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90 Unidade II Unidade II 5 INTRODUÇÃO À CINÉTICA DAS REAÇÕES QUÍMICAS Durante uma reação química os reagentes se transformam em produtos. Reagentes → Produtos A cinética química é o ramo da química que estuda a velocidade das reações químicas e os fatores que interferem na velocidade delas. Esse estudo é importante porque conhecendo os fatores que interferem na velocidade das reações será possível encontrar formas de controlar o tempo de desenvolvimento delas, tornando-as mais lentas ou mais rápidas, conforme a necessidade. Por exemplo, conhecer as reações químicas que fazem parte do amadurecimento de uma fruta nos dará informações sobre como podemos retardar esse processo e fazer com que ela esteja apropriada para consumo por mais tempo. Figura 41 – Banana madura Outro exemplo é a reação de escurecimento da polpa da maçã. Assim que cortamos uma maçã, a enzima que a escurece é liberada. O contato com o oxigênio do ar e a luz aumenta a velocidade desta enzima, a polifenoloxidase. Inicia-se portanto uma ação relativamente lenta de oxidação de compostos presentes na polpa, cujos produtos, embora possam ser consumidos sem problemas, não são agradáveis aos olhos. Esta reação pode ser inibida, ou seja, ter sua velocidade muito diminuída, se pingarmos algumas gotas de limão na polpa da maçã. Ela permanecerá clara e parecerá muito mais apetitosa aos olhos do consumidor. Isso acontece porque a acidez cítrica inibe a reação enzimática, diminuindo drasticamente sua velocidade. 91 FÍSICO-QUÍMICA Figura 42 – Polpa de maçã A data de validade de um fármaco está relacionada à degradação do princípio ativo (o que pode tornar o fármaco ineficaz) e à formação de subprodutos que poderiam ou não ser nocivos à saúde. Estudar a velocidade de um processo químico também é importante para conhecer a ação de um fármaco no organismo e até mesmo seu tempo de ação. Figura 43 – Fármacos Observando a figura a seguir, no estudo da velocidade das reações, percebe-se que no início da reação a quantidade de reagentes é máxima e, conforme ela avança, os reagentes interagem e formam produtos, portanto a quantidade de reagentes diminui com o tempo. Pode atingir um valor igual a zero ou constante. Já no começo da reação a quantidade de produtos é zero, pois neste instante ainda não ocorreu formação de produtos. Conforme ocorre a progressão, tem-se o desenvolvimento dos itens e a quantidade de cada produto aumenta com o tempo até atingir um valor máximo e constante. Produto Reagente Tempo Co nc en tr aç ão m ol ar Figura 44 – Gráfico da variação da concentração dos reagentes e produtos em função do tempo 92 Unidade II Para estudar a velocidade das reações químicas, medimos a variação da quantidade de reagente que foi consumido ou a variação da quantidade de produto formado com o passar do tempo. reação quantidade de reagente ou produto V tempo ∆ = ∆ As quantidades das substâncias podem ser medidas em: quantidade de matéria (mol), concentração molar (mol.L-1), massa, volume e pressão (principalmente no caso de gases). Considere a seguinte reação química genérica: A + B → C + D Observação A notação [ A ] significa concentração molar da substância A, ou seja, concentração da substância A em mol.L-1 A velocidade média de formação da substância C, por exemplo, pode ser dada por: [ ] [ ] [ ]final inicial media media final inicial C CC V ou V t T T −∆ = = ∆ − onde [C]final e [C]inicial correspondem, respectivamente, à concentração final e inicial da substância C, e Tfinal e Tinicial correspondem, respectivamente, ao tempo final e inicial do intervalo estudado. Consta na sequência um exemplo de exercício resolvido: Considerando a reação A+B→C+D, se aos 5 minutos a concentração da substância C for igual a 0,2 mol.L-1 e após 10 minutos constatarmos a existência de 0,6 mol.L-1 da substância C, qual é a velocidade média da reação neste intervalo de tempo? [C]final = 0,6 mol.L -1 ; [C]inicial = 0,2 mol.L -1 ; Tfinal = 10 min ; Tinicial = 5 min [ ] [ ]final inicial média final inicial C C V T T − = − então ( ) ( )média 0,6 0,2 V 10 5 − = − Portanto, Vmédia = 0,08 mol.L -1 . min-1 É importante notar que a velocidade pode ser trabalhada ou não em módulo. Se a opção for por não utilizar os resultados em módulo, teremos a seguinte interpretação dos sinais: 93 FÍSICO-QUÍMICA • Velocidade positiva: quando o valor da velocidade for positivo, trata-se da velocidade de produção da substância, ou seja, estamos determinando com qual velocidade uma substância é produzida. • Velocidade negativa: quando o valor da velocidade for negativo, trata-se da velocidade de consumo da substância, ou seja, estamos determinando com qual velocidade uma substância está sendo consumida. Algumas transformações ocorrem tão rapidamente (como uma explosão, que pode levar milésimos de segundos para acontecer), que é quase impossível medir a variação das quantidades dos reagentes e/ou produtos com o decorrer do tempo. Outras mudanças são tão lentas que o tempo necessário para que ocorra uma alteração nas quantidades das substâncias envolvidas é extremamente longo (como as reações de corrosão do ferro, nas quais o metal reage com o oxigênio e a umidade do ar, dando origem a óxidos solúveis). Figura 45 – Explosão e fogos de artifícios Figura 46 – Corrosão Em uma reação química, na maioria das vezes, a proporção em número de mols das substâncias que reagem e das que são formadas é diferente, como mostrado no exemplo que se segue: 1 N2 (g) + 3 H2 (g) → 2 NH3 (g) 94 Unidade II Nesta reação ocorre o consumo de 1 mol de nitrogênio gasoso (N2) juntamente com 3 mols de hidrogênio gasoso (H2), ao mesmo tempo em que se formam 2 mols de amônia gasosa (NH3). Observando as diferentes proporções em número de mols, podemos perceber que a velocidade média de consumo do N2 é diferente da velocidade média de consumo de H2, que por sua vez difere da velocidade média de formação de NH3. Como se pode, então, calcular a velocidade média da reação em função de qualquer substância, reagente ou produto, ao mesmo tempo? A velocidade pode ser média se o intervalo for longo, instantânea em caso de infinitesimal e inicial se for considerado o início da reação. A velocidade inicial é especialmente importante em reações compostas que envolvem várias etapas nas quais reações e produtos secundários podem afetar a velocidade global. Por sua vez, a velocidade média da reação pode ser considerada como o módulo da velocidade de consumo de um dos reagentes ou módulo da velocidade de formação de um dos produtos, dividido pelo respectivo coeficiente da substância na equação da reação balanceada. Portanto, no caso da velocidade média da reação anterior que forma amônia, teremos: NH3N2 H2 mReação VV V V 1 3 2 = = = Vejamos na sequência outro exemplo: 2 N2O5 (g) → 4 NO2 (g) + 1 O2 (g) A fórmula da velocidade média da reação anterior será dada por: N2O5 NO2 O2 mReação V V V V 2 4 1 = = = A combustão da amônia (NH3) é representada pela reação química: 4NH3 (g) + 5O2 (g) → 4NO(g) + 6H2O(g) Experimentos indicaram que, em determinado momento, a amônia estava sendo queimada a uma velocidade de 0,24 mol.L-1.s-1 • Calcule a velocidade de consumo de oxigênio (O2) nesse mesmo momento. • Calcule a velocidade de produção de H2O nesse mesmo momento. — Dado: VNH3 = 0,24 mol.L -1.s-1. Escrevendo-se a equação da velocidade média da reação, obtém-se: 95 FÍSICO-QUÍMICA NH3 O2 NO H2O mReação V V V V V 4 5 4 6 = = = = Sabendo que todos os termos mencionados são iguais pode-se escrever a igualdade entre o termo referente à substância da qual se conhece a velocidade (VNH3) e o outro relativo à substância que se quer calcular (VO2): NH3 O2V V 4 5 = Substituindo na igualdade o valor da velocidade de consumo de amônia NH3 em módulo, calcula-se a VO2: NH3 O2V V 4 5 = ⇒ O2 V0,24 4 5 = ⇒ O2V0,06 5 = ⇒ VO2 = 0,30 mol.L -1.s-1 — Para calcular VH2O, escreve-se a igualdadeentre o termo da substância que se conhece a velocidade (VNH3) e aquele da substância na qual se deseja calcular a velocidade: NH3 H2OV V 4 6 = Agora, basta substituir o valor da VNH3: NH3 H2O H2O H2OV V V V0,24 0,06 4 6 4 6 6 = ⇒ = ⇒ = ⇒ VH2O = 0,36 mol.L-1.s-1. 5.1 Energia envolvida nas reações químicas Reações químicas estão sempre relacionadas à energia. Por exemplo, a queima de madeira libera calor (energia térmica) e energia luminosa; já a reação que ocorre em uma pilha, produz energia elétrica. A reação de “queima” de glicose no organismo fornece energia química para o funcionamento das células. Quando acontece uma reação química, ela pode absorver ou liberar energia no processo de transformação dos reagentes a produtos. Por exemplo, a reação de decomposição do carbonato de cálcio sólido (CaCO3) em óxido de cálcio sólido (CaO) e gás dióxido de carbono (CO2) ocorre se houver fornecimento de energia (em forma de calor) ao sistema, a qual é absorvida: CaCO3 (s) + calor → CaO (s) + CO2 (g) 96 Unidade II Como houve absorção de calor na produção de CaO e CO2, pode-se dizer que a energia “entrou” no sistema e os produtos apresentam maior energia que o reagente CaCO3. Então, graficamente a energia envolvida na reação pode ser esquematizada assim: Produtos Energia "entrando" Reagentes Caminho da reação0 En er gi a Figura 47 – Gráfico de energia do sistema em função do caminho da reação – sistema com absorção de calor Reações que absorvem energia para que os produtos se formem são chamadas reações endotérmicas. Em outro exemplo, a reação de combustão do etanol líquido (C2H5OH) em presença de oxigênio gasoso (O2), após uma pequena faísca, ocorre liberando grande quantidade de calor. C2H5OH (l) + 3 O2 (g) → 2CO2 (g) + 3 H2O (l) + calor Como houve liberação de calor quando se formaram os produtos CO2 gasoso e H2O líquida, pode-se dizer que a energia “saiu” do sistema e esses produtos apresentam menor energia que aquela dos reagentes C2H5OH e O2. Então, graficamente a energia envolvida na reação pode ser esquematizada assim: Produtos Energia "saindo" Reagentes Caminho da reação0 En er gi a Figura 48 – Gráfico de energia do sistema em função do caminho da reação – sistema com liberação de calor Reações que liberam energia para que os produtos se formem são chamadas reações exotérmicas. A medida da variação da quantidade de calor liberada ou absorvida por uma reação, a pressão constante, é denominada “variação de entalpia”, com símbolo ∆H. Como é uma variação, pode-se determiná-la como ∆H = Hfinal - Hinicial, sendo entalpia inicial (Hinicial) a quantidade de energia dos reagentes e entalpia final (Hfinal) a quantidade de energia dos produtos. Assim sendo, é correto afirmar que: • Nas reações endotérmicas a energia dos produtos é maior que aquela dos reagentes, pois houve absorção de energia no processo. Desta forma, como Hfinal é maior que a inicial, o valor de ∆H será positivo (∆H>0). 97 FÍSICO-QUÍMICA • Nas reações exotérmicas a energia dos produtos é menor que aquela dos reagentes, pois houve liberação de energia no processo. Desta forma, como Hfinal é menor que a inicial, o valor de ∆H será negativo (∆H<0). É importante salientar que a variação de entalpia não depende do caminho da reação, mas da energia inicial (dos reagentes) e final (dos produtos). 5.2 Condições para que ocorra reação química Para que uma reação química se inicie, é necessário que algumas condições sejam satisfeitas: • Os reagentes devem estar em contato, o que depende de seu estado de agregação ou dispersão (sólidos, líquidos ou gasosos). • É preciso que haja afinidade química entre os reagentes, ou seja, tendência natural para reagirem. Quanto maior for a afinidade química entre os reagentes, maior será a sua tendência de reação. A afinidade depende da natureza dos reagentes. Por exemplo, ácidos e bases apresentam grande afinidade química, formando sempre sal e água. • Deve haver colisões eficazes entre as moléculas dos reagentes. Quanto maior for a frequência e a violência dos choques eficazes entre os reagentes, maior será a probabilidade de reação. 5.3 Teoria das colisões eficazes Estudando a forma como as moléculas dos reagentes se quebram para formar as moléculas dos produtos, descobriu-se que alguns fatores são determinantes na velocidade das reações químicas: • Quantidade de energia: existe uma energia mínima necessária para que a reação química aconteça. Isso ocorre porque para quebrar as ligações que estão nas moléculas dos reagentes é necessário que o sistema disponha de uma energia considerável – a chamada “energia de ativação”, que é suficiente para que seja vencida a barreira energética natural que separa os reagentes dos produtos. Essa barreira pode ser inserida nos gráficos das figuras anteriores e apresentada da seguinte forma: Energia Energia Produtos Produtos Caminho da reação Caminho da reação Reação exotérmica Reação endotérmica Reagentes Reagentes Calor liberado Calor absorvido Ea Ea Figura 49 – Gráficos de barreira de energia e de avaliação da energia de ativação 98 Unidade II Como exemplo, tem-se a reação do hidrogênio gasoso (H2) com iodo gasoso (I2), apresentada no gráfico a seguir, formando iodeto de hidrogênio (HI), também gasoso. Complexo ativado Reagentes Ecomplexo ativado Ereag Eprod Energia Produtos Caminho da reação HI HI H2 I2 H2 + I2 → 2 HI Reação Energia de ativação Figura 50 – Gráfico de variação da energia em função do caminho da reação, mostrando a barreira energética, energia de ativação Na análise do gráfico da figura anterior fica claro que se aos reagentes não for fornecida uma energia adicional, suficiente para chegar em uma estrutura conhecida como “complexo ativado”, os produtos não se formarão. Esta “energia adicional” que se deve proporcionar aos reagentes é chamada de energia de ativação (Ea). Quando a energia fornecida aos reagentes (Ereag) é igual ou maior que aquela de ativação, forma-se o complexo ativado. Observação A energia de ativação não está relacionada à variação de entalpia (∆H) da reação, pois o cálculo de ∆H é feito somente com os valores de entalpia dos reagentes e entalpia dos produtos. Perceba que no exemplo dado é necessário fornecer uma energia considerável aos reagentes (Ea é grande), mas após a formação dos produtos, percebemos que a energia dos itens é menor que a dos reagentes e, portanto, o valor de ∆H será negativo, ou seja, a reação libera energia. Teoricamente, o complexo ativado é uma estrutura intermediária instantânea, altamente energética, na qual as ligações que formam as moléculas dos reagentes estão se quebrando no mesmo instante em que as ligações químicas dos produtos já estão se formando. A figura que se segue mostra um esquema no qual as moléculas de H2 e I2 colidem formando inicialmente o complexo ativado e logo depois dando origem às duas moléculas de HI, ou seja, os produtos. 99 FÍSICO-QUÍMICA I H H I I H H H H I I I Reagentes Complexo ativado Produtos 2 HI H2 I2 Ligações químicas dos reagentes Ligações químicas dos produtos Figura 51 – Colisão de reagentes (H2 e I2), estrutura do complexo ativado e formação dos produtos Quanto maior for a violência das colisões, maior será a energia fornecida aos reagentes para formação do complexo ativado, e maior a probabilidade dos produtos se constituírem. • Orientação das moléculas: outro fator determinante na velocidade de uma reação química é a orientação apropriada das moléculas no instante da colisão. Essa condição depende também do tamanho e do formato das moléculas reagentes. Se as moléculas dos reagentes colidirem na orientação apropriada, haverá ocorrência do complexo ativado com consequente formação dos produtos. Caso ela não seja apropriada, a reação não ocorre. I I H H H2 I2 Não se formam produtos pois não há ocorrência do complexo ativado + Colisão com orientação não apropriada Figura 52 – Colisão com orientaçãonão apropriada Quanto maior for o número de colisões entre as moléculas, maior é a probabilidade de ocorrerem colisões nas quais a quantidade de energia é suficiente e nas quais a orientação é apropriada, o que aumenta a probabilidade de formação de produto, elevando a velocidade da reação química. Conclusão: uma colisão eficaz entre moléculas dos reagentes é aquela que ocorre com orientação apropriada e energia mínima para formar o complexo ativado (igual ou maior à energia de ativação). Uma colisão assim é chamada eficaz porque dará origem a produtos. Qualquer uma delas que aconteça com energia inferior à de ativação ou com orientação inapropriada não dará origem a itens e por isso é classificada como colisão “não eficaz”. 100 Unidade II Assim sendo, todos os fatores que interferem na velocidade das moléculas e na quantidade e intensidade de choques entre elas irão interferir na velocidade das reações químicas: estado de agregação das moléculas e consequente superfície de contato, temperatura, pressão (em reações nas quais participa ao menos uma substância no estado gasoso), presença de luz ou eletricidade, aumento ou diminuição da concentração dos reagentes. Observação Toda reação química tem uma energia de ativação. Essa energia de ativação pode ser muito pequena, próxima de zero, ou muito grande. 