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PROLEGOMENOS A TEOLOGIA 
Prolegomenos (gr. prolegomena, lit. pro, “antes”, e lego, “falar”) e a introdução a Teologia.
Eles tratam dos pressupostos necessários para estudar a teologia sistemática.
Teologia (lit. theos, “Deus”, e logos, “razao” ou “discurso”) e um discurso racional a
respeito de Deus.
A Teologia evangélica e definida aqui como um discurso a respeito de Deus que enfatiza a existencia de certas crenças cristas essenciais1, que incluem a, mas não se limitam a, infalibilidade e inerrancia da Bíblia somente , a tri-unidade de Deus, o nascimento virginal de Cristo, a divindade de Cristo, a total suficiência do sacrifício expiatório de Cristo pelos pecados, a ressurreição física e miraculosa de Cristo, a necessidade da salvação somente pela fé—somente através da graça de Deus, baseada somente na obra de Cristo —, o retomo corporal físico de Cristo a este mundo, a felicidade eterna e consciente dos salvos, e o castigo eterno e consciente dos não-salvos A Teologia e dividida em varias categorias:
(1) Teologia Bíblica, que e o estudo da base bíblica da Teologia.
(2) Teologia Histórica, que e o debate teológico dos grandes expoentes da igreja crista.
(3) Teologia Sistemática, que e a tentativa de construir um corpo consistente e compreensível
a partir do conjunto completo da revelação de Deus, seja ela a revelação especial (bíblica)
ou geral (natural)
AS DIVISOES BASICAS DA TEOLOGIA SISTEMATICA
A Teologia Sistemática é geralmente dividida nas seguintes categorias: (1)
Prolegômenos (Introdução); (2) Bibliologia (gr. plural bíblia, “Bíblia”); (3) Teologia
Própria, o estudo de Deus; (4) Antropologia (gr. plural, anthropoi, “seres humanos”);
(5) Hamartiologia (gr. hamartía, “pecado”); (6) Soteriologia (gr. soteria, “salvação”); (7)
Eclesiologia (gr. ekklesia, “[a] igreja”); (8) Escatologia (gr. eschatos, “as últimas coisas”).
Além disso, o estudo do Espírito Santo (uma subdivisão da Teologia Própria) é
denominado Pneumatologia (gr. pneuma, “espírito”), e os discursos sobre Cristo são
chamados de Cristologia. Os debates teológicos a respeito dos demônios são designados
Demonologia, os específicos sobre Satanás recebem o nome de Satanologia, e o estudo
dos anjos são chamados de Angelologia.
OS PRESSUPOSTOS DA TEOLOGIA EVANGELICA
Os teólogos evangélicos crêem que a Bíblia corresponde a um comunicado
infalível e absolutamente verdadeiro, feito em linguagem humana, que se originou
de um Deus infinito, pessoal e moralmente perfeito. Esta fé pressupõe que muitas
coisas são verdadeiras — a maioria delas é vista com animosidade pela nossa cultura
atual. 
O Evangelicalismo pressupõe a existência de um Deus teísta (o pressuposto
metafísico — capítulo 2) que criou o mundo e que pode intervir miraculosamente nele
(o pressuposto sobrenatural — capítulo 3); um Deus que se revelou tanto na forma
geral quanto na especial (o pressuposto revelacional — capítulo 4); esta ultima sujeita
às leis da lógica (o pressuposto racional — capítulo 5) e
contendo afirmações com
significado objetivo (o pressuposto semântico — capítulo 6) que são objetivamente
verdadeiras (o pressuposto epistemológico — capítulo 7) e exclusivamente verdadeiras
(o pressuposto oposicional — capítulo 8); estas afirmações, por sua vez, podem ser
apropriadamente compreendidas em linguagem análoga (o pressuposto lingüístico —
capítulo 9),
sendo que a sua verdade e sentido podem ser objetivamente compreendidos
(o pressuposto hermenêutico — capítulo 10), inclusive os elementos relacionados aos
eventos históricos (o pressuposto histórico — capítulo 11); que esta revelação pode
ser sistematizada por um método teológico completo e compreensivo (o pressuposto
metodológico — capítulo 12).
E, mesmo que esse projeto possa nos parecer um tanto complicado, estes são os pressupostos necessários para que a Teologia evangélica se torne possível. Nos capítulos que se seguirão, trataremos cada um deles de maneira sequencial.
A IMPORTANCIA DOS PRESSUPOSTOS
Um pressuposto torna possível o que nele se baseia. Por exemplo, as condições para que dois seres humanos se comuniquem entre si, minimamente falando, incluem:
(1) A existência de uma mente capaz de enviar uma mensagem.
(2) A existência de outra mente capaz de receber esta mensagem.
(3) A existência de um meio comum de comunicação (por exemplo, um idioma)
compartilhado por ambos.
Sem estes pressupostos necessários, a comunicação não poderá ocorrer. De maneira similar, a ausência dos pressupostos acima citados torna impossível construção de uma teologia sistemática evangélica. Dentre eles, um dos mais importante é o pressuposto metafísico, o Teísmo, que será discutido no capítulo seguinte.
COSMOVISÃO CRISTÃ
At 3.18-21: É necessário que ele permaneça no céu até que chegue o tempo em
que Deus restaurará todas as coisas, como falou há muito tempo, por meio dos seus
santos profetas.
2 Co 5.19: Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo (Kosmos).
O QUE É UMA COSMOVISÃO?
É de comum aceitação entre estudiosos cristãos que o termo cosmovisão foi cunhado e utilizado originalmente no fértil período cultural da Alemanha dos séculos 18 e 19.
Emanuel Kant, filósofo de reconhecida influência no pensamento ocidental, a quem é creditada a revolução copérnica da filosofia, teria cunhado o termo Weltanschauung, traduzido posteriormente como o correlato inglês worldview, em português, cosmovisão. O Termo teria sido utilizado quando da publicação de sua Crítica do julgamento, em 1790.
Weltanschauung (termo alemão que se pronuncia “veltanxauung”),1 cosmovisão ou mundividência é a orientação cognitiva fundamental de um indivíduo ou de toda uma sociedade. Essa orientação abrange sua filosofia natural, seus valores fundamentais, existenciais, normativos, seus postulados ou temas, suas emoções e sua ética. Outro sentido do termo é o de uma imagem do mundo imposta ao povo de uma nação ou comunidade, isto é, uma ideologia.
O termo é um calco linguístico da palavra de origem
alemã que significa literalmente “visão de mundo” ou “cosmovisão”. Essa palavra alemã é adotada regularmente em diversas línguas para expressar esses significados. Suas origens etimológicas remetem ao século XVIII. Ela é um conceito fundamental na filosofia e epistemologia alemã e se refere à uma “percepção de mundo ampla”. Adicionalmente, ela se refere ao quadro de ideias e crenças pelas quais um indivíduo interpreta o mundo e interage com ele.
UMA BREVE HISTÓRIA DO CONCEITO DE COSMOVISÃO CRISTÃ
O termo alemão Weltanschauung foi cunhado por Kant e veio depois a ser uma
palavra chave na mentalidade do idealismo alemão e do romantismo, sendo transmitido
via Fichte para Schelling, Schleiermacher, Schlegel, Novalis, Hegel e Goethe.
Por volta de 1840, segundo Albert Wolters, o termo tinha se tornado um item padrão no vocabulário do Alemão educado (p.15). Na década de 30 ele penetrou em outras línguas, e desde Kierkegaard os filósofos tem buscado relacionar a nova idéia ao conceito mais antigo de filosofia.
Devido à sua origem, o termo traz uma carga idealista-romântica bastante forte. Uma característica importante do período foi o nascimento da consciência histórica, marcada pela oposição ao intelectualismo grego-iluminista e pela ênfase no particular, temporal e concreto.
Assim enquanto o termo filosofia, de origem grega, pertence a uma mentalidade orientada para o universal e essencial, o termo alemão weltanschauung pertence a uma mentalidade dominada pela relatividade histórica.
