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SOL 471 – NUTRIÇÃO E MANEJO DE SOLOS FLORESTAIS 
Prof. Nairam Félix de Barros 
MATO-COMPETIÇÃO 
Aspectos Gerais 
 O eucalipto é uma essência muito sensível á mato-competição. Essa 
sensibilidade está ligada ao rápido crescimento da essência, que depende de grande 
disponibilidade dos fatores de crescimento: luz, água e nutrientes. A maior ou menor 
interferência no crescimento depende do tipo da vegetação competitiva. Na região do 
Rio Doce, plantas como o capim colonião, além de competir por água e nutrientes, 
reduzem a quantidade de radiação que atinge as folhas do eucalipto em razão do 
sombreamento provocado. Os cipós e trepadeiras também reduzem a quantidade de 
radiação solar (Figura 3) 
 Em geral, a maior competição ocorre pelos recursos do solo com água e 
nutrientes. As gramíneas em razão de sua elevada densidade radicular (muito maior do 
que a do eucalipto) são competidores fortíssimos (Figura 4). Essas plantas exploram a 
mesma camada de solo utilizada pelo eucalipto na sua fase jovem. Esta é a razão de 
maior sensibilidade das plantações jovens nos primeiros meses após o plantio. Com o 
tempo, as raízes de eucalipto se aprofundam e exploram outras camadas de solo, e 
árvore se torna, portanto, menos susceptível á competição com gramíneas. Em solos 
mais pobres em nutrientes, como os da RCO, essa competição perdura por mais 
tempo, em virtude da pobreza das camadas mais profundas de solos. Assim, a nutrição 
é mais dependente da camada superficial. 
 Plantas competidoras com menor densidade radicular, como as de folhas 
largas, são, em geral, menos prejudiciais ao eucalipto. Assim, o estabelecimento de 
uma estratégia de controle de mato competição, depende do tipo de plantas 
competidoras e da fertilidade do solo. O controle de gramíneas é muito mais crucial do 
que o de folhas largas, a menos que estas causem também sombreamento do 
eucalipto. Em solos mais férteis, o vigor das competidoras é maior, mas, por outro 
lado, as raízes de eucalipto se aprofundam mais e o efeito da competição será menor. 
 Ao se promover adequando o controle de mato-competição, todo o recurso no 
sítio (nutrientes do solo e dos fertilizantes; água e luz) será aproveitado pelo eucalipto 
e sua taxa de crescimento será máxima e proporcional às quantidades desses recursos. 
Com o tempo, a copa do eucalipto deixa pouca radiação passar as competidoras, seu 
sistema radicular fica mais denso e explora maior volume de solo, reduzindo a 
quantidade de recursos para as competidoras. Além disso, também com o tempo, a 
eficiência do eucalipto no uso desses recursos aumenta, permitindo maior crescimento 
com menor quantidade de recurso, isto é, ele fica mais competitivo e menos sensível à 
competição. 
 Quanto aos métodos de controle: 
1 – Mecânico/manual – Nesses dois métodos elimina-se parte da planta competidora, 
em menor ou maior intensidade, o que faz com que tempo de controle seja mais curto. 
A roçada elimina a parte aérea (mais efetiva na eliminação da competição por luz) mais 
deixa o sistema radicular que, assim, pode absorver água e nutrientes para 
recomposição da parte aérea. A capina manual ou mecanizada, além da parte aérea, 
elimina mais ou menos intensamente o sistema radicular. Plantas com capacidade de 
multiplicação por estolões, como as gramíneas, se recompõem mais rapidamente e 
voltam a exercer competição. 
 A capina química (herbicida pós-emergente) é mais efetiva por afetar toda 
planta competidora (partes aérea e radicular), em geral. A recomposição da 
competição depende da existência de sementes viáveis e requer mais tempo, o que 
permite ao eucalipto uma melhor captura de recursos do sítio. 
