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Volumes respiratórios Apresentação Ato comum no cotidiano, a ventilação pulmonar é imprescindível em nossas vidas. Ela é a responsável pelo simples e fundamental movimento de inspirar e expirar, conhecido como respiração, que em repouso, realiza-se de 12 a 18 vezes por minuto. A ventilação pulmonar consiste na entrada de oxigênio e na saída de gás carbônico dos pulmões. No entanto, o que parece simples faz parte de uma estrutura que envolve inúmeros componentes como o centro respiratório, o sangue, os gases e os músculos. Além disso, a respiração é vital para a prática de exercício físico, que faz com que o corpo saia da homeostase. Com isso, o corpo precisa se adaptar a essa prática e dar respostas. Ao longo do tempo, esse processo traz benefícios ao corpo como a melhora da resistência e da capacidade oxidativa. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai entender como funciona o processo de ventilação pulmonar, bem como identificar os volumes e as capacidades do sistema respiratório. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Descrever o processo de ventilação pulmonar.• Identificar os volumes e as capacidades do sistema respiratório.• Definir os processos regulatórios da ventilação.• Desafio O sistema respiratório é vital para o bom funcionamento de todo o organismo. Apesar de muitas pessoas pensarem que o ensino dos sistemas do corpo humano pertence à disciplina de Ciências Biológicas, esse conteúdo, também, faz parte da Educação Física. Em Educação Física, devemos apresentar o conhecimento sobre o corpo e as transformações ocorridas pela prática do exercício físico. Como vemos, a relação do sistema respiratório com o exercício físico é muito estreita, pois, além de trazer benefícios ao funcionamento do sistema, cada exercício vai trazer peculiaridades distintas à ventilação pulmonar. Para ensinar como esse complexo sistema funciona, você, como coordenador do departamento de Educação Física, foi designado para pensar em duas aulas teórico-práticas sobre o sistema respiratório para uma turma de ensino fundamental dos anos finais. Infográfico Também conhecida como respiração, a ventilação pulmonar é um dos processos vitais para o bom funcionamento do organismo humano. Principal componente do processo regulatório da ventilação pulmonar, o centro respiratório é o comandante das ações de todo esse controle. Confira no Infográfico como ele atua, onde fica localizado e como se comunica com os demais elementos desse processo. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/7d4fde4e-cb91-43b9-8843-3146417f77de/60ac7e72-b67c-4787-a97c-fc38ff2c18d2.png Conteúdo do livro Os volumes respiratórios são indicativos do fluxo de ar presente em nosso organismo e de sua capacidade. Ele é controlado pelo sistema respiratório, a partir da entrada de oxigênio em nosso corpo. Na obra Fisiologia da atividade motora, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, leia o capítulo Volumes respiratórios, no qual você irá conhecer como se dá o processo de ventilação pulmonar a partir dos atos de inspiração e de expiração e as trocas gasosas, os inúmeros volumes, bem como as capacidades do sistema respiratório responsáveis pelo fluxo de ar e, por fim, como ocorre o controle da respiração no período de repouso e durante a prática de exercício físico. FISIOLOGIA DA ATIVIDADE MOTORA Juliano Vieira da Silva Volumes respiratórios Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Descrever o processo de ventilação pulmonar. � Identificar os volumes e as capacidades do sistema respiratório. � Definir os processos regulatórios da ventilação. Introdução A ventilação pulmonar é um dos processos mais importantes produzidos pelo corpo humano. No entanto, para conhecermos bem como funcio- nam suas fases, é necessário relembrarmos as funções e os elementos que caracterizam o sistema respiratório, sistema responsável pela respiração. Esse sistema, além de ser responsável pela inspiração e expiração e pelo controle da ventilação, tem volumes e capacidades que são igualmente importantes para o processo de