparação, “senão aquelas das quais decorram consequências funestas à saúde do
nascituro ou suprimam-no do convívio de seus pais ante a morte deles”.
No caso julgado, o relator ressaltou que, segundo os fatos reconhecidos pelo Tribunal de
Justiça do Rio de Janeiro, a mãe, no dia seguinte ao recebimento do resultado do exame que
trazia a equivocada informação quanto à síndrome cromossômica, submeteu-se novamente
ao mesmo exame, cujo resultado foi diverso. “Não se olvida, tampouco se minimiza, o abalo
psíquico que os pais suportaram em virtude de tal equívoco – dano, contudo, que não se
pode estender ao nascituro, na esteira dos precedentes desta Corte Superior”, afirmou.
“Portanto, não há falar em dano moral suportado pelo nascituro, pois, dos contornos
fáticos estabelecidos pelas instâncias ordinárias, sobressai clarividente que tal erro não
colocou em risco a gestação, e tampouco repercutiu na vida da terceira autora [a filha],
após seu nascimento”, concluiu.
INDeNIZAÇÃo eQUIvAleN te
No entanto, quando há o dever de reparação, o valor devido ao nascituro não pode ser
inferior pela condição de não ter ainda nascido. Ao negar provimento ao pedido de uma
empresa condenada por danos morais e materiais pela morte de um empregado em virtude
de acidente de trabalho, a Terceira Turma manteve a fixação da indenização em montante
igual, tanto para os filhos nascidos da vítima quanto para o nascituro.
A relatora do REsp 931.556, ministra Nancy Andrighi, explicou que a compensação financeira
do dano moral é feita “a partir de uma estimativa que guarde alguma relação necessariamente
imprecisa com o sofrimento causado, justamente por inexistir fórmula matemática que seja
capaz de traduzir as repercussões íntimas do evento em um equivalente financeiro”.
A ministra destacou que, entre as razões adotadas no arbitramento do dano moral,
são levados em consideração fatores como culpa ou dolo, posição social do ofendido, risco
criado, situação econômica do ofensor, mas principalmente a gravidade da ofensa ou a
potencialidade lesiva do fato – o que, para ela, confere à análise do dano moral um mínimo
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de objetividade, em contraste com o subjetivismo da discussão sobre a extensão íntima
da dor sofrida.
Para Nancy Andrighi, diferentemente do abalo psicológico sofrido – que não é quantificável
–, a gravidade da ofensa suportada pelos filhos nascidos e pelo nascituro à época do
falecimento é a mesma. Em seu voto, ressaltou que, para dizer que a dor do nascituro é
menor, conforme argumentou a empresa, seria necessário, antes, dizer que é possível medi-la.
“Verifica-se que uma diminuição do valor indenizatório fixado em relação ao nascituro é,
portanto, uma tentativa de se estabelecer um padrão artificial de ‘tarifação’ que não guarda
relação alguma com a origem fática do dever indenizatório – porto relativamente seguro
onde a jurisprudência costuma repousar sua consciência na difícil tarefa de compensar um
dano dessa natureza”, disse.
A relatora ponderou que, se fosse possível mensurar o sofrimento decorrente da ausência
de um pai, ela se arriscaria a dizer que “a dor do nascituro poderia ser considerada ainda
maior do que aquela suportada por seus irmãos, já vivos quando do falecimento do genitor.
Afinal, maior do que a agonia de perder um pai, é a angústia de jamais ter podido conhecê-
lo, de nunca ter recebido dele um gesto de carinho, enfim, de ser privado de qualquer
lembrança ou contato, por mais remoto que seja, com aquele que lhe proporcionou a vida”.
AlIMeNtoS G rAvÍDICoS
Em 2017, a Terceira Turma estabeleceu que os alimentos gravídicos – destinados à
gestante para cobertura das despesas no período compreendido entre a gravideze o parto –
devem ser automaticamente convertidos em pensão alimentícia em favor do recém-nascido,
independentemente de pedido expresso ou de pronunciamento judicial. Essa conversão é
válida até que haja eventual decisão em sentido contrário, em ação de revisão da pensão
ou mesmo em processo em que se discuta a própria paternidade.
O entendimento do colegiado foi aplicado em julgamento de recurso no qual o suposto
pai defendeu a impossibilidade jurídica de pedido de execução de alimentos gravídicos, já
que, com o nascimento da criança, teria sido extinta a obrigação alimentar decorrente da
gestação. Segundo ele, as parcelas da pensão também deveriam ser suspensas até que
houvesse o efetivo reconhecimento da paternidade (o número do processo não é divulgado
em razão de segredo judicial).