 È indiscutível o prejuízo causado ao eucalipto quando há ocorrência de deriva 
dos pós-emergentes. O prejuízo direto é a morte ou alteração anatômica/morfológica 
da parte atingida e de outras partes pela translocação do herbicida. Algumas dessas 
alterações se assemelham à deficiência de nutrientes, como é o caso aparecimento de 
entrenós curtos e folhas diminutas (deficiência de zinco); deformação das folhas, 
gemas e morte de ápices seguida da bifurcação (deficiência de boro) (Figura 5). O 
mecanismo de ação do glifosate se baseia na interrupção da rota do ácido shiquímico, 
responsável pela produção dos amino-ácidos aromáticos fenilamina, tirosina e 
triptofano, essenciais para a síntese protéica e divisão celular em regiões 
meristemáticas da planta. Sabe-se que o glifosate aumenta os níveis endógenos de 
etileno e reduz o movimento do AIA (ácido indolacético- auxina de crescimento). O Zn 
é também envolvido na formação do triptofano. Assim, a resultante do efeito do 
glifosate se assemelha à deficiência de Zn. Contudo, não há informações que provem o 
efeito negativo direto do herbicida na absorção de zinco. Este nutriente é pouco móvel 
no solo e sua absorção depende de uma maior exploração do solo pelas raízes. Se o 
herbicida e translocado e causa morte das raízes, ou é de alguma forma transferido 
das raízes das plantas competidoras (exsudados radiculares com glifosato poderiam 
causar a morte das raízes ou serem absorvidos por micorrizas) para a do eucalipto 
haveria morte destas e menor absorção de Zn. Esta hipótese precisa ser comprovada. 
A absorção do glifosato e sua translocação para o ápice e gemas podem causar danos 
ao sistema vascular e morte da ponteira. Se isto acontece há estímulo para o eucalipto 
bifurcar. O transporte de cálcio no solo ocorre em resposta ao fluxo transpiracional e 
sendo o nutriente absorvido pelos ápices das raízes. Se o herbicida reduz a área foliar, 
a transpiração é conseqüentemente reduzida, assim como a morte de raízes também 
reduz a absorção de cálcio. O transporte de boro na planta depende também do fluxo 
transpiracional. Por essas razões, a concentração de Ca e B em plantas de eucalipto 
afetadas por herbicida poderá ser mais baixa. Contudo, isso não foi constado em 
estudos conduzidos com mudas de eucalipto em condições controladas. 
 
Recomendação Específica 
 
A visita de campo deixou claro que a questão de mato-competição é muito mais séria 
na RRD, em razão do tipo de vegetação competitiva – capim colonião, que tem alta 
densidade radicular e porte alto, do que na RCO, onde predomina capim braquiária, 
que embora tenha alta densidade radicular, é de porte mais baixo. Em gramíneas a 
associação de herbicidas pré com pós-emergentes é desejável para se conseguir 
períodos mais longos de controle. Particularmente para a RRD, o emprego de técnicas 
que favoreçam o rápido fechamento da área pela copa das árvores é recomendável. 
Dentre essas técnicas têm-se o preparo da área e do solo para o plantio, o emprego 
adequado e racional da adubação para favorecer o rápido crescimento das plantas, 
controle de formigas cortadeiras, adoção de espaçamentos mais fechados, etc. 
Conforme comentado no item Espaçamento, na RRD a adoção de espaçamentos mais 
fechados contribuiria para reduzir o efeito de mato-competição. Obviamente que 
outras considerações devem ser feitas para a escolha do espaçamento, como por 
exemplo, a qualidade da madeira a ser colhida (mais fina ou mais grossa, por 
exemplo), o sistema e os custos da colheita, etc. No que tange à produção final, a 
adoção de espaçamento mais fechado levará á mesma produção e á redução da idade 
de corte. 
PLANTIO E TRATOS CULTURAIS (MATO COMPETIÇÃO) 
 
 Tradicionalmente no Brasil, o plantio de mudas de eucalipto era feito durante o 
período chuvoso, o que obrigava a intensas campanhas de modo a cumprir o 
cronograma de plantio. Essa prática feita na época chuvosa e, em geral, mais quente, 
não garantia, necessariamente, elevada sobrevivência, especialmente, quando 
ocorriam os veranicos. Além disso, algumas das operações como a adubação, não 
eram feitas da maneira mais recomendável pelas dificuldades de distribuição da mão-
de-obra e umedecimento dos fertilizantes em dias mais chuvosos. 
