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Língua Portuguesa: 
Sintaxe
Sintaxe
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Manoel Francisco Guaranha 
Revisão Textual:
Profa. Ms. Silvia Augusta Albert
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•	Introdução
•	O Surgimento da Gramática – Um Pouco de História
•	Antiguidade Clássica – Os Filósofos Gregos
Agora, na disciplina de sintaxe, iniciamos nossos estudos a partir do surgimento da 
gramática desde a antiguidade grega.
Seu roteiro de estudo deve começar pela leitura do texto teórico. Nele, você encontrará 
informações importantes sobre pesquisas de como se desenvolveram a língua portuguesa, 
a gramática e o surgimento da sintaxe. Este material é capaz de instrumentalizá-lo para 
participação em todas as atividades propostas.
Nesta unidade propomos como Atividade de Aprofundamento (AP) um fórum. Para garantir 
a qualidade do seu estudo e suas intervenções neste ambiente é necessário que estude o tema 
e posicione-se de forma crítica e criativa. Reflita sobre o tema a partir da contextualização e 
responda às questões da Atividade de Sistematização (AS).
Por fim, mas não menos importante, consulte as indicações sugeridas em Material 
Complementar e Referências Bibliográficas para aprofundar e ampliar seus conhecimentos. 
 · A disciplina de Sintaxe suscita muitas discussões a respeito do 
que vem a ser gramática. Deixamos claro que apresentaremos 
várias teorias linguísticas, no entanto, daremos ênfase para a 
gramática tradicional descritiva da língua, por acreditarmos 
que, como um estudioso das letras, quanto maior seu 
conhecimento sobre a língua, mais habilidade terá para 
manipulá-la. É num curso de Letras o momento para refletir, 
analisar, descrever e explicar os fatos linguísticos.
Sintaxe
•	Os Gramáticos Alexandrinos
•	Os Gramáticos “Quinhentistas” e a Língua Portuguesa
•	As Gramáticas no Século XX
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Unidade: Sintaxe
 
 Atenção
Lembramos a você da importância de realizar todas as leituras e as atividades propostas dentro do 
prazo estabelecido para cada unidade, no cronograma da disciplina. Para isso, organize uma rotina 
de trabalho e evite acumular conteúdos e realizar atividades no último minuto. Em caso de dúvidas, 
utilize a ferramenta “Mensagens” ou “Fórum de dúvidas” para entrar em contato com o tutor.
É muito importante que você exerça a sua autonomia de estudante e que desenvolva sua proativi-
dade para construir novos conhecimentos.
Nesta primeira unidade, realizamos um estudo sobre o surgimento da gramática, desde os 
filósofos gregos até nossos gramáticos de hoje.
Você vai notar que o artigo aborda conceitos básicos para que você possa entender o ensino 
da sintaxe, sobretudo, nas escolas desde séculos passados.
Para que possa apreender melhor todas as informações, faça um pequeno resumo das ideias 
principais do texto. Com certeza, este será um material útil para a construção de novos conhecimentos!
Contextualização
 
 Explore
A fim de melhor contextualizar esse histórico e para que você possa relacionar com estudos sobre o 
ensino da gramática atualmente, é necessário que leia o texto indicado no link abaixo.
•	 http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/4009/4009_4.PDF
%20http://www.maxwell.lambda.ele.puc-rio.br/4009/4009_4.PDF
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Sintaxe à Vontade 
Composição de O Teatro Mágico
Introdução
O Teatro Mágico é uma banda criada pelo 
músico Fernando Anitelli em 2003. Desde o 
início o grupo adiciona a seus shows muitos 
elementos visuais e cênicos para o palco. 
O Teatro Mágico se consolidou como um 
dos principais cases de sucesso da América 
Latina no uso das redes para a formação 
de público e referência em sua estética na 
união da música com as artes perfomáticas.
Para saber mais acesse: 
http://www.oteatromagico.mus.br/sobre.
