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A deficiência intelectual e
múltipla através dos
tempos
AUTORIA
Jhonatan Phelipe Peixoto
27/10/2025, 13:14 A deficiência intelectual e múltipla através dos tempos
https://ava.graduacaoead.unicv.edu.br/pluginfile.php/762126/mod_resource/content/1/unidade-1/a-deficiencia-intelectual-e-multipla-atraves-dos-t… 1/7
Caro(a) acadêmico(a), para dar início a nossa discussão sobre a História do Deficiente
intelectual e múltiplo é necessário que façamos uma compreensão sobre como a
deficiência intelectual e múltipla vem sendo discutida e compreendida no contexto
histórico.
Pensando em um viés histórico, é possível identificar que a deficiência intelectual e
múltipla passou por diversas evoluções no que diz respeito ao seu processo de
conceituação, sendo discutida desde a antiguidade até os dias atuais; muitos termos
e discussões foram esquecidas e outros novos passaram a ser debatidos.
Para que você, aluno(a), possa compreender, de fato, como ocorreu o processo
histórico da deficiência intelectual e múltipla, é necessário analisar toda sua
evolução de conceitos, como foram construídos, quais os objetivos voltados para a
deficiência em cada época e como cada sociedade contribuiu para a discussão de
tal assunto (CORSO, 2020).
O debate sobre a deficiência intelectual teve início na Antiguidade e se estendeu,
inicialmente, até a Idade Média. Naqueles tempos, a sociedade buscava apresentar a
deficiência intelectual como algo inerente à pessoa, tendo, assim, sua discussão de
forma isolada e com poucas políticas públicas para o atendimento de pessoas com
tal deficiência, com isso, a inclusão era algo inexistente.
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De acordo com Corso (2020), somente era considerado como verdadeiros seres
humanos aqueles que possuíam terras e se classificavam como pessoas da nobreza,
e, com isso, os que trabalhavam para a nobreza eram classificados como uma
subcategoria, a qual não tinha muita visibilidade social. Nessa época, a deficiência
ATENÇÃO
Você sabia que não se usam mais os termos portador de deficiência,
portador de necessidades especiais e pessoa portadora de deficiência?
“De acordo com a Convenção sobre os direitos das Pessoas com
Deficiência, da Organização das Nações Unidas – ONU, o Brasil ratificou
com valor de emenda constitucional em 2008 que é totalmente
inadequado o termo “pessoa portadora de deficiência ou portador de
deficiência''. Por quê? Simples, nós não portamos, não carregamos
nossas deficiências, simplesmente as temos e, antes de termos
deficiência, somos pessoas como qualquer outra".
O uso adequado da terminologia de acordo com as deficiências deve
ser da seguinte forma:
Cadeirantes, amputados, ostomizados: pessoa com deficiência
física;
Autista: pessoa com TEA – transtorno do espectro autista;
Síndrome de Down: pessoa com deficiência intelectual;
Surdos: pessoas com deficiência auditiva;
Cegos: pessoas com deficiência visual, e assim por diante.
“Menções a situações de deficiências, incapacidades ou quadros
patológicos devem ser feitas em contexto e sem tom de piedade. A
pessoa com deficiência também tem nome, sobrenome e dignidade a
ser respeitada.
Use preferencialmente o termo “pessoa com deficiência”, adotado pela
ONU, não use termos pessoa portadora de deficiência e jamais use
termos pejorativos como aleijado, defeituoso, incapacitado ou inválido.
Fonte: Mendhes (2018) e Senado Federal (2012).
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era algo inexistente perante a sociedade, logo, não era vista como um problema que
deveria ser discutido e exibido, pois as pessoas nessas condições eram destinadas à
exposição, eliminação e até mesmo ao abandono.
Na Antiguidade, até meados do século XVIII, as pessoas com deficiências eram tidas
como algo místico e com diversas classificações dentro dos diferentes contextos
religiosos da época, principalmente o cristão. As explicações para isso era que os
deficientes eram vistos como um ser possuído por alguma força maligna, e devido à
religião ter poder absoluto nessa época, exorcizavam essas pessoas como se
entidades demoníacas as possuíssem, a fim de expulsar tais entidades. Assim, a
igreja tinha como função social “curar” os deficientes desse mal, pois não eram vistos
como filhos de Deus (CORSO, 2020).
Um fator importante a destacar sobre esse momento histórico, aluno(a), é o
infanticídio, ou seja, toda criança que nascesse com alguma deficiência, dentre elas
a intelectual, sendo classificado como um defeito, tinham como destino o sacrifício,
sendo entendido o abandono e até mesmo a eliminação.
Já na Grécia, existiam muitas discussões voltadas para aquilo que era bonito, tendo,
assim, a cultuação do que era considerado belo no sentido corporal interno e
externo. Logo, aqueles que nasciam com algo diferente do que era considerado
bonito e belo tinham como destino a eliminação para proteger o restante da
sociedade de um possível contágio, pois a deficiência nessa época era vista como
algo contagioso.
