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1 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI 2 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI https://api.whatsapp.com/send/?phone=558189695829&text&type=phone_number&app_absent=0 https://api.whatsapp.com/send/?phone=5515981572805&text&type=phone_number&app_absent=0 3 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI PRINCÍPIOS E IMUNIDADES – MATERIAL BASE E BATERIA 01 PRÉ- AULA 01 INSTRUÇÕES: 1 - LEIA O MATERIAL COM OS ARTIGOS 2 - FAÇA AS QUESTÕES PRÉ-AULA, 3 - ASSISTA A AULA DE CORREÇÃO, 4 - FAÇA A NOVA BATERIA DE QUESTÕES – TESTE SEU APRENDIZADO (A BATERIA DE QUESTÕES PÓS AULA SERVE PARA VER O QUANTO VOCÊ EVOLUIU) ARTIGOS BASE CF - Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; PRINCÍPIO DA LEGALIDADE II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos ou direitos; PRINCÍPIO DA ISONOMIA III - cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou; (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE DO EXERCÍCIO file:///C:/Users/User/Downloads/OAB%201%20FASE%20QUESTOES/aula%2002/para%20aquecimento%20revisão/Emendas/Emc/emc03.htm%23art2§2 4 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL IV - utilizar tributo com efeito de confisco; PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público; PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRÁFEGO VI - instituir impostos sobre: (Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; IMUNIDADE RECÍPROCA b) templos de qualquer culto; b) entidades religiosas e templos de qualquer culto, inclusive suas organizações assistenciais e beneficentes; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) IMUNIDADE DAS ENTIDADES RELIGIOSAS E TEMPLOS DE QUALQUER CULTO c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; IMUNIDADE SUBJETIVA d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. IMUNIDADE OBJETIVA https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1 file:///C:/Users/User/Downloads/OAB%201%20FASE%20QUESTOES/aula%2002/para%20aquecimento%20revisão/Emendas/Emc/emc03.htm%23art2§2 file:///C:/Users/User/Downloads/OAB%201%20FASE%20QUESTOES/aula%2002/para%20aquecimento%20revisão/Emendas/Emc/emc03.htm%23art2§2 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc132.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc132.htm#art1 5 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI e) fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. (Incluída pela Emenda Constitucional nº 75, de 15.10.2013) § 1º A vedação do inciso III, b, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, IV e V; e 154, II; e a vedação do inciso III, c, não se aplica aos tributos previstos nos arts. 148, I, 153, I, II, III e V; e 154, II, nem à fixação da base de cálculo dos impostos previstos nos arts. 155, III, e 156, I. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) § 2º A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo poder público e à empresa pública prestadora de serviço postal, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) § 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. § 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. § 5º - A lei determinará medidas para que os consumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e serviços. § 6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) § 7º A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc75.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc75.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc42.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc132.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc132.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/Emendas/Emc/emc03.htm#art1 6 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI CTN - Art. 97. Sòmente a lei pode estabelecer: I - a instituição de tributos, ou a sua extinção; II - a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos arts. 21, 26, 39, 57 e 65; III - a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do § 3º do art. 52, e do seu sujeito passivo;não precisará aguardar o próximo exercício, no próximo ano, mas só poderá ser cobrado após os 90 dias da publicação da lei. c) Existem tributos que devem respeitar o princípio da anterioridade (RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício), mas não precisam respeitar os 90 dias (NÃO RESPEITAM o princípio nonagesimal), são: (i) IR; (ii) alteração de Base de cálculo do IPTU e do IPVA. Dizer que esses tributos respeitam a anterioridade do exercício e não respeitam os 90 dias significa que, se um tributo for instituído ou majorado no dia 20 de dezembro de 2019, não poderá ser exigido no dia 21 de dezembro de 2019, mas poderá ser cobrado no dia 1º de janeiro de 2020, pois respeitou a anterioridade do exercício, sem precisar respeitar os 90 dias. Importante ressaltar que o artigo 150, III, “b” e “c”, no que se refere aos princípios da anterioridade do exercício e da anterioridade nonagesimal, só se aplica no caso de instituição ou majoração de tributo. A mudança da data do prazo de pagamento do tributo não está sujeita ao princípio da anterioridade. Nesse contexto, atente-se para a Súmula Vinculante nº 50: “Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade”. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE O legislador constituinte, ao estabelecer o Princípio da Irretroatividade, nos termos do artigo 150, III, “a”, da CF, invocou uma garantia maior ao contribuinte, que ultrapassa a proteção ao direito adquirido e ao ato jurídico 44 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI perfeito, posto que proíbe a tributação sobre fatos geradores não introduzidos anteriormente em lei, o que permite ao contribuinte a faculdade de evitá-la, se assim desejar, pela privação, na prática, do ato ensejador da tributação. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) III – cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; O Princípio da Irretroatividade se revela como instrumento de otimização da segurança jurídica, pelo fato de conferir ao contribuinte uma maior certeza do que efetivamente será tributado. Tudo isso em virtude de previamente estabelecer em lei as situações relevantes na relação jurídico-tributária que ensejarão a tributação, assegurando-se, assim, a impossibilidade de o sujeito passivo se deparar com exações que considere atos, fatos ou situações do passado. O Código Tributário Nacional prevê três exceções ao princípio da irretroatividade, conforme se verifica nos artigos 106, I e II, e 144, §1º. O artigo 106 do CTN prevê duas situações em que a lei tributária poderá retroagir: A primeira possibilidade é quando se tratar de lei expressamente interpretativa e desde que não comine penalidade; e, a segunda é quando houver ato NÃO definitivamente julgado, quando verificadas as hipóteses do artigo 106, II, do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha 45 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI implicado falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Da leitura do artigo 106, I, do CTN, constata-se que a lei expressamente interpretativa, desde que não comine penalidade, poderá retroceder. Registre-se que uma lei interpretativa apenas esclarece o sentido de outra anterior, elidindo dúvidas a seu respeito, sem, contudo, inovar a ordem jurídica. Havendo qualquer agravação na situação do contribuinte, será considerada ofensiva ao Princípio da Irretroatividade das leis. Na hipótese do artigo 106, II, do CTN, a lei tributária somente poderá retroagir em se tratando de ato não definitivamente julgado e quando a lei deixar de tratá-lo como infração ou cominar penalidade menos severa. Em direito tributário considera-se penalidade como MULTA, qualquer que seja sua natureza, de mora ou de infração! Não poderá retroagir, no entanto, a lei que reduzir o tributo, como no caso de redução de alíquotas, pois o que vale é a regra do caput do artigo 144 do CTN, ou seja, a lei da época do fato gerador. Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. A terceira possibilidade é a previsão no artigo 144, §1º, do CTN: em se tratando de lançamento tributário, lei que instituir novos critérios de apuração ou fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas poderá retroagir. Para fixar: a lei tributária NÃO pode retroagir, salvo em três situações: EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE 1) Em se tratando de lei expressamente interpretativa, desde que não comine penalidade (art. 106, I, do CTN); 2) Em se tratando de ato não definitivamente julgado, 46 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI quando uma nova lei exclui infrações ou reduza penalidades (art. 106, II, do CTN); 3) Em se tratando de lançamento, quando vier uma lei que crie novos critérios de fiscalização ou apuração (art. 144, §1º, do CTN). Imunidades A imunidade tributária dá-se, em resumo, quando a Constituição veda a criação de tributos, por meio da incompetência das pessoas políticas, sobre determinadas situações ou sobre certos sujeitos, com a finalidade de preservar valores de grande interesse nacional, tais como: a manutenção das entidades federadas, o exercício das atividades religiosas, da democracia, das instituições educacionais, assistenciais e o acesso às informações. Não se confunde imunidade com isenção ou não incidência. A imunidade impede a incidência do tributo porque a CONSTITUIÇÃO FEDERAL assim determina. Já a isenção consiste na LEI que determina que certas situações ou determinados sujeitos não serão tributados. A não incidência abrange as situações não descritas na lei como sendo tributadas. Por exemplo: as bicicletas não são hipótese de incidência tributária do IPVA. O legislador estadual estabeleceu como fato gerador do IPVA os veículos automotores. Assim, as bicicletas não devem pagar IPVA, pois estão fora do campo de incidência tributária, sendo este um caso de não incidência. As regras de imunidade têm foro exclusivo na Constituição, porque são regras (ainda que negativas) de competência tributária. As imunidades tributárias alcançam várias espécies tributárias, como os impostos, taxas, contribuição social, contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE). Inexistem, todavia, imunidades previstas para 47 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI as contribuições de melhoria e empréstimos compulsórios. Existem imunidades genéricas e específicas. As imunidades específicas são relativas a um único tributo, diante de conveniências especiais, como, por exemplo, a imunidade do artigo 149, §2º, I, da CF, que trata sobre a não incidência da Contribuição Social e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre receitas decorrentes de exportação. As imunidades genéricas estão previstas no artigo 150, VI, da CF e referem-se apenas aos Impostos. As pessoas e situações previstas no artigo 150, VI, da CF não devem pagar apenas os impostos,devendo pagar as demais espécies tributárias, como as taxas, contribuição de melhoria, contribuições e empréstimo compulsório. IMUNIDADES RECÍPROCAS A imunidade tributária recíproca, prevista no artigo 150, VI, “a”, da CF, veda a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem impostos sobre o patrimônio, renda e serviços um dos outros. