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GESTÃO DA INOVAÇÃO E LABORATÓRIO DE STARTUP AULA 3 – TIPOS DE INOVAÇÃO Olá, A inovação é uma força vital para o crescimento e sucesso de uma empresa ou organização. Ela é o resultado de um processo de criação, desenvolvimento e implementação de novas ideias, produtos, serviços, processos ou modelos de negócios. Existem diferentes tipos de inovação, que variam de acordo com a natureza do que está sendo criado e do impacto que essa inovação pode ter na empresa e na sociedade como um todo. Cada tipo de inovação tem suas próprias características, desafios e oportunidades, e pode ser aplicado de diferentes maneiras, dependendo da estratégia e objetivos da empresa. É importante entender essas diferenças para poder aproveitar ao máximo o potencial da inovação e manter a competitividade no mercado. Bons estudos! 3 ANÁLISE DE INOVAÇÃO: PERSPECTIVAS E ABORDAGENS Conforme Scherer e Carlomagno (2016), os executivos precisam de um modelo estratégico, integrado e gerenciável para abordar com eficácia a inovação nas empresas. Inovação não é algo simplesmente novo. É algo novo que traz resultados para a empresa. O mundo está cheio de inventores que nunca obtiveram sucesso com suas ideias “brilhantes”. Inovação é a transformação de novas ideias em resultado, não deve ser vista simplesmente como o desenvolvimento de um novo produto, podendo emergir em diferentes tipos de inovação. Para que uma empresa cresça e reforce sua posição competitiva, a inovação deve ser um processo continuado, e não episódico! A criatividade é apenas uma parte da inovação que passa pela definição de estratégias, avaliação de ideias, experimentação, gestão de projetos e monitoramento de resultados. A indução da inovação deve ser feita por ferramentas e métodos específicos para tal realidade que considerem o nível de incerteza e risco de projetos de inovação (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). Esperar um “espasmo criativo” para que uma nova ideia seja gerada e dê frutos não é a melhor forma de gerenciar a inovação. Assim como outros conceitos já consolidados no meio empresarial como a gestão da qualidade, planejamento estratégico, gestão de recursos humanos e tantos outros, a inovação deve ser um processo gerenciado que objetiva reduzir a variabilidade do processo (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). A busca da competitividade futura passa pela recolocação da inovação como estratégia de negócios. A compreensão do que é e o que não é inovação pode auxiliar nesse desafio. 3.1 Os tipos de inovação Existem várias definições de inovação, e também uma ampla variedade de tipos de inovação considerados por consultores e acadêmicos. Portanto, é útil ter uma classificação que permita compreender como a inovação deve ser conceituada e gerenciada. Em sua obra intitulada "Gestão da Inovação na Prática", Scherer e Carlomagno (2016), apresentam uma única ferramenta chamada radar da inovação no capítulo III, que engloba e classifica de forma eficaz as inovações em três tipologias distintas, são elas: intensidade, dimensão e grau de interdependência. É importante ressaltar que os tipos de inovação a serem enfatizados devem estar alinhados com a estratégia de negócios da empresa, o perfil de inovação do setor em que ela atua e suas metas de crescimento (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). 3.2 Intensidade da inovação Ao analisar o impacto das várias iniciativas da empresa, a gestão da inovação enfrenta um desafio significativo. É claro que todas as inovações não são iguais e não têm o mesmo impacto. Portanto, é essencial fazer distinção entre melhoria, invenção, inovação incremental e inovação radical. Para auxiliar nesse desafio, a matriz de inovação e melhoria (Figura 1) fornece um suporte adequado. Figura 1 - Matriz de inovação e melhoria Fonte: SCHERER, CARLOMAGNO, 2016 Uma invenção, guardada a definição de Schumpeter (1985), caracteriza-se por uma descoberta que não gera resultado econômico. Trata-se de algo realmente novo, mas que não encontra, pelo menos num dado instante, a aplicação prática que possibilite ganhos econômicos. São exemplos de invenções conhecidas que não obtiveram resultado econômico esperado o Telefone Global por Satélite Iridium, o Videocassete Betamax da Sony, o Windows Millenium da Microsoft. O Quadro 1 sintetiza algumas invenções e a causa de seus fracassos. Quadro 1 - Exemplos de invenções. Invenção O que é? Período de experimentação Por que não deu certo? Betamax Formato de gravação de vídeo Década de 80 Tecnologia Windows Millenium Sistema operacional PC 2000 até 2006 