5.4 Fatores que interferem na velocidade de uma reação química Qualquer fator que interfira nas colisões entre os reagentes irá fazê-lo na velocidade da reação química. • Estado físico e superfície de contato: os gases reagem mais facilmente que os líquidos e esses o fazem melhor que os sólidos. Isto ocorre devido à velocidade de deslocamento das moléculas que é maior nos gases e líquidos, o que facilita as colisões entre as partículas e aumenta a velocidade das reações. Se em uma reação há reagentes em fases diferentes (líquidos e gases, sólidos e líquidos ou sólidos e gases), o aumento da superfície de contato entre eles aumenta a velocidade das reações. Considere uma reação entre uma substância sólida e outra líquida: quanto menores forem as partículas do sólido, maior será a área de superfície sólida e, portanto, maior a superfície de contato entre as partículas de ambas as substâncias, e maior é a possibilidade de essas partículas colidirem umas com as outras. Um exemplo é quando se acrescenta um comprimido de Sonrisal® triturado à água e ele se dissolve mais rapidamente do que se estivesse inteiro; isto acontece porque aumentamos a superfície de contato que reage ao líquido. Podemos usar também como modelos o fato de quando mastigamos um alimento ele é reduzido a muitos pedaços pequenos, não só para facilitar a deglutição como para melhorar o processo digestivo, pois aumentando sua superfície de contato com os ácidos e enzimas estomacais, a velocidade do processo de digestão será aumentada; pelo mesmo motivo a palha de aço de 8 g se enferruja (sofre reação de corrosão) bem mais rápido do que um parafuso de aço de 8 g quando deixados ao ar e umidade, pois na palha de aço a área de superfície de contato do aço com o oxigênio do ar é bem maior que a do aço contido no parafuso. 101 FÍSICO-QUÍMICA Figura 53 – Palha de aço Figura 54 – Parafusos de aço Sabe-se ainda que carvão em pedaços pequenos queima bem mais rápido do que em pedaços grandes, pois assim a área de superfície de contato com o oxigênio do ar é maior, aumentando a velocidade da reação de combustão. Figura 55 – Carvão em reação de combustão 102 Unidade II • Temperatura: a temperatura interfere diretamente na velocidade das reações químicas. É de conhecimento geral que um alimento pode permanecer mais tempo apropriado para consumo se ficar na geladeira, ou seja, se sua temperatura de armazenamento for reduzida. Figura 56 – Alimentos armazenados em geladeira Por que? Inicialmente, sabe-se que as moléculas que se movimentam apresentam energia cinética, ou seja, energia relacionada ao movimento. Quanto maior for o calor aplicado sobre as moléculas, mais elas se movem e maior é sua energia cinética. O gráfico a seguir mostra a distribuição de energia cinética das moléculas de um gás ou um líquido em uma determinada temperatura T. Baixa B A M Poucas Número de moléculas Temperatura TMaioria Média Alta Energia cinética • Ponto M: a maioria das moléculas possui um valor de energia cinética correspondete ao valor médio. • Ponto B: poucas moléculas são mais lentas que a maioria. • Ponto A: poucas moléculas são mais rápidas que a maioria. Figura 57 – Gráfico da curva de distribuição da energia das moléculas de um gás em sólido ou líquido A observação da curva de distribuição da energia cinética no gráfico da figura a seguir mostra que apenas uma parte das moléculas do sistema possui energia cinética maior ou igual à energia de ativação (Ea) na temperatura de trabalho T1, conforme se pode observar na imagem seguinte. 103 FÍSICO-QUÍMICA M Poucas Número de moléculas Temperatura T1 Maioria Média Ea Energia cinética Quantidade de moléculas com energia cinética superior a Ea (energia de ativação) Figura 58 – Gráfico da quantidade de moléculas em energia cinética superior a energia de ativação Portanto, poucas moléculas estarão em condições de ter colisões eficazes e formar produtos, ou seja, a velocidade da reação será pequena. No entanto, se a temperatura for aumentada para T2, a curva da distribuição da energia cinética das moléculas muda, como se pode observar no gráfico posterior, e assim se altera também a quantidade de moléculas que consegue ter energia cinética maior ou igual à energia de ativação. M Poucas Número de moléculas Temperatura T1 Temperatura T2 > T1 Maioria Média Ea Energia cinética Figura 59 – Gráfico do aumento do número de moléculas com energia maior que a energia de ativação causada pela elevação de temperatura Portanto, podemos afirmar que, quando a temperatura é aumentada de T1 para T2, uma quantidade maior de moléculas terá energia cinética maior ou igual à energia de ativação, e mais moléculas poderão formar o complexo ativado e dar origem aos produtos e assim será aumentada a velocidade da reação química. Conclusão: quanto maior for a temperatura, maior a energia cinética das moléculas e maior a velocidade das partículas; portanto, mais intensos serão os choques entre as partículas, maior será o número de colisões eficazes e, consequentemente, maior será a velocidade das reações químicas. • Pressão: a pressão só influencia de forma relevante a velocidade da reação química quando houver ao menos uma substância gasosa envolvida. O aumento de pressão em um sistema reacional 104 Unidade II implica em um contato maior entre os reagentes, pois o volume disponível para as moléculas diminui (como se pode observar a seguir), e assim haverá um número maior de partículas reagentes por unidade de volume (a concentração aumenta), possibilitando um maior número de colisões entre as partículas. Consequentemente a velocidade da reação se torna maior. P1 P2 > P1 V2 > V1V1 Figura 60 – Diminuição do volume aumenta a pressão e a concentração • Efeito da luz e da eletricidade: quando é necessária a presença de radiação luminosa para que uma reação química aconteça, dizemos que se trata de uma reação fotoquímica. Por exemplo, na fotossíntese (reação química através da qual as plantas capturam dióxido de carbono, água e energia e sintetizam carboidratos para sua sobrevivência com liberação de oxigênio para a atmosfera) ocorre a reação representada pela equação: 6 CO2 + 6 H2O Luz e clorofila 1 Glicose + 6 CO2 Nessa reação a luz é essencial, porque é ela que fornece a energia de ativação necessária ao processo. Outra reação química na qual a luz participa é a redução de sais de prata nos processos fotográficos: Ag+ + e- Luz AgO Assim como muitas reações são ativadas pela luz, há também aquelas acionadas pela eletricidade ou passagem de corrente elétrica. A combustão da gasolina nos motores dos automóveis,por exemplo, ocorre quando a faísca elétrica, transmitida pela vela, fornece a energia de ativação necessária. Outro exemplo desse modelo acontece quando existe ativação por descarga elétrica: trata-se da síntese da água a partir de hidrogênio e oxigênio. Caso esses gases estejam apenas em contato, não ocorre a reação, mas quando há uma faísca elétrica na mistura gasosa a reação é explosiva. • Catalisadores: outro fator que influi na velocidade das reações é a presença de catalisadores. Chama-se catalisador uma substância que aumenta a velocidade de uma reação sem que ela mesma sofra qualquer alteração qualitativa ou quantitativa permanente, ou seja, uma substância que atua por sua simples presença e ao final do processo reacional se regenera completamente. A catálise é necessária quando a energia de ativação de uma reação for razoavelmente alta e, portanto, somente uma pequena fração das colisões entre as moléculas dos reagentes levaria à formação de produtos, em temperaturas normais. 105 FÍSICO-QUÍMICA Como atua o catalisador? Um catalisador altera a rota da reação, sendo capaz de diminuir a energia do complexo ativado, reduzindo então a energia de ativação da reação química em questão. Assim sendo, uma fração maior das moléculas de reagentes poderá cruzar a barreira de energia mais baixa da trajetória catalisada e se transformar em produtos, como se pode observar na sequência. Sem catalisador Com catalisador Eprodutos EReagentes Energia Caminho da reação Ecomplexo ativo sem catalisador Ecomplexo ativo com catalisador Ea cat Ea Figura 61 – Gráfico do abaixamento da energia de ativação através da presença de catalisador É importante verificarmos que a presença de catalisador não altera a energia dos reagentes nem dos produtos, e por isso também não modifica a variação de entalpia (∆H). Muitos processos bioquímicos do nosso organismo são catalisados por substâncias proteicas complexas chamadas enzimas, cujo poder catalítico é elevado, aumentando a velocidade de reação em até milhões de vezes. Saiba mais Enzimas são catalisadores biológicos, capazes de aumentar a velocidade das reações em um fator de até 1020 mais do que reações não catalisadas. A fim de obter informações adicionais a respeito delas, leia: CAMPBELL, M. K.; FARRELL, S. O. Bioquímica. 5. ed. São Paulo: Thomson Learning, 2007. • Concentração dos reagentes: sabe-se que para que haja reação química entre duas substâncias “A” e “B” é preciso que ocorram colisões eficazes entre suas moléculas. O número de colisões irá depender também das concentrações de A e B. 106 Unidade II Menor concentração Maior concentração Figura 62 – Concentração Quanto maior for o número de moléculas de reagentes no frasco reacional, maior será a quantia de colisões entre elas. Se aumenta o número de colisões, cresce a probabilidade de haver colisões eficazes, e assim maior será a chance de formação de produto, com consequente elevação da velocidade da reação química. 5.5 Lei da Velocidade e Ordem de Reação A Lei da Velocidade ou Lei de Guldberg-Waage foi proposta em 1867 pelos cientistas noruegueses Cato Maximilian Guldberg (1836-1902) e Peter Waage (1833-1900). De acordo com ambos (1864), a velocidade de uma reação era diretamente proporcional ao produto das concentrações molares dos reagentes, para cada temperatura, elevada a expoentes experimentalmente determinados. Isso significa que se pode calcular a velocidade de uma reação genérica, como: aA + bB → cC + dD utilizando a expressão V = k.[A]m.[B]n , onde: • V = velocidade da reação; • k = constante da reação (depende da temperatura); • [A] = concentração molar do reagente A; • [B] = concentração molar do reagente B; • m, n = expoentes determinados experimentalmente (são conhecidos como ordem de reação). Pode-se dizer que a Lei da Velocidade é uma forma de indicar que a velocidade dessa reação depende diretamente da concentração dos reagentes. 107 FÍSICO-QUÍMICA Observação Devemos nos atentar ao fato de que quando alteramos a temperatura, a velocidade da reação também é mudada. O efeito da temperatura ocorre sobre a constante da reação, representada pela letra k. Quanto maior a temperatura, maior será o valor de k para a reação química. Quando se trata de uma reação química elementar, ou seja, que acontece em uma única etapa, os expoentes “m” e “n” são os coeficientes estequiométricos dos respectivos reagentes envolvidos no processo, isto é, “a” e “b”, respectivamente. Seja a reação genérica aA + bB → cC + dD e se ela for elementar, teremos v = k . [A]a . [B]b Exemplo: considere elementar a seguinte reação 1 A2 + 3 B2 → 2 AB3 Neste caso, a Lei da velocidade seria expressa assim: V = k.[A2] 1.[B2] 3 Como os expoentes da Lei da velocidade foram iguais respectivamente a 1 e 3, é certo afirmar que: • a reação é de ordem 1 (ou primeira ordem) em relação ao reagente A2; • a reação é de ordem 3 (ou terceira ordem) em relação ao reagente B2; • a ordem global da reação é 4 (somatória das ordens 1+3). A ordem de reação da reação global sempre é dada pela somatória dos expoentes da Lei da Velocidade. No entanto, são poucas as reações elementares. A maioria das reações químicas não ocorre em uma única etapa (apenas uma colisão de moléculas), mas em uma sequência de períodos. São as chamadas reações não elementares. As etapas que levam dos reagentes aos produtos e a relação delas entre si constituem o mecanismo da reação química. Considere a seguinte reação: 2 AB (g) + 2 C2 → 2 C2B (g) + 1 A2 (g) (reação global) Se essa reação ocorresse em uma única etapa, seria preciso haver colisão simultânea de 4 moléculas (2 moléculas de AB e 2 moléculas de C2). Isso seria pouco provável. Logo, essa reação segue um mecanismo em etapas distintas, que apresentam diferentes velocidades de reação. 1ª etapa: 2 AB(g) + 1 C2(g) → 1 A2B(g) + 1 C2B(g) (etapa lenta) 108 Unidade II 2ª etapa: 1 A2B(g) + 1 C2(g) → 1 A2(g) + 1 C2B(g) (etapa rápida) Lembrete A ordem de reação da reação global sempre é dada pela somatória dos expoentes da Lei da Velocidade. A soma de ambas fornecerá a reação global balanceada. 1ª etapa: 2 AB(g) + 1 C2 (g) → 1 A2B(g) + 1 C2B(g) (etapa lenta) + 2ª etapa: 1 A2B(g) + 1 C2 (g) → 1 A2 (g) 1 C2B(g) (etapa rápida) 2 AB (g) + 2 C2(g) → 2 C2B (g) + 1 A2 (g) reação global Mas como esse mecanismo em etapas pode ser proposto? Combinando a Teoria das Colisões com dados experimentais. Observação A espécie química A2B foi produzida na primeira etapa da reação, e depois consumida na segunda reação, e não aparece na reação global. Ela é considerada um intermediário. Quando uma reação química ocorre em mais de uma etapa, cada uma delas tem sua própria velocidade e sempre existe uma fase mais lenta. A etapa mais lenta da reação determina a velocidade global do processo. Assim, a Lei da Velocidade Geral (ou seja, para a reação global) é dada a partir da observação apenas da etapa lenta. Então, nesse caso, observando apenas a reação da etapa lenta, a Lei da Velocidade será: V = k. [AB]2 . [C2] 1 Lembrando que k é a constante da velocidade, que depende da temperatura na qual a reação ocorre. Quanto maior for a temperatura, maior será o valor de k. Outro exemplo seria a reação de transformação de ozônio gasoso (O3) em gás oxigênio (O2). Ela também acontece em duas etapas. 109 FÍSICO-QUÍMICA 1ª etapa: 1 O3(g) → 1 O2(g) + 1 O(g) (etapa rápida) 2ª etapa: 1 O(g) + 1 O3(g)) → 2 O2(g) (etapa lenta) Reação global 2 O3(g) → 3 O2(g) Para essa reação global, a Lei da Velocidade deve ser escrita assim: V = k . [O]1 . [O3] 1 mostrando que a velocidade da reação global não depende apenas da concentração molar de O3, mas da concentração do oxigênio atômico O gerado no processo. Esse oxigênio atômico é um intermediário da reação. Voltando ao exemplo da reação global: 2 AB (g) + 2 C2 → 2 C2B (g) + 1 A2 (g) Que é a soma de suas etapas: 1ª etapa: 2 AB(g) + 1 C2(g) → 1 A2B(g) + 1 C2B(g) (etapalenta) 2ª etapa: 1 A2B(g) + 1 C2(g) → 1 A2(g) + 1 C2B(g) (etapa rápida) Lembrete A Lei da Velocidade Geral é dada a partir da observação apenas da etapa lenta. Como se poderia auferir experimentalmente a Lei da Velocidade se não fossem conhecidas as etapas da reação? A partir da realização de alguns ensaios como o proposto na sequência: Tabela 11 – Ensaios para determinação da ordem da reação Ensaio nº [AB] (mol.L-1) [C2] (mol.L-1) Velocidade (mol.L-1.min-1) Comparação com o ensaio nº 1 inicial 1 0,10 0,10 1,01x10-3 Referência 2 0,10 0,20 2,02x10-3 Dobrou apenas [C2] em relação ao ensaio 1, velocidade dobrou 3 0,20 0,10 4,04x10-3 Dobrou apenas [AB] em relação ao ensaio 1, velocidade quadruplicou 4 0,30 0,10 9,09 x10-3 Triplicou apenas [AB] em relação ao ensaio 1, velocidade ficou multiplicada por 9 • Ensaio nº 1: será a referência, ou seja, aquele com o qual compararemos os ensaios 2 e 3. Quando [AB] = 0,10 mol.L-1 e [C2] = 0,10 mol.L -1, a velocidade da reação é igual a 1,01 x 10-3 mol.L-1.min-1 110 Unidade II • Ensaio nº 2: somente a concentração do reagente C2 foi dobrada em comparação ao ensaio 1. Nota-se que a velocidade da reação também dobra, indo de 1,01 x 10-3 mol.L-1.min-1 para 2,02 x 10-3 mol.L-1.min-1 Então, pode-se raciocinar assim: 2.[C2 ] = V.2 Logo, qual o expoente “x” que se insere para a [C2] x na Lei da Velocidade? O expoente “x” deve ser igual a 1, porque 21 = 2, pois a variação da concentração (2 vezes) elevado ao expoente “x” deve ser semelhante ao valor de variação da velocidade (2 vezes). Portanto, a ordem da reação em relação a C2 é 1 e, assim, sabe-se que: V = k . [C2] 1 • Ensaio nº 3: apenas a concentração do reagente AB foi dobrada, em comparação ao ensaio 1. Nota-se que a velocidade da reação quadruplica, indo de 1,01x10-3 mol.L-1.min-1 para 4,04 x 10-3 mol.L-1.min-1 Nesse caso, pode-se raciocinar assim: 2.[AB ] = V.4 Logo, qual o expoente “x” que se insere para a [AB]x na lei da velocidade? O expoente “x” deve ser igual a 2, porque 22 = 4, pois a variação da concentração (2 vezes) elevado ao expoente “x” deve ser semelhante ao valor de variação da velocidade (4 vezes). Portanto, a ordem da reação em relação a AB é 2 e, assim, sabemos que V = k . [AB]2 • Ensaio nº 4: apenas a concentração do reagente AB foi triplicada, em comparação ao ensaio 1. Nota-se que a velocidade da reação fica multiplicada por 9, indo de 1,01 x 10-3 mol.L-1.min-1 para 9,09 x 10-3 mol.L- 1.min-1 Então, pode-se raciocinar assim: 3.