O primeiro a utilizar a noção de weltanschauung para expressar a visão de um cristianismo integral abarcando todas as dimensões da cultura foi o teólogo escocês James Orr (1884-1913). Suas palestras nas Kerr Lectures para 1890-91 foram publicadas com o titulo The Christian View of God and Things. Nessa obra Orr afirma que o modernismo deve ser enfrentado através do desenvolvimento de uma cosmovisão abrangente, na qual princípio deve ser ordenado contra princípio. Declara também que
a visão cristã das coisas formaum todo lógico que não pode ser... aceito ou rejeitado por partes, mas permanece ou cai em sua integridade, e que pode apenas sofrer com tentativas de amálgama ou compromisso com teorias que se apóiam em bases totalmente distintas. (p. 95)
Nessa época Abraham Kuyper já era o líder inquestionável do neocalvinismo. Através de suas atividades como teólogo, jornalista, político e líder cultural Kuyper já vinha desenvolvendo uma ampla reforma da sociedade holandesa a partir do calvinismo e em combate com o modernismo.
Mas segundo Peter Heslam, um estudioso de Kuyper, foi o contato com a obra de James Orr que levou Kuyper adotar o conceito de weltanschauung como forma de descrever sua visão do cristianismo
Diferentemente de Orr, no entanto, ao invés de traduzir o termo como visão de mundo, Kuyper preferiu a expressão sistema de vida, uma expressão bem mais orientada para a prática. Ricardo Gouveia traduziu a expressão como biocosmovisão.
Para Kuyper o calvinismo, que seria simplesmente a forma mais consistente de cristianismo, não era exatamente uma teologia ou um sistema eclesiástico, mas uma Cosmovisão completa com implicações para todas as áreas da vida, incluindo política, arte, etc.
O calvinismo deveria assim resistir a aliança com outros ismos culturais opostos como o socialismo, o darwinismo, o positivismo e o liberalismo e desenvolver-se a partir de seu princípio singular em busca da liderança cultural.
Entre as tarefas a serem realizadas estaria o desenvolvimento de uma filosofia distintamente calvinística. Tanto Kuyper como Herman Bavinck e seu discípulo Valentinus Hepp defendiam esse projeto.
Mas coube a D.H.T. Vollenhoven e Herman Dooyeweerd desenvolverem um sistema maduro de filosofia reformada. Vollenhoven sempre seguiu Kuyper em sua noção de que filosofia não é o mesmo que visão de mundo e da vida; é sua posterior elaboração cientifica. (p. 22)
Dooyeweerd divergia um pouco. Inicialmente identificava a wetsidee como a característica da cosmovisão que poderia se tornar operacional como um fator regulativona formação de teorias cientificas.
Mas a partir da publicação de sua obra principal em 1935 ele defendeu que a filosofia deveria ser guiada pela religião sem a mediação da Cosmovisão. Mas muitos acreditam que sua doutrina dos Ground-Motives ele reintroduz sub-repticiamente o papel determinante da cosmovisão.
Visão de mundo cristão, ou cosmovisão cristã refere-se ao conjunto das distinções filosóficas e religiosas que caracterizam o Cristianismo em relação a questões como a natureza da verdade, a existência do homem, o sentido do universo e da vida, os problemas da sociedade, dentre outros. O termo geralmente é utilizado de uma das três maneiras abaixo:
Um conjunto de cosmovisões expressas por aqueles que se identificam como cristão;  Elementos comuns de cosmovisões predominante entre aqueles que se identificam como cristão;  O conceito de uma única "visão cristã do mundo" sobre uma série de questões.
A IMPORTÂNCIA DE UMA COSMOVISÃO CRISTÃ
Uma Cosmovisão é baseada em um montante de crenças sobre os maiores temas da vida que como seres humanos devemos inevitavelmente encarar. Nossa cosmovisão em particular determina as lentes ou filtros que utilizamos para interpretarmos a realidade.
Este processo molda aquilo que cremos,
1. Afeta como vivemos,
2. Forma nossa opinião, e
3. Governa nossas ações, inações, ou reações em vida.
Uma das mais trágicas e perplexas realidades na Igreja Pós-moderna de hoje, é a falta de consciente cosmovisão bíblica. Apenas observando a condição de nossa cultura vamos nos conscientizar da importância desta afirmação.
A triste verdade é, existem muitos crentes sinceros cuja cosmovisão tem sido moldada pela educação, experiência, ou por partidos políticos, ao invés da palavra de Deus.
Em outras palavras, a lente pela qual eles filtram a realidade e temas importantes da vida, e dia a dia, vem de fontes que não são necessariamente enraizadas na revelação bíblica.
Podemos afirmar que a adoção de uma cosmovisão cristã na história da Igreja se iniciou com os apóstolos e está enraizada por toda a Escritura, tanto no Antigo como no Novo Testamento. Porém, apenas em meados do segundo século, com a obra de Irineu de Lion, os cristãos passaram a ter um sistema de pensamento teológico com pressuposições próprias, desmembrando-se das concepções gregas.
Podemos definir cosmovisão, em geral, como um conjunto de crenças fundamentais através das quais vemos o mundo. É a forma pela qual interpretamos e percebemos a realidade ao nosso redor, seja de forma consciente ou inconsciente.
Cosmovisão é um conjunto de suposições e crenças que alguém usa para interpretar e formar opiniões acerca da sua humanidade, propósito de vida, deveres no mundo, responsabilidades para com a família, interpretação da verdade, questões sociais, etc. Um cristão deveria ver essas coisas, e todas as demais, guiado pela luz que recebe da Bíblia.
A Bíblia tem muitas coisas a dizer acerca da natureza humana, propósito, verdade, moralidade, etc., como também acerca do mundo. Mais frequentemente do que imaginamos, a cosmovisão secular está em conflito com a bíblica. Por exemplo: onde o mundo nos mostra um homem desenvolvido, a Bíblia diz que ele foi criado e é, em última instância responsável diante de Deus.
Onde o mundo diz que a moral é relativa, a Bíblia diz que ela é absoluta. Onde o mundo diz que não há necessidade de salvação e redenção, a Bíblia claramente declara que todas as pessoas têm necessidade de confessar os seus pecados. O contraste é óbvio e profundo. Ambos não podem ser verdadeiros ao mesmo tempo. O mundo secular exalta o homem ao ápice do desenvolvimento da evolução, o soberano acima de tudo, ele domina, embora sendo apenas outro animal. Deus é “relevante” aos sistemas de crença dos supersticiosos e incultos. Visões tão opostas, no final das contas, acabarão por se confrontar.
Partindo do conceito de que cosmovisão é uma forma de enxergar o mundo, a visão cristã vê e compreende toda a realidade a partir das lentes de Deus e do filtro da Escrituras Sagradas. O Cristianismo autêntico possui uma estrutura plausível que fornece as respostas contundentes para as principais perguntas do homem: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? Qual o propósito da vida? Por que o mal existe?
Na medida em que nos aprofundarmos neste tema, vamos compreender duas coisas
básicas: 
1) Cosmovisões distintas existem, mas não é possível concordar coerentemente com
as premissas centrais de duas ou mais cosmovisões;
2) Cosmovisão é como óculos, para que a realidade faça sentido é preciso visualizála de acordo com uma cosmovisão coerente e verdadeira, ou seja, com as “lentes corretas”. Existem sete cosmovisões básicas; são sete matrizes das quais as demais formas de enxergar o todo derivam: Teísmo, Deísmo, Ateísmo, Panteísmo, Panenteísmo, Teísmo Finito e Politeísmo. Com exceção da relação muito próxima entre o Panteísmo e Politeísmo, não há compatibilidade entre as demais cosmovisões. Veja um pouco de cada uma na tabela abaixo:
Sistema Cosmovisão Expresso no:
Teísmo Um Deus infinito e pessoal existe além do e no universo; Criou todas as coisas e sustenta tudo de modo sobrenatural. Judaísmo, Islamismo e Cristianismo.
