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Documentos da CNBB - 112Coleção Documentos da CNBB CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL CNBB 2 Sou Católico: Vivo a minha Fé 3 Evangelização da Juventude 84 Diretório Nacional de Catequese 87 - Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2008-2010 88 Projeto Nacional de Evangelização: Brasil na Missão Continental 89 20° Plano Pastoral do Secretariado Geral 2009-2011 90 Legislação Complementar ao Código de Direito Canônico para o Brasil sobre a Absolvição Geral (aplicação do cân. 961) 91 Por uma Reforma do Estado com Participação Democrática 92 Mensagem ao Povo de Deus sobre as Comunidades Eclesiais de Base Critérios e Itinerários 93 Diretrizes para a Formação dos da Igreja no Brasil 94 Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2011-2015 95 21° Plano Pastoral do Secretariado Geral 2012-2015 para a Instituição 96 Diretrizes para o Diaconado Permanente da Igreja no Brasil 97 e Servidores da Palavra de Deus na Missão da Igreja do Ministério de 98 Pronunciamentos da CNBB 2006-2011 99 Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil 100 Comunidade de comunidades: uma nova paróquia A conversão Catequista pastoral da paróquia 101 A Igreja e a questão agrária brasileira no início do Século XXI 102 Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2015-2019 103 Pronunciamentos da CNBB 2011-2015 104 22° Plano Pastoral do Secretariado Geral 2016-2019 105 Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5,13-14) 106 dízimo na comunidade de fé: orientações e propostas 107 Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos missionários 108 Ministério e celebração da Palavra 109 Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil 2019-2023 110 Diretrizes para a formação dos da Igreja no Brasil 111 a Palavra habitou entre nós" (Jo 1,14): Animação Bíblica da Pastoral a partir das comunidades eclesiais missionárias 112 Critérios e Itinerários para a Instituição do Ministério de Catequista EDIÇÕES CNBBCritérios e Itinerários para a Instituição do Ministério de Catequista Conferência Nacional dos Bispos do Brasil edição 2023 SUMÁRIO reimpressão 2025 Direção-Geral: Projeto gráfico, capa e diagramação: Mons. Jamil Alves de Souza Henrique Billygran Santos de Jesus Edição: Impressão e acabamento: João Vitor Gonzaga Moura Gráfica e Editora Qualytá Ltda Revisão: LISTA DE SIGLAS 7 Vinícius Pereira Sales APRESENTAÇÃO 9 INTRODUÇÃO 11 C748d Conferência Nacional dos Bispos do Brasil / Critérios e Itinerários para a Instituição do Ministério de Catequista. Brasília: Edições CNBB, 2022. 48 p. 14 21 cm 1. Critérios e itinerários para a instituição ISBN: 978-65-5975-149-5 do Ministério de Catequista 15 1. Igreja Católica - CNBB; 2. Documentos da CNBB; 3. Animação Bíblico-catequética; 4. Ministério de Catequista. 2. Critérios para o discernimento dos catequistas CDU: 262.42(81)CNBB que serão instituídos 17 2.1. Catequistas já atuantes 17 2.2. Catequistas iniciantes 18 Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou quaisquer meios (eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem permissão da CNBB. Todos os direitos reservados © 3. Itinerários formativos 21 3.1. Preparação diocesana 25 3.2. Itinerário de formação para catequistas já atuantes, Edições CNBB escolhidos para receberem o Ministério 26 SAAN Quadra 3, Lotes 590/600 Zona Industrial Brasília-DF CEP: 70.632-350 3.3. Itinerário de formação para catequistas iniciantes, Fone: (61) 2193-3019 em vista do Ministério 29 E-mail: www.edicoescnbb.com.br4. Considerações sobre a estabilidade do ministério 33 LISTA DE SIGLAS 5. Movimentos eclesiais e o ministério de catequista 35 DAp Documento de Aparecida EN Evangelii Nuntiandi 6. E o(a) catequista que não se torna ministro(a) instituído(a)? 37 EG Evangelii Gaudium AtM Antiquum Ministerium CONCLUSÃO 41 DCq Diretório para a Catequese DGC Diretório Geral para a Catequese Referências bibliográficas 43 LS Laudato Si' MQ Ministeria Quaedam ANEXO Inspiração Catecumenal do Itinerário Formativo 46 7APRESENTAÇÃO Comunhão de dons, carismas, serviços e ministérios, a Igreja tem a alegria de poder contar com o indispensável serviço dos(as) catequistas. Abnegação, generosidade, disponibilidade e entrega são algumas das marcas desta vocação. Ser catequista é expressar o carinho da Mãe Igreja, que acolhe, apresenta a Boa Nova, ajuda na compreensão e na transformação da vida. Por isso, toda a ação de graças a Deus por este serviço será, na verdade, insuficiente. Em nossos dias, para que esta vocação seja cumprida efi- cazmente, algumas mudanças se impõem. Dentre elas, cresce rapidamente a necessidade de que a catequese assuma cada vez mais um perfil catecumenal (cf. DAp, n. 286ss),¹ o que a torna explicitamente "querigmática, mistagógica e bíblica e, assim, com uma intrínseca relação com a liturgia" (Introdução, n. 1). Para fortalecer neste caminho, o Santo Padre Francisco indicou a possibilidade de que seja conferido o ministério de catequista, cabendo às Conferências Episcopais a indicação dos critérios e o itinerário formativo. É o que agora temos aqui, após diligente trabalho da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética. Importa que este material seja acolhido pelas comunidades e, de modo especial, pelos grupos de catequistas como um estí- mulo aos novos passos que são pedidos a toda a Igreja em nossos 1 CELAM. Documento de Aparecida: Documento Conclusivo da V Conferência Geral do Episcopado Lati- no-Americano e do Caribe. Brasília-São Paulo: Edições 2008. 9dias. Importa igualmente que se tenha clareza do que implica ser catequista com um ministério conferido pela Igreja. Trata-se do aumento da responsabilidade, que se traduz em mais amor à Igreja, testemunho, dedicação e, conforme indicado pelo Santo INTRODUÇÃO Padre e reiterado aqui nestes critérios e itinerário, estabilidade. Pelo Batismo, somos chamados a fazer de nossas vidas uma 1. A Carta Apostólica em forma de Motu Proprio Antiquum contínua catequese, despertando por nosso testemunho a per- Ministerium (2021) é uma espécie de coroamento de um cami- gunta pela escuta a respeito dos mistérios da fé (cf. EN, n. 21).² nho de prática e de reflexão sobre a catequese, suscitado pelo A concessão de um ministério faz com que, no caminhar do Concílio Vaticano II. Nela, ganha destaque a proposta de Novo Povo de Deus, que é a Igreja, estes ministros e ministras retorno às fontes, buscando, no catecumenato dos primeiros primeireiem (cf. EG, n. 24)³ na arte da catequese, fazendo nascer séculos, elementos basilares que proporcionem a mudança de no coração de muitos outros batizados e batizadas o desejo de uma catequese vista apenas como transmissora de conteúdos também se tornarem catequistas. da fé, para uma catequese querigmática, mistagógica e bíblica Que o Deus da Paz abençoe cada catequista neste nosso e, assim, com uma intrínseca relação com a liturgia. Tudo isso amado Brasil! favoreceu o reconhecimento de quem, na prática, exerce essa missão evangelizadora por vocação: os(as) catequistas. 