Funcionamento Crystal Pepsi Refrigerante transparente 1992 até 1993 Gosto ruim Atari Jaguar Videogame Início da década de 90 até 1996 Tecnologia Sony BMG Music CDs Sistema de proteção de cópias de CD 2005 Aplicabilidade Amstrad E- m@iler Telefone Sistema de proteção de cópias de CD 2000 Timing/custo Iridium Telefone por satélite Década de 90 Tecnologia Fonte: SCHERER, CARLOMAGNO, 2016. Segundo Scherer e Carlomagno (2016), as adequações correspondem a ações defensivas em que a empresa responde a um concorrente desenvolvendo um produto ou serviço semelhante. Por outro lado, uma melhoria se caracteriza por ter um grau de novidade reduzido, mas com um impacto mensurável nos resultados, diferentemente da invenção. As melhorias estão associadas à redução de custos e ao aprimoramento dos produtos e serviços existentes, com foco na otimização do negócio atual. A confusão conceitual entre melhoria e inovação surge porque muitas inovações incrementais são, de fato, melhorias em processos, produtos e serviços. No entanto, nem todas as melhorias podem ser consideradas inovações. Portanto, sugestões de melhorias como "mudar a cor da embalagem do produto", "colocar piso antideslizante na entrada da fábrica" ou "desenvolver um sistema para automatizar a folha de pagamento" não são consideradas inovações (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). Por sua vez, a inovação incremental é caracterizada por um grau moderado de novidade e traz ganhos significativos nos resultados. As inovações incrementais são impulsionadas pelo aumento do conhecimento e da competência tecnológica anteriores, aplicando-os para obter saltos de competitividade. Geralmente, uma inovação incremental resulta de um processo estruturado de gestão da inovação, a partir de ideias geradas internamente ou de necessidades identificadas no mercado. Exemplos notáveis de inovações incrementais incluem a Coca-Cola Zero, o check-in eletrônico oferecido pelas companhias aéreas, o iPod Shuffle da Apple e o sistema de autoatendimento de café da rede Starbucks. Essas iniciativas são consideradas incrementais porque representam uma continuação ou aprimoramento de algo já existente (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). Por fim, a inovação radical é capaz de causar transformações significativas nas regras competitivas, processos produtivos, produtos e serviços oferecidos, bem como nas preferências dos consumidores. Esse tipo de inovação pode alterar o relacionamento com fornecedores, distribuidores e clientes, reestruturar a economia de determinados mercados e até mesmo aposentar produtos existentes, além de potencialmente criar categorias totalmente novas de produtos. As inovações radicais envolvem mudanças significativas em produtos, processos e serviços que podem transformar mercados e indústrias existentes ou criar novas. Exemplos de inovações radicais incluem o modelo "Pré-Pago" das empresas de telefonia, a oferta de fast-food de baixo custo do Habib's, a experiência de consumo única proporcionada pelo Cirque du Soleil e o modelo de produção enxuta da Toyota, que redefiniram os padrões da indústria em que atuam. Os distintostipos de inovações em relação à sua intensidade, mencionados anteriormente, constituem um conjunto de opções que os gestores têm à sua disposição para aprimorar a competitividade de suas empresas. Ao buscar a inovação, é essencial que os gestores atinjam um equilíbrio adequado entre melhoria, inovação incremental e inovação radical em diversas dimensões do negócio (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). 3.3 Dimensão visada pela inovação Para além da intensidade, as inovações podem ser categorizadas com base na dimensão do negócio em que ocorrem. A fim de aprimorar a eficiência da inovação, a empresa precisa definir em quais dimensões do negócio deseja inovar, pois restrições de recursos e a necessidade de controlar os riscos impedem a inovação em todas as dimensões do seu negócio. Portanto, uma decisão crucial é determinar onde direcionar a inovação. Uma classificação de dimensões que auxilia nessa tomada de decisão é proposta por Sawhney et al. (2006), que estabelecem quatro pilares fundamentais: (1) as ofertas geradas pela empresa; (2) os clientes atendidos; (3) os processos utilizados; (4) os pontos de presença ocupados para levar as ofertas ao mercado. Além desses quatro pilares, os autores fornecem uma lista adicional de oito dimensões que podem ser exploradas como potenciais direções para a inovação, as quais serão detalhadas a seguir. A Figura 2 ilustra as 12 dimensões da inovação. Figura 2 - As 12 dimensões da inovação Fonte: SCHERER; CARLOMAGNO, 2016. A inovação da oferta se refere à criação de novos produtos e serviços que tenham valor para os consumidores, sendo uma das formas mais comuns de inovação, presente em diversos setores da economia. Um exemplo de empresa que se destaca é a Gillette, que lançou séries de barbeadores como o Sensor, Excel e Mach III, que trouxeram melhorias significativas em relação aos modelos anteriores e representaram um grande avanço para a indústria de cuidados pessoais (SAWHNEY et al., 2006). A inovação de plataforma é uma estratégia que consiste em utilizar componentes comuns para criar um portfólio de produtos e serviços adaptados às necessidades dos clientes. É uma abordagem cada vez mais utilizada por empresas em diferentes setores. Um exemplo clássico é o Walkman, lançado pela Sony, que utilizou uma plataforma básica para gerar uma variedade de modelos diferentes, atendendo às preferências de consumidores em todo o mundo (SAWHNEY et al., 2006). A inovação de solução envolve a criação de ofertas personalizadas e integradas de produtos, serviços e informações para resolver problemas amplos dos clientes, fornecendo um amplo espectro de alternativas. Um exemplo é a IBM, que revolucionou seus negócios oferecendo serviços complementares aos produtos de hardware e software, além de apresentar a ideia de Soluções "On Demand". É possível destacar a inovação em clientes como aquela que visa descobrir necessidades ainda não identificadas pelos próprios consumidores ou em novos segmentos de clientes que ainda não foram explorados. O Habib's é um exemplo de empresa que, por meio de uma proposta de valor bem elaborada e uma operação eficiente, conseguiu atender a clientes mais sensíveis a preços, que anteriormente não consumiam fast-food (SAWHNEY et al., 2006). De acordo com Sawhney et al., (2006) a inovação na experiência do consumidor busca estreitar a relação com os clientes, considerando todos os aspectos da interação entre eles e o fornecedor, desde o que ouvem e veem até o que sentem e vivenciam. O Cirque du Soleil, uma empresa canadense de espetáculos circenses, é um exemplo de inovação nesse aspecto, transformando a experiência do consumidor ao proporcionar uma nova forma de entretenimento. Desde a divulgação dos shows até a chegada no local do evento e o ambiente do espetáculo, tudo é cuidadosamente planejado para oferecer um alto nível de serviço e atenção aos detalhes, a fim de proporcionar uma experiência única e inesquecível aos clientes (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). A inovação em captura de valor visa a criação de novas formas de gerar receita e repensar os modelos de preços e serviços oferecidos. O Google é um exemplo de empresa que inovou nessa área por meio de seu sistema de remuneração por anúncios vinculados às pesquisas realizadas em seu site, permitindo que pequenos anunciantes também pudessem participar do mercado que antes era dominado por grandes empresas de publicidade (SAWHNEY et al., 2006). A inovação em processos tem como objetivo principal aumentar a eficiência e produtividade por meio da revisão e aprimoramento dos principais processos operacionais. Um exemplo de empresa que conseguiu revolucionar seu setor a partir da implementação de novos processos e redesenho dos existentes é a Toyota, que continua mantendo melhor produtividade que seus concorrentes. Vale ressaltar que o movimento da qualidade, que estimulou melhorias no processo produtivo, também contribuiu para inovações nessa área (SAWHNEY et al., 2006). A inovação na organização visa encontrar novas maneiras de estruturar a empresa, de repensar o papel dos colaboradores e de redefinir as parcerias. A empresa de engenharia Promon é um exemplo desse tipo de inovação, conhecida por sua forma singular e inovadora de auto-organização. Na Promon, o presidente é escolhido pelos funcionários, existem diferentes formas de participação nos resultados e a empresa possui uma estrutura flexível e ágil (SAWHNEY et al., 2006). A inovação na Cadeia de Fornecimento tem como objetivo ajustar as atividades dos agentes envolvidos no processo de fabricação e prestação de serviços, buscando redimensionar as operações que agregam valor ao produto. Um exemplo é a GM, que reorganizou a produção do modelo Celta, envolvendo seus fornecedores em um sistema de montagem e vendas online. Essa é uma forma de inovação que visa a redefinição do modelo de fornecimento do negócio. A estratégia de inovação da Presença tem como objetivo estreitar a relação entre a empresa e o cliente, por meio da expansão de seus canais de distribuição em novos pontos de venda. A Grendene, por sua