Em análise da Lei 11.804/2008, que regula a matéria, o ministro relator, Marco Aurélio
Bellizze, esclareceu inicialmente que os alimentos gravídicos não se confundem com a pensão
alimentícia, pois, enquanto esta última se destina diretamente ao menor, os primeiros têm
como beneficiária a própria gestante.
Em seu voto, citou as lições de Patrício Jorge Lobo Vieira, para quem alimentos desse tipo
podem ser compreendidos como “aqueles devidos ao nascituro e recebidos pela gestante,
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ao longo da gravidez, reconhecendo-se uma verdadeira simbiose entre os direitos da própria
gestante e do próprio nascituro, antes mesmo do seu nascimento”.
Todavia, segundo o ministro, o artigo 6º da lei é expresso ao afirmar que, com o nascimento
da criança, os alimentos gravídicos concedidos à gestante serão convertidos em pensão
alimentícia, mesmo que não haja pedido específico da mãe nesse sentido.
“Tal conversão automática não enseja violação à disposição normativa que exige indícios
mínimos de paternidade para a concessão de pensão alimentícia provisória ao menor durante
o trâmite da ação de investigação de paternidade. Isso porque, nos termos do caput do
artigo 6º da Lei 11.804/2008, para a concessão dos alimentos gravídicos já é exigida antes
a comprovação desses mesmos indícios da paternidade”, destacou o relator.
De acordo com o ministro Bellizze, com a alteração da titularidade dos alimentos, também
será modificada a legitimidade ativa para a proposição de eventual execução.
“Isso significa que, após o nascimento, passará a ser o recém-nascido a parte legítima
para requerer a execução, seja da obrigação referente aos alimentos gravídicos, seja da
pensão alimentícia eventualmente inadimplida. Nessa linha de raciocínio, o nascimento
ocasionará o fenômeno da sucessão processual, de maneira que o nascituro (na figura da
sua mãe) será sucedido pelo recém-nascido”, concluiu o ministro ao negar o recurso especial
do suposto pai.
Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):REsp 1415727 / REsp 1120676 / REsp 1170239
/ REsp 9315563
Então, com tudo isso que comentamos, eu quero apenas chamar sua atenção, novamente,
para um tema muito abordado em prova, que é a questão do Direito Sucessório e da
Personalidade Jurídica.
Observe que a partir da redação do artigo 2º do Código Civil, a gente sabe que o início
da personalidade jurídica se dá a partir do momento em que se nasce vivo, a partir do
funcionamento do aparelho cardiorrespiratório, quando há a entrada de ar nos pulmões. Nós
falamos, também, que o exame realizado para fazer essa aferição é a docimasia hidrostática
de Galeno, que consiste na colocação de fragmentos do pulmão em um líquido.
Isso é muito importante, inclusive, para fins de direito sucessório. Se o pai da criança
que está no ventre materno falece durante a gestação, o nascituro poderá ser herdeiro.
Na qualidade de herdeiro, poderá adquirir personalidade jurídica e, por consequência, a
sua herança. Se ele respirar, receberá a herança imediatamente e, falecendo em seguida,
transferirá a herança para a mãe, na ordem de vocação hereditária do art. 1829, CC.
3 https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias-antigas/2019/Jurisprudencia-reconhece-di-
reitos-e-limites-a-protecao-juridica-do-nascituro.aspx#:~:text=A%20jurisprud%C3%AAncia%20do%20STJ%20
possibilita,nascimento%20com%20vida%2C%20ºu%20repercutam
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Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
I – aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o
falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640,
parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado
bens particulares;
II – aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
III – ao cônjuge sobrevivente;
IV – aos colaterais.
Caso o bebê não respire, será considerado natimorto. Não adquiriu personalidade jurídica
e, por isso, não recebeu direitos e deveres e, por isso, não recebeu a herança. Sendo assim,
a herança do genitor vai seguir a ordem normal, dos casos em que não há descendentes.
(recordar é viver!)
Ainda, convém destacarmos aqui algumas terminologias que não se confundem:
• Nascituro: Aquele que tem vida intrauterina, que está no ventre materno,
independentemente do que se pensa a respeito da nidação ou do momento do coito.
• Concepturo: É aquele que ainda nem foi concebido. Quando falamos em concepturo,
falamos em prole eventual. É um conceito estudado na aula de fideicomisso, no direito
sucessório. Exemplo: eu quero deixar um apartamento em testamento para o filho
de Maria e ela sequer está grávida.
A gente aplica as regras das substituições fideicomissárias do direito sucessório.