Sem horas e sem dores,
Respeitável público pagão,
Bem-vindos ao teatro mágico.
A partir de sempre
Toda cura pertence a nós.
Toda resposta e dúvida.
Todo sujeito é livre para conjugar o verbo que quiser,
Todo verbo é livre para ser direto ou indireto.
Nenhum predicado será prejudicado,
Nem tampouco a frase, nem a crase, nem a vírgula e ponto final!
Afinal, a má gramática da vida nos põe entre pausas, entre vírgulas,
E estar entre vírgulas pode ser aposto,
E eu aposto o oposto: que vou cativar a todos.
Sendo apenas um sujeito simples.
Um sujeito e sua oração,
Sua pressa, e sua verdade, sua fé,
Que a regência da paz sirva a todos nós.
Cegos ou não,
Que enxerguemos o fato
De termos acessórios para nossa oração.
Separados ou adjuntos, nominais ou não,
Façamos parte do contexto da crônica
E de todas as capas de edição especial.
Sejamos também o anúncio da contra-capa,
Pois ser a capa e ser contra a capa
É a beleza da contradição.
É negar a si mesmo.
E negar a si mesmo é muitas vezes
Encontrar-se com Deus.
Com o teu Deus.
Sem horas e sem dores,
Que nesse momento que cada um se encontra aqui e agora,
Um possa se encontrar no outro,
E o outro no um...
Até por que, tem horas que a gente se pergunta:
Por que é que não se junta
Tudo numa coisa só?
http://www.oteatromagico.mus.br/sobre
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Unidade: Sintaxe
Iniciamos nossos estudos com uma questão: O que vem a ser Sintaxe? Para tanto, buscamos 
resposta no dicionário de linguística de Zélio dos Santos Jota e encontramos:
“Sintaxe é a parte da gramática que estuda as relações que as palavras 
mantêm entre si, combinando-as segundo determinada ordem para que se 
formule uma frase. Ou ainda, palavra que vem do grego syntaxis, “ato de 
colocar em ordem”.”
E agora, como surgiu a Sintaxe? 
O termo sintaxe vem de muito longe e foi criado há muito tempo... 
Foi Apolônio Díscolo, que viveu na primeira metade do século II d. C., quem introduziu a sintaxe 
nos estudos gramaticais, pois, até então, ela não merecera a atenção dos estudiosos. Já no século VI 
de nossa era, Prisciano foi considerado o primeiro a escrever uma sintaxe da língua latina. 
Se a sintaxe é parte da gramática, agora, vejamos um pouco sobre a história da gramática.
Ao longo dos séculos, a gramática tem sido vista de diferentes maneiras. Etimologicamente, 
gramática é palavra que vem do grego e significa “a arte de escrever.”
Segundo LOBATO (1986), a gramática surgiu no mundo ocidental por volta do século V a. C., 
na Grécia, como ramo da filosofia, especificamente, como um apêndice da lógica. Durante este 
período, o mundo grego estava sob o domínio da Macedônia, cujo rei Alexandre não impediu 
que a forte influência cultural de seu império predominasse nos territórios por ele conquistados. 
Esse período ficou conhecido como época helenística, na qual a influência cultural grega se 
estendeu a toda região do Mediterrâneo Oriental e do Oriente Próximo. 
Durante o império alexandrino, a língua grega era utilizada por todas as regiões a ele 
subjugadas. Os gregos não se preocuparam com um estudo mais aprofundado de sua língua. 
A atenção estava voltada somente para o estudo da língua sob uma perspectiva estética e 
filosófica. As discussões centravam-se, principalmente, nas relações entre forma e significado 
das palavras. 
