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DIREITO CIVIL
Direito das Coisas I
Livro Eletrônico
Presidente: Gabriel Granjeiro
Vice-Presidente: Rodrigo Calado
Diretor Pedagógico: Erico Teixeira
Diretora de Produção Educacional: Vivian Higashi
Gerência de Produção de Conteúdo: Magno Coimbra
Coordenadora Pedagógica: Élica Lopes
Todo o material desta apostila (incluídos textos e imagens) está protegido por direitos autorais 
do Gran. Será proibida toda forma de plágio, cópia, reprodução ou qualquer outra forma de 
uso, não autorizada expressamente, seja ela onerosa ou não, sujeitando-se o transgressor às 
penalidades previstas civil e criminalmente.
CÓDIGO:
231013003813
ROBERTA QUEIROZ
Mestre em Direito pela Universidade Católica de Brasília, com dissertação na área 
de Direito Processual Civil – Negócios Jurídicos Processais. Especialista em Direito 
Processual Civil, pela Universidade do Sul de Santa Catarina, em novembro de 2009. 
Graduada em Direito, pela Universidade Católica de Brasília, em dezembro de 2005. 
Foi professora universitária do curso de Direito da Universidade Católica de Brasília. 
Docente nas disciplinas de Direito Civil e Direito Processual Civil desde 2007 para 
pós-graduação, preparatório de Exame de Ordem e concursos das carreiras jurídicas. 
Professora de cursos de aperfeiçoamento na advocacia em Direito Civil e Processo 
Civil na Escola Superior da Advocacia de Brasília – ESA/DF. Coordenadora do curso 
preparatório para Exame de Ordem do Gran Cursos Online. Advogada inscrita na 
OAB-DF.
 
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Direito das Coisas I 
Roberta Queiroz
SUMÁRIO
Apresentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
Direito das Coisas I . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5
1. Terminologias Conceituais de Direito das Coisas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
2. Posse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.1. Natureza Jurídica e Teorias da Posse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
2.2. Posse e Detenção . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
2.3. Classificação da Posse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
2.4. Efeitos da Posse (1.210 – 1.222) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
2.5. Aquisição e Transmissão da Posse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
2.6. Perda da Posse . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
2.7. Composse – Compossessão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
2.8. Posse em Área Pública . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
resumo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
Questões de Concurso . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 40
Gabarito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
Gabarito Comentado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
 
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APreSeNtAÇÃoAPreSeNtAÇÃo
Gente, tudo bem com vocês?
Vamos para mais um capítulo da nossa novela de Direito Civil, continuando a parte de 
direito das coisas.
Neste encontro, falaremos sobre o “direito das coisas” e vocês vão aprender sobre posse, 
propriedade e um monte de coisa legal...
Como sempre, estamos seguindo a ordem do Código Civil...
• Direito das Coisas: artigos 1.196 a 1.510 do Código Civil, mas aqui vamos conversar 
sobre posse, ok? Artigos 1.196 a 1.224 do CC.
Vamos iniciar nossos trabalhos.
Preparados?
 
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DIREITO DAS COISAS IDIREITO DAS COISAS I
Vamos começar a entender direito das coisas com um exemplo...
Pensa em um patrimônio de uma pessoa, e patrimônio em um sentido geral, envolve 
tudo que essa pessoa tem, incluindo direitos da personalidade, incluindo aspectos do direito 
de família, incluindo as obrigações que ela contrai como credora ou devedora, a parte de 
contratos, incluindo as propriedades que ela adquire na vida, inclui tudo, então é a esfera 
jurídica patrimonial de um ser humano.
Engloba tanto questões relacionadas à direito patrimonial que envolve valoração 
econômica, como também envolve questões relacionadas a direitos extrapatrimoniais, 
que não possuem valoração econômica, por exemplo, o direito à honra, imagem, nome, 
fidelidade recíproca no casamento, ao afeto...
Nem todo bem que compõe o aspecto patrimonial de uma pessoa tem valor econômico, 
não se observarmos a expressão “patromônio” em sentido amplo.
Agora quando falamos de direito das coisas, aqui tudo tem valor econômico!
Imagina um sujeito e tudo que esteja gravitando ao redor dele, na esfera jurídica dele.
Pode-se encontrar duas situações:
• Direitos não Patrimoniais: que não têm valoração econômica, como alguns dos 
direitos decorrentes dos direitos das Famílias, Direitos da personalidade...
• Direitos Patrimoniais: que têm valor econômico e aqui encontramos direitos reais 
e pessoais.
− Reais - vínculo de um sujeito com uma coisa (móvel ou imóvel) – propriedade é 
um exemplo;
− Pessoais - relação jurídica de sujeito para sujeito (credor - devedor) - obrigações 
e contratos constituem exemplos.
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1 . terMINoloGIAS CoNCeItUAIS De DIreIto DAS CoISAS1 . terMINoloGIAS CoNCeItUAIS De DIreIto DAS CoISAS
De acordo com os ensinamentos do Professor Flávio Tartuce, temos que “Direito das 
Coisas é o ramo do Direito Civil que tem como conteúdo relações jurídicas estabelecidas 
entre pessoas e coisas determinadas ou determináveis. Como coisas, pode-se entender 
tudo aquilo que não é humano.”1
Para o civilista Pablo Stolze tal ramoposse com olhos à usucapião 
(posse usucapível), pela presença dos seus elementos. A posse ad usucapionem deve ser 
mansa, pacífica, duradoura por lapso temporal previsto em lei, ininterrupta e com intenção 
de dono (animus domini – conceito de Savigny). Além disso, em regra, deve ter os requisitos 
do justo título e da boa-fé.
Sobre os efeitos temos:
Boa-fé = frutos percebidos;
Má-fé = restituir os pendentes, restituir os colhidos por antecipação (abate as despesas).
Boa-fé = Tem direito a indenização de benfeitorias úteis (retenção), necessárias (retenção) 
ou voluptuárias (levantamento desde que não prejudique o bem) - valor atual das benfeitorias; 
- Retenção: fecha o bem e impede a entrada do reivindicante do bem, só que esse direito 
não autoriza a usar o bem;
Má-fé = Tem direito a indenização de benfeitoria necessária sem retenção – pelo valor 
atual ou o valor de custo.
Segundo o art. 1.210 do CC, o possuidor tem direito a ser mantido na posse no caso 
de turbação, de ser restituído na posse no caso de esbulho e de ser segurado na posse no 
caso de uma violência iminente. O possuidor esbulhado ainda pode utilizar do desforço 
imediato (uso moderado da força) no caso do parágrafo primeiro que deixarei para falarmos 
mais adiante.
REINTEGRAÇÃO 
DE POSSE
• ESBULHO
MANUTENÇÃO 
NA POSSE
• TURBAÇÃO
INTERDITO 
PROIBITÓRIO
• AMEAÇA DE 
ESBULHO OU 
TURBAÇÃO
Ação possessória de força nova: ajuizada com menos de 1 ano e 1 dia do esbulho ou 
da turbação:
• Procedimento especial - 558 CPC;
• o juiz ao receber a petição inicial poderá ordenar liminarmente a questão da reintegração 
ou da manutenção com base na prova da data do esbulho ou turbação;
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Ação possessória de força velha: ajuizada após 1 ano e 1 dia do esbulho ou da turbação:
• Segue as regras de qualquer procedimento de uma ação normal - 319 e seguintes 
do CPC;
• Obter uma liminar é mais difícil e deve ser com base nos artigos 294 e seguintes do 
CPC.
Art. 1.211. Quando mais de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á provisoriamente a 
que tiver a coisa, se não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo vicioso.
Art. 1.212. O possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a de indenização, contra o terceiro, 
que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era.
Art. 1.213. O disposto nos artigos antecedentes não se aplica às servidões não aparentes, 
salvo quando os respectivos títulos provierem do possuidor do prédio serviente, ou daqueles 
de quem este o houve.
Servidão é um direito real e como todo direito real, tem que ter registro.
A servidão é quando um indivíduo possui um prédio (imóvel), por exemplo, um imóvel 
dominante, e existem o imóvel serviente, que serve ao dominante.
Por exemplo, uma servidão de passagem, o imóvel do lado ele permite que se passe 
por ali, para retirar água ou facilitar acesso, ou algo do tipo. Só que a servidão pode ser 
aparente, que é quando você consegue ver, tem uma construção, é palpável, tangível, ou 
não aparente, que não possui construção, como a servidão de vista, por exemplo, Carol tem 
uma casa bem alta e na frente de sua casa o vizinho possui uma casa mais baixa, dessa casa 
alta ela tem a vista da praia. Ela pode combinar com o dono do imóvel mais baixo o registro 
da servidão de vista, para que ele não construa tapando a minha vista.
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Esbulho: ilegítima subtração da posse; possuidor é privado da posse (agressão - retira 
a posse - PERDA);
Violento: violência ou clandestinidade
Pacífico: precariedade
Turbação: ato que embaraça o livre exercício da posse (agressão - incomoda a posse - 
NÃO HÁ PERDA);
De fato ou real: agressão material - ato positivo, negativo, direta, indireta
De direito: ataques judiciais
A autotutela só pode ser admitida quando a lei autorizar, por exemplo, a legítima defesa 
da posse ou esforço imediato.
Art. 1.210. § 1º: O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua 
própria força (auxílio de terceiro - vínculos), contanto que o faça logo; os atos de defesa, 
ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição da posse.
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Por fim, podemos mencionar as formas de aquisição da posse:
• Aquisição originária: contato imediato e direto da pessoa com a coisa - exemplo: res 
nullius;
• Aquisição derivada: tradição - quando passa de alguém para alguém
Tradição real: entrega efetiva;
Tradição simbólica: ato representativo da transferência da coisa - exemplo: quando se 
pega e entrega a chave do imóvel para a pessoa, a entrega da chave simboliza a entrada 
da posse do sujeito;
Tradição ficta: presunção - traditio brevi manu (posse em nome alheio e passa a posse 
em nome próprio); constituto possessório (posse em nome próprio e passa em nome 
alheio). Exemplo: imagina que Roberta aluga um apartamento e posteriormente ela compra 
o apartamento, ela passa de possuidor direto para possuidor indireto (traditio brevi manu). 
Ou ela é a proprietária do apartamento, ela vende o apartamento para o João, mas ela 
continua morando no apartamento pagando aluguel para o João (constituto possessário).
JURISPRUDÊNCIA
Enunciado 77 JDC: A posse das coisas móveis e imóveis também pode ser transmitida 
pelo constituto possessório.
A posse será perdida quando ela cessa, embora contra a vontade do possuidor.
Será considerada cessada a posse quando o possuidor perder o poder fático sobre o bem.
Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo 
notícia dele, abstém-se de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente 
repelido, como vimos.
Art. 1.223. Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre 
o bem, ao qual se refere o art. 1.196.
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de 
algum dos poderes inerentes à propriedade.
Art. 1.224. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo 
notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido.
• Abandono da coisa: derrelição - res derelictae (coisa abandonada);
• Tradição;
• Destruição da coisa;
• Constituto Possessório (aquisição e perda).
Por fim, composse é posse conjunta. Uma situação na qual duas ou mais pessoas 
exercerão poderes possessórios sobre a mesma coisa.
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Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela 
atospossessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores.
A composse pode ser classificada em:
Composse pro indiviso - indivisível: compossuidores possuem apenas fração ideal da 
posse; Exemplo: uma casa cuja posse seja exercida por A, B e C, não se sabe qual é a parte 
de A, B e C e nem é possível no plano fático defini-la.
Composse pro diviso - divisível: cada compossuidor tem a fração de posse determinada; 
Exemplo: imagina que João e Maria tem um condomínio horizontal e os lotes de cada um 
estão divididos por uma cerca.
É uma breve recordação de temas abordados na aula de hoje...
Agora precisamos treinar bastante.
Aqui você vai fazer as questões sobre o tema da aula de hoje já cobradas na OAB pela 
FGV, bem como questões mais antigas...
Respira e vai!!!!!
Logo após você responder, você encontrará o gabarito e o comentário.
Faça uma análise de quantas questões você acertou, se ficar abaixo de 80% de acerto, 
volte e leia o material novamente e refaça as questões!
Tenha compromisso comigo, hein?!
Depois volte aqui e preencha esses dados...
