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Glicogênio O glicogênio é um polissacarídeo de reserva energética encontrado em animais e fungos. Ele é formado por várias moléculas de glicose unidas por ligações α-1,4 e ramificações α-1,6 a cada 8–12 resíduos de glicose. Principais pontos sobre o glicogênio: • Função: armazenar glicose para ser usada quando o organismo precisa de energia rápida. • Local de armazenamento: principalmente no fígado (regulação da glicemia) e nos músculos (energia local para contração). • Funções específicas: o Fígado: libera glicose na corrente sanguínea para manter a glicemia estável. o Músculo: fornece energia para a contração muscular durante o exercício, mas não exporta glicose para o sangue. • Metabolismo: o Glicogênese → síntese de glicogênio (a partir da glicose). o Glicogenólise → degradação do glicogênio em glicose-1-fosfato (que pode virar glicose-6-fosfato). Como funciona o controle glicêmico: Ele é feito por hormônios, principalmente insulina e glucagon, além de outros reguladores. Quando a glicemia está alta (hiperglicemia) Exemplo: após uma refeição rica em carboidratos • O pâncreas (células β das ilhotas de Langerhans) libera insulina. • A insulina promove: o Entrada de glicose nas células (músculo e tecido adiposo). o Glicogênese (armazenamento de glicose em forma de glicogênio no fígado e músculos). o Lipogênese (armazenamento de gordura). o Inibição da glicogenólise e gliconeogênese. Resultado: a glicemia cai até o normal. Quando a glicemia está baixa (hipoglicemia) Exemplo: jejum prolongado ou exercício intenso • O pâncreas (células α) libera glucagon. • O glucagon promove: o Glicogenólise (quebra de glicogênio no fígado → glicose no sangue). o Gliconeogênese (produção de glicose a partir de aminoácidos e glicerol). Resultado: a glicemia sobe até o normal. Outros hormônios que influenciam • Adrenalina → aumenta glicose no sangue em situações de estresse. • Cortisol → estimula gliconeogênese. • GH (hormônio do crescimento) → reduz a entrada de glicose nas células (efeito hiperglicemiante). Insulina Entrada da glicose na célula estimula GLICOGÊNESE. Glucagon Secretado quando ocorre diminuição de glicose no sangue estimula a GLICOGENÓLISE e a GLICONEOGÊNESE. Glicogênese - Síntese de glicogênio. Glicogenólise - Degradação do glicogênio. Gliconeogênese - Conversão de lactato, piruvato, glicerol e aminoácidos em Glicose. GLICOGÊNESE A glicogênese é o processo de síntese de glicogênio a partir da glicose, acontecendo principalmente no fígado e nos músculos esqueléticos. É estimulada pela insulina quando a glicemia está alta (após a refeição). Ocorre no citosol e requer energia (ATP e UTP). As principais etapas da glicogênese são: 1. Fosforilação da glicose • A glicose que entra na célula é fosforilada, tornando-se glicose-6-fosfato. Isso impede que ela saia da célula, pois o grupo fosfato a torna mais pesada. • Essa reação é catalisada pelas enzimas: o Hexoquinase nos músculos. o Glicoquinase no fígado. 2. Conversão em glicose-1-fosfato • A glicose-6-fosfato é convertida em glicose-1-fosfato pela enzima fosfoglicomutase. 3. Formação de UDP-glicose • A glicose-1-fosfato reage com o trifosfato de uridina (UTP) para formar a uridina difosfato-glicose (UDP-glicose). • Essa reação é catalisada pela enzima UDP-glicose pirofosforilase. Uma pirofosfatase converte o pirofosfato (retirado da molécula de uridina) em 2 fosfatos inorgânicos (Pi). • A UDP-glicose é um doador de glicose ativado, fundamental para a próxima etapa. 4. Iniciação e alongamento da cadeia • Iniciação: A síntese precisa de um iniciador. A proteína glicogenina se autoglicosila, criando uma pequena cadeia de cerca de oito resíduos de glicose, ligada a ela. • Alongamento: A enzima glicogênio sintase adiciona as moléculas de glicose da UDP-glicose a essa cadeia inicial. As moléculas são ligadas por ligações glicosídicas (alfa 1,4), estendendo a cadeia linear. 5. Formação das ramificações • Quando a cadeia linear atinge um certo comprimento (após a adição de 8 a 12 resíduos de glicose), a enzima ramificadora (também chamada amilo- alfa(1,4) → 1,6) - glicosil transferase) entra em ação. • Essa enzima transfere um bloco de resíduos de glicose da ponta da cadeia para um ponto interno, formando uma nova ligação glicosídica alfa -1,6 e criando uma ramificação. • A ramificação torna a molécula de glicogênio mais compacta e aumenta o número de extremidades não redutoras, acelerando tanto o armazenamento quanto a liberação da glicose. GLICOGENÓLISE À medida que a célula necessita de glicose, o estoque de glicogênio é mobilizado e moléculas de glicose são liberadas. Esse processo é denominado glicogenólise e consiste na