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) VI – instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; De acordo com os §§2º e 3º do artigo 150 da CF, a imunidade recíproca é extensiva às AUTARQUIAS e às FUNDAÇÕES PÚBLICAS, desde que cumpram 4 requisitos: (i) As finalidades essenciais ou qualquer uma delas decorrentes; 48 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI (ii) Sejam instituídas e mantidas pelo Poder Público; (iii) Não cobrem preços e nem tarifas; (iv) Não entrem na concorrência privada. Urge destacar que a imunidade recíproca alcança somente as Autarquias e Fundações Públicas. As empresas públicas e sociedades de economia mista, por serem detentoras de personalidade jurídica de direito privado, não gozam de imunidade tributária; por essa razão, haverá normal incidência tributária sobre essas últimas. No entanto, o Supremo Tribunal Federal tem entendido que algumas empresas públicas, bem como algumas sociedades de economia mista, são merecedoras da regra imunizante, quando prestam serviço público de caráter obrigatório e de forma exclusiva. Cita-se como exemplo a ECT – Empresa de Correios e Telégrafos, empresa pública que tem imunidade tributária. Em fevereiro de 2007, o STF, na Ação Cautelar nº 1.550-2, reconheceu também a imunidade da sociedade de economia mista – CAERD, Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia. A Constituição estabelece que a regra imunizante NÃO exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. CF – Art. 150 (...) §3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Imunidades Recíprocas e os Impostos Indiretos Por impostos indiretos têm-se aqueles que admitem o repasse do encargo financeiro para o próximo da cadeia. Por exemplo, IPI e ICMS. Em uma relação jurídico-tributária referente aos impostos indiretos existe o contribuinte de direito, que deve recolher o tributo, por ter praticado o fato 49 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI gerador ou pela lei ter-lhe atribuído essa condição, e o contribuinte de fato, que suportou o encargo financeiro, geralmente é o consumidor final. Assim, o industrial que realiza a operação de industrialização do produto deve recolher o IPI por ter praticado o fato gerador, ele é o contribuinte de direito (de jure). No entanto, o industrial embute o IPI que teve que recolher no valor do preço do produto industrializado, repassando esse ônus para o consumidor final, que suporta o encargo financeiro do imposto e é denominado contribuinte de fato. Nesse sentido, o STF3 tem entendido que o Ente Federativo somente terá direito à imunidade tributária se estiver na condição de contribuinte de direito; se for contribuinte de fato, não terá imunidade tributária. Assim, se o Ente Federativo industrializar o produto, terá imunidade: não irá precisar pagar o IPI, ainda que pudesse repassar o encargo financeiro para outra pessoa. No entanto, quando o Ente Federativo é o consumidor final, não poderá alegar sua imunidade para não pagar o preço do produto com o tributo embutido, pois nesse caso ele estará como contribuinte de fato. IMUNIDADE DOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO O artigo 150, VI, “b”, da CF veda os Entes Federativos de instituírem IMPOSTOS sobre os templos de qualquer culto. A expressão “templos de qualquer culto” deve ser interpretada de forma ampla, abrangendo todas as formas de expressão de religiosidade. Só não irá abranger os templos de inspiração demoníaca, nem cultos satânicos e suas instituições, por contrariar a teleologia do texto constitucional. Portanto, deve haver valores morais e religiosos. A imunidade dos templos de qualquer culto visa tutelar a liberdade religiosa e, por essa razão, tudo que estiver em nome da instituição religiosa e cumprir sua finalidade essencial terá imunidade, ou seja, não terá que pagar impostos. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é 3. AI 805295 AgR/MG, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, DJ de 02/12/2010. 50 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) (...) §4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas “b” e “c”, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Nessa perspectiva, NÃO haverá incidência, por exemplo, do IPTU sobre o local onde é celebrado o culto, nem mesmo sobre a casa paroquial, estacionamentos em nome da instituição ou sobre o convento; NÃO incidirá IPVA sobre o veículo do religioso utilizado no trabalho eclesiástico; NÃO incidirá ITBI sobre o imóvel adquirido pela entidade religiosa destinada às suas finalidades essenciais; NÃO incide IR sobre as doações, dízimos recebidos pela instituição, nem sobre as aplicações financeiras dos templos, desde que sejam destinadas para o cumprimento de suas finalidades. Ademais, NÃO incide ISS sobre os serviços religiosos. Os imóveis de propriedade da Entidade religiosa locados para terceiros, desde que os aluguéis sejam usados como fonte de custeio para cumprir suas finalidades essenciais, NÃO pagarão IPTU. O STF, ao julgar o RE nº 562351, entendeu que maçonaria não é religião; trata- se apenas de um estilo de vida em que as pessoas se ajudam mutuamente e, por essa razão, não tem direito à imunidade tributária. IMUNIDADE SUBJETIVA A imunidade do artigo 150, VI, “c”, da CF visa tutelar a liberdade política, a liberdade sindical e estimular colaboradores do Estado na prestação de serviços de assistência social, desde que sem finalidade lucrativa. Tal imunidade refere-se a certas pessoas, razão por que é chamada de imunidade subjetiva. São 4 pessoas que, nos termos desse dispositivo constitucional, não irão pagar impostos sobre suas rendas, patrimônio e serviços: (i) Entidades de Assistência Social Sem Fins Lucrativos; (ii) Entidade de Educação Sem fins Lucrativos; 51 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI (iii) Partidos Políticos e Suas Fundações; e (iv) Sindicato dos Trabalhadores. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios (...) VI – instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; A parte final do artigo 150, VI, “c”, da CF estabelece que essas pessoas somente terão direito à imunidade tributária se atenderem aos requisitos estabelecidos em lei. Nesse aspecto, o artigo 14 do CTN prevê três requisitos que devem ser cumpridos pelas 4 pessoas jurídicas acima para poderem gozarda imunidade aludida. São eles: (i) Não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (ii) Aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; (iii) Manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ressalta-se, ainda, que os Partidos Políticos, além de cumprirem os requisitos do artigo 14 do CTN, devem cumprir mais dois requisitos: i) estarem devidamente registrados no Tribunal Superior Eleitoral (artigo 17, §2º, da CF) e ii) não atentarem contra os costumes e princípios do Estado brasileiro. 52 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Nos termos da Súmula Vinculante nº 52, todas as pessoas do artigo 150, VI, “c”, da CF (entidade de assistência social sem fins lucrativos, entidades de educação sem fins lucrativos, partidos políticos e suas fundações e sindicato dos trabalhadores), ainda que tenham imóveis locados para terceiros, não irão pagar IPTU desses imóveis, desde que utilizem o valor dos aluguéis para cumprimento de suas finalidades essenciais. Súmula Vinculante nº 52. Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da CF, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas. Quanto às Entidades de Assistência Social, é oportuno salientar que são aquelas que auxiliam o Estado no atendimento dos direitos sociais, tais como: saúde, segurança, maternidade, trabalho. Por essa razão, afirma-se que cumprir assistência social é respeitar o artigo 203 da CF. As entidades que cumprirem o artigo 203 da CF e não visarem a lucro, assim como as entidades beneficentes, as Organizações não Governamentais (ONGs), dentre outras, terão a imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, “c”, da CF. O STF reconheceu que as entidades fechadas de previdência privada que NÃO exigirem de seus associados contribuições para custeio do benefício também têm direito à imunidade a que se refere o artigo 150, VI, “c”, da CF. (Súmula nº 730 STF). Ressalta-se, ainda, que as entidades de assistência social sem fins lucrativos, além de serem imunes ao pagamento de impostos, também gozam de imunidade das contribuições sociais, nos termos do artigo 195, §7º da CF. Art. 195. (...) 53 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI §7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. O §7º do artigo 195 da CF/1988 traz dois requisitos para o gozo da imunidade: a) que se trate de pessoa jurídica que desempenhe atividades beneficentes de assistência social; e b) que esta entidade atenda a parâmetros previstos na lei. IMUNIDADE OBJETIVA O artigo 150, VI, “d”, da CF trata da imunidade objetiva, que proíbe a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem impostos sobre alguns objetos, tais como livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Sobre estes objetos não irão incidir o ICMS – quando saem do estabelecimento comercial, IPI – quando saem da indústria e II – se houver a importação. As pessoas jurídicas, como gráfica, editoras e livrarias, não gozam de imunidade, por isso terão que recolher os impostos incidentes sobre as suas atividades, como IR pelos rendimentos auferidos pela venda dos livros e o IPTU relativo aos imóveis em que são impressos os livros e periódicos. A imunidade anteriormente referida visa possibilitar o acesso à cultura e à informação e sua finalidade é baratear o custo dos livros, jornais, periódicos e papéis destinados à impressão. Terão imunidade os livros que transmitirem pensamentos e ideias formalmente orientadas, independentemente do conteúdo. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a imunidade dos álbuns de figurinhas e das apostilas e, recentemente, ao julgar o RE 330817 reconheceu também a imunidade dos livros eletrônicos, bem como dos aparelhos leitores de livros eletrônicos ou e-readers, confeccionados exclusivamente para esse fim, ainda que eventualmente estejam equipados com funcionalidades acessórias que auxiliem a leitura digital como acesso à internet para download de livros, possibilidade de alterar tipo e tamanho de fonte e espaçamento. Nesse sentido, temos a súmula vinculante nº 57: 54 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias. Com relação aos periódicos e jornais, somente perderão a imunidade se apresentarem cunho eminentemente publicitário, sem qualquer destinação à cultura e à educação, como os encartes e catálogos. A lista telefônica tem imunidade tributária por ter utilidade pública. De acordo com o entendimento do STF, a imunidade objetiva alcança também os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos (Súmula nº 657). Ainda sobre a imunidade objetiva, vale mencionar que o STF, ao julgar o RE nº 330817, em março de 2017, entendeu pela imunidade dos livros eletrônicos, bem como para os suportes para leitura. Defendeu-se que a teleologia da imunidade contida no artigo 150, VI, “d”, da Constituição, aponta para a proteção de valores, princípios e ideias de elevada importância, tais como a liberdade de expressão, voltada à democratização e à difusão da cultura; a formação cultural do povo indene de manipulações; a neutralidade, de modo a não fazer distinção entre grupos economicamente fortes e fracos, entre grupos políticos etc.; a liberdade de informar e de ser informado; o barateamento do custo de produção dos livros, jornais e periódicos, de modo a facilitar e estimular a divulgação de ideias, conhecimentos e informações. Por isso, considerou que a imunidade objetiva, desse dispositivo legal, alcança os aparelhos leitores de livros eletrônicos (ou e-readers) confeccionados exclusivamente para esse fim, ainda que, eventualmente, estejam equipados com funcionalidades acessórias