ventilação pulmonar, pois tratam da quantidade de ar em cada um desses dois processos. Neste capítulo, você vai conhecer o processo de ventilação pulmonar, bem como identificar os volumes e as capacidades do sistema respiratório e aprender como ocorrem os processos regulatórios da ventilação. Ventilação pulmonar Também conhecida como respiração, a ventilação pulmonar é um dos processos vitais para o bom funcionamento do organismo humano. Esse processo ocorre por meio do sistema respiratório que é formado por fossas nasais, boca, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares, sendo que os três últimos ficam na parte interna dos pulmões. Vamos relembrar como funciona o sistema respiratório e qual a função e as características de cada um dos seus componentes, assistindo ao vídeo do Professor Paulo Jubilut. https://goo.gl/E4NqaC Agora, vamos abordar a ventilação pulmonar, que, como dito anteriormente, é conhecida como respiração. Kenney, Wilmore e Costill (2013, p. 164) definem o processo de ventilação pulmonar “[...] pelo qual mobilizamos o ar para dentro e para fora de nossos pulmões”. Os autores afirmam que o “[...]normalmente, o ar é transportado para os pulmões através do nariz, embora a boca também deva ser utilizada quando a demanda por ar exceder a quantidade que pode ser confortavelmente obtida através das narinas” (KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013, p. 164). A ventilação pulmonar depende da interação dos compartimentos toráci- co e abdominal, na medida em que no processo respiratório é necessário o recrutamento de algumas estruturas anatômicas que compõem a parede torácica, como os tecidos responsáveis pela realização do ciclo ventilatório de inspiração e expiração (PRESTO; PRESTO, 2005; SARRO, 2007 apud JACOBS et al., 2014, p. 6). Ou seja, a anatomia dos mais variados elementos do sistema respiratório como dos pulmões, os sacos pleurais e o diafragma vão determinar o fluxo do ar que ocorre para dentro e para fora dos pulmões, chamada de inspiração e expiração. A inspiração é a entrada de oxigênio nos pulmões. Kenney, Wilmore e Costill (2013) definem inspiração como um processo ativo que envolve o músculo diafragma e os músculos intercostais externos, pois durante esse processo, as costelas e o esterno são mobilizados pelos músculos intercostais externos. Sendo assim, “[...] o diafragma abaixa e as costelas elevam-se, pro- movendo o aumento da caixa torácica, com consequente redução da pressão interna (em relação à externa), forçando o ar a entrar nos pulmões” (NEVES; FERREIRA; COSTA, [2005?], p. 7). Volumes respiratórios2 O diafragma é considerado o músculo mais importante do processo inspiratório. Powers e Howley (2014) classificam-no como o único músculo esquelético essencial à vida. Ele se insere nas costelas inferiores e é inervado pelo nervo frênico. Na contração, o diafragma força os conteúdos abdominais para baixo e as costelas para fora, causando a expansão dos pulmões e diminuindo a pressão intrapulmonar, o que possibilita o fluxo de ar para dentro dos pulmões (POWERS; HOWLEY, 2014) O segundo processo da ventilação pulmonar é a expiração, que consiste na saída de gás carbônico dos pulmões. Kenney et al. definem expiração como o “[...] processo passivo que envolve o relaxamento dos músculos inspiratórios e o recuo elástico do tecido pulmonar” (KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013, p. 165). Nessa fase, mais uma vez se nota a presença do músculo do diafragma, pois ele relaxa e, com isso, retorna para sua posição superior arqueada normal, o mesmo ocorrendo com as costelas, os músculos intercos- tais externos e o esterno. Associado a isso, ainda, existe uma contração damusculatura abdominal, responsável por “empurrar” as vísceras para dentro da cavidade abdominal, e, consequentemente, empurrar a caixa torácica para cima (KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013). Para os autores, “[...] enquanto esse processo ocorre, a natureza elástica do tecido pulmonar possibilita que ele recue para seu volume em repouso. Isso aumenta a pressão nos pulmões e causa uma redução proporcional no volume torácico, e assim, o ar é forçado para fora dos pulmões” (KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013, p. 165). Na Figura 1, Powers e Howley (2014) apontam que, para que ocorra a ex- piração, nenhum esforço muscular ocorre. Os autores sublinham que tanto os pulmões como as paredes abdominais são elásticas e tendem voltar à posição de equilíbrio após se expandirem durante a inspiração. 