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DIREITO CIVIL
Parte Geral – Parte II
Livro Eletrônico
Presidente: Gabriel Granjeiro
Vice-Presidente: Rodrigo Calado
Diretor Pedagógico: Erico Teixeira
Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi
Gerente de Produção Digital: Bárbara Guerra
Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes
Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais 
do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de 
uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às 
penalidades previstas civil e criminalmente.
CÓDIGO:
250513074739
 
ROBERTA QUEIROZ
Mestre em Direito pela Universidade Católica de Brasília, com dissertação na área 
de Direito Processual Civil – Negócios Jurídicos Processais. Especialista em Direito 
Processual Civil, pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em novembro de 2009. 
Graduada em Direito, pela Universidade Católica de Brasília, em dezembro de 2005. 
Foi professora universitária do curso de Direito da Universidade Católica de Brasília. 
Docente nas disciplinas de Direito Civil e Direito Processual Civil desde 2007 para 
pós-graduação, preparatório de Exame de Ordem e concursos das carreiras jurídicas. 
Professora de cursos de aperfeiçoamento na advocacia em Direito Civil e Processo 
Civil na Escola Superior da Advocacia de Brasília – ESA/DF. Coordenadora do curso 
preparatório para Exame de Ordem do Gran Cursos Online. Advogada inscrita na 
OAB-DF.
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Parte Geral – Parte II 
Roberta Queiroz
SUMÁRIO
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Parte Geral – Parte II . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1. Direitos da Personalidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
2. Pessoa Jurídica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
3. Domicílio e Residência . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
4. Bens . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50
4.1. Dos Bens Considerados em Si Mesmos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
4.2. Dos Bens Reciprocamente Considerados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 60
4.3. Dos Bens Públicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 75
Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82
Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83
 
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Roberta Queiroz
APreSeNtAÇÃoAPreSeNtAÇÃo
Olá, caro(a) aluno(a), tudo bem com você?
Vamos dar continuidade ao nosso curso? Vamos para mais um capítulo da nossa novela 
de Direito Civil.
No encontro anterior, conversamos sobre todos os aspectos da pessoa natural, mas 
hoje precisamos falar um pouco mais sobre esse tema e alguns outros.
Neste encontro, você vai encontrar temas sobre Direitos da Personalidade, Pessoa 
Jurídica, Domicílio e Residência e Bens.
Então, veja que estamos seguindo a estrutura do Código Civil.
Olha só isso:
• Direitos da personalidade: artigos 11 a 21 do Código Civil;
• Pessoa jurídica: artigos 40 a 69 do Código Civil;
• Domicílio e residência: artigos 70 a 78 do Código Civil;
• Bens: artigos 79 a 103 do Código Civil.
Boa viagem!
 
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PARTE GERAL – PARTE IIPARTE GERAL – PARTE II
1 . DIreItoS DA PerSoNAlIDADe1 . DIreItoS DA PerSoNAlIDADe
No encontro anterior, conversamos sobre todos os aspectos da pessoa natural, certo?
Então, ainda temos um pouquinho para conversar aqui sobre essa pessoa natural...
Meu coração até bate mais forte, pois é um dos temas que mais amo no Direito Civil.
Falar sobre direitos da personalidade é falar do coração e da alma, é falar do que há de 
mais lindo na preocupação com a pessoa humana.
Na aula anterior falamos muito que a Dignidade da Pessoa Humana é o foco principal 
do atual ordenamento jurídico civilista e, como não poderia deixar de ser, nosso Código Civil 
carrega alguns artigos sobre isso.
Nós vimos que a pessoa natural é regulada pelo Código Civil, do artigo 1º ao 39, mas, 
entre eles, temos outros artigos destinados aos direitos da personalidade – artigos 11 a 
21, que é um dos nossos temas de hoje.
Considerando que temos 2.046 artigos no Código Civil e que é a maior norma do nosso 
ordenamento jurídico...
Apenas do 11 ao 21 são destinados aos direitos da personalidade.
Pouco, né, professora?Pouco, né, professora?
Pouquíssimo.
Digo pouco, porque hoje, o centro do nosso ordenamento jurídico é a pessoa natural 
e diante da sua extrema relevância, esta será uma das nossas aulas com mais detalhes...
Embora nem todos esses detalhes sejam tão cobrados, eu preciso contar tudo sobre 
esse tema pra vocês, ou, pelo menos, quase tudo.
Para começar, devemos lembrar que direitos da personalidade e personalidade jurídica 
são institutos totalmente diferentes!
Já foi cobrada, em uma prova de magistratura, uma questão que pedia a teoria aplicada 
pelo Código Civil no tocante ao direito à vida – direito de personalidade, e o pessoal confundiu 
com as teorias sobre personalidade jurídica.
Primeiramente, temos que ressaltar que o direito à vida é, como disse, um direito 
da personalidade e, por isso, você não pode confundir direito da personalidade com 
personalidade jurídica.
Nós já vimos que personalidade jurídica é a aptidão genérica para titularizar direitos 
e deveres.
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ConsiderandoBrasileiro 2020: Parte Geral. Vol. I. 18 ed. Saraiva. 2020.
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Agora, quando você olhar para a sociedade, não verá Aragonê e Roberta, mas, sim, uma pessoa 
bem maior, que é a pessoa jurídica, protegida pelo manto protetor chamado personalidade 
jurídica e aqui ilustrado pelo círculo abaixo.
Por isso é que existe a denominação de “sociedade irregular” ou “sociedade de fato”: ela só 
existe no mundo dos fatos.
Imagine, agora, que, no nosso primeiro exemplo, da sociedade irregular, eu e o Aragonê 
decidimos contratar a Raquel para ensinar no nosso curso.
Ela ministra as aulas e nós não a pagamos. E agora?
A demanda ajuizada por ela terá no seu polo passivo Roberta e Aragonê, pois não existirá 
pessoa jurídica.
Isto porque, em uma sociedade irregular, temos a característica da responsabilidade ilimitada 
dos sócios, não havendo o “manto protetor” da personalidade jurídica.
No caso do segundo exemplo, onde temos uma pessoa jurídica, imagine que ela se chama 
“GranCursos”. A Raquel é contratada para ministrar as aulas e não recebe pelo seu trabalho.
Nesse cenário, ela deverá ajuizar a sua demanda em desfavor do “GranCursos”, pois o 
“GranCursos” é sujeito de direito com personalidade jurídica.
Se o “GranCursos” não tiver dinheiro para pagar essa dívida, o juiz abrirá uma “fenda” nesse 
“manto protetor” (pessoa jurídica) e atingirá o patrimônio individual das pessoas naturais 
que integram essa pessoa jurídica (Roberta e Aragonê).
Ele (o juiz), então, “sai”, fecha esse “manto protetor”, e finge que nada aconteceu.
Isso é o que chamamos de “desconsideração da personalidade jurídica”.
A desconsideração da personalidade jurídica, portanto, não extingue a personalidade 
jurídica. Veja que, no nosso exemplo lúdico, eu falei que o juiz apenas abre uma fenda e 
depois fecha. Ele não retira completamente o manto da personalidade jurídica. Sendo 
assim, sempre que a prova afirmar que a desconsideração da personalidade jurídica gera 
a despersonificação, está ERRADO!
Despersonificar seria o ato de extinguir a pessoa jurídica, e não é isso que acontece.
A desconsideração é TEMPORÁRIA. Depois, tudo volta a ser como era antes.
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Você se lembra que a pessoa natural passa a existir a partir do nascimento com vida? 
A certidão de nascimento da pessoa natural tem natureza DECLARATÓRIA. Essa natureza 
se aplica às demais certidões relacionadas à pessoa natural: de óbito, de natimorto... Se a 
natureza é declaratória, o efeito é ex tunc.
Você não faz aniversário na data do registro e sim na data em que você nasceu.
Por outro lado, a pessoa jurídica só passa a existir a partir da inscrição do ato constitutivo 
no respectivo registro. Portanto, a natureza é CONSTITUTIVA e o efeito ex nunc.
Nesse sentido temos a redação do artigo 45 do Código Civil:
Art. 45. Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito privado com a inscrição 
do ato constitutivo no respectivo REGISTRO, precedida, quando necessário, de autorização ou 
aprovação do Poder Executivo, averbando-se no registro todas as alterações por que passar o 
ato constitutivo.
Parágrafo único. Decai em três anos o direito de anular a constituição das pessoas jurídicas de 
direito privado, por defeito do ato respectivo, contado o prazo da publicação de sua inscrição 
no registro.
Professora, o que eu preciso para criar uma pessoa jurídica?Professora, o que eu preciso para criar uma pessoa jurídica?
Disposição... mentira, brincadeira rsrsrsrs
VONTADE HUMANA CRIADORA – OBJETO LÍCITO – ATO CONSTITUTIVO
Quando você estuda Direito Empresarial, recebe uma informação diferente, de que, em 
já existindo sociedade irregular, o registro teria natureza declaratória. Porém, aqui, estamos 
vendo o que prevê o nosso Código Civil.
Para provas de Direito Civil, este deve ser o posicionamento adotado. Nas provas de 
Direito Empresarial, você vai seguir as orientações do professor da matéria, combinado?
Vamos seguir o bonde...
O Código Civil aborda a classificação das pessoas jurídicas a partir do artigo 40.
Ele divide em duas categorias: pessoas jurídicas de direito público e de direito privado.
Quanto às pessoas jurídicas de direito público externo, temos: estados estrangeiros e 
organismos internacionais.
Já no que tange as de direito público interno, temos a União, os Estados, os Municípios, 
o Distrito Federal e as autarquias.
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No caso das fundações públicas, você poderá estudá-las com mais profundidade nas 
aulas de direito administrativo. Lá, elas poderão ser de direito público ou privado. Quando 
for de direito público, será uma verdadeira autarquia, denominada autarquia fundacional 
ou fundação autárquica. A fundação pública de direito privado é a que estudaremos aqui 
no Direito Civil.
O art. 37 da Constituição Federal estabelece que a lei CRIA a autarquia, por ser ela pessoa 
jurídica de direito público, e AUTORIZA A CRIAÇÃO da fundação pública de direito privado, 
da sociedade de economia mista e da empresa pública, porque essas três são pessoas 
jurídicas de direito privado.
Isto porque, como vimos, para que uma pessoa jurídica de direito privado possa existir, 
é necessário o registro do seu ato constitutivo.
A empresa pública e a sociedade de economia mista podem prestar serviço público ou 
explorar atividade econômica. Elas possuem formação empresarial, mas, de acordo com o 
princípio da especialidade, do Direito Administrativo, essas pessoas jurídicas, mesmo sendo 
de direito privado, se subordinam à finalidade específica para a qual elas foram criadas, e 
devem servir ao interesse público.
Quando falamos em União, Estados, DF e Municípios, estamos falando em entes políticos, 
que decorrem do Estado Federado.
A autarquia, por sua vez, é uma entidade administrativa, caso em que será pessoa 
jurídica de direito público.
Vale lembrar que nem toda entidade administrativa é pessoa jurídica de direito público, 
a exemplo das fundações públicas de direito privado, das sociedades de economia mista e 
das empresas públicas, que são regidas por regras predominantemente de direito privado 
(nunca exclusivamente de direito privado! Sempre deve haver o interesse público).
Ufa, credo e cruis para administrativo rsrsrsrs
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Entrou também no rol de pessoas jurídicas de direito privado o tal dos “os empreendimentos 
de economia solidária” que são verdadeiras associações, mas que são regidas por lei própria 
– Lei n. 15.068 de 2024.
Sobre as pessoas jurídicasde direito privado, temos que mencionar o artigo 44 do 
Código Civil, vejamos:
Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado:
I – as associações;
II – as sociedades;
III – as fundações.
IV – as organizações religiosas;
V – os partidos políticos.
VI – as empresas individuais de responsabilidade limitada. (revogado)
VII – os empreendimentos de economia solidária. (Redação dada pela Lei n. 15.068, de 2024)
§ 1º São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações 
religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos 
constitutivos e necessários ao seu funcionamento.
§ 2º As disposições concernentes às associações aplicam-se subsidiariamente aos empreendimentos 
de economia solidária e às sociedades que são objeto do Livro II da Parte Especial deste Código.
§ 3º Os partidos políticos serão organizados e funcionarão conforme o disposto em lei específica.
Trata-se de um rol meramente exemplificativo.
Quando falamos em “organizações religiosas” e “partidos políticos”, estamos falando 
de “associações”.
Da mesma forma, os sindicatos, que não estão nesse rol, são associações.
Sendo assim, podemos dividir esse rol em dois grupos: o das associações e fundações 
e o das sociedades, pois é o que sobra, entende?
ASSOCIAÇÕES E FUNDAÇÕES SOCIEDADES
Não estou pensando em ganhar dinheiro! Estou pensando em ganhar dinheiro!
Veja que o objeto do estudo do direito civil em si é, apenas, associação e fundação; o 
resto fica por conta do empresarial...
Antes de entrar nas diferenças entre Associação e Fundação, quero que observe os 
enunciados da JDC:
• 142 – Art. 44: os partidos políticos, os sindicatos e as associações religiosas possuem 
natureza associativa, aplicando-lhes o Código Civil;
• 143 – Art. 44: a liberdade de funcionamento das organizações religiosas não afasta o 
controle de legalidade e legitimidade constitucional de seu registro, nem a possibilidade 
de reexame pelo Judiciário da compatibilidade de seus atos com a lei e com seus 
estatutos;
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• 144 – Art. 44: a relação das pessoas jurídicas de Direito Privado, constante do art. 44, 
incs. I a V, do Código Civil, não é exaustiva.
ASSOCIAÇÃO FUNDAÇÃO
Conjunto de pessoas e, portanto, precisa-
se de, no mínimo duas.
Conjunto de bens móveis ou imóveis.
AMBAS TÊM FINALIDADE NÃO LUCRATIVA!
Isso não quer dizer que o lucro não possa existir. É até bom que ele exista, porque a pessoa 
jurídica possui despesas com funcionários, contas de água, luz etc.
Porém, em havendo lucro, ele deve ser revertido em favor da própria pessoa jurídica.
Ambas possuem um ESTATUTO, que deve ser registrado no cartório de pessoas jurídicas.
Você está percebendo que a pessoa jurídica vive? Sim, ela vive, tem relações jurídicas... 
Mas ela não tem braço, cabeça, perna... Então alguém deve praticar os atos por ela... Quem?
Art. 47. Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus 
poderes definidos no ato constitutivo.
Embora o Código Civil fale em “representação”, existe uma atecnia, uma vez que o termo 
se refere a incapazes.
A pessoa jurídica NÃO é incapaz, para ser representada.
Sendo assim, a pessoa jurídica será PRESENTADA.
Mas atenção: um item de prova NÃO estaria errado se falasse em representação, até 
porque esse é o termo utilizado no Código Civil, mas é importante que você saiba que o 
termo correto é PRESENTAÇÃO.
No ato constitutivo da pessoa jurídica, há o rol de presentantes e a enumeração de seus 
poderes e deveres.
EXEMPLO
Digamos que lá conste que João está autorizado a praticar o ato X.
Sempre que ele praticar esse ato, presentará a pessoa jurídica.
Será a própria pessoa jurídica quem praticará aquele ato específico.
Se ele praticar um ato Y, diferente do que está previsto no ato constitutivo, a sua atuação não 
vinculará a pessoa jurídica, uma vez que extrapolou os limites dos poderes a ele concedidos.
Ele responderá pessoalmente pelo excesso.
O ato X, do nosso exemplo, é denominado intra vires societatis, porque está dentro do 
permitido pelo ato constitutivo.
O ato Y, fora do permitido pelo ato constitutivo, é chamado de ultra vires societatis.
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Embora isso seja um tema do Direito Empresarial E TENHA HAVIDO ALTERAÇÃO 
LEGISLATIVA DESSE TEMA, é importante que você entenda isso para quando formos estudar 
desconsideração da personalidade jurídica.
Agora eu quero saber se você responde a essa pergunta: a pessoa jurídica pode sofrer 
dano moral?
A posição que deve prevalecer no ordenamento jurídico brasileiro está consolidada em 
diversos julgados (Resp 752.672/RS; AgRG no Resp 865.658/RJ), bem como na súmula 227 
do STJ, bem como nos termos do artigo 52 do CC.
Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a PROTEÇÃO dos direitos da personalidade.
Aqui, vale lembrar a distinção entre honra objetiva e honra subjetiva:
• Honra subjetiva: é o sentimento que eu tenho a meu respeito;
• Honra objetiva: é o sentimento que a coletividade pode ter sobre mim.
Sendo assim, a conduta de alguém pode ofender tanto a honra subjetiva, quanto a 
objetiva, de uma pessoa. Porém, no que tange a pessoa jurídica, não é possível que ela tenha 
a sua honra subjetiva violada. Apenas é possível violar a sua honra objetiva. Por isso, o STJ 
consolidou o entendimento de que é possível que ela sofra danos morais.
JURISPRUDÊNCIA
Súmula 227, STJ. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
Enunciado 286 da IV JDC: Art. 52. Os direitos da personalidade são direitos inerentes e essenciais 
à pessoa humana, decorrentes de sua dignidade, não sendo as pessoas jurídicas titulares de 
tais direitos.
Então, veja que, embora não tenham direitos da personalidade, as pessoas jurídicas 
podem ter a PROTEÇÃO que a eles é dada, conforme prega o art. 52, CC.
Ufa, professora, entendi isso, mas essa súmula se aplica a qualquer pessoa jurídica?Ufa, professora, entendi isso, mas essa súmula se aplica a qualquer pessoa jurídica?
Não mesmo, a pessoa jurídica de direito público NÃO tem direito à indenização por danos 
morais relacionados à violação da honra ou imagem. (Resp 1.258.389/PB).
Observe que quem pode sofrer dano moral em virtude de manifestações de pensamento 
é a pessoa jurídica de direito privado.
Contudo, recentemente, ao julgar a questão relacionado ao caso “Jorgina de Freitas”, o 
STJ entendeu que Fraude pode gerar indenização de danos morais em favor do INSS, que, 
por sua vez, é pessoa jurídica de direito público, vejamos notícia do referido Tribunal:
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A pessoa jurídica de direito público pode pleitear indenização por danos morais 
relacionados à violação de sua honra ou imagem, nas hipóteses em que a credibilidade 
institucional for fortemente agredida e o dano reflexo sobre a sociedade for evidente.
O entendimento foi fixadopela Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) ao 
considerar viável pedido de reparação por danos morais ajuizado pelo Instituto Nacional do 
Seguro Social (INSS) contra pessoas envolvidas no “caso Jorgina de Freitas” – esquema de 
fraude que teria causado à autarquia prejuízos superiores a US$ 20 milhões na década de 1990.
Com o provimento do recurso do INSS, a turma reformou acórdão do Tribunal Regional 
Federal da 2ª Região (TRF2) que, apesar de condenar os réus ao pagamento de mais de R$ 
4 milhões a título de danos materiais, havia considerado impossível impor compensação 
por danos morais em favor da autarquia, devido à natureza de suas atividades, que não 
poderiam sofrer impacto negativo correspondente a um prejuízo mercadológico.
De acordo com o processo, o esquema criminoso contou com a participação de 
advogados e contadores, além de um procurador e um magistrado, e consistia na fixação 
de indenizações em valores muito superiores aos efetivamente devidos pelo INSS em 
ações previdenciárias. Em geral, os segurados não chegavam a receber qualquer parcela 
do montante desviado, que era dividido entre os membros da organização criminosa.
O relator do recurso especial do INSS, ministro Herman Benjamin, citou precedentes do 
STJ no sentido da impossibilidade de uma pessoa jurídica de direito público ser vítima de 
dano moral, porém em contexto no qual se discutia a livre manifestação do pensamento 
– mais especificamente, a liberdade de crítica dos cidadãos.
Segundo o ministro, diferentemente do que entendeu o TRF2, a ideia de honra objetiva 
é mais abrangente do que a credibilidade comercial, e envolve os chamados danos 
institucionais, que atingem as pessoas jurídicas sem fins lucrativos em sua reputação. O 
magistrado também chamou a atenção para a figura do dano social, configurado como 
lesão contra uma pessoa, mas que repercute em prejuízo da comunidade.
“O que se extrai é que a credibilidade institucional da autarquia previdenciária foi 
fortemente agredida, e o dano reflexo sobre os segurados da Previdência e os jurisdicionados 
em geral é evidente, tudo consubstanciado por uma lesão de ordem extrapatrimonial 
praticada por agentes do Estado, que não pode ficar sem resposta judicial”, afirmou o ministro.
Apesar de confirmar a viabilidade jurídica da reparação por danos morais em favor do 
INSS, Herman Benjamin explicou que não seria possível ao STJ, neste momento processual, 
aplicar eventual condenação aos investigados, pois o TRF2 se limitou a reconhecer a 
impossibilidade jurídica do pedido, sem entrar no mérito da indenização pleiteada. Por 
isso, a Segunda Turma determinou a remessa dos autos ao tribunal de segunda instância, 
para decidir o caso como entender de direito. (REsp 1722423)9
9 https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/19032021-Fraude-pode-gerar-indenizacao-de-
-danos-morais-em-favor-do-INSS--decide-Segunda-Turma.aspx.
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Agora vamos voltar um pouquinho e vamos falar de associações e fundações...
Você deve se lembrar que na aula de hoje dissemos que as associações são um conjunto 
de pessoas (“associadas”), sem fins lucrativos.
Uma associação pode ter finalidades internas, dirigidas aos seus próprios membros.
EXEMPLO
Imagine, por exemplo, uma associação de alunos do Gran, ou uma associação dos moradores 
de determinada comunidade.
É uma finalidade voltada para dentro, para a própria associação. (desenho A). Além disso, 
pode haver associações com finalidades externas, dirigidas para fora delas. (desenho B)
Exemplo: associação dos estudantes do Gran para a promoção de ensino jurídico a comunidades 
carentes locais.
Nesse caso, ela é denominada “entidade de interesse social”.
Já as fundações são instituídas a partir de bens móveis ou imóveis. Como não há como a 
finalidade dela ser interna, sua finalidade sempre será externa e sempre ligada ao art. 62 do 
Código Civil.
Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, 
dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a 
maneira de administrá-la. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins de:
I – assistência social;
II – cultura, defesa e conservação do patrimônio histórico e artístico;
III – educação;
IV – saúde;
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V – segurança alimentar e nutricional;
VI – defesa, preservação e conservação do meio ambiente e promoção do desenvolvimento 
sustentável;
VII – pesquisa científica, desenvolvimento de tecnologias alternativas, modernização de sistemas 
de gestão, produção e divulgação de informações e conhecimentos técnicos e científicos;
VIII – promoção da ética, da cidadania, da democracia e dos direitos humanos;
IX – atividades religiosas; e
X – (VETADO).
Só uma curiosidade agora: no Direito Administrativo, quando falamos em primeiro setor, 
nos referimos ao Estado. O segundo setor se refere ao mercado, o particular que quer ganhar 
dinheiro. Já o terceiro setor é o particular que promove atividades beneficentes, sem visar 
ao lucro. Sendo assim, o terceiro setor é composto por associações e fundações. Todavia, 
vale lembrar que nem toda associação ou fundação terá vínculos com o Estado.
Os bens que integram a fundação vêm do que chamamos de “instituidor”, que pode ser 
uma pessoa física ou jurídica (de direito público ou privado). Quando falamos em “fundação 
pública de direito privado”, é o poder público destinando parte de seu patrimônio para 
instituir uma fundação.
Se for uma fundação de direito público, segue as normas de direito público: a lei autoriza 
a criação de uma fundação pública de direito privado (ato constitutivo realizado por meio 
de decreto).
No Direito Civil, é o particular que destina uma parte de seus bens para a criação de 
uma fundação. Isso pode ser feito mediante escritura pública ou testamento.
Se for por testamento (seja ele público, particular, cerrado ou uma das formas especiais), 
o particular vai dispor de seus bens para que, após a sua morte, seja instituída a fundação.
Já foi objeto de prova uma questão envolvendo direito sucessório e fundação, com um 
caso mais ou menos assim: Maria é casada com João no regime da comunhão universal. 
O casal possui dois filhos e o seu patrimônio total é de 1 milhão de reais. Maria fez um 
testamento, deixando a parte disponível da sua herança para a criação de uma fundação 
de apoio às mulheres com câncer de colo de útero.
Assim, metade de todo o patrimônio do casal seria dela, por meação (R$ 500.000,00).
Dessa quantia, metade seria a parte disponível de sua herança (R$ 250.000,00) e a outra 
metade (“legítima”) deve, obrigatoriamente, ser destinada aos seus herdeiros necessários.
Vale lembrar que, por ser meeiro, João NÃO é herdeiro concorrente com os filhos. Se os 
R$ 250.000,00 disponibilizados para a criação da fundação não forem suficientes?
Esse foi o questionamento... Veja que eles devem ser destinados a outra fundação já 
existente, de finalidade igual ou semelhante à pretendida por Maria.
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Agora, apenas atenção a esses artigos:
Art. 40. As pessoas jurídicas são de direito público, interno ou externo, e de direito privado.
Art. 48-A. As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em legislação especial 
e em seus atos constitutivos, poderão realizar suas assembleias gerais por meio eletrônico, 
inclusive para os fins do disposto no art. 59 deste Código, respeitados os direitos previstos de 
participação e de manifestação.
Art. 49. Se a administração da pessoa jurídica vier a faltar, o juiz, a requerimento de qualquer 
interessado, nomear-lhe-á administrador provisório.
Art. 49-A. A pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou 
administradores. Parágrafo único. A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas é um instrumento 
lícito de alocação e segregação de riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular 
empreendimentos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício de todos.
Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, 
ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua.
§ 1º Far-se-á, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução.
§ 2º As disposições para a liquidação das sociedades aplicam-se, no que couber, às demais 
pessoas jurídicas de direito privado.
§ 3º Encerrada a liquidação, promover-se-á o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica.
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Art. 52. Aplica-se às pessoas jurídicas, no que couber, a proteção dos direitos da personalidade.
Art. 48-A. As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em legislação especial e 
em seus atos constitutivos, poderão realizar suas ASSEMBLEIAS GERAIS POR MEIO ELETRÔNICO, 
inclusive para os fins do disposto no art. 59 deste Código, respeitados os direitos previstos de 
participação e de manifestação. Cuidado
Art. 59. Compete privativamente à assembleia geral: (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005
I – destituir os administradores; (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005)
II – alterar o estatuto. (Redação dada pela Lei n. 11.127, de 2005).
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido 
deliberação da assembleia especialmente convocada para esse fim, cujo quórum será o estabelecido 
no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores.
Agora vamos conversar sobre um tema muito, muito importante para sua prova... 
Desconsideração da personalidade jurídica!!!!
Termos usados: disregard of the legal entity (desconsideração da pessoa jurídica) ou 
disregard doctrine (doutrina da desconsideração), outpiercing the corporate veil (perfurando 
ou rasgando o véu da corporação ou da personalidade jurídica) outlifting the corporate veil 
(levantando ou desvelando o véu da corporação).
Origem: Inglaterra e EUA Caso inglês do final do século XIX / Salomon x 
Salomon Company
“No final do século XIX, o empresário chamado Aron Salomon, dono de uma pequena 
empresa que produzia botas de couro, resolveu limitar a responsabilidade de sua empresa 
sobre seus bens, e de acordo com o Companies Act 1844, incorporou a mesma, registrando a 
devidamente sob o regimento indicado. A empresa foi registrada como Aron Salomon Ltda., 
tendo como seus outros seis sócios, seus cinco filhos e sua esposa, já que a lei exigia que 
para a incorporação de uma empresa seriam necessários aos menos sete sócios, deixando 
uma lacuna sobre quaisquer requisitos necessários para tais participantes da empresa.
O Sr. Salomon, pessoa física, emprestou para empresa £20.000, equivalentes a £1 cada 
ação, para que esta pudesse iniciar suas atividades com capital. Dessa forma, a empresa 
deu uma promessa de pagamento preferencial ao Sr. Salomon, ficando ele como credor 
primário, caso a empresa se tornasse insolvente.
A empresa foi mal nos anos seguintes, visto que o grande comprador era o Governo 
Britânico, e este resolveu diversificar as compras dentre todos os produtores. Diante tal 
situação, um administrador judicial foi indicado para liquidar os bens da empresa e pagar seus 
credores. Foi então verificado que nenhum credor receberia seus valores correspondentes, 
já que o primeiro credor era o Sr. Salomon, e os bens da empresa não seriam suficientes 
para solver todas as dívidas. Em 1895, a Corte Britânica recebeu o caso para então decidir 
sobre a desconsideração da personalidade jurídica na empresa Aron Salomon Ltda.
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É neste ponto que se abre o campo de discussão e análise do que foi decidido tanto 
pela Corte de Apelação quanto pela House of Lords, hoje Suprema Corte de Justiça 
Britânica. A Corte de Apelação, ao analisar o caso, manteve sua atenção sobre as intenções 
do legislador e do empresário, que incorporou sua empresa com seus s eis sócios que não 
apresentavam bona fide e independência. A respeitada juíza Lindley LJ deixou claro que o 
Companies Act de 1862 foi usado com o propósito diferente da intenção dos legisladores, 
conforme suas palavras: “O esquema do Sr. Aron Salomon é um instrumento para fraudar 
credores”.
Assim, os votos da Corte de Apelação decidiram por autorizar a desconsideração 
da pessoa jurídica e buscar os bens pessoais do Sr. Salomon para saldar as dívidas com 
credores, fundamentando que a Corte lutou para encontrar um remédio legal para basear 
sua visão de abuso da lei.
Porém, em 1897, o caso foi para a House of Lords.
Dada a relevância do caso para o Direito Empresarial, vale lembrar que estamos 
falando de um julgamento do século XIX, que ainda hoje rege os princípios estruturantes 
da desconsideração da personalidade jurídica na Common Law”.10
É muito importante que você saiba a diferença entre desconsideração e despersonificação. 
É recorrente a pergunta se, com a desconsideração da personalidade jurídica, há a extinção 
da pessoa jurídica, e a resposta é NÃO!
Quando falamos em desconsideração da personalidade jurídica, falamos de situações 
específicas, pontuais, com a finalidade de pagamento aos credores.
Já a despersonificação tem um caráter final, pois extingue a personalidade jurídica.
A desconsideração da personalidade jurídica NÃO a extingue! Aliás, desconsideração da 
personalidade jurídica trata de uma doutrina que pretende o afastamento temporário da 
personalidade da pessoa jurídica com o objetivo de atingir o patrimônio pessoal do sócio 
ou administrador que cometeu o ato abusivo.
Em suma, a teoria da desconsideração da personalidade jurídica se aplica aos atos 
praticados com o objetivo de fraudar credores. Embora estejamos falando do Código Civil, 
é interessante que você saiba que essa teoria também se aplica no Direito Ambiental e no 
Direito do Consumidor.
Quando o credor busca o Judiciário para pedir a desconsideração da personalidade 
jurídica, ele deve atender a alguns requisitos.
Aí, entra o artigo 50 do CC, o art. 28 do CDC, as questões ambientais...10 https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-91/breve-analise-sobre-a-importancia-do-precedente-britanico-sa-
lomon-v-salomon-para-o-direito-empresarial/.
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Uma vez demonstrados os requisitos, há uma consequência processual.
Veja uma possível afirmação de prova: “quando ocorre a desconsideração da personalidade 
jurídica, acontece a substituição de parte no processo”.
Está ERRADO, porque, se você fala que houve a substituição de parte no processo, você 
vai dizer que, no lugar da pessoa jurídica, entrará o sócio, no polo passivo da demanda. Não 
é isso que acontece!
Uma vez demonstrados os requisitos para a desconsideração da personalidade jurídica, 
a consequência será a ampliação subjetiva da demanda, ou seja, será acrescido ao polo 
passivo da demanda o sócio. Ele não substituirá a pessoa jurídica, mas, sim, passará a ser 
parte também.
De acordo com o artigo 50 do CC, ingressará no polo passivo da demanda o sujeito que 
praticou o ato abusivo.
Lembra daquele exemplo com Aragonê?!
Se o ato abusivo foi praticado por Roberta, no nosso exemplo, é ela quem vai ingressar no 
polo passivo. Se foi praticado por Aragonê, ele entrará. Se foi praticado por ambos, ambos 
entrarão. Supondo que o ato tenha sido praticado por ambos, teremos um litisconsórcio 
passivo ulterior (porque foi formado depois do ajuizamento da demanda), entre o GranCursos, 
Aragonê e Roberta.
Mas, professora, quais são esses tais requisitos?Mas, professora, quais são esses tais requisitos?
Temos duas teorias acerca da desconsideração da personalidade jurídica que apresentam 
os requisitos:
TEORIA MAIOR TEORIA MENOR
É a adotada pelo Código Civil, prevista no art. 50.
É preciso que o credor demonstre dois requisitos:
– Subjetivo: comportamento abusivo dos sócios, 
caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão 
patrimonial (misturar o patrimônio da pessoa natural 
com o da pessoa jurídica).
– Objetivo: o dano (a pessoa jurídica não tem dinheiro 
para pagar a dívida)
É a adotada no Direito Ambiental 
e no Direito do Consumidor (art. 
28, CDC). Exige que o credor 
demonstre apenas um requisito, 
que é o objetivo.
Essas teorias são assim denominadas porque uma tem mais requisitos do que a outra.
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou 
pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando 
lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas 
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios 
da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.
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§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica 
com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza.
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, 
caracterizada por:
I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou 
vice-versa;
II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor 
proporcionalmente insignificante; e
III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial.
§ 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações 
de sócios ou de administradores à pessoa jurídica.
§ 4º A mera existência de grupo econômico sem a presença dos requisitos de que trata o caput 
deste artigo não autoriza a desconsideração da personalidade da pessoa jurídica.
§ 5º Não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da finalidade original da 
atividade econômica específica da pessoa jurídica.
Temos, ainda, que lidar com a seguinte classificação:
• Desconsideração direta: responsabilidade dos sócios pelas dívidas da pessoa jurídica. 
Desconsidera-se a pessoa jurídica para atingir os sócios. É a desconsideração tradicional;
• Desconsideração inversa ou invertida: a responsabilidade da pessoa jurídica por 
dívidas dos sócios e administradores. O sócio é o devedor inicial e é desconsiderado 
para atingir a pessoa jurídica. Costuma ocorrer em dívidas alimentares e em ações de 
divórcio ou de reconhecimento e dissolução de união estável, quando há partilha de 
bens. Isto porque é comum que um dos cônjuges camufle seu patrimônio, colocando-o 
no nome da empresa. É admitida pela doutrina conforme enunciado 283 da IV JDC, 
bem como no Informativo 440 do STJ. Esse entendimento doutrinário foi positivado 
no CPC de 2015, que trabalha a desconsideração da personalidade jurídica como 
sendo uma forma de intervenção de terceiros. Com a modificação do art. 50 do CC, 
no ano de 2019, passamos a ter, também, a previsão legal da desconsideração inversa 
ou invertida.
É interessante mencionar que, no Direito Empresarial, teremos a desconsideração 
indireta e a expansiva, quando há uma empresa controladora e várias controladas ou, ainda, 
quando há um “laranja”. Nós não abordaremos esse assunto porque ele será trabalhado 
pelo professor da matéria.
Vale ressaltar que a desconsideração da personalidade jurídica pode ou não exigir o 
requisito subjetivo.
Por isso, estará ERRADA a afirmação de que ela “sempre exigirá o requisito subjetivo”.
Atente-se para isso nas provas!
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Nas relações cíveis, ele é exigido (aplica-se a teoria maior). Já nas consumeristas e 
ambientais, não é exigido (aplica-se a teoria menor).
O requisito subjetivo poderá ser invocado pela própria pessoa jurídica em seu favor, 
porque o ato pode ser praticado por um, ou vários, ou todos os sócios.
O(s) sócio(s) que praticou(aram) o ato abusivo ingressará(ão) no polo passivo da demanda, 
formando um litisconsórcio passivo ulterior, ao lado da pessoa jurídica.
Nos casos em que apenas um ou uma parte dos sócios praticou o ato abusivo, os demais 
sócios poderão requerer a desconsideração da personalidade jurídica.
Lembre-se que a desconsideração da PJ não implica na sua extinção!
Ademais, ressalte-se que apenas o ato intra vires vincula a pessoa jurídica. O ato ultra 
vires não a vincula, via de regra.
Portanto, só será aplicável a desconsideração da personalidade jurídica quando o ato 
praticado for intra vires.
Os atos ultra vires podem ser vinculados à pessoa jurídica, excepcionalmente, nos casos 
em que se aplicar a teoria da aparência.
Um exemplo é quando há alteração no ato constitutivo sem o conhecimento do credor e o 
sócio pratica ato que antes era previsto e, agora, não mais o é. Haverá, então, uma proteção 
ao terceiro de boa-fé. Sendo assim, não basta que tenha sido praticado um ato abusivo
Não esquece que esse tema é também tratado no CPC, como modalidade de intervenção 
de terceiros, lá no artigo 133 a 137...
Para fechar, vamosobservar alguns enunciados da JDC:
Enunciado 7. Só se aplica a desconsideração da personalidade jurídica quando houver a prática 
de ato irregular e limitadamente aos administradores ou sócios que nela hajam incorrido.
Enunciado 51. Quanto à desconsideração ficam mantidos os parâmetros existentes nos 
microssistemas legais e na construção jurídica sobre o tema.
Enunciado 146. Nas relações civis interpretam-se restritivamente os parâmetros da desconsideração 
(desvio de finalidade e confusão patrimonial). Devem ser provados por quem os alegar.
Enunciado 281. A aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica prescinde 
a demonstração de insolvência da pessoa jurídica. Ou seja, não há necessidade de falência da 
pessoa jurídica.
Enunciado 282. O encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si só, não basta 
para caracterizar o abuso de personalidade.
Porém, devemos lembrar desta súmula, cobrada em prova: Súmula 435 do STJ: presume-
se dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio sem 
comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal 
para o sócio-gerente”.
Sabemos que execução fiscal envolve matéria tributária.
Por isso, essa súmula NÃO se aplica no âmbito do Direito Civil.
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Por isso, para a prova de Direito Civil, você vai levar apenas o teor do enunciado 282 – o 
encerramento irregular das atividades da pessoa jurídica, por si só, não basta para caracterizar 
o abuso de personalidade.
Enunciado 284. As pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos ou de fins não 
econômicos estão abrangidas no conceito de abuso da personalidade jurídica.
Lembre-se que pessoas jurídicas sem fins lucrativos são a associação e a fundação.
Enunciado 285. A teoria da desconsideração, prevista no art. 50 do Código Civil, pode ser invocada 
pela pessoa jurídica em seu favor.
Enunciado 470. O patrimônio da empresa individual de responsabilidade limitada responderá 
pelas dívidas da pessoa jurídica, não se confundindo com o patrimônio da pessoa natural que a 
constitui, sem prejuízo da aplicação do instituto da desconsideração da personalidade jurídica.
Ufa... terminamos pessoa jurídica... vamos falar de outro tema?!
3 . DoMICÍlIo e reSIDÊNCIA3 . DoMICÍlIo e reSIDÊNCIA
Apesar de o Código Civil de 1916 conter previsões sobre o domicílio, a abordagem do 
tema não era tão aprofundada quanto no Código Civil de 2002.
Vamos trabalhar os artigos 70 a 78 do CC/02.
Embora, isoladamente, esse tema não tenha grande relevância, quando comparado a 
outros, no Direito Civil, ele se torna importante no estudo de outras matérias, como é o caso 
do Processo Civil, no art. 46 do CPC, onde temos as regras iniciais de competência interna.
Domicílio é uma forma de individualização do sujeito.
Acaba sendo um complemento dos direitos da personalidade, servindo como elemento 
identificador não só da pessoa natural, como também da pessoa jurídica (que também 
tem domicílio).
O domicílio é o lugar que vai definir a SEDE, tanto da pessoa natural, quanto da pessoa jurídica.
É a sede dos negócios, de onde ela mantém seus interesses... é onde a pessoa presume-
se presente.
Portanto, falamos de espaço físico onde a criatura é habitualmente encontrada.
CC
Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo 
definitivo.
Assim, concluímos que o conceito de domicílio envolve o conceito de residência com 
ânimo de definitividade.
DOMICÍLIO = Residência + Definitividade
Há duas espécies de domicílio: o voluntário e o necessário.
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Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo 
definitivo.
Art. 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, 
considerar-se-á domicílio seu qualquer delas.
Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o 
lugar onde esta é exercida. Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, 
cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem.
Art. 78. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem 
e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes.
Domicílio especial (contratual) é diferente de foro de eleição! Este é a cláusula inserida 
dentro dos contratos para definir competência para questões processuais.
Domicílio contratual é o local onde a obrigação deve ser cumprida. Exemplo: eu estou em 
Brasília e você em Recife. Eu te contrato para que você possa fazer um serviço de arquitetura 
no Recife. Eu posso definir Brasília como foro de eleição. Perceba que nós estamos falando 
de um contrato que tem um foro de eleição em relação a demandas processuais, mas existe 
um local de cumprimento da obrigação.
Vale lembrar que foro de eleição em contrato de adesão é tido como NULO! É 
cláusula abusiva.
Um tema já cobrado em prova é a natureza jurídica da vontade na fixação do domicílio 
– eu moro em Brasília porque eu escolhi. Trata-se de um ato jurídico (lícito) em sentido 
estrito. Nós temos a vontade humana direcionada para uma finalidade e as consequências 
estão na lei. Não há como mudar as consequências. Por isso é que estamos diante de um ato 
jurídico em sentido estrito. Na aula de negócios jurídicos, explicaremos melhor esse assunto.
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Mas e o conceito de HABITAÇÃO? Diferentemente da residência, a habitação tem caráter 
provisório. Por exemplo: pernoite em motel.
Já a RESIDÊNCIA é o local físico em que a pessoa habitualmente é encontrada. Quando 
acrescentamos o ânimo de definitividade, ela se torna um domicílio. A partir de então, não 
há como alterar as consequências, porque elas estão na lei.
EXEMPLO
O CPC define que a ação deverá tramitar no domicílio do réu quando versar sobre bens móveis, 
direitos reais sobre bens móveis ou direitos pessoais. A pessoa não terá como definir algo 
diverso do que está na lei. Assim, a vontade só é capaz de definir qual será o domicílio da 
pessoa, mas as consequências disso apenas poderão ser as previstas em lei.
Professora, já ouvi falar em domicílio necessário . . .Professora, já ouvi falar em domicílio necessário . . .
Sim, sim, está previsto no artigo 76 do Código Civil.
Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso.
Parágrafo único. O domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente; o do servidor público, 
o lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do militar, onde servir, e, sendo da Marinha 
ou da Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar imediatamente subordinado; o do marítimo, 
onde o navio estiver matriculado; e o do preso, o lugar em que cumprir a sentença.
NÃO é possível abdicar do domicíliolegal!
O art. 185 do CC prevê que o ato jurídico seguirá algumas regras do negócio jurídico. 
Dentre elas, temos o art. 166, que diz que é nulo o negócio jurídico (e, consequentemente, 
o ato jurídico) que viole a lei. Então, não é possível afastar o domicílio necessário, mas é 
possível cumulá-lo com o domicílio voluntário.
EXEMPLO
Em Brasília, trabalham pessoas que moram em Formosa (município do Goiás). Dentre essas 
pessoas, algumas podem ser servidoras públicas do TJDFT, por exemplo. O domicílio voluntário 
delas será em Formosa e, o necessário, em Brasília. Então, quando for possível (porque o preso, 
por exemplo, não tem como), poderá haver cumulação do domicílio voluntário com o necessário. 
Porém, não é possível abrir mão, uma vez que o domicílio necessário é INDERROGÁVEL.
As pessoas jurídicas podem ser inseridas dentro da categoria do domicílio comum. 
Porém, quando se tratar de pessoa jurídica de direito público, ela terá domicílio necessário.
Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é:
I – da União, o Distrito Federal;
II – dos Estados e Territórios, as respectivas capitais;
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III – do Município, o lugar onde funcione a administração municipal;
IV – das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e 
administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos 
(domicílio estatutário).
§ 1º Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles 
será considerado domicílio para os atos nele praticados.
§ 2º Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da 
pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar 
do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder.
Portanto, o domicílio implica em aspectos práticos de outras áreas, como o direito das 
famílias, questões de competência no processo civil, questões de contratos e obrigações 
(dívida querable e dívida portable).
4 . BeNS4 . BeNS
É importante que você fique de olhos abertos a este assunto, porque ele vai servir de 
base para a compreensão de outros assuntos, como obrigações, contratos, direito das 
coisas, direito das famílias (na parte de regime de bens), direito sucessório...