O estudo gramatical na Grécia Antiga é caracterizado por três períodos, a saber: (LOBATO, 1986) 
O Surgimento da Gramática – Um Pouco de História
Antiguidade Clássica – Os Filósofos Gregos
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a) iniciou-se com os filósofos pré-socráticos e os primeiros retóricos e seguiu com Sócrates, 
Platão e Aristóteles; 
b) o período dos estoicos; 
c) o período dos alexandrinos. 
No primeiro período, a língua não era uma preocupação independente, encontrando-se de 
forma esparsa na obra de cada pensador do período. Em Sócrates e Aristóteles, existe uma 
preocupação indireta. Já em Platão, encontramos no “Crátilo”, um dos mais importantes 
diálogos escritos por ele, um texto totalmente dedicado a questões linguísticas. Nele se discutem 
a questão da origem da língua, bem como a relação natural entre o significado das palavras 
e a motivação ou arbitrariedade do signo linguístico. Em Crátilo1, Platão define a gramática 
como a téchne (arte), cuja função seria regular a atribuiçãodas letras na formação dos nomes. 
Entretanto, esta obra não chegou a se constituir em um compêndio gramatical.
Em posição oposta à de Platão, Aristóteles defendia o caráter convencional da linguagem e 
da relação arbitrária entre palavra e significado. Ele foi o primeiro a realizar uma análise mais 
apurada da estrutura linguística.
A este filósofo se devem as contribuições sobre as categorias aristotélicas, as quais deram 
origem às chamadas categorias gramaticais ou classes de palavras. Por exemplo: substância/
substantivo, ação/verbo, relação/conjunção.
No entanto, foi somente com a escola estoica que a língua passou a ser reconhecida como 
independente. Segundo os estoicos, o homem, ao nascer, era uma espécie de página em branco, 
que seria preenchida com as experiências. Foram eles os precursores da ideia de que a língua 
é a expressão do pensamento e o veículo dessa expressão, a voz e, nessa perspectiva deveria 
ser investigada. Embora tenham se dedicado a questões de pronúncia e de etimologia, seus 
estudos gramaticais envolveram classes de palavras e paradigmas flexionais. Mas, apesar disso, 
não estavam interessados na língua em si mesma. Essa é uma característica que os estoicos 
compartilharam com os estudiosos do período anterior: todos desenvolveram o estudo sobre a 
língua no âmbito de pesquisas filosóficas ou lógicas. (Lobato, 1986).
1 Crátilo é o nome de um diálogo platônico. Nele se coloca em questão o nome, sua origem, seu estatuto, discutindo também se é naturalista ou 
convencionalista. O filósofo pensava que fosse impossível dar um nome às coisas, pois, estando estas em constante devir, não seriam mais aquelas.
Sócrates
Fonte: Thinkstock.com
Platão Aristóteles
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Unidade: Sintaxe
A grande contribuição que os estoicos trazem é o estudo voltado para a dicotomia entre 
forma e significado, semelhante à distinção entre significado e significante que Saussure vem 
apresentar tempos depois. Para os estoicos, o significado é construído por meio do conhecimento 
global que se tem da língua; já para Saussure, o significado é uma representação mental. 
Seguindo cronologicamente essa história, o período seguinte, será o “alexandrino”. 
Os estudiosos alexandrinos recebem esse nome por terem desenvolvido seus estudos na 
colônia grega de Alexandria, onde, no séc. III a.C., nasceu um grande centro de estudos 
literários e linguísticos. Foram eles que passaram a considerar o estudo linguístico como 
parte do estudo literário. 
A escolha pelo estudo literário deveu-se a dois fatores: o primeiro deles era tornar acessível 
aos contemporâneos a obra de Homero; segundo porque existia uma preocupação com o uso 
correto da língua, a fim de preservar o grego clássico de possíveis alterações de uso. 
Os alexandrinos tinham como objetivo educar os povos conquistados na língua e na cultura 
grega. Assumiram uma postura purista da língua, ao privilegiarem a escrita dos grandes escritores 
em detrimento dos demais usos da língua. Dividiam-se em duas posturas linguísticas baseadas 
nas regularidades e irregularidades da língua: os analogistas e os anomalistas.