2. Foram norteadores desta reflexão os três Diretórios sobre Brasília, 4 de novembro de 2022, memória de S. Carlos a Catequese para toda a Igreja (de 1971, 1997 e 2020), que desen- Borromeu. cadearam no Brasil diversas discussões e documentos que con- duziram a um processo de catequese a serviço da Iniciação à Vida Dom Walmor Oliveira de Dom Jaime Spengler, OFM Cristã, promovendo uma ampliação de seu próprio conceito. Azevedo Arcebispo de Porto Alegre, RS Podemos citar o Catequese Renovada (1983), o Diretório Nacional de Arcebispo de Belo Horizonte, MG Vice-Presidente Catequese (2006) e o Documento de Estudo 97 (2009), que culminou Presidente no Documento 107 sobre a Iniciação à Vida Cristã (2017). Dom Mário Antônio da Silva Dom Joel Portella Amado 3. Dentro desse processo de renovação catequética, enfati- Bispo de Roraima, RR Bispo auxiliar do Rio zou-se a importância da figura do catequista e, com isso, nasceu Vice-Presidente de Janeiro, RJ um estudo sobre a possibilidade de instituição do Ministério Secretário-Geral de Catequista pela Igreja: o Documento de Estudo 95 da CNBB (2007). Assim, a instituição do Ministério laical de Catequista, 2 SÃO PAULO VI. Exortação Apostólica Evangelii Nuntiandi: sobre a evangelização no mundo contempo- estabelecida pelo Papa Francisco, é como uma resposta direta (Exortações Apostólicas). Roma, 8 de dezembro de 1975. 3 FRANCISCO. Exortação Apostólica Gaudium: a Alegria do Evangelho sobre o anúncio do Evan- aos nossos anseios. gelho no mundo atual. (Documentos 17). Edições CNBB, 2015. 10 114. A instituição de um serviço como Ministério por parte Senhor, mesmo sendo inapropriado. Após chegar lá e se depa- da Igreja é uma ação que coloca em evidência sua importância. rar com a pedra do túmulo removida, retorna para dizer a Pedro A instituição do Ministério de Catequista é, para nós, a confir- e ao Discípulo amado que tiraram o Senhor do túmulo. Eles vão mação do reconhecimento da missão do(a) discípulo(a) missio- ver, mas voltam para casa ao encontrar o túmulo vazio (v. 2-10). nário(a) que responde com alegria ao chamado do Senhor, para Ela, porém, permanece lá. É perseverante. Todos se vão, mas ela anunciar e testemunhar, com a própria vida, o seu grande amor. permanece. amor a fazia estar lá e a dor a fazia chorar. Queria Assim, podemos compreender que a instituição do Ministério ver o seu Mestre pelo menos mais uma vez e, por isso, inclinou- de Catequista para os leigos e leigas é uma possibilidade de -se novamente para olhar dentro do túmulo (v. 11). E, para sua visibilizar a especificidade de sua missão, que implica ser teste- surpresa, encontra-se com Ele e reconhece-o quando a chama munha da fé e mistagogo, ao mesmo tempo. pelo nome: "Maria" (v. 16). 5. Como afirma o documento, "Ministério antigo é o de 7. Ser chamada pelo nome e ser enviada a anunciar que Catequista na Igreja" (AtM, n. Desde as primeiras comunidades, viu o Senhor e o que Ele lhe havia dito "vai dizer aos meus muitos se dedicaram à transmissão do Evangelho por meio de ensi- irmãos que eu subo para junto do meu Pai e vosso Pai, meu namentos, como também, por meio do anúncio e do testemunho. Deus e vosso Deus" (v. 17) é sinal da confiança depositada texto de João (20,1-18) coloca em relevo a figura de Maria Madalena por Jesus, pois certamente conhecia sua busca sincera de segui- como anunciadora da Ressurreição, uma missão dada a ela de modo -lo com todas as suas forças. Ao permanecer no túmulo, Maria particular pelo próprio Jesus. Essa passagem nos ajuda a compreen- Madalena demonstra outro aspecto fundamental do seguidor de der a importância do anúncio, passo fundamental na evangelização, Jesus: acreditar na vida, mesmo onde ela não mais pareça existir. a partir de quem fez uma profunda experiência de encontro com o 8. anúncio da Ressurreição de Jesus para aqueles que Mestre e, nele, acredita e deposita toda a sua esperança. com Ele haviam convivido seria como um reascender da chama 6. Maria Madalena foi a primeira a dar testemunho da da esperança. Em nossa realidade, há aqueles que ainda não Ressurreição diante dos apóstolos, missão recebida depois do conhecem a Jesus, mas são muitas as pessoas que já receberam encontro com o Crucificado-Ressuscitado. texto sublinha um primeiro anúncio sobre a vida, a morte e a Ressurreição de algumas atitudes de Maria Madalena que deveriam ser para- Jesus. querigma foi realizado em muitos lugares, porém, por digmáticas para todos os discípulos missionários. No 1, ela inúmeros fatores, muitos precisam ouvi-lo quantas vezes forem vai ao túmulo enquanto ainda estava escuro: "No primeiro dia necessárias. Esse anúncio fundamental, "Jesus Cristo ama-te, da semana, ao amanhecer, enquanto ainda estava escuro, Maria deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias Madalena foi ao túmulo e viu que a pedra tinha sido removida". para te iluminar, fortalecer, libertar" (EG, n. 164), convoca-nos Isso pode significar que tinha pressa e um desejo ardente de a dar uma resposta de amor a um amor infinito. chegar o mais rápido possível ao local onde estava o seu amado 9. É a partir dessa resposta que se aprofunda a própria fé 4 FRANCISCO. Carta Apostólica em forma de Motu Proprio Antiquum Ministerium: pela qual se Institui nesse amado Mestre e Senhor. Hoje, inúmeros leigos e leigas Ministério de Catequista (Documentos 48). Brasília: Edições CNBB, 2021. 12 13continuam a atuar como catequistas, que anunciam, testemu- nham e ensinam. E essa é uma missão fundamental para a vida da Igreja. Dentre eles, a maioria é formada por mulheres que, assim como Maria Madalena, compartilham do seu tempo para 1 serem anunciadoras do Evangelho de Cristo, com perseverança, coragem e alegria. CRITÉRIOS E ITINERÁRIOS 10. Sendo assim, a Igreja reconhece o Ministério de Catequista, indicando também os passos a serem dados no que PARA A INSTITUIÇÃO DO MINISTÉRIO DE CATEQUISTA se refere à sua instituição. Na Antiquum Ministerium, há um con- vite para que as Conferências Episcopais estabeleçam o processo formativo necessário e os critérios normativos para a realização "A Igreja se preocupa com a semente da Palavra de Deus da instituição do Ministério de Catequista (cf. AtM, n. 9). Assim (a mensagem) e com terreno que recebe essa semente sendo, apresentamos a seguir algumas considerações e critérios a (a pessoa do catequizando), que a leva a preocupar-se igualmente com semeador da semente da Palavra de Deus, isto é, serem