O concepturo é, portanto, a prole que ainda vai existir. Pode vir a receber herança? Pode
como prole eventual seguindo a regra do fideicomisso que, aliás, já foi cobrado em sede
de segunda fase do exame de ordem em direito civil, olha só esse padrão de resposta que
a FGV considerou no 38º Exame de Ordem:4
4 https://oab.fgv.br/arq/641/628224_OAB%20XXXVIII%20-%20CNS22%20-%20GABARITO%20JUSTIFICADO%20-%20
DIREITO%20CIVIL.pdf
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Não podemos deixar de considerar que pode vir a ser cobrado em primeira fase...
Embrião congelado/ criogenizado/ excedentário: É aquele embrião que foi congelado
em virtude de uma fertilização in vitro (FIV). É utilizada por pessoas que não conseguem
ter filhos pelo método tradicional. Imagine que Maria e João recorrem ao tratamento da
FIV. Nele, são retirados óvulos da mulher e o material do homem, fazendo-se a fecundação
em um tubo de ensaio. Alguns embriões são inseridos no ventre materno e outros ficam
congelados. Os defensores da teoria concepcionista defendem que mesmo o embrião
congelado já é pessoa. Essa discussão veio à tona quando do julgamento da ADI n. 3510,
do STF, que discutiu o art. 5º da Lei de Biossegurança, que mencionamos anteriormente.
Art. 5º É permitida,para fins de pesquisa e terapia, a utilização de células-tronco embrionárias
obtidas de embriões humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo
procedimento, atendidas as seguintes condições:
I – sejam embriões inviáveis; ou
II – sejam embriões congelados há 3 (três) anos ou mais, na data da publicação desta Lei, ou que,
já congelados na data da publicação desta Lei, depois de completarem 3 (três) anos, contados
a partir da data de congelamento
Quando o embrião congelado é colocado (INSEMINADO) no ventre materno, passa a ser
um nascituro e ali ele se desenvolve.
Agora, quando, e enquanto, congelado, será chamado de embrião criogenizado.
Retomo o tema pela importância – na citada ADI, pleiteou-se a declaração da
inconstitucionalidade desse artigo da Lei de Biossegurança, sob o argumento de que permitir
tratamento com células-tronco embrionárias obtidas a partir de embriões congelados
significaria matar uma pessoa, porque ali haveria uma pessoa.
Várias entidades e médicos foram ouvidos como amici curiae – é muito utilizado como
referência para tratar do amicus curiae, previsto no art. 138 do CPC. Também foram levados
em consideração aspectos religiosos. Alguns defenderam que, naquele estágio, havia vida
humana e, outros, o contrário.
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É um acórdão extenso, que vale a leitura a título de informação e esclarecimento.
Segue o link para ler, se quiser https://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.
jsp?docTP=TP&docID=583645&prcID=2299631#
Nesse caso, o STF decidiu que o art. 5º da Lei de Biossegurança é constitucional, e que o
embrião congelado, considerando a aplicabilidade do art. 2º do CC, é um objeto de direito,
em virtude da teoria natalista.
Portanto, é possível visualizar, na jurisprudência brasileira, tanto aspectos concepcionistas
(STJ), quanto aspectos natalistas (STF).
Não podemos afirmar categoricamente que, porque o STF decidiu assim, todos devemos
adotar a teoria natalista.
Inclusive, vale a pena observar que no dia 31/03/2023, o site do STF publicou a notícia
que rememora a decisão histórica do Supremo, que afeta mulheres que fazem tratamentos
de fertilidade e decidem doar embriões excedentes para pesquisa, olha só5:
MÊS DA MULHER: STF LIBERA O USO DE CÉLULAS-TRONCO EMBRIONÁRIAS EM PESQUISAS
CIeNtÍFICAS
A última matéria da série especial rememora a decisão histórica do STF, que afeta
mulheres que fazem tratamentos de fertilidade e decidem doar embriões excedentes
para pesquisa.
5 https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=504929&ori=1
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Em julgamento histórico, em maio de 2008, o Plenário do Supremo Tribunal Federal
(STF) autorizou o uso científico de células-tronco embrionárias para fins terapêuticos,
descaracterizando, com isso, o conceito de aborto e o de violação à dignidade humana e à
própria vida.
A decisão tem implicações importantes para toda a sociedade, mas sobretudo para as
mulheres que passam por tratamentos de fertilidade e para as que decidem doar embriões
excedentes para pesquisa. Tem impacto, também, sobre a saúde das mulheres, uma vez
que essas células-tronco podem ser usadas para tratamentos doenças que as afetam
predominantemente, como endometriose e câncer de mama.
leI DA BIoSSeGUrANÇA
Em decisão apertada, o Plenário validou o artigo 5º da Lei de Biossegurança (Lei n.
11.105/2005), que autoriza a utilização de células-tronco embrionárias obtidas de embriões
humanos produzidos por fertilização in vitro e não utilizados no respectivo procedimento. As
condições são de que os embriões sejam “inviáveis” (que não servem mais para a reprodução
humana assistida) ou congelados há três anos ou mais, além do consentimento dos genitores.