 – os primeiros privilegiaram as regularidades linguísticas, adotando uma atitude normativa 
(preocupação em como a língua dever ser); 
 – já os anomalistas reconheciam a existência de irregularidades e enfatizavam o uso efetivo 
da língua (preocupação em como a língua é). 
Os estudos realizados pelos alexandrinos marcaram profundamente o período helenístico2. É 
deles a identificação de oito classes de palavras – nome, verbo, particípio, artigo, pronome, 
preposição, advérbio e conjunção – bem como o reconhecimento de categorias gramaticais 
relacionadas às classes – caso, tempo, número, gênero, etc.
As classes de palavras foram criadas paulatinamente 
como resultado de contribuições de vários estudiosos 
em diferentes épocas. Para a conceituação das classes de 
palavras, os gregos utilizavam uma mistura de critérios: 
semânticos, sintáticos e morfológicos, o que ainda 
caracteriza nossas gramáticas. (Lobato, 1986). 
Como vimos, os gregos empreenderam estudos nas 
áreas da Etimologia (origem das palavras), da Fonética 
(pronúncia) e da Gramática (morfologia). Foram, no 
entanto, os estudos morfológicos que mais se notabilizaram.
2 O período helenístico foi um marco entre o domínio da cultura grega e o advento da civilização romana. Os sopros inspiradores da 
Grécia se disseminaram, nesta época, por toda uma região exterior conquistada por Alexandre Magno, rei da Macedônia. Com suas 
investidas bélicas ele incorporou ao universo grego, o Egito, a Pérsia e parte do território oriental, incluindo a Índia”. 
Para saber mais: http://www.infoescola.com/historia/helenismo/
A gramática normativa foi 
elaborada a partir de critérios 
filosóficos. Desde a sua origem, 
na Antiguidade Clássica 
(séc. II ou III a.C.) até nossos 
dias, apesar dos diferentes 
paradigmas sócio-culturais, ela 
mantém essa característica.
http://www.infoescola.com/historia/helenismo/
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Dionísio, de origem trácia ou Dionísio, o Trácio, nasceu em Alexandria e viveu entre 170 
e 90 a. C. (séculos II e I a. C.). Com ele, tem-se a “primeira descrição ampla e sistemática 
publicada no mundo ocidental” de uma língua – o grego ático; ele foi considerado, portanto, 
o autor da primeira gramática publicada no ocidente - a Téchne Grammatiké – a arte de ler e 
escrever. Para Dionísio, a gramática era o conhecimento prático dos usos da língua feita pelos 
poetas e escritores de prosa. Naquele momento, a gramática já era considerada disciplina 
independente da lógica e da filosofia. Assim, a Téchne Grammatiké alexandrina surge como 
uma arte/técnica voltada para capacitar as novas gerações a ler, a apreciar, a entender e a 
criticar os poetas. (NEVES, 2002)
A gramática de Dionísio dava pouca ênfase à sintaxe, sobrepondo a ela a flexão paradigmática 
das palavras gregas. Essa gramática apresentava uma finalidade pedagógica por meio da 
contemplação da literatura grega clássica. Ela foi considerada referência de estudo no mundo 
de fala grega até o século XII, tendo sido traduzida para outras línguas. Além disso, serviu de 
modelo para o estudo de línguas como o latim, por exemplo. 
Merece destaque o fato de que foi um gramático alexandrino, Apolônio Díscolo, no século II 
AC, quem formulou a primeira teoria sintática ao estudar a língua grega. Na obra deste autor, 
percebemos características básicas que orientaram os trabalhos dos primeiros gramáticos e que 
foram transmitidas ao Ocidente – a exclusividade de atenção ao uso da língua feito por autores 
consagrados em detrimento de outras variantes de menor prestígio.