[AB ] = V.9 Logo, qual o expoente “x” que se insere para a [AB]x na Lei da Velocidade? O expoente deve ser igual a 2, pois 32 = 9. A variação da concentração (3 vezes) elevada ao expoente “x” deve ser semelhante ao valor de variação da velocidade (9 vezes). Portanto, fica confirmado que a ordem da reação em relação a AB é 2 e, assim, sabemos que: V = k . [AB]2 111 FÍSICO-QUÍMICA Sendo assim, é correto juntar as informações e escrever a seguinte Lei da Velocidade para a reação global: 2 AB (g) + 2 C2 → 2 C2B (g) + 1 A2 (g) V = k. [AB]2. [C2] 1 Finalizando, podemos dizer que: • a reação é de ordem 1 (ou primeira ordem) para o reagente C2; • a reação é de ordem 2 (ou segunda ordem) para o reagente AB; • a ordem global da reação é 3 (1+2) (ou terceira ordem). Consequentemente, pode-se definir ordem de reação conforme Fonseca (2001): “ordem de reação em relação a um reagente indica a dependência existente entre a concentração molar desse reagente e a velocidade da reação global.” 6 EQUILÍBRIO QUÍMICO Para estudar o equilíbrio químico, analisaremos um dos processos de engarrafamento de refrigerantes. Depois que se coloca na garrafa o xarope, adiciona-se a água e um bocal de mangueira se encaixa na garrafa e injeta, sob pressão, o gás CO2, que é o gás refrigerante, neste caso. Figura 63 – Fábrica de refrigerantes Quando o CO2 entra em contato com a água sob pressão, ocorre a seguinte reação: H2O + CO2 → H2CO3 112 Unidade II Na qual há produção do ácido carbônico, H2CO3, que é instável, e fica dissolvido na água em forma de outras espécies químicas enquanto a garrafa estiver pressurizada. Quantidade considerável do CO2 também permanece dissolvida na água. Ao abrir a garrafa ouve-se um chiado, denunciando a saída de gás, que inicialmente está na superfície do líquido. Assim, alivia-se a pressão interna da garrafa e percebe-se o aparecimento de bolhas em todo o corpo do líquido. O que está ocorrendo é o processo inverso, ou seja, o ácido carbônico se desproporciona em água e bolhas de CO2: H2CO3 → H2O + CO2 Então, pode-se afirmar que, quando a garrafa é pressurizada, ocorre a reação H2CO2 → H2O + CO3 e quando a garrafa é aberta e a pressão interna diminui, ocorre a reação inversa H2CO3 → H2O + CO2. Na verdade, as duas reações podem ocorrer ao mesmo tempo, e o sistema será representado por: H2O + CO2 Reação direta (1) Reação reversa (2) H2CO3 As flechas em sentidos opostos indicam que as duas reações ocorrem no mesmo sistema. Isso quer dizer que assim que se forma uma certa quantidade de produto(s), eles tornam a formar reagentes. Logo, ambas são chamadas “reações reversíveis”. Observação De modo teórico, toda a reação química ocorre nos dois sentidos, mas em algumas delas é praticamente impossível detectar a reação reversa. São chamadas “reações irreversíveis”. Na prática, o conceito “equilíbrio químico” é aplicado só a reações reversíveis. Para compreender o sistema em equilíbrio químico, considere o seguinte experimento, no qual vai se processar a reação genérica: A + B 1 2 C + D As duas ocorrerão ao mesmo tempo. Na reação 1, A reage com B e a seta indica que C e D são formados. Então, na reação 1, A e B são reagentes e entrarão na Lei da Velocidade. Reação direta (1): V1 = k1.[A].[B] Na reação 2, C reage com D e a seta indica que A e B serão formados. Logo, na reação 2, C e D são reagentes e entrarão na Lei da Velocidade. Reação reversa (2): V2 = k2.[C].[D] 113 FÍSICO-QUÍMICA Inicialmente temos os reagentes A e B, em frascos separados. A reação ainda não está ocorrendo e C e D ainda não se formaram. Ao misturar os reagentes A e B no mesmo frasco, no exato instante, as concentrações de A e B são máximas, porque a partir daí a reação se inicia, as moléculas de A e B vão colidir e formar C e D. • Início: [A] e [B] são máximas ⇒ V1 é máxima (pois V1 depende de [A] e [B]). • [C] e [D] são iguais a zero ⇒ V2 é zero (pois V2 depende de [C] e [D]). Conforme a reação começa, A e B vão sendo consumidos, C e D vão sendo formados. Ao passar do tempo: • [A] e [B] vão diminuindo ⇒ V1 diminui (pois V1 depende de [A] e [B]). • [C] e [D] vão aumentando ⇒ V2 aumenta (pois V2 depende de [C] e [D]). Sendo assim, nota-se que se V1 diminui com o passar do tempo enquanto V2 aumenta, em um determinado instante V1 será igual a V2. Neste momento, no qual V1=V2 , estabelece-se o equilíbrio químico. Consta na sequência figura com o instante no qual o equilíbrio se estabelece: Tempo Equilíbrio Ve lo ci da de Reação direta Reação reversa Figura 64 – Gráfico da velocidade das reações direta e reversa em função do tempo até o estabelecimento do equilíbrio químico A partir do instante no qual as velocidades das reações direta (1) e reversa (2) se igualam, as quantidades das substâncias presentes A, B, C e D não sofrerão mais alterações. Observação Quando se estabelece o equilíbrio, as reações direta e reversa não terminaram. Elas continuam a ocorrer, em velocidades iguais. Trata-se então de um “equilíbrio dinâmico”. 114 Unidade II As figuras que se seguem mostram a variação das concentrações de reagentes e produtos com o passar do tempo para os três tipos possíveis de sistema em equilíbrio. • 1º caso: concentração dos reagentes igual à concentração dos produtos. Esta situação raramente ocorre. Reagentes Produtos Tempo (min) Co nc en tr aç ão (m ol /L ) 5 Tempo do equilíbrio Figura 65 – Gráfico de equilíbrio dos sentidos direto e inverso de reação.Ao atingir o equilíbrio, as concentrações dos reagentes são iguais às dos produtos Como após o equilíbrio as concentrações de reagentes e produtos estão iguais, ele não está deslocado para lado algum, ou seja, as reações direta e reversa ocorreram com a mesma intensidade, nenhuma delas foi favorecida. A representação da reação pode ser dada por: Reagentes Reação direta Reação reversa Produtos • 2º caso: concentração dos produtos maior que a dos reagentes. Esta situação, industrialmente falando, é a mais conveniente, uma vez que quanto maior for a formação de produtos, maior será o lucro. Reagentes Produtos Tempo (min) Co nc en tr aç ão (m ol /L ) 5 Tempo do equilíbrio Figura 66 – Equilíbrio químico. Ao atingir o equilíbrio, as concentrações dos produtos estão maiores que as dos reagentes 115 FÍSICO-QUÍMICA Como após o equilíbrio as concentrações de produtos são maiores que as dos reagentes, o equilíbrio está deslocado no sentido da reação direta, que forma os produtos, ou seja, ela ocorreu com maior intensidade. A representação da reação pode ser dada por: Reagentes Reação direta Reação reversa Produtos • 3º caso: concentração dos reagentes maior que a dos produtos. Esta situação, industrialmente falando, não é conveniente, pois seu rendimento é muito baixo. Reagentes Produtos Tempo (min) Co nc en tr aç ão (m ol /L ) 5 Tempo do equilíbrio Figura 67 – Equilíbrio químico. Ao atingir o equilíbrio, as concentrações dos reagentes ainda permanecem maiores que as dos produtos Como após o equilíbrio as concentrações de reagentes são maiores que as dos produtos, ele está deslocado no sentido da reação reversa, que forma os reagentes, ou seja, a reação reversa ocorreu com maior intensidade. A representação da reação pode ser dada por: Reagentes Reação direta Reação reversa Produtos Nos três casos, após o tempo do equilíbrio, as concentrações dos reagentes e produtos não mudam mais, se não houver perturbação do sistema, ou seja, se não existirem modificações externas. Assim, podem-se listar as características que identificam um sistema em equilíbrio químico: • As reações direta e reversa continuam ocorrendo simultaneamente, portanto, há equilíbrio químico e dinâmico. • A velocidade da reação direta é igual à velocidade da reação reversa. • Se não houver alteração no sistema em equilíbrio, as concentrações dos reagentes e produtos permanecerão constantes. 116 Unidade II • O equilíbrio dinâmico ocorre somente em sistemas fechados, ou seja, naqueles em que tanto a matéria quanto a energia não são adicionadas ou retiradas, não há troca com o exterior. 6.1 Constante de equilíbrio Caso o seguinte sistema químico genérico em equilíbrio esteja sendo estudado aA + bB Reação 1 Reação 2 cC + dD e as reações 1 (direta) e 2 (reversa) forem consideradas elementares, podemos escrever para cada uma delas suas respectivas leis da velocidade: V1 = k1 . [A] a . [B]b e V2 = k2 . [C] c . [D]d Como sabemos, no equilíbrio as velocidades das reações direta e reversa são iguais, então podemos escrever V1 = V2 e, portanto: k1 . [A] a . [B]b = k2 . [C] c . [D]d Isolando as constantes à esquerda e as concentrações molares à direita, teremos: [ ] [ ] [ ] [ ] c d 1 a b 2 C . Dk k A . B = Agora considerando o termo 1 c 2 k K k = , teremos: [ ] [ ] [ ] [ ] c d c a b C . D K A . B = Onde Kc é igual à constante de equilíbrio em termos de concentração molar. A expressão de Kc anterior também é chamada de Lei de Ação das Massas ou Lei de Guldberg-Waage, e a constante de equilíbrio Kc é a relação entre as concentrações das espécies químicas que compõem o equilíbrio em uma determinada temperatura. Como Kc é a relação entre as concentrações, teremos: [ ] [ ]c produtos K reagentes = 117 FÍSICO-QUÍMICA O valor da constante de equilíbrio é uma ótima ferramenta, pois permite avaliar a concentração dos reagentes e produtos quando o equilíbrio é atingido: • Quanto maior o valor de Kc, maior será a concentração dos produtos no equilíbrio. • Quanto menor o valor de Kc, menor será a concentração dos produtos no equilíbrio. Utiliza-se Kc quando a constante de equilíbrio estiver em função da concentração molar das espécies químicas e pode-se usar Kp no momento da necessidade da constante de equilíbrio em função da pressão parcial dos gases presentes. Para aplicar os conceitos explicados anteriormente considere o exemplo a seguir, no qual temos o sistema em equilíbrio regido pelas reações reversíveis: H2 (g) + I2 (g) ⇄ 2 HI (g) Tempo (min) Co nc en tr aç ão (m l/L ) 3 [H2] [I2] [HI] Equilíbrio químico 0,0 0,2 0,1 0,4 Figura 68 – Variação da concentração de reagentes e produtos em função do tempo Na figura anterior observa-se que aos 3 minutos o equilíbrio foi atingido, pois a partir deste tempo as concentrações de H2, I2 e HI não variam mais (formam patamares). Aplicando a fórmula [ ] [ ] [ ] [ ] c d c a b C . D K A . B = a partir da reação H2 (g) + I2 (g) ⇄ 2HI (g) onde A equivale a H2, B equivale a I2 e C equivale a HI. Se quisermos calcular o valor da constante Kc, basta aplicar os valores das concentrações indicados para o equilíbrio da reação. Assim, fica: [ ] [ ] [ ] 2 c 0,4 K 0,1 . 0,2 = e, portanto, Kc = 8 Como os componentes são gasosos, também poderíamos escrever a constante de equilíbrio em termos de pressões parciais (Kp) dos gases: 118 Unidade II 2 p 2 2 p HI K pH .pI = Substâncias presentes no equilíbrio podem estar em diferentes estados físicos (líquido, sólido e/ou gasoso), formando um equilíbrio heterogêneo. Conforme Fonseca (2001), só devem fazer parte da expressão de Kc e Kp as concentrações molares que podem sofrer variações, como é o caso de substâncias em solução (fase líquida) ou substâncias gasosas. A concentração molar de uma substância na fase sólida é constante, e assim seu valor é automaticamente incluído no próprio valor de Kc. Já na expressão de Kp entram apenas as substâncias gasosas, pois sólidos e líquidos têm pressão parcial fraca. Como exemplo, temos a reação de calcinação do carbonato de cálcio, dada por: CaCO3 (s) ⇄ CaO (s) + CO2 (g) Aplicando a expressão de Kc a essa reação, teríamos [ ] [ ] [ ] 2 c 3 CaO . CO K CaCO = Como Cao e CaCO3 são sólidos, suas concentrações devem ser retiradas da expressão de Kc. [ ] [ ] [ ] 2 c 3 CaO . CO K CaCO = e, por fim, ela será Kc = [CO2]. Como o [CO2] é uma espécie em fase gasosa, podemos relacionar as constantes Kc e Kp de acordo com a equação Kp = Kc . RT (∆n), onde: • Kp = constante de equilíbrio em função da pressão parcial; • Kc = constante de equilíbrio em função da concentração molar; • R = constante dos gases ideais (R= 0,082 atm.L.mol-1.K-1 ); • T = temperatura em Kelvin (K); • ∆n é a variação do número de mols: nº mols dos reagentes - nº mols dos produtos. Lembrete Substâncias presentes no equilíbrio podem estar em diferentes estados físicos (líquido, sólido e/ou gasoso), formando um equilíbrio heterogêneo. 119 FÍSICO-QUÍMICA Por que é importante estudar a constante de equilíbrio? Porque seu valor nos permite interpretar a extensão da ocorrência de cada uma das reações do sistema. Sabendo que [ ] [ ]c produtos K reagentes = , temos as seguintes situações: Situação 1: valor de Kc maior que 1 Neste caso, quando o equilíbrio se estabeleceu, a concentração dos “produtos” (indicadas no numerador da expressão de Kc) é maior que a dos “reagentes” (apresentadas no denominador), o que nos permite concluir que a reação direta prevaleceu sobre a reação reversa. Então: Kc > 1 ⇒ quantidade de produtos é maior que quantidades de reagentes, no equilíbrio. Situação 2: valor de Kc menor que 1 Neste caso, quando o equilíbrio se estabeleceu, a concentração dos “reagentes” (indicadas no denominador da expressão de Kc) é maior que a dos “produtos” (apresentadas no numerador na expressão de Kc), o que nos permite concluir que a reação reversa prevaleceu sobre a reaçãodireta. Então: Kc < 1 ⇒ quantidade de reagentes é maior que quantidades de produtos, no equilíbrio. Por exemplo: considere um ácido genérico, HA, com a seguinte reação de ionização em água, formando um sistema em equilíbrio. HA ⇄ H+ + A- Forma não ionizada Forma ionizada [ ]c H . A K HA + − = Geralmente o que se avalia é a ordem de grandeza da constante de equilíbrio Kc. Se o valor de Kc para a reação de ionização de HA for alto (por exemplo, 1 x 10 3), significa que no equilíbrio os valores [H+] e [A-] são altos e que o valor de [HA] é baixo, o que permite concluir que o ácido é forte e tem grande tendência a liberar seus íons H+. Já se o valor da constante de equilíbrio Kc for um valor baixo (por exemplo: 1 x 10-5), quer dizer que os valores [H+] e [A-] são baixos e que o valor de [HA] é alto, permitindo concluir que este ácido é fraco e sua tendência maior é permanecer na forma não ionizada HA. De modo generalizado, podemos dizer que quanto maior for o valor de Kc, maior será a extensão da ocorrência da reação direta e quanto menor for o valor de Kc, maior será a extensão da ocorrência da reação reversa. 120 Unidade II 6.2 Cálculo de Kc O cálculo da constante de equilíbrio requer dados experimentais e o conhecimento da reação química e seu balanceamento correto. O modelo seguinte mostra uma das formas de calcular o valor de Kc. No exemplo a seguir, considere que em um frasco misturou-se 6,00 mol.L-1 de dióxido de enxofre (SO2) gasoso com 5,00 mol.L -1 de gás oxigênio (O2). Mantendo certas condições de temperatura e pressão, após atingir o equilíbrio verificou-se a presença de 4,00 mol.L-1 de trióxido de enxofre (SO3) gasoso no frasco. Qual o valor da constante de equilíbrio (Kc) para este sistema? Reações químicas: 2 SO2 (g) + 1 O2 (g) ⇄ 2 SO3 (g) Observando a reação anterior já se pode escrever a expressão de Kc. [ ] [ ] [ ] 2 3 c 2 1 2 2 SO K SO . O = , sendo que [ ] [ ]c produtos K reagentes = Aqui é importante entender que as concentrações de SO2 e O2 mencionadas no exemplo são concentrações iniciais e não concentrações dessas substâncias no sistema já em equilíbrio, assim tais valores não podem ser aplicados diretamente na expressão de Kc. É necessário descobrir quais serão as quantidades das concentrações molares de SO2 e de O2 depois que o equilíbrio for atingido e esses números é que deverão ser aplicados na expressão de Kc. Neste caso, sabe-se que no instante inicial há no frasco 6,00 mol.L-1 de SO2 e 5,00 mol.L -1 de O2, mas ainda não se formou produto, ou seja, inicialmente a quantidade do produto SO3 é igual a zero. Então, podemos preencher a seguinte tabela, que mostra valores de concentrações molares das substâncias. Tabela 12 – Concentração inicial de cada reagente e produto no início da reação 2 SO2 (g) + 1 O2 (g) ⇄ 2 SO3 (g) Início 6,00 5,00 0,00 Variação Equilíbrio Continuando, o problema informa que, após estabelecido o equilíbrio, a concentração molar de SO3 encontrada no frasco é igual a 4,00 mol.L-1. Logo, esse valor deve ser colocado a seguir na coluna do SO3, na linha referente ao equilíbrio: 121 FÍSICO-QUÍMICA Tabela 13 – Concentração do produto no equilíbrio 2 SO2 (g) + 1 O2 (g) ⇄ 2 SO3 (g) Início 6,00 5,00 0,00 Variação Equilíbrio 4,00 Como inicialmente não havia SO3 no frasco reacional e ao final encontrou-se 4,00 mol.L -1 desta substância, podemos alegar que a variação de SO3 foi positiva (+) 4,00 mol.L -1, ou seja, foram formados 4,00 mol.L-1. Tabela 14 – Variação de produto 2 SO2 (g) + 1 O2 (g) ⇄ 2 SO3 (g) Início 6,00 5,00 0,00 Variação +4,00 . Equilíbrio 4,00 Em seguida, observando a proporção entre os reagentes e produtos na reação, marcados em amarelo na tabela anterior, vemos que se fossem formados 2 mols de SO3 teriam sido gastos 2 mols de SO2, o que nos permite concluir que, já que foram formados 4 mol.L-1 de SO3, então devem ter sido gastos 4 mol.L-1 de SO2. Assim sendo, coloca-se 4,00 mol.L -1 na linha de variação da tabela na sequência, coluna do SO2 e já se faz o total, calculando-se quanto restará de SO2 no equilíbrio. Tabela 15 – Variação de reagente SO2 conforme a proporção estequiométrica 2 SO2 (g) + 1 O2 (g) ⇄ 2 SO3 (g) Início 6,00 5,00 0,00 Variação - 4,00 +4,00 Equilíbrio 2,00 4,00 Ainda observando a proporção entre os reagentes na tabela anterior, percebe-se que se fossem gastos 2 mols de SO2 na reação, teria sido consumido também 1 mol de O2 (metade). Logo, podemos dizer que, como se consumiu 4,00 mol.L-1 de SO2, então devem ter se consumido 2,00 mol.L -1 de O2 (metade). Coloca-se esse valor na linha de variação de O2 e teremos o total de O2 restante no equilíbrio, como veremos a seguir. Tabela 16 – Variação de reagente O2 conforme proporção estequiométrica 2 SO2 (g) + 1 O2 (g) ⇄ 2 SO3 (g) Início 6,00 5,00 0,00 Variação - 4,00 -2,00 +4,00 Equilíbrio 2,00 3,00 4,00 122 Unidade II Conhecendo-se as concentrações dos reagentes e produtos no equilíbrio, agora basta substituir os valores das concentrações molares das espécies químicas presentes na expressão de Kc: [ ] [ ] [ ] 2 3 c 2 1 2 2 SO K SO . O = , e assim vem [ ] [ ] [ ] 2 c 2 1 4,00 K 2,00 . 