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Classes Gramaticais e Morfologia

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Língua Portuguesa: 
Morfologia
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Dr.ª Nelci Vieira de Lima 
Revisão Textual:
Prof.ª Dr.ª Silvia Augusta de Barros Albert
Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
Classes Gramaticais: Campos 
Lexicais e Fronteiras
• Retomar e refletir sobre as classes de palavras e sua descrição na Gramática Tradicional;
• Compreender a estrutura morfológica do verbo na Língua Portuguesa e conhecer outras 
perspectivas para o estudo dos verbos, considerando a teoria das valências como uma delas;
• Contruir conhecimentos sobre outros critérios para a classificação de palavras, a partir dos 
estudos linguísticos, de uma perspectiva funcional, pragmática e semântica da língua. 
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Introdução;
• Classes de Palavras e Descrição Gramatical da Língua;
• A Classificação das Palavras na Gramática Tradicional;
• Verbos: Estrutura e Funcionamento na Língua;
• Outros Critérios para a Classificação de Palavras;
• A fluidez das Fronteiras na Classificação Gramatical.
UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
Introdução
O estudo das classes de palavras em português sempre ocupou lugar privilegiado 
na escola. Procure se lembrar de seu processo de escolarização e com certeza vai se 
recordar do tempo dedicado ao estudo do substantivo e suas subclassificações (concreto, 
abstrato, coletivo, próprio etc.); dos adjetivos e suas flexões; dos verbos e suas conjuga-
ções; das preposições puras e suas combinações e de todas as outras classes de palavras. 
A Gramática Tradicional determina a existência de dez classes de palavras: substantivo, 
adjetivo, verbo, adverbio, conjunção, preposição, interjeição, artigo, pronome e numeral, 
está lembrado(a)? É preciso ressaltar, no entanto, que os critérios de classificação das pala-
vras, na Gramática Tradicional, por vezes se embasa apenas em critérios semânticos e, em 
outras, alia critérios sintáticos aos semânticos. Prova disso é tratar o substantivo como “pa-
lavra com que designamos ou nomeamos os seres em geral” (CUNHA; CINTRA, 2008, 
p. 191), critério semântico, e os artigos como palavras que estão ligadas aos substantivos 
definindo-os ou indefinindo-os, uma aliança de critérios semânticos e sintáticos. 
Retomando a definição dos substantivos, “palavra com que designamos ou nomea-
mos os seres em geral”, você não acha que tal definição encerra em si grande complexi-
dade, uma vez que é revestida de um caráter filosófico? Afinal, quais seriam esses seres 
nomeados? Ou o que significa “ser”? Sigamos em nossas reflexões!
Após ter reavivado sua memória quanto a esses conceitos, e tê-los encontrado, o que 
comprova a afirmação feita nesta introdução sobre a ênfase dada ao estudo das classes 
de palavras na educação básica, nós lhe convidamos, nesta unidade, a lançar um novo 
olhar sobre o estudo das classes de palavras da Língua Portuguesa, mais reflexivo.
Para isso, vamos nos orientar pela seguinte indagação: Em que medida podemos 
estabelecer fronteiras exatas para a classificação de palavras? Para nos guiar nesta re-
flexão, citamos Basílio (2004, p. 79), para quem “a classificação das palavras não pode 
ser rígida, porque muitas vezes há “possibilidades de extensão de propriedades de uma 
classe a outra”. Assim, conforme explicitaremos no decorrer desta unidade, a classifi-
cação de palavras no português deve obedecer aos seguintes critérios: 1. Morfológicos 
(apresentar e determinar flexão de gênero e número); 2. Semânticos (Designar seres ou 
entidades); 3. Sintáticos (Ocupar o núcleo do sujeito e complementos). 
Esperamos que essas primeiras palavras tenham sido instigantes de modo a estimular 
não só a leitura atenta deste material didático, mas também a pesquisa de aprofundamento 
a partir das indicações no item “Material Complementar”, de modo a proporcionar a você 
uma sólida formação neste tema, respaldada teoricamente. Agora, que deixamos pistas a 
serem seguidas e mistérios a serem desvendados, que tal embarcar conosco nessa aventu-
ra em busca de novos modos de compreender as classes de palavras? Vamos lá!
Classes de Palavras e 
Descrição Gramatical da Língua
A definição de língua como sistema implica compreender como se dá a descrição desse 
sistema. É importante saber que todo sistema linguístico pode ser descrito do ponto de 
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vista fonético, morfológico, sintático e semântico. Nesta unidade, no entanto, nos interessa 
pensar, ou melhor dizendo, repensar a classificação das palavras da língua portuguesa, a 
partir de uma visão multifacetada do sistema linguístico, que permita buscar um classifica-
ção de palavras mais coerente, que englobe critérios morfológicos, sintáticos e semânticos. 
É bom lembrar que na descrição de qualquer língua, o léxico é uma parte muito 
 importante a ser inventariado. Segundo Basílio (2004, p. 9) o léxico é “um compontente 
fundamental da organização linguística, tanto do ponto de vista semântico e gramatical 
quanto do ponto de vista textual e estilístico”. 
Sendo assim, o primeiro ponto no qual precisamos tocar é o seguinte: todo vocabu-
lário da língua pode ser dividido em duas partes: um sistema aberto, também chamado 
de inventário aberto, e um sistema fechado, também chamado de inventário fechado. 
O sistema aberto é ilimitado e composto por todas as palavras da língua que nos 
remetem a uma ideia mental, além de estar em constante renovação, uma vez que 
palavras novas surgem na língua sempre que há necessidade de se nomear algo novo. 
Essas palavras também são chamadas, por alguns linguistas, de lexemas ou morfemas 
lexicais. Para Sautchuk (2018),
o lexema é um tipo de palavra que contém informação básica de significado, 
que representa o mundo extralinguístico ou remete a ele. Chamamos 
esse “mundo extralinguístico” de mundo biossocial/antropocultural, pois 
representa aquilo que se poderia definir como “o ser humano e a cultura 
na vida em sociedade”. (SAUTCHUK, I., 2018, p. 5)
Para que você compreenda a ideia mental que acompanha as palavras da classe aberta, con-
vidamos você a realizar um exercício muito simples. Leia as palavras, a seguir, da primeira 
coluna, e relacione-as à ideia que veio em sua mente ao pronunciá-las:
Figura 1
Fonte: Adaptado de Pixabay e Getty Images
1. Casa ( )
2. Fêmea ( )
3. Pedalar ( )
4. Correr ( )
5. Mulher ( )
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UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
E aí? Como foi a realização do exercício? Você deve ter percebido que as palavras apre-
sentadas se relacionaram às imagens. Vale ressaltar, no entanto, que a palavra fêmea pode 
ser relacionada à figura da leoa, mas também à mulher, mesmo que de modo depreciativo, 
não é? Isso se deve ao fato de que a palavra fêmea, substantivo feminino, representa uma 
categoria semântica que abarca outras subcategorias, como leoa e mulher. De todo modo, 
você deve ter associado uma ideia mental, bastante particular, à palavra fêmea, concorda? 