vez, adotou uma abordagem inovadora ao investir em lojas-conceito para a marca Melissa, buscando disseminar conceitos de design e inovação em todo o mundo (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). A estratégia de inovação em Relacionamentos tem como objetivo integrar clientes e parceiros para oferecer soluções mais competitivas. Um exemplo é a Otis, que inovou ao possibilitar o monitoramento remoto de seus elevadores, estabelecendo uma rede de parceiros de tecnologia, segurança e informação para viabilizar essa proposta. Já a inovação na Marca consiste em criar novos contextos e aplicações para a marca. A Ferrari, por exemplo, expandiu seu alcance para além do mundo dos automóveis, criando uma série de produtos que incluem vestuário, canetas e notebooks, obtendo ótimos resultados. Essa abordagem demonstra a importância de explorar novas possibilidades para a marca, a fim de expandir sua presença e oferecer mais opções aos consumidores (SAWHNEY et al., 2006). Conforme afirmado por Scherer e Carlomagno (2016), a dificuldade de imitar uma inovação é o que a torna mais valiosa. Quanto tempo foi necessário para que empresas como HP, Compaq e IBM alcançassem a mesma produtividade que a Dell obteve com seu modelo de vendas diretas e customização em massa? Uma inovação em uma dimensão específica, quando combinada com outras inovações de maior ou menor intensidade em diferentes dimensões do negócio, pode ampliar seu potencial de criar vantagens e resultados superiores por um período mais longo. A seguir, serão apresentados os tipos de inovação em termos de sua interdependência. 3.4 Classificação e interdependência das inovações De acordo com Scherer e Carlomagno (2016), as inovações podemser classificadas em termos de interdependência, sendo categorizadas como autônomas ou sistêmicas. As inovações autônomas podem ser desenvolvidas paralelamente às demais funções do negócio, como, por exemplo, a inovação de um compressor para aumentar a potência de um motor de carro, sem exigir inovações em outros componentes do negócio. Embora essas inovações possam proporcionar vantagens e resultados para a empresa, também podem ser mais facilmente copiadas. Por outro lado, as inovações sistêmicas requerem inovações correlatas para serem efetivadas, como no caso do processo de desenvolvimento da câmera fotográfica Polaroid, que exigiu a criação de uma nova câmera, um novo tipo de filme e um novo modelo de comercialização. A Figura 3 ilustra o continuum da interdependência, onde, de um lado, temos as inovações que podem ser realizadas sem a necessidade de outras inovações, enquanto, no outro extremo, estão as inovações que dependem de outras inovações para serem implementadas. Figura 3 - Continuum da interdependência da inovação Fonte: SCHERER; CARLOMAGNO, 2016. A gestão de inovações sistêmicas apresenta um desafio mais complexo, porém pode resultar em vantagens e resultados significativos para a empresa devido à dificuldade de imitação por parte dos concorrentes. Um exemplo disso é a Apple, que tem obtido excelentes resultados nos últimos anos devido à inovação do iPod. No entanto, para complementar o sucesso do iPod, a empresa integrou a loja virtual iTunes, o software de organização de música com o mesmo nome, estabelecendo uma nova estrutura de relacionamento com fornecedores de música e também expandindo suas lojas físicas de varejo. 3.5 Níveis de análise: explorando o radar da inovação Considerando as diversas categorias de inovação, tais como incrementais ou radicais, autônomas ou sistêmicas, e reconhecendo as múltiplas dimensões em que a inovação pode ocorrer, destaca-se a relevância do radar da inovação. Os autores Scherer e Carlomagno (2016, p. 29) apresentam que “o radar desenvolvido por professores da Kellog Business School abrange as diferentes dimensões do negócio, a intensidade da inovação e seu grau de dependência”. O radar da inovação, representado na Figura 4, possibilita uma visão abrangente e integrada para compreender e explorar as oportunidades de inovação em um negócio. Figura 4 - Radar da inovação Fonte: SCHERER; CARLOMAGNO, 2016. O radar da inovação, proposto por Scherer e Carlomagno (2016), é uma ferramenta visual composta por raios que se estendem a partir do centro, representando as diferentes dimensões em que uma empresa pode buscar inovação. Cada raio é subdividido em sete níveis, que indicam a intensidade da inovação. Os dois primeiros níveis são relacionados a melhorias, enquanto os níveis três, quatro e cinco representam as inovações incrementais. Já os níveis seis e sete destacam as inovações radicais. Ao mapeá-las em cada dimensão, é possível traçar o perfil de inovação da empresa. 