Divirta-se!!!!!
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QUESTÕES DE CONCURSOQUESTÕES DE CONCURSO
001. 001. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2019) Em 05/05/2005, 
Aloísio adquiriu uma casa de 500 m2 registrada em nome de Bruno, que lhe vendeu o 
imóvel a preço de mercado. A escritura e o registro foram realizados de maneira usual. 
Em 05/09/2005, o imóvel foi alugado, e Aloísio passou a receber mensalmente o valor de 
R$ 3.000,00 pela locação, por um período de 6 anos. Em 10/10/2009, Aloísio é citado em 
uma ação reinvindicatória movida por Elisabeth, que pleiteia a retomada do imóvel e a 
devolução de todos os valores recebidos por Aloísio a título de locação, desde o momento 
da sua celebração.
Uma vez que Elisabeth é judicialmente reconhecida como a verdadeira proprietária do 
imóvel em 10/10/2011, pergunta-se: é correta a pretensão da autora ao recebimento de 
todos os aluguéis recebidos por Aloísio?
a) Sim. Independentemente da sentença de mérito, a própria contestação automaticamente 
transforma a posse de Aloísio em posse de má-fé desde o seu nascedouro, razão pela qual 
todos os valores recebidos pelo possuidor devem ser ressarcidos.
b) Não. Sem a ocorrência de nenhum outro fato, somente após uma sentença favorável ao 
pedido de Elisabeth, na reivindicatória, é que seus argumentos poderiam ser considerados 
verdadeiros, o que caracterizaria a transformação da posse de boa-fé em posse de má-fé. 
Como o possuidor de má-fé tem direito aos frutos, Aloísio não é obrigado a devolver os 
valores que recebeu pela locação.
c) Não. Sem a ocorrência de nenhum outro fato, e uma vez que Elisabeth foi vitoriosa em 
seu pleito, a posse de Aloísio passa a ser qualificada como de má-fé desde a sua citação 
no processo – momento em que Aloísio tomou conhecimento dos fatos ao final reputados 
como verdadeiros –, exigindo, em tais condições, a devolução dos frutos recebidos entre 
10/10/2009 e a data de encerramento do contrato de locação.
d) Não. Apesar de Elisabeth ter obtido o provimento judicial que pretendia, Aloísio não lhe 
deve qualquer valor, pois, sendo possuidor com justo título, tem, em seu favor, a presunção 
absoluta de veracidade quanto a sua boa-fé.
002. 002. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2017) Laurentino 
constituiu servidão de vista no registro competente, em favor de Januário, assumindo 
o compromisso de não realizar qualquer ato ou construção que embarace a paisagem de 
que Januário desfruta em sua janela. Após o falecimento de Laurentino, seu filho Lucrécio 
decide construir mais dois pavimentos na casa para ali passar a habitar com sua esposa.
Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
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a) Januário não pode ajuizar uma ação possessória, eis que a servidão é não aparente.
b) Diante do falecimento de Laurentino, a servidão que havia sido instituída automaticamente 
se extinguiu.
c) A servidão de vista pode ser considerada aparente quando houver algum tipo de aviso 
sobre sua existência.
d) Januário pode ajuizar uma ação possessória, provando a existência da servidão com 
base no título.
003. 003. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2017) À vista de todos 
e sem o emprego de qualquer tipo de violência, o pequeno agricultor Joventino adentra 
terreno vazio, constrói ali sua moradia e uma pequena horta para seu sustento, mesmo 
sabendo que o terreno é de propriedade de terceiros.
Sem ser incomodado, exerce posse mansa e pacífica por 2 (dois) anos, quando é expulso 
por um grupo armado comandado por Clodoaldo, proprietário do terreno, que só tomou 
conhecimento da presença de Joventino no imóvel no dia anterior à retomada.
Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
a) Como não houve emprego de violência, Joventino não pode ser considerado esbulhador.
b) Clodoaldo tem o direito de retomar a posse do bem mediante o uso da força com base 
no desforço imediato, eis que agiu imediatamente após a ciência do ocorrido.
c) Tendo em vista a ocorrência do esbulho, Joventino deve ajuizar uma ação possessória 
contra Clodoaldo, no intuito de recuperar a posse que exercia.
d) Na condição de possuidor de boa-fé, Joventino tem direito aos frutos e ao ressarcimento 
das benfeitorias realizadas durante o período de exercício da posse.
004. 004. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2017) Ricardo realizou 
diversas obras no imóvel que Cláudia lhe emprestou: reparou um vazamento existente na 
cozinha; levantou uma divisória na área de serviço para formar um novo cômodo, destinado 
a servir de despensa; ampliou o número de tomadas disponíveis; e trocou o portão manual 
da garagem por um eletrônico.
Quando Cláudia pediu o imóvel de volta, Ricardo exigiu o ressarcimento por todas as 
benfeitorias realizadas, embora sequer a tenha consultado previamente sobre as obras.
Somente pode-se considerar benfeitoria necessária, a justificar o direito ao ressarcimento,
a) o reparo do vazamento na cozinha.
b) a formação de novo cômodo, destinado a servir de despensa, pelo levantamento de 
divisória na área de serviço.
c) a ampliação do número de tomadas.
d) a troca do portão manual da garagem por um eletrônico.
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005. 005. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2015) Mediante o 
emprego de violência, Mélvio esbulhou a posse da Fazenda Vila Feliz. A vítima do esbulho, 
Cassandra, ajuizou ação de reintegração de posse em face de Mélvio após um ano e meio, 
o que impediu a concessão de medida liminar em seu favor. Passados dois anos desde a 
invasão, Mélvio teve que trocar o telhado da casa situada na fazenda, pois estava danificado. 
Passados cinco anos desde a referida obra, a ação de reintegração de posse transitou 
em julgado e, na ocasião, o telhado colocado porMélvio já se encontrava severamente 
danificado. Diante de sua derrota, Mélvio argumentou que faria jus ao direito de retenção 
pelas benfeitorias erigidas, exigindo que Cassandra o reembolsasse.
A respeito do pleito de Mélvio, assinale a afirmativa correta.
a) Mélvio não faz jus ao direito de retenção por benfeitorias, pois sua posse é de má-fé e as 
benfeitorias, ainda que necessárias, não devem ser indenizadas, porque não mais existiam 
quando a ação de reintegração de posse transitou em julgado.
b) Mélvio é possuidor de boa-fé, fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias e 
devendo ser indenizado por Cassandra com base no valor delas.
c) Mélvio é possuidor de má-fé, não fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias, 
mas deve ser indenizado por Cassandra com base no valor delas.
d) Mélvio é possuidor de má-fé, fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias e 
devendo ser indenizado pelo valor atual delas.
006. 006. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2014) Com a ajuda de 
homens armados, Francisco invade determinada fazenda e expulsa dali os funcionários de 
Gabriel, dono da propriedade. Uma vez na posse do imóvel, Francisco decide dar continuidade 
às atividades agrícolas que vinham sendo ali desenvolvidas (plantio de soja e de feijão). Três 
anos após a invasão, Gabriel consegue, pela via judicial, ser reintegrado na posse da fazenda.
Quanto aos frutos colhidos por Francisco durante o período em que permaneceu na posse 
da fazenda, assinale a afirmativa correta.
a) Francisco deve restituir a Gabriel todos os frutos colhidos e percebidos, mas tem direito 
de ser ressarcido pelas despesas de produção e custeio.
b) Francisco tem direito aos frutos percebidos durante o período em que permaneceu na 
fazenda
c) Francisco tem direito à metade dos frutos colhidos, devendo restituir a outra metade 
a Gabriel.
d) Francisco deve restituir a Gabriel todos os frutos colhidos e percebidos, e não tem direito 
de ser ressarcido pelas despesas de produção e custeio
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007. 007. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2012) Acerca do instituto 
da posse é correto afirmar que
a) o Código Civil estabeleceu um rol taxativo de posses paralelas.
b) é admissível o interdito proibitório para a proteção do direito autoral.
c) fâmulos da posse são aqueles que exercitam atos de posse em nome próprio.
d) a composse é uma situação que se verifica na comunhão pro indiviso, do qual cada 
possuidor conta com uma fração ideal sobre a posse.
008. 008. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2010) No que se refere 
aos institutos da posse e da propriedade, assinale a opção correta.
a) Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, 
as sementes, plantas e construções, com direito a indenização se procede de boa-fé.
b) A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude 
de direito pessoal, ou real, anula a indireta, de quem aquela foi havida.
c) Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias e úteis, 
não lhe assistindo o direito de retenção pela importância das benfeitorias necessárias.
d) Caracteriza usucapião a posse, por cinco anos, de coisa móvel, desde que comprovada 
a boa-fé do possuidor.
009. 009. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2010) Sobre o constituto 
possessório, assinale a alternativa correta.
a) Trata-se de modo originário de aquisição da propriedade.
b) Trata-se de modo originário de aquisição da posse.
c) Representa uma tradição ficta.
d) É imprescindível para que se opere a transferência da posse aos herdeiros na sucessão 
universal.
010. 010. (CESPE-CEBRASPE/OAB/EXAME DE ORDEM 3 - PRIMEIRA FASE/2009) A respeito da 
posse, assinale a opção correta.
a) A posse direta não anula a indireta; portanto, o possuidor direto poderá defender a sua 
posse, ainda que seja contra o possuidor indireto.
b) A posse de boa-fé só perde esse caráter quando do trânsito em julgado da sentença 
proferida em ação possessória.
c) Sendo possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos 
poderes inerentes à propriedade, não é possível adquirir posse mediante representação.
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d) O possuidor pode intentar ação de esbulho contra quem tenha praticado tal ato, mas não 
pode intentá-la contra o terceiro que tenha recebido a coisa esbulhada, ainda sabendo que 
o era, por não ser o terceiro uma parte legítima para figurar no polo passivo da demanda.
011. 011. (CESPE-CEBRASPE/OAB/EXAME DE ORDEM 1 - PRIMEIRA FASE/2009) Quanto ao instituto 
da posse, a lei civil estabelece que
a) a posse pode ser adquirida por terceiro sem mandato, independentemente de ratificação 
do favorecido.
b) o possuidor de má-fé tem direito à indenização pelas benfeitorias necessárias, assistindo-
lhe o direito de retenção pela importância destas.
c) é assegurado ao possuidor de boa-fé o direito à indenização pelas benfeitorias necessárias 
e úteis. Quanto às voluptuárias, estas, se não forem pagas, poderão ser levantadas, desde 
que não prejudiquem a coisa.
d) obsta à manutenção ou à reintegração da posse a alegação de propriedade, ou de outro 
direito sobre a coisa.
012. 012. (CESPE-CEBRASPE/OAB-SP/EXAME DE ORDEM 2 - PRIMEIRA FASE/2008) A posse exercida 
com animus domini, mansa, pacífica, ininterrupta e justa, durante o lapso de tempo 
necessário à aquisição da propriedade, é denominada posse
a) ad interdicta.
b) ad usucapionem.
c) pro diviso.
d) pro indiviso.
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GABARITOGABARITO
1. c
2. d
3. c
4. a
5. a
6. a
7. a
8. a
9. c
10. a
11. c
12. b
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GABARITO COMENTADOGABARITO COMENTADO
001. 001. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2019) Em 05/05/2005, 
Aloísio adquiriu uma casa de 500 m2 registrada em nome de Bruno, que lhe vendeu o 
imóvel a preço de mercado. A escritura e o registro foram realizados de maneira usual. 
Em 05/09/2005, o imóvel foi alugado, e Aloísio passou a receber mensalmente o valor de 
R$ 3.000,00 pela locação, por um período de 6 anos. Em 10/10/2009, Aloísio é citado em 
uma ação reinvindicatória movida por Elisabeth, que pleiteia a retomada do imóvel e a 
devolução de todos os valores recebidos por Aloísio a título de locação, desde o momento 
da sua celebração.
Uma vez que Elisabeth é judicialmente reconhecida como a verdadeira proprietária do 
imóvel em 10/10/2011, pergunta-se: écorreta a pretensão da autora ao recebimento de 
todos os aluguéis recebidos por Aloísio?
a) Sim. Independentemente da sentença de mérito, a própria contestação automaticamente 
transforma a posse de Aloísio em posse de má-fé desde o seu nascedouro, razão pela qual 
todos os valores recebidos pelo possuidor devem ser ressarcidos.
b) Não. Sem a ocorrência de nenhum outro fato, somente após uma sentença favorável ao 
pedido de Elisabeth, na reivindicatória, é que seus argumentos poderiam ser considerados 
verdadeiros, o que caracterizaria a transformação da posse de boa-fé em posse de má-fé. 