Essa é a função do léxico do inventário aberto: categorizar e nomear as coisas do mundo 
extralinguítico, para que possamos nos comunicar por meio da construção de enunciados. 
Essas palavras do inventário ou sistema aberto, que nos remetem a uma ideia mental, 
são representadas pelas classes dos substantivos, adjetivos, verbos e advérbios nominais. 
Na próxima seção, estudaremos cada uma dessas classes. 
Agora que já refletimos sobre as palavras do sistema aberto ou inventrário aberto, va-
mos refletir sobre as palavras do sistema fechado, ou inventário fechado. Essas palavras, 
também são denominadas como morfemas gramaticais ou gramemas. Enquanto os 
lexemas sempre nos remetem a uma ideia mental, apontanto para algo de nossa realidade, 
ou seja, para o mundo extralinguístico, os gramemas apontam apenas para a realidade lin-
guística, isto é, para o mundo gramatical. A carga semântica dos gramemas, ou seja, sua 
carga significativa, é zero ou quase zero. Sua função na construção de sentenças e textos 
na língua, no entanto, é fundamental, pois eles colaborampara relacionar os termos da lín-
gua, contribuindo para a construção de unidades significativas, como sentenças e textos. 
Façamos um exercício reflexivo para comprovar a afirmação anterior. Você vai ler a sequên-
cia de palavras a seguir e pensar na significação delas para você: que – de – para – e – com. E 
aí? Assim separadas essas palavras lhe trouxeram alguma ideia mental? Nada, não é mesmo? 
Esses mesmos gramemas, no entanto, podem contribuir para entrelaçar termos de 
uma oração, contribuindo para a construção do sentido, como em: anel de ouro, comi-
da e roupa, a menina que chorou ontem, feito com amor. Essas palavras do inventário 
ou sistema fechado são formas independentes porque funcionam com autonomia na 
língua e são representados pelas classes dos artigos, pronomes, numerais, preposições, 
conjunções e advérbios pronominais. 
Além dos gramemas independentes, como os pronomes, numerais etc., há também os gra-
memas considerados dependentes, isto é, aqueles que funcionam presos à estrutura de 
um vocábulo. É o caso dos afixos (sufixos e prefixos) e das desinências verbais. 
Agora que já refletimos, de modo geral, sobre o léxico que compõe os sistema linguís-
tico do português, vamos estudar, na próxima seção, o tratamento dado a esse léxico 
pela Gramática Tradicional e refletir sobre os critérios tradicionais de classificação de 
palavras, uma ação tão importante para a descrição de qualquer língua.
A Classificação das Palavras 
na Gramática Tradicional
Conforme afirmamos na introdução desta unidade, a Gramática Tradicional, seguin-
do a proposta da Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB), determina a existência de 
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dez classes de palavras: substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, conjunção, preposição, 
interjeição, artigo, pronome e numeral. Nesta seção, vamos apresentar, brevemente, 
o tratamento dado, tradicionalmente, a algumas delas, de modo que possamos refletir 
sobre a pertinência dos critérios usados para essa classificação e responder ao seguinte 
questionamento: Será que os critérios usados para classificação das palavras na Gramá-
tica Tradicional são claros? Vamos lá, então, fazer essa descoberta juntos. 
O substantivo
Vamos começar nossa reflexão a partir da definição dada por Cunha e Cintra (2008, p. 
191), para substantivo: “a palavra com que designamos os seres em geral”. Você já parou 
para pensar em que seres são esses? É preciso dizer que essa definição tem um caráter se-
mântico-filosófico e pode levar até mesmo a uma problemática, visto que é fácil compre-
ender “homem, mulher, criança, cachorro” como seres, mas a mesma compreensão pode 
não se estender a palavras como “espionagem, viagem, beleza, política”, não é mesmo? 
Por isso, na próxima seção, veremos que uma classificação tanto morfológica quanto 
sintática, a qual é privilegiada entre os linguistas, pode oferecer critérios mais adequa-
dos às palavras da língua que se enquadram na classe dos substantivos.
Você Sabia?
Você sabia que a predominância dos critérios semânticos para a definição das classes de 
palavras, na Gramática Tradicional, está ligada à gênese do saber metalinguístico? Isso 
significa que o saber metalinguístico no Ocidente se principiou na antiguidade clássica 
com os filósofos, entre os quais merecem destaque Platão e Aristóteles. Platão discutiu 
amplamente a respeito do caráter da linguagem, polemizando se ela seria natural ou 
convencional. Para ele, “o nome é também indicador da essência das coisas, porque se 
lhes assemelha” (KRISTEVA, 2007, p. 115). Platão trata também do enunciado e da pro-
posição, o que abre caminho para a classificação das partes do discurso, empreendida, 
mais tarde, por Aristóteles e retomado e ampliado, posteriormente pelos estoicos, “que 
muito contribuíram para o aprofundamento do conhecimento gramatical” (LEITE, 2007, 
p . 36). Podemos ver, então, que critérios para classificação de algumas palavras têm sua 
origem nos estudos filosóficos.
Para saber mais sobre o tratamento dado à classe dos substantivos na Gramática Tradicional, 
consulte a Nova Gramática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, 
em sua 7ª edição, pela editora Lexicon. A obra está disponível em nossa Biblioteca digital, 
no seguinte endereço: https://bit.ly/2LkN9ub
O adjetivo
Na Gramática Tradicional, o adjetivo é definido como a palavra que os seres. Nas pala-
vras de Cunha e Cintra (2008, p. 259) “o adjetivo é essencialmente um modificador do 
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UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
substantivo”, servindo para incidar “qualidade”, “modo de ser”, “aspecto ou aparência” 
e “estado”. Os gramáticos ainda apontam a serventia do adjetivo para indicar, junto 
ao substantivo, relações de tempo, espaço, matéria, finalidade, propriedade e origem, 
como nos seguintes exemplos por eles dados:
• nota mensal (= nota relativa ao mês; tempo);
• movimento estudantil (= movimento feito por estudantes; propriedade);
• casa paterna (=casa onde habitam os pais; espaço);
• vinho português (=vinho proveniente de Portuga; origem). 