3,00 = e, então, Kc = 1,33 6.3 Deslocamento do equilíbrio Sabe-se que equilíbrio químico é a situação ocorrida em um sistema quando as velocidades das reações químicas direta e reversa que estão acontecendo se igualam. A partir do instante em que o equilíbrio é atingido, as concentrações dos reagentes e dos produtos não sofrem mais alterações se não houver perturbação deste equilíbrio. No entanto, em caso afirmativo, tal sistema em equilíbrio se desloca para minimizar ou anular o efeito da perturbação. Trata-se do Princípio de Le Châtelier. Para ilustrar o deslocamento do equilíbrio a qualquer tipo de perturbação, pode-se dizer que “o equilíbrio se desloca de forma contrária a toda alteração que se fizer sobre ele”. E como ele “se desloca”? Aumentando a velocidade da reação química (direta ou reversa) que diminui o efeito da perturbação, ou seja, elevando sua velocidade até atingir um novo estado de equilíbrio. Antes de estudar os fatores capazes de deslocar um equilíbrio químico, é importante saber que a adição de um catalisador não desloca o equilíbrio. Isso ocorre porque o catalisador acelera tanto a velocidade da reação direta como a aquela da reação reversa e assim diminui o tempo que leva para que o equilíbrio seja atingido, e nenhuma das reações será favorecida perante a outra. O comparativo dos gráficos na figura seguinte mostra o tempo que leva uma determinada reação genérica A+B ⇄ C+D para alcançar o equilíbrio (tequilíbrio), sem e com catalisador. 3 2 C, D A, B Tempo Sem catalisador tequilíbrio 1 0 Co nc en tr aç ão m ol ar 3 2 C, D A, B Tempo Com catalisador tequilíbrio 1 0 Co nc en tr aç ão m ol ar Figura 69 – Gráficos comparativos entre tempo de equilíbrio para reação catalisada e não catalisada Ao observar o comparativo dos gráficos da figura anterior, ambos relativos à reação genérica A+B ⇄ C+D, percebe-se que as concentrações dos reagentes e produtos, após atingir o equilíbrio, são as mesmas, independentemente da reação ser catalisada ou não. Apenas na reação catalisada o tempo de equilíbrio (tequilíbrio) é menor. 123 FÍSICO-QUÍMICA 6.4 Fatores que deslocam o equilíbrio químico Variações de pressão Sistemas em equilíbrio só são deslocados por variações na pressão caso haja espécies químicas no estado gasoso. Considere a reação química a seguir em equilíbrio. 1 N2 (g) + 3 H2 (g) 1 2 2 NH3 (g) ↑ ↑ 4 volumes 2 volumes Os coeficientes da reação balanceada são proporcionais às quantidades em volume das substâncias na fase gasosa. No equilíbrio anterior, a reação 1 (direta) provoca uma redução de volume de gases no sistema e a reação 2 (reversa) provoca aumento de volume. Se houver aumento da pressão, o sistema em equilíbrio se desloca favorecendoa reação que produz menor número de volumes, ou seja, no exemplo prévio, se a pressão sobre o sistema for aumentada, ele se deslocará favorecendo a reação 1 (direta), a qual provoca redução de volumes. Assim, como a reação 1 está sendo favorecida, a quantidade de NH3 deve aumentar e as quantidades de N2 e de H2 precisam diminuir até chegar a um novo estado de equilíbrio. Se houver diminuição da pressão, o sistema em equilíbrio se desloca favorecendo a reação que produz maior número de volumes, ou seja, no exemplo dado, se a pressão sobre o sistema for diminuída, ele se desloca proporcionando a reação 2 (reversa), a qual provoca aumento de volumes. Assim sendo, como a reação 2 está sendo favorecida, a quantidade de NH3 deve diminuir e as quantidades de N2 e de H2 precisam aumentar até chegar a um novo estado de equilíbrio. Então, podemos concluir que: • O aumento da pressão sobre o sistema desloca o equilíbrio químico no sentido de formar o menor número de mols na fase gasosa. • A diminuição da pressão sobre o sistema desloca o equilíbrio químico no sentido de formar o maior número de mols na fase gasosa. Variações de temperatura As reações químicas envolvem troca de calor, que pode ser desprezível ou muito relevante. Processos químicos que liberam calor para o ambiente, como as reações de combustão, a dissolução de soda cáustica em água, e a dissolução de ácido sulfúrico em água, são chamados “processos exotérmicos” (exo significa fora) e também há métodos que absorvem calor do ambiente (“roubam” calor do entorno, 124 Unidade II deixando-o frio), como a evaporação do álcool e do éter e a dissolução de nitrato de amônio em água, e são chamados “processos endotérmicos” (endo que quer dizer dentro). A variação de calor durante um processo é chamada “variação de entalpia”, ou ∆H. Valores de ∆H tabelados e disponíveis na literatura podem ajudar a prever o deslocamento de equilíbrio de reações químicas que envolvem troca de calor com o ambiente. • Se ∆H for maior que zero, a reação é endotérmica. • Se ∆H for menor que zero, a reação é exotérmica. Observe a reação: 4 NH3 (g) + 5 O2 (g) 1 2 4 NO2 (g) + 6 H2O (g) ∆H<0 Para essa reação, o valor de ∆H é menor que zero e assim ela é uma reação exotérmica. Porém, por se tratar de um sistema em equilíbrio, ocorrem ao mesmo tempo duas reações: a reação direta (1) e a reação reversa (2). Qual delas é exotérmica? Aqui há uma convenção: a indicação da variação de entalpia de um sistema em equilíbrio é sempre referente à reação direta (reação 1). Portanto, nesse exemplo a reação na qual NH3 e O2 são consumidos para formar NO2 e H2O é exotérmica e libera calor. Já a reação reversa, na qual NO2 e H2O são consumidos para formar NH3 e O2, será endotérmica e absorverá calor. Ainda tendo como exemplo a reação anterior, de acordo com o Princípio de Le Châtelier, caso aquele sistema em equilíbrio seja colocado em um banho de gelo (está sendo então resfriado), ele se deslocará favorecendo a reação exotérmica (aquela que aquece o ambiente no seu entorno). Caso o sistema em equilíbrio seja posto em uma estufa (está sendo então aquecido), se deslocará favorecendo a reação endotérmica (aquela que esfria o ambiente em torno). O raciocínio pode ser generalizado como: • um aumento de temperatura que desloca o equilíbrio no sentido endotérmico; • uma diminuição de temperatura que desloca o equilíbrio no sentido exotérmico. Variações da concentração das espécies químicas presentes Constam a seguir as variações da concentração das espécies químicas presentes: • O aumento da concentração de uma determinada espécie química desloca o equilíbrio no sentido de consumi-la (favorece a reação no sentido contrário ao qual está a substância). 125 FÍSICO-QUÍMICA • A diminuição da concentração de uma determinada espécie química presente no equilíbrio o desloca no sentido de formar mais da espécie química para reposição (favorece a reação no sentido em que a espécie química está). Exemplo: H3C-NH2 (g) + H2O (l) 1 2 H3C-NH3 (aq) + OH - (aq) metilamina metilamônio Nesse equilíbrio, se acrescentarmos hidroxilas (OH-), seu excesso vai deslocar o equilíbrio para a esquerda, favorecendo a reação “2” (reversa), no sentido de eliminar tal excesso de OH-. Assim, haverá consumo de metilamônio e do excesso de OH-, e serão formados metilamina e H2O. Ainda no mesmo equilíbrio, quando adicionamos ácido (H+) ao sistema, ele captura o íon hidroxila (OH-) presente para formar água (HOH), diminuindo assim a concentração de íons hidroxila no sistema. Para minimizar a perda de hidroxilas, o equilíbrio favorece a reação número “1”, a qual gasta metilamina (gasosa) e água a fim de formar metilamônio (aquoso) e repor a hidroxila. Este sistema em equilíbrio explica o porquê de o limão ser usado para retirar o cheiro de peixe que fica nas mãos durante o manuseio para limpá-lo. A metilamina gasosa é a responsável pelo cheiro de peixe. Ao esfregar limão ou vinagre nas mãos, os H+ capturam hidroxilas (OH-) do equilíbrio formando água, deslocando-o para a direita. Portanto, a reação 1 é favorecida, transformando a metilamina, responsável pelo odor, em metilamônio, que é um íon aquoso e não tem cheiro. Observação Ácidos (como ácido cítrico, presente no suco limão e o ácido acético, presente no vinagre) liberam íons H+ em solução. Um exemplo muito importante de deslocamento de equilíbrio é aquele que ocorre no sangue. O pH do sangue deve ficar entre 7,35 e 7,45, sendo que uma alteração no valor do pH na ordem de ±0,4 pode ser considerado fatal. O equilíbrio químico no sangue existe devido à presença de dióxido de carbono e do ânion bicarbonato. CO2 + H2O ⇄ HCO-3 + H+ Quando diante de uma condição de respiração ofegante promovida por atividade física intensa ou uma crise de ansiedade, os pulmões da pessoa acabam por perder uma concentração muito elevada de CO2. Nesta condição, o equilíbrio será deslocado para a esquerda (sentido inverso de reação) e poderá provocar um aumento no valor do pH em poucos minutos. Essa condição é chamada de alcalose ou alcalemia sanguínea. Uma solução rápida pode ser a administração de um calmante ou, em situações mais extremas, pode ser necessário o uso de algum injetável com caráter ácido. Neste caso, a administração será de uma solução salina de cloreto de amônio (NH4Cl). Este sal dissolvido em água 126 Unidade II libera o íon NH4 + que será responsável pela liberação de uma parte do H+ que voltará a estar presente na solução, restabelecendo assim o equilíbrio ácido-base original do sangue e, consequentemente, o valor de seu pH. Da mesma forma, quando diante de uma situação de deficiência na respiração (por exemplo: pneumonia ou crise asmática), o sangue tenderá a sofrer deslocamento em seu equilíbrio ácido-base e se tornará mais ácido (maior concentração de íons H+). Esta condição seria a chamada acidose ou acidemia do sangue e poderá ser administrado uma solução de carbonato de sódio (Na2CO3) para que se tenha a presença do ânion carbonato (derivado do ácido carbônico) e que será responsável pela captura do H+ em excesso no meio. 7 EQUILÍBRIO IÔNICO Equilíbrio iônico é o equilíbrio químico que envolve íons, particularmente em solução aquosa. Sendo água o principal solvente na natureza e na indústria, ele é de fundamental importância. O estudo dos equilíbrios iônicos deve prover ferramentas para compreender conceitos de força de ácidos, bases e pH. De acordo com Feltre (2004), a medida e o controle do pH, ou seja, da acidez ou basicidade das soluções, é usada em inúmeras reações de pesquisa em laboratórios; no estudo dos solos, pois o pH influi na produção agrícola; no controle das águas para o consumo humano. Em nosso organismo, existem órgãos que só funcionam sob controle muito preciso do valor do pH, como os que compõem os sistemas respiratórios e digestório. Entende-se por “força de um ácido” sua facilidade de se ionizar liberando íons H3O + (ou, abreviadamente,H+). Então, quanto maior for a força de um ácido, maior será sua tendência de liberação de íons H+, ou seja, maior será sua tendência à ionização. Para estudar a força dos ácidos, duas soluções aquosas de mesma concentração molar serão consideradas: 0,1 mol.L-1 de HCl e 0,1 mol.L-1 de HCN. Em cada uma delas, adicionam-se fragmentos de mesma massa de magnésio metálico (Mgo). Nos dois frascos o ácido reage com o magnésio metálico com liberação de hidrogênio gasoso (H2): 2 H+(aq) + Mg 0 (s) → H2 (g) + Mg 2+ (aq) No entanto, nota-se uma diferença bastante considerável: Solução HCI 0,1 mol/L Magnésio metálico Magnésio metálico Solução HCN 0,1 mol/L Figura 70 – Reação de magnésio metálico em meio ácido 127 FÍSICO-QUÍMICA Na solução de HCl a liberação de H2 gasoso é intensa, com rápida corrosão do pedaço de magnésio metálico. Na solução de HCN a liberação de H2 gasoso é discreta e o pedaço de magnésio metálico demora a mostrar sinais de corrosão. Isso ocorre porque o ácido clorídrico HCl está totalmente ionizado e o ácido cianídrico apenas parcialmente ionizado, então o HCl dá origem a mais íons H+ em solução aquosa, reagindo mais rapidamente com o magnésio metálico. É possível concluirmos que o HCl dá origem à grande quantidade de íons H+ em solução e pode ser classificado como “ácido forte”; HCN dá origem a pequena quantidade de íons H+ em solução e pode ser classificado como “ácido fraco”. A partir das reações de ionização de HCl e HCN em água, que são sistemas em equilíbrio, Ácido clorídrico HCl (g) H2O H+(aq) + Cl-(aq) (reação A) Ácido cianídrico HCN (g) H2O H+(aq) + CN-(aq) (reação B) é possível escrever a expressão da constante de equilíbrio para cada ácido: Ácido clorídrico [ ]a H . Cl K HCl + − = e ácido cianídrico [ ]a H . CN K HCN + − = Lembrete Ka significa constante de equilíbrio de ionização de ácido, assim como Kb quer dizer constante de equilíbrio de ionização/dissociação de base. Pesquisando na literatura os valores de Ka para HCl e HCN, temos: Tabela 17 – Valores de constante de ionização de ácidos, Ka Ácido Valor de Ka a 25 ºC HCl > 1 x 107 HCN 4,8 x 10-10 Fonte: Fonseca (2001, p. 343). A interpretação dos valores de Ka permite obter algumas informações: • HCl: seu valor de Ka é muito alto e isso significa que [H+] e [Cl-] (valores no numerador da fração [ ] H . Cl HCl + − ) são valores grandes e [HCl] é pequeno (valor no denominador da fração). Então, como Ka é um valor alto, no equilíbrio a concentração molar de íons H+ e de Cl- é alta e 128 Unidade II a concentração molar de HCl (ácido não ionizado) é bem pequena. Logo, quando o valor de Ka é alto, o ácido é muito ionizado (o ácido é “forte”). • HCN: seu valor de Ka é muito baixo e isso significa que [H+] e [CN-] (valores no numerador da fração [ ] H . Cl HCN + − ) são pequenos e que [HCN] é grande (valor no denominador da fração). Portanto, quando o valor de Ka é pequeno, o ácido é pouco ionizado (o ácido é “fraco”). A seguir consta um resumo sucinto do raciocínio: Quanto maior for o valor de Ka → Mais ionizado é o ácido → Maior é a quantidade de H+ liberada por mol de ácido dissolvido → Maior será a força do ácido Figura 71 Consequentemente, a força de qualquer ácido pode ser conhecida a partir da consulta de tabelas de constantes físico-químicas de valor de Ka. Raciocínio análogo pode ser feito para bases: quanto maior for o valor de Kb, mais ionizada (ou dissociada) ela é, e maior será sua força. Exemplo: amônia (NH3). A partir da sua reação de equilíbrio químico: NH3 (g) + H2O (l) ⇄ OH-(aq) + NH4+ (aq) Pode-se escrever a seguinte equação de Kb: [ ] 4 b 3 NH . OH K NH + − = Para Fonseca (2001), Kb é um valor baixo, Kb=1,8x10 -5, chega-se à conclusão que quando se dissolve NH3 em água, as [NH4 +] e [OH-] são pequenas e [NH3] é grande. Então, como NH3 é uma base pouco ionizada, trata-se de uma base fraca. Observação Para bases inorgânicas (cuja força depende de sua dissolução), quanto mais solúvel for a base, maior seu valor de Kb, mais dissociada será a base, maior quantidade de íons OH- liberados e maior a sua força. 