Como o possuidor de má-fé tem direito aos frutos, Aloísio não é obrigado a devolver os 
valores que recebeu pela locação.
c) Não. Sem a ocorrência de nenhum outro fato, e uma vez que Elisabeth foi vitoriosa em 
seu pleito, a posse de Aloísio passa a ser qualificada como de má-fé desde a sua citação 
no processo – momento em que Aloísio tomou conhecimento dos fatos ao final reputados 
como verdadeiros –, exigindo, em tais condições, a devolução dos frutos recebidos entre 
10/10/2009 e a data de encerramento do contrato de locação.
d) Não. Apesar de Elisabeth ter obtido o provimento judicial que pretendia, Aloísio não lhe 
deve qualquer valor, pois, sendo possuidor com justo título, tem, em seu favor, a presunção 
absoluta de veracidade quanto a sua boa-fé.
Pessoal, vimos tópicos abordados nessa questão...
Veja que vamos marcar que não. Sem a ocorrência de nenhum outro fato, e uma vez que 
Elisabeth foi vitoriosa em seu pleito, a posse de Aloísio passa a ser qualificada como de 
má-fé desde a sua citação no processo – momento em que Aloísio tomou conhecimento 
dos fatos ao final reputados como verdadeiros –, exigindo, em tais condições, a devolução 
dos frutos recebidos entre 10/10/2009 e a data de encerramento do contrato de locação.
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Art. 1.202. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as 
circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente.
Art. 1.216. O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como 
pelos que, por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé; 
tem direito às despesas da produção e custeio.
Veja que o simples conhecimento pelo possuidor de qualquer vicio que inquine a sua posse 
já é capaz de transmudar seu caráter, a transformando em uma posse de má-fé e, no caso, 
a citação é ato capaz de conferir ciência do vício.
Letra c.
002. 002. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2017) Laurentino 
constituiu servidão de vista no registro competente, em favor de Januário, assumindo 
o compromisso de não realizar qualquer ato ou construção que embarace a paisagem de 
que Januário desfruta em sua janela. Após o falecimento de Laurentino, seu filho Lucrécio 
decide construir mais dois pavimentos na casa para ali passar a habitar com sua esposa.
Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
a) Januário não pode ajuizar uma ação possessória, eis que a servidão é não aparente.
b) Diante do falecimento de Laurentino, a servidão que havia sido instituída automaticamente 
se extinguiu.
c) A servidão de vista pode ser considerada aparente quando houver algum tipo de aviso 
sobre sua existência.
d) Januário pode ajuizar uma ação possessória, provando a existência da servidão com 
base no título.
Apesar de ser uma questão que vamos retomar no próximo encontro, pois trata de servidão, 
quero aqui lembrar da importância do artigo 1213 que diz: O disposto nos artigos antecedentes 
não se aplica às servidões não aparentes, salvo quando os respectivos títulos provierem do 
possuidor do prédio serviente, ou daqueles de quem este o houve.
Veja que os dispositivos anteriores tratam das demandas possessórias:
Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no 
de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.
§ 1º O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, 
contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável 
à manutenção, ou restituição da posse.
§ 2º Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro 
direito sobre a coisa.
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Art. 1.211. Quando mais de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á provisoriamente a 
que tiver a coisa, se não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo vicioso.
Art. 1.212. O possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a de indenização, contra o terceiro, 
que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era.
Veja que a servidão de vista é uma modalidade de servidão não aparente, mas a questão 
demonstra que houve o registro, sendo assim é possível proteção possessória.
Lembre-se, inclusive, que as servidões aparentes são suscetíveis de usucapião conforme o 
artigo 1379 - O exercício incontestado e contínuo de uma servidão aparente, por dez anos, 
nos termos do art. 1.242, autoriza o interessado a registrá-la em seu nome no Registro de 
Imóveis, valendo-lhe como título a sentença que julgar consumado a usucapião.
Parágrafo único. Se o possuidor não tiver título, o prazo da usucapião será de vinte anos.
Cuidado com esse tema!!!
Letra d.
003. 003. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2017) À vista de todos 
e sem o emprego de qualquer tipo de violência, o pequeno agricultor Joventino adentra 
terreno vazio, constrói ali sua moradia e uma pequena horta para seu sustento, mesmo 
sabendo que o terreno é de propriedade de terceiros.
Sem ser incomodado, exerce posse mansa e pacífica por 2 (dois) anos, quando é expulso 
por um grupo armado comandado por Clodoaldo, proprietário do terreno, que só tomou 
conhecimento da presença de Joventino no imóvel no dia anterior à retomada.
Diante do exposto, assinale a afirmativa correta.
a) Como não houve emprego de violência, Joventino não pode ser considerado esbulhador.
b) Clodoaldo tem o direito de retomar a posse do bem mediante o uso da força com base 
no desforço imediato, eis que agiu imediatamente após a ciência do ocorrido.
c) Tendo em vista a ocorrência do esbulho, Joventino deve ajuizar uma ação possessória 
contra Clodoaldo, no intuito de recuperar a posse que exercia.
d) Na condição de possuidor de boa-fé, Joventino tem direito aos frutos e ao ressarcimento 
das benfeitorias realizadas durante o período de exercício da posse.
Essa questão é boa para observarmos classificação de posse. No caso em tela, Joventino 
era possuidor de má-fé, pois conhecia o vício, e, mesmo sem o emprego de violência, é 
considerado esbulhador.
Ainda, o desforço não pode ser desproporcional, por não é caso de uso de força.
Tendo em vista a ocorrência do esbulho, Joventino deve ajuizar uma ação possessória contra 
Clodoaldo, no intuito de recuperar a posse que exercia.
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Em razão do esbulho sofrido, Joventino deve ajuizar ação possessória contra Clodoaldo, no 
intuito de recuperar a posse que tinha.
Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a 
aquisição da coisa.
Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no 
de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.
§ 1º O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, 
contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável 
à manutenção, ou restituição da posse.
Letra c.
004. 004. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2017) Ricardo realizou 
diversas obras no imóvel que Cláudia lhe emprestou: reparou um vazamento existente na 
cozinha; levantou uma divisória na área de serviço para formar um novo cômodo, destinado 
a servir de despensa; ampliou o número de tomadas disponíveis; e trocou o portão manual 
da garagem por um eletrônico.
Quando Cláudia pediu o imóvel de volta, Ricardo exigiu o ressarcimento por todas as 
benfeitorias realizadas, embora sequer a tenha consultado previamente sobre as obras.
Somente pode-se considerar benfeitoria necessária, a justificar o direito ao ressarcimento,
a) o reparo do vazamento na cozinha.
b) a formação de novo cômodo, destinado a servir de despensa, pelo levantamento de 
divisória na área de serviço.
c) a ampliação do número de tomadas.
d) a troca do portão manual da garagem por um eletrônico.
A questão parece que vai cobrar posse, mas acaba cobrando apenas conceito de benfeitoria.
Por isso, lembre-se de dicção do artigo 96 do CC:
Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1º São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, 
ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor.
§ 2º São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.
§ 3º São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.
O reparo do vazamento na cozinha é uma benfeitoria necessária.
A formação de novo cômodo, destinado a servir de despensa, é uma benfeitoria útil.
A ampliação do número de tomadas é uma benfeitoria útil.
A troca do portão manual da garagem por um portão eletrônico é uma benfeitoria útil.
Letra a.
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005. 005. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2015) Mediante o 
emprego de violência, Mélvio esbulhou a posse da Fazenda Vila Feliz. A vítima do esbulho, 
Cassandra, ajuizou ação de reintegração de posse em face de Mélvio após um ano e meio, 
o que impediu a concessão de medida liminar em seu favor. Passados dois anos desde a 
invasão, Mélvio teve que trocar o telhado da casa situada na fazenda, pois estava danificado. 
Passados cinco anos desde a referida obra, a ação de reintegração de posse transitou 
em julgado e, na ocasião, o telhado colocado por Mélvio já se encontrava severamente 
danificado. Diante de sua derrota, Mélvio argumentou que faria jus ao direito de retenção 
pelas benfeitorias erigidas, exigindo que Cassandra o reembolsasse.
A respeito do pleito de Mélvio, assinale a afirmativa correta.
a) Mélvio não faz jus ao direito de retenção por benfeitorias, pois sua posse é de má-fé e as 
benfeitorias, ainda que necessárias, não devem ser indenizadas, porque não mais existiam 
quando a ação de reintegração de posse transitou em julgado.
b) Mélvio é possuidor de boa-fé, fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias e 
devendo ser indenizado por Cassandra com base no valor delas.
c) Mélvio é possuidor de má-fé, não fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias, 
mas deve ser indenizado por Cassandra com base no valor delas.
d) Mélvio é possuidor de má-fé, fazendo jus ao direito de retenção por benfeitorias e 
devendo ser indenizado pelo valor atual delas.
Essa questão é interessante para relembrar os seguintes artigos:
Art. 1.200. É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária.
Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a 
aquisição da coisa.
Art. 1.202. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as 
circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não 
lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.
Art. 1.221. As benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimento se ao 
tempo da evicção ainda existirem.
Veja que o Mélvio não faz jus ao direito de retenção por benfeitorias, pois sua posse é de 
má-fé e as benfeitorias, ainda que necessárias, não devem ser indenizadas, porque não 
mais existiam quando a ação de reintegração de posse transitou em julgado.
Letra a.
006. 006. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2014) Com a ajuda de 
homens armados, Francisco invade determinada fazenda e expulsa dali os funcionários de 
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Gabriel, dono da propriedade. Uma vez na posse do imóvel, Francisco decide dar continuidade 
às atividades agrícolas que vinham sendo ali desenvolvidas (plantio de soja e de feijão). Três 
anos após a invasão, Gabriel consegue, pela via judicial, ser reintegrado na posse da fazenda.
Quanto aos frutos colhidos por Francisco durante o período em que permaneceu na posse 
da fazenda, assinale a afirmativa correta.
a) Francisco deve restituir a Gabriel todos os frutos colhidos e percebidos, mas tem direito 
de ser ressarcido pelas despesas de produção e custeio.
b) Francisco tem direito aos frutos percebidos durante o período em que permaneceu na 
fazenda
c) Francisco tem direito à metade dos frutos colhidos, devendo restituir a outra metade 
a Gabriel.
d) Francisco deve restituir a Gabriel todos os frutos colhidos e percebidos, e não tem direito 
de ser ressarcido pelas despesas de produção e custeio
Para compreender a questão aqui, precisamos entender que a questão gira em torno dos 
frutos, certo?
Assim, lembre do artigo 1216 do CC:
O possuidor de má-fé responde por todos os frutos colhidos e percebidos, bem como pelos que, 
por culpa sua, deixou de perceber, desde o momento em que se constituiu de má-fé; tem direito 
às despesas da produção e custeio.
Assim, Francisco deve restituir a Gabriel todos os frutos colhidos e percebidos, mas tem 
direito de ser ressarcido pelas despesas de produção e custeio, pois sempre esteve de má-fé.
Letra a.
007. 007. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2012) Acerca do instituto 
da posse é correto afirmar que
a) o Código Civil estabeleceu um rol taxativo de posses paralelas.
b) é admissível o interdito proibitório para a proteção do direito autoral.
c) fâmulos da posse são aqueles que exercitam atos de posse em nome próprio.
d) a composse é uma situação que se verifica na comunhão pro indiviso, do qual cada 
possuidor conta com uma fração ideal sobre a posse.
Para essa questão, vamos conversarsobre cada item...
a) Certa. O Código Civil não estabeleceu um rol taxativo dessa espécie de posse.
b) Errada. A Súmula 228, do STJ dispõe que: “é inadmissível o interdito proibitório para a 
proteção do direito autoral.” Lembre-se que posse somente é exercida em bens corpóreos.
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c) Errada. Fâmulos da posse ou detentores.
d) Errada. Como vimos, tem a ver com a posse exercida por mais de uma pessoa.