Fonte: CUNHA; CINTRA, 2008, p. 259
Os gramáticos ressaltam a estreita relação existente entre substantivos e adjetivos, na 
Língua Portuguesa, apontando que muitas vezes sua identificação só pode ocorrer no eixo 
sintagmático, ou seja, por meio da posição da palavra na sentença, como nos exemplos:
a) O marinheiro solitário contempla as estrelas;
b) O solitário contempla as estrelas. 
Vocês perceberam o que aconteceu? Em a) a palavra “solitário” modifica o substantivo 
“marinheiro”, está posposto ao substantivo e, facilmente, classifica-se como adjetivo. 
Já em b), ocorre que a palavra “solitário” precedido por um artigo “o”, determinante, 
passa a ser um substantivo. Essa é uma regra básica, todo adjetivo, – e não apenas o 
 adjetivo, como veremos mais adiante nesta unidade –, precedido de um determinante, 
em geral artigo, passa por um processo de substantivação. Esses dois exemplos mos-
tram que a classificação de uma palavra em Língua Portuguesa depende de outros crité-
rios que não são apenas semânticos, não é mesmo?
Além disso, observe que, se já é um complicador definir substantivo como “palavra 
que nomeia os seres”, apresentar o adjetivo como modificador do substantivo, pressupõe 
o conhecimento exato do que seja um substantivo, não é mesmo? 
Por hora, ficaremos por aqui, em nossas reflexões, na próxima seção, no entanto, 
apresentaremos outros critérios para a classificação dos adjetivos. 
O advérbio
Cuidado! Vamos entrar, agora, em um terreno arenoso: o território dos advérbios. 
Se você não souber bem onde pisar, pode ser sugado(a) por uma areia movediça. Sim! 
Esse alerta quis lhe informar que enquadrar as palavras da língua na classe dos 
 advérbios não é algo tão simples quanto parece. Tomando como ponto de partida que o 
advérbio é uma classe gramatical invariável, deveria ser muito simples e fácil identificá-lo, 
não é? Então, quais fatores podem ser complicadores? Vamos observar mais de perto?
Vamos começar pela definição? Segundo Cunha e Cintra (2008) “o advérbio é, funda-
mentalmente, um modificador do verbo”. A Nomenclatura Gramatical Brasileira (NGB) 
estabelece sete tipos de advérbios: de afirmação, de dúvida, de intensidade, de lugar, 
de modo, de negação e de tempo. Aqui, a primeira questão que se coloca é o fato de 
que o advérbio não se relaciona somente ao verbo, mas também ao adjetivo ou a outro 
advérbio. Quando relacionado ao adjetivo, o advérbio possui função intensificadora ou 
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modificadora: Ela era muito ignorante, O carro era extremamente velho. Reparou a 
função do advérbio? Agora, no exemplo a seguir, observe que um advérbio se relaciona 
a outro advérbio, também como intensificador, como em: Cheguei muito cedo.
Para saber mais sobre as subclasses dos advérbios, previstos pela NGB, consulte a Nova Gra-
mática do Português Contemporâneo, de Celso Cunha e Lindley Cintra, em sua 7ª edição, 
pela editora Lexicon. Disponível na nossa Bibliotecadigital: https://bit.ly/3soaKdN
A grande complexidade que envolve a classe dos advérbios em nossa língua se deve, 
sobretudo, à sua “mobilidade semântica e funcional” (SAUTCHUK, 2018, p.18), isto é, 
o advérbio pode assumir diversas funções e produzir os mais diversos efeitos de sentido 
na construção oracional:
Ele era absurdamente pobre. (Chama atenção, nesse exemplo, que a ideia de “absurdo” – 
algo que foge às regras ou normas estabelecidas; fantasioso – não é comumente relacionada 
à pobreza. Nesse caso, o uso do advérbio tem uma função claramente intensificadora).
Nós estávamos espontaneamente vestidos. (Nesse exemplo, a escolha do advérbio, 
com função de modo, expressa uma opinião não valorativa, ou seja, dizer que estáva-
mos vestidos “espontaneamente” não informa se estávamos bem ou mal vestidos para 
a ocasião, não é mesmo? A escolha pode ter sido feita exatamente para modalizar uma 
opinião ou fazer defesa em relação a um julgamento relacionado a um preconceito).
Contribui para a complexidade de classificação dos advérbios, ainda, o fato de haver 
na língua uma gama de palavras que podem se juntar a uma preposição para formarem 
expressões adverbiais ou locuções adverbiais. Vejamos o que diz Bechara (2009) sobre 
isso: “constituindo o advérbio uma classe de palavra muito heterogênea, torna-se difícil 
atribuir-se uma classificação uniforme e coerente”.
Nessa seção, avaliamos o tratamento tradicionalmente dado aos substantivos, adje-
tivos e advérbios na Língua Portuguesa. Ao verbo, porém, reservamos um espaço es-
pecífico, na próxima seção, para esmiuçarmos mais essa classe de importante papel 
morfossintático e semântico na língua. Vamos lá?
Verbos: Estrutura e
Funcionamento na Língua
O verbo é a classe de palavras com maior riqueza de formas, além de ser a chave para a 
compreensão da construção oracional em nossa língua. Tendo em vista essa importância, 
dividiremos esta seção nos seguintes tópicos: A estrutura morfológica do verbo; Usos ver-
bais no Português Brasileiro e Teoria das valências: outra perspectiva de estudo dos verbos.
A estrutura morfológica do verbo
Você já deve ter percebido que em relação à estrutura, a classe verbal é a que apre-
senta maior diversidade de formas, não é? Se tomarmos, por exemplo, o modo indica-
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UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
tivo, veremos que são mais de trinta formações diversas. Para conferir essa informação, 
propomos a você um desafio: Consulte uma gramática ou o link indicado abaixo e conte 
na conjugação de um verbo regular, no modo indicativo, quantas formas do mesmo 
verbo você vai encontrar. 
Conjugação de verbos, disponível em: https://bit.ly/2MMyHvd
Relembrando a definição morfossintática, o verbo é a palavra que se forma a partir de: 
radical + vogal temática + sufixo modo-temporal + sufixo número-pessoal. Sendo assim, os 
verbos aceitam morfemas cumulativos, uma vez que suas desinências indicam dois fatos gra-
maticais: modo/tempo (sufixo modo-temporal); e pessoa/número (sufixo número-pessoal). 
A estrutura do verbo apresenta, pois, o radical, elemento que traz a sua significação, 
acrescida de vogal temática, que indica a que conjugação pertence o verbo, mais a soma 
de formas mínimas, denominadas desinências, que indicam as flexões do verbo e sina-
lizam na forma verbal as categorias já apresentadas: pessoa, número, tempo e modo. 