3Volumes respiratórios Figura 1. Principais músculos da inspiração (à esquerda) e da expiração (à direita). Fonte: Powers e Howley (2014, p. 223). Músculos da inspiração Músculos da expiração Estemocleidomastóideo Escalenos Intercostal externo Intercostal interno Intercostal interno Diafragma Oblíquo externo do abdome Oblíquo interno do abdome Transverso do abdome Reto do abdome O transporte dos gases respiratórios (oxigênio e gás carbônico) é realizado pelo sangue. O oxigênio é transportado pela hemoglobina, uma proteína pre- sente nas hemácias. Neves, Ferreira e Costa ([2005?]) afirmam que cada molé- cula de hemoglobina se combina com 4 moléculas de gás oxigênio, formando a oxi-hemoglobina. Chegando aos alvéolos pulmonares, o oxigênio se difunde-se para os capilares sanguíneo e combina-se com as hemácias, enquanto o gás carbônico (CO2) é liberado para o ar (processo chamado hematose). Nos tecidos ocorre um processo inverso: o gás oxigénio dissocia-se da hemo- globina e difunde-se pelo líquido tissular, atingindo as células. A maior parte do gás carbónico (cerca de 70%) liberado pelas células no líquido tissular penetra nas hemácias e reage com a água, formando o ácido carbônico, que logo se dissocia e dá origem a iões H+ e bicarbonato (HCO3-), difundindo-se para o plasma sanguíneo, onde ajudam a manter o grau de acidez do sangue. Cerca de 23% do gás carbônico liberado pelos tecidos associam-se à própria hemoglobina, formando a carboemoglobina. O restante dissolve-se no plasma (NEVES; FERREIRA; COSTA, [2005?], p. 9). Veja a seguir a Figura 2. Volumes respiratórios4 Figura 2. Ciclo de trocas gasosas no corpo humano. HbO2 Hb + O2 O2 + Hb Hb Hb Hb O2 Alvéolo Tecidos O2 Neste tópico, você identificou os componentes do sistema respiratório, o conceito de ventilação pulmonar, como ocorrem as fases de inspiração e expiração e os principais músculos envolvidos. Ainda, por fim, vimos como são realizadas as trocas gasosas. Na sequência, você vai conhecer os volumes e as capacidades do sistema respiratório. Volumes e capacidades do sistema respiratório Este tópico tem por objetivo apresentar os volumes e as capacidades do sistema respiratório. Por volumes respiratórios entende-se a quantidade de ar inspirado e expirado. A variável dessa quantidade provoca mudanças nos volumes do sistema respiratório. Para se medir os volumes pulmonares, se utiliza uma técnica chamada de espirometria. Powers e Howley (2014, p. 225) afirmam que “[...] usando este procedimento, o paciente respira dentro de um dispositivo que é capaz de medir os volumes de ar expirado e inspirado. Os espirômetros modernos empregam tecnologia computadorizada para medir os volumes pulmonares e a velocidade dos fluxos de ar expirado”. 5Volumes respiratórios O espirômetro, aparelho utilizado para realizar a espirometria, é um aparelho que contém uma campânula cheia de ar, que fica parcialmente submersa em água. Há um tubo que se estende desde a boca do paciente por baixo d’água e emerge no interior da campânula. Conforme a pessoa expira, o ar flui pelo tubo até o interior da campânula, provocando sua elevação (KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013). Atualmente já há aparelhos portáteis. Esse aparelho, além de medir o fluxo de ar, serve para identificar algumas doenças respiratórias e pulmonares, tais como bronquite, asma e enfisema pulmonar. O fluxo de ar tem diversos volumes e capacidades pulmonares e conhecê- -los nos permite compreender melhor a fisiologia respiratória. Vejamos, agora, cada um desses volumes e capacidades. A primeira expressão importante a ser conhecida, em relação ao volume e às capacidades, é o volume corrente (VC). Por VC entende-se a quantidade de ar