De início, é preciso que você saiba diferenciar os conceitos de “coisas” e “bens”.
Não existe unanimidade na doutrina a esse respeito, mas nós seguiremos os conceitos 
trazidos pelo Código Civil.
O professor Caio Mário diz que “bens” são gênero, enquanto “coisas” são espécie.
Todavia, o Código Civil, contrariando essa concepção, trouxe o conceito adotado por 
Sílvio Rodrigues, pregando que “coisas” são gênero, e, “bens”, espécie.
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Para fins de prova, devemos adotar o conceito presente no Código Civil, uma vez que 
é mais fácil defender um conceito presente na lei do que um conceito doutrinário. Então, 
ficamos assim:
COISAS
Tudo que não é humano. No âmbito do Direito Civil, ou se é coisa, ou se é humano. Quando 
partimos do pressuposto da teoria natalista, onde consideramos que a existência da pessoa 
se dá a partir do funcionamento do sistema cardiorrespiratório, o nascituro seria uma “coisa”. 
Isso se dá exatamente por causa do conceito de coisa (é tudo que não é humano).
BENS
Coisas com interesse econômico e/ou jurídico.
Professora, esse estudo tem a ver com o conceito de Patrimônio?Professora, esse estudo tem a ver com o conceito de Patrimônio?
É um conceito que vai além do que estamos conversando aqui. Em um sentido estrito, 
são as coisas palpáveis, nas quais agregamos valor.
Juridicamente, o conceito é muito mais abrangente: envolve tanto os direitos patrimoniais, 
quanto os direitos extrapatrimoniais. Quando falamos de patrimônio, estamos falando da 
esfera jurídica de alguém, composta por relações jurídicas patrimoniais, direitos reais e 
direitos extrapatrimoniais...
Vamos seguindo...
Lá no desenho que fiz, veja que coloquei sobre bens corpóreos e incorpóreos, viu lá?
Embora não seja uma trabalhada pelo Código Civil, trata-se de uma classificação clássica, 
sendo, portanto, elementar, a sua abordagem aqui no nosso estudo.
Corpóreos
Bens materiais ou tangíveis; possuem existência corpórea; suscetíveis ao 
toque. Exemplos: celular, carro, dinheiro...
Incorpóreos
Possuem uma existência abstrata; são insuscetíveis ao toque. Ainda assim, 
não deixam de ser considerados bens. Exemplos: ações de empresas, 
programa de computador, direitos autorais.
O estudo de “Bens” deve acompanhar o Código Civil e é dividida em três capítulos:
• Dos bens considerados em si mesmos (que se dividem, basicamente, em bens móveis 
e imóveis, incluindo outras classificações secundárias);
• Dos bens reciprocamente considerados;
• Dos bens públicos (aqui, abordaremos, também, os bens particulares, que é um 
conceito residual).
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4 .1 . DoS BeNS CoNSIDerADoS eM SI MeSMoS4 .1 . DoS BeNS CoNSIDerADoS eM SI MeSMoS
Aqui, temos o conceito de bens móveis e imóveis.
Não tem mistério, o próprio CC ajuda a gente a entender isso a partir dos artigos 78 a 84.
BENS IMÓVEIS
artigos 79 a 81
BENS MÓVEIS
artigos 82 a 84
São os bens que não podem ser removidos 
sem destruição total (perecimento) ou parcial 
(deterioração).
Quando são dados em garantia para o 
cumprimento de uma obrigação, sofrem 
HIPOTECA.
São os que podem ser transportados sem 
destruição – total (perecimento) ou parcial 
(deterioração), ou alteração da sua substância, 
ou destinação econômico-social.
Quando são dados em garantia para o 
cumprimento de uma obrigação, sofrem 
PENHOR, via de regra.
Vamos começar com BENS IMÓVEIS, observando os artigos relacionados a esses bens:
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente.
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:
I – os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram;
II – o direito à sucessão aberta.
Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis:
I – as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas 
para outro local;
II – os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem.
Assim, considerando tais artigos, teremos a seguinte classificação:
a) POR NATUREZA OU POR ESSÊNCIA (art. 79, CC): se incorporam ao solo ou nascem sem 
a intervenção humana. Por exemplo, árvore que cresce sem ter sido plantada por humanos.
b) POR ACESSÃO FÍSICA INDUSTRIAL OU ARTIFICIAL (art. 79, CC): a mão humana 
imobiliza o bem. Por exemplo, uma edificação em determinada área e a árvore que nasce 
por intervenção humana.
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c) POR ACESSÃO INTELECTUAL: alguns autores entendem que não há cabimento no 
CC/02. Já outros, como o prof. Flávio Tartuce, entendem que essa classificação ainda é 
cabível. Há enunciado da JDC sobre o tema – (Enunciado 11, JDC). Tem a ver com os bens 
reciprocamente considerados, “acessórios”. Seriam as pertenças. São bens móveis tornados 
imóveis pelo proprietário. São imobilizados por uma ficção jurídica.
d) POR DETERMINAÇÃO LEGAL (art. 80, CC): previstos especificamente no CC/02. 
São situações que o legislador julgou merecerem mais atenção. Por exemplo, direito à 
sucessão aberta (herança é considerada bem imóvel), direitos reais sobre imóveis e ações 
correspondentes.
Como exemplo de que bens imóveis recebem um tratamento diferenciado, podemos 
mencionar a parte de regime de bens, no art. 1.647, CC:
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização 
do outro, exceto no regime da separação absoluta:
I – alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis.
Isso também se aplica aos bens imóveis por disposição legal, cujos exemplos são o direito 
à sucessão aberta, os direitos reais sobre bens imóveis e suas ações correspondentes.
Aliás, no que tange à herança e, sendo ela um bem imóvel, é imprescindível a anuência do 
cônjuge em caso de cessão de direitos hereditários, conforme dicção do artigo 1.647 do CC.
Merece registro aqui o REsp 274.432, decidido pela 4ª turma do STJ, de relatoria do 
Ministro Aldir Passarinho Junior, o qual menciona que “a ausência de outorga uxória na 
cessão de direitos hereditários de bem imóvel inventariado acarreta a invalidade do ato em 
relação à alienação da parte dos esposos e a ineficácia quanto à meação de suas esposas, 
casadas pelo regime da comunhão universal.”11
Observe, ainda, que na categoria dos bens imóveis por disposição legal, há os direitos 
reais sobre imóveis e ações correspondentes.
Direitos reais são aqueles estudados no campo do direito das coisas, ao lado da posse 
e da vizinhança.
Eles gravitam em torno da propriedade, que é o primeiro direito elencado no rol do 
artigo 1.225 do CC.
Então, quando você estiver tratando de um direito real sobre um bem imóvel, ele goza 
da mesma natureza do próprio bem imóvel, por disposição legal.
Agora, vamos verificar, da mesma forma, a categoria dos BENS MÓVEIS.
11 https://scon.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/doc.jsp.
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Vamos destacar os artigos:
Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, 
sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.
Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais:
I – as energias que tenham valor econômico;
II – os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes;
III – os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações.
Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, 
conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição 
de algum prédio.
Assim, considerando tais artigos, teremos a seguinte classificação:
a) POR NATUREZA OU ESSÊNCIA: pode ser transportado sem qualquer dano, por força 
própria (semoventes – animais) ou força alheia (por exemplo: celular)
b) POR ANTECIPAÇÃO (art. 84, CC): eram imóveis, mas foram mobilizados, por uma 
atividade humana. É uma situação oposta à dos bens imóveis acessão física artificial. No 
caso de demolição, os bens imóveis podem ser mobilizados, ocorrendo a antecipação. No 
caso de plantação, ela será considerada bem imóvel até que haja a colheita, quando os bens 
se tornarão móveis por antecipação. Isso justifica, por exemplo, o penhor agrícola.
c) POR DETERMINAÇÃO LEGAL (art. 83, CC): são considerados móveis pela própria lei. 
Por exemplo: energias com valor econômico (elétrica, por exemplo), os direitos reais sobre 
bens móveis (penhor, por exemplo) e as ações correspondentes e os direitos pessoais (devem 
ter aspectos patrimoniais, como direitos autorais).
 Obs.: Para o Código Civil, os animais são considerados bens móveis. Inclusive, são passíveis 
de penhora (no processo de execução, quando o devedor não paga a sua dívida). 
Vale ressaltar que o Direito Civil sofre constantes transformações e, entre elas, 
podemos dizer que estamos caminhando para uma atribuição de personalidade 
aos animais. Hoje, já vemos processos de divórcio, por exemplo, onde é definida a 
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“guarda” de animais. Eles vêm, cada vez mais, gozando de proteção. Porém, na letra 
fria da lei, ainda não há qualquer modificação nesse sentido. Os animais continuam 
sendo considerados bens móveis – semoventes, na letra fria da lei.
Bom, dando continuidade ao nosso estudo, via de regra, os bens podem ser dados em 
garantia para o cumprimento de determinadas obrigações.
Temos três formas de garantias relacionadas aos bens: hipoteca, penhor e anticrese.
A anticrese é um instituto em desuso, mas ela consiste em um devedor que entrega 
um bem a um credor para que ele retire os frutos desse bem e se pague.
Já a hipoteca ocorrerá quando você der um bem imóvel em garantia. Exemplo: você 
pede um empréstimo junto à Caixa Econômica para adquirir um apartamento e o banco 
pede o próprio imóvel como garantia de adimplemento.
No penhor, a referida garantia é um bem móvel. Um exemplo de penhor é quando você 
pede um empréstimo à Caixa Econômica no valor de R$ 10.000,00, e entrega suas joias 
como garantia.
Assim, essa classificação que estamos vendo, de bens móveis e imóveis, serve para, 
posteriormente, você conseguirmos entender os casos de hipoteca e penhor, por exemplo.
Embora, em regra, os bens imóveis sejam passíveis de sofrer hipoteca e, os móveis, de 
penhor, há exceções. São elas: navios e aeronaves. Eles são classificados como bens móveis, 
mas são regidos por uma legislação especial, que manda que eles tenham registro próprio 
e permite que sofram hipoteca. Portanto, eles não são empenhados e, sim, hipotecados.
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CC
Art. 1.473. Podem ser objeto de hipoteca:
VI – os navios;
VII – as aeronaves.
Levando em consideração essa classificação base de bem imóvel e bem móvel, devemos 
seguir para as demais classificações complementares, vamos?
DOS BENS FUNGÍVEIS E CONSUMÍVEIS
Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade 
e quantidade.
Art. 86. São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria 
substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação.
Sobre os bens fungíveis, encontramos a classificação positiva da fungibilidade no artigo 
85, que os define como aqueles que podem substituir-se por outros da mesma espécie,qualidade e quantidade. Assim, evidentemente, a infungibilidade decorre da impossibilidade 
de substituição do bem.
Essa classificação acerca da fungibilidade é importante para nos ajudar a distinguir os 
contratos de empréstimo (mútuo X comodato).
Veja: se eu te empresto um celular, você vai ter que devolver o mesmo bem; quando a 
empresa de TV a cabo deixa o aparelho na sua casa, findado o contrato, você deve devolver 
o mesmo aparelho. Esses são exemplos de comodato, pois o bem envolvido é infungível 
– insubstituível.
Bom a gente lembrar também do comodato de ostentação (comodatum ad pompam 
vel ostentationem): digamos que você tenha várias notas de 100 reais e eu peço que você 
me empreste só para que eu possa ostentá-las. Assim que eu atingir a finalidade (mostrar 
o “bolo” de dinheiro aos amigos), te devolvo as mesmas notas.
Nesse caso, embora dinheiro seja fungível, neste caso, devo eu lhe devolver as 
mesmas notas.
No caso de mútuo, então, temos o empréstimo de coisas fungíveis. O exemplo mais 
palpável é o empréstimo de dinheiro. Ora, se eu te empresto mil reais, você vai gastar esse 
valor e vai me pagar com outras notas de dinheiro, correto?
Bom, veja que o artigo 86 ainda trata da questão dos bens consumíveis – São consumíveis 
os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria substância, sendo também 
considerados tais os destinados à alienação.
Aqui estamos estudando a modalidade de bens quanto a consuntibilidade.
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BENS CONSUMÍVEIS: são aqueles cujo uso normal (o fim a que os bens se destinam) 
ocasiona a sua destruição. Exemplo de bens consumíveis é a comida, a gasolina... enfim, o 
uso normal ocasiona a imediata destruição do bem.
Neste ponto, temos duas modalidades de consuntibilidade – consumíveis:
a) CONSUNTIBILIDADE FÍSICA/FATO/FÁTICA: há a destruição do bem. Se eu bebo um 
copo de água, esta é consumível, porque é para esse fim que ela se destina. O seu consumo 
gera a sua destruição. O mesmo se aplica à gasolina usada como combustível e ao lanche 
que você compra.
b) CONSUNTIBILIDADE JURÍDICA: aqui, só se considera a finalidade do uso do bem. 
Aplica-se aos bens destinados a alienação. Isto porque, para o alienante, o bem desaparece 
após a alienação.
BENS INCONSUMÍVEIS: são os bens cujo uso, levando em consideração o fim a que se 
destina, não gera a destruição dos bens. Exemplo: se eu te empresto um celular, por meio 
de um comodato, ele é infungível e inconsumível. Não confunda as duas classificações!
Por fim, em alguns momentos, o sujeito pode determinar uma inalienabilidade (como as 
cláusulas de inalienabilidade). Sendo assim, mesmo se tratando de uma situação específica, 
podemos ter uma inconsuntibilidade jurídica, por exemplo um bem objeto de testamento, 
que não pode ser alienado pelo recebedor (herdeiro) por estipulação do testador.
DOS BENS DIVISÍVEIS
Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição 
considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam.
Art. 88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei 
ou por vontade das partes.
Aqui também não tem mistério, estamos diante da classificação que leva em consideração 
se o bem pode ou não ser fracionado.
DIVISÍVEIS: bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância, 
diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam. Há um critério tríplice 
– sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso.
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INDIVISÍVEIS: não podem ser fracionados. Isto porque, caso isso ocorra, os bens sofrerão 
desvalorização. Haverá perda da qualidade, assim como prejuízo ao fim a que se destinam 
os bens. Poe exemplo o cavalo – como dividir o cavalo e ele permanecer vivo?
No plano da indivisibilidade encontramos três modalidades:
INDIVISIBILIDADE NATURAL: por exemplo, cavalo, casa, celular. Havendo divisão, haverá 
a diminuição do valor ou inutilidade do bem.
INDIVISIBILIDADE LEGAL: imposta pela lei. Por exemplo: herança (art. 1.784, CC), que 
é indivisível até a conclusão do inventário; hipoteca; servidões.
INDIVISIBILIDADE CONVENCIONAL: o bem torna-se indivisível por definição das partes, 
por razões como a segurança jurídica. Por exemplo:
CC
Art. 1.320. A todo tempo será lícito ao condômino exigir a divisão da coisa comum, respondendo 
o quinhão de cada um pela sua parte nas despesas da divisão.
§1º Podem os condôminos acordar que fique indivisa a coisa comum por prazo não maior de 
cinco anos, suscetível de prorrogação ulterior.
§ 2º Não poderá exceder de cinco anos a indivisão estabelecida pelo doador ou pelo testador.
Estamos indo muito bem, mas veja que essa noção de divisibilidade e indivisibilidade 
será muito utilizada no direito das obrigações. Para classificar uma obrigação em divisível ou 
indivisível, leva-se em consideração a pluralidade de credores ou devedores e a divisibilidade 
ou indivisibilidade do bem em questão.
Se, por exemplo, temos dois devedores que devem 2 mil reais a um mesmo credor, cada 
um pagará mil. Mas, e se eu tiver dois devedores que devem um cavalo? Aplicar-se-ão as 
regras de indivisibilidade obrigacional. Entende?
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No direito das coisas, quando falamos em condomínio, também precisaremos da 
distinção ora estudada.
Por isso, o estudo desses conceitos é muito relevante, mas vamos seguir...
DOS BENS SINGULARES E COLETIVOS
Art. 89. São singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente 
dos demais.
Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à 
mesma pessoa, tenham destinação unitária.
Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias.
Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, 
dotadas de valor econômico.
Aqui a classificação é sobre a individualidade e, assim, podemos ter:
SINGULARES: também chamados de individuais. Conforme artigo 89 temos: São singulares 
os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente dos demais. Podem 
ser objeto de relação jurídica individual. Exemplo: as maçãs de uma árvore, as garrafas de vinho...
COLETIVOS: são as universalidades.
a) UNIVERSALIDADE DE FATO:
CC
Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à 
mesma pessoa, tenham destinação unitária.
Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas próprias.
Por exemplo: rebanho, biblioteca...
b) UNIVERSALIDADE DE DIREITO:
CC
Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, 
dotadas de valor econômico.
Por exemplo: o patrimônio de alguém, herançadeixada por alguém.
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4 .2 . DoS BeNS reCIProCAMeNte CoNSIDerADoS4 .2 . DoS BeNS reCIProCAMeNte CoNSIDerADoS
Trata-se da relação dos bens entre si.
A capa de um celular é um bem acessório, em relação ao celular, que é um bem principal.
É importante que você saiba essa distinção para, posteriormente, no direito das 
obrigações, você saber diferenciar o que é dar o principal e dar o acessório, quando ler o 
art. 233 do Código Civil, por exemplo.
Art. 233. A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, 
salvo se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
Também é importante para o estudo da posse, no caso da indenização pelas benfeitorias 
realizadas pelo possuidor de boa-fé e de má-fé, bem como no caso dos frutos colhidos 
pelo possuidor de boa-fé e de má-fé. Frutos são acessórios!
Aqui, então, estudaremos a dependência de um bem em relação a outro bem.
PRINCIPAL ACESSÓRIO
São bens independentes, ou seja, têm uma 
existência autônoma. Essa autonomia pode 
se dar de duas maneiras:
1. Concreta
2. Abstrata
São bens dependentes, uma vez que 
dependem de outro bem (bem principal), 
via de regra.
Sua dependência se dá em relação à 
existência e à finalidade.
Quando falamos em bens acessórios, 
falamos em frutos, produtos, benfeitorias 
e pertenças.
A árvore e a maçã foram usadas aqui apenas para ilustrar, pois sabemos que sempre a 
análise de um bem acessório e principal deve levar em consideração a situação concreta em 
si, pois pode ser que em um caso determinado bem seja acessório e em outro seja principal.
Bom, vamos inicial observando o artigo 92 do Código Civil:
Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja 
existência supõe a do principal.
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Como mencionei, em relação aos acessórios podemos encontrar:
a) Frutos: decorrem da essência do bem principal, mas possuem renovação periódica.
• Frutos naturais: por exemplo, as maçãs de uma árvore;
• Frutos industriais: decorrem da atividade humana. Por exemplo: materiais de uma 
fábrica;
• Frutos civis: são os rendimentos. Por exemplo: aluguéis, juros etc.
Quando você estudar a posse, vai ver os chamados “frutos pendentes” (que não foram 
colhidos), “frutos colhidos” (que já foram retirados), “frutos percipiendos” (que deveriam ter 
sido colhidos e não foram), “frutos estantes” (estocados), “frutos consumidos” (destruídos)... 
existe uma série de outras classificações, que não serão trabalhadas agora, por não ser 
necessário.
b) Produtos: não possuem renovação periódica. Quanto mais se tira, mais a quantidade 
diminui. Por exemplo: pedras preciosas de uma mina; à medida que as pedras são extraídas, 
a quantidade de pedras disponíveis vai diminuindo.
Art. 95. Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto 
de negócio jurídico.
c) Benfeitorias: são acréscimos feitos pela mão humana. Não confunda benfeitorias 
com as regras de acessões naturais da aquisição da propriedade móvel (aluvião, avulsão, 
formação de ilhas e abandono de alvo), nem com as acessões artificiais (construções e 
plantações), que são meios de aquisição da propriedade imóvel, que você vai estudar no 
direito das coisas.
Art. 97. Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem 
sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor.
• Benfeitorias úteis: utilizadas para o melhoramento da coisa, para torná-la mais 
agradável e facilitar o uso do bem;
• Benfeitorias necessárias: para a conservação do bem;
• Benfeitorias voluptuárias: para mero deleite, recreio, lazer. Não aumentam o uso 
habitual do bem.
Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1º São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, 
ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor.
§ 2º São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.
§ 3º São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.
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d) Pertenças: são bens acessórios que se destinam a servir o principal.
A TV que está na sua residência, por exemplo, é uma pertença.
Nossa casa é cheia de pertenças! Trata-se de bens móveis que são introduzidos em um 
imóvel com tamanha definitividade, que acabam sendo imobilizados. Os móveis da sua 
casa são pertenças.
Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo 
duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro.
Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, 
salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso.
No caso de uma fazenda que produz soja, por exemplo, o trator que auxilia na produção 
é uma pertença.
Outro caso, se eu quiser vender o meu apartamento a você, seguidos todos os trâmites 
legais, e, após o pagamento, você vai receber as chaves. Todas as benfeitorias feitas por mim 
no apartamento (uma janela trocada, as paredes pintadas, os azulejos trocados) estarão 
inclusas na venda. As pertenças não estarão, se eu assim não quiser.
Entende isso?
Aqui, eu te pergunto: qual motivo de as benfeitorias estarem na venda e as pertenças não?
Atente-se ao PRINCÍPIO DA GRAVITAÇÃO JURÍDICA, que estabelece que o ACESSÓRIO 
SEGUE A SORTE DO PRINCIPAL.
Porém, isso não se aplica às pertenças.
Isto porque podemos classificar os bens acessórios em dois grupos:
Portanto, o princípio da gravitação jurídica não é absoluto, se aplicando apenas às 
partes integrantes.
A relevância prática disso será vista na posse, nos contratos, na obrigação de dar...
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E vamos seguindo...
4 .3 . DoS BeNS PÚBlICoS4 .3 . DoS BeNS PÚBlICoS
É um conceito trabalhado pelo Direito Administrativo. São bens pertencentes à pessoa 
jurídica de direito público. Portanto, o critério utilizado para sabermos se é ou não um bem 
público é o da propriedade.
Todos os outros bens são particulares.
Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito 
público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.
Por que não podemos afirmar que o bem destinado à administração pública é um bem 
público? Porque existem bens particulares que são utilizados para esse fim, por meio das 
concessões e permissões de serviço público, por exemplo. Quando se dá o términoa letra fria da lei, depreende-se que a teoria adotada pelo Código Civil é 
a NATALISTA.
