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1 – Estado de equilíbrio O estado de equilíbrio químico é a condição atingida por uma reação reversível quando as velocidades da reação direta e da reação inversa se tornam iguais. Nessa situação, embora as reações continuem ocorrendo simultaneamente nos dois sentidos em nível microscópico, as concentrações de reagentes e produtos permanecem constantes ao longo do tempo, caracterizando um equilíbrio dinâmico. Para que esse estado seja mantido, o sistema deve ser fechado e permanecer sob temperatura constante. Os parâmetros que definem o estado de equilíbrio são: a igualdade entre as velocidades das reações direta e inversa, a constância das concentrações das espécies químicas, o caráter dinâmico do sistema e a manutenção das condições externas, especialmente a temperatura. Um exemplo clássico apresentado no livro é a reação: CO2(g)+H2(g)←→CO(g)+H2O(g) Um exemplo corriqueiro é o refrigerante em uma garrafa fechada, no qual o CO₂ dissolvido no líquido e o CO₂ na fase gasosa permanecem em equilíbrio, apesar da troca contínua entre as fases. 2 – Princípio de Le Châtelier O Princípio de Le Châtelier estabelece que, quando um sistema em equilíbrio químico sofre uma perturbação externa — como variações de concentração, pressão ou temperatura —, o sistema reage espontaneamente no sentido de minimizar ou contrariar parcialmente essa perturbação, deslocando a posição do equilíbrio até que um novo estado de equilíbrio seja estabelecido. Esse comportamento ocorre porque a perturbação rompe temporariamente a condição fundamental do equilíbrio químico, que é a igualdade entre as velocidades da reação direta e da reação inversa. O sistema então evolui até restabelecer essa igualdade, originando um novo equilíbrio dinâmico. A variação de concentração desloca o equilíbrio no sentido de consumir a espécie adicionada ou repor a espécie removida. A variação de pressão, em sistemas gasosos, favorece o lado da reação com menor número de mols gasosos quando a pressão aumenta. A variação de temperatura favorece o sentido que absorve calor em reações endotérmicas e o sentido oposto em reações exotérmicas, sendo o único fator capaz de alterar o valor da constante de equilíbrio. 3 – Lei do Equilíbrio Químico (Lei da Ação das Massas) A Lei do Equilíbrio Químico, também conhecida como Lei da Ação das Massas, estabelece a relação quantitativa entre as concentrações das espécies químicas presentes em um sistema em equilíbrio. Para uma reação reversível genérica: aA+bB←→cC+dD a uma temperatura constante, a razão entre o produto das concentrações dos produtos e o produto das concentrações dos reagentes, cada uma elevada ao seu coeficiente estequiométrico, é constante: Antes de o sistema atingir o equilíbrio, define-se o quociente da reação (Q): A comparação entre (Q )e Kc permite prever o sentido espontâneo da reação. Para sistemas gasosos, utiliza-se a constante em função das pressões parciais: com a relação: 4 – Constante de equilíbrio (referencial e equação) A constante de equilíbrio (K) tem como referencial o estado de equilíbrio químico do sistema a uma temperatura fixa. Seu valor é definido exclusivamente a partir das concentrações ou pressões parciais das espécies químicas quando o sistema se encontra em equilíbrio. Para uma mesma reação, o valor de K depende apenas da temperatura. A expressão matemática da constante de equilíbrio é: 5 – Influência da temperatura e da pressão no equilíbrio químico A temperatura e a pressão influenciam a posição do equilíbrio químico de formas distintas. A temperatura é o único fator capaz de alterar o valor da constante de equilíbrio, enquanto a pressão apenas desloca a posição do equilíbrio em sistemas gasosos, sem alterar K. Em reações endotérmicas, o aumento da temperatura favorece a formação de produtos. Em reações exotérmicas, o aumento da temperatura favorece os reagentes. Exemplo: A pressão afeta apenas equilíbrios gasosos, favorecendo o lado da reação com menor número de mols gasosos quando aumenta. Um exemplo cotidiano é a liberação de CO₂ ao abrir uma garrafa de refrigerante. 6 – Equilíbrio químico em uma mistura (definição e equação) O equilíbrio químico em uma mistura é o estado alcançado por um sistema químico fechado no qual reagentes e produtos coexistem simultaneamente e as velocidades das reações direta e inversa tornam-se iguais, mantendo constantes as concentrações de todas as espécies químicas ao longo do tempo. Esse estado não representa a ausência de reação, mas sim um equilíbrio dinâmico, no qual as transformações químicas continuam ocorrendo em nível molecular. Em uma mistura reacional, o equilíbrio é estabelecido quando a energia livre do sistema atinge um valor mínimo sob condições constantes de temperatura e pressão. Nesse ponto, o sistema não apresenta tendência espontânea de evoluir para outro estado, a menos que seja submetido a uma perturbação externa. Para uma reação genérica: a condição de equilíbrio é expressa matematicamente por: em que as concentrações são avaliadas no estado de equilíbrio. O valor de K é característico da reação e depende exclusivamente da temperatura, sendo independente das concentrações iniciais das espécies. Os conceitos apresentados foram desenvolvidos com base no Capítulo 14 – Equilíbrio Químico do livro Russell – Química Geral, que fundamenta teoricamente o estado de equilíbrio, o Princípio de Le Châtelier e a constante de equilíbrio.