que entra e sai dos pulmões a cada respiração, ou seja, é a quantidade inalada ou exalada durante uma respiração considerada tranquila. Os valores típicos em repouso são de 400-600 ml, havendo aumento durante o exercício. Powers e Howley (2014) apontam que, além do VC, há o volume de reserva inspiratório (VRI) e o volume de reserva expiratório (VRE). O VRI consiste na quantidade de ar em adicional ao volume corrente que pode ser inalada em esforço máximo. Durante a prática de exercício, há a redução desse volume. Já o VRE seria a quantidade de ar em excesso do VC que pode ser exalado em esforço máximo. Assim como o VRI, o VRE igualmente reduz durante a prática do exercício. Outra expressão importante para a ventilação pulmonar é capacidade vital (CV). Kenney, Wilmore e Costill (2013) definem a CV como a maior quantidade de ar que pode ser inspirada e expirada, ambas em esforço máximo. Já a capacidade vital forçada (CVF) é o volume máximo de ar exalado com esforço máximo, a partir do ponto de máxima inspiração. Esse esforço máximo pode ser uma prática intensa de exercícios físicos que exige uma maior ventilação por parte do sistema respiratório. Já o volume expiratório forçado no tempo (VEFt) representa o volume de ar exalado num tempo especificado durante a manobra de CVF, sendo que o volume de ar exalado no primeiro segundo da manobra de CVF se chama volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF1). Volumes respiratórios6 Os autores ressaltam que, mesmo após uma expiração máxima, um pouco de ar permanece nos pulmões. Essa quantidade de ar que lá permanece chama-se volume residual. Powers e Howley (2014) apontam que essa quantidade de ar jamais pode ser voluntariamente exalada para evitar que ocorra um colapso nas paredes finas dos alvéolos pulmonares. Esse volume sofre uma ligeira redução durante a prática de exercício. O mesmo autor aponta que a soma entre todos os volumes se chama capa- cidade pulmonar total (CPT). Powers e Howley (2014) ainda apontam mais duas importantes capacidades: a capacidade inspiratória (CI) e a capacidade residual funcional (CRF). A CI consiste na quantidade de ar que pode ser inalada após uma expiração normal, enquanto a CRF é a quantidade de ar que permanece nos pulmões após uma expiração normal. Tanto a CPT quanto a CV sofrem ligeira redução durante o exercício, enquanto a CI sofrerá um aumento. A capacidade pulmonar estabelece importantes relações com o consumo de oxigênio durante a prática de exercícios físicos, pois, ao sabermos da necessidade de absorver oxigênio durante a atividade, estamos nos referindo à capacidade pulmonar de sorver os gases no ambiente. Para se atingir um bom rendimento, é necessário aumentar a capacidade pulmonar de introduzir o ar ambiente e, consequentemente, o gás oxigênio para dentro dos pulmões, mostrando-se vital nesse processo a ação do diafragma e dos demais músculos respiratórios do abdome para atingir um nível eficiente de VO2 a partir da melhora da capacidade pulmonar. No entanto, há casos de grupos especiais ou relativos a patologias, em que a relação com os volumes e as capacidades pulmonares são diferentes, exigindo eficácia do treinamento inspiratório. Barreto (2002) aponta que no envelhecimento, por exemplo, ocorre uma progressiva capacidade funcional pulmonar, que se mantém, entretanto, em condições de proporcionar um adequado intercâmbio de gases, mesmo em idades extremas em indivíduos saudáveis.Fonseca et al. (2016) sublinham que, ao se utilizar o treinamento muscular respiratório, apresentam autonomia e melhoria funcional do idoso, sendo também eficaz para recuperação dos valores de pressão inspiratória máxima, pressão expiratória máxima, volume corrente e pico de fluxo expi- ratório. Além disso, há a prevenção relativa a doenças respiratórias a partir do treinamento dos inspiratórios e expiratórios. Veja a Figura 3 a seguir. 