3.6 Como utilizar o radar da inovação De acordo com Scherer e Carlomagno (2016), o radar da inovação é uma ferramenta que deve ser utilizada em três etapas distintas, cada uma com sua função específica: 1) Identificação do perfil de inovação atual: O primeiro passo no uso do radar da inovação é traçar o perfil de inovação atual da empresa. Isso envolve identificar as inovações mais relevantes em termos de sua intensidade, interdependência e dimensão. Ao conectar esses pontos, é possível obter uma representação visual que reflete o perfil de inovação existente da empresa. Esse diagnóstico permite uma comparação futura com os concorrentes e proporciona uma compreensão das mudanças estratégicas necessárias para impulsionar a inovação na empresa. 2) Análise do perfil de inovação do setor/concorrentes: O segundo passo no uso do radar é analisar o perfil de inovação dos principais concorrentes ou do setor como um todo, com o objetivo de identificar oportunidades de diferenciação. Alguns setores são caracterizados por um conjunto específico de tipos de inovação que se destacam ao longo do tempo. Questionar essa estratégia de inovação dominante pode revelar oportunidades para inovar em outras dimensões, gerando novos resultados para a empresa. 3) Definição da estratégia de inovação: O terceiro passo no uso do radar consiste em definir os tipos de inovação pretendidos, que servirão como guia para a geração de ideias e a seleção de experimentos futuros na empresa. Dessa forma, a empresa pode ter uma visão clara da situação atual e da situação desejada, e desenvolver as iniciativas necessárias para alcançar essa estratégia de inovação (Figura 5). Figura 5 - Processo de definição da estratégia de inovação Fonte: SCHERER; CARLOMAGNO, 2016. Ao utilizar o radar da inovação, é fundamental estar ciente de uma série de desafios enfrentados por empresas inovadoras. Esses desafios dizem respeito à intensidade, aos diferentes tipos e ao portfólio de inovações, como apontado por Scherer e Carlomagno (2016). A primeira problemática é a patologia de intensidade, que ocorre quando a empresa se concentra apenas em melhorias incrementais e não consegue alcançar os saltos de competitividade e contribuição que as inovações podem proporcionar. A segunda problemática é a patologia de dimensão, que ocorre quando a empresa se concentra apenas em uma única das 12 dimensões de inovação mencionadas anteriormente. Isso geralmente acontece quando uma determinada inovação é bem-sucedida, levando a empresa a tentar repeti-la, mesmo que o contexto competitivo e de mercado exija a busca por inovações em outras dimensões do negócio. A terceira problemática é a patologia de portfólio, que ocorre quando a empresa não estabelece nenhuma conexão entre as diferentes iniciativas de inovação existentes. Nesse caso, pode haver falta de relacionamento entre diferentes dimensões do negócio, que poderiam gerar inovações mais robustas, ou falta de integração entre iniciativas de curto e longo prazo. Essas patologias mencionadas acima são alertas importantes para as empresas que desejam obter sucesso por meio da inovação. Cuidar de cada uma dessas três problemáticas não apenas diminui as chances de fracasso na gestão da inovação, mas também amplia o potencial de geração de grandes oportunidades. A utilização do radar da inovação permite integrar todos os tipos de inovação em uma única ferramenta para diagnóstico, benchmarking e definição de estratégia. Além disso, o radar da inovação evidencia as diversas possibilidades de inovação existentes para a empresa, ampliando a percepção de que inovação não se limita apenas a novos produtos. A capacidade de gerenciar os diferentes tipos de inovação de acordo com a estratégia da empresa e o perfil de inovação do setor é uma habilidade diferenciadora entre os inovadores ocasionais e os verdadeiros inovadores seriais, ou seja, as empresas que são capazes de repetir e inovar continuamente. São essas empresas que captam a maior parcela de valor das inovações e garantem uma vantagem competitiva significativa. Serão elas que dominarão as indústrias do futuro (SCHERER; CARLOMAGNO, 2016). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS SAWHNEY, M.; WOLCOTT, R.; ARRONIZ, I. The 12 different ways for companies to innovate. Sloan Management Review, Spring 2006. SCHERER, Felipe O.; CARLOMAGNO, Maximiliano S. Gestão da Inovação na Prática. São Paulo: Atlas, 2016. SCHUMPETER, J. A. Teoria do desenvolvimento econômico: uma investigação sobre lucro, capital, crédito, juro e o ciclo econômico. São Paulo: Nova Cultural, 1985.