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1 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
https://api.whatsapp.com/send/?phone=558189695829&text&type=phone_number&app_absent=0
https://api.whatsapp.com/send/?phone=5515981572805&text&type=phone_number&app_absent=0
 
3 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
PRINCÍPIOS E IMUNIDADES – MATERIAL BASE E BATERIA 01 
PRÉ- AULA 01 
 
INSTRUÇÕES: 
 
1 - LEIA O MATERIAL COM OS ARTIGOS 
2 - FAÇA AS QUESTÕES PRÉ-AULA, 
3 - ASSISTA A AULA DE CORREÇÃO, 
4 - FAÇA A NOVA BATERIA DE QUESTÕES – TESTE SEU APRENDIZADO 
(A BATERIA DE QUESTÕES PÓS AULA SERVE PARA VER O QUANTO 
VOCÊ EVOLUIU) 
 
 
ARTIGOS BASE 
CF - Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao 
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios: 
I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em 
situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação 
profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação 
jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; 
PRINCÍPIO DA ISONOMIA 
III - cobrar tributos: 
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei 
que os houver instituído ou aumentado; 
PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE 
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os 
instituiu ou aumentou; (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE DO EXERCÍCIO 
file:///C:/Users/User/Downloads/OAB%201%20FASE%20QUESTOES/aula%2002/para%20aquecimento%20revisão/Emendas/Emc/emc03.htm%23art2§2
 
4 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a 
lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído 
pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL 
IV - utilizar tributo com efeito de confisco; 
PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO 
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de 
tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio 
pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público; 
PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRÁFEGO 
 
VI - instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 
1993) 
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; 
IMUNIDADE RECÍPROCA 
b) templos de qualquer culto; 
b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas 
organizações assistenciais e beneficentes; (Redação dada pela Emenda 
Constitucional nº 132, de 2023) 
IMUNIDADE DAS ENTIDADES RELIGIOSAS E TEMPLOS DE 
QUALQUER CULTO 
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas 
fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de 
educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da 
lei; 
IMUNIDADE SUBJETIVA 
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. 
 
IMUNIDADE OBJETIVA 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1
file:///C:/Users/User/Downloads/OAB%201%20FASE%20QUESTOES/aula%2002/para%20aquecimento%20revisão/Emendas/Emc/emc03.htm%23art2§2
file:///C:/Users/User/Downloads/OAB%201%20FASE%20QUESTOES/aula%2002/para%20aquecimento%20revisão/Emendas/Emc/emc03.htm%23art2§2
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc132.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc132.htm#art1
 
5 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo 
obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral 
interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos 
digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias 
ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 
15.10.2013) 
§ 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 
148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos 
tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da 
base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação 
dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) 
§ 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações 
instituídas e mantidas pelo poder público e à empresa pública prestadora de 
serviço postal, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados 
a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. (Redação dada pela 
Emenda Constitucional nº 132, de 2023) 
§ 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam 
ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de 
atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos 
privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas 
pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar 
imposto relativamente ao bem imóvel. 
§ 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem 
somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades 
essenciais das entidades nelas mencionadas. 
§ 5º - A lei determinará medidas para que os consumidores sejam 
esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços. 
§ 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão 
de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou 
contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual 
ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o 
correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 
2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 
§ 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição 
de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador 
deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da 
quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela 
Emenda Constitucional nº 3, de 1993) 
 
 
 
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc75.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc75.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc132.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc132.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1
 
6 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 CTN - Art. 97. Sòmente a lei pode estabelecer: 
 I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; 
 II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos 
arts. 21, 26, 39, 57 e 65; 
 III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, 
ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do art. 52, e do seu sujeito passivo;não precisará aguardar o próximo exercício, no próximo ano, mas só 
poderá ser cobrado após os 90 dias da publicação da lei. 
 
 
c) Existem tributos que devem respeitar o princípio da anterioridade 
(RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício), mas não 
precisam respeitar os 90 dias (NÃO RESPEITAM o princípio 
nonagesimal), são: 
 (i) IR; 
 (ii) alteração de Base de cálculo do IPTU e do IPVA. 
 
Dizer que esses tributos respeitam a anterioridade do exercício e não respeitam 
os 90 dias significa que, se um tributo for instituído ou majorado no dia 20 
de dezembro de 2019, não poderá ser exigido no dia 21 de dezembro de 
2019, mas poderá ser cobrado no dia 1º de janeiro de 2020, pois respeitou 
a anterioridade do exercício, sem precisar respeitar os 90 dias. 
Importante ressaltar que o artigo 150, III, “b” e “c”, no que se refere aos princípios 
da anterioridade do exercício e da anterioridade nonagesimal, só se aplica 
no caso de instituição ou majoração de tributo. 
A mudança da data do prazo de pagamento do tributo não está sujeita ao 
princípio da anterioridade. 
Nesse contexto, atente-se para a Súmula Vinculante nº 50: “Norma legal que 
altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao 
princípio da anterioridade”. 
 
 
 
 
PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE 
 
O legislador constituinte, ao estabelecer o Princípio da Irretroatividade, nos 
termos do artigo 150, III, “a”, da CF, invocou uma garantia maior ao 
contribuinte, que ultrapassa a proteção ao direito adquirido e ao ato jurídico 
 
44 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
perfeito, posto que proíbe a tributação sobre fatos geradores não 
introduzidos anteriormente em lei, o que permite ao contribuinte a 
faculdade de evitá-la, se assim desejar, pela privação, na prática, do ato 
ensejador da tributação. 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
(...) 
III – cobrar tributos: 
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei 
que os houver instituído ou aumentado; 
 
O Princípio da Irretroatividade se revela como instrumento de otimização da 
segurança jurídica, pelo fato de conferir ao contribuinte uma maior certeza 
do que efetivamente será tributado. Tudo isso em virtude de previamente 
estabelecer em lei as situações relevantes na relação jurídico-tributária que 
ensejarão a tributação, assegurando-se, assim, a impossibilidade de o 
sujeito passivo se deparar com exações que considere atos, fatos ou 
situações do passado. 
O Código Tributário Nacional prevê três exceções ao princípio da 
irretroatividade, conforme se verifica nos artigos 106, I e II, e 144, §1º. 
O artigo 106 do CTN prevê duas situações em que a lei tributária poderá 
retroagir: 
A primeira possibilidade é quando se tratar de lei expressamente interpretativa e 
desde que não comine penalidade; e, a segunda é quando houver ato NÃO 
definitivamente julgado, quando verificadas as hipóteses do artigo 106, II, 
do CTN: 
 
Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 
I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída 
a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; 
II – tratando-se de ato não definitivamente julgado: 
a) quando deixe de defini-lo como infração; 
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação 
ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha 
 
45 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
implicado falta de pagamento de tributo; 
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei 
vigente ao tempo da sua prática. 
 
Da leitura do artigo 106, I, do CTN, constata-se que a lei expressamente 
interpretativa, desde que não comine penalidade, poderá retroceder. 
Registre-se que uma lei interpretativa apenas esclarece o sentido de outra 
anterior, elidindo dúvidas a seu respeito, sem, contudo, inovar a ordem 
jurídica. Havendo qualquer agravação na situação do contribuinte, será 
considerada ofensiva ao Princípio da Irretroatividade das leis. 
Na hipótese do artigo 106, II, do CTN, a lei tributária somente poderá retroagir 
em se tratando de ato não definitivamente julgado e quando a lei deixar de 
tratá-lo como infração ou cominar penalidade menos severa. 
Em direito tributário considera-se penalidade como MULTA, qualquer que seja 
sua natureza, de mora ou de infração! 
Não poderá retroagir, no entanto, a lei que reduzir o tributo, como no caso de 
redução de alíquotas, pois o que vale é a regra do caput do artigo 144 do 
CTN, ou seja, a lei da época do fato gerador. 
 
Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da 
obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente 
modificada ou revogada. 
A terceira possibilidade é a previsão no artigo 144, §1º, do CTN: em se tratando 
de lançamento tributário, lei que instituir novos critérios de apuração ou 
fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades 
administrativas poderá retroagir. 
 
Para fixar: a lei tributária NÃO pode retroagir, salvo em três situações: 
EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE 
1) Em se tratando de lei expressamente interpretativa, desde 
que não comine penalidade (art. 106, I, do CTN); 
2) Em se tratando de ato não definitivamente julgado, 
 
46 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
quando uma nova lei exclui infrações ou reduza 
penalidades (art. 106, II, do CTN); 
3) Em se tratando de lançamento, quando vier uma lei que 
crie novos critérios de fiscalização ou apuração (art. 
144, §1º, do CTN). 
 
 
 
 
Imunidades 
A imunidade tributária dá-se, em resumo, quando a Constituição veda a criação 
de tributos, por meio da incompetência das pessoas políticas, sobre 
determinadas situações ou sobre certos sujeitos, com a finalidade de 
preservar valores de grande interesse nacional, tais como: a manutenção 
das entidades federadas, o exercício das atividades religiosas, da 
democracia, das instituições educacionais, assistenciais e o acesso às 
informações. 
Não se confunde imunidade com isenção ou não incidência. 
A imunidade impede a incidência do tributo porque a CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
assim determina. 
Já a isenção consiste na LEI que determina que certas situações ou 
determinados sujeitos não serão tributados. 
A não incidência abrange as situações não descritas na lei como sendo 
tributadas. Por exemplo: as bicicletas não são hipótese de incidência 
tributária do IPVA. O legislador estadual estabeleceu como fato gerador do 
IPVA os veículos automotores. Assim, as bicicletas não devem pagar IPVA, 
pois estão fora do campo de incidência tributária, sendo este um caso de 
não incidência. 
As regras de imunidade têm foro exclusivo na Constituição, porque são regras 
(ainda que negativas) de competência tributária. 
As imunidades tributárias alcançam várias espécies tributárias, como os 
impostos, taxas, contribuição social, contribuição de intervenção no 
domínio econômico (CIDE). Inexistem, todavia, imunidades previstas para 
 
47 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
as contribuições de melhoria e empréstimos compulsórios. 
Existem imunidades genéricas e específicas. 
As imunidades específicas são relativas a um único tributo, diante de 
conveniências especiais, como, por exemplo, a imunidade do artigo 149, 
§2º, I, da CF, que trata sobre a não incidência da Contribuição Social e da 
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre receitas 
decorrentes de exportação. 
As imunidades genéricas estão previstas no artigo 150, VI, da CF e referem-se 
apenas aos Impostos. As pessoas e situações previstas no artigo 150, VI, 
da CF não devem pagar apenas os impostos,devendo pagar as demais 
espécies tributárias, como as taxas, contribuição de melhoria, contribuições 
e empréstimo compulsório. 
 
 
 
 
 
IMUNIDADES RECÍPROCAS 
 
A imunidade tributária recíproca, prevista no artigo 150, VI, “a”, da CF, veda a 
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem 
impostos sobre o patrimônio, renda e serviços um dos outros. 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
(...) 
VI – instituir impostos sobre: 
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; 
 
De acordo com os §§2º e 3º do artigo 150 da CF, a imunidade recíproca é 
extensiva às AUTARQUIAS e às FUNDAÇÕES PÚBLICAS, desde que 
cumpram 4 requisitos: 
 
 
(i) As finalidades essenciais ou qualquer uma delas decorrentes; 
 
48 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
(ii) Sejam instituídas e mantidas pelo Poder Público; 
(iii) Não cobrem preços e nem tarifas; 
(iv) Não entrem na concorrência privada. 
 