colocados em prática na Igreja no Brasil, em caráter expe- com a comunidade catequizadora e, dentro dela, rimental, como um caminho que será, a partir das experiências com a pessoa e grupo de diversas, sempre mais aperfeiçoado. Para isso, é proposta uma formação imediata para aqueles e aquelas que já atuam como 12. Em sua Carta Apostólica Antiquum Ministerium (2021), catequistas, como também uma formação mais prolongada para o Papa Francisco institui "o Ministério laical de Catequista" os que desejam ser catequistas. Ao final do processo forma- (n. 8), dando ênfase à importância da formação dos agentes. tivo e experiencial, será realizada a instituição a partir do Rito Afirma o Papa que aqueles que se aproximam deste ministé- de Instituição do Ministério laical de Catequista, oferecido pela rio "recebam a devida formação bíblica, teológica, pastoral e Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos. pedagógica, para ser solícitos comunicadores da verdade da fé" (AtM, n. 8). Diante da visibilidade, da estabilidade e da impor- 11. Esperamos que a instituição do Ministério de tância do Ministério agora instituído, será imprescindível uma Catequista venha a ser, para a Igreja, mais um motivo de uni- formação sólida. dade e de comunhão, na diversidade de dons e ministérios que se colocam a serviço da comunidade eclesial para o seu amadu- 13. Diante desse grande desafio, é preciso que se tenha recimento e crescimento. Mais uma vez, reiteramos que ser ins- clareza sobre os critérios gerais da formação de catequistas, tituído como catequista significa visibilizar para todos a confir- bem como sobre sua organização. Recomendamos a leitura de mação do seu sim para um serviço importantíssimo, que requer importantes textos e documentos do magistério que tratam do muita dedicação e esforço, de testemunhar com a própria vida assunto: a fé, a esperança e o amor e nisso consiste o "poder" conferido por meio desse Ministério. 5 CNBB. Formação de Catequistas: critérios pastorais. (Estudos da CNBB, 59). São Paulo: Paulus, 1990, n. 4. 14 15a. CNBB. Formação de Catequistas: critérios pastorais. (Estudos da CNBB, 59). São Paulo: Paulus, 1990; b. CNBB. Diretório Nacional de Catequese. (Documentos 2 da CNBB, 84). 4. ed. Brasília: Edições CNBB, 2016, n. 252-294; C. CNBB. Comunidade de comunidades: uma nova paró- CRITÉRIOS PARA DISCERNIMENTO quia - A conversão pastoral da paróquia (Documentos da CNBB, 100). Brasília: Edições CNBB, 2014, n. 302-305; DOS CATEQUISTAS QUE SERÃO INSTITUÍDOS d. CNBB. Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade Sal da Terra e Luz do Mundo (Mt 5,13-14). (Documentos da CNBB, 105). Brasília: Edições CNBB, 2016, n. 225-239; 2.1. Catequistas já atuantes e. CNBB. Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar 14. No atual momento, é oportuno que as dioceses orien- discípulos missionários. (Documentos da CNBB, 107). tem as paróquias para que escolham os catequistas experientes Brasília: Edições CNBB, 2017; e que tenham realizado a formação básica, ao menos. Deve-se f. CNBB. Ministério e celebração da Palavra. (Documentos considerar toda a caminhada anterior daquele que se prepara da CNBB, 108). Brasília: Edições CNBB, 2019, n. 128-133; para o Ministério, mas sem apressar demais a sua recepção. g. PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO. Diretório para a 15. Os critérios para que catequistas já atuantes recebam o ministério são: Catequese. 2. ed. Brasília: Edições CNBB, 2020, cap. IV. a. ser escolhido pela comunidade eclesial: a escolha cabe ao pároco, em diálogo com as coordenações paroquiais da Iniciação à Vida Cristã (IVC) e outros grupos que ele julgar oportuno; b. ter no mínimo 20 anos de idade e, no mínimo, 5 anos de atuação e experiência na catequese. Tal critério leva em consideração que na transmissão da fé, não basta apenas a experiência de anos, é preciso estar atento aos atuais desafios de contextos que exigem a leitura dos sinais dos tempos, conversão, busca de novos proces- e novas metodologias (CNBB Doc, 107, n. 233). 16 17C. ter participado da formação básica proposta pela 18. Com relação à idade mínima para a instituição como diocese; ministro da Catequese, consideramos o disposto na Carta d. ter participado da formação específica e imediata para Apostólica Ministeria Quaedam de São Paulo VI, que afirma a recepção do Ministério, de acordo com as orientações ser de competência da Conferência Episcopal determinar a da CNBB (mínimo de 6 meses). idade conveniente para os ministérios de leitorado e acolitado (MQ, VII, b).⁷ É importante salientar que, nesta definição, não 2.2. Catequistas iniciantes se aplica a analogia com a idade mínima para a admissão ao sacramento da Ordem, que é de 23 anos, de acordo com o cân. 16. A médio prazo, será necessário um caminho rela- 1031, uma vez que o diácono transitório, nesta idade, já fora tivamente longo (4 a 5 anos) para que se receba o Ministério. instituído em outros ministérios. Destacamos que esse período não será unicamente destinado à formação intelectual, mas incluirá o caminho vocacional do catequista, sua atuação e experiência na catequese. Nesse caso, sugerimos um itinerário orientativo. Cada diocese deverá fazer as devidas adaptações a partir do seu plano formativo e das escolas catequéticas já existentes, além de definir o tempo de cada etapa. 17. Os critérios para que catequistas iniciantes recebam o Ministério são: a. ser escolhido pela comunidade eclesial: a escolha cabe ao pároco, em diálogo com as coordenações paroquiais da IVC e outros grupos que ele julgar oportuno; b. ter no mínimo 20 anos de idade; C. ter participado do itinerário de preparação, de acordo com as orientações da CNBB: atuação e experiência na catequese de no mínimo 5 anos; d. cumprir todas as etapas de formação. A formação real- mente o ajuda a amadurecer com pessoa, como fiel e como apóstolo (cf. DCq, n. 136).6 7 SÃO PAULO VI. Carta Apostólica em forma de Motu Proprio Ministeria Quaedam: com a qual se esta- 6 PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO. Diretório para a Catequese. belecem algumas normas a respeito da ordem sacra do diaconado. (Motu Proprio). Roma, 15 de agosto (Documentos da Igreja, 61) Brasília: Edições CNBB, 2020. de 1972. 