Composse é posse conjunta. Uma situação na qual duas ou mais pessoas exercerão poderes 
possessórios sobre a mesma coisa.
Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela atos 
possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores.
É possível ação possessória do compossuidor contra o outro compossuidor.
• Posses simultâneas;
• Condomínio de posses.
Letra a.
008. 008. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2010) No que se refere 
aos institutos da posse e da propriedade, assinale a opção correta.
a) Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, 
as sementes, plantas e construções, com direito a indenização se procede de boa-fé.
b) A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em virtude 
de direito pessoal, ou real, anula a indireta, de quem aquela foi havida.
c) Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias e úteis, 
não lhe assistindo o direito de retenção pela importância das benfeitorias necessárias.
d) Caracteriza usucapião a posse, por cinco anos, de coisa móvel, desde que comprovada 
a boa-fé do possuidor.
Temos nessa questão a cobrança literal de lei dos seguintes artigos:
Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em 
virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não 
lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.
Art. 1.255. Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do 
proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização.
Art. 1.260. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante 
três anos, com justo título e boa-fé, adquirir-lhe-á a propriedade.
Art. 1.261. Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, 
independentemente de título ou boa-fé.
Art. 1.262. Aplica-se à usucapião das coisas móveis o disposto nos arts. 1.243 e 1.244.
Letra a.
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009. 009. (FGV/OAB/EXAME DE ORDEM UNIFICADO XXIX - PRIMEIRA FASE/2010) Sobre o constituto 
possessório, assinale a alternativa correta.
a) Trata-se de modo originário de aquisição da propriedade.
b) Trata-se de modo originário de aquisição da posse.
c) Representa uma tradição ficta.
d) É imprescindível para que se opere a transferência da posse aos herdeiros na sucessão 
universal.
Segundo o professor Flávio Tartuce, temos que
Tradição ficta – é aquela que se dá por presunção, como ocorre na traditio brevi manu, em que 
o possuidor possuía em nome alheio e agora passa a possuir em nome próprio (o exemplo típico 
é o do locatário que compra o imóvel, passando a ser o proprietário). Também há tradição ficta 
no constituto possessório ou cláusula constituti, em que o possuidor possuía em nome próprio 
e passa a possuir em nome alheio (o caso do proprietário que vende o imóvel e nele permanece 
como locatário).
Tartuce, Flávio. Manual de direito civil: volume único / Flávio Tartuce. – 10. ed. – Rio de Janeiro: 
Forense; São Paulo: MÉTODO, 2020.
Letra c.
010. 010. (CESPE-CEBRASPE/OAB/EXAME DE ORDEM 3 - PRIMEIRA FASE/2009) A respeito da 
posse, assinale a opção correta.
a) A posse direta não anula a indireta; portanto, o possuidor direto poderá defender a sua 
posse, ainda que seja contra o possuidor indireto.
b) A posse de boa-fé só perde esse caráter quando do trânsito em julgado da sentença 
proferida em ação possessória.
c) Sendo possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de algum dos 
poderes inerentes à propriedade, não é possível adquirir posse mediante representação.
d) O possuidor pode intentar ação de esbulho contra quem tenha praticado tal ato, mas não 
pode intentá-la contra o terceiro que tenha recebido a coisa esbulhada, ainda sabendo que 
o era, por não ser o terceiro uma parte legítima para figurar no polo passivo da demanda.
Novamente temos incidência dos seguintes artigos:
Art. 1.197. A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, em 
virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, podendo o 
possuidor direto defender a sua posse contra o indireto.
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Art. 1.202. A posse de boa-fé só perde este caráter no caso e desde o momento em que as 
circunstâncias façam presumir que o possuidor não ignora que possui indevidamente.
Art. 1.204. Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome 
próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade.
Art. 1.205. A posse pode ser adquirida:
I - pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante;
II - por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação.
Art. 1.212. O possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a de indenização, contra o terceiro, 
que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era.
Letra a.
011. 011. (CESPE-CEBRASPE/OAB/EXAME DE ORDEM 1 - PRIMEIRA FASE/2009) Quanto ao instituto 
da posse, a lei civil estabelece que
a) a posse pode ser adquirida por terceiro sem mandato, independentemente de ratificação 
do favorecido.
b) o possuidor de má-fé tem direito à indenização pelas benfeitorias necessárias, assistindo-
lhe o direito de retenção pela importância destas.
c) é assegurado ao possuidor de boa-fé o direito à indenização pelas benfeitorias necessárias 
e úteis. Quanto às voluptuárias, estas, se não forem pagas, poderão ser levantadas, desde 
que não prejudiquem a coisa.
d) obsta à manutenção ou à reintegração da posse a alegação de propriedade, ou de outro 
direito sobre a coisa.
Novamente artigos repetidos, bom para decorar...
Art. 1.205. A posse pode ser adquirida:
I - pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante;
II - por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não 
lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.
Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no 
de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.§ 1º O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, 
contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável 
à manutenção, ou restituição da posse.
§ 2º Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro 
direito sobre a coisa.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e 
úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder 
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sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias 
necessárias e úteis.
Letra c.
012. 012. (CESPE-CEBRASPE/OAB-SP/EXAME DE ORDEM 2 - PRIMEIRA FASE/2008) A posse exercida 
com animus domini, mansa, pacífica, ininterrupta e justa, durante o lapso de tempo 
necessário à aquisição da propriedade, é denominada posse
a) ad interdicta.
b) ad usucapionem.
c) pro diviso.
d) pro indiviso.
Lembre-se que a posse com intuito de adquirir propriedade é a modalidade usucapionem.
Letra b.
Ufa, falamos de posse e sobre os pontos importantes...
Então, para hoje, tome posse dos seus sonhos e de quem você que ser!
Concretize!!!
Bj bj da profa.
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	Sumário
	Apresentação
	Direito das Coisas I
	1. Terminologias Conceituais de Direito das Coisas
	2. Posse
	2.1. Natureza Jurídica e Teorias da Posse
	2.2. Posse e Detenção
	2.3. Classificação da Posse
	2.4. Efeitos da Posse (1.210 – 1.222)
	2.5. Aquisição e Transmissão da Posse
	2.6. Perda da Posse
	2.7. Composse – Compossessão
	2.8. Posse em Área Pública
	Resumo
	Questões de Concurso
	Gabarito
	Gabarito Comentado“consiste em um conjunto de princípios e normas 
que disciplina a relação jurídica referente às coisas suscetíveis de apropriação pelo homem, 
segundo uma finalidade social.”2
Seguindo a doutrina, Carlos Roberto Gonçalves define que “coisa é o gênero do qual 
bem é espécie. É tudo o que existe objetivamente, com exclusão do homem. Segundo o art. 
202 do Código Civil português, “diz-se coisa tudo aquilo que pode ser objeto de relações 
jurídicas”. Coisas são bens corpóreos: existem no mundo físico e hão de ser tangíveis pelo 
homem (CC alemão, § 90; CC grego, art. 999).”3
No direito das coisas, o sujeito passivo é indeterminado, podendo ser determinável, 
e sua eficácia se dá em face de toda a coletividade, podendo ser operada erga omnes, se 
atendidos os requisitos legais para cada categoria de direito.
Contudo, um ponto básico é que o Direito das Coisas não é sinônimo de Direitos Reais.
O primeiro é mais abrangente.
O Direito das Coisas consta no Livro III do Código Civil, como dito, sendo mais abrangente, 
por envolver os seguintes temas: POSSE, REAIS e VIZINHANÇA.
Resumindo:
Coisas: utilidades corpóreas (tangíveis, conseguimos tocar, ex: uma caneta) e incorpóreas 
(intangíveis, não conseguimos tocar, ex: programa de computador).
• Coisas comportam os bens, de acordo com o Código Civil e os ensinamentos de Silvio 
Rodrigues
− Coisa é gênero - bem é espécie
• Coisa é tudo que não é pessoa - no Direito Civil dividimos em coisas ou pessoas;
• Bens são coisas com valor e que podem ser objeto de relação jurídica (ex: uma caneta);
• Direito das coisas não pode ser considerado sinônimo de direitos reais;
• Ramo do Direito Civil que tem como conteúdo relação entre pessoas e coisas;
1 Tartuce, Flávio. Manual de direito civil: volume único / Flávio Tartuce. – 10. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: 
MÉTODO, 2020.
2 Stolze, Pablo; Pamplona Filho, Rodolfo Manual de direito civil – volume único / Pablo Stolze; Rodolfo Pamplona Filho. – 4. 
ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
3 Gonçalves, Carlos Roberto. Direito das coisas. - Direito civil brasileiro volume 5 – 15. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 
2020.
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• Direito real é um conjunto de categorias jurídicas relacionadas, basicamente, à 
propriedade.
2 . PoSSe2 . PoSSe
Vamos conversar agora sobre um Instituto muito interessante...
Tenho certeza absoluta que você lida diariamente com esse instituto!
Nós vamos falar de um ponto dentro do direito das coisas chamado POSSE.
Vamos começar diferenciando de forma bem simples a posse, propriedade e detenção 
dentro de um exemplo para você ter uma noção geral.
Imagina um celular de um indivíduo “A”, logo o celular é de propriedade de “A” – direito 
real de propriedade em si.
“A” chega em “B” e diz “vou te emprestar o celular”, ou seja, “B” pode usar o telefone, 
fazer ligações, mandar mensagens, usar o telefone total, nesse caso “B” tem a posse do 
telefone, “A” continua tendo a propriedade, mas “B” tem a posse.
Outra situação...
“A” vai no banheiro e vai deixar o telefone na mesa pedindo que “B” apenas tome conta 
dele para “A”; nesse caso “B” não pode usar o telefone, esse cuidado é a detenção, “B” está 
tomando conta de bem como se fosse um possuidor, mas ele não é o possuidor, ele exerce 
posse em nome alheio.
Então quando a gente fala em detentor, é a pessoa que está exercendo a posse em 
nome alheio, já posse é o contato físico com a coisa.
Detentor é um instituto muito menor que posse, entende?
Quando você pensa em um caseiro que está tomando conta da fazenda, isso é uma 
situação de detenção.
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Aqui no estudo da posse vamos trabalhar mais adiante o conceito de possuidor e o 
conceito de detentor, mas de antemão afirmamos que o possuidor tem o direito de usar 
e gozar daquele bem, o detentor não.
Ainda, posse não é direito real, porque os direitos reais estão previstos no artigo 1225 
e gravitam em torno da propriedade, e a posse não está nesse rol. A posse é o primeiro 
instituto do livro de Direito das Coisas e começa no artigo 1196 e vai até o 1224.
2 .1 . NAtUreZA JUrÍDICA e teorIAS DA PoSSe2 .1 . NAtUreZA JUrÍDICA e teorIAS DA PoSSe
De acordo com os ensinamentos de Flávio Tartuce temos que este doutrinador é filiado 
à corrente pela qual a posse é um direito de natureza especial, o que pode ser retirado da 
teoria tridimensional do Direito, de Miguel Reale. Isso porque a posse é o domínio fático 
que a pessoa exerce sobre a coisa. Ora, se o Direito é fato, valor e norma, logicamente a 
posse é um componente jurídico, ou seja, um direito.4
Quando falamos de contrato de locação, João alugou um apartamento de Alice. Quando 
João está lá morando no apartamento, ele é possuidor do apartamento, ele está na posse, 
e essa posse gera uma série de consequências e responsabilidades, por isso falamos que a 
posse é um exercício de um direito de natureza especial.
A posse pode decorrer de variadas situações a partir de um contrato ou não.
Há, ainda, duas correntes que procuram justificar a posse como categoria jurídica.
TEORIA SUBJETIVA: posse é o poder direto que a pessoa tem de dispor fisicamente de um 
bem com intenção de tê-lo para si; essa teoria dá relevância ao aspecto subjetivo da posse.
• Savigny;
• Posse é corpus (poder físico) e animus domini (intenção de ter a propriedade) - ex: 
posse no sentido de usucapião;
• Se adotada essa teoria, não seriam possuidores o locatário, comodatário, depositário, 
etc., pois não haveria animus.
