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Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) Autor: Fábio Dutra 30 de Dezembro de 2021 07802236754 - Rodrigo Araujo Fábio Dutra Aula 02 Índice ..............................................................................................................................................................................................1) Imunidades - Aspectos Gerais 3 ..............................................................................................................................................................................................2) Imunidade Recíproca 12 ..............................................................................................................................................................................................3) Imunidade Religiosa 22 ..............................................................................................................................................................................................4) Imunidade dos Partidos Políticos, Entidades Sindicais e de Assistência Social 26 ..............................................................................................................................................................................................5) Imunidade Cultural 36 ..............................................................................................................................................................................................6) Imunidade em Favor da Produção Musical Brasileira 41 ..............................................................................................................................................................................................7) Outras Espécies de Imunidade Tributárias 45 ..............................................................................................................................................................................................8) Questões Comentadas - Imunidades Tributárias - Multibancas 56 ..............................................................................................................................................................................................9) Lista de Questões - Imunidades Tributárias - Multibancas 88 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 2 108 IMUNIDADES O tema que será tratado nesta aula é de suma importância para concursos públicos. As bancas adoram cobrar imunidades tributárias nas provas de Direito Tributário. Desta forma, vamos abordar o assunto no grau de profundidade que ele merece, com o intuito de deixá-lo totalmente preparado para qualquer prova sobre o assunto. Assim, iniciaremos explicando o conceito de imunidade, isenção e não incidência. Posteriormente, serão abordadas as classificações doutrinárias das imunidades. Por fim, vamos estudar as imunidades em espécie! Vocês verão que o assunto é bem tranquilo, embora tenha certa riqueza de jurisprudência. 1. Conceito de Imunidade, Isenção e Não Incidência Você precisa saber que imunidade, isenção e não incidência geram o mesmo efeito prático para a pessoa beneficiada: não pagar tributo. Uma pessoa isenta ou imune não paga o tributo objeto da imunidade ou da isenção. Então, na prática, o efeito é o mesmo! Porém, juridicamente, e nas provas de concursos públicos, existem distinções relevantes, e é por isso que as estudaremos, você precisa estar pronto no dia da prova! Vamos lá! A fim de compreendermos com exatidão a diferença entre os conceitos de imunidade, isenção e não incidência, é necessário que entendamos primeiramente o que vem a ser incidência tributária. Quando uma lei institui determinado tributo, ela prevê os elementos essenciais para que seja possível sua cobrança (hipótese de incidência, sujeitos ativo e passivo, base de cálculo e alíquota). Veja que a hipótese de incidência, como elemento essencial na instituição dos tributos, prevê na lei uma situação que, ocorrida no mundo real, dará origem ao fato gerador do tributo. Dessa forma, quando a situação prevista em lei se concretizar, houve incidência tributária (ocorre o fato gerador). Nós já vimos superficialmente isso na aula anterior, você se lembra? Agora que já sabemos o que é incidência tributária, o que poderia ser considerado não incidência? Podemos citar três situações: • A pessoa política não faz uso da competência tributária que lhe foi conferida. Podemos dizer que seria o caso de um tributo instituído “pela metade”, em que o ente não prevê todas as hipóteses de incidência capazes de gerar a tributação; • A pessoa política não possui competência tributária para determinar certas situações fáticas como hipótese de incidência. Esta hipótese se refere a situações que fogem do raio de incidência daquele tributo. Por exemplo, o IPVA não pode incidir sobre bicicletas; • A pessoa política é “barrada” pela CF/88. Ou seja, há certo dispositivo constitucional que inibe a possibilidade de o ente prever aquela situação como hipótese de incidência do tributo. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 3 108 Observação: Competência tributária é o poder conferido pela Constituição aos entes federados para instituírem tributos (impostos, taxas etc.), sempre por meio de lei. Como a CF/88 não cria tributos, é o exercício da competência tributária que torna possível a cobrança dos tributos. O tema será estudado em outra aula. Todas as três situações acima se referem a não incidência tributária. Contudo, a última pode ser considerada como hipótese de não incidência constitucionalmente qualificada. Por tal motivo, é denominada IMUNIDADE. A imunidade pode ser considerada uma incompetência tributária. Perceba, pela explicação inicial do tópico, que tanto na imunidade propriamente dita, como nas demais situações que de não incidência, não há a ocorrência do fato gerador. Guarde isso! Precisamos nos atentar ainda para o conceito de isenção. Trata-se de um benefício fiscal concedido pelo ente político, por intermédio de lei. Ou seja, é a dispensa legal do pagamento do tributo, sendo considerada uma decisão política. Neste caso, há uma hipótese de incidência prevista na lei que instituiu o tributo e, por esse motivo, o fato gerador ocorre. Contudo, o tributo não vem a ser cobrado, pois a isenção é uma hipótese de exclusão do crédito tributário. Não iremos nos aprofundar neste conceito, por enquanto, para não ter o risco de confundirmos. O momento irá chegar. O que importa, por enquanto, é saber que a isenção decorre do exercício da competência tributária e o fato gerador do tributo chega a ocorrer, e a obrigação tributária chega a existir. Isto é, o ente poderia cobrar aquele tributo, mas decide isentar os contribuintes, mediante a edição de uma lei. Nesta aula, estamos adotando a doutrina clássica, pois é o posicionamento adotado pelo STF (ADI 286). Há divergência doutrinária sobre a existência ou não da obrigação tributária nos casos de isenção. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 4 108 A doutrina clássica, preconizada por Amílcar de Araújo Falcão1, dentre outros, defende que a isenção constitui apenas em dispensa legal do pagamento do tributo, isto é, o fato gerador ocorre, a obrigação tributária chega a existir, mas não o crédito tributário, tendo em vista que ocorre a sua exclusão, nos termos do art. 175, I, do CTN. Esta é a linha adotada pelo STF (ADI 286). A doutrina mais moderna entende que, em casos de isenção, não há ocorrência do fato gerador, de forma que a obrigação tributária não chega a existir. Nesta linha, De acordo com o autor Roque Antônio Carraza2, “a isenção pode ser definida como limitação legal dorefiram a situações em que a entidade imune é contribuinte de fato, há uma diferença entre eles: no AI 535.922, os bens adquiridos passam a integrar o patrimônio da entidade; no AI 731.786 se refere a mero consumo do serviço de energia elétrica. O que você precisa guardar para a prova é o seguinte: -Se a questão mencionar que o bem foi adquirido e passou a integrar o patrimônio da entidade, haverá imunidade. -Se houver apenas menção de que a entidade está na posição do contribuinte de fato, não haverá imunidade. Além de tais casos, devemos guardar que a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF/88, também “abrange o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, que incidem sobre bens a serem utilizados na prestação de seus serviços específicos” (STF, RE 243.807). Destaque-se que tal imunidade estende-se ao Imposto sobre operações financeiras (IOF) (STF, RE 192.899- AgR): EMENTA: IOF. Imunidade tributária. Instituição de educação sem fins lucrativos. A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da Constituição, estende-se ao imposto sobre operações financeiras. Precedente: RE 230.128-AgR, 1ª T., 8.10.2002, Ellen Gracie, DJ 8.11.2002. (STF, RE 192.899/MG, Primeira Turma, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento em 20/06/2006) Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 32 108 O ensino de línguas estrangeiras também caracteriza-se como atividade educacional para aplicação da imunidade tributária, consoante o entendimento firmado pelo STF no RMS 24.283. A cobrança de mensalidades pelas entidades educacionais não descaracteriza a imunidade, se não houver distribuição de rendas, lucro ou participação nos seus resultados. Com o intuito de finalizar este tópico, vamos discorrer agora sobre a possibilidade de as entidades fechadas de previdência social serem abrangidas pela imunidade ora em análise. Eis o posicionamento do STF para este assunto: Súmula STF 730 - A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Nesse contexto, de acordo com a Suprema Corte, somente serão alcançadas pela imunidade conferida às entidades de assistência social as entidades fechadas de previdência social privada, quando não houver contribuição dos beneficiários. As entidades fechadas de previdência social privada são aquelas criadas por certas organizações, com o intuito de complementar o valor que será pago de aposentadoria pelo INSS aos seus funcionários. Normalmente, a contribuição ocorre tanto parte do patrocinador (organização) como do beneficiário (empregado). Observe, entretanto, que a CF/88 não abarcou no art. 150, VI, c, as entidades de previdências, mas tão somente as de assistência social. Então, no entender do STF, somente se não houver contribuição dos beneficiários, é que a entidade se caracterizará como assistencial, fazendo jus, assim, à imunidade. Outro ponto digno de nota é o que foi disposto no art. 202, § 3°, da CF/88, como vemos a seguir: “Art. 202 – (...) § 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência privada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista e outras entidades públicas, salvo na qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese alguma, sua contribuição normal poderá exceder a do segurado.” O dispositivo menciona que os entes políticos e as entidades a eles vinculadas (administração indireta) somente contribuirão com entidades de previdência privada na condição de patrocinadores e, mesmo assim, as contribuições deles não podem exceder às dos segurados. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 33 108 Agora eu lhe pergunto: se as contribuições dos patrocinadores devem ser menores que a dos segurados, é porque sempre deve haver contribuições dos segurados, para que os entes públicos participem como patrocinadores, concorda? Fazendo uma relação, portanto, com o que acabamos de ver, não será possível que uma entidade tenha patrocinadores públicos e, ao mesmo tempo, goze da imunidade do art. 150, VI, c. Como de praxe nesta aula, vamos esquematizar a estudada imunidade (incluindo apenas o principal): (Pref. Caruaru-PE-Procurador/2018) A imunidade tributária a) recíproca alcança todos os tributos previstos na Constituição Federal. b) aplica-se incondicionalmente a entidades de assistência social sem fins lucrativos. c) aplica-se exclusivamente à propriedade de imóveis de entidades educacionais, desde que não tenham fins lucrativos. d) aplica-se aos bens, rendas e serviços relacionados às atividades essenciais dos partidos políticos. e) trata-se de política parafiscal com sede constitucional, que não exclui a competência tributária plena. IMUNIDADE Art. 150, VI, “c” Impostos Patrimônio/Renda/S erviços Partidos Políticos Sindicato Trab. Inst. Educacionais Inst. Assistenciais Abrange IOF Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 34 108 Comentário: Alternativa A: A imunidade recíproca se restringe aos impostos sobre patrimônio, renda ou serviços. Alternativa errada. Alternativa B: Tal imunidade fica condicionada ao cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei complementar. Alternativa errada. Alternativa C: Esta imunidade alcança o patrimônio, renda ou serviços das entidades educacionais, desde que não tenham fins lucrativos. Alternativa errada. Alternativa D: Realmente, a imunidade prevista no art. 150, VI, "c", aplica-se aos bens, rendas e serviços relacionados às atividades essenciais dos partidos políticos.Alternativa correta. Alternativa E: A imunidade tributária exclui parte da competência tributária, impedindo, por ordenança constitucional, a cobrança de impostos sobre determinadas pessoas ou bens. Alternativa errada. Gabarito: Letra D (ICMS-PE/2014) A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada, se não houver contribuição dos beneficiários. Comentário: De acordo com a Súmula 730, do STF, a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Gabarito: Correta (ICMS-SP/2013) A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pela Constituição Federal somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Comentário: De acordo com a Súmula 730, do STF, a imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição, somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Gabarito: Correta Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 35 108 Imunidade Cultural O art. 150, VI, d, da CF/88, estabelece que é vedado a todos os entes federados instituírem impostos sobre os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Trata-se da imunidade cultural – também denominada imunidade de imprensa – cujo principal objetivo é favorecer o acesso aos meios culturais, como livros, jornais e periódicos. De imediato, percebemos uma grande diferença entreas demais imunidades já vistas durante a aula e a cultural: esta é objetiva, incidindo sobre “coisas”, ao passo que as demais são subjetivas, sendo parâmetro para concessão a “pessoa”. Seguindo essa linha de entendimento, poderíamos dizer que a imunidade não alcança o Imposto de Renda, por exemplo, incidente sobre os lucros auferidos pelas editoras: EMENTA: TRIBUTÁRIO. ANISTIA DO ART. 150, VI, D, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IPMF. EMPRESA DEDICADA À EDIÇÃO, DISTRIBUIÇÃO E COMERCIALIZAÇÃO DE LIVROS, JORNAIS, REVISTAS E PERIÓDICOS. Imunidade que contempla, exclusivamente, veículos de comunicação e informação escrita, e o papel destinado a sua impressão, sendo, portanto, de natureza objetiva, razão pela qual não se estende às editoras, autores, empresas jornalísticas ou de publicidade -- que permanecem sujeitas à tributação pelas receitas e pelos lucros auferidos. Consequentemente, não há falar em imunidade ao tributo sob enfoque, que incide sobre atos subjetivados (movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira). Recurso conhecido e provido. (STF, RE 206.774, Rel. Min. Ilmar Galvão, Julgamento em 03/08/1999) No mesmo sentido, as operações financeiras realizadas pelas empresas que industrializam tais produtos não podem ser imunizadas do IOF (STF, RE 504.615-AgR). Ademais, a referida imunidade acaba por defender o direito à liberdade de expressão, caracterizado nos incisos IV, V, IX e XIV do art. 5º da CF/88, o que a torna uma cláusula pétrea. Vistos os conceitos iniciais da imunidade cultural, é necessário que conheçamos a jurisprudência a ela atinente, sendo de suma importância para as provas de concurso público. Assim sendo, a jurisprudência consagrada no STF era a de que, além dos livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão, também estavam imunes os outros insumos assimiláveis ao papel. Foi nessa linha que o STF demonstrou, por meio da Súmula 657, que a imunidade cultural abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos: Súmula STF 657 - A imunidade prevista no art. 150, VI, d, da CF abrange os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos. Ocorre que, ao julgar o Recurso Extraordinário 202.149, a Primeira Turma do STF chegou a considerar que a imunidade tributária relativa a livros, jornais e periódicos é ampla, total, apanhando produto, maquinário e insumos. A referência, no preceito, a papel seria, então, meramente exemplificativa e não exaustiva. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 36 108 Contudo, posteriormente, o Min. Celso de Mello admitiu e julgou embargos de divergência (DJe 16/04/2015), apresentados pela União, ocasião em que demonstrou que a decisão tomada pela Primeira Turma divergia da jurisprudência consagrada do STF, conhecendo e dando provimento ao recurso extraordinário da União. Sem nos aprofundarmos neste momento no rito processual, para nossa prova, isso significa que, atualmente, é recomendável seguir o entendimento mais restritivo, qual seja: apenas estão imunes livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão, bem como aqueles assimiláveis ao papel! Nessa mesma linha, em maio de 2018, a Primeira Turma do STF (AI 735.816 AgR), decidiu que a imunidade cultural não pode ser interpretada de modo amplo e irrestrito. Com isso, o STF decidiu que inexiste imunidade relativa a tributos incidentes sobre a importação de tintas e chapas de gravação destinadas à publicação de jornal. Acrescente-se que, para a Suprema Corte, não há proteção constitucional à prestação de serviços de composição gráfica ou de impressão onerosos a terceiros (RE 723.018-AgR). Na linha desse mesmo entendimento, o STF (RE 630.462-AgR) também considerou que os serviços de distribuição de periódicos, revistas, publicações, jornais e livros não estão abrangidos pela imunidade cultural. Portanto, nesse caso, incide o ISS (Imposto sobre Serviços) normalmente. Além disso, não há que se falar em análise do valor cultural, como requisito para conceder a imunidade. De acordo com o STF, “os álbuns de figurinhas e os respectivos cromos adesivos estão alcançados pela imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “d”, da Constituição Federal”. A concessão da imunidade sobre livros, jornais e periódicos independe da prova do valor cultural ou pedagógico da publicação. A referida imunidade também abrange as apostilas: “EMENTA: IMUNIDADE. IMPOSTOS. LIVROS, JORNAIS, PERIÓDICOS E PAPEL DESTINADO À IMPRESSÃO. APOSTILAS. O preceito da alínea "d" do inciso VI do artigo 150 da Carta da República alcança as chamadas apostilas, veículo de transmissão de cultura simplificado.” (STF,RE 183.403/SP, Segunda Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, Julgamento em 07/11/2000) Ainda no que diz respeito à imunidade cultural, destacamos o julgamento do Recurso Extraordinário 330.817/RJ, com repercussão geral reconhecida, no qual ficou decidido pelo Supremo Tribunal Federal que livros eletrônicos e os suportes próprios para sua leitura são alcançados pela imunidade. Assim, podemos dizer que não apenas os livros digitais (e-books), mas também os denominados e-readers, isto é, equipamentos eletrônicos elaborados exclusivamente para viabilizar o acesso aos livros digitais. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 37 108 Se a extensão da imunidade cultural aos livros eletrônicos já era considerada muito relevante, o tema tomou ainda mais relevância para as próximas provas de concursos púbicos com a aprovação, em abril de 2020, da Súmula Vinculante 57, cujo enunciado é o seguinte: Súmula Vinculante 57 - A imunidade tributária constante do artigo 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias Livros digitais e os equipamentos eletrônicos destinados à sua leitura são imunes da incidência de impostos! Isso vai cair nas próximas provas! É a Súmula Vinculante 57! Destaque-se que a inserção de anúncios e publicidade em listas telefônicas, com o objetivo de permitir a divulgação das informações a custo zero para os assinantes, não descaracteriza a imunidade em tela (RE 199.183). No entanto, é de se ressaltar que os encartes de propaganda com exclusiva índole comercial não podem ser considerados imunes, como vemos a seguir: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. ENCARTES DE PROPAGANDA DISTRIBUÍDOS COM JORNAIS E PERIÓDICOS. ISS. ART. 150, VI, d, DA CONSTITUIÇÃO. Veículo publicitário que, em face de sua natureza propagandística, de exclusiva índole comercial, não pode ser considerado como destinado à cultura e à educação, razão pela qual não está abrangido pela imunidade de impostos prevista no dispositivo constitucional sob referência, a qual, ademais, não se estenderia, de qualquer forma, às empresas por eles responsáveis, no que concerne à renda bruta auferida pelo serviço prestado e ao lucro líquido obtido.” (RE 213.094/ES, Rel. Min. Ilmar Galvão, julgamento em 22/6/1999) Observação: Mais uma vez podemos perceber o caráter objetivo da imunidade, a qual não alcançou as empresas! Nesse caso, excepcionalmente, a imunidade não alcançou nem mesmo os bens, por terem exclusiva índole comercial! Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 38 108 ==14c6c2== (MPE-CE-Promotor de Justiça/2020) Livros e jornais gozam de isenção tributária. Comentário: O que se tem é um caso de imunidade, prevista no art. 150, VI, "d", da CF/88, que não pode ser confundida com isenção, sendo estaprevista sempre em lei. Gabarito: Errada (SEFAZ-PE/Auditor Fiscal do Tesouro Estadual/2014) Em relação às imunidades tributárias, é correto afirmar: a) Os serviços notariais e de registro, por serem exercidos em caráter público, por delegação do Poder Público, sujeitam-se à imunidade tributária recíproca. b) A sociedade de economia mista prestadora de serviço público de água e esgoto não é abrangida pela imunidade tributária recíproca. c) As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, ainda que seu capital social seja majoritariamente estatal, não gozam da imunidade tributária recíproca. d) A imunidade tributária conferida a instituições de assistência social sem fins lucrativos somente alcança as entidades fechadas de previdência social privada, se não houver contribuição dos beneficiários. e) A imunidade tributária sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão não se aplica ao álbum de figurinhas. Comentário: Alternativa A: Tal tema já foi enfrentado pelo STF, que afastou a imunidade no caso. Alternativa errada. IMUNIDADE CULTURAL Impostos Livros, Jornais e Periódicos Papel destinado sua impressão Não Abrange: Encartes de propag./Serv. Composição Gráfica Abrange: Álbum de Figurinhas/ Apostilas/Filmes e papéis fotográficosAs pessoas jurídicas não estão protegidas. Incide: IOF/IR/ISS Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 39 108 Alternativa B: O STF já reconheceu, por exemplo, a imunidade da companhia de água e esgoto do Estado de Rondônia (CAERD). Alternativa errada. Alternativa C: Pelo contrário. Nessa hipótese tais sociedades de economia mista farão jus à imunidade. Alternativa errada. Alternativa D: É a literalidade da súmula 730 do STF. Alternativa correta. Alternativa E: O STF já reconheceu a imunidade em tal situação. Alternativa errada. Gabarito: Letra D (ICMS-PE/2014) A imunidade tributária sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão não se aplica ao álbum de figurinhas. Comentário: Vimos durante a aula que o STF já decidiu favoravelmente à extensão da imunidade cultural ao álbum de figurinhas. Gabarito: Errada Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 40 108 Imunidade em favor da produção musical brasileira Nesse momento, vamos tratar de uma emenda constitucional, que acrescentou mais uma imunidade ao texto constitucional, que afeta diretamente o tema estudado na aula de hoje. Trata-se da EC 75/2013, cujo projeto foi denominado PEC da Música. Vamos ver o que diz o seu texto: “Art. 1º O inciso VI do art. 150 da Constituição Federal passa a vigorar acrescido da seguinte alínea e: VI . instituir impostos sobre: e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser.” O que isso significa? A emenda trouxe mais uma imunidade tributária. Lembre-se do que estudamos na semana passada: é permitido que uma emenda constitucional venha acrescentar novos direitos aos contribuintes, instituindo outras limitações ao poder de tributar! Vamos entender os termos mencionados no dispositivo constitucional: Fonogramas Registro sonoro em suporte material (CDs ou disco de vinil) Videofonogramas Registro de imagem e som em suporte material (DVDs). Obras Musicais Relativas a música. Obras Literomusicais Espetáculos ou reunião social em que se leem trechos literários ou poemas e que há apresentações musicais. Sabendo-se que imunidade é uma forma de não incidência constitucionalmente qualificada, qual seria, portanto, a limitação imposta ao Estado pela EC 75/2013? Ora, está vedado a todos os entes federativos instituir impostos (e não tributos, como as bancas adoram cobrar) sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 41 108 Destaque-se que a etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser foi excepcionada, não estando imune aos impostos. Para facilitar a memorização de tal exceção, faz-se necessário entender o motivo de ela ter sido incluída no texto constitucional. Levando em consideração que a grande maioria dos CDs e DVDs fabricados no Brasil sai da Zona Franca de Manaus, o que houve foi a tentativa de manter aquele pólo industrial atrativo para as empresas. Explique-se melhor: caso o processo de replicação se tornasse imune, não haveria motivo para as fábricas responsáveis por esta etapa industrial continuarem instaladas naquela longínqua região já que, o benefício fiscal lá concedido, hoje estaria imune em todo o território nacional. Entendeu? O principal aspecto sobre essa novidade é saber como as bancas podem cobrar este assunto. Eu diria que elas vão permanecer estendendo aos tributos a imunidade que só abrange impostos, considerando incorreta a assertiva. Outra possibilidade é cobrar a exceção que nós vimos (sobre a replicação das mídias), bem como a restrição de que apenas os fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil e que contenham obras de autores brasileiros – e/ou interpretadas por artistas brasileiros – estão imunes aos impostos. Enfim, você deve saber o seguinte: 1. Os fonogramas e videofonogramas devem ser produzidos no Brasil; 2. As obras não precisam ser dos autores brasileiros. Entretanto, devem ser, no mínimo, interpretadas por artistas brasileiros; 3. Abrange os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham; 4. A etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser não está imune. (TJ-RR-Juiz Substituto/2015) Mary, Juan, Cristina e François são quatro amigos que tinham, originariamente, as respectivas nacionalidades: americana, mexicana, brasileira e canadense. Eles acabaram de se graduar em música, na Juilliard School, de Nova Iorque. Em 2010, os quatro músicos decidiram passar o carnaval no Brasil. Os estrangeiros se encantaram com a terra, com o povo e, principalmente, com a variedade de sons da música brasileira. Juan gostou tanto que, em 2011, naturalizou-se brasileiro. François, por sua vez, conseguiu visto de residência permanente no Brasil já em 2012. Em 2014, Mary produziu, em Belo Horizonte, um CD com canções sertanejas de Marcelo & Marcelinho, autores gaúchos, que interpretaram as canções de sua autoria; Juan produziu, no Rio de Janeiro, um DVD com melodias do cancioneiro indígena da Amazônia; Cristina produziu, na Argentina, um CD com letras e músicas de sua criação e, por fim, François produziu, em São Paulo, um CD instrumental com melodias folclóricas medievais de autores franceses. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 42 108 Com base nas informações acima e no que dispõe a Constituição Federal a respeito das limitações ao poder de tributar, o ICMS NÃO incide sobre as operações de comercialização, no território nacional, do I. CD produzido por Cristina. II. CD produzido por Mary. III. DVD produzido por Juan. IV. CD produzido por François. Está correto o que se afirma APENAS em a) I, II e IV. b) I e IV. c) II e III. d) II e IV. e) III e IV. Comentário:A imunidade da música nacional alcança os impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Analisemos, caso a caso: Mary: Trata-se de fonograma contendo obras musicais interpretadas por artistas brasileiros e foi produzido no Brasil. Portanto, está imune da incidência do ICMS. Juan: Sendo Juan brasileiro naturalizado, o DVD (videofonograma) por ele produzido no Brasil com melodias do cancioneiro indígena da Amazônia está imune da incidência do ICMS. Cristina: Não se enquadra na regra da imunidade, porque, embora seja brasileira, sua obra foi produzida no exterior (Argentina). François: Não se enquadra na regra da imunidade, porque, embora seja uma obra produzida no Brasil, não contém obras de autores brasileiros ou interpretadas por artistas brasileiros. Gabarito: Letra C (SEFAZ-PI-Auditor Fiscal/2015) A Constituição Federal estabelece limitações ao poder de tributar, concedido aos entes federados. No que se refere a estes limites, é vedado instituir impostos sobre livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão, e sobre fonogramas musicais produzidos no Brasil, com obras musicais de autores brasileiros, natos ou naturalizados, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Comentário: A imunidade cultural veda realmente a instituição de impostos sobre livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão. Ademais, foi acrescentada ao texto constitucional a imunidade que veda a instituição de impostos sobre fonogramas (e videofonogramas também!) musicais produzidos no Brasil, com obras musicais de autores brasileiros, natos ou naturalizados, ou interpretadas por artistas brasileiros, ficando ressalvada dessa imunidade a etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Gabarito: Correta (TCM-GO-Auditor de Controle Externo/2015) De acordo com a Constituição Federal, é vedado aos Municípios instituir Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 43 108 ==14c6c2== a) impostos e contribuições sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, especificamente naquilo que se relaciona com as finalidades essenciais dessas entidades. b) impostos e taxas sobre patrimônio, renda ou serviços, da União, dos Estados e do Distrito Federal e de outros Municípios. c) impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros. d) tributos sobre templos de qualquer culto, no que diz respeito ao patrimônio, renda e serviços, relacionados ou não com as suas finalidades essenciais. e) impostos sobre livros, jornais, periódicos, papel, tinta e demais insumos empregados na sua impressão. Comentário: Alternativa A: A imunidade dos partidos políticos abrange apenas os impostos sobre seu patrimônio, renda ou serviços. Alternativa errada. Alternativa B: A imunidade recíproca abrange apenas os impostos, não alcançando as taxas. sobre patrimônio, renda ou serviços. Alternativa errada. Alternativa C: De fato, o texto constitucional impede a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros. Alternativa correta. Alternativa D: A imunidade religiosa somente alcança os impostos e, ainda, apenas no que se refere ao patrimônio, renda e serviços, relacionados com as suas finalidades essenciais. Alternativa errada. Alternativa E: A imunidade cultural abrange apenas os impostos sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão, e materiais assimiláveis ao papel, porém não de forma ampla, alcançando todo e qualquer insumo. Alternativa errada. Gabarito: Letra C Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 44 108 OUTRAS ESPÉCIES DE IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS Além das imunidades até agora estudadas, há várias outras espalhadas pela Constituição. Em alguns casos, como no art. 195, § 7, o texto constitucional trata tais limitações ao poder de tributar como isenção. Não obstante tais previsões, de acordo com o STF, são consideradas imunidades. Como já vimos, a isenção seria a dispensa legal do pagamento do tributo, e não um preceito constitucional, condicionando o exercício da competência tributária. Feitas tais observações e revisões, seguem abaixo as demais imunidades mencionadas no corpo do texto constitucional: São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: (a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal (art. 5°, XXXIV); Ação popular, salvo comprovada má-fé, é isento (imune) de custas judiciais, as quais são consideradas taxas pelo STF (art. 5°, LXXIII); São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei, o registro civil de nascimento e a certidão de óbito (art.5°, LXXVI); São gratuitas as ações de “habeas-corpus” e “habeas-data”, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania (art. 5°, LXXVII); As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação (art. 149, §2°, I); O IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior (art. 153, §3°, III); O ITR não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, §3°, II); O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do IOF, sendo imune de qualquer outro tributo (art. 153, §5°); O ICMS não incidirá (art. 155, §2°, X): a) sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior; b) sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica; c) nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita; Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 45 108 À exceção do II, IE e ICMS nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (art. 155, §3°); Observação: A imunidade se refere a todos os demais impostos, com exceção do II, IE e ICMS. Nesse sentido, vejamos uma importante súmula do STF: Súmula STF 659 - É legítima a cobrança da COFINS, do PIS e do FINSOCIAL sobre as operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País. O ITBI não incidirá sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil (art.156, §2°,I); São isentas (imunes) de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária (art. 184, §5°); A contribuição previdenciária não incide sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social (art. 195, II); São isentas (imunes) de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, §7°); A celebração do casamento é gratuita, portanto, imune a taxas (art. 226, § 1º). Antes que você se desespere, pensando que não vai conseguir decorar tudo isso, posso garantir que, durante o curso, veremos todas as principais imunidades que são cobradas nas provas de Direito Tributário (as que foram inseridas dentro do capítulo que se dedica ao trato do Sistema Tributário Nacional). Portanto, à medida que formos explicando a matéria, você verá que a “decoreba” será quase que natural. Não se desespere, pois o objetivo deste tópico é que você tenha conhecimento da existência de tais imunidades. Tudo bem? Antes de partirmos para as questões, vamos estudar a seguir a imunidade prevista no art. 195, § 7º. 1 – A imunidade das entidades assistenciais, relativas a contribuição para a seguridade social Digno de tópico específico, sobretudo por ser cobrado com certa riqueza de detalhes pelas bancas examinadoras, o art. 195, § 7º, da CF/88, estabelece o seguinte: Art. 195 - (...): Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 46 108 § 7º - São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Embora o texto constitucional afirme se tratar de isenção, tenha muito cuidado, pois é uma clara imunidade, afinal, é uma limitação ao poder de tributar. Observação: Tenha muito cuidado com as questões literais, que podem transcrever a literalidade do texto constitucional, algo que será indubitavelmente correto. E, por se tratar de limitação ao poder de tributar, o art. 146, II, da CF/88, determina que sua regulação ocorre por meio de lei complementar. Assim sendo, revogando a Lei 12.101/09, foi editada a LC 187/2021, que dispõe sobre a certificação das entidades beneficentes e regula os procedimentos referentes à imunidade de contribuições à seguridade social de que trata o § 7º do art. 195 da Constituição Federal. Por se tratar de uma prova de Direito Tributário, você não precisa ler esta norma por completo, mas apenas ter uma noção de quais são as disposições e exigências ali contidas, o que iremos falar resumidamente agora. Art. 2º Entidade beneficente, para os fins de cumprimento desta Lei Complementar, é a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que presta serviço nas áreas de assistência social, de saúde e de educação, assim certificada na forma desta Lei Complementar. O art. 3º, da LC 187/21 estabeleceu que para fazerem jus à imunidade as entidades beneficentes que atuem nas áreas da saúde, da educação e da assistência social devem atender , cumulativamente, aos seguintes requisitos: I - não percebam seus dirigentes estatutários, conselheiros, associados, instituidores ou benfeitores remuneração, vantagens ou benefícios, direta ou indiretamente, por qualquer forma ou título, em razão das competências, das funções ou das atividades que lhes sejam atribuídas pelos respectivos atos constitutivos; II - apliquem suas rendas, seus recursos e eventual superávit integralmente no território nacional, na manutenção e no desenvolvimento de seus objetivos institucionais; III - apresentem certidão negativa ou certidão positiva com efeito de negativa de débitos relativos aos tributos administrados pela Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil e pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional, bem como comprovação de regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); IV - mantenham escrituração contábil regular que registre as receitas e as despesas, bem como o registro em gratuidade, de forma segregada, em consonância com as normas do Conselho Federal de Contabilidade e com a legislação fiscal em vigor; V - não distribuam a seus conselheiros, associados, instituidores ou benfeitores seus resultados, dividendos, bonificações, participações ou parcelas do seu patrimônio, sob qualquer forma ou pretexto, e, na hipótese de prestação de serviços a terceiros, públicos ou privados, com ou sem cessão de mão de obra, não transfiram a esses terceiros os benefícios relativos à imunidade prevista no § 7º do art. 195 da Constituição Federal; Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 47 108 VI - conservem, pelo prazo de 10 (dez) anos, contado da data de emissão, os documentos que comprovem a origem e o registro de seus recursos e os relativos a atos ou a operações realizadas que impliquem modificação da situação patrimonial; VII - apresentem as demonstrações contábeis e financeiras devidamente auditadas por auditor independente legalmente habilitado nos Conselhos Regionais de Contabilidade, quando a receita bruta anual auferida for superior ao limite fixado pelo inciso II do caput do art. 3º da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006; e VIII - prevejam, em seus atos constitutivos, em caso de dissolução ou extinção, a destinação do eventual patrimônio remanescente a entidades beneficentes certificadas ou a entidades públicas. Não são imunes apenas as entidades com a finalidade de prestação de serviços na área de assistência social, mas também na área da saúde ou educação. (Pref. Campinas-SP-Procurador/2016) Existe imunidade de ITBI para, dentre outras, a hipótese de incorporação de uma pessoa jurídica por outra, desde que a atividade preponderante da incorporadora não seja a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Comentário: De acordo com o art. 156, § 2º, I, da CF/88, O ITBI não incide sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação, cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil. Portanto, a questão está correta. Gabarito: Correta (TJ-PI-Juiz Substituto/2015) Empresa Pecúnia Informática S/A, tem sede em Teresina, Piauí. No regular exercício de suas atividades, foi contratada em 2014 pelo Município de São Paulo para prestar serviços de informática de janeiro a dezembro de 2015, prevendo-se no contrato o pagamento mensal dos valores devidos à empresa contratada. Um cidadão propõe uma ação popular questionando a lisura da contratação direta, formalizada em 2014, entre a empresa Pecúnia Informática S/A e o Município de São Paulo, tendo por objeto a prestação de serviços de informática. Segundo o art. 5° , LXXIII da Constituição da República, qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência. Considerando os confins da competência constitucional tributária, o dever de não pagar as custas judiciais, na hipótese em apreço, decorre de a) anistia. b) isenção. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 48 108 c) imunidade. d) não-incidência. e) remissão. Comentário:Trata-se de uma imunidade, uma vez que é o próprio texto constitucional restringindo a competência tributária, impedindo a cobrança de custas judiciais (taxas) na hipótese de ação popular. Gabarito: Letra C (TCM-RJ-Auditor-Substituto de Conselheiro/2015) Acerca das imunidades tributárias, é correto afirmar que a) a imunidade dos templos de qualquer culto abrange o local de culto e também imóveis de propriedade da entidade religiosa locados a terceiros, desde que o aluguel reverta em benefício da atividade religiosa. b) as entidades fechadas de previdência privada estão amparadas pela imunidade, devido à natureza assistencial. c) são aplicáveis exclusivamente em relação aos impostos. d) a imunidade relativa às operações com petróleo, combustíveis e minerais alcança os tributos em geral, compreendendo impostos e contribuições. e) a imunidade recíproca beneficia as empresas públicas e sociedades de economia mista. Comentário: Alternativa A: De acordo com a jurisprudência do STF, a imunidade religiosa alcança, além dos templos destinados aos cultos religiosos, os imóveis de propriedade da entidade religiosa locados a terceiros, desde que o aluguel reverta em benefício da atividade religiosa. Alternativa correta. Alternativa B: Nem todas entidades fechadas de previdência privada estão amparadas pela imunidade, pois, de acordo com o STF, a imunidade tributária só alcança as entidades fechadas de previdência social privada se não houver contribuição dos beneficiários. Alternativa errada. Alternativa C: Existem diversas imunidades em nosso texto constitucional aplicáveis a outras espécies tributárias além dos impostos, como as taxas, por exemplo. Alternativa errada. Alternativa D: Este assunto ainda será estudado em aula posterior. Porém, de antemão, podemos afirmar que a referida imunidade alcança apenas os impostos, ressalvados o Imposto de Importação, Imposto de Exportação e o ICMS. Alternativa errada. Alternativa E: A imunidade recíproca não beneficia todas as empresas públicas e sociedades de economia mista, mas tão somente aquelas prestadoras de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva de Estado. Alternativa errada. Gabarito: Letra A Mais uma etapa cumprida, futuro servidor! Você encontrará inúmeras questões comentadas em áudio para treinar, e a abordagem de alguns temas específicos que você estudou neste material na minha Comunidade do Telegram: Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 49 108 Comunidade no Telegram: https://t.me/ProfFabioDutraConcursos Instagram: @ProfFabioDutra RESUMO DOS ASSUNTOS MAIS IMPORTANTES Conceito e Classificação das Imunidades Tributárias A imunidade não exime certo ente das obrigações acessórias instituídas pela legislação tributária. As obrigações acessórias são condutas impostas ao contribuinte, que não possuem caráter pecuniário, criando obrigações de “fazer” ou “deixar de fazer” algo no interesse da arrecadação e fiscalização. A não incidência tributária pode ocorrer de formas distintas, a saber: a pessoa política não faz uso da competência tributária que lhe foi conferida; a pessoa política não possui competência tributária para determinar certas situações fáticas como hipótese de incidência; e a pessoa política é impedir de tributar determinado fato pela própria CF/88. Neste último caso, temos a imunidade tributária. A isenção, por outro lado, decorre do exercício da competência tributária. Trata-se de situação que, a princípio seria tributada, mas que, por decorrência de lei específica do ente competente para instituir o tributo, se torna isenta. Imunidade Recíproca A imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, a, da CF/88, veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços uns dos outros. Tal imunidade existe com o intuito de proteger a autonomia financeira dos entes federados e, consequentemente, o pacto federativo. No que se refere aos tributos indiretos, o entendimento do STF é o de que a imunidade recíproca aplica- se apenas quando a entidade imune se encontra na situação de contribuinte de direito. Vale destacar que, por decorrência de previsão na própria CF/88, a imunidade recíproca é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Outro aspecto importante sobre a imunidade recíproca é que não se aplica a ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 50 108 Apresentamos a seguir um breve esquema sobre a imunidade recíproca: Imunidade Religiosa A denominada imunidade religiosa, prevista no art. 150, VI, “b”, da CF/88, veda que todos os entes federativos cobrem impostos sobre os templos de qualquer culto. Levando em consideração o disposto no art. 5°, VI, da CF/88, podemos dizer que a liberdade de culto é um direito individual, o que faz com que a imunidade ora analisada se configure uma cláusula pétrea. De acordo com o art. 150, § 4º, da CF/88, a referida imunidade compreende somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades religiosas. Apresentamos a seguir um breve esquema sobre a imunidade religiosa: IMUNIDADE RECÍRPOCA Não se aplica: - Explor. Ativ. Econ. - Contrib. De fato - Serv. Cartoriais Impostos Não se aplica: Taxas Contr. Previd. Patrimônio Renda Serviços EP e SEM prestadoras de serviço público Extensiva a autarquias e fundações públicas Vinculação a finalidades essenciais Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 51 108 Imunidade dos Partidos Políticos, Entidades Sindicais dos Trabalhadores, Instituições de Educação e De Assistência Social De acordo com o art. 150, VI, c, da CF/88, é vedado a todos os entes políticos cobrar impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços dos partidos políticos e suas fundações, dos sindicatos de trabalhadores e das instituições de educação e assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Apresentamos a seguir um breve esquema sobre tal imunidade: IMUNIDADE Art. 150, VI, “c” Impostos Patrimônio/Renda/S erviços Partidos Políticos Sindicato Trab. Inst. Educacionais Inst. Assistenciais Abrange IOF Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 52 108 Imunidade Cultural A imunidade cultural, prevista no art. 150, VI, “d”, da CF/88, estabelece que é vedado a todos os entes federados instituírem impostos sobre os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Trata-se de imunidade objetiva, alcançando apenas o objeto imune, e não a pessoa que o produz ou comercializa. Apresentamos a seguir um breve esquema sobre a imunidade religiosa: IMUNIDADE CULTURAL Impostos Livros, Jornais e Periódicos Papel destinado sua impressão Não Abrange: Encartes de propag./Serv. Composição Gráfica Abrange: Álbum de Figurinhas/ Apostilas/Filmes e papéis fotográficosAs pessoas jurídicas não estão protegidas. Incide: IOF/IR/ISS Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br136160207802236754 - Rodrigo Araujo 53 108 ==14c6c2== Imunidade em Favor da Produção Musical Brasileira A imunidade em favor da produção musical brasileira, contida no art. 150, VI, “e”, da CF/88, estabelece que é vedado a todos os entes federativos instituir impostos (e não tributos, como as bancas adoram cobrar) sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. Acerca dessa imunidade tributária, você deve saber o seguinte: o Os fonogramas e videofonogramas devem ser produzidos no Brasil; o As obras não precisam ser dos autores brasileiros. Entretanto, devem ser, no mínimo, interpretadas por artistas brasileiros; o Abrange os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham; o A etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser não está imune. Outras Espécies de Imunidades Tributárias São a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: (a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (b) a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal (art. 5°, XXXIV); Ação popular, salvo comprovada má-fé, é isento (imune) de custas judiciais, as quais são consideradas taxas pelo STF (art. 5°, LXXIII); São gratuitos para os reconhecidamente pobres, na forma da lei, o registro civil de nascimento e a certidão de óbito (art.5°, LXXVI); São gratuitas as ações de “habeas-corpus” e “habeas-data”, e, na forma da lei, os atos necessários ao exercício da cidadania (art. 5°, LXXVII); As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação (art. 149, §2°, I); O IPI não incidirá sobre produtos industrializados destinados ao exterior (art. 153, §3°, III); O ITR não incidirá sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel (art. 153, §3°, II); O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, sujeita-se exclusivamente à incidência do IOF, sendo imune de qualquer outro tributo (art. 153, §5°); O ICMS não incidirá (art. 155, §2°, X): sobre operações que destinem mercadorias para o exterior, nem sobre serviços prestados a destinatários no exterior; o sobre operações que destinem a outros Estados petróleo, inclusive lubrificantes, combustíveis líquidos e gasosos dele derivados, e energia elétrica; o nas prestações de serviço de comunicação nas modalidades de radiodifusão sonora e de sons e imagens de recepção livre e gratuita; o exceção do II, IE e ICMS nenhum outro imposto poderá incidir sobre operações relativas a energia elétrica, serviços de telecomunicações, derivados de petróleo, combustíveis e minerais do País (art. 155, §3°); O ITBI não incidirá sobre a transmissão de bens ou direitos incorporados ao patrimônio de pessoa jurídica em realização de capital, nem sobre a transmissão de bens ou direitos decorrente de fusão, incorporação, Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 54 108 cisão ou extinção de pessoa jurídica, salvo se, nesses casos, a atividade preponderante do adquirente for a compra e venda desses bens ou direitos, locação de bens imóveis ou arrendamento mercantil (art. 156, §2°,I); São isentas (imunes) de impostos federais, estaduais e municipais as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária (art. 184, §5°); A contribuição previdenciária não incide sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social (art. 195, II); São isentas (imunes) de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei (art. 195, §7°); A celebração do casamento é gratuita, portanto, imune a taxas (art. 226, § 1º). Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 55 108 QUESTÕES COMPLEMENTARES COMENTADAS Conceito e Classificação das Imunidades Tributárias 1. CESPE/TJ-SC-Juiz Estadual/2019 A respeito de imunidade tributária e isenção tributária, é correto afirmar que a) a isenção está no campo infraconstitucional e corresponde a uma hipótese de não incidência da norma tributária. b) a imunidade está no plano constitucional e proíbe a própria instituição do tributo relativamente às situações e pessoas imunizadas. c) a isenção é criada diretamente pela Constituição Federal de 1988, sendo uma norma negativa de competência tributária. d) a imunidade pressupõe a incidência da norma tributária, sendo o crédito tributário excluído pelo legislador. e) a imunidade está no plano de aplicação da norma tributária, sendo equivalente ao estabelecimento de uma alíquota nula. Comentário: Alternativa A: A isenção realmente está no campo infraconstitucional, mas não corresponde a uma hipótese de não incidência da norma tributária porque o fato gerador chega a ocorrer, mas o tributo não chega a ser exigido. Alternativa errada. Alternativa B: Realmente, a imunidade tributária, como forma de incompetência tributária, está no plano constitucional e proíbe a própria instituição do tributo relativamente às situações e pessoas imunizadas. Alternativa correta. Alternativa C: A isenção é criada pela lei, e não pela CF/88. Alternativa errada. Alternativa D: Na realidade, a imunidade pressupõe a não incidência da norma tributária. A assertiva trouxe a definição de isenção. Alternativa errada. Alternativa E: A imunidade tributária está no plano constitucional e proíbe a própria instituição do tributo relativamente às situações e pessoas imunizadas. Alternativa errada. Gabarito: Letra B 2. CESPE/TCE-PR-Analista de Controle Externo/2016 O estabelecimento das hipóteses de imunidade tributária é reservado a lei complementar. Comentário: A imunidade tributária, por ser limitação ao poder de tributar, somente é definida na própria CF/88. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 56 108 Gabarito: Errada 3. CESPE/TCE-RN-Auditor/2015 A imunidade tributária visa preservar valores políticos, religiosos, sociais, econômicos e éticos da sociedade, com vistas a evitar que determinadas atividades sejam oneradas pela incidência dos tributos. Comentário: De fato, esse é o real objetivo das imunidades tributárias, isto é, preservar valores políticos, religiosos, sociais, econômicos e éticos da sociedade, com vistas a evitar que determinadas atividades sejam oneradas pela incidência dos tributos. Assim, por exemplo, a imunidade recíproca existe para proteger a autonomia financeira dos entes federados. Questão correta. Gabarito: Correta 4. FCC/Câmara Municipal de SP - Procurador Legislativo/2014 Na seção denominada das “limitações constitucionais ao poder de tributar” o texto constitucional dispõe sobre a) capacidade tributária para cobrar tributos. b) imunidades e isenções tributárias. c) todos os institutos tributários que atuam no campo da cobrança dos tributos instituídos na Constituição Federal. d) princípios e regras que disciplinam o exercício da competência para instituir e modificar tributos. e) o rol taxativo dos impostos instituídos pela Constituição Federal para os entes federados, que não têm poder de instituir, mas apenas para cobrar. Comentário: Tal seção na CF/88 dispõe sobre princípios e regras que estabelecem o exercício da competência tributária. Gabarito: Letra D 5.FCC/MPE-PA-Promotor de Justiça/2014 Sobre a Lei Complementar nº 87/96 - Lei Kandir, é correto afirmar que institui imunidades tributárias relativas ao ICMS dos Estados e Distrito Federal, dentre elas as operações com ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial e operações de arrendamento mercantil, não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. Comentário: A Lei Kandir tratou de diversos assuntos relacionados ao ICMS. Contudo, não é necessário conhecer nada sobre isso para que você acerte a questão acima. Basta saber que a imunidade tributária é definida apenas em norma constitucional. Portanto, lei complementar não pode instituir imunidades tributárias relativas ao ICMS ou a qualquer outro tributo. Gabarito: Errada 6. FGV/CODEMIG-Advogado Societário/2015 A norma que impede que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituam e cobrem mutuamente impostos sobre seus patrimônios, rendas ou serviços é uma espécie de: Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 57 108 a) imunidade; b) suspensão; c) isenção; d) exclusão; e) extinção. Comentário: Se a norma atua limitando a competência tributária dos entes federados, será imunidade tributária. No caso em comento, trata-se da imunidade recíproca. Gabarito: Letra A 7. FGV/TCM-SP-Agente de Fiscalização/2015 De acordo com o sistema constitucional tributário, a previsão de imunidade é: a) limitação à instituição de tributos estaduais e municipais, imposta pela União, através de lei complementar nacional; b) dispensa legal do pagamento do tributo ou penalidade pecuniária; c) modalidade especial de extinção do crédito tributário; d) não incidência qualificada pela lei; e) limitação constitucional ao poder de tributar. Comentário: Alternativa A: A imunidade constitui limitação ao poder de tributar, imposta única e exclusivamente pela Constituição Federal. Alternativa errada. Alternativa B: A dispensa legal do pagamento de tributo ou penalidade pecuniária denomina-se isenção e anistia, respectivamente. Alternativa errada. Alternativa C: A imunidade é uma forma de não incidência constitucionalmente qualificada, não se confundindo com modalidade de extinção do crédito tributário. Alternativa errada. Alternativa D: A imunidade é uma forma de não incidência constitucionalmente qualificada, e não qualificada pela lei. Alternativa errada. Alternativa E: De fato, a imunidade tributária constitui limitação constitucional ao poder de tributar. Alternativa correta. Gabarito: Letra E 8. VUNESP/TJ-SP-Juiz/2015 Na disciplina das isenções, imunidades e hipóteses de não incidência, é correto afirmar que a) quem pode isentar também pode conceder imunidade. b) quem pode tributar pode isentar. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 58 108 c) alíquota zero e isenção são expressões juridicamente equivalentes. d) não incidência é situação juridicamente distinta de imunidade e de não competência. Comentário: Alternativa A: Apenas a CF/88 pode conceder imunidade. Já as isenções podem ser concedidas por qualquer ente federativo, por meio de lei, em relação aos tributos de sua competência. Alternativa incorreta. Alternativa B: De fato, o ente competente para instituir o tributo (tributar) pode também conceder benefícios fiscais (isentar). Alternativa correta. Alternativa C: Embora o efeito prático seja o mesmo, juridicamente são institutos diferentes com implicações distintas. Alternativa incorreta. Alternativa D: Não se pode distinguir desta forma. A imunidade é uma forma de não incidência prevista na CF/88. A imunidade se caracteriza como não competência ou incompetência. Alternativa incorreta. Gabarito: Letra B 9. VUNESP/Câmara Municipal de Itatiba - SP-Advogado/2015 A imunidade e a isenção a) são institutos que possuem a mesma origem. b) identificam-se por representarem, ambas, liberalidades fiscais. c) distinguem-se porque a primeira verifica-se no âmbito do poder de tributar, ao passo que a segunda constitui-se em mero não exercício da competência tributária. d) identificam-se em nível da lei que as concede. e) confundem-se quanto ao efeito que produzem, na medida em que o crédito tributário constituído será dispensado da cobrança relativamente ao contribuinte, em ambos os casos. Comentário: Alternativa A: A imunidade tributária pode ser definida como uma hipótese de não incidência tributária constitucionalmente qualificada, pelo fato de que qualquer imunidade deve estar prevista na Constituição Federal. As isenções são desonerações realizadas na lei e é considerada como causa de exclusão do crédito tributário, nos termos do art. 175, I, CTN. Alternativa incorreta. Alternativa B: O termo “liberalidade” dá ideia de que algo é feito fora dos limites da lei ou da Constituição, o que é vedado. Alternativa incorreta. Alternativa C: Exatamente, como já informado, a imunidade tributária é conhecida como uma incompetência, ou seja, estamos tratando de uma limitação ao poder de tributar. Já a isenção é uma dispensa legal de pagamento, realizada no bojo da lei. Trata-se de uma hipótese de não pagamento previsto pelo legislador, que opta por não exercer sua competência em determinadas situações, como por exemplo isenções concedidas às pessoas que são portadoras de necessidades especiais. Alternativa correta. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 59 108 Alternativa D: Não, as imunidades estão previstas sempre na Constituição, já as isenções nas leis. Alternativa incorreta. Alternativa E: Não, a redação da assertiva trata do efeito trazido em decorrência da isenção e não da imunidade tributária. Alternativa incorreta. Gabarito: Letra C Imunidade Recíproca 10. CESPE/PGM-Manaus-Procurador/2018 É proibida a cobrança de tributo sobre o patrimônio e a renda dos templos de qualquer culto. Comentário: A vedação é específica para os impostos. Não podemos confundir “tributo” com “imposto”, já que esta é apenas uma espécie dos tributos. Gabarito: Errada 11. CESPE/DPF-Delegado de Polícia Federal/2018 Os estados e os municípios estão imunes à instituição de contribuições sociais, pela União, sobre os seus serviços. Comentário: A imunidade recíproca veda apenas a cobrança de impostos sobre o patrimônio, renda e serviços dos entes federativos. Não se estende, por conseguinte, às contribuições sociais. Gabarito: Errada 12. CESPE/EMAP-Analista Portuário/2018 Conforme o entendimento do Supremo Tribunal Federal, a imunidade tributária recíproca prevista na Constituição Federal de 1988 foi estendida às empresas públicas. Comentário: De acordo com o STF, a imunidade recíproca foi estendida às empresas públicas e sociedades de economia mista prestadoras de serviços públicos. Gabarito: Correta 13. CESPE/Pref. Fortaleza-Procurador/2017 A imunidade tributária recíproca que veda à União, aos estados, ao DF e aos municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços uns dos outros é cláusula pétrea. Comentário: De fato, como vimos, por proteger a autonomia financeira dos entes federativos, a imunidade recíproca é reconhecida como cláusula pétrea. Gabarito: Correta Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 60 108 14. CESPE/PGE-AM-Procurador/2016 A imunidade recíproca beneficia sociedades de economia mista que prestem serviços públicos estatais essenciais e exclusivos, como, por exemplo, o serviço de saneamento básico, ainda que tais serviços sejam remunerados por tarifas. Comentário: A imunidade recíproca beneficia sociedadesde economia mista prestadoras de serviços públicos estatais essenciais e exclusivos, mesmo que tais serviços ensejem a cobrança de tarifas, conforme jurisprudência do STF. Gabarito: Correta 15. FCC/CREMESP - Analista de Gestão Financeira e Contábil/Contábil/2016 É possível identificar relação entre a competência para instituir tributos e as imunidades tributárias, na medida em que a) as normas que veiculam imunidades tributárias constituem comandos genéricos que orientam o exercício da competência tributária após a instituição dos tributos. b) ambos representam limitações ao poder de tributar, estando definidos na Constituição Federal e não sendo passíveis de delegação ou renúncia por parte dos entes federados. c) as imunidades vedam a instituição de tributos reciprocamente entre os entes federados aos quais é atribuída constitucionalmente a competência para instituir tributos. d) as imunidades incidem para impedir que os Municípios instituam impostos sobre Estados, Distrito Federal e União, bem como Estados e Distrito federal sobre União, não havendo vedação em sentido inverso, em razão da prevalência de interesses e da supremacia do interesse público. e) a competência para instituir tributos é repartida constitucionalmente, sendo possível que a União cobre impostos originalmente atribuídos aos Estados, no caso de inércia desses, até que sobrevenha legislação estadual, mas não poderá desrespeitar as regras de imunidade. Comentário: Alternativa A: As normas que instituem imunidades são comandos objetivos que devem orientar o exercício da competência tributária quando da instituição dos tributos. Alternativa errada. Alternativa B: De fato, ao se atribuir a competência para tributar a determinado ente, há uma limitação para que ente diverso institua o referido tributo. Alternativa correta. Alternativa C: A imunidade recíproca é referente a impostos, e não a tributos em geral. Alternativa errada. Alternativa D: A vedação é nos dois sentidos, tanto da União para Estados e Municípios, quanto dos Municípios para Estados e União. Alternativa errada. Alternativa E: O não exercício da competência tributária não a defere a pessoa jurídica de direito público diversa daquela a que a Constituição a tenha atribuído. Alternativa errada. Gabarito: Letra B Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 61 108 16. VUNESP/ISS-Guarulhos-Inspetor Fiscal de Rendas/2019 A imunidade recíproca, prevista na Constituição Federal, a) não alcança autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. b) alcança os serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados prestados por empresas estatais. c) alcança os serviços em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. d) exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. e) não alcança taxas, contribuições de melhoria e contribuições sociais. Comentário: Alternativa A: A imunidade recíproca alcança autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Alternativa errada. Alternativa B: A imunidade recíproca não alcança os serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados prestados por empresas estatais. Alternativa errada. Alternativa C: A imunidade recíproca também não alcança os serviços em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. Alternativa errada. Alternativa D: A imunidade recíproca também não exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Alternativa errada. Alternativa E: A imunidade recíproca é restrita aos impostos. Não alcança, portanto, taxas, contribuições de melhoria e contribuições sociais. Alternativa correta. Gabarito: Letra E 17. FGV/SEFAZ-RO-Auditor Fiscal/2018 Determinado Estado da Federação cedeu um imóvel de sua propriedade à pessoa jurídica de direito privado ABC, para que esta exerça atividade econômica com fins lucrativos, no local do imóvel. Em relação à cobrança de Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) do imóvel, assinale a afirmativa correta. (A) É vedada a cobrança do IPTU do imóvel, tendo em vista a imunidade recíproca das pessoas de direito público, princípio garantidor da Federação e cláusula pétrea. (B) É vedada a cobrança do IPTU do imóvel, tendo em vista que o Estado é isento do pagamento do IPTU de imóveis de sua propriedade. (C) O IPTU é devido e o Estado, contribuinte do imposto, deve realizar o pagamento. (D) O IPTU não é devido, uma vez que o Estado não é sujeito passivo da exação. (E) O IPTU é devido e a pessoa jurídica de direito privado é a responsável tributária e quem deve realizar o pagamento. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 62 108 Comentário: Como a pessoa jurídica de direito privado, exploradora de atividade econômica, não faz jus à imunidade recíproca, o IPTU torna-se devido e a pessoa jurídica de direito privado é a responsável tributária e quem deve realizar o pagamento. Não se pode dizer que o Estado é o sujeito passivo, pois este é constitucionalmente imune. Gabarito: Letra E 18. FGV/Câmara Municipal de Recife-PE-Consultor Legislativo/2014 As imunidades atuam no plano da definição da competência tributária, tem previsão constitucional e são hipóteses de não-incidência qualificada. Nesse sentido, a imunidade recíproca impede que: a) o Estado cobre contribuição de melhoria em relação a bem da União valorizado em decorrência de obra pública; b) o Município cobre a taxa de licenciamento de obra do Estado; c) o Estado cobre tarifa de esgoto de imóvel da União; d) a União cobre Imposto de Renda sobre os juros das aplicações financeiras dos Municípios; e) a União Federal cobre contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social dos Estados e dos Municípios. Comentário: A imunidade recíproca impede que os entes federados cobrem impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços uns dos outros. Alternativa A: A imunidade recíproca somente alcança a espécie tributária impostos. Alternativa errada. Alternativa B: A imunidade recíproca somente alcança a espécie tributária impostos. Alternativa errada. Alternativa C: A imunidade recíproca somente alcança a espécie tributária impostos. Alternativa errada. Alternativa D: De fato, a imunidade recíproca impede a União de cobrar Imposto de Renda sobre os juros das aplicações financeiras dos Municípios, porque os juros representam renda dos Municípios. Alternativa correta. Alternativa E: A imunidade recíproca somente alcança a espécie tributária impostos. Alternativa errada. Gabarito: Letra D 19. FGV/ISS-Cuiabá/2014 Pretendendo adquirir, no mercado doméstico, caminhões para uso em serviço, o Município de Cuiabá pede ao Estado de Mato Grosso que afaste a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nessa operação específica. Assinale a solução juridicamente adequada a ser dada ao caso exposto. a) O Estado deve acolher o pleito mediante prova cabal de que os veículos serão mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois, mesmo inexistindo lei estadual nesse sentido, o caso é de isenção de tributos. b) O Estado deve acolher o pleito mediante prova cabal de que os veículos serão mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois o caso é de imunidade de tributos. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 -Rodrigo Araujo 63 108 c) O Estado poderá acolher o pleito mediante decisão administrativa afastando a incidência do ICMS ao caso. d) O Estado não poderá acolher o pleito, ainda que os caminhões sejam mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois é vedada a concessão de tratamento tributário diferenciado a entidades públicas que explorem a atividade econômica. e) O Estado não poderá acolher o pleito, pois a imunidade não favorece o Município neste caso concreto, já que ele é apenas o contribuinte de fato, e não o contribuinte de direito. Comentário: Esta questão cobra a jurisprudência do STF, no sentido de que a imunidade recíproca, em se tratando de tributos indiretos (como o ICMS), somente se aplica aos casos em que o ente imune está na condição de contribuinte de direito, e não na condição de contribuinte de fato, como foi apresentado no enunciado desta questão. Portanto, o Estado não pode acolher tal pleito, razão pela qual a alternativa correta é a Letra E. Gabarito: Letra E Imunidade Religiosa 20. CESPE/CAGE-RS-Auditor do Estado/2018 Determinada entidade religiosa presta serviços de batismo e casamento, revende artigos religiosos produzidos por uma fábrica e vende artesanato sacro produzido pelos membros da entidade. Além disso, a entidade tem, além do imóvel onde funciona o templo, outros imóveis cuja renda é revertida à composição do patrimônio da entidade. Nessa situação hipotética, a imunidade religiosa relativa ao pagamento de impostos a) não abrange a venda do artesanato. b) abrange todas as situações mencionadas. c) não abrange o IPTU em caso de configuração de concorrência desleal. d) não abrange os serviços de batismo e casamento. e) abrange o ICMS relativo à compra e à venda de artigos religiosos da fábrica. Comentário: Alternativa A: A venda do artesanato sacro produzido pelos membros da entidade não é excluída da imunidade, pois não há desvio de finalidade. Alternativa errada. Alternativa B: Não se pode afirmar que a imunidade abrange todas as situações mencionadas, conforme o comentário das demais alternativas. Alternativa errada. Alternativa C: Se a locação dos imóveis colocar a entidade em situação de concorrência desleal, a imunidade não subsistirá. Alternativa correta. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 64 108 Alternativa D: A prestação dos serviços de batismo e casamento também estão ao abrigo da imunidade religiosa. Alternativa errada. Alternativa E: Quanto ao ICMS referente ao comércio de artigos religiosos produzidos por uma fábrica, não há que se falar em imunidade. Alternativa errada. Gabarito: Letra C 21. FCC/Pref. Teresina-PI-Auditor Fiscal/2016 Determinado Município brasileiro decidiu adotar as seguintes medidas, no exercício de 2014: (I) lançou e promoveu a cobrança do IPTU em relação ao terreno em que se localiza um cemitério que é comprovadamente extensão de entidade de cunho religioso, e cuja doutrina não aceita o sepultamento dos fiéis falecidos em cemitérios que não sejam esses; (II) concedeu isenção desse mesmo imposto a um grupo limitado de munícipes, exclusivamente em razão de sua condição de servidores públicos municipais; (III) editou decreto, no mês de novembro de 2014, para vigorar a partir do exercício seguinte, majorando a base de cálculo do IPTU, redundando esse fato, inclusive, em aumento superior à variação dos índices oficiais de inflação. Considerando as limitações ao poder de tributar, arroladas no texto da Constituição Federal, a medida a) III violou o princípio da anterioridade. b) II violou o princípio da isonomia tributária. c) I não violou qualquer regra constitucional limitadora do poder de tributar. d) III violou o princípio da anterioridade nonagesimal (noventena). e) II não violou qualquer regra constitucional limitadora do poder de tributar, mas a medida I violou o princípio da irretroatividade. Comentário: Item I: A jurisprudência do STF é pacífica quanto à extensão da imunidade religiosa aos cemitérios que configurem extensão de entidades de cunho religioso. A situação retratada neste item viola a imunidade religiosa. Item II: O princípio da isonomia, previsto no art. 150, II, da CF/88, veda qualquer tratamento tributário diferenciado em razão de ocupação profissional ou função exercida pelo contribuinte. A situação descrita neste item viola o princípio da isonomia. Item III: A nítida majoração do imposto, perpetrada por meio de decreto, viola o princípio da legalidade tributária. O princípio da anterioridade aplicável à majoração da base de cálculo, contudo, não foi violado. Assim sendo, a única alternativa que corresponde ao exposto acima é a Letra B, já que no item II houve violação ao princípio da isonomia. Gabarito: Letra B Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 65 108 22. FCC/TCE-CE- Conselheiro Substituto (Auditor)/2015 Um cidadão cria uma organização religiosa (igreja), com inscrição no CNPJ e demais órgãos competentes, e passa a adquirir bens imóveis (apartamentos de alto padrão e veículos automotores importados e de luxo) em nome desta nova organização. Neste caso, sobre a incidência de impostos por fatos geradores praticados por esta organização religiosa é correto afirmar que a) não há incidência de impostos por existir lei federal concessiva de isenção de impostos para organização religiosa (templo de qualquer culto). b) só haverá imunidade de impostos para patrimônio, renda e serviços relacionados com as finalidades essenciais da organização religiosa. c) não há incidência de tributos por existir lei federal concessiva de isenção de impostos para organização religiosa (templo de qualquer culto). d) só haverá imunidade de tributos para patrimônio, renda e serviços relacionados com as finalidades essenciais da organização religiosa. e) haverá imunidade para todos os tributos relacionados com a organização religiosa (templo de qualquer culto). Comentário: A norma constitucional que concede a imunidade religiosa restringe a aplicabilidade dessa benesse ao patrimônio, renda e serviços vinculados às finalidades essenciais da entidade religiosa. Alternativa A: Não se trata de isenção, mas de imunidade aplicável aos impostos, prevista na CF/88. Contudo, isso não significa que os bens estão imunes. Alternativa errada. Alternativa B: De fato, como comentado, só haverá imunidade de impostos para patrimônio, renda e serviços relacionados com as finalidades essenciais da organização religiosa. Alternativa correta. Alternativa C: Não se trata de lei federal concedendo o referido benefício, mas sim da própria Constituição Federal. Além disso, a imunidade se refere apenas aos impostos, e não aos tributos de um modo geral. Alternativa errada. Alternativa D: A imunidade se refere apenas aos impostos, e não aos tributos de um modo geral. Alternativa errada. Alternativa E: Conforme já comentamos, a imunidade se refere apenas aos impostos, e não aos tributos de um modo geral. Alternativa errada. Gabarito: Letra B 23. FGV/AL-MA-Consultor Legislativo/2013 Assinale a alternativa em que as duas afirmativas estão corretas e a segunda completa o sentido da primeira. a) A Igreja do Culto Bem‐vindos da Boa Fé goza de imunidade quanto ao IPVA de sua frota. / Os veículos imunes estão vinculados à atividade fim da Instituição Religiosa. b) A frota do partido político “Unidos Venceremos” goza de isenção. / A isenção é concedida desde que o partido mantenha correta escrita fiscal. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 66 108 c) Os veículos do Corpo Diplomático são imunes. / A imunidade decorre do princípio da territorialidadeâmbito de validade da norma jurídica tributária, que impede que o tributo nasça ou faz com que ele surja de modo mitigado.” Dando continuidade ao nosso estudo, por outro lado, a imunidade é uma delimitação da competência tributária, ou melhor, uma limitação constitucional ao poder de tributar, posicionando-se ao lado dos princípios constitucionais tributários. Ou seja, existe um limite além do qual o ente instituidor não pode tributar, por expressa disposição constitucional. Vimos também que não ocorre o fato gerador neste caso. Por último, há que se ressaltar que não importa a terminologia utilizada pela CF/88 para tratar das imunidades, visto que o simples fato de estar no texto constitucional dá ao instituto o título de imunidade. Neste sentido, o STF (RMS 22.192/DF) já decidiu que, embora o art. 195, § 7°, da CF/88, mencione a palavra “isentas”, a interpretação que deve ser dada é a de que se trata de verdadeira imunidade. Repare que, embora diferenciamos não incidência de imunidade, esta está inserida dentro do conceito daquela, com a ressalva de que foi prevista constitucionalmente. Espero que o quadro abaixo possa auxiliá-los a entender melhor o que dissemos até agora. 1 FALCÃO, Amílcar de Araújo. Fato gerador da obrigação tributária. 6ª Edição. 2002. Pág. 66 2 CARRAZA, Roque Antônio. ICMS. 9ª Edição. Editora Malheiros. 2003 Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 5 108 ==14c6c2== Por fim, cabe destacar o conceito de alíquota zero, que é mais uma hipótese em que o tributo acaba não sendo cobrado. Nesse caso, ocorre o fato gerador, contudo, o valor do tributo é nulo, já que a alíquota é zero. Isso ocorreria, por exemplo, se o Governo Federal decidisse reduzir a alíquota de Imposto de Importação a zero sobre determinados produtos essenciais ao País. 2 - Imunidades e Obrigações Acessórias Sempre que falamos de imunidade, estamos falando do não recolhimento do tributo. Então, dizer que uma pessoa é imune a determinado imposto, significa dizer que a pessoa está, por determinação constitucional, dispensada do recolhimento do imposto. Neste ponto da aula, é importante trazer um conceito que não é o foco central da aula, mas que toma relevância por estar relacionado com a imunidade tributária. Trata-se das obrigações tributárias. Uma obrigação tributária significa uma obrigação do contribuinte com a Fazenda Pública, que pode ter como objeto o pagamento de tributo, mas também pode ter como objeto outras prestações, como, por exemplo, apresentar uma declaração, emitir notas fiscais, etc. Então, sempre quando se fala em obrigação tributária, não estamos falando necessariamente de obrigação de pagar tributos, mas sim de deveres que o contribuinte possui em relação à Fazenda. Correto? Indo um pouco além, existem obrigações tributárias “principais”, que sempre se refere ao pagamento (tributo ou multas tributárias) e também existem as obrigações tributárias “acessórias”, que representam os demais deveres despidos do caráter patrimonial (notas fiscais, declarações etc.), ou seja, são as obrigações do contribuinte perante o Fisco, que não envolvem “dinheiro”. Não Incidência Situação não prevista na lei instituidora ou impossível; Não há norma que preveja; Não ocorre fato gerador; Imunidade a) Limitação ao poder de tributar; b) Previsão no texto constitucional; c) Não ocorre fato gerador; Isenção 1. Opção política do ente tributante; 2. Previsão em norma infraconstitucio- nal; 3. Ocorre fato gerador; Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 6 108 Repetindo: todas as obrigações tributárias representam obrigações para os contribuintes, mas nem sempre essas obrigações se referem ao “pagamento”. Quando tais obrigações se referirem a pagamento, são obrigações principais; quando não se relacionarem a um pagamento, são acessórias. Ok? Então, nós já sabemos que a imunidade recai sobre as obrigações principais, afinal, como já foi dito, se uma pessoa é imune a determinado imposto, estará dispensado do seu “pagamento”, e pagamento é obrigação tributária principal. Mas onde queremos chegar? As obrigações acessórias não dependem da obrigação principal, são autônomas. Por isso, a dispensa da obrigação principal, seja pela isenção ou imunidade, não dispensa o contribuinte de continuar cumprindo obrigações acessórias que tenham relação com o tributo objeto do benefício fiscal concedido. Antes de estudarmos as imunidades, gostaria de deixar claro que, embora se trate de uma dispensa constitucional do pagamento de tributos, a imunidade não exime certo ente das obrigações acessórias instituídas pela legislação tributária. Nesse sentido, para o STF (RE 250.844), “exigir de entidade imune a manutenção de livros fiscais é consentâneo com o gozo da imunidade tributária (...)”. Nesse ponto da aula você já sabe que a manutenção de livros fiscais é um exemplo de obrigação acessória. Em maio de 2020, o STF também decidiu (ACO 1098, Informativo 980) que não há violação ao princípio da legalidade, caso as obrigações acessórias sejam instituídas por atos infralegais. Ainda que em gozo de imunidade tributária, a pessoa jurídica não está dispensada de cumprir obrigações acessórias e de se submeter à fiscalização tributária. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 7 108 3 – Classificação das Imunidades Segundo a Doutrina Neste tópico, iremos abordar as principais classificações das imunidades adotadas pela doutrina. À medida que expusermos uma classificação, traremos exemplos estatuídos na própria CF/88, com o objetivo de facilitar a absorção do assunto. 3.1 - Classificação quanto ao parâmetro para concessão: subjetivas, objetivas ou mistas A Constituição Federal, ao instituir as imunidades, pode adotar como parâmetro tanto as pessoas (imunidade subjetiva), quanto as coisas (imunidade objetiva). Podemos ter ainda imunidades que consideram as coisas e as pessoas ao mesmo tempo, sendo estas denominadas imunidades mistas. As imunidades subjetivas podem ser exemplificadas pela imunidade recíproca. De acordo com o art. 150, VI, a, da CF/88, é vedado à União, aos Estados, ao DF e aos Municípios instituir impostos sobre o patrimônio, a renda ou serviços, uns dos outros. Observe que a imunidade é direcionada a pessoas políticas, mas não o é às empresas privadas, por exemplo. Com isso, fica clara a importância que tem a “pessoa” para se definir se haverá ou não imunidade. Cabe observar que a imunidade subjetiva não exime as pessoas por ela abrangidas da responsabilidade pela retenção de tributos, caso estejam designadas pela lei. Sendo assim, a União fica, a título de exemplo, responsável pela retenção do imposto de renda incidente sobre os rendimentos de seus servidores, pois estes não são imunes. Observação: Responsável tributário, como veremos em momento oportuno, é a pessoa que, embora não tenha relação pessoal com a situação que fez surgir o fato gerador, está a ela ligada por expressa disposição legal. Ainda que esteja imune, a “pessoa” pode estar sujeita, por meio de lei, a fazer retenção e recolhimento dos tributos devidos por outrem. Temos aqui mais um exemplo obrigação acessória: o fato de a empresa estar obrigada a descontar os tributos devidos por terceiros e recolhê-los. Veja que não há encargo financeiro, mas tão somente a obrigação de “fazer algo”. No que se refere às imunidades objetivas, o exemplo amplamente utilizado é o da imunidade cultural. De acordo com o art. 150, VI, d, da CF/88, é vedado a todos os entes federativos instituir impostos sobre os Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022da tributação. d) Tratores e máquinas de terraplanagem, utilizados em ambiente urbano, são isentos do IPVA. / A isenção é concedida desde que a potência das máquinas seja inferior a 50 cilindradas. e) A empresa de serviços de ambulância Alpha Resgate goza de isenção do IPVA. / A isenção é concedida desde que aplique seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais. Comentário: Alternativa A: A imunidade religiosa alcança o IPVA, desde que os veículos estejam vinculados à atividade fim da instituição religiosa. Alternativa correta. Alternativa B: O partido político goza de imunidade, e não de isenção, como afirmado. Alternativa errada. Alternativa C: Não há qualquer regra constitucional imunizante nesse sentido. Portanto, a alternativa está errada. Alternativa D: Não há qualquer regra constitucional imunizante nesse sentido. Portanto, a alternativa está errada. Alternativa E: A isenção de IPVA é concedida pelo respectivo Estado ou Distrito Federal. Portanto, não podemos fazer tal afirmação. Alternativa errada. Gabarito: Letra A 24. VUNESP/TJ-SP-Juiz/2017 Assinale a alternativa correta. a) a imunidade do artigo 150, VI, “b” da Constituição Federal deve ser interpretada ampliativamente de modo a incluir todos os imóveis da entidade religiosa, sem restrição, uma vez que o Estado Brasileiro, embora laico, garante o exercício da fé religiosa, segundo orientação do Supremo Tribunal Federal. b) a imunidade prevista no artigo 150, VI, “b” da Constituição Federal de 1988 deve ser estendida aos cemitérios de cunho religioso, segundo orientação do Supremo Tribunal Federal. c) a imunidade conferida aos templos se estende à Maçonaria, em cujas lojas se professa culto no sentido empregado pela Constituição Federal, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal. d) a imunidade do artigo 150, VI, “b” da Constituição Federal de 1988 estende-se aos cemitérios, ainda que ostentem natureza privada e empresarial, uma vez que ali se realizam ritos relacionados com a fé religiosa, segundo orientação do Supremo Tribunal Federal. Comentário: Alternativa A: Não, a imunidade prevista no art. 150, VI, “b”, CF, deve compreender o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais das entidades religiosas. Alternativa incorreta. Alternativa B: O STF decidiu no RE 578.562 que é possível a aplicação da imunidade tributária aos cemitérios, desde que sejam uma extensão da entidade religiosa. Alternativa correta. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 67 108 Alternativa C: O STF a entender que as lojas maçônicas não são alcançadas pela imunidade religiosa uma vez que a maçonaria é uma ideologia de vida, não uma religião. Veja mais no RE 562.351. Alternativa incorreta. Alternativa D: Como vimos na justificativa da alternativa B, aos cemitérios é aplicável a imunidade tributária desde que sejam considerados uma extensão da entidade religiosa. O STF entendeu ainda que quem tem que comprovar que não está de acordo com as finalidades institucionais da entidade é a Administração Tributária, conforme decisão emanada no ARE 800.395 AgR. Alternativa incorreta. Gabarito: Letra B Imunidade dos Partidos Políticos, Entidades Sindicais dos Trabalhadores, Instituições de Educação e de Assistência Social 25. CESPE/PGE-PE-Analista Judiciário/2019 Partido político perde a imunidade de IPTU sobre imóvel de sua propriedade caso o alugue para terceiro, ainda que o valor dos aluguéis seja investido, por exemplo, em propaganda partidária. Comentário: De acordo com a Súmula Vinculante 52, do STF, as entidades da alínea “c” do art. 150, V, da CF/88 (incluindo os partidos políticos) não perdem a imunidade de IPTU sobre imóvel de sua propriedade caso o alugue para terceiro, ainda que o valor dos aluguéis seja investido na manutenção das suas finalidades essenciais. Gabarito: Errada 26. CESPE/PGE-PE-Analista Judiciário/2019 A imunidade tributária das instituições de assistência social sem fins lucrativos está condicionada à inexistência de contribuição por parte de seus beneficiários. Comentário: Esta linha foi seguida pelo STF para determinar, na Súmula 730, que as entidades fechadas de previdência social privada somente configuram entidades assistenciais e gozam da imunidade tributária se não exigirem contribuição por parte dos seus beneficiários. Gabarito: Correta 27. CESPE/MPE-RR-Promotor de Justiça/2017 A imunidade tributária assegurada às instituições de educação sem fins lucrativos garante imunidade apenas para os a) impostos, não vedando a instituição de outras modalidades de tributos. b) tributos que incidam sobre sua renda e seu patrimônio, não afastando a cobrança de tributos que incidam sobre os serviços por elas prestados. c) impostos e contribuições sociais, não impedindo a cobrança de taxas, empréstimos compulsórios e contribuições de melhoria. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 68 108 d) tributos de competência da União, não prevendo a não incidência de tributos que sejam de competência dos estados, dos municípios ou do DF. Comentário: Alternativa A: A imunidade em questão abrange apenas os impostos, não vedando a instituição de outras modalidades de tributos. Alternativa correta. Alternativa B: A referida imunidade abrange o patrimônio, a renda e os serviços dessas entidades educacionais. Alternativa errada. Alternativa C: A imunidade se restringe aos impostos. Alternativa errada. Alternativa D: A imunidade se restringe aos impostos. Alternativa errada. Gabarito: Letra A 28. FCC/METRO SP - Advogado Júnior/2016 Considere: I. Partidos políticos. II. Fundações de partidos políticos. III. Entidades sindicais dos trabalhadores. IV. Entidades sindicais dos empregadores. Observados os requisitos legais, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, cobrar impostos sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos entes indicados APENAS em a) I, II e III. b) I, III e IV. c) I e II. d) III e IV. e) III. Comentário: A imunidade recíproca abrange todas as pessoas acima mencionadas, com exceção dos sindicatos de empregadores (donos de empresas). Gabarito: Letra A 29. FCC/TCE AM – Auditor/2015 A Constituição Federal ora estabelece que é vedado às pessoas jurídicas de direito público instituir impostos em determinadas circunstâncias, ora estabelece que um imposto específico não incidirá em determinada circunstância. De acordo com o texto constitucional, a) é vedado aos Municípios instituir o IPTU sobre terrenos de propriedade de empresas públicas estaduais, cuja utilização não esteja vinculada às finalidades essenciais da respectiva empresa. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 69 108 b) não incidirá o ITR sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário, seu cônjuge, seus descendentes ou seus parentes colaterais, até o terceiro grau. c) é vedado aos Estados instituir o ICMS sobre as operações de circulação de suportes materiais que contenham videofonogramas musicais produzidos no Brasil, contendo obras musicais de autores brasileiros. d) é vedado à União instituir qualquer imposto sobre o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial. e) é vedado aos Municípios instituir o ISSQN sobre templos de qualquer culto, salvo disposição de lei complementar em contrário. Comentário: Alternativa A: Não há tal vedação. As Sociedades de Economia Mista e Empresas Públicas podem ser sim tributadas por impostos, salvo quando sejam prestadoras de serviço público essencial, tal como os Correios, por exemplo. Alternativa errada. Alternativa B: Oart. 153, §4º, II da CF/88 prevê apenas a exploração pelo seu proprietário, nada dispondo sobre cônjuge, descendentes, ascendentes e parentes colaterais até o 3º grau. Alternativa errada. Alternativa C: É a imunidade cultural, prevista no art. 150, VI, “c” da CF/88.Alternativa correta. Alternativa D: O ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial, se sujeitará apenas ao IOF, conforme art. 150 §5º da CF/88. Alternativa errada. Alternativa E: Não há essa ressalva na imunidade religiosa, prevista no art. 150, VI, “b” da CF/88. Alternativa errada. Gabarito: Letra C 30. FCC/SEAD PI - Analista de Planejamento e Orçamento/2013 A imunidade recíproca, prevista na Constituição Federal, I. veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituírem impostos sobre renda, patrimônio ou serviços uns dos outros. II. é extensiva às autarquias, às fundações e às empresas públicas instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados as suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. III. não se aplica ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e III. b) I e III. c) I. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 70 108 d) I e II. e) III. Comentário: Item I: Exatamente o que menciona o art. 150, VI, “a” da CF/88. Item correto. Item II: O art. 150, VI, “c” da CF/88 assegura tal imunidade a autarquias e fundações, mas não a Empresas Públicas. Item incorreto. Item III: É a literalidade do §3º do art. 150 que afasta a imunidade em tal situação. Item correto. Gabarito: Letra B 31. FCC/SEFAZ-PI-Auditor Fiscal/2015 A Constituição Federal estabelece limitações ao poder de tributar, concedido aos entes federados. No que se refere a estes limites, é vedado cobrar tributos das instituições de educação sem fins lucrativos, dos partidos políticos e das entidades sindicais dos trabalhadores e patronais, desde que atendidos os requisitos da lei e a finalidade social de redução das desigualdades. Comentário: Primeiramente, devemos nos atentar ao fato de que a referida imunidade citada na questão se restringe aos impostos, não sendo extensiva aos “tributos” de um modo geral. Ademais, além desse erro, apenas as entidades sindicais de trabalhadores são imunes, não alcançando, portanto, as entidades patronais. Por fim, também houve distorção na condição da imunidade, ao mencionar que será concedida desde que atendidos os requisitos da lei e a finalidade social de redução das desigualdades, conforme já comentamos durante a aula. Gabarito: Errada 32. VUNESP/Prefeitura de São José dos Campos - SP-Procurador/2017 A Constituição Federal confere poder de tributar à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, mas estabelece limitações ao exercício desse mesmo poder. Nesse sentido, é correto afirmar que a tarefa de regular as limitações constitucionais ao poder de tributar é matéria que a Constituição Federal confere a) à lei complementar. b) à lei ordinária no âmbito da competência de cada ente tributante. c) a qualquer espécie normativa, desde que no âmbito territorial de cada ente tributante. d) à lei ordinária específica de cada tipo de tributo. e) somente às Constituições Estaduais e às Leis Orgânicas. Comentário: A Constituição Federal é clara que cabe à lei complementar regular as limitações constitucionais ao poder de tributar. Art. 146, II, CF. Gabarito: Letra A Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 71 108 33. VUNESP/ TJ-SP-Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento/2016 É correto dizer que a imunidade tributária a) é outorgada a Municípios, Estados, Distrito Federal e União, excetuando impostos indiretos como ICMS. b) é outorgada a templos de qualquer culto, livros, periódicos e papel destinado à sua impressão. c) é outorgada às fundações, desde que estas não distribuam lucros. d) é assegurada às entidades públicas e privadas sem fins lucrativos. Comentário: Alternativa A: A imunidade tributária recíproca é aplicável em relação ao patrimônio, renda ou serviços dos entes federados, nos termos do art. 150, VI, “a”, CF. Da maneira como foi colocada, a imunidade seria aplicável em outras hipóteses. Realmente, a imunidade tributária só tem lugar quando se trata de contribuinte de direito, não podendo ser invocada quando o ente se encontra na posição de contribuinte de fato. Assim, perceba que a assertiva misturou parte que está correta e outra que não está a fim de confundir o candidato. Alternativa incorreta. Alternativa B: Exato, nos termos do art. 150, VI, “b” e “c”, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre templos de qualquer culto, bem como sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Alternativa correta. Alternativa C: De acordo com o art. 150, § 2.º, CF, a imunidade tributária é aplicada para as fundações e autarquias, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, desde que vinculados a suas finalidades essenciais ou que sejam delas decorrentes. Alternativa incorreta. Alternativa D: Não existe esta imunidade na CF de 1988. Alternativa incorreta. Gabarito: Letra B 34. FGV/Pref. Recife-Auditor do Tesouro Municipal/2014 Determinada escola foi autuada pelo Fisco Municipal por não ter recolhido o imposto sobre os serviços que presta, apesar de ter recebido o título de instituição de utilidade pública, tendo sua imunidade reconhecida por meio de ato declaratório próprio, não possuindo fins lucrativos. A Fazenda alega que a escola não se cadastrou junto à Secretaria de Educação, órgão que estabelece os critérios para que um estabelecimento possa ser considerado “educacional” e, portanto, imune, sendo essa exigência ato privativo do Poder Executivo, que pode condicionar a fruição do benefício ao cumprimento de obrigações acessórias. Nesse caso, a Fazenda agiu a) incorretamente, uma vez que a exigência de cadastro representa limite, a ser fixado por lei complementar, à imunidade gozada pela escola. b) corretamente, já que cabe ao Poder Executivo fixar a organização das entidades imunes. c) corretamente, eis que cabe à Secretaria de Educação exercer controle sobre as escolas. d) incorretamente, já que as exigências quanto à organização das entidades imunes devem ser veiculadas por lei complementar. e) corretamente, uma vez que, mesmo imune, a escola tem que cumprir as obrigações acessórias. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 72 108 Comentário: Sabemos que a regulação das limitações ao poder de tributar, como a imunidade tributária, deve ser realizada apenas por meio de lei complementar, conforme estabelece o art. 146, II, da CF/88. Sendo assim, a Fazenda não pode exigir cadastro junto à Secretaria de Educação, pois isso representa uma condição para o gozo da imunidade, que deve ser fixado apenas em lei complementar. Gabarito: Letra A 35. FGV/CONDER-Advogado/2013 Entidade beneficente, sem fins lucrativos, que atende aos requisitos legais e foi declarada de utilidade pública federal, importou, para fins de integralizar seu ativo fixo, um maquinário a ser usado na atividade que presta. Entretanto, no momento do desembaraço aduaneiro, o fiscal do Estado lhe exige o pagamento do ICMS incidente sobre a importaçãoda mercadoria, alegando que a imunidade da entidade é sobre seu patrimônio e não sobre a atividade de importação, sobre a qual recai a exação. Neste caso, a entidade (A) deve pagar o ICMS, contabilizar o imposto como crédito e posteriormente compensar o que pagou. (B) não deve pagar o ICMS, já que a imunidade tributária a torna não contribuinte de qualquer espécie tributária. (C) deve pagar o ICMS e quando integralizar a máquina em seu ativo imobilizado, compensar o que pagou. (D) só deve pagar o ICMS na operação se a máquina não for usada para a atividade beneficente que presta. (E) não deve pagar o ICMS, já que é beneficiada por imunidade constitucionalmente prevista, bastando comprovar que cumpre os requisitos legais para seu gozo. Comentário: Como houve importação de maquinário que passou a integrar o patrimônio da entidade beneficente, sem fins lucrativos, tal operação está imune ao ICMS. Portanto, a referida entidade não deve pagar o ICMS, já que é beneficiada por imunidade constitucionalmente prevista, bastando comprovar que cumpre os requisitos legais para seu gozo. Gabarito: Letra E 36. FGV/AL-MA-Consultor Legislativo/2013 A Fundação Pública Estadual Lar dos Idosos, cujo objeto é dar assistência a pessoas carentes e idosas, que estejam em situação de risco, não distribui lucros e aplica tudo o que arrecada em sua atividade fim. A Fundação, quanto à frota de veículos que possui, a) está isenta de pagar o IPVA b) é contribuinte de fato do IPVA c) está imune quanto ao IPVA d) é remida quanto ao pagamento do IPVA e) é anistiada do IPVA Comentário: Em se tratando de entidade beneficente de assistência social que obedeça aos requisitos definidos no art. 14, do CTN, há aplicabilidade da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/88. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 73 108 Gabarito: Letra C Imunidade Cultural 37. FGV/Pref. Salvador-BA-Técnico de Nível Superior-Direito/2017 A Editora WW Ltda. publica livros impressos e livros eletrônicos (e-books), além de comercializar aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais (e-readers). O sócio-gerente dessa editora, diante da dúvida quanto à incidência de imunidade tributária objetiva sobre os itens por ela publicados e comercializados, consulta Roberto, advogado tributarista, a respeito do tema. Levando em conta a Constituição da República e a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal, assinale a opção que apresenta a resposta de Roberto. a) A imunidade objetiva prevista na CRFB/88 abarca livros impressos e livros eletrônicos, mas não alcança aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais. b) A imunidade objetiva prevista na CRFB/88 abarca apenas e tão somente livros impressos. c) A imunidade objetiva prevista na CRFB/88 abrange livros impressos, livros eletrônicos e aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais. d) A imunidade objetiva prevista na CRFB/88 abrange livros eletrônicos e aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais. Quanto aos livros impressos, a hipótese é de mera isenção legal. e) A imunidade subjetiva prevista na CRFB/88 abrange livros impressos, livros eletrônicos e aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais. Comentário: A imunidade prevista no texto constitucional se restringe aos “livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão”. Porém, ao julgar o RE 330.817/RJ, o STF considerou que os livros eletrônicos e os aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais também são alcançados pelo preceito constitucional em comento. Hoje, o tema é objeto da Súmula Vinculante 57! Gabarito: Letra C 38. VUNESP/ TJ-SP-Juiz substituto/2017 Considerando-se o disposto no artigo 150, VI, “d” da Constituição Federal de 1988, notadamente a expressão “… e o papel destinado à sua impressão”, é de se concluir corretamente que a) a imunidade deve ser estendida também aos livros com suportes em CD e outros meios eletrônicos, em face das interpretações evolutiva e teleológica. b) somente o livro de papel deve ser imune a impostos, uma vez que, operando a imunidade como limitação ao poder de tributar de que dotado o Estado, sua interpretação há de ser restritiva. c) somente o livro de papel é imune a impostos, à vista da cláusula expressa “… e o papel destinado à sua impressão”. (artigo 150,VI, “d”, Constituição Federal). d) se a Constituição não distinguiu o suporte tecnológico de elaboração de livros, jornais e periódicos, não pode o intérprete fazê-lo para o fim de ampliar a imunidade. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 74 108 Comentário: Para responder a questão o aluno deve conhecer a jurisprudência do STF que amplia a imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aos livro eletrônico (e-book), inclusive aos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo (e-readers), conforme decido no RE 330.817 e no RE 595.676. Assim, podemos afirmar com certeza que a letra “a” é a alternativa correta, pois atende ao julgado do STF. As demais assertivas impedem que este entendimento seja aplicado. Gabarito: Letra A 39. ESAF/ANAC-Especialista em Regulação/2016 Quanto à imunidade tributária, assinale a opção correta. a) Os templos de qualquer culto são imunes a todos os tributos. b) A imunidade dos partidos políticos alcança impostos e taxas. c) A imunidade das entidades educacionais é descaracterizada pela cobrança de mensalidades. d) A imunidade dos livros, dos jornais e dos periódicos é subjetiva. e) O sujeito passivo imune não é dispensado do cumprimento de obrigações acessórias. Comentário: Temos aqui uma questão bastante ampla, cobrando várias imunidades. Vamos analisar cada alternativa: Alternativa A: A imunidade das entidades religiosas é relativa apenas aos impostos. Alternativa errada. Alternativa B: A imunidade dos partidos políticos alcança apenas os impostos. Alternativa errada. Alternativa C: A cobrança de mensalidades não descaracteriza a entidade imune, se não há distribuição de rendas, lucro ou participação nos seus resultados. A imunidade das entidades educacionais apenas define que tais entidades não tenham finalidade lucrativa, não vedando a cobrança de mensalidades. Alternativa errada. Alternativa D: Trata-se de imunidade claramente objetiva, já que o que está sendo protegido é o objeto (livro, jornal, periódicos e o papel destinado à sua impressão). Alternativa errada. Alternativa E: Ainda que imune, a pessoa fica submetida ao cumprimento de obrigações acessórias perante o Fisco. Alternativa correta. Gabarito: Letra E 40. FCC/TJ-PE-Juiz/2013 Há isenção de imposto sobre comercialização de livro, jornal, periódico e sobre a comercialização de papel destinado a impressão destes produtos. Comentário: O que há, na verdade, é imunidade de imposto sobre os livros, jornais, periódicos, bem como sobre o papel destinado a impressão destes produtos. Gabarito: Errada Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 75 108 ==14c6c2== Imunidade em Favor da Produção Musical Brasileira 41. CESPE/TCE-RN-Assessor Técnico Jurídico/2015 Os fonogramas musicais produzidos no Brasil, contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros, salvo na etapa de replicação industrial de mídias óticas de leitura a laser, são imunes às contribuições de intervenção econômica e aos impostos em geral, mas não às contribuições para a seguridade social, como as contribuições previdenciárias. Comentário: A imunidade dos fonogramas e videofonogramas produzidos no Brasil se restringe aos impostos, nãoalcançando as contribuições de intervenção econômica, nem qualquer outra espécie tributária. Gabarito: Errada 42. FCC/Prefeitura de Manaus - Técnico Fazendário/2019 De acordo com a Constituição Federal, o Município pode a) instituir, lançar e cobrar o IPTU relativamente a bem imóvel no qual se realizam os cultos e cerimônias religiosos e cujo proprietário é a instituição religiosa “HÁ VIDA NO ALÉM”. b) instituir, lançar e cobrar o ITCMD em relação aos serviços gratuitos de orientação pedagógica e educacional prestados pela instituição de educação “Escola para Todos Ltda.”, instituição sem fins lucrativos. c) cobrar o ITBI no exercício subsequente àquele em que tiver sido publicada a lei que aumentou sua base de cálculo, dispensada a observância do princípio da anterioridade nonagesimal. d) instituir, lançar e cobrar o ISSQN sobre a prestação de serviços de fonografia, atinente à produção, no território do Município, de fonogramas contendo poesias não musicadas, de autoria do poeta chileno Pablo Neruda, e recitadas por artista de nacionalidade chilena. e) instituir, lançar e cobrar o IPTU sobre a propriedade de imóvel em que funciona a Secretaria de Fazenda do Estado, imóvel este que é de propriedade do governo estadual. Comentário: Alternativa A: Os entes federados são vedados de instituir impostos sobre templos religiosos, em decorrência da imunidade religiosa prevista no art. 150, VI, “b”, da CF/88. Alternativa errada. Alternativa B: Os entes federados são vedados de instituir impostos sobre instituições de educação sem fins lucrativos, nos termos do art. 150, VI, “c” da CF/88. Alternativa errada. Alternativa C: O ITBI não é exceção ao princípio da anterioridade nonagesimal. Alternativa errada. Alternativa D: Ainda que os fonogramas ou videofonogramas sejam produzidos no Brasil, a autoria ou a interpretação (pelo menos uma delas) deve ser feita por brasileiro. Como o poeta é chileno e o artista que as interpreta também é estrangeiro, não é possível aplicar tal imunidade. Alternativa correta. Alternativa E: Aos entes federados é vedado de instituir impostos sobre patrimônio, renda e serviços uns dos outros, conforme art. 150, VI, “a” da CF/88. Alternativa errada. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 76 108 Gabarito: Letra D 43. FCC/SEFAZ GO - Auditor Fiscal da Receita Estadual/2018 A Constituição Federal contempla várias regras que têm por finalidade limitar o poder de tributar das pessoas jurídicas de direito público interno. De acordo com essas regras, é vedado aos Estados a) instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, facultada, para fins de desoneração tributária total ou parcial, a distinção em razão de origem étnica, de nível de escolaridade, de ocupação profissional e de função por eles exercida. b) cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da regulamentação da lei que os houver instituído, aumentado ou reduzido. c) cobrar tributos antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido regulamentada a lei que os instituiu ou aumentou, podendo o referido prazo ser reduzido, nos casos em que seu término ocorrer no exercício subsequente, hipótese em que o tributo poderá ser cobrado desde o primeiro dia do novo exercício. d) estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. e) instituir impostos sobre videofonogramas musicais produzidos no Mercosul, contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros, e obras em geral, interpretadas por artistas brasileiros ou por artistas cidadãos de países integrantes do Mercosul, bem como sobre os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, inclusive na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Comentário: Alternativa A: O artigo 150, II, veda o tratamento desigual entre contribuintes que se encontre em situação equivalente. Alternativa errada. Alternativa B: A vedação de se cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei que instituiu ou aumentou tal tributo. Alternativa errada. Alternativa C: A noventena é contada a partir da publicação da Lei, e não da sua regulamentação. Alternativa errada. Alternativa D: É o princípio da Liberdade de Tráfego de bens e pessoas, previsto no art. 150 V da CF/88. Alternativa correta. Alternativa E: A imunidade cultural é devida a obras de brasileiros ou obras estrangeiras mas interpretadas por brasileiros, cujos fonogramas ou videofonogramas musicais tenham sido produzidos no Brasil, conforme art. 150, VI, “e”. Alternativa errada. Gabarito: Letra D 44. FCC/ TRT 24ª Região - Analista Judiciário/Contabilidade/2017 O Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, órgão da Administração Pública Federal direta, precisando renovar a frota de veículos automotores de sua propriedade, procedeu à análise do custo anual de manutenção desta frota, composta por cinco veículos, todos eles com seis anos de uso. O resultado desse estudo seria o parâmetro para a renovação da frota. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 77 108 Em razão disso, foram elaborados os devidos estudos dos custos dos diversos itens relacionados com a frota, tais como os de manutenção mecânica, de limpeza, de estacionamento, de consumo de combustíveis e lubrificantes e, inclusive, os de natureza tributária. No tocante especificamente aos custos anuais de natureza tributária, o mencionado estudo, para ser considerado correto à luz das normas constitucionais, deveria ter concluído que o referido Tribunal a) não incorrerá em despesas tributárias relativamente ao Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores − IPVA, pois é vedado aos Estados ins tuir impostos sobre o patrimônio da União, mas poderá incorrer nessas despesas relativamente às taxas, tais como a taxa de licenciamento de veículos, pois não é vedada constitucionalmente sua instituição. b) não incorrerá em despesas tributárias, pois é vedado aos Estados instituir tributos estaduais sobre o patrimônio, renda ou serviço da União. c) incorrerá em despesas tributárias, pois é vedado aos Estados, mas não à própria União, neste caso, instituir tributos estaduais sobre o seu próprio patrimônio, atendendo ao princípio do tratamento isonômico entre contribuintes. d) não incorrerá em despesas tributárias relativamente às taxas, tais como a taxa de licenciamento de veículos, pois é vedado aos Estados instituir taxas sobre o patrimônio da União, mas incorrerá nessas despesas relativamente ao IPVA, pois não é vedada a instituição de impostos sobre o patrimônio da União, desde que haja previsão legal nesse sentido. e) poderá incorrer em despesas tributárias, pois o IPVA e a taxa de licenciamento de veículos podem ser instituídos, no presente caso, sobre o patrimônio da União, porque são tributos de competência estadual. Comentário: A imunidade do art. 150, VI, “a” da CF/88 é para impostos. Assim, é vedado que a cobrança de IPVA sobre a frota de veículos do tribunal. Contudo eventuais taxas e outras exações de natureza tributária poderão ser cobradas. Gabarito: Letra A 45. FCC/CGM São Luís - Auditor de Controle Interno/2015 De acordo com a Constituição Federal, exceto na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre a) videofonogramas musicais produzidos no Mercosul, contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros. b) obras em geral, interpretadas por artistas brasileiros, excluídos os suportes materiaisou arquivos digitais que os contenham. c) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros, ou de autores estrangeiros residentes no Brasil, há, pelo menos, dois anos. d) fonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais de autores brasileiros. e) obras em geral, compostas no Brasil, interpretadas por artistas brasileiros ou por artistas estrangeiros residentes no Brasil há, pelo menos, dois anos, excluídos os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 78 108 Comentário: A questão cobra conhecimento do art. 150, VI, “e” da CF/88. Tal dispositivo veda a instituição de imposto sobre obras musicais desde que: fonograma ou videofonograma tenha sido produzido no Brasil; o autor da obra seja brasileiro ou ainda que o autor seja estrangeiro, a obra seja interpretada por brasileiro. Tal imunidade alcança os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. Assim a alternativa que atende os requisitos constitucionais é a letra D. Gabarito: Letra D 46. FCC/SEFAZ-PI-Auditor Fiscal/2015 A Constituição Federal estabelece limitações ao poder de tributar, concedido aos entes federados. No que se refere a estes limites, é vedado instituir impostos sobre livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão, e sobre fonogramas musicais produzidos no Brasil, com obras musicais de autores brasileiros, natos ou naturalizados, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Comentário: A imunidade cultural veda realmente a instituição de impostos sobre livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão. Ademais, foi acrescentada ao texto constitucional a imunidade que veda a instituição de impostos sobre fonogramas (e videofonogramas também!) musicais produzidos no Brasil, com obras musicais de autores brasileiros, natos ou naturalizados, ou interpretadas por artistas brasileiros, ficando ressalvada dessa imunidade a etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Gabarito: Correta 47. FCC/TCM-GO-Auditor de Controle Externo/2015 De acordo com a Constituição Federal, é vedado aos Municípios instituir a) impostos e contribuições sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, especificamente naquilo que se relaciona com as finalidades essenciais dessas entidades. b) impostos e taxas sobre patrimônio, renda ou serviços, da União, dos Estados e do Distrito Federal e de outros Municípios. c) impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros. d) tributos sobre templos de qualquer culto, no que diz respeito ao patrimônio, renda e serviços, relacionados ou não com as suas finalidades essenciais. e) impostos sobre livros, jornais, periódicos, papel, tinta e demais insumos empregados na sua impressão. Comentário: Alternativa A: A imunidade dos partidos políticos abrange apenas os impostos sobre seu patrimônio, renda ou serviços. Alternativa errada. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 79 108 Alternativa B: A imunidade recíproca abrange apenas os impostos, não alcançando as taxas. sobre patrimônio, renda ou serviços. Alternativa errada. Alternativa C: De fato, o texto constitucional impede a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros. Alternativa correta. Alternativa D: A imunidade religiosa somente alcança os impostos e, ainda, apenas no que se refere ao patrimônio, renda e serviços, relacionados com as suas finalidades essenciais. Alternativa errada. Alternativa E: A imunidade cultural abrange apenas os impostos sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão, e materiais assimiláveis ao papel, porém não de forma ampla, alcançando todo e qualquer insumo. Alternativa errada. Gabarito: Letra C 48. FCC /TJ CE- Juiz Estadual/2014 Raquel, violonista, Flávia, flautista e Beatriz, pianista, também são cantoras de música popular brasileira. Essas três artistas brasileiras decidiram, em novembro de 2013, gravar um DVD com canções, cujas letras e melodias são de autores brasileiros. Decidiram produzir o DVD no Estado do Ceará, porque, além de ser mais barato do que produzi-lo em outro Estado, ou até mesmo no exterior, foram informadas de que o DVD já estaria nas lojas a tempo para as vendas de Natal. A criação desse DVD a) está sujeita ao ICMS, nas vendas dos DVDs pelos estabelecimentos varejistas aos consumidores finais. b) está sujeita ao Imposto sobre Produtos Industrializados, na fase de multiplicação industrial de seus suportes materiais gravados. c) está sujeita ao Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, relativamente à gravação das canções. d) não está sujeita a imposto algum, desde a gravação do videofonograma até sua comercialização no varejo, porque Raquel, Flávia e Beatriz são brasileiras. e) não está sujeita a imposto algum, desde a gravação do videofonograma até sua comercialização no varejo, porque os autores das canções são brasileiros. Comentário: Trata-se da imunidade prevista no art. 150, VI, “e” da CF/88 Sendo a obra produzida no Brasil, de autor brasileiro ou ainda que de autor estrangeiro, mas interpretada por brasileiros, fará jus a imunidade impostos. Como o DVD foi produzido no Ceará, e as intérpretes são brasileiros, haverá direito à imunidade sobre tal DVD. Contudo, ainda que a imunidade afaste o imposto sobre a comercialização, na fase de multiplicação industrial dos suportes materiais gravados, não haverá direito à imunidade, conforme vedação expressa do art. 150, VI, “e” da CF/88 Assim estará sujeito ao IPI na fase de multiplicação industrial de seus suportes materiais gravados. Gabarito: Letra B Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 80 108 49. FCC/TCE-PI-Auditor de Controle Externo/2014 Paulo, de nacionalidade argentina, Antonio, de nacionalidade paraguaia, Mário, de nacionalidade espanhola, e Eduardo, de nacionalidade peruana, todos residentes no Brasil, formam um grupo musical, que compõe e executa melodias brasileiras e estrangeiras. Apresentam-se em todos os Estados brasileiros. Seu trabalho musical é divulgado de diversas maneiras: apresentações públicas em programas televisivos, espetáculos abertos ao público em geral, com entrada gratuita, e comercialização de CDs e DVDs de suas apresentações. (1) O último DVD desse quarteto, com canções folclóricas andinas, cujas letras e melodias foram criadas por autores bolivianos residentes no Brasil, foi produzido nos Estados Unidos. (2) Antes de Antonio juntar-se ao grupo, Paulo, Mário e Eduardo formaram um trio que chegou até a produzir, no Rio Grande do Sul, um CD com melodias de autoria de artistas gaúchos e letras criadas por artistas uruguaios. (3) Recentemente, o quarteto produziu, no Piauí, um DVD com canções, cujas melodias foram compostas por autores brasileiros, mas as letras foram compostas por autores paraguaios. (4) Antonio produziu um CD, solo, instrumental, na Itália, interpretando apenas melodias (sem letra) compostas por autores piauienses. Com base nas afirmações acima e no que dispõe a Constituição Federal a respeito de imunidades tributárias, são abrangidas por essas imunidades APENAS as situações de números a) 2 e 4. b) 1 e 4. c) 1e 2. d) 2 e 3. e) 3 e 4. Comentário: A imunidade da música nacional alcança os impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Analisemos, caso a caso: 1) Como o DVD foi produzido no exterior (Estados Unidos), já podemos descartar a imunidade em apreço. Item errado. 2) Como o CD foi produzido no Brasil e contém melodias de autoria de artistas brasileiros, há imunidade neste caso. Item correto. 3) Como o DVD foi produzido no Brasil e contém melodias compostas por autores brasileiros, também há imunidade neste caso. Item correto. 4) Como o DVD foi produzido no exterior (Itália), já podemos descartar a imunidade em apreço. Item errado. Gabarito: Letra D Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 81 108 50. FCC/SEAD PI - Analista de Planejamento e Orçamento/2013 Visando à elaboração de projeto estruturante de interesse do Estado do Piauí para o ano de 2015, você, na condição de Analista de Planejamento e Orçamento da Secretaria da Administração, verifica a necessidade urgente de aumentar a arrecadação do Estado no ano de 2014, a fim de viabilizar financeiramente o seu projeto. Para tanto, você encomendou estudo a ser realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado neste sentido. A proposta que NÃO afronta o disposto na Constituição Federal é a) instituir em 2013 aumento de 2% de alíquota do ICMS concernente a todas as operações internas relativas à circulação de mercadorias a serem realizadas no Estado do Piauí, com cobrança efetiva para fatos geradores ocorridos a partir do dia 01 de janeiro de 2014. b) conceder, por meio de Decreto do Executivo Estadual, isenção de IPVA para os proprietários de veículos de uso industrial, com a finalidade de atrair empresas de outros Estados para o território piauiense. c) instituir ainda em 2013 aumento de 2% de alíquota do ICMS relativo a todas as operações internas relativas à circulação de mercadorias a serem realizadas no Estado do Piauí, com cobrança a ser feita na data da publicação da lei instituidora. d) cobrar IPVA em relação aos automóveis considerados não populares registrados em nome das entidades religiosas registradas no Piauí. e) cobrar ICMS nas operações relativas à circulação de periódicos que tenham conteúdo considerado pela Secretaria de Cultura do Estado como pornográfico. Comentário: Alternativa A: Aqui é uma questão que o candidato deve ter flexibilidade e comparar com as demais. Veja que a princípio não se diz em que momento do ano de 2013 tal lei será instituída, mas se for instituída até 90 dias antes do exercício, será possível sua cobrança a partir de 1º/01/2014. A partir dessa premissa, tal alternativa se torna a única “correta” dentre as demais. Alternativa correta. Alternativa B: A isenção de IPVA deve ser por meio de Lei, e não Decreto. Alternativa errada. Alternativa C: O ICMS obedece a ambas as anterioridades, anual e nonagesimal. Alternativa errada Alternativa D: Os veículos de propriedade das entidades religiosas são abarcados pela imunidade do art. 150, VI, “c”. Alternativa errada. Alternativa E: A imunidade de periódicos não é passível de tal arbítrio, abrangendo todos os periódicos, independente do seu teor. Alternativa errada. Gabarito: Letra A 51. VUNESP/Prefeitura de São José dos Campos - SP-Procurador/2017 A vedação à incidência de impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser, consiste no que a doutrina denomina como a) isenção. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 82 108 b) remissão. c) imunidade. d) hipótese de não incidência diferida. e) hipótese de incidência diferida. Comentário: Como sabemos, a imunidade tributária pode ser definida como uma hipótese de não incidência constitucionalmente qualificada. Toda imunidade deve estar prevista na Constituição Federal. Trata-se, portanto, de uma delimitação da competência tributária, já que impede os entes federados de tributarem o objeto ou a pessoa imune. Tal imunidade consta do art. 150, VI, “e”, CF. Gabarito: Letra C Outras Espécies de Imunidades Tributárias 52. CESPE/TCE-RN-Auditor/2015 A CF prevê a aplicação de imunidade tributária sobre contribuições sociais, e não somente sobre impostos. Comentário: De fato, também existem imunidades relativas a outras espécies tributárias, como as contribuições sociais, não se restringindo aos impostos. Gabarito: Correta 53. CESPE/PROCURADOR-MP-TCDF/2013 Conforme jurisprudência do STF fundamentada no princípio da seletividade, operações e bens relacionados à saúde são imunes a tributação. Comentário: Não há que se alegar que os bens essenciais ao ser humano devem ser imunes, por conta do princípio da seletividade. Há outros princípios que devem ser levados em consideração, como o da capacidade contributiva, da concorrência e da livre iniciativa. Gabarito: Errada 54. FCC/METRÔ-SP-Analista Desenvolvimento Gestão Júnior/2014 São imunes: a) os partidos políticos e os templos de qualquer culto, em relação ao ICMS embutido no preço dos bens por eles adquiridos e destinados às suas atividades sociais. b) as entidades de assistência social sem fins lucrativos que atenderem aos requisitos previstos em lei complementar, em relação às contribuições e doações recebidas para aplicação em seus objetivos sociais. c) as empresas públicas que desempenhem atividades econômicas não sujeitas ao monopólio público, em relação ao ICMS ou ISS, conforme o caso, sobre bens e serviços por elas fornecidos. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 83 108 d) as operações de exportação de mercadorias ao exterior, em relação ao ICMS, desde que haja efetivo ingresso de divisas. e) as remunerações dos dirigentes de partidos políticos e de entidades sindicais, em relação à contribuição previdenciária pelos serviços por eles prestados. Comentário: Alternativa A: Como se trata de contribuintes de fato, não há que se falar em aplicação da imunidade tributária a este caso. Alternativa errada. Alternativa B: Em relação à renda das entidades de assistência social sem fins lucrativos que atendam aos requisitos previstos em lei complementar, há imunidade tributária. Alternativa correta. Alternativa C: Na realidade, é irrelevante o fato de a empresa estar ou não desempenhando atividade sujeita a monopólio. O simples fato de haver exploração de atividade econômica com o objetivo de lucro impede a aplicação da imunidade, conforme jurisprudência do STF. Alternativa errada. Alternativa D: A imunidade existe por força do disposto na CF/88, não havendo qualquer condicionamento ao efetivo ingresso de divisas. Alternativa errada. Alternativa E: Não há qualquer imunidade no texto constitucional relativa à contribuição previdenciária sobre as remunerações dos dirigentes de partidos políticos e de entidades sindicais. Alternativa errada. Gabarito: Letra B 55. FCC/TJPE - Juiz Estadual/2013 Sobre imunidade e isenção, analise os itens abaixo. I. A Constituição Federal assegura isenção no pagamento de taxa para obtenção de certidões em repartições públicas e privadas que prestam serviço público, para defesade direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. II. A imunidade sobre o templo de qualquer culto apenas alcança os impostos, sendo devidas, portanto, as taxas e contribuição de melhoria incidentes sobre o imóvel destinado ao templo. III. Há isenção de imposto sobre comercialização de livro, jornal, periódico e sobre a comercialização de papel destinado a impressão destes produtos. IV. Possui imunidade de contribuição social para seguridade social a entidade beneficente de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Está correto o que se afirma APENAS em a) I, II e III. b) II, III e IV. c) I e II. d) II e IV. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 84 108 e) I e III. Comentário: Item I: A CF/88 assegura a imunidade, e não isenção, de taxas. Item incorreto. Item II: É necessário que o conceito de imunidade religiosa, fique claro: esta é para IMPOSTOS apenas, não sendo vedado que outros tributos incidam sobre a entidade religiosa. Item correto. Item III: O que há é imunidade, decorrente da CF/88, e não isenção, que decorre de Lei. Item incorreto. Item IV: O artigo 195, §7º prevê tão imunidade (apesar de que faltou técnica legislativa, em que o Constituinte denomina tal imunidade como isenção). Item correto. Gabarito: Letra D 56. FGV/Pref. Paulínia-SP-Procurador/2016 As imunidades são normas constitucionais que afastam a possibilidade de tributação de determinadas pessoas ou bases econômicas. As opções a seguir apresentam hipóteses de imunidade, à exceção de uma. Assinale-a. a) Patrimônio, serviços e renda, vinculados à finalidade essencial das autarquias, no que se refere aos impostos. b) A obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal, em relação às taxas. c) Patrimônio, renda e serviços das editoras de livros e periódicos, em relação aos impostos. d) O imóvel de propriedade de determinada igreja que, alugado a terceiro, tem o valor do aluguel destinado às suas finalidades essenciais, em relação aos impostos. e) As operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, no que se refere aos impostos. Comentário: Deseja-se a alternativa que não apresenta imunidade tributária. Analisemos cada uma delas: Alternativa A: Trata-se da imunidade recíproca, extensível às autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, referente aos impostos. Alternativa correta. Alternativa B: Trata-se de imunidade aplicável às taxas. Alternativa correta. Alternativa C: Na realidade, tal imunidade (cultural) se aplica apenas ao objeto imune (livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão), não alcançando as entidades fabricantes de tais produtos. Alternativa errada. Alternativa D: A jurisprudência do STF admite a imunidade sobre o imóvel de propriedade de determinada igreja que, alugado a terceiro, desde que o valor do aluguel seja destinado às suas finalidades essenciais da entidade. Alternativa correta. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 85 108 Alternativa E: Trata-se de imunidade relativa aos impostos federais, estaduais e municipais. Alternativa correta. Gabarito: Letra C 57. FGV/Pref. Recife-PE-Analista de Controle Interno/2014 Com relação às limitações ao poder de tributar, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa. ( ) A imunidade é regra de exclusão legal da competência tributária. ( ) A imunidade é aplicável apenas aos tributos não vinculados. ( ) A imunidade recíproca é extensiva às autarquias federais, estaduais e municipais. As afirmativas são, respectivamente, a) V, F e V b) F, V e F. c) F, F e V. d) V, V e F. e) F, V e V. Comentário: Item I: A imunidade é sempre decorrente de norma constitucional, nunca legal. Item errado. Item II: A imunidade é aplicável tanto aos tributos não vinculados como aos vinculados, já que existem imunidades relativas às taxas. Item errado. Item III: A CF/88 estabelece que a imunidade recíproca alcança as autarquias, sejam elas federais, estaduais ou municipais, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Item correto. Gabarito: Letra C 58. VUNESP/TJ-RJ-Juiz/2012 A União não poderá exigir o Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, assim definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel. A situação em questão diz respeito ao instituto tributário da a) não incidência de fato. b) remissão. c) imunidade. d) isenção. Comentário: Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 86 108 A Constituição Federal prevê no art. 153, § 4.º, II, que não deve incidir ITR sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel. Ainda que a Constituição remeta ao legislador a definição do que venha a ser considerado pequenas glebas de terra para fins de tributação, é nítido que se trata de uma imunidade tributária, uma vez que a própria Constituição determina a não incidência. Gabarito: Letra C Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 87 108 LISTA DAS QUESTÕES COMPLEMENTARES Conceito e Classificação das Imunidades Tributárias 1. CESPE/TJ-SC-Juiz Estadual/2019 A respeito de imunidade tributária e isenção tributária, é correto afirmar que a) a isenção está no campo infraconstitucional e corresponde a uma hipótese de não incidência da norma tributária. b) a imunidade está no plano constitucional e proíbe a própria instituição do tributo relativamente às situações e pessoas imunizadas. c) a isenção é criada diretamente pela Constituição Federal de 1988, sendo uma norma negativa de competência tributária. d) a imunidade pressupõe a incidência da norma tributária, sendo o crédito tributário excluído pelo legislador. e) a imunidade está no plano de aplicação da norma tributária, sendo equivalente ao estabelecimento de uma alíquota nula. 2. CESPE/TCE-PR-Analista de Controle Externo/2016 O estabelecimento das hipóteses de imunidade tributária é reservado a lei complementar. 3. CESPE/TCE-RN-Auditor/2015 A imunidade tributária visa preservar valores políticos, religiosos, sociais, econômicos e éticos da sociedade, com vistas a evitar que determinadas atividades sejam oneradas pela incidência dos tributos. 4. FCC/Câmara Municipal de SP - Procurador Legislativo/2014 Na seção denominada das “limitações constitucionais ao poder de tributar” o texto constitucional dispõe sobre a) capacidade tributária para cobrar tributos. b) imunidades e isenções tributárias. c) todos os institutos tributários que atuam no campo da cobrança dos tributos instituídos na Constituição Federal. d) princípios e regras que disciplinam o exercício da competência para instituir e modificar tributos. e) o rol taxativo dos impostos instituídos pela Constituição Federal para os entes federados, que não têm poder de instituir, mas apenas para cobrar. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 88 108 5. FCC/MPE-PA-Promotor de Justiça/2014 Sobre a Lei Complementar nº 87/96 - Lei Kandir, é correto afirmar que instituiimunidades tributárias relativas ao ICMS dos Estados e Distrito Federal, dentre elas as operações com ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial e operações de arrendamento mercantil, não compreendida a venda do bem arrendado ao arrendatário. 6. FGV/CODEMIG-Advogado Societário/2015 A norma que impede que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituam e cobrem mutuamente impostos sobre seus patrimônios, rendas ou serviços é uma espécie de: a) imunidade; b) suspensão; c) isenção; d) exclusão; e) extinção. 7. FGV/TCM-SP-Agente de Fiscalização/2015 De acordo com o sistema constitucional tributário, a previsão de imunidade é: a) limitação à instituição de tributos estaduais e municipais, imposta pela União, através de lei complementar nacional; b) dispensa legal do pagamento do tributo ou penalidade pecuniária; c) modalidade especial de extinção do crédito tributário; d) não incidência qualificada pela lei; e) limitação constitucional ao poder de tributar. 8. VUNESP/TJ-SP-Juiz/2015 Na disciplina das isenções, imunidades e hipóteses de não incidência, é correto afirmar que a) quem pode isentar também pode conceder imunidade. b) quem pode tributar pode isentar. c) alíquota zero e isenção são expressões juridicamente equivalentes. d) não incidência é situação juridicamente distinta de imunidade e de não competência. 9. VUNESP/Câmara Municipal de Itatiba - SP-Advogado/2015 A imunidade e a isenção a) são institutos que possuem a mesma origem. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 89 108 b) identificam-se por representarem, ambas, liberalidades fiscais. c) distinguem-se porque a primeira verifica-se no âmbito do poder de tributar, ao passo que a segunda constitui-se em mero não exercício da competência tributária. d) identificam-se em nível da lei que as concede. e) confundem-se quanto ao efeito que produzem, na medida em que o crédito tributário constituído será dispensado da cobrança relativamente ao contribuinte, em ambos os casos. Imunidade Recíproca 10. CESPE/PGM-Manaus-Procurador/2018 É proibida a cobrança de tributo sobre o patrimônio e a renda dos templos de qualquer culto. 11. CESPE/DPF-Delegado de Polícia Federal/2018 Os estados e os municípios estão imunes à instituição de contribuições sociais, pela União, sobre os seus serviços. 12. CESPE/EMAP-Analista Portuário/2018 Conforme o entendimento do Supremo Tribunal Federal, a imunidade tributária recíproca prevista na Constituição Federal de 1988 foi estendida às empresas públicas. 13. CESPE/Pref. Fortaleza-Procurador/2017 A imunidade tributária recíproca que veda à União, aos estados, ao DF e aos municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços uns dos outros é cláusula pétrea. 14. CESPE/PGE-AM-Procurador/2016 A imunidade recíproca beneficia sociedades de economia mista que prestem serviços públicos estatais essenciais e exclusivos, como, por exemplo, o serviço de saneamento básico, ainda que tais serviços sejam remunerados por tarifas. 15. FCC/CREMESP - Analista de Gestão Financeira e Contábil/Contábil/2016 É possível identificar relação entre a competência para instituir tributos e as imunidades tributárias, na medida em que a) as normas que veiculam imunidades tributárias constituem comandos genéricos que orientam o exercício da competência tributária após a instituição dos tributos. b) ambos representam limitações ao poder de tributar, estando definidos na Constituição Federal e não sendo passíveis de delegação ou renúncia por parte dos entes federados. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 90 108 c) as imunidades vedam a instituição de tributos reciprocamente entre os entes federados aos quais é atribuída constitucionalmente a competência para instituir tributos. d) as imunidades incidem para impedir que os Municípios instituam impostos sobre Estados, Distrito Federal e União, bem como Estados e Distrito federal sobre União, não havendo vedação em sentido inverso, em razão da prevalência de interesses e da supremacia do interesse público. e) a competência para instituir tributos é repartida constitucionalmente, sendo possível que a União cobre impostos originalmente atribuídos aos Estados, no caso de inércia desses, até que sobrevenha legislação estadual, mas não poderá desrespeitar as regras de imunidade. 16. VUNESP/ISS-Guarulhos-Inspetor Fiscal de Rendas/2019 A imunidade recíproca, prevista na Constituição Federal, a) não alcança autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público. b) alcança os serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados prestados por empresas estatais. c) alcança os serviços em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário. d) exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. e) não alcança taxas, contribuições de melhoria e contribuições sociais. 17. FGV/SEFAZ-RO-Auditor Fiscal/2018 Determinado Estado da Federação cedeu um imóvel de sua propriedade à pessoa jurídica de direito privado ABC, para que esta exerça atividade econômica com fins lucrativos, no local do imóvel. Em relação à cobrança de Imposto sobre Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) do imóvel, assinale a afirmativa correta. (A) É vedada a cobrança do IPTU do imóvel, tendo em vista a imunidade recíproca das pessoas de direito público, princípio garantidor da Federação e cláusula pétrea. (B) É vedada a cobrança do IPTU do imóvel, tendo em vista que o Estado é isento do pagamento do IPTU de imóveis de sua propriedade. (C) O IPTU é devido e o Estado, contribuinte do imposto, deve realizar o pagamento. (D) O IPTU não é devido, uma vez que o Estado não é sujeito passivo da exação. (E) O IPTU é devido e a pessoa jurídica de direito privado é a responsável tributária e quem deve realizar o pagamento. 18. FGV/Câmara Municipal de Recife-PE-Consultor Legislativo/2014 As imunidades atuam no plano da definição da competência tributária, tem previsão constitucional e são hipóteses de não-incidência qualificada. Nesse sentido, a imunidade recíproca impede que: a) o Estado cobre contribuição de melhoria em relação a bem da União valorizado em decorrência de obra pública; b) o Município cobre a taxa de licenciamento de obra do Estado; Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 91 108 c) o Estado cobre tarifa de esgoto de imóvel da União; d) a União cobre Imposto de Renda sobre os juros das aplicações financeiras dos Municípios; e) a União Federal cobre contribuições destinadas ao custeio da Seguridade Social dos Estados e dos Municípios. 