Deísmo Deus está além do universo, mas não nele. Defende uma visão naturalista de mundo, assim Deus não age sobrenaturalmente naquilo que criou. Pensamento de Voltaire, Thomas Jefferson e Thomas Paine.
Panteísmo- Deus é o todo/universo. Não há um criador distinto, criador e criação são a mesma realidade. O universo é Deus, a matéria é Deus, as pessoas o são. Tudo é Deus. Certas formas de hinduísmo, Zen- Budismo e Ciência Cristã.
Panenteísmo Deus está no universo, como a mente está no corpo. O universo é o ‘corpo’ de Deus, seu pólo real e tangível. O outro pólo está além deste plano. Pensamento de Alfred Whitehead e Charles Hartshorne
Teísmo Finito Existe um Deus finito além do e no universo. Deus é limitado em natureza epoder. Aceitam a criação, mas negam a intervenção. Pensamento de John Stuart Mill, William James e Peter Bertocci
Politeísmo Muitos deuses existem além do mundo e nele. Tais deuses influenciam a vida das pessoas. Nega qualquer Deus infinito. Gregos e romanos antigos, mórmons e neopagãos (wicca).
Pressupostos fundamentais
Autoridade das Escrituras – Criação, Queda e Redenção.
Outra maneira de se compreender a cosmovisão cristã é a partir da tríade bíblica criação-queda-redenção. Essa tríade contraria o pensamento dualista (secular-sagrado) e fornece os elementos necessários para a construção da perspectiva cristã, além de servir de base para avaliar outras cosmovisões.
COSMOVISÃO CRISTÃ
I. CRIAÇÃO;
II. QUEDA;
III. REDENÇÃO;
IV. CONSUMAÇÃO
Stott divide a história bíblica em quatro temas principais, os quais devem ser conhecidos pelos cristãos para capacitá-los a terem a verdadeira perspectiva de Deus realizando seu propósito. Conhecer estas quatro realidades permite ao cristão entender como se encaixam todas as coisas; uma forma de integrar à nossa compreensão a possibilidade de pensarmos com clareza até mesmo sobre as questões mais complexas. Eis aqui, portanto, os quatro eventos que correspondem a quatro realidades: primeiro, Criação; segundo, a Queda; terceiro, a Redenção; e quarto, a Consumação.
Na Criação, vemos o Deus trino todo-poderoso, transcendente, autoexistente, suficiente em si mesmo, eterno, santo e perfeito em todos os seus atributos, criando todas as coisas que existem, desde as mais remotas e distantes galáxias até a terra e tudo o que nela há. Vemos a criação do homem imago Dei, segundo a imagem do próprio Deus, em estado de inocência e liberdade, debaixo do governo moral de Deus, ordenado a ser responsável e obediente e a governar sobre todas as coisas criadas, para a glória do criador.
Na Queda, vemos o homem transgredindo a lei de Deus e se afastando dele, caindo de seu estado de inocência e felicidade e legando para a humanidade esta condição de condenação, aprisionando sua liberdade às inclinações do pecado, sendo tanto responsável por ele como vítima de sua poluição. Vemos o efeito da queda na criação, trazendo maldição para este mundo e resultando na grande tragédia da história do homem.
Na Redenção, vemos ainda que Deus resolveu oferecer salvação ao homem – e o fez de modo que sua justiça, ofendida pela transgressão da lei causada pelo pecado do homem, fosse satisfeita. Em amor, desde os tempos eternos, Deus o Pai resolveu salvar pecadores em seu Filho, Jesus Cristo, o qual, sendo um com Deus o Pai, entrou na história, assumiu a natureza humana e viveu como homem, obedecendo toda a lei e cumprindo toda a justiça de Deus o Pai, a ponto de oferecer-se a si mesmo como sacrifício e propiciação a Deus em favor dos homens, justificando os pecadores que se achegam a ele, movidos pela ação do Espírito de Deus que os regenera, em arrependimento e fé, sendo reconciliados com Deus e adotados em sua família.
Vemos finalmente a Consumação de todas as coisas – como o cristão é preparado nesta vida para a vida porvir; sendo santificado e perseverando em sua peregrinação. Vemos o que acontece após a morte do homem, seja do justo ou do injusto, sobre o céu e o inferno, o julgamento final, a ressurreição do corpo e a redenção final e definitiva da criação: novos céus e nova terra – todas essas coisas operando segundo o propósito e decretos de Deus e para glória dele.
A METODOLOGIA TEOLÓGICA
Antes de falarmos sobre a metodologia que empregaremos nesta obra, será proveitoso entender as várias maneiras como os teólogos têm organizado os dados da revelação. Os métodos empregados podem ser divididos pelo menos em cinco: Em primeiro, os escritos adhoc e as atuais “contribuições monográficas”. Os primeiros pais da igreja não escreveram teologias sistemáticas como as conhecemos.
Por causa das tensões e pressões em que viviam, esses homens se dedicaram aos escritos ad hoc, escritos de ocasião, muitas vezes para responder a algum desafio especifico do tempo em que viviam. Podem ser mencionados, como exemplo, as obras de Atanásio de Alexandria, de Agostinho de Hipona — especialmente seus tratados sobre a Trindade, o livre-arbítrio e a predestinacao — os escritos de Basilio de Cesareia sobre o Espirito Santo e os textos trinitarios de Gregorio de Nissa, Gregorio Nazianzo e Boecio.
No tempo da Reforma protestante, Martinho Lutero também escreveu tratados que se encaixam nessa categoria, abordando assuntos como o sacerdócio de todos os crentes, os sacramentos, as responsabilidades do governo civil e a predestinação, entre outros. Nos séculos XVI e XVII, os puritanos, ainda que tenham preparado uma das mais importantes confissões de fé da historia — a Confissão de Fe de Westminster— também fizeram varias contribuições desse tipo, especialmente na aplicação das doutrinas cristas aos diversos aspectos da vida.
Os escritos de Jacobus Arminius, no século XVII também se encaixam aqui. E no século XVIII, Jonathan Edwards, que nunca escreveu uma teologia sistemática, destacou-se com varias contribuições a essa disciplina, especialmente sobre os temas da espiritualidade crista, predestinação e graça, Trindade, escatologia e avivamento. Os sermões de John Wesley também podem ser arrolados nessa categoria.
Em fins do século XIX, há a contribuição de B. B. Warfield, que ofereceu varias contribuições bíblicas, históricas e teológicas sobre os vários tópicos dessa disciplina. No século XX, Dietrich Bonhoeffer e Jürgen Moltmann fizeram suas chamadas “contribuições monográficas”. Bonhoeffer escreveu tratados sobre eclesiologia, ética e cristologia . Moltmann escreveu sobre temas como Trindade, cristologia, a pessoa do Espírito Santo, criação e escatologia.
Em segundo lugar, temos o método que consistia em organizar os temas teológicos de acordo com o Credo dos Apóstolos, como fizeram Tomas de Aquino e Joao Calvino, entre outros. A estrutura trinitária do credo oferecia o esboco fundamental para esses teólogos organizarem os dados básicos da revelação. Um problema que ocorre e que nem sempre dados particulares se ajustam aos tópicos principais do credo, surgindo dai a dificuldade: onde colocar doutrinas importantes, mas que não foram abordadas diretamente nesse antigo documento confessional?