TEORIA OBJETIVA: a constituição da posse leva em consideração que a pessoa disponha 
da coisa - contato; para constituição da posse, basta que o sujeito disponha fisicamente da 
coisa. Corpus é formado pela atitude externa do possuidor em relação à coisa. O possuidor 
passa a agir, em relação à coisa, com intuito de explorá-la, inclusive economicamente.
• Ihering
• Posse é corpus (poder físico/contato)
• Código Civil - artigo 1.196 do CC
4 Tartuce, Flávio. Manual de direito civil: volume único / Flávio Tartuce. – 10. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: 
MÉTODO, 2020.
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A teoria adotada pelo Código Civil é a teoria objetiva de Ihering.
Art. 1.196. “Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno 
ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.”
Direito de propriedade: usar, gozar, dispor e reaver. O possuidor nunca vai poder dispor 
do bem, porque ele não é proprietário, o direito de dispor é exclusivo da propriedade.
Da expressão “fato o exercício” entendemos como “corpus”, contato.
Dá expressão “algum dos poderes inerentes à propriedade” retiramos lá do artigo 
1.228, os poderes de usar, gozar, dispor e reaver (GRUD).
Quando o código menciona “algum” basta o exercício de um dos atributos da propriedade.
Por essa teoria é que o locatário, o depositário, o comodatário são verdadeiros possuidores.
Imaginaque Alice alugou o apartamento para João; Alice é a proprietária e João é o 
possuidor.
Quando todos aqueles atributos estiverem na mão de Alice (usar, gozar, dispor e reaver) 
ela tem a propriedade chamada de plena ou alodial. Mas se ela alugou o apartamento para 
João, ele é o possuidor e está tendo contato com a coisa, com o direito de usar e gozar e 
ela tem que respeitar esse direito durante o contrato.
Com esse exemplo fica fácil verificar os desdobramentos da posse em posse direta 
e indireta:
• Direta: Contato
• Indireta: Propriedade
a) A posse direta é o contato que João tem direto com o bem, ele é o locatário.
b) Já Alice, que é a proprietária terá a posse indireta.
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Quem pode ser possuidor: qualquer sujeito de direito (Enunciado 236 da JDC)
2 .2 . PoSSe e DeteNÇÃo2 .2 . PoSSe e DeteNÇÃo
• Posse = “Corpus” - Possuidor que exerce algum dos atributos da propriedade / domínio;
• Detenção = não exerce posse própria, mas uma “posse” em nome alheio. Exemplo: 
caseiro.
Posse degradada = tem o contato, mas não se configura posse;
Detentor = Fâmulo da posse / Gestor da posse / Detentor dependente / Servidor da posse;
Art. 1.198. Considera-se detentor aquele que, achando-se em relação de dependência para 
com outro, conserva a posse em nome deste e em cumprimento de ordens ou instruções suas.
Parágrafo único. Aquele que começou a comportar-se do modo como prescreve este artigo, em 
relação ao bem e à outra pessoa, presume-se detentor, até que prove o contrário.
Detenção: dependência econômica ou vínculo de subordinação.
O referido artigo diz que se considera detentor aquele que, achando-se em relação 
de dependência para com outro, conserva a posse em nome desta outra pessoa e em 
cumprimento de ordens ou instruções suas.
O parágrafo único do mesmo artigo afirma que, aquele que começou a se comportar 
do modo como prescreve este artigo, em relação ao bem e à outra pessoa, presume-se 
detentor, até que prove o contrário.
Exemplo do fâmulo da posse é o caseiro.
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Outro exemplo é o manobrista, conservando a posse em nome de outra pessoa. Veja, 
o manobrista exerce detenção em relação à empresa; esta é que é a possuidora, em razão 
de um contrato de depósito do carro no momento da condução.
Outro exemplo ainda é o caso da ocupação irregular de área pública. O STJ entende que 
a ocupação irregular de área pública não induz posse e sim mera detenção, quando houver 
litígio entre o particular e o Poder Público.
Contudo, mesmo se tratando de terras públicas, o STJ tem entendido que é possível a 
discussão da posse, se isso ocorrer entre particulares.
Exemplo de prova FGV: João era funcionário de Maria, uma senhora de 95 anos de idade 
que morava em uma casa na região dos Lagos – RJ; João trabalhava para essa senhora, 
com serviços de jardinagens e atividades do dia a dia e serviços pessoais; veja que durante 
esse período de dependência e subordinação, o João é mero detentor. Em um determinado 
momento, Maria falece, João continuou morando lá no imóvel, fez uma reforma na garagem, 
começou a alugar a garagem para outra pessoa, e começou a se comportar como proprietário 
do imóvel. Os herdeiros de Maria não fizeram nada e durante vários anos ficaram sem ir 
ao local. Até a morte da Maria existia o vínculo de subordinação e de dependência, mas a 
partir do momento que ela morreu esse vínculo foi rompido e ele continuou morando, ele 
deixou de ser detentor e passou a ser possuidor.
Dependência econômica ou vínculo de subordinação (prática atos de mera custódia) - 
Enunciado 301 JDC - é possível converter a detenção em posse, desde que haja o rompimento 
da subordinação – foi o caso do João acima estampado.
Imagina que Carlos tem uma fazenda e o caseiro está tomando conta da fazenda, e de 
repente chega uma galera para invadir a fazenda.
O artigo 1.210 diz que Carlos, possuidor, pode promover a autotutela da sua posse, ele 
pode proteger a sua posse.
Evidentemente Carlos tem que ter uma proporcionalidade, ele não pode chegar matando 
todo mundo. Só que imagina que ele não está na fazenda e quem está na fazenda é o 
caseiro, o detentor, e o caseiro liga para Carlos e pergunta o que fazer, e Carlos manda o 
caseiro repelir essas pessoas.
O detentor pode exercer atos de defesa da posse? Sim.
12 Enunciado 493 JDC - detentor pode, no interesse do possuidor, exercer a autodefesa 
da posse (autotutela - 1.210 CC);
Maria deixa o carro com o manobrista, a empresa do manobrista vai ter a posse com o 
contrato de depósito, mas o manobrista em si, é o detentor...
O mesmo funciona para: bibliotecário; soldados; detento; diretores de empresas; 
empregados.
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2 .3 . ClASSIFICAÇÃo DA PoSSe2 .3 . ClASSIFICAÇÃo DA PoSSe
2.3.1. POSSE QUANTO AO DESDOBRAMENTO (1.197)
• Direta / imediata: é exercida por quem tem a coisa em seu poder, ex.: locatário.
• Indireta / Mediata: decorre da propriedade, ex.: locador.
Art. 1.197. “A posse direta, de pessoa que tem a coisa em seu poder, temporariamente, 
em virtude de direito pessoal, ou real, não anula a indireta, de quem aquela foi havida, 
podendo o possuidor direto defender a sua posse contra o indireto.”
 Obs.: Tanto o possuidor direto quanto o indireto podem usar dos meios de defesa da posse.
JURISPRUDÊNCIA
Enunciado 76 JDC: o possuidor direto pode ajuizar ação para defender sua posse 
contra o possuidor indireto.
Quando todos os atributos da propriedade estão nas mãos do proprietário fala-se em 
propriedade plena.
2.3.2. POSSE QUANTO À PRESENÇA DE VÍCIOS (1.200)
Estão relacionados à vítima e não à intenção do possuidor.
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Art. 1.200. “É justa a posse que não for violenta, clandestina ou precária.”
A análise é objetiva: independe da intenção do agente.
Não se analisa má-fé ou boa-fé (1.201 e 1.202).
• Posse justa (posse limpa): é a posse que não tem violência, clandestinidade ou 
precariedade;
• Posse injusta: é a posse que apresenta vícios; foi adquirida por ato violento, clandestino 
ou precário;
a) Posse violenta (roubo): retira um sujeito da posse de forma violenta; por meio do 
esbulho, por força ou violência (vítima; física ou moral) contra a vontade do possuidor 
originário;
b) Posse clandestina (furto): às escondidas, de forma oculta, ardil;
c) Posse precária (apropriação indébita): no início da posse havia uma posse lícita, mas 
o possuidor não devolve o bem; quebra da confiança; Ex.: eu alugo um apartamento para 
você por 1 ano, ao final do contratode locação você devia devolver o apartamento, mas 
você não devolve, isso é uma posse injusta por precariedade.
 Obs.: Quando se adquire a posse com violência e transmite o bem para o outro a posse 
continua sendo violenta, o mesmo acontece para a posse clandestina.
A posse, mesmo injusta, é posse.
Isso significa que é possível defender essa posse injusta em face de terceiros, inclusive 
se valer de ações possessórias em caso de esbulho e turbação.
O art. 1.208 do CC, segunda parte, dispõe que a posse injusta por meio de violência ou 
clandestinidade pode ser convalidada.
Segundo o dispositivo, não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância, 
assim como não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois 
de cessar a violência ou a clandestinidade.
Portanto, uma posse que nasce violenta ou clandestina poderá ser convalidada caso 
cesse a violência ou a clandestinidade. Este é o entendimento que prevalece na doutrina.
Após 1 ano e 1 dia do ato de violência ou da clandestinidade, a posse é convalidada, 
deixando de ser injusta e passa a ser justa. A posse precária, no entanto, continuará 
sendo injusta.
Art. 1.208. “Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como 
não autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar 
a violência ou a clandestinidade.”
 Obs.: O exercício da posse em si apresenta várias consequências, como a possibilidade 
de adquirir pela usucapião, mas isso depende do exercício da posse, levando em 
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consideração a intenção de adquirir a propriedade. Situações que não induzem 
posse (tratadas pelo art. 1.208) não induzem efeitos da posse, como a possibilidade 
de usucapir.
Uma pessoa que adquire a propriedade por usucapião, e ela está ficando ali, mas muitas 
pessoas que estão pretendendo usucapião, entraram naquele imóvel porque invadiram o 
imóvel, e invadiram ou por violência ou por clandestinidade. Este ato vai ter efeito de posse 
quando cessar a violência ou clandestinidade. Até lá há uma mera detenção e, quando cessa 
a violência ou clandestinidade - 1 ano e 1 dia – é que ocorre posse.
 Obs.: Precariedade: A posse é lícita no começo, com o passar do tempo, quando chega o 
dia de restituir o bem, ela não o restitui, antes já se tinha posse e continua tendo.
Art. 1.203. “Salvo prova em contrário, entende-se manter a posse o mesmo caráter 
com que foi adquirida. - Princípio da continuidade do caráter da posse.”
JURISPRUDÊNCIA
En 237 JDC. “É cabível a modificação do título da posse - interversio possessionis - na 
hipótese em que o até então possuidor direto demonstrar ato exterior e inequívoco 
de oposição ao antigo possuidor indireto, tendo por efeito a caracterização do animus 
domini. - Intervenção da posse ( jurídica ou material).”
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2.3.3. POSSE EM RELAÇÃO À BOA-FÉ (1.201)
Nessa classificação temos que levar em consideração os aspectos intencionais de quem 
está na posse.
Veja que Boa-Fé Objetiva é princípio, é padrão comportamental ético. Aqui, estamos 
verificando o aspecto subjetivo da boa-fé.
Art. 1.201. É de boa-fé a posse, se o possuidor ignora o vício, ou o obstáculo que impede a 
aquisição da coisa.
Parágrafo único. O possuidor com justo título tem por si a presunção de boa-fé, salvo prova em 
contrário, ou quando a lei expressamente não admite esta presunção.
• Posse de boa-fé: é a posse que ignora a existência de um vício que impede a aquisição 
da coisa.
− Título = escritura pública da sua posse;
− Justo título = qualquer outro documento que comporte uma legitimidade no 
exercício da sua posse.
• Posse de má-fé: é a posse em que há conhecimento do vício que acomete a coisa. Por 
isso, ela é considerada subjetiva, ou seja, é de conhecimento inequívoco do possuidor.
Na posse de má-fé, o sujeito não ignora o vício, ele tem plena ciência de que ali ele não 
tem legitimidade para estar.
Na posse de Boa-fé o possuidor ignora os vícios ou obstáculos que lhe impedem a 
aquisição da coisa ou quando tiver o justo título, temos assim a presunção de boa fé de 
duas formas:
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Direito das Coisas I 
Roberta Queiroz
Real: convicção de posse sem dúvida; legitimidade;
Presumida (relativa): justo título;
Na Posse de Má-fé o possuidor seria aquele que conhece os vícios que lhe impedem a 
posse e também aquele que deveria conhecê-los.