De acordo com Trancoso (2020), diferente da Grécia, as pessoas que nasciam com
alguma deficiência no Antigo Egito não eram eliminadas ou isoladas, vez que nessa
sociedade a deficiência era vista de outra forma. Nesse contexto social, as pessoas
que possuíam alguma deficiência eram aceitas, respeitadas e integradas no dia a
dia, principalmente aquelas que possuíam nanismo, cegueira ou alguma deficiência
física.
Partindo para a sociedade Romana, aqueles nascidos [...] “com alguma anomalia,
aparência física de alguma má-formação, acabavam mortos por afogamento. Os
antigos espartanos avaliavam as crianças, e as consideradas doentias, disformes ou
franzinas eram jogadas do alto do Monte Taygetos” (CORSO, 2020, p. 8).
Relatos históricos nos trazem informações de que as crianças que
nasciam com deformidades físicas em Roma sofriam rejeição e eram
mortas por afogamento, muitas vezes na hora do parto. Havia, inclusive,
leis que permitiam aos pais eliminar seus filhos deficientes, embora
nem todos os fizessem. [...] eram recolhidas por escravos e famílias
plebeias mais pobres (que viviam de esmolas). Assim, eram criadas por
essas famílias para mais tarde ser usadas como pedintes, a fim de
explorar os romanos atormentadas por culpas [...] (TRANCOSO, 2020, p.
29).
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No século XV, o conceito de deficiência passa por uma reformulação em que era
compreendido que não se tratava de algo maligno ou proveniente de seres
demoníacos, mas, sim, de pessoas doentes, dando origem à uma patologia como
origem da deficiência.
Corso (2020) nos evidencia que, no século XVII, passam a surgir estudos sobre a
anatomia da deficiência mental, de forma que buscasse a sua localização no
encéfalo. Dessa forma, a deficiência deixa de ser algo pertinente à alma e dos maus
espíritos que as pessoas possuem, mudando a visão de algo julgado como místico
ou religioso para aquilo voltado ao campo da ciência.
Durante a Idade Moderna, a partir do século XVIII, a deficiência ganha a
conotação de causa natural, e o pensamento científico começa a
evoluir. No entanto, o período ainda era marcado por preconceito,
segregação e a ideia de não evolução, como algo incapacitante. [...] A
partir do século XIX, vários pesquisadores se dedicaram ao estudo do
tema, dando origem a vários conceitos (CORSO, 2020, p. 10).
De acordo com Trancoso (2020), nessa época aconteceram diversas mudanças no
que diz respeitoao pensamento sobre a deficiência, surgindo várias ações para
compreender essas pessoas. Porém, essas ações eram isoladas, pois iam contra o
pensamento da sociedade naquela época, que não concordava que as pessoas com
deficiências poderiam ser educadas, vez que eram doentes, não tinham
humanidade e eram possuídas por espíritos demoníacos.
Falando agora sobre as discussões sobre o debate da educação especial no Brasil,
podemos compreender que essa passou por duas etapas específicas para a sua
compreensão. Em relação à primeira etapa, caro(a) aluno(a), é importante ressaltar
que “Assim como em outros locais do mundo, também no Brasil os deficientes eram
vistos como pessoas que poderiam causar perigo à sociedade, por vezes tornando-
se questão de ordem policial” (CORSO, 2020, p. 13), e, com isso, os deficientes eram
impostos a ficarem em casas cuidados pela igreja, as conhecidas Santas Casas de
Misericórdias ou em hospitais psiquiátricos.
Diante do abandono dessas crianças com necessidades especiais, que na maioria
das vezes eram deixadas nas ruas, o governo da época criou as chamadas “rodas dos
expostos ou vulneráveis”. Esses locais serviriam como acomodação e abrigo para os
deficientes que eram deixados pelos seus familiares.
Corso (2020, p. 14) nos afirma que “A pedagogia evolui junto com a medicina em
termos de abordagem e entendimento de deficientes, os quais eram inicialmente
tratados dentro de hospitais psiquiátricos para que tivessem maior apoio [...]”. Devido
a essa evolução, as pessoas que possuíam determinadas deficiências não eram mais
vistas como doentes, e passaram a ser compreendidas como aquelas pessoas que
possuem necessidades educacionais especiais e com chances de aprender junto à
educação.
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Já a segunda etapa teve sua organização em meados do século XX e se estendeu
até a década de 70, tendo como base de instrução a Nova Escola, que teve como
iniciativa privada a discussão sobre a educação especial e inclusiva. Nessa época o
governo oferecia pouquíssimos recursos para ajuda na educação especial,
apresentando apenas contribuições mínimas de entidades privadas ou filantrópicas.
Outras modalidades de tratamento e atendimento surgem, seja em
hospitais ou instituições de ensino, algumas de forma isolada, a maioria
particular. [...] Assim como na Europa e nos Estados Unidos, após a
Segunda Guerra Mundial, houve uma forte preocupação com as
pessoas lesionadas, surgindo assim o conceito de reabilitação,
exploradas em clínicas e serviços de caráter psicopedagógico (CORSO,
2020, p. 15).
Nessa época, as pessoas passaram a ter acesso e direito à educação nas conhecidas
como escolas especiais – distintas e separadas das escolas de ensino regular –,
dando início a novas oportunidades de ensino e desenvolvimento educacional,
humano e social.
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