Em terceiro, temos a concentração cristologica, método próprio de Karl Barth. Ele procurou relacionar os dados com a revelação que Deus fez de si mesmo em Cristo, a Palavra encarnada. As grandes doutrinas do evangelho — como a Trindade, a dupla natureza de Cristo, a expiação, a eleição e a graça — foram sempre tratadas a luz da encarnação do Verbo. Será útil comparar os métodos teológicos de Calvino e Barth, para acentuar as distinções: João Calvino
João Calvino
Em sua Carta ao Rei Francisco /, Joao Calvino diz: “Quando inicialmente, lancei mao da pena para escrever esta obra, meu principal objetivo, o Mui Preclaro rei, era o de escrever algo que, depois, pudesse ser apresentado diante de tua majestade. Meu objetivo não era o de apenas ensinar certos rudimentos em função dos quais fossem instruídos, na verdadeira piedade, todos quantos sao tocados por algum zelo de religiao. Resolvi fazer este trabalho principalmente, por amor aos nossos compatriotas franceses, muitos dos quais eu via famintos e sedentos de Cristo, e a muito poucos, porem, eu via imbuidos devidamente de conhecimento sequer modesto a respeito dele. O proprio livro, composto de forma de ensinar simples e ate cha, mostra que foi esta a intencao proposta”.
0 esboço de As Institutas ou Tratado da Religião Crista nos mostra um resumo de sua teologia, que seguia o padrão do “Credo dos Apóstolos” (J. P. Wiles, Ensino sobre o cristianismo - uma edição abreviada de As institutas da religião crista): Volume 1: “0 conhecimento de Deus, o Criador” – o conhecimento de Deus, Escrituras, Trindade, criação e providencia. Volume 2: “O conhecimento de Deus, o Redentor” – a queda, o pecado humano, a lei, o AT e o NT, Cristo, o mediador,sua pessoa (profeta, sacerdote e rei) e obra (expiação). Volume 3: “0 modo pelo qual recebemos a graca de Cristo, seus benefícios e efeitos” - fé e regeneração, arrependimento, vida crista, justificação, oração, predestinação e ressurreição final. Volume 4: “Os meios externos pelos quais Deus convida-nos a sociedade de Cristo” - Igreja, sacramentos e governo civil. 
Na verdade, as Institutas (que era “uma chave abrindo caminho para todos os filhos de Deus num entendimento bom e correto das Escrituras Sagradas”) foi a primeira teologia bíblica da historia da Igreja, e, na verdade, uma introdução que precisava ser completada e ate mesmo estendida por seus outros escritos. Eles sao divididos em: comentários (entre eles Salmos [em quatro volumes], Daniel [em dois volumes], Romanos, 1 e 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, As Pastorais e Hebreus), sermões, folhetos e tratados polêmicos contra reformadores radicais e católicos, e cartas e escritos litúrgicos e catequéticos para instruir o povo na “escola de fe” (entre eles Instrução na Fe).
Karl Barth
Em seu ensaio autobiografico, How my mind has changed, Karl Barth diz: “Tambem aqui - e principalmente aqui - havia muita coisa a ser refrescada, repensada e descrita de um modo novo, sempre atentando, com a maior fidelidade e agilidade possivel, para o testemunho do Novo e do Antigo Testamento, bem como dando lugar mais aberto possivel tanto a tradicao mais antiga quanto a mais recente. (...) Mais do que essa especie de atencao [“ensaios, escritos, teses e livros inteiros a ela dedicados”] que sem duvida tambem merece ser estimada a seu modo, alegra-me ouvir repetidas vezes que a Kirchliche Dogmatik e lida e estudada em muitas casas pastorais, sendo assim aproveitada (e por que nao, ocasionalmente apenas como obra de consulta!?) no trabalho de pregacao, ensino e poimenica, achando assim indiretamente seu caminho também para dentro da comunidade de um modo geral.”
0 esboco da Die Kirchliche Dogmatik nos mostra um resumo de sua teologia, que seguia o padrão da “concentração cristologica” (Geoffrey W. Bromiley, An introduction to the theology o f Karl Barth): Volume 1: “A doutrina da Palavra de Deus” – A Palavra de Deus e a dogmática, a revelação de Deus (o Deus trino, a encarnação e a obra do Espirito), as Santas Escrituras e a proclamação da Igreja. Volume 2: “A doutrina de Deus” - 0 conhecimento de Deus, a realidade de Deus, a eleição de Deus e o mandamento de Deus. Volume 3: “A doutrina da criação” - Criacao, a criatura, o Criador e sua criatura e a ética da criação. Volume 4: “A doutrina da reconciliação” – Os problemas da doutrina da reconciliação, o Filho de Deus, o Filho do Homem e o Deus-Homem. Ele planejava encerrar o volume 4 com um capitulo sobre a “etica da reconciliação” (esse, juntamente com um texto sobre “o batismo como o fundamento da vida crista”, foi publicado como um fragmento intitulado The Christian Life).
Entre seus outros escritos estão incluídos sermões, obras exegéticas (entre elas seu comentário a Carta aos Romanos), obras históricas (por exemplo, seu ensaio sobre a teologia de Anselmo, Fe em busca de compreensão), ensaios (um dos mais importantes e Introdução a teologia evangelica) e cartas.
E mais difícil, nesses dois esquemas, tratar a altura a totalidade da matéria que perfaz a teologia sistemática, embora o primeiro desses métodos seja preferível ao segundo, por permitir organizar de modo mais facil e consistente os vários temas teológicos, ainda que com lacunas. Algumas das soluções propostas pelo terceiro método acabam parecendo forcadas ou artificiais.2 Esses primeiros escritores tomaram Deus como o ponto de partida, e assim construíram uma teologia “de cima”. Essa abordagem reconhece que Deus e o objeto do estudo teológico; começamos nosso estudo sobre Deus onde ele mesmo graciosamente se revela de forma final, nas Escrituras Sagradas.
Em quarto, temos o método “de baixo para cima”. Em fins do século xviu e comeco do século XIX , exercendo forte influencia sobre esta disciplina ate meados do seculo xx, outro tipo de abordagem acabou por surgir, especialmente na Europa, como resultado do impacto do racionalismo, iluminismo e cientificismo.
Teólogos tão diferentes como Friedrich Schleiermacher, Rudolf Bultmann, Paul Tillich e os chamados teólogos da libertação, partiram do homem e sua situação existencial e assim construíram uma teologia “de baixo para cima”. Essa abordagem marcou uma total mudança na metodologia teologica, que pode ser vista primeiro na obra de Schleiermacher, especialmente no papel que a doutrina da Trindade ocupa em sua teologia. Seguindo os passos de Immanuel Kant, Schleiermacher abandonou a tentativa de fundamentar a teologia em proposições fixas acerca dos atributos e atos de Deus. Deus, em si, foi entendido como o totalmente oculto na dimensão do numeno, que Kant postulara como o lugar de todo conceito não empírico. Seguindo Kant, Deus não estaria ao alcance do estudo por parte do homem e também não seria capaz de se revelar por meio de proposições na Bíblia. Assim, para Schleiermacher a teologia passou a ser o estudo da experiência religiosa do homem e nao o estudo de Deus
Ele entendeu a essência dessa experiência como o sentido de dependência absoluta. Porem, outros teólogos liberais, que o sucederam, interpretaram a essência da religião outras maneiras, embora a experiência continuou sendo o referencial da metodologia. Para Rudolf Bultmann, a teologia deveria começar com uma nova interpretação da Escritura, guiada pela filosofia existencial. Segundo Bultmann, o homem do século xx não pode mais aceitar os milagres como aparecem nas Escrituras — o homem moderno nao pode mais crer na ressurreição corporal, em anjos, demônios, ceu e inferno. Somente com as perguntas e perspectivas da filosofia existencialista pode-se construir uma teologia que usa as Escrituras de forma aceitavel 
Segundo o entendimento de Paul Tillich, o perigo da teologia esta em se tornar irrelevante para os problemas e questões contemporâneos. Por isso ele afirmou que a teologia deveria começar com uma analise da situação humana. As perguntas surgirão dessa analise, e nossa teologia deve responder a essas perguntas. Esse e o método da correlação, porque relacionamos as preocupações e perguntas da sociedade, conforme sugeridas pela filosofia, com as respostas que vem da teologia.