JURISPRUDÊNCIA
Enunciado 303 JDC (Função social da posse): “Considera-se justo título, para a presunção 
relativa da boa-fé do possuidor, o justo motivo que lhe autoriza a aquisição derivada da 
posse, esteja ou não materializado em instrumento público ou particular. Compreensão 
na perspectiva da função social da posse.”
Dois pontos importantes:
É possível a existência de posse de boa-fé injusta? SIM. Nada impede que alguém 
tenha uma posse injusta e de boa-fé – pense na pessoa que adquire a posse de outrem 
sem saber que aquela posse é injusta. Houve a violência, e na semana seguinte, houve a 
transferência da posse, pois não ultrapassado o ano e dia, a fim de se tornar justa. Veja 
que a posse é transmitida da mesma forma como foi adquirida.
É possível haver posse justa e de má-fé? SIM. A posse pode não ser violenta, clandestina 
ou precária, mas pode conter algum vício. Nesse caso, haverá uma posse justa e de má-fé.
Simples, né? Vamos seguir...
2 .3 .4 . PoSSe eM relAÇÃo À PreSeNÇA De tÍtUlo
• Posse com título (posse civil ou jurídica): causa representativa da transmissão da 
posse, ex.: contrato de locação;
• Posse sem título (posse natural): não há uma causa representativa; ato-fato (tem 
a vontade humana desprovida de consciência), ex.: achamento do tesouro.
2 .3 .5 . PoSSe QUANto Ao teMPo
• Posse nova: menos de 1 ano e 1 dia;
• Posse velha: mais de 1 ano e 1 dia.
2 .3 .6 . PoSSe eM relAÇÃo AoS eFeItoS
• Posse ad interdicta: pode ser defendida pela as ações possessórias, É a posse fundada 
em contrato de locação, comodato, depósito, etc
• Posse ad usucapionem: intenção para usucapião, para adquirir a posse.
2.4. EFEITOS DA POSSE (1.210 – 1.222)2.4. EFEITOS DA POSSE (1.210 – 1.222)
Vamos analisar os efeitos da posse.
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O exercício da posse induz alguns efeitos e muitos desses efeitos são levados em 
consideração em relação à classificação de posse de boa-fé e posse de má-fé.
Vamos relembrar que posse de boa-fé é aquele em que o possuidor ignora o vício, 
acredita que o exercício é legítimo ou ele tem o justo título que traz uma presunção relativa 
de boa-fé.
O justotítulo é a situação em que a pessoa tem o documento que dá a possibilidade de 
conferir a existência da crença de exercício legítimo daquela posse.
Já a pessoa de má-fé é aquela que tem ciência efetiva de que ali não pode estar.
Então quando falamos dos efeitos da posse nós vamos observar os efeitos referentes 
a essa classificação de boa e de má-fé.
Existem várias situações, como por exemplo, imagina que Maria arrendou uma fazenda, 
exercendo, portanto, uma posse de boa-fé.
Suponha que ela construa um imóvel nessa fazenda, um muro de contenção ou que ela 
retire frutos dessa fazenda, será que quando ela devolver essa fazenda a outra pessoa tem 
que indenizar ela pelas as construções que ela fez?
Ou ela tem que indenizar em relação aos frutos que ela tirou?
Vamos analisar esses efeitos nos artigos 1.210 ao 1.222.
2 .4 .1 . FrUtoS
Lembre-se que frutos são acessórios que são retirados da coisa principal e que possuem 
renovação automática/periódica, por exemplo, renovação contínua, as maçãs de uma árvore, 
os aluguéis de um imóvel, os juros, são frutos civis.
Naturais
Civis
Industriais
Art. 95. “Apesar de ainda não separados do bem principal, os frutos e produtos podem 
ser objeto de negócio jurídico.”
Imagina que Maria arrendou a fazenda de Joaquim, e ela tem colheitas constantes de 
soja e milho.
Quando encerrar o contrato de locação, Maria tem que indenizar Joaquim pelos frutos 
que ela tirou?
Agora imagina que Maria invadiu a fazenda e alugou a fazenda para uma outra pessoa 
e essa pessoa ficou pagando aluguel a ela.
Joaquim conseguiu judicialmente a retomada da fazenda, será que ela tem que devolver 
esses frutos colhidos?
Para esses questionamentos verifica-se a posse de boa-fé ou má-fé.
Art. 1.214. O possuidor de boa-fé tem direito, enquanto ela durar, aos frutos percebidos.
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Parágrafo único. Os frutos pendentes ao tempo em que cessar a boa-fé devem ser restituídos, 
depois de deduzidas as despesas da produção e custeio; devem ser também restituídos os 
frutos colhidos com antecipação.
Um caso de prova foi o caso de João que comprou uma casa no ano de 2010 e estava 
alugando a casa.
Pelo o contrato de compra e venda ele achou que realmente tinha legitimidade naquele 
exercício e então alugou o imóvel e estava recebendo R$1.000,00 por mês de aluguel.
Em 2015, Maria ajuizou uma ação contra João requerendo a retirada de João daquele 
local, porque ela disse que exatamente em 2009 ela tinha uma sentença judicial em favor 
dela, reconhecendo a sua propriedade.
Ou seja, quem vendeu não poderia ter vendido e quem comprou perdeu o bem.
A partir da citação João não está mais de boa-fé, os aluguéis que ele recebeu até a data 
da citação são dele porque ele estava de boa-fé, mas a partir da citação se ele continua 
recebendo aluguel ao final do processo ele tem que devolver os frutos que ele porventura 
tenha recebido durante esse período de má-fé.
Art. 1.215. “Os frutos naturais e industriais reputam-se colhidos e percebidos, logo que 
são separados; os civis reputam-se percebidos dia por dia.”
Boa-fé = frutos percebidos;
Má-fé = restituir os pendentes, restituir os colhidos por antecipação (abate as despesas).
2 .4 .2 . BeNFeItorIAS
Lembre-se que benfeitorias são acréscimos que foram levados a propriedade pela a mão 
humana, exemplo, Maria tem uma fazenda e ela arrenda para João; João foi lá e colocou 
uma piscina, fez um curral, um muro de contenção e outras coisas, quando o contrato de 
arrendamento terminar, a fazenda tem que ser devolvida, só que ele construiu coisas lá, 
fez benfeitorias, será que Maria tem que indenizar João nas benfeitorias?
Art. 96. As benfeitorias podem ser voluptuárias, úteis ou necessárias.
§ 1º São voluptuárias as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, 
ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor.
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§ 2º São úteis as que aumentam ou facilitam o uso do bem.
§ 3º São necessárias as que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore.
Art. 1.219. O possuidor de boa-fé tem direito à indenização das benfeitorias necessárias e 
úteis, bem como, quanto às voluptuárias, se não lhe forem pagas, a levantá-las, quando o puder 
sem detrimento da coisa, e poderá exercer o direito de retenção pelo valor das benfeitorias 
necessárias e úteis.
Art. 1.220. Ao possuidor de má-fé serão ressarcidas somente as benfeitorias necessárias; não 
lhe assiste o direito de retenção pela importância destas, nem o de levantar as voluptuárias.
Veja as regras:
Boa-fé = Tem direito a indenização de benfeitorias úteis (retenção), necessárias (retenção) 
ou voluptuárias (levantamento desde que não prejudique o bem) - valor atual das benfeitorias; 
- Retenção: fecha o bem e impede a entrada do reivindicante do bem, só que esse direito 
não autoriza a usar o bem;
Má-fé = Tem direito a indenização de benfeitoria necessária sem retenção – pelo valor 
atual ou o valor de custo;
Art. 1.222. O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-fé, tem 
o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de boa-fé indenizará pelo 
valor atual.
JURISPRUDÊNCIA
Enunciado 81 JDC: O direito de retenção previsto no art. 1.219 do Código Civil, decorrente 
da realização de benfeitorias necessárias e úteis, também se aplica às acessões 
(construções e plantações) nas mesmas circunstâncias.
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Nos contratos de locação - Lei 8.245 - Lei do Inquilinato - se alguém aluga um apartamento, 
uma casa e esse alguém quer trocar o piso, colocar um porcelanato (benfeitoria útil), ou está 
com uma infiltração e precisa refazer a parede (benfeitoria necessária), ou constrói uma 
piscina com uma cascata (benfeitoria voluptuária). A pessoa tem direito a indenizações?
Lei 8.245 – Art. 35. Salvo expressa disposição contratual em contrário, as benfeitorias necessárias 
introduzidas pelo locatário, ainda que não autorizadas pelo locador, bem como as úteis, desde 
que autorizadas, serão indenizáveis e permitem o exercício do direito de retenção.
Art. 36. As benfeitorias voluptuárias não serão indenizáveis, podendo ser levantadas pelo 
locatário, finda a locação, desde que sua retirada não afete a estrutura e a substância do imóvel.
Locatário: Tem direito a indenização de benfeitoria útil (com autorização, tem direito 
de retenção) e necessária (sem autorização, tem direito a retenção), porém voluptuária 
apenas com algum acordo entre as partes.
JURISPRUDÊNCIA
Súmula 335 do STJ: Nos contratos de locação, é válida a cláusula de renúncia à indenização 
das benfeitorias e ao direito de retenção.
JURISPRUDÊNCIA
Enunciado 433 JDC: A cláusula de renúncia antecipada ao direito de indenização e 
retenção por benfeitorias necessárias é nula em contrato de locação de imóvel urbano 
feito nos moldes do contrato de adesão.O conteúdo deste livro eletrônico é licenciado para ADRIANO PRUDENTE DE OLIVEIRA - 14882695642, vedada, por quaisquer meios e a qualquer título,
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2 .4 .3 . reSPoNSABIlIDADeS
O possuidor de boa-fé não responde pela perda ou deterioração da coisa, a que não 
der causa.
Veja, o artigo 1227 do CC prevê que o possuidor de boa-fé tem responsabilidade subjetiva.
O art. 1.218 do CC estabelece que o possuidor de má-fé responde pela perda, ou 
deterioração da coisa, ainda que acidentais, salvo se provar que de igual modo se teriam 
dado, estando ela na posse do reivindicante.
Em outras palavras, a responsabilidade do possuidor de má-fé é objetiva, ou seja, ele 
só vai se eximir se comprovado que a deterioração da coisa ocorreria de qualquer modo.
O art. 1.221 do CC prevê uma hipótese de compensação legal, ao dizer que as benfeitorias 
se compensam com os danos, e só obrigam ao ressarcimento, se, ao tempo da evicção, 
ainda existirem.
Art. 1.221. “As benfeitorias compensam-se com os danos, e só obrigam ao ressarcimento 
se ao tempo da evicção ainda existirem.” (compensação legal - vedação do enriquecimento 
sem causa).
Art. 1.222. “O reivindicante, obrigado a indenizar as benfeitorias ao possuidor de má-
fé, tem o direito de optar entre o seu valor atual e o seu custo; ao possuidor de boa-fé 
indenizará pelo valor atual.”
Sobre as responsabilidades temos que:
2 .4 .4 . DeMANDAS ProCeSSUAIS
O possuidor direto do bem tem direito a proteger a sua posse. Ou seja, aquele que exerce 
a posse pode ajuizar ação judicial para proteger sua posse.
e quais são essas ações?e quais são essas ações?
Três são as situações que possibilitam o manejo de ações possessórias (não confundir 
com ações petitórias que discutem a propriedade e veremos mais adiante):
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Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído 
no de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.
§ 1º [...] Autotutela da posse
§ 2º Não obsta à manutenção ou reintegração na posse a alegação de propriedade, ou de outro 
direito sobre a coisa.”
Note-se que essas demandas possessórias estão previstas no artigo 554 e seguintes 
do CPC como procedimento especial.
Assim, segundo o art. 1.210 do CC, o possuidor tem direito a ser mantido na posse no 
caso de turbação, de ser restituído na posse no caso de esbulho e de ser segurado na posse 
no caso de uma violência iminente. O possuidor esbulhado ainda pode utilizar do desforço 
imediato (uso moderado da força) no caso do parágrafo primeiro que deixarei para falarmos 
mais adiante.
