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LEGISLAÇÃO APLICADA AOS NEGÓCIOS E MERCADO Olá! O comércio exterior possui uma importância extrema para todos os países, já que nenhum deles consegue se sustentar sozinho, muito menos suprir as demandas de seu mercado interno. Com isso, será essencial compreender a situação e o contexto histórico do comércio exterior brasileiro. Nesta aula, iremos abordar sobre o comércio exterior no Brasil, observando como aconteceu seu desenvolvimento e a criação de suas tendências. Além disso, veremos quais são os órgãos que estão incluídos nesse setor e quais funções exercem. Por fim, iremos compreender a organização hierárquica do ramo de comércio exterior brasileiro. Bons estudos! AULA 2 – COMÉRCIO EXTERIOR NO BRASIL 2 ORGANIZAÇÃO E HISTÓRIA DO COMÉRCIO EXTERIOR DO BRASIL Tivemos nos anos 1980 o processo de redemocratização acompanhado por uma gradual e lenta recuperação da economia do Brasil, quando consideramos a estagnação que passou posteriormente. Nessa época, a política relacionada com o comércio exterior se baseava no incentivo à exportação e na administração das importações, com o intuito de atingir superávits comerciais. Ultemar (2008) afirma que o marco zero da reforma comercial brasileira ocorreu no ano de 1988, pois o governo abandonou a política de controle administrativo e quantitativo das importações. Alguns aspectos que favoreceram a abertura do comércio brasileiro foram o aumento na desregulamentação do mercado e o esgotamento do modelo de substituição das importações. O crescimento da globalização foi fundamental para esse processo nos anos 1990, tendo também o auxílio da Pice (Política Industrial e de Comércio Exterior) elaborada durante o governo de Fernando Collor. Essa política visava tornar a comercialização e a produção de serviços e bens mais eficiente diante a reestruturação e a modernização industrial. Após o impeachment de Collor, o cargo de presidente foi ocupado por Itamar Franco, que estabeleceu uma política externa cujo objetivo era integrar o Brasil ao sistema internacional democraticamente, procurando um desenvolvimento que considere as liberdades individuais e os direitos humanos. No ano de 1994, houve uma diminuição na tarifa das importações. No entanto, essa política prejudicou as empresas brasileiras por terem que concorrer e competir com os produtos importados. Como consequência, tivemos uma diminuição drástica nas alíquotas nominais médias de importação, indo de 30% no ano de 1990 e alcançando a marca de 13,9% em 1995. Com isso, as alíquotas de importação cresceram em diversos produtos não perecíveis, com o intuito de defender o mercado interno. Visando defender o mercado interno, diversos países adotaram políticas de barreira comercial denominadas “barreiras tarifárias”, que podiam ocorrer de vários modos, sendo o mais comum a taxação das exportações ou importações. Também tinham barreiras não tarifárias, que consistiam em limitações impostas às importações sem cobrar impostos, adotando outros métodos, como subsídios, quotas e proibições. Partindo para o governo do Fernando Henrique Cardoso, foram adotadas políticas para suprir os interesses da sociedade internacional, como a valorização dos direitos humanos, da democracia e do desenvolvimento sustentável. Essas políticas fizeram o Brasil retornar a receber investimentos diretos, proporcionando um avanço na infraestrutura nacional. No entanto, com a crise de 1997 e 1998 somadas com a privataria dos setores de base da indústria nacional frearam os investimentos e o crescimento do PIB. No ano de 2004, durante o governo Lula, tivemos uma continuação da política de comércio exterior, calcadas no incentivo às exportações brasileiras e impondo barreiras às importações, já que o desenvolvimento e o crescimento econômico estavam relacionados com o comércio internacional. Em relação a isso, Ultemar (2008) salienta que o propósito do governo Lula era alcançar a arrecadação de 100 bilhões de dólares em exportação, sabendo da relevância que o comércio exterior tinha no crescimento da economia brasileira, o que o fez lançar a PITCE (Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior) com o auxílio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ocupado por Luiz Fernando Furlan. O ministro Furlan tinha a intenção de alcançar a meta no ano de 2006 e, para isso, criou diversas políticas que auxiliaram no cumprimento da meta. Tais políticas visavam ajudar as micro, pequenas e médias empresas, se baseando no modelo italiano, com a maioria dessas empresas sendo responsáveis pela exportação. Mesmo tendo se consolidado a partir dos anos 1990, as transações externas do Brasil e de outros países começaram a diminuir a partir de 2014, pois foram seriamente afetados pela crise política e econômica que atingiu o mundo nesse período. 2.1 Atribuições dos órgãos que atuam no comércio exterior brasileiro O Brasil possui uma estrutura bem abrangente em relação ao comércio exterior, com funções referentes aos setores cambial, fiscal e administrativo. Atualmente, os principais órgãos que mediam as operações de comércio internacional são o Ministério das Relações Exteriores e o Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Em relação ao controle dos tributos que a União é encarregada, eles ficam a cargo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, se encarregando também dos incidentes relacionados com o comércio exterior e, nesse setor, suas competências estão descritas na Portaria n.