Outro modelo de teologia que começa “de baixo para cima ” e o da teologia da libertação. Os principais teóricos dessa teologia são o peruano Gustavo Gutierrez e o uruguaio Juan Luis Segundo. No Brasil, destacam-se Rubem Alves, Hugo Assmann, Leonardo Boff, Clodovis Boff, Carlos Meister e Frei Betto. Para Gutierrez, a teologia começa a partir da situação histórica, particularmente do ponto de vista do pobre
A realidade histórica fundamental da pobreza, com a qual Gutierrez esta preocupado, e analisada a partir da teoria dialética de Karl Marx. Os teólogos de libertação veem a realidade em termos de uma luta de classes e, por consequência, entendem que a raiz da opressão na América Latina esta no sistema capitalista internacional. Consequentemente, a realização do Reino esta acontecendo em meio a luta por uma revolução socialista. Só deste modo os homens podem se tornar “artesãos de seu próprio destino”.8 A vinda do Reino representa a construção de uma sociedade justa e isso e entendido em termos socialistas.
A pergunta básica para a teologia da liberação e a seguinte: quem e Deus para um continente imerso na pobreza como a America Latina? Como Deus se revela ao oprimido? O que significa ser cristão num mundo de fome? A resposta se da por meio de três mediações:
A mediação socio-analitica olha para o lado do mundo do oprimido. Procura entender por
que o oprimido e oprimido.
A mediação hermenêutica olha para o lado do mundo de Deus. Procura ver qual e o plano divino em relação ao pobre.
A mediação pratica, por sua vez, olha para o lado da ação e tenta descobrir as linhas operacionais para superar a opressão de acordo com oplano de Deus
A mediação socio-analitica acontece a partir da perspectiva dialética. Embora neguem ser marxistas, os irmãos Boff insistem que a analise marxista e a única a permitir que o pobre seja visto como tal por causa da opressão. Essa dialética entende a pobreza como fruto de um sistema econômico que explora os trabalhadores
A mediação hermenêutica se vale das contribuições da critica socio-analitica. Ao entender as causas de opressão, a hermenêutica busca usar a Escritura e a tradição crista para responder a situação de opressão. Assim, conquanto não reivindiquem que o tema da libertação do oprimido seja, em si mesmo, o único ou mais importante tema na Bíblia, o elegem como o tema mais importante e pertinente para o pobre e para o oprimido
Para a teologia da libertação, a fé crista tem obrigação de lutar pela justiça. Esta teologia revela sua preferencia pelas narrativas biblicas mais pertinentes a seus propósitos. Assim, recebem ênfase o Êxodo, com sua historia de libertação divina; os profetas, com suas denuncias da injustiça contra os pobres; os Evangelhos, com sua descrição da centralidade da pessoa de Jesus e a mensagem de libertacao do Reino; bem como Atos e Apocalipse.
Os dois últimos descrevem, respectivamente, o ideal da comunidade crista e a luta simbólica do povo de Deus contra as forcas do mal na historia. Poderíamos descrever melhor a mediação hermenêutica como o ponto no qual a reflexão teológica formal acontece. A experiência do pobre e interpretada do ponto de vista da revelação e então relacionada a doutrina social da igreja. A doutrina social da igreja e descrita pelos irmãos Boff como uma construção abstrata, que nao esta relacionada com a situação concreta do terceiro mundo. Essa e uma das tarefas da teologia da libertação. Os irmãos Boff tentam demonstrar que a teologia da liberação e consistente com a doutrina social da igreja católica, como ensinada no ultimo século.
O resultado da mediação hermenêutica e o chamado a ação. A historia bíblica apresenta um Deus que trabalha na vida do seu povo para uma real libertação histórica. Isto conduz diretamente a terceira mediação: a práxis. A mediação pratica esta relacionada a uma ação concreta para produzir mudança social. A ação visa trazer justiça, conversão, renovação da igreja e a transformação da sociedade
Neste nível, o trabalho dos sacerdotes e leigos e considerado muito importante, porque entram em contato com situações especificas, que necessitam de mudança. A mediação pratica determina que tipo de mudança e viável e desenvolve estratégias para produzi-la. A não-violência e preferida, mas a possibilidade do uso da forca não e descartada.14 Esses novos e multifacetados movimentos teológicos, que começam com a situação existencial do homem, tiveram e ainda tem serias implicações para a construção da teologia crista, e, na medida do possível, avaliaremos algumas implicacoes dessa metodologia.
Em ultimo lugar, temos a abordagem preferida especialmente nos últimos duzentos anos, com sua ênfase numa ordem logica, também começando “de cima”, com o Deus que se revela.
Essa ênfase e comum a teólogos de diferentes tradições evangélicas, e também de entendimentos doutrinários diferentes. E pode ser vista nas obras de Francis Turrentin, John Dagg, Charles Hodge, A. A. Hodge, Herman Bavinck, Louis Berkhof, A. H. Strong, E. H. Bancroft, H. C. Thiessen, Emil Brunner, Wolfhart Pannenberg, Millard Erickson, Stanley Horton e Bruce Milne, entre outros, que organizam os dados a partir de Deus e de sua revelação, passando pelo homem e sua queda, a obra redentora de Deus em Cristo, a obra do Espirito e a vida em comunidade e, finalmente, concluindo com a consumação e o estado eterno. Os principais tópicos teológicos desse método são agrupados assim:
Teologia propriamente dita: compreendendo a existência, os atributos e a personalidade triuna de Deus, juntamente com os seus propósitos eternos e os atos temporais de criação e providencia.
Antropologia (a doutrina do homem): compreendendo a criação e a natureza do homem, seu estado original, queda e consequente ruina moral. Isto abrange a psicologia biblica e a doutrina biblica sobre o pecado, sua natureza, origem e modo de propagação.
Soteriologia (a doutrina da salvação): que inclui o plano, a execução e a aplicação, e os efeitos gloriosos da salvação dos homens. Isso abrange a Cristologia (a doutrina sobre Cristo): a encarnação, a constituição da Pessoa de Cristo, sua vida, morte e ressurreição, juntamente com a obra propria do Espirito Santo, os meios de graça, a Palavra de Deus e os sacramentos.
Ética crista: abrangendo os princípios, regras, motivos e auxílios dos deveres humanos revelados na Bíblia, como são determinados: (a) pelas relações naturais que o homem tem como homem com seus semelhantes, e (b) suas relações sobrenaturais como homem remido.
Escatologia (a ciência das ultimas coisas): compreendendo a morte, o estado intermediário da alma, o segundo advento, a ressurreição, o juizo geral, o céu e o inferno.
Eclesiologia (a ciência da igreja): incluindo a determinação científica de tudo quanto as Escrituras ensinam a respeito da Igreja invisível, em seu estado temporal e no eterno; a ideia da Igreja: sua verdadeira definição, sua constituição e organização, seus oficiais e suas funções. A comparação e crítica de todas as modificações da organização eclesiástica que tenham existido, juntamente com sua gênese, sua história e seus efeitos práticos.
Analogia
Como ja vimos, assim como em qualquer disciplina, os pressupostos do pesquisador são determinantes na construção da metodologia, o que determina em grande parte os resultados. E importante, então, entender o significado dos pressupostos filosóficos por trás das metodologias empregadas na construção da teologia. Tomas de Aquino e Joao Calvino concordavam em varios topicos vitais da teologia crista.
Mas uma questão os separou irremediavelmente: a analogia entis e a analogia fidei. Essa questão e fundamental para entender a diferença entre a metodologia católica romana e a evangélica, desde que ambas são herdeiras de Tomas de Aquino e Calvino. O sacramentalíssimo da igreja católica romana e o belicismo dos reformadores estão vinculados as suas diferentes abordagens metodológicas.