129 FÍSICO-QUÍMICA Consta na sequência o resumo do raciocínio: Quanto maior for o valor de Kb → Mais ionizado/ dissociada é a base → Maior é a quantidade de OH liberada por mol de base dissolvida → Maior será a força da base Figura 72 Logo, a força de qualquer base pode ser conhecida a partir da consulta de tabelas de constantes físico-químicas de valor de Kb. 7.1 Equilíbrio iônico da água Um bom exemplo para estudar o equilíbrio iônico da água é a comparação entre o suco puro de limão e a limonada sem açúcar. O ácido que existe nestes dois líquidos é o mesmo (ácido cítrico), mas apenas através do sabor já se pode constatar que a limonada é menos ácida que o suco puro de limão. Tal fato ocorre porque no preparo da limonada acrescenta-se água ao suco de limão e por isso nela o ácido está bem mais diluído do que no suco de limão. Pode-se dizer que a acidez da limonada é bem menor. Como comparar a acidez de duas amostras? Através do estudo do equilíbrio iônico da água. Sabe-se que as moléculas de água podem sofrer um fenômeno conhecido como autoionização, conforme a reação em equilíbrio: H2O (l) + H2O (l) ⇄ H3O+(aq) + OH- (aq) E a mesma reação pode ser abreviada como: H2O ⇄ H+ + OH- Para esse sistema, a equação de Kc (constante de equilíbrio em termos de concentração molar) será: [ ]c 2 H . OH K H O + − = As concentrações de H+ e OH- já foram medidas experimentalmente e são muito, muito pequenas. Como a concentração de água [H2O] é muito maior que as concentrações dos íons H + e OH-, o equilíbrio é extremamente deslocado para a esquerda, e assim considera-se [H2O] como sendo constante e, portanto, colocam-se todas as constantes à esquerda e variáveis à direita. Logo, vem: Kc . [H2O] = [H +] . [OH-] Assim sendo, o valor do produto Kc.[H2O] será chamado Kw, ou seja, constante de equilíbrio iônico da água (water, em inglês) ou, mais frequentemente, produto iônico da água, e a equação será: 130 Unidade II Kc . [H2O] = [H +] . [OH-] Kw = [H +] . [OH-] Como para cada 1 H+ liberado na reação de ionização da água libera-se também 1 OH-, a concentração de ambos é a mesma na água pura ⇒ [H+] = [OH-]. A concentração de íons H+ e OH- foi determinada experimentalmente, e a 25 ºC sabe-se que: água pura ⇒ [H+] = [OH-] = 1x10-7 mol.L-1 Assim, Kw = [H +] . [OH-] ⇒ Kw = (1x10 -7).(1x10-7) ⇒ Kw = 1x10 -14 A tabela a seguir mostra que: • ao acrescentar ácido à água, a concentração de H+ aumenta e, portanto, será maior que 1x10-7 mol.L-1. Como o excesso de H+ deslocará o equilíbrio da água para a esquerda, haverá consumo de íons OH- e a concentração de íons OH- diminui e será, então, menor que 1x10-7 mol.L-1; • ao acrescentar base à água, a concentração de OH- aumenta e, portanto, será maior que 1x10-7 mol.L-1. Como o excesso de OH- deslocará o equilíbrio da água para a esquerda, haverá consumo de íons H+ e a concentração de íons H+ diminuirá e será, então, menor que 1x10-7 mol.L-1. Tabela 18 – Variação das concentrações de H+ e OH- em soluções ácidas e básicas (alcalinas), a 25 ºC Água pura Solução ácida Solução básica H2O ⇄ H+ + OH- HA ⇄ H+ + A- BOH ⇄ B+ + OH- H2O ⇄ H+ + OH- H2O ⇄ H+ + OH- [H+] = 1x10-7 [H+] >1x10-7 [H+] <1x10-7 [OH-] = 1x10-7 [OH-] < 1x10-7 [OH-] > 1x10-7 Kw = 1x10 -14 Kw = 1x10 -14 Kw = 1x10 -14 Ao acrescentar ácido ou base, como a concentração de um dos íons H+ ou OH- aumenta e a do outro diminui proporcionalmente, o valor de Kw será sempre constante, desde que a temperatura seja constante. A conclusão será: • Água pura: concentrações H+ e OH– são sempre iguais, independentemente da temperatura; por isso a água é neutra. • Qualquer solução na qual [H+] = [OH–] também será neutra. 131 FÍSICO-QUÍMICA • Soluçõesácidas: quanto maior for [H+] ⇒ mais ácida é a solução. • Soluções básicas: quanto maior [OH–] ⇒ mais básica (alcalina) é a solução. Como os valores das concentrações dos íons H+ e OH- são sempre muito pequenos, o químico L. Sorensen propôs que se aplicasse sobre elas a função logarítmica para se obter resultados mais fáceis de trabalhar. Assim, teremos: pH = - log[H+] e pOH = - log [OH-] Sendo que pH significa “potencial hidrogeniônico”, e pOH quer dizer “potencial hidroxiliônico”. Para a água e soluções neutras, [H+] = [OH-] = 1x10-7 mol.L-1 Logo, pH = -log 1x10-7 ⇒ pH=7 Os valores obtidos com cálculos desse tipo formarão as escalas de pH e pOH que nos permitem avaliar acidez e basicidade (ou alcalinidade). A escala mais usada é a de pH. Ambas as escalas estão apresentadas a seguir e relacionam os valores de pH e pOH com as concentrações dos íons H+ e OH-. 100[OH+] 10-14[OH-] 0pH 14pOH 10-4 10-10 4 10 10-8 10-6 8 6 10-12 10-2 12 2 10-2 10-12 2 12 10-6 10-8 6 8 10-10 10-4 10 4 10-14 100 14 0 10-1 10-13 1 13 10-5 10-9 5 9 10-9 10-5 9 5 10-13 10-1 13 1 10-3 10-11 3 11 10-7 10-7 7 7 10-11 10-3 11 3 Suco gástrico (pH 1,0 - 3,0) HCI (1,0 M) (pH 0,0) Suco de limão (pH 2,2 - 2,4) Água gaseificada (pH 3,9) Leite (pH 6,4) Sangue (pH 7,4) Bicarbonato de sódio (0,1 M)(pH 8,4) Ajax, Fúria (pH 11,9) Vinagre (pH 2,4 - 3,4) Cerveja (pH 4,0 - 4,5) Água do mar (pH 7,0 - 8,3) Ácido Neutro Básico Leite de magnésia (pH 10,5) NaOHa (1,0 M) (pH 14,0) Figura 73 – Escalas de pH e pOH Então, já se sabe que conhecendo a concentração molar de íons H+ de uma solução é possível determinar o seu valor de pH, bastando usar a fórmula de Sorensen: pH = -log [H+] (o análogo funciona para pOH) E se ocorrer o inverso, ou seja, caso se conheça o valor do pH (obtido experimentalmente) e for necessário saber a concentração molar dos íons H+? Nesse caso, basta recorrer à função inversa do logaritmo, que é a função exponencial. 132 Unidade II [H+] = 10-pH e [OH-] = 10-pOH (novamente o análogo funciona para [OH-]) Para facilitar os cálculos, pode-se escrever que, para uma mesma amostra, a soma dos seus valores de pH e pOH sempre deverá ser igual a 14. pH + pOH = 14 Um exemplo importante da utilização da escala de pH é no controle de substâncias na corrente sanguínea. O organismo humano produz CO2 a partir da queima de glicose no processo da respiração celular. Conforme Usberco e Salvador (2002), parte desse CO2 se dissolve no sangue, estabelecendo o equilíbrio: CO2 (g) + H2O(l) ⇄ <H2CO3 > ⇄ H+(aq) + HCO3 –(aq) Trata-se de um dos sistemas que mantém o pH do nosso sangue entre 7,3 e 7,5. Quando a respiração é deficiente, essa hipoventilação acarreta o aumento da concentração de CO2 no sangue, deslocando o equilíbrio para a direita, o que aumenta a concentração de H+ e, portanto, diminui o pH sanguíneo. Essa situação é denominada acidose. Quando uma pessoa respira muito rapidamente, como quando ocorre um ataque de ansiedade ou em situações de perigo, acontece uma hiperventilação, a qual acarreta a perda de uma quantidade maior de CO2 pelos pulmões, deslocando o equilíbrio para a esquerda, o que diminui a concentração de H+, aumentando o pH do sangue. Essa situação é denominada alcalose. De acordo com Usberco e Salvador (2002), a acidose pode ser percebida por sintomas como falta de ar, diminuição ou supressão da respiração e desorientação com possibilidade de coma. Ela pode ser causada por ingestão de drogas, enfisema, pneumonia, bronquite, asma e alterações no sistema nervoso central; a alcalose tem como sintomas a respiração ofegante, entorpecimento, rigidez muscular e convulsões, e pode ser causada por ingestão de drogas, cirrose, exercícios físicos excessivos, overdose de aspirina e doenças pulmonares. 7.2 Indicadores de pH Algumas substâncias como a fenolftaleína, o azul de bromotimol e o alaranjado de metila são capazes de mudar de coloração conforme muda o pH da solução na qual se encontram. Logo, conhecendo as propriedades delas é possível saber o pH de uma amostra utilizando soluções das substâncias ou papéis previamente embebidos nelas. São chamados indicadores ácido-base. Algumas fitas contendo tais substâncias indicadoras são padronizadas para utilização em ensaios de laboratório. Através de uma escala de cores preestabelecidas podemos comparar a fita molhada com a amostra com a escala e determinar rapidamente o seu pH, como se observa a seguir. 133 FÍSICO-QUÍMICA 11 33 55 77 99 1111 1313 14140,10,1 Escala de pHEscala de pH 22 44 66 88 1010 1212 Figura 74 – Solução indicador de pH Figura 75 – Papel indicador de pH Essas fitas são amplamente utilizadas em laboratórios químicos, de análises clínicas, na indústria e até mesmo para controle do pH em piscinas. 0 71 82 93 104 115 126 137 14 100 Strips Cat. 9590 pH indicator strips non-bleeding color pHast pH 0-14 EM-Reagents Dip in - read while still moist. Immerse in weak-buffered solutions until there is no further color change (1-10 min) A) B) Figura 76 – Fitas para controle de pH 134 Unidade II A seguir, constam alguns dos indicadores mais comuns e suas cores em meio ácido e básico: Tabela 19 – Indicadores e suas cores em meio ácido e básico Indicador Cor em meio ácido Cor em meio básico Fenolftaleína Incolor Vermelho Alaranjado de metila Vermelho Alaranjado Azul de bromotimol Amarelo Azul tornassol Vermelho Azul Lembrete Algumas substâncias como a fenolftaleína, o azul de bromotimol e o alaranjado de metila são capazes de mudar de coloração conforme muda o pH da solução na qual se encontram. 7.3 Hidrólise Antes de iniciar o estudo sobre hidrólise salina, é importante relembrar alguns conceitos importantes a respeito dos sais. Há várias definições aceitas para “sal”, e a mais frequentemente utilizada é: “sal é uma substância formada a partir da neutralização entre um ácido e uma base de Arrhenius”. De acordo com Feltre (2004), nas reações de neutralização ácido-base os sais são formados com água, conforme ilustra a figura seguinte: Na+ Cátion Dissociação Ionização CátionÂnion Ânion NaOH Base Ácido Sal Água HCI NaCI NaCI + + + H2O H2O H+OH- CI- Figura 77 – Formação de sal 135 FÍSICO-QUÍMICA No exemplo anterior, observamos que ao se dissolverem base e ácido na água: • a base NaOH sofreu dissociação, liberando cátion Na+ e ânion OH-; • o ácido HCl sofreu ionização, liberando o cátion H+ e o ânion Cl-. Os íons H+ e OH-, que têm grande afinidade, unem-se para formar uma molécula de água. O cátion proveniente da base (no caso Na+) fica disponível para formar o sal com o ânion proveniente do ácido (no caso, o Cl-). Então, é acertado dizer que, em qualquer que seja o sal, temos sempre cátion proveniente de uma base e ânion oriundo de um ácido. 7.4 pH de soluções aquosas Ao dissolver um ácido em água, o pH da solução resultante sempre é menor que 7 devido à presença dos íons hidrônio (H3O + ou, abreviadamente, H+), liberados no processo de ionização do ácido. Figura 78 – pHmetro No caso de um ácido forte, esse processo gera um equilíbrio fortemente deslocado para a direita, com liberação de grande quantidade de íons H+; seu valor de Ka, como já foi visto, é alto. HA ⇄ H+ + A- K H A HAa = é ë ù û é ë ù û [ ] + -. Quando se dissolve uma base em água, o pH da solução resultante é sempre maior que 7 devido à presença de íons hidroxila (OH-), liberados no processo de dissociação ou ionização da base. Quanto maior for a dissolução da base, maior será a quantidade de íons hidroxila liberada, a força da base e o valor de Kb. 136 Unidade II BOH ⇄ B+ + OH- K B OH BOHb = é ë ù û é ë ù û [ ] + -. Saiba mais Para prever a força de ácidos e bases, consulte os valores de Ka e Kb nas tabelas contidas em: KOTZ, J. C.; TREICHEL JUNIOR, P. Química e reações químicas: volume 1. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2002a. No entanto, ao se dissolver um sal em água, existem as seguintes possibilidades:• pH da solução resultante pode ser igual ou próximo a 7,0 (solução neutra); • pH inferior a 7,0 (solução ácida); • pH superior a 7,0 (solução básica). Essa diferença nos valores de pH de soluções salinas depende do sal, ou seja, do cátion e do ânion que o constituem. Isso acontece porque os cátions e ânions salinos podem ter maior ou menor afinidade pelos íons presentes no equilíbrio aquoso, H+ e OH-. 7.4.1 Investigando afinidades Comparando ácidos • Ácido clorídrico: HCl, Ka = 1x10 7 O grande valor de Ka para esse ácido permite afirmar que seu equilíbrio de ionização em água é fortemente deslocado para a direita, gerando grande quantidade de íons H+. Trata-se de um ácido forte. HCl ⇄ H+ + Cl- onde K H CI HCIa = é ë ù û é ë ù û [ ] + +. e 1 107. . = é ë ù û é ë ù û [ ] + +H CI HCI Ora, se a quantidade de íons H+ liberada é grande, isso nos permite concluir que o ânion cloreto (Cl-) não tem afinidade pelo cátion H+. 137 FÍSICO-QUÍMICA • Ácido cianídrico: HCN, Ka = 4,8x10 -10 Um valor tão pequeno de Ka para este ácido permite afirmar que seu equilíbrio de ionização em água é fortemente deslocado para a esquerda, favorecendo de modo imenso a presença de ácido na sua forma molecular, HCN, gerando pouquíssima quantidade de íons H+. Trata-se de um ácido fraco. HCN ⇄ H+ + CN- onde K H CN HCNa = é ë ù û é ë ù û [ ] + -. e 4 8 10 10, . . - + - = é ë ù û é ë ù û [ ] H CN HCN Como a quantidade de íons H+ liberados é muito, muito pequena, isso nos permite concluir que o ânion cianeto (CN-) apresenta grande afinidade pelo cátion H+. Observação Ânion proveniente de ácido forte não tem afinidade pelo cátion hidrônio H+ (por exemplo: Cl-, proveniente do HCl). Por outro lado, ânion proveniente de ácido fraco tem muita afinidade pelo cátion hidrônio H+ (como é o caso do CN-, proveniente do HCN). Comparando bases O hidróxido de sódio (NaOH) é uma base forte, muito dissociada. Então, para ela podemos escrever a reação: NaOH (s) ⇄ Na+(aq) + OH- (aq) com equilíbrio amplamente deslocado para a direita. Então, se a base é muito dissociada, sabemos que a quantidade de íons hidroxila (OH1-) liberada em solução é grande e conclui-se que o cátion sódio (Na+) não tem afinidade pelo ânion OH-. O hidróxido de amônio (NH4OH) (também conhecido como amônia aquosa, uma mistura de NH3 + H2O) é uma base fraca, com Kb igual a 1,8x10 -5, o que permite afirmar que o equilíbrio dado pela reação NH3 (g) + H2O (l) ⇄ NH4+(aq) + OH- (aq) é amplamente deslocado para a esquerda. Portanto, se a base é pouco ionizada, a quantidade de íons hidroxila OH- liberada em solução é pequena e conclui-se que o cátion amônio (NH4 +) tem muita afinidade pelo ânion OH-. 138 Unidade II Observação Cátion proveniente de base forte não tem afinidade pelo ânion hidroxila OH- (como é o caso do Na+, oriundo do NaOH). Por outro lado, cátion proveniente de base fraca tem muita afinidade pelo ânion hidroxila OH- (como é o caso do NH4 +, proveniente do NH3 quando ionizado em água). Compostos moleculares como os ácidos, nos quais há somente ligações covalentes, sofrem ionização (geração de íons). Já os compostos iônicos, como um grande número de bases, sofrem dissociação (separação de íons já existentes). 7.4.2 Prevendo qualitativamente o pH de soluções salinas Vejamos na sequência alguns exemplos: Exemplo 1 Sal (cianeto de sódio – NaCN), formado pelo cátion sódio Na+ e pelo ânion cianeto CN-. Se este sal fosse adicionado a um frasco contendo certa quantidade de água, seria possível prever qualitativamente qual o pH da solução resultante? Daria para saber se a solução salina seria ácida, básica ou neutra? Na dissolução, os cátions e ânions que compõem o sal vão se dissociar, conforme a reação: NaCN (s) H2O Na+(aq) + CN- (aq) Então, o ânion cianeto e o cátion sódio estão em solução aquosa. Na comparação das bases, anteriormente, observou-se que o cátion sódio Na+ não tem afinidade pela hidroxila OH- da água, pois é proveniente do NaOH, que é uma base forte, e Na+ permanece em solução. O ânion cianeto CN- tem afinidade pelos cátions hidrônio H+ da água, pois CN- é proveniente de um ácido fraco, e por isso sua tendência é retirar cátions hidrônio da água, formando novamente seu ácido fraco, HCN, conforme a reação: CN- + H OH HCN + OH- + - Água Ácido cianídrico pH deve aumentar Figura 79 139 FÍSICO-QUÍMICA Essa reação é chamada hidrólise, e nela o ânion CN- “quebrou” uma molécula de água para capturar o cátion hidrônio, portanto o cianeto sofreu hidrólise. Assim, como houve liberação de íons hidroxila OH- em solução, pode-se prever que o pH da solução salina de cianeto de sódio não será igual a sete, mas pH maior que sete. Exemplo 2 Sal (cloreto de amônio – NH4Cl), formado pelo cátion amônio NH4 + e pelo ânion cloreto Cl-. Se este sal fosse adicionado a um frasco contendo certa quantidade de água, seria possível prever qualitativamente qual o pH da solução resultante? Quando o sal se dissolve, seus cátions e ânions se dissociam conforme a reação química seguinte: NH4Cl(s) H2O NH4+(aq) + Cl- (aq) Em solução aquosa estão os íons cloreto Cl- e amônio NH4 +. Na comparação dos ácidos, anteriormente, observou-se que o ânion cloreto Cl- não tem afinidade pelo hidrônio da água, pois provém de um ácido forte (HCl), assim, ele permanece em solução. Por ser proveniente de uma base fraca, o cátion NH4 + tem afinidade pelas hidroxilas da água; sua tendência é “hidrolisar”, ou seja, “quebrar água”, capturando sua hidroxila OH- e formando novamente sua base fraca, NH4OH (ou NH3+H2O), conforme: NH4 - + H OH NH4OH + H + +- Água Hidróxido de amônio pH deve diminuir Figura 80 Como produtos da reação exemplificada, temos o hidróxido de amônio NH4OH e os cátions hidrônio H+. Assim, como houve liberação de íons hidrônio H+ em solução, pode-se prever que o pH da solução salina de cloreto de amônio não será igual a sete, mas pH menor que sete. Isto posto, é possível prever qualitativamente o pH de soluções salinas conhecendo os cátions e ânions que formam o sal e verificando a possibilidade de cada um deles sofrer hidrólise. Sofrem hidrólise cátions provenientes de bases fracas e ânions provenientes de ácidos fracos. Assim sendo, há basicamente quatro casos: 140 Unidade