Há na Língua Portuguesa três conjugações verbais caracterizadas pela vogal temática, 
são elas: 
• Primeira conjugação: verbos que têm vogal temática - a: amar, cantar, estudar, 
remar, ficar, etc.; 
• Segunda conjugação: verbos que têm vogal temática - e: vender, saber, comer, 
correr, etc.;
• Terceira conjugação: verbos que têm vogal temática - i: partir, surgir, sorrir, sumir, 
dormir, cobrir, etc. 
Na tabela a seguir, observe a fórmula da estrutura verbal, em Língua Portuguesa:
Tabela 1
A
V = T (Rd + VT) + F (DMT + DNP)
Verbo = Tema (Radical + vogal temática) + 
Flexão (Desinência modo-temporal + desinência número-pessoa)
B
estud a va s
Rd VT DMT DNP
TEMA FLEXÃO
C
estud a va Ø
Rd VT DMT DNP
TEMA FLEXÃO
D
estud á sse mos
Rd VT DMT DNP
TEMA FLEXÃO
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No nível A, é possível observar a articulação entre os morfemas verbais na cadeia sin-
tagmática, ou seja, onde um conjunto de unidades se articulam para formar uma palavra. 
O morfema radical é o que carrega a noção lexical da palavra, ou seja, a carga 
semântica da palavra, no caso dos exemplos dados em A, B, C e D, temos o mesmo 
morfema radical: estud. Em todos os exemplos, ao radical juntam-se a vogal temática e, 
em seguida, os morfemas modo-temporais e de número-pessoa. 
Ao comparar os exemplos, podemos observar um princípio básico da análise mór-
fica: o princípio de comutação, advindo da fonologia, mas que também se aplica à 
morfologia. Esse princípio indica a possibilidade de substituição de unidades mínimas 
por elementos diferentes, o que contribui para uma mudança parcial no conteúdo.
Assim, em B e C, por exemplo, temos a formação de estudavas e estudava, res-
pectivamente: segunda e terceira pessoas do singular, do pretérito imperfeito, do modo 
indicativo. Observe que em C, estudava, ocorre um morfema zero, indicado pelo sinal 
Ø, em D, na mesma posição temos o “s”, ambos indicativos de número-pessoa. 
Já se compararmos C e D, temos a comutação na posição do “-va” pelo “-sse”, que 
indica a substituição do tempo e modo verbal, do pretérito imperfeito do indicativo para 
o pretérito imperfeito do subjuntivo. Temos também na posição indicadora de número 
pessoa a oposição entre Ø e -mos. 
Quanto à flexão, o verbo pode ser regular, irregular, defectivo e abundante. Os verbos 
 regulares são aqueles que obedecem a um paradigma de conjugação, não sofrendo alterações 
no radical e desinências (chamadas também de “terminações”). Os verbos irregulares são 
aqueles que sofrem alterações no radical ou nas terminações ao serem conjugados. 
Já os verbos defectivos são aqueles que não podem ser conjugados em todos os tempos 
e modos, ou seja, possuem conjugação incompleta. Quer um exemplo? Então, tente conju-
gar os verbos abolir e banir na primeira pessoa do singular do modo indicativo. Logo você 
perceberá que essas formas verbais não existem na língua: eu bano; eu abolo. No entanto, 
temos as duas formas na primeira pessoa do plural: nós banimos; nós abolimos.
Para se aprofundar nas formas de conjugação verbal e compreender como se comportam 
os verbos de conjugação simples, composta e os verbos reflexivos consulte a “Nova gramáti-
ca do português contemporâneo”, de Celso Cunha e Lindley Cintra, 2009, publicada pela 
editora Lexicon, e disponível em nossa biblioteca digital. 
A seguir, apresentamos tabelas com o paradigma clássico de conjugação dos verbos 
regulares, no Modo Indicativo, conforme apresentado na Gramática Tradicional e tam-
bém algumas conjugações de verbos irregulares, outros paradigmas. Mais à frente nesta 
unidade, na seção que trata dos usos verbais na Língua Portuguesa, você verá que al-
guns linguistas questionam a eficiência destes paradigmas para a descrição do Português 
Brasileiro contemporâneo. Por ora, vamos observá-l as, a fim de perceber a estrutura 
interna do verbo regular e como se dão as alterações nos verbos irregulares. 
A seguir, apresentamos quadros com o paradigma clássico de conjugação:
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UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
Paradigmas de conjugação (1ª; 2ª e 3ª conjugações)
Tabela 2 – Verbos regulares: Modo Indicativo
1ª conjugação (AR) – Amar – cantar – falar – sonhar - pular
Presente Pretérito 
perfeito
Pretérito 
imperfeito
Pretérito mais-
que-perfeito
Futuro do 
presente
Futuro do 
pretérito
- o - ei - ava - ara - arei - aria
- as - aste - avas - aras - arás - arias
- a - ou - ava - ara - ará - aria
- amos - amos - ávamos - áramos - aremos - aríamos
- ais - astes - áveis - áreis - areis - aríeis
- am - aram - avam - aram - arão - ariam
2ª conjugação (ER) - Vender / prender/investigativa e 
reflexiva diante da língua, a fim de questionar a forma, função e significado dessa classe 
gramatical: os verbos. 
Na próxima seção, veremos outra perspectiva de estudo do verbo: a Teoria das valências. 
Você verá como estudar os verbos é primordial tanto para a compreensão da estrutura mor-
fossintática da língua quanto para subsidiar a produção de sentidos na leitura e na escrita.
Teoria das valências: outra perspectiva de estudo dos verbos
Você já deve ter percebido que é possível estudar a classe gramatical dos verbos de 
perspectivas diversas. Podemos estudar os verbos a partir dos seus aspectos morfológicos, 
sintáticos e semânticos, a partir de um ângulo dos estudos da Gramática Tradicional ou a 
partir de um viés descritivo, que visa a descrever os usos que se faz dos verbos na língua. 
Nesta seção, trataremos da teoria das valências, que considera o verbo a chave para 
as construções oracionais em português. Essa teoria, que implica estudar o verbo de 
uma outra perspectiva, é adotada por inúmeros estudiosos, mas vamos nos basear, 
sobretudo, em Mário A. Perini, autor da “Gramática descritiva do português brasileiro”, 
publicada em 2016, pela Editora Vozes. Tal obra está disponível em nossa biblioteca 
digital e você pode consultá-la, para se aprofundar nos estudos da morfologia. É impor-
tante ressaltar que, embora esta perspectiva de estudo esteja mais relacionada ao eixo 
sintagmático da língua, nos interessa abordá-la nesta unidade da disciplina, ainda que 
brevemente, a fim de percebermos a importância do verbo na Língua Portuguesa. 