19. FGV/ISS-Cuiabá/2014 Pretendendo adquirir, no mercado doméstico, caminhões para uso em serviço, o Município de Cuiabá pede ao Estado de Mato Grosso que afaste a incidência do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nessa operação específica. Assinale a solução juridicamente adequada a ser dada ao caso exposto. a) O Estado deve acolher o pleito mediante prova cabal de que os veículos serão mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois, mesmo inexistindo lei estadual nesse sentido, o caso é de isenção de tributos. b) O Estado deve acolher o pleito mediante prova cabal de que os veículos serão mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois o caso é de imunidade de tributos. c) O Estado poderá acolher o pleito mediante decisão administrativa afastando a incidência do ICMS ao caso.d) O Estado não poderá acolher o pleito, ainda que os caminhões sejam mesmo empregados em atividades inerentes às atribuições do Município, pois é vedada a concessão de tratamento tributário diferenciado a entidades públicas que explorem a atividade econômica. e) O Estado não poderá acolher o pleito, pois a imunidade não favorece o Município neste caso concreto, já que ele é apenas o contribuinte de fato, e não o contribuinte de direito. Imunidade Religiosa 20. CESPE/CAGE-RS-Auditor do Estado/2018 Determinada entidade religiosa presta serviços de batismo e casamento, revende artigos religiosos produzidos por uma fábrica e vende artesanato sacro produzido pelos membros da entidade. Além disso, a entidade tem, além do imóvel onde funciona o templo, outros imóveis cuja renda é revertida à composição do patrimônio da entidade. Nessa situação hipotética, a imunidade religiosa relativa ao pagamento de impostos a) não abrange a venda do artesanato. b) abrange todas as situações mencionadas. c) não abrange o IPTU em caso de configuração de concorrência desleal. d) não abrange os serviços de batismo e casamento. e) abrange o ICMS relativo à compra e à venda de artigos religiosos da fábrica. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 92 108 21. FCC/Pref. Teresina-PI-Auditor Fiscal/2016 Determinado Município brasileiro decidiu adotar as seguintes medidas, no exercício de 2014: (I) lançou e promoveu a cobrança do IPTU em relação ao terreno em que se localiza um cemitério que é comprovadamente extensão de entidade de cunho religioso, e cuja doutrina não aceita o sepultamento dos fiéis falecidos em cemitérios que não sejam esses; (II) concedeu isenção desse mesmo imposto a um grupo limitado de munícipes, exclusivamente em razão de sua condição de servidores públicos municipais; (III) editou decreto, no mês de novembro de 2014, para vigorar a partir do exercício seguinte, majorando a base de cálculo do IPTU, redundando esse fato, inclusive, em aumento superior à variação dos índices oficiais de inflação. Considerando as limitações ao poder de tributar, arroladas no texto da Constituição Federal, a medida a) III violou o princípio da anterioridade. b) II violou o princípio da isonomia tributária. c) I não violou qualquer regra constitucional limitadora do poder de tributar. d) III violou o princípio da anterioridade nonagesimal (noventena). e) II não violou qualquer regra constitucional limitadora do poder de tributar, mas a medida I violou o princípio da irretroatividade. 22. FCC/TCE-CE- Conselheiro Substituto (Auditor)/2015 Um cidadão cria uma organização religiosa (igreja), com inscrição no CNPJ e demais órgãos competentes, e passa a adquirir bens imóveis (apartamentos de alto padrão e veículos automotores importados e de luxo) em nome desta nova organização. Neste caso, sobre a incidência de impostos por fatos geradores praticados por esta organização religiosa é correto afirmar que a) não há incidência de impostos por existir lei federal concessiva de isenção de impostos para organização religiosa (templo de qualquer culto). b) só haverá imunidade de impostos para patrimônio, renda e serviços relacionados com as finalidades essenciais da organização religiosa. c) não há incidência de tributos por existir lei federal concessiva de isenção de impostos para organização religiosa (templo de qualquer culto). d) só haverá imunidade de tributos para patrimônio, renda e serviços relacionados com as finalidades essenciais da organização religiosa. e) haverá imunidade para todos os tributos relacionados com a organização religiosa (templo de qualquer culto). 23. FGV/AL-MA-Consultor Legislativo/2013 Assinale a alternativa em que as duas afirmativas estão corretas e a segunda completa o sentido da primeira. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 93 108 a) A Igreja do Culto Bem‐vindos da Boa Fé goza de imunidade quanto ao IPVA de sua frota. / Os veículos imunes estão vinculados à atividade fim da Instituição Religiosa. b) A frota do partido político “Unidos Venceremos” goza de isenção. / A isenção é concedida desde que o partido mantenha correta escrita fiscal. c) Os veículos do Corpo Diplomático são imunes. / A imunidade decorre do princípio da territorialidade da tributação. d) Tratores e máquinas de terraplanagem, utilizados em ambiente urbano, são isentos do IPVA. / A isenção é concedida desde que a potência das máquinas seja inferior a 50 cilindradas. e) A empresa de serviços de ambulância Alpha Resgate goza de isenção do IPVA. / A isenção é concedida desde que aplique seus recursos na manutenção de seus objetivos institucionais. 24. VUNESP/TJ-SP-Juiz/2017 Assinale a alternativa correta. a) a imunidade do artigo 150, VI, “b” da Constituição Federal deve ser interpretada ampliativamente de modo a incluir todos os imóveis da entidade religiosa, sem restrição, uma vez que o Estado Brasileiro, embora laico, garante o exercício da fé religiosa, segundo orientação do Supremo Tribunal Federal. b) a imunidade prevista no artigo 150, VI, “b” da Constituição Federal de 1988 deve ser estendida aos cemitérios de cunho religioso, segundo orientação do Supremo Tribunal Federal. c) a imunidade conferida aos templos se estende à Maçonaria, em cujas lojas se professa culto no sentido empregado pela Constituição Federal, segundo decisão do Supremo Tribunal Federal. d) a imunidade do artigo 150, VI, “b” da Constituição Federal de 1988 estende-se aos cemitérios, ainda que ostentem natureza privada e empresarial, uma vez que ali se realizam ritos relacionados com a fé religiosa, segundo orientação do Supremo Tribunal Federal. Imunidade dos Partidos Políticos, Entidades Sindicais dos Trabalhadores, Instituições de Educação e de Assistência Social 25. CESPE/PGE-PE-Analista Judiciário/2019 Partido político perde a imunidade de IPTU sobre imóvel de sua propriedade caso o alugue para terceiro, ainda que o valor dos aluguéis seja investido, por exemplo, em propaganda partidária. 26. CESPE/PGE-PE-Analista Judiciário/2019 A imunidade tributária das instituições de assistência social sem fins lucrativos está condicionada à inexistência de contribuição por parte de seus beneficiários. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 94 108 27. CESPE/MPE-RR-Promotor de Justiça/2017 A imunidade tributária assegurada às instituições de educação sem fins lucrativos garante imunidade apenas para os a) impostos, não vedando a instituição de outras modalidades de tributos. b) tributos que incidam sobre sua renda e seu patrimônio, não afastando a cobrança de tributos que incidam sobre os serviços por elas prestados. c) impostos e contribuições sociais, não impedindo a cobrança de taxas, empréstimos compulsórios e contribuições de melhoria. d) tributos de competência da União, não prevendo a não incidência de tributos que sejam de competência dos estados, dos municípios ou do DF. 28. FCC/METRO SP - Advogado Júnior/2016 Considere: I. Partidos políticos. II. Fundações de partidos políticos. III. Entidades sindicais dos trabalhadores. IV. Entidades sindicais dos empregadores. Observados os requisitos legais, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, cobrar impostos sobre o patrimônio, a renda ou serviços dos entes indicados APENAS em a) I, II e III. b) I, III e IV. c) I e II. d) III e IV. e) III. 29. FCC/TCE AM – Auditor/2015 A Constituição Federal ora estabelece que é vedado às pessoas jurídicas de direito público instituir impostos em determinadas circunstâncias, ora estabelece que um impostoespecífico não incidirá em determinada circunstância. De acordo com o texto constitucional, a) é vedado aos Municípios instituir o IPTU sobre terrenos de propriedade de empresas públicas estaduais, cuja utilização não esteja vinculada às finalidades essenciais da respectiva empresa. b) não incidirá o ITR sobre pequenas glebas rurais, definidas em lei, quando as explore o proprietário, seu cônjuge, seus descendentes ou seus parentes colaterais, até o terceiro grau. c) é vedado aos Estados instituir o ICMS sobre as operações de circulação de suportes materiais que contenham videofonogramas musicais produzidos no Brasil, contendo obras musicais de autores brasileiros. d) é vedado à União instituir qualquer imposto sobre o ouro, quando definido em lei como ativo financeiro ou instrumento cambial. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 95 108 e) é vedado aos Municípios instituir o ISSQN sobre templos de qualquer culto, salvo disposição de lei complementar em contrário. 30. FCC/SEAD PI - Analista de Planejamento e Orçamento/2013 A imunidade recíproca, prevista na Constituição Federal, I. veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituírem impostos sobre renda, patrimônio ou serviços uns dos outros. II. é extensiva às autarquias, às fundações e às empresas públicas instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados as suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. III. não se aplica ao patrimônio, à renda e aos serviços relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e III. b) I e III. c) I. d) I e II. e) III. 31. FCC/SEFAZ-PI-Auditor Fiscal/2015 A Constituição Federal estabelece limitações ao poder de tributar, concedido aos entes federados. No que se refere a estes limites, é vedado cobrar tributos das instituições de educação sem fins lucrativos, dos partidos políticos e das entidades sindicais dos trabalhadores e patronais, desde que atendidos os requisitos da lei e a finalidade social de redução das desigualdades. 32. VUNESP/Prefeitura de São José dos Campos - SP-Procurador/2017 A Constituição Federal confere poder de tributar à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, mas estabelece limitações ao exercício desse mesmo poder. Nesse sentido, é correto afirmar que a tarefa de regular as limitações constitucionais ao poder de tributar é matéria que a Constituição Federal confere a) à lei complementar. b) à lei ordinária no âmbito da competência de cada ente tributante. c) a qualquer espécie normativa, desde que no âmbito territorial de cada ente tributante. d) à lei ordinária específica de cada tipo de tributo. e) somente às Constituições Estaduais e às Leis Orgânicas. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 96 108 33. VUNESP/ TJ-SP-Titular de Serviços de Notas e de Registros - Provimento/2016 É correto dizer que a imunidade tributária a) é outorgada a Municípios, Estados, Distrito Federal e União, excetuando impostos indiretos como ICMS. b) é outorgada a templos de qualquer culto, livros, periódicos e papel destinado à sua impressão. c) é outorgada às fundações, desde que estas não distribuam lucros. d) é assegurada às entidades públicas e privadas sem fins lucrativos. 34. FGV/Pref. Recife-Auditor do Tesouro Municipal/2014 Determinada escola foi autuada pelo Fisco Municipal por não ter recolhido o imposto sobre os serviços que presta, apesar de ter recebido o título de instituição de utilidade pública, tendo sua imunidade reconhecida por meio de ato declaratório próprio, não possuindo fins lucrativos. A Fazenda alega que a escola não se cadastrou junto à Secretaria de Educação, órgão que estabelece os critérios para que um estabelecimento possa ser considerado “educacional” e, portanto, imune, sendo essa exigência ato privativo do Poder Executivo, que pode condicionar a fruição do benefício ao cumprimento de obrigações acessórias. Nesse caso, a Fazenda agiu a) incorretamente, uma vez que a exigência de cadastro representa limite, a ser fixado por lei complementar, à imunidade gozada pela escola. b) corretamente, já que cabe ao Poder Executivo fixar a organização das entidades imunes. c) corretamente, eis que cabe à Secretaria de Educação exercer controle sobre as escolas. d) incorretamente, já que as exigências quanto à organização das entidades imunes devem ser veiculadas por lei complementar. e) corretamente, uma vez que, mesmo imune, a escola tem que cumprir as obrigações acessórias. 35. FGV/CONDER-Advogado/2013 Entidade beneficente, sem fins lucrativos, que atende aos requisitos legais e foi declarada de utilidade pública federal, importou, para fins de integralizar seu ativo fixo, um maquinário a ser usado na atividade que presta. Entretanto, no momento do desembaraço aduaneiro, o fiscal do Estado lhe exige o pagamento do ICMS incidente sobre a importação da mercadoria, alegando que a imunidade da entidade é sobre seu patrimônio e não sobre a atividade de importação, sobre a qual recai a exação. Neste caso, a entidade (A) deve pagar o ICMS, contabilizar o imposto como crédito e posteriormente compensar o que pagou. (B) não deve pagar o ICMS, já que a imunidade tributária a torna não contribuinte de qualquer espécie tributária. (C) deve pagar o ICMS e quando integralizar a máquina em seu ativo imobilizado, compensar o que pagou. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 97 108 (D) só deve pagar o ICMS na operação se a máquina não for usada para a atividade beneficente que presta. (E) não deve pagar o ICMS, já que é beneficiada por imunidade constitucionalmente prevista, bastando comprovar que cumpre os requisitos legais para seu gozo. 36. FGV/AL-MA-Consultor Legislativo/2013 A Fundação Pública Estadual Lar dos Idosos, cujo objeto é dar assistência a pessoas carentes e idosas, que estejam em situação de risco, não distribui lucros e aplica tudo o que arrecada em sua atividade fim. A Fundação, quanto à frota de veículos que possui, a) está isenta de pagar o IPVA b) é contribuinte de fato do IPVA c) está imune quanto ao IPVA d) é remida quanto ao pagamento do IPVA e) é anistiada do IPVA Imunidade Cultural 37. FGV/Pref. Salvador-BA-Técnico de Nível Superior-Direito/2017 A Editora WW Ltda. publica livros impressos e livros eletrônicos (e-books), além de comercializar aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais (e-readers). O sócio-gerente dessa editora, diante da dúvida quanto à incidência de imunidade tributária objetiva sobre os itens por ela publicados e comercializados, consulta Roberto, advogado tributarista, a respeito do tema. Levando em conta a Constituição da República e a jurisprudência consolidada do Supremo Tribunal Federal, assinale a opção que apresenta a resposta de Roberto. a) A imunidade objetiva prevista na CRFB/88 abarca livros impressos e livros eletrônicos, mas não alcança aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais. b) A imunidade objetiva prevista na CRFB/88 abarca apenas e tão somente livros impressos. c) A imunidade objetiva prevista na CRFB/88 abrange livros impressos, livros eletrônicos e aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais. d) A imunidade objetiva prevista na CRFB/88 abrange livros eletrônicos- (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 8 108 livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. Desta forma, não importa qual pessoa esteja vendendo um jornal, por exemplo. O que é relevante para a aplicação da imunidade é o bem que está sendo objeto de comercialização. Por último, as imunidades mistas podem ser ilustradas pela imunidade que impede a incidência do Imposto sobre Propriedade Territorial Rural sobre as pequenas glebas rurais definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel. Atente para o fato de que as glebas rurais constituem o aspecto objetivo e, o fato de seu proprietário não poder possuir outro imóvel, revela o aspecto subjetivo da referida imunidade. Até aqui, tudo compreendido? Passemos, pois, para a segunda classificação. 3.2 - Classificação quanto à origem: ontológicas e políticas As imunidades ontológicas são aquelas que decorrem do princípio da isonomia e do pacto federativo. Ou seja, são imunidades que, ainda que não houvesse sua previsão constitucional, existiriam. Nesse sentido, podemos adotar como exemplo a imunidade recíproca. Repare que tal imunidade busca preservar a autonomia financeira dos entes federativos, protegendo, por isso mesmo, o pacto federativo. Por outro lado, as imunidades políticas são aquelas que só existem por decisão expressa do legislador constituinte. Isso não quer dizer que elas não protegem outros princípios constitucionais. Por exemplo, a imunidade cultural impede a cobrança de imposto sobre os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. 3.3 - Classificação quanto à forma de previsão: explícitas ou implícitas Configuram-se explícitas as imunidades expressas no próprio texto constitucional. Trata-se das hipóteses que o legislador já previu, no momento da elaboração da Constituição Federal. É possível também que algumas imunidades não tenham sido reconhecidas expressamente, mas, por decorrerem de princípios constitucionais, a jurisprudência passe a aceitá-las da mesma forma que as que estão confeccionadas na CF. A essas imunidades, a doutrina denominou implícitas. Até o momento, não temos exemplos de imunidades implícitas. Perceba que podemos fazer uma interligação entre o que foi visto aqui e o que vimos na classificação quanto à origem das imunidades. As imunidades políticas são sempre explícitas, pois necessariamente devem estar previstas no texto da Constituição. Por outro lado, vimos que as imunidades ontológicas, ainda que não fossem previstas na CF, existiriam. Desta maneira, podemos afirmar que tais imunidades podem ser tanto explícitas como implícitas. 3.4 - Classificação quanto à necessidade de regulamentação: incondicionadas e condicionadas Esta classificação diz respeito à necessidade de que a imunidade, para surtir efeitos no mundo concreto, esteja regulamentada por norma infraconstitucional, ou seja, por leis. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 9 108 Neste contexto, se as imunidades forem incondicionadas, como, por exemplo, a imunidade recíproca, não há necessidade de edição de lei, produzindo efeitos imediatamente. Devemos lembrar que também há as imunidades condicionadas, que são aquelas que dependem de regulamentação por lei, para que possam produzir efeitos. Como exemplos, podemos citar a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF/88. Trata-se da imunidade referente às instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos. Estas só poderão gozar da benesse constitucional, caso haja regulamentação legal. Recuperando os seus estudos de Direito Constitucional, podemos dizer que as imunidades condicionadas constituem normas de eficácia limitada, pois se faz necessária uma regulamentação infraconstitucional. 1. Classificação quanto ao alcance: gerais e específicas Em alguns casos, o legislador constituinte optou por incluir vários tributos e todos os entes federativos dentro de certas imunidades. Por exemplo, a imunidade recíproca veda a instituição de diversos impostos (sobre patrimônio, renda ou serviços) e tal vedação é extensiva à União, aos Estados, ao DF e aos Municípios. Neste caso, tal imunidade é denominada geral ou genérica. Todas as imunidades previstas no art. 150, VI, da CF/88, são consideradas genéricas. Por outro lado, em algumas situações, as imunidades são mais restritas, alcançando tributos específicos e, por consequência, apenas o ente competente para instituí-los. Cite-se, por exemplo, o caso da imunidade concedida ao IPI sobre operações de exportação (art. 153, § 3°, III). Tal imunidade pode ser denominada específica, tópica ou especial. (PGE-MA-Procurador/2016) A imunidade tributária expressa a incompetência do ente para instituição do tributo na situação ali prevista, podendo ser fixada na Constituição Federal ou em lei complementar. Comentário: É verdade que a imunidade tributária expressa a incompetência do ente para instituição do tributo sobre o que foi imunizado. Contudo, a imunidade deve necessariamente estar prevista na Constituição Federal. Gabarito: Errada (TJ-PE-Titular de Serviços de Notas e de Registros/2013) A imunidade tributária a) pode vir definida em lei ou na Constituição Federal, mas nunca em decreto. b) para ser concedida depende de requerimento do interessado à autoridade administrativa competente. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 10 108 c) pode ser criada por lei do ente competente para instituir o tributo, podendo ser em caráter geral ou em caráter específico. d) é prevista na Constituição Federal, que fixa as hipóteses de incompetência para o ente instituir o tributo nas situações por ela definidas. e) é prevista na Constituição Federal, mas sua aplicação depende sempre de despacho de autoridade administrativa fiscal competente que reconheça a não incidência. Comentário: Alternativa A: A imunidade tributária apenas pode ser definida na Constituição Federal. Alternativa errada. Alternativa B: A imunidade não fica sujeita à deferimento por parte da autoridade administrativa. Alternativa errada. Alternativa C: Essa regra aplica-se à isenção, mas não à imunidade, visto que esta só pode ser definida na CF/88. Alternativa errada. Alternativa D: Realmente, a imunidade é prevista na Constituição Federal, fixando hipóteses de incompetência tributária para o ente instituir o tributo, ou seja, traça limites ao poder de tributar dos entes federativos. Alternativa correta. Alternativa E: Embora seja realmente prevista na CF, sua aplicação independe de despacho de autoridade administrativa. Alternativa errada. Gabarito: Letra D Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 11 108 ESPÉCIES DE IMUNIDADES TRIBUTÁRIAS Neste tópico, abordaremos as principais imunidades de forma aprofundada, e mencionaremos as demais, previstas fora do Capítulo do Sistema Tributário Nacional, apenas para que você tenha conhecimento da existência delas. Ok? Imunidade Recíproca Mencionamos a imunidade recíproca em vários exemplos no estudo da classificação doutrinária das imunidades, certo? Por esse motivo, creio que vocês acabaram tendo uma noção do que se trata. Na verdade, tal imunidade – também denominada imunidade intergovernamental – existe para proteger a autonomia financeira dos entes federados e, consequentemente, o pacto federativo. Podemos afirmar, portanto, que ela configura uma cláusula pétrea, no entendimento da Suprema Corte (ADI 939). Como é viabilizada esta proteção que acabamos de dizer? Ora, de acordo com o art. 150, VI, a, da CF/88, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aose aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais. Quanto aos livros impressos, a hipótese é de mera isenção legal. e) A imunidade subjetiva prevista na CRFB/88 abrange livros impressos, livros eletrônicos e aparelhos eletrônicos especializados em leitura de obras digitais. 38. VUNESP/ TJ-SP-Juiz substituto/2017 Considerando-se o disposto no artigo 150, VI, “d” da Constituição Federal de 1988, notadamente a expressão “… e o papel destinado à sua impressão”, é de se concluir corretamente que Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 98 108 a) a imunidade deve ser estendida também aos livros com suportes em CD e outros meios eletrônicos, em face das interpretações evolutiva e teleológica. b) somente o livro de papel deve ser imune a impostos, uma vez que, operando a imunidade como limitação ao poder de tributar de que dotado o Estado, sua interpretação há de ser restritiva. c) somente o livro de papel é imune a impostos, à vista da cláusula expressa “… e o papel destinado à sua impressão”. (artigo 150,VI, “d”, Constituição Federal). d) se a Constituição não distinguiu o suporte tecnológico de elaboração de livros, jornais e periódicos, não pode o intérprete fazê-lo para o fim de ampliar a imunidade. 39. ESAF/ANAC-Especialista em Regulação/2016 Quanto à imunidade tributária, assinale a opção correta. a) Os templos de qualquer culto são imunes a todos os tributos. b) A imunidade dos partidos políticos alcança impostos e taxas. c) A imunidade das entidades educacionais é descaracterizada pela cobrança de mensalidades. d) A imunidade dos livros, dos jornais e dos periódicos é subjetiva. e) O sujeito passivo imune não é dispensado do cumprimento de obrigações acessórias. 40. FCC/TJ-PE-Juiz/2013 Há isenção de imposto sobre comercialização de livro, jornal, periódico e sobre a comercialização de papel destinado a impressão destes produtos. Imunidade em Favor da Produção Musical Brasileira 41. CESPE/TCE-RN-Assessor Técnico Jurídico/2015 Os fonogramas musicais produzidos no Brasil, contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros, salvo na etapa de replicação industrial de mídias óticas de leitura a laser, são imunes às contribuições de intervenção econômica e aos impostos em geral, mas não às contribuições para a seguridade social, como as contribuições previdenciárias. 42. FCC/Prefeitura de Manaus - Técnico Fazendário/2019 De acordo com a Constituição Federal, o Município pode a) instituir, lançar e cobrar o IPTU relativamente a bem imóvel no qual se realizam os cultos e cerimônias religiosos e cujo proprietário é a instituição religiosa “HÁ VIDA NO ALÉM”. b) instituir, lançar e cobrar o ITCMD em relação aos serviços gratuitos de orientação pedagógica e educacional prestados pela instituição de educação “Escola para Todos Ltda.”, instituição sem fins lucrativos. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 99 108 c) cobrar o ITBI no exercício subsequente àquele em que tiver sido publicada a lei que aumentou sua base de cálculo, dispensada a observância do princípio da anterioridade nonagesimal. d) instituir, lançar e cobrar o ISSQN sobre a prestação de serviços de fonografia, atinente à produção, no território do Município, de fonogramas contendo poesias não musicadas, de autoria do poeta chileno Pablo Neruda, e recitadas por artista de nacionalidade chilena. e) instituir, lançar e cobrar o IPTU sobre a propriedade de imóvel em que funciona a Secretaria de Fazenda do Estado, imóvel este que é de propriedade do governo estadual. 43. FCC/SEFAZ GO - Auditor Fiscal da Receita Estadual/2018 A Constituição Federal contempla várias regras que têm por finalidade limitar o poder de tributar das pessoas jurídicas de direito público interno. De acordo com essas regras, é vedado aos Estados a) instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, facultada, para fins de desoneração tributária total ou parcial, a distinção em razão de origem étnica, de nível de escolaridade, de ocupação profissional e de função por eles exercida. b) cobrar tributos em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da regulamentação da lei que os houver instituído, aumentado ou reduzido. c) cobrar tributos antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido regulamentada a lei que os instituiu ou aumentou, podendo o referido prazo ser reduzido, nos casos em que seu término ocorrer no exercício subsequente, hipótese em que o tributo poderá ser cobrado desde o primeiro dia do novo exercício. d) estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público. e) instituir impostos sobre videofonogramas musicais produzidos no Mercosul, contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros, e obras em geral, interpretadas por artistas brasileiros ou por artistas cidadãos de países integrantes do Mercosul, bem como sobre os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, inclusive na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. 44. FCC/ TRT 24ª Região - Analista Judiciário/Contabilidade/2017 O Tribunal Regional do Trabalho da 24ª Região, órgão da Administração Pública Federal direta, precisando renovar a frota de veículos automotores de sua propriedade, procedeu à análise do custo anual de manutenção desta frota, composta por cinco veículos, todos eles com seis anos de uso. O resultado desse estudo seria o parâmetro para a renovação da frota. Em razão disso, foram elaborados os devidos estudos dos custos dos diversos itens relacionados com a frota, tais como os de manutenção mecânica, de limpeza, de estacionamento, de consumo de combustíveis e lubrificantes e, inclusive, os de natureza tributária. No tocante especificamente aos custos anuais de natureza tributária, o mencionado estudo, para ser considerado correto à luz das normas constitucionais, deveria ter concluído que o referido Tribunal a) não incorrerá em despesas tributárias relativamente ao Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores − IPVA, pois é vedado aos Estados ins tuir impostos sobre o patrimônio da União, mas poderá incorrer nessas despesas relativamente às taxas, tais como a taxa de licenciamento de veículos, pois não é vedada constitucionalmente sua instituição. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 100 108 b) não incorrerá em despesas tributárias, pois é vedado aos Estados instituir tributos estaduais sobre o patrimônio, renda ou serviço da União. c) incorrerá em despesas tributárias, pois é vedado aos Estados, mas não à própria União, neste caso, instituir tributos estaduais sobre o seu próprio patrimônio, atendendo ao princípio do tratamento isonômico entre contribuintes. d) não incorrerá em despesas tributárias relativamente às taxas, tais como a taxa de licenciamento de veículos, pois é vedado aos Estados instituir taxas sobre o patrimônio da União, mas incorrerá nessas despesas relativamente ao IPVA, pois não é vedada a instituição de impostos sobre o patrimônio da União, desde que haja previsão legal nesse sentido. e) poderá incorrer em despesas tributárias, pois o IPVA e a taxa de licenciamento de veículos podem ser instituídos, no presente caso, sobre o patrimônio da União, porque são tributos de competência estadual. 45. FCC/CGM São Luís - Auditor de Controle Interno/2015 De acordo com a Constituição Federal, exceto na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser, é vedado à União,aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir impostos sobre a) videofonogramas musicais produzidos no Mercosul, contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros. b) obras em geral, interpretadas por artistas brasileiros, excluídos os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. c) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros, ou de autores estrangeiros residentes no Brasil, há, pelo menos, dois anos. d) fonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais de autores brasileiros. e) obras em geral, compostas no Brasil, interpretadas por artistas brasileiros ou por artistas estrangeiros residentes no Brasil há, pelo menos, dois anos, excluídos os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham. 46. FCC/SEFAZ-PI-Auditor Fiscal/2015 A Constituição Federal estabelece limitações ao poder de tributar, concedido aos entes federados. No que se refere a estes limites, é vedado instituir impostos sobre livros, jornais, periódicos e papel destinado à sua impressão, e sobre fonogramas musicais produzidos no Brasil, com obras musicais de autores brasileiros, natos ou naturalizados, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. 47. FCC/TCM-GO-Auditor de Controle Externo/2015 De acordo com a Constituição Federal, é vedado aos Municípios instituir a) impostos e contribuições sobre patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, especificamente naquilo que se relaciona com as finalidades essenciais dessas entidades. b) impostos e taxas sobre patrimônio, renda ou serviços, da União, dos Estados e do Distrito Federal e de outros Municípios. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 101 108 c) impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros. d) tributos sobre templos de qualquer culto, no que diz respeito ao patrimônio, renda e serviços, relacionados ou não com as suas finalidades essenciais. e) impostos sobre livros, jornais, periódicos, papel, tinta e demais insumos empregados na sua impressão. 48. FCC /TJ CE- Juiz Estadual/2014 Raquel, violonista, Flávia, flautista e Beatriz, pianista, também são cantoras de música popular brasileira. Essas três artistas brasileiras decidiram, em novembro de 2013, gravar um DVD com canções, cujas letras e melodias são de autores brasileiros. Decidiram produzir o DVD no Estado do Ceará, porque, além de ser mais barato do que produzi-lo em outro Estado, ou até mesmo no exterior, foram informadas de que o DVD já estaria nas lojas a tempo para as vendas de Natal. A criação desse DVD a) está sujeita ao ICMS, nas vendas dos DVDs pelos estabelecimentos varejistas aos consumidores finais. b) está sujeita ao Imposto sobre Produtos Industrializados, na fase de multiplicação industrial de seus suportes materiais gravados. c) está sujeita ao Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza, relativamente à gravação das canções. d) não está sujeita a imposto algum, desde a gravação do videofonograma até sua comercialização no varejo, porque Raquel, Flávia e Beatriz são brasileiras. e) não está sujeita a imposto algum, desde a gravação do videofonograma até sua comercialização no varejo, porque os autores das canções são brasileiros. 49. FCC/TCE-PI-Auditor de Controle Externo/2014 Paulo, de nacionalidade argentina, Antonio, de nacionalidade paraguaia, Mário, de nacionalidade espanhola, e Eduardo, de nacionalidade peruana, todos residentes no Brasil, formam um grupo musical, que compõe e executa melodias brasileiras e estrangeiras. Apresentam-se em todos os Estados brasileiros. Seu trabalho musical é divulgado de diversas maneiras: apresentações públicas em programas televisivos, espetáculos abertos ao público em geral, com entrada gratuita, e comercialização de CDs e DVDs de suas apresentações. (1) O último DVD desse quarteto, com canções folclóricas andinas, cujas letras e melodias foram criadas por autores bolivianos residentes no Brasil, foi produzido nos Estados Unidos. (2) Antes de Antonio juntar-se ao grupo, Paulo, Mário e Eduardo formaram um trio que chegou até a produzir, no Rio Grande do Sul, um CD com melodias de autoria de artistas gaúchos e letras criadas por artistas uruguaios. (3) Recentemente, o quarteto produziu, no Piauí, um DVD com canções, cujas melodias foram compostas por autores brasileiros, mas as letras foram compostas por autores paraguaios. (4) Antonio produziu um CD, solo, instrumental, na Itália, interpretando apenas melodias (sem letra) compostas por autores piauienses. Com base nas afirmações acima e no que dispõe a Constituição Federal a respeito de imunidades tributárias, são abrangidas por essas imunidades APENAS as situações de números Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 102 108 a) 2 e 4. b) 1 e 4. c) 1 e 2. d) 2 e 3. e) 3 e 4. 50. FCC/SEAD PI - Analista de Planejamento e Orçamento/2013 Visando à elaboração de projeto estruturante de interesse do Estado do Piauí para o ano de 2015, você, na condição de Analista de Planejamento e Orçamento da Secretaria da Administração, verifica a necessidade urgente de aumentar a arrecadação do Estado no ano de 2014, a fim de viabilizar financeiramente o seu projeto. Para tanto, você encomendou estudo a ser realizado pela Secretaria da Fazenda do Estado neste sentido. A proposta que NÃO afronta o disposto na Constituição Federal é a) instituir em 2013 aumento de 2% de alíquota do ICMS concernente a todas as operações internas relativas à circulação de mercadorias a serem realizadas no Estado do Piauí, com cobrança efetiva para fatos geradores ocorridos a partir do dia 01 de janeiro de 2014. b) conceder, por meio de Decreto do Executivo Estadual, isenção de IPVA para os proprietários de veículos de uso industrial, com a finalidade de atrair empresas de outros Estados para o território piauiense. c) instituir ainda em 2013 aumento de 2% de alíquota do ICMS relativo a todas as operações internas relativas à circulação de mercadorias a serem realizadas no Estado do Piauí, com cobrança a ser feita na data da publicação da lei instituidora. d) cobrar IPVA em relação aos automóveis considerados não populares registrados em nome das entidades religiosas registradas no Piauí. e) cobrar ICMS nas operações relativas à circulação de periódicos que tenham conteúdo considerado pela Secretaria de Cultura do Estado como pornográfico. 51. VUNESP/Prefeitura de São José dos Campos - SP-Procurador/2017 A vedação à incidência de impostos sobre fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser, consiste no que a doutrina denomina como a) isenção. b) remissão. c) imunidade. d) hipótese de não incidência diferida. e) hipótese de incidência diferida. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 103 108 Outras Espécies de Imunidades Tributárias 52. CESPE/TCE-RN-Auditor/2015 A CF prevê a aplicação de imunidade tributária sobre contribuições sociais, e não somente sobre impostos. 53. CESPE/PROCURADOR-MP-TCDF/2013 Conforme jurisprudência do STF fundamentada no princípio da seletividade, operações e bens relacionados à saúde são imunes a tributação.54. FCC/METRÔ-SP-Analista Desenvolvimento Gestão Júnior/2014 São imunes: a) os partidos políticos e os templos de qualquer culto, em relação ao ICMS embutido no preço dos bens por eles adquiridos e destinados às suas atividades sociais. b) as entidades de assistência social sem fins lucrativos que atenderem aos requisitos previstos em lei complementar, em relação às contribuições e doações recebidas para aplicação em seus objetivos sociais. c) as empresas públicas que desempenhem atividades econômicas não sujeitas ao monopólio público, em relação ao ICMS ou ISS, conforme o caso, sobre bens e serviços por elas fornecidos. d) as operações de exportação de mercadorias ao exterior, em relação ao ICMS, desde que haja efetivo ingresso de divisas. e) as remunerações dos dirigentes de partidos políticos e de entidades sindicais, em relação à contribuição previdenciária pelos serviços por eles prestados. 55. FCC/TJPE - Juiz Estadual/2013 Sobre imunidade e isenção, analise os itens abaixo. I. A Constituição Federal assegura isenção no pagamento de taxa para obtenção de certidões em repartições públicas e privadas que prestam serviço público, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal. II. A imunidade sobre o templo de qualquer culto apenas alcança os impostos, sendo devidas, portanto, as taxas e contribuição de melhoria incidentes sobre o imóvel destinado ao templo. III. Há isenção de imposto sobre comercialização de livro, jornal, periódico e sobre a comercialização de papel destinado a impressão destes produtos. IV. Possui imunidade de contribuição social para seguridade social a entidade beneficente de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Está correto o que se afirma APENAS em a) I, II e III. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 104 108 b) II, III e IV. c) I e II. d) II e IV. e) I e III. 56. FGV/Pref. Paulínia-SP-Procurador/2016 As imunidades são normas constitucionais que afastam a possibilidade de tributação de determinadas pessoas ou bases econômicas. As opções a seguir apresentam hipóteses de imunidade, à exceção de uma. Assinale-a. a) Patrimônio, serviços e renda, vinculados à finalidade essencial das autarquias, no que se refere aos impostos. b) A obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos e esclarecimento de situações de interesse pessoal, em relação às taxas. c) Patrimônio, renda e serviços das editoras de livros e periódicos, em relação aos impostos. d) O imóvel de propriedade de determinada igreja que, alugado a terceiro, tem o valor do aluguel destinado às suas finalidades essenciais, em relação aos impostos. e) As operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária, no que se refere aos impostos. 57. FGV/Pref. Recife-PE-Analista de Controle Interno/2014 Com relação às limitações ao poder de tributar, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa. ( ) A imunidade é regra de exclusão legal da competência tributária. ( ) A imunidade é aplicável apenas aos tributos não vinculados. ( ) A imunidade recíproca é extensiva às autarquias federais, estaduais e municipais. As afirmativas são, respectivamente, a) V, F e V b) F, V e F. c) F, F e V. d) V, V e F. e) F, V e V. 58. VUNESP/TJ-RJ-Juiz/2012 A União não poderá exigir o Imposto Territorial Rural sobre pequenas glebas rurais, assim definidas em lei, quando as explore o proprietário que não possua outro imóvel. A situação em questão diz respeito ao instituto tributário da a) não incidência de fato. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 105 108 b) remissão. c) imunidade. d) isenção. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 106 108 ==14c6c2== GABARITO DAS QUESTÕES COMPLEMENTARES 1. B 2. E 3. C 4. D 5. E 6. A 7. E 8. B 9. C 10. E 11. E 12. C 13. C 14. C 15. B 16. E 17. E 18. D 19. E 20. C 21. B 22. B 23. A 24. B 25. E 26. C 27. A 28. A 29. C 30. B 31. E 32. A 33. B 34. A 35. E 36. C 37. C 38. A 39. E 40. E 41. E 42. D 43. D 44. A 45. D 46. C 47. C 48. B 49. D 50. A 51. C 52. C 53. E 54. B 55. D 56. C 57. C 58. C Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 107 108Municípios instituir impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços uns dos outros. Você precisa estar atento ao fato de que as únicas espécies de tributos abrangidas por esta imunidade são os impostos. Além disso, note que o conceito é ainda mais restrito: apenas os impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços foram alcançados pela imunidade recíproca. Para entender o assunto que vamos estudar, é necessário que você conheça o conceito de contribuinte de direito e contribuinte de fato. Esse tema toma relevância em situações nas quais as pessoas que arcam, de fato, com o ônus tributário não são as mesmas que recolhem o tributo ao erário. Isso ocorre nos denominados tributos indiretos. Imaginemos que determinado cidadão compra uma TV de LED em uma loja de eletrodomésticos. Sobre a incidência do ICMS nesta operação, a loja é eleita pela lei como contribuinte e é ela que vai recolher tal imposto, correto? No entanto, quem sofre o ônus do tributo não é a loja, mas, sim, a pessoa física que adquiriu a TV. Isso ocorre, porque a loja simplesmente acrescenta o custo daquele tributo no valor da TV. Dessa forma, dizemos que contribuinte de direito é aquele eleito pela lei para recolher o tributo, e contribuinte de fato é o que arca realmente com o ônus do tributo. Entendido? Tudo isso será visto com maiores detalhes em outras aulas. O importante agora é que você saiba distinguir tais figuras, para entender com precisão o que será dito a seguir. Vejamos, então, como é o entendimento da Suprema Corte em relação à aplicabilidade da imunidade recíproca sobre os tributos indiretos: Ementa: TRIBUTÁRIO. ICMS. SERVIÇOS DE ENERGIA ELÉTRICA. MUNICÍPIO. CONTRIBUINTE DE FATO. IMUNIDADE RECÍPROCA. ART. 150, VI, A, DA CONSTITUIÇÃO. INAPLICABILIDADE. AGRAVO IMPROVIDO. I - A imunidade do art. 150, VI, a, da Constituição somente se aplica ao imposto Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 12 108 1 incidente sobre serviço, patrimônio ou renda do próprio ente beneficiado, na qualidade de contribuinte de direito. II - Como o Município não é contribuinte de direito do ICMS relativo a serviços de energia elétrica, não tem o benefício da imunidade em questão, uma vez que esta não alcança o contribuinte de fato. Precedentes. III – Agravo regimental improvido. (STF, ARE 663.552-AgR/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Julgado em 28/02/2012) Para a Suprema Corte (ARE 663.552), a imunidade recíproca somente se aplica se o ente beneficiado estiver na condição de contribuinte de direito, não o alcançando como contribuinte de fato. Vejam que quem faz o recolhimento do tributo, relativo aos serviços de energia elétrica, são as próprias prestadoras de serviço, sendo elas denominadas contribuinte de direito. Por outro lado, a referida imunidade pode se aplicar em operações de importação de bens, quando o ente federado for o importador. Neste caso, perceba que há a identidade do contribuinte de fato e do contribuinte de direito, não havendo transferência do ônus tributário (STF, AI 518.405-AgR). Além destas situações, podemos acrescentar que o STF (AI AgR/RS 174.808 e RE 196.415/PR) já considerou ilegítima a incidência de IOF sobre aplicações financeiras dos entes federados, bem como a tributação da renda resultante de tais aplicações pelo IR. O reconhecimento da imunidade tributária às operações financeiras não impede a autoridade fiscal de examinar a correção do procedimento adotado pela entidade imune. Constatado desvio de finalidade, a autoridade fiscal tem o poder-dever de constituir o crédito tributário e de tomar as demais medidas legais cabíveis (STF, RE 259.976-AgR). Para fins de provas, é interessante visualizarmos toda a emenda deste julgado, conforme se transcreve abaixo: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PROPÓSITO MODIFICATIVO. EXCEPCIONALIDADE AUSENTE. ALEGADA CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. ACÓRDÃO QUE TOMA COMO PREMISSA A VINCULAÇÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA À ATIVIDADE ESSENCIAL DA ENTIDADE PROTEGIDA. APLICAÇÃO AO PRODUTO DE OPERAÇÕES FINANCEIRAS PARA AFASTAR O IOF. 1. Conforme assentado em uma série de precedentes e no próprio acórdão embargado, a imunidade tributária é indiferente à integral gratuidade dos serviços prestados e abarca os meios de existência da entidade, ainda que inconfundíveis com a respectiva atuação institucional. 2. O benefício não será aplicável, dentre outros motivos, se ficar constatado (i) desvio de finalidade ou (ii) risco à concorrência e à livre iniciativa. 3. Tanto a decisão agravada como o acórdão recorrido indicaram explicitamente que as razões de recurso extraordinário basearam-se em meras presunções, que não são toleradas à luz do devido processo legal de constituição do crédito tributário. (...) (STF, RE 259.976 AgR-ED/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Joaquim Barbosa, Julgado em 19/10/2010) Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 13 108 Observação: O caso concreto se referia à imunidade recíproca extensiva à OAB. Ainda hoje estudaremos mais detalhes sobre esta situação. Ressalte-se ainda que, para o STF (ADI 2.024 e RE 364.202/RS, respectivamente), a imunidade recíproca não pode ser invocada para as contribuições previdenciárias e para as taxas. Sendo assim, por exemplo, uma repartição federal poderia estar sujeita a pagar taxa pela coleta de lixo. Até aqui vimos a aplicabilidade da imunidade recíproca aos entes federados. No entanto, há que se lembrar de que esta limitação constitucional ao poder de tributar é extensiva a outras pessoas jurídicas, de acordo com o art. 150, § 2°, da CF/88, a seguir transcrito: “Art. 150: (...) § 2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes.” A citada extensão é denominada “imunidade tributária recíproca extensiva”, por parcela da doutrina. Note que há uma restrição neste parágrafo: a necessidade de que o patrimônio, a renda e os serviços das referidas entidades estejam vinculados às finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Perceba ainda que esta restrição não foi feita em relação aos entes políticos, como demonstra a ementa do seguinte julgado: "O julgado recorrido contempla a conclusão de que a União não está condicionada ao ônus de comprovar vinculação do bem tributado a uma finalidade pública, o que somente ocorre nos casos das autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo poder público no que se refere à tributação do patrimônio, renda e serviços vinculados a suas finalidades essenciais. (...)” (STF, RE 635.012/RJ, Decisão Monocrática, Rel. Min. Dias Toffoli, Julgado em 07/02/2013) De qualquer modo, é interessante destacar a jurisprudência do STJ, no sentido de que há presunção de que, os imóveis pertencentes às entidades autárquicas, se destinam aos seus fins institucionais: PROCESSUAL CIVIL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IPTU. PRESUNÇÃO DE QUE O IMÓVEL SE DESTINA AOS FINS INSTITUCIONAIS DA ENTIDADE AUTÁRQUICA. ÔNUS DA PROVA EM CONTRÁRIO. INCUMBÊNCIA DO PODER TRIBUTANTE. 1. Conforme a jurisprudência dominante do STJ, presume-se que o imóvel de entidade autárquica esteja afetado a destinação compatível com seus objetivos e finalidades institucionais. Portanto, o ônus de provar que o patrimônio da autarquia está desvinculado dos seus objetivos institucionais e, portanto, não abrangido pela imunidade tributária prevista no art. 150 da Constituição, recai sobre o poder tributante. Com efeito, assim como cabe ao executado- embargante o ônus da prova de sua pretensão desconstitutiva, incumbe ao embargado, réu no processo de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivodo direito do autor. Precedentes citados. 2. Recurso especial não provido. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 14 108 (STJ, Segunda Turma, REsp 1.335.220/RJ, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Julgamento em 21/08/2012) Para o STJ, o ônus de provar que o patrimônio da autarquia está desvinculado dos seus objetivos institucionais é do ente tributante. Destaque-se que, muito embora o texto constitucional restrinja a aplicação desta imunidade às autarquias e às fundações públicas, o entendimento predominante no STF (RE 407.099/RS e AC 1.550-2) é o de que a benesse é extensível também às empresas públicas (EP) e às sociedades de economia mista (SEM) prestadoras de serviço público de prestação obrigatória e exclusiva do Estado. A princípio, você poderia pensar que isso seria proibido pelo art. 173, § 2°, da CF/88, segundo o qual “as empresas públicas e as sociedades de economia mista não poderão gozar de privilégios fiscais não extensivos às do setor privado”. Contudo, o que deve ser considerado é que existem dois tipos de EP e SEM, isto é, há aquelas exploradoras de atividade econômicas (sujeitas ao art. 173, da CF/88) e há as prestadoras de serviços públicos (sujeitas ao art. 175, da CF/88). As únicas abrangidas pela imunidade recíproca são as prestadoras de serviço público. Nesse sentido, o STF já concedeu imunidade às seguintes EP e SEM: Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) – (STF, RE 407.099); Infraero – (STF, RE 524.615-AgR); Companhia de Águas e Esgoto de Rondônia (CAERD) – (STF, AC 1.550-2/RO); Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp) – (STF, RE 253.472) Casa da Moeda do Brasil (CMB) – (STF, RE 610.517) Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) (STF, ACO 2.568) Observação: Em 2014, tivemos mais três decisões favoráveis à imunidade gozada pela ECT. Senão, vejamos: Em 15/10/2014, o STF reconheceu a imunidade relativa ao IPTU incidente sobre imóveis de propriedade da ECT, bem assim os por ela utilizados. Em 12/11/2014, o Plenário do STF decidiu que não incide o ICMS sobre o serviço de transporte de bens e mercadorias realizado pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos – ECT. Em 26/11/2014, a Suprema Corte (ACO 879/PB) reafirmou sua jurisprudência a respeito da imunidade tributária relativa ao IPVA, gozada pela ECT. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 15 108 Além dos casos acima citados, o entendimento do STF (RE 580.264/RS) tem sido o de que “as sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea a do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal”. Na direção oposta do que vimos, o STF (RE 285.716-AgR) negou à Petrobrás, sociedade de economia mista destinada à exploração econômica em benefício de seus acionistas, a imunidade recíproca. De acordo com a Suprema Corte, “é irrelevante para definição da aplicabilidade da imunidade tributária recíproca a circunstância de a atividade desempenhada estar ou não sujeita a monopólio estatal”. Dessa forma, podemos memorizar que o fato de a atividade estar sujeita a monopólio estatal não traz como consequência a aplicação de imunidade. Ressalte-se que a OAB – entidade não integrante da administração pública indireta – também foi alcançada pela imunidade recíproca, no entendimento do STF (RE 259.976-AgR). De acordo com a Suprema Corte, a OAB desempenha atividade própria de Estado, motivo que faz com que ela também esteja imune. Embora a OAB esteja inserida no seleto rol de entidades abrangidas pela imunidade recíproca, o STF já chegou a decidir que as Caixas de Assistência dos Advogados, mesmo integrando a estrutura da OAB, não são imunes (STF, RE 662.816/BA-AgR), sob a argumentação de que as Caixas de Assistência têm sua área de atuação voltada aos benefícios individuais dos associados. Trata-se de entidade destinada a prover benefícios pecuniários e assistenciais a seus associados, não desempenhando as atividades inerentes à Ordem dos Advogados do Brasil (defesa da Constituição, da ordem jurídica do Estado democrático de direito, dos direitos humanos, da justiça social Também não lhe compete privativamente promover a representação, a defesa, a seleção e a disciplina dos advogados em toda a República Federativa do Brasil). Tal posicionamento, contudo, foi superado no julgamento dos embargos de declaração, opostos contra outra decisão proferida pela Segunda Turma do STF (RE 405267 AgR-segundo-ED / MG). Neste julgamento, o relator, Min. Edson Fachin, destacou que as caixas de assistência dos advogados prestam serviço público delegado, possuem caráter jurídico de ente público e não exploram atividade econômica com intuito lucrativo. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) é imune. As Caixas de Assistência dos Advogados também são imunes. Outro ponto a ser destacado é que nos serviços públicos prestados por meio de delegação pelo poder público, a atividade delegada em si, caso seja exercida com intuito lucrativo, não há que se falar em imunidade. É o caso, por exemplo, dos serviços de registros públicos, cartorários e notariais que, por terem intuito lucrativo e serem devidamente remunerados, não estão imunes (STF, ADI 3.089). Por conta desse entendimento, faz-se necessário transcrever parte da ementa do acórdão proferido pelo STF no julgamento da ADI 3.089: Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 16 108 As pessoas que exercem atividade notarial não são imunes à tributação, porquanto a circunstância de desenvolverem os respectivos serviços com intuito lucrativo invoca a exceção prevista no art. 150, § 3º da Constituição. O recebimento de remuneração pela prestação dos serviços confirma, ainda, capacidade contributiva. A imunidade recíproca é uma garantia ou prerrogativa imediata de entidades políticas federativas, e não de particulares que executem, com inequívoco intuito lucrativo, serviços públicos mediante concessão ou delegação, devidamente remunerados. Não há diferenciação que justifique a tributação dos serviços públicos concedidos e a não- tributação das atividades delegadas. Ação Direta de Inconstitucionalidade conhecida, mas julgada improcedente. (STF, ADI 3.089/DF, Pleno, Rel. Min. carlos Britto, Julgado em 13/02/2008) O simples fato de o serviço ter natureza pública não basta para ficar caracterizada a imunidade! Para concluir o tema, precisamos estudar a última norma que versa sobre a imunidade recíproca, que é o § 3° do art. 150, que diz o seguinte: “Art. 150: (...) § 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel.” Uma leitura atenta do dispositivo permite inferir que há duas hipóteses que escapam da abrangência da imunidade recíproca. A primeira diz respeito a quando o patrimônio, a renda e os serviços são utilizados para exploração de atividades econômicas em concorrência com os empreendimentos privados. O que se deve ficar atento é ao motivo que fez o legislador constituinte inserir esta exceção, que é o fato de não permitir que haja concorrência desleal. Ou seja, seria injusto que determinadas entidades utilizassem da imunidade para concorrer no mercado, certo? Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754- Rodrigo Araujo 17 108 Ainda devemos tratar sobre os casos de delegação de serviços públicos, nos quais são cedidos imóveis dos entes públicos a pessoas jurídicas de direito privado, para exploração da atividade. Em tais casos, o STF mantinha o entendimento de que a imunidade recíproca se estendia ao imóvel pertencente à União utilizado por empresa privada, sob o regime de concessão. Porém, no julgamento do RE 601.720/RJ, foi considerada a exigência do IPTU em tal situação. O caso concreto envolveu a INFRAERO, que é uma pessoa jurídica de direito privado (empresa pública) com imunidade pacificamente reconhecida pelo STF, e uma empresa privada (Barrafor – concessionária de veículos Ford), sendo o bem imóvel objeto da concessão de uso pertencente à União. O entendimento da maioria dos ministros da Suprema Corte foi o de que a imunidade recíproca não é aplicável ao caso em razão do disposto no art. 150, § 3º, da CF/88, por se tratar de atividade privada desenvolvida no local, evitando que haja violação à livre concorrência, pela aplicação de uma imunidade a uma empresa em detrimento de seus concorrentes que atuam no mesmo segmento. Há que se destacar que o STF (RE 242.827) já decidiu que a imunidade recíproca extensiva alcança o INCRA – autarquia federal -, desobrigando-o de pagar ICMS sobre a exploração de unidade agroindustrial. No entendimento do tribunal, a exploração é ocasional e está inserida no âmbito de sua destinação social. Trata- se de um caso muito específico, mas é bom que você saiba que o STF assim já se posicionou. A segunda hipótese afirma que a imunidade recíproca não exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. A situação se refere a quando uma pessoa particular (promitente comprador) assina um contrato de compra e venda, adquirindo um imóvel de um ente imune. Lembre-se de que a mera assinatura do contrato não transfere a propriedade do bem, mas o comprador passa a ter sobre o bem o direito real de aquisição de coisa alheia, bastando, segundo a CF/88, para ser tributado normalmente. Nesse contexto, o STF já sumulou o seguinte entendimento: Súmula STF 583 - Promitente-comprador de imóvel residencial transcrito em nome de autarquia é contribuinte do imposto predial territorial urbano. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 18 108 (SEFAZ-DF-Auditor Fiscal/2020) A imunidade tributária recíproca dos entes federativos não é extensível às respectivas autarquias e fundações públicas. Comentário: De acordo com o art. 150, § 2º, da CF/88, a imunidade recíproca é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Gabarito: Errada (MPE-CE-Promotor de Justiça/2020) A União não pode instituir tributos de nenhuma natureza sobre o patrimônio dos estados e municípios. Comentário: A imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, "a", da CF/88, é específica para os impostos, não alcançando outras espécies tributárias. Ao resolver a questão, o candidato precisa ter muito cuidado para não confundir imposto" com "tributo". Gabarito: Errada (PGM-Campo Grande-Procurador/2019) As imunidades recíprocas são limitações constitucionais ao poder de tributar e têm status de cláusulas pétreas. Comentário: De fato, a imunidade recíproca atua protegendo o princípio federativo, garantindo autonomia financeira aos entes federativos. Por essa razão, é considerada cláusula pétrea. Gabarito: Correta IMUNIDADE RECÍRPOCA Não se aplica: - Explor. Ativ. Econ. - Contrib. De fato - Serv. Cartoriais Impostos Não se aplica: Taxas Contr. Previd. Patrimônio Renda Serviços EP e SEM prestadoras de serviço público Extensiva a autarquias e fundações públicas Vinculação a finalidades essenciais Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 19 108 ==14c6c2== (PGE-PE-Procurador/2018) As hipóteses de limitação ao poder de tributar decorrente do princípio constitucional da imunidade recíproca incluem a) proibir a União de instituir impostos sobre o patrimônio de estados e municípios. b) vedar as limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais. c) proibir que estado estabeleça diferença tributária entre bens e serviços em razão do município de procedência ou de destino. d) vedar isenções de tributos da competência de outros entes federativos. e) proibir a instituição de tributo federal que não seja uniforme em todo o território nacional. Comentário: Alternativa A: A imunidade recíproca impede a instituição e cobrança de impostos sobre o patrimônio, renda e serviços, sendo tal vedação aplicável a todos os entes federativos, inclusive a União. Alternativa correta. Alternativa B: Trata-se, neste caso, do princípio constitucional da liberdade de tráfego. Alternativa errada. Alternativa C: Trata-se de princípio da não discriminação em razão da procedência ou destino. Alternativa errada. Alternativa D: Trata-se do princípio da vedação às isenções heterônomas. Alternativa errada. Alternativa E: Trata-se do princípio da uniformidade geográfica da tributação. Alternativa errada. Gabarito: Letra A (SEFAZ-PI-Auditor Fiscal/2015) A Constituição Federal estabelece limitações ao poder de tributar, concedido aos entes federados. No que se refere a estes limites, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, instituir tributos sobre a renda e patrimônio uns dos outros, inclusive em relação às autarquias, fundações e empresas públicas, instituídas ou mantidas por estes entes federados. Comentário: Primeiramente, devemos nos atentar ao fato de que a referida imunidade citada na questão se restringe aos impostos, não sendo extensiva aos “tributos” de um modo geral. Ademais, além desse erro, as empresas públicas não foram consideradas imunes no texto constitucional, mas apenas as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo poder público. Gabarito: Errada (ICMS-PE/2014) As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, ainda que seu capital social seja majoritariamente estatal, não gozam da imunidade tributária recíproca. Comentário: O STF já decidiu que as sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea a do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Gabarito: Errada (TRT-16ª Região – Analista Judiciário/2014) Facundo, Auditor Fiscal da Receita Federal, pretende multar a Fundação “Vida e Paz”, fundação instituída e mantida pelo Poder Público, haja vista que a mesma jamais pagou imposto sobre seu patrimônio, renda e serviços. Nesse caso, a) Facundo apenas pode cobrar tributo pelos serviços exercidos pela fundação, mas não sobre a renda e o patrimônio, os quais detém imunidade tributária. b) correta a postura de Facundo, vez que a citada fundação não detém imunidade tributária. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 20 108 c) correta a postura de Facundo, pois apenas as autarquias possuem imunidade tributária. d) incorreta a postura de Facundo, vez que a fundação possui imunidade tributária relativa aos impostos sobre seu patrimônio, renda e serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou as delas decorrentes. e) Facundo apenas pode cobrar tributo sobre a renda da fundação, mas não sobre seus serviços e patrimônio, os quais detém imunidade tributária. Comentário: Sabemos que a imunidade recíproca foi estendida às autarquias às fundaçõesinstituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes, conforme determina o art. 150, § 2º, da CF/88. Portanto, Facundo não pode multar a referida fundação, sob o fundamento de que tal entidade jamais pagou imposto sobre seu patrimônio, renda e serviços. Gabarito: Letra D (ICMS-PE/2014) A sociedade de economia mista prestadora de serviço público de água e esgoto não é abrangida pela imunidade tributária recíproca. Comentário: O STF já se manifestou no sentido da extensão da imunidade tributária recíproca às sociedades de economia mista prestadora de serviços públicos. Assim, já foi concedida imunidade para a CAERD (Companhia de Águas e Esgoto de Rondônia), uma sociedade de economia mista prestadora de serviço público de água e esgoto. Gabarito: Errada Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 21 108 Imunidade Religiosa O art. 150, VI, b, da CF/88, veda que todos os entes federativos cobrem impostos sobre os templos de qualquer culto. Levando em consideração o disposto no art. 5°, VI, da CF/88, podemos dizer que a liberdade de culto é um direito individual, o que faz com que a imunidade ora analisada se configure uma cláusula pétrea. Verifica-se também que, pelo fato de o Brasil ser um país laico, a imunidade religiosa alcança todas as religiões, sem qualquer distinção. A imunidade religiosa é incondicionada! Grave isso! Há que se ressaltar, nesse contexto, que, da mesma forma como ocorre com as demais imunidades inseridas no art. 150, VI, da Magna Carta, a imunidade religiosa somente alcança os impostos, não sendo extensiva, no entendimento do STF (RE 129.930), às contribuições sindicais. Ainda seguindo o raciocínio do STF (RE 325.822), embora o texto constitucional mencione que a imunidade protege os “templos”, devemos entender que o legislador constituinte quis dizer que a vedação abrange também o patrimônio, a renda e os serviços relacionados com as finalidades essenciais da entidade religiosa. Neste rumo, ainda que um imóvel pertencente a determinada entidade religiosa encontre-se alugado para terceiros, a imunidade subsiste, pois embora a atividade exercida não esteja de acordo com o disposto no art. 150, § 4°, da CF/88, para o STF, basta que os recursos gerados estejam sendo vertidos para as finalidades essenciais de tais entidades. Cabe destacar que, em relação ao IPTU, o texto constitucional foi alterado em 2022, pela EC 116/2022, passando a incluir o § 1º-A ao art. 156, cuja redação é a seguinte: Art. 156: (...) § 1º-A O imposto previsto no inciso I do caput deste artigo não incide sobre templos de qualquer culto, ainda que as entidades abrangidas pela imunidade de que trata a alínea "b" do inciso VI do caput do art. 150 desta Constituição sejam apenas locatárias do bem imóvel. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 22 108 Por se tratar de uma imposição constitucional acerca da não incidência tributária, trata-se de uma imunidade que visa a proteger a liberdade de culto, mesmo nos casos em que a entidade religiosa não tenha o seu próprio imóvel. Como exemplo, podemos pensar naquela igrejinha recém constituída, que aluga um pequeno salão para celebrar os cultos religiosos. Sobre tal imóvel, não deverá ocorrer a incidência de IPTU. Igreja que possua imóveis locados a terceiros - O STF definiu que há imunidade se os recursos dos aluguéis forem revertidos para as suas próprias finalidades. Igreja que não possui o próprio imóvel – A CF define que há imunidade sobre o IPTU daquele imóvel, mesmo quanto seja locatária. Ademais, a Suprema Corte (RE 578.562), dando entendimento extensivo à imunidade religiosa, entende que os cemitérios que consubstanciam extensões destas entidades também são alcançados pela vedação constitucional em tela. Perceba que não são todos os cemitérios que estão abrangidos pela imunidade, mas apenas aqueles que são, de fato, mera extensão da entidade religiosa. Por fim, cabe-nos ressaltar a decisão do STF (RE 562.351) no sentido de que a maçonaria não é alcançada pela imunidade religiosa, já que nas lojas maçônicas não se professa qualquer religião. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 23 108 (SEFAZ-MA-Auditor Fiscal/2016) De acordo com as regras constitucionais atinentes às limitações do poder de tributar, é VEDADO a) aos Estados, instituir e cobrar a “Taxa de Fiscalização de Prestação de Serviços de Interesse à Saúde”, relativamente a estabelecimento pré-escolar (maternal), entidade sem fins lucrativos e que exerce suas atividades essenciais. b) aos Municípios, instituir e cobrar o ISS sobre a prestação de serviço de saúde por hospitais de propriedade de entidade de economia mista, que cobra pelos serviços que presta, e cuja maior parte do capital pertence ao Estado. c) aos Municípios, instituir e cobrar a “taxa de lixo” das repartições públicas estaduais, pertencentes à Administração direta estadual. d) instituir e cobrar contribuição de melhoria decorrente da valorização de um terreno baldio de propriedade de instituição religiosa. e) aos Estados, instituir e cobrar o IPVA sobre veículos de propriedade de órgão da Administração direta da União. Comentário: Alternativa A: A referida taxa, a ser cobrada em razão do poder de polícia, não é vedada, haja vista que a imunidade das entidades educacionais sem fins lucrativos abrange apenas impostos sobre seu patrimônio, renda ou serviços. Alternativa errada. Alternativa B: O STF já julgou caso semelhante, mas se referia à entidade que tinha sua receita proveniente exclusivamente de repasses públicos, atendendo unicamente pelo SUS, ou seja, não havia cobrança pelos seus serviços, o que não é o caso dessa questão, que não menciona se tratar de entidade sem fins lucrativos. Alternativa errada. IMUNIDADE RELIGIOSA Não se aplica: Maçonaria Impostos Patrimônio/Renda /Serviços Cemitérios (Extensão) Alcança Imóveis Alugados a Terceiros Relacionados com finalidades essenciais RECURSOS GERADOS Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 24 108 ==14c6c2== Alternativa C: A imunidade recíproca abrange exclusivamente a espécie tributária impostos, não alcançando as taxas. Portanto, não há que se falar em tal vedação. Alternativa errada. Alternativa D: A imunidade religiosa se restringe aos impostos incidentes sobre seu patrimônio, renda ou serviços. Dessa forma, é plenamente possível instituir e cobrar contribuição de melhoria decorrente da valorização de um terreno de propriedade de instituição religiosa. Alternativa errada. Alternativa E: O IPVA é um imposto que incide sobre o patrimônio (veículos). Portanto, é vedado aos Estados instituir e cobrar o IPVA sobre veículos de propriedade de órgão da Administração direta da União, em virtude da imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, “a”, da CF/88. Alternativa correta. Gabarito: Letra E (ICMS-SP/2013) É uma das limitações constitucionais do poder de tributar a imunidade aos impostos, taxas e contribuições de melhoria dos templos de qualquer culto. Comentário: A imunidade religiosa restringe-se apenas aos impostos, não alcançando as taxas e contribuições de melhoria. Gabarito: Errada (TJ-PE-Juiz/2013) A imunidade sobre o templo de qualquer culto apenas alcança os impostos, sendo devidas, portanto, as taxas e contribuição de melhoria incidentes sobre o imóvel destinado ao templo. Comentário: De fato, a imunidade religiosa (sobre templos de qualquerculto) alcança tão somente os impostos, sendo devidas as taxas e contribuições de melhoria incidentes sobre as entidades religiosas. Gabarito: Correta (TRF-3ª Região-Analista Judiciário/2014) A renda auferida pelas igrejas com dízimo (doação em dinheiro feita pelos fiéis) é imune de imposto de renda. Comentário: A renda auferida pelas entidades religiosas não sofre a incidência do imposto de renda, tendo em vista haver imunidade tributária. Gabarito: Correta Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 25 108 Imunidade dos Partidos Políticos, Entidades Sindicais dos Trabalhadores, Instituições de Educação e de Assistência Social De acordo com o art. 150, VI, c, da CF/88, é vedado a todos os entes políticos cobrar impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços dos partidos políticos e suas fundações, dos sindicatos de trabalhadores e das instituições de educação e assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. O art. 150, VI, “c”, trata da imunidade de várias entidades. Qual é a extensão dos termos “sem fins lucrativos” e “atendidos os requisitos da lei”? De acordo com Regina Helena Costa3: sem fins lucrativos “Requisito a ser preenchido tão somente pelas instituições de educação e assistência social, uma vez que os partidos políticos e suas fundações, bem como as entidades sindicais de trabalhadores, são entes que, por sua própria natureza, não objetivam lucro.” atendidos os requisitos da lei “Aplicável a todas as pessoas nele mencionadas.” Somente sindicatos de trabalhadores estão abrangidos pela imunidade. Os sindicatos dos empregadores ou de setores (ou categorias) econômicos não estão. O que nos chama a atenção – e por tal motivo eu o negritei – é o fato de a norma constitucional exigir a edição de uma lei, para que as instituições de educação e assistência social gozem da referida imunidade. Além disso, seria uma lei ordinária ou complementar? 3 COSTA, Regina Helena. Curso de direito tributário: Constituição e Código Tributário Nacional. 4ª Edição. 2014. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 26 108 Para dirimir as dúvidas, será necessário recorrer ao entendimento do STF acerca do assunto, conforme vemos a seguir (grifos nossos): “Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar.” (STF, ADI-MC 1.802/DF, Plenário, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Julgamento em 27/08/1988) Perceba que, quando uma lei for fixar normas sobre a constituição e o funcionamento das referidas entidades, basta que se edite uma lei ordinária. É o que ocorreu com a edição da Lei 9.532/97, estabelecendo diversas regras relacionadas às entidades objeto da imunidade. No julgamento acima, o STF teve a oportunidade de analisar os requisitos previstos no § 2º, do art. 12, desta norma, e decidiu que a maioria deles se referiam à constituição e funcionamento dessas entidades, podendo, pois, serem regulados pela via de lei ordinária. Observação: De acordo com o art. 146, II, da CF/88, é necessária a edição de lei complementar para regular tais limitações ao poder de tributar. Outra pergunta pertinente seria: qual lei complementar cumpre com esse papel? Ora, trata-se de uma lei muito conhecida por nós (ou que ainda o será), que é o CTN. Em seu art. 14, a Lei 5.172/66 elenca os requisitos para que as já mencionadas entidades gozem da imunidade: “Art. 14 – (...) I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.” Na falta de cumprimento destes requisitos, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício da imunidade tributária, conforme preconiza o art. 14, § 1°. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 27 108 Perceba que, ao lermos na CF/88 que tais entidades não podem ter fins lucrativos, não quer dizer que elas não podem obter resultado financeiro positivo, pois isso é essencial para que qualquer entidade se desenvolva. No entanto, o que é vedado pelo CTN é que haja distribuição de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título, inclusive aos sócios, gerentes etc. Também não se pode confundir a repartição de lucros com a justa remuneração de seus colaboradores pelos trabalhos desenvolvidos na entidade. Isso é permitido. Outro ponto a ser discutido em nosso curso, de suma importância para o conhecimento amplo da imunidade estudada, é a restrição de que somente o patrimônio, a renda e os serviços vinculados às finalidades essenciais da entidade estarão imunes aos impostos sobre eles incidentes. Trata-se, pois, da mesma restrição feita à imunidade religiosa, disposta no art. 150, § 4°, da CF/88. Repare que a imunidade religiosa não se submete às restrições do art. 14 do CTN. Vale ressaltar que, da mesma forma como tem ocorrido com a imunidade religiosa, o STF tem sido bastante flexível na análise da vinculação asseverada na CF. Nesse sentido, vamos citar, a partir de agora, alguns julgados, da própria Corte, que já foram ou que há grandes chances de serem cobrados em prova. Portanto, atenção total! Súmula Vinculante 52 - Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas. Observação: Esta súmula vinculante possui a mesma redação da Súmula 724 do STF. Isso significa que já se tratava de entendimento pacífico no STF. A distinção é que, a partir da sua publicação, o posicionamento nela contido possui efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta. Semelhantemente ao que estudamos na imunidade religiosa, o STF também entende que se aplica a imunidade quando o imóvel, pertencente às entidades referidas no art. 150, VI, c, estiver alugado a terceiros. A única condição é que a renda gerada seja aplicada nas atividades essenciais das entidades. Além disso, de acordo com a mesma Corte (RE 144.900), são imunes os serviços não relacionados às finalidades essenciais das entidades, desde que a receita deles destine-se ao financiamento de tais Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 28 108 finalidades. No caso concreto, foi considerado imune de ISS o serviço de estacionamento de veículos prestado por hospital em pátio interno. Vejamos a íntegra da ementa desse julgado: EMENTA: IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 150, VI, C, DA CONSTITUIÇÃO. INSTITUIÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. EXIGÊNCIA DE IMPOSTO SOBRE SERVIÇO CALCULADO SOBRE O PREÇO COBRADO EM ESTACIONAMENTO DE VEÍCULOS NO PÁTIO INTERNO DA ENTIDADE. Ilegitimidade. Eventual renda obtida pela instituição de assistência social mediante cobrança de estacionamento de veículos em área interna da entidade, destinada ao custeio das atividades desta, está abrangida pela imunidade prevista no dispositivo sob destaque. Precedente da Corte:RE 116.188-4. Recurso conhecido e provido. (STF, Primeira Turma, RE 144.900/SP, Rel. Min. Ilmar Galvão, Julgamento em 22/04/1997) Na esteira desse entendimento, também foi considerado imune do IPTU imóvel de propriedade de uma entidade beneficente, em cujas instalações era mantida uma livraria. A imunidade subsiste, neste caso, pois o que importa é que as rendas auferidas sejam revertidas para a manutenção de suas atividades institucionais. Sobre a renda destinada às finalidades essenciais, destaque-se que também já foi considerada imune pelo STF “a renda obtida pelo SESC na prestação de serviços de diversão pública, mediante a venda de ingressos de cinema ao público em geral”. Para o STF, as escolas de ensino profissionalizante estão enquadradas no rol de entidades do art. 150, VI, c. Cite-se, como exemplo, o SENAC e o SENAI. Além disso, ainda que os imóveis estejam sendo utilizados como escritório e residência de membro da entidade, continuam imunes. Senão, vejamos: Instituições de educação e assistência social sem fins lucrativos (...). O fato de os imóveis estarem sendo utilizados como escritório e residência de membros da entidade não afasta a imunidade prevista no art. 150, VI, alínea c, § 4º, da CF." (STF, RE 221.395, Segunda Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, Julgamento em 08/02/2000) Diferentemente do que acaba de ser visto, em 2010, a Segunda Turma do STF havia afastado a aplicação da imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/88, aos terrenos baldios sem vinculação às finalidades essenciais das entidades imunes. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 29 108 Contudo, em 2013, a Primeira Turma da Colenda Corte, de forma divergente, decidiu que a constatação de que imóvel vago ou sem edificação não seria suficiente, por si só́, para destituir a garantia constitucional da imunidade tributária. A ementa do julgamento do RE 385.091/DF foi parcialmente transcrita abaixo: EMENTA: Imunidade. Entidade de assistência social. Artigo 150, VI, c, CF. Imóvel vago. Finalidades essenciais. Presunção. Ônus da prova. 1. A regra de imunidade compreende o reverso da atribuição de competência tributária. Isso porque a norma imunitória se traduz em um decote na regra de competência, determinando a não incidência da regra matriz nas áreas protegidas pelo beneplácito concedido pelo constituinte. (...) 3. No caso da imunidade das entidades beneficentes de assistência social, a Corte tem conferido interpretação extensiva à respectiva norma, ao passo que tem interpretado restritivamente as normas de isenção. (...) 5. A constatação de que um imóvel está vago ou sem edificação não é suficiente, por si só, para destituir a garantia constitucional da imunidade. A sua não utilização temporária deflagra uma neutralidade que não atenta contra os requisitos que autorizam o gozo e a fruição da imunidade. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (STF, Primeira Turma, RE 385.091/DF, Min. Rel. Dias Toffoli, Julgamento em 06/08/2013) Certamente, essa divergência entre as turmas causa dúvidas no candidato sobre qual posicionamento levar para a prova. A orientação mais sensata é a de que seja seguido o mais recente julgamento, direcionado à manutenção da referida imunidade, em caso de imóvel vagos ou sem edificação. Ainda no que se refere à imunidade em tela, quando nossa análise recai sobre o ICMS (tributo indireto), há que se relembrar dos conceitos que já vimos sobre contribuinte de direito e de fato. Você se lembra, certo? Caso não tenha certeza, retorne ao tópico da imunidade recíproca e leia novamente. Vamos lá, então: “O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao apreciar o RE 210.251 - EDv/SP, fixou entendimento segundo o qual as entidades de assistência social são imunes em relação ao ICMS incidente sobre a comercialização de bens por elas produzidos, nos termos do art. 150, VI, "c" da Constituição. Embargos de divergência conhecidos, mas improvidos.” (STF, RE 186.175 ED-EDv/SP, Pleno, Rel. Min. Ellen Gracie, Julgamento em 23/08/2006) Embora já tenha havido decisões em sentido contrário em ocasiões anteriores, atualmente, o entendimento predominante no STF é o de que a imunidade das entidades de assistência social abrange o ICMS incidente sobre a comercialização de bens por elas produzidos. Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 30 108 Esse posicionamento foi corroborado pelo STJ, no julgamento do RMS 46.170-MS, ao reafirmar que a jurisprudência do STF é firme no sentido de que a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da CF também se aplica ao ICMS, desde que a atividade seja relacionada com as finalidades essenciais da entidade. Contudo, o STJ (RMS 46.170-MS, julgado em 23/10/2014) ressaltou que tal imunidade não se aplica em relação ao ICMS decorrente da prática econômica desenvolvida por entidade de assistência social sem fins lucrativos que tem por finalidade realizar ações que visem à promoção da pessoa com deficiência, quando desempenhar atividade franqueada da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Dessa forma, ainda que a renda obtida pela entidade seja revertida em prol de suas atividades essenciais, a imunidade em relação ao ICMS não pode ser concedida no caso, porquanto a atividade econômica fraqueada dos Correios foge dos fins institucionais da entidade, ou seja, o serviço prestado não possui relação com seus trabalhos na área de assistência social. Memorize para a prova: desempenho de atividade franqueada da ECT por entidade de assistência social sem fins lucrativos não a isenta do ICMS incidente sobre as operações. Ademais, ainda sobre a imunidade de tais entidades, o STF decidiu o seguinte: “Não há invocar, para o fim de ser restringida a aplicação da imunidade, critérios de classificação dos impostos adotados por normas infraconstitucionais, mesmo porque não é adequado distinguir entre bens e patrimônio, dado que este se constitui do conjunto daqueles. O que cumpre perquirir, portanto, é se o bem adquirido, no mercado interno ou externo, integra o patrimônio da entidade abrangida pela imunidade.” (STF, RE 203.755/ES, Segunda Turma, Rel. Min. Carlos Velloso, Julgamento em 17/09/1996) Com base no entendimento de que o que importa é saber se o bem adquirido no mercado interno ou externo integra o patrimônio da entidade imune, o STF estendeu a citada imunidade às aquisições no mercado interno: ICMS. IMUNIDADE. (ART. 150, VI, C, DA CF). AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS E SERVIÇOS NO MERCADO INTERNO. ENTIDADE BENEFICENTE. 1. A imunidade tributária prevista no art. 150, VI, c, da Constituição, compreende as aquisições de produtos no mercado interno, desde que os bens adquiridos integrem o patrimônio dessas entidades beneficentes. 2. Agravo regimental improvido. (STF, AI 535.922-AgR/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Ellen Gracie, Julgamento em 30/09/2008) Fábio Dutra Aula 02 SEFAZ-PA - Direito Tributário - 2022 - (Pós-Edital) www.estrategiaconcursos.com.br 136160207802236754 - Rodrigo Araujo 31 108 ==14c6c2== No que se refere à figura do contribuinte de fato (adquirente de mercadorias ou serviços), o entendimento do STF é o mesmo aplicável à imunidade recíproca (também visto nesta aula): EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. ICMS. ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS. IMUNIDADE RECÍPROCA. IMPOSSIBLIDADE. BENEFÍCIO DA IMUNIDADE NÃO ALCANÇA CONTRIBUINTE DE FATO. AGRAVO IMPROVIDO. I – Entidade educacional que não é contribuinte de direito do ICMS relativo a serviço de energia elétrica, não tem benefício da imunidade em questão, uma vez que esta não alcança o contribuinte de fato. (STF, AI 731.786-AgR/SC, Primeira Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Julgamento em 19/10/2010) Embora os dois últimos julgados se