18 193 ITINERÁRIOS FORMATIVOS 19. É importante considerar os seguintes aspectos na pre- paração dos Catequistas, com vistas à instituição de tal minis- tério laical: 20. Considerar que os catequistas são vocacionados. Nesse sentido, é preciso levar em conta que a Igreja se empenha pela promoção das vocações religiosas e ao Ministério ordenado. Seria também necessário pensar na vocação do catequista: cons- cientizar a comunidade sobre a sua importância, promover convite às pessoas, discernir sobre quem tem o carisma para se preparar para essa missão, etc. Seria conveniente a criação de uma animação vocacional dos catequistas e até mesmo de uma Pastoral dos Catequistas: não se cuida apenas dos interlocuto- res do processo da IVC, mas, sobretudo, dos agentes de pasto- ral envolvidos (cuidar do cuidador). Assim, orientamos que as coordenações diocesanas tenham presente em seus planos dio- cesanos a promoção da cultura vocacional para os catequistas, elaborando passos para sensibilização, discernimento, acompa- nhamento e adesão à vocação. 21. Considerar Ministério como coroamento de uma cami- nhada. Ministério não é algo a ser alcançado pelo catequista, mas é fruto de um processo. Desse modo, o catequista pode- ria ter uma experiência inicial, por um tempo razoável, antes de receber o Ministério. É conveniente considerar que 21catequista iniciante deve receber acompanhamento adequado. que ainda é preciso crescer em algumas dimensões: na eclesiali- Um catequista mais experiente pode ser o introdutor do novato, dade, nas estruturas de comunhão, nos mecanismos que dão ao seguindo o "estilo de acompanhamento" proposto pelo Diretório leigo o seu protagonismo, na inserção do leigo no mundo e no (DCq, n. 135c). Depois dessa fase inicial (acolhimento), o cate- crescimento humano (existencial). quista é encaminhado para a etapa de aprofundamento (forma- 24. Formar sujeitos eclesiais (cf. Doc. CNBB 105, n. ção ministerial básica e específica). A história e a caminhada de Os catequistas devem ser cristãos autônomos, adultos na fé. cada pessoa devem ser consideradas, de modo que ela possa se Vivem uma experiência eclesial em sua comunidade de fé, sendo formar de modo gradativo. representantes da comunidade: origem e meta da catequese 22. Promover uma formação de inspiração catecumenal, consi- (DCq, n. 133). Nesse sentido, é necessário considerar a inserção derando-a como seu critério fundamental, conforme orientam do catequista no grupo de catequistas: "nele, junto com os pres- os diretórios catequéticos: "seria muito difícil para o catequista bíteros, codivide-se tanto o caminho da fé quanto a experiência improvisar, na sua ação, um estilo e uma sensibilidade para os pastoral, amadurece-se a identidade de catequista e se toma cada quais não tivesse sido iniciado durante a sua própria formação" vez mais consciência do projeto de evangelização. A escuta das (DGC, n. Certamente, presenciamos grandes avanços no exigências das pessoas, o discernimento pastoral, a preparação processo de IVC e de uma catequese de inspiração catecumenal, concreta, a realização e a avaliação dos itinerários de fé se apre- porém é preciso avaliar se a formação de catequistas seguiu na sentam como os momentos de um laboratório formativo perma- mesma linha. nente para cada catequista. grupo de catequistas é o contexto real em que cada um pode ser continuamente evangelizado e 23. Realizar uma formação global e integral. Convém, como permanece disponível para novas abordagens formativas" (DCq, recomenda o Diretório para a Catequese, seguir os âmbitos forma- n. 134). catequista é formado para que esteja em diálogo com toda tivos já conhecidos: ser, saber e saber fazer (DCq, n. 136-150). a comunidade, considerando que o projeto de IVC não é somente A formação deve ter o cuidado de não somente desenvol- da pastoral catequética, mas depende da pastoral orgânica. ver a capacitação didática, metodológica e técnica do cate- quista, mas principalmente sua vivência pessoal e o desen- 25. Considerar a diversidade das modalidades formativas. Não volvimento de sua maturidade humana e comunitária, além bastam conjuntos de palestras, e sim processos que realmente do seu compromisso com a transformação do mundo: a mis- sejam efetivos no envolvimento e que despertem experiências são comum para os leigos se refere primeiramente ao mundo e novas atitudes. A formação acontece no encontro de pessoas, (cf. DAp, n. 209-210). Uma formação global (integral) consi- na partilha vital, na vivência comunitária da fé, na oração, nos dera uma diversidade de dimensões: humana, espiritual, teo- momentos lúdicos e festivos... Como nos tempos primitivos, lógica, pastoral, missionária... Hoje há muitas escolas e cursos exige-se, hoje, uma formação experiencial (DCq, n. 130). de formação, porém há lacunas na formação laical, de modo 9 CNBB. Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade. (Documentos da CNBB, 105). Brasília: Edições 8 CONGREGAÇÃO PARA o CLERO. Diretório Geral para a Catequese. Vaticano, 17 de abril de 1998. CNBB, 2016. 22 2326. Formar para mundo digital. É preciso ter atenção necessariamente, deve incluir o amor à natureza, sendo essa aos novos canais que se tornaram usuais pela amplificação última contemplada como criação e, portanto, como Palavra de do mundo digital. Certamente, será necessária uma forma- Deus. Por consequência, a catequese, como um dos âmbitos edu- ção sobre esse âmbito. Não basta que os agentes de pastorais cativos (LS, n. deve incluir a educação ambiental. Não se tenham acesso e "know-how" sobre a utilização das novas tec- trata de um subjetivismo irracional ou de mera opção política, nologias, mas sim que tenham discernimento para se inserir no mas de uma racionalidade que nasce da sabedoria e da inteli- mundo da comunicação e sejam aptos para formar cristãos na gência da fé cristã, considerada em sua globalidade. mesma linha. 27. Priorizar a formação bíblica. objetivo é a superação 3.1. Preparação diocesana dos subjetivismos irracionais e/ou das leituras ideológicas. 30. A equipe diocesana responsável pela dinamização Assim, continua válida a pergunta que Filipe fez ao etíope: dos diferentes itinerários para a Instituição do Ministério de "Compreendes o que estás lendo?" (At 8,30). A Igreja, de acordo Catequista precisará dedicar-se a uma preparação específica. com a sua tradição, dedica-se amplamente ao estudo da Bíblia. Essa preparação incluirá, entre outras metodologias necessá- Em especial, isso ocorre quando se estuda Teologia, a sagrada rias à realidade própria: 1. estudo do Motu Proprio Antiquum ciência eclesiástica. Descobre-se, assim, a inteligência da fé em Ministerium pela Coordenação Diocesana da Catequese a ser- Jesus Cristo, inclusive as dimensões éticas nela imbuídas. Nesse viço da IVC e sua equipe. Seria interessante realizar esse estudo contexto, deve-se priorizar o estudo do Evangelho, que, com- com as pastorais (Pastoral Familiar, Pastoral Litúrgica, Setor preendido de forma autêntica, ilumina, de forma ímpar, o que Juventude) e 2. Um levantamento da realidade formativa da o ser humano é capaz de pensar e amar. diocese (o que existe, os avanços, as dificuldades). É interes- 28. Dar atenção à Doutrina Social da Igreja. Por um lado, é sante escutar as