Urge destacar que a imunidade recíproca alcança somente as Autarquias e 
Fundações Públicas. As empresas públicas e sociedades de economia 
mista, por serem detentoras de personalidade jurídica de direito privado, 
não gozam de imunidade tributária; por essa razão, haverá normal 
incidência tributária sobre essas últimas. 
No entanto, o Supremo Tribunal Federal tem entendido que algumas empresas 
públicas, bem como algumas sociedades de economia mista, são 
merecedoras da regra imunizante, quando prestam serviço público de 
caráter obrigatório e de forma exclusiva. 
Cita-se como exemplo a ECT – Empresa de Correios e Telégrafos, empresa 
pública que tem imunidade tributária. 
Em fevereiro de 2007, o STF, na Ação Cautelar nº 1.550-2, reconheceu também 
a imunidade da sociedade de economia mista – CAERD, Companhia de 
Águas e Esgotos de Rondônia. 
A Constituição estabelece que a regra imunizante NÃO exonera o promitente 
comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. 
 
CF – Art. 150 (...) §3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior 
não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados 
com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas 
aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja 
contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem 
exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto 
relativamente ao bem imóvel. 
Imunidades Recíprocas e os Impostos Indiretos 
 
Por impostos indiretos têm-se aqueles que admitem o repasse do encargo 
financeiro para o próximo da cadeia. Por exemplo, IPI e ICMS. 
Em uma relação jurídico-tributária referente aos impostos indiretos existe o 
contribuinte de direito, que deve recolher o tributo, por ter praticado o fato 
 
49 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
gerador ou pela lei ter-lhe atribuído essa condição, e o contribuinte de fato, 
que suportou o encargo financeiro, geralmente é o consumidor final. 
Assim, o industrial que realiza a operação de industrialização do produto deve 
recolher o IPI por ter praticado o fato gerador, ele é o contribuinte de direito 
(de jure). No entanto, o industrial embute o IPI que teve que recolher no 
valor do preço do produto industrializado, repassando esse ônus para o 
consumidor final, que suporta o encargo financeiro do imposto e é 
denominado contribuinte de fato. 
Nesse sentido, o STF3 tem entendido que o Ente Federativo somente terá direito 
à imunidade tributária se estiver na condição de contribuinte de direito; se 
for contribuinte de fato, não terá imunidade tributária. 
Assim, se o Ente Federativo industrializar o produto, terá imunidade: não irá 
precisar pagar o IPI, ainda que pudesse repassar o encargo financeiro para 
outra pessoa. 
No entanto, quando o Ente Federativo é o consumidor final, não poderá alegar 
sua imunidade para não pagar o preço do produto com o tributo embutido, 
pois nesse caso ele estará como contribuinte de fato. 
 
IMUNIDADE DOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO 
 
O artigo 150, VI, “b”, da CF veda os Entes Federativos de instituírem IMPOSTOS 
sobre os templos de qualquer culto. 
A expressão “templos de qualquer culto” deve ser interpretada de forma ampla, 
abrangendo todas as formas de expressão de religiosidade. Só não irá 
abranger os templos de inspiração demoníaca, nem cultos satânicos e suas 
instituições, por contrariar a teleologia do texto constitucional. Portanto, 
deve haver valores morais e religiosos. 
A imunidade dos templos de qualquer culto visa tutelar a liberdade religiosa e, 
por essa razão, tudo que estiver em nome da instituição religiosa e cumprir 
sua finalidade essencial terá imunidade, ou seja, não terá que pagar 
impostos. 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
 
3. AI 805295 AgR/MG, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, DJ de 02/12/2010. 
 
50 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
(...) 
(...) 
§4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas “b” e “c”, compreendem 
somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as 
finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. 
Nessa perspectiva, NÃO haverá incidência, por exemplo, do IPTU sobre o local 
onde é celebrado o culto, nem mesmo sobre a casa paroquial, 
estacionamentos em nome da instituição ou sobre o convento; NÃO incidirá 
IPVA sobre o veículo do religioso utilizado no trabalho eclesiástico; NÃO 
incidirá ITBI sobre o imóvel adquirido pela entidade religiosa destinada às 
suas finalidades essenciais; NÃO incide IR sobre as doações, dízimos 
recebidos pela instituição, nem sobre as aplicações financeiras dos 
templos, desde que sejam destinadas para o cumprimento de suas 
finalidades. Ademais, NÃO incide ISS sobre os serviços religiosos. 
Os imóveis de propriedade da Entidade religiosa locados para terceiros, desde 
que os aluguéis sejam usados como fonte de custeio para cumprir suas 
finalidades essenciais, NÃO pagarão IPTU. 
O STF, ao julgar o RE nº 562351, entendeu que maçonaria não é religião; trata-
se apenas de um estilo de vida em que as pessoas se ajudam mutuamente 
e, por essa razão, não tem direito à imunidade tributária. 
 
IMUNIDADE SUBJETIVA 
 
A imunidade do artigo 150, VI, “c”, da CF visa tutelar a liberdade política, a 
liberdade sindical e estimular colaboradores do Estado na prestação de 
serviços de assistência social, desde que sem finalidade lucrativa. Tal 
imunidade refere-se a certas pessoas, razão por que é chamada de 
imunidade subjetiva. 
São 4 pessoas que, nos termos desse dispositivo constitucional, não irão pagar 
impostos sobre suas rendas, patrimônio e serviços: 
 
(i) Entidades de Assistência Social Sem Fins Lucrativos; 
(ii) Entidade de Educação Sem fins Lucrativos; 
 
51 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
(iii) Partidos Políticos e Suas Fundações; e 
(iv) Sindicato dos Trabalhadores. 
 
 
 
 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios 
(...) 
VI – instituir impostos sobre: 
(...) 
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas 
fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das 
instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, 
atendidos os requisitos da lei; 
A parte final do artigo 150, VI, “c”, da CF estabelece que essas pessoas somente 
terão direito à imunidade tributária se atenderem aos requisitos 
estabelecidos em lei. 
Nesse aspecto, o artigo 14 do CTN prevê três requisitos que devem ser 
cumpridos pelas 4 pessoas jurídicas acima para poderem gozarda 
imunidade aludida. São eles: 
 
(i) Não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas 
rendas, a qualquer título; 
(ii) Aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção 
dos seus objetivos institucionais; 
(iii) Manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros 
revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. 
 
Ressalta-se, ainda, que os Partidos Políticos, além de cumprirem os requisitos 
do artigo 14 do CTN, devem cumprir mais dois requisitos: i) estarem 
devidamente registrados no Tribunal Superior Eleitoral (artigo 17, §2º, da 
CF) e ii) não atentarem contra os costumes e princípios do Estado 
brasileiro. 
 
52 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
Nos termos da Súmula Vinculante nº 52, todas as pessoas do artigo 150, VI, “c”, 
da CF (entidade de assistência social sem fins lucrativos, entidades de 
educação sem fins lucrativos, partidos políticos e suas fundações e 
sindicato dos trabalhadores), ainda que tenham imóveis locados para 
terceiros, não irão pagar IPTU desses imóveis, desde que utilizem o valor 
dos aluguéis para cumprimento de suas finalidades essenciais. 
 
Súmula Vinculante nº 52. Ainda quando alugado a terceiros, 
permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a 
qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, 
da CF, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado 
nas atividades para as quais tais entidades foram 
constituídas. 
 
 
 
 
Quanto às Entidades de Assistência Social, é oportuno salientar que são aquelas 
que auxiliam o Estado no atendimento dos direitos sociais, tais como: 
saúde, segurança, maternidade, trabalho. Por essa razão, afirma-se que 
cumprir assistência social é respeitar o artigo 203 da CF. As entidades que 
cumprirem o artigo 203 da CF e não visarem a lucro, assim como as 
entidades beneficentes, as Organizações não Governamentais (ONGs), 
dentre outras, terão a imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, “c”, da 
CF. 
O STF reconheceu que as entidades fechadas de previdência privada que NÃO 
exigirem de seus associados contribuições para custeio do benefício 
também têm direito à imunidade a que se refere o artigo 150, VI, “c”, da CF. 
(Súmula nº 730 STF). 
Ressalta-se, ainda, que as entidades de assistência social sem fins lucrativos, 
além de serem imunes ao pagamento de impostos, também gozam de 
imunidade das contribuições sociais, nos termos do artigo 195, §7º da CF. 
Art. 195. (...) 
 
53 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
§7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades 
beneficentes de assistência social que atendam às exigências 
estabelecidas em lei. 
O §7º do artigo 195 da CF/1988 traz dois requisitos para o gozo da imunidade: 
a) que se trate de pessoa jurídica que desempenhe atividades beneficentes 
de assistência social; e b) que esta entidade atenda a parâmetros previstos 
na lei. 
 
 IMUNIDADE OBJETIVA 
 
O artigo 150, VI, “d”, da CF trata da imunidade objetiva, que proíbe a União, os 
Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem impostos sobre 
alguns objetos, tais como livros, jornais, periódicos e o papel destinado à 
sua impressão. Sobre estes objetos não irão incidir o ICMS – quando saem 
do estabelecimento comercial, IPI – quando saem da indústria e II – se 
houver a importação. 
As pessoas jurídicas, como gráfica, editoras e livrarias, não gozam de 
imunidade, por isso terão que recolher os impostos incidentes sobre as 
suas atividades, como IR pelos rendimentos auferidos pela venda dos livros 
e o IPTU relativo aos imóveis em que são impressos os livros e periódicos. 
A imunidade anteriormente referida visa possibilitar o acesso à cultura e à 
informação e sua finalidade é baratear o custo dos livros, jornais, periódicos 
e papéis destinados à impressão. 
Terão imunidade os livros que transmitirem pensamentos e ideias formalmente 
orientadas, independentemente do conteúdo. 
O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a imunidade dos álbuns de figurinhas 
e das apostilas e, recentemente, ao julgar o RE 330817 reconheceu 
também a imunidade dos livros eletrônicos, bem como dos aparelhos 
leitores de livros eletrônicos ou e-readers, confeccionados exclusivamente 
para esse fim, ainda que eventualmente estejam equipados com 
funcionalidades acessórias que auxiliem a leitura digital como acesso à 
internet para download de livros, possibilidade de alterar tipo e tamanho de 
fonte e espaçamento. 
Nesse sentido, temos a súmula vinculante nº 57: 
 
54 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 
aplica-se à importação e comercialização, no mercado 
interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes 
exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores 
de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam 
funcionalidades acessórias. 
 
Com relação aos periódicos e jornais, somente perderão a imunidade se 
apresentarem cunho eminentemente publicitário, sem qualquer destinação 
à cultura e à educação, como os encartes e catálogos. 
A lista telefônica tem imunidade tributária por ter utilidade pública. 
De acordo com o entendimento do STF, a imunidade objetiva alcança também 
os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e 
periódicos (Súmula nº 657). 
Ainda sobre a imunidade objetiva, vale mencionar que o STF, ao julgar o RE 
nº 330817, em março de 2017, entendeu pela imunidade dos livros 
eletrônicos, bem como para os suportes para leitura. Defendeu-se que a 
teleologia da imunidade contida no artigo 150, VI, “d”, da Constituição, 
aponta para a proteção de valores, princípios e ideias de elevada 
importância, tais como a liberdade de expressão, voltada à democratização 
e à difusão da cultura; a formação cultural do povo indene de manipulações; 
a neutralidade, de modo a não fazer distinção entre grupos 
economicamente fortes e fracos, entre grupos políticos etc.; a liberdade de 
informar e de ser informado; o barateamento do custo de produção dos 
livros, jornais e periódicos, de modo a facilitar e estimular a divulgação de 
ideias, conhecimentos e informações. Por isso, considerou que a 
imunidade objetiva, desse dispositivo legal, alcança os aparelhos leitores 
de livros eletrônicos (ou e-readers) confeccionados exclusivamente para 
esse fim, ainda que, eventualmente, estejam equipados com 
funcionalidades acessórias ou rudimentares que auxiliam a leitura digital, 
tais como dicionário de sinônimos, marcadores, escolha do tipo e do 
 
55 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
tamanho 
da fonte etc. 
 