Todavia, conforme vimos, o ordenamento jurídico vem caminhando para a adoção da 
teoria concepcionista.
Por isso, devemos ter cuidado com o que a questão pede. Se é “de acordo com o Direito 
Civil...”, temos que lembrar que “Direito Civil” é diferente de “Código Civil”, então estará 
correto dizer que a teoria adotada é a concepcionista.
Se for de acordo com o Código Civil, a teoria adotada é a natalista.
Mas, professora, isso é sobre a questão da personalidade jurídica, né?Mas, professora, isso é sobre a questão da personalidade jurídica, né?
Exatamente, no que concerne aos direitos da personalidade, devemos fazer uma análise 
diferenciada, porque tê-los não é o mesmo que ter personalidade jurídica, sabe?
São também conhecidos como direitos essenciais da pessoa; direitos à personalidade; 
direitos essenciais; direitos personalíssimos.
Eu, particularmente, prefiro chamar de direitos da personalidade, pois é a terminologia 
usada pelo nosso Código Civil.
LIVRO ILIVRO I
DAS PESSOAS
TÍTULO ITÍTULO I 
DAS PESSOAS NATURAIS
CAPÍTULO IICAPÍTULO II 
DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE.
Professora, esses direitos surgiram assim, do nada?Professora, esses direitos surgiram assim, do nada?
Não, não mesmo... lembra de tudo que falamos na aula passada? Do movimento de 
preocupação com a dignidade da pessoa humana?
Então...
Só para te contar um breve histórico...
• No período do Direito Romano – que abrange mais de mil anos, desde a Lei as Doze 
Tábuas (449 a.C.) até o período Justiniano (565 d.C.) –, não havia uma preocupação 
com os direitos da personalidade, mas existia a possibilidade de uma ação contra 
a injúria (actio injuriarum). Injúria é trazer um incômodo ao íntimo do sujeito. Vale 
lembrar que muito do nosso direito atual foi inspirado no Direito Romano, como é 
o caso da ação pauliana, que foi assim denominada por um pretor chamado Paulo;
• Já no período do Cristianismo, temos a questão da Fraternidade e da preocupação 
com a pessoa humana;
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• Na Carta Magna Inglesa, em 1215, apesar de destinada a um público específico, de 
pessoas mais abastadas, já se falava em direitos fundamentais da pessoa humana;
• Em 1789, tivemos a Declaração dos Direitos do Homem, que trouxe a tutela da 
personalidade humana e a defesa dos direitos individuais;
• Em 1948, tivemos a Declaração Universal dos Direitos do Homem. No período pós-
guerra, houve a reforma dos códigos e, por fim, veio a nossa Constituição de 1988
Por falar em Constituição Federal de 1988, olha só o preâmbulo:
Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia Nacional Constituinte para instituir 
um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a 
liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores 
supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social 
e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias, 
promulgamos, sob a proteção de Deus, a seguinte CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA 
DO BRASIL.
Agora olha só que lindo o artigo 1º:
TÍTULO I 
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios 
e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I – a soberania;
II – a cidadania;
III – a dignidade da pessoa humana;
IV – os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V – o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos 
ou diretamente, nos termos desta Constituição.
Notem que a dignidade da pessoa humana foi posta como um dos fundamentos da 
República Federativa do Brasil. Então, observem, considerando tudo o que falamos na aula 
anterior, que não foi uma mudança automática, da noite para o dia.
Tudo foi evoluindo com o passar do tempo.
Importante lembrar que o nosso Código Civil foi pensado na década de 1970.
Consequentemente, os artigos que tratam dos direitos da personalidade são dessa 
época e, até hoje, não sofreram alterações substanciais.
Mantiveram-se na sua redação original.
Porém, hoje, a gente fala em muitos outros aspectos dos direitos da personalidade que 
vão muito além do que consta no Código Civil.
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Professora, mas e hoje, como está tudo isso?Professora, mas e hoje, como está tudo isso?
Como eu disse a você, o Código Civil trabalha os direitos da personalidade nos artigos 11 a 21.
Porém, como observamos, a redação do nosso CC é da década de 1970, sendo um código 
que já nasceu velho, inclusive no que tange os direitos da personalidade. Ainda assim, tais 
dispositivos são considerados “emblemáticos”, porque representam uma modernidade 
inexistente no Código Civil de 1916.
São direitos que protegem características inerentes à pessoa; recaem sobre atributos 
naturais e suas projeções sociais. Mesmo com esses poucos artigos, o Código Civil dá nova 
visão e concede maior relevância à personalidade jurídica.
O professor Cristiano Chaves diz que “trata-se, sem a menor sombra de dúvida, de noção 
fluida, em constante e cotidiana evolução, tendo o escopo de assegurar uma categoria 
jurídica fundamental para efetivação da dignidade humana.”1
O professor Cristiano Chaves ensina, ainda, que os direitos da personalidade passam por 
um movimento de repersonificação, que eu acredito que seja uma preocupação constante, 
e por uma cláusula geral de proteção, pautada em três integridades:
Por isso, não podemos dizer que os artigos 11 a 21 elencam TODOS os direitos da 
personalidade.
Não, não podemos!
Eles não podem ser “engessados” em dispositivos legais.
Devem, portanto, ser trabalhados na qualidade de rol exemplificativo.
É direito de personalidade tudo aquilo que se impõe para se ter uma vida privada digna; 
anda lado a lado com o princípio da dignidade da pessoa humana.
Ao pensar em dignidade da pessoa humana, devemos pensar em direitos fundamentais, 
direitos da personalidade...
1 Chaves de Farias, Cristiano. Rosenvald, Nelson. Curso de Direito Civil – Parte Geral e LINDB. 18. ed. rev. atual. amp. Editora 
JusPodivm. 2020.
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Quando se fala em direitos humanos, pensamos em direito internacional; em direitos 
fundamentais, pensamos em direito constitucional; em direitos da personalidade, pensamos 
sob a ótica do direito civil.
O ponto em comum entre todos eles?
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA
Professora, quais são as características dos direitos da personalidade?Professora, quais são as características dos direitos da personalidade?
Ah, sim, podemos mencionar as seguintes características:
1. Absolutos: são oponíveis erga omnes. Veja que não é no sentidoda 
prestação dos serviços públicos, os bens continuam sendo particulares.
O critério definidor é o da propriedade.
O proprietário deve ser uma pessoa jurídica de direito público.
Você deve se lembrar quem são as pessoas jurídicas de direito público, que vimos: UNIÃO, 
ESTADOS, DF, MUNICÍPIOS E AUTARQUIAS.
As fundações públicas de direito público são verdadeiras autarquias, chamadas de 
autarquias fundacionais ou fundações autárquicas.
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O Código Civil não traz o conceito de bem particular, uma vez que o critério para a sua 
definição é residual.
Todos os bens que não forem públicos serão particulares.
CC
Art. 99. São bens públicos:
I – os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;
II – os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento 
da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias; 
(também chamados de patrimônio administrativo)
III – os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como 
objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. (também chamados de 
dominiais)
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes 
às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado.
Os bens de uso comum do povo podem ter restrições de horário e o poder público pode 
cobrar pelo seu uso. Embora o particular não necessite de autorização do poder público 
para o uso normal (indistinto) dos bens de uso comum do povo, a autorização será exigida 
para alguns casos específicos, para o uso anormal (distinto), como por exemplo: para tomar 
banho de praia, a autorização não é necessária; para casar-se na praia, porém, ela se torna 
necessária.
Aqui, entram as definições de concessão, autorização e permissão de uso de bens 
públicos, estudadas no Direito Administrativo.
Concessão é contrato e, portanto, necessita de licitação.
Permissão e autorização de uso de bens públicos não são contratos administrativos, 
mas, sim, atos administrativos. Não se confundem com concessão e permissão de serviços 
públicos (que são contratos e precisam de licitação)!
Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido 
legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.
Um ponto bacana e que vale lembrar é o direito de reunião, que é assegurado 
constitucionalmente a todos, não necessita de autorização, mas, apenas, de comunicação 
ao órgão responsável. Acaso o poder público informe que a reunião não será viável naquela 
data, horário e local, deverá designar outro local de igual viabilidade e acesso para assegurar 
o direito de reunião.
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Ainda, podemos classificar os bens públicos em dois grupos relacionados à destinação:
Devemos, ainda, apontar as características desses bens:
a) Inalienáveis: não podem ser alienados, nem de forma gratuita (como doação), nem de 
forma onerosa (venda). Essa é a regra, mas existem exceções, vistas no Direito Administrativo, 
que permitem que bens públicos em desuso, que estejam desafetados, sejam alienados.
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto 
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
b) Imprescritíveis: não sofrem usucapião.
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
c) Impenhoráveis: não sofrem penhora judicial. Por isso, quando a Fazenda Pública é 
executada judicialmente, emite-se precatório ou RPV (Requisição de Pequeno Valor), diante 
da impenhorabilidade dos bens públicos.
d) Não oneráveis: não podem ser dados em garantia (penhor, hipoteca e anticrese).
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Agora sim, terminamos o conteúdo de hoje...
Mas nossa aula não acabou...
Hora de ler o resumo e lembrar de tudinho...
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RESUMORESUMO
Então, querido(a) aluno(a), nesta aula vimos um extenso conteúdo.
Um conteúdo que, aparentemente, isolado, não tenha tanto sentido assim, mas quando 
envolvendo os temas especiais do Código Civil ganham um contorno bastante relevante.
Hoje conversamos sobre: Direitos da Personalidade, Pessoa Jurídica, Domicílio e 
Residência e Bens.
Então, veja que estamos seguindo a estrutura do Código Civil...
Vimos esses artigos:
• Direitos da Personalidade: artigos 11 a 21 do Código Civil;
• Pessoa Jurídica: artigos 40 a 69 do Código Civil;
• Domicílio e Residência: artigos 70 a 78 do Código Civil;
• Bens: artigos 79 a 103 do Código Civil.
Iniciando com os direitos da personalidade, notem que a dignidade da pessoa humana 
foi posta como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil. Então, observem, 
considerando tudo o que falamos na aula anterior, que não foi uma mudança automática, 
da noite para o dia.
Tudo foi evoluindo com o passar do tempo.
Como eu disse, o Código Civil trabalha os direitos da personalidade nos artigos 11 a 21.
São direitos que protegem características inerentes à pessoa; recaem sobre atributos 
naturais e suas projeções sociais. Mesmo com esses poucos artigos, o Código Civil dá nova 
visão e concede maior relevância à personalidade jurídica.
Podemos mencionar as seguintes características:
1. Absolutos: são oponíveis erga omnes.
2. Inatos: são inatos, pois são inerentes à condição humana.
3. Extrapatrimoniais: o conteúdo dos direitos da personalidade, em essência, não tem 
valor econômico, pecuniário.
4. Impenhoráveis: isso significa que não se admite constrição judicial sobre direitos da 
personalidade.
5. Imprescritíveis: falar que os direitos da personalidade são imprescritíveis, significa 
dizer que não há prazo extintivo para o exercício de um direito de personalidade.
6. Vitalícios: dizer que os direitos da personalidade são vitalícios significa dizer que se 
extinguem com a morte do titular.
7. Indisponíveis: vale dizer que são irrenunciáveis e intransmissíveis, conforme artigo 
11 do CC. Contudo, trata-se de uma indisponibilidade relativa.
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Muito cuidado, pois eventual ação de indenização prescreve em 3 anos, conforme o 
artigo 205, § 3º, do CC.
Lembre-se de que os direitos da personalidade iniciam com a concepção e terminam 
com a morte do seu titular.
Quando ocorre a violação de um direito da personalidade de alguém que já morreu, 
sofre quem fica.
Esses são os denominados “lesados indiretos”.
Temos dois artigos no Código Civil para denominar quem são os lesados indiretos:
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar 
perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste 
artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.
Aplica-se o mencionado artigo a qualquer direito de personalidade do morto que tenha 
sido violado. Incluem-se, portanto, o cônjuge/companheiro, os ascendentes, os descendentes 
e os colaterais até o quarto grau. Em relação ao companheiro, estamos fazendo uma 
interpretação extensiva.
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da 
ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição 
ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem 
prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, 
ou se se destinarem a fins comerciais.
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer 
essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.
O art. 20 se aplica para o direito de imagem do morto. Nesse caso, os direitos reservados 
ao cônjuge também se estendem ao companheiro, assim como no artigo anterior.
Perceba que os colaterais foram excluídos dessa lista, não podendo ser considerados 
lesados indiretos para pleitear danos morais pelo uso da imagem do morto.
Nesses casos, observamos que essas pessoas estão postulando em nome próprio direito 
próprio, e não direito do morto. Lembre-se: sofre quem fica!
Em relação a essa questão da morte, também é importante destacar o artigo 943 do 
Código Civil, vejamos:
Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança.
Nesse ponto, no caso do artigo, importante colacionar que serve para casos de exigir e 
prestar a reparação.
Além disso, falamos sobre pessoa jurídica.
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O Código Civil adota a expressão “pessoa jurídica”, mas também temos outras 
denominações: Pessoas civis, morais, coletivas, abstratas, místicas, fictícias, ENTE DE 
EXISTÊNCIA IDEAL (Teixeira de Freitas).
A pessoa jurídica é, portanto, proveniente desse fenômeno histórico e social. Consiste 
num conjunto de pessoas ou de bens dotado de personalidade jurídica própria e constituído 
na forma da lei para a consecução de fins comuns. Pode-se afirmar, pois, que pessoas 
jurídicas são entidades a que a lei confere personalidade, capacitando-as a serem sujeitos 
de direitos e obrigações.12
Neste ponto, veja que a redação do artigo 49-A do Código Civil é, exatamente, no sentido 
de que a pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou 
administradores.
A pessoa jurídica só passa a existir a partir da inscrição do ato constitutivo no respectivo 
registro. Portanto, a natureza é CONSTITUTIVA e o efeito ex nunc.
Importante destacar que a posição que deve prevalecer no ordenamento jurídico brasileiro 
está consolidada em diversos julgados (Resp 752.672/RS; AgRG no Resp 865.658/RJ), bem 
como na súmula 227 do STJ, bem como nos termos do artigo 52 do CC. No entanto, a pessoa 
jurídica de direito público NÃO tem direito à indenização por danos morais relacionados à 
violação da honra ou imagem. (Resp 1.258.389/PB).
Duas modalidades de pessoas jurídicas são extremamente relevantes: associações – 
conjunto de pessoas, e fundações – conjunto de bens.
Os bens que integram a fundação vêm do que chamamos de “instituidor”, que pode ser 
uma pessoa física ou jurídica (de direito público ou privado). Quando falamos em “fundação 
pública de direito privado”, é o poder público destinando parte de seu patrimônio para 
instituir uma fundação.
Se for uma fundação de direito público, segue as normas de direito público: a lei autoriza 
a criação de uma fundação pública de direito privado (ato constitutivo realizado por meio 
de decreto).
No Direito Civil, é o particular que destina uma parte de seus bens para a criação de 
uma fundação. Isso pode ser feito mediante escritura pública ou testamento.
Se for por testamento (seja ele público, particular, cerrado ou uma das formas especiais), 
o particular vai dispor de seus bens para que, após a sua morte, seja instituída a fundação.
Para as provas, é também importante saber sobre desconsideração da personalidade jurídica.
A desconsideração da personalidade jurídica NÃO a extingue! Aliás, desconsideração da 
personalidade jurídica trata de uma doutrina que pretende o afastamento temporário da 
personalidade da pessoa jurídica com o objetivo de atingir o patrimônio pessoal do sócio 
ou administrador que cometeu o ato abusivo.
12 GONÇALVES, Carlos Roberto. Coleção Direito Civil Brasileiro 2020: Parte Geral. Vol. I. 18 ed. Saraiva. 2020.
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Em suma, a teoria da desconsideração da personalidade jurídica se aplica aos atos 
praticados com o objetivo de fraudar credores. Embora estejamos falando do Código Civil, 
é interessante que você saiba que essa teoria também se aplica no Direito Ambiental e no 
Direito do Consumidor.
Quando o credor busca o Judiciário para pedir a desconsideração da personalidade 
jurídica, ele deve atender a alguns requisitos.
Aí, entra o artigo 50 do CC, o art. 28 do CDC, as questões ambientais...
Uma vez demonstrados os requisitos, há uma consequência processual.
Temos duas teorias acerca da desconsideração da personalidade jurídica que apresentam 
os requisitos:
TEORIA MAIOR TEORIA MENOR
É a adotada pelo Código Civil, prevista no art. 50.
É preciso que o credor demonstre dois requisitos:
– Subjetivo: comportamento abusivo dos sócios, caracterizado 
pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial (misturar 
o patrimônio da pessoa natural com o da pessoa jurídica);
– Objetivo: o dano (a pessoa jurídica não tem dinheiro para 
pagar a dívida)
É a adotada no Direito Ambiental 
e no Direito do Consumidor (art. 
28, CDC). Exige que o credor 
demonstre apenas um requisito, 
que é o objetivo.
Temos, ainda, que lidar com a seguinte classificação:
• Desconsideração direta: responsabilidade dos sócios pelas dívidas da pessoa jurídica. 
Desconsidera-se a pessoa jurídica para atingir os sócios. É a desconsideração tradicional;
• Desconsideração inversa ou invertida: a responsabilidade da pessoa jurídica por dívidas 
dos sócios e administradores. O sócio é o devedor inicial e é desconsiderado para atingir 
a pessoa jurídica. Costuma ocorrer em dívidas alimentares e em ações de divórcio ou 
de reconhecimento e dissolução de união estável, quando há partilha de bens. Isto 
porque é comum que um doscônjuges camufle seu patrimônio, colocando-o no nome 
da empresa. É admitida pela doutrina conforme enunciado 283 da IV JDC, bem como 
no Informativo 440 do STJ. Esse entendimento doutrinário foi positivado no CPC de 
2015, que trabalha a desconsideração da personalidade jurídica como sendo uma forma 
de intervenção de terceiros. Com a modificação do art. 50 do CC, no ano de 2019, 
passamos a ter, também, a previsão legal da desconsideração inversa ou invertida.
Outro tema abordado hoje foi sobre domicílio e residência, nos artigos 70 a 78 do CC/02, 
cuja reprodução se faz pertinente:
Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo 
definitivo.
Art. 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, 
considerar-se-á domicílio seu qualquer delas.
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Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o 
lugar onde esta é exercida.
Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá 
domicílio para as relações que lhe corresponderem.
Art. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, o lugar 
onde for encontrada.
Art. 74. Muda-se o domicílio, transferindo a residência, com a intenção manifesta de o mudar.
Parágrafo único. A prova da intenção resultará do que declarar a pessoa às municipalidades dos 
lugares, que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizer, da própria mudança, com 
as circunstâncias que a acompanharem.
Art. 75. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é:
I – da União, o Distrito Federal;
II – dos Estados e Territórios, as respectivas capitais;
III – do Município, o lugar onde funcione a administração municipal;
IV – das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e 
administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos.
§ 1º Tendo a pessoa jurídica diversos estabelecimentos em lugares diferentes, cada um deles 
será considerado domicílio para os atos nele praticados.
§ 2º Se a administração, ou diretoria, tiver a sede no estrangeiro, haver-se-á por domicílio da 
pessoa jurídica, no tocante às obrigações contraídas por cada uma das suas agências, o lugar 
do estabelecimento, sito no Brasil, a que ela corresponder.
Art. 76. Têm domicílio necessário o incapaz, o servidor público, o militar, o marítimo e o preso.
Parágrafo único. O domicílio do incapaz é o do seu representante ou assistente; o do servidor 
público, o lugar em que exercer permanentemente suas funções; o do militar, onde servir, e, 
sendo da Marinha ou da Aeronáutica, a sede do comando a que se encontrar imediatamente 
subordinado; o do marítimo, onde o navio estiver matriculado; e o do preso, o lugar em que 
cumprir a sentença.
Art. 77. O agente diplomático do Brasil, que, citado no estrangeiro, alegar extraterritorialidade 
sem designar onde tem, no país, o seu domicílio, poderá ser demandado no Distrito Federal ou 
no último ponto do território brasileiro onde o teve.
Art. 78. Nos contratos escritos, poderão os contratantes especificar domicílio onde se exercitem 
e cumpram os direitos e obrigações deles resultantes.
Terminamos nosso encontro abordando a temática de “bens”, e é preciso que você saiba 
diferenciar os conceitos de “coisas” e “bens”.
Não existe unanimidade na doutrina a esse respeito, mas nós seguiremos os conceitos 
trazidos pelo Código Civil.
Todavia, o Código Civil, contrariando essa concepção, trouxe o conceito adotado por 
Sílvio Rodrigues, pregando que “coisas” são gênero, e, “bens”, espécie.
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O estudo de “Bens” deve acompanhar o Código Civil e é dividida em três capítulos:
• Dos bens considerados em si mesmos (que se dividem, basicamente, em bens móveis 
e imóveis, incluindo outras classificações secundárias);
Dos Bens Imóveis
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente.
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:
I – os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram;
II – o direito à sucessão aberta.
Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis:
I – as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas 
para outro local;
II – os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem.
Dos Bens Móveis
Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, 
sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.
Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais:
I – as energias que tenham valor econômico;
II – os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes;
III – os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações.
Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, 
conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição 
de algum prédio.
Dos Bens Fungíveis e Consumíveis
Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade 
e quantidade.
Art. 86. São consumíveis os bens móveis cujo uso importa destruição imediata da própria 
substância, sendo também considerados tais os destinados à alienação.
Dos Bens Divisíveis
Art. 87. Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem alteração na sua substância, diminuição 
considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se destinam.
Art. 88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei 
ou por vontade das partes.
Dos Bens Singulares e Coletivos
Art. 89. São singulares os bens que, embora reunidos, se consideram de per si, independentemente 
dos demais.
Art. 90. Constitui universalidade de fato a pluralidade de bens singulares que, pertinentes à 
mesma pessoa, tenham destinação unitária.
Parágrafo único. Os bens que formam essa universalidade podem ser objeto de relações jurídicas 
próprias.
Art. 91. Constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, 
dotadas de valor econômico.
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• Dos bens reciprocamente considerados;
Dos Bens Reciprocamente Considerados
Art. 92. Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja 
existência supõe a do principal.
Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo 
duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro.
Art. 94. Os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal não abrangem as pertenças, 
salvo se o contrário resultar da lei, da manifestação de vontade, ou das circunstâncias do caso.
Art. 95. Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem ser objeto 
de negócio jurídico.
Art. 96. Asbenfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1º São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, 
ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor.
§ 2º São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.
§ 3º São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.
Art. 97. Não se consideram benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem 
sem a intervenção do proprietário, possuidor ou detentor.
• Dos bens públicos (aqui, abordaremos, também, os bens particulares, que é um 
conceito residual).
Art. 98. São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito 
público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem.
Art. 99. São bens públicos:
I – os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;
II – os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou estabelecimento 
da administração federal, estadual, territorial ou municipal, inclusive os de suas autarquias;
III – os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como 
objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes 
às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado.
Art. 100. Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto 
conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar.
Art. 101. Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei.
Art. 102. Os bens públicos não estão sujeitos a usucapião.
Art. 103. O uso comum dos bens públicos pode ser gratuito ou retribuído, conforme for estabelecido 
legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem.
Agora precisamos treinar bastante.
Aqui você vai fazer todas as questões sobre o tema abordado já cobradas na OAB. 
Respira e vai!!!!!
Logo após você responder tudo, eu volto com você para comentar uma a uma!
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E eu quero que você tome nota de quantas questões você teve de acerto e de erro...
Divirta-se!!!!!
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QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO
001. 001. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XL/2024) Antônio, locatário de um imóvel 
residencial, verificou uma enorme infiltração atrás dos armários da cozinha. Com a finalidade 
de evitar maior deterioração do imóvel, Antônio realizou a obra a fim de reparar o dano e 
conservar o bem. Aproveitando a presença do empreiteiro em sua casa, reformou todos 
os armários dos quartos, para incluir portas de espelho e puxadores em cobre com o único 
objetivo de deixá-los mais sofisticados, pois os anteriores estavam em perfeito estado. 
Aproveitou também a oportunidade para incluir um grande aquário embutido na parede 
da sala. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta.
a) Por não ser proprietário do bem, as obras realizadas por Antônio não podem ser consideradas 
como benfeitorias.
b) As obras realizadas por Antônio são classificadas como benfeitorias úteis, pois facilitam 
o uso do bem.
c) O reparo na cozinha é uma benfeitoria necessária, porque conserva e evita que a coisa 
se deteriore, e a reforma dos armários e do aquário são benfeitorias voluptuárias, pois 
trata-se de mero deleite.
d) A reforma dos armários dos quartos e o aquário da sala valorizam o bem, sendo consideradas 
como benfeitorias úteis, diferente do reparo na cozinha que, por força da gravidade, 
classifica-se como benfeitoria necessária.
002. 002. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXVII/2023) A Associação Atlética de uma 
renomada instituição de ensino jurídico brasileira, que possui mais de seiscentos associados, 
publica edital em seu site e, também, nas redes sociais, de convocação para uma Assembleia 
Geral, a ser realizada por meio eletrônico, trinta dias após a publicação, tendo como pauta 
a aprovação das contas dos diretores relativas ao exercício financeiro anterior e a alteração 
do estatuto. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta.
a) A convocação de Assembleia Geral feita pela Associação Atlética apresenta um vício formal 
que conduz à nulidade absoluta, haja vista a impossibilidade da realização de Assembleia 
Geral por meio eletrônico.
b) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é possível juridicamente, desde que 
respeitada a participação e a manifestação dos associados, salvo para alteração estatutária, 
que deverá ser feita por reunião presencial, de modo que o edital da Associação Atlética é 
nulo, admitindo-se a conversão.
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c) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é válida, desde que garantida a 
participação e a manifestação dos associados, além do respeito às normas estatutárias, 
inclusive, para a finalidade de alteração dos estatutos.
d) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é anulável, por falta de previsão 
legal, admitindo-se, por conseguinte, a convalidação.
003. 003. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXVI/2022) João Paulo, Thiago, Ana e Tereza, 
amigos de infância, consultam um advogado sobre a melhor forma de, conjuntamente, 
desenvolverem atividade com o propósito de auxiliar na educação formal de jovens de uma 
comunidade da cidade ABC. Os amigos questionam se deveriam constituir uma pessoa 
jurídica para tal fim e informam ao advogado que gostariam de participar ativamente da 
administração e do desenvolvimento das atividades de educação. Além disso, os amigos 
concordam que a referida pessoa jurídica a ser constituída não deve ter finalidade lucrativa. 
Diante do cenário hipotético narrado, o advogado(a) deverá indicar
a) a necessidade de constituição de uma associação e alertar aos amigos que o custeio da 
referida associação deverá ser arcado por eles, tendo em vista a ausência de finalidade 
lucrativa.
b) a necessidade de constituição de uma associação que poderá desenvolver atividade 
econômica, desde que a totalidade dos valores auferidos seja revertida para a própria 
associação.
c) a constituição de uma fundação, porque é a modalidade mais adequada para que os 
amigos possam participar ativamente da administração e das atividades de educação.
d) a constituição de uma fundação e alertar aos amigos que o custeio da referida fundação 
deverá ser arcado por eles, tendo em vista a ausência de finalidade lucrativa e a impossibilidade 
de aportes financeiros por outras pessoas que não pertencem à fundação.
004. 004. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXV/2022) Paulo é pai de Olívia, que tem 
três anos. Paulo é separado de Letícia, mãe de Olívia, e não detém a guarda da criança. 
Por sentença judicial, ficou fixado o valor de R$3.000,00 a título de pensão alimentíciaem 
favor de Olívia.
Paulo deixou de pagar a pensão alimentícia nos últimos cinco meses e, ajuizada uma ação 
de execução contra ele, não foi possível encontrar patrimônio suficiente para fazer frente 
às obrigações inadimplidas. Entretanto, Paulo é também sócio da sociedade Paulo Compra 
e Venda de Joias Ltda., sociedade que tem patrimônio considerável.
Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta.
a) Tendo em vista a absoluta autonomia da pessoa jurídica em relação aos seus sócios, não 
é possível, em nenhuma hipótese, que, na ação de execução, Olívia atinja o patrimônio da 
pessoa jurídica Paulo Compra e Venda de Joias Ltda.
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b) É possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica, a fim de se atingir o 
patrimônio da sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda., independentemente de 
restar configurada a situação de abuso da personalidade jurídica.
c) Ainda que se comprove o abuso da personalidade jurídica, a legislação apenas reconhece 
a hipótese de desconsideração direta da personalidade jurídica, não se admitindo a 
desconsideração inversa, razão pela qual não é possível que Olívia atinja o patrimônio da 
sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda.
d) É possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica, a fim de que Olívia atinja 
o patrimônio da sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda., caso se considere que 
Paulo praticou desvio de finalidade ou confusão patrimonial.
005. 005. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXIII/2021) Bruna visitou a mansão neoclássica 
que André herdara de seu tio e cuja venda estava anunciando. Bruna ficou fascinada com 
a sala principal, decorada com um piano do século XIX e dois quadros do conhecido pintor 
Monet, e com os banheiros, ornados com torneiras desenhadas pelos melhores profissionais 
da época. Diante disso, decidiu comprá-la.
Na ausência de acordo específico entre Bruna e André, por ocasião da transferência da 
propriedade, Bruna receberá
a) a mansão com os quadros, o piano e as torneiras, pois todos esses bens são classificados 
como benfeitorias, que seguem o destino do bem principal vendido.
b) apenas a mansão, eis que o princípio da gravitação jurídica não é aplicável aos demais 
bens citados no caso.
c) a mansão juntamente com as torneiras dos banheiros, consideradas partes integrantes, 
mas não os quadros e o piano, considerados pertenças.
d) a mansão e os quadros, pois, sendo considerados pertenças, impõe-se a regra de que 
o acessório deve seguir o destino do principal, mas o piano e as torneiras poderão ser 
removidos por André antes da transferência.
006. 006. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIII/PRIMEIRA FASE/2017) Em ação judicial 
na qual Paulo é réu, levantou-se controvérsia acerca de seu domicílio, relevante para a 
determinação do juízo competente. Paulo alega que seu domicílio é a capital do Estado do 
Rio de Janeiro, mas o autor sustenta que não há provas de manifestação de vontade de 
Paulo no sentido de fixar seu domicílio naquela cidade.
Sobre o papel da vontade nesse caso, assinale a afirmativa correta.
a) Por se tratar de um fato jurídico em sentido estrito, a vontade de Paulo na fixação de 
domicílio é irrelevante, uma vez que não é necessário levar em consideração a conduta 
humana para a determinação dos efeitos jurídicos desse fato.
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b) Por se tratar de um ato-fato jurídico, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é 
irrelevante, uma vez que, embora se leve em consideração a conduta humana para a 
determinação dos efeitos jurídicos, não é exigível manifestação de vontade.
c) Por se tratar de um ato jurídico em sentido estrito, embora os seus efeitos sejam 
predeterminados pela lei, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é relevante, no sentido 
de verificar a existência de um ânimo de permanecer naquele local.
d) Por se tratar de um negócio jurídico, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é relevante, 
já que é a manifestação de vontade que determina quais efeitos jurídicos o negócio irá 
produzir.
007. 007. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXII/PRIMEIRA FASE/2017) Ricardo realizou 
diversas obras no imóvel que Cláudia lhe emprestou: reparou um vazamento existente na 
cozinha; levantou uma divisória na área de serviço para formar um novo cômodo, destinado 
a servir de despensa; ampliou o número de tomadas disponíveis; e trocou o portão manual 
da garagem por um eletrônico.
Quando Cláudia pediu o imóvel de volta, Ricardo exigiu o ressarcimento por todas as 
benfeitorias realizadas, embora sequer a tenha consultado previamente sobre as obras.
Somente pode-se considerar benfeitoria necessária, a justificar o direito ao ressarcimento,
a) o reparo do vazamento na cozinha.
b) a formação de novo cômodo, destinado a servir de despensa, pelo levantamento de 
divisória na área de serviço.
c) a ampliação do número de tomadas.
d) a troca do portão manual da garagem por um eletrônico.
008. 008. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XIX/PRIMEIRA FASE/2016) Júlia, casada com 
José sob o regime da comunhão universal de bens e mãe de dois filhos, Ana e João, fez 
testamento no qual destinava metade da parte disponível de seus bens à constituição de 
uma fundação de amparo a mulheres vítimas de violência obstétrica. Aberta a sucessão, 
verificou-se que os bens destinados à constituição da fundação eram insuficientes para 
cumprir a finalidade pretendida por Júlia, que, por sua vez, nada estipulou em seu testamento 
caso se apresentasse a hipótese de insuficiência de bens.
Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta.
a) A disposição testamentária será nula e os bens serão distribuídos integralmente entre 
Ana e João.
b) O testamento será nulo e os bens serão integralmente divididos entre José, Ana e João.
c) Os bens de Júlia serão incorporados à outra fundação que tenha propósito igual ou 
semelhante ao amparo de mulheres vítimas de violência obstétrica.
d) Os bens destinados serão incorporados à outra fundação determinada pelos herdeiros 
necessários de Júlia, após a aprovação do Ministério Público.
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009. 009. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XV/PRIMEIRA FASE/2014) Paulo foi casado, 
por muitos anos, no regime da comunhão parcial com Luana, até que um desentendimento 
deu início a um divórcio litigioso. Temendo que Luana exigisse judicialmente metade do seu 
vasto patrimônio, Paulo começou a comprar bens com capital próprio em nome de sociedade 
da qual é sócio e passou os demais também para o nome da sociedade, restando, em seu 
nome, apenas a casa em que morava com ela.
Acerca do assunto, marque a opção correta
a) A atitude de Paulo encontra respaldo na legislação, pois a lei faculta a todo cidadão 
defender sua propriedade, em especial de terceiros de má-fé
b) É permitido ao juiz afastar os efeitos da personificação da sociedade nos casosde desvio 
de finalidade ou confusão patrimonial, mas não o contrário, de modo que não há nada que 
Luana possa fazer para retomar os bens comunicáveis.
c) Sabendo-se que a “teoria da desconsideração da personalidade jurídica” encontra aplicação 
em outros ramos do direito e da legislação, é correto afirmar que os parâmetros adotados 
pelo Código Civil constituem a Teoria Menor, que exige menos requisitos
d) No caso de confusão patrimonial, gerado pela compra de bens com patrimônio particular 
em nome da sociedade, é possível atingir o patrimônio da sociedade, ao que se dá o nome 
de “desconsideração inversa ou invertida’’, de modo como matrimoniais e comunicáveis
010. 010. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO X/PRIMEIRA FASE/2013) Os vitrais do Mercado 
Municipal de São de Paulo, durante a reforma feita em 2004, foram retirados para limpeza 
e restauração da pintura. Considerando a hipótese e as regras sobre bens jurídicos, assinale 
a afirmativa correta.
a) Os vitrais, enquanto separados do prédio do Mercado Municipal durante as obras, são 
classificados como bens móveis.
b) Os vitrais retirados na qualidade de material de demolição, considerando que o Mercado 
Municipal resolva descartar-se deles, serão considerados bens móveis.
c) Os vitrais do Mercado Municipal, considerando que foram feitos por grandes artistas 
europeus, são classificados como bens fungíveis.
d) Os vitrais retirados para restauração, por sua natureza, são classificados como bens 
móveis.
011. 011. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XVI/PRIMEIRA FASE/2012) Roberto, por meio 
de testamento, realiza dotação especial de bens livres para a finalidade de constituir uma 
fundação com a finalidade de promover assistência a idosos no Município do Rio de Janeiro. 
Todavia, os bens destinados foram insuficientes para constituir a fundação pretendida 
pelo instituidor. Em razão de Roberto nada ter disposto sobre o que fazer nessa hipótese, 
é correto afirmar que
a) os bens dotados deverão ser convertidos em títulos da dívida pública até que, aumentados 
com os rendimentos, consigam perfazer a finalidade pretendida.
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b) os bens destinados à fundação serão, nesse caso, incorporados em outra fundação que 
se proponha a fim igual ou semelhante.
c) a Defensoria Pública do estado respectivo, responsável por velar pelas fundações, 
destinará os bens dotados para o fundo assistencial mantido pelo Estado para defesa dos 
hipossuficientes.
d) os bens serão arrecadados e passarão ao domínio do Município, se localizados na respectiva 
circunscrição.
012. 012. (CESPE/OAB EXAME DE ORDEM III/PRIMEIRA FASE/2010) Assinale a opção correta com 
relação aos bens.
a) Considera-se compra e venda imobiliária a alienação de safra de soja ainda não colhida.
b) A cessão de direitos autorais por um escritor não exige a outorga do seu cônjuge, por 
esses direitos serem considerados móveis para os efeitos legais.
c) São benfeitorias úteis as que têm por fim conservar a coisa ou evitar que ela se deteriore.
d) O possuidor de má-fé tem direito a ser indenizado pelas benfeitorias necessárias, 
podendo exercer o direito de retenção do bem caso não seja reembolsado do valor dessas 
benfeitorias.
013. 013. (CESPE/OAB EXAME DE ORDEM III/PRIMEIRA FASE/2009) De acordo com o disposto no 
Código Civil a respeito dos bens, assinale a opção correta.
a) Algumas espécies de bens imóveis podem ser fungíveis.
b) Pertenças são obras feitas na coisa ou despesas que se teve com ela, com o fim de 
conservá-la, melhorá-la ou embelezá-la.
c) Para os efeitos legais, considera-se bem imóvel o direito à sucessão aberta.
d) As benfeitorias úteis são as que têm por finalidade conservar o bem ou evitar que se 
deteriore.
014. 014. (CESPE/OAB EXAME DE ORDEM I/PRIMEIRA FASE/2009) No que se refere aos bens, 
assinale a opção correta.
a) Um bem consumível pode tornar-se inconsumível por vontade das partes, o que vinculará 
terceiros.
b) A lei não pode determinar a indivisibilidade do bem, pois esta característica decorre da 
natureza da coisa ou da vontade das partes.
c) Não podem ser considerados móveis aqueles bens que, uma vez deslocados, perdem a 
sua finalidade.
d) A regra de que o acessório segue o principal tem inúmeros efeitos, entre eles, a presunção 
absoluta de que o proprietário da coisa principal também seja o dono do acessório.
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015. 015. (CESPE/OAB EXAME DE ORDEM II/PRIMEIRA FASE/2008) Os bens jurídicos que, não 
constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou 
ao aformoseamento de outro são classificados como
a) acessórios.
b) pertenças.
c) imóveis por acessão física.
d) imóveis por acessão industrial.
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GABARITOGABARITO
1. c
2. c
3. b
4. d
5. c
6. c
7. a
8. c
9. d
10. b
11. b
12. b
13. c
14. c
15. b
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GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO
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residencial, verificou uma enorme infiltração atrás dos armários da cozinha. Com a finalidade 
de evitar maior deterioração do imóvel, Antônio realizou a obra a fim de reparar o dano e 
conservar o bem. Aproveitando a presença do empreiteiro em sua casa, reformou todos 
os armários dos quartos, para incluir portas de espelho e puxadores em cobre com o único 
objetivo de deixá-los mais sofisticados, pois os anteriores estavam em perfeito estado. 
Aproveitou também a oportunidade para incluir um grande aquário embutido na parede 
da sala. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta.
a) Por não ser proprietário do bem, as obras realizadas por Antônio não podem ser consideradas 
como benfeitorias.
b) As obras realizadas por Antônio são classificadas como benfeitorias úteis, pois facilitam 
o uso do bem.
c) O reparo na cozinha é uma benfeitoria necessária, porque conserva e evita que a coisa 
se deteriore, e a reforma dos armários e do aquário são benfeitorias voluptuárias, pois 
trata-se de mero deleite.
d) A reforma dos armários dos quartos e o aquário da sala valorizam o bem, sendo consideradas 
como benfeitorias úteis, diferente do reparo na cozinha que, por força da gravidade, 
classifica-se como benfeitoria necessária.
O reparo na cozinha é uma benfeitoria necessária, porque conserva e evita que a coisa se 
deteriore, e a reforma dos armários e do aquário são benfeitorias voluptuárias, pois trata-
se de mero deleite.
Trata-se de questão que cobra o conceito de benfeitoria.
Art. 96. As benfeitoriaspodem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1º São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, 
ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor.
§ 2º São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.
§ 3º São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.
Letra c.
002. 002. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXVII/2023) A Associação Atlética de uma 
renomada instituição de ensino jurídico brasileira, que possui mais de seiscentos associados, 
publica edital em seu site e, também, nas redes sociais, de convocação para uma Assembleia 
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Parte Geral – Parte II 
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Geral, a ser realizada por meio eletrônico, trinta dias após a publicação, tendo como pauta 
a aprovação das contas dos diretores relativas ao exercício financeiro anterior e a alteração 
do estatuto. Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta.
a) A convocação de Assembleia Geral feita pela Associação Atlética apresenta um vício formal 
que conduz à nulidade absoluta, haja vista a impossibilidade da realização de Assembleia 
Geral por meio eletrônico.
b) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é possível juridicamente, desde que 
respeitada a participação e a manifestação dos associados, salvo para alteração estatutária, 
que deverá ser feita por reunião presencial, de modo que o edital da Associação Atlética é 
nulo, admitindo-se a conversão.
c) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é válida, desde que garantida a 
participação e a manifestação dos associados, além do respeito às normas estatutárias, 
inclusive, para a finalidade de alteração dos estatutos.
d) A realização de Assembleia Geral por meio eletrônico é anulável, por falta de previsão 
legal, admitindo-se, por conseguinte, a convalidação.
Aluno(a), essa questão cobrou exatamente o artigo atual sobre a assembleia online, olha só:
Art. 48-A. As pessoas jurídicas de direito privado, sem prejuízo do previsto em legislação especial 
e em seus atos constitutivos, poderão realizar suas assembleias gerais por meio eletrônico, 
inclusive para os fins do disposto no art. 59 deste Código, respeitados os direitos previstos de 
participação e de manifestação.
Art. 59. Compete privativamente à assembleia geral:
I – destituir os administradores;
II – alterar o estatuto.
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos I e II deste artigo é exigido 
deliberação da assembleia especialmente convocada para esse fim, cujo quórum será o estabelecido 
no estatuto, bem como os critérios de eleição dos administradores.
Letra c.
003. 003. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXVI/2022) João Paulo, Thiago, Ana e Tereza, 
amigos de infância, consultam um advogado sobre a melhor forma de, conjuntamente, 
desenvolverem atividade com o propósito de auxiliar na educação formal de jovens de uma 
comunidade da cidade ABC. Os amigos questionam se deveriam constituir uma pessoa 
jurídica para tal fim e informam ao advogado que gostariam de participar ativamente da 
administração e do desenvolvimento das atividades de educação. Além disso, os amigos 
concordam que a referida pessoa jurídica a ser constituída não deve ter finalidade lucrativa. 
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Diante do cenário hipotético narrado, o advogado(a) deverá indicar
a) a necessidade de constituição de uma associação e alertar aos amigos que o custeio da 
referida associação deverá ser arcado por eles, tendo em vista a ausência de finalidade 
lucrativa.
b) a necessidade de constituição de uma associação que poderá desenvolver atividade 
econômica, desde que a totalidade dos valores auferidos seja revertida para a própria 
associação.
c) a constituição de uma fundação, porque é a modalidade mais adequada para que os 
amigos possam participar ativamente da administração e das atividades de educação.
d) a constituição de uma fundação e alertar aos amigos que o custeio da referida fundação 
deverá ser arcado por eles, tendo em vista a ausência de finalidade lucrativa e a impossibilidade 
de aportes financeiros por outras pessoas que não pertencem à fundação.
Aqui temos a cobrança do tema de pessoa jurídica sem finalidade lucrativa. Veja que, como 
se trata de um conjunto de pessoas que querem desenvolver atividade lucrativa e que 
querem administrar a pessoa jurídica.
Assim, devem criar uma associação, pois representa um conjunto de pessoas e que, sim, 
podem desenvolver atividade econômica. Apenas o fim que não pode ser lucrativo.
Letra b.
004. 004. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXV/2022) Paulo é pai de Olívia, que tem 
três anos. Paulo é separado de Letícia, mãe de Olívia, e não detém a guarda da criança. 
Por sentença judicial, ficou fixado o valor de R$3.000,00 a título de pensão alimentícia em 
favor de Olívia.