remoção dos resíduos de glicose terminal. A glicogenólise se processa pela ação de três sistemas enzimáticos: glicogênio fosforilase, transferase e enzima desramificadora. A regulação da glicogenólise ocorre essencialmente pela enzima glicogênio fosforilase. A glicogenólise é a quebra do glicogênio (fígado e músculo) para produzir glicose-6- fosfato (G6P). O processo é estimulado em momentos de necessidade energética, como durante o jejum ou exercícios físicos. Estimulado por GLUCÁGON Não ocorre gasto de energia (molécula já é altamente energética) • No fígado: G6P pode ser convertido em glicose livre e liberado no sangue (mantém a glicemia). • No músculo: G6P entra na glicólise para gerar energia local para a contração. Músculo esquelético e no fígado, as unidades de glicose das ramificações externas do glicogênio entram na via glicolítica pela ação de três enzimas glicogênio-fosforilase, enzima de desramificação do glicogênio fosfoglicomutase. Etapas da glicogenólise 1. Fosforilação do glicogênio • Enzima: Glicogênio-fosforilase. • Ação: Esta enzima catalisa a quebra das ligações alfa – 1,4 glicosídicas nas extremidades não redutoras da molécula de glicogênio, adicionando um fosfato inorgânico (Pi) a cada resíduo de glicose. • Resultado: Libera moléculas de glicose-1-fosfato (G1P) sucessivamente. • Limitação: A glicogênio-fosforilase para de agir quando se aproxima de um ponto de ramificação alfa – 1,6 deixando quatro resíduos de glicose em cada lado. 2. A glicose-1-fosfato removida é convertida em glicose-6-fosfato Fosfoglicomutase Glicose-6-fosfato músculo esquelético - pode entrar na glicólise e serve como fonte de energia para a contração muscular. Fígado - liberar glicose para o sangue quando o nível de glicose sanguínea diminui, 3. Conversão de glicose-1-fosfato • Enzima: Fosfoglucomutase. • Ação: Move o grupo fosfato do carbono 1 para o carbono 6 da glicose, convertendo a glicose-1-fosfato em glicose-6-fosfato (G6P). Reação é reversível e, portanto, a mesma enzima que converteu G6P em G1P faz o inverso. 4. Formação de glicose livre (principalmente no fígado) • Enzima: Glicose-6-fosfatase. • Ação: Remove o grupo fosfato da glicose-6-fosfato (quebra). • Resultado: Liberação de glicose livre na corrente sanguínea para ser utilizada por outros tecidos. • Observação: Esta enzima está presente principalmente no fígado, e não no músculo. Por isso, a glicogenólise muscular produz glicose-6-fosfato para ser usada como energia no próprio músculo. Conversão da Glicose-6-fosfato para glicose -no REL Glicose-6-fosfatase no fígado e no rim, mas não em outros tecidos (músculo e tecido adiposo). Regulação da glicogenólise A glicogenólise é rigidamente controlada por mecanismos hormonais e alostéricos: • Hormonal: Glucagon e adrenalina estimulam a glicogenólise, especialmente no fígado, aumentando os níveis de glicose no sangue. A insulina, por sua vez, inibe o processo. • Celular: No músculo, a necessidade de energia durante o exercício (alto AMP) estimula a glicogenólise, enquanto aabundância de ATP a inibe. VIA DAS PENTOSES FOSFATO É uma via metabólica paralela à glicólise, que ocorre no citosol e tem como principais funções: 1. Produzir NADPH → essencial para reações de biossíntese (ácidos graxos, colesterol, esteroides) e defesa antioxidante (regeneração da glutationa reduzida). 2. Produzir Ribose-5-fosfato → usada na síntese de nucleotídeos e ácidos nucleicos (DNA e RNA). Onde ocorre? Células que se dividem rapidamente, como aquelas da medula óssea, da pele e da mucosa intestinal, assim como aquelas de tumores; Tecidos em que ocorre a síntese de grande quantidade de ácidos graxos (fígado, tecido adiposo, glândulas mamárias durante a lactação); Síntese muito ativa de colesterol e hormônios esteroides (fígado, glândulas suprarrenais e gônadas) utilizam o NADPH produzido por essa via; Em eritrócitos: minimizar os efeitos deletérios das ROS. Etapas da Via das Pentoses Fosfato Essa via tem algumas características importantes: ocorre no citoplasma, não há geração de ATP, mas há produção de NADPH e pentoses. A via das pentoses é composta por duas fases: oxidativa e não oxidativa (veja figuras a seguir). Durante a fase oxidativa, as moléculas de glicose-6-fosfato são oxidadas por moléculas de NADP + pela enzima glicose-6-fosfato-desidrogenase (G6PD) com formação de moléculas NADPH e 6-fosfato- gliconato. Essas moléculas de 6-fosfo- gliconato também são oxidadas, gerando ainda mais moléculas de NADPH, moléculas de CO2 e ribulose-5-fosfato Como funciona o controle glicêmico: Quando a glicemia está alta (hiperglicemia) Quando a glicemia está baixa (hipoglicemia) Outros hormônios que influenciam Etapas da Via das Pentoses Fosfato