A lei também exige a aprovação das pesquisas pelos comitês de ética das universidades e
proíbe a comercialização de células ou embriões, a engenharia genética e a clonagem humana.
Na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 3510, a Procuradoria-Geral da República
(PGR) sustentava que a disposição feria a proteção constitucional do direito à vida e a
dignidade da pessoa humana, com o argumento de que o embrião é uma vida humana.
CoNStItUCIoNAlISMo FrAterNAl
Contudo, seguindo o voto do relator, ministro Ayres Britto (aposentado), a maioria da
Corte concluiu que a previsão da Lei de Biossegurança não representa desprezo ou desapreço
pelos embriões congelados, inviáveis biologicamente ou para os fins a que se destinam,
mas a valorização do constitucionalismo fraternal.
Para o ministro, a pesquisa com células-tronco embrionárias objetiva o enfrentamento
e cura de patologias e traumatismos que limitam, atormentam e não raras vezes degradam
a vida de grande número de pessoas – doenças como atrofias espinhais progressivas,
distrofias musculares, esclerose múltipla, neuropatias e outras doenças do neurônio motor.
INÍCIo DA vIDA
Para a maioria do Plenário, a Constituição Federal não dispõe sobre o início da vida humana
ou o instante preciso em que ela começa, mas trata dos direitos e garantias individuais da
pessoa. Assim, o embrião pré-implantado é um bem a ser protegido, mas não uma pessoa
no sentido biográfico.
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Parte Geral – Parte I
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A decisão enfatiza que a Lei de Biossegurança não autoriza a retirada de embriões
do corpo feminino. Não se trata, portanto, de interrupção da gravidez, mas de embrião
resultante de procedimento de fertilização in vitro, a ser descartado.
DIGNIDADe
Outro ponto destacado no julgamento foi o respeito ao direito fundamental ao
planejamento familiar, que envolve os princípios da dignidade da pessoa humana e da
maternidade e da paternidade responsável. Sob essa ótica, a opção de um casal ou de uma
mulher pelo processo de fertilização artificial não acarreta o dever jurídico de aproveitamento
de todos os embriões eventualmente formados e que sejam geneticamente viáveis.
No mesmo sentido, o processo de fertilização in vitro não implica o dever da tentativa
de implantação de todos os óvulos fecundados no corpo da mulher (nidação). Admitir essa
obrigação seria tratar a mulher de modo desumano e degradante.
Assim, para a corrente majoritária, para que fosse reconhecido o direito pleno à vida do
embrião fertilizado in vitro, seria necessário reconhecer a ele o direito a um útero, o que
não é autorizado pela Constituição Federal.
AGeNDA 2030
A série de matérias “O STF e os direitos das mulheres” está alinhada com o Objetivo
de Desenvolvimento Sustentável n. 5 da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas
(ONU), que visa alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
Feitas tais considerações, a gente entra em um outro tópico relacionado à pessoa
natural que é a CAPACIDADE.
Vale lembrar que, no mesmo momento em que se adquire a personalidade jurídica, se
adquire a capacidadede direito.
A personalidade jurídica (art. 2º, CC) é a aptidão genérica para titularizar direitos e deveres.
Já a capacidade de direito (ou capacidade de gozo) é prevista no art. 1º do CC, que diz
que TODA PESSOA É CAPAZ DE DIREITOS E DEVERES.
Obs.: NÃO EXISTE NINGUÉM INCAPAZ DE DIREITO!
Quando a pessoa completa 18 anos, adquire a capacidade de fato.
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No CC/1916, a capacidade de fato era adquirida aos 21 anos, que era a maioridade
daquela época. Por isso, vocês vão ver, na parte de emancipação, que algumas coisas foram
copiadas do CC anterior.
Capacidade de fato também é chamada de capacidade de exercício.
É um momento em que você vai exercer, sozinho, os atos da vida civil.
EXEMPLO
um menino de 10 anos de idade pode ter conta no Banco do Brasil? Sim, porque ele tem
personalidade jurídica e capacidade de direito. Ele pode responder pelo prejuízo que causar?
Sim, porque ele tem personalidade jurídica e capacidade de direito. Embora, conforme o
art. 928, CC, a responsabilidade seja subsidiária, o menor de idade pode ser responsabilizado.
O detentor de personalidade jurídica, capacidade de direito e capacidade de fato é
considerado plenamente capaz.
Mas professora, quem é o incapaz?Mas professora, quem é o incapaz?
Então, é aquele que não tem capacidade de fato.