II • Solução de sal formado pela reação entre um ácido forte e uma base forte (ou sal de ácido forte e base forte) Não há hidrólise de cátion nem de ânion, pois o cátion proveniente da base não tem afinidade por hidroxilas e nem o ânion proveniente do ácido tem afinidade por hidrônio. O pH da solução permanece bem próximo ao pH da água. Exemplo: solução de sal cloreto de potássio (KCl) (sal proveniente da neutralização entre o ácido forte HCl e a base forte KOH). • Solução de sal formado pela reação entre um ácido fraco e uma base forte (ou sal de ácido fraco e base forte) Não há hidrólise do cátion, pois ele não tem afinidade pela hidroxila da água, mas há hidrólise do ânion, uma vez que ele possui afinidade pelos íons hidrônio da água. O ânion captura H+ da água, liberando OH-. A solução resultante apresentará características básicas com valores de pH superiores a 7,0. Exemplo: solução de sal acetato de sódio (NaCOOCH3) (sal proveniente da neutralização entre ácido acético CH3COOH e hidróxido de sódio NaOH). Nesta solução salina temos as reações seguintes: Dissolução do sal: CH3COONa(s) → Na + (aq) + CH3COO - (aq) Autoionização da água: HOH (l) ⇄ H+(aq) + OH-(aq) Hidrólise do ânion: CH3COO - (aq) + HOH(l) ⇄ CH3COOH(aq) + OH- (aq) Ao somar todas as reações que ocorrem no sistema, o resultado é: CH3COONa(s) + HOH(l) ⇄ CH3COOH(aq) + Na+(aq) + OH- (aq) Sal acetato de sódio Água Ácido acético Cátion sódio Ânion hidroxila Assim sendo, como houve liberação de hidroxilas OH- na reação de hidrólise, a solução deve ter seu valor de pH aumentado. De forma geral, o conceito de hidrólise de um sal de ácido fraco e base forte pode ser resumido da seguinteforma: Solução de sal de base forte e ácido fraco Ânion + H2O ⇄ ácido fraco + OH- Ânion hidrolisa pH aumenta 141 FÍSICO-QUÍMICA • Solução de sal formado pela reação entre um ácido forte e uma base fraca (ou sal de ácido forte e base fraca) Não há hidrólise do ânion, pois ele não tem afinidade pelo hidrônio H+ da água, mas há hidrólise do cátion, uma vez que ele tem afinidade pelos íons hidroxila OH- da água. O cátion captura OH- da água, liberando H+. A solução resultante apresentará características ácidas com valores de pH menores que 7,0. Exemplo: solução de sal nitrato de amônio (NH4NO3) (sal proveniente da neutralização entre ácido nítrico HNO3 e hidróxido de amônio NH4OH). Nesta solução salina temos as seguintes reações: Dissolução do sal: NH4Cl(s) → NH4 + (aq) + Cl - (aq) Autoionização da água: HOH (l) ⇄ H+(aq) + OH-(aq) Hidrólise do cátion: NH4 + (aq) + HOH(l) ⇄ NH4OH(aq) + H+ (aq) Portanto, considerando o sistema como um todo podemos somar todas as reações anteriores e teremos a seguinte reação resultante: NH4Cl(s) + HOH(l) ⇄ NH4OH(aq) + Cl-(aq) + H+ (aq) Sal cloreto de amônio Água Hidróxido de amônio Ânion cloreto Cátion hidrônio Assim sendo, como houve liberação de cátions hidrônio H+ na reação de hidrólise, a solução deve ter seu valor de pH aumentado. De forma geral, o conceito de hidrólise de um sal de ácido fraco e base forte pode ser resumido assim: Solução de sal de ácido forte e base fraca cátion + H2O ⇄ base fraca + H+ Cátion hidrolisa pH diminui • Solução de sal formado pela reação entre um ácido fraco e uma base fraca (ou sal de ácido fraco e base fraca) Esperamos que haja hidrólise tanto do cátion quanto do ânion, dando origem a uma base e um ácido fracos, respectivamente. O cátion deve capturar íons hidroxila e o ânion capturar íons hidrônio. Como ocorreria liberação tanto de H+ (pela hidrólise do cátion) como de OH- (pela hidrólise do ânion), só se pode estimar o pH da solução resultante conhecendo proporção dos íons hidrolisados. 142 Unidade II Quando a proporção é a mesma o pH da solução é neutro, mas quando a ela é diferente o pH da solução resultante poderá ser ácido ou alcalino, dependendo das constantes de ionização do ácido fraco e da base fraca que se formam (Ka e Kb, respectivamente): • Se Ka = Kb: as concentrações molares de H + e OH- serão iguais e a solução será neutra pois cátion e ânion terão sido hidrolisados na mesma proporção. • Se Ka > Kb: a concentração molar de H + é maior que a de OH- e a solução será ácida; o cátion terá sido hidrolisado em maior escala que o ânion. • Se Ka < Kb: a concentração molar de H + é menor que a de OH- e a solução será alcalina; o ânion terá sido hidrolisado em maior escala que o cátion. Exemplo: solução de sal acetato de amônio CH3COONH4 (sal proveniente da neutralização entre ácido acético (CH3COOH) e hidróxido de amônio (NH4OH)). Nessa solução salina temos as seguintes reações: Dissolução do sal: CH3COONH4 (s) → NH4 + (aq) + CH3COO - (aq) Autoionização da água: HOH (l) ⇄ H+(aq) + OH-(aq) Hidrólise do cátion amônio: NH4 + (aq) + HOH(l) ⇄ NH4OH(aq) + H+ (aq) Hidrólise do ânion acetato: CH3COO - (aq) + HOH(l) ⇄ CH3COOH(aq) + OH- (aq) Portanto, somando-se todas as reações que ocorrem no sistema, a reação resultante será: CH3COONH4 (s) + HOH(l) ⇄ CH3COOH(aq) + NH4OH(aq) Sal acetato de amônio Água Ácido acético Hidróxido de amônio A partir da análise da reação resultante do sistema não encontramos liberação de íons hidrônio (H+) nem de íons hidroxila (OH-), portanto ainda não existem condições de prever alterações de pH. Será preciso analisar os valores de Ka (do ácido acético) e Kb (do hidróxido de amônio). De acordo com Fonseca (2001), o valor de Ka do ácido acético é igual ao de Kb do hidróxido de amônio, ambos valem 1,75x10-5. Como os valores de Ka e Kb são iguais, a solução apresenta concentração de íons H + e OH- iguais e tem caráter neutro (pH = 7). Exemplo: Solução de sal cianeto de amônio (NH4CN) (sal proveniente da neutralização entre ácido cianídrico HCN e hidróxido de amônio NH4OH). Nesta solução salina temos as seguintes reações: 143 FÍSICO-QUÍMICA Dissolução do sal: NH4CN(s) → NH4 + (aq) + CN - (aq) Autoionização da água: HOH (l) ⇄ H+(aq) + OH-(aq) Hidrólise do cátion amônio: NH4 + (aq) + HOH(l) ⇄ NH4OH(aq) + H+ (aq) Hidrólise do ânion cianeto: CN-(aq) + HOH(l) ⇄ HCN(aq) + OH- (aq) Portanto, somando-se todas as reações que ocorrem no sistema a reação resultante será: NH4CN(s) + HOH(l) ⇄ HCN(aq) + NH4OH(aq) Sal cianeto de amônio Água Ácido cianídrico Hidróxido de amônio A partir da análise da resultante do sistema não há liberação de íons hidrônio (H+) nem de íons hidroxila (OH-), portanto ainda não se pode prever alterações de pH. Será preciso analisar os valores de Ka (do ácido cianídrico) e Kb (do hidróxido de amônio). De acordo com Fonseca (2001), o valor de Kb do hidróxido de amônio, 1,75x10 -5, é muito maior que de Ka do ácido cianídrico que é 4,8x10-10, e assim, como a base se ioniza em maior escala que o ácido, o pH deve subir. De forma geral, o conceito de hidrólise de um sal de ácido fraco e base forte pode ser resumido assim: Solução de sal de ácido fraco e base fraca cátion + ânion + H2O ⇄ ácido fraco + base fraca Cátion hidrolisa Ânion hidrolisa Se Ka > Kb → pH diminui Se Ka < Kb → pH aumenta Exemplo de aplicação Para resolver os exercícios a seguir, consulte a tabela na sequência. Tabela 20 – Constantes de ionização e dissociação de substâncias a 25 ºC Substância Constante de ionizaçãoou dissociação a 25º C HClO 3,5x10-8 HNO2 4,5 x 10 -4 HCl >1x103 H2CO3 4,2x10 -7 H2SO4 muito alto NH4OH 1,8x10 -5 NaOH alto Fonte: Kotz e Treichel Junior (2002b, p. 306-307). 144 Unidade II Exemplo 1 Em três tubos de ensaio, preparou-se três soluções aquosas a 25 ºC. Procedeu-se a dissolução de sulfato de sódio (Na2SO4) em água no tubo A, dissolução de carbonato de sódio (Na2CO3) em água no tubo B e dissolução de hidróxido de sódio (NaOH) no tubo C. A respeito do pH das soluções contidas nos tubos A, B e C é correto dizer que: A) Para a solução do tubo A, o pH é neutro pois o sal é proveniente de um ácido forte e base forte. Assim, não há hidrólise de cátion e nem de ânion. B) Para a solução do tubo B, o pH deve ser menor que 7 (o meio é ácido), pois o ânion provém de ácido fraco e este ânion se hidrolisa liberando íons H+. C) Para a solução do tubo C, o pH será maior que 7 (o meio é alcalino ou básico), pois é um sal que provém de uma base forte e somente o ânion se hidrolisa, liberando íons OH-. D) Para o tubo A, o pH deve ser menor que 7 porque se trata de um sal que provém de ácido forte que apresenta dois átomos de hidrogênio na fórmula. Resposta correta: alternativa A. Resolução A) Correto: no tubo A o pH deve ser 7 neutro, pois o sal provém de ácido forte (H2SO4) e base forte (NaOH) e assim não há ocorrência de hidrólise do ânion e nem do cátion. B) Incorreto: o cátion deste sal vem de uma base forte (NaOH) e o ânion provém de um ácido fraco (H2CO3). Assim, haverá hidrólise do ânion conforme a seguinte reação: CO3 2- (aq) + 2 H2O(l) → H2CO3 (aq) + 20H- (aq) com consequente liberação de íons OH-, o que fará com que o pH se eleve. C) Incorreto: a substância NaOH não é um sal, mas uma base. Os íons OH- liberados para a solução são provenientes da base e não de qualquer hidrólise. D) Incorreto: o pH será igual a 7, pois o sal vem de ácido e base fortes e assim não há hidrólise. O pH da solução resultante é independente de quantos átomos de hidrogênio participam da fórmula do sal, depende somente da concentração de íons hidrônio livres em solução. Exemplo 2 Preparou-se uma solução aquosa de hipoclorito de amônio (NH4ClO). A partir da consulta dos valores das constantes de ionização Ka e Kb fornecidos na tabela 9, é correto afirmar que: 145 FÍSICO-QUÍMICA A) Trata-se de um sal de ácido e base fracos; tanto o cátion como o ânion se hidrolisam. Comoa proporção de íons hidrônio e hidroxila no ácido e na base que dão origem ao sal é de 1:1, a solução resultante será neutra. B) Trata-se de um sal de ácido e base fracos; tanto o cátion como o ânion se hidrolisam. Como Kb é maior que Ka, a concentração molar de íons hidroxila livres em solução será maior que a de íons hidrônio e, por isso, o pH da solução será básico. C) Trata-se de um sal de ácido e base fracos; tanto o cátion como o ânion se hidrolisam. Como Kb é maior que Ka, a concentração molar de íons hidrônio livres em solução será maior que a de íons hidroxila e, por isso, o pH da solução será ácido. D) Trata-se de um sal de ácido e base fracos; tanto o cátion como o ânion se hidrolisam. Como Kb é maior que Ka, a base se hidrolisará em maior proporção, liberando maior quantidade de íons hidrônio e tornando o pH da solução ácido. Resposta correta: alternativa B. Resolução A) Incorreto: pois se houver hidrólise tanto do cátion como do ânion, somente através da análise dos valores das constantes Ka e Kb é que se pode estimar o pH. Caso Ka seja maior que Kb, o pH será menor que 7, caso Kb seja maior que Ka, o pH será maior que 7. B) Correto: o NH4ClO é um sal de ácido e base fracos e assim ambos, cátion e ânion se hidrolisam. Sendo Kb (1,8x10 -5) maior que Ka (3,5x10 -8), a quantidade de íons OH- será maior que a quantidade de íons H+ e assim o pH será alcalino (básico). C) Incorreto: sendo Kb maior que Ka, a concentração de íons H + será menor que a de íons OH- e assim o valor do pH será maior que 7, o que indica meio básico. D) Incorreto: sendo Kb maior que Ka, isso indica que o maior valor de Kb significa que o ânion se hidrolisou em maior escala, ocorrendo liberação de maior quantidade de íons hidroxila; logo, o valor de pH será básico. 8 TEORIA ÁCIDO-BASE 8.1 Teoria Ácido-Base de Arrhenius O físico e matemático sueco Svante August Arrhenius estudou soluções eletrolíticas e, em 1887, publicou a primeira Teoria Ácido-Base. Ele propôs que: 146 Unidade II • Ácidos são substâncias que, quando dissolvidas em água, liberam o íon hidrônio H3O + (ou, abreviadamente, H+) como único cátion. Exemplos: HCl H2O H+(aq) + Cl - (aq) HNO3 H2O H+(aq) + NO3 - (aq) H2SO4 H2O 2H+(aq) + SO4 2- (aq) A partir dos exemplos citados, HCl, HNO3, H2SO4 são ácidos de Arrhenius. • Bases são substâncias que, quando dissolvidas em água, liberam o íon hidroxila OH- como único ânion. Exemplos: NaOH H2O Na+(aq) + OH - (aq) Ca(OH)2 H2O Ca2+(aq) + 2 OH - (aq) Al(OH)3 H2O Al3+(aq) + 3 OH - (aq) A partir dos exemplos dados, NaOH, Ca(OH)2 e Al(OH)3 são bases (também chamadas “álcalis”) de Arrhenius. Atualmente, sabe-se que o solvente desempenha um papel fundamental no comportamento ácido-base de uma substância. Quando vemos a fórmula HCl é comum a leitura “ácido clorídrico”, e pela teoria de Arrhenius a reação de ionização é HCl → H+ + Cl-. No entanto, se o solvente fosse benzeno, por exemplo, a ionização não ocorreria, ou seja, não haveria liberação de íons H+ e o HCl permaneceria na forma molecular. O HCl sofrerá essa ionização em meio aquoso. A teoria de Arrhenius, por ser mais simples, tem sido útil ao longo dos tempos no estudo dos ácidos, bases e sais, e também nas reações de neutralização; contribuiu ainda para explicar um grande número de fenômenos. No entanto, sendo uma teoria que restringe o estudo ao meio aquoso, apresenta muitas limitações. Com o passar do tempo e a evolução da ciência, o desenvolvimento de outras teorias ácido-base foi necessário, principalmente para que se contemplasse também o comportamento de substâncias em meios não aquosos. 8.2 Teoria Ácido-Base de Brönsted-Lowry Em 1923, os químicos Johannes Brönsted e Thomas Lowry propuseram independentemente uma teoria mais abrangente que aquela de Arrhenius. Neste caso, não é necessário que o solvente seja água. 147 FÍSICO-QUÍMICA • Ácido é qualquer espécie química (molécula ou íon) que seja capaz de doar um próton (íon H+) para outra espécie química. • Base é qualquer espécie química (molécula ou íon) que seja capaz de receber um próton (íon H+) de outra espécie química. A Teoria Ácido-Base de Brönsted-Lowry também é chamada de Teoria Protônica, pois a espécie química H+ nada mais é do que um próton. Conforme Fonseca (2001), as espécies químicas que, em uma reação ácido-base de Brönsted-Lowry diferem entre si apenas por um próton, H+, são denominadas par conjugado. Por exemplo, o ácido nitroso HNO2 e o íon nitrito NO2 - constituem um par conjugado; o cátion amônio NH4 + e a amônia NH3 formam outro, assim como H2PO4 - e HPO4 2- , H2CO3 e HCO3 -, HCO3 - e CO3 2-. Observação A notação do par conjugado, na maioria das vezes, traz o ácido seguido de uma barra inclinada e depois a base. Entre as duas espécies químicas que formam o par conjugado, será o ácido aquela que apresentará maior quantidade de H na fórmula. Exemplo 1 HCl(g) + H2O(l) Reação direta Reação reversa H3O + (aq) + Cl - (aq) H+ Doa H+ Ácido de Brönsted Recebe H+ Base de Brönsted Figura 81 Neste exemplo, o HCl doou H+ para H2O, portanto ele é classificado como ácido de Brönsted; H2O recebeu H+ e é identificado como base de Brönsted. Quando um ácido de Brönsted doa H+, ele se transforma em sua base conjugada. No exemplo anterior, HCl doou H+ e se transformou em Cl-. Portanto, escreve-se o par conjugado HCl/Cl- (a única diferença entre HCl e Cl- é um H+). Quando uma base de Brönsted recebe H+, ela se transforma em seu ácido conjugado. No exemplo anterior, H2O recebeu H + e se transformou em H3O +. Portanto, escreve-se o par conjugado H3O +/H2O. 148 Unidade II Exemplo 2 NH3(g) + H2O (l) Reação direta Reação reversa NH4 + (aq) + OH - (aq) H+ Doa H+ Ácido de Brönsted Recebe H+ Base de Brönsted Figura 82 Neste exemplo, a água (H2O) doou H + para NH3, portanto, ela é classificada como ácido de Brönsted; a amônia NH3 recebeu H + e é classificada como base de Brönsted. Nota-se que H2O doou H + e se transformou em OH-. Assim sendo, o par conjugado será H2O/OH -. Ao mesmo tempo, NH3 recebeu H + e se transformou em NH4 +. Assim sendo, o par conjugado será NH4 +/NH3. Exemplo 3 NH3(g) + HSO4 - (aq) Reação direta Reação reversa NH4 + (aq) + SO4 2- (aq) H+ Doa H+ Ácido de Brönsted Recebe H+ Base de Brönsted Figura 83 Neste exemplo, HSO4 - doou H+ para NH3, portanto, HSO4 - é classificado como ácido de Brönsted; a amônia NH3 recebeu H + e é identificada como base de Brönsted. Nota-se que HSO4 - doou H+ e se transformou em SO4 2-. Assim sendo, o par conjugado será HSO4 -/SO4 2-. Ao mesmo tempo, NH3 recebeu H + e se transformou em NH4 +. Assim sendo, o par conjugado será NH4 +/NH3. Um detalhe importante a ser observado nos exemplos A e B: em cada um deles a água apresenta um comportamento diferente: primeiramente, ela recebeu H+ e atuou como base de Brönsted; na sequência, doou H+ e atuou como ácido de Brönsted. Espécies químicas que podem atuar como ácido ou como base de Brönsted são chamadas anfipróticas. 149 FÍSICO-QUÍMICA Consta na sequência exemplo de espécie de químicas anfipróticas: Exemplo 4 HPO4 2- (aq) + OH - (aq) Reação direta Reação reversa PO4 3- (aq) + H2O(l) H+ Doa H+ Ácido de Brönsted Recebe H+ Base de Brönsted Figura 84 Pares conjugados: HPO4 2-/PO4 3- e H2O/OH - Exemplo 5 HPO4 2- (aq) + HCl(aq) Reação direta Reação reversa H2PO4 - (aq) + Cl - (aq) H+ Doa H+ Ácido de Brönsted Recebe H+ Base de Brönsted Figura 85 Pares conjugados: H2PO4 -/HPO4 2- e HCl/Cl- No último exemplo apresentado, observa-se a espécie química HPO4 2- atuar como ácido na primeira reação química e como base na segunda reação química. Dependendo da substância que reage com HPO4 2-, seu comportamento pode ser diferente. HPO4 2- é uma espécie anfiprótica. 