P erini (2016, p. 179) defende que o verbo é a chave para a descrição das orações em 
Língua Portuguesa, porque a partir dele é possível prever as lacunas da oração. Para o 
autor, descrever as orações possíveis da língua é parte fundamental para a descrição “de 
grande parte da estrutura gramatical da língua”. 
Se na Teoria das valências o verbo é a chave, vamos fazer um exercício para que você 
depreenda a partir dos verbos elencados abaixo as possibilidades de preenchimento 
das lacunas:
amarpessoa
alguém
livro(s)
viajar
pedalar
Figura 2
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UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
sorrirpessoa
Figura 3
darpessoa
algo
as boas
vindas
a
alguém
a
alguém
Figura 4
No primeiro exemplo, o verbo amar nos faz prever um sujeito experienciador, que 
ama algo, alguém ou ainda que ama praticar alguma ação, como viajar, pedalar, etc., 
por isso produz duas lacunas. Já o segundo exemplo traz um verbo que prevê apenas 
uma lacuna, a do sujeito. No exemplo 3, por sua vez, temos um verbo que prevê três 
lacunas: um sujeito disposto a oferecer algo a outra pessoa.
De acordo com Perini (2016, p. 179), “cada verbo pode ocorrer em um conjunto 
bem delimitado de construções, e esse conjunto de construções é o que chamamos de 
valência do verbo”. 
Não entraremos aqui nas subclassificações verbais feitas a partir da teoria das valên-
cias, porque não é esse o nosso intuito nesta disciplina, porém acreditamos ter alcançado 
nosso objetivo que foi mostrar que o funcionamento do verbo na língua vai além do que 
propõem os estudos da Gramática Tradicional. Desta forma, esperamos que você tenha 
construído novos conhecimentos e refletido sobre outras possibilidades de estudo dos 
verbos no Português do Brasil e, consequentemente, sobre novas maneiras de aplicá-las 
em sala de aula com seus futuros alunos.
Agora, vamos para a próxima seção desta unidade, na qual apresentamos outros 
critérios para a classificação de palavras. 
Outros Critérios para a 
Classificação de Palavras 
Nas seções anteriores, estudamos um pouco sobre os substantivos, adjetivos e 
 advérbios e refletimos sobre o tratamento tradicionalmente dado a essas classes de 
 palavras. Além disso, reservamos um espaço específico para o estudo do verbo. A seguir, 
convidamos você a nos acompanhar em uma reflexão sobre outros critérios que podem 
ser usados para classificar as palavras em nossa língua. Tais critérios são de natureza 
mórfica e sintática. Comecemos pelos substantivos e adjetivos.
Classificação mórfica e sintática dos substantivos e adjetivos
Já vimos que a classificação precisa dos substantivos e adjetivos em Língua Portugue-
sa pode ser uma atividade bastante complexa, não é mesmo? Assim, não é fácil afirmar 
que uma palavra é substantivo ou adjetivo, uma vez que a fronteira entre essas duas 
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classes é fluida (assunto de que trataremos em nossa próxima secão). Para tanto, muitas 
vezes é preciso avaliar a sua ocorrência sintática na frase. 
Tomemos alguns exemplos que comprovam a eficiência do critério sintático para a 
classificação de substantivos e adjetivos:
• Sintaticamente, constituem-se substantivos todas as palavras da língua que se deixar 
anteceder por um determinante.
Funcionam como determinantes a classe fechada dos artigos (definidos e indefinidos), 
dos pronomes possessivos e demonstrativos e dos numerais cardinais e ordinais. São de-
terminantes, também, pronomes relativos como cujo (a)/(os)/(as) e pronomes indefinidos 
 (algum, alguma, alguns, algumas, nenhum, nenhuma etc.).
Exemplos:
a) Os cantores populares estão na cidade.
b) Os populares sempre contam com a presença de todos os convidados em 
suas festas.
Observe que em a) a palavra “populares” é um adjetivo que acompanha e modifica o 
substantivo cantores. Já em b), a palavra “populares”, precedida por um determinante – o 
artigo “os”–, passa a funcionar como um substantivo. Sendo assim, é o critério sintático 
que nos permite afirmar, com certeza, que em a) “populares” é um adjetivo e em b), é 
um substantivo. 
Para uma melhor compreensão desse critério, Sautchuk (2018, p. 15) propõe o seguinte 
exemplo, que aqui reproduzimos de forma adaptada, em forma de exercício reflexivo:
Observe a sentença abaixo e tente em voz alta anteceder cada uma de suas palavras por 
um ou mais determinantes indicados no box, você notará que somente as palavras que se 
deixarem anteceder por determinantes podem ser classificadas como substantivos:
“Não é função popular impedir reajustes de preço na próxima temporada”.
a, uma, minha, esta, os, uns, seus, aqueles, o um, nosso, esse, a uma sua, essa, nenhuma.
E aí? Praticou em voz alta o exercício? Vamos, então, conferir as respotas?
a função, uma função, minha função, esta função
os reajustes, uns reajustes, seus resjustes, aqueles reajustes
o preço, um preço, nosso preço, esse preço
a temporada, uma temporada, sua temporada, essa temporada, nenhuma temporada
21
UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
Sautchuk (2018, p. 15) chama a atenção para o fato de que ainda que quiséssemos 
anteceder os lexemas “popular” e “próxima” por um determinante, nessa construção, ou 
seja, nessa frase específica, o sentido ficaria desconexo. 
Segundo Sautchuk (2018, p. 16) “a força substantivadora dos determinantes é tão grande 
que pode transformar qualquer palavra de qualquer outra classe em substantivo: Meu sofrer 
é proporcional aos seus nãos./ O com pode ser uma palavra bem comunicativa.” 
Nesses exemplos, dados pela autora, o lexema “sofrer”, que isoladamente se classifica 
como verbo no infinitivo, nessa frase, de forma contextualizada, passa a ser um substan-
tivo. Ocorre o mesmo com o advérbio “não”, precedido pelo pronome possessivo “seus”, 
que transforma-se em um substantivo e admite, inclusive, o plural. No segundo exemplo, 
temos o lexema “com” que, isoladamente, seria classificado como preposição, mas no 
contexto da sentença, passa a ser um substantivo.
É bastante interessante perceber como há fenômenos na língua que impedem as cer-
tezas absolutas em relação à classificação das palavras, não é mesmo? A substantivação 
é um deles, e nos mostra que a língua é viva e para descrevê-la é necessário sempre levar 
em conta o contexto de uso. Fique bem atento(a) a isso!! Vamos em frente em nossas 
reflexões? Vejamos o critério “mórfico” na classificação dos substantivos e adjetivos.Em relação ao critério mórfico, os substantivos são palavras que aceitam o acréscimo 
de sufixos que indicam sentido de pequeno e grande (-inho, -inha, -zinho, -zinha, -ão, -zão).