7Volumes respiratórios Figura 3. Volumes e capacidades pulmonares medidas por espirometria. Fonte: Volumes... ([200-?]). Papel Capacidade vitalCapacidade pulmonar total 8 6 4 2 0 Li tr os Volume corrente Capacidade residual funcional Volume residual Caneta Espirômetro Powers e Howley (2014) apresentam um exemplo de quantidade de ar nos pulmões de um adulto jovem do sexo masculino pesando 70 kg. Veja no Quadro 1. Fonte: Powers e Howley (2014). Medida Valor típico (ml) Volume corrente 500 Volume de reserva inspiratório 3000 Volume de reserva expiratório 1200 Volume residual 1300 Capacidade vital 4700 Capacidade inspiratória 3500 Capacidade residual funcional 2500 Capacidade pulmonar total 6000 Quadro 1. Quantidade de ar nos pulmões de um homem jovem que pesa 70 kg Volumes respiratórios8 Neste tópico, vimos os volumes, as capacidades do sistema respiratório e a espirometria, que é a forma em que eles são quantificados por meio de exames. A seguir, apresentaremos como ocorrem os processos regulatórios da respiração. Processos regulatórios da ventilação Este tópico abordará os processos regulatórios da ventilação, ou seja, como ocorre o controle da respiração pelo nosso organismo. Essas regulações ocorrem durante o período de repouso e durante a prática de exercício e são fundamentais para a manutenção da homeostase corporal. Powers e Howley (2014) e Kenney, Wilmore e Costill (2013) apontam que, embora tenha havido muitos estudos sobre o processo regulatório da ventilação, esse controle ainda não ficou totalmente esclarecido. Por isso, caro cursista, vamos apresentar o que até aqui se sabe sobre o controle da respiração. Kenney, Wilmore e Costill (2013) apontam que quem controla a movi- mentação da ventilação é o centro respiratório, que fica localizado no tronco encefálico (bulbo e ponte). O centro respiratório vai estabelecer a frequência e a profundidade da respiração, enviando impulsos periódicos para os músculos respiratórios (KENNEY; WILMORE; COSTILL, 2013). Quem controla de forma automática a respiração é um centro nervoso, que fica localizado no bulbo, sendo que a partir desses centros saem os nervos responsáveis pela contração dos músculos respiratórios – diafragma e inter- costais. Esse centro também faz a transmissão dos sinais nervosos por meio da coluna espinhal para os músculos já citados, sendo que o diafragma recebe esses sinais via um nervo especial, chamado de nervo frênico, que deixa a medula espinhal na metade superior do pescoço e dirige-se para baixo, por meio do tórax até o diafragma. Já os músculos expiratórios recebem os sinais da porção baixa da medula espinhal que enervem os músculos, sendo que os impulsos iniciados pela estimulação psíquica ou sensorial do córtex cerebral podem afetar a respiração (NEVES; FERREIRA; COSTA, [2005?]). Em repouso, a frequência respiratória varia entre 10 e 15 movimentos por minutos. Sobre a frequência da ventilação, Neves, Ferreira e Costa apontam: Em condições normais, o centro respiratório (CR) produz, a cada 5 segundos, um impulso nervoso que estimula a contração da musculatura torácica e do diafragma, fazendo-nos inspirar. O CR é capaz de aumentar e de diminuir tanto a frequência como a amplitude dos movimentos respiratórios, pois possui 9Volumes respiratórios quimiorreceptores que são bastante sensíveis ao pH do plasma. Essa capacidade permite que os tecidos recebam a quantidade de oxigénio que necessitam, além de remover adequadamente o gás carbónico. Quando o sangue se torna mais ácido devido ao aumento do gás carbónico, o centro respiratório induz a aceleração dos movimentos respiratórios. Dessa forma, tanto a frequência quanto a amplitude da respiração tornam-se aumentadas devido à excitação do CR (NEVES; FERREIRA; COSTA, [2005?], p. 11). Os quimiorreceptores são extremamente sensíveis e são capazes de de- tectar as pressões de oxigênio e gás carbônico pelo corpo. Eles encontram-se distribuídos nos corpúsculos carotídeos – localizados na divisão da artéria carótida, comum em externa e interna – e aórticos – pequenos corpúsculos espalhados entre o arco aórtico e a artéria pulmonar. São eles que, na inspi- ração, estimulam junto com os músculos ativos o centro respiratório para que o diafragma contraia. Quando estamos praticando exercícios ou acontece alguma situação de estresse ou de elevação emocional, há a aceleração dos movimentos