8.3 Força de ácidos-base de Brönsted-Lowry De acordo com Kotz e Treichel Jr. (2002), alguns ácidos em água são melhores doadores de H+ do queoutros e algumas bases em água são melhores aceptoras de H+ do que outras. Por exemplo, em uma solução aquosa diluída de HCl, grande parte dos íons serão H3O + (aq) e Cl- (aq); o ácido está quase 100% ionizado e assim é considerado um ácido de Brönsted forte. Sabendo que quando um ácido de Brönsted doa um H+ ele forma sua base conjugada, pode-se dizer que, quanto mais forte for um ácido, mais fraca será sua base conjugada, ou seja, menos tendência ela 150 Unidade II terá de aceitar (ou receber) um íon H+. Assim, se HCl é um ácido forte, ele tem grande tendência a doar H+ e formar a sua base conjugada Cl-, mas esta base conjugada será fraca, pois ela permanece na forma Cl- e não tem tendência em aceitar (ou “capturar”) um íon H+. Assim, os ácidos e as bases de Brönsted podem ser ordenados em uma tabela de força relativa. Lembre-se que quanto maior for o valor de Ka mais forte é o ácido e quanto maior for o valor de Kb mais forte é a base. Constam na sequência dois exercícios resolvidos: Exemplo de aplicação 1) Algumas espécies químicas são doadoras de prótons (H+), e por isso classificadas como ácidos na Teoria de Brönsted-Lowry, outras espécies químicas são receptoras de prótons e classificadas, pela mesma teoria, como bases. A alternativa que mostra corretamente um par ácido/base conjugado é: a) H3PO4/HPO4 2- b) H2SO4/HSO3 - c) HPO4 2-/PO4 3- d) H2PO4 -/H3PO4 Resposta correta: alternativa C. A) Incorreto: para formar um par conjugado, a única diferença entre as espécies químicas deve ser somente um íon H+. Entre as espécies H3PO4/HPO4 2- há diferença de dois íons H+. B) Incorreto: somente um H+ deve diferir as duas espécies químicas. Entre H2SO4/HSO3 - há diferença de um H+ e também um átomo de oxigênio. C) Correto: há somente um H+ de diferença entre HPO4 2-/PO4 3-, todo o resto permanece igual. D) Incorreto: neste caso temos um par base-ácido. H2PO4 - é a base e o H3PO4 é o ácido, pois, entre ambos, aquele com maior quantidade de hidrogênios é o ácido. 2) Observe as reações que se seguem: I – CN- (aq) + H3O + (aq) ⇄ HCN (aq) + H2O (l) II – H3CCOO - + NH3 ⇄ H3CCOOH + NH2- III – NH4 + (aq) + CO3 2- (aq) ⇄ HCO3- (aq) + NH3 (aq) 151 FÍSICO-QUÍMICA Classifique as espécies químicas destacadas como ácido ou base, de acordo com a Teoria Ácido-Base de Brönsted-Lowry. Resolução: na reação I, os pares ácido-base conjugados são H3O +/H2O e HCN/CN -. Portanto, a espécie HCN é classificada como ácido de Brönsted-Lowry. Na reação II, os pares ácido/base conjugados são NH3/NH2 - e H3CCOOH/H3CCOO -. Logo, nesta reação a espécie NH3 é classificada como ácido. Na reação III, os pares ácido-base conjugados são NH4+/NH3 e HCO3-/CO32-. Assim, a espécie NH3, nesta reação, é classificada como base de Brönsted-Lowry. 8.4 Soluções tampão As soluções comuns podem ser classificadas em três tipos: ácidas, básicas (ou alcalinas) e neutras, conforme veremos a seguir. Quadro 1 – Tipos de soluções quanto ao valor de pH Solução ácida [H+] > [OH-] pH < 7 Solução neutra [H+] = [OH-] pH = 7 Solução básica [H+] < [OH-] pH > 7 O estudo de soluções aquosas comuns mostra que: • ao adicionar pequena quantidade de ácido forte, o pH diminui consideravelmente; • ao adicionar pequena quantidade de base forte, o pH aumenta consideravelmente. Ao adicionar ácido a uma solução aquosa, o pH diminui, pois há aumento de íons H+ livres na solução; ao adicionar base a uma solução aquosa, o pH aumenta devido a um aumento de íons OH- livres na solução. No entanto, no caso de algumas soluções especiais, chamadas soluções tampão, a adição de certas quantidades de ácido ou base fortes praticamente não altera o pH. As soluções tampão podem ser encontradas em muitos sistemas vivos, como o caso do sangue humano. De acordo com Kotz e Treichel Junior (2002a), o pH normal do sangue humano fica em torno de 7,4. A adição de pequenas quantidades de ácido ou base fortes ao sangue (por exemplo 0,01 mol por litro de sangue) leva a uma alteração do pH em apenas 0,1 unidade de pH. Para comparação, se adicionarmos 0,01 mol de HCl a 1,0 litro de água pura, o valor do pH cai de 7 para 2; se acrescentarmos 0,01 mol de NaOH a 1,0 litro de água pura, o valor do pH aumenta de 7 para 12. Muitos outros fluidos corporais estão tamponados. Todos são importantes, pois pequenas variações do pH destes fluidos podem trazer 152 Unidade II enormes transtornos para a saúde. Existem muitas outras situações nas quais é importante que o sistema mantenha o pH quando se adiciona certas quantidades de ácido ou base. Algumas delas são: • Soluções para calibração de pHmetros. • Meios de cultura (pois a maioria dos microrganismos somente sobrevive em condições adequadas de temperatura, concentração de nutrientes e pH). • O pH do oceano é próximo a 8,4 devido ao tampão existente nele. • Soluções para aplicação via endovenosa em pacientes com ferimentos ou queimaduras graves. • O controle do pH na química analítica e industrial é fundamental em reações de precipitação e eletrodeposição de metais, separações, sínteses químicas e controle de reações eletroquímicas. Como as soluções tampão conseguem manter o pH praticamente constante se a elas se adiciona ácido ou base? A resposta é: devido à sua capacidade de consumir os íons H+ ou OH- adicionados ao meio. De que são constituídas as soluções tampão? Como elas são preparadas? As principais formas de preparo de soluções tampão são: • Mistura de um ácido fraco com sua base conjugada (a base conjugada geralmente está na forma de um sal, então mistura-se um ácido fraco e um sal solúvel contendo sua base conjugada). Exemplo: se o ácido fraco escolhido for HCN, sua base conjugada é CN-. Seleciona-se um sal solúvel cujo ânion seja o CN-, por exemplo, o NaCN. Logo, é possível preparar um sistema tampão usando mistura de ácido cianídrico HCN (fraco) com seu sal cianeto de sódio (NaCN). • Mistura de uma base fraca com um ácido conjugado. Seleciona-se uma base fraca e um sal que contenha seu ácido conjugado. O raciocínio é semelhante. Exemplo: solução preparada com amônia (NH3) e sal cloreto de amônio (NH4Cl), já que o ácido conjugado da amônia é NH4 +. Nota-se que devem estar presentes em boa quantidade as duas espécies químicas que formam um par ácido-base conjugado. Para compreender o funcionamento de um sistema tampão no processo de controle do pH, considere o sistema tampão ácido acético/acetato de sódio e o sistema tampão básico hidróxido de amônio/cloreto de amônio. Exemplo 1 Tampão ácido acético (CH3COOH)/acetato de sódio (CH3COONa) 153 FÍSICO-QUÍMICA Considere as duas soluções de igual concentração molar. • Solução de ácido acético (ácido fraco, Ka = 1,75x10 -5) CH3COOH(aq) ⇄ H+(aq) + CH3COO-(aq) reação A • Solução de sal acetato de sódio (sal solúvel) CH3COONa(s) ⇄ Na+(aq) + CH3COO-(aq) reação B Como é feita uma mistura das duas soluções, soma-se as duas reações, A e B; forma-se o seguinte sistema, que caracteriza a solução tampão: H3CCOOH(aq) + + + Ácido fraco, pouco ionizado CH3CCOONa(s) Sal solúvel ZeroGrande quantidade Grande quantidade Pequena quantidade Grande quantidade Dissolve completamente CH3COO - (aq) Ânion proveniente do ácido fraco (pouco) e do sal solúvel (muito) H+(aq) Hidrônio proveniente da ionização do ácido Na+(aq) Cátion sódio proveniente da dissociação do sal Figura 86 O ácido acético (CH3COOH), por ser um ácido fraco, tem pouca tendência a se ionizar; portanto, a maioria de suas moléculas permanece em solução na forma não ionizada (CH3COOH), liberando muito poucos íons H+ e CH3COO -. O sal acetato de sódio (CH3COONa) é um sólido solúvel e em solução tem dissociação praticamente total; logo, não existe mais CH3COONa sólido, mas grande quantidade de íons CH3COO - e Na+ em solução provenientes da dissociação do sal. Como os cátions sódio Na+ não apresentam afinidade por íons hidroxila ou acetato e permanecem em solução sem interferir no equilíbrio, descreve-seo sistema tampão assim: CH3COOH(aq) 1 2 H+(aq) + CH3COO - (aq) Muito MuitoPouco Nota-se que o ácido fraco (CH3COOH) e sua base conjugada (CH3COO -) estão ambos em grande quantidade. Como essa solução consegue manter o pH constante caso se adicione a ela um ácido forte ou uma base forte? Vejamos: • Ao adicionar a este tampão um pouco de ácido forte, o excesso de íons hidrônio H+ deslocará o equilíbrio para a esquerda, favorecendo a reação nº 2, na qual os íons H+ adicionados “capturam” ânions acetato (CH3COO - ), formando ácido acético (CH3COOH), que é um ácido fraco e, portanto, 154 Unidade II sem tendência para se ionizar. Pode-se imaginar então que os íons H+ adicionados foram capturados pelo deslocamento do equilíbrio e “guardados” na forma de ácido acético, então não houve praticamente aumento da quantidade de íons H+ livres em solução. Como pH = - log [H+] e a [H+] praticamente não variou, então o pH também praticamente não vai variar. Devemos perceber que os íons H+ adicionados foram consumidos pelo deslocamento do equilíbrio; quando ocorre o deslocamento há diminuição da concentração do acetato e aumento da concentração do ácido acético. • Ao adicionar a este tampão um pouco de base forte, os íons hidroxila OH- acrescentados reagirão com os íons H+ presentes no equilíbrio para formar moléculas de H2O, muito estáveis. Assim, o consumo dos íons H+ originalmente presentes no equilíbrio vai deslocá-lo para a direita, favorecendo a reação nº 1 na qual as moléculas de ácido acético se ionizam, liberando íons H+ para reposição, juntamente com ânions acetato (CH3COO -). Portanto, os íons H+ consumidos pela adição de base são repostos e não há variação da concentração de H+. Como pH = - log [H+] e como [H+] praticamente não variou, então o pH também praticamente não vai variar. É essencial notarmos que os íons OH- adicionados foram consumidos pelo deslocamento do equilíbrio, mas nesse deslocamento há diminuição da concentração de ácido acético e aumento da concentração de acetato. Exemplo 2 Tampão amônia (NH3)/cloreto de amônio (NH4Cl) Considere as duas soluções de igual concentração molar • Solução de amônia (Kb=1,75x10 -5) NH3(aq) + H2O(l) → NH4 + (aq) + OH - (aq) reação C • Solução de sal cloreto de amônio (sal solúvel) NH4Cl(aq) H2O NH4 + (aq) + Cl - (aq) reação D Ao misturar as duas soluções, podemos somar as reações C e D e teremos o sistema que caracteriza a solução tampão já pronta: 155 FÍSICO-QUÍMICA NH3(aq) ++ + + Base fraca, pouco ionizada NH4CI(s)H2O(I) Sal solúvelSolvente ZeroGrande quantidade Grande quantidade Pequena quantidade Grande quantidade Dissolve completamente NH4 + (aq) Cátion proveniente da base fraca (pouco) e do sal solúvel (muito) OH-(aq) Hidroxila proveniente da ionização da base CI-(aq) Ânion cloreto proveniente da dissociação do sal Figura 87 A amônia NH3, sendo base fraca, tem pouca tendência a se ionizar e assim a maioria de suas moléculas permanece em solução na forma não ionizada NH3, liberando muito poucos íons NH4 + e OH-. O sal cloreto de amônio (NH4Cl) é um sólido solúvel e em solução tem dissociação praticamente total; logo, não existe mais NH4Cl sólido, mas grande quantidade de íons NH4 + e Cl- em soluções provenientes da dissociação do sal. Como os ânions cloreto Cl- não apresentam afinidade por íons hidrônio ou amônio e permanecem em solução sem interferir no equilíbrio, descreve-se o sistema tampão assim: NH3(aq) + H2O(l) 1 2 NH4 + (aq) + OH - (aq) Muito Muito Muito Pouco Nota-se que a base fraca NH3 e seu ácido conjugado NH4 + estão ambos em grande quantidade. Como esta solução consegue manter o pH constante caso se adicione a ela um ácido ou uma base forte? Vejamos: • Ao adicionar a este tampão um pouco de ácido forte, o excesso de íons hidrônio H+ “captura” ânions hidroxila OH-, formando água. Isso deslocará o equilíbrio para a direita, favorecendo a reação nº 1, na qual NH3 se ioniza, formando NH4 + e OH- para reposição. Assim, os íons H+ adicionados praticamente são consumidos e não haverá mudança na concentração de íons OH- da solução. Como [H+] praticamente não variou, então o pH também praticamente não vai mudar. É fundamental notarmos que os íons H+ adicionados foram consumidos pelo deslocamento do equilíbrio, mas neste deslocamento há diminuição da concentração da amônia e aumento da concentração do íon amônio. • Ao adicionar a este tampão um pouco de base forte, os íons hidroxila OH- ficarão em excesso e assim o equilíbrio se deslocará para a esquerda, favorecendo a reação 2, na qual íons OH- e NH4 + são consumidos para formar NH3 (base fraca, pouco ionizada), juntamente com água. Como quase não ficarão íons OH- em excesso em solução, o pH praticamente não será alterado. É essencial entendermos que os íons OH- adicionados foram consumidos pelo deslocamento do 156 Unidade II equilíbrio, mas neste deslocamento há diminuição da concentração de amônio (NH4 +) e aumento da concentração de amônia (NH3). 8.4.1 Determinação quantitativa de soluções tampão Para o tampão ácido acético/íon acetato estudado, a reação que caracteriza o sistema em equilíbrio é: CH3COOH(aq) 1 2 H+(aq) + CH3COO - (aq) [ ] 3 a 3 H . CH COO K CH COOH + − = A partir da reação, pode-se escrever a expressão da constante de ionização (Ka). Na expressão de Ka, isolando [H+], vem: [ ] [ ]a 3 3 K . CH COOH H CH COO + − = E, aplicando logaritmo negativo à expressão anterior, fica: [ ]3 a 3 CH COOH log H logK log CH COO + − − = − − Como pH = - log [H+] e pKa = - log Ka Substituindo, fica: [ ]3 a 3 CH COOH pH pK log CH COO− = − A equação imediatamente anterior é conhecida como equação de Henderson- Hasselbach, e pode ser generalizada para uma solução tampão em meio ácido: [ ] [ ]a ácido pH pK log base conjugada = − 157 FÍSICO-QUÍMICA Caso as concentrações do ácido e da base conjugada sejam iguais, então: Ácido Base conjugada éë ùû [ ] =1 e como log 1 = zero, vem pH = pKa Analogamente, caso o tampão seja básico, pode-se escrever: [ ] [ ]b base pOH pK log ácido conjugado = − E, caso as concentrações da base e do ácido conjugado sejam iguais, então: Base cido conjugado [ ] éë ùû = Á 1 e como log 1 = zero, vem pOH = pKb Conforme Fiorucci, Soares e Cavalheiro (2001), um tampão é mais efetivo a mudanças no pH quando seu pH é igual ao pKa, ou seja, quando as concentrações das espécies ácida e básica são iguais. A região de pH útil de um tampão é usualmente considerada como sendo de pH = pKa ± 1. 