Paulo deixou de pagar a pensão alimentícia nos últimos cinco meses e, ajuizada uma ação 
de execução contra ele, não foi possível encontrar patrimônio suficiente para fazer frente 
às obrigações inadimplidas. Entretanto, Paulo é também sócio da sociedade Paulo Compra 
e Venda de Joias Ltda., sociedade que tem patrimônio considerável.
Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta.
a) Tendo em vista a absoluta autonomia da pessoa jurídica em relação aos seus sócios, não 
é possível, em nenhuma hipótese, que, na ação de execução, Olívia atinja o patrimônio da 
pessoa jurídica Paulo Compra e Venda de Joias Ltda.
b) É possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica, a fim de se atingir o 
patrimônio da sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda., independentemente de 
restar configurada a situação de abuso da personalidade jurídica.
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c) Ainda que se comprove o abuso da personalidade jurídica, a legislação apenas reconhece 
a hipótese de desconsideração direta da personalidade jurídica, não se admitindo a 
desconsideração inversa, razão pela qual não é possível que Olívia atinja o patrimônio da 
sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda.
d) É possível a desconsideração inversa da personalidade jurídica, a fim de que Olívia atinja 
o patrimônio da sociedade Paulo Compra e Venda de Joias Ltda., caso se considere que 
Paulo praticou desvio de finalidade ou confusão patrimonial.
Essa questão versa sobre desconsideração da personalidade jurídica.
No caso, é possível atingir o patrimônio da sociedade de Paulo através da desconsideração 
inversa da personalidade desde que Paulo tenha praticado desvio de finalidade ou confusão 
patrimonial.
Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou 
pela confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando 
lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas 
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particularesde administradores ou de sócios 
da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.
§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, desvio de finalidade é a utilização da pessoa jurídica 
com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de qualquer natureza.
§ 2º Entende-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os patrimônios, 
caracterizada por:
I – cumprimento repetitivo pela sociedade de obrigações do sócio ou do administrador ou 
vice-versa;
II – transferência de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor 
proporcionalmente insignificante; e
III – outros atos de descumprimento da autonomia patrimonial.
§ 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações 
de sócios ou de administradores à pessoa jurídica.
Letra d.
005. 005. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXXIII/2021) Bruna visitou a mansão neoclássica 
que André herdara de seu tio e cuja venda estava anunciando. Bruna ficou fascinada com 
a sala principal, decorada com um piano do século XIX e dois quadros do conhecido pintor 
Monet, e com os banheiros, ornados com torneiras desenhadas pelos melhores profissionais 
da época. Diante disso, decidiu comprá-la.
Na ausência de acordo específico entre Bruna e André, por ocasião da transferência da 
propriedade, Bruna receberá
a) a mansão com os quadros, o piano e as torneiras, pois todos esses bens são classificados 
como benfeitorias, que seguem o destino do bem principal vendido.
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b) apenas a mansão, eis que o princípio da gravitação jurídica não é aplicável aos demais 
bens citados no caso.
c) a mansão juntamente com as torneiras dos banheiros, consideradas partes integrantes, 
mas não os quadros e o piano, considerados pertenças.
d) a mansão e os quadros, pois, sendo considerados pertenças, impõe-se a regra de que 
o acessório deve seguir o destino do principal, mas o piano e as torneiras poderão ser 
removidos por André antes da transferência.
Tal questão é sobre bens, como vimos aqui nessa aula.
Veja que os quadros e o piano são considerados pertenças e, portanto, não seguem o 
principal, não estão sujeitas ao princípio da gravitação jurídica.
Letra c.
006. 006. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIII/PRIMEIRA FASE/2017) Em ação judicial 
na qual Paulo é réu, levantou-se controvérsia acerca de seu domicílio, relevante para a 
determinação do juízo competente. Paulo alega que seu domicílio é a capital do Estado do 
Rio de Janeiro, mas o autor sustenta que não há provas de manifestação de vontade de 
Paulo no sentido de fixar seu domicílio naquela cidade.
Sobre o papel da vontade nesse caso, assinale a afirmativa correta.
a) Por se tratar de um fato jurídico em sentido estrito, a vontade de Paulo na fixação de 
domicílio é irrelevante, uma vez que não é necessário levar em consideração a conduta 
humana para a determinação dos efeitos jurídicos desse fato.
b) Por se tratar de um ato-fato jurídico, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é 
irrelevante, uma vez que, embora se leve em consideração a conduta humana para a 
determinação dos efeitos jurídicos, não é exigível manifestação de vontade.
c) Por se tratar de um ato jurídico em sentido estrito, embora os seus efeitos sejam 
predeterminados pela lei, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é relevante, no sentido 
de verificar a existência de um ânimo de permanecer naquele local.
d) Por se tratar de um negócio jurídico, a vontade de Paulo na fixação de domicílio é relevante, 
já que é a manifestação de vontade que determina quais efeitos jurídicos o negócio irá 
produzir.
Aluno(a), comentamos sobre o tema dessa questão na parte de domicílio.
Veja aqui não é uma questão muito complexa, na verdade ela cobra a natureza jurídica da 
manifestação dá vontade em relação à fixação do domicílio.
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Num estudo de regras de domicílio, vimos que a manifestação de vontade na fixação do 
domicílio é um ato jurídico em sentido estrito, ou seja, o sujeito tem liberdade de manifestar 
a vontade, mas não tem a possibilidade de manipular os efeitos dessa manifestação de 
vontade, pois estão previstos na lei. Assim, nessa questão devemos marcar a letra “c”, pois 
trata-se realmente de um ato jurídico em sentido estrito. Interessante observar que o 
examinador parecia que ia cobrar algo relacionado a questão processual, só que cobrou 
questão relacionada a natureza jurídica da manifestação de vontade. Assim, veja que eu 
posso decidir onde vou morar, contudo não posso afastar critérios legais relacionados à 
fixação do domicílio, como por exemplo, o ajuizamento de ações no meu domicílio, mediante 
a aplicabilidade do artigo 46 do código de processo civil.
Letra c.
007. 007. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXII/PRIMEIRA FASE/2017) Ricardo realizou 
diversas obras no imóvel que Cláudia lhe emprestou: reparou um vazamento existente na 
cozinha; levantou uma divisória na área de serviço para formar um novo cômodo, destinado 
a servir de despensa; ampliou o número de tomadas disponíveis; e trocou o portão manual 
da garagem por um eletrônico.
Quando Cláudia pediu o imóvel de volta, Ricardo exigiu o ressarcimento por todas as 
benfeitorias realizadas, embora sequer a tenha consultado previamente sobre as obras.
Somente pode-se considerar benfeitoria necessária, a justificar o direito ao ressarcimento,
a) o reparo do vazamento na cozinha.
b) a formação de novo cômodo, destinado a servir de despensa, pelo levantamento de 
divisória na área de serviço.
c) a ampliação do número de tomadas.
d) a troca do portão manual da garagem por um eletrônico.
Veja que essa questão trabalha o tema de benfeitorias, observando se o candidato sabe o 
conceito de benfeitorias necessárias, úteis e voluptuárias.
Facilmente aqui aplicamos o artigo 96:
As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1º São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, 
ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor.
§ 2º São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.
§ 3º São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.
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Observe que das benfeitorias realizadas por Ricardo, o reparo do vazamento na cozinha é 
considerado uma benfeitoria necessária, a divisória na área de serviço é considerada uma 
benfeitoria útil e ampliação de tomadas e colocação do portão também são benfeitorias 
úteis.
Letra a.
008. 008. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XIX/PRIMEIRA FASE/2016) Júlia, casada com 
José sob o regime da comunhão universal de bens e mãe de dois filhos, Ana e João, fez 
testamento no qual destinava metade da parte disponível de seus bens à constituição de 
uma fundação de amparo a mulheres vítimas de violência obstétrica.Aberta a sucessão, 
verificou-se que os bens destinados à constituição da fundação eram insuficientes para 
cumprir a finalidade pretendida por Júlia, que, por sua vez, nada estipulou em seu testamento 
caso se apresentasse a hipótese de insuficiência de bens.
Diante da situação narrada, assinale a afirmativa correta.
a) A disposição testamentária será nula e os bens serão distribuídos integralmente entre 
Ana e João.
b) O testamento será nulo e os bens serão integralmente divididos entre José, Ana e João.
c) Os bens de Júlia serão incorporados à outra fundação que tenha propósito igual ou 
semelhante ao amparo de mulheres vítimas de violência obstétrica.
d) Os bens destinados serão incorporados à outra fundação determinada pelos herdeiros 
necessários de Júlia, após a aprovação do Ministério Público.
Essa questão é muito interessante, pois trabalha a criação da fundação por meio de instituição 
através de testamento. Nesse caso, é importante observar que a Júlia possui herdeiros 
necessários e por força do regime de bens da comunhão universal que possui com o seu 
cônjuge, ela tem direito à meação desses bens, ou seja, 50% do conjunto patrimonial do 
casal. Assim, sabendo da presença dos herdeiros necessários que são os seus filhos, Júlia 
poderá dispor em testamento, como melhor lhe aprouver, 50% dos seus bens. Assim poderá 
deixar 50% para a criação da fundação. Entretanto, caso esses bens sejam insuficientes 
para a criação da referida fundação, deverão ser voltados em outra fundação de igual ou 
semelhante atuação, conforme o artigo 63:
Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro 
modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual 
ou semelhante.
Letra c.
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009. 009. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XV/PRIMEIRA FASE/2014) Paulo foi casado, 
por muitos anos, no regime da comunhão parcial com Luana, até que um desentendimento 
deu início a um divórcio litigioso. Temendo que Luana exigisse judicialmente metade do seu 
vasto patrimônio, Paulo começou a comprar bens com capital próprio em nome de sociedade 
da qual é sócio e passou os demais também para o nome da sociedade, restando, em seu 
nome, apenas a casa em que morava com ela.
Acerca do assunto, marque a opção correta
a) A atitude de Paulo encontra respaldo na legislação, pois a lei faculta a todo cidadão 
defender sua propriedade, em especial de terceiros de má-fé
b) É permitido ao juiz afastar os efeitos da personificação da sociedade nos casos de desvio 
de finalidade ou confusão patrimonial, mas não o contrário, de modo que não há nada que 
Luana possa fazer para retomar os bens comunicáveis.
c) Sabendo-se que a “teoria da desconsideração da personalidade jurídica” encontra aplicação 
em outros ramos do direito e da legislação, é correto afirmar que os parâmetros adotados 
pelo Código Civil constituem a Teoria Menor, que exige menos requisitos
d) No caso de confusão patrimonial, gerado pela compra de bens com patrimônio particular 
em nome da sociedade, é possível atingir o patrimônio da sociedade, ao que se dá o nome 
de “desconsideração inversa ou invertida’’, de modo como matrimoniais e comunicáveis
Essa questão é um caso clássico de aplicabilidade da teoria da desconsideração da personalidade 
jurídica. Veja que a situação hipotética abordada menciona a transferência de patrimônio 
com objetivo de fraude. assim é possível aplicabilidade da teoria da desconsideração da 
personalidade jurídica na modalidade inversa ou invertida, na qual desconsidera-se a pessoa 
do sócio para atingimento da empresa.
Lembre-se, que a desconsideração inversa já era admitida pelo STJ, posteriormente foi 
introduzida no código de processo civil e, agora, está expressa no código civil, na redação 
do artigo 50:
Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade ou pela 
confusão patrimonial, pode o juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando 
lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efeitos de certas e determinadas 
relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares de administradores ou de sócios 
da pessoa jurídica beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso.
§ 3º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo também se aplica à extensão das obrigações 
de sócios ou de administradores à pessoa jurídica.
Apesar de essa questão ser do ano de 2014 e a introdução deste parágrafo terceiro ter 
ocorrido em 2019, como mencionamos, já era algo reconhecido no ordenamento jurídico.
Acertou?????
Letra d.
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010. 010. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO X/PRIMEIRA FASE/2013) Os vitrais do Mercado 
Municipal de São de Paulo, durante a reforma feita em 2004, foram retirados para limpeza 
e restauração da pintura. Considerando a hipótese e as regras sobre bens jurídicos, assinale 
a afirmativa correta.
a) Os vitrais, enquanto separados do prédio do Mercado Municipal durante as obras, são 
classificados como bens móveis.
b) Os vitrais retirados na qualidade de material de demolição, considerando que o Mercado 
Municipal resolva descartar-se deles, serão considerados bens móveis.
c) Os vitrais do Mercado Municipal, considerando que foram feitos por grandes artistas 
europeus, são classificados como bens fungíveis.
d) Os vitrais retirados para restauração, por sua natureza, são classificados como bens 
móveis.
Aluno(a), nessa questão os vitrais do Mercado Municipal de São Paulo foram retirados apenas 
para a limpeza e restauração da pintura, ou seja algo temporário. Observe que, logo serão 
recolocados. Assim, durante o período que estejam desgarrados do principal, conservam 
a característica de imobilidade. Aplica-se, aqui, claramente o artigo 81:
Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis:
I – as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas 
para outro local;
II – os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem.
Ocorre que as alternativas dadas pela banca a que melhor se adequa à uma resposta correta 
é a letra “b”, aplicando-se a parte final do artigo 84:
Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam 
sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum 
prédio.
Letra b.
011. 011. (FGV/OAB EXAME DE ORDEM UNIFICADO XVI/PRIMEIRA FASE/2012) Roberto, por meio 
de testamento, realiza dotação especial de bens livres para a finalidade de constituir uma 
fundação com a finalidade de promover assistência a idosos no Município do Rio de Janeiro. 
Todavia, os bens destinados foram insuficientes para constituir a fundação pretendida 
pelo instituidor. Em razão de Roberto nada ter disposto sobre o que fazer nessa hipótese, 
é correto afirmar que
a) os bens dotados deverão ser convertidos em títulos da dívida pública até que, aumentados 
com os rendimentos, consigam perfazer a finalidade pretendida.
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b) os bens destinados à fundação serão, nesse caso, incorporados em outra fundação que 
se proponha a fim igual ou semelhante.
c) a Defensoria Pública do estado respectivo, responsável por velar pelas fundações, 
destinará os bens dotados para o fundo assistencial mantido pelo Estado para defesa dos 
hipossuficientes.
d) os bens serão arrecadados e passarão ao domínio do Município, se localizados na respectiva 
circunscrição.
Aluno(a), atenção aqui. O tema é o mesmo assunto cobrado na questão da Julia, lá em 
cima. Volte lá...
Veja que alguém poderá instituir fundação com dotação especial de bens livre e suficientes.
Caso esses bens sejam insuficientes para a criação da referida fundação, deverão ser voltados 
em outra fundação de igual ou semelhante atuação, conforme o artigo 63:
Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro 
modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual 
ou semelhante.
Letra b.
012. 012. (CESPE/OAB EXAME DE ORDEM III/PRIMEIRA FASE/2010) Assinale a opção correta com 
relação aos bens.
a) Considera-se compra e venda imobiliária a alienação de safra de soja ainda não colhida.
b) A cessão de direitos autorais por um escritor não exige a outorga do seu cônjuge, por 
esses direitos serem considerados móveis para os efeitos legais.
c) São benfeitorias úteis as que têm por fim conservar a coisa ou evitar que ela se deteriore.
d) O possuidor de má-fé tem direito a ser indenizado pelas benfeitorias necessárias, 
podendo exercer o direito de retenção do bem caso não seja reembolsado do valor dessas 
benfeitorias.
Aluno(a), essa questão é antiga, mas a gente tem que estudar também. Foge um pouco do 
formato FGV, mas vale a pena estudar...
Como é uma questão que não apresenta situação hipotética, vamos comentar item por item:
a) Errada. A soja, nesse caso, é bem móvel por antecipação, logo não é venda imobiliária.
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente.
Embora a safra de soja ainda não colhida esteja incorporada ao solo, em decorrência de 
seu interesse econômico e na iminência de mobilização, deverá ser considerada móvel por 
antecipação.
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b) Certa. Conforme a Lei n. 9.610/1998, realmente, os direitos autorais, para efeitos legais, 
são considerados bens móveis.
Art. 3º Os direitos autorais reputam-se, para os efeitos legais, bens móveis.
Além disso, o Código Civil, por sua vez, somente exige outorga do cônjuge nos casos de 
alienação, cessão de bens imóveis.
Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges pode, sem autorização 
do outro, exceto no regime da separação absoluta:
I – alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;
II – pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos;
III – prestar fiança ou aval;
IV – fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que possam integrar futura 
meação.
Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando casarem ou estabelecerem 
economia separada.
c) Errada. Benfeitorias úteis são as que melhoram o uso do bem.
d) Errada. Esse tema é de posse, mas o possuidor de má-fé não pode exercer direito de 
retenção.
Letra b.
013. 013. (CESPE/OAB EXAME DE ORDEM III/PRIMEIRA FASE/2009) De acordo com o disposto no 
Código Civil a respeito dos bens, assinale a opção correta.
a) Algumas espécies de bens imóveis podem ser fungíveis.
b) Pertenças são obras feitas na coisa ou despesas que se teve com ela, com o fim de 
conservá-la, melhorá-la ou embelezá-la.
c) Para os efeitos legais, considera-se bem imóvel o direito à sucessão aberta.
d) As benfeitorias úteis são as que têm por finalidade conservar o bem ou evitar que se 
deteriore.
Aluno(a), mais uma questão antiga, mas a gente tem que estudar também. Foge um pouco 
do formato FGV, mas também vale a pena estudar...
Como é uma questão que não apresenta situação hipotética, vamos comentar item por item:
a) Errada.
Art. 85. São fungíveis os móveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade 
e quantidade.
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b) Errada.
Art. 93. São pertenças os bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo 
duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro.
c) Certa.
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:
I – os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram;
II – o direito à sucessão aberta.
d) Errada.
Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1º São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, 
ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor.
§ 2º São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.
§ 3º São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.
Letra c.
014. 014. (CESPE/OAB EXAME DE ORDEM I/PRIMEIRA FASE/2009) No que se refere aos bens, 
assinale a opção correta.
a) Um bem consumível pode tornar-se inconsumível por vontade das partes, o que vinculará 
terceiros.
b) A lei não pode determinar a indivisibilidade do bem, pois esta característica decorre da 
natureza da coisa ou da vontade das partes.
c) Não podem ser considerados móveis aqueles bens que, uma vez deslocados, perdem a 
sua finalidade.
d) A regra de que o acessório segue o principal tem inúmeros efeitos, entre eles, a presunção 
absoluta de que o proprietário da coisa principal também seja o dono do acessório.
Aluno(a), mais uma questão antiga, mas a gente tem que estudar também. Foge um pouco 
do formato FGV, mas também vale a pena estudar...
Como é uma questão que não apresenta situação hipotética, vamos comentar item por item:
a) Errada. Não poderá vincular terceiros.
b) Errada.
Art. 88. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por determinação da lei 
ou por vontade das partes.
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c) Certa.
Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, 
sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.
d) Errada. A presunção de que o acessório também pertence ao dono do principal não é 
absoluta, mas relativa.
De boa, né?
Letra c.
015. 015. (CESPE/OAB EXAME DE ORDEM II/PRIMEIRA FASE/2008) Os bens jurídicos que, não 
constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou 
ao aformoseamento de outro são classificados como
a) acessórios.
b) pertenças.
c) imóveis por acessão física.
d) imóveis por acessão industrial.
Essa questão envolve o tema de pertenças e cobra, exatamente, a letra da lei.
Art. 93. São pertenças os bens que,de não serem relativos, 
pois nada impede que um direito de personalidade sofra relativização. Significa, apenas, 
que não podem ser violados por ninguém.
2. Inatos: são inatos, pois são inerentes à condição humana.
3. Extrapatrimoniais: o conteúdo dos direitos da personalidade, em essência, não tem 
valor econômico, pecuniário.
Os direitos de personalidade não têm estimativa econômica, mas a violação a um direito 
de personalidade gera indenização, gera reparação pecuniária.
A indenização por danos morais é um exemplo de reparação por essa violação.
4. Impenhoráveis: isso significa que não se admite constrição judicial sobre direitos da 
personalidade. Os direitos da personalidade não podem ser penhorados pelo juiz. Então, 
se um devedor não paga uma determinada dívida, não poderá ter nenhum direito de 
personalidade penhorado. Na verdade, quando um devedor não paga uma dívida, deverá 
ter a penhora recaindo sobre bens patrimoniais.
Uma questão interessante, é sobre as sepulturas. Isso porque algumas sepulturas podem 
ser consideradas bens particulares, porém só poderão ser penhoradas caso não contenham 
corpo morto ali, em virtude dos direitos da personalidade, que podem transcender para 
depois do falecimento daquele indivíduo.
Outro ponto interessante, é sobre os dentes de ouro, pois por serem considerados 
partes do corpo, são impenhoráveis.
Interessante, né?!
5. Imprescritíveis: falar que os direitos da personalidade são imprescritíveis, significa 
dizer que não há prazo extintivo para o exercício de um direito de personalidade.
Ninguém sofre a perda de um direito de personalidade pelo não uso.
Ele é seu desde o seu nascimento até a morte.
De acordo com tudo que a gente falou até agora, os direitos da personalidade são tão 
importantes irrelevantes no ordenamento jurídico que não seria razoável admitir que esses 
direitos se perdessem pelo decurso do tempo, pelo contrário, estamos observando que, 
com o decorrer do tempo, mais direitos da personalidade surgem, porque a evolução das 
relações jurídicas é tamanha, que é preciso uma maior proteção a cada dia que passa.
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Um exemplo sobre essa evolução é quando não existia internet, assim, sequer se falava 
em cyberbullying.
Hoje, é algo enraizado no nosso cotidiano.
Agora, aqui, você precisa ter cuidado, pois uma coisa é dizer que os direitos da personalidade 
são imprescritíveis, outra coisa, bem diferente, é à ação indenizatória pela violação de um 
direito de personalidade.
Veja que existe prazo prescricional para reclamar a indenização, e esse prazo é de 3 
anos, conforme artigo 206, § 3º, do Código Civil, vejamos:
Art. 206. Prescreve:
§ 3º Em três anos:
V – a pretensão de reparação civil.
 Aqui, eu preciso que você tenha cuidado com uma informação bem técnica, uma 
questão relacionada à terminologia correta: nunca diga que prescrição é a perda do direito 
de ação, porque este direito é imprescritível, está ligado à dignidade da pessoa humana e 
tem viés processual. A prescrição está ligada com a perda da pretensão, o que é a intenção 
de ir à juízo satisfazer um direito subjetivo seu.