ou rudimentares que auxiliam a leitura digital, tais como dicionário de sinônimos, marcadores, escolha do tipo e do 55 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI tamanho da fonte etc. Nesse sentido a súmula vinculante nº 57: "A imunidade tributária constante do art. 150, VI, “d”, da CF/88 aplica-se a importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo, como os leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias". IMUNIDADE DOS CDS E DVDS A EC nº 75 incluiu a alínea “e” no artigo 150, VI, da CF que estabelece imunidade para: Fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Assim, os CDs e DVDs produzidos no Brasil com obras musicais ou literomusicais de autores nacionais não irão pagar impostos. Também há imunidade para as obras em geral interpretadas por artistas brasileiros e as mídias ou os arquivos digitais que as contenham. Logo, a imunidade alcança as músicas comercializadas pela internet, além dos downloadsde ringtones de telefones celulares. ESPÉCIES TRIBUTÁRIAS 1) Empréstimo Compulsório 56 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Primeira informação: Previsto no art. 148 da CF. Segunda informação: é de competência privativa da União. Terceira informação: Só pode ser criado por lei complementar. Quarta informação: será instituída em caso de guerra externa ou sua iminência; calamidade pública e investimento público de caráter urgente e relevância nacional. Quinta informação: O empréstimo compulsório guerra e calamidade pública - não respeita as anterioridades, publicou pode-se exigir imediatamente. Empréstimo compulsório investimento público de caráter urgente e relevância nacional, mesmo que urgente respeita as duas anterioridades. Respeita a anterioridade de exercício e a nonagesimal. CF - Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir empréstimos compulsórios: I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência; II - no caso de investimento público de caráter urgente e de relevante interesse nacional, observado o disposto no art.. 150, III, "b". Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de empréstimo compulsório será vinculada à despesa que fundamentou sua instituição. Contribuição de Melhoria Primeira informação: Prevista no art. 145, III da CF e arts. 81 e 82 do CTN, Segunda informação: é de competência comum. Todos os entes poderão institui-la. Terceira informação: Não precisa ser criada por lei complementar. Pode ser por lei ordinária. Quarta informação: será instituída em caso de investimento público com valorização imobiliária para o contribuinte. 57 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Quinta informação: Deve respeitar dois limites: limite global e individual. Limite global corresponde o quanto foi gasto efetivamente com a obra. Limite individual corresponde o quanto valorizou o imóvel para cada contribuinte. Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) III - contribuição de melhoria, decorrente de obras públicas. 3) Taxas Art. 145, II e par. 2º, da CF e arts. 77 a 80, do CTN Art. 77. As taxas cobradas pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas atribuições, têm como fato gerador o exercício regular do poder de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua disposição. Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das empresas. Contribuições 4 espécies de contribuições: i) Contribuições Sociais; ii) CIDE (contribuições de intervenção domínio econômico); iii) Contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica, iv) COSIP- contribuições de iluminação pública Contribuições Sociais 58 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Primeira informação: Previsão: Arts. 149 e 195 da CF. Segunda informação: Competência privativa da União, salvo a contribuição social previdenciária do servidor público, que será criada pelo ente a que pertencer o servidor, conforme previsão no art. 149, § 1º da CF. Terceira informação: As contribuições sociais serão criadas, via de regra, por lei ordinária, salvo a contribuição social residual, que nos termos do art. 195, § 4º da CF será criada por lei complementar. Requisitos para ser criada a Contribuição Social Residual: 1) Somente a União poderá criar 2) Deve ser por Lei Complementar 3) Deve ser não-cumulativa 4) Deve ter base de cálculo e fato gerador diferente das contribuições já existentes na CF. Quarta informação: Tem por finalidade custear a previdência, assistência social e saúde. CIDE : Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico Primeira informação: Previsão: Art. 149 da CF Segunda informação: Competência privativa da União Terceira informação: Podem ser criadas por Lei ordinária Quarta informação: Serão criadas para intervir no domínio econômico Destaque para as Cides Combustíveis – Art. 177, § 4º da CF. As alíquotas da CIDE combustíveis podem ser reduzidas ou restabelecidas por decreto do poder executivo. Nessa hipótese só precisam respeitar a anterioridade nonagesimal, os 90 dias. Contribuição de interesse de categoria profissional ou econômica 59 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Primeira informação: Previsão: Art. 149 da CF Segunda informação: Competência privativa da União Terceira informação: Pode ser criada por lei ordinária Quarta informação: Serão criadas para o As contribuições de interesse de categoria profissional ou econômica são tributos que decorrem mediatamente do desempenho da atividade profissional e imediatamente da consequente filiação compulsória à entidade corporativa. Importante ressaltar que o universo dos sujeitos passivos não é restrito àqueles que, por vontade própria, filiaram-se ao sindicato. Ressalta-se que a partir da reforma trabalhista, a contribuição sindical tornou-se facultativa, nos termos do art. 579 da CLT, sendo descontada dos funcionários mediante autorização prévia e por escrito dos mesmos. COSIP Primeira informação: Previsão: Art. 149-A da CF Segunda informação: Competência Privativa dos Municípios e Distrito Federal Terceira informação: Pode ser criada por lei ordinária Quarta informação: Será criada para custear o serviço de iluminação pública ICMS Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir ICMS, nos termos do artigo 155, II, da CF. O ICMS tem previsão na Constituição Federal, em seu artigo 155, II e § 2º, e na LC nº 87/1996. 60 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Por uma visão geral, o fato gerador consiste nas operações de circulação de mercadorias ou prestação de serviços interestadual ou intermunicipal de transporte e de comunicação, conforme dispõe o artigo 155, II, da CF. Para melhor compreensão, afirmamos que o ICMS possui cinco hipóteses de incidência, são elas: (i) Operações de circulação de mercadorias; (ii) Serviços de transporte intermunicipal e interestadual; (iii) Serviço de comunicação; (iv) Sobre energia elétrica – art. 155, § 3º, da CF; e (v) Sobre Importações de Bens; Operações sobre circulação de mercadorias O legislador constituinte elegeu como elemento de incidência do ICMS não a mera circulação de mercadorias, mas a realização de operações de circulação de mercadorias. A operação de circulação de mercadorias consiste em um negócio jurídico, regulado pelo direito que implique necessariamente mudança de titularidade, passando a mercadoria de uma pessoa para outra, uma vez que circular significa para o direito mudar de titular, movimentação com mudança de patrimônio. Por essa razão, o STJ sedimentou seu posicionamento de modo que a circulação de mercadorias de um estabelecimento para outro do mesmo titular não se sujeita à incidência do ICMS. Súmula nº 166 do STJ. Não constitui fato gerador do ICMS o simples deslocamento de mercadoria de um para outro estabelecimento do mesmo contribuinte 61 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Serviços de transporte intermunicipal e interestadual Trata-se da prestação de serviços onerosa de transporte entre os municípios ou entre os Estados. Diante desse conceito, pode-se afirmar que se o transporte forrealizado dentro do município não haverá incidência de ICMS, mas sim de ISS, nos termos da LC nº 116/2003. Serviço de comunicação A Lei Complementar nº 87/1996 regulamenta, especificamente, a incidência do Imposto sobre o serviço de comunicação, em seu artigo 2º, III. Para que haja incidência do ICMS, é imperioso que exista uma fonte emissora, uma fonte receptora e uma mensagem transmitida pelo prestador de serviço. Sem esses elementos não há comunicação. Ademais, salienta-se que a base econômica consiste no serviço de comunicação propriamente dito, e não nas atividades-meio realizadas e cobradas, assim considerados os serviços preparatórios ou acessórios. Tendo em vista essas considerações, citam-se as Súmulas nos 350 e 334 do STJ que confirmam esse posicionamento: Súmula nº 350 do STJ. O ICMS não incide sobre o serviço de habilitação de telefone celular. Súmula nº 334 do STJ. O ICMS não incide no serviço dos provedores de acesso à Internet. Sobre energia elétrica À luz do artigo 155, § 3º, da CF, o ICMS incide sobre energia elétrica, devido o entendimento de que a energia elétrica consiste em mercadoria. O STJ se pronunciou, por meio da Súmula nº 391, quanto à incidência do ICMS sobre 62 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI energia elétrica, entendendo que só é devida sobre a energia elétrica efetivamente utilizada e não sobre a contratada. Sobre Importações de Bens Com a edição da Emenda Constitucional nº 33/2001 houve alteração referente à incidência de ICMS sobre importações de bens, de modo que incidirá o ICMS em toda e qualquer importação de bens ou mercadorias, inclusive aqueles bens que sejam para uso próprio, independentemente de ser o importador contribuinte habitual do ICMS. É no artigo 155, § 2º, IX, “a”, da CF que está disposta essa hipótese de incidência do ICMS. Art. 155. (...) § 2º (...) IX – incidirá também: a)sobre a entrada de bem ou mercadoria importados do exterior por pessoa física ou jurídica, ainda que não seja contribuinte habitual do imposto, qualquer que seja a sua finalidade, assim como sobre o serviço prestado no exterior, cabendo o imposto ao Estado onde estiver situado o domicílio ou o estabelecimento do destinatário da mercadoria, bem ou serviço IPTU (Imposto sobre a propriedade predial territorial urbana) Previsão: Art. 156, I da CF e arts. 32 a 34 do CTN Critério Material/fato gerador: Art. 156,I da CF: Ser proprietário de imóvel urbano. Art. 32 do CTN: Ser proprietário, possuidor ou detentor de domínio útil de imóvel urbano. Segundo entendimento dos Tribunais Superiores, quem deve pagar o IPTU é o proprietário, possuidor ou detentor de domínio com animus domini. Imóvel urbano: Regra localização!!! 63 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Se estiver dentro da zona urbana, trata-se de imóvel urbano e, portanto, deve- se pagar o IPTU e se estiver dentro da zona rural, será recolhido o ITR. Nos termos do art. 32, § 1 do CTN, a Lei Municipal irá determinar o que é zona urbana, mas desde que cumpra no mínimo dois dentre os cinco melhoramentos mencionados pelo § 1º do art. 32 do CTN: Meio fio ou calçamento com canalização de aguas pluviais; Abastecimento de agua; Sistema de esgoto; Iluminação pública; Escola primária ou posto de saúde a uma distância máxima de 3 km do imóvel. Exceção!!!! Se o imóvel estiver dentro da zona urbana, mas tiver destinação econômica rural será devido o ITR, nos termos do art. 15 do DL 57/66: Art 15. O disposto no art. 32 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não abrange o imóvel de que, comprovadamente, seja utilizado em exploração extrativa vegetal, agrícola, pecuária ou agro-industrial, incidindo assim, sôbre o mesmo, o ITR e demais tributos com o mesmo cobrados. (Revogação suspensa pela RSF nº 9, de 2005) IPTU - Tributo Progressivo: Art. 182, § 4º, II da CF e art. 156, § 1º, I da CF Art. 182, § 4º, II da CF: Progressividade no tempo, extrafiscal para estimular o cumprimento da função social. Art. 156, § 1º, I da CF: Progressividade fiscal, em razão do valor venal do imóvel. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L5172.htm#art32 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Congresso/ResSF09-05.htmIV - a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos arts. 21, 26, 39, 57 e 65; V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. § 1º Equipara-se à majoração do tributo a modificação da sua base de cálculo, que importe em torná-lo mais oneroso. § 2º Não constitui majoração de tributo, para os fins do disposto no inciso II dêste artigo, a atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo. 7 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI BATERIA DE QUESTÕES – PRÉ AULA QUESTÃO 01 - (FGV - Exame de Ordem 2019.2 – OAB XXIX) O Chefe do Executivo do Município X editou o Decreto 123, em que corrige o valor venal dos imóveis para efeito de cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), de acordo com os índices inflacionários anuais de correção monetária. No caso narrado, a medida: A) fere o princípio da legalidade, pois a majoração da base de cálculo somente pode ser realizada por meio de lei em sentido formal. B) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a majoração da base de cálculo do IPTU dispensa a edição de lei em sentido formal. C) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a atualização monetária da base de cálculo do IPTU pode ser realizada por meio de decreto. D) fere o princípio da legalidade, pois a atualização monetária da base de cálculo do IPTU não dispensa a edição de lei em sentido formal. QUESTÃO 02 - (FGV - Exame de Ordem 2017.1 – OAB XXII) Por meio da Lei Ordinária nº 123, a União instituiu contribuição não cumulativa destinada a garantir a expansão da seguridade social, utilizando, para tanto, fato gerador e base de cálculo distintos dos discriminados na Constituição da República. A referida lei foi publicada em 1º de setembro de 2015, com entrada em vigor em 2 de janeiro de 2016, determinando o dia 1º de fevereiro do mesmo ano como data de pagamento. Por considerar indevida a contribuição criada pela União, a pessoa jurídica A, atuante no ramo de supermercados, não realizou o seu pagamento, 8 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI razão pela qual, em 5 de julho de 2016, foi lavrado auto de infração para a sua cobrança. Considerando a situação em comento, assinale a opção que indica o argumento que poderá ser alegado pela contribuinte para impugnar a referida cobrança. A) A nova contribuição viola o princípio da anterioridade nonagesimal. B) A nova contribuição viola o princípio da anterioridade anual. C) A nova contribuição somente poderia ser instituída por meio de lei complementar. D) A Constituição da República veda a instituição de contribuições não cumulativas. QUESTÃO 03 - (FGV - Exame de Ordem 2016.3) Determinado Estado da Federação publicou, em julho de 2015, a Lei n° 123/2015, que majorou o valor das multas e das alíquotas de ICMS. Em fevereiro de 2016, em procedimento de fiscalização, aquele Estado constatou que determinado contribuinte, em operações realizadas em outubro de 2014, não recolheu o ICMS devido. Por conta disso, foi efetuado o lançamento tributário contra o contribuinte, exigindo-lhe o ICMS não pago e a multa decorrente do inadimplemento. O lançamento em questão só estará correto se A) As multas e alíquotas forem as previstas na Lei n° 123/2015. B) As alíquotas forem as previstas na Lei n° 123/2015 e as multas forem aquelas previstas na lei vigente ao tempo do fato gerador. C) As multas e as alíquotas forem as previstas na lei vigente ao tempo do fato gerador. D) As multas forem as previstas na Lei n° 123/2015 e as alíquotas forem aquelas previstas na lei vigente ao tempo do fato gerador. 9 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI QUESTÃO 04 - (FGV - Exame de Ordem 2019.2 – OAB XXIX) O Município X, na tentativa de fazer com que os cofres municipais pudessem receber determinado tributo com mais celeridade, publicou, em maio de 2017, uma lei que alterava a data de recolhimento daquela exação. A lei dispunha que os efeitos das suas determinações seriam imediatos. Nesse sentido, assinale a afirmativa correta. A) Segundo a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB), a lei é válida, mas apenas poderia entrar em vigor 45 (quarenta e cinco) dias após a sua publicação. B) A lei é inconstitucional, uma vez que não respeitou o princípio da anterioridade. C) A lei é constitucional, uma vez que, nessa hipótese, não se sujeita ao princípio da anterioridade. D) A lei é válida, mas só poderia vigorar 90 (noventa) dias após a sua publicação. QUESTÃO 05 - (FGV - Exame de Ordem 2018.1– OAB XXV) Em 2015, o Município X estabeleceu, por meio da Lei nº 123, alíquotas progressivas do Imposto sobre propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), tendo em conta o valor do imóvel. Sobre a hipótese, assinale a afirmativa correta. A) A lei é inconstitucional, pois a Constituição da República admite alíquotas progressivas do IPTU apenas se destinadas a assegurar o cumprimento da função social da propriedade urbana, o que não é a hipótese. B) A lei é inconstitucional, pois viola o Princípio da Isonomia. C) A lei está de acordo com a Constituição da República, e a fixação de alíquotas progressivas poderia até mesmo ser estabelecida por Decreto. D) A lei está de acordo com a Constituição da República, que estabelece a possibilidade de o IPTU ser progressivo em razão do valor do imóvel. 10 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI QUESTÃO 06 - (FGV - Exame de Ordem 2017.2 – OAB XXIII) O reitor de uma faculdade privada sem fins lucrativos (cujas receitas, inclusive seus eventuais superávits, são integralmente reinvestidas no estabelecimento de ensino) deseja saber se está correta a cobrança de impostos efetuada pelo fisco, que negou a pretendida imunidade tributária, sob o argumento de que a instituição de ensino privada auferia lucros. Na hipótese, sobre a atuação do fisco, assinale a afirmativa correta. A) O fisco agiu corretamente, pois a imunidade tributária apenas alcança instituições de ensino que não sejam superavitárias. B) O fisco agiu corretamente, pois a imunidade tributária apenas alcança instituições públicas de ensino. C) O fisco não agiu corretamente, pois não há impedimento à distribuição de lucro pelo estabelecimento de ensino imune. D) O fisco não agiu corretamente, pois, para que seja concedida tal imunidade, a instituição não precisa ser deficitária, desde que o superávit seja revertido para suas finalidades. QUESTÃO 07 - (FGV - Exame de Ordem 2017.3 – OAB XXIV) O Município X, graças a uma lei municipal publicada no ano de 2014, concedeu isenção de IPTU aos proprietários de imóveis cujas áreas não ultrapassassem 70m². João possui um imóvel nessa condição e procura seus serviços, como advogado(a), para saber se deve pagar a taxa de coleta de resíduos sólidos urbanos, instituída pelo município por meio de lei publicada em junho de 2017, a ser exigida a partir do exercício financeiro seguinte. Diante desse quadro fático, assinale a afirmativa correta. A) João não deve pagar a taxa de coleta, uma vez que a isenção do IPTU se aplica a qualquer outro tributo. 11 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI B) João não deve pagar a taxa de coleta, porque, sendo a lei instituidora da taxa posterior à lei que concedeu a isenção, por esta é abrangida, ficando João desobrigado do IPTUe da taxa. C) João deve pagar a taxa de coleta, porque a isenção só é extensiva às contribuições de melhoria instituídas pelo município. D) João deve pagar a taxa de coleta, porque, salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva às taxas. QUESTÃO 08 - (FGV - Exame de Ordem 2019.1 – OAB XXVIII) O Estado Y lavrou auto de infração em face da pessoa jurídica PJ para cobrança de créditos de Impostos sobre a Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS), decorrentes da produção e venda de livros eletrônicos. Adicionalmente aos créditos de ICMS, o Estado Y cobrou o pagamento de multa em decorrência do descumprimento de obrigação acessória legalmente prevista. Tendo isso em vista, assinale a afirmativa correta. A) Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos; por outro lado, é incorreta a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação acessória. B) Há imunidade tributária em relação aos livros eletrônicos; no entanto, tendo em vista a previsão legal, é correta a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. C) É correta a cobrança do ICMS, uma vez que a imunidade tributária somente abrange o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos; da mesma forma, é correta a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação acessória, em vista da previsão legal. D) É correta a cobrança do ICMS, uma vez que a imunidade tributária somente abrange o papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos; no entanto, é incorreta a cobrança da multa pelo descumprimento da obrigação acessória. 12 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI QUESTÃO 09 - (FGV - Exame de Ordem 2023.3 – OAB XXXIX). Um grupo de empresários da área têxtil decidiu criar um sindicato dos empregadores daquele setor, para fins de representação e defesa dos interesses da categoria econômica. Na assembleia geral ordinária constitutiva da instituição e para elaboração do estatuto social, surgiu a dúvida a respeito da possibilidade de obtenção da imunidade tributária sobre o patrimônio, renda ou serviços das entidades sindicais. Presente uma equipe de advogados, estes são incitados a se manifestarem a respeito. Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. A) Não há previsão constitucional para imunidade tributária de impostos de sindicato de empregadores. B) O setor têxtil se trata de categoria econômica que não permite o enquadramento na imunidade tributária de impostos dos sindicatos. C) Tal sindicato faz jus à imunidade tributária de impostos, desde que exerça suas atividades sem finalidade lucrativa e atenda ao requisito de não distribuição de qualquer parcela do seu patrimônio ou renda. D) Desde que os recursos provenientes das contribuições associativas sejam aplicados exclusivamente na sua área de atuação e vinculados a suas finalidades essenciais, tal sindicato poderá gozar da imunidade tributária de impostos. Gabarito na próxima página 13 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Gabarito: 01 - C 02 - C 03 - C 04 - C 05 - D 06 - D 07 - D 08 - B 09 - A 14 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI TESTANDO O APRENDIZADO – BATERIA DE QUESTÕES 02 PÓS AULA 01 QUESTÃO 01 - (FGV - Exame de Ordem 2021.3 – OAB XXXIII). Em 10/11/2020, foi publicada lei ordinária federal que majorava a alíquota de contribuição previdenciária a ser cobrada do empregador, incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Diante desse cenário, a nova alíquota poderá ser aplicada A) a partir da data da publicação da lei. B) noventa dias a contar da data da publicação da lei. C) a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte. D) a partir de noventa dias contados do primeiro dia do exercício financeiro seguinte. QUESTÃO 02 - (FGV - Exame de Ordem 2018.2– OAB XXVI). Em março de 2016, o Município X publicou lei instituindo novos critérios de apuração e ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Com base nessa nova orientação, em outubro do mesmo ano, o fisco municipal verificou a ausência de declaração e recolhimento de valores do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN devidos pela pessoa jurídica Y, referentes ao ano-calendário 2014; diante dessa constatação, lavrou auto de infração para cobrança dos valores inadimplidos. No que tange à possibilidade de aplicação da nova legislação ao presente caso, assinale a afirmativa correta. A) É inaplicável, pois não respeitou o princípio da anterioridade anual. 