paróquias sobre as reais necessidades dos cate- necessário para que se considere efetivamente a missão cristã quistas. Cada diocese já tem o seu próprio caminho no âmbito na sociedade, sobretudo diante das recorrentes visões distorci- da formação, e isso deve ser considerado. das que tendem a reduzir a vida cristã ao âmbito do culto. De 31. Em seguida, a Coordenação Diocesana da Catequese outro lado, diante das acirradas polarizações no campo político a serviço da IVC, em diálogo com o Bispo diocesano e com a e social, faz-se ainda mais necessário educar os cristãos para participação do Conselho Diocesano de Pastoral e do Clero, que tenham consciência dos valores evangélicos que norteiam a elabora, a partir das orientações fornecidas pela Conferência vida em sociedade. Episcopal, um plano formativo em vista da recepção do 29. Incluir a formação sobre as dimensões socioambientais Ministério, contendo: a) itinerário de formação para catequis- da fé cristã. Sobretudo a partir da Encíclica Laudato Si' sobre o tas já atuantes (aplicação imediata) e b) itinerário de formação cuidado da casa comum, publicada pelo Papa Francisco em 2015, a Igreja compreende que o amor a Deus e ao próximo, 10 FRANCISCO. Carta Encíclica Laudato Si': sobre cuidado da Casa Comum. (Documentos 22). Brasília: Edições CNBB, 2016. 24 25para catequistas iniciantes (aplicação em médio prazo, levando proposta e sobre o plano formativo. Sugerimos que se realize em consideração o plano formativo já existente). É fundamental um encontro de animação vocacional com os catequistas, para refletir sobre o âmbito em que será realizada a formação em esse fim. conteúdo temático dessa etapa de preparação paro- vista do Ministério: diocesano, regional (forania, decanato, etc.) quial será o plano formativo em preparação para a recepção do ou paroquial. Ministério de Catequista elaborado pela equipe de Coordenação Diocesana da Catequese a serviço da IVC. 32. Então, a Coordenação Diocesana da Catequese a ser- viço da IVC oferecerá, também às equipes de coordenação 35. primeiro passo do itinerário formativo para cate- paroquial da IVC (e formadores de catequistas, se houver) uma quistas já atuantes será a celebração de apresentação dos candi- preparação prévia. objetivo será orientar as paróquias para datos ao Ministério de Catequista. discernir sobre o Ministério e sobre a execução do plano forma- 36. Após a celebração de apresentação, terão início os tivo em vista do seu recebimento. encontros de formação ministerial. Os coordenadores ou forma- 33. Nessa etapa prévia, os conteúdos direcionadores serão: dores conduzirão o processo realizando a "dinâmica do labora- 1. Motu Proprio Antiquum Ministerium; 2. As orientações e pré- tório no contexto de grupo, como prática formativa na qual a -requisitos para a recepção do Ministério de Catequista emiti- fé se aprende fazendo, isto é, valorizando a experiência vivida, as dos pela Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico- contribuições e as reformulações de cada um, tendo em vista um Catequética (CNBB); 3. plano formativo diocesano em aprendizado transformador" (DCq, n. 135f). Podem ser utiliza- preparação para a recepção do Ministério de Catequista (apre- dos os vídeos disponibilizados pela CNBB no canal do YouTube sentado às paróquias, depois de elaborado); 4. Outros materiais Catequese do Brasil, sobre o tema (ou os catequistas assistem ao e documentos que a Coordenação Diocesana da Catequese a vídeo em casa antes do encontro). Em um segundo momento, é serviço da IVC, em diálogo com o Bispo diocesano, considerar feito o laboratório. Ou seja: o tema é trazido para a prática dos oportunos. catequistas, que podem fazer um texto, uma música, um outro vídeo, etc. Aqui há a valorização da experiência vivida, o relato 3.2. Itinerário de formação para catequistas já da vida de cada catequista em relação ao conteúdo aprendido, atuantes, escolhidos para receberem Ministério tendo em conta que a maioria dos catequistas já tiveram contato com os temas propostos. Por fim, ocorre o momento celebra- 34. As coordenações paroquiais da IVC, em comunhão tivo, ressaltando a inspiração catecumenal e a leitura orante. com os párocos, preparam previamente o itinerário formativo 37. Os encontros devem ser organizados de modo a favo- para os catequistas já atuantes, fazendo, inicialmente, o discer- nimento sobre quais serão os catequistas aptos à recepção do recer o aprendizado e a reflexão acerca dos seguintes temas: Ministério, a partir dos critérios orientativos apresentados pela SER - catequista ministro da Palavra: (1) Ministério de CNBB. As coordenações paroquiais da IVC terão, também, a Catequista; SABER - catequista testemunha da fé e guar- dião da memória de Deus: (2) Evangelho de Jesus Cristo responsabilidade de conscientizar os catequistas sobre a nova 26 27(a centralidade do Evangelho na catequese; a Cristologia à luz 3.3. Itinerário de formação para catequistas de cada Evangelho, etc.), (3) Crer (o Símbolo da fé, destaque iniciantes, em vista do Ministério para Jesus Cristo; ter em conta o ecumenismo e o diálogo inter- 42. Inicialmente, é importante esclarecer que o itinerário -religioso), (4) Celebrar (relação entre Catequese e Liturgia), (5) formativo para Catequistas iniciantes tem duração sugerida de Viver (as Bem-Aventuranças, a missão do cristão no mundo), 5 anos porque inclui o tempo de discernimento acerca da voca- (6) Orar (o Pai-Nosso como modelo de oração do catequista) e ção ao ministério laical e a experiência de atuação na Catequese, SABER FAZER catequista mestre e mistagogo: (7) A cate- além da formação ministerial que, por sua vez, inclui a dimensão quese de inspiração catecumenal e o papel do catequista nessa intelectual. É imprescindível que a coordenação paroquial de perspectiva, (8) Prática e partilha de uma atividade evangélico- catequese a serviço da IVC dê atenção a essa formação integral, -transformadora (cuidado da Casa Comum, caridade, prática de acordo com as diretrizes apresentadas pela Coordenação sociotransformadora, etc.). Diocesana da Catequese a serviço da IVC que, por sua vez, 38. Esta etapa formativa deve durar no mínimo 6 meses. estará de acordo com os itinerários sugeridos pela Conferência Mesmo que muitos catequistas já sejam considerados aptos Episcopal. tempo dedicado a cada etapa do itinerário será para a recepção do Ministério, não convém apressar muito a definido pela Coordenação Diocesana da Catequese a serviço sua recepção, sem que haja um discernimento sobre esse novo da IVC. contexto. 