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Síndrome Nefrítica e Síndrome Nefrótica — Resumo Detalhado 1. Epidemiologia Síndrome Nefrítica: · Mais comum em crianças e adolescentes, geralmente após infecções bacterianas (ex.: faringoamigdalite estreptocócica). · Predominante em países em desenvolvimento, onde infecções são mais frequentes. Síndrome Nefrótica: · Mais comum em crianças entre 2 e 6 anos (doença de lesões mínimas). · Em adultos, causas secundárias incluem diabetes, lúpus e amiloidose. 2. Síndrome Nefrítica — Etiologia e Fisiopatologia A síndrome nefrítica é resultado de inflamação glomerular, geralmente provocada por mecanismos imunológicos. As causas podem ser primárias (do próprio rim) ou secundárias (de doenças sistêmicas). Etiologia/Causas: · Glomerulonefrite pós-estreptocócica: Ocorre 1 a 3 semanas após uma infecção de garganta ou de pele causada por Streptococcus beta-hemolítico do grupo A. · O sistema imunológico produz anticorpos contra a bactéria, mas eles acabam formando imunocomplexos que se depositam nos glomérulos. · Isso ativa o sistema complemento, causando inflamação e destruição das estruturas glomerulares. · · Síndrome de Goodpasture: autoanticorpos contra a membrana basal glomerular e alvéolos pulmonares. · Os anticorpos atacam diretamente a membrana basal glomerular, como se ela fosse um invasor. · É o caso da síndrome de Goodpasture, que pode afetar rim e pulmão (causando hemoptise e hematúria). · · Glomerulonefrites mediadas por imunocomplexos: (ex.: lúpus eritematoso sistêmico), onde complexos antígeno-anticorpo circulantes se depositam nos glomérulos causando inflamação. · Causadas por outras infecções (vírus, bactérias, parasitas) ou doenças autoimunes como o lúpus. · O princípio é o mesmo: formação e depósito de imunocomplexos → inflamação → lesão glomerular. · · Glomerulonefrite rapidamente progressiva: destruição rápida do glomérulo, muitas vezes com crescentes de células inflamatórias. · Causas hereditárias: síndrome de Alport (mutação em colágeno tipo IV), alterando a membrana basal. · Fatores ambientais e doenças autoimunes: podem predispor à inflamação glomerular. Fisiopatologia: O mecanismo básico da síndrome nefrítica é a inflamação dos glomérulos, que reduz a capacidade de filtração renal. Vamos entender em etapas: 1. Injúria imunológica inicial · Ocorre pela formação de imunocomplexos (antígeno + anticorpo) ou pela ação direta de autoanticorpos contra o glomérulo. · Esses complexos ativam o sistema complemento, liberando substâncias inflamatórias (C3a, C5a). 2. Ativação de células inflamatórias · Neutrófilos e monócitos migram para o glomérulo e liberam citocinas e enzimas proteolíticas, que danificam as células endoteliais e a membrana basal. 3. Proliferação celular glomerular · As células mesangiais e endoteliais se multiplicam, estreitando o lúmen capilar → menos sangue filtrado. 4. Queda da TFG (Taxa de Filtração Glomerular) · O fluxo diminui, resultando em retenção de água e sódio, levando a edema e hipertensão. 5. Perda de hemácias e proteínas pela urina · A lesão na parede capilar permite passagem de hemácias (hematúria) e pequenas proteínas (proteinúria leve a moderada). 3. Síndrome Nefrótica — Etiologia e Fisiopatologia Etiologia/Causas: Aqui o problema não é inflamatório, mas estrutural: a barreira de filtração glomerular fica “vazada”, permitindo a passagem de grandes quantidades de proteínas. 🔹 a) Glomerulopatias primárias (do próprio rim) 1. Doença de lesões mínimas · Mais comum em crianças (2–6 anos). · Observa-se perda dos pedicelos dos podócitos (células de filtração) — visível só ao microscópio eletrônico. · Causa proteinúria maciça e edema, mas função renal geralmente normal. 2. Glomeruloesclerose segmentar e focal (GESF) · Parte dos glomérulos apresenta cicatrização (esclerose). · Pode ser primária ou secundária (obesidade, HIV, drogas como heroína). · É causa importante de síndrome nefrótica em adultos. 3. Nefropatia membranosa · Espessamento da membrana basal glomerular por depósito de imunocomplexos. · Associada a lúpus, hepatites, neoplasias ou medicamentos (AINEs, ouro, captopril). 🔹 b) Glomerulopatias secundárias 1. Diabetes mellitus — causa nefropatia diabética, principal etiologia de síndrome nefrótica em adultos. 2. Lúpus eritematoso sistêmico — inflamação autoimune que pode causar lesão glomerular difusa. 3. Amiloidose — depósito de proteínas anormais (amiloide) nos glomérulos. 4. Infecções crônicas, neoplasias e uso de drogas também podem estar envolvidos. Fisiopatologia: 1. Dano à barreira de filtração glomerular · Ocorre lesão nos podócitos e na membrana basal glomerular, aumentando a permeabilidade. · Proteínas grandes (principalmente albumina) passam para a urina → proteinúria maciça (>3,5 g/24h). 2. Hipoalbuminemia · A perda de albumina no sangue diminui a pressão oncótica plasmática, facilitando a saída de líquido para o interstício → edema (inicialmente periorbitário e depois generalizado — anasarca). 3. Hiperlipidemia e lipidúria · O fígado tenta compensar a perda de proteínas aumentando a produção de lipídios e lipoproteínas, levando a colesterol e triglicerídeos altos. · Parte desses lipídios pode aparecer na urina (lipidúria). 4. Hipercoagulabilidade · Perda de proteínas anticoagulantes (antitrombina III, proteínas C e S) → aumento do risco de trombose venosa profunda e trombose de veia renal. 5. Maior susceptibilidade a infecções · Perda de imunoglobulinas e fatores do complemento → defesa imunológica reduzida. 4. Manifestações Clínicas Síndrome Nefrítica: · Hematúria (urina cor de “coca-cola”). · Proteinúria leve a moderada. · Oligúria, azotemia. · Edema facial/palpebral. · Hipertensão arterial. Síndrome Nefrótica: · Edema intenso e generalizado (anasarca). · Proteinúria maciça. · Hiperlipidemia e lipidúria. · Maior susceptibilidade a infecções. · Tromboses venosas e alterações cardiovasculares. 5. Diagnóstico e Tratamento Diagnóstico: · Avaliação clínica: história, exame físico (edema, hipertensão). · Exames laboratoriais: urina tipo I, função renal, perfil lipídico, complementos, autoanticorpos. · Exames de imagem: ultrassonografia renal. · Biópsia renal: casos atípicos ou para definir tipo de glomerulopatia. Tratamento: · Controle da causa de base (infecção, diabetes, lúpus, etc.). · Manejo de edema e pressão arterial: diuréticos, restrição de sódio, IECA/BRA. · Imunossupressores ou corticoides quando indicados. · Prevenção de complicações: trombose e infecções. 6. Quadro Comparativo