Nesse sentido a súmula vinculante nº 57: "A imunidade tributária constante do 
art. 150, VI, “d”, da CF/88 aplica-se a importação e comercialização, no 
mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente 
utilizados para fixá-lo, como os leitores de livros eletrônicos (e-readers), 
ainda que possuam funcionalidades acessórias". 
 
 
IMUNIDADE DOS CDS E DVDS 
 
A EC nº 75 incluiu a alínea “e” no artigo 150, VI, da CF que estabelece imunidade 
para: 
Fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras 
musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral 
interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou 
arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial 
de mídias ópticas de leitura a laser. 
Assim, os CDs e DVDs produzidos no Brasil com obras musicais ou 
literomusicais de autores nacionais não irão pagar impostos. 
Também há imunidade para as obras em geral interpretadas por artistas 
brasileiros e as mídias ou os arquivos digitais que as contenham. Logo, a 
imunidade alcança as músicas comercializadas pela internet, além dos 
downloadsde ringtones de telefones celulares. 
 
 
 
 
ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS 
 
1) Empréstimo Compulsório 
 
 
 
56 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 Primeira informação: Previsto no art. 148 da CF. 
 Segunda informação: é de competência privativa da União. 
 Terceira informação: Só pode ser criado por lei complementar. 
 Quarta informação: será instituída em caso de guerra externa ou sua 
iminência; calamidade pública e investimento público de caráter urgente e 
relevância nacional. 
 Quinta informação: O empréstimo compulsório guerra e calamidade 
pública - não respeita as anterioridades, publicou pode-se exigir 
imediatamente. 
Empréstimo compulsório investimento público de caráter urgente e relevância 
nacional, mesmo que urgente respeita as duas anterioridades. Respeita a 
anterioridade de exercício e a nonagesimal. 
 
CF - Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir 
empréstimos compulsórios: 
I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade 
pública, de guerra externa ou sua iminência; 
II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante 
interesse nacional, observado o disposto no art.. 150, III, "b". 
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo 
compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua 
instituição. 
 
 
Contribuição de Melhoria 
 
 Primeira informação: Prevista no art. 145, III da CF e arts. 81 e 82 do 
CTN, 
 Segunda informação: é de competência comum. Todos os entes poderão 
institui-la. 
 Terceira informação: Não precisa ser criada por lei complementar. Pode 
ser por lei ordinária. 
 Quarta informação: será instituída em caso de investimento público com 
valorização imobiliária para o contribuinte. 
 
57 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 Quinta informação: Deve respeitar dois limites: limite global e individual. 
Limite global corresponde o quanto foi gasto efetivamente com a obra. 
Limite individual corresponde o quanto valorizou o imóvel para cada 
contribuinte. 
 
 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios 
poderão instituir os seguintes tributos: 
(...) 
III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. 
 
 
3) Taxas 
 
Art. 145, II e par. 2º, da CF e arts. 77 a 80, do CTN 
 
Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou 
pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato 
gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou 
potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte 
ou posto à sua disposição. 
Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos 
aos que correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital 
das empresas. 
 
 
Contribuições 
 
4 espécies de contribuições: i) Contribuições Sociais; ii) CIDE (contribuições de 
intervenção domínio econômico); iii) Contribuição de interesse de categoria 
profissional ou econômica, iv) COSIP- contribuições de iluminação pública 
 
 
Contribuições Sociais 
 
 
58 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 Primeira informação: Previsão: Arts. 149 e 195 da CF. 
 Segunda informação: Competência privativa da União, salvo a 
contribuição social previdenciária do servidor público, que será criada pelo 
ente a que pertencer o servidor, conforme previsão no art. 149, § 1º da CF. 
 Terceira informação: As contribuições sociais serão criadas, via de regra, 
por lei ordinária, salvo a contribuição social residual, que nos termos do 
art. 195, § 4º da CF será criada por lei complementar. 
 
Requisitos para ser criada a Contribuição Social Residual: 
1) Somente a União poderá criar 
2) Deve ser por Lei Complementar 
3) Deve ser não-cumulativa 
4) Deve ter base de cálculo e fato gerador diferente das contribuições já 
existentes na CF. 
 
 Quarta informação: Tem por finalidade custear a previdência, assistência 
social e saúde. 
 
CIDE : Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico 
 
 Primeira informação: Previsão: Art. 149 da CF 
 Segunda informação: Competência privativa da União 
 Terceira informação: Podem ser criadas por Lei ordinária 
 Quarta informação: Serão criadas para intervir no domínio econômico 
 
Destaque para as Cides Combustíveis – Art. 177, § 4º da CF. 
 As alíquotas da CIDE combustíveis podem ser reduzidas ou 
restabelecidas por decreto do poder executivo. Nessa hipótese só 
precisam respeitar a anterioridade nonagesimal, os 90 dias. 
 
 
Contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica 
 
 
59 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 Primeira informação: Previsão: Art. 149 da CF 
 Segunda informação: Competência privativa da União 
 Terceira informação: Pode ser criada por lei ordinária 
 Quarta informação: Serão criadas para o 
 
As contribuições de interesse de categoria profissional ou econômica são 
tributos que decorrem mediatamente do desempenho da atividade 
profissional e imediatamente da consequente filiação compulsória à 
entidade corporativa. Importante ressaltar que o universo dos sujeitos 
passivos não é restrito àqueles que, por vontade própria, filiaram-se ao 
sindicato. 
 
Ressalta-se que a partir da reforma trabalhista, a contribuição sindical tornou-se 
facultativa, nos termos do art. 579 da CLT, sendo descontada dos 
funcionários mediante autorização prévia e por escrito dos mesmos. 
 
COSIP 
 
 Primeira informação: Previsão: Art. 149-A da CF 
 Segunda informação: Competência Privativa dos Municípios e Distrito 
Federal 
 Terceira informação: Pode ser criada por lei ordinária 
 Quarta informação: Será criada para custear o serviço de iluminação 
pública 
 
ICMS 
 
 
 
 Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir ICMS, nos termos do 
artigo 155, II, da CF. 
 
O ICMS tem previsão na Constituição Federal, em seu artigo 155, II e § 2º, e na 
LC nº 87/1996. 
 
60 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
Por uma visão geral, o fato gerador consiste nas operações de circulação de 
mercadorias ou prestação de serviços interestadual ou intermunicipal de 
transporte e de comunicação, conforme dispõe o artigo 155, II, da CF. 
Para melhor compreensão, afirmamos que o ICMS possui cinco hipóteses de 
incidência, são elas: 
 
(i) Operações de circulação de mercadorias; 
(ii) Serviços de transporte intermunicipal e interestadual; 
(iii) Serviço de comunicação; 
(iv) Sobre energia elétrica – art. 155, § 3º, da CF; e 
(v) Sobre Importações de Bens; 
 
 
 Operações sobre circulação de mercadorias 
 
O legislador constituinte elegeu como elemento de incidência do ICMS não a mera 
circulação de mercadorias, mas a realização de operações de circulação de 
mercadorias. 
A operação de circulação de mercadorias consiste em um negócio jurídico, 
regulado pelo direito que implique necessariamente mudança de 
titularidade, passando a mercadoria de uma pessoa para outra, uma vez 
que circular significa para o direito mudar de titular, movimentação com 
mudança de patrimônio. 
Por essa razão, o STJ sedimentou seu posicionamento de modo que a circulação 
de mercadorias de um estabelecimento para outro do mesmo titular não se 
sujeita à incidência do ICMS. 
 
Súmula nº 166 do STJ. Não constitui fato gerador do ICMS o 
simples deslocamento de mercadoria de um para outro 
estabelecimento do mesmo contribuinte 
 
 
 
61 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 Serviços de transporte intermunicipal e interestadual 
Trata-se da prestação de serviços onerosa de transporte entre os municípios ou 
entre os Estados. Diante desse conceito, pode-se afirmar que se o transporte 
forrealizado dentro do município não haverá incidência de ICMS, mas sim 
de ISS, nos termos da LC nº 116/2003. 
 
 Serviço de comunicação 
 
A Lei Complementar nº 87/1996 regulamenta, especificamente, a incidência do 
Imposto sobre o serviço de comunicação, em seu artigo 2º, III. 
Para que haja incidência do ICMS, é imperioso que exista uma fonte emissora, 
uma fonte receptora e uma mensagem transmitida pelo prestador de serviço. 
Sem esses elementos não há comunicação. Ademais, salienta-se que a 
base econômica consiste no serviço de comunicação propriamente dito, e 
não nas atividades-meio realizadas e cobradas, assim considerados os 
serviços preparatórios ou acessórios. 
Tendo em vista essas considerações, citam-se as Súmulas nos 350 e 334 do STJ 
que confirmam esse posicionamento: 
 
Súmula nº 350 do STJ. O ICMS não incide sobre o serviço de 
habilitação de telefone celular. 
 
Súmula nº 334 do STJ. O ICMS não incide no serviço dos 
provedores de acesso à Internet. 
 
 
 Sobre energia elétrica 
 
À luz do artigo 155, § 3º, da CF, o ICMS incide sobre energia elétrica, devido o 
entendimento de que a energia elétrica consiste em mercadoria. O STJ se 
pronunciou, por meio da Súmula nº 391, quanto à incidência do ICMS sobre 
 
62 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
energia elétrica, entendendo que só é devida sobre a energia elétrica 
efetivamente utilizada e não sobre a contratada. 
 
 
 Sobre Importações de Bens 
 
Com a edição da Emenda Constitucional nº 33/2001 houve alteração referente à 
incidência de ICMS sobre importações de bens, de modo que incidirá o ICMS 
em toda e qualquer importação de bens ou mercadorias, inclusive aqueles 
bens que sejam para uso próprio, independentemente de ser o importador 
contribuinte habitual do ICMS. É no artigo 155, § 2º, IX, “a”, da CF que está 
disposta essa hipótese de incidência do ICMS. 
Art. 155. (...) 
§ 2º (...) 
IX – incidirá também: 
a)sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física 
ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer 
que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, 
cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o 
estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço 
IPTU (Imposto sobre a propriedade predial territorial urbana) 
 
 Previsão: Art. 156, I da CF e arts. 32 a 34 do CTN 
 
Critério Material/fato gerador: 
 
Art. 156,I da CF: Ser proprietário de imóvel urbano. 
Art. 32 do CTN: Ser proprietário, possuidor ou detentor de domínio útil de imóvel 
urbano. 
 
Segundo entendimento dos Tribunais Superiores, quem deve pagar o IPTU é o 
proprietário, possuidor ou detentor de domínio com animus domini. 
 
Imóvel urbano: Regra localização!!! 
 