Seus estudos abrangeram questões de diacronia, estilística, ortografia, prosódia, dialetos, 
elementos e partes das orações. Contudo, sua importância na história da gramática ocidental 
deve-se ao tratamento dado à sintaxe, até então ausente nos trabalhos dos gramáticos 
alexandrinos. Os estudos sintáticos revelavam a influência dos trabalhos de Dionísio de Trácia e 
a influência mentalista dos estoicos. 
Apolônio foi o único gramático antigo que escreveu uma obra completa e independente sobre 
sintaxe, segundo Neves (2002). O gramático não foi partidário de nenhuma das correntes que 
investigavam a origem da linguagem e suas relações com o pensamento, tampouco procurou 
delimitar a natureza da gramática à arte x ciência. 
Os estudos de Dionísio de Trácia e de Apolônio Díscolo não só influenciaram 
significativamente o ensino do grego, como despertaram o interesse para o estudo dessa 
língua em momentos históricos posteriores. 
Na época helenística, uma grammatiké seria um “exame dos textos escritos” com 
a finalidade de resguardar as obras que representavam o espírito grego, constituindo-se 
em uma disciplina de cunho didático. Ela é, então, definida por Dionísio de Trácia como 
empeiriá (conhecimento empírico)3. 
3 Segundo o dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa 1.0: conhecimento empírico é aquele “baseado na experiência e naobservação, 
metódicas ou não”.
Os Gramáticos Alexandrinos
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Unidade: Sintaxe
Concluímos que os filósofos não fizeram gramática, apenas criaram doutrinas, já que seus 
estudos não foram desenvolvidos de maneira autônoma e sistemática. Os filósofos gregos 
consideravam-na apenas um caminho para o desvendamento da atividade linguística, enquanto 
os filólogos alexandrinos estudavam-na como um meio de se alcançar a regularidade do uso. 
Em suma: 
 – na filosofia grega: grammatiké é “um sistema regulador da interdependência 
dos elementos linguísticos”; 
 – na cultura helenística: grammatiké é uma “regulamentação de um determinado uso da 
língua, num dado momento de sua história”; 
 – na ciência linguística moderna: gramática é a “explicitação das regras que regem 
a Linguística” (Neves, 2002).
Trabalhos sobre sintaxe, posteriores a Apolônio Díscolo, se perderam e a fonte mais 
confiável e abrangente na antiguidade é o texto de Prisciano. É com esse estudioso romano 
que a gramática latina chega ao seu apogeu. Ele é o primeiro a elaborar uma sintaxe, 
inspirado nas teorias lógicas dos gregos. A intenção primeira do autor teria sido traduzir as 
obras gramaticais dos gregos.
O estudioso lançou mão de discussões da lógica para construir uma sintaxe com estes 
princípios. Para Prisciano, a sintaxe visa estudar “a obtenção de uma oração perfeita (oratio 
perfecta)”. Assim, o autor tenta recuperar as primeiras especulações filosóficas gregas sobre a 
linguagem, que a entendiam como a expressão do pensamento.
Portanto, a sintaxe de Prisciano, baseada principalmente nas reflexões de Apolônio Díscolo, 
parte do átomo até a formação da sentença conexa, representada pela oratio perfecta. 
A gramática desse estudioso torna-se o modelo de todos os gramáticos da Idade Média. 
É nesse período que um impasse ocorre: se as construções linguísticas latinas eram lógicas e, 
portanto, naturais, as línguas modernas deveriam seguir essas mesmas causas? É a gramática 
proposta pelos estudiosos de Port-Royal (1660) que vai tentar esclarecer esse impasse. É somente 
no século XVII, com a gramática de Port-Royal, ou melhor, Grammaire générale et raisonée de 
Port Royal, organizada por Lancelot e Arnauud, que vai se definir claramente os postulados de 
todas as categorias relacionais lógicas a que são submetidas as categorias linguísticas, desde os 
tão distantes povos gregos e romanos.