43. itinerário formativo para catequistas iniciantes, 39. Após os encontros de preparação ministerial, terá em vista do Ministério, inicia-se no tempo do chamado. Esse lugar a preparação próxima, com um retiro espiritual e um tempo será dedicado à promoção vocacional, conscientização pedido formal para recepção do Ministério de Catequista. Para da importância do Ministério de Catequista para a comunidade essa etapa, podem ser escolhidos temas bíblicos a critério dos e convite formal aos novos. Sugerimos que a paróquia faça um organizadores. retiro/convívio com os candidatos para discernir se realmente querem viver Ministério catequético como uma vocação. É 40. Cumprido todo o itinerário formativo para importante que haja uma conversa personalizada com o cate- Catequistas atuantes, seja celebrada a Instituição do Ministério quista introdutor (já mais experiente ou, onde for possível, já de Catequista, com o rito próprio traduzido e aprovado pelo instituído como Ministro) ou com a Coordenação paroquial da Episcopado brasileiro. IVC, com o intuito de perceber um levantamento da realidade e 41. É importante destacar que as dioceses, com anuência das motivações do futuro catequista. Só depois desses momen- do Bispo diocesano, podem fazer as adaptações necessárias e tos preliminares, haverá a proposta formativa. adequadas diante de sua realidade formativa. Após a institui- 44. Durante todo o itinerário formativo, será importante ção, seja também garantida aos ministros catequistas a forma- um acompanhamento personalizado: catequista iniciante faz ção continuada. o caminho com um catequista introdutor. Esse caminho inclui 28 29conversas, trabalho personalizado, direção espiritual, inserção/ aprende fazendo, isto é, valorizando a experiência vivida, as participação na vida do grupo de catequistas. Os temas formati- contribuições e as reformulações de cada um, tendo em vista vos são trabalhados de maneira personalizada e dialogal, acom- um aprendizado transformador" (DCq, n. 135f). Dê-se atenção, panhados da leitura orante, com o auxílio do catequista intro- também, a uma formação de inspiração catecumenal: orante, dutor, incluindo os seguintes conteúdos, por exemplo: encontro celebrativa, bíblica (leitura orante). Os temas sugeridos para com Jesus, vocação e seguimento; iniciação à vida de oração e à essa etapa são: SER catequista ministro da Palavra: (1) A leitura orante da Bíblia; o que é a catequese? perfil do catequista: catequese evangelizadora (querigmática e mistagógica); (2) A ser, saber e saber fazer (ênfase na formação humana: maturi- catequese nos atuais documentos da Igreja; (3) Ministério de dade psicológica, interrelacional, espiritual). Catequista. SABER catequista testemunha da fé e guardião da memória de Deus: (4) Introdução à Sagrada Escritura (Como 45. Após um caminho suficiente na etapa do chamado, cele- a Igreja lê a Bíblia: noções de hermenêutica); (5) A fé do povo bra-se a apresentação dos candidatos ao serviço da Catequese a de Deus na Bíblia; (6) Evangelho de Jesus Cristo (a centrali- toda a comunidade. dade do Evangelho na catequese; a Cristologia à luz de cada 46. itinerário prossegue, então, com a etapa do segui- Evangelho, etc.); (7) Crer (Símbolo da fé, Jesus Cristo em pers- mento: o catequista começa a atuar na catequese com o grupo pectiva trinitária, Igreja, Ecumenismo, Maria como modelo para de catequizandos. Já inclui a participação no grupo de catequis- catequista); (8) Celebrar (Sacramentos, Liturgia como ação tas, mas é imprescindível que continue o acompanhamento per- memorial, Ano Litúrgico, relação entre Catequese e Liturgia); sonalizado, feito pelo pároco e pelos catequistas introdutores: (9) Viver (Mandamentos da lei de Deus, Bem-Aventuranças, conversas, ajuda em questões práticas (esclarecimento de dúvi- Doutrina Social da Igreja, Laudato Si', Fratelli Tutti); (10) Orar das, preparação dos encontros), direção espiritual. catequista (Pai-Nosso como modelo de oração do catequista, vida de ora- iniciante, na etapa do seguimento, pode, inclusive, participar ção). SABER FAZER catequista mestre e mistagogo: (11) com os catequistas experientes das formações continuadas. catequista mistagogo; (12) A pedagogia e a metodologia cate- 47. Ao fim da etapa do seguimento, terá lugar a celebração quética; (13) encontro catequético; (14) A comunicação na catequese (comunicação oral, comunicação no mundo virtual); de entrega da Palavra. (15) Planejamento e execução de itinerários de inspiração cate- 48. A terceira etapa do itinerário formativo para cumenal na IVC; (16) Prática e partilha de uma atividade evan- Catequistas iniciantes será a da formação ministerial (básica e gélico-transformadora (cuidado da Casa Comum, caridade, específica). É a etapa com caráter mais intelectual. A formação prática sociotransformadora, etc.). ministerial básica favorecerá o encontro do catequista com a 49. A formação ministerial específica terá por horizonte pessoa de Jesus Cristo, a inserção na vida catequética e o apro- seu âmbito de atuação, considerando que cada especificidade fundamento dos conteúdos específicos para o Ministério de exige uma formação própria. Os temas desta etapa, portanto, Catequista. É importante priorizar a dinâmica de laboratório atenderão a tais especificidades de atuação, por exemplo: no contexto de grupo (...): "prática formativa na qual a fé se 30 31catequese batismal, catequese com crianças, catequese com adolescentes e jovens IVC e pós-Sacramentos, catequese com catequese com pessoas com deficiência, 4 catequese pré e pós-matrimônio, catequese indígena. 50. Após a formação ministerial, será celebrado o pedido público e formal para a recepção do Ministério de Catequista. CONSIDERAÇÕES SOBRE A 51. Após o pedido, sugerimos também uma prepara- ESTABILIDADE DO MINISTÉRIO ção próxima, com retiros espirituais e preparação pessoal do catequista. Os temas bíblicos serão escolhidos a critério dos organizadores. 54. É assegurada a estabilidade ao catequista instituído como ministro, de acordo com os critérios e itinerários expostos 52. Cumprido todo o itinerário formativo para Catequistas iniciantes, seja celebrada a Instituição do Ministério de pela CNBB e segundo o rito oficial. Destacamos que o minis- Catequista, com o rito próprio traduzido e aprovado pelo tério estável não comporta uma segunda instituição, de modo análogo aos ministérios do leitorado e acolitado, que não são Episcopado brasileiro. renovados.¹¹ No entanto, há que se atentar para a distinção entre 53. É importante destacar que as dioceses, com anuência o ministério e o exercício do mesmo. A Conferência Episcopal do Bispo diocesano, podem fazer as adaptações necessárias e pode regular a duração do exercício do ministério. adequadas diante de sua realidade formativa. Após a institui- ção, seja também garantida aos ministros catequistas a forma- 55. Sugerimos que a duração do exercício do ministério ção continuada. seja de 4 a 5 anos. Encorajamos, no entanto, que cada diocese, a partir do diálogo estabelecido entre o bispo diocesano, a Coordenação diocesana da Catequese de IVC e outros conse- lhos devidos, estabeleça claramente os critérios e o tempo para o exercício do ministério, prevendo, inclusive, casos em que a interrupção do exercício do ministério poderá ser implicada. Não se perca de vista, no entanto, que ao fim do tempo do exer- cício, a pessoa instituída não perde o ministério: ele é estável. 