Não tem capacidade de exercer, sozinho, os atos da vida civil. O menino de 10 anos
pode ter conta no Banco do Brasil, mas não conseguirá abri-la sozinho. Necessitará de um
representante para praticar o ato. Se na prova cair uma afirmativa dizendo que o incapaz
é incapaz de direito e de fato, está ERRADO, pois NÃO existe incapacidade de direito!
Se você tiver dificuldade de memorizar isso, é só lembrar da ordem alfabética: o D vem
antes do F.
Gente, aqui algo é extremamente importante: PESSOA COM DEFICIÊNCIA É CAPAZ! Pode
casar, ter filhos, tomar decisões a respeito da sua própria vida. Isso vem sendo cobrado na
prova da OAB com frequência.
O Estatuto da Pessoa com Deficiência foi promulgado e publicado em 2015, teve um
período de vacatio legis de 180 dias, passou a ter vigência em janeiro de 2016 e trouxe
uma revolução no sistema de incapacidades do Código Civil, bem como em outros ramos
do Direito. Olha só isso:
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REDAÇÃO ORIGINAL
Artigo 3º do CC Artigo 4º do CC
Art. 3 o São absolutamente incapazes de
exercer pessoalmente os atos da vida civil:
I – os menores de dezesseis anos;
II – os que, por enfermidade ou deficiência
mental, não tiverem o necessário
discernimento para a prática desses atos;
III – os que, mesmo por causa transitória,
não puderem exprimir sua vontade.
Art. 4 o São incapazes, relativamente a certos
atos, ou à maneira de os exercer:
I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito
anos;
II – os ébrios habituais, os viciados em tóxicos,
e os que, por deficiência mental, tenham o
discernimento reduzido;
III – os excepcionais, sem desenvolvimento mental
completo;
IV – os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos índios será
regulada por legislação especial.
REDAÇÃO APÓS ESTATUTO
Art. 3º São absolutamente incapazes de
exercer pessoalmente os atos da vida civil
os menores de 16 (dezesseis) anos.
Art. 4º São incapazes, relativamente a certos
atos ou à maneira de os exercer:
I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito
anos;
II – os ébrios habituais e os viciados em tóxico;
III – aqueles que, por causa transitória ou
permanente, não puderem exprimir sua vontade;
IV – os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será
regulada por legislação especial.
Aliás, você não pode confundir capacidade com legitimidade!
• CAPACIDADE: É isso que nós estamos estudando. Observe que se trata de uma visão
bem genérica, analisada junto com o fenômeno da personalidade.
• LEGITIMIDADE: É uma capacidade específica, para praticar um ato específico.
EXEMPLO:
Alguém de 36 anos pode se casar, mas não com o seu irmão, por exemplo. Isso porque, para
aquele ato, ela não tem legitimidade.
Voltando à questão dos incapazes, observamos que: novo sistema de incapacidades
que temos hoje tem por base o Estatuto da Pessoa com Deficiência – Lei n. 13.146/2015.
Obs.: Hoje, temos a valorização da dignidade-liberdade, em detrimento da
dignidade-vulnerabilidade.
Como vimos, no Código Civil de 2002, em sua redação original, tínhamos um sistema
de incapacidades totalmente diferente, vejamos:
O Estatuto da Pessoa com Deficiência trouxe uma verdadeira revolução, alterando
esses artigos.
Hoje, se fala em um sistema de liberdade.
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A gente preconiza a dignidade da pessoa humana em relação à sua liberdade na vida,
até mesmo como um aspecto de observância do conceito de felicidade.
Esse aspecto de dignidade-vulnerabilidade ficou para trás, porque, quando a gente
observava as pessoas com deficiência à luz da redação original do CC/2002, elas eram vistas
como seres incapazes.
Hoje, com a modernização das técnicas de tratamento, há uma maior inserção dessas
pessoas na vida em sociedade, no âmbito do trabalho e tudo o mais.
A gente vê pessoas com Síndrome de Down atuando em novelas, formando-se
profissionalmente na vida, trabalhando...
Então eu quero que você compreenda que o Estatuto veio para dar margem de liberdade
a essas pessoas, tirando o aspecto de vulnerabilidade que a elas era atribuído.
Sob um aspecto positivo, essa mudança trouxe uma maior humanização do direito,
evidentemente.
Por outro lado, entendo que foi, um tanto quanto, reduzida a proteção que essas
pessoas tinham no âmbito do Direito Civil, porque, se antes você se deparava com alguma
situação de deficiência, especialmente mental, os atos praticados por essa pessoa seriam
inválidos. Agora, são válidos e, infelizmente, a gente nunca sabe o que se passa pela mente
do outro sujeito.
Mas isso é algo que deve ser objeto de ponderação quando você estiver exercendo sua
profissão.
O Estatuto da Pessoa com Deficiência não trata apenas da pessoa com deficiência
mental, mas também sensorial e física.