respi- ratórios, podendo ocorrer a hiperventilação. Quando em repouso, ocorre o contrário, ou seja, ocorre a diminuição da ventilação e a amplitude respiratória. Essa regulação ocorre a partir dos centros cerebrais superiores que enviam mensagens aos centros de controle respiratório para que mantenha a respiração conforme a necessidade do organismo. Com a atividade física vigorosa, há a queda de oxigênio e aumento de gás carbônico. Os quimiorreceptores vão mandar mensagem ao centro, que irá aumentar o comando sobre os músculos da respiração, aumentando suas contrações e, por consequência, o fluxo de entrada e saída de ar dos pulmões. Com maior ventilação de ar nos pulmões, o sangue é mais oxigenado e o gás carbônico é eliminado, corrigindo os teores no sangue e assegurando o aporte adequado aos músculos em exercício. Cabe dizer que, assim como os músculos esqueléticos locomotores, os músculos respiratórios se adaptarão ao treinamento ou ao exercício físico regular. Conforme o aluno ou o atleta vai realizando atividades de forma contínua, o exercício vai provocar um aumento da capacidade oxidativa do músculo respiratório e também a melhora da resistência muscula respiratória. Além disso, novos estudos vêm apontando que os exercícios físicos também aumentam a capacidade oxidativa dos músculos das vias superiores e isso é extremamente importante, pois especialmente esses músculos exercem papel vital na manutenção das vias aéreas abertas para diminuição do trabalho respiratório durante a prática do exercício físico. Volumes respiratórios10 O aumento da respiração ocorre em outro caso especial, como o caso da altitude. É comum vermos atletas, ao participarem de competições em cidades com alto nível de altitude (onde há menos oxigênio na atmosfera), chegarem a esses locais com alguns dias de antecedência para que os quimiorreceptores das artérias carótida e aorta sejam estimulados e enviem sinais para aumentar a frequência respiratória. A mesma situação ocorre em casos de pneumonia ou demais doenças respiratórias. Durante a prática de exercício o aumento da ventilação ocorre por uma interação da estimulação neural e quimioceptora como o centro de controle respiratório, sendo que os mecanismos neurais eferentes dos centros cerebrais superiores (comando central) fornecem o impulso primário para a respiração durante o exercício. Assim ocorre um feedback quimiorreceptor humoral e neural dos músculos em trabalho, constituindo um meio de compatibilizar precisamente a ventilação com a quantidade de dióxido de carbono produzida via metabolismo (POWER; HOWLEY, 2014). Veja a seguir a Figura 4. Figura 4. Resumo do controle respiratório durante o exercício. Fonte: Powers e Howley (2014, p. 240). Centros cerebrais superiores Impulso primário para aumentar a ventilação durante o exercício *Quimioceptores periféricos Centro de controle respiratório (bulbo) Músculo esquelético Quimioceptores * Mecanoceptores Músculos respiratórios * Atuam no ajuste �no da ventilação durante o exercício. 11Volumes respiratórios Kenney, Wilmore e Costill (2013) apontamque, além dos quimiorrecepto- res, outros mecanismos respiratórios influenciam no processo de ventilação: as pleuras, os bronquíolos e o alvéolos pulmonares. Eles contêm receptores de estiramento e, quando esticados, essa informação é passada ao centro expiratório. Esse centro responde encurtando a duração da inspiração, o que diminui o risco de superinflação das estruturas respiratória. Essa resposta é conhecida como reflexo de Hering-Breuer. Veja a Figura 5 a seguir. Figura 5. Visão geral dos processos envolvidos na regulação ventilatória. Fonte: Kenney, Wilmore e Costill (2013, p. 177). Inspiração Expiração 1 2 3 4 Estímulo: Quimioceptores centrais (PCO2, pH), quimioceptores periféricos (PO2, PCO2, pH) e sinais dos músculos ativos estimulam o centro inspiratório. Resposta: Os músculos intercostais externos e o diafragma se contraem, aumentando o volume do tórax e puxando ar para dentro dos pulmões. Centro inspiratório Centro expiratório Estímulo: O alongamento dos pulmões estimula o centro expiratório. Resposta: Os