6. Vitalícios: dizer que os direitos da personalidade são vitalícios significa dizer que se 
extinguem com a morte do titular.
Não podemos dizer que são perpétuos, pois quando algo é perpétuo transmite-se com 
a morte, um exemplo é um direito (propriedade, por exemplo).
Professora, entendi, mas há algo complexo sobre essas características que podem ser Professora, entendi, mas há algo complexo sobre essas características que podem ser 
cobradas na minha prova?cobradas na minha prova?
Com certeza, vamos por partes:
Primeiramente, devemos destacar a questão do prazo de 3 anos para ajuizamento da 
ação de indenização.
O artigo 206 estabelece o prazo prescricional de 3 anos para requerer indenização, 
como vimos, correto?
O artigo 189 diz que começa a contar tal prazo a partir da data da violação do direito – 
violado o direito, nasce para o titular a pretensão, a qual se extingue, pela prescrição, nos 
prazos a que aludem os arts. 205 e 206.
Contudo, se você aplicar a literalidade do artigo 189, pode acabar causando algumas 
injustiças.
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Digamos que você me agrediu fisicamente hoje. (socorro, Deus)
O meu direito à integridade física foi violado hoje.
Nesse momento nasce a pretensão, que se extingue pela prescrição, que é de 03 anos, 
nesse caso.
Agora, imagine que em 2012 usaram o meu nome para fins de publicidade, no Rio de Janeiro 
e eu moro em Brasília.
Eu só soube disso hoje.
Está prescrito? Sim.
Isso é justo? Não!
Veja que o objetivo do ordenamento jurídico não é provocar a injustiça.
Então, como é possível que na data o autor não saiba da violação, o STJ abraçou a tese 
da actio nata, o que significa que os prazos prescricionais, em alguns casos, começam a 
fluir não na data da violação em si, mas na data do conhecimento da violação.
É o que a súmula 278 do STJ esclarece, veja: o termo inicial do prazo prescricional, na ação 
de indenização, é a data em que o segurado teve ciência inequívoca da incapacidade laboral.
Um segundo ponto relevante: Além das características que nós já vimos há mais uma, 
estampada no artigo 11 do Código Civil, dá uma olhadinha:
Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são INTRANSMISSÍVEIS e 
IRRENUNCIÁVEIS, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária.
Tendo em vista os adjetivos acima destacados, pode-se dizer que os direitos da 
personalidade são INDISPONÍVEIS.
Mas, professora, essa indisponibilidade é absoluta ou relativa? Será que tem algum Mas, professora, essa indisponibilidade é absoluta ou relativa? Será que tem algum 
momento em que eu posso dispor do meu direito da personalidade?momento em que eu posso dispor do meu direito da personalidade?
Opa, boa pergunta. Então, nós estamos diante de uma indisponibilidade RELATIVA.
Se você observar bem, quando eu gravo uma aula no Gran, ou apareço em alguma rede 
social do Gran, no site..., estou dispondo do meu direito de imagem, colocando à disposição 
do curso a minha imagem e a minha voz. Meus direitos autorais sobre minha aula, né?
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Você conhece essa moça? Certamente conhece!
É a moça do palito de dente Gina...
Se você vir a imagem dessa mulher, logo vai associar aos palitos da marca Gina!
Isso só ocorre porque essa mulher cedeu o seu direito de imagem à marca. Isso acontece 
a todo momento em variadas situações...
Pois bem, o ordenamento jurídico civilista, sendo interpretado, é possível perceber que 
é admitida a restrição dos direitos da personalidade de forma voluntária ou mediante 
autorização da lei.
ENUNCIADO 4º DA JDC. O exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, 
desde que não seja permanente nem geral.
ENUNCIADO 139 DA JDC. Os direitos da personalidadenão constituindo partes integrantes, se destinam, de modo 
duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de outro.
Letra b.
Por hoje é só...
Vamos juntos!
Continuemos em nossa jornada de estudo, pois ninguém jamais se arrependeu de 
estudar...
Força, sei como é difícil, mas apenas confie no futuro e ele, certamente, não te 
decepcionará...
Bj bj da professora.
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	Sumário
	Apresentação
	Parte Geral – Parte II
	1. Direitos da Personalidade
	2. Pessoa Jurídica
	3. Domicílio e Residência
	4. Bens
	4.1. Dos Bens Considerados em Si Mesmos
	4.2. Dos Bens Reciprocamente Considerados
	4.3. Dos Bens Públicos
	Resumo
	Questões de Concurso
	Gabarito
	Gabarito Comentadopodem sofrer limitações, ainda que não 
especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, 
contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes.
Professora, tem exemplo de disposição dos direitos da personalidade pela via da au-Professora, tem exemplo de disposição dos direitos da personalidade pela via da au-
torização legal?torização legal?
Com certeza, podemos citar dois exemplos de restrição dos direitos da personalidade 
por meio de lei:
a) Lei n. 9.610/1998 – Direitos autorais – Ligados à integridade intelectual. Prevê a 
possibilidade de transmissão dos direitos autorais.
b) Lei n. 9.434/1997 – Transplante de órgãos – Disposição da integridade física.
Art. 1º A disposição gratuita de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, em vida ou post 
mortem, para fins de transplante e tratamento, é permitida na forma desta Lei.
Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, não estão compreendidos entre os tecidos a que se 
refere este artigo o sangue, o esperma e o óvulo.
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Muito bom, professora, mas quais as condições para a disposição dos direitos da per-Muito bom, professora, mas quais as condições para a disposição dos direitos da per-
sonalidade de forma voluntária?sonalidade de forma voluntária?
De forma voluntária, temos que o próprio titular poderá dispor de determinado direito 
de personalidade mediante preenchimento de alguns requisitos:
a) A restrição não pode ser permanente;
b) A restrição não poder ser genérica, ou seja, toda restrição deve ser especificamente 
incidente sobre um ou outro direito da personalidade, como por exemplo direito de imagem;
c) A restrição não pode violar a dignidade do titular, ainda que venha este titular 
concordar, anuir, aquiescer.
Neste ponto, podemos adentrar em diversos aspectos, como filmes pornográficos 
esdrúxulos, de sexo com animais, reality shows, brincadeiras sensacionalistas em programas 
de TV e que exponham a pessoa ao ridículo...
Podemos pensar em muitas situações.
Veja que, quando gravo uma aula no Gran, eu estou cedendo meus direitos de imagem, 
mas não todos os meus direitos da personalidade, tampouco de maneira perpétua. Ademais, 
a cessão é apenas para que atinja as finalidades específicas do curso, nada além disso.
Sobre essa última condição para a concessão dos direitos da personalidade de forma 
voluntária, sobre a violação da dignidade da pessoa humana, é interessante aqui, para fins 
didáticos, lembrar do caso famoso do arremesso de anões:
CASO DO ARREMESSO DE 
ANÕES2
Arremesso de anão é uma atração 
na qual anões vestindo trajes 
protetores são arremessados, 
em superfícies que lhe amparam 
a queda, por pessoas de estatura 
“normal”, que competem entre si 
para ver quem joga mais longe o 
portador de nanismo.
O caso foi julgado na França, em 1992, e a atração foi banida 
da cidade. Manuel Wackenheim, anão e dublê, levou o caso 
para Comissão das Nações Unidas e Direitos Humanos, 
que em 27 de setembro de 2002, julgou que a decisão 
não era discriminatória aos anões, estabelecendo que o 
banimento do arremesso não era abusivo, e sim necessário 
para manter a ordem pública, fazendo ainda considerações 
a respeito da dignidade humana.
2 Um pequeno dublê que protestou contra uma proibição francesa à bizarra prática de “lançamento de anões” perdeu sua 
apelação diante de um órgão de defesa dos direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), o qual afirmou 
que a necessidade de proteger a dignidade humana era fundamental.
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Essa situação relacionada ao arremesso de anões ocorreu, exatamente, em virtude do 
que comentamos no item “c”: ainda que haja a anuência do titular, não é possível dispor dos 
direitos da personalidade quando houver violação da dignidade da pessoa humana.
Mas, professora, você diz que não é possível ceder sem prazo determinado os direitos Mas, professora, você diz que não é possível ceder sem prazo determinado os direitos 
da personalidade, mas, parece-me, que o ronaldinho cedeu a imagem dele perpetua-da personalidade, mas, parece-me, que o ronaldinho cedeu a imagem dele perpetua-
mente à Nike. Como fica essa história?mente à Nike. Como fica essa história?
O pessoal sempre tem dúvida nesse ponto...
Eu li que Ronaldinho tem contrato sim de cessão de imagem com a Nike, esse contrato 
é vitalício. No caso do Ronaldinho com a Nike, onde o jogador cedia seus direitos de imagem 
sem um prazo determinado, não foi celebrado no Brasil, parece ter sido na Itália... Mas 
não sei precisar exatamente onde foi, de qualquer sorte, no Brasil temos uma regra clara 
Prevista na Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro:
Art. 7º A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da 
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
Sendo assim, podemos considerar que as regras relacionadas aos direitos da personalidade 
são as regras do Brasil e, assim sendo, não é possível transmitir direito da personalidade 
sem o que haja um prazo determinado.
Professora, tenho mais uma dúvida: tem alguma coisa em comum entre os direitos da Professora, tenho mais uma dúvida: tem alguma coisa em comum entre os direitos da 
personalidade os direitos fundamentais?personalidade os direitos fundamentais?
 Uuui, que pergunta sensacional...
Eis aqui uma cereja de bolo...
Então, a gente fala muito de direitos humanos sob a ótica Internacional e direitos 
fundamentais sob uma ótica constitucional.
 Manuel Wackenheim argumentou que a proibição de 1995, decidida pelo mais alto tribunal administrativo francês, era 
discriminatória e o privava de um trabalho que consistia em ser arremessado em discotecas por homens grandes.
 Em um comunicado divulgado na sexta-feira, o Comitê de Direitos Humanos da ONU disse estar satisfeito pela “proibi-
ção de lançamento de anões não ser abusiva, mas necessária a fim de proteger a ordem pública, incluindo considerações 
sobre a dignidade humana”. O comitê disse ainda que a proibição “não se tratava de proibição discriminatória”.
 O passatempo, importado dos Estados Unidos e da Austrália nos anos 1980, consiste em jogar pequenos dublês o mais 
longe possível, e geralmente acontece em bares e discotecas.
 O dublê usa um capacete e roupas acolchoadas que têm alças nas costas para facilitar o arremesso do projétil humano.
 O francês, medindo 1,14 metro, entrou com sua apelação em 1999 no comitê da ONU formado por 18 especialistas 
independentes. – https://noticias.uol.com.br/inter/reuters/2002/09/27/ult27u26540.jhtm.
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Os direitos da personalidade são observados sob a ótica da ordem privada.
Contudo, você precisa lembrar que os direitos fundamentais foram pensados, num 
primeiro momento, para uma relação verticalizada, onde há tipicamente, o direito público 
– o Estado é colocado em uma posição de superioridade em relação ao particular.
Isso acontece porque, para que o Estado possa efetivar sua soberania sobre a vontade 
particular deve gozar de prerrogativas e são estas que colocam o Estado em posição de 
superioridade sobre o particular.
No entanto, estas prerrogativas, não são absolutas; o Estado deverá ter limites – restrições, 
sendo os direitos fundamentais exemplos de tais limitações.
Um exemplo muito claro do binômio PRERROGATIVAS versus RESTRIÇÕES, que regem o 
Regime Jurídico Administrativo, é a questão da desapropriação.
Sabemos que a Constituição Federal autoriza a desapropriação por necessidade ou 
utilidade pública, o que também é previsto no artigo 1228 do Código Civil, mas que, como 
limite a essa prerrogativa, deve haver indenização prévia, justa e em dinheiro.
Quando tratamos dos direitos da personalidade, no âmbito do direito privado, trabalhamos 
com a esfera da integridade física, psicológica e intelectual.
Só que, como já comentamos, hoje, vivemos na era da summa divisio constitucionalizada, 
onde, cada vez mais, o direito público e o direito privado se aproximam.
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É possível ver, então, que a dignidade da pessoa humana é um ponto em comum entre 
essas duas esferas.
Entretanto, o termo “Dignidade da Pessoa Humana” possui um conceito aberto, não 
sendo possível delimitar a sua abrangência.
É uma expressão que vai além de uma interpretação literal, para ser interpretada de 
acordo com o caso concreto analisado.
O professor Cristiano Chaves3 aponta os pilares indicativos de que se trata do princípio 
da dignidade da pessoa humana são:
Sobre integridade física e psíquica e liberdade e igualdade não há qualquer dificuldade 
em observar que qualquer violação a esses elementos ofende a dignidade da pessoa humana.
Contudo, no tocante ao mínimo existencial, muito trabalhado pela doutrina 
constitucionalista, e, em especial, o Ministro Luiz Edson Fachin, pense que qualquer ser 
humano necessita de um mínimo para ter uma vida digna.
Neste ponto, importante destacar aqui a “súmula do single”, editada pelo STJ, que trata 
da impenhorabilidade do bem de família.
3 Chaves de Farias, Cristiano. Rosenvald, Nelson. Curso de Direito Civil – Parte Geral e LINDB. 18. ed. rev. atual. amp. Editora 
JusPodivm. 2020.
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Professora, súmula do single? o que é isso?Professora, súmula do single? o que é isso?
Rsrsrsrsrs... Single é o solteiro, divorciado, viúvo... (quem é single?)
A Lei n. 8.009/1990 estabelece regras sobre a impenhorabilidade do bem de família 
para pagamento de dívidas do devedor.
Art. 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não 
responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, 
contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, 
salvo nas hipóteses previstas nesta lei.
Parágrafo único. A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção, 
as plantações, as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive os de 
uso profissional, ou móveis que guarnecem a casa, desde que quitados.
Considerando isso, você acredita que chegou um caso no STJ requerendo o reconhecimento 
da legalidade de uma penhora do bem de família de um devedor “single”, sob o argumento 
de que ele não tem família?
Um horror, né? Pois é, mas o STJ não deixou barato e editou a Súmula 364 que diz: “o 
conceito de impenhorabilidade de bem de família abrange também o imóvel pertencente 
a pessoas solteiras vírgulas separadas e viúvas”.
Muito bom, né? Veja que o STJ promoveu uma verdadeira interpretação teleológica, 
aplicando a verdadeira finalidade da lei que, por sua vez, não é proteger a família, mas, sim, 
a dignidade da pessoa humana.
Sensacional, professora, estou entendendo . . . Agora, quando uma pessoa começa a ter Sensacional, professora, estou entendendo . . . Agora, quando uma pessoa começa a ter 
direitos da personalidade? É quando nasce com vida igual à personalidade jurídica?direitos da personalidade? É quando nasce com vida igual à personalidade jurídica?
Nós vimos que a personalidade jurídica é a aptidão genérica para titularizar direitos e 
deveres. Neste ponto, a teoria adotada pelo Código Civil é a natalista. Até aqui, tudo ok?
Porém, eu disse que vocês não devem confundir direitos da personalidade com 
personalidade jurídica! “Num disse?”
No tocante à aquisição dos DIREITOS DA PERSONALIDADE, ela se dá a partir da CONCEPÇÃO.
Portanto, adota-se a teoria CONCEPCIONISTA.
Professora do céu, choquei .Professora do céu, choquei .
Pois é, uma coisa é ter personalidade jurídica, outra coisa é ter direitos da personalidade. 
Aqui, só uma curiosidade pouco relevante, mas os mais concepcionistas, entendem que a 
concepção, para essa finalidade, se considera a partir do coito – momento sexual.
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Já os menos concepcionistas, entendem que os direitos da personalidade ocorrem com 
a nidação, que é quando ocorre fixação do óvulo fecundado no útero.
É por isso que o nascituro pode sofrer dano moral – (RECURSO ESPECIAL N. 399.028 – SP).
Mas e o natimorto? Em virtude de adotarmos uma teoria concepcionista, entende-se 
que ao natimorto se estendem os direitos da personalidade. Assim, ele tem direito a nome, 
imagem, sepultura...
ENUNCIADO 1 JORNADA DE DIREITO CIVIL. A proteção que o Código defere ao nascituro alcança 
o natimorto no que concerne aos direitos da personalidade, tais como nome, imagem e sepultura.
Só uma última consideração: as pessoas que, por alguma razão, não podem ter filhos 
de maneira natural, recorrem à fertilização in vitro. A fecundação ocorre de maneira 
artificial, formando-se os embriões. Alguns são inseridos no ventre materno para o efetivo 
desenvolvimento, tornando-se nascituros, e outros são congelados – criogenizados.
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Tudo isso tem a ver com um julgado muito interessante do STF, a ADI 3510/DF (lembra que 
falamos dela na aula passada?), que tratou de discutir a (in)constitucionalidade do art. 5º da 
Leide Biossegurança que autoriza que sejam utilizados para o tratamento com células-tronco 
embriões inviáveis a inseminação ou que estejam congelados há 3 anos ou mais. (lembra?)
Havia duas correntes divergentes: a primeira que 
defendia que a vida começa na fecundação e que, 
por esse motivo, pesquisar em células-tronco 
embrionárias seria violar o direito à vida garantido 
constitucionalmente; a segunda que afirma que 
o embrião somente alcança características de 
pessoa humana com a implantação no útero de 
uma mulher, não havendo violação ao direito à vida.
Foram ouvidos como amici curiae neste 
julgado: Conectas Direitos Humanos, Centro 
de Direitos Humanos – CDH; Movimento em 
Prol da Vida – MOVITAE; Instituto de Bioética, 
Direitos Humanos e Gênero – ANIS, além da 
Confederação Nacional dos Bispos do Brasil 
– CNBB e entidades sociais.
Em 2008, por meio da ADI 3510/DF, de relatoria do Ministro Carlos Ayres Brito, o STF, por maioria, 
decidiu pela constitucionalidade do artigo acima, logo, de forma clara, decidiu-se que os embriões 
não possuem direitos de personalidade, pois, se tivessem, não poderiam ter sido feito de objetos 
de tratamento.
Trata-se, portanto, de um julgado que adota, essencialmente, a teoria natalista.
Mas esse embrião congelado tem algum direito, professora?Mas esse embrião congelado tem algum direito, professora?
EXEMPLO
Imagine que eu quero ter filhos com João, mas nós não conseguimos pelo método tradicional 
e recorremos à fertilização in vitro. No laboratório, alguns embriões são inseridos no meu 
ventre e outros são congelados.
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João morre e eu ainda desejava ter mais filhos com ele. Vou ao laboratório e faço a inseminação, 
obviamente, com autorização prévia contratual.
Então perceba que, na data da morte do pai, o embrião já estava concebido, para fins legais.
Portanto, poderá ser considerada herdeiro.
A partir daí, surge a análise da petição de herança, que é uma demanda judicial estudada 
na parte de direito sucessório, para requerer a sobrepartilha. Existe uma discussão acerca 
do prazo prescricional da petição de herança, mas já se decidiu que é dum prazo de 10 anos.
CC
Art. 1.798. Legitimam-se a suceder as pessoas nascidas ou já concebidas no momento da 
abertura da sucessão.
Além disso, de acordo com o artigo 1597 do Código Civil haverá uma presunção de 
paternidade, sendo assim, terá o embrião direito ao reconhecimento da paternidade.
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos:
IV – havidos, a qualquer tempo, quando se tratar de embriões excedentários, decorrentes de 
concepção artificial homóloga.
Fazendo-se, assim, uma análise, há de se chegar à conclusão que o embrião congelado 
está concebido e, portanto, deverá ser considerado herdeiro.
DICA
1 . os direitos de personalidade são adquiridos na concepção 
uterina;
2 . os direitos de personalidade são reconhecidos ao 
natimorto;
3 . o embrião laboratorial não dispõe dos direitos da 
personalidade;
3 .1 . o embrião laboratorial pode ter presunção de 
paternidade, quando os pais forem casados;
3.2. O embrião laboratorial terá direito sucessório se já 
tiver sido concebido, quando da morte do seu pai .
opa, tudo certo . . . mas quando acabam os direitos da personalidade, professora?opa, tudo certo . . . mas quando acabam os direitos da personalidade, professora?
Eles se extinguem com a morte. Por isso, falamos que os direitos da personalidade são 
vitalícios e não perpétuos.
Todavia, existe uma projeção dos direitos da personalidade para após a morte.
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Pode cair na sua prova...
EXEMPLO
Imagine que João, alcoolizado, dirigiu um carro e atropelou Maria, que, embora tenha sido 
socorrida por ele, faleceu no hospital.
Os herdeiros de Maria poderiam ajuizar ação contra João? Sim!
O dever de reparar e o poder de exigir a reparação são transmitidos aos herdeiros, nos limites 
da herança. Isso é tema tanto do direito sucessório quanto de responsabilidade civil.
Nesse caso, tanto os herdeiros de João podem responder, nos limites da herança, com a 
obrigação de indenização, como os herdeiros de Maria podem exigir a reparação.
CC
Art. 943. O direito de exigir reparação e a obrigação de prestá-la transmitem-se com a herança.
Veja que também temos súmula recente do STJ sobre o tema:
JURISPRUDÊNCIA
Súmula 642. O direito à indenização por danos morais transmite-se com o falecimento 
do titular, possuindo os herdeiros da vítima legitimidade ativa para ajuizar ou prosseguir 
a ação indenizatória.
Outro ponto muito interessante é a questão da possibilidade de o morto sofrer dano moral.
Ué, morto sofre dano moral, professora?Ué, morto sofre dano moral, professora?
No famoso caso da atriz Daniella Perez, que foi brutalmente assassinada em 1992, 
causando uma grande comoção nacional... Lembra desse caso?
Pois é, Daniela Perez, filha da autora de novelas Glória Perez, e esposa de Raul Gazolla, foi 
assassinada com, parece-me, 18 tesouradas, o que lhe perfurou pescoço, pulmão e coração.
Resumidamente, Daniella contracenava par romântico na novela escrita por sua mãe 
com Guilherme de Pádua. Em um determinado dia Guilherme de Pádua e sua então esposa 
Paula Thomaz, assassinaram Daniella. Dizem as más línguas que o motivo do assassinato 
foram as tentativas mal sucedidas de convencer Daniela a pedir a sua mãe para aumentar 
o papel de Guilherme na novela que contracenavam, “De Corpo e Alma”.