A Gramática de Lancelot e Arnauld era baseada nos princípios aperfeiçoados por Descartes, 
que idealizava a existência de um pensamento extralinguístico e designava a linguagem como 
uma das causas dos nossos erros.
A Grammaire Générale dominou o século XVII, trazendo uma grande contribuição 
para estudos posteriores. A tentativa lógica de Port-Royal marca de tal forma o estudo da 
linguagem, até os nossos dias, que os linguistas vão ter grande dificuldade em separar a sua 
análise da dos componentes lógicos. A linguística vai oscilar entre um formalismo empirista 
(descrição das estruturas formais) e um logicismo transcendental (divisão do conteúdo em 
categorias tomadas à lógica).
Com este arcabouço histórico, justificamos o caráter normativo, tradicional, ou a disciplina 
do certo/errado que a gramática conserva até a atualidade.
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No século XVI, as línguas românicas passaram a ser descritas em gramáticas. Vale lembrar 
que os dois primeiros gramáticos portugueses foram Fernão de Oliveira e João de Barros, 
publicando a Gramática da Linguagem Portuguesa, em 1536; e a Gramática da Língua 
Portuguesa, em 1540, respectivamente.
Segundo SILVA (2000) apenas João de Barros, dos quatro gramáticos quinhentistas4, trata 
do que hoje se chama sintaxe. Apesar de o autor considerar a sintaxe como uma parte da 
gramática, é dado pouco relevo a esta parte no conjunto de sua obra. Sua sintaxe se resume a 
observações sobre concordância e regência, elementos essenciais da gramática tradicional.
No entanto, Jerônimo Soares Barbosa (1737-1816) critica gramáticos que o precederam, 
dentre eles João de Barros, por construírem uma gramática da língua portuguesa que imitasse a 
latina. Sua gramática segue a Grammaire générale et raisonée de Port Royal, ou Gramática de 
Port Royal5, da qual já tratamos anteriormente. 
O autor defende que qualquer gramática tem uma parte mecânica e uma parte lógica. 
Na parte mecânica encontra-se a Orthoepia, que se preocupa com os sons da língua; e a 
Orthographia, preocupada com os sinais. À parte lógica pertencem a Etymologia, que ensina 
as espécies de palavras que entram na composição de qualquer oração e a analogia de suas 
variações e propriedades gerais; e a Syntaxe, que ensina a coordenar estas palavras e a dispô-
las no discurso de modo que façam um sentido, ao mesmo tempo distinto e ligado. Contudo a 
gramática tradicional não acolheu a classificatória complexa de Jerônimo Soares Barbosa.
SILVA (2000) lembra que, ainda assim, até fins da década de 1950 do século passado, 
qualquer bom professor de português seguia os ensinamentos deste estudioso.
4 Fernão de Oliveira (1536), A gramática da linguagem portuguesa; João de Barros (1540), Gramática da língua portuguesa; Pero de Magalhães 
Gândavo (1574), Regras que ensinam a maneira de escrever e a ortografia da língua portuguesa; e Duarte Nunes de Leão (1576), Ortografia 
e origem da língua portuguesa.
5 A gramática geral e racional foi organizada no século XVII por dois monges de um mosteiro, de uma região francesa (Antoine Arnoud e Claude 
Lancelot) e torna-se modelo para grande número de gramáticas deste século.
Os Gramáticos “Quinhentistas” e a Língua Portuguesa
Fonte: Biblioteca Nacional de Portugal - purl.pt
14
Unidade: Sintaxe
Para começarmos a falar de gramáticas do século XX, não devemos nos esquecer de nomes 
como Celso Cunha e Lindley Cintra, Evanildo Bechara, entre outros. 