56. Há importância na definição prévia de um tempo para o exercício do Ministério de Catequista. Esse tempo assegura 11 Para noções análogas acerca da estabilidade, cf. Carta Apostólica Ministeria Quaedam de São Pulo VI, que Instituiu os ministérios de Leitor e Acólito, e nova redação do cân. (Motu Proprio Spiritus Domini, p.10) 32 33que o(a) catequista instituído possa encontrar-se no exercício de seu ministério e tenha tempo para efetivamente vivê-lo como um serviço à comunidade; garante, também, que a presteza e responsabilidade do(a) catequista instituído(a) possam ser ava- 5 liadas com frequência. Ao fim do tempo de duração do exer- cício do ministério, após o discernimento de quais catequistas estão aptos ou não à renovação do exercício, a diocese pode MOVIMENTOS ECLESIAIS E celebrar a renovação do exercício do ministério, em data ade- MINISTÉRIO DE CATEQUISTA quada. Cuide-se para que a celebração da renovação não seja semelhante ou sugira uma nova instituição. 57. A catequese é um serviço importante na comunidade eclesial missionária, que nasce do envio de Jesus (cf. Mc 16,15). Faz com que a mensagem de Cristo chegue a todas as pessoas, tendo o querigma e a mistagogia como fios condutores de todo o itinerário com inspiração catecumenal. Como serviço indis- pensável na comunidade, a catequese é uma realidade dinâmica e gradual que está a serviço da Palavra de Deus. Ela "acom- panha, educa e forma na fé e para a fé, introduz à celebração do Mistério, ilumina e interpreta a vida e a história humanas" (DCq 55). 58. Assiste-se ao crescimento e ao florescimento de muitos movimentos eclesiais com o desejo de viver certa espirituali- dade. Os vários carismas presentes nos diversos movimentos são, na realidade, uma riqueza e um dom para toda a Igreja. Os membros dos movimentos eclesiais que desejam colaborar e atuar na catequese de Iniciação à Vida Cristã, procurem sempre o fazer em sintonia com as orientações de cada Igreja Particular. "Na catequese é importante primeiro educar àquilo que é comum a todos os membros da Igreja, para somente depois se deter no que é peculiar ou diversificante" (DGC, n. 262b). 59. É importante esclarecer que os candidatos ao ministé- rio ordenado, religiosos e religiosas e professores de religião 34 35católica nas escolas, preferencialmente, não devem ser instituí- dos no Ministério de Catequista. Isso porque seu serviço tem uma natureza própria, especificamente definida e distinta do serviço ministerial da Catequese de IVC. Essa natureza própria 6 é caracterizada, por exemplo, pela ligação a outro ministério (o ordenado), pelo serviço a uma ordem ou comunidade especí- fica e, mesmo, pela remuneração (no caso dos professores de E O(A) CATEQUISTA QUE NÃO SE TORNA escolas católicas). Analogamente, aqueles que atuam em uma MINISTRO(A) INSTITUÍDO(A)? Catequese específica dentro de movimentos eclesiais tais como descritos anteriormente não deverão ser instituídos, uma vez que seu serviço está relacionado diretamente à pertença a deter- 60. Ser catequista é uma vocação, é uma resposta a um minado movimento¹². bispo diocesano, em diálogo com as chamado. Em grande parte de nossas Comunidades Eclesiais, coordenações de IVC e conselhos devidos, será sempre o res- temos catequistas que exercem seu ministério de forma reco- ponsável pelo discernimento de casos particulares. nhecida ou confiada pela Igreja. Isso significa que são chamados, vocacionados para tal missão, pois quando o(a) catequista dedi- ca-se à Catequese, que está a serviço da Iniciação à Vida Cristã, em sua comunidade eclesial, exerce seu ministério com a apro- vação do pároco e o apoio da comunidade. Como consequência, temos assim um ministério reconhecido. E se também tiver rece- bido a designação para ser catequista através de uma nomeação ou de um rito litúrgico, seu ministério torna-se confiado, visto que o realiza em nome da Igreja, que através de seus pastores autoriza tal serviço à evangelização. 61. Por ser um ministério de suma importância para a Igreja, a Carta Apostólica Antiquum Ministerium abre portas para que este seja um ministério instituído. Isso significa que há um reco- nhecimento oficial do ministério laical de catequista, que se dá a partir de um rito litúrgico. Os(as) catequistas que já cumprem todos os critérios e itinerário formativo estabelecidos pela CNBB podem ser instituídos, assim como aqueles e aquelas que são cha- mados a exercer esse ministério, após também cumprirem todos 12 Cf. Lettera della Congregazione per il Culto Divino e la Disciplina dei Sacramenti ai Presidenti delle Con- os critérios e o itinerário formativo, poderão ser instituídos. ferenze dei Vescovi sul Rito di istituzione dei Catehisti, 13.12.2021 36 3762. A instituição não faz do catequista um ser poderoso ou catequese, pois quem é instituído se compromete a se dedicar um ser melhor do que os catequistas que ainda não são instituí- por um tempo mais prolongado nessa missão específica. dos, pois precisamos recordar sempre que mesmo os que não 64. Portanto, a diferença entre ser catequista instituído e são instituídos já exercem seu ministério de forma reconhecida catequista não instituído não está na essência do ser catequista, ou confiada pela Igreja. A instituição não faz com que alguns se mas no compromisso que é assumido publicamente perante a tornem catequistas oficiais e os outros não instituídos sejam de Igreja, a partir de um rito próprio de instituição para exercer segunda categoria. Nem todos os catequistas cumprem todos os tal ministério com atitudes de serviço, humildade, zelo, apaixo- critérios para serem instituídos, mas nem por isso deixarão de namento..., e que os (as) catequistas sejam "colaboradores fieis continuar exercendo seu ministério, que de certa forma, como já dos presbíteros e diáconos, disponíveis para exercer o ministé- afirmamos, é um exercício reconhecido ou confiado pela Igreja. rio onde for necessário e animados por verdadeiro entusiasmo 63. Estudo da CNBB 95 recorda que: apostólico" (AtM, n. 8). Todos os catequistas devem procurar Ministério não é poder. Ministério não é honra. Ministério viver este empenho, mas, como já afirmamos, os que são ins- não é prêmio. Ministério não é distintivo de superiori- tituídos assumem publicamente que querem vivê-lo e, mesmo dade. Ministério não é título de desigualdade. Ministério que não estejam exercendo o ministério, é "diakonía", isto é, serviço que, suscitado e sustentado não deixam de ser catequistas. pelo Deus Amor, há de ser vivido na pobreza e na hu- mildade, virtudes divinas que os servidores da Igreja e do Evangelho devem exercitar para poderem refletir, em suas ações as motivações, as atitudes e os comportamen- tos do próprio Deus em suas relações com seus filhos e filhas (cf. Fl 2,5-11; 3,12-17).