É importante reconhecer que se trata de um critério aplicável com maior precisão aos 
substantivos concretos (menina/menininha/carro/carrinho/carrão). Embora possamos 
formar amor/amorzinho/amorzão, a mesma regra não é tão produtiva para ódio, ansie-
dade e felicidade, por exemplo. 
Para algumas palavras o diminutivo até funciona, mas não é aceitável o aumentativo 
(felicidadezinha/felicidadezona*). Vale saber que usamos o asterístico para indicar que 
determinada construção ou forma é imprópria gramaticalmente na língua, ou ao menos 
pouco comum, como no caso de “felicidadezona”. Estranho, não é mesmo? Além disso, 
esse critério mórfico para classificar substantivos, em grande e pequeno, pode tornar-se 
improdutivo, uma vez que certos adjetivos também aceitam o acréscimo dos mesmos 
sufixos, como lindo/lindinho | bonito/bonitinho. 
Em relação aos adjetivos um bom critério de classificação do qual podemos nos 
 valer é o critério mórfico de junção do sufixo –mente. Em Língua Portuguesa, todas as 
palavras que aceitarem o acréscimo desse sufixo para formação do advérbio nominal 
constituem-se adjetivos. E somente os adjetivos o aceitam. Sendo assim, temos: incan-
sável/incansavelmente | brilhante/brilhantemente | insuportável/insuportavelmente | 
delicado/delicadamente, e assim por diante. 
Um critério sintático para identificação e classificação de adjetivos, e que pode ser usa-
do, inclusive, em casos de adjetivação de substantivos, é o fato de somente os adjetivos 
aceitarem ser modificados por um advérbio. Sendo assim, um bom truque é usar o advér-
bio de intensidade “tão” ao lado da palavra em questão. Se essa palavra, colocada em uma 
frase, aceitá-lo, poderá certamente ser classificada como adjetivo. Vamos aos exemplos:
• Ele é ingênuo;
• Ele é tão ingênuo;
22
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• Aquela menina é amigável;
• Aquela menina é tão amigável;
• Ele é criança demais; (nesse caso há uma adjetivação do substantivo criança, usado 
no sentido de infantil)
• Ele é tão criança.
Importante!
Os advérbios de intensidade “muito” e “bem” também podem ser usados nesse reco-
nhecimento do adjetivo, a depender sempre do contexto. 
Outro critério mórfico que não pode ser esquecido na identificação do adjetivo é o 
fato de ele ser variável em gênero e número, acomodando-se sempre ao substantivo que 
acompanha. Como, por exemplo: menina bonita/menino bonito | menina tão bonita/
menino tão bonito. 
Nessa seção, estudamos sobre substantivos e adjetivos e percebemos quão fluida é a 
fronteira que os separa. Na próxima, vamos tratar sobre os critérios para identificação 
dos advérbios em português. 
Classificação mórfica e sintática dos advérbios
Os lexemas da classe dos advérbios são invariáveis em gênero e número, sendo 
essa característica mórfica o que melhor os define. Sintaticamente, já sabemos que os 
advérbios relacionam-se a verbos, adjetivos e a outros advérbios. Você deve estar se 
perguntanto por que razão, então, afirmamos que a descrição do advérbio é imprecisa 
e complexa em português, não é mesmo? Mais uma vez a resposta fica por conta da 
fluidez da fronteira na classificação das palavras no português. E para mostrar como 
isso ocorre, vamos fazer um exercício reflexivo usando alguns poucos exemplos que 
apresentam adjetivos e advérbios. Leia a comanda a seguir, com atenção:
Identifique entre as palavras destacadas nas orações quais se classificam como ad-
jetivos e quais se classificam como advérbios. Procure refletir sobre os critérios que o 
levaram a essa identificação e classificação:
a) O dia estava claro quando eu saí ; 
b) O dia estava tão claro naquela manhã ;
c) A manhã estava clara quando eu saí ;
d) A manhã estava tão clara naquele dia ; 
e) As manhãs estavam tão claras naquela semana ;
f) O delegado falou claro sobre a execução do pedido de prisão ; 
g) O delegado falou tão claro sobre a execução do pedido de prisão ;
h) A juíza falou claro sobre a execução da sentença ; 
i) A juíza falou tão claro sobre a execução da sentença. 
23
UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
E aí? Vamos conferir as respostas? E refletir sobre os critérios usados na identificação 
e classificação?
É provável que a princípio você possa ter pensado naquela regra que contribui para 
a classificação do adjetivo, que consiste em acrescentar o advérbio “tão” antecedendo o 
lexema, não é? 
Se fez isso, deve já ter descoberto que esse critério também pode ser usado para a 
identificação e classificação de advérbios, não é? Resta, então, pensar no contexto de 
uso, será que só isso basta? 
Não, é preciso mais: é preciso perceber os seguintes critérios mórficos: a) de invaria-
bilidade que só pode ser aplicado aos advérbios; b) de variabilidade que se aplicam aos 
adjetivos. Tendo essa noção como base, vamos lá conferir como ficaram as respostas 
ao exercício: 
a) O dia estava claro quando eu saí. (adjetivo)
b) O dia estava tão claro naquela manhã. (adjetivo)
c) A manhã estava clara quando eu saí. (adjetivo)
d) A manhã estava tão clara naquele dia. (adjetivo)
e) As manhãs estavam tão claras naquela semana. (adjetivo)
f) O delegado falou claro sobre a execução do pedido de prisão. (advérbio)
g) O delegado falou tão claro sobre a execução do pedido de prisão. (advérbio)
h) A juíza falou claro sobre a execução da sentença. (advérbio)
i) A juíza falou tão claro sobre a execução a sentença. (advérbio)
A análise e comparação das orações a, b, c, d e e, nos permite classificar as palavras 
em destaque como adjetivos, porque todas elas aceitaram ser antecedidas pelo advérbio 
intensificador “tão” e, além disso, atenderam ao critério mórfico de acompanhar em 
gênero e número os substantivos que acompanham. 
Já a análise e comparação das orações f, g, h e i, nos permite classificar as palavras 
em destaque como advérbios, porque apesar de todas elas aceitaram ser antecedidas 
pelo advérbio intensificador “tão”, elas atenderam ao principal requisito mórfico de clas-
sificação dos advérbios: ser invariável. Veja que não houve variação de gênero mesmo 
alterando-se o substantivo masculino delegado pelo substantivo feminino juíza. Nesses 
 casos, o lexema “claro”, classificado como advérbio, funciona como modificador do ver-
bo falar, ou seja, expressa o sentido de “falar claramente”, sendo classificado como 
advérbio de base. 