REINTEGRAÇÃO 
DE POSSE
• ESBULHO
MANUTENÇÃO 
NA POSSE
• TURBAÇÃO
INTERDITO 
PROIBITÓRIO
• AMEAÇA DE 
ESBULHO OU 
TURBAÇÃO
Veja que para cada situação de moléstia possessória (esbulho, turbação ou ameaça) 
teremos a modalidade de demanda possessória a ser manejada.
Contudo, importante destacarmos aqui que consta no artigo 554 do NCPC a consagração 
total do PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE DAS AÇÕES POSSESSÓRIAS.
Segundo este dispositivo, a propositura de uma ação possessória, no lugar de outra, 
não obstará a que o juiz conheça do pedido e outorgue a proteção legal correspondente 
àquela cujos pressupostos estejam provados.
Ainda, merece destaque que se a ofensa à posse contar com menos de 1 ano e 1 dia, 
caberá uma AÇÃO DE FORÇA NOVA, cabendo a medida liminar para tutela imediata da 
posse. Cuidado, pois isso não tem nada a ver com posse nova e posse velha, hein?!
Por outro lado, se houver uma ameaça, turbação ou esbulho com mais de 1 ano e 1 dia, 
haverá uma AÇÃO DE FORÇA VELHA, observando-se o procedimento comum do CPC com 
requisitos específicos para entrega de tutelas provisórias – artigos 294 e seguintes do CPC.
Resumindo:
• Ação possessória de força nova: ajuizada com menos de 1 ano e 1 dia do esbulho ou 
da turbação:
− Procedimento especial - 558 CPC;
− o juiz ao receber a petição inicial poderá ordenar liminarmente a questão da rein-
tegração ou da manutenção com base na prova da data do esbulho ou turbação;
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• Ação possessória de força velha: ajuizada após 1 ano e 1 dia do esbulho ou da turbação:
− Segue as regras de qualquer procedimento de uma ação normal - 319 e seguintes 
do CPC;
− Obter uma liminar é mais difícil e deve ser com base nos artigos 294 e seguintes 
do CPC.
Art. 1.211. Quando mais de uma pessoa se disser possuidora, manter-se-á provisoriamente a 
que tiver a coisa, se não estiver manifesto que a obteve de alguma das outras por modo vicioso.
Art. 1.212. O possuidor pode intentar a ação de esbulho, ou a de indenização, contra o terceiro, 
que recebeu a coisa esbulhada sabendo que o era.
Art. 1.213. O disposto nos artigos antecedentes não se aplica às servidões não aparentes, salvo 
quando os respectivos títulos provierem do possuidor do prédio serviente, ou daqueles de quem 
este o houve.
Servidão é um direito real e como todo direito real, tem que ter registro.
A servidão é quando um indivíduo possui um prédio (imóvel), por exemplo, um imóvel 
dominante, e existem o imóvel serviente, que serve ao dominante.
Por exemplo, uma servidão de passagem, o imóvel do lado ele permite que se passe 
por ali, para retirar água ou facilitar acesso, ou algo do tipo. Só que a servidão pode ser 
aparente, que é quando você consegue ver, tem uma construção, é palpável, tangível, ou 
não aparente, que não possui construção, como a servidão de vista, por exemplo, Carol tem 
uma casa bem alta e na frente de sua casa o vizinho possui uma casa mais baixa, dessa casa 
alta ela tem a vista da praia. Ela pode combinar com o dono do imóvel mais baixo o registro 
da servidão de vista, para que ele não construa tapando a minha vista.
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Esbulho: ilegítima subtração da posse; possuidor é privado da posse (agressão - retira 
a posse - PERDA);
• Violento: violência ou clandestinidade
• Pacífico: precariedade
Turbação: ato que embaraça o livre exercício da posse (agressão - incomoda a posse - 
NÃO HÁ PERDA);
• De fato ou real: agressão material - ato positivo, negativo, direta, indireta
• De direito: ataques judiciais
Resumindo: A questão do esbulho, gera a perda da posse, ou seja, a pessoa é imediatamente 
repelida; e quando o esbulho acontece sem a presença do possuidor, o esbulho é efetivado 
quando o possuidor retornar ao imóvel e então é repelido, ou quando ele, ciente do esbulho, 
abstém-se de retornar.
Via de regra, nós não temos autotutela, que é fazer valer o seu direito com a força, com 
as próprias mãos, então temos que recorrer ao judiciário.
A autotutela só pode ser admitida quandoa lei autorizar, por exemplo, a legítima defesa 
da posse ou esforço imediato.
Art. 1.210. § 1º: O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por 
sua própria força (auxílio de terceiro - vínculos), contanto que o faça logo; os atos de 
defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à manutenção, ou restituição 
da posse.
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Você tem o direito de repelir desde que você faça imediatamente e não se exceda. Caso 
você se exceda você responde como no artigo 187 CC, que trata o abuso do direito, e é caso 
de responsabilidade civil objetiva.
Se os seus funcionários, que estão te ajudando a repelir, atiram e matam as pessoas. 
Você não mandou que fizessem isso, mas eles fizeram, você responde? SIM!
Será um caso de responsabilidade objetiva indireta - o empregador ou comitente responde.
Art. 932: São também responsáveis pela reparação civil:
I - os pais, pelos filhos menores que estiverem sob sua autoridade e em sua companhia;
II - o tutor e o curador, pelos pupilos e curatelados, que se acharem nas mesmas condições;
III - o empregador ou comitente, por seus empregados, serviçais e prepostos, no exercício 
do trabalho que lhes competir, ou em razão dele;
IV - os donos de hotéis, hospedarias, casas ou estabelecimentos onde se albergue por dinheiro, 
mesmo para fins de educação, pelos seus hóspedes, moradores e educandos;
V - os que gratuitamente houverem participado nos produtos do crime, até a concorrente quantia.
Art. 933. As pessoas indicadas nos incisos I a V do artigo antecedente, ainda que não haja culpa 
de sua parte, responderão pelos atos praticados pelos terceiros ali referidos.
Assim, resumindo, temos que o possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se 
ou restituir-se da posse, por sua própria força, contanto que o faça logo.
Portanto, os atos devem ser imediatos.
E além disso, os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável à 
manutenção, ou restituição da posse.
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Como dito acima, o Código traz uma previsão de autotutela, sendo requisitos:
• a defesa seja imediata;
• o possuidor tome o cuidado para que as medidas não possam ir além do indispensável 
para a recuperação da posse, sob pena de abuso do direito.
Há ainda quem estabeleça diferença entre legítima defesa da posse do desforço imediato: 
a legítima defesa é antes do esbulho, ocorrendo na turbação da posse; o desforço imediato 
ocorre após o esbulho, pois já foi perdida a posse.
São apenas terminologias...
2 .5 . AQUISIÇÃo e trANSMISSÃo DA PoSSe2 .5 . AQUISIÇÃo e trANSMISSÃo DA PoSSe
Art. 1.204. Adquire-se a posse desde o momento em que se torna possível o exercício, em nome 
próprio, de qualquer dos poderes inerentes à propriedade.
Art. 1.205. A posse pode ser adquirida:
I - pela própria pessoa que a pretende ou por seu representante; - Direta
II - por terceiro sem mandato, dependendo de ratificação. – Indireta
Art. 1.206. A posse transmite-se aos herdeiros ou legatários do possuidor com os mesmos 
caracteres. (Princípio da Continuidade do Caráter da Posse)
Art. 1.207. O sucessor universal continua de direito a posse do seu antecessor; e ao sucessor 
singular (possível união - acessão) é facultado unir sua posse à do antecessor, para os efeitos 
legais.
A posse se transmite aos herdeiros ou legatários com os mesmos caracteres. O sucessor 
universal continua de direito a posse do seu antecessor. Já ao sucessor singular é facultado 
unir sua posse à do antecessor, para os efeitos legais.
Quando falamos de sucessão universal, nós estamos falando de maneira obrigatória, 
de uma sucessão por morte, ou seja, quando alguém falece, a posse dos bens dessa pessoa 
transmite-se imediatamente aos herdeiros.
Obrigatoriamente, os herdeiros continuam o exercício da posse do morto.
Já o sucessor a título singular é aquela transmissão intervivos quando alguém transmite 
o bem para você, e nesse caso você pode continuar a contar da posse da pessoa ou você 
pode zerar e começar sua posse do zero. Zerar o exercício da posse não retira a continuidade 
da característica da posse como ela foi adquirida.
Art. 1.208. Não induzem posse os atos de mera permissão ou tolerância assim como não 
autorizam a sua aquisição os atos violentos, ou clandestinos, senão depois de cessar a violência 
ou a clandestinidade:
Art. 1.209. A posse do imóvel faz presumir, até prova contrária, a das coisas móveis que nele 
estiverem. (Princípio da Gravitação Jurídica)
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 Obs.: O locador não pode tirar à força a pessoa do imóvel, ele tem que ter uma ordem 
judicial de despejo e quem leva esse mandato é um oficial de justiça mediante a 
atuação do locador. Se ele faz isso, gera reflexos no mundo criminal.
1 - Aquisição originária: contato imediato e direto da pessoa com a coisa - exemplo: 
res nullius;
2 - Aquisição derivada: tradição - quando passa de alguém para alguém
• Tradição real: entrega efetiva;
• Tradição simbólica: ato representativo da transferência da coisa - exemplo: quando 
se pega e entrega a chave do imóvel para a pessoa, a entrega da chave simboliza a 
entrada da posse do sujeito;
• Tradição ficta: presunção - traditio brevi manu (posse em nome alheio e passa a posse 
em nome próprio); constituto possessório (posse em nome próprio e passa em nome 
alheio). Exemplo: imagina que Roberta aluga um apartamento e posteriormente ela 
compra o apartamento, ela passa de possuidor direto para possuidor indireto (traditio 
brevi manu). Ou ela é a proprietária do apartamento, ela vende o apartamento para 
o João, mas ela continua morando no apartamento pagando aluguel para o João 
(constituto possessário).
JURISPRUDÊNCIA
Enunciado 77 JDC: A posse das coisas móveis e imóveis também pode ser transmitida 
pelo constituto possessório.
2 .6 . PerDA DA PoSSe2 .6 . PerDA DA PoSSe
A posse será perdida quando ela cessa, embora contra a vontade do possuidor.
Será considerada cessada a posse quando o possuidor perder o poder fático sobre o bem.
Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo 
notícia dele, abstém-se de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente 
repelido, como vimos.
Art. 1.223. Perde-se a posse quando cessa, embora contra a vontade do possuidor, o poder sobre 
o bem, ao qual se refere o art. 1.196.
Art. 1.196. Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno ou não, de 
algum dos poderes inerentes à propriedade.
Art. 1.224. Só se considera perdida a posse para quem não presenciou o esbulho, quando, tendo 
notícia dele, se abstém de retornar a coisa, ou, tentando recuperá-la, é violentamente repelido.
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• Abandono da coisa: derrelição - res derelictae (coisa abandonada);
• Tradição;
• Destruição da coisa;
• Constituto Possessório (aquisição e perda).
2.7. COMPOSSE – COMPOSSESSÃO2.7. COMPOSSE – COMPOSSESSÃO
Tem a ver com a posse exercida por mais de uma pessoa.
Composse é posse conjunta. Uma situação na qual duas ou mais pessoas exercerão 
poderes possessórios sobre a mesma coisa.
Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre ela 
atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores.
É possível ação possessória do compossuidor contra o outro compossuidor.
• Posses simultâneas;
• Condomínio de posses.
Art. 1.199. Se duas ou mais pessoas possuírem coisa indivisa, poderá cada uma exercer sobre 
ela atos possessórios, contanto que não excluam os dos outros compossuidores.
Art. 1.210. O possuidor tem direito a ser mantido na posse em caso de turbação, restituído no 
de esbulho, e segurado de violência iminente, se tiver justo receio de ser molestado.
§ 1º O possuidor turbado, ou esbulhado, poderá manter-se ou restituir-se por sua própria força, 
contanto que o faça logo; os atos de defesa, ou de desforço, não podem ir além do indispensável 
à manutenção, ou restituição da posse.
A composse pode ser classificada em:
• Composse pro indiviso - indivisível: compossuidores possuem apenas fração ideal 
da posse; Exemplo: uma casa cuja posse seja exercida por A, B e C, não se sabe qual 
é a parte de A, B e C e nem é possível no plano fático defini-la.