¹³ Assim, como fruto de um processo gradual no exercí- cio do ministério laical, a instituição possibilita ao catequista tornar-se um sinal, um modelo de discípulo missionário, que a exemplo de seu Mestre Jesus se coloca como servidor de to- dos. Além disso, possibilita também uma maior valorização desse ministério perante a Comunidade eclesial. E num sentido mais prático, faz com que tal ministério seja exercido de forma estável, evitando assim uma rotatividade e improvisação na 13 CNBB; COMISSÃO EPISCOPAL PASTORAL PARA A ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA. Ministério de Ca- tequista. (Estudos da CNBB, 95). Brasília: Edições CNBB, 2021, p. 54. 38 39CONCLUSÃO 65. A Igreja no Brasil recebeu, com grande entusiasmo, a notícia da Instituição do Ministério de Catequista, por parte do Papa Francisco, através do Motu Proprio Antiquum Ministerium, no dia 10 de maio de 2021. Desde então, a alegria do reco- nhecimento que tal instituição traz nos impulsionou a elabo- rar e apresentar os itinerários e os critérios que irão orientar os primeiros passos dessa nova etapa na história da catequese, especialmente no Brasil. Sabemos que as orientações que apre- sentamos neste material serão enriquecidas com a experiência de tantos catequistas que, espalhados por todo o país, levam adiante a brilhante missão de promover a Iniciação à Vida Cristã, anunciando o Evangelho e testemunhando a graça do discipulado. Ansiamos por ver as primeiras instituições do Ministério de Catequista acontecendo pelas diversas dioceses do Brasil, entendendo que este gesto será o coroamento de um caminho fecundo que já temos trilhado há tanto tempo. Em nos- sos corações, brilha a gratidão, porque nosso tempo, marcado por mazelas tão diversas, recebeu como dádiva esse Ministério, confirmação da importância e do valor desse serviço para a vida da Igreja e para a vida concreta de cada pequena comunidade. 66. Esperançosos, acreditamos que a Instituição do Ministério de Catequista, Ministério laical, será uma oportuni- dade para reafirmar o quão sublime é o serviço do catequista em cada comunidade eclesial, que realiza sua vocação missio- nária, valorizando sua existência. A instituição do serviço cate- quético como Ministério trará estabilidade para os que atuam 41nesse âmbito pastoral, inspirará a consciência da seriedade desse serviço, garantirá uma formação permanente e adequada e atrairá a todos que desejam, de alguma forma, comprometer- REFERÊNCIAS -se com o Evangelho e com o seu anúncio. BIBLIOGRÁFICAS 67. Firmados esses primeiros passos, queremos continuar caminhando na direção da esperança, junto a Maria, como a Igreja jamais deixou de fazer. Certos de sua companhia inter- CELAM. Manual de Catequética. São Paulo: Paulus, 2007. cessora, enfrentaremos os primeiros desafios, acolhendo cada sugestão e discernindo, a partir das opiniões diversas, os sinais CNBB. Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil do Espírito que nos conduz por veredas antigas e novas, deli- 2019-2023. (Documentos da CNBB, 109). Brasília: neadas pelo Mistério divino que permeia nossa história na sim- Edições CNBB, 2019. plicidade e com ternura. Que o exemplo da Mãe de Jesus, que CNBB. Diretório Nacional de Catequese. (Documentos da tanto ensinou por meio do serviço e do silêncio, possa ser o nosso CNBB, 84). Brasília: Edições CNBB, 2006. horizonte, multiplicando nossas alegrias e fortalecendo nossa coragem, a fim de que os desafios sejam apenas instrumentos CNBB. Formação de Catequistas: critérios pastorais. (Estudos por meio dos quais vamos crescer juntos, como Comunidades da CNBB, 59). São Paulo: Paulus, 1990. Eclesiais Missionárias, que têm a Palavra de Deus como fonte, a Eucaristia como sustento, a comunhão como ideal e o amor CNBB. Iniciação à Vida Cristã: itinerário para formar discípulos como identidade. missionários. (Documentos da CNBB, 107). Brasília: Edições CNBB, 2017. CNBB. Ministério do catequista. (Estudos da CNBB, 95). Brasília: Edições CNBB, 2007. CONGREGAÇÃO PARA CLERO. Diretório Geral para a Catequese. Vaticano, 17 de abril de 1998. FRANCISCO. Carta Apostólica em forma de Motu Proprio Antuquum Ministerium: pela qual se institui o Ministério de Catequista. (Documentos Pontifícios, 48). Brasília: Edições CNBB, 2021. 42 43FRANCISCO. Exortação Apostólica Pós-Sinodal Evangelli Gaudium: sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual. (Documentos Pontifícios, 17). Brasília: Edições CNBB, 2013. PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO. Diretório para a Catequese. 2. ed. Brasília: Edições CNBB, 2020. 44ANEXO INSPIRAÇÃO CATECUMENAL DO ITINERÁRIO FORMATIVO ITINERÁRIO DE FORMAÇÃO A CATEQUISTAS INICIANTES Chamado Seguimento Preparação próxima Tempo de experiência o que é ser catequista a Atuação na Catequese. Retiros espirituais. Formação continuada. partir do encontro com Celebração de Entrega da Preparação pessoal do Jesus. Palavra. catequista. Atuação com um catequis- ta experiente. Celebração de apresentação dos candidatos ao serviço da catequese. Formação Ministerial (básica). Ser, saber e saber fazer. Celebração de pedido público e formal para a recepção do Ministério de Catequista. Celebração de recepção do Ministério de Catequista. Celebração de renova- ção do Ministério de Catequista. Formação ministerial (específica). Temas de acordo com cada especificidade de atuação.EDIÇÕES CNBB www.edicoescnbb.com.brA instituição de um serviço como Ministério Conferência Nacional dos Bispos do Brasil CNBB por parte da Igreja é uma ação que coloca em evidência sua importância. A instituição do Ministério de Catequista é a confirmação do reconhecimento da missão do(a) discípulo(a) missionário(a) que responde com alegria ao chamado do Senhor, para anunciar e testemunhar, com a própria vida seu grande amor. Para fortalecer neste caminho, Santo Padre Francisco indicou a possibilidade de que seja conferido Ministério de Catequista, cabendo Critérios e Itinerários às Conferências Episcopais a indicação dos critérios e itinerário formativo. É que agora temos aqui, após diligente trabalho da para a Instituição Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-catequética. do Ministério de Catequista ISBN 978-65-5975-149-5 Documentos da CNBB 112 EDIÇÕES CNBB