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Resumo sobre o Conceito de Direito A palavra "Direito" tem suas raízes no baixo latim "directum" e "rectum", que se referem a algo que é reto ou conforme a uma norma. O conceito de Direito abrange diversas dimensões, incluindo a norma, que é a regra social obrigatória; a faculdade, que se refere ao poder do Estado de criar leis; o justo, que é o Direito devido por justiça; a ciência, que estuda o Direito; e o fato social, que considera o Direito como um fenômeno da vida coletiva. Assim, o Direito pode ser entendido como um conjunto de leis e normas que regulam a convivência social, sendo essencial para a organização e funcionamento da sociedade. Jusnaturalismo e Juspositivismo O jusnaturalismo, ou Direito Natural, é uma corrente que defende a existência de princípios e normas universais e imutáveis de justiça, que são independentes da vontade humana. Segundo essa teoria, o Direito é algo que precede o ser humano e deve estar alinhado aos valores fundamentais da humanidade, como o direito à vida, à liberdade e à dignidade. As leis que emergem do jusnaturalismo são consideradas atemporais e invioláveis, baseadas em princípios morais e éticos que são inerentes à natureza humana. O jusnaturalismo se divide em três vertentes principais: o jusnaturalismo teológico, que atribui os direitos a uma divindade; o jusnaturalismo cosmológico, que se baseia nas leis naturais do universo; e o jusnaturalismo racionalista, que fundamenta as leis na razão humana. Em contraste, o juspositivismo, ou Direito Positivo, é a corrente que reconhece apenas as normas estabelecidas pelo Estado como válidas. O Direito Positivo é um conjunto de normas que variam de acordo com a sociedade e o tempo, sendo criado e imposto pelo Estado. Essa corrente busca limitar o estudo do Direito às legislações positivas, acreditando que a justiça só pode existir através de normas formalmente estabelecidas. Apesar de suas diferenças, o Direito Positivo deve estar em conformidade com os princípios do jusnaturalismo, como evidenciado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que reflete a essência das normas do Direito Natural. Princípio da Legalidade e Relação entre Direito e Moral O princípio da legalidade, consagrado na Constituição Federal de 1988, estabelece que ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer algo exceto em virtude de uma lei. A lei é uma norma de conduta que deve ser impessoal, geral e permanente, garantindo a todos os membros da sociedade a mesma obrigatoriedade. A legalidade é um mecanismo de proteção contra abusos do Estado e de particulares, permitindo que os indivíduos tenham liberdade para agir, desde que não infrinjam a lei. Assim, o princípio da legalidade é uma garantia constitucional que assegura a ordem e a justiça na sociedade. A relação entre Direito e Moral é complexa e interdependente. Miguel Reale argumenta que ambos são instrumentos de controle social que se completam e influenciam mutuamente. Embora cada um tenha seu objeto específico, é fundamental reconhecer a interação entre eles, evitando a separação absoluta. Giorgio Del Vecchio também destaca que Direito e Moral são conceitos distintos, mas não separados. A moral, que varia ao longo do tempo e entre culturas, e o Direito, que busca regular a conduta social, devem ser analisados em conjunto para uma compreensão mais completa da ética e da justiça na sociedade. Ser e Dever Ser A distinção entre "ser" e "dever ser" é central na Teoria Pura do Direito de Hans Kelsen. O "ser" refere-se ao mundo das leis naturais, onde as coisas acontecem de maneira mecânica, enquanto o "dever ser" está relacionado às normas e à vontade racional do ser humano. O "dever ser" implica que as ações humanas têm consequências e que as normas jurídicas prescrevem condutas obrigatórias. Essa distinção é crucial para entender como as normas jurídicas se aplicam à conduta humana e como a responsabilidade é atribuída dentro do sistema jurídico. Princípio da Imputação O princípio da imputação, conforme Kelsen, é fundamental para a compreensão do Direito, pois se diferencia da causalidade. Enquanto a causalidade se refere a relações de causa e efeito observadas nas ciências naturais, a imputação relaciona-se à responsabilidade atribuída a ações humanas dentro de um sistema normativo. As sanções não são consequências diretas de um ato, mas sim imputadas de acordo com a norma jurídica. Essa abordagem permite uma análise mais precisa da conduta humana e da responsabilização dentro do contexto legal, refletindo a evolução das civilizações e a necessidade de um sistema normativo que regule a convivência social. Destaques O Direito é um conjunto de normas que regulam a convivência social, abrangendo aspectos como norma, faculdade, justo, ciência e fato social. O jusnaturalismo defende princípios universais de justiça, enquanto o juspositivismo reconhece apenas as normas estabelecidas pelo Estado. O princípio da legalidade garante que ninguém pode ser obrigado a agir exceto em virtude de uma lei, protegendo os indivíduos contra abusos. A relação entre Direito e Moral é interdependente, com ambos influenciando e complementando um ao outro. A distinção entre "ser" e "dever ser" é essencial para entender a aplicação das normas jurídicas e a responsabilidade na conduta humana.