63 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
Se estiver dentro da zona urbana, trata-se de imóvel urbano e, portanto, deve-
se pagar o IPTU e se estiver dentro da zona rural, será recolhido o ITR. 
Nos termos do art. 32, § 1 do CTN, a Lei Municipal irá determinar o que é zona 
urbana, mas desde que cumpra no mínimo dois dentre os cinco 
melhoramentos mencionados pelo § 1º do art. 32 do CTN: 
 
 Meio fio ou calçamento com canalização de aguas pluviais; 
 Abastecimento de agua; 
 Sistema de esgoto; 
 Iluminação pública; 
 Escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 km do 
imóvel. 
Exceção!!!! Se o imóvel estiver dentro da zona urbana, mas tiver destinação 
econômica rural será devido o ITR, nos termos do art. 15 do DL 57/66: 
 
Art 15. O disposto no art. 32 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não 
abrange o imóvel de que, comprovadamente, seja utilizado em exploração 
extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agro-industrial, incidindo assim, 
sôbre o mesmo, o ITR e demais tributos com o mesmo 
cobrados. (Revogação suspensa pela RSF nº 9, de 2005) 
 
 
IPTU - Tributo Progressivo: Art. 182, § 4º, II da CF e art. 156, § 1º, I da CF 
 Art. 182, § 4º, II da CF: Progressividade no tempo, extrafiscal para estimular 
o cumprimento da função social. 
 Art. 156, § 1º, I da CF: Progressividade fiscal, em razão do valor venal do 
imóvel. 
 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art32
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Congresso/ResSF09-05.htmIV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o 
disposto nos arts. 21, 26, 39, 57 e 65; 
 V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a 
seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; 
 VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos 
tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. 
 § 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de 
cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso. 
 § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso 
II dêste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
7 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
 
 
BATERIA DE QUESTÕES – PRÉ AULA 
 
QUESTÃO 01 - (FGV - Exame de Ordem 2019.2 – OAB XXIX) O Chefe do 
Executivo do Município X editou o Decreto 123, em que corrige o valor 
venal dos imóveis para efeito de cobrança do Imposto Predial e Territorial 
Urbano (IPTU), de acordo com os índices inflacionários anuais de correção 
monetária. 
No caso narrado, a medida: 
 
A) fere o princípio da legalidade, pois a majoração da base de cálculo somente 
pode ser realizada por meio de lei em sentido formal. 
B) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a majoração da base de 
cálculo do IPTU dispensa a edição de lei em sentido formal. 
C) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a atualização monetária 
da base de cálculo do IPTU pode ser realizada por meio de decreto. 
D) fere o princípio da legalidade, pois a atualização monetária da base de cálculo 
do IPTU não dispensa a edição de lei em sentido formal. 
 
 
 
 
QUESTÃO 02 - (FGV - Exame de Ordem 2017.1 – OAB XXII) Por meio da Lei 
Ordinária nº 123, a União instituiu contribuição não cumulativa destinada a 
garantir a expansão da seguridade social, utilizando, para tanto, fato 
gerador e base de cálculo distintos dos discriminados na Constituição da 
República. A referida lei foi publicada em 1º de setembro de 2015, com 
entrada em vigor em 2 de janeiro de 2016, determinando o dia 1º de 
fevereiro do mesmo ano como data de pagamento. 
Por considerar indevida a contribuição criada pela União, a pessoa jurídica 
A, atuante no ramo de supermercados, não realizou o seu pagamento, 
 
8 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
razão pela qual, em 5 de julho de 2016, foi lavrado auto de infração para a 
sua cobrança. 
Considerando a situação em comento, assinale a opção que indica o 
argumento que poderá ser alegado pela contribuinte para impugnar a 
referida cobrança. 
 
A) A nova contribuição viola o princípio da anterioridade nonagesimal. 
B) A nova contribuição viola o princípio da anterioridade anual. 
C) A nova contribuição somente poderia ser instituída por meio de lei 
complementar. 
D) A Constituição da República veda a instituição de contribuições não 
cumulativas. 
 
 
 
QUESTÃO 03 - (FGV - Exame de Ordem 2016.3) Determinado Estado da 
Federação publicou, em julho de 2015, a Lei n° 123/2015, que majorou o 
valor das multas e das alíquotas de ICMS. Em fevereiro de 2016, em 
procedimento de fiscalização, aquele Estado constatou que determinado 
contribuinte, em operações realizadas em outubro de 2014, não recolheu o 
ICMS devido. Por conta disso, foi efetuado o lançamento tributário contra 
o contribuinte, exigindo-lhe o ICMS não pago e a multa decorrente do 
inadimplemento. 
O lançamento em questão só estará correto se 
 
A) As multas e alíquotas forem as previstas na Lei n° 123/2015. 
B) As alíquotas forem as previstas na Lei n° 123/2015 e as multas forem aquelas 
previstas na lei vigente ao tempo do fato gerador. 
C) As multas e as alíquotas forem as previstas na lei vigente ao tempo do fato 
gerador. 
D) As multas forem as previstas na Lei n° 123/2015 e as alíquotas forem aquelas 
previstas na lei vigente ao tempo do fato gerador. 
 
 
 
9 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
QUESTÃO 04 - (FGV - Exame de Ordem 2019.2 – OAB XXIX) O Município X, 
na tentativa de fazer com que os cofres municipais pudessem receber 
determinado tributo com mais celeridade, publicou, em maio de 2017, uma 
lei que alterava a data de recolhimento daquela exação. A lei dispunha que 
os efeitos das suas determinações seriam imediatos. 
Nesse sentido, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), a lei é 
válida, mas apenas poderia entrar em vigor 45 (quarenta e cinco) dias após a 
sua publicação. 
B) A lei é inconstitucional, uma vez que não respeitou o princípio da 
anterioridade. 
C) A lei é constitucional, uma vez que, nessa hipótese, não se sujeita ao princípio 
da anterioridade. 
D) A lei é válida, mas só poderia vigorar 90 (noventa) dias após a sua publicação. 
 
 
 
QUESTÃO 05 - (FGV - Exame de Ordem 2018.1– OAB XXV) Em 2015, o 
Município X estabeleceu, por meio da Lei nº 123, alíquotas progressivas do 
Imposto sobre propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), tendo em 
conta o valor do imóvel. 
Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A lei é inconstitucional, pois a Constituição da República admite alíquotas 
progressivas do IPTU apenas se destinadas a assegurar o cumprimento da 
função social da propriedade urbana, o que não é a hipótese. 
B) A lei é inconstitucional, pois viola o Princípio da Isonomia. 
C) A lei está de acordo com a Constituição da República, e a fixação de alíquotas 
progressivas poderia até mesmo ser estabelecida por Decreto. 
D) A lei está de acordo com a Constituição da República, que estabelece a 
possibilidade de o IPTU ser progressivo em razão do valor do imóvel. 
 
 
10 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
QUESTÃO 06 - (FGV - Exame de Ordem 2017.2 – OAB XXIII) O reitor de uma 
faculdade privada sem fins lucrativos (cujas receitas, inclusive seus 
eventuais superávits, são integralmente reinvestidas no estabelecimento 
de ensino) deseja saber se está correta a cobrança de impostos efetuada 
pelo fisco, que negou a pretendida imunidade tributária, sob o argumento 
de que a instituição de ensino privada auferia lucros. 
Na hipótese, sobre a atuação do fisco, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O fisco agiu corretamente, pois a imunidade tributária apenas alcança 
instituições de ensino que não sejam superavitárias. 
B) O fisco agiu corretamente, pois a imunidade tributária apenas alcança 
instituições públicas de ensino. 
C) O fisco não agiu corretamente, pois não há impedimento à distribuição de 
lucro pelo estabelecimento de ensino imune. 
D) O fisco não agiu corretamente, pois, para que seja concedida tal imunidade, 
a instituição não precisa ser deficitária, desde que o superávit seja revertido para 
suas finalidades. 
 
 
 
QUESTÃO 07 - (FGV - Exame de Ordem 2017.3 – OAB XXIV) O Município X, 
graças a uma lei municipal publicada no ano de 2014, concedeu isenção de 
IPTU aos proprietários de imóveis cujas áreas não ultrapassassem 70m². 
João possui um imóvel nessa condição e procura seus serviços, como 
advogado(a), para saber se deve pagar a taxa de coleta de resíduos sólidos 
urbanos, instituída pelo município por meio de lei publicada em junho de 
2017, a ser exigida a partir do exercício financeiro seguinte. 
Diante desse quadro fático, assinale a afirmativa correta. 
 
A) João não deve pagar a taxa de coleta, uma vez que a isenção do IPTU se 
aplica a qualquer outro tributo. 
 
11 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
B) João não deve pagar a taxa de coleta, porque, sendo a lei instituidora da taxa 
posterior à lei que concedeu a isenção, por esta é abrangida, ficando João 
desobrigado do IPTUe da taxa. 
C) João deve pagar a taxa de coleta, porque a isenção só é extensiva às 
contribuições de melhoria instituídas pelo município. 
D) João deve pagar a taxa de coleta, porque, salvo disposição de lei em 
contrário, a isenção não é extensiva às taxas. 
 
 
 
QUESTÃO 08 - (FGV - Exame de Ordem 2019.1 – OAB XXVIII) O Estado Y 
lavrou auto de infração em face da pessoa jurídica PJ para cobrança de 
créditos de Impostos sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de 
Serviços (ICMS), decorrentes da produção e venda de livros eletrônicos. 
Adicionalmente aos créditos de ICMS, o Estado Y cobrou o pagamento de 
multa em decorrência do descumprimento de obrigação acessória 
legalmente prevista. 
Tendo isso em vista, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos; por outro lado, é 
incorreta a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação acessória. 
B) Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos; no entanto, tendo 
em vista a previsão legal, é correta a cobrança de multa pelo descumprimento 
da obrigação acessória. 
C) É correta a cobrança do ICMS, uma vez que a imunidade tributária somente 
abrange o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos; da mesma 
forma, é correta a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação 
acessória, em vista da previsão legal. 
D) É correta a cobrança do ICMS, uma vez que a imunidade tributária somente 
abrange o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos; no 
entanto, é incorreta a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação 
acessória. 
 
 
12 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
QUESTÃO 09 - (FGV - Exame de Ordem 2023.3 – OAB XXXIX). Um grupo de 
empresários da área têxtil decidiu criar um sindicato dos empregadores 
daquele setor, para fins de representação e defesa dos interesses da 
categoria econômica. 
Na assembleia geral ordinária constitutiva da instituição e para elaboração 
do estatuto social, surgiu a dúvida a respeito da possibilidade de obtenção 
da imunidade tributária sobre o patrimônio, renda ou serviços das 
entidades sindicais. Presente uma equipe de advogados, estes são 
incitados a se manifestarem a respeito. 
Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. 
 
A) Não há previsão constitucional para imunidade tributária de impostos de 
sindicato de empregadores. 
B) O setor têxtil se trata de categoria econômica que não permite o 
enquadramento na imunidade tributária de impostos dos sindicatos. 
C) Tal sindicato faz jus à imunidade tributária de impostos, desde que exerça 
suas atividades sem finalidade lucrativa e atenda ao requisito de não distribuição 
de qualquer parcela do seu patrimônio ou renda. 
D) Desde que os recursos provenientes das contribuições associativas sejam 
aplicados exclusivamente na sua área de atuação e vinculados a suas 
finalidades essenciais, tal sindicato poderá gozar da imunidade tributária de 
impostos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gabarito na próxima página 
 
13 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gabarito: 
01 - C 
02 - C 
03 - C 
04 - C 
05 - D 
06 - D 
07 - D 
08 - B 
09 - A 
 
 
 
14 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
TESTANDO O APRENDIZADO – BATERIA DE QUESTÕES 02 
PÓS AULA 01 
 
 
QUESTÃO 01 - (FGV - Exame de Ordem 2021.3 – OAB XXXIII). 
Em 10/11/2020, foi publicada lei ordinária federal que majorava a alíquota 
de contribuição previdenciária a ser cobrada do empregador, incidente 
sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou 
creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo 
sem vínculo empregatício. 
Diante desse cenário, a nova alíquota poderá ser aplicada 
 
A) a partir da data da publicação da lei. 
B) noventa dias a contar da data da publicação da lei. 
C) a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte. 
D) a partir de noventa dias contados do primeiro dia do exercício financeiro 
seguinte. 
 