Celso Cunha e Lindley Cintra são considerados especialistas da língua portuguesa. O primeiro, 
brasileiro; o segundo, português. Segundo SILVA (2000), a Nova Gramática do Português 
Contemporâneo, cuja 10ª edição data de 1985, é uma gramática que privilegia a língua escrita 
culta literária de escritores portugueses, brasileiros e africanos do Romantismo para cá. Segue, 
portanto, o princípio já estabelecido em Alexandria. Os autores definem a sintaxe como a parte da 
gramática que descreve as regras segundo as quais as palavras se combinam para formar frases.
Já Evanildo Bechara, em sua Moderna Gramática Portuguesa, cuja 37ª edição data de 1999 
e a 1ª de 1961, apresenta, em sua revisão, uma consciente atualização, amadurecida pela leitura 
de teóricos da linguagem, especialmente, Eugênio Coseriu, M. Said Ali e nosso primeiro linguista 
J. Mattoso Câmara.
É Evanildo Bechara (1999, p. 27) quem afirma: 
Em Portugal, no Brasil, em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, 
São Tomé e Príncipe, a língua portuguesa, patrimônio cultural de todas estas 
nações, tem sido, e esperamos seja por muito tempo, expressão da sensibilidade 
e da razão, do sonho e das grandes realizações.
Voltaremos a estudar a sintaxe, sobretudo, a partir da concepção gramatical desses 
autores, em unidades posteriores.
As Gramáticas no Século XX
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Para ampliar seus conhecimentos, leia o artigo, intitulado Prisciano e a história da 
gramática: considerações acerca da sintaxe e da morfologia, de Rodrigo Tadeu 
Gonçalves, que é Professor Doutor de Língua e Literatura Latina do DLLCV/UFPR. 
Considerando que as reflexões linguísticas na antiguidade tiveram reflexos nos estudos atuais, 
o artigo trata da gramática antiga, feita nos moldes da tradição grega do precursor Dionísio 
Trácio. Em especial, o escopo deste trabalho é baseado em duas obras do gramático Prisciano 
(Bizâncio, séc. VI). Com o objetivo de mostrar a concepção linguística do pensamento gramatical 
de Prisciano, o artigo aborda a sintaxe na obra Institutiones grammaticae e a morfologia na 
Institutio denomine et pronomine et verbo. Para esboçar a característica de veículo transmissor 
da tradição grega e paraexplicitar os conceitos de sintaxe e morfologia, este trabalho lança mão 
de traduções de excertos das duas obras, algumas inclusive inéditas. Ao fim, fica evidente uma 
sintaxe atomista baseada na ideia de oratio perfecta e uma morfologia que faz uso de operações 
de manipulação de letras e de modelos paradigmáticos.
Não se esqueça de fazer registros durante a leitura, anotando as ideias principais de que 
trata o artigo. Essa é uma forma de ir criando ao longo da disciplina um material para consulta 
e estudos posteriores.
Material Complementar
 
 Explore
O artigo foi publicado na Revista Eletrônica Antiguidade Clássica ISSN 1983 7614 – No. 005/ Semes-
tre I/2010/pp.85-99 e você o encontra no link:
 ∙ http://goo.gl/ZNp8dG
http://goo.gl/ZNp8dG
16
Unidade: Sintaxe
BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 37. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 1999.
CUNHA, Celso & CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1985. 
JOTA, Zélio dos Santos. Dicionário de Lingüística. Rio de Janeiro: Presença Edições, 1976.
LOBATO, Lúcia Maria Pinheiro. Sintaxe gerativa do português. Belo Horizonte: Belo Horizonte, 1986.
NEVES, Maria Helena de Moura. A gramática: história, teoria e análise, ensino. São 
Paulo: Editora da UNESP, 2002. 
SILVA, Rosa Mattos. Tradição Gramatical e Gramática Tradicional. 4. ed. São Paulo: Contexto, 2000. 
Referências
17
Anotações
www.cruzeirodosulvirtual.com.br
Campus Liberdade
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CEP 01506-000
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