Não podemos nos esquecer de tocar, ainda que brevemente, no fato de que a clas-
se do advérbios abrange também outras formações, como as locuções adverbiais, que 
se constituem a partir da junção de duas ou mais palavras de outras classes gramati-
cais, geralmente, preposição + substantivo ou preposição + adjetivo, ou ainda, preposi-
ção + advérbio, e produzem, na oração, efeito de sentido de modificadores adverbiais. 
Veja alguns exemplos de locuções adverbiais: Saiu em silêncio ou De vez em quando 
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ela vem me visitar. Essas locuções adverbiais existem em um número muito produtivo 
na Língua Portuguesa, fato esse que contribui para a complexidade da classificação dos 
modificadores adverbiais.
Nesta seção, procuramos apresentar critérios que permitem mais clareza na classifi-
cação de advérbios, dada a sua complexidade. É preciso ressaltar, porém, que na língua 
nada funciona sozinho. Assim, a classificação de palavras, tarefa de grande importân-
cia para a descrição de qualquer língua, não deve nunca obedecer a um único critério. 
Dessa forma, os critérios devem ser morfológicos, sintáticos e semânticos, e devem, por 
fim, levar sempre em conta o contexto de uso, pois a língua é viva, heterogênea, socio-
cultural e historicamente marcada. 
Prosseguindo em nossa reflexão sobre essa temática, partimos para a próxima seção, 
na qual abordaremos a fluidez das fronteiras na classificação gramatical. 
A Fluidez das Fronteiras
na Classificação Gramatical
Vamos começaresta seção retomando a pergunta orientadora de nossa reflexão, que 
propusemos na introdução desta unidade: Em que medida podemos estabelecer frontei-
ras exatas para a classificação de palavras? A essa altura, após de ter lido até aqui esse 
material, você já deve ter percebido que não é possível estabecer fronteiras precisas e 
exatas, por que há uma fluidez das fronteiras. Mas o que, na prática isso significa? 
Na prática, significa dizer que se nada na língua funciona sozinho, princípio universal 
para qualquer análise linguística, não basta distribuir as palavras da língua, de forma 
isolada, em classes, usando de forma rígida um único critério. Na língua, os aspectos 
morfológicos, sintáticos e semânticos se somam, inclusive, a aspectos pragmáticos, em 
prol da construção do sentido pretendido em situações comunicativas reais. 
Dessa forma, podemos afirmar que em relação ao trabalho com a classificação de 
 palavras no âmbito escolar, é bastante desejável e produtivo partir de análises contex-
tualizadas, ou seja, da materialidade linguística em gêneros discursivos. Mais do que 
identificar e classificar palavras é importante trabalhar com o léxico da língua, pois é por 
meio dele que os alunos produzirão e compreenderão textos, materializados nos mais 
diversos gêneros. 
O trabalho com o léxico em sala de aula, por sua vez, não envolve apenas sua clas-
sificação, mas também aspectos como: sinonímia, antonímia, campo semântico, afi-
xos produtivos na formação de novas palavras, estrangeirismos (empréstimo e adoção), 
entre outros. Afinal, a língua não é só forma, mas forma, função e significado, não é 
mesmo? Para saber mais sobre essas possíveis abordagens, preparamos para você o 
seguinte infográfico:
25
UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
O trabalho com o léxico 
além da morfologia
Polissemia: atribuição de vários signi�cados a uma palavra; 
opõe-se à monossemia, onde a palavra apresenta um único
signi�cado (ex.: estrofe - grupo de versos de um poema). 
Ex.: manga (fruto da mangueira, parte da camisa que 
cobre o braço ).
Antonímia: relação de oposição/contraste entre o 
signi�cado das palavras. Ex.: nascer/morrer; bonito/feio.
Hiponímia: relação hierárquica entre palavras, que parte 
do sentido especí�co para o geral. Ex.: pereira, sobreiro, 
amendoeira; cão, gato, inseto, peixe.
Família de palavras: conjunto das palavras formadas por 
derivação ou composição a partir de um radical. 
Ex.: marinheiro, marítimo, maresia, amarar, …
Meronímia: relação entre palavras marcada pela referência 
à parte ou componente de um todo. Ex.: dedo, unha (em 
relação a mão) leme, casco, proa (em relação a navio).
Conotação: uso da palavra com signi�cações secundárias 
e subjetivas, ou seja, em sentido �gurado. Ex.: "O Brasil 
está no tempo das vacas magras" em que vacas magras 
signi�ca crise �nanceira.
Campo lexical: conjunto de palavras (da mesma classe) 
que se associam em função de uma determinada área 
da realidade. Ex.: escola – aluno, professor, aula, 
disciplina, ensino, …
Sinonímia: relação de equivalência semântica entre duas 
ou mais palavras. Ex.: belo/lindo/formoso.
Holonímia: relação entre palavras marcada pela 
referência semântica do todo (face à parte). Ex.: mão 
(em relação a dedo); navio (em relação a leme).
Campo semântico: conjunto de sentidos que uma palavra 
pode assumir em contextos diferentes. Ex.: água da fonte; 
fonte da vida; fonte do conhecimento; fonte de alimentação; 
fonte limpa.
Hiperonímia: relação hierárquica entre palavras, que parte
do sentido geral para o especí�co. Ex.: árvore; animal
Denotação: uso da palavra em sentido próprio, ou seja, 
objetivo. Ex.: O período de seca trouxe prejuízo à indústria 
de laticínios, as vacas magras produzem menor quantidade 
de leite.
Figura 5
Fonte: Adaptado de MOREIRA; PIMENTA, 2015
Além das possibilidades apresentadas no infográfico, o trabalho com o léxico deve 
envolver os eixos paradigmático e sintagmático, ou melhor dizendo, o eixo da seleção 
de palavras nos sistema linguístico e o eixo da combinação de palavras na construção de 
frases. Afinal, combinamos palavras na língua para produzir sentido e cumprir nossas 
intenções comunicativas, concorda? Bons estudos e até a próxima! 
26
27
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
Formação e classes de palavras no português do Brasil
Para maior aprofundamento no estudo das classes de palavras, confira o e-book 
Formação e classes de palavras no português do Brasil, da autora Margarida Basílio, 
disponível na biblioteva virtual.
Palavras de Classe aberta
https://bit.ly/38DPcCk
Palavras de Classe fechada
https://bit.ly/3i8FESO
Gramática descritiva do português brasileiro
Acesse em nossa biblioteca digital a obra de Mário A. Perini, e leia o capítulo 13, 
intitulado “Valência”. 