 
QUESTÃO 02 - (FGV - Exame de Ordem 2018.2– OAB XXVI). 
Em março de 2016, o Município X publicou lei instituindo novos critérios 
de apuração e ampliando os poderes de investigação das autoridades 
administrativas. Com base nessa nova orientação, em outubro do mesmo 
ano, o fisco municipal verificou a ausência de declaração e recolhimento 
de valores do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN 
devidos pela pessoa jurídica Y, referentes ao ano-calendário 2014; diante 
dessa constatação, lavrou auto de infração para cobrança dos valores 
inadimplidos. 
No que tange à possibilidade de aplicação da nova legislação ao presente 
caso, assinale a afirmativa correta. 
 
A) É inaplicável, pois não respeitou o princípio da anterioridade anual. 
 
15 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
B) É inaplicável, pois o fisco somente poderia lavrar o auto de infração com base 
nos critérios de apuração previstos em lei vigente no momento da ocorrência do 
fato gerador. 
C) É aplicável, pois a legislação que institui novos critérios de apuração e amplia 
poderes de investigação das autoridades administrativas aplica-se aos 
lançamentos referentes a fatos geradores ocorridos antes de sua vigência. 
D) É aplicável, pois foi observado o princípio da anterioridade nonagesimal 
 
 
QUESTÃO 03 - (FGV - Exame de Ordem 2019.2 – OAB XXIX) 
O Chefe do Executivo do Município X editou o Decreto 123, em que corrige 
o valor venal dos imóveis para efeito de cobrança do Imposto Predial e 
Territorial Urbano (IPTU), de acordo com os índices inflacionários anuais 
de correção monetária. 
No caso narrado, a medida: 
 
A) fere o princípio da legalidade, pois a majoração da base de cálculo somente 
pode ser realizada por meio de lei em sentido formal. 
B) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a majoração da base de 
cálculo do IPTU dispensa a edição de lei em sentido formal. 
C) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a atualização monetária 
da base de cálculo do IPTU pode ser realizada por meio de decreto. 
D) fere o princípio da legalidade, pois a atualização monetária da base de cálculo 
do IPTU não dispensa a edição de lei em sentido formal. 
 
 
 
 
QUESTÃO 05 - (FGV - Exame de Ordem 2022.3 – OAB XXXVI) 
A Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou, em 2022, auto de infração 
de um milhão de reais em face da sociedade empresária Maçã Ltda. por não 
ter recolhido o Imposto de Importação (II) e a Contribuição Social Sobre 
Lucro Líquido (CSLL) referentes ao ano de 2021, incidentes sobre a 
comercialização de livros eletrônicos (ebooks) por ela importados e 
 
16 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
comercializados no país. O departamento jurídico da sociedade autuada 
contrata você, como advogado(a), para emitir parecer para fundamentar 
sua defesa. 
Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O II e a CSLL são indevidos, pois os livros eletrônicos (e-books) se 
enquadram na imunidade tributária dos livros. 
B) Apenas o II é indevido, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na 
imunidade tributária dos livros. 
C) Apenas a CSLL é indevida, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram 
na imunidade tributária dos livros. 
D) O II e a CSLL são devidos, pois os livros eletrônicos (e-books) não se 
enquadram na imunidade tributária dos livros. 
 
 
QUESTÃO 06 - (FGV - Exame de Ordem 2022.3 – OAB XXXVI) 
A Assembleia Legislativa do Estado Beta irá votar, em 2022, um projeto de lei 
ordinária para a criação de sua própria contribuição social previdenciária, para 
custeio do regime próprio de previdência social estadual, a ser cobrada dos seus 
servidoresativos, dos aposentados e dos pensionistas. Antes, porém, submete 
o referido projeto de lei ordinária para análise da Comissão de Constituição e 
Justiça daquela Casa Legislativa, para emissão de parecer sobre a 
constitucionalidade daquele tributo. 
Diante desse cenário, a referida contribuição social previdenciária 
 
A) poderia ser criada por lei ordinária e ser cobrada de servidores ativos, dos 
aposentados e dos pensionistas. 
B) poderia ser criada por lei ordinária, mas só poderia ser cobrada de servidores 
ativos. 
C) não poderia ser criada por lei ordinária, mas poderia ser cobrada de 
servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas. 
D) não poderia ser criada por lei ordinária e só poderia ser cobrada de servidores 
ativos. 
 
 
17 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
QUESTÃO 07 - (FGV - Exame de Ordem 2023.2 – OAB XXXVIII) 
A Sociedade Empresária ABC Ltda. adquiriu no exterior um lote de dez mil 
unidades de um determinado perfume francês. Antes da chegada das 
mercadorias ao porto, foi publicado no Diário Oficial da União, em 
20/04/2023, um decreto editado pelo Poder Executivo Federal majorando 
imediatamente a alíquota do Imposto sobre a Importação de perfumes de 
20% para 30%, prevendo expressamente sua vigência e produção de 
efeitos a partir da data de sua publicação. Em 30/04/2023, as mercadorias 
finalmente chegam ao porto no Brasil, devendo agora a empresa realizar o 
desembaraço aduaneiro. 
Preocupada com possível prejuízo decorrente do aumento inesperado do 
custo da mercadoria devido à elevação do imposto de importação, a 
sociedade empresária procura você, como advogado(a), indagando sobre 
a validade daquele decreto. 
Diante deste cenário, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A elevação desta alíquota por decreto violou o princípio da legalidade 
tributária. 
B) O prazo previsto para produção de efeitos da elevação de alíquota violou o 
princípio da anterioridade tributária nonagesimal. 
C) Embora tal imposto seja classificado como extrafiscal, deve obediência ao 
princípio da anterioridade tributária anual. 
D) A majoração dessa alíquota e a sua produção de efeitos imediata são válidas. 
 
 
QUESTÃO 08 - Assinale a alternativa CORRETA. 
 
A) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), a imunidade 
tributária dos templos de qualquer culto alcança as lojas maçônicas. 
B) A imunidade tributária endereçada aos livros e periódicos não alcança, no 
entendimento do STF, álbuns de figurinhas. 
C) Têm imunidade tributária fonogramas e videofonogramas musicais 
produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores 
 
18 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
brasileiros e/ou obras em geral, interpretadas por artistas brasileiros, bem como 
os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de 
replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. 
D) Não têm imunidade tributária recíproca as autarquias e fundações instituídas 
e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos 
serviços vinculados às suas finalidades essenciais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Gabarito COMENTADO na próxima página 
 
 
 
 
19 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
TESTANDO O APRENDIZADO – BATERIA DE QUESTÕES 02 – PÓS AULA 
- COM GABARITO COMENTADO 
 
 
QUESTÃO 01 - (FGV - Exame de Ordem 2021.3 – OAB XXXIII). 
Em 10/11/2020, foi publicada lei ordinária federal que majorava a alíquota de 
contribuição previdenciária a ser cobrada do empregador, incidente sobre a folha 
de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer 
título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. 
Diante desse cenário, a nova alíquota poderá ser aplicada 
 
A) a partir da data da publicação da lei. 
B) noventa dias a contar da data da publicação da lei. 
C) a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte. 
D) a partir de noventa dias contados do primeiro dia do exercício financeiro 
seguinte. 
 
 
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE 
O tributo que for instituído ou majorado em determinado exercício 
financeiro (coincide com o ano civil, inicia no dia 1º de janeiro e se encerra 
no dia 31 de dezembro), somente poderá ser exigido no próximo exercício 
e desde que tenham transcorridos 90 dias da data da publicação da lei que 
houver instituído ou majorado o tributo (artigo 150, III, “b” e “c”, da CF). 
Assim, se o Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza (ISS) for 
majorado em janeiro de 2019, somente poderá ser exigido em 1º de janeiro 
de 2020, próximo exercício financeiro. 
Agora, se o ISS for majorado no dia 1º de dezembro de 2019, não poderá 
ser exigido no dia 1º de janeiro de 2020, mesmo que seja o próximo 
exercício financeiro, pois ainda não transcorreram os 90 dias da data da 
 
20 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
publicação da lei que majorou o tributo. Esse tributo só poderá ser cobrado 
em março de 2020, quando transcorridos os 90 dias da data da publicação. 
Ocorre, no entanto, que nem todos os tributos precisam respeitar o 
princípio da anterioridade. Existem várias exceções a esse princípio, 
previstas nos artigos 150, §1º; 155, §4º, IV, “c”; 177, §4º, I, “b”, e 195, §6º, 
da CF. 
a) Tributos que não precisam aguardar o próximo exercício (NÃO 
RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício) nem os 90 dias 
(NÃO RESPEITAM o princípio nonagesimal), ou seja, o tributo pode 
ser cobrado: IMEDIATAMENTE!!!! São eles: 
 (i) Imposto Extraordinário de Guerra (IEG); 
 (ii) Empréstimo Compulsório de Guerra ou de Calamidade Pública; 
 (iii) Imposto sobre Importação (II); 
 (iv) Imposto sobre Exportação (IE); 
 (v) Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). 
Os tributos referentes à guerra, como o caso do imposto Extraordinário 
de Guerra e o Empréstimo Compulsório de Guerra ou de Calamidade 
Pública, não precisam respeitar nenhum princípio da anterioridade, devido 
ao fato da necessidade da sua cobrança. Caso haja uma guerra, o Brasil 
precisará urgentemente de dinheiro, não pode aguardar o próximo 
exercício, bem como os 90 dias para cobrar o referido tributo. Por essa 
razão, esses tributos de guerra são cobrados imediatamente. 
Com relação ao II, ao IE e ao IOF, por serem impostos regulatórios de 
mercado, apresentam o caráter de extrafiscalidade, não é razoável 
aguardar o próximo exercício para a efetiva cobrança. Por isso, também 
são exceções aos princípios da anterioridade do exercício e da 
anterioridade nonagesimal. Caso ocorra uma majoração, a cobrança 
poderá ser imediata. 
b) Existem tributos, no entanto, que não precisam aguardar o próximo 
exercício (NÃO RESPEITAM o princípio da anterioridade do 
exercício), mas precisam aguardar os 90 dias, para serem exigidos 
 
21 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
(RESPEITAM o princípio nonagesimal), são eles: 
 (i) IPI; 
 (ii) Casos de redução e restabelecimento das alíquotas da CIDE 
Combustível e do ICMS Combustível (artigos 155, §4º, IV, “c”, e 177, 
§4º, I, “b”, da CF); 
 (iii) Contribuição Social (artigo 195, §6º, da CF). 
Não respeitar a anterioridade do exercício, mas respeitar o princípio da 
anterioridade nonagesimal, os 90 dias, significa que a cobrança do tributo 
não precisará aguardar o próximo exercício, no próximo ano, mas só 
poderá ser cobrado após os 90 dias da publicação da lei. 
c) Existem tributos que devem respeitar o princípio da anterioridade 
(RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício), mas não 
precisam respeitar os 90 dias (NÃO RESPEITAM o princípio 
nonagesimal), são: 
 (i) IR; 
 (ii) alteração de Base de cálculo do IPTU e do IPVA. 
Dizer que esses tributos respeitam a anterioridadedo exercício e não 
respeitam os 90 dias significa que, se um tributo for instituído ou majorado 
no dia 20 de dezembro de 2019, não poderá ser exigido no dia 21 de 
dezembro de 2019, mas poderá ser cobrado no dia 1º de janeiro de 2020, 
pois respeitou a anterioridade do exercício, sem precisar respeitar os 90 
dias. 
Importante ressaltar que o artigo 150, III, “b” e “c”, no que se refere aos 
princípios da anterioridade do exercício e da anterioridade nonagesimal, 
só se aplica no caso de instituição ou majoração de tributo. 
A mudança da data do prazo de pagamento do tributo não está sujeita 
ao princípio da anterioridade. 
Nesse contexto, atente-se para a Súmula Vinculante nº 50: “Norma legal 
que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita 
ao princípio da anterioridade”. 
 