Analogia entis 
Para o teologo catolico Steven Bevens, “a essencia do catolicismo e a analogia entis, ou analogia do ser (ente)”. Este conceito e mais importante que o papado — ou mesmo Maria — na vida devocional, porque “o principio pelo qual o catolicismo se mantem firme ou cai por terra e, mais precisamente, a convicção de que o mundo, o ser humano e a experiência humana no mundo são uma vantagem e não algo negativo, que a realidade finita, de qualquer tipo, tem a capacidade de ser algo diáfano, de significado infinito e portador da revelação de Deus”
Bevans cita Richard McBrien: “O visível, tangível, o finito, o histórico — todos esses são verdadeiros ou potenciais portadores da presença divina. De fato, e somente dentro e através dessas realidades materiais que podemos encontrar ate mesmo o Deus invisivel”. Bevans continua:
Ao entender esse principio sacramental fundamental, a pessoa vai longe na direcao de entender o catolicismo tanto como um fenômeno social quanto como um ponto de partida para fazer teologia. E por causa do sacramentalíssimo que o catolicismo valoriza a adoração que atrai todos os sentidos; e e por causa da mesma cosmovisão sacramental que os católicos podem tirar proveito da devoção a Maria, e também de um ativismo para a paz mundial ou pelo direito a vida
O que significa a analogia do ser, que e tão vital na filosofia escolástica e, portanto, na teologia católica? Em primeiro lugar e preciso entender que ela e alicerçada na filosofia aristotélica, que Tomas de Aquino empregou para construir e defender sua teologia. Para avaliar o resultado disso, e preciso revelar os pressupostos deste entendimento filosófico.
Segundo os filósofos católicos, o ponto de partida dafilosofia escolástica e o principio de inteligibilidade. Disse Henri Renard: “Esse principio afirma que o ente, o real, e o objeto do intelecto, e, portanto, o intelecto pode conhecer o ser”. Ele nao oferece uma prova, porque “e tao obvio que nem pode ser demonstrado”.20 O conhecimento do ente comeca com os sentidos: “A experiência dos sentidos e o primeiro principio do conhecimento humano”.210 ser humano e capaz de conhecer o ser por natureza.
Tudo o que existe faz parte do ente, de modo que o ente e uno, embora as coisas existam
como seres individuais. A unidade do ser e vista no fato de a palavra “ser” funcionar como um substantivo verbal e significar o real, tudo o que existe. Tudo o que existe faz parte, ou melhor, participa do ser.22 Portanto, existe uma continuidade do ser entre Deus e as demais coisas na criacao. Tudo tem sua existencia a partir de um so principio de ser
Para evitar o monismo absoluto, que desembocaria em panteísmo, Tomas de Aquino adotou a distinção aristotélica entre forma e matéria, ou seja, ato e potencia (a capacidade de realizar). O ser não e um uno abstrato. “Ha unidade no ser, visto que, para Aquino, somente uma coisa e o Ser (Deus); tudo o mais tem ser com potenciais diferentes”.24 Se não fosse assim, segundo Aristóteles, as coisas não poderiam mudar ou existir como indivíduos. Mas elas mudam e as coisas individuais que existem no mundo são obviamente distintas umas das outras. Como pode ser assim se todo ser e um? Segundo Tomas de Aquino, e porque o ser e composto dos dois principios, ato e potencia.
Uma estatua feita de mármore já e uma estatua. Quanto a essência de “estatua”, ela esta em ato. Mas quando ela era apenas uma pedra de mármore, a estatua so existia em potencia. O processo de “tomar-se”, que observamos no mundo, e possível porque as coisas são compostas de ambos, potencia e ato. Uma coisa esta em ato, na medida em que sua potencia e realizada. Ato, então, corresponde a essência da coisa. Deus e o único Ser cuja existência e igual a sua essência, portanto, ele e ato puro. “Deus e a pura realidade; cada outro ser tem potencialidade no seu ser. Logo, a realidade de cada ser finito e analoga a realidade de Deus, visto que tem realidade e ele e realidade
O que significa essa relação análoga? Segundo o escolastiquíssimo, e a única maneira de entender a relação entre Deus e o mundo, e o nosso conhecimento de Deus, desde que nem a relação unívoca nem a equivoca servem. A relação unívoca implica identidade. Linguagem unívoca aplica o mesmo vocábulo a varias coisas no mesmo sentido. Isso pode ser feito ao se descrever a criação, mas para falar de Deus, nao. Fazer isso colocaria Deus no mundo, como se fosse um de nos.26 Mas Deus e totalmente outro.
Ele não pode ser conhecido na sua essência, mas sim no sentido negativo. Podemos dizer mais sobre o que Deus não e do que sobre o que ele e. Por outro lado, a linguagem equivoca emprega um só vocábulo para descrever duas realidades essencialmente diferentes, como no caso de chamar tanto um animal quanto um modelo de carro pelo mesmo nome. O escolastiquíssimo disse que a linguagem sobre Deus não pode ser equivoca porque se fosse assim, o conhecimento de Deus nao seria possível
Ao dizer que Deus e amor, estamos apontando para uma verdade, não para um misticismo semântico vazio. Então, a analogia do ser e entendida como um meio-termo entre o univoco e o equivoco. Reale e Antiseri explicam da seguinte forma a analogia do ser:
A medida em que participam do ser de Deus, as criaturas em parte se assemelham a ele, mas em parte não. Não ha identidade entre Deus e as criaturas, mas também não ha equivocidade, pois sua imagem esta refletida no mundo. Assim, ha entre Deus e as criaturas uma relacao de semelhança e dessemelhança ou, ainda, uma relação de analogia, no sentido de que aquilo que se fala das criaturas pode se falar de Deus, mas não do mesmo modo nem com a mesma intensidade.
O fundamento metafisico da analogia esta no fato de que causando a causa transmite-se a si mesma, de certo modo. A semelhança não e uma qualidade adicional, mas sim coessencial a natureza do efeito, do qual nada mais e do que o sinal externo. Quem recorda as implicações de ser e suas propriedades não se surpreendera diante da observação de que o mundo e sacro, porque sua relação de dependência a Deus esta escrita no seu próprio ser
Analogia fidei
A outra abordagem, a analogia da fé (analogia fidei), “recusa-se a especular sobre a exata natureza da linguagem teológica e, em vez disso, concentra-se nos princípios gerais que parecem informar a natureza da linguagem teologica”. Barth buscou demonstrar porque este e o metodo mais adequado para interpretar corretamente a Palavra de Deus:
Nos sabemos ou acreditamos saber o que significam “ser”, “espirito”, “soberania”, “criação”, “redenção”... quando utilizamos esses termos para descrever a criatura. Sabemos também, ou pelo menos acreditamos saber, o que estamos afirmando quando, no domínio da criatura, dizemos “olho”, “orelha”, “boca”, “amor”... Mas todas essas palavras tem o mesmo significado quando as atribuímos a Deus?
Obviamente nao podemos afirmar isso; nem a verdade do nosso conhecimento pode ser buscada numa semelhança desse tipo entre o nosso conhecimento e aquele que e conhecido. Uma igualdade dessa espécie significaria que Deus cessou de ser Deus e tomou-se uma simples criatura, ou então que o homem tomou-se Deus... Mas entao devemos falar duma diversidade de conteúdo e significado quando atribuímos uma descrição a criatura por um lado e a Deus por outro? Quando atribuímos a Deus espirito, soberania, olhos, orelha e boca, estamos entendendo algo diverso de quando usamos essas mesmas palavras em relação as criaturas?
Devemos estar atentos aquilo que queremos afirmar se dissermos que sim a isso. Podemos estar movidos por um exagerado respeito pelo conhecimento de Deus, o qual, porem, não funciona em seu louvor, mas arrasta a sua negação. Com efeito, uma tal diversidade significa necessariamente que não conhecemos Deus; porque, se o conhecemos, devemos conhece-lo com os meios
que foram colocados a nossa disposição; caso contrario, não o conhecemos de maneira alguma. O fato de que o conhecemos quer dizer que, com os nossos conceitos, as nossas palavras e visões, nos não descrevemos algo absolutamente diverso dele, mas que com esses meios - os únicos a nossa disposição - descrevemos e significamos o próprio Deus
Caso contrario, supondo uma completa diversidade, sem qualquer relação, não pode existir nem mesmo o problema do nosso conhecimento de Deus. Em tal caso, toda Revelação deve ser considerada como exclusivamente negativa, como uma relação de exclusão mutua. E por isso não se poderia falar de nenhuma comunhão entre “consciente” e conhecido. A Revelação divina seria so um esconder-se, nao podendo ser concebida como Revelação. [...]