São vários aspectos que são trabalhados e que a gente deve ter muito cuidado.
Interessante lembrar que falamos muito do Código Civil de 1916, e essa lei tratava dos
“loucos de todo gênero”, expressão hoje tida como pejorativa e não mais utilizada.
Dá só uma olhadinha nesse artigo do Estatuo da Pessoa com Deficiência que vem
sendo cobrado:
Art. 6º A deficiência não afeta a plena capacidade civil da pessoa, inclusive para:
I – casar-se e constituir união estável;
II – exercer direitos sexuais e reprodutivos;
III – exercer o direito de decidir sobre o número de filhos e de ter acesso a informações
adequadas sobre reprodução e planejamento familiar;
IV – conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização compulsória;
V – exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e
VI – exercer o direitoà guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como adotante ou adotando,
em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.
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Então, estamos diante de uma nova era, em que pessoas, mesmo que com algum grau
de deficiência, possuem ampla liberdade para tomar as decisões que concernem à sua
própria vida.
Quando o Estatuto da Pessoa com Deficiência entrou em vigência, essas pessoas listadas
no dispositivo legal “dormiram” sendo incapazes e “acordaram” sendo capazes de praticar
os atos da vida civil.
Eu tinha um caso no meu escritório em que uma pessoa com deficiência precisou entrar
com um processo judicial para poder se casar. Muito se discutia se era possível ou não. Com
a entrada em vigor dessa legislação, o caso foi resolvido. Olhem a relevância disso!
Às vezes, quando não temos ninguém próximo, nessa situação, não conseguimos
compreender como isso foi importante. Por isso, vocês devem ter muito cuidado ao aplicar
a letra fria da lei, quando assumirem e estiverem exercendo a profissão.
Cada processo envolve a vida de alguém.
Todos os que integram o processo devem ter olhos sensíveis para perceber as peculiaridades
de cada caso concreto.
Olha só esse artigo aqui, também do Estatuto:
Art. 84. A pessoa com deficiência tem assegurado o direito ao exercício de sua capacidade legal
em igualdade de condições com as demais pessoas.
§ 1º Quando necessário, a pessoa com deficiência será submetida à curatela, conforme a lei.
§ 2º É facultado à pessoa com deficiência a adoção de processo de tomada de decisão apoiada.
(art. 1.783-A, CC)
§ 3º A definição de curatela de pessoa com deficiência constitui medida protetiva extraordinária,
proporcional às necessidades e às circunstâncias de cada caso, e durará o menor tempo possível.
§ 4º Os curadores são obrigados a prestar, anualmente, contas de sua administração ao juiz,
apresentando o balanço do respectivo ano.
A curatela, muito cobrada em prova, passou a ser medida excepcional, já que a pessoa
com deficiência é capaz.
A tomada de decisão apoiada é feita mediante processo judicial, com todo o respaldo
e cautela que devemos ter no processo de curatela.
Também é possível, agora, a curatela compartilhada.
Sobre o tema o STJ elencou as seguintes teses:
JURISPRUDÊNCIA
a) É cabível a ação civil pública que objetiva obrigação de fazer a fim de garantir
acessibilidade nos prédios públicos ou privados às pessoas com deficiência. (AgInt no
REsp 1563459/SE, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em
03/08/2017, DJe 14/08/2017)
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JURISPRUDÊNCIA
b) A instalação de caixas de autoatendimento adaptados às pessoas com deficiência
pelas instituições financeiras deve seguir as normas técnicas de acessibilidade da
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT no que não conflitarem com a Lei
n. 7.102/1983, bem como a regulamentação do Conselho Monetário Nacional – CMN.