22 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
 
 
 
QUESTÃO 02 - (FGV - Exame de Ordem 2018.2– OAB XXVI). 
Em março de 2016, o Município X publicou lei instituindo novos critérios de 
apuração e ampliando os poderes de investigação das autoridades 
administrativas. Com base nessa nova orientação, em outubro do mesmo ano, 
o fisco municipal verificou a ausência de declaração e recolhimento de valores 
do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN devidos pela pessoa 
jurídica Y, referentes ao ano-calendário 2014; diante dessa constatação, lavrou 
auto de infração para cobrança dos valores inadimplidos. 
No que tange à possibilidade de aplicação da nova legislação ao presente caso, 
assinale a afirmativa correta. 
 
A) É inaplicável, pois não respeitou o princípio da anterioridade anual. 
B) É inaplicável, pois o fisco somente poderia lavrar o auto de infração com base 
nos critérios de apuração previstos em lei vigente no momento da ocorrência do 
fato gerador. 
C) É aplicável, pois a legislação que institui novos critérios de apuração e 
amplia poderes de investigação das autoridades administrativas aplica-se 
aos lançamentos referentes a fatos geradores ocorridos antes de sua 
vigência. 
D) É aplicável, pois foi observado o princípio da anterioridade nonagesimal 
 
 
PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE 
O legislador constituinte, ao estabelecer o Princípio da Irretroatividade, 
nos termos do artigo 150, III, “a”, da CF, invocou uma garantia maior ao 
contribuinte, que ultrapassa a proteção ao direito adquirido e ao ato 
jurídico perfeito, posto que proíbe a tributação sobre fatos geradores não 
introduzidos anteriormente em lei, o que permite ao contribuinte a 
faculdade de evitá-la, se assim desejar, pela privação, na prática, do ato 
ensejador da tributação. 
 
23 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao 
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios: 
(...) 
III – cobrar tributos: 
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência 
da lei que os houver instituído ou aumentado; 
O Princípio da Irretroatividade se revela como instrumento de 
otimização da segurança jurídica, pelo fato de conferir ao contribuinte uma 
maior certeza do que efetivamente será tributado. Tudo isso em virtude de 
previamente estabelecer em lei as situações relevantes na relação jurídico-
tributária que ensejarão a tributação, assegurando-se, assim, a 
impossibilidade de o sujeito passivo se deparar com exações que 
considere atos, fatos ou situações do passado. 
O Código Tributário Nacional prevê três exceções ao princípio da 
irretroatividade, conforme se verifica nos artigos 106, I e II, e 144, §1º. 
O artigo 106 do CTN prevê duas situações em que a lei tributária poderá 
retroagir: 
A primeira possibilidade é quando se tratar de lei expressamente 
interpretativa e desde que não comine penalidade; e, a segunda é quando 
houver ato NÃO definitivamente julgado, quando verificadas as hipóteses 
do artigo 106, II, do CTN: 
Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 
I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, 
excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos 
interpretados; 
II – tratando-se de ato não definitivamente julgado: 
a) quando deixe de defini-lo como infração; 
b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de 
ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha 
implicado falta de pagamento de tributo; 
 
24 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei 
vigente ao tempo da sua prática. 
Da leitura do artigo 106, I, do CTN, constata-se que a lei expressamente 
interpretativa, desde que não comine penalidade, poderá retroceder. 
Registre-se que uma lei interpretativa apenas esclarece o sentido de 
outra anterior, elidindo dúvidas a seu respeito, sem, contudo, inovar a 
ordem jurídica. Havendo qualquer agravação na situação do contribuinte, 
será considerada ofensiva ao Princípio da Irretroatividade das leis. 
Na hipótese do artigo 106, II, do CTN, a lei tributária somente poderá 
retroagir em se tratando de ato não definitivamente julgado e quando a lei 
deixar de tratá-lo como infração ou cominar penalidade menos severa. 
Em direito tributário considera-se penalidade como MULTA, qualquer 
que seja sua natureza, de mora ou de infração! 
Não poderá retroagir, no entanto, a lei que reduzir o tributo, como no 
caso de redução de alíquotas, pois o que vale é a regra do caput do artigo 
144 do CTN, ou seja, a lei da época do fato gerador. 
Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador 
da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que 
posteriormente modificada ou revogada. 
A terceira possibilidade é a previsão no artigo 144, §1º, do CTN: em se 
tratando de lançamento tributário, lei que instituir novos critérios de 
apuração ou fiscalização, ampliando os poderes de investigação das 
autoridades administrativas poderá retroagir. 
Para fixar: a lei tributária NÃO pode retroagir, salvo em três situações: 
EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE 
1) Em se tratando de lei expressamente interpretativa, desde 
que não comine penalidade (art. 106, I, do CTN); 
2) Em se tratando de ato não definitivamente julgado, 
quando uma nova lei exclui infrações ou reduza penalidades 
 
25 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
(art. 106, II, do CTN); 
3) Em se tratando de lançamento, quando vier uma lei que 
crie novos critérios de fiscalização ou apuração (art. 144, 
§1º, do CTN). 
 
 
 
QUESTÃO 03 - (FGV - Exame de Ordem 2019.2 – OAB XXIX) 
O Chefe do Executivo do Município X editou o Decreto 123, em que corrige o 
valor venal dos imóveis para efeito de cobrança do Imposto Predial e Territorial 
Urbano (IPTU), de acordo com os índices inflacionários anuais de correção 
monetária. 
No caso narrado, a medida: 
 
A) fere o princípio da legalidade, pois a majoração da base de cálculo somente 
pode ser realizada por meio de lei em sentido formal. 
B) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a majoração da base de 
cálculo do IPTU dispensa a edição de lei em sentido formal. 
C) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a atualização 
monetária da base de cálculo do IPTU pode ser realizada por meio de 
decreto. 
D) fere o princípio da legalidade, pois a atualização monetária da base de cálculo 
do IPTU não dispensa a edição de lei em sentido formal. 
 
 
PRINCÍPIO DA LEGALIDADE 
Nos termos do artigo 150, I, da CF, nenhum tributo será instituído ou 
aumentado, a não ser por intermédio de LEI! 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao 
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios: 
 
26 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
I – exigirou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; 
A lei deve conter todos os elementos e supostos da norma jurídica 
tributária (hipótese de incidência, sujeitos da relação jurídico-tributária, 
bases de cálculo e alíquotas), não cabendo qualquer complementação por 
ato de inferior hierarquia. 
Como bem elucida Roque Antônio Carrazza: 
A lei deve indicar, de modo rigoroso, a realidade a tributar, fazendo, 
assim, uma precisa, taxativa e exaustiva tipificação dos fatos 
necessários e suficientes ao nascimento do tributo. Não lhe é dado 
apontar conceitos indeterminados, fórmulas abertas ou cláusulas 
gerais, que permitam, de acordo com o subjetivismo do aplicador, a 
identificação de múltiplas situações tributáveis. Pelo contrário, este 
deve encontrar na lei tributária (nunca em normas de menor 
hierarquia) o fundamento de sua conduta e o próprio critério da 
decisão a tomar, diante do caso concreto. Em suma, a lei tributária 
deve ser certa, detalhando as figuras exacionais e o modo de apurar 
eventuais infrações que, em torno delas, possam ocorrer (op. cit., p. 
273) 
Ainda que o artigo 150, I, da CF determine que somente uma lei poderá 
instituir ou majorar tributos, eles também só poderão ser reduzidos ou 
extintos do ordenamento jurídico por meio de lei. 
Em atenção ao Princípio do Paralelismo das Formas, uma matéria que 
foi tratada por um ato normativo só poderá ser alterada por um ato 
normativo de igual hierarquia ou de hierarquia superior. 
Essa previsão encontra-se também no artigo 97 do CTN: 
Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: 
I – a instituição de tributos, ou a sua extinção; 
II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto 
nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65. 
(...) 
 
27 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
De acordo com o artigo 97, §1º, do CTN, considera-se majoração de 
tributo a modificação da base de cálculo de forma a torná-lo mais oneroso. 
Ressalta-se, todavia, que a mera atualização do valor monetário da 
respectiva base de cálculo NÃO constitui majoração de tributo, nos termos 
do artigo 97, §2º, do CTN, podendo ser realizada por meio de simples 
Decreto. 
No entanto, se a “atualização monetária” ocorrer com índices 
superiores ao oficial, não se tem uma mera atualização de valores, e sim 
uma majoração da base de cálculo disfarçada e, por isso, nesse caso, o 
instrumento normativo necessário será a Lei. 
Nesse aspecto, verifique o texto da Súmula nº 160 do STJ: “É defeso, 
ao Município, atualizar o IPTU, mediante Decreto, em percentual superior 
ao índice oficial de correção monetária”. 
De acordo com o artigo 97 do CTN, há outras matérias que só podem 
ser tratadas por meio de lei, tais como: (i) a definição do fato gerador da 
obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do 
artigo 52, e do seu sujeito passivo; (ii) a fixação de alíquota do tributo e da 
sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; 
(iii) a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a 
seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; (iv) as hipóteses 
de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa 
ou redução de penalidades. 
Atenuação do Princípio da Legalidade 
Todos os tributos estão sujeitos ao Princípio da Legalidade, ou seja, só 
podem ser instituídos ou majorados por intermédio de lei. 
Conquanto a Constituição Federal, em seu artigo 153, §1º, prevê alguns 
impostos que podem ter as alíquotas alteradas (inclusive majoradas), 
desde que observados os limites e condições estabelecidos em lei, por 
meio de ato do Poder Executivo, o que se dá comumente por decreto 
presidencial ou por portaria do Ministro da Fazenda. São eles: (i) Imposto 
sobre a Importação (II); (ii) Imposto sobre a Exportação (IE); (iii) Imposto 
 
28 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
sobre produtos Industrializados (IPI); (iv) Imposto sobre Operações de 
Crédito, Câmbio e Seguros (IOF). 
Art. 153. (...) 
§1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os 
limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos 
enumerados nos incisos I, II, IV e V. 
As alíquotas dos impostos aduaneiros, II e IE, podem ser alteradas, 
inclusive, por meio de Resolução da Câmara de Comércio Exterior – 
CAMEX. 
O artigo 177, §4º, I, “b”, da CF também possibilita ao Poder Executivo 
reduzir e restabelecer as alíquotas da Contribuição de Intervenção no 
Domínio Econômico Combustível – CIDE COMBUSTÍVEL – por meio de ato 
próprio, no caso, o decreto presidencial. 
O artigo 155, §4º, IV, “c”, da CF possibilita ao Poder Executivo reduzir e 
restabelecer as alíquotas do ICMS, incidência monofásica, nas operações 
com combustíveis e lubrificantes previstos em lei complementar federal. 
Para visualizar: 
ALÍQUOTAS POR MEIO DE ATOS 
DO PODER EXECUTIVO 
DECRETO 
CONVÊNIO 
(CONFAZ) 
ALTERAR (MAJORAR, REDUZIR E 
RESTABELECER) 
II, IE, IPI e 
IOF 
 
REDUZIR E RESTABELECER CIDE 
Combustív
el 
ICMS 
Combustív
el 
 
 
 
QUESTÃO 05 - (FGV - Exame de Ordem 2022.3 – OAB XXXVI) 
A Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou, em 2022, auto de infração de 
um milhão de reais em face da sociedade empresária Maçã Ltda. por não ter 
 
29 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
recolhido o Imposto de Importação (II) e a Contribuição Social Sobre Lucro 
Líquido (CSLL) referentes ao ano de 2021, incidentes sobre a comercialização 
de livros eletrônicos (ebooks) por ela importados e comercializados no país. O 
departamento jurídico da sociedade autuada contrata você, como advogado(a), 
para emitir parecer para fundamentar sua defesa. 
Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. 
 