15 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI B) É inaplicável, pois o fisco somente poderia lavrar o auto de infração com base nos critérios de apuração previstos em lei vigente no momento da ocorrência do fato gerador. C) É aplicável, pois a legislação que institui novos critérios de apuração e amplia poderes de investigação das autoridades administrativas aplica-se aos lançamentos referentes a fatos geradores ocorridos antes de sua vigência. D) É aplicável, pois foi observado o princípio da anterioridade nonagesimal QUESTÃO 03 - (FGV - Exame de Ordem 2019.2 – OAB XXIX) O Chefe do Executivo do Município X editou o Decreto 123, em que corrige o valor venal dos imóveis para efeito de cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), de acordo com os índices inflacionários anuais de correção monetária. No caso narrado, a medida: A) fere o princípio da legalidade, pois a majoração da base de cálculo somente pode ser realizada por meio de lei em sentido formal. B) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a majoração da base de cálculo do IPTU dispensa a edição de lei em sentido formal. C) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a atualização monetária da base de cálculo do IPTU pode ser realizada por meio de decreto. D) fere o princípio da legalidade, pois a atualização monetária da base de cálculo do IPTU não dispensa a edição de lei em sentido formal. QUESTÃO 05 - (FGV - Exame de Ordem 2022.3 – OAB XXXVI) A Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou, em 2022, auto de infração de um milhão de reais em face da sociedade empresária Maçã Ltda. por não ter recolhido o Imposto de Importação (II) e a Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) referentes ao ano de 2021, incidentes sobre a comercialização de livros eletrônicos (ebooks) por ela importados e 16 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI comercializados no país. O departamento jurídico da sociedade autuada contrata você, como advogado(a), para emitir parecer para fundamentar sua defesa. Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. A) O II e a CSLL são indevidos, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros. B) Apenas o II é indevido, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros. C) Apenas a CSLL é indevida, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros. D) O II e a CSLL são devidos, pois os livros eletrônicos (e-books) não se enquadram na imunidade tributária dos livros. QUESTÃO 06 - (FGV - Exame de Ordem 2022.3 – OAB XXXVI) A Assembleia Legislativa do Estado Beta irá votar, em 2022, um projeto de lei ordinária para a criação de sua própria contribuição social previdenciária, para custeio do regime próprio de previdência social estadual, a ser cobrada dos seus servidoresativos, dos aposentados e dos pensionistas. Antes, porém, submete o referido projeto de lei ordinária para análise da Comissão de Constituição e Justiça daquela Casa Legislativa, para emissão de parecer sobre a constitucionalidade daquele tributo. Diante desse cenário, a referida contribuição social previdenciária A) poderia ser criada por lei ordinária e ser cobrada de servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas. B) poderia ser criada por lei ordinária, mas só poderia ser cobrada de servidores ativos. C) não poderia ser criada por lei ordinária, mas poderia ser cobrada de servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas. D) não poderia ser criada por lei ordinária e só poderia ser cobrada de servidores ativos. 17 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI QUESTÃO 07 - (FGV - Exame de Ordem 2023.2 – OAB XXXVIII) A Sociedade Empresária ABC Ltda. adquiriu no exterior um lote de dez mil unidades de um determinado perfume francês. Antes da chegada das mercadorias ao porto, foi publicado no Diário Oficial da União, em 20/04/2023, um decreto editado pelo Poder Executivo Federal majorando imediatamente a alíquota do Imposto sobre a Importação de perfumes de 20% para 30%, prevendo expressamente sua vigência e produção de efeitos a partir da data de sua publicação. Em 30/04/2023, as mercadorias finalmente chegam ao porto no Brasil, devendo agora a empresa realizar o desembaraço aduaneiro. Preocupada com possível prejuízo decorrente do aumento inesperado do custo da mercadoria devido à elevação do imposto de importação, a sociedade empresária procura você, como advogado(a), indagando sobre a validade daquele decreto. Diante deste cenário, assinale a afirmativa correta. A) A elevação desta alíquota por decreto violou o princípio da legalidade tributária. B) O prazo previsto para produção de efeitos da elevação de alíquota violou o princípio da anterioridade tributária nonagesimal. C) Embora tal imposto seja classificado como extrafiscal, deve obediência ao princípio da anterioridade tributária anual. D) A majoração dessa alíquota e a sua produção de efeitos imediata são válidas. QUESTÃO 08 - Assinale a alternativa CORRETA. A) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), a imunidade tributária dos templos de qualquer culto alcança as lojas maçônicas. B) A imunidade tributária endereçada aos livros e periódicos não alcança, no entendimento do STF, álbuns de figurinhas. C) Têm imunidade tributária fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores 18 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI brasileiros e/ou obras em geral, interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. D) Não têm imunidade tributária recíproca as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados às suas finalidades essenciais. Gabarito COMENTADO na próxima página 19 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI TESTANDO O APRENDIZADO – BATERIA DE QUESTÕES 02 – PÓS AULA - COM GABARITO COMENTADO QUESTÃO 01 - (FGV - Exame de Ordem 2021.3 – OAB XXXIII). Em 10/11/2020, foi publicada lei ordinária federal que majorava a alíquota de contribuição previdenciária a ser cobrada do empregador, incidente sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Diante desse cenário, a nova alíquota poderá ser aplicada A) a partir da data da publicação da lei. B) noventa dias a contar da data da publicação da lei. C) a partir do primeiro dia do exercício financeiro seguinte. D) a partir de noventa dias contados do primeiro dia do exercício financeiro seguinte. PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE O tributo que for instituído ou majorado em determinado exercício financeiro (coincide com o ano civil, inicia no dia 1º de janeiro e se encerra no dia 31 de dezembro), somente poderá ser exigido no próximo exercício e desde que tenham transcorridos 90 dias da data da publicação da lei que houver instituído ou majorado o tributo (artigo 150, III, “b” e “c”, da CF). Assim, se o Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza (ISS) for majorado em janeiro de 2019, somente poderá ser exigido em 1º de janeiro de 2020, próximo exercício financeiro. Agora, se o ISS for majorado no dia 1º de dezembro de 2019, não poderá ser exigido no dia 1º de janeiro de 2020, mesmo que seja o próximo exercício financeiro, pois ainda não transcorreram os 90 dias da data da 20 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI publicação da lei que majorou o tributo. Esse tributo só poderá ser cobrado em março de 2020, quando transcorridos os 90 dias da data da publicação. Ocorre, no entanto, que nem todos os tributos precisam respeitar o princípio da anterioridade. Existem várias exceções a esse princípio, previstas nos artigos 150, §1º; 155, §4º, IV, “c”; 177, §4º, I, “b”, e 195, §6º, da CF. a) Tributos que não precisam aguardar o próximo exercício (NÃO RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício) nem os 90 dias (NÃO RESPEITAM o princípio nonagesimal), ou seja, o tributo pode ser cobrado: IMEDIATAMENTE!!!! São eles: (i) Imposto Extraordinário de Guerra (IEG); (ii) Empréstimo Compulsório de Guerra ou de Calamidade Pública; (iii) Imposto sobre Importação (II); (iv) Imposto sobre Exportação (IE); (v) Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Os tributos referentes à guerra, como o caso do imposto Extraordinário de Guerra e o Empréstimo Compulsório de Guerra ou de Calamidade Pública, não precisam respeitar nenhum princípio da anterioridade, devido ao fato da necessidade da sua cobrança. Caso haja uma guerra, o Brasil precisará urgentemente de dinheiro, não pode aguardar o próximo exercício, bem como os 90 dias para cobrar o referido tributo. Por essa razão, esses tributos de guerra são cobrados imediatamente. Com relação ao II, ao IE e ao IOF, por serem impostos regulatórios de mercado, apresentam o caráter de extrafiscalidade, não é razoável aguardar o próximo exercício para a efetiva cobrança. Por isso, também são exceções aos princípios da anterioridade do exercício e da anterioridade nonagesimal. Caso ocorra uma majoração, a cobrança poderá ser imediata. b) Existem tributos, no entanto, que não precisam aguardar o próximo exercício (NÃO RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício), mas precisam aguardar os 90 dias, para serem exigidos 21 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI (RESPEITAM o princípio nonagesimal), são eles: (i) IPI; (ii) Casos de redução e restabelecimento das alíquotas da CIDE Combustível e do ICMS Combustível (artigos 155, §4º, IV, “c”, e 177, §4º, I, “b”, da CF); (iii) Contribuição Social (artigo 195, §6º, da CF). Não respeitar a anterioridade do exercício, mas respeitar o princípio da anterioridade nonagesimal, os 90 dias, significa que a cobrança do tributo não precisará aguardar o próximo exercício, no próximo ano, mas só poderá ser cobrado após os 90 dias da publicação da lei. c) Existem tributos que devem respeitar o princípio da anterioridade (RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício), mas não precisam respeitar os 90 dias (NÃO RESPEITAM o princípio nonagesimal), são: (i) IR; (ii) alteração de Base de cálculo do IPTU e do IPVA. Dizer que esses tributos respeitam a anterioridadedo exercício e não respeitam os 90 dias significa que, se um tributo for instituído ou majorado no dia 20 de dezembro de 2019, não poderá ser exigido no dia 21 de dezembro de 2019, mas poderá ser cobrado no dia 1º de janeiro de 2020, pois respeitou a anterioridade do exercício, sem precisar respeitar os 90 dias. Importante ressaltar que o artigo 150, III, “b” e “c”, no que se refere aos princípios da anterioridade do exercício e da anterioridade nonagesimal, só se aplica no caso de instituição ou majoração de tributo. A mudança da data do prazo de pagamento do tributo não está sujeita ao princípio da anterioridade. Nesse contexto, atente-se para a Súmula Vinculante nº 50: “Norma legal que altera o prazo de recolhimento da obrigação tributária não se sujeita ao princípio da anterioridade”. 