(AgRg no AREsp 582987/RJ, Rel. Ministra MARIA ISABEL GALLOTTI, QUARTA TURMA,
julgado em 04/11/2014)
JURISPRUDÊNCIA
c) As instituições financeiras devem utilizar o Sistema Braille nas contratações bancárias
(contratos bancários de adesão e todos os demais documentos fundamentais para a
relação de consumo) estabelecidas com a pessoa com deficiência visual, a fim de atender
ao direito de informação do consumidor, indispensável à validade da contratação, e,
em maior extensão, ao princípio da dignidade da pessoa humana. (AgInt nos EDcl no
AREsp 2037749/RJ, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado
em 19/09/2022, DJe 21/09/2022)
JURISPRUDÊNCIA
d) As pessoas com deficiência têm direito a um mínimo das vagas ofertadas em concurso
público; caso a aplicação do referido percentual resulte em número fracionado, este
deverá ser elevado até o primeiro número inteiro subsequente, desde que respeitado
o limite máximo do percentual legal das vagas oferecidas no certame. (AgInt nos
EDcl no RMS 56343/MS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em
24/10/2022, DJe 24/11/2022)
JURISPRUDÊNCIA
e) A reserva de vagas em concursos públicos destinadas às pessoas com deficiência
não pode se restringir àquelas oferecidas por localidade, devendo ser computadas pela
totalidade de vagas oferecidas no certame. (AgInt no RMS 043947/DF, Rel. Ministro
FRANCISCO FALCÃO, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/03/2018, DJe 12/03/2018)
JURISPRUDÊNCIA
f) O portador de visão monocular tem direito de concorrer, em concurso público, às
vagas reservadas aos deficientes. (Súmula n. 377/STJ) (AgInt no AREsp 1663137/DF,
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Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/11/2020, DJe
24/11/2020)
JURISPRUDÊNCIA
g) O portador de surdez unilateral não se qualifica como pessoa com deficiência para
o fim de disputar as vagas reservadas em concursos públicos. (Súmula n. 552/STJ)
(AgInt na AR 6516/MS, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
27/11/2019, DJe 02/12/2019)
JURISPRUDÊNCIA
h) É direito do devedor fiduciante a retirada dos aparelhos de adaptação de veículo
automotor (pertenças) para direção por deficiente físico, se anexados ao bem
principal em momento posterior à celebração do contrato fiduciário, quando houver
o descumprimento do pacto e a consequente busca e apreensão do bem, entendimento
que se coaduna, também, com a solidariedade social verificada na Constituição Federal
e na Lei n. 13.146/2015 – Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. (REsp
1667227/RS, Rel. Ministro MARCO AURÉLIO BELLIZZE, TERCEIRA TURMA, julgado em
26/06/2018, DJe 29/06/2018)
JURISPRUDÊNCIA
i) O lapso temporal para a concessão da isenção do Imposto sobre Produtos
Industrializados – IPI na aquisição de veículo automotor por pessoa com deficiência,
deve ser interpretada de maneira a satisfazer o caráter humanitário da política fiscal;
portanto é possível o reconhecimento ao contribuinte do direito à nova isenção legal
na aquisição de novo automóvel quando comprovado o roubo do veículo anteriormente
adquirido. (REsp 1390345/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA
TURMA, julgado em 24/03/2015, DJe 07/04/2015)
Bom, voltando...
Você se lembra que falamos que o incapaz é aquele que não possui capacidade de fato?
Existem duas modalidades de incapacidade:
ABSOLUTAMENTE INCAPAZ e RELATIVAMENTE INCAPAZ
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Art. 3º São absolutamente incapazes de
exercer pessoalmente os atos da vida civil
os menores de 16 (dezesseis) anos.Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou
à maneira de os exercer:
I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;
II – os ébrios habituais e os viciados em tóxico;
III – aqueles que, por causa transitória ou permanente,
não puderem exprimir sua vontade;
IV – os pródigos.
Parágrafo único. A capacidade dos indígenas será
regulada por legislação especial.
Sendo assim, hoje, uma pessoa com deficiência é considerada CAPAZ.
Se ela não conseguir manifestar sua vontade, seja por uma causa transitória (coma)
ou por uma causa permanente (uma doença degenerativa), ela será, na pior das hipóteses,
relativamente incapaz – encaixada no inciso III do artigo 4º.
As provas costumam colocar assim: “Fulano sofreu um acidente há 20 anos e, desde
então, está em coma, respira por aparelhos, não consegue manifestar sua vontade”. Na
redação original do CC/2002, essa pessoa seria absolutamente incapaz. Porém, hoje, essa
pessoa é relativamente incapaz.
Hoje, podemos dizer que a incapacidade absoluta se confunde com a natural, que é,
exclusivamente, pela idade.
Obs.: Nem todo naturalmente incapaz é absolutamente incapaz, mas todo absolutamente
incapaz é naturalmente incapaz, porque ele é menor de 16 anos.
(ficou lindo isso, rsrsrs)
Professora, e os menores?Professora, e os menores?
Ah sim, os menores são denominados menores impúberes ou púberes, respectivamente,
absolutamente ou relativamente.
Não confunda as idades do Código Civil com as idades do Estatuto da Criança e do
Adolescente. O ECA trabalha com o conceito de criança até os 12 anos incompletos e o
conceito de adolescente, dos 12 aos 18 anos incompletos.
Aqui, a gente não fala de “criança” e “adolescente”. Falamos em “menor púbere” e “menor
impúbere”, “absolutamente incapaz” e “relativamente incapaz”.
Mas, professora, existe questão relevante acerca dessa questão de capacidade?Mas, professora, existe questão relevante acerca dessa questão de capacidade?
Vixe, demais da conta...