º 430, de 9 de outubro de 2017 do Ministério da Fazenda, sendo elas: ➢ Execução e coordenação dos serviços de administração; ➢ Controle e fiscalização aduaneiros; ➢ A elaboração, aplicação e interpretação de políticas de melhoria da legislação aduaneira e tributária federal; ➢ Auxílio na elaboração da política aduaneira e tributária; ➢ Auxílio na negociação e na cooperação internacional; ➢ Exercício de acordos internacionais no sentido aduaneiro e tributário (RECEITA FEDERAL, 2017). Segundo Segre (2018), o Brasil ainda possui alguns sistemas de controle e informação da Secretaria da Receita Federal e descreve alguns dos principais a seguir: ➢ Radar: Uma ferramenta de avaliação e consulta de informações relacionadas com o comércio exterior, cujo principal objetivo é ajudar na escolha de produtos e mercados com maior probabilidade de impulsionar as exportações brasileiras. ➢ Siscomex: Consiste em um sistema que inclui atividades relacionadas com a SRF (Secretaria de Receita Federal), a Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e o Bacen (Banco Central do Brasil). Tais atividades incluem o acompanhamento, registro e controle das diversas etapas dos processos de comércio internacional. ➢ Alice: Uma sigla que significa “Análise das Informações de Comércio Exterior”, sendo um sistema de avaliação via internet, também denominada como Alice- Web. Foi elaborado em uma colaboração entre o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços com a Secex, visando atualizar a sistemática de compartilhamento e os modos de acessar os dados estatísticos tanto das importações quanto das exportações brasileiras. Um setor que responde ao Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, denominado Camex (Câmara de Comércio Exterior), tem como principal objetivo adotar, elaborar, administrar e implementar atividades e políticas relacionadas com os investimentos estrangeiros diretos, comércio exterior de serviços e bens, o financiamento das exportações e os investimentos brasileiros no exterior. O objetivo dessas práticas é incentivar o crescimento da competitividade e da economia do país em âmbito internacional. Segre (2018) afirma que o objetivo da Camexé elaborar, decidir e administrar atividades e políticas relacionadas com o comércio exterior de serviços e bens, no qual precisa ser consultada com antecedência em relação às matérias que deverão ser implementadas no comércio exterior, mesmo que sejam de responsabilidade de outros órgãos, com exceção das matérias relacionadas com o Banco Centro do Brasil e do Conselho Monetário Nacional em questão de regulação do mercado cambial e financeiro. Também conhecido como Itamaraty, o Ministério das Relações Exteriores possui as seguintes competências, considerando o anexo I do Decreto n.º 9.683, de 9 de janeiro de 2019: I — assistir direta e imediatamente o Presidente da República nas relações com Estados estrangeiros e organizações internacionais; II — política internacional; III — relações diplomáticas e serviços consulares; IV — participação em negociações comerciais, econômicas, financeiras, técnicas e culturais com Estados estrangeiros e organizações internacionais, em articulação com os demais órgãos competentes; V — programas de cooperação internacional; VI — apoio a delegações, comitivas e representações brasileiras em agências e organismos internacionais e multilaterais; VII — coordenação das atividades desenvolvidas pelas assessorias internacionais dos órgãos e das entidades da administração pública federal; VIII — promoção do comércio exterior, de investimentos e da competitividade internacional do País, em coordenação com as políticas governamentais de comércio exterior, incluída a supervisão do Serviço Social Autônomo Agência de Promoção de Exportações do Brasil — Apex-Brasil, e a presidência do Conselho Deliberativo da Apex-Brasil; IX — apoio ao Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República no planejamento e coordenação de deslocamentos presidenciais no exterior (BRASIL, 2019). Em relação ao já citado Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, possui as seguintes atribuições: ➢ Políticas referentes ao comércio exterior; ➢ Controle e fiscalização do comércio exterior; ➢ Execução e administração das atividades e dos programas relacionados com o comércio exterior; ➢ Emprego de recursos para defesa comercial; ➢ Auxílio nas negociações internacionais referentes ao comércio exterior. Já a Secex, sendo um setor que responde ao Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, sendo dividida em cinco departamentos, sendo eles o Decex, o Decoe, o Deax, o Decom e o Deint. Foi criado com a intenção de cumprir os seguintes objetivos: ➢ Implementação de modelos de política de financiamento de seguro, cambial e fiscal, de promoção comercial e de fretes e transporte; ➢ Auxílio nas negociações referentes aos convênios internacionais e negociação que envolvam acordo relacionados com o comércio exterior; ➢ Implementação de diretrizes que associem a implementação da ferramenta aduaneira com os objetivos gerais de política do comércio exterior; ➢ Sugestão de alíquotas para o imposto de importação e suas alterações; ➢ Elaboração de programas e propostas políticas de comércio exterior, assim como a determinação das regras exigidas para sua implementação; ➢ Execução de mecanismos de proteção comercial (SAGRE, 2018). O Deint (Departamento de Negociações Internacionais) responde ao Ministério