Nessa perplexidade, a teologia das épocas passadas aceitava o conceito de analogia para descrever a comunhão em questão. Com esse termo, tanto a falsa tese da igualdade como a falsa tese da diversidade eram atacadas e destruídas, mas os elementos de verdade contidos em cada uma delas eram evidenciados. Ao inves de igualdade e disparidade, “analogia” significa semelhança, isto e, correspondência e acordo parcial (isto e, de maneira a limitar tanto a igualdade como a disparidade entre dois ou mais seres diversos). E um termo pesado, dado o seu uso em teologia natural, e por isso necessita de algumas clarificações. Mas, nesse ponto, e inevitável.
Para Barth, só a revelação pode fornecer ao homem conhecimentos análogos de Deus:
A pergunta de como chegamos a conhecer Deus por meio do nosso pensamento e da nossa linguagem, devemos responder que, sozinhos, nos nunca podemos chegar a conhece-lo. Ao contrario, isso só acontece quando a graca da revelação de Deus nos alcança, a nos e aos instrumentos do nosso pensar e do nosso falar, adotando-nos a nos e a eles, perdoando, salvando e protegendo a nos e a eles. Só nos e concedidoe permitido utilizar, e numa utilização bem sucedida, os instrumentos colocados a nossa disposição. Não somos nos que criamos esse êxito e tampouco os nossos meios, mas sim a graca da revelação de Deus.
Barth sempre esteve profundamente convencido de que só se pode assegurar a realidade do
homem e do seu conhecimento resguardando a realidade de Deus e da revelação. No entanto,
percebeu também que uma ênfase exagerada no elemento divino acaba por desembocar numa
ameaça ao elemento humano:
A possibilidade do conhecimento de Deus funda-se antes de mais nada em Deus, na
medida em que ele mesmo e a verdade: em sua Palavra, por meio do Espirito Santo, ele
se da ao homem para ser conhecido como a verdade. Mas essa possibilidade também se
encontra no homem, na medida em que este, através do Espirito Santo, torna-se o objeto
da benevolência divina e, toma-se participe da verdade de Deus.
Deus criou a linguagem humana para si, isto e, para que o homem a utilize, antes de mais
nada, para falar dele: Quando Deus, na revelação, nos autoriza e ordena fazer uso de nossas visões, conceitos e palavras, ele não faz algo, por assim dizer, inapropriado, como se, para serem aplicados a ele, as nossas visões, conceitos e palavras devessem ser alienados do seu sentido e uso próprio e original. Não, o que ele faz e retomar algo que originariamente pertencia exatamente a ele... As criaturas, que sao justamente o objeto de nossas visões, conceitos e palavras, são efetivamente criadas por ele. E tambem o nosso pensamento e a nossa
linguagem, precisamente na sua aptidao a exprimir esse objeto, sao criados por ele...Nossas palavras nao sao nossa propriedade, mas dele. E, dispondo delas como de sua propriedade, ele as coloca a nossa disposicao... Por exemplo, as palavras “pai” e “filho” nao sao primeira e propriamente verdadeiras no nosso pensamento e em nossa linguagem... De um modo oculto e incompreensivel para nos, mas na prioridade incontestavel que o Criador tem sobre a criatura, o proprio Deus e o Pai e o Filho. Ja que Deus e o criador da linguagem e a criou, antes de mais nada, para o seu proprio uso, ele permanece sempre senhor de sua palavra: ele nao esta preso a ela, mas sim ela a ele
Por isto, so podemos falar com segurança de Deus a partir da própria revelação de Deus, revelação que ele faz de si mesmo, nas Escrituras. Então, ao afirmarmos o principio da analogia fidei, reconhecemos nosso debito com as percepções de Joao Calvino, considerado o maior exegeta da Reforma, e que legou um conjunto de princípios que ainda hoje guiam a fé evangélica na interpretação das Escrituras.
O pressuposto que controla sua interpretação: a Escritura e a Palavra de Deus inspirada, revelada em linguagem humana e confirmada ao crente pelo testemunho interno do Espirito Santo. A capacidade de reconhecer a Escritura como a Palavra de Deus não depende de provas, mas e um dom gratuito do próprio Deus: “A Palavra nunca tera credito nos corações humanos ate que seja confirmada pelo testemunho interno do Espirito”. A função principal das Escrituras e revelar o que precisamos saber sobre Deus e nos mesmos: “Tudo o mais que pesa sobre nos e que devemos buscar e nada sabermos senao o que o Senhor quis revelar a sua igreja. Eis o limite de nosso conhecimento”
Ao meditar sobre as formas humanas da Escritura, Calvino usou o conceito de acomodação: “O Espirito Santo propositadamente acomoda ao nosso entendimento os modelos de oracao registrados na Escritura”.36 Deus desce ao nosso nivel, “adapta-se a nossa capacidade ao comunicar-se conosco”.37 “Nas Escrituras, Deus balbucia a nos, fala-nos como uma ama fala a um bebe”.38 Por isso Calvino afirmava que a linguagem da Escritura e, com frequencia, crua, e nao refinada — o “ensino rude e humilde do evangelho”.
Mistério, paradoxo e contradição
Precisamos ter em mente algumas importantes distinções ao fazer teologia. Devemos distinguir as categorias de mistério, paradoxo e contradicao.51 Essas distinções serão muito uteis, quando nos defrontarmos com doutrinas como a Trindade, as duas naturezas de Cristo e a predestinação.
Sproul afirma que a influencia de vários movimentos em nossa cultura, tais como as religiões orientais e a filosofia irracional “tem provocado uma crise no entendimento”. Para ele, “uma nova forma de misticismo tem surgido, a qual exalta o absurdo como a marca registrada da verdade religiosa”. Ele ainda sugere que a irracionalidade fundamenta-se na confusão do pensamento moderno que se opõe a Deus, que se revela nas Escrituras, o Autor de toda a verdade, “o qual não e de forma alguma o autor de confusão”. Tristemente, a fé evangélica tem se mostrado vulnerável aos vários movimentos filosóficos que surgem em nossa cultura, que enfatizam a irracionalidade como uma virtude espiritual, justamente porque a irracionalidade admite que “existem muitos paradoxos e mistérios na própria Bíblia”, lembra Sproul.
Mas a irracionalidade e fatal tanto para a fe crista como para qualquer outra esfera do
conhecimento, completa o autor.
Sproul lembra que “existem linhas que distinguem mistério, paradoxo e a contradição” e
que “embora sejam tenues, essas linhas divisorias sao cruciais e importante que aprendamos
a distingui-las”. Ele entende que “quando tentamos perscrutar as profundezas de Deus, somos
facilmente confundidos”, pois nenhum mortal pode compreender a Deus exaustivamente.
A Biblia revela coisas sobre Deus que sabemos serem verdadeiras, a despeito da nossa
incapacidade de entende-las totalmente. Não temos um ponto de referencia humano para
entender, por exemplo, um ser que e três em termos de pessoa, mas um so em essência
(a Trindade), ou um ser que e uma pessoa com duas naturezas distintas, humana e divina
(a pessoa de Cristo). Essas verdades, tao certas, como são, ‘elevadas’ demais para
podermos compreende-las
Estamos, então, diante de um mistério. Mistério pode ser definido como “um segredo temporário, o qual, uma vez revelado, e conhecido e compreendido — e não e mais um segredo”. De forma especial, no Novo Testamento, mistério “significa um segredo que esta sendo revelado ou mesmo que foi revelado, que e também divino em seu escopo, e que so pode ser revelado por Deus aos homens por meio de seu Espirito”.