músculos intercostais e abdominais se contraem, fazendo com que o volume torácico diminua e force o ar para fora dos pulmões. Neste capítulo, você viu os principais elementos do sistema respiratório e como ocorre o processo de ventilação pulmonar, também conhecido como respiração. Esse processo se dá pela inspiração (entrada de oxigênio) e expi- Volumes respiratórios12 ração (saída de gás carbônico dos pulmões). Também vimos como ocorrem as trocas gasosas, sendo que o transporte desses gases é realizado pelo sangue. Na sequência, vimos os volumes e as capacidades pulmonares. Por volumes respiratórios entende-se a quantidade de ar inspirado e expirado e eles são medidos por meio da espirometria. Também vimos que a quantidade de ar nos pulmões, tanto na inspiração quanto na expiração, é variável dependendo do peso, do sexo, da idade, etc. Por fim, conhecemos como funciona o processo regulatório de ventilação, ou seja, o controle da respiração, que é feito pelo centro respiratório. O centro respiratório vai estabelecer a frequência e a profundidade da respiração, enviando impulsos periódicos para os músculos respiratórios. Durante o exer- cício, ocorre um aumento da frequência da respiração em razão da interação da estimulação neural e quimioceptora com o centro de controle respiratório. Função elementar no organismo, o sistema respiratório exerce importante papel no exercício físico. O professor de educação física deve saber que esse processo é fundamental para montar um programa de treino ou escolher deter- minada atividade e condicionar os músculos. A partir de adaptações iniciais, deve provocar melhora da resistência e da capacidade oxidativa muscular. BARRETO, S. Volumes pulmonares. Journal of Pneumologia, v. 28, supl. 3, p. S83-S94, out. 2002. Disponível em: . Acesso em: 28 nov. 2018. FONSECA, M. et al. Efeitos de programas de treinamento muscular respiratório na força muscular respiratória e na autonomia funcional de idosos. Memorialidades, n. 25/26, p. 89-118, 2016. Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2018. JACOBS, M. et al. Ventilação pulmonar e sua relação com medidas do quociente res- piratório e percentual de gordura: estudo preliminar. Revista Jovens Pesquisadores, v. 4, n. 2, p. 8-14, 2014. Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2018. KENNEY, W.; WILMORE, J.; COSTILL, D. Fisiologia do esporte e do exercício. 5. ed. Barueri, SP: Manole, 2013. NEVES, L.; FERREIRA, M.; COSTA, R. Sistema respiratório. [2005?]. Disponível em: . Acesso em: 27 nov. 2018. 13Volumes respiratórios POWERS, S.; HOWLEY, E. Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 8. ed. Barueri, SP: Manole, 2014. VOLUMES e capacidades pulmonares. [200-?]. Disponível em: . Acesso em: 28 nov. 2018. Volumes respiratórios14 Conteúdo: Dica do professor Cerca de cinco milhões de brasileiros têm a doença pulmonar obstrutiva crônica, conhecida como DPOC. Essa doença afeta o sistema respiratório, inclusive, o sobrecarregando. Confira na Dica do Professor como o exercício físico pode trazer benefícios às pessoas com DPOC. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/daa92f2f9a80295a2117435e7235a7f6 Exercícios 1) O sistema respiratório é o responsável por todo o processo da ventilação pulmonar – inspiração e expiração – e pelo controle da respiração. Sobre a composição desse sistema é correto afirmar: A) É formado pelas fossas nasais, boca, faringe, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares. B) É formado pelas fossas nasais, boca, faringe, esôfago, laringe, traqueia e pulmões. C) É formado pelas fossas nasais, boca, faringe, esôfago, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e pulmões. D) É formado pelas fossas nasais, boca, faringe, esôfago, traqueia, brônquios, bronquíolos e alvéolos pulmonares. E) É formado pelas fossas nasais, boca, faringe, rins, laringe, traqueia, brônquios, bronquíolos e pulmões. 