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Educação do Campo no Brasil: História, Manifesto dos Pioneiros e Desafios Viviane Ferreira Ramalho1 A educação brasileira durante muito tempo esteve pautada em duas vertentes: uma voltada para a elite e a outra com viés civilizatório, herança deixada pelos padres jesuítas. A segunda vertente tinha como alvo os excluídos, isto é, os que não se encaixavam no grupo dos nobres. No que concerne a educação do campo durante muito tempo houve negligência, visto que o contexto da modernização imbricou a agricultura à industrialização propiciando que ocorresse o movimento migratório do campo para a cidade, e assim as escolas campesinas foram cada vez mais vistas como desnecessárias, dado que a cidade passou a representar o progresso enquanto a vida no campo foi sendo reputada como obsoleta. Todavia, o Brasil passa por transformações e uma reformulação no ensino - aprendizagem começa a ser discutida, a partir daí surge a Pedagogia Nova trazendo concepções de novos modelos a ser seguido e que romperia, portanto, com os antigos que já não eram mais oportunos diante de um novo cenário político e ideológico. O projeto embrionário da Pedagogia Nova ganha força com a criação do Manifesto dos Pioneiros que defende uma escola democrática, isto é, laica e gratuita, desse modo os partidários que buscavam por uma mudança no panorama atual da educação apoiam a imprescindibilidade de um ensino contextualizado, ou seja, inerente à realidade do educando e que, portanto, fosse significativo a esse. Logo, a partir dessa perspectiva a pedagogia voltada para os camponeses ganha um novo prisma, posto que passa a ser vista como um ensino que deve valorizar as peculiaridades da vida no campo. Deste modo, tais eventos inspiram a criação da Educação do Campo como sendo uma educação específica para esses sujeitos, cidadãos rurais, que deixam de ser vistos como indivíduos incivilizados e passam a ter os seus saberes e costumes valorizados. 1 Formada em Pedagogia