8.4.2 Capacidade tamponante Soluções tampão mantêm o pH do meio praticamente constante devido à sua capacidade de consumir os íons H+ ou OH- adicionados ao meio. Para consumir os íons adicionados, o sistema tampão consome conjuntamente certa quantidade do ácido ou da base conjugada de sua formulação. Desta forma, existe um limite de quantidade de ácido ou base que se pode adicionar a um tampão sem que ele sofra mudança significativa em seu pH. Esse limite é conhecido como a capacidade tamponante. De acordo com Skoog, West e Holler (1996), a capacidade tamponante é definida com o número de mols de um ácido ou base fortes necessários para que 1 litro da solução tampão sofra uma variação de uma unidade no pH. Quanto maior for a concentração do ácido e base conjugados, maior será a capacidade tamponante, pois quanto maior a concentração das espécies do tampão, maior será a quantidade de íons hidroxônio ou íons hidroxila necessários para a conversão completa dessas espécies a ácidos fracos e bases fracas. De acordo com Fiorucci, Soares e Cavalheiro (2001), quando a razão entre a espécie predominante e aquela em menor quantidade do tampão torna-se elevada, a solução deixa de ser um tampão, ou seja, seu pH vai variar consideravelmente quando da adição de ácidos ou bases. Então, a capacidade tamponante de uma solução tampão depende: 158Unidade II • Do pH relativo ao seu pKa: quanto mais próximo o valor do pH do tampão estiver do pKa do ácido fraco, mais a solução poderá resistir a variações no pH com a adição de ácidos ou bases. Um tampão eficaz tem pH = pKa ± 1. Exemplo: para o ácido acético pKa = 4,76. Portanto, uma solução de ácido acético e acetato de sódio funcionará como um tampão eficaz na faixa de pH de 3,76 - 5,76. • Da concentração do tampão: quanto maior a concentração das espécies ácido-base conjugadas, maior a capacidade tamponante. Exemplo: podemos preparar uma solução tampão dissolvendo 1,0 mol de ácido acético e 1,0 mol de acetato de sódio em 1 l de água ou então usar somente 0,10 mol de cada. No entanto, a primeira solução tampão tem uma capacidade tamponante dez vezes maior do que a segunda. Exemplo de aplicação Constam na sequência alguns exemplos de exercícios resolvidos: 1) Uma solução foi preparada em um bécher a partir da adição de 100 mL de ácido acético (H3CCOOH) 0,04 mol.L-1 a 100 mL de acetato de sódio (H3CCOONa) 0,1 mol.L -1. Dado: constante de ionização (Ka) do ácido acético é 1,75x10 -5. Calcule: A) O valor do pH da solução. B) O valor da concentração hidrogeniônica deste tampão. Resolução A) Misturando quantidades iguais das soluções, suas respectivas concentrações caem pela metade. Então, vem: • para o ácido acético [H3CCOOH] = 0,02 mol.L -1; • para o acetato de sódio [H3CCOONa] = 0,05 mol.L -1. Devemos nos lembrar que no caso do sal acetato de sódio, o interesse é somente no ânion acetato H3CCOO -, pois seu cátion Na+ não tem afinidade pelo ânion e não interfere no sistema tampão. Então, o cátion não precisa entrar na reação do tampão. Assim, a reação que vai representar o sistema tampão formado depois da mistura das duas soluções, é a seguinte: H3CCOOH (aq) ⇄ H+ (aq) + H3CCOO- (aq) Sendo o par ácido-base conjugados do tampão o seguinte: H3CCOOH é o ácido e CH3COO - é a base conjugada, e assim fica H3CCOOH/ CH3COO -. Para o cálculo do pH, utilizamos a fórmula de Henderson-Hasselbach, substituindo [ácido] por [H3CCOOH] e também [base conjugada] por [H3CCOO -] 159 FÍSICO-QUÍMICA [ ] [ ]a ácido pH pK log base conjugada = − e, então, [ ]3 a 3 H CCOOH pH pK log H CCOO− = − Como pKa = - log Ka, teremos pKa = - log 1,75x10 -5 e, portanto, pKa = 4,76 Assim, 0,02 pH 4,76 log 0,05 = − , então pH = 4,76 - log 0,40 ⇒ pH = 4,76 – (– 0,398) ⇒ pH = 4,76 + 0,398 e, finalizando, pH = 5,16 B) Para o cálculo da concentração de íons H+, utiliza-se [H+] = 10-pH E, portanto, [H+] = 10-5,16 e assim, [H+] = 6,92 x 10-6 mol.L-1 2) Preparou-se uma solução contendo HX- em concentração 0,15 mol.L-1 e X2- em concentração 0,10 mol.L-1. O valor de Ka é dado como 6,7x10 -6. A partir das informações fornecidas, pede-se: A) O valor do pH da solução tampão. B) O valor do pH da mesma solução após a adição de 0,03 mol.L-1 de H+. C) Explique se o tampão ainda está na faixa de eficiência após a adição do ácido. Resolução A) Aplicando diretamente a equação de Henderson/Hasselbach, calcula-se o valor inicial do pH da solução, sabendo que entre as espécies químicas presentes temos o seguinte par ácido-base conjugados: HX-/X2- [ ] [ ]a ácido pH pK log base conjug = − e então será a 2 HX pH pK log X − − = − Calculando o pKa a partir da igualdade pKa = -log Ka Vem pKa = -log 6,7x10 -6 e, assim, pKa = 5,17. Substituindo este valor de pKa na equação de Henderson/Hasselbalch, será: 2 HX pH 5,17 log X − − = − 160 Unidade II e substituindo as concentrações do ácido e sua base conjugada, fica [ ] [ ] 0,15 pH 5,17 log 0,10 = − . Resolução pH = 5,17 – log 1,5 ⇒ pH = 5,17 – 0,176 ⇒ pH = 4,99 B) Ao adicionar ácido ou base a uma solução tampão, seu equilíbrio é deslocado para o lado que consome esse excesso de ácido. Assim, após tal adição, haverá mudança nas concentrações do ácido e bases conjugados do tampão. Para descobrir as novas concentrações e utilizá-las na equação de Henderson/Hasselbach é necessário montar uma tabela como a que consta a seguir: Tabela 21 HX- ⇄ X2- + H+ Início 0,15 0,10 Variação +0,03 -0,03 Novo equilíbrio 0,18 0,07 Observa-se que cada H+ adicionado será capturado pelo X2- , formando HX-, que é um ácido fraco e não tem tendência a liberar o H+. Então, adicionando-se 0,03 mol.L-1 de H+ ao frasco contendo a solução tampão, o equilíbrio se desloca para a esquerda favorecendo a reação reversa, na qual X2- será consumido (por isso na coluna do X2- usamos subtração) e HX- será produzido (por essa razão utiliza-se soma na coluna do HX-). Fazendo as contas, descobre-se as novas concentrações do ácido e da base conjugados e, em seguida, é só aplicá-las na equação de Henderson/Hasselbach para saber o novo pH da solução. a 2 HX pH pK log X − − = − O valor de pKa é o mesmo, porque o sistema é idêntico. Substituindo os valores das novas concentrações, vem: [ ] [ ] 0,18 pH 5,17 log 0,07 = − ⇒ pH = 5,17 – log 2,571 ⇒ pH = 5,17 – 0,410 E, portanto, o novo valor de pH será 4,76. C) Sabe-se que um sistema tampão eficaz está na faixa de pH igual a pKa +/- 1. Como o valor de pKa é 5,17, este tampão será considerado eficaz enquanto estiver na faixa 4,17 até 6,17. Conforme o cálculo, depois de adicionar o ácido, o pH foi para 4,76 e esse valor está na faixa de 4,17-6,17. Portanto, ele ainda é eficaz e encontra-se ativo. 161 FÍSICO-QUÍMICA 3) Sabe-se que um sistema tampão utiliza par ácido-base conjugado. As alternativas que se seguem apresentam pares de íons. Assinale aquele que pode ser utilizado no preparo de uma solução tampão. A) NH4 +/OH- B) H2SO4/HSO4 - C) HCN/CN- D) H+/OH- Resposta correta: C. Resolução A alternativa “a” é incorreta, pois as espécies químicas apresentadas NH4 +/OH- não formam um par ácido-base conjugado. Lembrando que a única diferença entre as espécies químicas que formam um par ácido-base conjugado só pode ser de um H+; no caso de “b”, as espécies químicas H2SO4/HSO4 - certamente formam um par ácido-base conjugado, mas não haverá tampão, pois o H2SO4 é um ácido forte; a alternativa “c” é a correta, pois HCN/CN- formam um par ácido-base conjugado e o HCN é um ácido fraco (Ka=4,8x10 -10); no caso da alternativa “d”, as espécies químicas não formam um par ácido-base conjugado. 4) Misturam-se duas soluções salinas formando um sistema tampão no qual a concentração de íon hidrogenofosfato (HPO4 2-) é igual a 1,8x10-4 mol.L-1 e outra de íon di-hidrogenofosfato (H2PO4 -) que é igual a 8,3x10-3 mol.L-1. Dado: Ka = 6,2x10 -8. Calcule: A) O valor do pKa do sistema tampão. B) O valor do pH do sistema tampão. C) O valor da concentração hidrogeniônica [H+] do sistema tampão. D) O valor do pOH do sistema tampão. E) O valor da concentração hidroxiliônica [OH-] do sistema tampão. Resolução A) No cálculo de valor de pKa, usa-se: pKa = - log Ka, então pKa = - log 6,2x10 -8 e, assim, pKa = 7,21 162 Unidade II B) No cálculo do pH do tampão, utiliza-se: [ ] [ ]a ácido pH pK log base conjug = − e assim é necessário saber qual é a espécie do ácido e qual é a base conjugada. Recordando que em um par ácido-base conjugado, o ácido é a espécie mais hidrogenada, então fica: [ ] [ ] 2 4 4 H PO pH 7,21 log HPO 2 − = − − e, portanto, 3 4 8,3x10 pH 7,21 log 1,8x10 − −= − . Assim, vem pH = 7,21 - log 46,111 ⇒ pH = 7,21 - 1,66 e, portanto, pH = 5,55 C) No cálculo de [H+], utiliza-se: [H+] = 10-pH e, portanto, fica: [H+] = 10-5,55 e, assim, a resposta é [H+] = 2,82x10-6 mol.L-1 D) No cálculo do pOH, basta utilizar pH + pOH = 14. Assim, fica: 5,55 + pOH = 14 e, então, pOH = 14 - 5,55 e, portanto, pOH = 8,45 E) No cálculo de [OH-], utiliza-se: [OH-] = 10-pOH e, portanto, fica: [OH-] = 10-8,45 e, assim, a resposta é [OH-] = 3,55x10-9 mol.L-1 Resumo Nesta unidade vimos que compreender a cinética das reações químicas permite que o farmacêutico possa avaliar a velocidade de reações de formação ou decomposiçãode substâncias como alimentos, fármacos, compostos inorgânicos e orgânicos em geral nos diversos meios, assim como os fatores que interferem na velocidade do processo e a energia envolvida. Portanto, é possível alterar o tempo que uma fruta permanece adequada ao consumo ou aumentar o período de validade de uma formulação farmacológica ou conhecer a temperatura na qual tal formulação deve permanecer armazenada para que não sofra alterações. Conhecer a ordem da reação permite compreender qual reagente vai interferir em maior escala na produção de um fármaco ou, em outro caso, em sua decomposição. 163 FÍSICO-QUÍMICA Observamos ainda que o conhecimento do funcionamento do equilíbrio químico das chamadas “reações reversíveis” mostra que um sistema está em equilíbrio dinâmico quando as reações direta e reversa apresentam a mesma velocidade e, portanto, as concentrações das espécies químicas reagentes e produtos não sofrem alterações ao longo do tempo se não houver perturbação do sistema. Fatores como temperatura, pressão e concentração das espécies químicas presentes, se alterados por ação externa, podem perturbar o equilíbrio, deslocando-o, ou seja, favorecendo uma das duas reações (a direta ou a reversa) de forma a minimizar a perturbação; já a adição de catalisadores não é capaz de perturbar o equilíbrio. O aumento da concentração de uma das espécies químicas presentes favorece a reação que a consome, enquanto a diminuição de uma delas beneficia a reação que a produz. Caso haja espécies químicas gasosas no sistema, o aumento de pressão favorece a reação que produz menor número de mols de espécies químicas, e se houver diminuição de pressão sobre o sistema, este vai beneficiar a reação que produz um maior número de mols de espécies químicas. Um aumento de temperatura do sistema favorece a reação endotérmica e uma diminuição da temperatura do sistema favorecerá a reação exotérmica. Vimos que o cálculo da constante de equilíbrio em termos de concentração Kc ou de pressão Kp permite ao farmacêutico saber se o equilíbrio estabelecido favoreceu a formação da substância de interesse ou se precisa ser deslocado para fazê-lo. Desta forma, é possível, por exemplo, deslocar o sistema de forma a favorecer a elaboração de maior quantidade de produtos quando o equilíbrio for atingido, evitando prejuízos ou aumentando o lucro. Deslocamentos de equilíbrio também ocorrem em larga escala no controle das reações metabólicas. Sua compreensão é fundamental para entendermos que rotas metabólicas podem ser ativadas ou inibidas pelo aumento ou diminuição de um dos seus componentes. Nesta unidade também analisamos o equilíbrio iônico da água de forma a entender a força de ácidos e bases, além de sua interferência em sistemas em equilíbrio. Ácidos são substâncias que, em meio aquoso, liberam H+ como único cátion e bases são substâncias que, em meio aquoso, liberam OH- como único ânion; esta é a Teoria Ácido-Base de Arrhenius, a mais antiga, ampliada posteriormente pela Teoria Ácido-Base de Brönsted-Lowry, que define ácido como qualquer espécie química capaz de liberar próton (H+) e base como qualquer espécie química capaz de receber próton. Quanto maior for o valor da constante de ionização do ácido, Ka, mais forte é o ácido e maior sua capacidade de liberação de H+. Quanto maior for o valor da constante de ionização/dissociação da base, Kb, mais forte é a base e sua 164 Unidade II capacidade de receber H+ (ou de liberar OH-). A acidez ou alcalinidade de um sistema pode ser conhecida através de medidas de pH ou pOH. A escala de pH é a mais utilizada, indo de valores como 0 até 14; valores de pH menores que 7 indicam predomínio de íons H+, e assim quanto mais próximo de zero, maior a concentração de íons H+ e maior a acidez; valores maiores que 7 indicam predomínio de OH- e quanto mais próximo de 14 maior será a concentração de íons OH- e maior será a basicidade ou alcalinidade; valor de pH = 7 significa igual concentração de H+ e OH-, meio neutro. O conhecimento do conceito de pH é importante para o farmacêutico, pois o pH incorreto pode inativar o fármaco, dificultar sua absorção ou mesmo degradá-lo. Além disso, pequenas variações do pH de líquidos dos organismos, como, por exemplo, do líquido intercelular ou do plasma sanguíneo podem levar o paciente a um estado grave de saúde ou até mesmo ao óbito. Pudemos verificar que substâncias capazes de mudar de cor quando estão em diferentes valores de pH, chamadas indicadores ácido-base, ajudam na determinação do pH em diversos casos como análises clínicas, laboratórios químicos, indústrias e até mesmo no controle de pH de águas naturais e tratadas, piscinas e esgotos. A dissolução de um sal em água pura pode dar origem a uma solução neutra, ácida ou alcalina. Tudo depende da possibilidade do cátion e ânion provenientes deste sal sofrerem (ou não) hidrólise. Observamos que soluções aquosas comuns têm seu pH consideravelmente diminuído caso haja adição de ácido. Por outro lado, elas possuem seu valor de pH consideravelmente aumentado caso haja adição de base. No entanto, existem soluções conhecidas como soluções tampão, que conseguem manter o pH relativamente constante em caso de adição de quantidades razoáveis de ácido ou base. Vimos que soluções tampão são extremamente importantes para o estudante da área da saúde, uma vez que o pH deve ser mantido em uma faixa muito estreita para que o organismo esteja saudável. Estruturas de moléculas presentes na composição celular e a maioria dos processos bioquímicos são extremamente sensíveis às variações de pH, como as enzimas. São tamponados o líquido intercelular e o plasma sanguíneo, entre outros. Os tampões biológicos mais efetivos são o sistema di-hidrogenofosfato/mono-hidrogenofosfato, as proteínas e o sistema ácido carbônico/bicarbonato. Por fim, aprendemos que um sistema tampão é caracterizado pela mistura de ácido fraco + sal que contenha sua base conjugada, ou mistura 165 FÍSICO-QUÍMICA de base fraca com sal que contenha seu ácido conjugado. A adição de ácido ou base a um sistema tampão vai consumir uma das espécies químicas presentes para manter o pH. Quanto maior for a concentração do ácido e base conjugados, maior será a capacidade tamponante, pois quanto maior a concentração das espécies do tampão, maior será a quantidade de íons hidroxônio ou íons hidroxila necessários para a conversão completa dessas espécies a ácidos fracos e bases fracas. O valor do pH de uma solução tampão pode ser calculado através da equação de Henderson-Hasselbach. Exercícios Questão 1. (PUC-RS) Relacione os fenômenos descritos na coluna I com os fatores que influenciam sua velocidade mencionados na coluna II. Coluna I: 1 – Queimadas alastrando-se rapidamente quando está ventando. 2 – Conservação dos alimentos no refrigerador. 3 – Efervescência da água oxigenada na higiene de ferimentos. 4 – Lascas de madeiras queimando mais rapidamente que uma tora de madeira. Coluna II: A – Superfície de contato. B – Catalisador. C – Concentração. D – Temperatura. A alternativa que contém a associação correta entre as duas colunas é: A) 1 – C; 2 – D; 3 – B; 4 – A. B) 1 – D; 2 – C; 3 – B; 4 – A. 166 Unidade II C) 1 – A; 2 – B; 3 – C; 4 – D. D) 1 – B; 2 – C; 3 – D; 4 – A. E) 1 – C; 2 – D; 3 – A; 4 – B. Resposta correta: alternativa A. Análise da questão 1 – O vento aumenta a concentração de oxigênio, que atua como comburente da queimada. 2 – A diminuição da temperatura diminui a velocidade das reações, pois diminui o movimento das partículas reagentes e a probabilidade de choques efetivos que resultem em reação. 3 – A decomposição da água oxigenada é acelerada por uma enzima presente no sangue que atua como catalisadora dessa reação. 4 – A superfície de contato das lascas de madeira com o oxigênio do ar que causa a queima é maior que a de uma tora de madeira. Questão 2. (UnB/DF) Considere os estudos cinéticos de uma reação químicae julgue os itens a seguir. I – Toda reação é produzida por colisões, mas nem toda colisão gera uma reação. II – Uma colisão altamente energética pode produzir uma reação. III – Toda colisão com orientação adequada produz uma reação. IV – A velocidade média de uma reação pode ser determinada pela expressão: v = quantidade dos produtos quantidade dos reagentes Assinalando V para verdadeiro e F para falso e, lendo de cima para baixo, teremos: A) V, V, F, F. B) V, V, V, F. C) F, V, F, F. D) V, F, V, F. 167 FÍSICO-QUÍMICA E) V, V, V, V. Resposta correta: alternativa A. Análise das afirmativas I – Afirmativa correta. Justificativa: quando a colisão entre os átomos é desfavorável, a velocidade em que a reação se processa é tão lenta que, a olho nu, consideramos que a reação não ocorreu. II – Afirmativa correta. Justificativa: se a colisão ocorreu com alta energia, quer dizer que essa energia é maior que a energia mínima (energia de ativação) necessária para que a reação aconteça. III – Afirmativa incorreta. Justificativa: para produzir uma reação, a colisão deve, sim, ter orientação adequada, mas também deve ter energia suficiente. IV – Afirmativa incorreta. Justificativa: a velocidade média de uma reação é calculada por meio da relação entre a velocidade de um de seus participantes (velocidade de consumo do reagente ou velocidade de formação do produto) e o seu coeficiente estequiométrico na equação que representa a reação. aA + bB → cC + dD v = VC c 168 FIGURAS E ILUSTRAÇÕES Figura 1 95.JPG. Disponível em: https://conteudoonline.objetivo.br/imagens/Aula_15261/95.jpg. Acesso em: 4 mar. 2020. Figura 2 RAINBOW-JELLO-FULL-2004-JULY-30.JPG. Disponível em: https://upload.wikimedia.org/wikipedia/ commons/e/e3/Rainbow-Jello-Full-2004-July-30.jpg. Acesso em: 14 fev. 2020. Figura 3 FOAM-1539208_960_720.JPG. Disponível em: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/07/24/21/20/foam- 1539208_960_720.jpg. Acesso em: 14 fev. 2020. Figura 5 4.JPG. Disponível em: http://www.objetivo.br/conteudoonline/imagens/conteudo_1722/4.jpg. Acesso em: 19 fev. 2020. Figura 6 75_03_01.GIF. 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