 Atualmente, a maioria das grandes empresas florestais faz o plantio de campo 
praticamentedurante todos os meses do ano. No período em que as chuvas são 
escassas ou que não há chuva, adota-se o chamado “plantio irrigado” ou de “inverno”, 
que consiste da aplicação de 3-5 L água por muda, 3 a 4 vezes após o plantio 
propriamente dito. O plantio feito nessa época, quando adequadamente realizado, 
atinge sobrevivência média acima de 95%. Como vantagens, têm-se a melhor 
distribuição de equipamentos e de mão-de-obra durante o ano, menor gasto com 
defensivos, em especial de herbicidas, e crescimento mais rápido das plantas durante 
o período de chuvas. Como conseqüência, tem-se a cobertura mais rápida do solo, 
reduzindo os gastos com trato cultural, seja ele manual, mecanizado ou químico. Em 
geral, os plantios irrigados (do período de inverno) dispensam as capinas após o 
primeiro ano. 
 As mudas utilizadas no plantio de inverno necessitam estar mais “endurecidas” 
do que aquelas para o plantio de verão (período mais chuvoso) e possuírem sistema 
radicular ativo. Mudas excessivamente “endurecidas” apresentam retomada lenta de 
crescimento. Além disso, mudas de mini-estacas, por apresentarem raiz semelhante à 
pivotante de mudas de sementes, podem mostrar maior sobrevivência do que mudas 
de macro-estacas, pois o maior crescimento em profundidade permite maior absorção 
da água de irrigação. 
 Há de se ter em mente as eventuais diferenças de comportamento entre clones 
ou materiais genéticos. Alguns são mais “rústicos” e apresentam maior sobrevivência 
do que outros. Eles podem, também, diferir quanto ao “arranque” inicial, formato da 
copa (mais triangular ou mais elíptico), etc., e, com isso, ter uma capacidade de 
competição e tempo de estabelecimento distintos . 
 As técnicas silviculturais adotadas durante e após o plantio visam, 
primordialmente, aumentar a disponibilidade ou a capacidade da muda em capturar 
quantidades adequadas, dos recursos água, nutrientes, luz e oxigênio para seu rápido 
crescimento. 
 Na região do Rio Doce, o principal competidor com o eucalipto por esses 
recursos é o capim colonião. Esta gramínea apresenta rápido crescimento e porte 
relativamente elevado. Assim, para mudas recém plantadas e até à idade de 6-10 
meses, a competição por luz não permite o adequado crescimento de copa para 
captura de CO2. Por outro lado, a grande densidade de raízes do colonião (típico das 
gramíneas) na camada de 0-20, a mesma explorada pelo eucalipto que tem menor 
densidade de raízes, permite maior absorção de água e de nutrientes do solo e de 
adubos, retardando o crescimento da muda. Com o passar do tempo, as raízes da 
muda/árvore podem aprofundar-se e explorar camada diferente daquela explorada 
pela gramínea. Daí para adiante, a taxa de crescimento da espécie florestal passa a ser 
maior. Contudo, em solos muito pobres em nutrientes, as raízes do eucalipto não se 
aprofundam na velocidade esperada e a competição com a gramínea permanece por 
longo tempo, reduzindo a produtividade da espécie florestal. 
Também, nas demais regiões de atuação da CENIBRA as gramíneas constituem-
se nas principais plantas competidoras com o eucalipto. 
 Quando a planta competidora é gramínea, o emprego de herbicídas, em geral à 
base de glifosato, tem sido a maneira mais efetiva e barata de controle da mato-
competição. A gramínea morta pelo herbicida forma uma cobertura morta que reduz o 
escoamento superficial da água, aumenta sua infiltração e seu tempo de residência no 
solo. Este fato permite um deflúvio mais regular. Ao contrário, a capina manual ou 
mecânica remove a cobertura do solo e, como conseqüência, pode-se ter maior 
escoamento da água, erosão, se o declive for favorável, e menor tempo de residência 
da água no ecossistema. Ressalta-se, também, que com a não-queima, a incidência de 
ervas daninhas é bastante reduzida. 
 Por essas razões, a técnica utilizada pela CENIBRA no controle da mato-
competição, quando necessária, com aplicação de herbicída é, também, 
ambientalmente mais adequada. O risco de contaminação de recursos hídricos, como 
freqüentemente lembrado, é pequeno porque o escoamento de água do interior dos 
talhões é mínimo, se existente; o herbicida é adsorvido às partículas do solo e, ainda 
que haja o transporte de partículas, o produto utilizado, à base de glifosato, não tem 
efeito danoso sobre peixes e outros elementos da fauna aquática.

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