da Economia, Indústria, Comércio Exterior e Serviços e à Secex, tendo como objetivo as negociações de natureza tarifária entre o Brasil, o Mercosul e outros países ou blocos econômicos fora da América Latina, assim como monitoramento e negociações relacionadas com barreiras não tarifárias e tarifárias. Já o Decom (Departamento de Defesa Comercial) exerce funções relacionadas com antidumping, defesa comercial, salvaguardas e medidas compensatórias. Com isso, o departamento fica a cargo de: ➢ Avaliar o mérito e a procedência de petições para abrir investigações de subsídios, de dumping e de salvaguardas visando proteger a produção nacional; ➢ Coordenar e sugerir a abertura de investigações para fundamentar a implementação de políticas compensatórias, antidumping e salvaguardas; ➢ Sugerir a implementação de políticas de proteção comercial descritas nos acordos específicos da OMC (Organização Mundial do Comércio); ➢ Monitorar os debates relacionados com a implementação e as normas de acordos de proteção comercial junto a OMC; ➢ Fazer parte de negociações internacionais relacionadas com a proteção comercial. Por sua vez, os Secoms (Setores de Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores) ficam distribuídos entre 104 consulados e embaixadas pelo mundo. Como atribuições, eles ficam responsáveis por divulgações e estudos com dados sobre oportunidades e negócios de investimento em seu local de atuação, bem como auxílio a empresas estrangeiras que almejam importar serviços ou produtos brasileiros, ou investir no Brasil. Também temos o Depla (Departamento de Planejamento e Desenvolvimento do Comércio Exterior), cujas atribuições são as seguintes: ➢ Monitorar e sugerir a implementação de programas e políticas de comércio exterior; ➢ Elaborar propostas de planejamento das práticas governamentais relacionadas com o comércio exterior; ➢ Executar e planejar programas para capacitar médias e pequenas empresas para atuação no comércio exterior; ➢ Monitorar os temas referentes ao desenvolvimento do comércio eletrônico e internacional; ➢ Planejar práticas direcionadas a logística de comércio exterior; ➢ Ofertar apoio administrativo e técnico para o Conselho Nacional das Zonas de Processamento e Exportação. Como uma parte do Camex, o Ministério da Fazenda age diretamente para gerar debates relacionados com os impactos macro e microeconômicos gerados pelas políticas comerciais no exterior e a forma como afetam a economia no Brasil. Sendo criado após a promulgação da Lei n.º 4.595 (BRASIL, 1964), o BCB (Banco Central do Brasil) consiste em uma autarquia federal relacionada com o Ministério da Fazenda. Em relação às suas funções, estão todas descritas no art. 164 da constituição, que se refere diretamente à lei supracitada. Entre essas funções, podemos citar a coordenação dos capitais estrangeiros, emissão de moeda metálica e moeda-papel, promoção da colocação de empréstimos externos ou internos como agente do governo federal e a promoção da estabilidade das taxas de câmbio, do funcionamento apropriado do mercado cambial e o equilíbrio no balanço dos pagamentos. Para finalizar, temos os órgãos anuentes, cuja função consiste em concordar, anuir ou discordar legalmente da saída, ou entrada de veículos, bens ou pessoas do país, isto é, cumprem o papel de avaliar a conformidade de um produto em específico com as leis nacionais. Dentre os órgãos anuentes, os mais conhecidos são o Ibama, a Anvisa e o Inmetro. 2.2 Organograma da estrutura brasileira de comércio exterior Antigamente, o órgão que se encarregava de decidir a aplicação das diretrizes do comércio era o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio). A partir de 2019, foi elaborada uma nova estrutura mediante uma reorganização administrativa, através da criação do Ministério da Economia, que engloba todas as funções cumpridas pelos ministérios do planejamento, da fazenda, da indústria, do desenvolvimento e gestão, dos serviços e do trabalho e do comércio exterior. Em meio a esse novo panorama, o Ministério da Economia possui atribuições para definir as diretrizes do comércio exterior. É formado por diversos órgãos de apoio, entre eles, a Secretaria Executiva da Camex, a Secretaria Especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, a Secex e a Sain (Secretaria de Assuntos Econômicos Internacionais). Podemos observar na imagem 1 como é o organograma da estrutura brasileira no comércio exterior. Imagem 1 – Organograma do comércioexterior Fonte: https://iplogger.com/20jg82 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. Decreto n.º 9.683, de 9 de janeiro de 2019. Aprova a estrutura regimental e o quadro demonstrativo dos cargos em comissão e das funções de confiança do Ministério das Relações Exteriores, remaneja cargos em comissão e funções de confiança e transforma Funções Comissionadas do Poder Executivo – FCPE. Diário Oficial da União. Brasília, 2019. BRASIL. Lei n.º 4.595, de 31 de dezembro de 1964. Dispõe sobre a Política e as Instituições Monetárias, Bancárias e Creditícias. Diário Oficial da União. Brasília, 1964. RECEITA FEDERAL. Portaria MF n.º 430, de 9 de outubro de 2017. Aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Diário Oficial da União. Brasília, 2017. SEGRE, G. (org.). Manual prático de comércio exterior. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2018. ULTEMAR, J. A. (org.). Gestão das relações econômicas internacionais e comércio exterior. São Paulo: Cengage Learning, 2008.