2) O músculo mais importante do processo inspiratório, o diafragma, tem algumas funções e características na ventilação pulmonar. Sobre as ações desse músculo é correto dizer: A) Contrai-se no processo de expiração. B) Na inspiração é um músculo ativo realizando esse processo junto aos músculos intercostais. C) Insere-se nas costelas superiores e é inervado pelos nervos frênicos. D) Na contração, o diafragma força os conteúdos abdominais para baixo e as costelas para dentro, causando a expansão dos pulmões e diminuindo a pressão intrapulmonar, o que possibilita o fluxo de ar para dentro dos pulmões. E) Na contração, o diafragma força os conteúdos abdominais para baixo e as costelas para fora, causando a expansão dos pulmões e aumentando a pressão intrapulmonar, o que possibilita o fluxo de ar para dentro dos pulmões. O processo da ventilação ocorre por meio de duas fases: a inspiração e a expiração. Tanto na fase de inspiração quanto na fase de expiração, a ação de órgãos e de músculos é 3) fundamental. Sobre a ação dos músculos, em ambas as fases, é correto dizer que: A) Os músculos intercostais interno e externo atuam na expiração. B) O transverso e o reto do abdome atuam diretamente na inspiração. C) Os oblíquos externos e internos atuam na inspiração. D) O intercostal interno é o único músculo que atua diretamente nas duas fases. E) O diafragma tem função secundária na fase de inspiração. 4) Volumes respiratórios se referem a quantidade de ar expirado e inspirado. Essa quantidade é muito variável e pode provocar mudanças. Na literatura atual, encontramos quatro tipos de volumes. Sobre eles é correto dizer: A) Volume corrente é a quantidade de ar que entra nos pulmões. B) Volume de reserva inspiratório é a quantidade de ar em excesso do volume corrente que pode ser exalada em esforço máximo. C) Volume de reserva expiratório é a quantidade de ar em excesso do volume corrente que pode ser inalada em esforço máximo. D) Volume residual é a quantidade de ar que sai dos pulmões na respiração. E) A soma de todos os volumes chama-se capacidade pulmonar total. 5) O processo regulatório da respiração consiste no controle da respiração pelo nosso organismo. Essas regulações ocorrem durante o período de repouso e durante a prática de exercício e são fundamentais para a manutenção da homeostase. Sobre esse processo é correto afirmar: A) É controlado pelo centro respiratório que fica no cérebro. B) O centro respiratório vai estabelecer a frequência e a profundidadeda respiração, enviando impulsos periódicos para os músculos respiratórios. C) O bulbo é quem controla a respiração. D) Os sinais nervosos são transmitidos desse centro por meio da coluna vertebral para os músculos da respiração. E) Os sinais para os músculos expiratórios, especialmente os músculos abdominais, são transmitidos para a porção alta da medula espinhal, para os nervos espinhais que inervam os músculos. Na prática Trabalhar a respiração na escola também é importante. Um dos exercícios que pode ser alvo dessa temática é por meio da ioga. Por meio dessa atividade, o professor pode promover uma aula sobre ventilação e mostrar outros benefícios ao aluno. Acompanhe neste Na Prática como a respiração pode ser trabalhada pela prática da ioga. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/1c928654-bce2-4e3b-96a9-b1a3f7406905/49e1340f-5928-4f61-9688-9955b9d85b6a.png Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Regulação da ventilação Veja, no vídeo a seguir, como funciona o controle da ventilação em diferentes cargas de trabalho. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Saiba como funciona o controle da respiração durante o exercício físico Leia nesta reportagem como ocorre a regulação da ventilação pulmonar durante o exercício físico. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. A variabilidade da ventilação durante teste cardiopulmonar de exercício é maior em homens sedentários do que em atletas Neste artigo, os autores discutem a variabilidade da ventilação pulmonar comparando atletas e pessoas sedentárias. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/embed/wW1c2_j6FQo http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/saude/noticia/2015/02/saiba-como-funciona-o-controle-da-respiracao-durante-o-exercico-fisico.html http://www.arquivosonline.com.br/2017/10903/pdf/10903002.pdf