A) O II e a CSLL são indevidos, pois os livros eletrônicos (e-books) se 
enquadram na imunidade tributária dos livros. 
B) Apenas o II é indevido, pois os livros eletrônicos (e-books) se 
enquadram na imunidade tributária dos livros. 
C) Apenas a CSLL é indevida, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram 
na imunidade tributária dos livros. 
D) O II e a CSLL são devidos, pois os livros eletrônicos (e-books) não se 
enquadram na imunidade tributária dos livros. 
 
 
QUESTÃO 06 - (FGV - Exame de Ordem 2022.3 – OAB XXXVI) 
A Assembleia Legislativa do Estado Beta irá votar, em 2022, um projeto de lei 
ordinária para a criação de sua própria contribuição social previdenciária, para 
custeio do regime próprio de previdência social estadual, a ser cobrada dos seus 
servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas. Antes, porém, submete 
o referido projeto de lei ordinária para análise da Comissão de Constituição e 
Justiça daquela Casa Legislativa, para emissão de parecer sobre a 
constitucionalidade daquele tributo. 
Diante desse cenário, a referida contribuição social previdenciária 
 
A) poderia ser criada por lei ordinária e ser cobrada de servidores ativos, 
dos aposentados e dos pensionistas. 
B) poderia ser criada por lei ordinária, mas só poderia ser cobrada de servidores 
ativos. 
C) não poderia ser criada por lei ordinária, mas poderia ser cobrada de 
servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas. 
 
30 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
D) não poderia ser criada por lei ordinária e só poderia ser cobrada de servidores 
ativos. 
 
 
QUESTÃO 07 - (FGV - Exame de Ordem 2023.2 – OAB XXXVIII) 
A Sociedade Empresária ABC Ltda. adquiriu no exterior um lote de dez mil 
unidades de um determinado perfume francês. Antes da chegada das 
mercadorias ao porto, foi publicado no Diário Oficial da União, em 20/04/2023, 
um decreto editado pelo Poder Executivo Federal majorando imediatamente a 
alíquota do Imposto sobre a Importação de perfumes de 20% para 30%, 
prevendo expressamente sua vigência eprodução de efeitos a partir da data de 
sua publicação. Em 30/04/2023, as mercadorias finalmente chegam ao porto no 
Brasil, devendo agora a empresa realizar o desembaraço aduaneiro. 
Preocupada com possível prejuízo decorrente do aumento inesperado do custo 
da mercadoria devido à elevação do imposto de importação, a sociedade 
empresária procura você, como advogado(a), indagando sobre a validade 
daquele decreto. 
Diante deste cenário, assinale a afirmativa correta. 
 
A) A elevação desta alíquota por decreto violou o princípio da legalidade 
tributária. 
B) O prazo previsto para produção de efeitos da elevação de alíquota violou o 
princípio da anterioridade tributária nonagesimal. 
C) Embora tal imposto seja classificado como extrafiscal, deve obediência ao 
princípio da anterioridade tributária anual. 
D) A majoração dessa alíquota e a sua produção de efeitos imediata são 
válidas. 
 
 
QUESTÃO 08 - Assinale a alternativa CORRETA. 
 
A) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), a imunidade 
tributária dos templos de qualquer culto alcança as lojas maçônicas. 
 
31 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
B) A imunidade tributária endereçada aos livros e periódicos não alcança, no 
entendimento do STF, álbuns de figurinhas. 
C) Têm imunidade tributária fonogramas e videofonogramas musicais 
produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de 
autores brasileiros e/ou obras em geral, interpretadas por artistas 
brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os 
contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de 
leitura a laser. 
D) Não têm imunidade tributária recíproca as autarquias e fundações instituídas 
e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos 
serviços vinculados às suas finalidades essenciais. 
 
 
Imunidades 
Classe finita e imediatamente determinável de normas jurídicas, contida 
no texto da Constituição Federal, e que estabelece, de modo expresso, a 
incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para 
expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações 
específicas e suficientemente caracterizadas.1 
A imunidade tributária dá-se, em resumo, quando a Constituição veda 
a criação de tributos, por meio da incompetência das pessoas políticas, 
sobre determinadas situações ou sobre certos sujeitos, com a finalidade 
de preservar valores de grande interesse nacional, tais como: a 
manutenção das entidades federadas, o exercício das atividades 
religiosas, da democracia, das instituições educacionais, assistenciais e o 
acesso às informações. 
Não se confunde imunidade com isenção ou não incidência. 
A imunidade impede a incidência do tributo porque a CONSTITUIÇÃO 
FEDERAL assim determina. 
 
1. CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário, 21. ed. Saraiva: São Paulo. 2009. p. 202. 
 
32 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
Já a isenção consiste na LEI que determina que certas situações ou 
determinados sujeitos não serão tributados. 
A não incidência abrange as situações não descritas na lei como sendo 
tributadas. Por exemplo: as bicicletas não são hipótese de incidência 
tributária do IPVA. O legislador estadual estabeleceu como fato gerador do 
IPVA os veículos automotores. Assim, as bicicletas não devem pagar IPVA, 
pois estão fora do campo de incidência tributária, sendo este um caso de 
não incidência. 
As regras de imunidade têm foro exclusivo na Constituição, porque são 
regras (ainda que negativas) de competência tributária. 
As imunidades tributárias alcançam várias espécies tributárias, como 
os impostos, taxas, contribuição social, contribuição de intervenção no 
domínio econômico (CIDE). Inexistem, todavia, imunidades previstas para 
as contribuições de melhoria e empréstimos compulsórios. 
Existem imunidades genéricas e específicas. 
As imunidades específicas são relativas a um único tributo, diante de 
conveniências especiais, como, por exemplo, a imunidade do artigo 149, 
§2º, I, da CF, que trata sobre a não incidência da Contribuição Social e da 
Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre receitas 
decorrentes de exportação. 
As imunidades genéricas estão previstas no artigo 150, VI, da CF e 
referem-se apenas aos Impostos. As pessoas e situações previstas no 
artigo 150, VI, da CF não devem pagar apenas os impostos, devendo pagar 
as demais espécies tributárias, como as taxas, contribuição de melhoria, 
contribuições e empréstimo compulsório. 
IMUNIDADES RECÍPROCAS 
A imunidade tributária recíproca, prevista no artigo 150, VI, “a”, da CF, 
veda a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem 
impostos sobre o patrimônio, renda e serviços um dos outros. 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao 
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
 
33 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
Municípios: 
(...) 
VI – instituir impostos sobre: 
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; 
De acordo com os §§2º e 3º do artigo 150 da CF, a imunidade recíproca 
é extensiva às AUTARQUIAS e às FUNDAÇÕES PÚBLICAS, desde que 
cumpram 4 requisitos: 
(i) As finalidades essenciais ou qualquer uma delas decorrentes; 
(ii) Sejam instituídas e mantidas pelo Poder Público; 
(iii) Não cobrem preços e nem tarifas; 
(iv) Não entrem na concorrência privada. 
Urge destacar que a imunidade recíproca alcança somente as 
Autarquias e Fundações Públicas. As empresas públicas e sociedades de 
economia mista, por serem detentoras de personalidade jurídica de direito 
privado, não gozam de imunidade tributária; por essa razão, haverá normal 
incidência tributária sobre essas últimas. 
No entanto, o Supremo Tribunal Federal tem entendido que algumas 
empresas públicas, bem como algumas sociedades de economia mista, 
são merecedoras da regra imunizante, quando prestam serviço público de 
caráter obrigatório e de forma exclusiva. 
Cita-se como exemplo a ECT – Empresa de Correios e Telégrafos, 
empresa pública que tem imunidade tributária. 
Em fevereiro de 2007, o STF, na Ação Cautelar nº 1.550-2, reconheceu 
também a imunidade da sociedade de economia mista – CAERD, 
Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia. 
A Constituição estabelece que a regra imunizante NÃO exonera o 
promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao 
bem imóvel. 
CF – Art. 150 (...) §3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo 
anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, 
 
34 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas 
normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja 
contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem 
exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto 
relativamente ao bem imóvel. 
Imunidades Recíprocas e os Impostos Indiretos 
Por impostos indiretos têm-se aqueles que admitem o repasse do 
encargo financeiro para o próximo da cadeia. Por exemplo, IPI e ICMS. 
Em uma relação jurídico-tributária referente aos impostos indiretos 
existe o contribuinte de direito, que deve recolher o tributo, por ter 
praticado o fato gerador ou pela lei ter-lhe atribuído essa condição, e o 
contribuinte de fato, que suportou o encargo financeiro, geralmente é o 
consumidor final. 
Assim, o industrial que realiza a operação de industrialização do 
produto deve recolher o IPI por ter praticado o fato gerador, ele é o 
contribuinte de direito (de jure). No entanto, o industrial embute o IPI que 
teve que recolher no valor do preço do produto industrializado, repassando 
esse ônus para o consumidor final, quesuporta o encargo financeiro do 
imposto e é denominado contribuinte de fato. 
Nesse sentido, o STF2 tem entendido que o Ente Federativo somente 
terá direito à imunidade tributária se estiver na condição de contribuinte de 
direito; se for contribuinte de fato, não terá imunidade tributária. 
Assim, se o Ente Federativo industrializar o produto, terá imunidade: 
não irá precisar pagar o IPI, ainda que pudesse repassar o encargo 
financeiro para outra pessoa. 
No entanto, quando o Ente Federativo é o consumidor final, não poderá 
alegar sua imunidade para não pagar o preço do produto com o tributo 
embutido, pois nesse caso ele estará como contribuinte de fato. 
IMUNIDADE DOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO 
 
2. AI 805295 AgR/MG, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, DJ de 02/12/2010. 
 
35 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
O artigo 150, VI, “b”, da CF veda os Entes Federativos de instituírem 
IMPOSTOS sobre os templos de qualquer culto. 
A expressão “templos de qualquer culto” deve ser interpretada de 
forma ampla, abrangendo todas as formas de expressão de religiosidade. 
Só não irá abranger os templos de inspiração demoníaca, nem cultos 
satânicos e suas instituições, por contrariar a teleologia do texto 
constitucional. Portanto, deve haver valores morais e religiosos. 
A imunidade dos templos de qualquer culto visa tutelar a liberdade 
religiosa e, por essa razão, tudo que estiver em nome da instituição 
religiosa e cumprir sua finalidade essencial terá imunidade, ou seja, não 
terá que pagar impostos. 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao 
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios: 
(...) 
(...) 
§4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas “b” e “c”, 
compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, 
relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas 
mencionadas. 
Nessa perspectiva, NÃO haverá incidência, por exemplo, do IPTU sobre 
o local onde é celebrado o culto, nem mesmo sobre a casa paroquial, 
estacionamentos em nome da instituição ou sobre o convento; NÃO 
incidirá IPVA sobre o veículo do religioso utilizado no trabalho eclesiástico; 
NÃO incidirá ITBI sobre o imóvel adquirido pela entidade religiosa 
destinada às suas finalidades essenciais; NÃO incide IR sobre as doações, 
dízimos recebidos pela instituição, nem sobre as aplicações financeiras 
dos templos, desde que sejam destinadas para o cumprimento de suas 
finalidades. Ademais, NÃO incide ISS sobre os serviços religiosos. 
Os imóveis de propriedade da Entidade religiosa locados para 
terceiros, desde que os aluguéis sejam usados como fonte de custeio para 
cumprir suas finalidades essenciais, NÃO pagarão IPTU. 
 