Em outras palavras, sempre que a palavra aparece no Novo Testamento ela denota revelação ou proclamação, ou seja, mistério e aquilo que e revelado. Essa palavra se relaciona com a historia da redenção (Ef 3.9), encontra seu cumprimento na historia, em Cristo (G14.4), e espiritual em sua percepção (Ef 3.5) e escatológica em seu resultado (ICo 15.51).54 Então, como nos exemplos citados acima, acerca da Trindade e da pessoa de Cristo, estamos diante de um mistério. Por hora, recebemos luz que vem das Escrituras para confessar a Deus como trino, e a seu Filho como verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Mas outros detalhes e aspectos dessas verdades ainda permanecem encobertos. Deus esta envolto em mistério, “na luz inacessível” (lTm 6.13-16).
A palavra “paradoxo” vem de uma raiz grega que significa “parecer” ou “aparentar”. Sproul lembra que o filosofo reformado Gordon Clark definiu paradoxo como “uma caibra entre as orelhas”. Segundo Sproul, o comentário de Clark destaca que, muitas vezes, o chamado paradoxo nada mais e do que fruto da preguiça mental, que não busca resolver as aparentes contradições presentes naquilo que consideramos ou estudamos. Mas devemos reconhecer seu papel legitimo e sua funcao.
Paradoxos são difíceis de entender porque a primeira vista parecem contradições, mas quando sao sujeitos a um exame mais detalhado, frequentemente pode-se encontrar soluções para resolve-los. Sproul fornece e comenta alguns exemplos. Jesus disse que “quem perde a vida por minha causa achá-la-á” (Mt 10.39).55 Ele comenta: “aparentemente, isso soa (...) como uma contradição. O que Jesus queria dizer, contudo, e que se alguém perde sua vida em um sentido, ira encontra-la em outro sentido. Ja que a perda e a salvação tem sentidos diferentes, nao hacontradição”. Para Sproul, entao, o termo paradoxo nao deve ser interpretado de forma erronea como sendo sinônimo de contradição.
Alguns dicionários, atualmente, trazem essa palavra como um significado secundário desse termo. Mas, propriamente entendido, uma contradição e uma afirmação que viola a lei da contradição: A não pode ser A e não-A ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Quer dizer, algo não pode ser o que e e não ser o que e ao mesmo tempo e no mesmo contexto. Essa e a mais fundamental de todas as leis da logica. Sproul continua:
Ninguém pode entender uma contradição, porque uma contradição e inerentemente incompreensível. Nem mesmo Deus pode entender contradições; entretanto, certamente ele pode reconhece-las pelo que são - falsidades. A palavra “contradição” vem do latim “falar contra”. (...) Para Deus, falar em contradições seria ser intelectualmente anormal, falar com uma língua bipartida. Ate mesmo insinuar que o Autor da verdade poderia cair em contradição seria um grande insulto e uma blasfêmia irresponsável. A contradição e a arma do mentiroso - o pai da mentira, que despreza a verdade
Existe uma relação entre mistério e contradição que pode nos levar a confundir ambos. Não entendemos os mistérios. Nao podemos entender as contradições. O ponto de contato entre ambos os conceitos e seu carater aparentemente ininteligível.
Os mistérios podem não ser claros para nos agora simplesmente porque nos falta a informação ou a perspectiva para entende-los. A Escritura promete que no céu teremos mais luz sobre os mistérios que agora nao podemos entender. Mais luz pode resolver os atuais mistérios. Não existe, entretanto, luz suficiente nem no céu nem na Terra para resolver uma obvia contradição
Antinomia
Uma antinomia é a afirmação simultânea de duas proposições contraditórias. A antinomia no campo do Direito recebe o nome de antinomia jurídica. As antinomias também aparecem na matemática, principalmente nas áreas de lógica e teoria dos conjuntos. As antinomias tiveram um papel central nos trabalhos científicos na área de matemática do início do século XX, principalmente nas tentativas de Georg Cantor de definir a teoria dos conjuntos, no projeto de David Hilbert de formalizar a matemática e nos trabalhos de Kurt Gödel e Alan Turing sobre a incompletude dos sistemas formais.
Antinomia - sf (gr antinomía) 1.Contradição entre leis ou princípios. 2.Filos Reunião de um par de proposições que simultaneamente parecem contradizer-se e serem provadas, sendo em realidade a contradição apenas aparente ou a prova, no mínimo, de uma das proposições, não concludente. Kant define-a como uma contradição inevitável, em que a razão incorre, ao aplicar as concepções a priori ao transcendente e absoluto: "O mundo teve começo no tempo". "O mundo é eterno" (isto é, sempre existiu). 3.Filos Contradição entre duas leis, quando são aplicadas.
BIBLIOLOGIA 
A natureza da revelação Sendo os seres humanos finitos e Deus, infinito, não podemos conhecer a Deus, a menos que ele se revele para nos, ou seja, a menos que ele se manifeste aos humanos de tal forma que estes possam conhece-lo e ter comunhão com ele. Ha duas classificações básicas de revelação. De um lado, a revelação geral e Deus comunicando a respeito de si mesmo a todas as pessoas de todos os tempos e de todos os lugares. A revelação especial, do outro, abrange comunicações particulares e manifestações de Deus para pessoas especificas em épocas especificas, comunicacoes e manifestações estas a que, hoje, so existe acesso pela consulta a certos escritos sagrados.
A revelação geral refere-se a auto manifestação de Deus por meio da natureza, da historia e da personalidade do homem. E geral em dois aspectos: sua disponibilidade universal
(é acessível a todas as pessoas em todos os tempos) e o conteúdo da mensagem (e menos particularizado e detalhado que o da revelação especial). E preciso levantar alguns problemas. Um, diz respeito a genuinidade da revelação. Ela de fato existe? Além disso, precisamos questionai a eficácia dessa revelação. Se existe, que se pode fazer dela? E possível construir uma "teologia natural", um conhecimento de Deus a partir da natureza?
Os meios de revelação geral
Os meios tradicionais de revelação geral são três: a natureza, a história e a constituição do ser humano. A própria Escritura propõe que existe um conhecimento de Deus a que se chega por meio da ordem física criada. O salmista diz: "Os céus proclamam a glória de Deus" (SI 19.1). E Paulo diz: "os atributos invisíveis de Deus, assim como o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das cousas que foram criadas. Tais homens sá o , por is so , indesculpáveis"
Essas e numerosas outras passagens, tais como os "salmos da natureza", dão
a entender que Deus deixou provas a respeito de si mesmo no mundo que criou. A
pessoa que vê a beleza de um por do sol e um estudante de biologia que disseca
um organismo complexo estao expostos a indicações da grandeza de Deus.
Alguns encontram grande significado em eventos isolados da historia, por exemplo, a desocupação de Dunquerque e a batalha de Midway na II Guerra Mundial. Acontecimentos isolados, no entanto, estão mais sujeitos a divergência de interpretações que o curso mais largo e mais longo da historia, tal como a preservação do povo especial de Deus. O terceiro meio de revelação geral e a suprema criação terrena de Deus, o próprios homens. As vezes, a revelação geral de Deus e vista na estrutura física e na capacidade mental dos homens. E, porem, em suas qualidades morais e
A definição e a necessidade da revelação especial
Entendemos por revelação especial a auto manifestação de Deus para certas pessoas em tempos e lugares definidos, permitindo que tais pessoas entrem num relacionamento redentor com ele. A palavra hebraica para "revelar" é gãlãh. A palavra grega usual para "revelar" é apokalyptõ. Ambas expressam a ideia de desvelar o que está encoberto. O grego phaneroõ, que transmite especialmente a ideia de manifestação, também é usado com frequência.

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