Olha só alguns aspectos relevantes sobre essa questão da capacidade:
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Parte Geral – Parte I
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• Opinião de absolutamente incapazes: Enunciado 138 da JDC: a vontade dos
absolutamente incapazes, na hipótese do inciso I do artigo 3º, é juridicamente relevante
na concretização de situações existenciais a eles concernentes, desde que demonstrem
discernimento suficiente.
É por isso que, em alguns casos, uma criança pode ter sua opinião levada em consideração.
Exemplo disso é a fixação de guarda de menor. Porém, isso se dá de maneira relativa, e não
absoluta, uma vez que pode acontecer, por exemplo, de um dos pretensos guardiões dar
muitos presentes à criança e, portanto, a opinião desta estaria turvada pelas vantagens
recebidas. A criança é um ser bastante interesseiro porque ainda não tem discernimento,
mas o juiz pode levar sua opinião em consideração.
• Índios – Lei n. 6.001/1973 – Estatuto do Índio – Não se pode afirmar que o índio é
considerado absoluta ou relativamente incapaz pelo Código Civil, porque eles possuem
legislação específica. Já foram tratados como absolutamente incapazes, pelo CC/1916
(“Silvícolas”), mas, hoje, possuem legislação própria. Os índios inseridos em sociedade
são capazes para praticar os atos da vida civil. Os não inseridos em sociedade, por
sua vez, poderão ter seus atos invalidados.
• Surdos: Não se fala em “surdo-mudo”, porque, na verdade, ele não consegue falar
porque não ouve. Então falamos somente “surdo”. O surdo é capaz. É uma espécie de
deficiência tratada pelo EPD.
• Ausentes são aquelas pessoas que desaparecem do domicílio sem deixar notícias.
Eles já foram tidos como incapazes na legislação anterior. Hoje, onde quer que eles
estejam vivendo, são capazes. Para a caracterização da ausência, é necessária a não-
presença e a não-notícia.
• Os incapazes podem praticar atos da vida civil, desde que sejam representados.
A representação tem uma profundidade. A mais profunda é chamada de “representação”
mesmo, em sentido estrito. Uma representação mais leve é chamada de “assistência”.
A gente sabe que os absolutamente incapazes são representados e os relativamente
incapazes são assistidos.
Mas quem representa essas pessoas? Em relação aos menores, a representação virá
dos genitores, em virtude do poder familiar, que é automático e inerente à condição de
mãe e pai.
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Parte Geral – Parte I
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Trata-se de um poder dos genitores em relação aos filhos menores.
Ele pode chegar ao fim pela morte dos pais ou pela destituição do poder familiar (e,
evidentemente, com a maioridade).
Quando houver extinção do poder familiar pela morte dos pais, deverá ser designado
um tutor a esse menor.
O mesmo deve ocorrer quando há a sua destituição, com base no artigo1.638 do CC.
Não se esqueça que, hoje, temos uma novidade que foi inserida no parágrafo único do
referido artigo, que é uma nova modalidade de perda do poder familiar – muito cobrada
em prova, por sinal:
Art. 1.638. Perderá por ato judicial o poder familiar o pai ou a mãe que:
I – castigar imoderadamente o filho;
II – deixar o filho em abandono;
III – praticar atos contrários à moral e aos bons costumes;
IV – incidir, reiteradamente, nas faltas previstas no artigo antecedente.
V – entregar de forma irregular o filho a terceiros para fins de adoção.
Parágrafo único. Perderá também por ato judicial o poder familiar aquele que:
I – praticar contra outrem igualmente titular do mesmo poder familiar:
a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando
se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou
discriminação à condição de mulher;
b) estupro ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena de reclusão;
II – praticar contra filho, filha ou outro descendente:
a) homicídio, feminicídio ou lesão corporal de natureza grave ou seguida de morte, quando
se tratar de crime doloso envolvendo violência doméstica e familiar ou menosprezo ou
discriminação à condição de mulher;
b) estupro, estupro de vulnerável ou outro crime contra a dignidade sexual sujeito à pena
de reclusão.
Outro ponto bem cobrado em prova também e é muito importante você saber, é que
quem tem o direito de nomear o tutor são os pais, por meio de documento autêntico ou
de testamento, conforme artigo: 1.729 do CC.
Então, quando existe uma situação em que, por exemplo, o pai faleceu e a mãe está em
estágio terminal de câncer, ela poderá deixar consignada, por meio de documento ou de
testamento, a indicação de quem ela deseja que seja o tutor do seu filho.
Todavia, se os pais perderem o poder familiar, também perderão esse direito de nomear
tutor para o filho – óbvio, Brasil!
O instituto da tutela é estudado no direito das famílias e faz referência a um cuidado,
zelo, guarda dos menores.
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