36 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
O STF, ao julgar o RE nº 562351, entendeu que maçonaria não é religião; 
trata-se apenas de um estilo de vida em que as pessoas se ajudam 
mutuamente e, por essa razão, não tem direito à imunidade tributária. 
IMUNIDADE SUBJETIVA 
A imunidade do artigo 150, VI, “c”, da CF visa tutelar a liberdade política, 
a liberdade sindical e estimular colaboradores do Estado na prestação de 
serviços de assistência social, desde que sem finalidade lucrativa. Tal 
imunidade refere-se a certas pessoas, razão por que é chamada de 
imunidade subjetiva. 
São 4 pessoas que, nos termos desse dispositivo constitucional, não 
irão pagar impostos sobre suas rendas, patrimônio e serviços: 
(i) Entidades de Assistência Social Sem Fins Lucrativos; 
(ii) Entidade de Educação Sem fins Lucrativos; 
(iii) Partidos Políticos e Suas Fundações; e 
(iv) Sindicato dos Trabalhadores. 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao 
contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 
Municípios 
(...) 
VI – instituir impostos sobre: 
(...) 
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas 
fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das 
instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, 
atendidos os requisitos da lei; 
A parte final do artigo 150, VI, “c”, da CF estabelece que essas pessoas 
somente terão direito à imunidade tributária se atenderem aos requisitos 
estabelecidos em lei. 
Nesse aspecto, o artigo 14 do CTN prevê três requisitos que devem ser 
cumpridos pelas 4 pessoas jurídicas acima para poderem gozar da 
 
37 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
imunidade aludida. São eles: 
(i) Não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas 
rendas, a qualquer título; 
(ii) Aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção 
dos seus objetivos institucionais; 
(iii) Manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros 
revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. 
Ressalta-se, ainda, que os Partidos Políticos, além de cumprirem os 
requisitos do artigo 14 do CTN, devem cumprir mais dois requisitos: i) 
estarem devidamente registrados no Tribunal Superior Eleitoral (artigo 17, 
§2º, da CF) e ii) não atentarem contra os costumes e princípios do Estado 
brasileiro. 
Nos termos da Súmula Vinculante nº 52, todas as pessoas do artigo 150, 
VI, “c”, da CF (entidade de assistência social sem fins lucrativos, entidades 
de educação sem fins lucrativos, partidos políticos e suas fundações e 
sindicato dos trabalhadores), ainda que tenham imóveis locados para 
terceiros, não irão pagar IPTU desses imóveis, desde que utilizem o valor 
dos aluguéis para cumprimento de suas finalidades essenciais. 
Súmula Vinculante nº 52. Ainda quando alugado a 
terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a 
qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da CF, 
desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades 
para as quais tais entidades foram constituídas. 
 
Quanto às Entidades de Assistência Social, é oportuno salientar que 
são aquelas que auxiliam o Estado no atendimento dos direitos sociais, 
tais como: saúde, segurança, maternidade, trabalho. Por essa razão, 
afirma-se que cumprir assistência social é respeitar o artigo 203 da CF. As 
entidades que cumprirem o artigo 203 da CF e não visarem a lucro, assim 
como as entidades beneficentes, as Organizações não Governamentais 
(ONGs), dentre outras, terão a imunidade tributária prevista no artigo 150, 
 
38 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
VI, “c”, da CF. 
O STF reconheceu que as entidades fechadas de previdência privada 
que NÃO exigirem de seus associados contribuições para custeio do 
benefício também têm direito à imunidade a que se refere o artigo 150, VI, 
“c”, da CF. (Súmula nº 730 STF). 
Ressalta-se, ainda, que as entidades de assistência social sem fins 
lucrativos, além de serem imunes ao pagamento de impostos, também 
gozam de imunidade das contribuições sociais, nos termos do artigo 195, 
§7º da CF. 
Art. 195. (...) 
§7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades 
beneficentes de assistência social que atendam às exigências 
estabelecidas em lei. 
O §7º do artigo 195 da CF/1988 traz dois requisitos para o gozo da 
imunidade: a) que se trate de pessoa jurídica que desempenhe atividades 
beneficentes de assistência social; e b) que esta entidade atenda a 
parâmetros previstos na lei. 
 IMUNIDADE OBJETIVA 
O artigo 150, VI, “d”, da CF trata da imunidade objetiva, que proíbe a 
União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem 
impostos sobre alguns objetos, tais como livros, jornais, periódicos e o 
papel destinado à sua impressão. Sobre estes objetos não irão incidir o 
ICMS – quando saem do estabelecimento comercial, IPI – quando saem da 
indústria e II – se houver a importação. 
As pessoas jurídicas, como gráfica, editoras elivrarias, não gozam de 
imunidade, por isso terão que recolher os impostos incidentes sobre as 
suas atividades, como IR pelos rendimentos auferidos pela venda dos 
livros e o IPTU relativo aos imóveis em que são impressos os livros e 
periódicos. 
A imunidade anteriormente referida visa possibilitar o acesso à cultura 
e à informação e sua finalidade é baratear o custo dos livros, jornais, 
 
39 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
periódicos e papéis destinados à impressão. 
Terão imunidade os livros que transmitirem pensamentos e ideias 
formalmente orientadas, independentemente do conteúdo. 
O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a imunidade dos álbuns de 
figurinhas e das apostilas e, recentemente, ao julgar o RE 330817 
reconheceu também a imunidade dos livros eletrônicos, bem como dos 
aparelhos leitores de livros eletrônicos ou e-readers, confeccionados 
exclusivamente para esse fim, ainda que eventualmente estejam equipados 
com funcionalidades acessórias que auxiliem a leitura digital como acesso 
à internet para download de livros, possibilidade de alterar tipo e tamanho 
de fonte e espaçamento. 
Nesse sentido, temos a súmula vinculante nº 57: 
A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da 
CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no 
mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes 
exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de 
livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam 
funcionalidades acessórias. 
 
Com relação aos periódicos e jornais, somente perderão a imunidade 
se apresentarem cunho eminentemente publicitário, sem qualquer 
destinação à cultura e à educação, como os encartes e catálogos. 
A lista telefônica tem imunidade tributária por ter utilidade pública. 
De acordo com o entendimento do STF, a imunidade objetiva alcança 
também os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de 
jornais e periódicos (Súmula nº 657). 
Ainda sobre a imunidade objetiva, vale mencionar que o STF, ao julgar 
o RE nº 330817, em março de 2017, entendeu pela imunidade dos livros 
eletrônicos, bem como para os suportes para leitura. Defendeu-se que a 
teleologia da imunidade contida no artigo 150, VI, “d”, da Constituição, 
aponta para a proteção de valores, princípios e ideias de elevada 
 
40 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
importância, tais como a liberdade de expressão, voltada à democratização 
e à difusão da cultura; a formação cultural do povo indene de 
manipulações; a neutralidade, de modo a não fazer distinção entre grupos 
economicamente fortes e fracos, entre grupos políticos etc.; a liberdade de 
informar e de ser informado; o barateamento do custo de produção dos 
livros, jornais e periódicos, de modo a facilitar e estimular a divulgação de 
ideias, conhecimentos e informações. Por isso, considerou que a 
imunidade objetiva, desse dispositivo legal, alcança os aparelhos leitores 
de livros eletrônicos (ou e-readers) confeccionados exclusivamente para 
esse fim, ainda que, eventualmente, estejam equipados com 
funcionalidades acessórias ou rudimentares que auxiliam a leitura digital, 
tais como dicionário de sinônimos, marcadores, escolha do tipo e do 
tamanho 
da fonte etc. 
 
Nesse sentido a súmula vinculante nº 57: "A imunidade tributária 
constante do art. 150, VI, “d”, da CF/88 aplica-se a importação e 
comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos 
suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo, como os leitores de livros 
eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias". 
 
 
IMUNIDADE DOS CDS E DVDS 
A EC nº 75 incluiu a alínea “e” no artigo 150, VI, da CF que estabelece 
imunidade para: 
Fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil 
contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou 
obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os 
suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa 
de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. 
Assim, os CDs e DVDs produzidos no Brasil com obras musicais ou 
 
41 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
literomusicais de autores nacionais não irão pagar impostos. 
Também há imunidade para as obras em geral interpretadas por 
artistas brasileiros e as mídias ou os arquivos digitais que as 
contenham. Logo, a imunidade alcança as músicas comercializadas 
pela internet, além dos downloads de ringtones de telefones celulares. 
 
 
MATERIAL REVISÃO FINAL 
 
PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE 
 
O tributo que for instituído ou majorado em determinado exercício financeiro 
(coincide com o ano civil, inicia no dia 1º de janeiro e se encerra no dia 31 
de dezembro), somente poderá ser exigido no próximo exercício e desde 
que tenham transcorridos 90 dias da data da publicação da lei que houver 
instituído ou majorado o tributo (artigo 150, III, “b” e “c”, da CF). 
Assim, se o Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza (ISS) for majorado em 
janeiro de 2019, somente poderá ser exigido em 1º de janeiro de 2020, 
próximo exercício financeiro. 
Agora, se o ISS for majorado no dia 1º de dezembro de 2019, não poderá ser 
exigido no dia 1º de janeiro de 2020, mesmo que seja o próximo exercício 
financeiro, pois ainda não transcorreram os 90 dias da data da publicação 
da lei que majorou o tributo. Esse tributo só poderá ser cobrado em março 
de 2020, quando transcorridos os 90 dias da data da publicação. 
Ocorre, no entanto, que nem todos os tributos precisam respeitar o princípio da 
anterioridade. Existem várias exceções a esse princípio, previstas nos 
artigos 150, §1º; 155, §4º, IV, “c”; 177, §4º, I, “b”, e 195, §6º, da CF. 
 
a) Tributos que não precisam aguardar o próximo exercício (NÃO 
RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício) nem os 90 dias 
(NÃO RESPEITAM o princípio nonagesimal), ou seja, o tributo pode 
 
42 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
ser cobrado: IMEDIATAMENTE!!!! São eles: 
 (i) Imposto Extraordinário de Guerra (IEG); 
 (ii) Empréstimo Compulsório de Guerra ou de Calamidade Pública; 
 (iii) Imposto sobre Importação (II); 
 (iv) Imposto sobre Exportação (IE); 
 (v) Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). 
 
Os tributos referentes à guerra, como o caso do imposto Extraordinário de 
Guerra e o Empréstimo Compulsório de Guerra ou de Calamidade Pública, 
não precisam respeitar nenhum princípio da anterioridade, devido ao fato 
da necessidade da sua cobrança. Caso haja uma guerra, o Brasil precisará 
urgentemente de dinheiro, não pode aguardar o próximo exercício, bem 
como os 90 dias para cobrar o referido tributo. Por essa razão, esses 
tributos de guerra são cobrados imediatamente. 
Com relação ao II, ao IE e ao IOF, por serem impostos regulatórios de mercado, 
apresentam o caráter de extrafiscalidade, não é razoável aguardar o 
próximo exercício para a efetiva cobrança. Por isso, também são exceções 
aos princípios da anterioridade do exercício e da anterioridade 
nonagesimal. Caso ocorra uma majoração, a cobrança poderá ser 
imediata. 
 
 
b) Existem tributos, no entanto, que não precisam aguardar o próximo 
exercício (NÃO RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício), 
mas precisam aguardar os 90 dias, para serem exigidos (RESPEITAM 
o princípio nonagesimal), são eles: 
 (i) IPI; 
 (ii) Casos de redução e restabelecimento das alíquotas da CIDE 
Combustível e do ICMS Combustível (artigos 155, §4º, IV, “c”, e 177, 
§4º, I, “b”, da CF); 
 (iii) Contribuição Social (artigo 195, §6º, da CF). 
 
 
Não respeitar a anterioridade do exercício, mas respeitar o princípio da 
 
43 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 
anterioridade nonagesimal, os 90 dias, significa que a cobrança do tributo

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