Na época, um jornal publicou uma insinuação de que ela havia morrido em virtude de 
um caso extraconjugal.
Em outro caso famoso, do Cristiano Araújo, que morreu em um acidente de carro, em 
2015, o seu corpo morto foi veiculado por meio das redes sociais.
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Podemos dizer que houve a caracterização de danos morais em ambos os casos?
Os mortos sofreram dano moral?
A resposta é NÃO, porque o morto não sofre dano moral.
Sofre o dano moral quem fica!
Sofre dano moral quem está vivo!
Quando ocorre a violação de um direito da personalidade de alguém que já morreu, 
sofre quem fica. Isso porque os direitos da personalidade são vitalícios.
Professora, mas quem são as pessoas que ficam?Professora, mas quem são as pessoas que ficam?
São os denominados “lesados indiretos”. Quem são eles?
São as pessoas que sofrem dano por ricochete, dano moral indireto.
Eu te perguntei se o morto sofre dano moral.
Na verdade, sofre dano moral quem fica!
Lembra do caso da Daniella Perez? Daniella (morta) teve sua honra maculada com a 
reportagem, mas é possível dizer que ela sofreu dano moral?
E o Cristiano Araújo, que teve o seu corpo morto veiculado pelas redes sociais, sofreu dano 
moral? E a Marília Mendonça que também teve o corpo morto exposto nas redes sociais?
A resposta é NÃO, porque o morto não sofre dano moral.
Quando ocorre a violação de um direito da personalidade de alguém que já morreu,sofre quem fica.
Esses são os denominados “lesados indiretos”.
Temos dois artigos no Código Civil para denominar quem são os lesados indiretos:
Art. 12. Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar 
perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei.
Parágrafo único. Em se tratando de morto, terá legitimação para requerer a medida prevista neste 
artigo o cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quarto grau.
Aplica-se o mencionado artigo a qualquer direito de personalidade do morto que tenha 
sido violado. Incluem-se, portanto, o cônjuge/companheiro, os ascendentes, os descendentes 
e os colaterais até o quarto grau. Em relação ao companheiro, estamos fazendo uma 
interpretação extensiva.
Art. 20. Salvo se autorizadas, ou se necessárias à administração da justiça ou à manutenção da 
ordem pública, a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição 
ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem 
prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, 
ou se se destinarem a fins comerciais.
Parágrafo único. Em se tratando de morto ou de ausente, são partes legítimas para requerer 
essa proteção o cônjuge, os ascendentes ou os descendentes.
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O art. 20 se aplica para o direito de imagem do morto. Nesse caso, os direitos reservados 
ao cônjuge também se estendem ao companheiro, assim como no artigo anterior.
Perceba que os colaterais foram excluídos dessa lista, não podendo ser considerados 
lesados indiretos para pleitear danos morais pelo uso da imagem do morto.
Nesses casos, observamos que essas pessoas estão postulando em nome próprio direito 
próprio, e não direito do morto. Lembre-se: sofre quem fica!
Será bastante interessante você dar uma olhadinha nesses julgados:
1. Caso Garrincha – O Superior Tribunal de Justiça reconheceu que as filhas de Garrincha 
têm direito a indenização pela publicação do livro Estrela Solitária – Um brasileiro chamado 
Garrincha, escrito por Rui Castro e editado pela Companhia das Letras, sem autorização das 
herdeiras. O relator do caso, ministro César Asfor Rocha, determinou à editora o pagamento 
de indenizações de 100 salários-mínimos para cada herdeira de Garrincha a título de 
danos morais, com juros de 6% ao ano desde a data do lançamento do livro. E, por danos 
materiais, o relator estipulou uma indenização de 5% sobre o total das vendas do livro, com 
juros de 6% ao ano, contados a partir da citação das partes do processo. Para o STJ, “não 
se pode subtrair dos filhos o direito de defender a imagem e a honra de seu falecido pai, 
pois eles, em linha de normalidade, são os que mais se desvanecem com a exaltação feita à 
sua memória, como são os que mais se abatem e se deprimem por qualquer agressão que 
lhe possa trazer mácula”. O ministro Asfor Rocha ressaltou ainda que “a imagem de pessoa 
famosa projeta efeitos econômicos para além de sua morte, pelo que seus sucessores 
passam a ter, por direito próprio, legitimidade para postularem indenização em juízo, seja 
por dano moral, seja por dano material”. No processo, as filhas do jogador Garrincha exigiram 
da editora indenização por danos morais e materiais por violação do direito de imagem, do 
nome, da intimidade, da vida privada e da honra paterna. As herdeiras, como sucessoras 
do craque, afirmaram ter direito às indenizações. As filhas de Garrincha alegaram que a 
publicação do livro Estrela Solitária “agride com violência a intimidade do ídolo mundial”. No 
processo, elas destacam ainda que a obra “de modo chulo, traz a público as particularidades 
físicas da genitália de Garrincha, tudo isso com o objetivo de tornar atraente o livro e 
alcançar o lucro objetivado pela ré (editora) e seus sócios nessa lamentável empreitada”. A 
primeira instância acolheu parte do pedido das filhas de Garrincha reconhecendo apenas o 
direito à indenização por danos morais. A sentença determinou à Companhia das Letras o 
pagamento de mil salários-mínimos, com juros de 6% ao ano desde a citação, e honorários 
advocatícios em 10% sobre a condenação. As herdeiras e a editora apelaram. As filhas de 
Garrincha pediram o aumento da indenização por danos morais e o reconhecimento dos 
danos materiais desde o lançamento do livro. Já a editora, alegou a nulidade da sentença 
por falta de apreciação adequada da prova e solicitou a rejeição dos pedidos de indenização. 
O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro modificou a sentença. O TJ negou a existência de 
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danos morais, mas admitiu o direito das herdeiras ao recebimento dos danos materiais. A 
decisão determinou à Companhia das Letras o pagamento às herdeiras de 5% sobre o total 
do preço do livro como danos materiais. As partes apelaram novamente ao TJ fluminense, 
sem sucesso. Com isso, as herdeiras e editora recorreram ao STJ. As filhas de Garrincha 
encaminharam dois recursos especiais ao Superior Tribunal de Justiça. Elas reiteraram o 
pedido de danos morais de 10 mil salários mínimos, com juros. Elas ainda afirmaram que 
o julgamento do TJ-RJ teria contrariado os artigos 159 e 1.553 do Código Civil de 1916. A 
Companhia das Letras, por sua vez, afirmou ser personalíssimo o direito de imagem, fato 
que impediria a transmissão desse direito às herdeiras. Por esse motivo, segundo a editora, 
as filhas de Garrincha não teriam legitimidade para a ação. Dessa forma, a decisão do TJ-
RJ que reconheceu o direito aos danos materiais teria contrariado os artigos 6º e 126 do 
Código de Processo Civil, o 4º da Lei de Introdução ao Código Civil e o 160, inciso I, e 1.526 
do Código Civil de 1916. A 4ª Turma do STJ acolheu somente o recurso das filhas do jogador, 
mas de forma parcial. No lugar dos 10 mil salários mínimos pedidos como indenização, os 
ministros fixaram 100 salários para cada uma das herdeiras. (REsp 521.697)4
2. Caso Lampião e Maria Bonita – O Lloyds Bank PLC foi condenado a indenizar Expedita 
Ferreira Nunes, herdeira de Virgulino Ferreira e Maria Dea dos Santos – Lampião e Maria 
Bonita – por uso não autorizado da imagem do casal e seu bando em anúncio publicitário 
produzido pela Agência Talent e veiculado na Revista Veja, na edição de 27/5/87. O valor da 
indenização deverá ser apurado com base em cachê pago a uma personalidade de destaque 
nacional em propaganda semelhante. A decisão unânime é da Quarta Turma do Superior 
Tribunal de Justiça, que rejeitou recurso do banco inglês, ao manter o acórdão do Tribunal 
de Justiça de São Paulo. O relator do recurso, ministro Barros Monteiro, disse que é inegável 
a pretensão do banco inglês em querer vincular sua imagem à história brasileira e assim 
captar novos clientes. O relator também rejeitou o argumento de que, ao posar para a 
foto, o bando teria consentido com sua reprodução. Barros Monteiro afirmou, ainda, que a 
foto não caiu em domínio público, como afirmou a defesa do Lloyds, pois a Lei n. 5.988/73 
confere aos filhos, pais e cônjuge os direitos patrimoniais vitaliciamente. Ao contestar a 
ação de que teria captado novos clientes, sobretudo no Nordeste brasileiro,a defesa do 
banco destacou que tal associação é “ridícula e destituída de qualquer senso prático”. “A 
propaganda de uma instituição financeira procura atrair clientes que, possuindo dinheiro, 
desejam aplicá-lo. Lampião era avesso exatamente a estas pessoas: assaltava, matava, 
extorquia, realizava sequestros objetivando resgate e tudo mais que poderia ser visto como 
contrário ao sentido de trabalho, aplicação e rendimento”, afirmou a defesa do Lloyds. Na 
ação, Expedita afirmou que, como única herdeira, tem os direitos sobre a imagem dos pais. 
4 https://www.conjur.com.br/2006-fev-17/editora_indenizar_filhas_garrincha.
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Tanto é assim que já recebeu pagamento de empresas como a Renato Aragão Produções 
e a Rede Globo. A herdeira pediu ressarcimento com base no número de clientes do Norte 
e do Nordeste que abriram conta no banco depois do anúncio, além dos valores pagos à 
revista, à Aba Film, ao fotógrafo Benjamim Abrahão à época, levando-se em consideração 
a tiragem de Veja. O banco contestou, argumentando que Expedita tem consciência de 
que a imagem de seus pais não lhe poderia ser transmitida. Prova disso seria o inventário 
dos mesmos, no quais foram arrolados “não mais do que armas velhas, chapéus de couro 
e outros pertences pessoais”. Segundo o banco, se o nome, a personalidade e a imagem 
tivessem algum valor econômico, a herdeira não os teria esquecido. Além disso, alegou que 
pagou à Aba Film os direitos para divulgação da foto, colocando os devidos créditos. Mas 
o recurso foi rejeitado pelo STJ. No anúncio de página dupla, foi utilizada a famosa foto 
do bando de cangaceiros, feita por Benjamim Abrahão, pertencente ao arquivo da Aba 
Film Laboratório Cinematográfico, de Fortaleza (CE). O anúncio publicado foi: “Lampião, 
Amador Bueno, Washington Luiz, Oswaldo Cruz, Coluna Prestes, Zumbi dos Palmares – Há 
125 anos, o Lloyds Bank faz história junto com o Brasil”. Em letras menores, há um texto 
concluindo que “pessoas, crises econômicas, epidemias como a febre amarela, crises 
políticas, revoluções internas e duas guerras mundiais, tudo isso não abalou a confiança 
do Lloyds Bank no destino do país”. Segundo a defesa, a intenção foi mostrar que, apesar 
de “fatos desencorajadores”, o banco não deixou o país. (RESP 86109)5
Agora vamos a alguns pontos finais sobre os Direitos da Personalidade:
Havendo COLISÃO entre direitos estampados na CF, devemos utilizar a técnica da 
ponderação, na qual analisaremos, caso a caso, qual o princípio que deve prevalecer. Ora, se 
houvesse uma regra geral, estabelecendo uma hierarquia entre as normas constitucionais, 
correríamos o risco de, no caso concreto, prevalecer a injustiça.
JURISPRUDÊNCIA
Súmula 221 do STJ. São civilmente responsáveis pelo ressarcimento de danos, 
decorrente de publicação pela imprensa, tanto o autor do escrito quanto o proprietário 
do veículo de divulgação.
Sobre “HATE SPEECH” temos que são manifestações de ódio e intolerância, geralmente 
praticados no campo da internet, onde as pessoas acham que estão escondidas atrás 
de uma tela e que, por isso, são inatingíveis. Muitas vezes, o “hate speech” está ligado a 
questões raciais, religiosas ou políticas... Porém, vale lembrar que, embora a regra seja que 
as pessoas possuam liberdade de expressão, esta jamais resguardará manifestações de 
ódio e intolerância.
5 https://www.conjur.com.br/2001-jul-02/stj_manda_banco_ingles_indenizar_herdeira_lampiao.
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Biografias Não Autorizadas: por unanimidade, o STF julgou procedente a Ação Direta de 
Inconstitucionalidade (ADI) 4815 e declarou inexigível a autorização prévia para a publicação 
de biografias. Seguindo o voto da relatora, ministra Cármen Lúcia, a decisão dá interpretação 
conforme a Constituição da República aos artigos 20 e 21 do Código Civil, em consonância 
com os direitos fundamentais à liberdade de expressão da atividade intelectual, artística, 
científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença de pessoa biografada, 
relativamente a obras biográficas literárias ou audiovisuais (ou de seus familiares, em caso 
de pessoas falecidas). Na ADI 4815, a Associação Nacional dos Editores de Livros (ANEL) 
sustentava que os artigos 20 e 21 do Código Civil conteriam regras incompatíveis com a 
liberdade de expressão e de informação. O tema foi objeto de audiência pública convocada 
pela relatora em novembro de 2013, com a participação de 17 expositores.
Nas palavras do Ministro Barroso, o caso envolve uma tensão entre a liberdade de 
expressão e o direito à informação, de um lado, e os direitos da personalidade (privacidade, 
imagem e honra), do outro – e, no caso, o Código Civil ponderou essa tensão em desfavor 
da liberdade de expressão, que tem posição preferencial dentro do sistema constitucional.
O DIREITO AO ESQUECIMENTO não é o direito de apagar o passado ou de reescrever 
a sua história. Na verdade, é o direito de não conviver com fatos pretéritos que digam 
respeito exclusivamente à pessoa, não havendo necessidade de divulgação para o público. 
Trata-se, portanto, de uma garantia contra o superinformacionismo midiático. O direito 
ao esquecimento foi muito discutido jurisprudencialmente em relação à informação 
sensacionalista. Nesses casos, deve ser aplicada a técnica de ponderação de interesses.
Enunciado 531, Jornada de Direito Civil. A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade 
da informação inclui o direito ao esquecimento.
Contudo, o STF, no julgamento do caso Aída Curi contra a Rede Globo de Televisão 
entendeu que não existe no Brasil o denominado direito ao esquecimento.
Para ilustrar:
Caso Aída Curi (REsp 1.335.153): o segundo caso analisado foi o dos familiares de Aída 
Curi, abusada sexualmente e morta em 1958 no Rio de Janeiro.
A história desse crime, um dos mais famosos do noticiário policial brasileiro, foi 
apresentada pela rede Globo, também no programa “Linha Direta”, tendo sido feita a 
divulgação do nome da vítima e de fotos reais, o que, segundo seus familiares, trouxe a 
lembrança do crime e todo sofrimento que o envolve.
Em razão da veiculação do programa, os irmãos da vítima moveram ação contra a 
emissora, com o objetivo de receber indenização por danos morais, materiais e à imagem.
A 4ª Turma do STJ entendeu que não seria devida a indenização, considerando que, nesse 
caso, o crime em questão foi um fato histórico, de interesse público e que seria impossível 
contar esse crime sem mencionar o nome da vítima, a exemplo do que ocorre com os crimes 
históricos, como os casos “Dorothy Stang” e “Vladimir Herzog”.
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Parte Geral – Parte II 
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Mesmo reconhecendo que a reportagem trouxe de volta antigos sentimentos de angústia, 
revolta e dor diante do crime, que aconteceu quase 60 anos atrás, a Turma entendeu que 
o tempo, que se encarregou de tirar o caso da memóriado povo, também fez o trabalho 
de abrandar seus efeitos sobre a honra e a dignidade dos familiares.
Na ementa, restou consignado:
JURISPRUDÊNCIA
(...) o direito ao esquecimento que ora se reconhece para todos, ofensor e ofendidos, não 
alcança o caso dos autos, em que se reviveu, décadas depois do crime, acontecimento 
que entrou para o domínio público, de modo que se tornaria impraticável a atividade 
da imprensa para o desiderato de retratar o caso Aída Curi, sem Aída Curi.6
(Imagem: https://www.aidacuri.com.br/)(Imagem: https://www.aidacuri.com.br/)
Logo em seguida, o caso foi encaminhado ao STF para julgamento do RE e, na oportunidade, 
o STF concluiu que o direito ao esquecimento é incompatível com a Constituição Federal 
e eventuais excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação 
devem ser analisados caso a caso.
6 https://www.dizerodireito.com.br/2013/11/direito-ao-esquecimento.html.
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A tese de repercussão geral firmada no julgamento foi a seguinte:
JURISPRUDÊNCIA
É incompatível com a Constituição Federal a ideia de um direito ao esquecimento, assim 
entendido como o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de 
fatos ou dados verídicos e licitamente obtidos e publicados em meios de comunicação 
social – analógicos ou digitais. Eventuais excessos ou abusos no exercício da liberdade de 
expressão e de informação devem ser analisados caso a caso, a partir dos parâmetros 
constitucionais, especialmente os relativos à proteção da honra, da imagem, da 
privacidade e da personalidade em geral, e as expressas e específicas previsões legais 
nos âmbitos penal e cível.7
Enunciado 403, da Jornada de Direito Civil. O Direito à inviolabilidade de consciência e de 
crença, previsto no art. 5º, VI, da Constituição Federal, aplica-se também à pessoa que se nega 
a tratamento médico, inclusive transfusão de sangue, com ou sem risco de morte, em razão do 
tratamento ou da falta dele, desde que observados os seguintes critérios: a) capacidade civil 
plena, excluído o suprimento pelo representante ou assistente; b) manifestação de vontade 
livre, consciente e informada; e c) oposição que diga respeito exclusivamente à própria pessoa 
do declarante.
JURISPRUDÊNCIAS
Súmula 403 do STJ. Independe de prova do prejuízo a indenização pela publicação não 
autorizada de imagem de pessoa com fins econômicos ou comerciais.
Súmula 647 do STJ. São imprescritíveis as ações indenizatórias por danos morais 
e materiais decorrentes de atos de perseguição política com violação de direitos 
fundamentais ocorridos durante o regime militar.
Súmula 642 do STJ. O direito à indenização por danos morais transmite-se com o 
falecimento do titular, possuindo os herdeiros da vítima legitimidade ativa para ajuizar 
ou prosseguir a ação indenizatória.
Súmula 624 do STJ. É possível cumular a indenização do dano moral com a reparação 
econômica da Lei n. 10.559/2002 (Lei da Anistia Política).
Súmula 388 do STJ. A simples devolução indevida de cheque caracteriza dano moral
Súmula 387 do STJ. É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano 
moral.
Súmula 385 do STJ. Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não 
cabe Súmulas do Superior Tribunal de Justiça Página 36 de 84 indenização por dano 
moral, quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito ao cancelamento.
7 https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=460414&ori=1.
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Súmula 370 do STJ. Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque 
pré-datado.
Súmula 362 do STJ. A correção monetária do valor da indenização do dano moral 
incide desde a data do arbitramento.
Súmula 326 do STJ. Na ação de indenização por dano moral, a condenação em montante 
inferior ao postulado na inicial não implica sucumbência recíproca.
Súmula 281 do STJ. A indenização por dano moral não está sujeita à tarifação prevista 
na Lei de Imprensa.
Súmula 227 do STJ. A pessoa jurídica pode sofrer dano moral.
Súmula 37 do STJ. São cumuláveis as indenizações por dano material e dano moral 
oriundos do mesmo fato.
2 . PeSSoA JUrÍDICA2 . PeSSoA JUrÍDICA
Veremos, agora, os artigos 40 a 69 do Código Civil.
Você vai perceber que alguns desses dispositivos sofreram alteração, recentemente, 
pela Lei de Liberdade Econômica (Lei n. 13.874/2019).
Portanto, fique atento(a)!
Na nossa primeira aula sobre pessoa natural, fizemos algumas considerações sobre 
sujeitos de direito, entretanto, mais especificamente, gostaria que você se lembrasse que, 
dentre os sujeitos sem personalidade jurídica, temos a denominada sociedade irregular 
ou de fato.
Lembre-se que o condomínio não é considerado pessoa jurídica no ordenamento jurídico 
brasileiro. Aliás, ter CNPJ não significa, necessariamente, que é pessoa jurídica.
Basta lembrar dos órgãos públicos (decorrentes da desconcentração administrativa), 
por exemplo, que, embora não possuam personalidade jurídica, têm CNPJ.
Também é bom lembrar que a pessoa natural passa a existir a partir do seu nascimento 
com vida, enquanto, a pessoa jurídica, a partir do seu registro.
É certo que a criação de uma pessoa jurídica tem o intuito de facilitar as relações humanas.
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DIreIto CIvIl 
Parte Geral – Parte II 
Roberta Queiroz
O Código Civil adota a expressão “pessoa jurídica”, mas também temos outras 
denominações: Pessoas civis, morais, coletivas, abstratas, místicas, fictícias, ENTE DE 
EXISTÊNCIA IDEAL (Teixeira de Freitas).
É muito comum encontrarmos na doutrina clássica o termo “ente de existência ideal”. 
Enquanto a pessoa natural tem uma existência efetiva, a pessoa jurídica é totalmente 
virtual, abstrata.
A pessoa jurídica é, portanto, proveniente desse fenômeno histórico e social. Consiste 
num conjunto de pessoas ou de bens dotado de personalidade jurídica própria e constituído 
na forma da lei para a consecução de fins comuns. Pode-se afirmar, pois, que pessoas 
jurídicas são entidades a que a lei confere personalidade, capacitando-as a serem sujeitos 
de direitos e obrigações.8
Neste ponto, veja que a redação do artigo 49-A do Código Civil é, exatamente, no sentido 
de que a pessoa jurídica não se confunde com os seus sócios, associados, instituidores ou 
administradores.
Vou tentar te explicar uma sociedade irregular ou de fato...
EXEMPLO
Imagine a seguinte situação: eu convido o Aragonê para abrir um curso jurídico comigo, mas 
ele diz que não quer criar uma pessoa jurídica.
Assim, apenas abrimos o curso, sem qualquer registro.
Quando você olha para essa sociedade, vê apenas Roberta e Aragonê.
Agora, imagine que nós decidimos registrar essa pessoa jurídica.
Como vimos, essa pessoa jurídica passará a existir a partir do seu registro.
Assim, teremos uma pessoa jurídica que NÃO se confundirá com seus sócios (art. 49-A, CC).
8 GONÇALVES, Carlos Roberto. Coleção Direito Civil

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