 Vídeos
Sinonímia, Antonímia, Hiperonímia, Hiponímia, Homonímia, Paronímia, Polissemia, Ambiguidade
Para saber mais sobre o trabalho semântico com o léxico e ampliar o que aprendeu 
com o infográfico apresentado nesta unidade.
https://youtu.be/lEAq4Dz26dI
 Leitura
Um Estudo funcional dos verbos em português: dinamicidade e estatividade contextuais
https://bit.ly/3oBUYKp
27
UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
Referências
BAGNO, M. Gramática Pedagógica do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola 
Editorial, 2012.
BASÍLIO, M. Formação e classes de palavras no português do Brasil. São Paulo, 
Contexto, 2004. 
BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
CUNHA, C.; CINTRA, L. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de 
Janeiro, Lexikon, 2017.
PERINI, M. A. Gramática descritiva do português brasileiro. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.
SAUTCHUK, I. Prática de morfossintaxe: como e por que aprender análise (morfo)
sintática. São Paulo: Manole, 2018. (e-book)
28esta seção retomando a pergunta orientadora de nossa reflexão, que 
propusemos na introdução desta unidade: Em que medida podemos estabelecer frontei-
ras exatas para a classificação de palavras? A essa altura, após de ter lido até aqui esse 
material, você já deve ter percebido que não é possível estabecer fronteiras precisas e 
exatas, por que há uma fluidez das fronteiras. Mas o que, na prática isso significa? 
Na prática, significa dizer que se nada na língua funciona sozinho, princípio universal 
para qualquer análise linguística, não basta distribuir as palavras da língua, de forma 
isolada, em classes, usando de forma rígida um único critério. Na língua, os aspectos 
morfológicos, sintáticos e semânticos se somam, inclusive, a aspectos pragmáticos, em 
prol da construção do sentido pretendido em situações comunicativas reais. 
Dessa forma, podemos afirmar que em relação ao trabalho com a classificação de 
 palavras no âmbito escolar, é bastante desejável e produtivo partir de análises contex-
tualizadas, ou seja, da materialidade linguística em gêneros discursivos. Mais do que 
identificar e classificar palavras é importante trabalhar com o léxico da língua, pois é por 
meio dele que os alunos produzirão e compreenderão textos, materializados nos mais 
diversos gêneros. 
O trabalho com o léxico em sala de aula, por sua vez, não envolve apenas sua clas-
sificação, mas também aspectos como: sinonímia, antonímia, campo semântico, afi-
xos produtivos na formação de novas palavras, estrangeirismos (empréstimo e adoção), 
entre outros. Afinal, a língua não é só forma, mas forma, função e significado, não é 
mesmo? Para saber mais sobre essas possíveis abordagens, preparamos para você o 
seguinte infográfico:
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UNIDADE Classes Gramaticais: Campos Lexicais e Fronteiras
O trabalho com o léxico 
além da morfologia
Polissemia: atribuição de vários signi�cados a uma palavra; 
opõe-se à monossemia, onde a palavra apresenta um único
signi�cado (ex.: estrofe - grupo de versos de um poema). 
Ex.: manga (fruto da mangueira, parte da camisa que 
cobre o braço ).
Antonímia: relação de oposição/contraste entre o 
signi�cado das palavras. Ex.: nascer/morrer; bonito/feio.
Hiponímia: relação hierárquica entre palavras, que parte 
do sentido especí�co para o geral. Ex.: pereira, sobreiro, 
amendoeira; cão, gato, inseto, peixe.
Família de palavras: conjunto das palavras formadas por 
derivação ou composição a partir de um radical. 
Ex.: marinheiro, marítimo, maresia, amarar, …
Meronímia: relação entre palavras marcada pela referência 
à parte ou componente de um todo. Ex.: dedo, unha (em 
relação a mão) leme, casco, proa (em relação a navio).
Conotação: uso da palavra com signi�cações secundárias 
e subjetivas, ou seja, em sentido �gurado. Ex.: "O Brasil 
está no tempo das vacas magras" em que vacas magras 
signi�ca crise �nanceira.
Campo lexical: conjunto de palavras (da mesma classe) 
que se associam em função de uma determinada área 
da realidade. Ex.: escola – aluno, professor, aula, 
disciplina, ensino, …
Sinonímia: relação de equivalência semântica entre duas 
ou mais palavras. Ex.: belo/lindo/formoso.
Holonímia: relação entre palavras marcada pela 
referência semântica do todo (face à parte). Ex.: mão 
(em relação a dedo); navio (em relação a leme).
Campo semântico: conjunto de sentidos que uma palavra 
pode assumir em contextos diferentes. Ex.: água da fonte; 
fonte da vida; fonte do conhecimento; fonte de alimentação; 
fonte limpa.
Hiperonímia: relação hierárquica entre palavras, que parte
do sentido geral para o especí�co. Ex.: árvore; animal
Denotação: uso da palavra em sentido próprio, ou seja, 
objetivo. Ex.: O período de seca trouxe prejuízo à indústria 
de laticínios, as vacas magras produzem menor quantidade 
de leite.
Figura 5
Fonte: Adaptado de MOREIRA; PIMENTA, 2015
Além das possibilidades apresentadas no infográfico, o trabalho com o léxico deve 
envolver os eixos paradigmático e sintagmático, ou melhor dizendo, o eixo da seleção 
de palavras nos sistema linguístico e o eixo da combinação de palavras na construção de 
frases. Afinal, combinamos palavras na língua para produzir sentido e cumprir nossas 
intenções comunicativas, concorda? Bons estudos e até a próxima! 
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Formação e classes de palavras no português do Brasil
Para maior aprofundamento no estudo das classes de palavras, confira o e-book 
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disponível na biblioteva virtual.
Palavras de Classe aberta
https://bit.ly/38DPcCk
Palavras de Classe fechada
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Gramática descritiva do português brasileiro
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intitulado “Valência”. 
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Sinonímia, Antonímia, Hiperonímia, Hiponímia, Homonímia, Paronímia, Polissemia, Ambiguidade
Para saber mais sobre o trabalho semântico com o léxico e ampliar o que aprendeu 
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Referências
BAGNO, M. Gramática Pedagógica do Português Brasileiro. São Paulo: Parábola 
Editorial, 2012.
BASÍLIO, M. Formação e classes de palavras no português do Brasil. São Paulo, 
Contexto, 2004. 
BECHARA, E. Moderna Gramática Portuguesa. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2009.
CUNHA, C.; CINTRA, L. Nova Gramática do Português Contemporâneo. Rio de 
Janeiro, Lexikon, 2017.
PERINI, M. A. Gramática descritiva do português brasileiro. Petrópolis, RJ: Vozes, 2016.
SAUTCHUK, I. Prática de morfossintaxe: como e por que aprender análise (morfo)
sintática. São Paulo: Manole, 2018. (e-book)
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