22 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI QUESTÃO 02 - (FGV - Exame de Ordem 2018.2– OAB XXVI). Em março de 2016, o Município X publicou lei instituindo novos critérios de apuração e ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Com base nessa nova orientação, em outubro do mesmo ano, o fisco municipal verificou a ausência de declaração e recolhimento de valores do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza - ISSQN devidos pela pessoa jurídica Y, referentes ao ano-calendário 2014; diante dessa constatação, lavrou auto de infração para cobrança dos valores inadimplidos. No que tange à possibilidade de aplicação da nova legislação ao presente caso, assinale a afirmativa correta. A) É inaplicável, pois não respeitou o princípio da anterioridade anual. B) É inaplicável, pois o fisco somente poderia lavrar o auto de infração com base nos critérios de apuração previstos em lei vigente no momento da ocorrência do fato gerador. C) É aplicável, pois a legislação que institui novos critérios de apuração e amplia poderes de investigação das autoridades administrativas aplica-se aos lançamentos referentes a fatos geradores ocorridos antes de sua vigência. D) É aplicável, pois foi observado o princípio da anterioridade nonagesimal PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE O legislador constituinte, ao estabelecer o Princípio da Irretroatividade, nos termos do artigo 150, III, “a”, da CF, invocou uma garantia maior ao contribuinte, que ultrapassa a proteção ao direito adquirido e ao ato jurídico perfeito, posto que proíbe a tributação sobre fatos geradores não introduzidos anteriormente em lei, o que permite ao contribuinte a faculdade de evitá-la, se assim desejar, pela privação, na prática, do ato ensejador da tributação. 23 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) III – cobrar tributos: a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os houver instituído ou aumentado; O Princípio da Irretroatividade se revela como instrumento de otimização da segurança jurídica, pelo fato de conferir ao contribuinte uma maior certeza do que efetivamente será tributado. Tudo isso em virtude de previamente estabelecer em lei as situações relevantes na relação jurídico- tributária que ensejarão a tributação, assegurando-se, assim, a impossibilidade de o sujeito passivo se deparar com exações que considere atos, fatos ou situações do passado. O Código Tributário Nacional prevê três exceções ao princípio da irretroatividade, conforme se verifica nos artigos 106, I e II, e 144, §1º. O artigo 106 do CTN prevê duas situações em que a lei tributária poderá retroagir: A primeira possibilidade é quando se tratar de lei expressamente interpretativa e desde que não comine penalidade; e, a segunda é quando houver ato NÃO definitivamente julgado, quando verificadas as hipóteses do artigo 106, II, do CTN: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: I – em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II – tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado falta de pagamento de tributo; 24 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Da leitura do artigo 106, I, do CTN, constata-se que a lei expressamente interpretativa, desde que não comine penalidade, poderá retroceder. Registre-se que uma lei interpretativa apenas esclarece o sentido de outra anterior, elidindo dúvidas a seu respeito, sem, contudo, inovar a ordem jurídica. Havendo qualquer agravação na situação do contribuinte, será considerada ofensiva ao Princípio da Irretroatividade das leis. Na hipótese do artigo 106, II, do CTN, a lei tributária somente poderá retroagir em se tratando de ato não definitivamente julgado e quando a lei deixar de tratá-lo como infração ou cominar penalidade menos severa. Em direito tributário considera-se penalidade como MULTA, qualquer que seja sua natureza, de mora ou de infração! Não poderá retroagir, no entanto, a lei que reduzir o tributo, como no caso de redução de alíquotas, pois o que vale é a regra do caput do artigo 144 do CTN, ou seja, a lei da época do fato gerador. Art. 144. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. A terceira possibilidade é a previsão no artigo 144, §1º, do CTN: em se tratando de lançamento tributário, lei que instituir novos critérios de apuração ou fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas poderá retroagir. Para fixar: a lei tributária NÃO pode retroagir, salvo em três situações: EXCEÇÕES AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE 1) Em se tratando de lei expressamente interpretativa, desde que não comine penalidade (art. 106, I, do CTN); 2) Em se tratando de ato não definitivamente julgado, quando uma nova lei exclui infrações ou reduza penalidades 25 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI (art. 106, II, do CTN); 3) Em se tratando de lançamento, quando vier uma lei que crie novos critérios de fiscalização ou apuração (art. 144, §1º, do CTN). QUESTÃO 03 - (FGV - Exame de Ordem 2019.2 – OAB XXIX) O Chefe do Executivo do Município X editou o Decreto 123, em que corrige o valor venal dos imóveis para efeito de cobrança do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), de acordo com os índices inflacionários anuais de correção monetária. No caso narrado, a medida: A) fere o princípio da legalidade, pois a majoração da base de cálculo somente pode ser realizada por meio de lei em sentido formal. B) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a majoração da base de cálculo do IPTU dispensa a edição de lei em sentido formal. C) está de acordo com o princípio da legalidade, pois a atualização monetária da base de cálculo do IPTU pode ser realizada por meio de decreto. D) fere o princípio da legalidade, pois a atualização monetária da base de cálculo do IPTU não dispensa a edição de lei em sentido formal. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Nos termos do artigo 150, I, da CF, nenhum tributo será instituído ou aumentado, a não ser por intermédio de LEI! Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 26 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI I – exigirou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; A lei deve conter todos os elementos e supostos da norma jurídica tributária (hipótese de incidência, sujeitos da relação jurídico-tributária, bases de cálculo e alíquotas), não cabendo qualquer complementação por ato de inferior hierarquia. Como bem elucida Roque Antônio Carrazza: A lei deve indicar, de modo rigoroso, a realidade a tributar, fazendo, assim, uma precisa, taxativa e exaustiva tipificação dos fatos necessários e suficientes ao nascimento do tributo. Não lhe é dado apontar conceitos indeterminados, fórmulas abertas ou cláusulas gerais, que permitam, de acordo com o subjetivismo do aplicador, a identificação de múltiplas situações tributáveis. Pelo contrário, este deve encontrar na lei tributária (nunca em normas de menor hierarquia) o fundamento de sua conduta e o próprio critério da decisão a tomar, diante do caso concreto. Em suma, a lei tributária deve ser certa, detalhando as figuras exacionais e o modo de apurar eventuais infrações que, em torno delas, possam ocorrer (op. cit., p. 273) Ainda que o artigo 150, I, da CF determine que somente uma lei poderá instituir ou majorar tributos, eles também só poderão ser reduzidos ou extintos do ordenamento jurídico por meio de lei. Em atenção ao Princípio do Paralelismo das Formas, uma matéria que foi tratada por um ato normativo só poderá ser alterada por um ato normativo de igual hierarquia ou de hierarquia superior. Essa previsão encontra-se também no artigo 97 do CTN: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I – a instituição de tributos, ou a sua extinção; II – a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65. (...) 27 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI De acordo com o artigo 97, §1º, do CTN, considera-se majoração de tributo a modificação da base de cálculo de forma a torná-lo mais oneroso. Ressalta-se, todavia, que a mera atualização do valor monetário da respectiva base de cálculo NÃO constitui majoração de tributo, nos termos do artigo 97, §2º, do CTN, podendo ser realizada por meio de simples Decreto. No entanto, se a “atualização monetária” ocorrer com índices superiores ao oficial, não se tem uma mera atualização de valores, e sim uma majoração da base de cálculo disfarçada e, por isso, nesse caso, o instrumento normativo necessário será a Lei. Nesse aspecto, verifique o texto da Súmula nº 160 do STJ: “É defeso, ao Município, atualizar o IPTU, mediante Decreto, em percentual superior ao índice oficial de correção monetária”. De acordo com o artigo 97 do CTN, há outras matérias que só podem ser tratadas por meio de lei, tais como: (i) a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; (ii) a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; (iii) a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; (iv) as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Atenuação do Princípio da Legalidade Todos os tributos estão sujeitos ao Princípio da Legalidade, ou seja, só podem ser instituídos ou majorados por intermédio de lei. Conquanto a Constituição Federal, em seu artigo 153, §1º, prevê alguns impostos que podem ter as alíquotas alteradas (inclusive majoradas), desde que observados os limites e condições estabelecidos em lei, por meio de ato do Poder Executivo, o que se dá comumente por decreto presidencial ou por portaria do Ministro da Fazenda. São eles: (i) Imposto sobre a Importação (II); (ii) Imposto sobre a Exportação (IE); (iii) Imposto 28 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI sobre produtos Industrializados (IPI); (iv) Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF). Art. 153. (...) §1º É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV e V. As alíquotas dos impostos aduaneiros, II e IE, podem ser alteradas, inclusive, por meio de Resolução da Câmara de Comércio Exterior – CAMEX. O artigo 177, §4º, I, “b”, da CF também possibilita ao Poder Executivo reduzir e restabelecer as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Combustível – CIDE COMBUSTÍVEL – por meio de ato próprio, no caso, o decreto presidencial. O artigo 155, §4º, IV, “c”, da CF possibilita ao Poder Executivo reduzir e restabelecer as alíquotas do ICMS, incidência monofásica, nas operações com combustíveis e lubrificantes previstos em lei complementar federal. Para visualizar: ALÍQUOTAS POR MEIO DE ATOS DO PODER EXECUTIVO DECRETO CONVÊNIO (CONFAZ) ALTERAR (MAJORAR, REDUZIR E RESTABELECER) II, IE, IPI e IOF REDUZIR E RESTABELECER CIDE Combustív el ICMS Combustív el QUESTÃO 05 - (FGV - Exame de Ordem 2022.3 – OAB XXXVI) A Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrou, em 2022, auto de infração de um milhão de reais em face da sociedade empresária Maçã Ltda. por não ter 29 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI recolhido o Imposto de Importação (II) e a Contribuição Social Sobre Lucro Líquido (CSLL) referentes ao ano de 2021, incidentes sobre a comercialização de livros eletrônicos (ebooks) por ela importados e comercializados no país. O departamento jurídico da sociedade autuada contrata você, como advogado(a), para emitir parecer para fundamentar sua defesa. Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. A) O II e a CSLL são indevidos, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros. B) Apenas o II é indevido, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros. C) Apenas a CSLL é indevida, pois os livros eletrônicos (e-books) se enquadram na imunidade tributária dos livros. D) O II e a CSLL são devidos, pois os livros eletrônicos (e-books) não se enquadram na imunidade tributária dos livros. QUESTÃO 06 - (FGV - Exame de Ordem 2022.3 – OAB XXXVI) A Assembleia Legislativa do Estado Beta irá votar, em 2022, um projeto de lei ordinária para a criação de sua própria contribuição social previdenciária, para custeio do regime próprio de previdência social estadual, a ser cobrada dos seus servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas. Antes, porém, submete o referido projeto de lei ordinária para análise da Comissão de Constituição e Justiça daquela Casa Legislativa, para emissão de parecer sobre a constitucionalidade daquele tributo. Diante desse cenário, a referida contribuição social previdenciária A) poderia ser criada por lei ordinária e ser cobrada de servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas. B) poderia ser criada por lei ordinária, mas só poderia ser cobrada de servidores ativos. C) não poderia ser criada por lei ordinária, mas poderia ser cobrada de servidores ativos, dos aposentados e dos pensionistas. 30 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI D) não poderia ser criada por lei ordinária e só poderia ser cobrada de servidores ativos. QUESTÃO 07 - (FGV - Exame de Ordem 2023.2 – OAB XXXVIII) A Sociedade Empresária ABC Ltda. adquiriu no exterior um lote de dez mil unidades de um determinado perfume francês. Antes da chegada das mercadorias ao porto, foi publicado no Diário Oficial da União, em 20/04/2023, um decreto editado pelo Poder Executivo Federal majorando imediatamente a alíquota do Imposto sobre a Importação de perfumes de 20% para 30%, prevendo expressamente sua vigência eprodução de efeitos a partir da data de sua publicação. Em 30/04/2023, as mercadorias finalmente chegam ao porto no Brasil, devendo agora a empresa realizar o desembaraço aduaneiro. Preocupada com possível prejuízo decorrente do aumento inesperado do custo da mercadoria devido à elevação do imposto de importação, a sociedade empresária procura você, como advogado(a), indagando sobre a validade daquele decreto. Diante deste cenário, assinale a afirmativa correta. A) A elevação desta alíquota por decreto violou o princípio da legalidade tributária. B) O prazo previsto para produção de efeitos da elevação de alíquota violou o princípio da anterioridade tributária nonagesimal. C) Embora tal imposto seja classificado como extrafiscal, deve obediência ao princípio da anterioridade tributária anual. D) A majoração dessa alíquota e a sua produção de efeitos imediata são válidas. QUESTÃO 08 - Assinale a alternativa CORRETA. A) Segundo entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), a imunidade tributária dos templos de qualquer culto alcança as lojas maçônicas. 31 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI B) A imunidade tributária endereçada aos livros e periódicos não alcança, no entendimento do STF, álbuns de figurinhas. C) Têm imunidade tributária fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral, interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. D) Não têm imunidade tributária recíproca as autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vinculados às suas finalidades essenciais. Imunidades Classe finita e imediatamente determinável de normas jurídicas, contida no texto da Constituição Federal, e que estabelece, de modo expresso, a incompetência das pessoas políticas de direito constitucional interno para expedir regras instituidoras de tributos que alcancem situações específicas e suficientemente caracterizadas.1 A imunidade tributária dá-se, em resumo, quando a Constituição veda a criação de tributos, por meio da incompetência das pessoas políticas, sobre determinadas situações ou sobre certos sujeitos, com a finalidade de preservar valores de grande interesse nacional, tais como: a manutenção das entidades federadas, o exercício das atividades religiosas, da democracia, das instituições educacionais, assistenciais e o acesso às informações. Não se confunde imunidade com isenção ou não incidência. A imunidade impede a incidência do tributo porque a CONSTITUIÇÃO FEDERAL assim determina. 1. CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário, 21. ed. Saraiva: São Paulo. 2009. p. 202. 32 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Já a isenção consiste na LEI que determina que certas situações ou determinados sujeitos não serão tributados. A não incidência abrange as situações não descritas na lei como sendo tributadas. Por exemplo: as bicicletas não são hipótese de incidência tributária do IPVA. O legislador estadual estabeleceu como fato gerador do IPVA os veículos automotores. Assim, as bicicletas não devem pagar IPVA, pois estão fora do campo de incidência tributária, sendo este um caso de não incidência. As regras de imunidade têm foro exclusivo na Constituição, porque são regras (ainda que negativas) de competência tributária. As imunidades tributárias alcançam várias espécies tributárias, como os impostos, taxas, contribuição social, contribuição de intervenção no domínio econômico (CIDE). Inexistem, todavia, imunidades previstas para as contribuições de melhoria e empréstimos compulsórios. Existem imunidades genéricas e específicas. As imunidades específicas são relativas a um único tributo, diante de conveniências especiais, como, por exemplo, a imunidade do artigo 149, §2º, I, da CF, que trata sobre a não incidência da Contribuição Social e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE) sobre receitas decorrentes de exportação. As imunidades genéricas estão previstas no artigo 150, VI, da CF e referem-se apenas aos Impostos. As pessoas e situações previstas no artigo 150, VI, da CF não devem pagar apenas os impostos, devendo pagar as demais espécies tributárias, como as taxas, contribuição de melhoria, contribuições e empréstimo compulsório. IMUNIDADES RECÍPROCAS A imunidade tributária recíproca, prevista no artigo 150, VI, “a”, da CF, veda a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem impostos sobre o patrimônio, renda e serviços um dos outros. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos 33 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI Municípios: (...) VI – instituir impostos sobre: a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; De acordo com os §§2º e 3º do artigo 150 da CF, a imunidade recíproca é extensiva às AUTARQUIAS e às FUNDAÇÕES PÚBLICAS, desde que cumpram 4 requisitos: (i) As finalidades essenciais ou qualquer uma delas decorrentes; (ii) Sejam instituídas e mantidas pelo Poder Público; (iii) Não cobrem preços e nem tarifas; (iv) Não entrem na concorrência privada. Urge destacar que a imunidade recíproca alcança somente as Autarquias e Fundações Públicas. As empresas públicas e sociedades de economia mista, por serem detentoras de personalidade jurídica de direito privado, não gozam de imunidade tributária; por essa razão, haverá normal incidência tributária sobre essas últimas. No entanto, o Supremo Tribunal Federal tem entendido que algumas empresas públicas, bem como algumas sociedades de economia mista, são merecedoras da regra imunizante, quando prestam serviço público de caráter obrigatório e de forma exclusiva. Cita-se como exemplo a ECT – Empresa de Correios e Telégrafos, empresa pública que tem imunidade tributária. Em fevereiro de 2007, o STF, na Ação Cautelar nº 1.550-2, reconheceu também a imunidade da sociedade de economia mista – CAERD, Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia. A Constituição estabelece que a regra imunizante NÃO exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. CF – Art. 150 (...) §3º As vedações do inciso VI, “a”, e do parágrafo anterior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços, 34 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI relacionados com exploração de atividades econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao bem imóvel. Imunidades Recíprocas e os Impostos Indiretos Por impostos indiretos têm-se aqueles que admitem o repasse do encargo financeiro para o próximo da cadeia. Por exemplo, IPI e ICMS. Em uma relação jurídico-tributária referente aos impostos indiretos existe o contribuinte de direito, que deve recolher o tributo, por ter praticado o fato gerador ou pela lei ter-lhe atribuído essa condição, e o contribuinte de fato, que suportou o encargo financeiro, geralmente é o consumidor final. Assim, o industrial que realiza a operação de industrialização do produto deve recolher o IPI por ter praticado o fato gerador, ele é o contribuinte de direito (de jure). No entanto, o industrial embute o IPI que teve que recolher no valor do preço do produto industrializado, repassando esse ônus para o consumidor final, quesuporta o encargo financeiro do imposto e é denominado contribuinte de fato. Nesse sentido, o STF2 tem entendido que o Ente Federativo somente terá direito à imunidade tributária se estiver na condição de contribuinte de direito; se for contribuinte de fato, não terá imunidade tributária. Assim, se o Ente Federativo industrializar o produto, terá imunidade: não irá precisar pagar o IPI, ainda que pudesse repassar o encargo financeiro para outra pessoa. No entanto, quando o Ente Federativo é o consumidor final, não poderá alegar sua imunidade para não pagar o preço do produto com o tributo embutido, pois nesse caso ele estará como contribuinte de fato. IMUNIDADE DOS TEMPLOS DE QUALQUER CULTO 2. AI 805295 AgR/MG, Rel. Ministro Ricardo Lewandowski, DJ de 02/12/2010. 35 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI O artigo 150, VI, “b”, da CF veda os Entes Federativos de instituírem IMPOSTOS sobre os templos de qualquer culto. A expressão “templos de qualquer culto” deve ser interpretada de forma ampla, abrangendo todas as formas de expressão de religiosidade. Só não irá abranger os templos de inspiração demoníaca, nem cultos satânicos e suas instituições, por contrariar a teleologia do texto constitucional. Portanto, deve haver valores morais e religiosos. A imunidade dos templos de qualquer culto visa tutelar a liberdade religiosa e, por essa razão, tudo que estiver em nome da instituição religiosa e cumprir sua finalidade essencial terá imunidade, ou seja, não terá que pagar impostos. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) (...) §4º As vedações expressas no inciso VI, alíneas “b” e “c”, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. Nessa perspectiva, NÃO haverá incidência, por exemplo, do IPTU sobre o local onde é celebrado o culto, nem mesmo sobre a casa paroquial, estacionamentos em nome da instituição ou sobre o convento; NÃO incidirá IPVA sobre o veículo do religioso utilizado no trabalho eclesiástico; NÃO incidirá ITBI sobre o imóvel adquirido pela entidade religiosa destinada às suas finalidades essenciais; NÃO incide IR sobre as doações, dízimos recebidos pela instituição, nem sobre as aplicações financeiras dos templos, desde que sejam destinadas para o cumprimento de suas finalidades. Ademais, NÃO incide ISS sobre os serviços religiosos. Os imóveis de propriedade da Entidade religiosa locados para terceiros, desde que os aluguéis sejam usados como fonte de custeio para cumprir suas finalidades essenciais, NÃO pagarão IPTU. 36 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI O STF, ao julgar o RE nº 562351, entendeu que maçonaria não é religião; trata-se apenas de um estilo de vida em que as pessoas se ajudam mutuamente e, por essa razão, não tem direito à imunidade tributária. IMUNIDADE SUBJETIVA A imunidade do artigo 150, VI, “c”, da CF visa tutelar a liberdade política, a liberdade sindical e estimular colaboradores do Estado na prestação de serviços de assistência social, desde que sem finalidade lucrativa. Tal imunidade refere-se a certas pessoas, razão por que é chamada de imunidade subjetiva. São 4 pessoas que, nos termos desse dispositivo constitucional, não irão pagar impostos sobre suas rendas, patrimônio e serviços: (i) Entidades de Assistência Social Sem Fins Lucrativos; (ii) Entidade de Educação Sem fins Lucrativos; (iii) Partidos Políticos e Suas Fundações; e (iv) Sindicato dos Trabalhadores. Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios (...) VI – instituir impostos sobre: (...) c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; A parte final do artigo 150, VI, “c”, da CF estabelece que essas pessoas somente terão direito à imunidade tributária se atenderem aos requisitos estabelecidos em lei. Nesse aspecto, o artigo 14 do CTN prevê três requisitos que devem ser cumpridos pelas 4 pessoas jurídicas acima para poderem gozar da 37 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI imunidade aludida. São eles: (i) Não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (ii) Aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; (iii) Manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ressalta-se, ainda, que os Partidos Políticos, além de cumprirem os requisitos do artigo 14 do CTN, devem cumprir mais dois requisitos: i) estarem devidamente registrados no Tribunal Superior Eleitoral (artigo 17, §2º, da CF) e ii) não atentarem contra os costumes e princípios do Estado brasileiro. Nos termos da Súmula Vinculante nº 52, todas as pessoas do artigo 150, VI, “c”, da CF (entidade de assistência social sem fins lucrativos, entidades de educação sem fins lucrativos, partidos políticos e suas fundações e sindicato dos trabalhadores), ainda que tenham imóveis locados para terceiros, não irão pagar IPTU desses imóveis, desde que utilizem o valor dos aluguéis para cumprimento de suas finalidades essenciais. Súmula Vinculante nº 52. Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, “c”, da CF, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades para as quais tais entidades foram constituídas. Quanto às Entidades de Assistência Social, é oportuno salientar que são aquelas que auxiliam o Estado no atendimento dos direitos sociais, tais como: saúde, segurança, maternidade, trabalho. Por essa razão, afirma-se que cumprir assistência social é respeitar o artigo 203 da CF. As entidades que cumprirem o artigo 203 da CF e não visarem a lucro, assim como as entidades beneficentes, as Organizações não Governamentais (ONGs), dentre outras, terão a imunidade tributária prevista no artigo 150, 38 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI VI, “c”, da CF. O STF reconheceu que as entidades fechadas de previdência privada que NÃO exigirem de seus associados contribuições para custeio do benefício também têm direito à imunidade a que se refere o artigo 150, VI, “c”, da CF. (Súmula nº 730 STF). Ressalta-se, ainda, que as entidades de assistência social sem fins lucrativos, além de serem imunes ao pagamento de impostos, também gozam de imunidade das contribuições sociais, nos termos do artigo 195, §7º da CF. Art. 195. (...) §7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. O §7º do artigo 195 da CF/1988 traz dois requisitos para o gozo da imunidade: a) que se trate de pessoa jurídica que desempenhe atividades beneficentes de assistência social; e b) que esta entidade atenda a parâmetros previstos na lei. IMUNIDADE OBJETIVA O artigo 150, VI, “d”, da CF trata da imunidade objetiva, que proíbe a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios de instituírem impostos sobre alguns objetos, tais como livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Sobre estes objetos não irão incidir o ICMS – quando saem do estabelecimento comercial, IPI – quando saem da indústria e II – se houver a importação. As pessoas jurídicas, como gráfica, editoras elivrarias, não gozam de imunidade, por isso terão que recolher os impostos incidentes sobre as suas atividades, como IR pelos rendimentos auferidos pela venda dos livros e o IPTU relativo aos imóveis em que são impressos os livros e periódicos. A imunidade anteriormente referida visa possibilitar o acesso à cultura e à informação e sua finalidade é baratear o custo dos livros, jornais, 39 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI periódicos e papéis destinados à impressão. Terão imunidade os livros que transmitirem pensamentos e ideias formalmente orientadas, independentemente do conteúdo. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu a imunidade dos álbuns de figurinhas e das apostilas e, recentemente, ao julgar o RE 330817 reconheceu também a imunidade dos livros eletrônicos, bem como dos aparelhos leitores de livros eletrônicos ou e-readers, confeccionados exclusivamente para esse fim, ainda que eventualmente estejam equipados com funcionalidades acessórias que auxiliem a leitura digital como acesso à internet para download de livros, possibilidade de alterar tipo e tamanho de fonte e espaçamento. Nesse sentido, temos a súmula vinculante nº 57: A imunidade tributária constante do art. 150, VI, d, da CF/88 aplica-se à importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-los, como leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias. Com relação aos periódicos e jornais, somente perderão a imunidade se apresentarem cunho eminentemente publicitário, sem qualquer destinação à cultura e à educação, como os encartes e catálogos. A lista telefônica tem imunidade tributária por ter utilidade pública. De acordo com o entendimento do STF, a imunidade objetiva alcança também os filmes e papéis fotográficos necessários à publicação de jornais e periódicos (Súmula nº 657). Ainda sobre a imunidade objetiva, vale mencionar que o STF, ao julgar o RE nº 330817, em março de 2017, entendeu pela imunidade dos livros eletrônicos, bem como para os suportes para leitura. Defendeu-se que a teleologia da imunidade contida no artigo 150, VI, “d”, da Constituição, aponta para a proteção de valores, princípios e ideias de elevada 40 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI importância, tais como a liberdade de expressão, voltada à democratização e à difusão da cultura; a formação cultural do povo indene de manipulações; a neutralidade, de modo a não fazer distinção entre grupos economicamente fortes e fracos, entre grupos políticos etc.; a liberdade de informar e de ser informado; o barateamento do custo de produção dos livros, jornais e periódicos, de modo a facilitar e estimular a divulgação de ideias, conhecimentos e informações. Por isso, considerou que a imunidade objetiva, desse dispositivo legal, alcança os aparelhos leitores de livros eletrônicos (ou e-readers) confeccionados exclusivamente para esse fim, ainda que, eventualmente, estejam equipados com funcionalidades acessórias ou rudimentares que auxiliam a leitura digital, tais como dicionário de sinônimos, marcadores, escolha do tipo e do tamanho da fonte etc. Nesse sentido a súmula vinculante nº 57: "A imunidade tributária constante do art. 150, VI, “d”, da CF/88 aplica-se a importação e comercialização, no mercado interno, do livro eletrônico (e-book) e dos suportes exclusivamente utilizados para fixá-lo, como os leitores de livros eletrônicos (e-readers), ainda que possuam funcionalidades acessórias". IMUNIDADE DOS CDS E DVDS A EC nº 75 incluiu a alínea “e” no artigo 150, VI, da CF que estabelece imunidade para: Fonogramas e videofonogramas musicais produzidos no Brasil contendo obras musicais ou literomusicais de autores brasileiros e/ou obras em geral interpretadas por artistas brasileiros, bem como os suportes materiais ou arquivos digitais que os contenham, salvo na etapa de replicação industrial de mídias ópticas de leitura a laser. Assim, os CDs e DVDs produzidos no Brasil com obras musicais ou 41 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI literomusicais de autores nacionais não irão pagar impostos. Também há imunidade para as obras em geral interpretadas por artistas brasileiros e as mídias ou os arquivos digitais que as contenham. Logo, a imunidade alcança as músicas comercializadas pela internet, além dos downloads de ringtones de telefones celulares. MATERIAL REVISÃO FINAL PRINCÍPIO DA ANTERIORIDADE O tributo que for instituído ou majorado em determinado exercício financeiro (coincide com o ano civil, inicia no dia 1º de janeiro e se encerra no dia 31 de dezembro), somente poderá ser exigido no próximo exercício e desde que tenham transcorridos 90 dias da data da publicação da lei que houver instituído ou majorado o tributo (artigo 150, III, “b” e “c”, da CF). Assim, se o Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza (ISS) for majorado em janeiro de 2019, somente poderá ser exigido em 1º de janeiro de 2020, próximo exercício financeiro. Agora, se o ISS for majorado no dia 1º de dezembro de 2019, não poderá ser exigido no dia 1º de janeiro de 2020, mesmo que seja o próximo exercício financeiro, pois ainda não transcorreram os 90 dias da data da publicação da lei que majorou o tributo. Esse tributo só poderá ser cobrado em março de 2020, quando transcorridos os 90 dias da data da publicação. Ocorre, no entanto, que nem todos os tributos precisam respeitar o princípio da anterioridade. Existem várias exceções a esse princípio, previstas nos artigos 150, §1º; 155, §4º, IV, “c”; 177, §4º, I, “b”, e 195, §6º, da CF. a) Tributos que não precisam aguardar o próximo exercício (NÃO RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício) nem os 90 dias (NÃO RESPEITAM o princípio nonagesimal), ou seja, o tributo pode 42 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI ser cobrado: IMEDIATAMENTE!!!! São eles: (i) Imposto Extraordinário de Guerra (IEG); (ii) Empréstimo Compulsório de Guerra ou de Calamidade Pública; (iii) Imposto sobre Importação (II); (iv) Imposto sobre Exportação (IE); (v) Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Os tributos referentes à guerra, como o caso do imposto Extraordinário de Guerra e o Empréstimo Compulsório de Guerra ou de Calamidade Pública, não precisam respeitar nenhum princípio da anterioridade, devido ao fato da necessidade da sua cobrança. Caso haja uma guerra, o Brasil precisará urgentemente de dinheiro, não pode aguardar o próximo exercício, bem como os 90 dias para cobrar o referido tributo. Por essa razão, esses tributos de guerra são cobrados imediatamente. Com relação ao II, ao IE e ao IOF, por serem impostos regulatórios de mercado, apresentam o caráter de extrafiscalidade, não é razoável aguardar o próximo exercício para a efetiva cobrança. Por isso, também são exceções aos princípios da anterioridade do exercício e da anterioridade nonagesimal. Caso ocorra uma majoração, a cobrança poderá ser imediata. b) Existem tributos, no entanto, que não precisam aguardar o próximo exercício (NÃO RESPEITAM o princípio da anterioridade do exercício), mas precisam aguardar os 90 dias, para serem exigidos (RESPEITAM o princípio nonagesimal), são eles: (i) IPI; (ii) Casos de redução e restabelecimento das alíquotas da CIDE Combustível e do ICMS Combustível (artigos 155, §4º, IV, “c”, e 177, §4º, I, “b”, da CF); (iii) Contribuição Social (artigo 195, §6º, da CF). Não respeitar a anterioridade do exercício, mas respeitar o princípio da 43 MATERIAL PERTENCENTE AO CURSO DA OAB 1ª FASE DE QUESTÕES COM JOSIANE MINARDI anterioridade nonagesimal, os 90 dias, significa que a cobrança do tributo