• Composse pro diviso - divisível: cada compossuidor tem a fração de posse determinada; 
Exemplo: imagina que João e Maria tem um condomínio horizontal e os lotes de cada 
um estão divididos por uma cerca.
2 .8 . PoSSe eM ÁreA PÚBlICA2 .8 . PoSSe eM ÁreA PÚBlICA
JURISPRUDÊNCIA
Súmula 637 STJ – O ente público detém legitimidade e interesse para intervir, 
incidentalmente, na ação possessória entre particulares, podendo deduzir qualquer 
matéria defensiva, inclusive, se for o caso, o domínio. (Súmula 637, CORTE ESPECIAL, 
julgado em 06/11/2019, DJe 11/11/2019).
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• Quem ocupa área pública é possuidor? Se for ocupação indevida será mero detentor, 
o detentor não é possuidor.
JURISPRUDÊNCIA
Súmula 619 STJ – A ocupação indevida de bem público configura mera detenção, de 
natureza precária, insuscetível de retenção ou indenização por acessões e benfeitorias. 
(Súmula 619, CORTE ESPECIAL, julgado em 24/10/2018, DJe 30/10/2018).
Se é detenção, você que está ocupando área pública pode ajuizar uma ação possessória Se é detenção, você que está ocupando área pública pode ajuizar uma ação possessória 
contra o poder público?contra o poder público?
Não, porque você não é possuidor.
Mas se você invade uma área pública aqui do DF, você não pode ajuizar uma ação para 
defender sua posse contra o DF, se o DF quiser retomar a área ele vai retomar, independente 
do tempo que você a ocupe.
Mas se você invadiu a área pública e já está lá e vem outro particular para invadir, aí 
você pode ajuizar ação possessória.
Suponha que você está em ação possessória contra o outro particular, em sede de ação 
possessória você não pode discutir propriedade. Na súmula 637, o poder público pode 
entrar nesse processo e alegar propriedade.
Ação possessória:
• Não: contra a Fazenda;
• Sim: contra outro particular; INFO 579 STJ Resp. 998.409 - Súmula 637 STJ: ente 
público detém legitimidade e interesse para intervir (qualquer matéria de defesa, 
inclusive propriedade).
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RESUMORESUMO
Amores, hoje conversamos a parte inicial de direito das coisas, precisamente a 
parte de posse.
Temas relevantes e muito abordados em prova...
Para resumir nossa aula...
De acordo com os ensinamentos do Professor Flávio Tartuce, temos que “Direito das 
Coisas é o ramo do Direito Civil que tem como conteúdo relações jurídicas estabelecidas 
entre pessoas e coisas determinadas ou determináveis. Como coisas, pode-se entender 
tudo aquilo que não é humano.”5
Para o civilista Pablo Stolze tal ramo “consiste em um conjunto de princípios e normas 
que disciplina a relação jurídica referente às coisas suscetíveis de apropriação pelo homem, 
segundo uma finalidade social.”6
Seguindo a doutrina, Carlos Roberto Gonçalves define que “coisa é o gênero do qual 
bem é espécie. É tudo o que existe objetivamente, com exclusão do homem. Segundo o art. 
202 do Código Civil português, “diz-se coisa tudo aquilo que pode ser objeto de relações 
jurídicas”. Coisas são bens corpóreos: existem no mundo físico e hão de ser tangíveis pelo 
homem (CC alemão, § 90; CC grego, art. 999).”7
Coisas: utilidades corpóreas (tangíveis, conseguimos tocar, ex: uma caneta) e incorpóreas 
(intangíveis, não conseguimos tocar, ex: programa de computador).
Coisas comportam os bens, de acordo com o Código Civil e os ensinamentos de Silvio 
Rodrigues:
Coisa é gênero - bem é espécie
• Coisa é tudo que não é pessoa - no Direito Civil dividimos em coisas ou pessoas;
• Bens são coisas com valor e que podem ser objeto de relação jurídica (ex.: uma caneta);
• Direito das coisas não pode ser considerado sinônimo de direitos reais;
• Ramo do Direito Civil que tem como conteúdo relação entre pessoas e coisas;
• Direito real é um conjunto de categorias jurídicas relacionadas, basicamente, à 
propriedade.
5 Tartuce, Flávio. Manual de direito civil: volume único / Flávio Tartuce. – 10. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: 
MÉTODO, 2020.
6 Stolze, Pablo; Pamplona Filho, Rodolfo Manual de direito civil – volume único / Pablo Stolze; Rodolfo Pamplona Filho. – 4. 
ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 2020.
7 Gonçalves, Carlos Roberto. Direito das coisas. - Direito civil brasileiro volume 5 – 15. ed. – São Paulo: Saraiva Educação, 
2020.
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De acordo com os ensinamentos de Flávio Tartuce temos que este doutrinador é filiado 
à corrente pela qual a posse é um direito de natureza especial, o que pode ser retirado da 
teoria tridimensional do Direito, de Miguel Reale. Isso porque a posse é o domínio fático 
que a pessoa exerce sobre a coisa. Ora, se o Direito é fato, valor e norma, logicamente a 
posse é um componente jurídico, ou seja, um direito.8
A posse pode decorrer de variadas situações a partir de um contrato ou não.
Há, ainda, duas correntes que procuram justificar a posse como categoria jurídica.
TEORIA SUBJETIVA: posse é o poder direto que a pessoa tem de dispor fisicamente de um 
bem com intenção de tê-lo para si; essa teoria dá relevância ao aspecto subjetivo da posse.
• Savigny;
• Posse é corpus (poder físico) e animus domini (intenção de ter a propriedade) - ex: 
posse no sentido de usucapião;• Se adotada essa teoria, não seriam possuidores o locatário, comodatário, depositário, 
etc., pois não haveria animus.
TEORIA OBJETIVA: a constituição da posse leva em consideração que a pessoa disponha 
da coisa - contato; para constituição da posse, basta que o sujeito disponha fisicamente da 
coisa. Corpus é formado pela atitude externa do possuidor em relação à coisa. O possuidor 
passa a agir, em relação à coisa, com intuito de explorá-la, inclusive economicamente.
8 Tartuce, Flávio. Manual de direito civil: volume único / Flávio Tartuce. – 10. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: 
MÉTODO, 2020.
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• Ihering
• Posse é corpus (poder físico/contato)
• Código Civil - artigo 1.196 do CC
 Obs.: A teoria adotada pelo Código Civil é a teoria objetiva de Ihering.
Art. 1.196. “Considera-se possuidor todo aquele que tem de fato o exercício, pleno 
ou não, de algum dos poderes inerentes à propriedade.”
Direito de propriedade: usar, gozar, dispor e reaver. O possuidor nunca vai poder dispor 
do bem, porque ele não é proprietário, o direito de dispor é exclusivo da propriedade.
Com esse exemplo fica fácil verificar os desdobramentos da posse em posse direta 
e indireta:
Direta: Contato
Indireta: Propriedade
A posse direta é o contato que João tem direto com o bem, ele é o locatário.
Já Alice, que é a proprietária terá a posse indireta.
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Posse = “Corpus” - Possuidor que exerce algum dos atributos da propriedade / domínio;
Detenção = não exerce posse própria, mas uma “posse” em nome alheio. Exemplo: caseiro.
Posse degradada = tem o contato, mas não se configura posse;
Detentor = Fâmulo da posse / Gestor da posse / Detentor dependente / Servidor da posse.
O detentor pode exercer atos de defesa da posse? Sim.
• 🍒 Enunciado 493 JDC - detentor pode, no interesse do possuidor, exercer a autodefesa 
da posse (autotutela - 1.210 CC);
Maria deixa o carro com o manobrista, a empresa do manobrista vai ter a posse com o 
contrato de depósito, mas o manobrista em si, é o detentor...
O mesmo funciona para: bibliotecário; soldados; detento; diretores de empresas; 
empregados.
A posse pode ser classificada como, segundo palavras de Flávio Tartuce9:
I – Quanto à relação pessoa-coisa ou quanto ao desdobramento da posse, levando-
se em conta o seu paralelismo (art. 1.197 do CC): a) Posse direta ou imediata – aquela 
que é exercida por quem tem a coisa materialmente, havendo um poder físico imediato. 
Como possuidores diretos podem ser citados o locatário, o depositário, o comodatário e o 
usufrutuário. b) Posse indireta ou mediata – exercida por meio de outra pessoa, havendo 
9 Tartuce, Flávio. Manual de direito civil: volume único / Flávio Tartuce. – 10. ed. – Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: 
MÉTODO, 2020.
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exercício de direito, geralmente decorrente da propriedade. Exemplos: locador, depositante, 
comodante e nu-proprietário.
II – Quanto à presença de vícios objetivos (art. 1.200 do CC): a) Posse justa – é a que não 
apresenta os vícios da violência, da clandestinidade ou da precariedade, sendo uma posse 
limpa. b) Posse injusta – apresenta os referidos vícios, pois foi adquirida por meio de ato 
de violência, ato clandestino ou de precariedade, nos seguintes termos: • Posse violenta – 
é a obtida por meio de esbulho, for força física ou violência moral (vis). A doutrina tem o 
costume de associá-la ao crime de roubo. Exemplo: movimento popular invade violentamente, 
removendo e destruindo obstáculos, uma propriedade rural produtiva, que está sendo 
utilizada pelo proprietário, cumprindo a sua função social. • Posse clandestina – é a obtida 
às escondidas, de forma oculta, à surdina, na calada da noite. É assemelhada ao crime de 
furto. Exemplo: movimento popular invade, à noite e sem violência, uma propriedade rural 
que está sendo utilizada pelo proprietário, cumprindo a sua função social. • Posse precária 
– é a obtida com abuso de confiança ou de direito (precario). Tem forma assemelhada ao 
crime de estelionato ou à apropriação indébita, sendo também denominada esbulho pacífico. 
Exemplo: locatário de um bem móvel que não devolve o veículo ao final do contrato.
III – Quanto à boa-fé subjetiva ou intencional (art. 1.201 do CC): a) Posse de boa-fé – 
presente quando o possuidor ignora os vícios ou os obstáculos que lhe impedem a aquisição 
da coisa ou quando tem um justo título que fundamente a sua posse. Orlando Gomes a 
divide em posse de boa-fé real quando “a convicção do possuidor se apoia em elementos 
objetivos tão evidentes que nenhuma dúvida pode ser suscitada quanto à legitimidade de 
sua aquisição” e posse de boa-fé presumida “quando o possuidor tem o justo título”. 31 b) 
Posse de má-fé – situação em que alguém sabe do vício que acomete a coisa, mas mesmo 
assim pretende exercer o domínio fático sobre esta. Neste caso, o possuidor nunca possui 
um justo título. De qualquer modo, ainda que de má-fé, esse possuidor não perde o direito 
de ajuizar a ação possessória competente para proteger-se de um ataque de terceiro.
IV – Quanto à presença de título: a) Posse com título – situação em que há uma causa 
representativa da transmissão da posse, caso de um documento escrito, como ocorre na 
vigência de um contrato de locação ou de comodato, por exemplo. b) Posse sem título – 
situação em que não há uma causa representativa, pelo menos aparente, da transmissão 
do domínio fático. Exemplo: alguém acha um tesouro, depósito de coisas preciosas, sem a 
intenção de fazê-lo. Nesse caso, a posse é qualificada como um ato-fato jurídico, pois não 
há uma vontade juridicamente relevante para que exista um ato jurídico.
V – Quanto ao tempo: a) Posse nova – é a que conta com menos de um ano e um dia, 
ou seja, é aquela com até um ano. b) Posse velha – é a que conta com pelo menos um ano 
e um dia, ou seja, com um ano e um dia ou mais.
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VI – Quanto aos efeitos: a) Posse ad interdicta – constituindo regra geral, é a posse 
que pode ser defendida pelas ações possessórias diretas ou interditos possessórios. 
Exemplificando, tanto o locador quanto o locatário podem defender a posse de uma 
turbação ou esbulho praticado por um terceiro. Essa posse não conduz à usucapião. b) 
Posse ad usucapionem – exceção à regra, é a que se prolonga por determinado lapso de 
tempo previsto na lei, admitindo-se a aquisição da propriedade pela usucapião, desde que 
obedecidos os parâmetros legais. Em outras palavras, é aquela

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